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Freeport na tablóide TVI

A TVI passou no Jornal da noite de Sábado com a máxima publicidade e escândalo, como convinha, uma gravação de uma conversa em que Charles Smith acusa José Sócrates, de “corrupto” e de ter (ele C. Smith) entregue uns milhões de euros em envelopes com 3 ou 4.000 de cada vez a “um homem” do 1º M, ao longo de 2 anos. A conversa gravada foi feita na presença de outros personagens ligados ao Freeport e perante um solicitador inglês que gravou a conversa sem o conhecimento dos presentes. O mesmo Charles Smith veio ontem dizer que a gravação é verdadeira mas as declarações são falsas e que foi a forma de ele justificar o desaparecimento do dinheiro. O crédito que este Charles Smith goza já era de há muito o que agora ficou aos olhos de todos. Quando falou verdade? Na conversa gravada ou quando a desmentiu? A peça passada pela TVI não é um mero, justificado e idóneo trabalho informativo. É o exemplo típico de uma estação de TV que se transformou no ícone nacional do tablóide que tem como guia supremo fazer dinheiro se necessário à custa de escândalos e atropelos pessoais. No caso concreto a oposição ao Governo que encontra dificuldades no terreno político agradece esta transferência de arena de combate, do território da política para o campo difuso da insinuação moral. A oposição agradece… se a melhor interpretação do caso não for mesmo a de se tratar, pura e simplesmente, de mais uma peça do puzzle Freeport que renasce e se serve frio, com “fugas” do processo judicial, a compasso eleitoral. Mas não é um dever o de um órgão de comunicação social dar a conhecer coisas como esta? Obviamente que não do modo como o fez. Se se tratasse de informação e comportamento idóneo da estação o assunto teria sido apresentado de modo bem distinto e isento, ouvindo várias fontes e partes interessadas. Porque o que se passou foi o anúncio de crimes, de

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consequências graves para a governação do país com base não em factos comprovados mas numa montagem inconcludente, de duvidosa idoneidade, que parasita uma investigação a que o acesso ilegal é fácil e oportuno e serve claramente objectivos políticos. A peça da TVI é tudo menos informação isenta. É a gravação de uma conversa que não tem imagens mas que para ter o impacte necessário ao fim em vista a TVI apimentou com imagens impressivas do 1ºM rindo, cumprimentando, conversando, num ambiente “Freeport”, com alguns personagens que bem poderíamos imaginar ser os Charles Smithes da escuta e os comparsas que trariam (semanalmente?) o tal envelopezinho. Com as imagens álacres e airosas em pano de fundo, a conversa em inglês e as legendas em Português que mais seria necessário para comprovar o corrupção e o envolvimento do 1ºM? Muito mais grave que as declarações de um personagem desqualificado e pouco fiável que diz hoje uma coisa e a seguir o seu contrário me parece ser o comportamento da TVI. O critério é ganhar dinheiro. Para isso é preciso um comportamento imoral? Trucidar a idoneidade de pessoas, cometer linchamentos éticos ou políticos de cidadãos? Tanto pior mas há que fazê-lo. Esta é a filosofia e a ética dos tablóides. O objectivo é a audiência e o lucro a qualquer preço ou o combate político sujo? Será um deles ou os dois? Se os dois qual tem a primazia? Claro que a isto não sei responder. Mas cada um tire as suas conclusões. É óbvio que nada se sabe, de fidedigno, a respeito de qualquer eventual envolvimento de Sócrates no nebuloso caso do Freeport. A Justiça se funcionar talvez consiga esclarecer o caso, e é importante que o faça,rapidamente como conviria mas o que qualquer observador percebe é que o DVD sobre o Freeport é tudo menos informação e o programa da TVI uma peça que não prima pelo são critério da isenção.

