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Braganรงa Paulista

Sexta 06 Junho 2008

Nยบ 434 - ano VI

jornal do meio

jornal@jornaldomeio.com.br


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EDITORIAL

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Dia dos Namorados está chegando e para comemorar esta data, o Jornal do Meio preparou um especial com o tema ‘Namoros Modernos’. Falar de namoro no século XXI não é nada simples, mesmo porque o ser humano é complexo, ainda mais quando se trata de relacionamentos. A configuração da família brasileira mudou e a sociedade está mais liberal. Muita dessa ‘modernidade’ é enfatizada pela mídia, através de seriados e novelas. Entende-se por namoros modernos

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as novas formas de relacionamento. Alguns casais, por exemplo, antes de oficializar a união optam por morar um tempo juntos, como se fosse um teste para ver se o casamento pode dar certo. Outros simplesmente não sentem necessidade de oficializar a união. Vivemos em uma época em que tudo acontece muito rápido. E com a mesma rapidez da tecnologia, os relacionamentos começam e terminam. Isso gera um conflito de gerações. Os adolescentes estão mais precoces e os pais muitas vezes não conseguem compre-

ender tantas mudanças. Para discutir o tema, o Jornal do Meio conversou com líderes religiosos que falaram sobre alguns valores esquecidos pela sociedade, bem como o papel da igreja na formação dos jovens e na orientação da família. Entrevistamos uma psicóloga que apontou as maiores aflições dos pais atualmente. Ela falou como deve ser um namoro saudável e como os pais podem entender os filhos, sem passar por cima dos próprios valores. Também conversamos com dois

casais que têm apenas meninas. Eles contam a experiência de lidar não só com os namoros, mas com a informação e a presença da família na formação moral das filhas. E já que o tema são os namoros modernos, o que não poderia faltar são os próprios casais relatando como é o dia-a-dia de quem optou por dividir o mesmo teto antes de oficializar a união. Eles relatam as dificuldades, o aprendizado e claro o lado prazeroso. Desejamos aos leitores um feliz Dia dos Namorados!


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Namoro versus Religião Três representantes de Igrejas falam sobre os namoros modernos

por MARIA FERNANDA DI BELLA

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emas como virgindade e casamento entre homossexuais são cada vez mais polêmicos. O Pastor da Igreja Batista, Jessé Campos, 51 anos, diz que a sociedade está confusa quanto à definição de namoro. “O namoro visa seriedade, é respeito mútuo, uma preparação para o matrimônio. Alguns namoros têm pouco haver com amor no sentido exato da palavra”, diz. Segundo o Pastor as pessoas colocaram tudo dentro de um balaio de gatos. “Qualquer coisa chamam de namoro. Isso traz confusões seriíssimas e negativas como gravidez e leviandade. O ser humano é desvalorizado e não há compromissos definidos”. Ele esclarece que o papel do namoro é a formação de matrimônios sólidos. “Dentro dos princípios da comunidade ensinamos a abstinência como o caminho a ser buscado. O jovem fora da comunidade não agüenta a pressão da sociedade e dos meios de comunicação ”. Para Padre João Zecchin, 77 anos, as diferenças entre o namoro de antigamente e o de agora não são para melhor. “Hoje os jovens pulam etapas. Antigamente o namoro era mais rigoroso e disciplinado, os filhos 06 . 06 . 08

