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Braganรงa Paulista

Sexta

01 Janeiro 2010

Nยบ 516 - ano VIII

jornal do meio

jornal@jornaldomeio.com.br


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Retrospectiva 2009 Editorial E recomeça tudo de novo...

C

omeçamos 2010 com o pé direito! Para comemorar o primeiro dia do ano, preparamos uma coletânea das melhores matérias de 2009. Reunimos nessa edição as histórias que mais marcaram nossos leitores, colunistas, parceiros e entrevistados, para mostrar que para nós, o que realmente importa é a sua opinião! Das peripécias do mágico Fábio Lelli, que ganha a vida criando um mundo de encantamento para crianças e adultos, à tradição das quermesses em Bragança – responsáveis por manter viva parte da história e dos hábitos dos moradores de nossa cidade.

No ano passado mostramos que os cuidados com nossos bichinhos de estimação podem incluir especialidades que nunca imaginamos, conhecemos um grupo de amigos que se diverte pedalando por belíssimos lugares, flagramos os bastidores da construção de um sonho em um dos quadros do programa Domingo Legal, e ouvimos as histórias de um cantor de karaokê, que há 16 anos participa de concursos. Buscamos sempre olhares diferenciados para fatos que fazem parte do nosso dia a dia como a paixão de novas e velhas gerações por carros antigos; a tradição indiana no Brasil – que ganhou repercussão através da novela Caminho das Índias -; as conversas e os casos de um grupo de pescadores que compraram um ônibus para tornar as viagens

mais confortáveis; as emoções retratadas por um fotógrafo de casamentos e a importância do aprendizado, ainda na infância, sobre religiões diferentes e filosofia. Também conferimos como é a rotina de alguns frentistas que atuam também como pequenas centrais de informação da cidade; acompanhamos a dedicação de um veterinário que participa de campeonatos de marcha de cavalos; mostramos como artesãos de Bragança transformam materiais descartados e peças de decoração e acessórios; falamos sobre a arte milenar da confecção das antigas espadas japonesas samurais e contamos a história da jogadora de futebol que ganhou um concurso e viajou para Alemanha para treinar com o Byern de Munique.

Descobrimos a força de vontade de uma corredora, que aos 77 anos de idade ainda participa de competições dentro e fora do país; falamos da fé e da coleção de um bragantino por imagens de santos; mostramos as mudançaseducacionaispromovidas por professores de uma escola municipal; falamos da emoção de adultos que começam a aprender o significado das letras; descobrimos um produtor independente de vídeos de animação; recordamos os hábitos dos Anos Dourados e, finalmente, falamos com pessoas que recebem um dinheirinho extra com as caixinhas de fim de ano. Desejamos a todos que fizeram, e a todos que farão parte de nossa história nesse ano que começa hoje, um Ano Novo repleto de paz, saúde e novidades!

FELIZ ANO NOVO! MONS. GIOVANNI BARRESE

V

ou desejando ano novo feliz vivendo um pouco na ilusão sabida que a mudança de calendário não pode dar um jeito naquilo que não se fez ou se fez mal no ano que termina. Alguém disse que de ilusão também se vive. Creio que a frase funcionaria melhor se dissermos que de sonho também se vive. A Psicologia diz que os sonhos são a realização dos nossos desejos inexpressos. Eles permitem a superação daquilo que as normas da convivência não permitem realizar. Sabemos que um ano bom depende de muitas coisas. Das decisões pessoais. Das decisões coletivas. Creio que o empenho pessoal pode ser excelente meio para que aconteça um ano melhor. Sabemos que a vida é condicionada por muitos fatores. Se houver disposição de mudança naquilo que é pessoal já damos bons passos. O mais importante é fazer 01 . janeiro . 10

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de cada dia um novo passo para aquilo que se sonha. Perceber em si e nas circunstâncias mais próximas o que é preciso transformar. Para não cair na eterna rotina de esperar que as coisas mudem como que por encanto. O ano bom depende da forma como nós o encaramos e, mais que isso, como nós nos colocamos a construí-lo. E não se trata nem de individualismo nem de intimismo. Trata-se de tomar arranque do pé de apoio que é a própria realidade pessoal. Que projeta o que se entende por ano bom. E o que deveria acontecer para que fosse bom. E o que se deve fazer para que a bondade do ano não fique só nos desejos e propósitos da virada do ano. Cada ser humano tem potencial para fazer sua vida melhor. A vida dos outros e a vida do mundo. Depende do aplicar-se no caminho desse ideal. Quem crê em Deus sabe que o desejo de Deus é que todos os anos sejam bons. E que Ele dá a todos o necessário para que os dias sejam vividos de forma plena. Depende do que se faz com os dons recebidos. A maior tentação é ficar esperando que Deus resolva nossos problemas. Que Ele cuide dos detalhes e faça acontecer o melhor. Que Ele corrija os nossos

erros. Deus faz tudo isso se nós fizermos nossa parte. Não há nada que não possa ser melhor. Basta que nós melhoremos. O ano bom é uma dádiva divina que passa pelo trabalho humano. Como dádiva do céu é o melhor. Como realização humana fica nas nuances de nossa ação. Na medida em que nos empenharmos pela justiça, pela verdade, pela fraternidade, pela superação da miséria, por arrancar do nosso meio todas as formas de violência, o ano bom acontece. Os últimos dias deste ano estão sendo marcados pela Conferência de Copenhague. Essa reunião tem a pretensão de criar um grande acordo para que se cuide do nosso planeta, para que se cuide da Vida. Pela imprensa temos sabido que as coisas não estão fáceis. Os grandes países poluidores não estão demonstrando muita vontade para mudanças radicais. E tem aparecido a intenção de “obrigar” os países emergentes e os mais pobres a sacrif ícios que os países ricos não fizeram e não querem fazer. Como impressiona a força do dinheiro. O lucro é a força normativa das decisões. Os conglomerados econômicos não querem perder nada. Devem ter menos os que já quase nada têm!

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EXPEDIENTE Jornal do Meio Rua Santa Clara, 730 Centro - Bragança Pta. Tel/Fax: (11) 4032-3919 E-mail: jornal@jornaldomeio.com.br Diretor Responsável: Carlos Henrique Picarelli Jornalista Responsável: Alexandra Calbilho (mtb: 36 444)

As opiniões emitidas em colunas e artigos são de responsabilidade dos autores e não, necessariamente, da direção deste orgão. As colunas: Casa & Reforma, Teen, Informática, Antenado e Comportamento são em parceria com a FOLHA PRESS Esta publicação é encartada no Bragança Jornal Diário às Sextas-Feiras e não pode ser vendida separadamente. Impresso nas gráficas do Jornal do Meio Ltda.

Aqui no Brasil vamos vivendo temporada de chuvas que têm feito muito estrago. De novo vamos tomando conhecimento de que os rios querem de volta o seu leito. E sabe-se que a solução é mesmo devolver aos rios a sua calha e a sua várzea. Esbarra-se no custo que isso implica. Quem estaria disposto a enveredar por uma ação sócio-politico-econômica dessa envergadura? Haveria interesse em investir uma enorme soma de dinheiro para retirada de tudo o que obstrui o caminho dos rios? E em construir casas para recolocar as pessoas transferidas? Além do fato de que seria necessária uma enorme tarefa de conscientização e convencimento. Haveria chance para isso? Fica, cada dia mais claro, que sem uma consciência que revolucione a mentalidade imediatista iremos enfrentando todos os anos perdas e danos. Que aumentarão sempre. Até quando? Não posso terminar estas linhas fugindo do desejo de um ano feliz para todos. É o que todos desejamos. É nossa esperança! Que trabalhemos para um ano bom. Com todos os problemas que teremos que enfrentar vale a pena desejar: FELIZ ANO NOVO!


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Com a carta na manga por Maria Fernanda di Bella

Fabio Lelli optou por uma carreira inusitada, e se deu bem com isso

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Mágica não é mais como não prestou nenhum vestibular antigamente. A cada dia e optou por seguir a carreira surgem truques novos, de mágico. No início a família sempre mais elaborados. Mas foi pega de surpresa, mas hoje eles não encantam só as crianças: todos já se renderam ao talento os adultos ficam deslumbrados do jovem, tanto que antes de com a habilidade e rapidez dos incluir os truques no show ele os profissionais. A plateia permanece apresenta para a família. atenta, tentando pegar os míni- Em Bragança, Fábio se apresenta mos detalhes com o intuito de em festas infantis e também em descobrir alguma coisa. Ficamos restaurantes. Na Casa da Cultunos perguntando: ra fez um show Onde foi parar para cerca de No mesmo dia que a moeda? Como 700 pessoas. Ele o jornal foi às ruas, ele adivinhou também é conviuma pessoa ligou e dado para fazer a minha carta? me contratou Não conseguiapresentações mos descobrir em empresas. o truque e esse Fora da cidade, Fábio Lelli é o encanto de o mágico já fez toda mágica. shows em Jundiaí, É preciso mais do Cajamar, São Pauque técnica para atrair a atenção lo, Campinas, Itupeva, Louveira, do público. O mágico deve ter Extrema, entre outras. carisma para encantar e divertir Alguns eventos em 2009, Fábio a plateia. E para saber mais sobre conseguiu através da matéria esse universo, a edição 466, de16 do Jornal do Meio. “Gostaria de de janeiro, trouxe como matéria elogiar a toda equipe do Jornal. de capa o mágico Fábio Lelli. A repercussão da entrevista foi Desde pequeno Fábio gostava de positiva, muita gente comentou assistir aos espetáculos de um dos comigo e todos elogiaram a mamaiores expoentes da profissão: téria. Inclusive no mesmo dia que o ilusionista David Cooperfield. o jornal foi às ruas, uma pessoa Quando acabou o colegial, dife- ligou e me contratou. Só tenho a rentemente dos amigos, Fábio agradecer todos do Jornal e dizer que 01 . janeiro . 10

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desejo muito sucesso a vocês”, comenta Fabio.

O mágico conta que treina sozinho, o máximo de tempo que conseguir

O show A apresentação é interativa, ou seja, Fábio chama crianças e adultos para participar das mágicas com ele. O tempo do show varia conforme o estilo. “Se for mágica de salão (as de porte médio como corda e guilhotina de braço), geralmente dura entre 40 e 50 minutos, o que dá em média 15 truques. Em festas infantis o tempo é contado. Em outros locais o show pode durar um pouco mais, até 1 hora”, explica. Só para a preparação, ou seja, para montar tudo, ele leva cerca de 30 minutos. A mágica close up (feita de perto com canetas, elásticos, baralho, bolinhas e moedas) dura mais: entre uma e duas horas. “O tempo depende do cliente e também varia conforme o número de pessoas. Como vou de mesa em mesa para mostrar os truques, é mais demorado”, esclarece. Mercado de trabalho não falta para quem pensa em seguir a profissão. A maioria dos trabalhos, claro, aparecem nos finais

de semana. O mágico já chegou a fazer 4 apresentações em um só dia. Segundo Fábio, atualmente o Brasil está vivendo o boom da mágica. Mas para viver nesse meio, é preciso se atualizar constantemente. Ele está sempre em contato com outros mágicos e participa de encontros e associações, como a Confederação Brasileira de Ilusionismo (CBI) e a Associação de Mágicos do Estado de São Paulo. São nos encontros que Fábio compra os livros de mágica e os materiais necessários para realizá-las, que, aliás, não são nada baratos. Um baralho, por exemplo, pode custar 80 reais. O preço varia conforme o efeito que a mágica proporciona, o que só confirma que coisas simples podem ser mais interessantes. CONTATO

Fabio Lelli Tel: 9778-0475 Email: oz_magico@hotmail.com


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Como gente

grande por Maria Fernanda di Bella

Para dar mais qualidade de vida aos bichos, veterinários estão se especializando em diversas áreas

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nimais de estimação são Telma Florio trabalha com a ficonsiderados membros da sioterapia e diz que o tratamento família e a cada dia recebem pode ser aplicado em animais com cuidados mais do que especiais, problemas ortopédicos, assim afinal são companheiros fiéis e por como estimular a cicatrização isso devem ser tratados com todo óssea, em animais idosos e até em bichos obecarinho e dedisos que precisam cação. Para que Ouvi comentários emagrecer. esses cuidados positivos e através O trabalho da sejam cada vez veterinária é realimelhores, vetedo jornal algumas rinários estão se zado na grama ou pessoas me especializando na piscina (onde procuraram em fisioterapia, os exercícios são mais fáceis de oftalmologia, Flávia serem realizados). acupuntura e outras tantas Além dos exercícios, Telma utiliza áreas. A edição 468, de 30 de janeiro, um aparelho, o eletroestimulador. abordou esse tema e conversou Outros aparelhos que podem com três veterinárias. ser usados são o ultrassom e o FOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

FOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

Elaine, que trabalha há 3 anos com acupuntura, também realiza o implante de ouro, um estímulo constante no ponto de acupuntura 01 . janeiro . 10

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Flavia, veterinária especializada em oftalmologia diz que as raças de cães que mais apresentam problemas nos olhos são o Buldog, Shitsu e Llasa Apso. Já nos felinos é o Gato Persa

laser. Cada sessão de fisioterapia custa em média 50 reais e o núNa fisioterapia Telma trabalha os animais na grama e na piscina mero de sessões que é indicado nos casos de lesões varia conforme a crônicas, como artrose. necessidade do animal. “Adorei participar da matéria, que “Gostei da matéria do jornal e trouxe uma repercussão positi- queria dizer que a acupuntura é va. É bom saber que a medicina mais eficaz porque não tem efeito está cada dia melhor. Também colateral e não faz uso de medié importante salientar que só camentos que podem mascarar na especialização vamos mais a a doença”, diz Elaine. fundo nos assuntos. A matéria Já a oftalmologista Flávia Rodrigues ficou boa, com uma linguagem Souza explica que as doenças mais simples e fácil de entender”, ob- comuns nos felinos são as conjuntivites e doenças infecciosas. Nos serva Telma. cães são os traumatismos (como úlcera de córnea) e catarata. Uma Agulhas que aliviam Elaine Sacrini, especialista em curiosidade: a cirurgia de catarata animais de grande porte, trabalha feita nos animais é a mesma reahá três anos com a acupuntura. lizada em humanos. A consulta Geralmente esse tratamento é pode chegar a 70 reais, mas no indicado para complementar Hospital Escola da FESB, onde outras terapias e tratar seque- a veterinária trabalha, o preço é las de cinomose (uma doença menor: cerca de 25 reais. viral) e também problemas Algumas dicas como cuidado ao articulares, de coluna e ósseo dar banho no animal, ficar atento musculares, dermatológicos, com animais que têm franja ou oftalmológicos, como terapia pelo comprido e usar solução no pós-operatório, assim como fisiológica ou água filtrada para limpar o olho dos bichinhos, na prevenção de doenças. As sessões custam em torno de 30 ajudam a prevenir doenças. reais e a maior parte das agulhas “A matéria ficou bem escrita e são colocadas no dorso do animal. tudo que disse foi colocado. Ouvi A veterinária também realiza o comentários positivos e através implante de ouro (um estímulo do jornal algumas pessoas me constante no ponto de acupuntura), procuraram”, finaliza Flávia.


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Mais árvores e menos óleo por Maria Fernanda di Bella

A campanha de arrecadação de óleo de cozinha está crescendo, mas a população pode ajudar muito mais

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o longo dos anos o Jor- fator preocupante é que durante nal do Meio produziu a decomposição, é emitido gás diversas matérias sobre metano, um dos responsáveis meio ambiente e uma delas saiu na pelo aquecimento global. edição 470, do dia 13 de fevereiro, Para tentar reduzir esse impacto sobre a campanha de arrecadação negativo do óleo, desde março de de óleo de cozinha realizada pelo 2008 os alunos e funcionários do SENAI (ServiSenai iniciaram Queremos passar ço Nacional de um programa a mensagem de Aprendizagem para recolher que devemos Industrial) de o óleo de cocuidar da natureza Bragança Pauzinha de reside forma efetiva. lista. dências, bares É uma questão Os dados sobre os e restaurantes. de atitude. Não danos causados O óleo coletado adianta reclamar e pelo óleo de cozié vendido para não fazer nada nha na natureza uma empresa são desanimaAdemir Redondo e o dinheiro dores, mas estes arrecadado é números podem investido em mudar com a mudas nativas conscientização da população. O da região. Brasil consome em média 3 bilhões Alguns estabelecimentos code litros anualmente. Um litro de merciais da cidade possuem óleo jogado na pia contamina cerca tambores (fornecidos pelo Senai) de 20 mil litros d’água. que armazenam o óleo coletado. Devido à densidade, água e óleo Além do Senai, outros postos de não se misturam, por isso é tão coletas são: Auto Posto Biquinha prejudicial descartar o óleo na (Av. Antonio Pires Pimentel), Bar água, pois ele cria uma camada do Jorge (no Bairro do Menin), impermeabilizante na superf ície. Posto de Saúde Vila Davi – EsAlém disso, afeta o solo, impedindo pecialidades II e Sindicado dos que a água se infiltre nele. Outro Metalúrgicos (Centro). 01 . janeiro . 10

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Resultados O Diretor do Senai, Ademir Redondo, diz O diretor do Senai Ademir Redondo mostra um dos produtos que podem que o aumento ser feitos com o óleo arrecadado do número de a vegetação. Queremos passar a mudas de 2008 para 2009 foi surpreendente. “A mensagem de que devemos cuidar meta de arrecadar mais óleo foi da natureza de forma efetiva. cumprida. Ano passado foram É uma questão de atitude. Não plantadas 80 mudas, cada uma adianta reclamar e não fazer representando um aluno. Este nada”, opina o diretor. ano foram 400 mudas”, orgulha- Para Ademir, a matéria do Jornal se. As mudas foram plantadas no do Meio colaborou para que Bairro Planejada (em frente à sede as pessoas ficassem cientes do da Acohab) em parceria com a trabalho realizado pelo Senai. “Muitas pessoas não tinham ONG SOS Vale do Jaguary. Segundo Ademir, desde o início conhecimento e a mídia ajuda da campanha, houve melhora na nesse sentido. Elas encontraram conscientização das pessoas. “A as informações no jornal. Logo cultura vem mudando. O Senai que a reportagem saiu houve prepara o cidadão e o profissio- uma repercussão muito grande. nal e foca não só no aluno, mas O resultado foi favorável e o nosso na família. Os alunos levam o objetivo foi alcançado. Adoramos conhecimento para a família, a matéria”. conscientizam familiares e ami- Quem quiser ajudar pode levar o óleo até um dos postos de coleta. gos”, observa. Em 2009 foram coletados mais de O ideal é armazenar o óleo em 3.800 litros de óleo. “As pessoas garrafas PET, que também são começaram a guardar garrafas recicladas. Mais informações PET também. É um trabalho através do site: www.sosmaenaduplo, estamos evitando poluir tureza.org ou pelo telefone o meio ambiente e preservando 4035-5422 (Senai).


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Turma da

bicicleta por Maria Fernanda di Bella

A turma chega a pedalar 50 km em cada passeio

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edalar, além de melhorar Figueiredo, Francisco Leme (o a saúde também faz bem Fran) e Gustavo Arruda Bars, à alma, pois através dos contaram ao Jornal do Meio a passeios é possível conhecer rotina de quem tem o ciclismo lindos lugares. Isso uma turma de como hobby. Ao menos 3 vezes por amigos em Bragança que esteve semana a turma se encontra para pedalar. Durante na edição 472, a semana os de 27 de fevereiE é gratificante passeios são ro sabe de cor, ver que a prática noturnos . Já afinal são cerca do esporte está aos domingos de 3 anos juntos, crescendo. A acontecem pela pedalando por bicicleta está manhã. diversos lugares se tornando um Equipados com de Bragança e veículo bastante todos os itens região. popular de segurança Antonio de Toninho como capacete, Pádua Oliveira luva e óculos Mello (o Tonipara proteger nho), Jocimar Franco de Oliveira, Alberto das do sol e da areia, mais câmara Neves (o Beto), José Ricardo de ar, bomba para encher pneu, faróis e sinalizadores, água, frutas e barras de cereais, os amigos saem do Lago do Taboão para visitar pontos turísticos. As cachoeiras de Bueno Brandão foram escolhidas Uma das cachoeiras de Bueno Brandão (MG), o local foi eleito o mais bonito pelos amigos como o lugar mais FOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

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bonito já visitado. Mas a turma já pedalou para Atibaia, Vargem, Piracaia, Pedra Bela, Nazaré Paulista, Bom Jesus dos Perdões, Monte Sião e até a Aparecida do Norte. O intuito é passear e fotografar as belezas naturais, tanto que não existe um treinamento específico para adquirir resistência.

Muitas histórias Como em todo grupo unido, não poderiam faltar brincadeiras e histórias para contar. E é impossível falar de ciclismo sem lembrar ao menos de um tombo, que segundo a turma, é inevitável. Por isso a dica e nunca pedalar sozinho. Mas a maioria dos passeios são divertidos e desestressantes. Para eles, a bicicleta desenvolve a percepção de equilíbrio e a habilidade espacial. “Achei a matéria bem interessante. Amigos, familiares e conhecidos comentaram sobre o jornal. Até comentei com minha esposa que fiquei surpreso com o número de pessoas que viram o jornal. Alguns amigos ficaram bravos porque não saíram na matéria”, comenta Francisco Leme, o Fran. Ele diz

que agora com o verão os passeios se intensificam. “É mais gostoso pedalar no verão”, opina. Antonio de Pádua Oliveira Mello, o Toninho, também conta que a matéria teve uma repercussão enorme. “Gente que eu nem conhecia veio comentar. E é gratificante ver que a prática do esporte está crescendo. A bicicleta está se tornando um veículo bastante popular. Conheço o Secretário do Meio Ambiente em São Paulo e ele só anda de bicicleta”, diz. Ele acredita que no futuro o número de adeptos do ciclismo será ainda maior. “Estão fazendo muitas passeatas sobre o assunto. É um transporte bastante usado e muito legal porque ao mesmo tempo em que é um transporte limpo, o usuário também se exercita”. Toninho também deixa um recado: “Gostaria que os dirigentes políticos pensassem mais sobre a questão e realizassem políticas públicas voltadas para o uso mais freqüente da bicicleta, como incentivar o uso e construir ciclovias. Muita gente utiliza a bicicleta para trabalhar e infelizmente não tem apoio, e o pior: correm riscos”.


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Vivendo um

sonho por Mariana Viel

Depois de participar do quadro do Domingo Legal Anderson e Suelen falam da emoção de morar em uma casa nova Suelen e Anderson posam em frente à nova casa

U

m dos maiores desejos do No dia da reportagem fomos brasileiro é ter uma casa recebidos pelo então diretor do própria. Em muitos casos programa, Walter Wanderley a realização desse sonho pode ser (o Goiabinha) que revelou que concretizado com uma boa refor- Suelen tinha realmente motivos ma. Para conseguir o que muitas para duvidar que seria escolhida. vezes parece impossível algumas Ele disse que o programa recebe pessoas recerca de quacorrem para tro mil cartas Era tudo muito alternativas todos os dias. diferente, os quartos no mínimo Para abrigar ficavam em outra inusitadas: os tantos pediposição. Nossos filhos programas de dos de ajuda televisão. Na a produção aproveitam muito mais edição 474, de do quadro o espaço para brincar. 13 de marpossui uma Nas primeiras noites ço, o Jornal sala exclusiva eu achava que era do Meio foi para o armamentira, que estava conferir o 7º zenamento e sonhando dia de reforma a leitura de na casa de todas as históAnderson da rias. O diretor Suelen Silva e Suelen revelou ainda Lê Fosse – esque cada edicolhidos pelo ção do proquadro Construindo um Sonho grama conta com a participação do Programa Domingo Legal, de cerca de 120 pessoas. apresentado na época por Gugu Ao longo de tantos anos como Liberato. diretor, Wanderley já viu o soSuelen lembra que chegou a nho de muita gente se realizar. perder as esperanças em ser “É comovente. Fico emocionado atendida. “Uma vizinha nos contou em ver a reação das pessoas. Me que a produção do Gugu havia ligado sinto muito feliz, afinal, fazemos para ela fazendo algumas perguntas de tudo para que a pessoa goste sobre a nossa casa. Mas como tudo da casa”. demorou tanto tempo eu comecei a O engenheiro responsável pela achar que eles não viriam mais”. obra, Hélio Nassaralla, da empresa 01 . janeiro . 10

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MUDAR, de Minas Gerais, conta que a construção de uma casa do tamanho da que está sendo construída, para uma família que não tem problemas financeiros, demora em média cinco meses. No programa a casa é construída em 13 dias. “São 14 pessoas trabalhando, 13 horas por dia”. A equipe é sempre a mesma, mas o material de construção é todo comprado na cidade, juntamente com os gastos da alimentação. A decoração também é feita pela MUDAR.

