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Nº 1270 | dezembro ' 12 | Ano 29 | Mensal | Assinatura Nac. 40€ | Diretor: Jorge Sousa | Edição: Tâmegapress | Redação: Marco de Canaveses | t. 910 536 928 | Tiragem média: 20 a 30.000 ex. | OFERECEMOS LEITURA

Prémio GAZETA

repórterdomarão + n o rt e

Avião pode não voltar a descolar

DEZEMBRO ’ 12

Excesso de produção de vinho está a condenar o Douro – avisa produtor

pequenos viticultores

Bruxelas atrasa a carne de capão


economia regional

DOURO: excesso de produção arruina a região

Pequenos viticultores vão desaparecer Os mais de 35 mil viticultores durienses estão “mergulhados numa profunda crise” por causa das dificuldades de escoamento, da descida constante dos preços das uvas e do aumento dos fatores de produção. Abandonar as vinhas e mudar de atividade (e/ou produção) ou emigrar são alternativas que se começam a equacionar. Patrícia Posse | pposse.tamegapress@gmail.com | Fotos | P.P.

“Ainda não se sabem os preços finais desta campanha, mas o que se vai falando é que os preços do vinho generoso poderão cair com o argumento de que as aguardentes subiram. As empresas querem refletir isso no preço a pagar à produção. É uma situação quase insuportável na Região Demarcada do Douro”, alerta a presidente da Associação dos Vitivinicultores Independentes do Douro (Avidouro), Berta Santos. Recorde-se que, em 2011, a pipa de Vinho do Porto foi paga a uma média de 900 euros. Entretanto, refere a dirigente associativa, a pipa de vinho de mesa também está a ser paga “a preços muito baixos”. A dirigente assegura que, neste momento, 40% do total de viticultores emigra sazonalmente porque “já não consegue granjear a própria vinha”. “Nesta altura do ano, os viticultores vão à apanha do pinho. É um trabalho muito duro, mas é isso que lhes permite ir granjeando a sua pequena vinha.” Por outro lado, os pequenos e médios viticultores evitam recorrer à mão de obra como acontecia noutros tempos, já que a margem de lucro é cada vez mais reduzida. A quebra nas contribuições para a Segurança Social também inspira alguma preocupação a Berta Santos, pois já há muitos viticultores e suas famílias “sem proteção nenhuma”. “Há muita gente a sair da Segurança Social por não ter condições para pagar as contribuições sociais. Se tivermos um casal, é quase impossível pagar mais de 400 euros mensais.”

“Valia a pena investir na vinha” Ano após ano, a Avidouro tem vindo a reclamar o aumento dos quantitativos para a produção de Vinho do Porto, tido como “a pedra angular económica dos milhares de pequenos e médios viticultores, porque é aquilo que lhes traz algum rendimento”. Na vindima de 2012 o benefício foi fixado em 93 500 pipas. O caminho, apertado e sinuoso, desce uma das encostas de Guiães, freguesia do concelho de Vila Real. Manuel Santos desliga a carrinha e o relógio marca 7h30. Debaixo de um ar gélido, ele e a esposa preparam-se para mais uma jornada de trabalho. Ambos herdaram e compraram terras, porque “valia a pena investir na vinha”. “Há 25 anos, valia mais investir aqui do que emigrar. Nestes últimos anos, isto inver02

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teu”, observa. A viticultura duriense foi definhando com os sucessivos cortes no benefício e com a quebra no preço do vinho. Hoje, os cerca de 17 hectares de Manuel Santos rendem-lhe 70 pipas (550 litros cada) de vinho de mesa e 35 de Vinho do Porto. Deste último, já chegou a fazer “mais do dobro”. Por outro lado, o gasóleo agrícola, a mão de obra e os produtos fitofármacos eram “muito mais baratos”. “Nessa época em que os vinhos de mesa eram pagos a 600 euros e o generoso tinha mais do dobro do benefício atual, a região do Douro era um jardim. Não se via uma erva. Granjeava-se melhor porque o pessoal tinha gosto e dava rendimento.” Aos 50 anos, Manuel Santos encara com pessimismo os dias vindouros: “consoante os preços que se estão a praticar, não vejo futuro nenhum”. “Antigamente, havia cerca de 20 casas exportadoras, agora temos cinco. A falta de concorrência contribui muito para que os preços sejam prensados. Por outro lado, a maioria das adegas cooperativas do Douro, que eram a nossa salvação, foram à falência”, lamenta.

Uma questão de orgulho e teimosia Em tempos, a Casa do Douro “obrigava as firmas a cumprirem com um preço mínimo”. “Agora, a gente entrega a produção e não sabe aquilo que nos vão pagar. Na época em que o mercado andava bom, qualquer agricultor negociava da melhor maneira e sabia o que é que ia receber. Não havia falhas”, relata o viticultor. O valor máximo que recebeu por pipa de Vinho do Porto ultrapassou os 1200 euros, há 18 anos. “Os preços dos vinhos de consumo são uma miséria: 100 euros por pipa. Já cheguei a ganhar 600 euros por 750 quilos de uvas”, acrescenta. Manuel Santos conhece colegas de outras freguesias que já abandonaram as vinhas, ora porque emigraram, ora porque encontraram outras oportunidades de trabalho. “Aqui, em Guiães, o pessoal ainda vai mantendo por uma questão de teimosia. Mas a maioria está-lhes a custar…” Ele próprio, admite, só trabalha a terra “por gosto”, pois “já lá vai o tempo” em que dava para “amealhar”. Com uma filha a frequentar o Ensino Superior, este viticultor reconhece que “tem de se espremer muito”. “Há dias de 10 a 12 horas de


“Os preços dos vinhos de consumo são uma miséria: 100 euros por pipa. Já cheguei a ganhar 600 euros por 750 quilos de uvas”, afirma o produtor Manuel Santos. Em tempos, lamenta, a Casa do Douro “obrigava as firmas a cumprirem com um preço mínimo. Agora, a gente entrega a produção e não sabe aquilo que nos vão pagar". repórterdomarão | dezembro'12

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economia regional

 muito trabalho”, conta. Glória Frederico, a esposa, acompanha-o na faina diária. “Custa trabalhar sem horário e o que mais se puder”, confessa. O casal anda há cinco semanas a percorrer os patamares para podar todas as cepas, porém, a empreitada está pela metade. “A fase de luta é quando é na altura dos sulfatos”, afiança Glória que, ainda menina, já ajudava os pais na vinha. Hoje, aos 46 anos, anda

“esmorecida” com as lides vitícolas. “Ao que nós empatámos, lutámos e investimos tanto dinheiro… É triste ver que aquela parcela enorme dá tão pouco lucro. Por isso é que incentivo os meus filhos a deixar isto e a ter um futuro melhor.” Aos 22 anos, o seu filho tem seguido as passadas dos progenitores. “Agora já está a ficar desanimado, porque vê que o que fazemos em vinho e o que se gasta não vale a pena”, refere o pai.

“Não compensa trabalhar a terra” Maria de Fátima Ferro é, aos 59 anos, uma mulher desencantada com o rumo do Douro. “Tenho pouco mais de três hectares de vinha e daqui a pouco vai a monte. Tenho que deitar o sulfato, os herbicidas e, depois, na altura da vindima, tenho de andar a mendigar para vender." O pai deixou-lhe uma propriedade na aldeia de Guiães que rendia oito pipas de benefício. Depois, juntamente com o marido, comprou uma quinta no valor de 130 mil euros, que lhe valia 50 pipas de Vinho do Porto. “Naquele tempo, a vida era ruim, mas a vinha dava para criar os filhos, mandei-os estudar, pagava os pesticidas, adubos e ainda ficava algum. Havia escoamento para o vinho e recebíamos os pagamentos todos certinhos.” Depois do marido ter falecido, Maria de Fátima dividiu os terrenos pelos três filhos e ficou com uma parcela que dava quatro pipas de Vinho do Porto, mas, em virtude do corte de benefício, rende agora duas. “O agricultor paga os pesticidas caros, tem de andar a trabalhar de manhã à noite, pelo frio e pelo calor, mete trabalhadores a seis ou sete euros à hora. Isto está bem é para as grandes casas exportadoras, que já são metade do Douro.” O principal queixume resume-se ao preço baixo do vinho: “o de consumo não tem dado nada, é pago a 70 euros a pipa; quan-

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do se trata do vinho beneficiado, fogem o mais que podem de pagar ao lavrador”. Em 2004, recebia 1100 euros por pipa de Vinho do Porto. Atualmente, o valor não ultrapassa os 898 euros. “Isto está difícil porque não tem havido quem compre e vêm comprá-lo pelo mínimo que podem. O preço desceu mesmo muito e o pior é que a gente entrega as uvas sem saber quanto vai receber”, critica. Depois de uma vida dedicada à vinha, Maria de Fátima sabe bem que “não compensa trabalhar a terra”. Contudo, continua nessa labuta para “ir dando alguma coisa” aos sete netos. “A riqueza do Douro é o vinho e o azeite, porque não temos petróleo como as outras nações. Mas está tudo a desaparecer daqui. Só há meia dúzia de velhos e muita vinha a monte.” As duas raparigas de Maria de Fátima têm canudos em engenharia, mas não arranjaram emprego e voltaram-se para a viticultura, à semelhança do irmão. “Se o meu filho não fosse naquelas contratas para a apanha do pinho no estrangeiro, era mais difícil. Se os rendimentos que tem aqui dessem para dar de comer aos filhos e pagar as dívidas, já não ia.” Ao perspetivar o futuro do Douro, Maria de Fátima não tem dúvidas de que “se não houver quem se ponha ao lado dos viticultores mais pequenos, vai tudo a monte”.


