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repórterdomarão do Tâmega e Sousa ao Nordeste

Prémio GAZETA

Nº 1249 | março '11 | Ano 28 | Mensal | Assinatura Nac. 40€ | Diretor: Jorge Sousa | Edição: Tâmegapress | Redação: Marco de Canaveses | 910 536 928 | Edição escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico | Tiragem: 30.000 ex.

m a r ç o ’ 11

Que lorpas que somos!

Oferecemos leitu ra

Transmontanos permitiram que lhes tirassem uma via (IP4) conquistada troço a troço e os pusessem a pagar portagens

Atónitos com o anúncio de José Sócrates de impor portagens na futura Autoestrada Transmontana, depois de anos a proclamar que seria a “via da justiça”, os transmontanos ainda não se aperceberam do logro em que se deixaram enredar. Daqui a um ano e meio, os automobilistas que circulem entre Vila Real e Bragança ou pagam portagens caríssimas – sim, são mais caras que nas autoestradas tradicionais – ou são despejados para uma estrada obsoleta (EN15). Mas há mais uma alternativa para fazer os 130 quilómetros que separam as duas cidades transmontanas: apanhar o avião. É que os 37 euros de ida e volta ficam mais baratos que a soma das portagens e do combustível gasto na autoestrada.

 Custará cerca de 10 euros em cada sentido o trajecto entre Vila Real e Bragança  Isenções não vão além de 10 viagens por mês, descontos são temporários e somente de 15% Inclusão em VILA REAL  VENCER O CANCRO: Lúcia Gonçalves fala de si e do livro  FAFE: Misericórdia constrói novos lares  FERNANDA RIBEIRO: Campeã ainda corre  LAMEGO: Fandino transforma barro em arte  CRISE: Agricultura é oportunidade


Transmontanos espoliados do IP4: ou pagam portagens

Que lorpas que Helena Fidalgo | hfidalgo.tamegapress@gmail.com | Fotos Manuel Teles e Panoramio

A

s famosas curvas de Murça permanecerão para sempre como o mais emblemático exemplo das difíceis ligações viárias transmontanas, mas aquela que já foi a maior das dores de cabeça para os condutores poderá dentro de pouco mais de um ano servir de refúgio aos mais de dez euros de portagens que os automobilistas vão ter de pagar para circular na mais moderna estrada que alguma vez atravessou a região: a Autoestrada Transmontana. Foi anunciada como a “autoestrada da justiça”, sem portagens para os utilizares, para compensar aqueles que durante décadas enjoaram nas sinuosas estradas como a nacional 15 para viajar entre Bragança, Vila Real, até ao Porto, no litoral. O IP4 veio atenuar a sinuosidade do trajeto e depois de ter demorado trinta anos a ligar o Porto à fronteira, em Bragança, vai ser “engolido” pela autoestrada, que afinal vai ter portagens entre Vila Real e Bragança. Com isenções para os residentes, é certo, mas esgotada a dezena de “borlas” mensal, restam duas alternativas para fazer os 130 quilómetros que separam as duas cidades transmontanas: regressar à velha nacional 15 ou apanhar o avião: é que os 37 euros de ida e volta ficam mais baratos que as portagens e o combustível na autoestrada. Era o anúncio de que ninguém estava à espera e talvez por isso deixou a todos sem reação. O primeiro-ministro José Sócrates foi a Bragança visitar as obras da Autoestrada Transmontana e anunciou que “esta autoestrada será como as outras SCUT's, com portagens e com isenções para aqueles que residem na região”. José Sócrates ressalvou que “a opinião do Governo sempre foi que no interior deveríamos ter autoestradas sem portagens, mas justificou a reviravolta na decisão com “o acordo celebrado com o PSD para a aprovação do orçamento do Estado para 2011”. Contas feitas, a partir do modelo que está a ser aplicado nas SCUT's do Grande Porto, por exemplo, cada quilómetro percorrido custará cerca de oito cêntimos, o que perfaz um total de 10,4 euros para a viagem completa entre Bragança e Vila Real. Com base ainda no mesmo modelo, publicado em portaria, os residentes na região terão dez passagens gratuitas por mês, ou seja entradas e saídas, e, a partir daí, 15 por cento de desconto. Nas SCUT's com cobrança desde outubro de 2010, o regime de desconto também

tem prazo de validade: junho de 2012. Depois dessa data pagam todos. Ainda não se sabe que regime vai o Governo adotar nas vias que serão portajadas a 15 de abril.

Viagens gratuitas esgotam-se numa semana, avião é alternativa mais barata Uma professor ou outro profissional que se desloque diariamente entre as localidades deste percurso (Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Murça, Alijó ou Vila Real) esgotará as viagens gratuitas numa semana, restando o desconto que será de um euro e meio (15 por cento) na totalidade dos 130 quilómetros. Quem não tiver isenções e descontos, para viajar entre Vila Real e Bragança, pode começar a incluir nas opções a alternativa aérea, pois a viagem de ida e volta no avião que faz a ligação entre Bragança e Lisboa, com escala em Vila Real, fica em pouco mais de 37 euros, um valor superado pelas portagens e o combustível na autoestrada. A alternativa que restará será a velha nacional 15 que continua operacional em toda a extensão, entre Bragança e Via Real, com a exceção dos três nós do IP4 no Distrito de Bragança: Vale de Nogueira, Quintela de Lampaças e Azibo, onde o itinerário atravessa a estrada e ainda não se sabe como ficará depois das obras. O IP4 é que não será alternativa já que o governo optou por alargar a via existente em vez de construir uma nova estrada paralela e a Autoestrada Transmontana acabará por corresponder a 80 por cento do atual traçado. Esta foi uma das razões evocadas, em 2006, pelo primeiro-ministro para construir um equipamento destes sem custos para o utilizador, além de o Distrito de Bragança ser o único do país sem um quilómetro de autoestrada. Na ocasião em que anunciou a empreitada, José Sócrates sublinhou que era “uma questão de solidariedade nacional" a isenção de portagens e um contributo para o desenvolvimento da zona do país que apresenta os indicadores de rendimentos mais baixos a nível nacional. Os indicadores não mudaram e é uma das razões que leva o presidente da Câmara de Bragança, o social democrata Jorge Nunes, a continuar a reclamar o “pagamento” do que considera “a dívida histórica que o país tem para com a região”. “Fazer justiça é construir a autoestrada e isentar de portagens os transmontanos até atingir os níveis sócio-económicos”, defendeu o autarca, quando questionado recente-

Obras de transformação do IP4 em autoestrada e as famosas curvas de Murça, na EN15. O presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros lançou uma petição contra a introdução de portagens na Autoestrada Transmontana em que reclama uma moratória de sete anos sem custos para os utilizadores na nova via.


ou andam numa estrada obsoleta

somos!

mente pelos jornalistas sobre esta matéria. “É uma situação que temos de contestar de forma firme”, afirmou, mas quando questionado sobre eventuais formas de luta disse apenas: “temos de refletir”.

Polémica das portagens arrasta-se há anos Também Rui Vaz, presidente da Associação Empresarial do Distrito de Bragança (NERBA) defende que “deveria haver uma diferenciação positiva no valor a cobrar nas portagens aos transmontanos”., O dirigente entende, porém que “a introdução de portagens não terá implicações negativas na atração de investimento para a região”. “O problema que nós tínhamos era de acessibilidade e com uma boa rede viária não me parece que se coloque esse problema”, considerou. A Autoestrada Transmontana tem conclusão prevista para setembro do próximo ano com um custo de construção de 440 milhões de euros. A questão das portagens tem sido objeto de polémica desde que saiu a primeira versão do projeto. Pouco depois do anúncio feito pelo primeiro-ministro, em 2006, o projeto indicava que afinal havia portagens nas variantes de Vila Real e Bragança, por ficar como alternativa o atual IP4. Em julho de 2010, o ministro da Obras Públicas, António Mendonça, lançou a confusão numa sessão em Vila Flor, afirmando que as novas estradas transmontanas iriam ter portagens e que os utilizadores também teriam de contribuir. “Então agora vou ter de pagar para andar no IC5”, houve quem se interrogasse na plateia, já que o itinerário também faz parte das novas estradas, integrado na concessão do Douro Interior, junto com o IP2, no mesmo regime de construção da Autoestrada Transmontana, através de parcerias público privadas. Imediatamente a seguir, o ministro corrigiu o que disse, afirmando que as únicas portagens a pagar nas novas concessões rodoviárias de Trás-os-Montes seriam as variantes de Vila Real e Bragança e o túnel do Marão, que já faz parte de outra concessão. O que se aplicava apenas às variantes é agora uma realidade para todo o percurso da autoestrada, mas nada foi ainda acrescentado em relação à concessão do Douro Interior. De acordo com estudos feitos pela Estradas de Portugal relativamente às novas concessões lançadas há dois anos em todo o país, a Autoestrada Transmontana sem portagens era a única que ia dar um prejuízo superior a 1500 milhões de euros nos 75 anos de concessão. Divididos os prejuízos pelos 250 mil habitantes da região, o país teria de pagar, em média e por ano, cerca de 80 euros para cada transmontano poder circular gratuitamente em autoestrada, ou seja, pouco mais de 20 cêntimos por dia.

OPINIÃO LUÍS BASTOS (Assoc. Utilizadores IP4):

"Dar com uma mão e tirar com a outra" Uma ligação rodoviária que garantisse condições de segurança para os seus utilizadores foi sempre o baluarte da Associação de Utilizadores do IP4. Daí que a autoestrada transmontana seja vista como a concretização de “um velho anseio”, mas “vem tarde e já com problemas à partida”. “Aquilo que estão a preparar para a autoestrada entre Vila Real e Bragança traduz uma injustiça”, refere o presidente da Associação, Luís Bastos. Uma afirmação que se sustenta pelo incumprimento das promessas governamentais relativamente à gratuitidade e pela incapacidade de discriminar positivamente uma região que “durante décadas e séculos foi a mais desfavorecida por parte do poder central”. Assim, a nova via acabará por ser colocada “em pé de igualdade” com as infraestruturas rodoviárias de zonas “onde o investimento público foi sempre muito maior do que aquele que foi dirigido para a região de Trás-os-Montes e Alto Douro”. “Ao mesmo tempo que estão a dar com uma mão essa suposta justiça, estão a tirar com a outra ao colocar portagens. Esta via está claramente em situação de exceção em relação ao resto do país, porque esta região sempre ficou para o fim em tudo”, frisa.

Regalias “ilusórias” Para o responsável pela Associação de Utilizadores do IP4, as portagens “caríssimas” refletem “uma insensibilidade enorme” para com as assimetrias do país. “Não vale a pena vir dizer que há isenções para moradores, porque o regime é o mesmo para todas as SCUT’s”, alerta. A solução passaria por um efetivo regime de discriminação positiva que “fizesse com que, por exemplo, o trânsito dentro da própria região não fosse sequer portajado”. “Se o Governo tiver abertura, são propostas que terão que vir a ser estudadas.” Luís Bastos lembra ainda a substituição quase integral do atual traçado do IP4 e a consequente inexistência de alternativa. “O poder político gosta de falar de discriminação das regiões do interior só nas eleições, porque quando chega a altura de decidir, vem com critérios de igualdade.” "Juntaremos a nossa voz à voz dos autarcas e de todas as forças vivas da região de tentarem fazer ver ao Governo um pouco de senso e de razão no sentido de que esta via não seja tratada de igual maneira em relação às outras SCUT’s", promete Luís Bastos, sugerindo outro regime aplicável à via transmontana. "Este regime de isenções [de 10 viagens] é muito confuso e claramente enganador. Não resolve nada, nem é positivamente discriminador", salienta.

COMENTÁRIO

Conto do vigário! Atónitos com o anúncio de José Sócrates de impor portagens na futura Autoestrada Transmontana, depois de anos a proclamar que seria a “via da justiça”, os transmontanos ainda não se aperceberam do logro em que se deixaram enredar. Pelo atual Governo, sim. Mas poderia ser por qualquer outro. Boa ou má, as cidades de Vila Real e Bragança tinham uma via a ligá-las, sem custos. Com alguma sinistralidade, efetivamente, mas nada que não fosse possível resolver com pouco investimento. Veja-se como foi possível trazer a sinistralidade rodoviária do IP4 para níveis “aceitáveis” no troço entre Vila Real e Amarante. Mas o Governo convenceu os transmontanos que para os tirar dos anos de isolamento lhes duplicava o IP4. Generosos, aceitaram de bom grado e sem nunca desconfiar da tramóia que lhes estava reservada. Uma maldade parecida foi feita aos beirões, com o IP5. Mas em escala menor, apesar de tudo. A partir do final de 2012, quem quiser viajar (ou trabalhar) entre as duas cidades nordestinas não mais terá o IP4 conquistado troço a troço na década de noventa. Daqui a um ano e meio, os automobilistas ou pagam portagens caríssimas – sim, são mais caras que nas autoestradas tradicionais, por incrível que pareça, apesar de terem caraterísticas de circulação geralmente inferiores – ou são despejados para uma estrada obsoleta, que há anos não tem manutenção que se veja e que há quase duas décadas serve apenas o trânsito local e algum inter-regional. Quem vive naquelas aldeias atravessadas pela EN15 deve preparar-se para o pior. Sabem o que aconteceu nas estradas municipais de algumas cidades do litoral: de um dia para o outro, ficaram pejadas de trânsito automóvel fugido dos pórticos das SCUT’s. Um ou outro autarca mais alerta parece aperceber-se do “conto do vigário” que venderam aos transmontanos, mas o silêncio da região ao "ataque" de Sócrates é ensurdecedor. Só o presidente de Macedo de Cavaleiros veio pedir uma moratória de sete anos até se encontrar uma alternativa às portagens no IP4. Os responsáveis regionais ainda vão a tempo de travar a destruição do IP4, em desmantelamento para o transformar em autoestrada. Exijam ao Governo que duplique a via para a tornar segura (ainda que sem caraterísticas de autoestrada) mas mantenha o IP4 sem custos para os utilizadores. Dessa forma, os malfadados pórticos não terão guarida na via transmontana. Fatal como o destino: se as portagens não forem, agora, travadas no IP4, com a facilidade que a eletrónica trouxe à cobrança de portagens, depois da Autoestrada Transmontana os pórticos chegarão também às vias em construção englobadas na Concessão do Douro Interior (IP2 e IC5). Ou ainda haverá ingénuos a acreditar em promessas de políticos? Vila Real teve mais sorte: manteve uma via alternativa para rumar ao litoral, pelo atual IP4, enquanto Bragança e as cidades do Distrito, não. Com portagens a preços loucos, empresas e residentes no Nordeste ficarão ainda mais isolados. Que lorpas que somos! Uma viagem entre Bragança e o Porto ficará em 2013 quase tão cara como o trajeto Porto-Lisboa. Os transmontanos não mereciam tamanha maldade… J.S.