A entrega da casa

Anderson e Suelen lembram que no dia da entrega não acreditaram na quantidade de pessoas que estavam aguardando para ver o resultado da reforma. “Na hora que nós chegamos aqui ficamos assustados com a confusão. Era tanta gente que nós ficamos até um pouco atordoados com tanta movimentação” diz Suelen. O marido lembra que na primeira noite em que passaram na nova casa, a movimentação de carros na rua para ver a reforma entrou a madrugada. “Tinham vários carros e pessoas de outras cidades que passavam aqui na porta para ver como a casa tinha ficado. Teve fila de carros até mais de duas horas da manhã” diz Anderson. Reservado o casal diz que, infeliz-

mente, teve que restringir o acesso das pessoas à casa. “Tinha gente que nós nunca tínhamos visto na vida que parava na porta e pedia para ver a casa. Nós tivemos que impedir o acesso de muitas pessoas que não conhecíamos” completa Anderson. Da antiga casa onde eles moravam apenas o terreno pôde ser reaproveitado. Toda a construção teve que ser demolida. O trabalho da equipe do programa começou, literalmente, do início. Suelen confessa que no início estranhou um pouco a disposição e os tamanhos dos cômodos. “Era tudo muito diferente, os quartos ficavam em outra posição. Nossos filhos aproveitam muito mais o espaço para brincar. Nas primeiras noites eu achava que era mentira, que estava sonhando”. FOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

O engenheiro responsável Hélio Nassaralla e o diretor Walter Wanderley falam sobre o trabalho de construir sonhos


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Hora do

show! por Maria Fernanda di Bella

Paulo Suzuki continua vencendo campeonatos de karaokê

N

ão adianta negar. Todo

caiu nas graças do povo brasileiro

mundo, ao menos em

há pouco mais de uma década,

um momento do dia se

através dos videokês.

pega cantarolando uma canção.

Suzuki participa dos Concursos

Não importa o ritmo (sertanejo,

Brasileiros de Canção Japonesa

romântica, samba, etc.) ou idio-

e o primeiro campeonato que

ma (algumas

ganhou foi há

vão no ‘em-

13 anos, em

bromation’ mesmo. O que importa é cantar, e quantos cantores anônimos estão espalhados pelo país, por

Muita gente não sabia que eu cantava e ouvi muitos comentários, várias pessoas me cumprimentaram principalmente de Bragança. Não esperava

Paulo Suzuki

Atibaia. Na adolescência ele cantava numa rádio voltada para a colônia nipônica e também chegou a participar de

Bragança? Paulo Suzuki, um senhor de 76

concursos de música com banda,

anos, esteve na edição 475 de

sempre cantando em japonês

20 de março. O motivo? Há 16

como faz até hoje.

anos ele participa de concursos

O cantor já perdeu a conta de

de karaokês e já venceu dezenas

quantas medalhas, troféus e cer-

deles. A palavra karaokê é a união

tificados possui. No 1° semestre

de duas palavras: kara (que vem

de 2009 ele venceu o 15° Paulistão

de karappo e significa vazio) e

realizado em Campinas, na catego-

oke, (de okesutura quer dizer

ria Veterano D-2, consagrando-se

orquestra). Embora exista há

bicampeão. E o ano foi repleto

muito tempo no Japão, o karaokê

de vitórias. Em agosto ganhou

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Além da voz, seu Suzuki se preocupa com a aparência (por isso vai de smoking) e também com o desempenho no palco. Tudo para agradar os jurados e o público

um campeonato em Campinas

vencer o campeonato. Cerca de

e outro em Barueri.

11 jurados avaliam desde carisma,

“Gostei demais da matéria e

ritmo, o tempo certo de entrar

guardei um exemplar do jornal

na música, até a letra, dicção e

com muito carinho. A família

presença de palco.

adorou, principalmente minha

Por isso Suzuki sempre sorri, tenta

esposa Elvira. Muita gente não

parecer o mais natural, veste uma

sabia que eu cantava e ouvi muitos

roupa impecável (smoking, com

comentários, várias pessoas me

a gravata borboleta vermelha) e

cumprimentaram principalmen-

até arrisca uns passos de dança.

te de Bragança. Não esperava”,

Tudo para ganhar a simpatia não

emociona-se Suzuki.

só dos jurados, mas da plateia. A

No palco

música dura em média 3 minutos e tem o acompanhamento de um

Os campeonatos que Suzuki

playback musical.

participa são divididos em várias

Para continuar entre os primeiros,

etapas: regional, estadual (chamada

Suzuki treina todos os dias durante

de Paulistão), nacional (Brasileirão)

uma hora. Além disso, faz aula de

e o Grand Prix (uma espécie de

canto com uma professora duas

campeão dos campeões). Neste

vezes por mês. Mesmo com tantos

último, os participantes recebem

prêmios o cantor, que possui uma

prêmios em dinheiro e viagens.

loja de fotografia em Bragança,

Nas demais etapas recebem

afirma com a simplicidade de

troféus.

um campeão que o importante

E se engana quem pensa que é

não é ganhar, mas se divertir

necessário ser apenas afinado para

e fazer amigos.


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ABRIL

FOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

Paixão contagiante por Mariana Viel

Carros antigos agradam pessoas de várias idades interessadas em preservar um pouquinho do passado na garagem de casa

É

muito dif ícil explicar ele nasceu. exatamente quais motivos O Maverick modelo GT, V8, verde transformam uma pessoa primavera, ano 1979 foi comprado comum em um aficionado por através de um anúncio em uma carros antigos. Seja pelo desenho, revista especializada. O médico mecânica, traconta que a busca diç ão, e stilo, pelo carro dos excentricidade sonhos demoÉ como se a ou saudosismo, rou cerca de dois matéria tivesse algumas pessoas anos e incluiu contagiado outras têm como hobby até pesquisas na pessoas que têm comprar, reforinternet e sites de curiosidade sobre mar e até mesmo relacionamento o assunto. colecionar carros como o orkut. Rafael antigos. Na maExistem dezenas téria publicada de comunidades no dia 17 abril e fóruns onde as (edição 479) o Jornal do Meio pessoas discutem o tema. Rafael entrevistou o médico legista, Rafael disse que a matéria no jornal tamFerreira da Silva e o restaurador bém contribuiu para a aproximação Antônio Garcia. Aos 29 anos o dos bragantinos que apreciam os médico declarou que seu grande modelos mais antigos. “É como amor sobre quatro rodas saiu da se a matéria tivesse contagiado fábrica no mesmo ano em que outras pessoas que têm curiosidade sobre o assunto”. Ele lembra que a repercussão da reportagem surpreendeu. “Sinceramente eu não esperava tanta repercussão. Na época muitas pessoas pediam informações sobre carro O hobby de Toninho é montar miniaturas de carros antigos. e perguntavam Existem dezenas de modelos espalhados pela oficina sobre os enconFOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

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Rafael passeia com o Maverick nos finais de semana ou quando vai participar de feiras e encontros em outras cidades

tros e reuniões”. Antes de comprar o carro dos sonhos, o médico se divertia com outros modelos. “Já tive um Fusca 1969, outro 1972 e um Maverick branco, 1976, que foi vendido para ajudar a comprar o modelo 1979”. Ele compara a paixão por carros com o futebol. “Quem gosta de futebol não pode ver um jogo na tevê que já para assistir. Comigo é a mesma coisa, só que com carros”. Ele contou que guardou o jornal com a reportagem do carro em uma pasta ele arquiva diversas matérias sobre carros antigos. “Achei que o melhor lugar para guardar a matéria era na pasta junto com as outras”.

Restauração

A paixão de Antônio Garcia por carros antigos também está evidenciada em sua oficina de restauração. Calotas, frisos, emblemas, retrovisores, maçanetas, grades são muito bem organizadas em caixas, gavetas e armários. A garagem é decorada com miniaturas, quadros e emblemas originais. A garagem também é cheia de placas. Toninho, como é conhecido, é restaurador de acessórios de carros antigos há cerca de 12 anos. Mas a paixão já dura mais tempo. Ele tem dois

Fuscas (um 1964 totalmente restaurado e o outro 1970, que está com Toninho há 27 anos) e duas Variants (uma 1973 e a outra 1970, a última foi restaurada de ponta a ponta). Ele diz que gostou da matéria publicada no jornal. “Achei a matéria boa. Os mais conhecidos brincaram, principalmente, os que trabalharam comigo”. Toninho explicou que assim que a reportagem foi publicada algumas pessoas ligaram para ele. “Logo que a matéria saiu, algumas pessoas me ligaram, mais por curiosidade, para conhecer as miniaturas de carros que faço”. O restaurador conta ainda que no final de semana em que a matérias saiu ele participou do XIV Encontro Paulista de Autos Antigos em Águas de Lindóia. O evento é o maior de autos antigos da América Latina aconteceu entre os dias 17 a 21 de abril em Águas de Lindóia (SP). Cerca de 700 carros antigos participaram da exposição. “Na época estava me preparando para o Encontro de Águas de Lindóia e o evento foi bom porque sempre faço contatos nesses encontros . Continuo participando de feiras e encontros e todo mês tem algum pra ir”.


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ABRIL

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Um pouco da Índia no Brasil por Maria Fernanda di Bella

Professora indiana esclarece alguns aspectos dessa cultura que encantou os brasileiros

B

rasileiro adora novelas. É sobre a Índia. um costume que faz parte “Ouvi bastante comentários a resde nossa cultura. Através peito da matéria, inclusive na sala da ficção aprendemos muito da dos professores. Algumas pessoas realidade, como doenças, fatos não sabiam que eu era indiana. Até históricos e costumes de outros o fim da novela muita gente me perguntavam países. Não sobre os costufoi diferente O que a novela mes, as roupas”, com a novela mostrou de positivo diz Vani. Caminho das foram os valores, a Ela ressalta que Índias, onde importância que o é preciso separar descobrimos povo indiano dá para a novela da retodo o encana família e o respeito alidade indiana: tamento da aos mais velhos, o “O que passou Índia, com que não acontece em em Caminho as roupas algumas culturas das Índias não co l o r i d a s , Vani é a Índia de homaquiagens je”. Isso porque marcantes e um tema muito expressões que ficaram conhecidas do mostrado na novela foi a questão das castas. Elas ainda existem, público. A indiana Grannabathula Sree Vani apesar de terem sido abolidas – que nasceu no Sul da Índia, no na Constituição de 1950, mas Estado de Andhra Pradesh e mora segundo Vani, a discriminação no Brasil desde 1992 – conversou não é tão acentuada como foi com o Jornal do Meio e foi capa retratada na ficção e as classes da edição 480, de 24 de abril. Vani mais baixas têm direito a cotas é professora da USF em Bragança nas universidades. e com a novela passou a ser mais “O que a novela mostrou de positivo procurada por alunos e amigos, foram os valores, a importância que pois todos queriam saber mais o povo indiano dá para a família e 01 . janeiro . 10

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o respeito aos mais velhos, o Vani (que está há 17 anos no Brasil) é professora universitária e os alunos frequentemente a abordavam que não acontepara perguntar sobre os costumes indianos ce em algumas lação do planeta, com mais de 1 culturas”, opina a professora. É muito comum tocar bilhão de habitantes, por isso é o o pé dos avós, sogros e tios para país com maior número de vegetapedir a benção. Além disso, é o rianos, graças a religião hinduísta homem que carrega o sobrenome (também existem outras religiões e o filho mais velho é quem cuida como budistas e islâmicos). No país a vaca é um animal sagrado, mas dos pais. O respeito às mulheres também é Vani esclarece que não é comum verdadeiro e elas não se expõem. o animal entrar nas lojas, como Nesse aspecto a Índia é um país mostrado na novela. Existem dias conservador e o f ísico não é tão especiais para isso. valorizado como acontece no Por ser uma religião politeísta Brasil. Mas, como em outras (com vários deuses), cada Deus culturas, o papel da mulher na tem um significado e as crianças sociedade vem aumentando e no são ensinadas sobre eles desde caso dos casamentos arranjados, cedo. Vani conta que eles rezam elas têm o direito de recusar o primeiro para Ganesh (que tem corpo humano e cabeça de elefante), pretendente. A cerimônia do casamento varia que é o deus da sabedoria. de 3 a 5 dias, mas na opinião de Como vemos no Brasil, há dois Vani, a novela cometeu alguns extremos na Índia: a pobreza e a excessos. A parte verídica é que riqueza (esta enfatizada na novela o dote ainda existe e o noivo, dá com os sáris de tecidos luxuosos). um colar para a noiva: o Mangala Vani comenta que realmente as mulheres se vestem com o sári Sutra, e não uma aliança. (longa peça de tecido enrolada em volta do corpo), mas no dia-aAre baba! A Índia possui a 2ª maior popu- dia eles são mais simples.