Produtor de vinho defende reduções de benefício nos próximos cinco anos

“Douro só terá futuro se diminuir a produção” Quando adquiriu as suas propriedades na zona de Vila Nova de Foz Côa, Pedro Garcias, jornalista e produtor de vinhos, estava longe de imaginar a reviravolta que se deu na região duriense. “Antigamente, quem tivesse uma pequena vinha com benefício [quantidade de mosto que cada viticultor pode destinar à produção de Vinho do Porto] formava os filhos, tinha um património com valor. Neste momento, quase não dá para o granjeio.” No seu caso, tem agora, em 11 hectares, “tanto benefício ou talvez menos ainda” do que tinha há 12 anos em pouco mais de seis hectares. “Numa década, a maior parte das pessoas perdeu quase metade do benefício. Neste momento, um hectare no Douro de letra A anda à volta de três pipas, é quase metade daquilo que era”, refere. Esta situação está diretamente relacionada com a transferência de direitos de plantação dentro da região do Douro, isto é, as zonas altas que não tinham direito a benefício são transferidas para zonas baixas e passam a ter. Assim, a área de benefício tem aumentado, mas é distribuída por mais agricultores. “O problema veio dos milhares de hectares que vieram de fora para dentro da Região Demarcada do Douro. No Douro Superior, fizeram-se grandes saibramentos com direitos que vieram de fora da região”, aponta a presidente da Avidouro, Berta Santos, que acrescenta ainda que a entrada de direitos de plantação foi interdita este ano, ainda que “tardiamente”. Por outro lado, no entender de Pedro Garcias, a existência de excedentes leva a que os viticultores vendam “pelo preço que der”. “Por isso é que os preços têm baixado muito no Douro. A quebra de 20 a 30% deste ano devia acontecer nos próximos cinco anos”, sustenta, pois é urgente equilibrar a relação entre a oferta e a procura.

O viticultor acredita que “a única forma do Douro ter futuro é diminuir a produção”, através da atribuição de um subsídio para o arranque de milhares de hectares de vinhas das zonas altas e sua consequente reconversão para a produção de fruta ou outro tipo de atividade. “A área de vinha diminuía, aumentava a procura de uvas, aumentavam os preços e o valor das terras e toda a gente viveria melhor, adequando-se a oferta à procura”, sentencia. Ao Douro faltou “prudência e saber que não se pode crescer acima da procura”. “O Douro ainda hoje sofre esse problema. Cresceu demasiado, a pensar que o nosso produto é bom e que vamos ter quem nos compre o vinho. Há vinha a mais, há uvas a mais e vinho a mais.” Face a este cenário, o viticultor defende que o Douro devia seguir o exemplo da região vinícola de Champagne [França]: “houve uma altura em que os preços estavam a baixar e eles diminuíram a produção. Fixaram um valor máximo, por hectare, que os produtores podiam produzir, de modo a que os preços das uvas aumentassem e a procura aumentasse”. Há cada vez mais procura de vinho a granel e vinhos baratos, mas este viticultor assegura que “é impossível ver um vinho no supermercado a custar 1.90 euros e o produtor ganhar dinheiro”. “Noventa por centro dos vinhos que se vendem nas grandes superfícies em Portugal estão tabelados abaixo dos dois euros. É uma loucura”, destaca. A desvalorização da terra é outra das preocupações de Pedro Garcias, que começou a sua aventura vitícola com 7 hectares e, atualmente, possui 30 hectares. “Hoje, a terra vale menos dinheiro. Por exemplo, um hectare em Champagne vale um milhão de euros, em Bordéus vai dos 700 aos 800 mil euros e no Douro vale 50 mil euros, no máximo”, compara.

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desenvolvimento regional

Avião pode não voltar a Sem carreira aérea desde a última semana de novembro, as duas cidades de Trás-osMontes - Vila Real e Bragança - podem não voltar a ter ligações com Lisboa. Ou seja, os aviões da Aerovip ou de outro operador podem não voltar a descolar. A decisão do Governo de reduzir substancialmente o montante do financiamento, atualmente de cerca de 2,5 milhões de euros por ano, e trocá-lo pelo subsídio ao bilhete deverá encarecer significativamente os preços das passagens aéreas e, por via disso, desencorajar os potenciais interessados em trocar o automóvel pelo avião. Acresce que há fundadas dúvidas de que apareçam operadores a querer arriscar um negócio que nestes últimos anos se manifestou sempre deficitário – as quatro viagens diárias, de segunda a sexta, geravam um fluxo anual de 10 milhões de passagens aéreas, o que dá uma média de dez lugares vendidos por viagem para uma aeronave com 18 lugares. Ou seja, mesmo com os custos inferiores à viagem por automóvel entre a região transmontana e a capital, a ocupação média dos aviões nunca passou de metade da sua lotação... Jorge Sousa | jsousa.tamegapress@gmail.com | Fotos | D.R. O deputado Luís Ramos foi um utente regular do avião desde o início da legislatura até ao cancelamento da carreira e reconhece que o serviço prestado pela Aerovip era uma mais-valia para a região e para o dia a dia dos seus quadros. Além disso, adianta o social-democrata, como se trata de um operador que funciona também como escola de pilotos, o serviço que prestava era de muita qualidade e com pilotos formadores muito experientes.

Processo administrativo concluído até março Além das questões levantadas pela Comissão Europeia à forma como tem sido subsidiada a carreira aérea, o Governo também está empenhado em diminuir o custo da operação para cerca de metade - admite-se que, no máximo, a subsidiação ao bilhete por passageiro possa atingir 1,5 milhões de euros, embora a verba gasta nos anos anteriores tenha sido inscrita no orçamento para 2013. Luís Ramos tem mantido contactos com o secretário de Estado Sérgio Monteiro, que tutela as obras públicas, transportes e comunicações. O deputado do PSD referiu ao Repórter do Marão que lhe foi assegurado "que o processo administrativo estará pronto até ao final de fevereiro", seguindo-se a fase de abertura de concurso para operadores aéreos certificados. Tem sido avançada a possibilidade de empresários transmontanos se interessarem no negócio do 08

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transporte aéreo de e para a região. Luís Ramos diz que tem conhecimento dessas movimentações, mas reconhece que se ao concurso se apresentarem operadores certificados o recomeço da carreira aérea será muito mais célere. Porém, o risco de nenhum operador se mostrar disponível para fazer a carreira e o concurso ficar deserto é uma probabilidade que impacienta os dirigentes regionais e empresários transmontanos. Luís Ramos salienta que o novo concurso vai ser mais flexível para o operador, nomeadamente quanto à supressão e/ou alteração do número de viagens na época baixa - durante o inverno, por vezes, algumas viagens entre Vila Real e Bragança não tinham passageiros, mas o avião tinha sempre de fazer o percurso para cumprir o contrato - ou até a utilização do aeródromo de Tires em vez do da Portela, no embarque e desembarque em Lisboa, que tem custos bastante superiores. Segundo o deputado, fora de questão está o alargamento da carreira ao aeródromo de Viseu, pelos custos que implicam mais aterragens e levantamentos, sobretudo em combustível. O intuito seria alargar a escala de captação de passageiros, mas a opção não parece rentável. Apesar das "nuvens negras" que pairam sobre a continuidade do serviço, os dirigentes das duas associações empresariais, Nerba (Bragança) e Nervir (Vila Real), aguardam uma reunião com o primeiro-minis-

tro Pedro Passos Coelho de modo a sensibilizá-lo para o isolamento da região. A autoestrada Amarante-Vila Real ainda demorará alguns anos para abrir ao trânsito - dependerá do tempo que levar o processo jurídico que inevitavelmente decorrerá nos tribunais para dirimir o conflito entre o Estado e o concessionário da obra do Túnel do Marão - e a autoestrada até Bragança, cuja construção também foi afetada pelas dificuldades de financiamento, só ficará concluída no final de julho do próximo ano, segundo o novo calendário anunciado pela Estradas de Portugal, ou seja, quase um ano depois do prazo contratual. Mas a servidão rodoviária, segundo os empresários, nunca será alternativa ao avião. O transporte aéreo permite a ida a Lisboa e regresso no mesmo dia a Bragança, enquanto o uso do automóvel dificilmente permite isso, pois só para as viagens de ida e volta são necessárias 10 horas. Tanto os empresários como o deputado do PSD garantem que a alternativa de usar automóvel até ao Porto e depois voar para Lisboa a partir do aeroporto de Sá Carneiro não faz qualquer sentido, pelos custos que representa e sobretudo porque implica fazer o percurso pelo antigo IP4, onde as restrições de circulação que foram necessárias para acautelar a segurança rodoviária ditaram que a simples viagem entre Vila Real e Amarante possa demorar mais de 45 minutos em alturas de maior circulação de veículos pesados.

