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repórterdomarão do Tâmega e Sousa ao Nordeste

Nº 1229 | Quinzenário | Ass. Nac. 40€ | Ano 25 | Director: Jorge Sousa | Director-Adjunto: Alexandre Panda | Subdirector: António Orlando | Edição:Tâmegapress | Redacção: Marco de Canaveses | 910 536 928

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VILA REAL

Doulas chegaram para ajudar na gravidez e parto AUTO-ESTRADAS SCUT

Autarcas do Sousa juntam-se ao Porto contra as portagens TÂMEGA E SOUSA

Sete juntas de freguesia ainda não tomaram posse DESPORTO E LAZER

Oferta de campos de golfe triplicou em duas décadas

Orquestra do Norte toca para 50 mil pessoas/ano Maestro Ferreira Lobo faz balanço da instituição que criou há 17 anos A Orquestra do Norte já realizou mais de dois mil concertos desde a sua criação e conta com uma assistência média anual de 50 mil espectadores. O maestro, piloto de aviões monomotores nos tempos livres, em Chaves, considera mesmo que a ON “é uma das instituições portuguesas mais produtivas”. A orquestra, hoje sediada em Amarante, reúne o apoio do Ministério da Cultura, de autarquias, cinco fundações, oito empresas e várias instituições culturais. p. 6-7

REFER assegura

Passagem fatal encerra este ano


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sociedade

Para ajudar as mulheres

Doulas chegam a C

omo actividade reconhecida existe há pouco tempo, mas desde sempre que mulheres ajudaram outras mulheres na hora do parto. A primeira doula transmontana defende a humanização do parto e quer apenas ajudar no momento mais intenso da vida de uma mulher. É com um sorriso estampado no rosto e os olhos cintilantes que Mariana Falcato fala sobre a gravidez e o parto. É a primeira doula de Trás-os-Montes e quer dar a conhecer esta actividade, reconhecida há pouco tempo, mas que desde sempre foi exercida pelas mulheres. A ideia é simples: ajudar outras mulheres numa das experiências mais intensas das suas vidas. Ao todo existem 50 na Associação Doulas de Portugal, umas já certificadas e outras em processo de certificação. Mariana Falcato, 31 anos, é natural de Lisboa, estudou na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e acabou por ficar em Vila Real, onde casou e teve a primeira filha em 2008. Foi uns anos antes, quando uma amiga engravidou, que teve o primeiro contacto com o mundo das doulas. Uma doula é geralmente uma mulher com experiência de maternidade, que está ao lado da mãe durante o seu parto, ajudando-a a sentir-se segura de modo a que ela consiga mais facilmente dar à luz. Na altura, Mariana diz que sentiu um “BAC” quando entrou em contacto com esta “nova realidade”. “Achava que era só engravidar e parir. Não havia muito mais a acrescentar”, salientou. Mas há. Primeiro passa pela humanização do parto e por restituir à mulher o protagonismo. “Ser doula é para mim apoiar as escolhas e decisões que a mulher vai tomar durante a sua gravidez,

O que é uma doula?

http://www.doulasdeportugal.org A doula conhece a futura mãe durante a gravidez, estabelecendo entre elas uma relação de empatia e confiança, importante para o acompanhamento do parto que acontecerá mais tarde. Durante o trabalho de parto, a doula está com a mãe, mantendo uma presença discreta, tranquilizadora e criando uma esfera de protecção à sua volta. No hospital, a doula é um recurso particularmente precioso pois aí o pessoal médico não tem disponibilidade para prestar assistência personalizada e o pai muitas vezes não se sente verdadeiramente confortável por estar ao lado da mãe, nem sabe como ajudar e pode pôr a mãe mais nervosa. O apoio da doula continua no pós-parto, através de algumas visitas à mãe, preparando um chá ou uma refeição, ou até auxiliando em pequenas tarefas domésticas que permitam à mãe passar mais e melhor tempo com o seu bebé nos primeiros dias. A doula é nos dias de hoje uma profissional da humanização do parto, que o vê como um evento normal e pleno de significado na vida das mulheres e o compreende como um processo fisiológico, que não pode ser desligado das dimensões física, psicológica, sexual, afectiva e espiritual do ser feminino.

aprender e crescer a seu lado nesse caminho”, acrescentou. Geralmente, a doula conhece a futura mãe durante a gravidez. Segundo Mariana, é importante que se estabeleça entre elas uma relação de confiança, para a ajudar na hora do parto e a acompanhar também no pós-parto. “Nós podemos ajudar a elucidar as suas dúvidas em relação ao processo, fornecendo informações com base científica. Depois apoiamos incondicionalmente as suas opções”, afirmou. Mariana Falcato explicou que o objectivo é ser mais “um elemento da equipa” que vai ajudar a mãe. “Não queremos substituir os médicos, parteiras, enfermeiras ou muito menos os pais em todo o processo. Queremos ser mais um a apoiar a mãe”. Durante o trabalho de parto, a doula está com a mãe, mantendo uma presença discreta, tranquilizadora e criando uma esfera de protecção à sua volta, assegurando a satisfação das suas necessidades básicas, privacidade ou segurança. Por exemplo, se esta prefere uma luz atenuada ou até um ambiente mais quente. Apesar de ainda não ser uma presença aceite na maior parte dos hospitais, a responsável refere que, nessas unidades, a doula poderá ser um “recurso particularmente precioso”. É que aí, as equipas médicas não têm disponibilidade para prestar assistência personalizada, e o pai muitas vezes nem sabe como ajudar e até pode pôr a mãe mais nervosa.

| Parto em casa | Aquando da sua gravidez, Mariana fez uma opção: fazer o parto na sua própria casa. No entanto, fez questão de esclarecer que esta foi uma opção pessoal. “Erradamente as doulas são associadas aos partos em casa. Não é verdade. Essa é uma escolha que cabe a cada uma. O que é importante é que a mulher se sinta segura”, sublinhou. Acrescentou: “nós não levamos a mulher a optar por nada, apenas fornecemos informação para a grávida fazer as suas próprias opções”. Para