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Quilos e mais quilos de peixe

por Maria Fernanda di Bella

Todo ano uma turma de bragantinos viaja para pescar no rio Araguaia

E

les já são experientes, co- baixo. O destino escolhido é um nhecem muitas técnicas da paraíso para quem pratica a pesca: pesca amadora e ao menos o rio Araguaia (onde é possível uma vez por ano se reúnem e viajam encontrar peixes de couro, como o para pescar. A Piraíba, Pintaturma de 10 do e Pirarara), Depois que o jornal pessoas reprecom paisagens saiu, bastante gente sentada por belíssimas e me procurou querendo dezena s de Vino Destro ir pescar com a gente. pássaros, jaleva o esporte Agora existe uma fila tão a sério que carés e botos, de espera. É difícil comprou um inclusive o corporque o barco que ônibus, para de-rosa. usamos no Araguaia que as viagens O ônibus foi tem um número (de 1.500 km estreado em limitado de pessoas ou mais) se 2009 e as instornem mais talações são de Vino confortáveis. deixar muitos Na edição 484, aventureiros do dia 22 de com inveja. maio, Vino contou muitas histó- São seis lugares para dormir, 18 rias das cerca de 15 viagens que bancos, tv de plasma, dvd, uma o grupo realizou, quase sempre pia de cozinha, ar condicionado entre junho ou julho. Essa época e duas mesas de baralho (um dos é escolhida porque o clima está locais mais usados pelos amigos, mais ameno e o nível do rio mais isto porque o tempo de viagem que era de 18, passou para 24 horas). “Depois que o jornal saiu, bastante gente me procurou querendo ir pescar com a gente, querendo uma vaga. Diziam que o grupo é bacana, que Pingado exibe uma Pirarara de mais de 50 kg, temos uma estrutura um dos maiores peixes já boa. Agora existe pescado por ele

uma fila de espera. É difícil porque o barco que usamos no Araguaia tem um número limitado de pessoas”, conta Vino. O barco que o grupo utiliza é uma chalana emprestada de um amigo, onde eles permanecem durante seis dias sem pisar em terra firme. Assim como o ônibus, a embarcação é bem confortável e conta com quatro dormitórios, sala, cozinha, tv e ar condicionado. Além do Rio Araguaia, a turma também vai até o rio Cristalino, localizado na Ilha do Bananal, em busca do Tucunaré. Para isso é necessário pegar um pequeno barco de alumínio conhecido como ‘voadeira’ e descer 150 km. Vino diz que por ser um lugar cheio de lagoas, é preciso fazer força e arrastar o barco de uma lagoa para outra, porque muitas vezes o acesso secou.

FOTO ARQUIVO\PESSOAL

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Passatempo Longe de tudo e de todos, além da pescaria, o tempo passa com viola, churrasco, baralho e cerveja (não necessariamente nessa ordem). Muitos também se arriscam na cozinha. Os pratos principais são peixe assado ou frito e moqueca. Mas por via das dúvidas o grupo sempre leva um cozinheiro.

Viagens do grupo são repletas de belas paisagens

Para deixar a pescaria mais emocionante, o grupo faz uma competição. Quem pesca o maior peixe durante a viagem, recebe uma quantia (simbólica) em dinheiro, o que causa muita confusão porque tem gente que segundo Vino ‘tenta esticar o peixe’ para ganhar. Alguns peixes chegam a pesar 30 quilos, mas outros, de tão pesados, os pecadores não conseguem tirar da água. Vino conta que eles até chegam a arrastar o barco e a ‘luta’ pode durar bastante tempo. Um dos grandes medos dos pescadores é cair na água por causa das piranhas e do candiru, um peixinho que entra pelo canal da urina. Quem está de fora, diverte-se com o desespero de quem está na água. “A reportagem ficou muito boa e conseguiu absorver tudo que foi dito. Ouvi muitos comentários e repercutiu mais do que esperávamos. Claro que muita gente brincou, falando que as histórias eram mentiras, conversa de pescador”, comenta Vino. Em setembro a viagem foi para o rio Apa (em Tocantins). Em 2010 será para a Amazônia. “Aí vamos realmente testar a eficiência do ônibus, pois são mais de 50 horas de viagem”, finaliza Vino.


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MAIO FOTO ARQUIVO

Emoção atrás das lentes por Maria Fernanda di Bella

Toleba diz que a igreja do Rosário é a mais bonita e sonha em fotografar um casamento na praia

N

o mês das noivas, mais de lembranças e histórias, e cada precisamente a edição 485 cerimônia tem um lugar especial de 29 de maio, o Jornal na memória do fotógrafo. do Meio fez “Muitas um especial pessoas cocontendo três mentaram e Muita gente não sabia matérias com me pararam que a cerimônia, um dos fotóna rua para o evento tem um grafos mais comentar significado pra conhecidos outras histómim. É mais do que da cidade: rias. Achei as simplesmente chegar, Adriano Lereportagens tirar as fotos e ir embora. me Dávila, o bem bacanas, Minha profissão meio Toleba. São porque muita lúdica. É necessário mais de 24 gente ficou técnica e coração ao anos clicando sabendo da mesmo tempo os mais variaminha carToleba dos casamenreira e dos tos; desde o bastidores making of da da profissão”, noiva até o fim da festa. Foi uma diz Toleba e continua: “Outros entrevista muito emocionada, cheia profissionais que trabalham com casamentos também vieram falar comigo. A repercussão foi positiva”. As mais interessadas na matéria – as noivas – também procuraram o fotógrafo. “Todas têm histórias paralelas para contar. Muita gente não sabia que a cerimônia, o evento tem um significado pra mim. É mais do que simplesmente chegar, tirar as fotos e ir embora. Minha profissão é meio lúdica. É Para Toleba casamento tem valor e não preço necessário técnica e coração FOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

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Segundo Toleba que faz a foto não é a máquina, mas quem está atrás dela

ao mesmo tempo”, confessa o fotógrafo. Para ele as matérias valorizaram os profissionais. “Achei sensacional ver a nossa classe valorizada e não imaginava a repercussão”.

Sensibilidade Toleba registra um dos momentos mais especiais na vida de uma pessoa e tudo é feito com antecedência, tanto que a agenda de 2011 do fotógrafo já está aberta desde o início de 2009. Toda essa programação tem um motivo: o preço fica diluído em várias parcelas. Mas para Toleba ‘casamento não tem preço, tem valor’. E um dos itens que ninguém abre mão é a fotografia. Entre as mudanças percebidas pelo fotógrafo ao longo dos anos está o aumento da faixa etária dos noivos, pois todos querem se estabilizar financeiramente antes de subir ao altar. Hoje em dia é muito comum também que casais que já vivem juntos oficializem a união. Já as mulheres que se casam grávidas não chocam mais a sociedade como antigamente. Para que não ocorra nenhum erro, a equipe do fotógrafo é bem

organizada. São três equipamentos de câmeras, mais 3 de iluminação e 8 pontos de luz. Toleba também conta com um assistente que o acompanha a todo o momento. Outros itens de logística acompanham o fotógrafo em qualquer cidade que ele vá como Atibaia, Pinhalzinho, outras cidades da região, além de São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte. Todo cuidado é pouco e Toleba compara o trabalho do fotógrafo com uma cirurgia, pois só existe aquele momento e não há margem para errar. Claro que imprevistos acontecem, mas algumas coisas tornam a cerimônia mais leve e às vezes até engraçada: uma daminha que não quer entrar com as alianças, o padre que atrasa, as brigas pelo buquê da noiva, uma noiva vestida de roxo, escorregões e assim por diante. Na opinião do fotógrafo são as histórias paralelas, as que estão na periferia do evento, que dão alma à celebração, e tornam o acontecimento mais gracioso. Ele também já fotografou casamentos de pessoas que se conheceram em festas que ele estava fotografando. Nada mal para quem deu mais de 500 mil cliques!


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Educação

inter-religiosa

por Maria Fernanda di Bella

Para Dora Incontri, as crianças precisam ter contato com todas as religiões e filosofias

E

xistem muitas coisas que escreveu quando tinha apenas 21 acontecem em Bragança anos. Outras publicações são: ‘A que a maioria das pessoas Educação Segundo o Espiritismo’ não fica sabendo. E essa é a pro- (obra mais vendida da autora, posta do Jornal do Meio: fazer lançada em 97) e ‘Todos os Jeitos com que a população conheça de Crer’ (série de livros didáticos, moradores da cidade que realizam indicados ao Prêmio Jabuti) feito em parceria com Alessandro César um trabalho de destaque. Foi o caso da paulistana Dora Bigheto, que aborda o ensino inter-religioso. Incontri, que A proposta da participou da Sou jornalista e sei pedagogia espíedição 487, de 11 que nem sempre rita é perceber o de junho. Dora é o que a gente espiritismo mais jornalista, mas o fala é reportado como um profoco de seu trafi elmente no cesso de educabalho é voltado jornal. Mas vocês ção que religião. para Pedagogia transmitiram bem Nas palavras de Espírita. Ela posDora Dora: “A intensui Mestrado, ção é resgatar Doutorado e Pósno movimento Doutorado em Filosofia da Educação pela USP espírita brasileiro uma visão e é coordenadora da Associação mais pedagógica, mais cultural e Brasileira de Pedagogia Espírita, filosófica e não só religiosa como além de ter uma editora – Co- é”. Por isso ela pode ser aplicada menius, especializada em edu- tanto para adeptos quanto não cação e em cultura espírita – e adeptos do espiritismo. Outro diversos livros publicados (sobre diferencial é que a pedagogia Pedagogia Espírita e também espírita encara a criança como um ser reencarnado, que precisa mediúnicos). ‘Educação da Nova Era’ foi o primei- ser respeitada e trabalhada com ro livro sobre educação que Dora uma individualidade única. 01 . janeiro . 10

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Para formar profissionais capacitados existe um Dora mora há 8 anos em Bragança, onde possui a Editora, livraria e distribuidora Comenius especializada em educação e cultura espírita curso de PósGraduaçãoem Educador’ e ‘Livrinho das Mães’, Pedagogia Esnos quais psicografou Joham pírita que possui convênio com a Heinrich Pestalozzi, Jam Amos Universidade Santa Cecília, em Comenius e Maria Montessori, Santos, e com a Unibem - Faculrespectivamente. Para receber dades Integradas Espíritas, em as mensagens, Dora foi ao Lago Curitiba. No curso é trabalhada do Taboão, durante 3 meses, a ideia do ensino inter-religioso, sempre no mesmo horário. Ela pois a intenção é que as crianças diz que para psicografar precisa deveriam ter acesso a todas as reesvaziar a mente e deixar que ligiões e filosofias. Por esse motivo o jato de ideias flua. Para não deve-se ressaltar que a Pedagogia interferir, a escritora não fica Espírita não é um movimento de imaginando o que virá. doutrinação do Espiritismo. “Todos que me conhecem e viram a matéria gostaram bastante. CoDo outro lado mentaram sobre a reportagem, Em Bragança, na sede da Editora que foi fiel aquilo que disse. Essa Comenius, também funciona a é uma preocupação que a gente ABPE (Associação Brasileira de tem. Sou jornalista e sei que Pedagogia Espírita), uma entidade nem sempre o que a gente fala sem fins lucrativos, que tem como é reportado fielmente no jornal. finalidade divulgar a Pedagogia Mas vocês transmitiram bem”, Espírita. conclui Dora. Dora, que desde os 11 anos apresenta mediunidade psicoINFORMAÇÕES gráfica, recentemente lançou www.editoracomenius.com.br três livros: ‘Meditações’, ‘O


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JUNHO

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Mapa na

memória por Maria Fernanda di Bella

Frentistas têm várias funções. Uma delas é dar informações aos motoristas perdidos

