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Apóstóló Pedró: primeiró póntífice da igreja? Autor: Rogério Jardim PRINCIPAL OBJETIVO: Embora não seja o objetivo deste artigo, mas a eleição do novo pontífice da igreja, o senhor Jorge Mário Bergoglio, inspirou a base de estudo para o assunto que será tratado aqui. É de total razoabilidade enfatizar inicialmente que este artigo não tem por objetivo descaracterizar ou mesmo desconsiderar a eleição já citada nem a pessoa do papa em si, pois esse é um assunto que merece outra análise. O fato é que chamou minha atenção quando foi divulgada a renuncia do papa emérito Bento XVI, e os canais de comunicação informaram que a posição de substituto do apóstolo Pedro estava vazia aguardando um novo ocupante que deveria ser eleito pelos cardeais da igreja. Ao ser divulgado o novo nome para a posição intensificou-se ainda mais a informação de que o novo papa e substituto do primeiro pontífice da igreja, o apóstolo Pedro, já havia sido escolhido pelo conclave. A questão que gira em torno desse acontecimento é a seguinte: Foi mesmo o apóstolo Pedro o primeiro papa da igreja conforme é considerado? O que a bíblia tem a nos informar sobre esse assunto? Vejamos se ela apoia a ideia de Pedro ter ocupado essa posição em algum momento na história da igreja.

O CHAMADO DE PEDRO: A verdade é que a bíblia sagrada em nenhum momento mostra a mínima possibilidade de o apostolo Pedro ter vivido em Roma, liderado a igreja de Roma e muito menos ter estado na posição de papa, pois nessa época Roma ainda não havia estabelecido seus vínculos religiosos, principalmente com o cristianismo. Outra verdade é que o titulo de papa até esse momento nem era conhecido. Começando por seu chamado, antes disso Pedro era somente um cidadão comum que além de ser pescador era também um empresário atuante nesse ramo, conforme nos mostram os textos dos evangelhos de Marcos e Lucas (Mc 1: 19, 20 / Lc 5: 9, 10). Talvez no pior momento de sua vida, depois de uma noite de fracasso, Pedro é encontrado por Jesus no final daquela noite. Ali acontece o milagre que ele precisava, Jesus faz as redes de Pedro multiplicar brotando um numero incontável de peixes que talvez em todos os anos de pescaria nunca tenha conseguido algo semelhante. Foi exatamente nesse momento que Jesus lhe chamou para abandonar o exercício da pesca de peixes e passar a ser pescador de homens (Lucas 5: 1 – 11). Durante seu chamado ao ministério de evangelização, a bíblia nos mostra que Pedro foi chamado e formado por Jesus. Em nenhum momento de seu chamado pelo Senhor lhe foi dado poder ou mesmo ele exercendo poder sobre alguém, muito pelo contrário, quando teve


a oportunidade de ser reverenciado e venerado como alguém em posição superior Pedro renuncia essa postura. Isso pode ser comprovado quando recebe aquela visão de alguns alimentos considerados imundos descendo até ele para que deles pudesse se alimentar, ao que ele responde chamando de imundos e impróprios para sua alimentação. Era a confirmação da parte de Deus quanto ao seu chamado (Atos 10: 11 – 22). Logo depois ao ser enviado até a presença do centurião Cornélio, para lhe anunciar as verdades de Deus, quando Cornélio o vê se prostra em reverência a ele, mas imediatamente Pedro recusa essa reverência considerando-se indigno de receber adoração, pois era tão pecador e necessitado quanto aquele homem que estava diante dele (Atos 10: 25 – 26). Após ter sido chamado por Jesus para o trabalho de evangelização da palavra de Deus e edificação de sua igreja o resultado da convocação feita por Jesus naquela noite observa-se num momento onde quase 3 mil pessoas se convertem ao evangelho anunciado por Pedro (At 2: 37 – 41). Essa ocasião tão importante que foi o dia de pentecostes, quando o espirito santo foi manifesto em Jerusalém, marca uma parte muito importante do inicio da vida ministerial de Pedro. De acordo com a bíblia sagrada não há registros de que Pedro tenha estado em Roma nem que tenha sido o responsável pela igreja que fora formada naquele lugar, pois em todas as vezes que a palavra “ROMA” é mencionada na bíblia não há referencia nem relação entre ela e Pedro (Atos caps 19, 23, 28 / Romanos 1 / 2Timóteo 1). A possibilidade da formação da igreja em Roma é totalmente possível a partir dos forasteiros romanos que se encontravam em Jerusalém no dia de pentecostes (Atos 2: 10, 11), quando a partir daquele momento o evangelho passou a alcançar a todas as pessoas se cumprindo o que fora dito antes por Jesus ao dar as últimas instruções aos seus discípulos (Atos 1: 8).