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vidas

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na gravidez e no parto

a Trás-os-Montes Paula Lima | plima.tamegapress@gmail.com | Fotos P.L. e Arquivo

além disso, ensinam ainda técnicas de encorajamento e de combate à dor, como por exemplo massagens. Mariana explicou que fez a sua opção porque teve uma gravidez de baixo risco, sem indicações de potenciais riscos no parto e porque sentiu que não havia necessidade de usufruir dos serviços que o hospital tinha para oferecer. O parto foi feito por uma parteira. A doula também fez questão de dizer que a grande maioria das gravidezes decorrem sem potenciais complicações e normalmente o que acontece é que “este acto natural é encarado pelos intervenientes como uma desgraça à beira de acontecer”.

| Divulgar actividade |

Porque ainda é uma actividade pouco desenvolvida e o mercado em Vila Real é reduzido, Mariana Falcato vai organizar a 20 de Fevereiro um workshop para mulheres. Entre os temas a abordar vai estar a humanização do parto e na oportunidade que uma gravidez representa para a mulher se abrir à sua feminilidade. E a humanização, segundo defende, pode começar por coisas simples, como a mulher fazer um “plano de parto” e exigir que este seja cumprido. Começando por conhecer o hospital onde vai ter o bebé e fazer com que os serviços se apercebam que há desejos que as mulheres têm o direito de ser cumpridos. “Pequenas coisas que podem ir desde a questão da depilação dos pelos púbicos, que ao contrário do que muitas pensam não é obrigatório, tal como acontece com o soro ou o clister”, frisou. Para Mariana Falcato, se este tipo de coisas forem diminuindo a qualidade vai aumentando”, sublinhou. Mais tarde, a doula transmontana quer recuperar

uma tradição antiga: as rodas das mulheres. “O objectivo é pôr as mulheres a falar, a partilhar medos e experiências”. A responsável está neste momento em processo de certificação, sendo que a certificação final é concedida depois de fazer o acompanhamento presencial de três partos. O preço a pagar pela grávida à doula varia de acordo com os serviços prestados e o tempo. Podem ir dos 200 aos 300 euros. “Por exemplo, se a futura mãe quer a presença da doula na hora do parto isto exige da sua parte uma disponibilidade total na altura”, frisou. Até agora, Mariana só ainda apoiou mulheres no pós-parto. “Recorreram a mim com dúvidas sobre a amamentação ou cuidados a ter com o recém nascido”, referiu.

Mariana Falcato, 31 anos, é natural de Lisboa. Tirou o curso de Engenharia Agrícola na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). A filha nasceu em Novembro de 2008 e, depois de se ter dedicado a tempo inteiro a ser mãe durante mais de um ano, quer divulgar a actividade de doula na região transmontana.


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sociedade

REFER promete eliminar ainda este ano “passagem da morte” em Baião A p assagem de nível da Linha do Douro onde em Setembro morreram seis pessoas, junto à ponte das Quebradas, em Santa Leocádia, Baião, vai ser encerrada em 2010, assegurou ao Repórter do Marão fonte oficial da REFER – Rede Ferroviária Nacional.

Foi nessa passagem de nível que, em Setembro de 2009, aconteceu um dos acidentes mais mortíferos da linha do Douro: um automóvel que atravessava a via-férrea foi colhido pelo comboio tendo sido arrastado até ao meio da ponte das Quebradas, provocando a morte a seis pessoas. De acordo com a REFER, empresa responsável pela prestação do serviço público de gestão da infra-estrutura que integra a rede ferroviária nacional, essa passagem de nível (localizada ao km 68,018 da Linha do Douro) “já tinha sido identificada como passível de ser suprimida” e está “incluída no protocolo celebrado a 19/07/2008 entre a REFER e a Câmara Municipal de Baião para a supressão e reclassificação” das passagens de nível do concelho. A obra de supressão vai ocorrer ainda este ano, embora a empresa não refira uma concreta. Contudo, sabe-se que decorre o processo de expropriação dos terrenos.

Todas as passagens de nível (PN) que ainda existem no troço entre Caíde, no concelho de Lousada, e o Marco de Canaveses vão ser suprimidas “até à conclusão das obras de modernização do troço”, ou seja, até 2012, diz a REFER, a quem compete a construção e modernização da infra-estrutura ferroviária do país.

| Duas dezenas de supressões | No caso das restantes PN, situadas no troço entre o Marco e a Régua as acções de supressão ou reclassificação “serão decididas com base nos factores de risco inerentes a cada uma delas”, explica a REFER em resposta a perguntas do Repórter do Marão. As prioridades de intervenção nas PN são definidas “de acordo com os factores de risco que em cada uma são identificados, permitindo assim afectar os recursos àquelas que apresentam maior risco”, refere a empresa. As obras de modernização do troço Caíde/Marco iniciaram-se numa primeira fase com a eliminação de passagens de nível, medida destinada a aumentar a segurança da exploração ferroviária. De 2005 a 2009 foram suprimidas no total 19 PN sendo que entre 2007 e 2008 foram encerradas dez. Ainda de acor-

do com os números avançados pela REFER, até ao final de 2010 está prevista a supressão de mais cinco. As restantes três PN deste troço vão ser “intervencionadas na sequência das soluções a adoptar no âmbito da modernização”. O troço entre Caíde e o Marco de Canaveses manterá a via única. As obras de modernização incluem a electrificação e remodelação das estações de Vila Meã, Livração e Marco de Canaveses e dos apeadeiros de Oliveira e Recesinhos, rectificações do traçado e pequenas variantes, renovação integral de via, implementação de sinalização electrónica, telecomunicações e controle de velocidade. As obras também incluem a beneficiação de túneis e a construção de interfaces rodo-ferroviários. O concurso para as empreitadas gerais foi lançado este ano com previsão de arranque das obras em 2010 e conclusão em 2012. Entre o Marco de Canaveses e a Régua estão ainda “a ser desenvolvidos estudos para a modernização do troço” e “está a ser concluída a reabilitação da super-estrutura de via com o objectivo de garantir as condições de segurança”, disse a REFER. Estão ainda projectadas mais algumas supressões e reclassificações no concelho de Baião. PC/JS/AP