A

edição 488, de 19 de junho, trouxe um assunto que poucas pessoas param para pensar, mas que ao menos uma vez na vida já fizeram: pedir informações no posto de gasolina. Os frentistas Luciano de Almeida Toledo (do Posto Tasca), Alexandre Aparecido de Campos e Vicente Machado de Lima Filho (ambos do Posto do Lago), contaram sobre a rotina de quem além de colocar a gasolina, verificar água, óleo, lavar o carro, calibrar pneu e realizar outras atividades, também trabalha como ‘guia’. Isso porque durante a semana são dezenas de pessoas que param FOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

Luciano era o funcionário mais requisitado para dar informações. Agora ele trabalha no escritório do posto, mas diz que se alguém precisar de informação, pode chama-lo 01 . janeiro . 10

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para perguntar como chegar a Em alguns dias o determinado lugar da cidade. fluxo de pessoSegundo Luciano, de segunda as é tão grande a quinta são pessoas a trabalho, que Alexandre já Alexandre e Vicente cobram das autoridades entre elas muitos caminhoneiros chegou a sonhar melhorias na sinalização da cidade que estava danque precisam fazer entregas. técnicos Carlos Alberto Parreira Já nos finais de semana são motoris- do informação. tas que estão passeando. Os lugares Os frentistas até fi zeram uma e Vanderlei Luxemburgo. mais procurados são o Circuito das reclamação para um vereador da “Achei a matéria ótima. Os amigos cidade, pedindo e outros funcionários do posto Águas, Sul de melhorias na conversaram sobre a entrevista”, diz Minas, Vale Achamos muito bom Luciano. Ele agora foi promovido sinalização. do Paraíba participar da matéria. e trabalha no escritório e por isso e região de A gente não imaginava Campinas. Sinalização não precisa mais dar informação, que um dia seríamos E não existe Ao longo do embora faça questão de dizer que entrevistados por um jornal. Ouvimos distinção de tempo, mui- “fazia com o maior prazer e boa comentários da família e sexo, nem tos motoristas vontade”. Para Luciano a sinalização dos amigos e achamos a idade. Toperdidos vira- na cidade melhorou bastante. matéria bem positiva dos param ram clientes e Vicente e Alexandre discordam para se inalguns voltam quanto à sinalização. Na opinião Vicente e Alexandre formar. para agrade- dos frentistas muito ainda precisa Os frentistas cer a ajuda. E ser feito para que os motoristas não dizem que não são apenas se percam. Eles dizem que sempre são educados, mas nem sempre pessoas ‘comuns’ que se perdem, cobram soluções das autoridades a recíproca é verdadeira, princi- muitas celebridades já pediram quando estas param no posto. palmente quando os motoristas informações como os cantores “Achamos muito bom participar da estão atrasados. Alguns querem Almir Sater e Sérgio Reis, os matéria. A gente não imaginava que que os funcionários parem atores Paulo Gracindo e Paulo um dia seríamos entrevistados por o que estão fazendo, só para Figueiredo, também o Padre um jornal. Ouvimos comentários dar a informação. Há também Antonio Maria, além do humo- da família e dos amigos e achamos quem não entra no posto e fica rista Ary Toledo, o jogador de a matéria bem positiva”, opinam gritando da rua. futebol Marcelinho Carioca e os Vicente e Alexandre.


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JULHO

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Trote para a

vitória por Maria Fernanda di Bella

O veterinário Caio Hernandes, ex-peão de rodeios, se dedica a outro esporte: participa de campeonatos de marcha de cavalos

A

edição 490, do dia 03 de julho, trouxe como matéria principal o veterinário e treinador de cavalos Caio Eduardo Hernandes da Silva, que em junho foi campeão nacional de marcha de cavalo. Antes de ter como esporte a marcha de cavalos, Caio participou de rodeios, montando em bois, durante 10 anos. Ele conheceu mais sobre a prova de Marcha de Equino Marchador com Gigio (Álvaro Biazetto) e então, em 2008 comprou um Mangalarga Marchador – o Santarém – que segundo o veterinário, é uma das principais raças para esse tipo de competição. Foram 6 meses de treino, de duas a três vezes por semana, com duração de 1 hora cada. E em pouco mais de 1 ano participando FOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

O veterinário ganhou a competição com o cavalo Santarém, um Mangalarga Marchador, uma das raças mais indicadas para esse tipo de competição 01 . janeiro . 10

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de competições, Caio foi destaque Brasileira dos Proprietários no Campeonato Nacional. A cidade de Jundiaí foi a sede d e M u a r e s da primeira etapa, no dia 1° de e E q u i n o s maio. Caio conquistou o 1º lugar d e M a r c h a e com o resultado se classificou (ABPME M). Caio foi campeão nacional de Marcha de Equino Marchador para a etapa final, que durou 3 A Associação de passadas, no ritmo de seu dias e foi realizada em Ourinhos realiza de 10 (SP), entre 05 e 07 de junho. Na a 12 provas por ano e possui andamento natural) e resistência regras bem de- (o animal deve manter o mesmo categoria que finidas para as ritmo, desempenho e demonstrar o cavaleiro competições, integridade f ísica). participa, de Qualquer lugar como tempo de Sela ou arreio, cabeçada e freio 36 animais, 10 que andava, ouvia prova, quesitos são acessórios necessários para foram classicomentários positivos. avaliados pelos participar das provas. Nas mulas ficados e ele Não esperava tanta juízes e saúde é obrigatório o uso de peiteira ganhou o 1° repercussão. Quem (peitoral) de argola. Já a espora do animal. lugar. viu o jornal divulgou, e chicote são permitidos, desde O cavalo preci“Achei a mapassou a informação sa marchar em que o animal não seja machucado, téria muito adiante círculos durante caso contrário, o cavaleiro está b o a . To d o 40 minutos: 20 desclassificado. mundo gosCaio minutos para Outros itens também desclassificam tou: família, um lado e 20 um competidor, como o estado amigos e colegas de trabalho. Qualquer lugar para o outro. Alguns dos quesitos corpóreo adequado do animal, que andava, ouvia comentários avaliados pelos juízes são: estilo assim como animais esgotados e positivos. Não esperava tanta (equilíbrio, harmonia, elegância, cansados. Os juízes montam em repercussão. Quem viu o jornal energia e nobreza dos movimen- todos os animais antes do início divulgou, passou a informação tos); comodidade (qualidade da da competição e se algum não adiante. Gostaria de agradecer a movimentação do animal); regu- permitir, está eliminado. família e os amigos pelo apoio”, laridade (manutenção do mesmo Por isso todos os animais são muito diz Caio. Em 2009 ele participou ritmo apresentado pelo animal bem tratados: descansam em méde mais 5 provas e continua com durante toda prova); rendimento dia 5 dias antes das competições, (resultante de passadas amplas, comem uma ração balanceada, e planos para 2010. elásticas desenvoltas e equili- claro, é preciso cuidar do pelo, Avaliação bradas, de modo a cobrir maior para que o show na arena seja Caio faz parte da Associação distância com o menor número completo.


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JULHO JULHO

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Artesãos e

inventores por Maria Fernanda di Bella

Eduardo e Rogério têm a visão aguçada para perceber entre tantos materiais descartados, aqueles que podem ser reaproveitados Eduardo e Rogério na oficina. Mais de 40 máquinas construídas. Entre erros e acertos surgem grandes invenções que facilitam o trabalho dos artesãos.

Q

ue o brasileiro é um povo

trabalho já dura mais de 10 anos,

‘geringonças’ (apelido dado pelo

cas que os artesãos utilizam. O

criativo todo mundo

mas o que diferencia o trabalho

próprio inventor).

carpete do antigo Cine Bragança

já sabe, mas muitas

dos artesãos, além desse lado

Falando em dar nomes aos inven-

foi transformou em um isolante

pessoas têm receio de colocar

ecológico, é que eles inventam

tos, na oficina de Pantera, está

de poeira e calor.

as ideias em prática, com medo

e fabricam as próprias ferra-

a Trapisonga. A máquina (que

“Achei a matéria excelente. Muitas

mentas.

funciona através de comandos

pessoas comentaram”, conta Pantera

E aí o reapro-

elétricos e mecânicos) mede cerca

e Eduardo completa: “ Muita gente

veitamento

de dois metros de altura e três

não só de Bragança, mas da região,

entra em cena

metros de comprimento e realiza

lê o jornal. Sou de Joanópolis, mas

novamente.

diversas funções como tornear

moro em Bragança há 10 anos. Achei

Eles desmon-

(arredondar) peças de madeira

muito legal que o jornal chegou

tam aparelhos

de diâmetros variados.

até lá. Uma mulher que tem uma

eletrônicos, ele-

Há pouco tempo, os artesãos

loja em Socorro me ligou e virou

trodomésticos

adaptaram um cooler de com-

cliente. Hoje faço peças para a loja

e outros objetos

putador (espécie de ventoinha)

dela”. Ele diz que não esperava a

que encontram

a um capacete de soldador e

repercussão. “Muita gente não

em ferros-ve-

uma bateria de 12 volts. O novo

conhecia nosso trabalho e com

rio Gomes (o

lhos e também

equipamento tem como intuito

o jornal passou a conhecer”,

Pantera) con-

no lixo, e criam

impedir que as partículas de ma-

conclui Eduardo

de fracassar. Não é o caso dessa dupla de artesãos que estiveram na edição 492, em 17 de julho, que tem como lema inovar e reaproveitar.

Uma mulher que tem uma loja em Socorro me ligou e virou cliente. Hoje faço peças para a loja dela. Muita gente não conhecia nosso trabalho e com o jornal passou a conhecer

Eduardo Pe-

Eduardo

reira e Rogé-

feccionam pulseiras, pingentes, anéis e molduras para quadros e

novos equipamentos.

deira - que se soltam durante o processo de lixamento das peças

espelhos de um jeito diferente:

Imaginação

utilizam móveis antigos e peda-

Dificilmente existe algo que não

disso, impede que o material seja

ços de madeiras descartadas por

possa ser reaproveitado. Tudo

aspirado. Lixas para madeira

marcenarias e madeireiras.

que a imaginação permite pode

ajustadas ao sistema giratório de

Algumas das sobras de madeira

ser transformado: motores de

uma enceradeira antiga e a um

utilizada são de árvores nobres

máquinas de lavar, espremedores

acelerador de uma máquina de

e em extinção como Pau-Brasil,

de laranja e liquidificadores. Com

costura viraram uma lixadeira. E

Caviúna, Imbuia e Mogno. O

isso eles já fizeram mais de 40

não são somente peças eletrôni-

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– possam irritar os olhos e, além

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AGOSTO

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Valor das

Katanas por Mariana Viel

Tradicionais espadas japonesas são confeccionadas por cuteleiro de Bragança A grande paixão de Henrique é fazer espadas

A

edição 498 de 28 de agosto trouxe de volta às páginas do Jornal do Meio o trabalho do cuteleiro Henrique Martins de Carvalho. Ele já havia protagonizado, em 2003, uma matéria – considerada uma das mais interessantes produzidas pelo jornal – sobre a fabricação de instrumentos cortantes de ferro ou aço como facas, canivetes e espadas. Dessa vez o cuteleiro foi destaque pelo seu trabalho com as famosas Katanas – espadas japonesas que datam do século XI e eram utilizadas pelos guerreiros samurais. Henrique diz que forjar espadas é a sua grande paixão e diz que só trabalha nas peças quando está bem espiritualmente. “FaFOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

Para Dario as Katanas têm um significado espirutual 01 . janeiro . 10

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zer espadas é a minha paixão, a coisa mais importante que faço é a espada de Samurai. Ela tem uma energia muito forte. Se fosse por dinheiro eu já tinha parado. O estado de espírito influencia muito. Se não estiver bem, não sai”. Para se inspirar, Henrique pega modelos em filmes, livros e também usa a imaginação. No caso das Katanas, ele tem dois livros de referência, porque é preciso ter a peça exata. O cuteleiro diz que gostou muito da matéria . Meses após a publicação da reportagem as pessoas continuavam falando com ele sobre a entrevista. “Já fiz uma reportagem na televisão, mas no jornal a repercussão é mais duradoura. Os jornais circulam e assim várias pessoas diferentes têm oportunidade de ler”. Alguns amigos procuram Henrique para oferecer um exemplar para ele guardar. Neste momento o cuteleiro faz questão de exibir o painel onde guarda todas as reportagens que já participou. Na época em que foi entrevistado, o cuteleiro estava produzindo uma espada para o amigo e professor de judô Dario Mello. “Sonhei que o Henrique me entregava uma espada branca e quando fui visitá-lo na oficina contei sobre o sonho. Sem eu saber ele foi atrás do material no mesmo

dia”, conta Dario. Quando voltou à oficina de Henrique dois dias depois, o artesão já havia começado a fazer a espada. “Ele colocou o aço forjado na mesa e aquilo já me arrepiou, era muito fascinante. Fiquei eufórico e meus olhos encheram de lágrima”, comenta Dario. Os dois mestres, um da cutelaria e o outro do judô acertaram que trocariam o que tinham de mais precioso (os seus próprios dons) pela espada. Henrique iria forjar a tão valiosa espada para Dario e o judoca iria ensinar a judô aos netos do cuteleiro. As crianças treinaram com ele por cerca de seis meses, mas tiveram que interromper o aprendizado. “Meu netos param de treinar com Dario porque o meu filho começou a trabalhar e não tinha quem levasse as crianças ao treino” explica Henrique. Ele diz que depois da reportagem algumas pessoas o procuraram para conhecer um pouco do trabalho dele com as facas e até para ele afiar algum instrumento de corte. Segundo o cuteleiro as pessoas também têm muita curiosidade com relação às Katanas, mas como a peça tem um preço elevado as vendas são mais restritas.