Preço dos bilhetes pode ditar o fim do avião "A viajar pelo Porto, então a solução mais atrativa para Lisboa ainda é a via ferroviária", frisou Luís Ramos, referindo-se à opção dos comboios alfa, que fazem o percurso entre as duas cidades em duas horas e meia e permite o estacionamento em Campanhã a preços muito reduzidos. A mudança da fórmula de financiamento da operação aérea de e para a região de Trás-os-Montes pode ser o "calcanhar de Aquiles" do processo e conduzir ao fim das operações. Os 107 ou 123 euros que custava o bilhete de ida e volta, de Vila Real e Bragança, respetivamente, poderão ser multiplicados por três ou quatro, segundo algumas fontes. O operador Aerovip tem recusado manifestar-se sobre o assunto e o Repórter do Marão também não


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descolar logrou contactar a empresa que operou na região até novembro. Os outros operadores também recusam pronunciar-se enquanto não forem conhecidas as condições apresentadas pelo Governo, o que deverá acontecer apenas em março do próximo ano. Sabe-se, contudo, que o novo modelo defendido pelo Governo não é do seu agrado, porque acaba por transferir para as operadoras parte do risco financeiro dos voos. Carlos Amaro, assessor da Administração da Aerovip, disse recentemente, citado pela Lusa, que não vê viabilidade na solução proposta pelo Governo. “Transferir para as companhias o risco da operação, de uma operação deste género, parece-me extremamente complicado”, afirmou. Segundo Carlos Amaro, “não é possível ter uma linha comercial de forma regular sem estar à espera que se encham os aviões para poderem voar, com transporte regular desta natureza, com rentabilidade”. E um custo de 400 euros (na hipótese de o cus-

Preço das passagens aéreas vai disparar com a subsidiação do Estado a 50% do bilhete e carreira poderá ficar sem operadores

to real da ida e volta Bragança-Lisboa andar na ordem dos 800 euros e o Estado subsidiar em 50 por cento) não terá passageiros, disseram os vários interlocutores ouvidos pelo RM (ver caixas). O Estado já utiliza a fórmula do subsídio ao bilhete/passageiro no caso das regiões autónomas, mas nos percursos entre o Continente e as Ilhas há vários operadores e, por isso, concorrência, o que dita preços mais em conta. Na conversa com a nossa revista, Luís Ramos considerou que se as passagens aéreas, por viagem, forem além de 80/100 euros a partir de Vila Real e de 120/150 euros tendo como origem Bragança será muito difícil atrair passageiros. Reconhece, por outro lado, que os anteriores operadores aéreos deveriam ter trabalhado para atrair mais passageiros para o serviço, nomeadamente na divulgação da carreira e das suas vantagens relativamente ao automóvel. Defende também que é necessário revogar a norma que proíbe os funcionários e dirigentes da admi-

nistração pública de utilizar o meio aéreo nas suas deslocações a Lisboa. Segundo o deputado, o desbloqueamento da norma geral tem de ser feito serviço a serviço, demonstrando as vantagens da opção por este meio de transporte. "Se forem contabilizados a utilização da viatura, a utilização do motorista e eventuais horas extraordinárias, além dos custos de portagens e combustíveis, as deslocações de automóvel ficarão de certeza mais dispendiosas", sublinha Luís Ramos. O deputado também não acredita que o turismo seja a tábua de salvação do transporte aéreo. Os movimentos de turistas são sazonais e uma carreira aérea exige passageiros todos os dias para ser minimamente sustentável. Em suma, na melhor das hipóteses o avião poderá regressar a Trás-os-Montes lá para o verão, mas são cada vez mais os que acreditam que as novas condições vão ditar a ausência de operadores aéreos interessados e levarão inevitavelmente ao fim da carreira aérea entre a região e a capital.

Luís Tão, Presidente do NERVIR

Eduardo Malhão, Presidente do NERBA

Se preços aumentarem muito não haverá avião por falta de clientes

São grandes investimentos... que vão por água abaixo

“Se os preços aumentarem, vem aí uma queda livre e a utilização do avião deixa de ser sustentável. Se perdermos este avião é um retrocesso enorme para a região transmontana”, alerta o presidente da Associação Empresarial de Vila Real (NERVIR). Se o bilhete atingir o valor já avançado de 400 euros é “incomportável" e “mais vale parar o avião por falta de clientes”. Luís Tão considera que os 2,5 milhões de euros relativos à indemnização compensatória do Governo é “um valor relativamente baixo, comparativamente a outras comparticipações que temos pelo país, por exemplo, o metro de Almada tem 7,5 milhões de subsídio por ano. Os transmontanos são solidários com o País noutras estruturas (CP, REFER), das quais não se servem.” Os empresários do Douro também já manifestaram interesse no prolongamento do aeródromo de Vila Real para comportar aeronaves de outro porte que tragam “o turista diretamente ao Douro.” “A nossa relação com a linha aérea tem sido turbulenta desde o início, com companhias aéreas que faliram, e agora estamos a atravessar um poço de ar mais fundo com este impedimento, mas ainda tenho esperança que vamos retomar e nos mesmos moldes”, revela. P.P.

“O Interior está cada vez mais desertificado e isso, do ponto de vista da competitividade e da evolução económica e social, é um sinal muito negativo. A região não pode aceitar de forma alguma ficar sem mais este serviço”, defende o dirigente do Núcleo Empresarial da Região de Bragança (NERBA). Além disso, foram feitos “investimentos fortes” nas infraestruturas aeroportuárias de Bragança e de Vila Real que “vão, depois, por água abaixo”. Apesar de admitir “uma ligeira subida” do preço do bilhete, até ao máximo de 200 euros, Eduardo Malhão não aceita valores superiores face ao rendimento per capita da região ser inferior à média nacional. “Se fossem 400 euros, seria inviável porque o número de passageiros que conseguiria pagar esse valor não rentabilizava financeiramente a ligação. Não estou a ver nenhuma empresa a aceitar essas regras. Da mesma forma que as concessionárias de transportes públicos do Litoral também não aceitariam se não fossem financiadas diretamente do Orçamento de Estado.” O presidente do NERBA acredita que a ligação aérea vai ser retomada em breve, porque “não há outro caminho senão manter a linha”. P.P. repórterdomarão | dezembro'12 09


economia regional

Falta de unidade de abate atrasa comercialização e rotulagem da carne das aves

Certificação do Capão de Freamunde ainda aguarda 'luz verde' de Bruxelas A falta de uma unidade de abate de aves no norte do país está a atrasar o lançamento da comercialização do capão de Freamunde, em carne e embalado, um projeto que deverá fazer duplicar a produção em poucos anos, segundo a Associação de Criadores de Capão de Freamunde (ACCF). Atualmente, a comercialização é feita essencialmente com animais vivos, entre criadores e restaurantes ou consumidores. A solução pode passar pela construção de uma pequena sala de abate em Paços de Ferreira, em parceria com a cooperativa agrícola. Bruxelas também empata a comercialização da carne do galináceo. O processo de aprovação da denominação de Indicação Geográfica Protegida (IGP) entrou na Comissão Europeia em janeiro de 2011. O processo de certificação do capão de Freamunde arrasta-se há mais de uma década, o que é considerado “demasiado tempo” pelo presidente da associação, Ricardo Graça. “Espero durante o próximo ano ter o processo concluído e na Semana Gastronónima de 2013 já podermos ter a denominação “Capão de Freamunde IGP” aprovada pela União Europeia”, salienta o dirigente da associação de um produto regional que é o orgulho de Freamunde e que cada vez mais conquista cozinheiros de renome a trabalhar esta iguaria. O processo de certificação, seja IGP ou DOP (Denominação de Origem Protegida), decorre em duas fases. A fase nacional, junto do Ministério da Agricultura, já foi concluída em fevereiro de 2011, com a publicação do despacho nº 4253 em Diário da República. Esta fase intercalar destina-se a conceder proteção ao produto e à sua denominação enquanto decorre a certificação comunitária. Contudo, se existisse uma unidade de abate para a sua transformação em carne, o “Capão de Freamunde” – um galo castrado cuja origem remonta ao século XV – já poderia ser comercializado e inclusivamente ostentar os rótulos e o logótipo aprovado sob a denominação “Capão de Freamunde IG”. O rótulo com IGP (apresentado em baixo) só é concedido com a aprovação comunitária, mas o processo elaborado pela Associação de Criadores, que teve a colaboração técnica da associação ADERSOUSA, já foi remetido a Bruxelas há quase dois anos (dossier nº PT/PGI/0005/00846