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Numa orquestra “o todo é muito mais que a soma das partes” Maestro Ferreira Lobo criou Orquestra do Norte em 1992 Liliana Leandro | lleandro.tamegapress@gmail.com | Fotos ON

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m maestro faz com que cada elemento de um grande sistema, que é uma orquestra, se afirme num contexto bem articulado e é potenciador daquilo que cada um pode dar ao sistema”, definiu assim o Maestro Ferreira Lobo que há 17 anos criou a Orquestra do Norte, sediada em Amarante. Enquanto intermediário entre a partitura de um compositor e o público expectante, torna-se crucial “controlar o sistema dentro de alguns parâmetros como tempo e expressão” já que não basta a um músico saber ler a pauta. Para toda a orquestra estar em sintonia “o todo é muitíssimo mais que a soma das pautas”.

| Maestro Lobo foi teclista numa banda | O percurso do ma-

estro começou a ser trilhado desde cedo. Foi na infância, enquanto ouvia a sua mãe a cantarolar reiteradamente zarzuelas “uma espécie de opereta espanhola” – e assistia aos concertos da Gulbenkian em Chaves, que percebeu a sua atracção pela música e que esse seria o caminho a trilhar. “O meu percurso é como o de qualquer outra pessoa que tem apetência por essa forma de expressão artística desde criança e que se vai manifestando sucessivamente em contextos distintos”, contou em entrevista ao Repórter do Marão. A formação começa então através de situações episódicas já que o acesso ao conservatório se mostrava difícil a quem não morava nos grandes centros urbanos. Ainda assim, acabou por prestar provas e frequentar o conservatório do Porto onde


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aprendeu violoncelo e composição. O maestro chegou mesmo a pertencer a uma banda, “que na altura se chamava conjunto”, na qual era teclista e onde tinha um órgão Hammond “como o de Jimmy Smith”, um músico de jazz que ainda hoje, quando quer estar “no lazer caseiro”, vai buscar “intuitivamente”. A sua actividade profissional teve início em 1979, como Maestro Director da Camerata do Porto que fundou com Madalena Sá e Costa, que o “influenciou bastante” e de quem obteve “uma experiência profícua”. “Foi com ela que fui desenvolvendo os primeiros projectos que acabaram por resultar na Orquestra do Norte”, lembrou. Anos mais tarde, em 1992, fundou a Associação Norte Cultural e venceu o primeiro concurso para a criação de orquestras regionais instituído pelo Estado português. Nascia assim a Orquestra do Norte com José Ferreira Lobo como maestro titular e director artístico.

| Música erudita para milhares | Da Orquestra do Norte diz ser um

“instrumento de afirmação cultural, útil e importante” e é nela que se define “pessoal e profissionalmente”. Considera mesmo ter sido esta a sua “maior conquista” já que “ficará para a história da cultura de Portugal ter feito chegar a centenas de milhares de pessoas a música erudita”. Talvez por isso ouve, nos tempos livres, “sobretudo” o que tem de trabalhar e dirigir. Em casa, porém, a música é pouca já que sendo um profissional dessa área considera o silêncio como “algo muito bom”. Ainda assim, admite ser apreciador de jazz, e de Jimmy Smith com o seu órgão Hammond, permitindo-se “uma ou outra vez viajar pelas rádios” que passam diferentes sonoridades.

| Música é “órgão vital” para o maestro | Mas, qual a importância da

música? “Nenhum ser humano pode subsistir sem música. A música serve para alegrar os corações, para fazer as pessoas felizes, para as tornar mais saudáveis e até mais produtivas”, acredita Ferreira Lobo. Para um músico, acrescenta, esta forma de arte torna-se “um elemento natural como qualquer componente sanguíneo ou órgão vital”, razão pela qual “nunca” deixa de ouvir ou sentir as pautas, os ritmos e as cadências, as colcheias e compassos, as melodias e melopeias, em suma, a música.

Ferreira Lobo tem também uma carreira internacional, tendo já dirigido estreias mundiais de compositores franceses, portugueses, suíços e turcos.

Nos tempos livres o maestro gosta de voar. É piloto de monomotores, um passatempo que pratica a um ritmo semanal no aeródromo de Chaves.

A Orquestra do Norte conta com o apoio do Ministério da Cultura, de diversas autarquias, cinco fundações, oito empresas e várias instituições culturais.

Ao longo dos 17 anos de existência a ON já realizou mais de dois mil concertos e conta com uma assistência média anual de 50 mil espectadores.