História Katanas Dario conta que as Katanas

surgiram no Japão por volta do século XI. Existem três tipos de Katanas, que formavam o conjunto de espadas utilizadas pelos guerreiros samurais: a Tantô, a Daito e a Wakizashi. O modelo forjado por Henrique para o judoca foi a Daito – que tem a lâmina mais comprida e era usada pelos samurais enquanto eles estavam montados em cavalos. Em 1860, durante o Império Meiji, as espadas foram proibidas e o povo foi obrigado a entregá-las para o imperador. “Foi uma comoção, como se tivessem tirado a alma do japonês. Mas com essa proibição, centenas de artes marciais surgiram. Por isso o judô está intimamente ligado as Katanas, porque se não fosse a proibição, não existiria o judô”, esclarece Dario. Assim como para os japoneses, os judoca conta que a Katana recebida de Henrique tem um valor sentimental e espiritual muito forte para ele e que a peça está guardada em um lugar especial.

INFORMAÇÕES

Para quem tem interesse, a visita é permitida com a venda mínima de 100 reais e com agendamento antecipado. O telefone para contato é: 7404-3965


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AGOSTO FOTO ARQUIVO

Hobby levado a sério por Mariana Viel

Goleira bragantina treinou no Byern de Munique um dos times mais tradicionais clubes da Alemanha Cecília diz que gosta de futebol desde pequena

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la insiste em dizer que o Holanda, Reino Unido e Rússia futebol é apenas um hobby, – também tiveram a oportunidade mas aos 15 anos de idade de viver a experiência. o esporte já levou Cecília Sato à A bragantina, que mora no Alemanha. Em agosto o Jornal bairro do Campo Novo, ficou do Meio acompanhou a história sabendo do concurso através de da jovem vencedora do concurso uma amiga. Ela diz que entrou cultural ‘Acampamento de Futebol’, no site e mandou a frase sem promovido pela Aliannz Seguros, muitas expectativas porque para adolescentes entre 14 e 16 muitos adolescentes estavam anos. A frase que fez a adolescente concorrendo com ela. Quando ganhar a viagem foi: ‘O futebol o resultado saiu, ela já tinha até ajudou a ver que nem sempre ga- se esquecido do concurso. nhamos. A ter auto-controle e que Cecília diz que quando voltou em equipe da viagem a as coisas são recepção dos Todo mundo comentou mais fáceis’. colegas de escoque havia visto a matéria. Ela também la, professores Eles acharam muito legal! enviou uma e da equipe do Logo que cheguei todos foto da equipe clube onde treiqueriam saber como tinha daADPM,onna (a ADPM) sido a viagem de treina em foi muito caloBragança. rosa e eufórica. Cecília A menina fez “Todo mundo parte de um comentou que seleto grupo havia visto a de apenas três brasileiros que matéria. Eles acharam muito tiveram a oportunidade de visitar legal! Logo que cheguei todos as instalações do Centro de Trei- queriam saber como tinha sido namento do Byern de Munique a viagem”. (um dos times mais tradicionais da Alemanha) conhecer os jogadores, Munique treinar com a comissão técnica, Ao todo a menina passou cinco assistir a uma partida no Allianz dias na Alemanha. “O primeiro Arena e ainda conhecer a cidade. dia foi mais tranquilo. DesemOutros 30 adolescentes de outros barcamos às 6h lá em Munique oito países - Alemanha, Bahrien, e chegamos no hotel às 7h. Em Bulgária, China, Coréia do Sul, seguida teve um momento de 01 . janeiro . 10

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confraternização e recebemos os emocionante foi quando o guia uniformes para treinar. Depois do grupo de Londres agradeceu fomos conhecer a cidade. Visitamos aos brasileiros pela alegria, pelo pontos turísticos como o museu sorriso e por deixar a viagem da BMW. Munique tem jeito de mais animada”. cidade pequena com estrutura de Mesmo depois de ter passado cidade grande. Lá tudo funciona por uma experiência tão intensa e a cidade é cortada por ciclovias”, e inesquecível a menina –que está conta a adolescente. no 1º colegial – diz que ainda Como uma boa brasileira, ela não sabe qual carreira irá seguir. estranhou um pouco a comida Ela fala apenas que jogar futebol dos alemães. “Até a pizza é di- profissionalmente não está nos ferente, com uma massa mais planos. “O futebol é um hobby. Pra fina e sabores diferentes como mim é uma terapia, é calmante. abacaxi. Lá eles também não Se estou nervosa, desconto tudo comem arroz e feijão, só carne e na bola e volto mais calma depois salada. O prato típico é um bife do treino”, termina. Ela explica de porco empanado com molho que a escola ocupa muito o seu de páprica e batatas”. tempo e brinca que “o esporte Outra diferença sentida pela é um hobby com o treino bem brasileira foi com relação ao mais puxado”. anoitecer. “Anoitecia tarde, por A tia Vilma Helena diz que guarda volta da 21h30”, comenta. Além em uma pasta todas as matérias e de todas as diferenças de cultura, reportagens que saíram sobre a meCecília teve que se adaptar a outra nina. Ela disse ainda que também se língua: o inglês. Todos os adoles- encarrega por mandar uma edição centes e os guias se comunicavam para a assessoria de imprensa em inglês. “Isso foi mais dif ícil. da Aliannz Seguros. Nós, os brasileiros, ficamos na base do ‘embromation’”, diverte-se. Mas isso não atrapalhou o entrosamento com o grupo. “Todos eram muito quietos. Acho que se não fossem os brasileiros, não iria ter tido Adolescentes posam para foto ao lado dos tanta graça”, opina Cecília treinadores do Byern depois de torneio interno e continua: “Um momento FOTO ARQUIVO


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A saúde em primeiro lugar por Mariana Viel

Aos 77 anos, Dona Mitico faz da corrida sua principal aliada para o bem estar

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om apenas 1m39cm de altura Dona Mitico já alcançou desafios de dar inveja a muita gente mais alta do que ela. A idade (77 anos) também é mais um dos elementos que torna as conquistas dessa “vovó do esporte” ainda mais importantes. Há 20 anos ela mudou de vida e trocou a sacola de remédios e a saúde debilitada por um par de tênis e as pistas de corrida. Ela lembra que aos 57 anos tinha uma rotina marcada por diversos consultórios médicos diferentes. “Passava de médico em médico e ninguém descobria o que tinha. Em vez de melhorar, piorava. Tomava muito medicamento, tinha uma sacola só de remédios. Hoje dizem que era depressão”, comenta Dona Mitico. Um certo dia ela teve que ser carregada pelo marido até um Posto de Saúde. Foi lá que a vida da maratonista começou a mudar. “A médica só de olhar para a sacola de remédios, descobriu na hora o que eu tinha: intoxicação por medicamentos”. Os exames só serviram para confirmar a suspeita. A sacola de remédios ficou para trás e a médica receitou um suco fortificante com laranja, couve e outros ingredientes. Com o passar do tempo Dona Mitico foi melhorando e começou a 01 . janeiro . 10

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tomar banhos de sol no parque pela manhã e logo em seguida, a caminhar. Da caminhada passou para a corrida aos poucos. “A cada dia aumentava o tempo de corrida”, lembra. Até que entrou no grupo de atletismo dos veteranos do Parque do Ibirapuera (em São Paulo). Na primeira prova Dona Mitico correu 800 metros e chegou tão bem que surpreendeu a todos. “Não sabia nem correr na raia, ia correndo em ziguezague”, diverte-se. Em outra prova, realizada como teste para ver o rendimento da equipe, ela correu 5 km em 34 minutos e ficou em 1° lugar. Desde então Dona Mitico não parou mais e intensificou os treinos para correr maratonas (42 km e 195 metros). No Brasil ela já participou de provas em praticamente todos os Estados e em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Manaus. “Tenho que participar das eliminatórias brasileiras para poder competir nos Mundiais”, explica. A maratonista diz que gostou de participar da reportagem. “Foi muito bonito, só que eu fui mostrar o jornal para o meu técnico e o pessoal da equipe de corrida e acabei ficando sem nenhum exemplar da matéria”. Apesar dos elogios a “vovó da corrida” diz que não tem muita vaidade e não se

ilude muito com os elogios. “Gosto Recentemente Dona Mitico participou do Mundial Máster de Atletismo em d e co r re r Helsinque, na Finlândia e conquistou três medalhas apenas por saúde. Alpetições no Japão (onde bateu o gumas pessoas falam que sou recorde nos 5.000 m no campeonato exibida e que gosto de aparecer, asiático de marcha atlética), Chile, mas isso não é verdade. Gosto Uruguai, Paraguai e Argentina. de cuidar da minha saúde e Recentemente ela esteve em simplesmente correr”. Helsinque, na Finlândia e trouxe para o Brasil três medalhas do Competições mundiais Mundial Máster de Atletismo. Dona Mitico também participa Quem imagina que com um curde corridas em outros países. Sua rículo tão extenso ela já pensa em primeira prova internacional foi se aposentar está enganado. Ela a Maratona de Nova York em já tem planos para os próximos 2000. Ela conseguiu o 9° lugar, três anos. Aos 80, Dona Mitico entre cerca de 150 participantes, que realizar uma promessa feita com o tempo de 4h34. “Senti um ao marido que morreu e participouco a prova, mas terminei par da Maratona da Disney, nos tranquila”, conta. Estados Unidos. “É a mais famosa Já em 2002, na Maratona de de todas. A corrida é em volta do Paris, Dona Mitico conquistou parque. O troféu é uma miniatura o 1° lugar em 4h15. “Eu era a do castelo da Cinderela. Prometi competidora mais baixa”, diz a para o meu marido (já falecido) maratonista. Mesmo assim, ela que iria trazer um troféu”, diz. deixou 78 competidores para trás. Apesar do sonho de participar O segredo? Controlar a ansieda- da competição, ela explica que o de. “A ansiedade só atrapalha. O pessoal da Confederação Brasileira melhor é não se afobar”, aconselha de Atletismo insiste para que ela e lembra que a maior emoção foi poupe as energias para participar quando ouviu o hino nacional. do Campeonato Mundial. “Eles “Nem tenho palavras para explicar. falam que era melhor fazer o As lágrimas começaram a correr mundial. Mas se Deus me der pelo rosto. Não sonhava que isso saúde eu quero mesmo é fazer as pudesse acontecer”. duas corridas aos 80: o Mundial Ela também participou de com- e a Disney”.