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apresentado à UE em 10 de janeiro de 2011) . Segundo Ricardo Graça, são questões de pormenor que atrasam a aprovação do IGP, mas como o interlocutor com os serviços da UE é o Ministério da Agricultura (através do Gabinete de Planeamento e Políticas - GPP) qualquer informação ou esclarecimento demora muito tempo a chegar aos serviços comunitários. Os técnicos da UE levantaram problemas quanto à castração dos animais, que terá de ser clinicamente assistida em todas as fases, obrigando a ACCF a contratar um veterinário em permanência.

Prioridade é o matadouro de aves O dirigente associativo não sabe se os esclarecimentos já chegaram a Bruxelas, mas define como prioritário conseguir encontrar uma solução para o abate dos capões, a única forma de avançar com a comercialização da carne em alternativa à sua venda como animal vivo. Como o matadouro de aves mais acessível se localiza em Santa Maria da Feira – todos os que existiam no Norte fecharam e até o da Carnagri, em Penafiel, deixou de abater aves devido às exigências comunitárias que obrigam a que a morte das aves seja feita através de choque elétrico –, Ricardo Graça está a negociar uma parceria com a cooperativa agrícola de Paços de Ferreira (A Lavoura) para a construção de uma sala de abate no concelho. “Queremos construir um mini-matadouro”, referiu ao RM aquele dirigente. Ricardo Graça acrescentou que a cooperativa dispõe de espaços onde poderá ser instalado e, sobretudo, pode aceder a fundos comunitários do PRODER para a construção e equipamento da unidade de abate, prerrogativa de que a associação de criadores está excluída por se tratar de uma instituição sem fins lucrativos. No momento, decorre a recolha de orçamentos para a criação do pequeno matadouro – os equipamentos são praticamente todos

importados, acentuou – mas o presidente da associação de criadores assume o compromisso de no próximo ano tudo fazer para se iniciar o abate das aves. A exigência é dos consumidores, incluindo os chefes de cozinha, mas também dos criadores. Com 73 criadores inscritos na associação (haverá cerca de 100 criadores na zona) e uma produção anual estimada de 2500/2600 capões, Ricardo Graça considera que a criação da unidade de abate vai duplicar a procura. “Em dois ou três anos poderemos também duplicar a criação das aves”, acentuou o presidente da ACCF, ciente que nestes tempos de crise mais pessoas se vão dedicar à criação do capão desde que haja escoamento da produção. “O nosso objetivo, a partir do momento em que tenhamos um matadouro, é dispor de capão todo o ano. A grande produção será sempre entre outubro e março, mas cremos que será possível ter um mínimo de produção de aves no resto do ano”, referiu. Com o abate das aves a funcionar será possível vender carne de capão inteiro ou metades, uma exigência do mercado, mormente o da grande distribuição. A fama do capão leva longe o nome de Freamunde, como conta Ricardo: “no início de setembro, uma câmara municipal dos Açores pediu-nos para arranjar 240 capões. Procuramos por todo o lado e não conseguimos mais de sete. Ainda estavam a crescer e perdemos o negócio”. Apesar de ser um mercado de nicho, tem impacto económico – entre 125 e 200 mil euros anuais apenas na comercialização de animais vivos (para uma produção anual de 2500 capões ao preço médio de 50 euros) –, mas esse montante mais do que duplica se contabilizarmos a sua confeção culinária na restauração. Na semana gastronómica são servidos cerca de meio milhar de capões e o resto da produção anual é consumida, até fevereiro, na restauração da região do Vale do Sousa e em alguns dos mais galardoados restaurantes de Lisboa e do Porto. A secular Feira de Santa Luzia, a 13 de dezembro, correu bem aos produtores: foram comercializados entre 200 e 300 capões vivos. Jorge Sousa


opinião

Um conto(?) de Natal sério e uns pioneses para picar e fazer mexer o traseiro. Na minha infância só havia Menino Jesus. Do Pai Natal nem me lemUm dicionário, daqueles velhinhos agora em desuso pelo acordo bro. Era a criança que não crescia e por isso desculpava-a pela injustiça que não tem as palavras criadas por assessores e políticos para não dique lhe atribuía. De família remediada, com 9 e depois 11 irmãos, davazerem nada ou desdizerem tudo, ia para o sapato dos responsáveis - do -nos meias, camisolas ou outras vestes. Nos vizinhos, famílias mais curpresidente da junta ao da República - para falarem língua que se ententas ou mais remediadas, brinquedos até bem sofisticados. Dois nunca da, que valha como palavra dada, e só tenha a ver com o texto e não teos esqueci. O comboio eléctrico que ocupava a sala, e o carro Schuko nha desculpas de contexto. com buzina, luzes e rodas com pneus comandados no volante. Para os que, no indício de qualquer crime ou marosca, têm sempre Quando apareceu o Pai Natal já não deu tempo para alimentar ilua consciência tranquila, e põe uma cara de anjo como se fôssemos nós sões. Foi na sua origem, não na comercial americana mas na tradicioos culpados, dava uma zurrapa alcoólica que os faça corar de vergonha nal nórdica, que o “encontrei”. Na Suécia, Noruega, Dinamarca e Finse se confirmar o que, tantas vezes, pensamos ser mais um caso de “palândia, estes a reivindicar a morada em Rovaniemi, e apesar do rótulo lavras para quê”. Não será, como disse o homem de Bisalhães que foi a comercial, o que dele apregoavam tornavam-no igual a outra criação França, vin e pain correspondem a vinho e a pão, mas agora chamar deles, bem mais importante: o Ombudsman (Suécia/1809). Um “Profromage quando se vê que aquilo é mesmo queijo!... vedor de Justiça” com real independência e influência social e política. Também pedia uma lousa, daquelas que ainda usei na pré-primáFoi “criado” para prevenir/evitar os abusos do rei. Um Provedor com poria, para os jornalistas que mal um caso assoma estão logo preocupader de julgar, arbitrar, decidir e obrigar a repor a igualdade e a reparar dos com a “moldura penal”, que esquecem a presunção da inocência, a iniquidade. Uma postura a que não era alheia a cultura de sociedade que tratam indiciados como culpados, indiciam como suspeitos as tesatenta, com raízes institucionais respeitáveis, democracia e comunicatemunhas e tratam os casos (e as pessoas) conforme a agenda do órção social independentes e influentes, e sem permissividade aos golgão para quem trabalham. pistas, fossem eles instituições, dirigentes ou simples cidadãos. Uma Para dar transparência à corrupção que paira sobre as cabeças de forte consciência colectiva, instituições independentes da política, que quem a devia enquadrar para prevenir, evitar, censurar e punir, apon”regulam” apenas quando necessário, afastam qualquer veleidade de do-lhe o ferrete da indignidade que conformam, sugeria um farrapo fraude, corrupção, fuga ao fisco, ou qualquer outra manobra que lese o grosso, talvez serapilheira, para fazer desaparecer o manto diáfano da Estado que são Todos. Um “Pai Natal” que a todos atende o ano inteiro inocência. com a necessária celeridade e verdadeira igualdade. Que as balanças de precisão que a polícia apanha na captura da droNo rebuscar de lembranças e dilemas fui escrevinhando o que pega sejam distribuídas por quem precisa de critérios justos e rigorosos diria para nós a este pai natal, ao real ou ao imaginário se isso desse rede avaliação e não à medida do momento ou do pretendente. No ensultado. Não o perdão da dívida tão mal tratada e que tanta confusão sino terá de ter mais valor a avaliação de um ano ou de um curso e não tem causado, mas que fizesse de nós gente com o lado bom a sobreos escassos momentos de análise dum requerimento. por-se ao mau. Quando alinhavava estas ideias numa folha encabeçada pelo Pai Assim pedia uns simples coturnos para quem nos fez esquecer o Natal/Ombudsman, engrossando o rol à espera da força que faz do demar e a terra e nos culpa disso, para que esta não fique para sempre sejo realidade, chega a minha neta (7 anos), que gosta de saber o que solteira e, ao que sei, virgem em termos políticos. se passa à sua volta e, antes de querer saber sobre o que estou a escrePara quem trata da tetraplégica justiça, que pune quem denuncia e ver, perguntou: Oh12/14/12 avô, tu acreditas no Pai Natal? iliba quem prevarica, um farrapo de serrubeco para fazer uma venda a 7279 CA Porto NG Auris_Anuncio Reporter do Marão 200x135_AF.pdf 1 5:19 PM

Armando Miro Jornalista

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desenvolvimento regional

O Douro tem marca.