Associação de Paralisia Cerebral de Vila Real acolhe 357 utentes

Inclusão: ponto de partida e meta Patrícia Posse | pposse.tamegapress@gmail.com | Fotos P.P.

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estacam-se pelo sorriso orgulhoso e, sobretudo, pela força da vontade. A deles e a de quem lhes estende a mão no dia-a-dia e nos momentos decisivos. Por natureza ou por circunstâncias da vida, Carla, José, Daniela e António debatemse com algumas limitações, mas não cruzam os braços e partem à conquista daquela vida que, um dia, pensaram hipotecada. Na Associação de Paralisia Cerebral de Vila Real (APC), os utentes são integrados numa série de atividades para perceber as suas competências. “Quando têm uma capacidade mental e física razoável, fazemos contactos para ver onde os podemos integrar”, refere a diretora técnica, Orlanda Carvalho. Depois, a ajuda de técnicos e psicólogos é essencial para incutir confiança e autoestima. “Vão muito apreensivos e duvidosos quanto à sua capacidade, mas explicamos que vão conseguir e que estamos na retaguarda para apoiar.” Neste processo, o envolvimento dos familiares é indispensável. “Ficam muito encantados por ver que os filhos deram um pulo que já não esperavam”, sublinha.

Emancipação aguerrida Ao início da tarde, o refeitório vazio denuncia a azáfama nos bastidores. Carla Sofia Teixeira, 33 anos, esfrega as panelas para ajudar a pôr ordem na cozinha da APC. “O meu trabalho é ajudar a cozinhar, lavar a loiça, limpar o refeitório e as casas-de-banho, e tirar cafés no bar.”Veio do Peso da Régua para fazer um estágio e acabou por ficar empregada. Durante estes 13 anos, houve provas de superação. “O mais difícil de aprender foram as medidas da comida, mas hoje sei cozinhar muito bem. Também era um bocadinho acanhada, mas com o tempo fui-me desenrascando e agora já não sou”, sorri. O grau de entendimento com Fernanda Catarino, a cozinheira, é perfeito. “Se eu não estiver, basta dizer ‘fazes isto’. Ela esteve três meses sozinha e tomou conta do recado, embora viesse uma colega ajudar a servir os almoços e limpar.” O feitio de Carla legitima ainda outros elogios: “é uma miúda com muita garra”. A morar sozinha em Vila Real, Carla abraça outros desafios em paralelo com o trabalho. “Estou a tirar uma formação em computadores das 20h às 23h. Há pessoas que tiram o dia, mas eu prefiro trabalhar e ir às formações.” Apesar da deficiência mental ligeira, os planos para o futuro estão bem moldados: “estou a pensar estudar até ao 12º ano e não vou desistir, porque eu não sou de desistir”.

Jornalista de piquete Preparar um jornal implica não só muito trabalho, como uma dedicação intrínseca de quem o faz. Aos 45 anos, José Matias é jornalista, editor e paginador de serviço do “Horizonte Jovem”, o jornal da APC. “É uma forma de me sentir útil à sociedade. Ao fazê-lo, tenho o tempo ocupado, convivo com outras pessoas e pratico numa coisa que me dá agrado.” Nos conteúdos, José inclui atividades que têm lugar na APC e outras temáticas que vai pesquisando na Internet. “Dá algum trabalho, porque é preciso pensar o que é que se vai pôr, mas é gratificante.” E como uma dúzia de páginas não dá para divulgar tudo, José procurou uma alternativa. “Criei um blog e ponho lá algumas notícias que não vão para o jornal ou vídeos. Por exemplo, o boccia que se pratica aqui pode ser visto lá.” Deste modo, o utente vila-realense mantém-se ligado à sua área de formação. “Tirei o curso profissional de informático, mas há certas barreiras para este tipo de pessoas conseguir arranjar trabalho”, lamenta. José sofre de uma doença degenerativa que, gradualmente, o faz perder competências motoras. Ainda assim, gabam-lhe a proatividade e o sentido de responsabilidade na gestão do orçamento para a compra de material e na distribuição de tarefas. “É porreiro e bemdisposto. Ajuda-nos e nós a ele”, diz Ana Margarida Monteiro, uma das suas colaboradoras.

Líder diligente Ingressar no Ensino Superior pode ser o coroar de um percurso ou um sonho de anos para muitos, mas para Daniela Costa foi sobretudo “uma lufada de ar fresco”. “Já estava em casa há um ano e achei que era uma boa opção, uma maneira de me sentir útil e continuar com a minha vida.” Aos 19 anos, a jovem de Castro Daire (Viseu) despistou-se e ficou dependente do auxílio de terceiros. Durante o período de convalescença, conheceu Márcio, um amigo que a persuadiu a frequentar o curso de engenharia de reabilitação e acessibilidades urbanas, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). “Só pensava vir fazer os exames, mas ao falar com os Serviços Sociais da UTAD, soube que tinha quarto ao meu dispor. Era só entrar em contacto com a APC para me arranjarem uma pessoa, o que aconteceu logo ao fim de uma semana”, conta. Daniela é assertiva quanto ao bom relacionamento que criou com a funcionária da APC que, de manhã e à noite, a ajuda na higiene pessoal. “Só estava habituada à minha mãe e se não me tivesse dado tão bem com a

dona Bela, se calhar não tinha uma vida tão boa cá e não me sentia tão à-vontade.” Aos 25 anos e quase a terminar a licenciatura, Daniela recorda o quão estranho foi o primeiro dia de aulas e o nervosismo que sentia. “Estava habituada ao meu grupo de amigos, que conheceu o antes e o depois, e aqui, as pessoas eram novas e só iam conhecer o depois.” A integração no meio académico tem sido muito positiva. “Também tive sorte com as pessoas que encontrei”, refere. É com Marta e Mara, as amigas que a acompanham, que Daniela partilha as vivências do dia-a-dia. “Se vamos à cidade, na UTAD ou em qualquer sítio sem acessibilidades, andam sempre comigo de um lado para o outro.” Conheceram-se na altura das praxes e foi, como diz Marta, uma “questão de interação”. Pela voz de Mara, percebe-se que Daniela é uma aluna exemplar. “É super empenhada e está sempre à frente em tudo. Se é preciso alguma coisa, ela fala por todos.”

Campeão dos sorrisos A expressão de António Augusto Teixeira, 35 anos, vale-lhe o epíteto de “senhor simpático”. Praticante de boccia há mais de uma década, foi campeão nacional, pré-selecionado para integrar a Seleção Nacional nos jogos Paralímpicos [ou Paraolímpicos] e é, seguramente, o atleta mais medalhado da APC. “Gosta de as exibir perante colegas e funcionários da instituição, que lhe dão sempre aquela palavra de encorajamento para que no futuro consiga ainda melhores resultados”, afirma Jorge Almeida, um dos seus treinadores. A agilidade e a inteligência no jogo explicam que “os bons jogadores de boccia tenham um certo respeito pelo António Augusto”. “Agora, com a idade, já começa a ficar mais cansado e a regredir um bocadinho, mas com o empenho que tem ainda consegue fazer bons resultados”, acrescenta o técnico. António Augusto treina 3 a 4 vezes por semana, durante 3 horas, e pratica diariamente. “Não é cansativo”, garante. Os colegas servem-lhe de adversários e o seu espírito competitivo não se coaduna com tropeços. “A maior parte das vezes consegue vencer, mas quando perde, fica um bocado aborrecido”, revela o treinador. Sendo um dos utentes mais antigos, António Augusto é “bem visto por toda a gente e transmite muita paz, alegria e boa-disposição”. Ainda segundo o treinador, a prática desportiva faz com que se sinta “uma pessoa útil, ativa e realizada”.


ENTREVISTA | Lúcia Gonçalves

'Vencer o cancro é sempre um trabalho coletivo' Liliana Leandro | lleandro.tamegapress@gmail.com | Foto D.R.

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oi já o ano passado que a jornalista Lúcia Gonçalves lançou o seu livro ‘Vencer o Cancro’ em jeito de homenagem aos muitos que contribuíram para um programa de reportagens televisivas, que desenvolveu e apresentou, sobre esta doença. Do extenso trabalho e investigação ficou o respeito e admiração pelos doentes e a sua coragem, o desassossego com as crianças vítimas da doença, o reconhecimento do poder de um meio de comunicação para transmitir a importância da prevenção, a necessidade de contrariar o tabu ainda existente e a ideia de que “vencer o cancro é sempre um trabalho coletivo” porque “ninguém o vence sozinho”.

çalves reconhece nos doentes o “ato de coragem, de grande humanidade e de humildade” ao permitirem “a intrusão e a exposição” dos seus medos e receios perante uma câmara de televisão. Três anos depois faz-se um balanço. A par de várias organizações e instituições, o programa foi um contributo para desmistificar o cancro: uma palavra falada mais frequentemente com cada vez mais notícias transmitidas sobre a importância do rastreio, do diagnóstico precoce e de novas formas de tratamento. Permanecem, porém, alguns temas tabu em torno do cancro, sobretudo fora dos grandes centros urbanos onde a falta de informação é maior.

No papel…

Era uma vez… “A Lúcia tem 37 anos, é casada, um filho, é natural do Porto. Como qualquer mulher tenta dar o melhor de si enquanto ser humano, mãe, filha, profissional e no meio disso tudo tentar ter algum tempo para si própria”, começa por responder. Gosta de vários tipos de música, de hidroginástica, cinema, workshops de vinho, dos abraços do filho – o seu grande escape – e sonha com uma quinta onde se possa dedicar ao enoturismo. Mas Lúcia é também uma conhecida jornalista da SIC, autora, apresentadora e produtora de programas de rádio e televisão. O jornalismo esteve lá desde que se lembra, desde o tempo em que nas composições da escola primária escrevia que quando fosse grande queria ser jornalista. “Foi mesmo um gosto muito pessoal pela escrita, pela entrevista, pela conversa”, por ver desenhos animados intercalados com programas de informação e reportagens. Logo aos 16 anos correu para um jornal diário do Porto – O Primeiro de Janeiro – para “saber o que era o jornalismo a sério”. Seguiuse um curso superior de jornalismo, um estágio na Rádio Nova, dois anos na Rádio Festival e, em 1996, o convite de Emídio Rangel para ingressar na SIC.

No ecrã... Em 2008 estreava a primeira série de reportagens do programa ‘Vencer o Cancro’ nascido do confronto de Lúcia

com a realidade da doença no seu próprio núcleo familiar e de amigos. Foram “vários estados de alma, a desinformação, a ignorância e os mitos” que serviram de pedra de toque ao programa da jornalista que percebeu como “um meio tão poderoso como é a televisão tinha a obrigação de dar ao cidadão comum a informação essencial para o ajudar a lutar contra o cancro”. Da primeira série de reportagens recorda e admira os doentes que aceitaram sem reserva “dar o seu testemunho muito íntimo e privado sobre a forma como reagiram perante o diagnóstico, assumindo as marcas que esta guerra lhes deixou no corpo e na alma”. Por isso mesmo, Lúcia Gon-

Nome completo: Lúcia Fernanda da Costa Gonçalves Data de nascimento: 9 de Março de 1973 Local de Nascimento: Porto Habilitações literárias: curso superior de jornalismo Livro: Cem anos de solidão Filme: Cinema Paraiso Música: clássica, jazz, bossa nova e para o ginásio hip hop, rock

Depois da televisão veio a vontade de colocar todos os conteúdos no papel, de “dar mais informação para além da transmitida nos programas” e, acima de tudo, “perpetuar no tempo a luta dos doentes”. Foi a homenagem de Lúcia a todos os que deram o seu contributo. O percurso entre a imagem e o texto não foi simples, conta a jornalista. “Foi muito exigente porque tive de fazer outro nível de investigação e de recolha de dados e tive de repetir todas as entrevistas com médicos, doentes, enfermeiros, investigadores”. Simultaneamente, recorda, sentia “uma grande motivação pelas palavras de confiança e de encorajamento” que recebeu ao longo do processo, incluindo a de Júlio Montenegro, o marido e co-autor da obra que chegou às bancas em novembro de 2010 e que levou o mesmo nome do programa de televisão: ‘Vencer o cancro’. Mas como se vence esta doença? Estando atento a alterações no corpo, levando uma vida saudável, cumprir os planos de prevenção previstos, entre outras medidas. Mas se mesmo assim o cancro bater à porta, é fundamental “não deixar que nos contamine a alma”. Há, pois, que “reagir, combater” seja por si próprio como pelo marido, pais, filhos, companheiros, tentando sempre que o cancro seja “parte da vida e não a própria vida”. Mais que tudo isto, é crucial “pedir ajuda sempre que for possível” e “evitar o isolamento” porque “Vencer o cancro é sempre um trabalho coletivo e ninguém o vence sozinho”.