ON é uma das instituições “mais produtivas” Para a sua evolução, e aculturação, as sociedades precisam de exercitar todos os seus sentidos em conjunto com o pensamento. Uma orquestra torna-se assim um instrumento capaz de responder a essa necessidade, enquanto proporciona um bom momento de lazer. Enquanto maior conquista do maestro Ferreira Lobo, a Orquestra do Norte (ON) propõe-se responder a essa mesma urgência de cultura, tendo sobretudo uma vertente pedagógica porque “nas próximas décadas, é fundamental dotar o cidadão da capacidade de pensar”.

| “Fácil trabalhar para crianças” | A orquestra,

que conta com 50 elementos, tem percorrido as escolas em concertos didáctico-pedagógicos, convidando também os alunos a assistir a concertos em auditórios. Para o maestro, “é mais fácil trabalhar para crianças pois estão mais abertas ao mundo e vêem os concertos como uma novidade”. Já os adultos “estão encharcados de televisão, múltiplos problemas e estímulos” que acabam por “cercear a sua capacidade fruitiva”. Contudo, considera que o público português tem apetência pela música clássica “na medida em que desconhece em absoluto” e, por esse motivo, se encontra “num estádio primário de curiosidade”. Por outro lado, destaca, há instituições culturais que desenvolvem determinados nichos em que “as pessoas já vão tendo alguns hábitos de ir

a concertos, vão-se interessando em ter mais informação e a sua capacidade fruitiva já está um pouco mais desenvolvida”. Por outro lado, começa-se cada vez mais cedo a perceber o papel fundamental da música no plano formativo.

| Três áreas de actuação | Actualmente a

orquestra tem três áreas de actuação: concertos sinfónicos com recurso a solista, serviço educativo e ópera. Para os próximos meses está já definido o repertório que passa por diferentes eixos de actuação. Entre Porto e Amarante serão feitas actividades sistematizadas (nas três vertentes) com uma periodicidade quinzenal. Em Guimarães a orquestra irá trabalhar no Paço dos Duques de Bragança e em Vila Real passará pelo teatro. Um terceiro eixo de actuações passa pelos concertos em autarquias associadas e um quarto por programas com “grandes figuras internacionais” quer em Lisboa como no Porto.

| Empresa | Dada a sua “filosofia empresarial” que tem “permitido fazer a gestão equilibrada da casa”, o maestro defende mesmo que a Orquestra do Norte “é uma das instituições portuguesas mais produtivas”. Para pertencer à ON basta mandar o currículo, ter formação técnica de base, fazer uma audição sendo ainda avaliada “uma parte muito importante que é o plano relacional e humano”. É que o trabalho do todo é muito superior à soma das partes.


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economia

Volume de negócios das maiores construtoras cresce acima da média

Recorrer à imaginação ajuda a conquistar clientes Comerciantes do Marco dizem que “vai-se vendendo...” Paula Costa | pcosta.tamegapress@gmail.com

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m plena época de saldos existem entre os comerciantes diversas maneiras de promover as vendas e procurar que os clientes entrem e façam compras nas lojas. Antecipar descontos por iniciativa própria, aceder ao pedido de desconto habitualmente feito por muitos clientes ou começar a fazer reduções de preços antes do Natal são algumas das estratégias usadas por comerciantes ouvidos pelo Repórter do Marão (RM). Na Sapataria João, uma das mais antigas do Marco de Canaveses, a proprietária, Maria Isaura Monteiro, conta que não espera “pelos saldos para fazer descontos” aos clientes na ordem dos dez a 20 por cento. Por isso agora não precisa de “estar a fazer saldos”, optando antes pelos descontos. “Quem procura a minha casa não são pessoas que ganham 80 ou 90 contos por mês. Ao comprar não compro barato”, afirma a comerciante, referindo-se à origem nacional do calçado que vende. No entanto, se o artigo “não sair bom”, a pessoa que compra recebe um novo, garante Maria Isaura enquanto atende uma cliente jovem. Na sua loja, há quase 60 anos que Isaura vende calçado para criança, homem, senhora, malas, carteiras e ainda calçado ortopédico. Mas a experiência pessoal e profissional ensina que “há determinadas coisas que não compensa” comprar nos saldos porque sendo artigos muito procurados e que se vendem mais facilmente acabam por não chegar à época de saldos. Atendendo ao tipo de clientes que tem, a crise não afectou significativamente o negócio de Maria Isaura. “Crise, crise… olhe, é um bocado como a Gripe A: nem metade tomou a vacina, nem metade ficou doente. Mesmo havendo pouco dinheiro, há gente que compra menos, mas compra bom”. Na mesma rua Dr. Francisco Sá Carneiro, hoje decadente, mas que “já foi a coqueluche” do comércio no Marco, lembra ao RM um comerciante da zona nova da cidade, uma loja que vende vestuário de adulto e peças de enxoval anuncia promoções. “Não dá para mais”,

diz quem está atrás do balcão. Saldos ou promoções: “é igual, só muda o nome ”, diz um logista. Desde que os Correios saíram daquela rua “é um desalento”. Por outro lado, conta ainda a responsável pela loja, “o Porto é perto e as grandes superfícies atraem multidões”. A quantidade de estabelecimentos que vendem produtos baratos também “é muita”, diz, aludindo às lojas de chineses: “eles não pagam impostos e há tanta crise que as pessoas querem é o barato”. Nos primeiros dias de saldos o movimento é muito na popular Sapataria Carocha, na rua Amália Rodrigues. “A crise nota-se um bocadinho, mas vai-se vendendo”, diz ao RM um funcionário atarefado com a reposição de calçado nas prateleiras. Na loja S. R. vende-se roupa de senhora e a funcionária queixa-se que a época de saldos começa “cedo demais”. A concorrência das lojas da área metropolitana do Porto, que começaram com promoções antes do Natal, fez-se sentir. Ainda assim, “vai-se vendendo” as peças com descontos até 30 por cento. Num expositor há peças mais antigas com descontos maiores. A crise “nota-se bastante” em situações como as de clientes que levavam duas ou três peças e agora levam apenas uma. E “mesmo durante a época normal as pessoas pedem desconto”. Esse é um pedido que é muito frequente ouvir-se nas lojas do comércio tradicional, confirma a funcionária. Pelo contrário, nas lojas dos centros comerciais as pessoas pagam o que a etiqueta marcar, sem pedir desconto. Na Incógnita Vestuário, os descontos começaram em Dezembro nas roupas de criança. Os 20 por cento foram uma “prendinha” de Natal antecipada, explica a responsável. Os descontos aumentaram para 40 e depois para 50, até aos 80 por cento. Nos saldos “não se nota a crise”. Há quem opte por comprar determinadas peças, como agasalhos, para o ano seguinte. A expectativa é de que as vendas corram bem, confessa o proprietário, manifestando-se contra a venda dos chamados “monos”, artigos que sobraram de colecções anteriores.