Porquê empreender no Douro O

mentada no mundo, mas para se transformar numa Douro constitui um eixo dorsal comum região dinâmica e se lançar no desenvolvimento, a para o desenvolvimento de um terripar da conectividade tem de apostar na inovação, tório diversificado da euro-região Noruma estratégia que deve envolver a UTAD. A Univerte de Portugal e Castela Leão, em torsidade tem de assumir um papel mais interventivo no no do qual é crucial delinear e arquitetar estratégias desenvolvimento económico e social da região onde de integração, de valorização de recursos e de desenestá inserida, num contexto da economia e sociedade volvimento sustentável. O Douro assistiu à execução baseadas no conhecimento. Na de um volume de investimeneconomia do conhecimento, as tos públicos ligados essencialregiões são competitivas se posmente à melhoria dos serviços sibilitarem a atração de trabalhade proximidade e das redes de dores do conhecimento, que o conetividade do território. Concriem e apliquem no desenvoltudo, o tecido empresarial do vimento de clusters de atividaDouro continua a registar índides que propiciem crescimences inferiores em relação à reto económico e gerem níveis de gião Norte e ao país e é neste vida padronizados para os cidasentido que se torna primordial dãos. Foi neste contexto que foi definir uma estratégia que podefinido o Centro de Excelência tencie o aparecimento de iniciado Vinho e da Vinha, um projetivas empreendedoras e inovato coletivo orientado pela prodoras na região, transformando cura, identificando as necessidaas dificuldades em oportunidades de conhecimento no setor des de investimento e criação que acrescentem valor à atividade emprego. A região precisa Fontaínhas Fernandes de económica da fileira, criando que os investimentos de natu- [Rede EmpreenDouro] mecanismos de articulação enreza infraestrutural em curso setre a comunidade de I&D, as instituições, as associajam concluídos, casos do túnel do Marão e do Parque ções e as empresas, dinamizando a transferência de de Ciência e Tecnologia que prevê a construção de um tecnologia e de conhecimento e a prestação de serCentro de Excelência do Vinho e da Vinha com ambiviços. ção internacional. A região necessita de ligações rápiO desenvolvimento desta região passa pela criadas com os principais centros urbanos e de se integrar ção de oportunidades, pela mobilização das pessoem redes à escala nacional, transfronteiriça e global. as, pelo desenvolvimento de uma ação colaborativa O Douro tem ativos únicos, como são os casos dos e participativa. Deste modo, a promoção e divulgação vinhos, nomeadamente do vinho do Porto, e da paide iniciativas de empreendedorismo que têm vindo sagem vinhateira. O vinho do Porto é a principal mara ser dinamizadas pela rede EmpreenDouro são esca, o embaixador de Portugal, um importante fator de senciais para provocar a iniciativa empresarial e assim cultura nacional e que assume um forte peso nas excontribuir para inverter a crescente desertificação da portações. Na última década tem registado uma tenregião. Exige alterar o paradigma de desenvolvimento dência de queda de vendas, em volume e em valor. com a afirmação de projetos diferenciadores, nos resComo tal, importa gerar dinâmicas de economia de tantes segmentos da cadeia de valor, designadamenescala em torno de projetos voltados para a exporte no design, comunicação, promoção, marketing tação e para a afirmação internacional, envolvendo e comercialização, o que exige atrair novos talentos parceiros ligados aos vinhos, turismo e cultura, ampara viver na região. O Douro merece ser uma grande bicionando massa crítica e dimensão para viabilizar a aposta no país, exigindo a fixação das pessoas que já promoção a nível mundial. cá estão e de trazer novas pessoas. A região foi a primeira a ser demarcada e regula-

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excelência'10

Uma referência há 33 anos

1979-2012

Uma jornada de

Porta Aberta

geral@lusodiesel.pt http://www.lusodiesel.pt GPS: 41°12'22.22"N | 8°19'52.81"W


Lusodiesel de A

inovação tecnológica, a par da satisfação dos seus clientes, é a matriz da empresa Lusodiesel, um dos principais parceiros da rede Bosch Car Service – Diesel Service. Sediada em Paredes há 33 anos, a Lusodiesel organizou no início do mês um encontro com os seus clientes. No evento, compareceram cerca de uma centena de clientes e amigos da empresa e a Bosch Portugal, re-

presentada por Mário Maia. O técnico da Bosch explicou aos clientes, muitos deles responsáveis de oficinas e operacionais do ramo automóvel, o funcionamento do novo banco de ensaios do sistema common-rail, que serve para testar bombas de alta pressão e injetores common-rail da última geração. Coube a Ventura Meireles – membro da equipa Lusodiesel, constituída ainda por Ivone Joaquim, Cláudia

Joaquim, pelos sócios-gerentes Leonel Joaquim e Adão Meireles e uma equipa técnica formada por duas dezenas de colaboradores – a apresentação de mais este investimento na tecnologia.

Tudo começou em África há mais de 50 anos “O sucesso nasce do querer, da determinação e da persistência em

Ventura Meireles, Leonel Joaquim, os técnicos da Bosch Mário Maia e Sérgio Martins e Adão Meireles.


Porta Aberta se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem procura e vence obstáculos, no mínimo, fará coisas admiráveis”, sublinhou Ventura Meireles, ao citar o romancista e dramaturgo brasileiro José de Alencar (1829 - 1877). O embrião do que é hoje a Lusodiesel nasceu há mais de cinquenta anos em África. Leonel Joaquim já representava a Bosch em Uíge, Angola e ao regressar a Portugal criou, em

Paredes, uma sociedade com o seu cunhado, Adão Meireles.

Em Paredes desde 1979 A parceria com a Bosch manteve-se e a 01 de dezembro de 1979 nasceu a Lusodiesel. Há mais de três décadas que a Lusodiesel se orgulha “de contribuir para melhorar as áreas da tecnologia automóvel na região do

Dezenas de clientes vieram conhecer na Lusodiesel o mais moderno banco de ensaios da tecnologia diesel common-rail.

Tâmega e Sousa, oferecendo aos seus clientes serviços e produtos inovadores e de alta qualidade”. Realçando a vantagem mútua da parceria com a Bosch – marca que é sinónimo de “Qualidade, Tecnologia e Inovação”, a Lusodiesel salienta que a chave do seu sucesso empresarial também resulta da elevada qualidade da sua equipa técnica, que beneficia “de constante formação possibilitada pela Bosch”.


A EXCELÊNCIA NOS MOTORES DIESEL

Oficina

Nova máquina de ensaios diesel common-rail

Sala de espera da oficina

Receção e atendimento de oficina

Escritório e atendimento de clientes

excelência'10

Oficina


Centro Hospital Tâmega e Sousa renova Urgência e instala unidade de Amarante O Centro Hospital do Tâmega e Sousa (CHTS) renovou o serviço de urgência na unidade de Penafiel (Hospital Padre Américo). A obra permitiu aumentar a capacidade da sala de emergência, conferindo "maior eficácia no socorro aos casos mais graves", revelou o hospital. A renovação em curso inclui também um novo serviço de urgência pediátrica. O centro hospitalar está dotado de uma urgência cirúrgica, em Penafiel, e de uma urgência básica, em Amarante, servindo mais de meio milhão de pessoas da região do Tâmega e Sousa. Entretanto, o CHTS anunciou que vai concluir a transferência dos serviços do hospital de Amarante para as novas instalações, localizados na margem da Via do Tâmega, nas proximidades de Gatão. Depois de ter transferido as valências de hospital de dia e de consulta externa a 30 de maio, coube agora a vez de a urgência ser também instalada no novo edifício bem como os doentes internados. Como urgência básica, o novo hospital de Amarante, que custou 34 milhões de euros, vai servir a população do Baixo Tâmega.