FAFE | Misericórdia apoia mais de 600 utentes e é dos maiores empregadores

Projetados novos lares de idosos Armindo Mendes | armindomendes1@sapo.pt | Fotos A.M.

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importância da Santa Casa da Misericórdia de Fafe (SCMF) no contexto social do concelho comprova-se nas mais de 600 pessoas, de vários escalões etários, que contam com o apoio desta grande instituição centenária. As gentes desta terra minhota há muitas gerações que contam com as várias valências da sua Santa Casa, nela confiando os cuidados a centenas de idosos (atualmente mais de 200 em regime de internamento) e o apoio à educação nos primeiros anos de vida a inúmeras crianças. Quatro lares de idosos, centro de dia, apoio domiciliário, dois jardins-de-infância, quatro centros de ATL e salão de estudo são os serviços prestados à comunidade fafense. A relevância social da instituição também se afere nos 214 funcionários que nela trabalham, o que a transforma num dos maiores empregadores do concelho. Apesar dos seus quase 150 anos de existência (foi fundada em 1862), a Santa Casa da Misericórdia há muito que é reconhecida pela capacidade de melhorar os cuidados prestados aos seus utentes. O percurso desta IPSS (instituição particular de solidariedade social) tem sido feito de constantes melhoramentos e acréscimos quantitativos na sua capacidade assistencialista. À evolução das necessidades sociais das novas gerações tem correspondido o reforço das instalações, com a construção de novos equipamentos e a qualificação em crescendo dos recursos humanos. Neste contexto, presentemente, a SCMF tem em curso dois projetos ambiciosos, que representam no conjunto um investimento superior a três milhões de euros, que passam pela remodelação completa de um dos seus lares de idosos e a construção de um novo equipamento para 40 utentes.

Projetos ambiciosos A Santa Casa da Misericórdia de Fafe tem quatro lares que acolhem 210 idosos em regime de internamento. A sede da instituição (Lar Cónego Leite Araújo) situa-se no centro da cidade. Além dos serviços administrativos e logísticos, aqui estão internados 85 utentes. Os restantes idosos em regime de internamento estão distribuídos pelo Lar de Santo António, também na cidade, pelo Lar Joaquina Leite Lage, na freguesia de Cepães, e pelo Lar Alzira Oliveira Sampaio, em Quinchães, que é o mais recente em termos de construção. Os serviços da SCMF incluem ainda um centro de dia para 20 utentes, apoio domiciliário a 45 idosos e apoio domiciliário especializado a 45 portadores de deficiência. A instituição também tem uma atividade intensa no apoio que presta às famílias através dos dois jardins-de-infância. Mais de 250 crianças frequentam a creche e a préescola. Proporciona igualmente atividades de tempos livres (ATL) e possui um salão de estudo frequentado por mais de sete dezenas de jovens. Nesta fase, a SCMF tem em curso dois projetos de investimento. O primeiro, num investimento de 1,4 milhões de euros, prevê a remodelação completa do Lar de Santo António, conhecido na cidade como o antigo grémio. Todo o imóvel, no âmbito de

uma parceria com a câmara municipal, vai sofrer obras de remodelação, mantendo, no entanto, a sua traça original de palacete brasileiro. A candidatura aos fundos da União Europeia (EU) já foi aprovada, decorrendo atualmente o concurso público. A obra vai arrancar no próximo verão. O segundo projeto passa pela construção de um novo lar para 40 idosos em Quinchães, contíguo ao atual. O novo equipamento vai custar 1,7 milhões de euros e a obra deverá arrancar ainda este ano. Neste investimento, a IPSS fafense vai assumir um investimento de um milhão de euros, só possível graças à sua boa saúde financeira. A candidatura foi aprovada e está em preparação o respetivo concurso público. Entretanto, nos últimos anos, a sede da instituição também foi melhorada com novos equipamentos de proteção contra incêndio e a instalação de videovigilância. A maioria dos quartos deste lar foi equipada com camas articuladas elétricas de última geração. Novas salas de fisioterapia, música e leitura foram outros melhoramentos realizados no Lar Cónego Leite Araújo. Recentemente, três dos lares foram apetrechados com painéis solares (114 no total), num investimento global de 160 mil euros, 70 mil dos quais assumidos pela instituição, o que deverá diminuir até 30 por cento alguns custos energéticos.

Gestão complexa em tempo de crise A provedora da SCMF, Maria das Dores Ribeiro João (foto), que cumpre o seu segundo mandato, admitiu ao Repórter do Marão que gerir uma IPSS desta dimensão é uma tarefa complexa, mas ao mesmo tempo muito motivadora sob ponto de vista pessoal. A provedora agradece o apoio e o profissionalismo dos colaboradores, sem os quais, sublinhou, o trabalho realizado nas várias valências não seria tão profícuo. Maria das Dores Ribeiro João lembrou que atualmente, no quadro de crise social, é mais difícil a gestão corrente deste tipo de instituições, porque são confrontadas com mais solicitações e a diminuição de receitas. A responsável recorda que são em menor número os beneméritos e os familiares dos utentes também colaboram menos nas despesas. A crise nos últimos anos traduziu-se nos pedidos de famílias em dificuldades financeiras no sentido de serem diminuídas as mensalidades pagas por terem as suas crianças nos jardins-de-infância. Ao mesmo tempo, tem aumentado o número de pessoas, a maioria homens, a pedirem refeições diárias na instituição. No entanto, para a provedora, neste quadro de dificuldades, é fundamental “continuar a prestar um serviço de qualidade, com uma gestão rigorosa dos custos”. Os melhoramentos que têm sido adotados, com a qualificação das instalações e a contratação de mais quadros técnicos, nomeadamente enfermeiros e assistentes sociais, inscrevem-se na política de resposta às novas necessidades de cuidados, nomeadamente o facto de os utentes chegarem cada vez mais tarde e mais debilitados à instituição.

VISTA AÉREA TERRENO TOTAL plano geral

VISTA A PARTIR DA COBERTURA DA SALA POLIVALENTE ligação do lar existente ao novo lar proposto

VISTA SUDESTE vista geral, entrada no edifício proposto e ligação ao lar existente

VISTA SUL edifício proposto e ligações verticais

VISTA DE NOROESTE piscina exterior

VISTA A PARTIR DO TERRAÇO DO REFEITÓRIO ligação do lar existente ao novo lar proposto

VISTA A PARTIR DO TERRAÇO DO REFEITÓRIO

VISTA A PARTIR DA ENTRADA PRINCIPAL NO TERRENO plano geral


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QUE É FEITO DE SI? | Fernanda Ribeiro

Corre "por gosto" aos 41anos e quer manter ligação ao atletismo Mónica Ferreira | monicaferreira.tamegapress@gmail.com | Fotos Lusa

A

política, nomeadamente o cargo de vereadora na Câmara Municipal de Penafiel, foi, para a atleta Fernanda Ribeiro, uma experiência que não se voltará a repetir. Com 31 anos de carreira profissional no atletismo, vinte e quatro dos quais na alta competição, a atleta penafidelense confessa que apesar de a modalidade não ser tão compensadora financeiramente como o futebol não tem de que se queixar e gostaria de no futuro ter uma carreira na área, embora não deseje ser treinadora. Natural da freguesia de Novelas, concelho de Penafiel, Fernanda Ribeiro é, aos 41 anos, uma atleta de elevado reconhecimento em Portugal e no estrangeiro. Atualmente a vida da atleta é dividida entre os concelhos da Maia e de Penafiel. Fernanda Ribeiro treina agora individualmente numa pista da Maia. Em Penafiel, a atleta tem o seu porto de abrigo, a terra que a viu nascer e com a qual mantém fortes ligações, “as mesmas desde que nasci, pois é onde tenho a minha família, é lá onde voto”, referiu. “Foi a cidade onde eu nasci e onde eu sempre vivi”, acrescentou. Foi também nesta cidade que teve a única atividade paralela ao atletismo, tendo sido vereadora do desporto na Câmara Municipal de Penafiel, no primeiro mandato de Alberto Santos frente aos destinos da autarquia penafidelense. Mas se a política foi uma atividade à qual não pretende regressar, já o atletismo está-lhe no sangue e aquilo que começou por uma brincadeira acabou por se tornar numa paixão. “Comecei com nove anos por brincadeira com o meu pai numa corrida em Lousada onde fui segunda classificada. Como gostei, a partir

daí comecei a ter objetivos. Comecei por bater recordes nacionais de infantis e comecei a ter o objetivo de ser Campeã Olímpica”. Ao longo da sua carreira, Fernanda Ribeiro confessa ter tido “altos e baixos” mas “consegui realizar todos os meus objetivos”, acrescenta orgulhosa, referindo-se aos títulos de campeã da Europa, campeã do Mundo, campeã Olímpica. Além destas conquistas, Fernanda Ribeiro bateu ainda um recorde do Mundo e conseguiu ser a atleta portuguesa mais medalhada. Ao fim de 31 anos de carreira, vinte e quatro dos quais de alta competição, Fernanda Ribeiro diz que “corre por gosto” à modalidade e que este é, “neste momento, igual ao que tinha quando comecei”, apesar de na altura ter objetivos que hoje em dia já cumpriu. Quanto ao seu futuro no atletismo, Fernanda Ribeiro gostaria de se manter ligada ao desporto, “não como treinadora mas noutra área qualquer” mas refere que ainda não pensou no que fará depois. “Neste momento ainda não sei o que irei fazer em termos profissionais visto que ainda me encontro em atividade”. Enquanto isso continua a fazer aquilo que mais gosta e o que financeiramente lhe assegura quer o diaa-dia, quer o futuro. “Em termos financeiros, o atletismo não é visto como o futebol mas até hoje não me posso queixar”.

A terra natal e a família É na freguesia penafidelense de Novelas que tem as suas raízes. A família é o seu “maior suporte”. Confessa que são, a par com o desporto, a maior paixão da sua vida.

A atleta Fernanda Ribeiro, numa prova recente de que saiu vencedora e ladeada por dois outros campeões olímpicos de gerações diferentes – Carlos Lopes (JO 1976 e 1984) e Nelson Évora (JO 2008).

Nos tempos livres gosta de ler, ver televisão e ir ao cinema. São estes alguns dos prazeres da sua vida que rege em busca de um único objetivo: “ser feliz”. No desporto afirma nunca ter tido nenhuma referência, “pois todos os atletas foram para mim uma referência quando comecei”. Na vida privada, o caso é bem diferente e é peremptória em afirmar que a mãe "é a sua referência de vida".

Medalhas olímpicas e recordes Em 31 anos de competição, Fernanda Ribeiro foi galardoada diversas vezes, em várias competições nacionais e internacionais. Do seu espólio fazem parte uma medalha de ouro e uma de bronze conquistadas em Jogos Olímpicos na corrida dos 10 mil metros. A primeira (ouro) foi ganha em Atlanta, em 1996, a de bronze nos Jogos Olímpicos em Sydney que se realizaram no ano de 2000. Tem ainda vários recordes pessoais: 2 000 metros - 5:37.88, em Lisboa, 1996; 2 000 metros 5:37.34, em Valência, 1996, em pista coberta; 3 000 metros - 8:39.49, em Estocolmo, 1996, em pista coberta; 5 000 metros - 14:36.45, em Hechtel, 1995; 5 000 metros - 15:06.52, em Moscovo, 1996, em pista coberta; 10 000 metros - 30:22.88, em Sydney, 2000; 10 000 metros - 31:01.63, em Atlanta, 1996, recorde olímpico. Nos Campeonatos Mundiais, Fernanda Ribeiro recebeu diversas medalhas: ouro e prata em Gotemburgo (1995), nos 10 mil metros e cinco mil metros, e prata e bronze em Atenas (1997), nos 10 mil metros e cinco mil metros, respetivamente.


Artista de Lamego mostra-se no Carnaval de Lazarim

Fandino transforma o barro em arte Iolanda Vilar | iolandavilar.tamegapress@gmail.com | Fotos I.V.