A Mota-Engil, a Teixeira Duarte e a Soares da Costa, que integram a lista das 100 maiores construtoras europeias, registaram taxas de crescimento do volume de negócios superiores à média global. “A dinâmica das empresas portuguesas de construção é assinalável quando comparadas as 100 maiores empresas do sector na Europa, com taxas de crescimento do volume de negócios muito superiores à média global, que é de dois por cento”, afirmou o vicepresidente da Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas (ANEOP), Manuel Agria. A Soares da Costa registou uma taxa de crescimento de 51 por cento, a Teixeira Duarte de 41 por cento e a Mota-Engil de 40 por cento, detalhou Manuel Agria, durante a apresentação do estudo “European Powers of Construction 2009”, elaborado pela consultora Deloitte. Contudo, acrescentou, “a dimensão das três maiores empresas portuguesas em conjunto não permite alcançar a 6.ª maior empresa espanhola”. Das três construtoras portuguesas analisadas no estudo, a Mota-Engil é a melhor classificada, ocupando o 45.º lugar, uma subida de 26 posições. A Teixeira Duarte e a Soares da Costa, que não faziam parte do ‘ranking’ divulgado em 2008, ocupam agora o 78.º e 86.º lugares, respectivamente. O primeiro lugar da tabela pertence à francesa Vinci, que integra o consórcio liderado pela MotaEngil para o projecto de alta velocidade.

| Corte no financiamento pode “perturbar” actividade da MotaEngil - António Mota | O presidente da

Mota-Engil, António Mota, admitiu esta semana que uma decisão por parte dos bancos de cortar o financiamento às concessões rodoviárias cujo visto prévio foi recusado pelo Tribunal de Contas pode “perturbar” a actividade da empresa. “Se não houver visto, obviamente que os financiamentos [às concessões] serão suspensos”, afirmou o presidente da Mota-Engil, que lidera o consórcio que ganhou a concessão Douro Interior e mais recentemente a do Pinhal Interior. “O financiamento [das concessões rodoviárias] está condicionado à aprovação [dos contratos] pelo Tribunal de Contas”, acrescentou António Mota. Questionado sobre se a demora em encontrar uma solução está a afectar a actividade da Mota-Engil, afirmou que esta situação “perturbará [a empresa ] no dia em que não houver financiamento”. Fonte de mercado disse à Lusa na semana passada que os bancos ligados às concessões rodoviárias, a que o Tribunal de Contas recusou o visto prévio, ameaçaram cortar o crédito. A data limite para que os bancos deixem de financiar as concessões em causa é, segundo uma fonte do sector, 26 de Janeiro, o que obrigará a que os envolvidos na negociação (Governo, Estradas de Portugal e concessionárias) se sintam pressionados a um acordo que satisfaça o Tribunal de Contas. Foi recusado o visto prévio a cinco concessões Douro Interior, Auto-Estrada Transmontana, Baixo Alentejo e Algarve Litoral e Litoral Oeste -, mas a Estradas de Portugal já recorreu da decisão.


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Miguel Pinto

Rosto do Comércio Justo faz da cidadania o lema de vida

Helena Carvalho | hcarvalho.tamegapress@gmail.com

A

A simplicidade de Miguel Pinto, engenheiro florestal, 37 anos, contrasta com a dimensão de algumas das suas realizações. Foi o primeiro português a inscrever-se num programa de Voluntariado (Serviço Voluntário Europeu - SEV), e a introduzir no país, fruto da experiência adquirida em Itália, o Comércio Justo.

participação activa de Miguel Pinto em serviços em prol da comunidade (desde muito jovem), seja sobre a forma de actuação directa – mentor de um projecto de restauro e pintura da Torre de S. Gonçalo, seja sob a forma de sensibilização para causas ambientais – organização de colóquios, deixava já antever alguns traços distintivos que o levariam mais tarde a envolver-se seriamente em

projectos de cariz social e pró-ambiente. Figura entre os primeiros a lançar-se em várias acções que projectaram o seu nome, a associação Aventura Marão Clube e a própria cidade de Amarante. Não é de estranhar vê-lo repetidas vezes, um pouco por todo o país, e no estrangeiro, a integrar painéis onde as temáticas que versem assuntos como Comércio Justo, Igualdade de Oportunidades, Alimentação Biológica ou De-

senvolvimento Sustentável. A gestão do tempo é pois uma tarefa que lhe merece especial atenção e à qual dedica algum planeamento, para poder fazer face aos diversos compromissos. Ao seu trabalho na Equação, Cooperativa de Comércio Justo (CJ), a primeira importadora e distribuidora portuguesa de CJ, com sede e armazém e uma loja em Amarante (na qual é director executivo), juntou-se