Penafiel reforça apoio solidário a famílias carenciadas A Câmara de Penafiel reforçou o Plano Municipal Solidário ao apresentar mais 17 medidas de apoio à população. Eleva-se para 37 o número de medidas sociais (em setembro tinham sido apresentadas 20), que pretendem minorar os efeitos da crise para as famílias mais vulneráveis. Segundo a autarquia, mais de 12 mil pessoas já beneficiaram deste programa. As novas medidas incidem na saúde, na habitação, na educação, sendo ainda reduzidas seis taxas. Congelamento dos tarifários dos serviços de águas e saneamento, criação de um tarifário social de água, tarifa social de resíduos sólidos urbanos com desconto de 75% para agregados carenciados, tarifa de resíduos sólidos urbanos para emigrante (paga apenas 3 meses por

ano), redução de algumas taxas e licenças municipais de licenciamento, redução de 20% para ocupação do “terrado” para feirantes, banco do medicamento para idosos e famílias carenciadas, apoio à renda para habitação própria, para famílias em situação de manifesta carência e após inquérito social, disponibilização de mais 20 casas de habitação social, criação da casa da emergência social, fundo de emergência de apoio ao corte de energia, comparticipação em mais 25% no transporte dos alunos do escalão social A e B, jardins de infância a funcionar sem interrupção nos períodos de férias de Natal, Páscoa e Verão e livros gratuitos de inglês para alguns alunos a frequentar as AEC’s são as principais medidas agora anunciadas.

Prémios para os Empreendedores no Douro O Prémio Douro Empreendedor vai atribuir cinco mil euros a cada um dos vencedores das três categorias de um concurso que pretende impulsionar a criação de projetos inovadores na região duriense. O prémio foi lançado pela Rede Empreendouro, que envolve 26 entidades públicas e privadas, entre as quais a Estrutura de Missão do Douro (EMD), a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e o Instituto Politécnico de Bragança (IPB). O concurso constitui "a melhor forma de mobilizar e estimular quem quer investir no Douro", salientou o coordenador da rede, Fontaínhas Fernandes. Segundo o docente da UTAD, o Prémio Douro Empreendedor pretende "distinguir os projetos inovadores de cariz empresarial que valorizem os produtos endógenos, contribuam para a competitividade da região e promovam o desenvolvimento integrado e sustentável da mesma". O concurso divide-se em três categorias: 'Novas empresas', 'Empresas que fazem o Douro' e 'Douro boa região para investir'. O vencedor de cada uma destas categorias receberá um prémio de 5.000, que conta com o apoio da EDP. Ao júri caberá ainda eleger uma personalidade emblemática do Douro, que não será sujeita a concurso. O período de apresentação de candidaturas decorre até 04 de fevereiro de 2013 e a gala de entrega dos prémios terá lugar entre março e abril do próximo ano. A Rede EmpreenDouro suscitou o interesse de atuais ou antigos alunos da UTAD – os chamados "novos atores" do Douro –, estando a ser apoiados duas dezenas de negócios, a maioria na área agrária.

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crónica crónica | regiões

Cursos profissionais com Duas alunas da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Marco A opção por cursos profissionais de elevada empregabilidade tem sido a via escolhida por muitos alunos ao terminar o 9º ano, dando prioridade aos estabelecimentos de ensino mais reputados e que acrescentam uma mais-valia na busca de um emprego ou início de uma carreira profissional. É o que acontece com a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Marco de Canaveses (EPAMAC), que quadriplicou o número de alunos nos últimos anos. As duas alunas entrevistadas nesta edição, ambas dotadas com o curso de Nível IV - Técnico de Turismo Ambiental e Rural e com um CET, de Nível V, Gestão de Animação Turística em Espaço Rural, já estão a trabalhar nas áreas em que estudaram. E em empreendimentos turísticos do Marco de Canaveses, situados muito perto das suas áreas de residência. Depois de alguns estágios profissionais, Isabel Melo assegura a receção e a organização de eventos, desde agosto deste ano, no Convento de Alpendurada, enquanto a Ana Patrícia é colaboradora na Quinta de Mosteirô desde o final de 2010. 18

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Ana Patrícia Ferreira Quinta de Mosteirô Ana Patrícia Ferreira tem 21 anos e nasceu em Penha Longa, Marco de Canaveses. Após o primeiro ciclo do ensino básico na Escola de S. Sebastião nº 2, rumou à E,B 2-3 de Sande, que frequentou até ao 3º ciclo. Optou por um curso profissional e escolheu a EPAMAC, onde concluiu o curso de Técnico de Turismo Ambiental e Rural e mais tarde o Curso de Especialização Técnológica de Gestão de Animação Turistica. Fez estágios na área do turismo na Quinta de Mosteirô, na Fundação Eça de Queiroz e o relativo ao CET no Museu do Douro, no Peso da Régua. Trabalha na Quinta de Mosteirô, em Sande. Funções que exerce na empresa onde trabalha? Como colaboradora exerço várias funções de acordo com o serviço que se vai realizar. Comecei no final de 2010. A Quinta de Mosteirô é uma casa de Turismo Rural [cujas origens remontam do século XVIII], com sete quartos e dois salões para eventos. Colaboro com a D. Natividade Couto e José Couto na organização dos eventos, desde casamentos, baptizados, reuniões ou jantares de empresa, passagens de ano, festas temáticas (dia dos namorados, dia da mulher, entre outros). Assim que necessário ajudo também na copa e faço visitas guiadas, entre outras funções. Em que circunstâncias ingressou na Escola Profissional do Marco de Cana-


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grande empregabilidade de Canaveses acabaram os estudos e começaram a trabalhar em unidades turísticas veses? Quando terminei o 9º ano, não tinha certezas em relação ao curso e escola a escolher. Durante o período de férias de verão recebi uma carta em casa da Escola com as ofertas que tinham. Informei-me junto da escola relativamente a saídas profissionais e resolvi escolher este curso por ser o que mais se adequava às minhas ambições.   Razões da escolha do curso profissional ligado ao Turismo? As saídas profissionais, a dinâmica do curso, a possibilidade de fazer estágios e a disponibilidade da escola em autorizar a organização de atividades que são exemplos excelentes para completar a teoria dada no curso como a largada de caça, trial, gincana, entre outras. Houve complemento de formação, através de um CET. Esse complemento foi em parceria entre o Instituto Politécnico de Viana do Castelo e a Escola Profissional, com a duração de um ano, em gestão de Animação Turística em Espaço Rural. Que importância teve a EPAMAC na sua formação escolar e/ou profissional? Todas as possibilidades que a escola nos proporcionou em colocar em prática tudo o que é ensinado na parte teórica foi essencial para que a formação fosse o mais completa possível e com ótimos resultados, ajudando a resolver muitas questões na profissão que exerço. Que recordações guarda da sua passagem pela EPAMAC? As recordações são boas, não só por aquilo que já referi anteriormente como também por a escola EPAMAC funcionar como uma família. Uma carreira profissional exige hoje formação contínua. Até onde pretende chegar no seu percurso formativo? Para já estou a pensar em completar pequenas formações com módulos específicos mas a longo prazo quem sabe uma licenciatura.