S

ão obras "com impressão digital". É como o artesão lamecense Alexandre Fandino caracteriza os seus trabalhos em barro, reconhecidos mundialmente. Os caretos de Lazarim são a sua aposta de Carnaval. Enormes ou pequenos caretos de Lazarim passaram a barro pelas mãos mágicas de Alexandre Fandino, artesão lamecense que se inspira e transforma a vida do Douro em peças de arte figurativa, carregadas de simbolismo. A natureza, as mulheres, o Douro, tudo é fonte de inspiração para Alexandre Fandino transformar o rudimentar barro em verdadeiras obras de arte. Da arte figurativa nascem presépios que já conquistaram a primeira-dama Maria Cavaco Silva, que na sua vasta coleção tem uma série de obras deste artista lamecense. Talvez o vermelho do barro faça lembrar as quentes savanas da Angola que o viu nascer e crescer. Mas na sua casa, também ela por fora de um vermelho rústico, Fandino dá à sua roda de oleiro a combinação perfeita entre a sua criatividade e as possibilidades do barro. Não quis deixar passar despercebido o ancestral Carnaval de Lazarim e os seus caretos que moldados a barro e com características que recordam o Douro, com as suas uvas e as suas parras apresentam um novo efeito cénico. Os caretos que assustam no Entrudo deixaram de ser de madeira de amieiro para se moldarem pela generosidade do barro. Durante as comemorações do Carnaval de Lazarim, Alexandre Fandino vai expor uma enorme mesa no largo da aldeia de Lazarim. “As pessoas sempre gostaram da arte em barro e tal como nos outros anos vai ser um sucesso de vendas”, conta o artesão. Sem mãos para as encomendas, Alexandre Fandino acorda muito cedo, quando o sol ainda está a espreguiçar-se e prepara todas as etapas que transformam o tosco barro em verdadeiras obras de arte.

As formas do Douro O barro vermelho ganha nova forma nas mãos de Alexandre Fandino. A inspiração partiu dos caretos celebrizados pelos artesãos de Lazarim, desta feita, a matéria-prima muda da madeira para barro. Peças de vários tamanhos e com as expressões dramáticas que simbo-

lizam o medo, o susto e uma curiosa forma de expurgar os pecados estão bem definidas na expressividade do barro. Depois da aventura dos presépios de barro, expostos no Teatro Ribeiro Conceição, no Hotel Lamego e em diferentes espaços de cultura pelo país fora, Fandino continua a utilizar a inspiração duriense, uma opção que tem motivado os mais rasgados elogios e é uma forma de ligar a sua arte à região onde vive.

Grandes caretos e carantonhas Em Lazarim, os caretos, em barro, que pesam entre 12 a 20 quilos cada um serão um sucesso. Como explica Alexandre Fandino “será uma mais valia para os caretos esta transformação em barro”, que não pretende retirar valor aos tradicionais caretos de madeira. O artista assume que com estas inovações quer atuar no espaço do artesanato, numa perspetiva cultural, criadora, baseando-se, principalmente, na arte sacra.

Galardoado pela Anim’Arte Alexandre Fandino, mestre em olaria figurativa em Lamego, já foi distinguido com o Prémio Produção Artística – escultura, em 2009, pelo Grupo de Intervenção Cultural e Artística de Viseu, responsável pela edição da revista Anim’Arte e promoção de projetos culturais de associações e artistas da região. Nesta edição foram atribuídos prémios reconhecendo pessoas, instituições e projetos culturais e artísticos que mais se destacaram no ano 2008. Produz um trabalho de franca qualidade que se traduz num espetáculo para os olhos e para o pensamento.

Arte nas mãos Engenho, arte e mestria é coisa que não falta ao lamecense Alexandre Fandino que tem como ocupação de tempos livres a olaria, principalmente em arte sacra, mostrando uma perfeição e detalhe difícil de igualar. Num estilo próprio, que só ele consegue, fruto de muitos anos de experiência e de aperfeiçoamento das suas técnicas de modelação do barro vermelho. A sua casa na zona da Ortigosa, em Lamego, está cheia de recordações, peças de antiguidade, livros e recordações da África natal. É nas quatro paredes e num

quintal rodeado de árvores e pequenos arbustos que Fandino dá vida ao barro. “O barro faz parte de mim e o interesse de dar tudo e o querer alcançar faz-me melhorar e criar. Pretendo atuar no espaço do artesanato numa perspetiva cultural, criativa e inovadora”, assume. Explorando todas as possibilidades, o artista lamecense deu-se a conhecer em 1998, no XIII Concurso de Presépios realizado pela Associação de Artesãos de Lisboa, onde obteve um 1º Prémio ex-aequo. As primeiras peças que começou a fabricar foram de arte sacra que, com o tempo, se foram aperfeiçoando.

Presépios e santos A pedido de vários colecionadores a nível nacional cria presépios, natividades, Meninos Jesus, Cristos, Santos Antónios, figuras típicas nacionais e regionais, caretos, medalhas com a N. Sra dos Remédios e peças variadas alusivas ao Douro. A sua arte já corre mundo, nomeadamente por Espanha, França, Brasil. Colecionadores e personalidades nacionais, tais como a esposa de Cavaco Silva, Fernando Tordo, D. Ximenes Belo, Maestro Vitorino de Almeida e a fadista Mariza são seus clientes e admiradores. “Manuseio o barro a meu gosto, sem segredos e com poucas ferramentas. Moldo-o e as obras que se vão produzindo, aconchego-as com a ajuda das minhas mãos”, confessa Fandino. Participou em exposições como Máscaras Ibéricas Lisboa, FIL - Lisboa, Máscaras Regionais, Casa do Douro Régua, feiras medievais, Hotel Lamego, Palácio da Pena, Feiras. A pedido, pinta as peças mas, preferencialmente, mantém o natural do barro. O presépio mais caro custa 370 euros sendo que o mais acessível fica nos 12,50 euros.

Crianças adoram moldar barro No mês de fevereiro, Fandino levou a sua arte aos alunos do 1º ciclo do ensino básico. Os pequenos artistas ficaram encantados com as possibilidades do barro. O artista não escondeu a alegria que o brilho no olhar de cada criança lhe proporcionou. “Adoraram ver como de um pedaço de barro podemos fazer as mais magníficas peças”, conta.


Baçal -- Janeiro/2005 Janeiro/2005 ↑↑ Baçal

de Trás-os-MonTes Vindos de tempos ancestrais, muitos séculos antes da iluminação elétrica, água canalizada e estradas de asfalto, surgem ainda, e, nos últimos anos, com ímpeto revitalizado, figuras surreais que semeiam o terror e a desordem em muitas aldeias transmontanas. Apesar disso, são bem acolhidos e não há casa que não goste de os receber. O tempo deles é a época natalícia, nas Festas de Santo Estêvão, também chamadas "dos Rapazes", ou o Carnaval. Ritos de iniciação à vida adulta, de fecundidade, de celebração do solestício, das colheitas, etc. As teorias e os estudos são vários e merecem uma atenção mais pormenorizada. O sítio do Museu Ibérico da Máscara e do Traje, seja o virtual, seja mesmo o real, em Bragança, é um bom ponto de partida para a descoberta. Estes seres fantásticos, coloridos, barulhentos, anacrónicos e alegremente destabilizadores do quotidiano vão pular por esses povos fora neste Carnaval. Um bom pretexto para uma incursão ao “Reino Maravilhoso”.

↓ Ousilhão - Dezembro/2009

Manuel Teles | texto e fotografia


↑ Ousilhão - Dezembro/2005 ↓ Varge - Dezembro/2006

↑ Ousilhão - Dezembro/2005

↑ Aveleda - Dezembro/2008

↑ Varge - Dezembro/2006 ↓ Grijó de Parada - Dezembro/2004

↑ Bemposta - Janeiro/2007

↓ Podence - Fevereiro/2010 ↓ Podence - Fevereiro/2010

↓ Podence - Fevereiro/2007

↓ Podence - Fevereiro/2010


CRISE ALIMENTAR mundial pressiona

Agricultura no Tâmega Paulo Alexandre Teixeira | pauloteixeira.tamegapress@gmail.com | Fotos P.A.T.

O

estado da agricultura nacional encontrase atualmente no centro de um debate em vários setores da sociedade, onde se destaca, entre outras, a ideia de que deveríamos estar a fazer um “regresso à terra”, em particular no interior do país. Associações ligadas a diversos setores da agricultura e da pecuária mostram que Portugal depende de importações para fabricar pão, por exemplo, e que produz 50 por cento da carne de vaca que consome, sendo somente autossuficiente nos setores do vinho e do leite. De facto, o país está particularmente vulnerável a oscilações de preços dos alimentos porque depende das importações para satisfazer cerca de 70 por cento das suas necessidades alimentares. O problema tem estado em particular relevo desde o início do ano, em que se assiste ao desenrolar de mais uma crise alimentar a nível mundial, que afeta sobretudo os países que importam mais alimentos do que produzem. Mesmo a autossuficiência pode ser ilusória, como é ilustrado pelo caso da produção de leite , que passa por momentos particularmente difíceis face ao aumento do custo de matérias-primas e da diminuição dos preços de venda do produtor. Em consequência, o coro de protestos dos empresários do setor aumentou de volume um pouco por todo o país mas com maior incidência no Norte, onde se concentra cerca de 50 por cento da produção nacional. “Desde abril de 2009 que deixámos de ganhar dinheiro na nossa exploração”, alertou António Teixeira, proprietário da Agro Mancelos, uma empresa produtora de leite em Amarante, referindo-se à altura em que o preço de venda do leite começou a ser inferior ao custo de produção.

António Teixeira: Tâmega e Sousa perdeu 31% da produção de leite Fundada há 15 anos, esta exploração é das mais avançadas do país, a primeira a utilizar um sistema de ordenha robotizada, fruto de uma série de investimentos na modernização de instalações e equipamentos orçado em cerca de um milhão de euros. Com 290 cabeças de gado e uma produção diária de 3.300 litros, a empresa espera por melhores dias para retomar o processo de expansão e modernização. António Teixeira, que gere a vacaria em parceria com a sua esposa, Manuela Marinho, contabilizou que só na área do Vale do Sousa e Baixo Tâmega se perdeu 31 por cento da capacidade de produção do leite nos últimos dez anos, após o encerramento de dezenas de vacarias. Em Amarante, por exemplo, o número de bovinos em explorações de leite desceu de 1650 cabeças para 1050 em pouco menos de sete anos. “É um problema da distribuição dos lucros. Os


produção nacional

é oportunidade para jovens subsídios acabam por desaparecer no processo de transformação e distribuição, o preço das forragens e dos combustíveis aumenta e não podendo aumentar o preço de venda, o produtor simplesmente fecha as portas”, explicou António Teixeira. Para além do leite, a empresa diversifica a sua atividade no mercado de forma a aumentar a sua competitividade, com um programa de criação de gado e a produção de parte da forragem que consome, em terrenos agrícolas da região. A exploração mantém ainda um programa de treino e de preparação cuidadosa dos melhores especímenes da vacaria, que participam regularmente em várias feiras especializadas. Apesar da crise que o setor atravessa, António Teixeira não tem planos para desistir, afirmando que está a trabalhar naquilo que mais gosta de fazer na vida e acredita que com força de vontade se consegue superar as dificuldades. Aliás, acredita que os jovens deviam explorar a agricultura e que não se deveriam desencorajar com problemas, que existem “para serem resolvidos”. “Há espaço para todos, terras para explorar e oportunidades para aproveitar. É uma questão de força de vontade e de prestar atenção ao ambiente, às novas tecnologias e saber utilizá-las para benefício próprio e do país”, explicou o produtor. “Aliás é algo que nós já estamos a fazer aqui, outros o podem conseguir igualmente”, concluiu o empresário de Amarante.

Martinha Vieira: apostar no que sabemos fazer mas com qualidade “Temos que ver aquilo em que temos capacidade de produzir e apostar nisso, mas com qualidade”, defende Martinha Vieira, licenciada em engenharia agrícola e proprietária de uma exploração biológica de kiwis, em Paredes de Viadores, Marco de Canaveses. Desigualdades na regulação do mercado e a falta de uma política de identificação de produto nacional no local de venda são problemas que a jovem agricultora aponta como alguns dos problemas principais dos produtores portugueses, face aos produtos importados. “Estes são problemas que compete ao Estado resolver. É ridículo que existam medidas e regras muito apertadas sobre os produtos que devemos utilizar na fertilização, por exemplo, mas não há nada que impeça a entrada de produtos alimentares no nosso mercado, importados de países sem essas restrições”, explicou a jovem agricultora. Pouco depois da conclusão do seu curso superior, Martinha Vieira lançou a sua própria exploração agrícola, que se dedica á cultivação de kiwis, na mesma freguesia onde nasceu e cresceu. Implementada em 2007, a exploração ocupa cerca de sete hectares e aposta nas vertentes da especialização e da diversificação como forma de rentabilizar

o seu negócio. Para além da produção de kiwi, que ocupa perto de dois hectares, Martinha Vieira explora ainda produtos hortícolas e frutas, que comercializa a nível local, e oferece serviços especializados de consultadoria em diversas áreas da agricultura, através de uma empresa que criou para o efeito. Esta aposta da jovem agricultora é, no mínimo, inédita numa região de valores tradicionais fortemente implantados e onde perdura ainda a imagem do agricultor tradicional, algo que aliás levou à empresária algum tempo a superar. “Mesmo a ideia de que se vai estudar agricultura é estranha a muitas pessoas. Poucos sabem que, por exemplo, quando se compra um saco de fertilizante, há um enorme trabalho teórico e de investigação por detrás daquele produtor”, refere. Apesar de reconhecer que o setor apresenta grandes desafios, Martinha Vieira acredita que é possível superar os problemas, que “vão sempre existir, mesmo nas melhores das condições”. A formação é essencial, mesmo depois de acabado o curso superior, tal como o são a especialização e a diversificação, de forma a rentabilizar o negócio ao máximo. “O agricultor moderno de sucesso é também um bom gestor, tem que saber fazer as contas e pensar muito bem no que se vai meter. Mas, acima de tudo, é muito importante gostar do que se está a fazer”, concluiu a jovem agricultora.