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cidadania

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Casa da Juventude serve de pousada a jovens de várias nacionalidades o compromisso mais recentemente assumido (na qualidade de vice-presidente da associação Aventura Marão Clube) de gerir e dinamizar a Casa da Juventude de Amarante (Novembro 2008), “projectos que se complementam em muitas facetas” segundo o próprio. A simplicidade de Miguel Pinto, engenheiro florestal, 37 anos, contrasta com a dimensão de algumas das suas realizações. Foi o primeiro português a inscrever-se num programa de Voluntariado (Serviço Voluntário Europeu SEV), e a introduzir no país, fruto da experiência adquirida, o Comércio Justo. “A minha experiência de voluntariado em Itália, na Caritas Ambrosiana em Milão (durante seis meses) permitiu-me, além do contacto e enriquecimento próprios de quem convive com outra cultura, conhecer as lojas de Comércio Justo (CJ), que em Milão eram já muitas. Primeiro tornei-me consumidor e voluntário, e no regresso, após verificar que havia em Portugal um vazio nessa área, trabalhamos (várias organizações) no sentido de torná-las, também cá, uma realidade”, conta. Associada a essa experiência de voluntariado, que recomenda, e que afiança ser “um choque positivo” estruturou um projecto - Capital Futuro, que no seu caso concreto se debruçou sobre a abertura da primeira loja de CJ em Amarante, que se concretizou em Agosto de 1999. A ideia do projecto valeu-lhe o aval da União Europeia, da Câmara Municipal de Amarante e ainda uma menção honrosa da Fundação Afonso Henriques no concurso “Jovens Ideias para o Norte”. Foi também com base na sua experiência em Itália e enquanto presidente da Associação Nacional de ex - Voluntários Europeus que produziu um Manual de Sobrevivência para os Voluntários (SVE). Apesar de implícita a actividade comercial, o Comércio Justo é um conjunto de princípios orientadores que garantem a justiça e o respeito para com as pessoas e o meio ambiente e onde os indivíduos são colocados acima do lucro. A crescente consciencialização das pessoas e empresas para as compras justas é já uma realidade, e o Natal, época por tradição mais propícia a actos mais reflectidos, pode ter um significado ainda mais simbólico na oferta de produtos “de preço justo”. A opção de compra nestas lo-

jas pode ir desde produtos alimentares (chá, cacau, bolachas, compotas, café…), têxteis (t´shirts, camisas, calças, tapetes, mantas…) ou artesanato (bijuteria, cestaria, jogos educativos, carteiras, artigos para o lar….).

| Aventura Marão Clube fundado em 1993 | A Associação Aventura Marão Clube, criada em

1993 com o intuito de incutir nos jovens de Amarante hábitos de vida saudáveis, continua a trabalhar no sentido de concretizar a sua missão e tem actualmente activas as secções de BTT, de Canoagem e o Comércio Justo. Através de um contrato de comodato de cinco anos – renovável sucessivamente por iguais períodos – com a Câmara Municipal de Amarante, o Aventura Marão Clube disponibiliza-se a gerir e a dinamizar a Casa da Juventude e a “emprestar” todo o “know-how” acumulado no trabalho com jovens (há cerca de dez anos que dinamizam Campos de Trabalho Internacionais). A coerência entre os valores em que a associação acredita – solidariedade, cooperação, desenvolvimento sustentável, participação dos jovens e a prática é efectiva. “A Casa da Juventude é a única que pratica valores em que acredita, nenhuma tem serviço de alimentação vegetariana” assinala Miguel Pinto. “Também nos agrupamos para auxiliar alguns produtores da região nas suas tarefas, contudo o pré-requisito é serem produtores biológicos”, acrescenta. O convite dirigido pela Associação através de um apelativo “Queres casar connosco” não deixa margem para dúvidas, o que se pretende é coisa séria. Foi a sério, de resto, que os jovens começaram a frequentar (de forma gratuita) a Casa e a aproveitar todas as possibilidades oferecidas – salas para ensaios, reuniões associativas, atelier de arte e régie para ensaios de bandas, aulas de yoga, participação em workshops. As possibilidades que a Casa da Juventude disponibiliza tem atraído também algumas organizações, nacionais e internacionais, que aproveitam para aí realizarem acções de formação, beneficiando das condições excepcionais que a mesma oferece – envolvente, salas espaçosas, alojamento económico (tipo pousada da juventude) e pessoal habilitado (formadores, monitores).

Actividades e serviços da Casa da Juventude de Amarante - Intercâmbio de Jovens; - Campos de Trabalho Internacionais; - Serviço Voluntário Europeu (SEV); - Cursos de Formação; - Gabinete de Inserção Profissional (GIP); - Gabinete de Apoio Psicológico; - Ateliers de expressão plástica; - Ensaio de Bandas; - Cursos de Informática para jovens; - Aulas de Yoga; - Wokshops (ex: alimentação saudável, reciclagem de papel e plástico); - Exposições; - Cafetaria/restauração (vegetariana, sempre que possível biológica); - Aluguer de bicicletas; - Alojamento (tipo Pousada da Juventude).


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sociedade

Reporter do Marão, N.1229 - 12/01/10

Neve deu um dia extra de férias a mais de três mil alunos em Baião

Jorge Manuel Costa Pinheiro

Comércio de todo o tipo de material de escritório Rua Teixeira de Vasconcelos - Amarante

Telef. 255 422 283 * Telem. 917 349 473

Os efeitos do frio e da queda de neve registados no início da semana já se dissiparam, mas obrigaram a medidas de excepção como o corte de estradas e o encerramento de escolas. Foi o que aconteceu no concelho de Baião onde, na segunda-feira, estiveram encerradas, devido aos condicionalismos provocados pela queda de neve e gelo, todas as escolas dos diferentes níveis de ensino público, desde os jardinsde-infância até ao secundário, abrangendo um total de 3 274 alunos do concelho. A decisão de não abrir as escolas foi, sobretudo, “uma medida preventiva”, explicou na ocasião fonte da autarquia, acrescentando que as condições de segurança nas estradas eram muito precárias. Os estabelecimentos de ensino reabriram na terça-feira. A Estrada Nacional (EN) 101, que liga Mesão Frio, Baião e Amarante, e a EN 321, chegaram a estar intransitáveis. A EN 321-1, de acesso ao Marco de Canaveses, esteve cortada e o mesmo aconteceu com a ligação do Fojo a Santa Marinha do Zêzere, através da EN 303-3. As estradas municipais 579 e 578 estiveram também intransitáveis, acrescentou a mesma fonte. Mais de meia centena de homens dos bombeiros de Baião, de Santa Maria do Zêzere, da Protecção Civil e da empresa Estradas de Portugal espalharam sal nas vias de ligação ao município de Baião, procurando minimizar os efeitos negativos da queda de neve e do gelo que se acumulou nas estradas. As instituições privadas de solidariedade social e de saúde participaram no apoio domiciliário, fornecendo a alimentação e cuidados de higiene a cerca de 90 munícipes (que vivem sobretudo em lugares mais isolados) enquanto “os cuidados primários abrangeram oito freguesias”, divulgou a autarquia. A circulação rodoviária entre o Marco de Canaveses e Baião (EN 108) foi restabelecida ainda na se-