eram mais assistidos, contavam mais antes do casamento fere o coração com a presença dos pais e as separa- da pessoa humana e por mais liberal ções eram raras”. E continua: “Quem que a sociedade pós-moderna esteja, segue o que acontece hoje não tem a a natureza do homem permanece certeza de ser livre, é arrastado pela a mesma. correnteza, pela moda”. “Em nossa cultura toda mulher sonha Padre Zecchin explica que o sexo com o grande dia do casamento, antes do casamento é uma espécie de com o vestido branco”, exemplifica. narcótico. “O sexo ilude. Se o casal é Ele explica que o amor pressupõe agradável sexualproteção, resmente, resolvem as peito, carinho e brigas com sexo. nunca a satisfação Não há casamentos Quando se casam, própria. errados, há namoros errados se deparam com a realidade”. Por isso Jovens Padre Zecchin o papel do namoro A pressão que os é conhecer a perjovens recebem é sonalidade. Segundo o Padre “Não muito grande, tanto da mídia, como há casamentos errados, há namoros da sociedade. Pastor Jessé diz que errados”. Os jovens pensam no agora, a igreja é o único apoio. Por isso são imediatistas e não planejadores. o trabalho na comunidade é feito “É fácil achar um homem e uma desde a pré-adolescência, com o mulher, mas é preciso ver se ele/ela objetivo de ensinar princípios, como serve para ser o pai/mãe dos filhos olhar o companheiro com respeito e que eu já amo, embora ainda não os consideração. tenha”, aconselha. “Realizamos palestras de aconselhaO Pastor da Igreja Presbiteriana, mento pessoal com os jovens para Marcos N. Napoli, 55 anos, diz que lidar com os conflitos existentes nessa os papéis estão fragilizados. Houve época em relação à igreja e a socieuma mudança no que diz respeito aos dade”, esclarece. A igreja é bem clara princípios. “Há 50 anos, a virgindade no conceito de namoro. Ter relação era uma questão preponderante, hoje sexual e morar junto é permitido não quer dizer mais nada”. Em sua apenas após o casamento. opinião, o relacionamento sexual No grupo de jovens da Igreja Presbi-

teriana, são tratados temas como sexo e casamento. Pastor Marcos comenta que no Brasil, cerca de 30% dos jovens evangélicos confessam ter tido relação sexual antes do casamento. Quando se depara com essa situação na comunidade, o Pastor procura orientar os jovens, em especial quando há casos de gravidez. Padre Zecchin realiza 3 encontros para adolescentes, nas diferentes fases. A família é o centro das reflexões e o namoro entra como tema a ser proposto e discutido. O conceito de namoro é explicado como uma preparação para o casamento.

Papel dos pais Antes dos encontros de jovens, Padre Zecchin, conta que os pais participam de uma palestra sobre os assuntos que serão abordados. Eles são orientados para que os filhos vejam neles os melhores amigos. Já na Igreja Presbiteriana os pais se reúnem através de um projeto chamado Pais para toda a Vida. Pastor Jessé diz que “Os pais têm uma visão irrealista dos filhos, acham que são perfeitos e muitas vezes esquecem que já passaram pelos mesmos conflitos”.

Homossexualismo Padre Zecchin diz que a igreja nunca


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Por mais moderna que a sociedade esteja, Pastor Marcos acredita que no íntimo a mulher sonha com o matrimônio.

Padre Zecchin explica que o papel do namoro é conhecer a personalidade do outro

concordaria com o casamento de dois homens ou duas mulheres. Os casos de jovens que têm algum tipo de conflito são tratados pessoalmente. Quanto a casais homossexuais que adotam crianças, Padre Zecchin diz que pode ser prejudicial à criança. “Ela fica aprisionada só na masculinidade ou na feminilidade. Esses pais não terão recursos completos da natureza de ser um pai e uma mãe, no sentido pleno da palavra, ou seja, a criança não terá referências”. Em algumas palavras Pastor Marcos deu sua opinião sobre o tema: “De acordo com a palavra de Deus, no ato da criação Deus criou o homem e a mulher, macho e fêmea os criou, numa definição muito clara do que o criador quer, homem e mulher, nada além disso”. Na opinião do Pastor Jessé, o homossexualismo é mais um reflexo da sociedade confusa. A igreja não aceita a prática. A atração que a igreja chama de tentação deve ser resistida. Ele também é contra uma criança ser criada por pais homossexuais. Mas isso não significa que a Igreja desrespeita o homossexual como ser humano. Para ele o papel da família é crucial. “Se os filhos vêem em casa a convivência

dos pais que têm um relacionamento saudável, heterossexual, com papéis definidos e com modelos saudáveis de pai e mãe, não haverá problemas”.