CONCEITOS GERAIS SOBRE PEDRO E O PAPA: Essa ideia de Pedro ter sido o primeiro papa da igreja vem do catecismo da doutrina cristã, que segundo a tradição católica romana aponta que Pedro governou a igreja romana como pontífice por 25 anos, e que o papa é o sucessor de são Pedro em Roma e vigário de cristo na terra. Um grande ponto de conflito nessa história é o fato de Pedro ter sido papa por 25anos em Roma, pois na sucessão de Cláudio, Nero governou o império por 14 anos (54 – 68 d.C) quando nesse período Pedro foi martirizado entre 67/68. Diminuindo 25 anos voltamos ao ano 42/43, nesse período ainda não havia ocorrido o concilio de Jerusalém, que se deu por volta do ano 47/48. Porém a bíblia é clara ao mostrar que Pedro apenas participou do concilio dos apóstolos, mas o mesmo foi presidido por Tiago que dá o seu parecer final sobre o caso da circuncisão dos gentios que estava sendo tratado ali (Atos 15: 13 – 19). Quando Pedro escreveu sua primeira carta por volta do ano 60 ele não menciona Roma como destinatário (1Pd 1: 1), nem escreve de Roma (1Pd 5: 13) pois estava na babilônia. O curioso é que nesse período Pedro estaria no auge do seu pontificado, porém no ano 58 quando Paulo escreve sua carta a igreja de Roma ele não menciona Pedro, pois escreve como líder espiritual


daquela igreja (Romanos 1: 10 – 15). Importante observar que no versículo 11 Paulo expressa a necessidade de estar com os crentes de Roma para repartir com eles algum dom espiritual. Mas alguma coisa está errada, por que se Pedro fosse o líder da igreja de Roma, ou até mesmo o papa, qual a necessidade de Paulo ter que ir até lá para lhes dar uma coisa que só o líder poderia dar. Mais interessante ainda é que na mesma carta o apostolo Paulo faz saudações a 27 pessoas (Atos 16: 3 – 16), mas não dirige nenhuma das saudações a Pedro. Pensemos, seria uma grosseria e falta de ética da parte de Paulo escrever a uma igreja que não era a sua e não saudar seu líder ministerial, ou ir à igreja que tinha um líder para repartir de uma forma tão necessária e intima um conteúdo de tão alto teor que só seu bispo e líder era capaz de dar. Isso só aconteceu por dois motivos: 1) Pedro não era o líder da igreja de Roma, muito menos o seu papa; 2) Pedro não estava em Roma. O título “PAPA” só passou a ser usado pela igreja romana a partir do século 4 E.C, quando no concilio de Toledo foi dado o poder de jurisdição ao bispo de Roma sobre sua província, marcando com esse titulo que o bispo era o de Roma mesmo. Entretanto essa titularidade já era dada aos bispos de Alexandria e Antioquia desde o século 3 E.C, a partir do concilio de Nicéia. A partir do concilio de Calcedônia ano 451 firmou-se o posicionamento do império com relação aos bispos, mas mesmo assim só passou a ser utilizado esse titulo oficialmente em documentos redigidos por bispos a partir do século 6, quando o imperador Focas nomeou Bonifácio IV como bispo universal da igreja reconhecido por Roma, nesse período instituiu-se o papado. Aqui fica um questionamento: Se Pedro era o papa porque só depois de mais de 600 anos de sua morte é que se dá essa designação? O papa presidiário: Outro ponto intrigante é o fato que está registrado em Atos dos apóstolos quando Pedro é preso por ordem de Herodes (Atos 12: 1 – 8). Sabe-se que Herodes era governador da Judéia por ordem de Roma. Sendo assim como poderia um governador que era autorizado por Roma para governar aquela região ter poder para ordenar a prisão do seu papa romano? Mais uma vez a bíblia mostra o desencontro na informação que tenta mostrar Pedro como papa da igreja. O papa e a sogra: Talvez um dos maiores problemas na história papal de Pedro seja o fato registrado no evangelho de Mateus, quando conta que entrando Jesus na casa de Pedro viu sua sogra que estava doente (Mateus 8: 14, 15). Se a bíblia está contando a verdade, e ela é a verdade, pois o próprio Jesus dá testemunho sobre ela (João 17: 17) então temos um grande problema aqui.