gunda-feira. E a Estrada Nacional 321-1 também foi reaberta ao trânsito, apesar de numa fase inicial se manterem alguns condicionalismos. As estradas nacionais 101 (Mesão Frio-Baião) e 321 (Alto da Boavista-Campelo), bem como as estradas municipais 304/3 (Fojo-Santa Marinha do Zêzere), 579 (Baião-Santa Marinha do Zêzere) e 578 (Viariz-Gestaçô) mantiveram-se encerradas na segunda-feira. No domingo, dia em que nevou com mais intensidade, e em que se registaram temperaturas negativas, a protecção civil municipal de Baião desencravou 60 viaturas e evacuou 46 cidadãos que ficaram retidos na neve. Um fim-de-semana de inverno rigoroso tal como tinha acontecido nos primeiros dias do ano, marcados por chuva intensa. No distrito de Bragança, o forte nevão que atingiu os 12 concelhos, impediu o transporte das crianças e jovens das aldeias para as escolas. O mesmo aconteceu em Vila Real, onde os transportes escolares foram cancelados, devido ao intenso nevão que afectou o distrito causando situações complicadas nas estradas, com vários automobilistas retidos na neve e muitos pedidos de ajuda às autoridades. Como é habitual nesta altura do ano, também se registaram encerramentos de estradas e condicionamento de trânsito nas principais vias de acesso a Vila Real, nomeadamente no IP4, EN15, A7 e A24. Sobretudo no domingo, centenas de automobilistas ficaram retidos diversas horas na A24, principalmente no troço entre Vila Real e Lamego. A neve e o gelo obrigaram também ao encerramento de escolas em três concelhos do Norte do distrito de Viseu – Resende foi o caso mais crítico – e nalgumas localidades dos distritos de Vila Real e Bragança, sobretudo devido à suspensão dos transportes escolares, mas na generalidade a situação normalizouse na terça-feira.


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política

Sete Juntas de Freguesia continuam sem tomar posse Paula Costa | pcosta.tamegapress@gmail.com | Fotos Lusa

N

a região do Tâmega e Sousa há sete casos de executivos de juntas de freguesia que, passados mais de três meses das eleições autárquicas, ainda não tomaram posse por falta de acordo entre quem venceu e a oposição. Ao que o Repórter do Marão apurou, estão nessa situação as juntas de Covas e Lustosa, em Lousada; Lagares e Lordelo, no concelho de Felgueiras; Tuías, no Marco de Canaveses; Rio Mau, em Penafiel e Freamunde, concelho de Paços de Ferreira.

maradas de partido está fora de questão. Já se fizeram duas reuniões (em Outubro e em Dezembro) e Carlos Zeferino apresentou quatro propostas, mas “foram todas chumbadas”, explicou. O presidente da junta tentou negociar com o PSD, mas a receptividade inicial às propostas esbarrou na oposição do líder da Concelhia do PSD de Felgueiras. “Ele disse que era por uma questão de coerência… que nos combatia há 20 anos” contou ao RM Carlos Zeferino, considerando que a freguesia de Lagares (que é das maiores do concelho de Felgueiras), “está bem servida pelo executivo que tem. Não aceito as eleições [intercalares], agora não sei…”, diz. A possibilidade de a freguesia ficar em gestão corrente merece resposta pronta do presidente: “não me agrada, mas também não me preocupa”.

Há casos em Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira Penafiel e Marco de Canaveses

A lei estabelece que compete à pessoa que encabeça a lista mais votada propor os nomes dos vogais (secretário e tesoureiro) do executivo da junta de freguesia. A Assembleia de Freguesia pode ou não aceitar os nomes propostos. E a questão está precisamente aí: nas sete freguesias referidas, as várias sugestões feitas pelo cabeça de lista que venceu as eleições de Outubro de 2009 foram rejeitadas pela oposição. Após as reuniões em que se tentou o acordo, foram pedidos pareceres a várias entidades: Governo Civil do Porto, Associação Nacional de Freguesias, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Comissão Nacional de Eleições e Direcção Geral da Administração Local. Em declarações ao RM, alguns dos presidentes de junta referem que alguns dos pareceres apelam ao consenso e ao entendimento entre as partes. O que nos sete casos referidos tem sido impossível. Mas há também situações, como a de Lagares, em Felgueiras, em que na freguesia houve um princípio de acordo entre as partes, mas essa possibilidade foi vetada pelas estruturas concelhias dos partidos

(no caso a Concelhia do PSD), disse ao RM Carlos Zeferino, que preside à Junta de Lagares há 33 anos (desde as eleições de 1976). O autarca concorreu sempre pelo PS até às últimas eleições, em que liderou a candidatura pelo Movimento Sempre Presente (criado pela ex-presidente da Câmara, Fátima Felgueiras, após o PS lhe ter retirado a confiança política). Em Lagares, agora, o acordo com o PS é impossível.