PACA – Plano

de

Aquisição

No âmbito do Plano de Aquisição de Competências e Animação, adiante designado PACA, Componente 2 da medida 3.5 do PRODER previsto no Regulamento de Aplicação aprovado pela portaria n.º 392-A/2008 de 04 de Junho, a Dolmen tem como missão “fomentar a participação da população no desenvolvimento do território de intervenção”. Neste sentido uma das actividades definidas no PACA para o triénio 2009-2011 consiste na promoção, divulgação e dinamização do território, ao abrigo da qual serão desenvolvidas iniciativas de promoção turística integrada do potencial endógeno do Douro-Verde, em estreita articulação com os diversos actores locais, a partir das quais "se promova o encontro e o diálogo entre as pessoas, a aproximação entre os sectores, o intercâmbio do saber e a complementaridade entre as competências”. As temáticas seleccionadas estão directamente relacionadas com o potencial existente nesta região, com ênfase para a gastronomia, para o artesanato tão rico e variado e para os vinhos verdes, sendo argumentos inquestionáveis de atracção turística.

Gastronomia A gastronomia local pontua pela diversidade de carnes, incluindo fumeiro tradicional à base do qual é feito o Cozido à Portuguesa. O assado no forno é eleito como a confecção dos pratos em dias festivos, em que se realça o anho/cabrito assado. A par destes há que referir ainda a posta arouquesa, produto com Denominação de Origem Protegida. A acompanhar qualquer refeição está a tradicional broa de milho, regada com os vinhos verdes da região. Entre as sobremesas, são particularmente famosos, o biscoito da Teixeira, as cavacas, os doces conventuais, os matulos ou ainda a laranja da Pala ou cereja de Resende.

de

Competências

Vinhos O nosso território é rico na produção de vinhos caracterizados por ter uma acidez baixa, com um volume de álcool situado entre os 12% e os 13,5%. Trata-se de um vinho adamado de óptimas propriedades digestivas com sabor e personalidade inconfundíveis, destacando-se os brancos de cor citrina ou palha, os tintos encorpados de cor intensa e os roses, realçando-se ainda a produção do espumante de vinho verde. A flagrante originalidade destes vinhos resulta das características do solo, do clima e das peculiaridades das castas regionais como o Avesso, específico da sub-região vitivinícola de Baião, o Azal e o Arinto (Pedernã).

Artesanato No capítulo das artes e ofícios tradicionais a região é rica em qualidade e diversidade, sendo o artesanato o garante da perpetuidade de valores, saberes e tradições, constituindo-se como um instrumento de preservação do património cultural rural, destacando-se as bengalas de Gestaçô, as cestas de Frende, os mosaicos em mármore e granito, os bordados de Telões, o barro negro, os cestos de S. Simão, o linho ou a latoaria de Cinfães, os chapéus de palha de Vila Boa de Quires, a tanoaria de Tuias, as bonecas de folhelho de Freixo, a cantaria de Alpendorada, as meias de lã, os tamancos e os brezes e croças de Resende, com os quais se fazia face aos Invernos rigorosos sentidos nas serras. A promoção deste conjunto de iniciativas pretende ser a apologia da unicidade na diversidade existente em cada um dos municípios do nosso território de intervenção, em que às particularidades individuais se impõe uma identidade cultural e geográfica comum projectada na denominação Douro-Verde.

O convite à (re)descoberta de Sítios/ Saberes/ Sabores e Valores está formalizado…esperamos por si!


Produção editorial da responsabilidade da DOLMEN

e

Animação

A G E N D A

Baião

Feira do Fumeiro e do Cozido à Portuguesa  01 a 03 de Abril

Marco de Canaveses

Feira das Colectividades e Festival do Anho Assado  27 a 29 Maio

Resende

Festa das Cavacas  10 de Abril Animação em Arêgos  18 de Junho

Amarante

Feira de Artesanato e Gastronomia em Amarante  09 a 17 de Julho

Cinfães

Feira de Artesanato, Gastronomia e Vinho Verde  15 a 17 de Julho

PROVE MARCO DE CANAVESES

Início a 4 de Março Faça a sua encomenda na Casa CAERUS (junto aos CTT em Marco de Canaveses), na Dolmen ou em www.prove.com.pt

DOLMEN

Centro de Promoção de Produtos Locais Rua de Camões, 294 - Baião - Tlf. 255 542 154

Março – Mês dos Bordados

Cooperativa de Formação, Educação e Desenvolvimento do Baixo Tâmega, CRL

AMARANTE - BAIÃO - MARCO DE CANAVESES RESENDE - CINFÃES - PENAFIEL Telef. 255 521 004 - Fax 255 521 678

dolmen@sapo.pt


20 março'11 repórterdomarão I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I

O sentido de Estado de Passos Coelho do para 2011, Pedro Passos Coelho reiterou a sua preocupaPedro Passos Coelho, neste seu mandato de líder socialção com Portugal e com os portugueses. Não deixou de exigir democrata e simultaneamente líder da oposição, está a marcar correcções a medidas penosas para a classe mais desfavorecia diferença na forma de actuação político-partidária nacional. da, mas permitiu que José Sócrates e o PS continuassem a ter a Desde há muito os portugueses vivenciam a alternância oportunidade de executar o seu programa de governo. do poder entre PS e PSD e maioria das vezes o partido que liEste seria um momento de tentação para um líder poudera a oposição evidencia, à primeira oportunidade, ansiedaco preparado pois todas as sondagens indicavam uma vitória de pelo poder! Porventura situações dessas, muitas vezes sem do PSD em eventuais eleições legislativas. O líder sustentabilidade no saber de quem veio a goverdo PSD com serenidade e responsabilidade fez o nar, levaram Portugal à frágil situação que hoje vive. que no momento foi melhor para Portugal e para Pedro Passos Coelho, desde que assumiu a lios portugueses. derança nacional do Partido Social Democrata, Pedro Passos Coelho, à semelhança da maiomostrou que fazer oposição é, também, uma nobre ria dos portugueses já há muito percebeu que José missão ao serviço do país. Sócrates e o Partido Socialista são os principais resPedro Passos Coelho quer ser, e estou certo ponsáveis pelo actual estado da nação portugueserá, primeiro-ministro de Portugal. Mas sê-lo-á por sa, mas continua empenhado em evitar crises polímérito e não fruto de uma qualquer oportunidade. ticas que neste momento só agravariam a situação. O mérito de Pedro Passos Coelho ser-lhe-á rePedro Passos Coelho não corroborou a moconhecido pelos portugueses pela forma responção de censura do BE e já se mostrou aberto a ousável como desempenha o seu papel de líder da Rui Cunha Monteiro oposição. Sem tentações face aos resultados de Pres. PSD/Marco Canaveses vir o PS numa eventual necessidade de revisitarem o PEC. sondagens, o líder do PSD tem colocado, sempre, O PSD, com a liderança de Pedro Passos Coelho, está a dar os interesses do país acima de quaisquer interesses ou vontaum exemplo sem histórico, de como se deve comportar um des partidários. partido na oposição. Num verdadeiro sentido de estado, Pedro Passos Coelho, Em simultâneo, Pedro Passos Coelho está a preparar o seu preocupado com a imagem de Portugal junto dos seus finanpartido para quando chegar o momento em que os portugueciadores e acima de tudo preocupado com o estado econóses o chamarem a governar Portugal o faça de forma efectiva! mico-social em que o partido socialista e José Sócrates merGovernar Portugal exige muito conhecimento, exige pregulharam o nosso país, tudo tem feito para minimizar as paração, exige visão económica e social e exige estratégia e consequências da estratégia governativa seguida, na vida dos planificação. Pedro Passos Coelho já mostrou que o sabe e que portugueses. tem estes vectores bem claros na sua cabeça! Quando muitos estranharam, Pedro Passos Coelho, ajuPedro Passos Coelho quer o melhor para o seu país e para dou o governo socialista no PEC – programa de estabilidade e os seus concidadãos e quer ser um primeiro-ministro que deicrescimento, a rever o seu rumo na condução de Portugal. Para xe uma marca na história positiva de Portugal. Vai consegui-lo, quem não conhecia Pedro Passos Coelho este foi o seu primeipara bem de todos, porque está focado no essencial e trilhanro grande sinal de estadista. do o caminho certo. De novo, ao permitir a aprovação do orçamento de esta-

E porque não ficas... lhado. Uma caixa de robalos dá uma mega operação judicial, Toda a gente conhece a história do miúdo que, ao ver a mas a de uns biliões sem rasto vão a passo de caracol. Chegamãe pintar-se frente ao espelho lhe pergunta: mamã, porque se ao cúmulo de ver confissões públicas de quem foi cúmplipões tantas coisas dessas na cara? A mãe responde-lhe: é para ce, no mínimo por omissão (operações bancárias off shore), e ficar bonita. E o miúdo replica: e porque não ficas?... ninguém lhes pergunta nada, como em muitas outras coisas Recordo-a sempre que leio ou oiço, principalmente de ceridênticas. Mais grave ainda a condenação pública dos que, inotos “políticos”(?) que, pelo poder que têm ou exibem, alegam o centes ou não, sem apelo nem agravo, são alvo da voragem do seu estatuto para exigir, manter ou melhorar direitos e benespapel e da imagem na eterna e nunca descoberses no exercício “cabal” da sua missão/ocupação. ta violação do segredo de justiça. Quem mais terá Uso a interrogação no “políticos” pois são cada acesso a tais segredos? Será quem lhes serve o cavez mais os que, não tendo feito outra coisa ou tenfèzinho? Não há tempo para actuar por que ele do-o feito muito tempo, repudiam o epíteto. Tamgasta-se nas querelas inter-pares e nos “namoros” bém porque outros, querendo-o distinguir do “parcom o Governo, como diz um senhor Juiz Desemtidário” que nem sempre disfarçam, vêem refúgio bargador (CM 10/02 P.18). Li-o estarrecido numa seguro na negativa trincheira. prosa que justificava a “jubilação” de todos os maHá ainda “órgãos da e (não de) soberania”, pois gistrados em vez da reforma ou aposentadoria. o de refere-se em abstracto ao poder que é conferiTrata-se por isso, como diz o mesmo senhor a do aos que a exercem em Nosso nome ou ao Nosso Armando Miro propósito dos jubilados, de uma «posição emérita serviço. É em nós que, em absoluto, está a Sobera- Jornalista e de prestígio que se adquire quando se está em nia. Até a Constituição pré-democrática que estucondições de reforma, ou seja, ao fim de muitos anos ao serviço dei no Liceu dizia: «a Soberania reside em a Nação...», seja com da causa pública da Justiça e após anos e anos de descontos...». os que são eleitos por nós, e ainda com alguns que, não sendo Também por que, podendo o aposentado ter a actividade que eleitos nem escolhidos, tal lhes é cometido. quiser, dar aulas ou pareceres, o jubilado mantém as mesmas É que existe uma certa confusão entre comportamentos obrigações que tinha no activo. Daí advém que as pensões de e exigências que derivam de tais cargos, pois não se adquire jubilados «são automaticamente actualizadas e na mesma proautomaticamente, para além do título, o estatuto que a tal corporção...». Justifica ainda que, reforçando o facto do «magistraresponde e se pretende que seja. Ninguém fica lobo só por lhe do continuar vinculado ao estatuto de isenção e independênvestir a pele, e também é preciso ser e não só parecer ou afircia», seja lá o que tudo aquilo significa, tal benesse não influi nas mar-se ser. Há um anúncio interessante em que o “n.º1” e “special one” contas do Estado pois o despesismo «deriva, como sabemos, de outros factores, a que a corrupção não é alheia»...Eu não diria da bola diz que não é o que lhe atribuem, mas tão somente que melhor. Só que não foi a mim que os detentores da Soberania ninguém é melhor do que ele. Fica-lhe o mérito de deixar em incumbiram de zelar pelo regular funcionamento da Justiça. aberto o confronto e o aparecimento de alguém que o supere. Deixa hipóteses ao não excluir, logo à partida, o ter de nascer PS: “As revoltas da Ira” preocupam os políticos com a Econoduas vezes para o destronar, coisa que até hoje julgo nunca tal mia – petróleo/cereais – no atraso da retoma da Europa. A Coter acontecido (nascer duas vezes). municação Social amplia. Quase não se fala dos que morrem e Mas ao avaliar as coisas que poderiam ser melhores, das sofrem. Dos que não podem pagar a factura do que não pedimedidas às reformas, acabo sempre no mesmo dilema e conram. Dos que não têm culpa das finanças ruinosas e aldrabadas clusão: não há Justiça que nos valha. Salva-se aqui e ali o direito dos madoff´s globais. Dos que fizeram duas guerras que dividique, além de lhe espalhar escolhos e buracos, argumenta-a, reram a Europa/Mundo que ainda não encontrou uma solução volve-a e estica-a até não ter saída. e um equilíbrio. Eles, para já, têm fome de tudo o que a EuroO nosso “Procurador”, que está lá para ver o que se passa pa teve e ainda tem em abundância e esbanjou. Até quando?... à nossa volta, lamenta-se e desconfia que ele próprio é vascu[Alguns textos de opinião são escritos de acordo com a antiga ortografia]