Casamento Pastor Jessé esclarece que os casais que optam em morar juntos é mais uma confusão da sociedade. “Não é a mesma coisa que um casamento, pois eles não estão debaixo de um voto de responsabilidade, não serve como experiência, porque a qualquer momento um pode abandonar o outro”. Pastor Marcos diz que se uma pessoa toma a decisão de morar junto sem casar oficialmente, está optando por abandonar a fé. “Quando o casal vai morar junto, no íntimo a mulher arquiva o sonho do véu e da grinalda, ou deixa na última gaveta, mas ele ainda permanece lá”, opina. Por uma questão financeira, os casais estão se casando mais tarde. Na opinião de Padre Zecchin a idade para se casar não pode ser levada como regra. Para ele, morar junto antecipa um convívio que é próprio do casamento e desgasta o relacionamento quando os dois não têm compreensão mútua. E deixa um pensamento: “Namoro longo, casamento pensando. Namoro curto, casamento precipitado”.

Pastor Jessé diz que muitos casais não dão certo porque desistem no momento em que as responsabilidades chegam.

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Caretas e modernos

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A psicóloga explica que muitos casais se separam porque anteciparam o momento de ir morar junto e com isso não conseguiram conviver com a realidade

Os pais devem ser abertos ao diálogo com os filhos, porém sem passar por cima dos valores

por MARIA FERNANDA DI BELLA

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psicóloga Márcia Dominici de Godoi, recebe pais aflitos e com muitas dúvidas na hora de orientar os filhos que estão na adolescência, pois é nessa fase que surgem as primeiras experiências sentimentais e sexuais. “Antigamente os namoros tinham regras. Hoje os jovens têm medo e insegurança em relação a esses relacionamentos. Por isso optam pelo chamado ‘ficar’, que nada mais é do que a ‘amizade co l o r i d a’, s e m v í n c u l o , s e m compromisso”, destaca. Para Márcia, os pais precisam estar abertos aos diálogos e a possibilidade dos filhos recorrerem a eles. “É importante que os pais abram um canal de comunicação para preservar a confiança que os filhos depositam nos pais. Os jovens que não têm esse ambiente em casa, não aprendem a dividir os momentos – alegres e tristes – e recorrem a outras pessoas, que geralmente não podem ajudá-los”, observa. Alguns pais não querem ser chamados de caretas e ultrapassados e passam por cima dos próprios valores para se modernizar. Márcia faz um alerta: 06 . 06 . 08

por mais aberto e franco que seja o não é um momento para que o jovem diálogo, os pais não podem perder se afaste da família. “Namorar não de vista os valores morais e éticos, é tomar posse de ninguém, o casal as regras e limites. “Pai e mãe não não precisa se isolar. Os pais devem são amigos, precisam exercer a acolher os namorados, fortalecendo função de acompanhar, de estarem o vínculo familiar”, aconselha. presentes, mas acima de tudo são “No mundo moderno, as relações pais e precisam estar tranqüilos em estão muito aceleradas e intensas”, observa a psicóloga. Para Márcia, relação aos próprios valores”. quando o casal A maior preocupação dos pais resolve morar junto No mundo moderno, que a procuram ou solidificar a as relações estão muito é em relação a união, precisam aceleradas e intensas tecnologia: eles estar certos e seesperam que a guros dos sentiMárcia tecnologia esteja mentos. Ela conta presente na vida que muitos casais dos filhos de uma maneira positiva. decidem morar juntos no momento “A mídia erotiza desde muito cedo da paixão. “A paixão só vê o lado as crianças e os jovens e eles ini- emocional. Na verdade a pessoa ciam a vida sexual precocemente, apaixonada só vê o que interessa muitas vezes sem saberem o que para ela, são apenas idealizações. Se está acontecendo”, comenta. o casal antecipa esse momento, por A psicóloga aconselha que os pais ansiedade, ou seja, não conseguem mantenham a linha e estimulem o esperar que as coisas aconteçam, pensamento crítico. “Convidar a quando vão viver o dia-a-dia, acabam pensar diante de todos os assuntos se frustrando”, explica. é uma dica. Se eles ficam iguais à A partir do momento que um casal massa, que tudo pode; algo que não decide viver junto, a pessoa passa a conviver também com os defeitos traz felicidade”, esclarece. do outro. Quando passa a euforia, é que vem a possibilidade de gostar Namoros A psicóloga explica que o namoro da pessoa. “O sentimento é mais