Isabel Melo Convento de Alpendurada Isabel Melo nasceu há 21 anos em Alpendurada e Matos, Marco de Canaveses. O seu percurso escolar começou no Jardim de Infância de Favões, passou pelo 1º ciclo (1º até 3º ano) na Escola Primária de Favões e no 4ºano mudou-se para a Escola Primária da Baceira. Os 2º e 3º ciclo foram concluídos na Escola Básica de Alpendurada. Na EPAMAC frequentou o Curso de Nível IV (equivalente ao 12ºano) de Técnico de Turismo Ambiental e Rural e completou a formação com o Curso de Especialização Tecnológica (pós-secundário) – de nível V – Gestão de Animação Turística em Espaço Rural. Estagiou em duas unidades turísticas da região – Penafiel Park Hotel e Quinta da Eira e ainda na Fundação Eça de Queiroz, em Tormes, Baião. Depois de concluída a formação escolar e profissional, trabalhou na Casa dos Arcos (receção de eventos), na Quinta da Eira (coordenadora da empresa na organização de eventos) e desde agosto no Convento de Alpendurada (receção do hotel e organização de eventos). Em que circunstâncias ingressou na Escola Profissional do Marco de Canaveses? Terminei o 9º ano, não queria seguir o ensino secundário e surgiu a oportunidade de ingressar na EPAMAC. Razões da escolha do curso profissional ligado ao Turismo? Sempre gostei de “lidar” com pessoas, e de organizar e liderar grupos. Deste modo, o curso de turismo pa-

receu-me uma boa opção. Houve complemento de formação, através de um CET. Em que área e com que duração? Fiz o CET de Gestão de Animação Turística em Espaço Rural, com a duração de um ano, incluindo o estágio. Que importância teve a EPAMAC na sua formação escolar e/ou profissional? Foi muito importante. Aliás, foi a EPAMAC que me deu as bases e me tornou a profissional que sou hoje. Devo à Escola parte do meu sucesso profissional. Que recordações guarda da sua passagem pela EPAMAC? São muitas as recordações que guardo. A EPAMAC, mais do que uma escola, foi uma “espécie” de família que me acompanhou durante 4 anos da minha vida.  Ali, entrei menina e saí mulher, preparada para o mercado de trabalho. A EPAMAC não é só uma escola para nos educar numa determinada área de trabalho, ensina-nos muitos outros valores importantes para a vida em cidadania. Guardo com carinho recordações de amigos e professores. Na Escola imperava o companheirismo, alegria, boa disposição e entreajuda e, confesso, quando revejo as centenas de fotografias desses tempos, que não são assim tão longínquos, a saudade aperta. Uma carreira profissional exige hoje formação contínua. Até onde pretende chegar no seu percurso formativo? Pretendo ingressar na Universidade e fazer pelo menos a licenciatura. repórterdomarão | dezembro'12 19


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diversos | crónica

Descubra o mundo com ... A.M.PIRES CABRAL

CRÓNICA DE NATAL

Helena e Margarida *

MILÃO: A cidade da Moda e do Design Milão ou Milano, em italiano, é a segunda maior cidade de Itália sendo conhecida por muitos como a Capital Europeia da Moda e do Design. Durante todo o ano, existem fluxos turísticos significativos, quer se trate de motivações ligadas ao lazer ou aos negócios. Esta cidade tem um clima temperado, com um verão fresco e temperaturas a rondar os 29º e um inverno com temperaturas entre os -2º a -6º e com neve. A moeda é o euro e o idioma é o italiano. A sua população ronda os 4 milhões de habitantes. O seu charmoso centro histórico, juntamente com outros 19 bairros, mostram uma intensa vida cultural e noturna. Para os consumistas, a cidade é um paraíso de compras, onde o luxo e o requinte das grandes marcas mundiais são muito visíveis. A Semana da Moda e o Salão Internacional do Móvel de Milão são eventos mais conhecidos pelo público. A cidade milanesa é, assim, o segundo pólo cultural mais importante de Itália, com um centro histórico repleto de museus, palácios, catedrais e monumentos com o toque talentoso de artistas como Michelangelo e Leonardo da Vinci. Dois ícones arquitetónicos de Milão são o La Scala, a casa de ópera mais famosa do mundo e a Catedral Gótica Duomo, considerada a terceira maior da Europa e a mais antiga do país. A sua fachada é enfeitada com 3.500 estátuas. Um dos grandes prazeres de Itália e, por consequência, de Milão, é comer. A sua gastronomia passa por vários pratos típicos, como as massas, as pizzas, os risotos, as polentas, as macarronadas, entre outros. Além disto, é famosa também pelos peixes e frutos do mar vindos do Mediterrâneo, mas com o tempero e toque da cozinha do norte de Itália. Note-se que Milão foi uma das cidades que guardou com mais zelo a sua tradição culinária. Uma sugestão de várias trattorias e restaurantes locais pode ser uma massa ou um risoto à milanesa com um bom vinho. A duração de uma viagem Porto-Milão é de cerca de 2 horas, dependendo das rotas aéreas. * Alunas do 2º ano do curso Técnico de Turismo Ambiental e Rural da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Marco de Canaveses

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PORTO, V.REAL, BRAGANÇA, BRAGA, VISEU E AVEIRO

Em Dezembro, querem-se crónicas de Natal. É da sabedoria das nações e da prática dos jornais. E é pois uma crónica de Natal que, fazendo das tripas coração, me disponho a escrever, não vá o Jorge Sousa zangar-se comigo... Mas como a escreverei? Com lágrimas, em vez de tinta? Bem sei, Leitor, que o Natal não é época própria para choradeiras e lamentações. Bem sei que, pelo contrário, é tempo de alegria e celebração, tempo de perdão e paz, tempo de harmonia e tolerância, tempo de confraternização e tréguas universais. Bem sei tudo isso. Mas como hei-de falar dessas coisas santas e boas, se ligo a televisão para ouvir as notícias e o que me aparece são cada vez mais famílias a recorrer à caridade das instituições, cada vez mais crédito mal parado, cada vez mais fome (muita dela envergonhada), cada vez mais desemprego e mais falências, cada vez mais desespero e mais miséria e mais sofrimento? Como hei-de falar dessas coisas boas e santas, se olho à minha volta e não vejo senão mãos a remexer em caixotes do lixo, crianças que desmaiam de fome na escola, jovens que na rua mendigam um euro para comer qualquer coisa, velhos que arrastam a sua pobreza envolta em andrajos? (Sim, também vejo reformas de 175 mil euros – o equivalente a 350 salários mínimos –, mas são de quem são.) Eu diria mesmo que o Natal, pelo que representa de libertação e esperança para a humanidade, em vez de aliviar torna mais espessa a nuvem de pessimismo que pousou como um nevoeiro cerrado em cima de nós. Nesta quadra, que hão-de pensar os mais desfavorecidos, sentados melancolicamente à mesa da Consoada, onde o bacalhau não compareceu, porque não houve dinheiro para o comprar? E aqueles que outrora foram prósperos e o desemprego atirou inopinadamente para situações de miséria, que hão-de eles pensar, senão naquilo que tinham e se lhes desfez em fumo? Se eu pudesse hoje fazer com que o espírito do Natal prevalecesse sobre mim (que não posso), eu escreveria talvez nesta crónica,

imitando a sublime resignação de Jesus no momento de ser crucificado: “Perdoa-lhes, Pai, porque eles não sabem o que fazem.” Mas como podia escrevê-lo, se dentro de mim oiço uma voz insistente e claríssima a dizer-me que eles sabem o que fazem, eles não podem ser cegos e surdos ao ponto de não verem e ouvirem a maré negra de miséria e dor que está a engolir Portugal. Eles sabem bem para onde vão e o que precisam de fazer para lá chegar, sem se importarem de deixar o caminho juncado de vítimas. Eles sabem bem a que deus sacrificam. O que mais me revolta e angustia e não lhes perdoo é que eles não estão apenas a roubar o pão de milhões. Eles despojaram-nos já do nosso bem maior: a esperança, o único bem que podia funcionar como antídoto contra este veneno que eles nos inoculam todos os dias e a toda a hora. Pois quem acredita hoje que 2013, 2014, 2015 e por aí fora nos trarão algum alívio? E, pelo contrário, quem não acredita que tudo se agravará sem remédio, de corte em corte até ao colapso final? Só mesmo aquele género de pessoas que vão ao Porto visitar uns parentes e, à saída da estação de São Bento, acabam por comprar por uma pechincha a ponte de D. Luís. Não digo isto com prazer, longe disso. Quem me dera que o futuro me desautorizasse… Com que alegria daria a mão à palmatória! Os cavaleiros do apocalipse, segundo as visões de S. João Evangelista em Patmos, eram quatro: peste, guerra, fome e morte. Hoje, os novíssimos cavaleiros poderão não ser exactamente os mesmos (alguns até são), mas são com certeza muitos mais. Alguns, já os referi acima; outros, o Leitor dispensa-me de os enumerar, porque tem olhos e ouvidos como eu. E aqui tem o Leitor a crónica de Natal de que fui capaz. É lúgubre? É arrepiante? É radical? Pois é. Mas não tanto como o lodaçal a que sucessivos governos incompetentes trouxeram este triste Portugal. pirescabral@oniduo.pt

Nota: Este texto foi escrito com deliberada inobservância do Acordo (?) Ortográfico. repórterdomarão | dezembro'12 21


artes

Cartoons de Santiagu [Pseudónimo de António Santos]

O olhar de...

eduardo pinto

Género e Espécie: Chamaeleo

1933-2009

2012

Publicação da IV Série SENSIBILIDADES

Salman Rushdie

À BEIRA RIO Rio Tâmega – Amarante

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dezembro'12 | repórterdomarão

Anos 60

2012 Esta edição foi globalmente escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico. Porém, alguns textos, sobretudo de colaboradores, utilizam ainda a grafia anterior.