opinião

PS renega regiões O Partido Socialista (PS) deixou de ter qualquer característica reformadora e derivou para uma actividade meramente tacticista e sem convicções. O anunciado recuo no processo da Regionalização, a “reforma das reformas”, na boca dos socialistas, que tem transitado de legislatura para legislatura e de programa de Governo para programa de Governo, é o último episódio desta evidência. Numa altura em que se discute a necessidade de alterar o mapa administrativo do País, e redefinir leis eleitorais ao nível autárquico e parlamentar, o processo da Regionalização seria o momento adequado para promover um novo mapa de organização territorial e administrativa do país, assente num novo paradigma de distribuição de competências e funções entre os diferentes níveis de administração, bem como de reestruturação funcional do sector público administrativo. O Partido Social Democrata (PSD), ao Marco António Costa contrário do Vice-Presidente do PSD e da PS, avança com C.M. Vila Nova de Gaia passos seguros, e sem demagogias, em direcção da Regionalização, propondo um modelo de uma região-piloto, de modo a que as vantagens e desvantagens de um processo desta natureza possam ser observadas com rigor e transparência por todos os portugueses. No âmbito da revisão constitucional, o PSD avança, ainda, com o fim dos preceitos vertidos na Lei fundamental que obrigam à dupla pergunta em referendo, à necessidade de uma maioria de votantes para a eficácia da consulta e ainda à obrigação de simultaneidade do processo de regionalização do país. O PSD propõe-se, assim, desarmadilhar o caminho constitucional para a regionalização politica e administrativa do país de uma forma séria e construtiva. É absolutamente lamentável que o engenheiro José Sócrates, conhecidas que são as propostas do PSD, venha agora tentar desculpar-se com o nosso partido para renegar propostas e princípios tantas vezes por si enunciados. O PS nem necessita do PSD para propor um referendo sobre a Regionalização. É hoje absolutamente perceptível na sociedade portuguesa que José Sócrates já só tem um objectivo político: a sobrevivência do Governo e a manutenção do Partido Socialista no poder. Raia a infantilidade política a forma como o Partido Socialista, e o Primeiro – Ministro, tentam desresponsabilizar-se do processo da regionalização, e da maneira como tentam justificar este recuo histórico numa das bandeiras mais emblemáticas do partido socialista nas últimas duas décadas. O secretário-geral do Partido Socialista com esta decisão acabou por liquidar politicamente os rostos pró-regionalistas do seu próprio partido. Este inexplicável recuo na Regionalização, por parte do secretário-geral do Partido Socialista, José Sócrates, mas também da maioria do seu partido, é apenas um episódio que confirma o fim de linha da política socialista em Portugal. É uma questão de tempo…


DIA 12 DE MARÇO

* Consumo combinado de 5,2 l/100 Kms; Emissões de Co2 135 gr. Ao PVP acrescem despesas administrativas e de transporte.

INAUGURAÇÃO KIA MCOUTINHO NO MARCO DE CANAVESES

Venha conhecer o novo KIA Sportage e a restante gama KIA na inauguração do novo Concessionário de Vendas e Após-venda KIA MCoutinho no Marco de Canaveses.

MCOUTINHO DOURO Av Futebol Clube do Porto, 411 - 4630-276 Marco de Canaveses Tel.: 255 539 018 - Fax: 255 539 015 E-mail: kia.marco@mcoutinho.pt - www.mcoutinho.pt


22 março'11 repórterdomarão I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I

crónica | eventos

Fumeiro e Cozido à Portuguesa em Baião Os primeiros dias de abril – no fim de semana de 1 a 3 – vão ficar assinalados, gastronomicamente falando, pela realização de mais uma feira do fumeiro de Baião, evento que atrai àquela vila do interior duriense milhares de pessoas. Na feira participam ainda diversos restaurantes, que confecionam iguarias relacionadas com produtos fumados, de que é exemplo o cozido à portuguesa. O pavilhão de apoio ao evento será instalado, a exemplo dos anos anteriores, no recinto da feira do Tijelinho. Além das várias especialidades de fumeiro, serão comercializados na feira o vinho verde (com a presença de alguns produtores-engarrafadores), os citrinos da Pala, o biscoito da Teixeira e a broa de milho.

A.M.PIRES CABRAL

A SOLIDÃO Milton diz algures que por vezes a solidão é a melhor companhia. Solitude sometimes is best society. Sim, admito que possa ser — às vezes. Há momentos em que nada se compara à tranquilidade de estarmos só, sem ter de fingir nem partilhar nada, entregues a nós próprios, longe de bulícios e companhias enfadonhas, a cismar na morte da bezerra ou em altas congeminações pseudo-filosóficas. Eu próprio gosto disso, às vezes, e isolo-me para gozar em pleno alguns momentos de solidão, que a própria música estorva — mesmo a ‘minha’ música, aquela a que revenho uma vez e outra. Solidão e silêncio podem, de facto, ser uma bênção e ter os seus efeitos terapêuticos, nestes tempos de balbúrdia em que somos obrigados a compartilhar momentos de vida com quem queremos e com quem não queremos. Mas, que diabo, há solidão e solidão. Essa solidão que Milton também apreciava (às vezes) não tem nada a ver com a solidão cruel dos que, sem o desejar, vivem sós, sem ninguém que lhes chegue um copo de água. Essa outra solidão, a imposta — não a procurada —, é provavelmente uma das maiores provações que o homem, bicho gregário por natureza, pode sofrer, a par da doença e da miséria extrema, por exemplo. Tanto assim é que o povo, esse grande mestre que é o povo, formulou um eloquente provérbio sobre a solidão: ‘Só se veja quem só se deseja.’ Ouvi este provérbio algumas vezes. Mais do que um provérbio é como que o enunciar de uma maldição. Na sua clareza lapidar e pedagógica, como a de todos os provérbios, avisa de que não devemos procurar a solidão, antes a companhia, sob pena de nos vermos sós quando o não desejarmos. E neste ‘vermo-nos sós’ vai toda uma circunstância de vida penosa, fechada sobre si mesma, uma verdadeira antecâmara da tremenda solidão final. Estas considerações amargas vêm a propósito de uma série de notícias, que parecem tiradas a papel químico, que ultimamente tem aparecido nos

noticiários e dão conta de que determinado idoso, em determinada povoação, foi encontrado morto no meio da mais desolada solidão. E — pormenor que mais arrepia — essas pessoas estavam mortas já há algum tempo: dias, semanas, meses e até, num dos casos, nove anos! Vejamos mais de perto este caso dos nove anos — que foi de resto o primeiro desta macabra série que todos os dias se acrescenta. Nove anos é obra. Não parece ter passado pela cabeça nem de vizinhos nem de parentes que uma octogenária que não é vista há nove anos não deve estar propriamente a banhos em Bora Bora. Parece que alguns dos parentes ainda fizeram algumas diligências e terão mesmo sugerido à GNR o arrombamento da porta. Mas, com a recusa da GNR (foi o que li; não ponho as mãos no fogo por isto), aparentemente os parentes lavaram daí as mãos como Pilatos e deram-se por quites com a sua consciência. Nove anos de mãos lavadas e consciência apaziguada! Aqui há tempos andou por aí um filme (excelente, segundo me disseram) chamado Este país não é para velhos. Claro que o país em causa não era Portugal. Mas que Portugal também não é um país para velhos, isso não é. Casos como estes estãono proclamando a altos berros. Os idosos, ou bem que são arrumados em lares (do mal o menos) ou então estão condenados a viver nas suas próprias casas em solidão. Que lhes resta pois senão morrer? E quanto antes melhor. Mas ao menos que tivessem alguém à cabeceira — um filho, um parente, um vizinho, um amigo — a recolherlhes o último suspiro. Não, decididamente, esta solidão não é decerto a melhor companhia.

Nota: Este texto foi escrito com deliberada inobservância do Acordo (?) Ortográfico. pirescabral@oniduo.pt

Chaves exibe Balbina Mendes

Escultura Cerâmica em Amarante

A Biblioteca Municipal de Chaves exibe a exposição “MÁSCARAS RITUAIS DO DOURO E TRÁS-OS-MONTES”de Balbina Mendes. Balbina Mendes, pintora natural de Miranda do Douro, passou para a tela "esse mundo conhecido e desconhecido, provocador, garrido e mordaz". Organizada pela Associação Chaves Viva e Município de Chaves, a exposição pode ser vista até 23 de março.

A Exposição “Escultura Cerâmica Hoje: 5 autores Portugueses” pode ainda ser vista em Amarante até 20 de março na sala de Exposições Temporárias do Museu. A organização conjunta da Exposição entre o Grupo dos Amigos do Museu e o Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso conta com a Curadoria da também ceramista Karin Somers. O próximo evento no museu amarantino será a mostra da obra de Ana Fernandes, de Escultura/Design, que o público poderá apreciar entre 26 de março e 08 de maio.

Fantasporto até 6 de março A 31ª edição do Fantasporto - Festival Internacional de Cinema do Porto - decorre até 06 de março no Teatro Municipal Rivoli. A edição 2011 exibe “mais de 300 filmes vindos de 25 países”, num festival que se assume de “resistência contra ventos e marés”, nas palavras de Beatriz Pacheco Pereira, diretora do Fantasporto.

Prémio Carmen Miranda no Marco Com o objetivo de promover a dinamização cultural do Concelho, a Câmara Municipal do Marco de Canaveses promove o «Prémio Carmen Miranda 2011». A exposição dos trabalhos selecionados decorrerá de 10 de julho a 5 de agosto. No valor de € 2.500, o concurso aceita todas as expressões artísticas e está aberto à participação de artistas nacionais e estrangeiros. Os temas da terceira edição são o “Ano Internacional da Juventude”e o “Ano Internacional das Florestas”. As obras a concurso, de acordo com o respetivo Regulamento, deverão ser entregues de 13 a 17 de junho, no horário normal de funcionamento: das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, por conta dos concorrentes, no seguinte local: Museu Municipal Carmen Miranda-Alameda Dr. Miranda da Rocha 4630 – 200 Marco de Canaveses - Telefone: 255 538 800 – Extensão 305; Fax: 255 538 899; museucarmenmiranda@cm-marco-canaveses.pt.

Camélias em Lousada

O II Festival de Camélias vai decorrer a 5 e 6 de março em Lousada, promovido pela autarquia com a colaboração da Quinta da Tapada. Durante dois dias, o evento vai juntar especialistas na área das camélias, nomeadamente produtores e pessoas que apreciam jardins.

Teatros Municipais Teatro Municipal de Bragança

- "1974", peça teatral que reflete a identidade portuguesa e cruza períodos da História de Portugal, no Auditório, dia 12 pelas 21:30; 7 euros - Rodrigo Leão, compositor português com um novo registo musical, dia 19, no Auditório às 21:30; 15 euros - Recital de Poesia, poemas com a minha idade, com Maria João Vicente, dia 21 na Biblioteca Municipal às 21:00; Entrada gratuita - "Babel no Horizonte" conta a história de um viajante que procura a terra prometida, dia 24 às 10:30 e 15:00 na Caixa de Palco; 2 euros

Teatro Ribeiro Conceição – Lamego

- Fadista Pedro Moutinho com "Lisboa Mora Aqui", dia 12 às 21:30, no Auditório; preço: 7,50 a 36 euros - Filme "A Rede Social", drama que mostra como as redes sociais vieram revolucionar a forma de comunicar, dia 18 às 21:30; preço: 2 a 3 euros - Dia Mundial do Teatro, o TAL - Teatro Artístico de Lamego, apresenta "Mandarim Fi-Xú", no Auditório dia 26 pelas 21:30; 3,50 euros

Teatro de Vila Real

- Noite de Carnaval com Latin Cuba, no Café-Concerto, dia 7 pelas 23:00; Entrada gratuita - Cantora Rita Redshoes regressa com o segundo disco "Lights & Darks", no Grande Auditório a 12 de março pelas 22:00; 12 euros - Fadista Lula Pena; Pequeno Auditório dia 19 às 22:00; 7 euros - "Eu Hei-de Crescer e, Depois, Tu Vais Ver" é uma peça teatral, abertura do Vinte e Sete - Pequeno Auditório dia 27 pelas 16:00; 5 euros.