sereno, tranqüilo. A pessoa sabe o que pode tolerar ou não”. Segundo a psicóloga, casamento é vivência no dia-a-dia. Muitos casais não vêem a regularização como necessidade. O documento não garante que a união seja estável. “Papel não segura ninguém, não é garantia”, exemplifica. Márcia recebe muitas mulheres que viveram apenas o lado profissional e se esqueceram do afetivo. “Elas se deram bem profissionalmente, mas têm dificuldade em se relacionar”, ressalta. Ela relata que a angústia das mulheres que já passaram dos 30 anos é crescente. Algumas dessas mulheres entram em relacionamentos que para elas não seria o ideal, por medo de ficarem sozinhas e para realizar o maior dos sonhos: ser mãe. Já a dificuldade dos homens é manter um vínculo. “As pessoas têm medo do compromisso. Acho que esse é o grande mal do século”. NOSSA FONTE psicóloga Márcia Dominici telefone:4033.7957


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Família Barneze. Carlos faz questão que as filhas Mariana, Fabiana e Gabriela façam programas com a família

Responsabilidade e confiança Drogas e segurança são as maiores preocupações na família Barneze por MARIA FERNANDA DI BELLA

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odos sabem que cuidar dos filhos não é uma tarefa fácil. Ainda mais para o casal Carlos Barneze, 47 anos e Miriam Mezzanotte Barneze, 44 anos, pais de 3 meninas: Mariana, 17 anos, Fabiana, 14 anos e Gabriela, 6 anos. A filosofia da família é a confiança. “Elas sabem a importância da confiança. Se a gente descobrir alguma mentira, aí a postura muda”, diz Miriam que se considera mais ‘liberal’ que o marido: “Tento ser amiga para que elas possam conversar de todos os assuntos comigo. Acredito que impor medo não adianta”. Cada uma possui a personalidade bem definida. “Como a Mari está na faculdade e tem quase 18 anos, cobro dela atitudes de uma pessoa adulta”, explica Miriam. Carlos e Miriam dizem que possuem uma visão de criação diferente, pois vieram de São Paulo. “Lá existe mais malícia, os adolescentes são mais precoces, fora a violência”, observam. A maior preocupação dos pais é em relação a bebidas, drogas e 06 . 06 . 08

segurança. Miriam e Carlos não liberais”, diz Miriam. fumam, não consomem bebidas alcoólicas e passaram o exemplo Namoro para as meninas. “O namoro, a Aos 15 anos Mariana teve o privida sexual, uma hora sabemos meiro namorado. Os pais acharam que irá acontecer, por isso orien- a menina um pouco nova para namorar, mesmo tamos. Para que Nós damos para as assim aceitaram a seja uma atitude meninas tudo que não consciente, sem decisão da filha. tivemos. Acho que todos traumas”, opina Agora com o seos pais pensam assim. E Miriam. gundo namorado, o mínimo que elas podem A erotização esaprenderam a ser é responsáveis lidar melhor com tá presente em Miriam a situação. todos os meios de comunicação. Para Carlos é Carlos conta que mostra artigos importante que as filhas não de jornais sobre pedofilia às filhas, pulem nenhuma etapa. Miriam para que elas fiquem informadas e Mariana brincam dizendo que sobre os assuntos. Com a pequena deixar Mariana viajar com a família Gabriela as preocupações ainda do namorado Thiago, já foi um são outras. “Dizemos para ela progresso. Mesmo assim certos quais programas pode ou não assuntos Carlos não encara com assistir”. naturalidade, como dormir na A orientação dos pais é para que casa do namorado. as meninas vivam a vida com Thiago já dormiu na casa dos responsabilidade. Barneze, mas só quarto de hós“Nós damos para as meninas tudo pedes. O relacionamento entre que não tivemos. Acho que todos sogro e genro é ótimo. Mas Maos pais pensam assim. E o mínimo riana confessa que Thiago ficou que elas podem ser é responsá- um pouco apreensivo antes de veis”. “Preferimos nos arrepender conhecer Carlos, embora já fosse por termos sido muito rigorosos amigo de Mariana. do que por termos sidos muitos Os pais preocupam-se com quem