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http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1185207 Caso Freeport

Charles Smith disse em Londres que DVD era autêntico Hoje Smith afirmou que inventou história dos pagamentos ilícitos. Na sexta-feira, após divulgação do DVD, negou ter injuriado Sócrates A gravação na qual Charles Smith diz que José Sócrates "é corrupto" é autêntica. Foi o próprio arguido do caso Freeport que assumiu a autenticidade das suas declarações, durante a investigação paralela que decorre em Inglaterra. De acordo com a TVI, quando foi interrogado por um solicitador inglês (com poderes de investigação), Smith disse que não sabia que estava a ser gravado, mas confirmou que foi ele o autor das declarações, contidas num DVD já amplamente divulgado, nas quais o inglês diz que o então ministro do Ambiente, José Sócrates, actual primeiro-ministro português, "é corrupto". Na reunião gravada no DVD estariam Charles Smith, João Cabral (ex-funcionário da Smith & Pedro) e Alan Perkins, administrador do outlet Freeport. Alan Perkins terá gravado a conversa sem conhecimento de João Cabral e Charles Smith, sendo que na altura Smith já era arguido no processo.

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De acordo com a TVI, quando foi encostado à parede pelos investigadores, Smith confirmou a autenticidade da gravação, mas disse que tinha inventado a história dos pagamentos ilícitos para justificar o desaparecimento do dinheiro. Mas na sexta-feira, depois da divulgação da gravação, pela TVI, Smith desmentiu em comunicado que alguma vez se tenha referido a Sócrates de forma injuriosa. Ontem, os lideres do PCP e do CDS, Jerónimo de Sousa e Paulo Portas, pediram celeridade à Justiça na resolução deste processo . Contactada pelo DN, a procuradora titular do processo Freeport, Cândida Almeida não quis comentar os desenvolvimentos do caso. Smith afirmou que inventou história dos pagamentos ilícitos. Na sexta-feira, após divulgação do DVD, negou ter injuriado Sócrates ________________________

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1184591 Caso Freeport

Charles Smith desmente injúrias a José Sócrates por Lusa 28 Março 2009 "Mantive durante anos muitas reuniões com os administradores, nomeadamente Alan Parkins, algumas na presença de João Cabral e outros colaboradores para discutir questões relativas ao empreendimento", mas "é falso que alguma vez, naquelas reuniões, ou em qualquer outra oportunidade, me tenha referido ao primeiro-ministro de forma injuriosa, bem como a qualquer outro político, ou tenha oferecido, ou prometido contrapartida, ou vantagem, para obter o licenciamento do Freeport", garante no comunicado, a que a Agência Lusa teve acesso. "As notícias de que certa comunicação social tem feito eco sobre o meu envolvimento não passam objectiva e subjectivamente de uma campanha orquestrada, desde há anos, por

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interesses que me ultrapassam mas que, ao utilizarem-me, atentam contra o meu bom nome, a minha honra e a minha pacífica presença em Portugal", explica. Charles Smith é firme, a concluir: "Procurarei desmascarar a perseguição e exigir responsabilidades, por todos os meios que a lei me permitir". Em causa está a notícia avançada no "Jornal Nacional" da TVI com base num DVD que está na posse da polícia inglesa, em que o sócio da consultora Smith & Pedro, contratada para tratar do licenciamento do Freeport de Alcochete, diz que José Sócrates "é corrupto" e que terá recebido, por intermédio de um primo, dinheiro para dar "luz verde" ao projecto. Uma hora depois da divulgação da notícia, cerca das 21:00 de sexta-feira, o gabinete do primeiro-ministro emitiu um comunicado em que repudiou "com veemência" todas "as referências" que o envolvem, "directa ou indirectamente". "No que me diz respeito, essas afirmações são completamente falsas, inventadas e injuriosas. Reafirmo, mais uma vez, que não conheço o sr. Charles Smith, nem nenhum dos promotores do empreendimento Freeport", assegurou. José Sócrates terminava o comunicado revelando que já deu orientação ao seu advogado para "agir judicialmente contra os autores desta difamação". A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, defendeu hoje que "a sucessão de factos" sobre o caso Freeport "torna premente, para bem do sistema judicial e para bem da democracia, que este assunto seja esclarecido e bem esclarecido rapidamente". A líder social-democrata falava no final de uma visita ao Centro Paroquial e Social do Santo Condestável, no distrito de Bragança, uma instituição de solidariedade social que apoia em diferentes valências nomeadamente utentes em situação de carência