Como pode ter sido o primeiro papa se ele era casado? E porque só ele ter o direito de ser casado e os outros posteriores a ele não? A bíblia mostra que o celibato não fazia parte da cultura nem da vida de Pedro. A cultura do celibato já existia nessa época, porem era adotada por grupos não cristãos que faziam disso uma regra de santidade e condição para a salvação eterna, e ainda tentaram dissuadir essa heresia no meio da igreja de Cristo, ao ponto do próprio apostolo Paulo advertir o pastor Timóteo quando lhe escreve pela primeira vez no ano 64 E.C (1Timóteo 4: 1 – 5). Além dessas discordâncias existe uma incoerência no comportamento eclesiástico de Pedro como papa, pois não há registros de ações suas como exercendo poder nem tendo poder para alguma decisão. Se analisarmos o capitulo 8 de Atos dos apóstolos veremos que Pedro nada determinou nem enviou ninguém para pregar o evangelho em Samaria, muito pelo contrário, ele é que foi enviado pelos demais apóstolos (Atos 8: 14, 15). Se Pedro realmente fosse papa nesse momento ele não se submeteria a ordens e sim daria ordens e enviaria alguém a algum lugar. Mas ele obedece a ordem dos outros apóstolos pelo fato de não ser ele o principal, muito menos ter poder sobre os outros. Então se Pedro não tinha poder para enviar ninguém e obedecia a ordens logo não poderia ser o papa. O posicionamento de Pedro sobre si mesmo é registrado quando ele escreve sua primeira carta (60/61 E.C) e se apresenta de uma forma bem diferente. Sua apresentação não é como papa e sim como presbítero e testemunha das aflições de Cristo (1Pedro 5: 1), e ainda reprova a ação daqueles que tentavam usar da fé para dominar e subjugar pessoas que buscam no evangelho de Cristo a verdade da salvação (1Pedro 5: 1 – 4). Analisando ainda o comportamento de Pedro e a possibilidade como papa, é pertinente lembrar que todas as vezes que se vê o papa chegando a algum lugar é natural ver as pessoas se prostrando diante dele e lhe reverenciando com um beijo na mão. De todas as vezes que isso aconteceu não houve rejeição por parte do papa com a atitude de adoração das pessoas. Pedro não aceitou ser adorado nem venerado por ninguém, antes mesmo reconheceu que não era digno de receber essa honra por ser ele apenas homem (Atos 10: 25, 26). O apostolo Paulo diz que somente ao nome de Jesus todo joelho se dobre e confesse sua grandeza para a glória de Deus pai (Filipenses 2: 10, 11). Se Pedro aceitasse tal adoração e veneração na posição de papa, de acordo com o que o apóstolo Paulo escreve aos filipenses, não estaria Pedro (como papa) tentando ocupar um lugar que não é seu, ou melhor, tentando se colocar no lugar de Deus, visto que somente o Deus eterno merece ser adorado? O Senhor Deus sempre deixou isso muito claro a sua criação, em não dividir sua glória e honra com ninguém (Isaías 42: 8 / 48: 11), isso inclui o papa ou qualquer criatura finita e mortal que queira usurpar de tal posição.

O papa (Pedro) e o fundamento para a fé: Pedro conhecendo o evangelho de Cristo não se propôs a contrariá-lo, principalmente nesse quesito. O próprio Jesus chama a atenção das pessoas que o ouviam num de seus sermões sobre a substituição de amor para com o pai celeste. A designação “PAPA” significa “PAI”,