as filhas irão namorar. “Mariana soube escolher”, dizem. Segundo Miriam, a família ganhou mais um filho, pois em todos os lugares que vão, Thiago os acompanha. Carlos e Miriam dão muita importância à família. Fazem questão de estarem presentes em todos os encontros familiares e passar isso às filhas. Mariana é mais caseira. Já Fabiana gosta de sair com os amigos. Quando sai o pai faz questão de levar e buscar, no horário estipulado, pois assim pode ter uma idéia do ambiente que a filha freqüenta e dessa maneira “saber se ela poderá ir uma segunda vez”. Eles incentivam as filhas a andarem com pessoas da idade delas. Carlos se considera um pai “moderno do século XX”. As meninas não viajam sozinhas com os amigos para passar uns dias na praia, por exemplo. “Não é questão de confiança. Algumas situações não dependem delas”, destaca Miriam. Na família Barneze, o ‘não’ é muito bem trabalhado. “Nós explicamos o porquê do ‘não’. Nada é sem explicação, sem fundamento”, finaliza Miriam.


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Cada coisa

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José Aparecido e Miriam com as filhas Paula, Luiza e Giovanna. O diálogo é fundamental na criação das meninas

no seu

tempo

A família Conti aprendeu a lidar com um a nova situação: a filha mais velha está namorando por MARIA FERNANDA DI BELLA

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uizete F. M. de Oliveira Conti, 43 anos, se considera muito aberta e amiga das filhas Paula, 16, Luiza, 11 e Giovanna, 6 anos. “A partir do momento em que a gente sabe de tudo que está acontecendo com os filhos, posso aconselhar”. Embora as conversas na família sejam abertas, os papéis são bem definidos. Ela e o marido José Aparecido Conti, 45 anos, conversam sobre drogas e sexualidade com as filhas. “Ensinamos nossas filhas a tratarem as pessoas com respeito, e isso começa dentro de casa”, diz José. Luizete admite que é mais ciumenta que o marido e diz que ele lida melhor com as situações. Para os pais a maior preocupação são as drogas e a gravidez. Além das conversas em casa, as filhas têm educação sexual na escola. José ainda não permite que Paula freqüente bares que não são apropriados para a idade da filha. “Ela não vai a ‘baladas’ porque ainda não tem idade”, 06 . 06 . 08

explica. Luiza vai apenas contar. Há um pouco mais de a lanchonetes com os amigos, um mês começou a namorar. A com hora para voltar. Mas com apresentação para a família foi jeitinho ela consegue esticar o no dia do aniversário, meio sem tempo estipulado. jeito, pois o namoro não estava José se lembra de uma frase que oficializado. “Fiquei mais nervosa escutou no curso de noivos, antes que minha mãe”, diz Paula. de se casar: “O pai que dorme na José e Luizete confessam que infância e na adolescência, nunca ficaram mais tranmais dorme”. E diz qüilos depois que que troca idéias a filha começou Com toda a violência, com outros amia namorar. “Eles ficamos mais sossegados gos que estão na quando preferem ficar em ficam mais cacasa mesma situação, seiros. Quando ou seja, tem filhos saem é para jantar José Aparecido adolescentes e prée logo já voltam. adolescentes. Com toda a vioPara lidar com toda informação, lência, ficamos mais sossegados José colocou o computador na quando preferem ficar em casa”, sala, assim pode monitorar os comenta José. sites que as filhas estão vendo. O namorado está sempre acomPaula tem o próprio computador panhando a família. “As cunhadas no quarto, mas ela só pode usar curtem o cunhado. Não dão com a porta aberta. Quando a um minuto de sossego pra ele”, família está reunida, mudam de diverte-se Luizete. canal se a cena não é apropriada José confessa que gostaria de ter para Giovanna. tido um menino. Ele se identificou com o namorado de Paula. “Eles assistem jogos de futebol Primeiro beijo Quando Paula deu o primeiro juntos e às vezes tem até um beijo, ligou para a mãe para papo cabeça”, brinca Paula.

O namorado de Paula está tirando carta. Como a diferença de idade não é grande, Luizete e José dizem não ter problema. Na época em que José namorava com Luizete, o horário imposto pelos pais era meia noite. Só depois do noivado os pais permitiam que chegassem um pouco mais tarde. Com algumas festas que as filhas freqüentam começam depois das 11 horas da noite como formaturas e festas de 15 anos, os pais estipulam um horário. “Também não pode liberar geral”, observa José. A tática é monitorar pelo celular. “Estamos sempre ligando pra saber se está tudo bem, com quem elas estão”, conta Luizete. Quando o assunto são os namoros modernos, como morar junto, José é mais radical. “O namoro é o tempo de se conhecer. Se você vai morar junto sem casar, acaba usando a pessoa como objeto: ‘Ah, não deu certo, vou trocar por outra’”. E Luizete completa: “No fundo toda mulher tem o sonho de casar”.