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__________________________________ Caso Freeport - DN

Sócrates quer processar mais meios de comunicação social por FILIPA AMBRÓSIO DE SOUSA Ontem O primeiro-ministro vai processar mais meios de comunicação social que tenham violado o segredo de justiça. Para já, em comunicado, Sócrates assume que vai processar Charles Smith e a TVI, depois de o vídeo que mostrava o sócio da Smith & Pedro a chamar "corrupto" ao chefe do Executivo. O primeiro-ministro, José Sócrates, vai processar mais meios de comunicação social para além da TVI, depois de a investigação do processo Freeport terminar. Contactado pelo DN, o advogado do chefe do Executivo, Daniel Proença de Carvalho, assume que já está a ser feita uma "análise de violação de segredo de justiça por parte de outros órgãos de comunicação social" e que, "em função disso, tomaremos decisões". E explicou que, em alguns casos, leia- -se, jornais, houve uma clara "manipulação da verdade e uma clara máfé". Em Janeiro deste ano, a polémica do Freeport voltou a estar na ordem do dia com o semanário Sol a avançar com a notícia de que os responsáveis do Freeport e Charles Smith terão trocado e-mails que demonstravam a alegada corrupção no licenciamento do projecto. Também o Correio da Manhã, um mês depois, avançou com a notícia de que a mãe de Sócrates teria comprado alegadamente uma casa a pronto a uma offshore, num ano em que declarou menos de 250 euros de rendimentos.

Na sexta-feira, a estação de Queluz emitiu um DVD (ver coluna ao lado), que se encontra actualmente na posse da polícia inglesa, em que Charles Smith, arguido no processo, dizia

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claramente que o actual primeiro-ministro, na altura ministro do Ambiente, era "corrupto" e que terá recebido, por intermédio de um primo, dinheiro para dar luz verde ao projecto do outlet. O DVD mostrava uma conversa alegadamente gravada pelo ex- -administrador do Freeport, Alan Perkins, em que este conversava com João Cabral, engenheiro que trabalhava como consultor na Smith & Pedro e o próprio Smith, que alega não ter tido conhecimento desta gravação. Mas o facto de a gravação não ter sido feita por ordem judicial pode invalidar este elemento como prova em tribunal, segundo dita a nossa lei processual penal. Depois da emissão do próprio vídeo no Jornal Nacional da TVI, na sexta-feira à noite, Sócrates não gostou e, uma hora depois, emitia um comunicado (ver coluna ao lado) onde alegava a falsidade das notícias e adiantava que ia avançar judicialmente contra os autores da difamação. Durante o dia de ontem, já era certo que também a TVI será alvo de um processo judicial por violação do segredo de justiça e difamação. Ontem, foi a vez de Charles Smith, sócio da consultora Smith & Pedro, contratada para tratar do licenciamento do Freeport, emitir um comunicado onde desmentia que "alguma vez se tenha referido a José Sócrates de forma injuriosa", mas assumiu que se tinha reunido naquela data com João Cabral e Alan Perkins para discutir assuntos relativamente ao Freeport. Perante estes factos, Manuela Ferreira Leite, líder do PSD, fez saber ontem que, "a sucessão de factos torna premente, para bem do sistema judicial, que este assunto seja esclarecido rapidamente". Ontem, em Gondomar, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Santos Silva, reafirmou que "não há nenhum membro deste Governo que esteja indiciado ou sequer sob investigação". E explicou que o PS se opôs a que o enriquecimento ilícito seja considerado crime, por defender que "não se deve inverter o ónus da prova". João Palma, eleito ontem presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, assumiu que, neste caso concreto, "existem pressões".

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FREEPORT na Tablóide TVI  

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