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brasileiros a integrantes de seu grupo Total Brutal em Kikar, espetáculo de dança produzido em parceria com o Goethe Institut e o SESC-SP. Vivi Tellas, diretora argentina, tem criado em vários países espetáculos num gênero híbrido entre o documentário e o drama, que ela intitula biodrama. A cena é poeticamente construída a partir do depoimento ao vivo de não atores – sua mãe e sua tia, três filósofos, um cineasta e seu médico, dois rabinos ou, no nosso caso, O Rabino e Seu Filho, espetáculo que produzimos especialmente para esta mostra. A programação abriga também o risco e a qualidade das performances. Como atos únicos, impossíveis de se repetir, nelas a fugacidade do teatro ganha contornos dramáticos – com trocadilho. Isabel Teixeira parte de um texto de Paul Auster para reconstruir pequenas vinhetas do cotidiano – inclusive sua própria conversão ao judaísmo. Cláudia Schapira traz a força de seu trabalho na Cia. Bartolomeu de Depoimentos para um cabaré hip-hop sobre um parente distante: Cole Porter. Wilson Sukorski toca um “baixo totem”, instrumento que ele mesmo inventou, em diálogo ao vivo com um vídeo que fez nas ruas de Jerusalém e com a performer Ana Montenegro. Eliana Carneiro inspira-se em símbolos do Sefer Yetzirah (o Livro da Criação) para dançar corpos em estados alterados: comunhão, oração, transe e êxtase. Fazemos, no mesmo ato dirigido por Cibele Forjaz, homenagem a dois intelectuais que marcam nosso teatro: Jacó Guinsburg e Anatol Rosenfeld. Jacó, figura central no ensino e no pensamento sobre teatro, é também o responsável pela publicação das obras de Anatol, referência obrigatória.

O futuro também está presente em nossa programação. Um ensaio e uma leitura dramática são as portas para dois processos distintos de construção de espetáculo. O Teatro da Vertigem permite-nos um vislumbre do que será seu próximo espetáculo, a estrear em maio. Poderemos assistir a duas cenas de seu ensaio e debater com o diretor Antônio Araújo e outros integrantes do coletivo. Será uma oportunidade única de participar do processo de criação do grupo teatral mais importante da atualidade. Bruce Gomlevsky dirige a leitura de Nova Jerusalém..., texto de David Ives que trata de um episódio central da vida de Baruch Espinosa. Os espetáculos e performances se desdobrarão em mesas de debates, nas quais serão abordados temas como a pedagogia de Janusz Korczak e a violência política de hoje em diálogo com a do passado, o corpo do intérprete e as influências culturais de cada país, as relações entre a pesquisa histórica e a criação artística, a formação de plateias para espetáculos de dança e teatro. Cursos e oficinas completam nossa programação. Palcos não se restringe ao nosso palco. Auditório, biblioteca, saguão, cafeteria, teatro do SESC Pinheiros, Oficina Oswald de Andrade, ruas do Bom Retiro – nossas artes cênicas já não cabem em fórmulas e etiquetas. Mas estão todas aqui, no Centro da Cultura Judaica.

Aimar Labaki Curador de Palcos – 2ª Mostra de Artes Cênicas do Centro da Cultura Judaica.

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Palcos  
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Programa para mostra de arte cênicas

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