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Recémcasados Após 9 anos juntos, Ana Caroline e Jovadir casaram-se há algumas semanas Carol e Juninho com o filho João Henrique. Antes de se casarem, Juninho e Carol moravam juntos na casa da mãe dela

por MARIA FERNANDA DI BELLA

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os 15 anos, Ana Caroline Ribeiro (Carol, como é chamada, hoje com 24 anos), mudou-se com a família para Bragança. Logo que entrou na nova escola conheceu Jovadir Júnior Acedo (Juninho, também 24 anos). Eles “ficaram” e logo começaram a namorar. Mas o relacionamento nem sempre foi um mar de rosas. Nesses 9 anos eles terminaram algumas vezes, mas segundo Carol, sempre estiveram juntos. Ela conta que eles são opostos em tudo, “inclusive no time de futebol”, brinca. Como começaram a namorar muito cedo, ainda não tinham tanta maturidade. “Foi uma fase de transição bem difícil. Mas aprendi a ter mais paciência, a ser mais tolerante”, destaca. Na festa de formatura da faculdade, Carol já estava grávida e nem suspeitava. Em 2006 nasceu João Henrique, hoje com 1 ano de 8 meses. Os dois decidiram que a princípio não iriam se casar, mas Juninho foi morar na casa dos pais de Carol quando o filho nasceu. Os mais velhos da família, principalmente os avós ficaram um 06 . 06 . 08

pouco assustados com a opção dos jovens de não se casarem.

já trabalhavam, mas cada um administrava o próprio dinheiro. “Durante a gravidez passou a ser Convivência tudo nosso, ou melhor, para o João “Ainda bem que moramos juntos Henrique”, conta a mãe coruja antes de casar”, afirma Carol. Ela que admite não ter dó de gastar o teve que aprender a conviver com dinheiro se for para o filho. “Outro outra pessoa completamente dife- dia passei em frente a uma loja rente dela. “Homem já tem uma de brinquedos. Entrei e comprei criação diferente. bola, skate, um Ela diz que Juninho monte de coisas”. é espaçoso na caEla adora presenAprendi a ter mais ma, deixa a toalha tear: “Quando vejo paciência, a ser mais no chão, a pasta de que o perfume tolerante dente aberta e o do Juninho está Ana Caroline que mais a irrita: no final, compro a tampa do vaso outro. Faço essas sanitário levantada”. Nessa horas surpresas”. respiro e conto até 10”, brinca. Mas é Juninho quem mais gasta. A Já Juninho diz que aprendeu conta de celular dele é mais cara, a conviver com o humor, ou a porém com uma explicação: muitos falta de humor de Carol. “Eu sou assuntos do trabalho precisam ser chorona e ele não gosta disso”, resolvidos pelo celular. comenta Carol. A dica que o casal dá é pesar sempre Às vezes eles também se desen- os dois lados. Ver o que realmente tendem quanto à educação de é primordial. Se o dinheiro der João Henrique. “Agora a gente já para pagar um creme, uma roupa sabe que na frente dele, temos que nova, um tênis, ótimo. mostrar que estamos de acordo, mesmo que um de nós não con- Casamento corde”, explica. O casal decidiu que era hora de ter a própria casa quando os Finanças conflitos relacionados à educação Antes de Carol engravidar, ambos de João Henrique começaram a

surgir. “Os avós querem sempre mimar. Algumas vezes eu não deixava meu filho fazer alguma coisa e ele já olhava para minha mãe, esperando que ela aprovasse”, conta Carol. Outro motivo foi a privacidade. O casamento aconteceu exatamente como Carol queria. João Henrique entrou no colo do pai, de smoking. “Foi lindo!”, relata Carol sentada em sua cama enquanto o marido dá os retoques finais do apartamento novo. Elesnãosevêemmuito.Caroltrabalha de manhã e Juninho à noite. “Casal que vive 24 horas juntos não passa de 2 anos”, opina Juninho. Para Carol, por mais intimidade que o casal tenha, na hora de morar junto é tudo diferente. “Se acontece alguma briga não tem mais a história de cada um ir para a sua casa esfriar a cabeça e conversar mais tarde. Depois da briga vão continuar no mesmo ambiente, dividir a mesma cama”, observa. Ao mesmo tempo Carol diz que o mais gostoso de morar junto é justamente a convivência. “É você poder contar com a pessoa. Eu não preciso ligar, ele está sempre do meu lado. A gente dá muita risada junto”.