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Imagens

da fé

por Mariana Viel

Bragantino coleciona imagens de Santos e histórias religiosas

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epois da matéria publicada anjo (Gabriel), reuni mais de 130 pelo Jornal do Meio na imagens - 116 ficam no quarto e 14 edição 501, de 18 de num oratório na sala. A primeira setembro, José Gabriel - que já era imagem que comprou foi uma conhecido no bairro Santa Luzia Nossa Senhora Aparecida. pelo mandato “Tinha cinco de vereador que imagens de sanMuitas pessoas exerce na Câmara tos: o Sagrado fizeram questão de - ficou ainda mais Coração de Jesus, ir até em casa para famoso pela sua São Jorge, Santo ver as imagens. coleção de imaExpedito, Bom A matéria ficou gens de santos. Jesus e Nossa mesmo muito legal Ele conta que até Senhora ApareJosé Gabriel mesmo o padre cida, quando em da paróquia do 1998, fui trababairro o presenlhar no escritório teou com uma imagem de Jesus da Igreja do bairro da Santa Luzia. Misericordioso – trazida do Va- Na época padre Lélio reparava e ticano e benzida pela Papa. restaurava algumas imagens. Com Em sua coleção, o vereador que o tempo eu aprendi também”, diz tem um nome de Santo (José) e de Zé Gabriel. Na casa de Zé Gabriel é possível encontrar imagens de vários tamanhos e materiais: bronze, madeira, gesso, resina e louça. Ele diz que depois da publicação da matéria várias pessoas ligaram para ele. “Muitas pesAo todo são 130 imagens de santos, dezenas de terços e muitas medalhinhas soas fizeram questão FOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

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de ir até em casa para ver Zé Gabriel com a imagem de São José as imaAparecida. “Mas também gosto gens. A matéria ficou mesmo muito legal”. muito de Santa Terezinha”, acresNo oratório, ele tem uma caixi- centa. Das histórias dos santos, nha de orações, onde coloca os uma das mais belas segundo o pedidos que os amigos e familia- vereador é a de Santa Rita. “Ela res levam. Ele afirma ter muita foi um modelo de mãe, de viúva fé e acredita na intercessão dos e teve uma vida exemplar”. Santos. “As graças é Deus quem Além das imagens, o colecionador dá. Os Santos intercedem, fazem tem 79 terços e dezenas de meas preces chegarem mais rápido, dalhinhas, que as utiliza na gola faz com que sejam atendidas mais da camisa. “Ganhei vários terços. Tenho um sítio e já fiz alguns rapidamente”, diz. Na opinião do vereador, as terços de rosário (sementes). Um imagens mais bonitas são as da senhor aqui em Bragança fazia pra Nossa Senhora da Salete e de São mim. Também já ganhei um terço Lourenço. Zé Gabriel também que veio de Portugal”. Os terços possui duas imagens de santos são de madeira, plástico, pedras que muitas pessoas pensam que e até de crochê. “Tenho muita fé não existiram: São Longuinho e na oração do terço”, diz. Santo Antonio do Catigeró. “Tem Além do presente ganhado do padre, gente que diz que São Cosme Zé Gabriel diz que adquiriu outras e Damião e São Jorge fazem duas imagens: uma de São Lourenparte da Umbanda, mas já foi ço e outra de Santa Isabel. Ainda comprovado que eles são santos segundo o vereador ela guardou dois exemplares do jornal, ele diz católicos”, explica. Zé Gabriel é devoto de São José, que um deles deverá ser colocado porque leva o mesmo nome do em uma moldura para preservar Santo e também de Nossa Senhora melhor e matéria.


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Conquistando

resultados por Mariana Viel

Escola Municipal é premiada em concurso como uma das melhores escolas para crianças do Estado

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dedicação da equipe de professores e funcionários da Escola Municipal Ivone dos Santos Dias localizada no bairro Planejada II, Zona Norte de Bragança, mostra que é possível fazer a diferença. As transformações do olhar sobre a infância e da importância das brincadeiras no processo de aprendizado começaram há um ano. As mudanças chamaram a atenção da equipe que organizava o concurso do “Selo Aqui se Brinca” – promovido pela marca de sabão em pó, OMO para difundir a importância do brincar em espaços escolares. A escola foi convidada a se inscrever e ficou entre as 89 instituições finalistas do Estado de São Paulo. No dia 27 de outubro foi realizado o anúncio das vencedoras e a escola foi aclamada entre as 29 finalistas que ganharam um “Splat” - um brinquedo especialmente FOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

Mudança de olhar valoriza a infância 01 . janeiro . 10

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desenvolvido para potencializar as experiências das brincadeiras. Segundo a coordenadora pedagógica, Lia Carla Dias a avaliação da comunidade escolar sobre os resultados de todas as mudanças ocorridas na escola foi positivo. “Nossa avaliação é de que o projeto deu super certo. O nosso objetivo é continuar com as mudanças e novidades para os alunos”, explica Lia. A instituição também ganhou uma placa de bronze e uma excursão ao Parque do Ibirapuera, na capital paulista, para a exposição do “Pequeno Príncipe”. Ainda segundo Lia a repercussão da matéria foi boa. “Muitos pais e mães comentaram sobre a matéria. A repercussão na Secretaria Municipal de Educação também foi muito positiva”.

Mudanças

Um dos grandes objetivos foi fazer com que a Educação Infantil não se limitasse apenas à preparação para o Ensino Fundamental. “Nós queríamos que a Educação Infantil fosse legal e interessante, para que a criança saísse daqui com um mundo totalmente diferente” explica a coordenadora peda-

gógica Lia Carla Dias. A professora Elaine Faria cita o educador Paulo Freire para explicar as mudanças: “Aprendemos a ler o mundo antes mesmo de decifrar as letras”. Segundo Elaine, as aulas na escola auxiliam as crianças a fazerem a sua própria leitura de mundo. “Queremos que quando os nossos alunos forem decifrar as letras eles já tenham um conhecimento de mundo, do que é grande do que é pequeno, do que é liso do que é áspero” afirma. Para dar vida ao que pode ser considerada uma experiência audaciosa a escola utilizou como principal ferramenta a brincadeira. A iniciativa considera que o brincar e o experimentar fazem parte de momentos de descobertas que auxiliam o aprendizado infantil. Um dos primeiros passos para o início da mudança educacional foi a realização de uma pesquisa com as famílias dos 150 alunos da escola. A professora explica que a finalidade foi identificar e valorizar as experiências e o conhecimento que as crianças trazem de suas próprias famílias. “Fizemos a pesquisa para saber quais são os valores familiares das nossas crianças, desde a comida típica que eles comem, o tipo de música que ouvem, a religião que seguem e até mesmo a origem da família”.

Brincadeiras transformam aprendizado em diversão para as crianças

Todos os 17 funcionários da escola são considerados educadores e respeitados como elementos essenciais para o sucesso do projeto. “É importante a gente ter todos envolvidos no processo. Todos participam da reunião pedagógica que é um momento de reflexão sobre o que estamos fazendo e o que ainda podemos fazer”. Lia fala que apesar de parecer fácil, a utilização das brincadeiras como ponto fundamental do processo de aprendizagem exige muito mais dedicação. Todas as brincadeiras propostas servem como instrumento de análise do comportamento e desenvolvimento das crianças. “Sempre registramos se eles estão brincando em grupo ou isolados. Para a gente a brincadeira é um ponto de partida e não uma coisa que você faz porque não quer fazer nada”. A experiência da escola com o processo de aprendizagem através das brincadeiras deu vida ao blog “Turma da Ivonne” http://turmadaivonne.blogspot. com . Através dele é possível acompanhar as experiências realizadas na escola.


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Bom

exemplo por Mariana Viel

Matéria com alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) é usada para incentivar outros estudantes

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ara lembrar uma das com as histórias. “Elas ficaram muito mais importantes datas felizes por se verem no jornal. Mesmo do nosso calendário (o Dia os alunos que não participaram da do Professor) o Jornal do Meio entrevista tiveram a oportunidade publicou na edição 504, do dia 9 de se identificar com as histórias contadas por de outubro uma elas”. matéria sobre A diretora explias superações A repercussão ca ainda que a e dificuldades foi muito grande escola desenvolque um grupo porque eles veu um trabalho de cinco mutiveram a chance nas salas do pelheres enfrenta de ver como é ríodo da manhã para aprender a importante se e tarde. Através ler e escrever. dedicar” da reportagem, As entrevistas as professoras foram feitas com Inez incentivaram alunas da Eduos alunos mecação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Mu- nos interessados nos estudos. nicipal Professor Orlando Pinto A matéria foi lida em sala e os relatos das alunas do EJA servide Oliveira. Segundo a diretora Inez de Fátima ram como uma oportunidade de Vaz apesar de apenas cinco alunas reflexão para aqueles que ainda não de uma sala terem participado da davam tanto valor para as aulas. matéria toda a EJA se identificou “A reportagem serviu como um grande incentivo para eles. A repercussão foi muito grande porque eles tiveram a chance de ver como é importante se dedicar”. FOTO ARQUIVO\JORNAL DO MEIO

Histórias Mesmo frequentando a EJA há pouco tempo, Maria Aparecida e Maria Inês valorizam o aprendizado 01 . janeiro . 10

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A questão cultural e as próprias dificuldades da vida impediram que

Maria José, Terezinha e Angelina falam da importância de aprender a ler

Maria Aparecida, Maria Inês, Maria José, Terezinha e Angelina frequentassem as salas de aulas ainda na infância. Maria Inês Ferraz explica que morava em um sítio com a família e que a mãe não permitiu que ela estudasse. “Nunca tive uma professora na minha vida. Nunca fui para a escola. Comecei a estudar há uns quatro meses porque isso me deixava muito triste e eu chorava muito por não saber ler e escrever”. A professora Daniela Leite dos Santos – que desde 2001 leciona na Educação de Jovens e Adultos (EJA) - explica que a maior dificuldade dos alunos está relacionada à memorização. “Ao contrário das crianças que não têm grandes preocupações, essas pessoas experimentam várias situações e responsabilidades da vida adulta que interferem no aprendizado. São problemas com a casa, com os filhos e com o trabalho que atrapalham a concentração”. A Educação de Jovens e Adultos é dividida em três etapas. A professora fala que a etapa inicial – que recebe alunos sem nenhuma base alfabética – pode ter até três anos de duração. “Quando entrei na

escola achei que rapidamente ia aprender a ler e escrever. Mas a professora explicou que é devagar mesmo, e que nós começamos a aprender bem do início” diz Maria José Mariano, de 51 anos. A dedicação com as letras já representa várias conquistas para ela, inclusive o exercício da cidadania através do simples direito de ir e vir. “Antigamente eu não sabia nem qual era o ônibus que precisava pegar e agora sei. No carnaval eu e uma amiga – que também não sabe ler – estávamos na Avenida esperando o ônibus e ela me perguntou qual era o que estava vindo. Respondi: Taboão” conta entusiasmada. Dona Angelina Lauriano da Silva fala que o estudo mudou a sua vida e ampliou o convívio com outras pessoas. “A gente começa a ter uma outra cabeça, novas amizades e passa a conversar com pessoas diferentes na escola. Aprendemos muitas coisas” afirma. Terezinha Bueno conta que agora que conhece as letras consegue ler as embalagens dos produtos que utiliza na cozinha. “Agora eu entendo algumas coisas que estão escritas nas embalagens e também consigo ler o que quero comprar no supermercado”.


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Novas

ideias por Mariana Viel

Matéria sobre a técnica de vídeos de animação desperta o interesse de bragantinos

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ara comemorar o Dia Internacional da Animação, marcado pelo dia 28 de outubro - data na qual, em 1892, Émile Reynaud projetou pela primeira vez imagens animadas em Paris – o Jornal do Meio produziu uma matéria especial com o bragantino e produtor independente de filmes de animação, Juliano La Salvia, o Juca. Segundo o produtor, a matéria, publicada em 6 de novembro foi muito elogiada e comentada pelos amigos. “Bastante gente comentou comigo sobre a matéria principalmente porque ela saiu na capa e ganhou muito destaque”. O relato sobre a iniciativa de criar filmes através da técnica de animação também despertou o interesse e a imaginação de outras pessoas. Juca conta que passou a receber sugestões de filmes de várias pessoas diferentes. “Muita

Boneco Playmobil ganha vida através da técnica de “stop motion” 01 . janeiro . 10

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Juca produz vídeos independentes de animação gente começou a me procurar através de imagens estáticas e fotografias para dar idéias de roteiros para filmes e até mesmo me chamar Segundo ele os fundamentos da para fazer algum vídeo”. Juca diz animação; posicionamento de câque o número de acesso aos víde- meras, figurinos, fotografia, roteiro os postados na internet através e até a modo Youtube vimentação também audas personaFiquei muito feliz com mentaram gens em cena a matéria, para mim o bastante. “Fiprecisam ser retorno foi muito legal quei muito idealizados mesmo. Percebi que até feliz com a com o meso número de acessos matéria, para mo cuidado aos vídeos da internet mim o retordos vídeos aumentaram no foi muito com atores legal mesmo. re ais . Ele Percebi que afirma que Juca até o número encara a de acessos animaç ão aos vídeos apenas como da internet aumentaram”. um hobby, e diz que já produziu vídeos a convite de amigos. Transformando imagens Em 2006 ele fez a abertura do O interesse de Juca pela produção Cardápio Underground – evento de vídeos começou aos 12 anos anual que integra o calendário de idade. Ele diz que cultural da cidade e reúne dias primeiras filmagens versas manifestações artísticas. que participou eram O curta (de dois minutos e 25 feitas com a câmera da segundos) foi produzido a parmãe e editadas através tir de fotografias das pinturas de recortes de imagens sacras da Igreja da Catedral, na em dois vídeos cassetes. praça. Depois de fotografadas as Há oito anos, por falta imagens foram recortadas uma de personagens para a uma digitalmente, através do interpretar seus roteiros, programa de computador: Anipassou a se interessar me Studio – utilizado para fazer pela animação. animações em 2D. “Foi mais ou

menos um mês de trabalho sem parar em cima de cada imagem. É bastante trabalhoso”. A inspiração para as filmagens pode surgir das mais diferentes situações. Uma das grandes vantagens da animação é que praticamente tudo pode ser utilizado para contar uma história: fotografias, imagens de revistas, desenhos, brinquedos etc. “A animação é uma maneira diferente de contar uma história. Em muitos casos, dependendo dos recursos que você tem se torna mais fácil”.