24 março'11 repórterdomarão I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I CARTÓRIO NOTARIAL

( Lic. ANA LUÍSA DA COSTA RODRIGUES FERREIRA) (Praça das Pocinhas, 51, r/c, Lousada) JUSTIFICAÇÃO Certifico, narrativamente, para fins de publicação que por escritura lavrada em dez de Fevereiro de dois mil e onze, no livro de notas para escrituras diversas deste Cartório Notarial número Dezoito - A, de folhas 126 a folhas 129 vº, que: a)- MARIA MANUELA DE ARROCHELA MONTEIRO CAMISÃO, que também usa e é conhecida por Maria Manuela de Arrochela Camisão, divorciada de Eduardo Jorge de Seabra Lage, com quem foi casada no regime da comunhão de adquiridos, NIF 170.121.666, (Cartão de Cidadão nº 01900579, emitido pela República Portuguesa, com validade até 1506-2015), natural da freguesia de Vitória, concelho do Porto, residente na Rua Henrique Lopes Mendonça nº 267, habitação 33, freguesia de Foz do Douro, concelho do Porto. b)- MARIA ESTRELA DE ARROCHELA MONTEIRO CAMIZÃO, NIF 144.029.758, (BI nº 3982927 de 20-05-2008 do SIC do Porto), natural da freguesia de Bonfim, concelho do Porto e marido, MANUEL NUNES DA COSTA CAMIZÃO, NIF 144.029.740, (B.I. nº 3497909, emitido em 13-04-2006, pelo SIC do Porto), natural da freguesia de Paranhos, concelho do Porto, casados, sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes na Rua Dr. Eduardo Santos Silva nº 591, freguesia de Paranhos, concelho do Porto (4200-284) declararam que: Que a primeira outorgante identificada na alínea a) é dona e legítima possuidora da raiz ou nua propriedade e aos primeiros outorgantes identificados na alínea b) pertence o direito de usufruto vitalício, com exclusão de outrem, dos seguintes prédios: UM - RÚSTICO - A cultura e ramada, denominado “quintal da casa”, sito no lugar de Gateira, freguesia de Travanca, concelho de Amarante, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 436,(proveniente de parte do artigo rústico 686 da anterior matriz), descrito na Conservatória do Registo Predial de Amarante sob o número mil quatrocentos e trinta e nove/ Travanca, onde se mostra registada a aquisição em favor de Carlos Américo Monteiro, casado, pela inscrição apresentação três de vinte e nove de Março de mil novecentos e dezanove. DOIS - RÚSTICO - terra de mato, circuitada por paredes, denominado “Tapada da Gateira”, sito no lugar de Gateira, freguesia de Travanca, concelho de Amarante, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 724 (proveniente do artigo rústico 331 da anterior matriz), descrito na Conservatória do Registo Predial de Amarante sob o número mil quatrocentos e trinta e seis / Travanca (com a descrição em livro catorze mil seiscentos e sessenta e quatro, do livro número quarenta e um), onde se mostra registada a aquisição em favor de Carlos Américo Monteiro, casado, pela inscrição apresentação dois de um de Agosto de mil novecentos e vinte e oito. Que a primeira outorgante identificada na alínea a) adquiriu a raiz ou nua propriedade dos referidos prédios por contrato de doação autenticado pela Solicitadora Maria José Vieira, portadora da cédula profissional 3352, com escritório na Rua de Santo António, Edifício Nova Rede, 449, 2ª entrada, 1º, na vila de Lousada, que celebrou com os primeiros outorgantes identificados na alínea b), outorgado no dia dezanove de Abril de dois mil e dez. Que, por este título, os primeiros outorgantes identificados na alínea b) reservaram até à morte do último, o direito de usufruto dos referidos prédios. Que os primeiros outorgantes identificados na alínea b) haviam adquirido a raiz ou nua propriedade dos referidos prédios por contrato de doação outorgado no dia dezanove de Abril de dois mil e dez, autenticado pela Solicitadora Maria José Vieira, portadora da cédula profissional 3352, com escritório na Rua de Santo António, Edifício Nova Rede, 449, 2ª entrada, 1º, na vila de Lousada, que celebraram com Maria Estrela de Arrochela Monteiro Camisão Pais da Rocha e marido Lino Pais da Rocha e Maria Manuela de Arrochela Monteiro Camisão ( ora primeira outorgante identificada na alínea a) e Eduardo Jorge de Seabra Lage. Que os referidos doadores, Maria Estrela de Arrochela Monteiro Camisão Pais da Rocha e marido Lino Pais da Rocha e Maria Manuela de Arrochela Monteiro Camisão e Eduardo Jorge de Seabra Lage, haviam adquirido em comum e partes iguais a raiz ou nua propriedade dos referidos prédios por escritura pública de compra e venda, outorgada no extinto quinto Cartório Notarial do Porto, no dia oito de Fevereiro de mil novecentos e setenta e cinco, iniciada a folhas setenta e uma verso, do respectivo livro mil trezentos e sessenta-C, que celebraram com Maria Laura de Arrochela Monteiro, viúva, residente que foi na Rua do Rio nº 591, na cidade do Porto. Os primeiros outorgantes identificados na alínea b) haviam adquirido o direito de usufruto vitalício dos referidos prédios pela mesma escritura pública de compra e venda, outorgada no extinto quinto Cartório Notarial do Porto, no dia oito de Fevereiro de mil novecentos e setenta e cinco, iniciada a folhas setenta e uma verso, do respectivo livro mil trezentos e sessenta-C, que celebraram com Maria Laura de Arrochela Monteiro, viúva, residente que foi na Rua do Rio nº 591, na cidade do Porto. Que, por óbito do titular inscrito Carlos Américo Monteiro casado com Maria Laura de Arrochela Monteiro, no regime da comunhão geral, foi outorgada no ano de mil novecentos e setenta e três, escritura pública de partilha dos prédios em causa, tendo os mesmos sido adjudicados a Maria Laura de Arrochela Monteiro, viúva, residente na Rua do Rio nº 591, na cidade do Porto, mas ignoram onde se encontra a partilha de herança, título que serviu de transmissão. Que apesar das buscas efectuadas, eles primeiros outorgantes, não conseguiram encontrar a escritura, ignorando, igualmente, qual o Cartório onde a mesma foi realizada, não tendo, como tal possibilidade de obter o respectivo título para fins de registo Predial. Que não obstante as buscas efectuadas junto dos cartórios portugueses não lograram obter a referida escritura em nenhum deles, já que a referida escritura não constava das fichas de arquivo respectivo, possivelmente por lapso na menção da dita escritura nas fichas ou por extravio da ficha em causa. Que assim a primeira outorgante identificada na alínea a) justifica o direito de propriedade da raiz e os primeiros outorgantes identificados na alínea b) justificam do direito de usufruto vitalício dos referidos prédios. Que os referidos imóveis rústicos provieram das últimas avaliações fiscais concelhias, sendo assim uma alteração superveniente às suas descrições. Está conforme o original, declarando-se, que na parte omitida nada há que amplie, restrinja, modifique ou condicione a parte extractada. Cartório Notarial da Lic. Ana Luísa da Costa Rodrigues Ferreira, sito à Praça das Pocinhas, 51, r/c, Lousada, 10 de Fevereiro de 2011. A Notária (Ana Luísa da Costa Rodrigues Ferreira) Reporter do Marão, N.1249 - 03/2011

Jorge Manuel Costa Pinheiro

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empresas & negócios

Mazda5 no mercado O novo Mazda5, já disponível nos concessionários da marca, não se assemelha a qualquer outro. É já um enorme êxito entre os consumidores europeus, especialmente entre aqueles com estilos de vida ativos. A elegante forma em curva à volta daquele interior espaçoso, versátil e aconchegante não é um mero exercício de design. O Mazda5 perfura o ar com resistência mínima, consumindo menos combustível para tirar o ar do caminho e manter o ruído do vento quase inaudível para quem vai no interior. Quando esta eficiência aerodinâmica é combinada com os nossos motores de última geração (um diesel de 1,6 litros e common-rail), o resultado são emissões de CO2 de apenas 138 g/km. O novo Mazda está repleto de soluções de equipamento que tornam as viagens simultaneamente divertidas e agradáveis. De série inclui ar condicionado automático, banco do condutor com ajuste em altura, vidros elétricos à frente e atrás e

sistema de fecho das portas. Igualmente disponíveis estão outras soluções, como os sensores de estacionamento traseiros, os bancos aquecidos (na versão com estofos em pele), um melhorado controlo do sistema de direção e faróis com lâmpadas de Xénon (disponível nas versões com Portas Elétricas), entre outras. Inspiradas na tradicional porta deslizante japonesa, as portas deslizantes elétricas ou manuais requerem apenas um ligeiro movimento para funcionarem e são confortáveis para a sua mão. Os bancos Karakuri do Mazda5 operam-se com um mínimo de esforço, dado que se movem utilizando o próprio peso. Os bancos da segunda fila podem ser totalmente reconfigurados para qualquer disposição. O novo Mazda5 não se assemelha a qualquer outro. O novo design do pilar D e os faróis traseiros horizontais fazem com que pareça mais um modelo de 5 portas desportivo do que um prático carro familiar de 7 lugares. [Info. da marca]

MCoutinho Porto "Melhor Concessionário Mazda" Os 3 prémios de «Melhor Concessionário Mazda 2010» são a materialização na aposta que o Grupo MCoutinho tem efetuado no desenvolvimento do negócio da Marca. Em 2010, a MCoutinho Porto promoveu o reforço desta parceria, em pleno ciclo comemorativo dos 90 anos da Mazda, num historial também ele muito significativo – mais de 25 anos de Concessão – uma vez que a Parauto, atual MCoutinho Porto, foi nomeada Concessão Mazda em 1985, posicionandose entre os 3 concessionários mais antigos da Marca no nosso país. A implementação do novo ponto de venda e da nova oficina Mazda em Paredes representaram uma aposta estratégica, que se tornou decisiva para assegurar um serviço ao Cliente de qualidade. Em termos de rede de distribuição da Marca este facto representou um claro reforço ao território contratual, numa área geográfica em que o Grupo MCoutinho assume uma experienAF_CGD_INST_CJORN_A4.ai

Ford C-Max é o Carro do Ano de 2011 O monovolume Ford C-Max é o Carro do Ano de 2011, distinção dada pelo Troféu Essilor Volante de Cristal.

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O prémio Carro do Ano/Troféu Essilor Volante de Cristal 2011, que visa distinguir o automóvel que melhor se adequa à realidade do mercado nacional, é atribuído por um conjunto de 18 jurados em representação de vários órgãos de comunicação social. O Ford C-Max destrona assim o Volkswagen Polo, vencedor do ano passado. O evento Carro do Ano é organizado pelas revistas AutoSport e Volante e contam na comissão organizadora com a presença do Automóvel Clube de Portugal (ACP) e da Associação Automóvel de Portugal (ACAP). O galardão Volante Verde foi ganho pelo Nissan Leaf, o automóvel completamente elétrico e vencedor do carro do ano a nível internacional.

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cia significativa no mercado, uma vez que opera com 11 Marcas e que conta com a preferência de mais de 25.000 Clientes. A obtenção destes prémios representa uma vitória da ambição da equipa MCoutinho em 2010 e corresponde a um enorme estímulo para o exigente ano de 2011. [Info. da marca]

11/02/11

17:27


diversos | crónica

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repórterdomarão

Petição na internet já tem mais de duas mil assinaturas

Marco de Canaveses exige obra de remodelação da linha do Douro A questão da falta de investimento em infraestruturas de transporte no concelho é o tema central de duas petições públicas à Assembleia da República que circulam no Marco de Canaveses e que já contam com mais de duas mil assinaturas. A eletrificação da linha do Douro entre Caíde e Marco de Canaveses, bem como a remodelação de várias das suas estações, são projetos há muito defendidos pela população local. Foram suspensos pela Refer em 2010, devido a restrições orçamentais. A petição pede também a remodelação da linha do Tâmega, encerrada em 2009 por razões de segurança e cujo projeto de remodelação ficou por concluir em 2010.

ceram ao longo da via-férrea. Este não é um grande investimento mas é estruturante para o desenvolvimento desta região, em particular neste momento de crise económica", explicou o autarca.

Linha do Douro

IC35

Os planos de remodelação para o troço da linha do Douro, que incluíam a eletrificação da via e obras nas estações da Livração, de Vila Meã e do Marco, foram adiados sucessivamente ao longo dos anos. Em 2010, o projeto regressou à gaveta por tempo indefinido, quando já se encontrava na fase final de análise de propostas e a adjudicação das obras era dada como garantida para o verão daquele ano. “Fomos surpreendidos e ficamos revoltados com essa decisão”, explicou o edil Manuel Moreira, que justificou a presente petição como uma recomendação ao governo central para que as obras avancem. Em declarações à margem da Bolsa do Turismo de Lisboa, o autarca salientou que os projetos são essenciais para o desenvolvimento duma região onde existe o potencial para a exploração do turismo ao longo das vias férreas. “O Marco de Canaveses e outros dos municípios do Baixo Tâmega e do Vale do Sousa cres-

A concessão do Vouga é outro projeto que está na gaveta há cerca de dez anos e que teima em não sair do papel. Uma petição, lançada pela CM de Penafiel, pede que se inicie a construção do troço do IC35 entre Penafiel e Entre-os-Rios como uma alternativa à atual EN106, uma estrada sinuosa onde se têm registado centenas de acidentes nos últimos anos, alguns com vítimas mortais. O traçado da futura via passa próximo do baixo concelho do Marco de Canaveses e é vista como importante para a indústria de extração de pedra, que se concentra naquela zona do Município. Uma vez construído, o IC35 permitiria o acesso mais rápido à autoestrada A4 e ao Porto de Leixões, trajeto que atualmente demora duas horas ao longo das sinuosas EN106 e EN108. Ambas as petições encontram-se online no site da Câmara Municipal (http://www.cm-marco-canaveses.pt/) e em versões de papel nos Paços do Concelho e juntas de freguesia.