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Tarefas divididas A decisão de morar na mesma casa foi rápida, mas Regiane e Celso não se arrependem

por MARIA FERNANDA DI BELLA

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egiane Miranda, 32 anos e Celso Augusto Jacomini, 40 anos, estão juntos há quase 5 anos. O casal recorda-se do dia em que se encontraram: “Fui com umas amigas em um barzinho, pela primeira vez em Atibaia e lá nos conhecemos”, conta Regiane. “Foi no dia 25 de outubro”, comenta Celso. Ele conta que foi dif ícil conquistar Regiane. “Corri muito atrás dela”, diverte-se. E a tática funcionou. Dois meses e meio depois eles estavam dividindo o mesmo teto. A princípio alugaram uma kitnet perto da universidade São Francisco. Mas segundo Celso, os apartamentos foram feitos para estudantes e não para casais morarem. Como os dois já tinham praticamente todos os móveis, decidiram alugar uma casa. Eles dizem que a família estranhou a decisão, por ter sido muito rápida. “Algumas pessoas acharam a decisão precipitada, principalmente a 06 . 06 . 08

família dela, porque homem já tem uma criação diferente”, como muitas mulheres, sente diz Celso. Regiane se lembra das pessoas vontade de oficializar o relaperguntando: “Como você vai cionamento, mas para Celso, morar com alguém que nem um papel não mudaria nada o que um sente pelo outro ou a conhece direito?”. Celso trabalha em São Paulo e forma de vida do casal. passa a maior parte da semana Às vezes Regiane sai com as amigas durante na capital. Por a semana, com conta disso as A gente confia total aprovação finanças da casa muito um no outro do namorado. “A foram divididas da gente confia muito Celso seguinte maneira: um no outro”, afiras contas de água, ma Celso. Porém luz e telefone fiela admite que é cam para Regiane pagar. Já Celso mais ciumenta. “No começo do fica encarregado das despesas maiores como aluguel, tv a cabo namoro ele era mais ciumento, agora sou eu”. e alguma compra maior. Quando chega sexta-feira, Regiane fica ansiosa esperando Celso Confiança O casal conta que o fato de chegar de São Paulo. Aliás, só Celso passar a semana fora, conseguimos conversar com o fortacele o relacionamento. O casal – na terça-feira – porque tempo que sobra para ficarem Celso veio especialmente de juntos, preferem aproveitar. “Se São Paulo para o aniversário a gente passasse muito tempo de Regiane. junto, as brigas seriam mais Na opinião do casal a melhor parte de viver junto é a convivência. freqüentes”, brinca Celso. Regiane confessa que assim Nos finais de semana eles gostam

Nos finais de semana, Regiane e Celso gostam de curtir a casa.

de curtir a casa, que por sinal é muito bem organizada. O que muitas vezes para Celso acaba sendo um defeito: “Regiane tem mania de limpeza. Quando lavo a louça, ela vai verificar se está tudo limpo mesmo. Algumas vezes ela chega a lavar novamente. Ah! E não pode secar nada, tem que deixar tudo no escorredor”. Celso destaca outra característica de Regiane: “Ela está sempre em cima da hora para os compromissos. Não importa a hora que acorde, tem sempre que sair correndo”. Já Regiane se irrita quando Celso joga a roupa ao lado do cesto de roupa suja, ou quando termina de almoçar e deixa o prato na mesa. Mesmo com todas as dificuldades, todas as brigas – assim como qualquer outro casal – os dois aconselham as pessoas a viverem esse desafio. “Na minha opinião as pessoas têm que fazer um ‘test drive’”, finaliza Celso.


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Jornal do Meio - Especial Namorados  

Tablóide especial com matérias referentes ao Dia dos Namorados.

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