Produção

Na tentativa de colaborar para o crescimento da produção bragantina de novos vídeos há cerca de dois anos, Juca e seus dois primos Guto e André la Salvia criaram a Massiste Produções – uma produtora de curtas, documentários e vídeos de animação. “Nosso objetivo é cultural. A intenção é fazer filmes, participar de mostras e divulgar nosso material”. Na internet é possível assistir aos vídeos produzidos por Juca. Basta entrar no site: www.youtube.com e digitar Juca la Salvia


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Tempos

memoráveis por Mariana Viel

Lembranças dos anos 50 em Bragança emocionam e deixam saudades

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tempo é capaz de apagar anos, nossos leitores puderam todas as marcas, menos experimentar a cultura, os hábitos as boas lembranças que e as tradições daqueles anos. guardamos na memória. Recontar Solha lembra que aquele era o o passado é como ser transportado tempo da “paquera da licença”. “Nós chegávapara uma outra mos às garotas época. Na edição e dizíamos com 509, do dia 13 Foi muito divertido muita elegância: de novembro, o ver o pessoal se Licença senhoJornal do Meio esforçando para rita, vamos danfez uma viagem adivinhar quem çar? Só depois de volta aos faseguíamos para mosos “Anos estava na matéria. o meio do salão”. Dourados” e reTem gente que Para Célia e Ivan descobriu a hisusou até lupa para aquela era uma tória da década ver melhor” época que misde 1950 em Braturava inocência gança. Através Célia e muita diversão. das lembranças As memórias dos amigos José Solha, 76 anos; Célia Monte Claro dos antigos bailes no Clube Vasconcellos Azevedo, 71 anos, Literário trazem de volta a eleEvangelina Benvenuti - mais gância dos antigos vestidos de conhecida por Ivan - de 80 anos festa, o cheiro de naftalina e as e Norberto de Moraes Alves, 77 animadas danças. Procurados pela reportagem para contar como foi a repercussão da matéria os amigos foram unânimes em afirmar que receberam muitos elogios e que adoram a experiência. Célia disse que uma das maiores curiosidades das Célia, Solha, Norberto e Ivan falam do pessoas foi tentar comportamento dos jovens nos anos 50 descobrir quem 01 . janeiro . 10

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eram as pessoas nas fotos. “Foi muito divertido ver o pessoal se esforçando para adivinhar quem estava na matéria. Tem Noite de baile no Literário: fotografia gerou curiosidade entre os leitores gente que usou até lupa para os jovens eram muito alegres e ver melhor”. Ela completa que comprou alguns felizes, e compara os amores de exemplares extras para enviar antigamente com os relacionapara duas amigas – uma em mentos atuais. “Por mais que a São José dos Campos e outra televisão, através das novelas, queira mostrar o romantismo em São Paulo. Solha contou que recebeu vários nos dias de hoje, as coisas não telefonemas perguntando se era ele soam bem. Tudo parece forçado mesmo na capa do jornal e quem e supérfluo”. Solha completa: era a mulher que estava dançan- “Na nossa época o romantismo do com ele na foto. Para quem fazia parte das nossas vidas. Nós ainda não conseguiu descobrir, mandávamos flores para as namoo nome da jovem é Dione. Ele radas, abríamos a porta do carro falou ainda que comprou vários e as respeitávamos muito”. Talvez exemplares para mandar para sejam exatamente a falta dessas alguns amigos que não moram características que expliquem os relacionamentos relâmpagos e o mais em Bragança. Segundo Ivan muitas pessoas apelo exageradamente sensual também falaram com ela sobre das roupas, músicas e danças a matéria. “Outro dia mesmo dos dias atuais. O escritor relata uma amiga comentou – enquan- que antigamente os namoros to estávamos na praça - que a começavam através dos olhares. reportagem foi muito boa e que Depois de algum tempo os jovens tinha muita saudade daquela iniciavam as conversas para poder época. A matéria ficou muito se conhecer melhor. Aos risos, Célia boa e até os meus netos ficaram fala de um ex-namorado que uma vez calculou que havia esperado entusiasmados”. quase cinco anos para, finalmente, atravessar a Praça Raul Leme de Felicidade Norberto afirma que naquela época mãos dadas com ela.


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DEZEMBRO

Uma festa em festa por Mariana Viel

Voluntários das barraquinhas da Festa da Imaculada mostram que o segredo do sucesso é o bom humor

E

Apesar do mau tempo, Festa da Imaculada tem boa arrecadação - graças ao trabalho dos voluntários

les tiveram que ter muito

Catedral algumas mulheres tra-

comemorações. Em 2009, o evento

reclamou apenas que quando tentou

bom humor e paciência

balharam, ininterruptamente, em

reuniu dezenas de paroquianos

comprar mais jornais a edição já

para driblar o mau tempo

barracas em frente à paróquia para

unidos pela fé, a doação, o amor

estava esgotada nas bancas.

que insistiu em atingir Bragança

angariar verbas para a obra.

e a solidariedade.

Na Barraca do Espetinho o clima

durante os quatro dias da festa

Depois da consagração da nova

de descontração e fé dos chama-

basílica, em 1977,

Fé inabalável

a tradição das

No último dia de quermesse nem

contou com uma vela, acendida

barraquinhas foi

parecia que eles já estavam se

especialmente para que Santa

interrompida por

dedicando há quase três noites

Clara interrompesse as chuvas.

alguns anos. Ana

seguidas nas barraquinhas. O

Segundo Alexandre Nicolatti, o

Luiza de Barros,

entusiasmo do grupo mostrou

Xandico, muitas pessoas elogiaram

uma das atuais

que mais importante do que

a matéria. Ele brincou que ficou

r e s p o n s áv e i s

colaborar, é manter sempre a

famoso e teve até que distribuir

pela Barraca da

alegria. Ana Luisa disse que

autógrafos entre os amigos. O

Pizza, lembra

adorou participar da matéria e

voluntário Écio Rossi explicou

que a tradição

que várias pessoas comentaram

que também tentou comprar

arrecadar fundos para a reforma

foi retomada no final dos anos 80.

com ela sobre a matéria. “Achei

outros exemplares do jornal nas

da Catedral valeram à pena.

“Quem recomeçou com a festa, que

muito interessante porque foram

bancas, mas que também não

A matéria publicada pelo Jornal

no início era realizada na cripta da

usados trechos da entrevista de

conseguiu.

do Meio, na edição do dia 4 de

igreja, foi o padre Pifânio. Ele era

várias pessoas diferentes para

A chuva intensa que caiu sobre

dezembro, contou um pouco da

um padre jovem, muito dinâmico

montar a matéria”.

Bragança durante os quatro dias

história da quermesse na cidade.

e criativo”.

Célia Monte Claro Vasconcellos

de festa atrapalhou um pouco o

Calcula-se que a tradição das

Quando foi retomado, o evento

Azevedo afirmou que fez a distri-

movimento. Mesmo assim, o gru-

quermesses em Bragança tenha

realizava apenas a venda de pizzas

buição de vários exemplares para as

po que participa da organização

mais de 50 anos. O historiador,

e pastéis. O grupo lembra que aos

pessoas que fazem parte da história

da festa disse que os resultados

José Roberto Vasconcellos lem-

poucos o número de voluntários

da quermesse, e todos adoram a

foram positivos e a arrecadação

bra que durante todo o período

começou a crescer e muitas pes-

matéria. “As pessoas realmente

para a reforma da Igreja da

de construção da nova Igreja da

soas voltaram a se reunir para as

adoraram. Ficou muito bom”. Ela

Catedral foi boa.

em homenagem a Nossa Senhora da Conceição - padroeira da cidade. Apesar das chuvas, os voluntários afirmaram que o movimento foi

Achei muito interessante porque foram usados trechos da entrevista de várias pessoas diferentes para montar a matéria

Ana Luisa

muito bom, e que os esforços para

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Dinheiro

extra por Mariana Viel

Balconistas e garçons falam da repercussão da matéria sobre as caixinhas de fim de ano

Q

uem depende das gorjetas no movimento em função das para reforçar o orça- confraternizações de empresas mento no final do ano, e amigos secretos. “Temos uma sabe como elas são importantes. equipe de funcionários muito Fazer um agrado para garçons e boa, mas como o Natal é bastante balconistas é uma prática que pode compensador eles realmente se colaborar, inclusive, com o reforço esforçam um pouco mais”. na ceia de Natal. Os líderes do O dinheiro extra quesito valor das funciona como gratificações são Foi maravilhoso. uma espécie de os garçons. Ao inA reportagem foi incentivo para vés das caixinhas, o melhor presente os profissionais eles dividem diaque eu recebi o que lidam direriamente os 10% final do ano tamente com o cobrados nas público, e que contas e também Marisa nesse período recebem gorjetas têm que se deindividuais dos dicar ainda mais clientes. Como para dar conta do aumento no trabalham diretamente com o movimento. público dependem de muita simNa edição 513 do dia 11 de patia e competência para fidelizar dezembro, o Jornal do Meio e garantir boas bonificações. conversou com funcionários de diversos setores do Restaurante Repercussão e Panificadora Estância para Há uma semana do Natal conconhecer os planos deles para o versamos novamente com os dinheiro da Caixinha de Natal. garçons Rinaldo Sebastião Tavares Aproveitando o clima natalino a e Geovani Costa. Eles explicaram grande maioria dos profissionais que nos últimos dias o movimento afirmaram que ele seria utilizado no restaurante havia aumentado na compra de presentes e até no muito, mas que mesmo assim, as gorjetas haviam diminuído. “Como reforço da ceia. Nessa época do ano as gorjetas acabamos não conseguindo dar chegam a dobrar de valor, expli- muita atenção para os clientes as cou o sócio da padaria Fernando gorjetas caíram um pouco. Por Tavares. Ele afirmou que um outro lado, o grande movimendos responsáveis é o aumento to fez aumentar os 10%”, disse 01 . janeiro . 10

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Rinaldo. Geovani afirmou que muitos clientes comentaram que haviam lido a matéria. “As pessoas falaram e elogiaram a entrevista. A balconista Marisa se sentiu uma celebridade depois da matéria Cláudia Sciola de Lima também assegurou que Marisa disse ainda que alguns clientes muitos fregueses que frequentam que leram a matéria brincaram com a padaria disseram que haviam ela na hora de deixar a caixinha. visto o jornal. “Achei que ficou “Foi maravilhoso. A reportagem ótimo. Minha família também foi o melhor presente que eu viu a matéria e gostou bastante. recebi o final do ano”. Guardei um exemplar de lembrança em casa”.

Celebridade instantânea

Apesar da grande repercussão da matéria, quem realmente se sentiu como uma estrela foi a caixa Marisa Garcia Santana. Segundo ela os comentários sobre a entrevista foram muito maiores do que ela imaginava. “Algumas pessoas chegaram até a ligar aqui na padaria para falar que tinham me visto no jornal. Até na rua do comércio os lojistas comentavam que haviam gostado da matéria”.

A balconista Claudia recebeu elogio de fregueses e amigos

Equipe de garçons é a campeã de gorjetas


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