oriunda do latim. O Senhor Jesus repreendeu as pessoas sobre a possível aceitação da ação presunçosa e soberba dos escribas e fariseus, ordenando que a ninguém na terra chamassem “PAI”, pois só tinham um pai que estava nos céus (Mateus 23: 9). É inútil tentar colocar Pedro na posição de fundamento da igreja de Cristo, como a tradição que o intitula papa a faz. Uma das formas usadas para tentar afirmar que Pedro era o fundamento da igreja e da fé cristã é o fato que está registrado no evangelho de Mateus, quando Jesus está tratando com Pedro e diz “sobre esta pedra edificarei minha igreja” (Mateus 16: 18). É necessário porem ser analisado o contexto da discussão para não correr o risco de se chegar a uma conclusão tão tola como essa. Em nenhum momento Jesus estava dizendo que Pedro era ou seria a pedra fundamental nem o fundamento da igreja. O que Jesus diz a Pedro (V18) é uma resposta satisfatória acompanhado de uma concordância à confissão que Pedro lhe faz reconhecendo-o como o Cristo, filho de Deus (V16). A pedra em questão, onde seria fundamentada a igreja era o próprio Jesus, isso pode ser comprovado nos textos que aprecem nos evangelhos, Atos dos apóstolos, nas cartas do próprio Pedro e também nas cartas de Paulo, onde aparece a palavra “PEDRA” no original é usado o termo grego “PETRA” e não “PETRUS” que significa Pedro ou Cefas, como Jesus o chamou. Maior comprovação ainda está no próprio testemunho de Pedro sobre quem é essa pedra, e também no testemunho do apóstolo Paulo quando falam sobre o fundamento para a edificação da fé. O apóstolo Pedro confirma e afirma que Jesus é a pedra fundamental quando é preso juntamente com João estando eles já perante o sinédrio Pedro faz tal declaração (Atos 4: 11). Mais tarde quando Pedro escreve sua primeira carta novamente ele mesmo menciona Jesus como a pedra fundamental e o fundamento principal para a fé e salvação (1Pedro 2: 4 – 7). O apóstolo Paulo chama a atenção da igreja ao escrever aos crentes de Corinto e diz que não há outro fundamento no qual seja embasada a nossa fé, e ainda afirma que esse fundamento principal não é outro senão o próprio Jesus (1Corintios 3: 11 / 10: 4). O mais interessante é que além de o próprio apóstolo Pedro não se considerar o fundamento principal para a igreja os apóstolos também não o reconheciam como o sendo o principal. Mais uma vez o apóstolo Paulo faz questão de afirmar que Jesus é o principal fundamento da igreja quando escreve a igreja de Éfeso (Efésios 2: 20). Concordemos num pensamento: O papa é considerado como sendo o guia dos gentios certo? Aí está outro problema na mentira criada sobre o papado de Pedro, pois nesse caso de todos os apóstolos quem deveria ser reconhecido como papa era Paulo e não Pedro, uma vez que quem foi enviado aos gentios foi Paulo e não Pedro (Gálatas 2: 7, 8). Além disso, Paulo declara que sobre ele pesava a preocupação com todas as igrejas (2Corintios 11: 28). Ora se Pedro era o papa porque então Paulo tinha essa pesada missão? Mais um ponto interessante para a conclusão do assunto é que além de Pedro nunca ter sido visto como a pedra fundamental, também nunca foi visto como a coluna principal da igreja. Paulo declara isso quando escreve aos gálatas, e novamente afirma que Pedro não fazia parte dos enviados aos gentios e sim para os judeus (Gálatas 2: 9).


Por fim podemos chegar a uma conclusão: Pedro nunca foi papa porque o papado nunca esteve nos planos de Deus, além de não ter nenhuma base bíblica que fundamente sua existência ou sua origem, e sendo ele um seguidor de Cristo não se sujeitaria a viver algo que não fosse planejado por seu Senhor. Se o papado não é dado por Deus quem seria o seu criador senão o próprio homem para usurpar a posição de Deus. Essa verdade é comprovada quando o apóstolo Paulo faz uma declaração muito profunda à igreja de Éfeso. “E ele mesmo deu uns para apóstolos, outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores (Efésios 4: 11)”. A palavra “PAPA” não consta nos nomes eclesiásticos observados por Paulo e criados por Deus.

Honra, glória, louvor e adoração sejam dados unicamente a Jesus, diante do qual todo joelho se dobrará e confessará que só ele é o Senhor, para glória de Deus pai.

Apostolo pedro: primeiro pontífice da igreja?  

Ao longo dos anos este tem sido um dos assuntos que mais tem provocado discussões acaloradas sobre o assunto, principalmente após a renunci...