EM BREVES LINHAS | Ponte de Entre-os-Rios colapsou há 10 anos | Dez anos após o colapso da Ponte de Entre-osRios – a maior tragédia rodoviária nacional –, o homem que viu ruir a ponte, quase engrossou o número das vítimas e acabou a coordenar o trabalho dos bombeiros no local, recorda que foi uma quase vítima do acidente. Esta-

de há dez anos, impedindo a incriminação dos decisores políticos. “Na minha opinião, a Justiça só foi até onde a deixaram ir”, disse Horácio Moreira, que até há oito meses liderou a Associação de Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios . Contudo, considera hoje que, face à prova que lhe foi apresentada, o tribunal de Castelo de Paiva agiu bem ao absolver os seis técnicos arguidos.

| Caso Rui Pedro regressa 13 anos depois | va a entrar na ponte, ao volante do seu jipe, quando a estrutura ruiu. O colapso da Ponte Hintze Ribeiro, ocorrido em 04 de março de 2001, arrastou para o Douro um autocarro e três automóveis, matando 59 pessoas. Salazar Gallhardo, na altura inspetor de bombeiros de Aveiro, estava sobre o primeiro tramo da ponte, do lado de Castelo de Paiva, com dois ou três carros à frente. O autocarro, onde viajava a maioria das vítimas, vinha do lado contrário. “De repente, ouviu um grande estrondo. Pensei que o autocarro se tinha despistado, caindo ao rio. Nunca me passou pela cabeça que a ponte estivesse a ruir”, recorda. Entretanto, o ex-líder da associação de familiares das vítimas de Entre-os-Rios, Horácio Moreira, considerou que o poder “manipulou” o processo judicial relacionado com a tragédia

O principal suspeito do desaparecimento de Rui Pedro, há 13 anos, foi acusado do crime de rapto, mas esta acusação não permite saber o que aconteceu ao jovem nem se este está vivo ou morto, segundo o advogado da família. A acusação do Ministério Público foi deduzida a 11 de fevereiro, mas só no final desse mês o acusado foi notificado.

De acordo com o advogado, para esta acusação contribuiu o trabalho de uma nova equipa da Polícia Judiciária (PJ) do Porto que “conseguiu reconstruir o que se passou nas 24 horas consequentes ao desaparecimento”. Foi visto pela última vez a 04 de março de 1998, em Lousada, quando tinha 11 anos.

| Amarante trava pombos | A Câmara de Amarante iniciou uma campanha de esterilização dos pombos no centro histórico, procurando reduzir o seu número e evitar a degradação dos monumentos. Estima-se que a colónia que vive na zona do mosteiro tenha cerca de 200 aves. Os dejetos dos pombos provocam a degradação da fachada do Mosteiro de S. Gonçalo, monumento nacional.

| Deputados em Amarante |

Alguns deputados do PS/Porto visitaram em Amarante uma fábrica de urnas funerárias, que fez um grande investimento para apostar na exportação. “O distrito do Porto tem um tecido empresarial capaz de alavancar a recuperação económica do país”, salientou um dos deputados. “A Joriscastro é um bom exemplo. É uma empresa dinâmica que aposta nas exportações”, frisou o deputado Fernando Jesus, elogiando o investimento de 6,5 milhões de euros realizado pela empresa na sua modernização. A unidade industrial espera quadruplicar a sua produção e exportar cerca de 30 por cento da produção anual de urnas funerárias.

António Mota

Susana e Mário Sim. Estou farta de te ligar. Porque é que demoras a atender? Não, não te estou sempre a ligar para falar do tempo e para te dizer coisas parvas. Mário, escuta que isto é muito importante. Mário, tenho uma notícia para te dar. A tua tia Zulmira bateu a bota. Sim, telefonaram do lar. E telefonaram para mim, que nada tenho a ver com isso. Escuta, Mário, telefonaram para mim. E eu perguntei, mas como é que descobriram o meu número de telemóvel? E sabes o que me responderam, sabes? Que era o único número que tinham lá na ficha da senhora. Isto admite-se, Mário? Mas como é possível estar o meu número na ficha da velha? Eu gosto muito de ter privacidade, por isso é que já mudei de número de telefone três vezes. Três vezes, Mário. Eu não gosto de ser incomodada, não quero conversa com certas pessoas que me fazem azia, entendes, Mário. Queres um exemplo? Não suporto a pequenez, a imbecilidade, a hipocrisia das tuas irmãs. Às vezes até mete dó ver tanta burrice encalhada naquelas duas cabecinhas. Se não vivesses comigo, também eras assim. E as tuas irmãs arranjaram uns palermas iguais a elas. E procriaram umas criaturinhas desenxabidas, que não me compreendem, nem me respeitam. E não admira que assim aconteça: fazem o que vêem fazer, e dizem o que escutam dizer, lá na casa deles. Coitadinhos, até mete dó ver tanta indigência . É por isso que este país não avança. Infelizmente a estupidez cresce e reproduz-se em todo o lado. Não desligues, Mário. Não me provoques, bem sabes do que eu sou capaz. Mário, escuta, a tua tia Zulmira, bateu a bota. E só lá tinham o meu telefone. Como é possível? Foram dar com ela estirada na cama. Morreu bem, não

chateou os vizinhos das camas do lado. Coitadinha, eu até tinha um certo carinho por ela. Era muito calada e nunca me disse uma palavra com segundas intenções. Era uma mulher inteligente, por isso não se quis casar. E não digo isto por ela ter morrido. Sabes como eu sou. Comigo é pão, pão, queijo, queijo. É por isso que tenho problemas no trabalho. Nunca pactuei com falinhas mansas, e muito menos com falsidades. E depois lixo-me, sou sempre a mais mal classificada, e agora, com as novas regras, não me vejo a progredir na carreira. Estou na função pública e só não vou embora porque não posso. Estou farta, cansada com tantas modernices, tanta injúria, e ainda faltam tantos anos para me reformar. O meu sonho sempre foi o mesmo: ter uma loja de roupa de criança. Eu, que gostava tanto de ter crianças, logo tive o azar de arranjar um marido estéril. Que tristeza, Mário, que tristeza nunca poder sentir uma criança a crescer dentro de mim. O que me vale são os comprimidos para ter paz interior. Escuta, Mário, escuta, estava a tentar dizer-te que não admito que dês o número do meu telemóvel a ninguém. A ninguém. Ah, e outra coisa. Como é que é? Tenho mesmo de ir ao funeral da velhota? É amanhã às cinco da tarde. Não percebo. Porque não marcaram para as nove da manhã? Assim, ficávamos despachados mais cedo. Que gente burra. Outra coisa, Mário. Eu engordei e não tenho roupa preta que se apresente. E não quero que aquelas tristes figuras me gozem. Tens de vir comigo às compras. Vamos ao shoping, e jantamos lá. Está combinado. Não te atrases. Até logo.

anttoniomotta@gmail.com


26 março'11

repórterdomarão I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I I artes "Palavras com Liberdade" entre 14 e 21 de março

Jornadas Literárias em Fafe Sob o lema “Palavras com Liberdade”, vão decorrer entre 14 e 21 de março as II Jornadas Literárias de Fafe, envolvendo associações culturais e estabelecimentos de ensino. A organização engloba diversas entidades, nomeadamente a autarquia, os cinco agrupamentos escolares, Escola Secundária, Escola Profissional, Colégio de Fornelos, Núcleo de Artes e Letras de Fafe, Cineclube e Labirinto. Segundo a organização, merecem destaque três espetáculos envolvendo toda a 2ªs os Jornadas de Fafe comunidade escolar; dias das escolas Literárias participantes; o lançamento de três obras literárias; espetáculos de teatro e cinema; a presença de Moita Flores (que estará na bibliotecom Liberdade” ca municipal no dia 16“Palavras à noite) e a inauguração de jardim da poesia na Escola Secundária, no Dia Mundial da Poesia (21 de março). A obra do falecido Nobel da Literatura, José Saramago, será analisada a15 de março, 14-21 Março 2011 dia em que também será exibido o documentário "José e Pilar".

Cartoons de Santiagu [Pseudónimo de António Santos]

«COMUNICAÇÃO e TECNOLOGIAS» 2011

PROGRAMA Dia/hora Actividades 14 10h00 Abertura oficial das Jornadas 10h30 Arautos das Jornadas (arruada pela cidade)

15h00 Dia da Escola Secundária de Fafe (sobre José Saramago) Dia do Colégio ACR Fornelos (sobre Pompeu Martins) 21h30 Pavilhão Multiusos – Espectáculo de abertura – “Palavras com Liberdade” (As palavras associadas à música, à literatura, à dança, à encenação, pelas escolas e agrupamentos do concelho)

15 10h00 Teatro Cinema – Teatro em língua inglesa: “Murder at the Manor” – pela Avalon Theatre Company 14h30 Dia do Agrupamento de Escolas de Arões (sobre Rosa Lobato de Faria) 15h00 Sala Manoel de Oliveira – Palestra: “Saramago e a sua obra” – Professora Cidália Fernandes 21h30 Sala Manoel de Oliveira – Exibição do documentário “José e Pilar”

16 10h30 Teatro Cinema – Auto da Barca do Inferno – pela Filandorra Teatro do Nordeste 14h30 Dia do Agrupamento Prof. Carlos Teixeira (sobre Fernando Pessoa) 15h00 Teatro Cinema – Auto da Barca do Inferno – pela Filandorra Teatro do Nordeste 21h30 Biblioteca Municipal – À conversa com o escritor Moita Flores

17 10h15/ Sala Manoel de Oliveira – O Sonho na Mensagem e em Os Lusíadas 12h00 – Professor António Teixeira Dia do Agrupamento de Escolas Montelongo (sobre Sophia de 15h00 Mello Breyner Andresen) Ao

Teatro-Cinema – “Os Contos de Sophia” (dramatização) Dia do Agrupamento de Escolas de Silvares (sobre Alice Vieira)

longo do dia 21h30 Biblioteca Municipal – Apresentação de livro de poesia de Almeida Mattos, A Ilusão do Breve

18 10h00 Teatro-Cinema – “Deixem o sexo em paz” – Companhia de Maria Paulos 10h30 PeddyPaper Cultural Dia da Escola Profissional de Fafe (Luís de Camões) 15h00 Dia do Agrupamento de Escolas Padre Joaquim Flores (Padre Joaquim Flores)

Esta edição foi globalmente escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico. Porém, alguns textos, sobretudo de colaboradores, utilizam ainda a grafia anterior.

Fundado em 1984 | Jornal/Revista Mensal Registo ERC 109 918 | Dep. Legal: 26663/89 Redação: Rua Dr. Francisco Sá Carneiro | Rua Manuel Pereira Soares, 81 - 2º, Sala 23 | Apartado 200 | 4630-296 MARCO DE CANAVESES Telef. 910 536 928 E-mail: tamegapress@gmail.com Diretor: Jorge Sousa (C.P. 1689) Redação e colaboradores: Liliana Leandro (C.P. 8592), Paula Lima (C.P. 6019), Carlos Alexandre Teixeira (C.P. 2950), Patrícia Posse (T.P. 993>C.P.), Helena Fidalgo (C.P. 3563) Alexandre Panda (C.P. 8276), António Orlando (C.P. 3057), Jorge Sousa, Alcino Oliveira (C.P. 4286), Helena Carvalho, A. Massa Constâncio (C.P. 3919), Ana Leite (T.P.1341), Armindo Mendes (C.P. 3041), Paulo Alexandre Teixeira (T.P. 1377), Iolanda Vilar (C.P. 5555), Manuel Teles (Fotojornalista), Mónica Ferreira (C.P. 8839). Cronistas: A.M. Pires Cabral, António Mota Cartoon/Caricatura: António Santos (Santiagu) Colunistas: Alberto Santos, José Luís Carneiro, José Carlos Pereira, Nicolau Ribeiro, Paula Alves, Beja Santos, Alice Costa, Pedro Barros, Antonino de Sousa, José Luís Gaspar, Armindo Abreu, Coutinho Ribeiro, Luís Magalhães, José Pinho Silva, Mário Magalhães, Fernando Beça Moreira, Cristiano Ribeiro, Hernâni Pinto, Carlos Sousa Pinto, Helder Ferreira, Rui Coutinho, João Monteiro Lima, Pedro Oliveira Pinto, Mª José Castelo Branco, Lúcia Coutinho, Marco António Costa, Armando Miro, F. Matos Rodrigues, Adriano Santos, Luís Ramos, Ercília

Costa, Virgílio Macedo, José Carlos Póvoas, Sílvio Macedo. Colaborações/Outsourcing/Agências: Agência Lusa (Texto e fotografia), Media Marco, Baião Repórter/Marão Online Marketing, RP e Publicidade: Telef. 910 536 928 - Marta Sousa publicidade.tamegapress@gmail.com martasousa.tamegapress@gmail.com Propriedade e Edição: Tâmegapress-Comunicação e Multimédia, Lda. NIPC: 508920450 Sede: Rua Dr. Francisco Sá Carneiro, 230 Apartado 4 - 4630-279 MARCO DE CANAVESES Cap. Social: 80.000 Euros – Partes sociais superiores a 10% do capital: António Martinho Barbosa Gomes Coutinho, Jorge Manuel Soares de Sousa. Impressão: Multiponto SA - Baltar, Paredes Tiragem: 32.000 exemplares distribuídos (Auditados) | Associado da APCT - Ass. Portuguesa de Controlo de Tiragem e Circulação | Nº 486 Assinaturas | Anual: Embalamento e pagamento dos portes CTT – Continente: 40,00 | Europa: 70,00 | Resto do Mundo: 100,00 (IVA incluído) A opinião expressa nos artigos assinados pode não corresponder necessariamente à da Direção deste jornal.

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Eduardo Pinto 1933-2009 Crianças Tristes - Serra do Marão - Anos 60

1933-2009



Repórter do Marão