Lima (C.P. 6019), Carlos Alexandre Teixeira (C.P. 2950), Alcino Oliveira (C.P. 4286), Helena Carvalho, Daniel Faiões (T.P. 991). Cronistas: A.M. Pires Cabral, António Mota, Eduarda Freitas. Cartoon/Caricatura: António Santos (Santiagu) Colunistas Permanentes e Ocasionais: António Fontaínhas Fernandes, José Carlos Pereira, Cláudia Moura, Armando Miro, Beja Santos, Alberto Santos, José Luís Carneiro, Nicolau Ribeiro, Paula Alves, Alice Costa, Pedro Barros, Antonino Sousa, José Luís Gaspar, Armindo Abreu, Coutinho Ribeiro, Luís Magalhães, José Pinho Silva, Mário Magalhães, Fernando Beça Moreira, Cristiano Ribeiro, Hernâni Pinto, Carlos Sousa Pinto, Helder Ferreira, Rui Coutinho, João Monteiro Lima, Pedro Oliveira Pinto, Mª José Castelo Branco, Lúcia Coutinho, Marco António Costa, F. Matos Rodrigues, Adriano Santos, Luís Ramos, Ercília Costa, Virgílio Macedo, José Carlos Póvoas, Sílvio Macedo. Marketing, RP e Publicidade: Telef. 910 536 928 - Marta Sousa publicidade.tamegapress@gmail.com | martasousa.tamegapress@gmail.com Propriedade e Edição: Registo na ERC nº 223800 Tâmegapress-Comunicação e Multimédia, Lda. • NIPC: 508920450

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agenda | crónica

Restaurantes do Marco servem o anho assado Oito restaurantes do Marco de Canaveses voltam a associar-se aos "Fins-de-Semana Gastronómicos", organizados pela Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte. O evento decorre de 18 a 20 de janeiro. Participam os restaurantes Albufeira, Cancela Velha, Momento's, Pensão Magalhães, Penha Douro, Plátano, Sampaio e Silva. A ementa principal é comum e apresenta o prato mais típico e conhecido do concelho – anho assado com arroz de forno. A iguaria será acompanhada pelas Fatias do Freixo e pelo espumante de vinho verde branco.

Concertos de Ano Novo e Janeiras Enretanto, a Câmara Municipal do Marco de Canaveses promove diversos espetáculos musicais para assinalar a quadra natalícia e o ano novo, todos com entrada livre. A 6 de janeiro, terá lugar um concerto no Centro Paroquial de Soalhães (16:00), com interpretações de alunos e professores da Artâmega. O concerto para assinalar os Reis ocorre a 12 de janeiro, na Igreja de Santa Maria de Sobretâmega (21:00), promovido pela Rota do Românico. O 26.º Encontro de Cantadores de Janeiras realiza-se a 19 e 20 de janeiro, às 21:00 e às 15:00, respetivamente, no Salão dos Bombeiros do Marco de Canaveses. O Encontro de Cantadores de Janeiras é já uma referência no Município, que procura celebrar uma tradição popular bem conhecida da sociedade e reforçar os laços intergeracionais.

Missão Sorriso Continente: pode votar nos projetos até fim de dezembro A décima edição da Missão Sorriso, iniciativa do Continente, alargou o projeto a todo o país. A venda de produtos da Leopoldina nos hipermercados do Grupo Sonae permitirá angariar verbas para os projetos que ajudem na melhoria da qualidade de vida de crianças e seniores, nomeadamente na área da saúde. São candidatos, entre outros, projetos apresentados por: ACES Tâmega I, Baixo Tâmega; ACES Tâmega II, Vale do Sousa Sul; ACES Tâmega III - Vale do Sousa Norte; ACES Alto Tâmega e Barroso; Associação de Paralisia Cerebral de Vila Real; Cáritas Diocesana de Vila Real; Centro Hospitalar de Trás-os-montes e Alto Douro; Associação entre famílias em Bragança e Liga dos Amigos do Centro de Saude de Alfândega da Fé. A Missão Sorriso já contribuiu com cerca de 5,5 milhões de euros em equipamentos hospitalares e materiais diversos de apoio a crianças e seniores.

António Mota

Maria Clara e Rui Nunca tinha pensado que era tão difícil. Nunca pensei que o teu nome pesasse tanto na agenda do meu telemóvel. Depois do que nos aconteceu, eu evitava carregar na letra R, porque eu sabia que tu estavas lá. Na letra R só estão três nomes por ordem alfabética: Rita, Rolanda, e Rui. São muito poucos, nunca tinha pensado nisso. Nos últimos tempos não fomos de muitas conversas. Assim de repente, quase podia jurar que no último ano nunca me mandaste uma mensagem que me fizesse feliz. E se o fizeste, e já não me lembro, é porque foi uma frivolidade. Espera, lembrei-me agora que me mandaste uma, dessa lembro-me, e tenho-a guardada. Foi em dezembro do ano passado, no dia vinte e cinco, o dia em que eu faço anos. É preciso ter azar. Era bem melhor ter nascido noutro dia. Tu é que escolheste, dizia a minha mãe, sempre que eu me queixava da data do meu nascimento. Mas isso era quando eu era criança e tinha ciúmes do presépio, das prendas que não era só para mim e da árvore de Natal. Agora vivo pacificamente com a data do meu aniversário, e sei que, tirando a minha mãe, mais ninguém me telefona. Enfim, frivolidades, como tu gostavas de dizer. Nessa mensagem tu escreveste apenas uma palavra: parabéns. Mais nada. E eu fiquei a olhar uma eternidade para o ecrã do telemóvel. Esperava que, de repente, aparecessem outras palavras. Frases. Sei lá. Depois pensei: és mesmo muito estúpida, Maria Clara. Então achas que ele ia escrever frases românticas depois de se terem passado tantos anos. És tão inocente, Maria Clara. Foram quatro anos. É muito tempo. Sim, a parva da Maria Clara esperou quatro anos por um Rui obstinado com a carreira, com os prémios, com as promoções. Fartou-se de ser trocada pelo portátil e pelas folhas de cálculo. Tantas vezes te disse: Rui, fecha essa maquineta e vem viver um bocadinho comigo. Só nós, como se fôssemos um. Desliga o telemóvel. Lembra-te de ti, lembra-te de mim, hoje é domingo. Pelo menos o domingo à tarde. Tu sorrias, e eu sabia que tu me achavas romântica de mais, que não era ambiciosa de

coisas materiais. No último domingo em que estivemos juntos, depois do jantar, tu voltaste para casa da tua mãe, e eu fiquei em casa dos meus pais remoendo as palavras urgentes que não tinha conseguido dizer-te. Eu queria dizer-te, sem fazer dramas nem chantagens, que já não sabia se valia a pena sonhar com um canto só nosso, e talvez um berço lá pelo meio. Os sonhos também se desgastam, e a frustração aumenta mais depressa que as ervas daninhas. Sim, sou romântica, sempre gostei de dizer estas frases. Já lá vai o tempo em que pesava e media com muito cuidado tudo o que dizia. Da última vez que estivemos juntos, tu, como é teu costume antes de ires para a caminha que tua mãe te fez, disseste-me que tínhamos tempo. E eu não disse nada, fingi o melhor que soube. Eu que este ano vou fazer trinta e seis anos, eu que sempre quis ter um filho, eu que sempre sonhei ser mãe, fiz de conta que concordava com essa ideia de termos muito tempo. Que parva que tu és, Maria Clara. Disseste-me que ias viajar, ias estar fora duas semanas, coisas do teu trabalho. E eu bem vi como os teus olhos brilhavam. Passou um dia, e tu não me telefonaste, não mandaste uma mensagem. Pensei que te estavas a acomodar, que estavas exausto. Antes de adormecer mandei-te uma mensagem: td bem? beij. MC. Não respondeste. No segundo dia, a meio da madrugada, o meu telemóvel acordou-me com o som que atribui ao teu nome. Certifiquei-me: era o teu número. Perguntei: tão cedo? Respondeu-me uma voz de mulher. Quem é? , perguntei . Recebi uma resposta estranhíssima. Recusei ouvir duas vezes a mesma explicação. E só agora, seis meses após o acidente tão estúpido, tão brutal, precisamente no dia do meu aniversário, aqui estou a ver se ganho coragem para te dar razão, e apagar de vez o número do telefone, que nunca mais se conectou com o meu. Nunca pensei que apagar nove algarismos fosse tão doloroso e tão necessário.

anttoniomotta@gmail.com repórterdomarão | dezembro'12 23



Reporter do Marao