| Questões pessoais travam bom senso | “Afirmaram [membros da lista do PS] que

me iam fazer a vida negra”, diz Carlos Zeferino. O candidato pelo PS fez parte da lista do actual presidente nas eleições de 2005. Há “questões pessoais” e situações que se “agudizaram” na campanha eleitoral. Por tudo isso, chegar a acordo com os antigos ca-

| Nova lei poderá acabar com maiorias relativas | Em Lordelo, a mais

pequena freguesia de Felgueiras (com 320 eleitores inscritos), Adão Ribeiro, 45 anos, candidato do Movimento Sempre Presente por Lordelo (que no passado concorreu pelo PS) conquistou por oito votos uma junta que era do PS desde 1976, e sempre governada pelo mesmo presidente. Em 2009 o candidato do PS foi o filho do anterior presidente. “Já houve um princípio de acordo entre as partes”, adiantou ao RM Adão Ribeiro, referindo ainda que “entre os membros das concelhias está a haver tentativa de consenso”. Após duas reuniões (a primeira não foi concluída e na segunda não houve acordo), “tudo indica”, garante o presidente da Junta, que a solução passará por incluir no executivo dois membros


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autarquias

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Falta de acordo entre forças políticas pode forçar eleições da oposição. “Não é por mim que isto está a empancar, eu trabalho com quem quiser trabalhar comigo. Primeiro está o povo e a freguesia”, afirmou Adão Ribeiro defendendo que as concelhias não deviam interferir no processo. No caso de Freamunde, o novo executivo não tomou posse por falta de entendimento entre os partidos que integram a Assembleia de Freguesia (PSD, PS e CDU). As últimas eleições autárquicas foram muito disputadas na freguesia de Freamunde, que tem cerca de 6 300 eleitores. José Maria Taipa foi reeleito pelo PSD para um segundo mandato, mas sem maioria absoluta. “Fizemos uma assembleia para eleição dos vogais e não houve consenso” contou ao RM o presidente da Junta de Freamunde. Deverá ser marcada uma nova assembleia para “resolver o problema”, sendo certo que José Maria Taipa não abdica de indicar pelo menos um vogal que seja da sua “confiança pessoal e política”. José Maria Taipa acusa a oposição de “por razões políticas” ter sido “inflexível”. Em Rio Mau, Penafiel, a presidente da junta, Maria Luísa Gomes foi eleita para um quinto mandato pelo PS. As propostas que fez ao PSD e à CDU foram rejeitadas. “Prefiro um acordo, é lógico, acho que não temos necessidade de andar agora com eleições”, diz a presidente. “Já fiz o que devia ter feito. Esperamos que as outras forças políticas cumpram o seu papel”, garante. Maria Luísa Gomes deixa uma certeza: “Está fora de questão que tendo eu ganho as eleições seja outra força política a governar”. Amâncio Santos, presidente da Junta de Lustosa, a maior freguesia de Lousada, fez cinco propostas de acordo e nenhuma foi aprovada. “Já não fiz a sexta proposta… não vou andar a fazer figura de palhaço. Estamos a cumprir a lei, não aceitaram, paciência!”, comentou ao RM, considerando que se trata de “uma questão de birra”. O Governo Civil apela ao bom senso e ao consenso entre as partes e Amâncio Santos acha que esse bom senso vai “prevalecer”. “Se eu estiver enganado, olhe, deixo correr”, afirma, lembrando que rejeita “entendimentos a qualquer preço”, ou seja, ficar em minoria no executivo. No caso de a freguesia ficar em gestão corrente a Junta pode gerir verbas próprias mas esse facto não trará “prejuízo”, argumenta o autarca. Isso só aconteceria “se houvesse grandes projectos e candidaturas”. Opinião semelhante tem o presidente da Junta de Covas, João Meireles. “Podia-se estar a trabalhar a 100 por cento, está-se a 50 por cento, mas trabalhase na mesma”, afirma o autarca da freguesia do concelho de Lousada (com 620 votantes) onde nas últimas autárquicas concorreram quatro listas. “A situação tem que se resolver”, diz João Meireles, mas se o executivo não tomar posse, “trabalha-se na mesma, faço obras na mesma…”, garante o autarca, que é presidente da Junta de Covas há 16 anos.

| Um caso resolvido no Marco de Canaveses, Tuías volta a tentar dia 22 | No Marco de Canaveses, o exe-

cutivo da Junta de Tuías não tomou posse porque houve “uma combinação que foi furada”, disse ao RM Armindo Loureiro, da lista Tuías Diferente e Independente, que ganhou as eleições por menos de cem votos. Alegadamente essa “combinação” foi acordada “quatro a cinco meses antes das eleições” e estipulava que “quem ganhasse escolheria os seus pares”. Armindo Loureiro, que foi durante 14 anos adjunto de Ferreira Torres, expresidente da Câmara do Marco de Canaveses, acusa o actual presidente da Câmara, Manuel Moreira, de “ingerência total” no processo de formação do executivo. Está marcada para 22 de Janeiro nova reunião (a terceira), para “ultrapassar a situação” disse Armindo Loureiro. Ainda no Marco de Canaveses, registou-se outro atraso na junta de freguesia de Penha Longa mas os autarcas tomaram posse há alguns dias. Houve acordo, “para bem de todos”, contou ao RM Maria Luísa Madureira (PSD), a educadora de infância de 50 anos que é a nova presidente da Junta de Penha Longa, por renúncia de António Rocha , que alegou motivos de saúde. Integram também o executivo Fernando Tomás, secretário, que foi candidato pelo Movimento Marco Confiante com Ferreira Torres e Anabela Silveira, tesoureira, também do PSD.

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Antigo presidente do Amarante Golfe Clube distinguido pela Federação O amarantino Pedro Barros, que foi o primeiro presidente do Amarante Golfe Clube, cuja instituição desenvolve a sua actividade desportiva no percurso da Quinta da Deveza (situado em Fregim), que a empresa amarantina Mota-Engil construiu na década de noventa, acaba de ser distinguido pela Federação Portuguesa de Golfe com a Medalha de Honra ao Mérito. Este importante galardão foi-lhe entregue pelo presidente da Federação, Manuel Agrellos, durante o Jantar de Gala realizado no Casino do Estoril, em cerimónia que o organismo federativo organiza anualmente, no intuito de premiar as entidades, individuais e colectivas, que ao longo do ano mais se distinguem na promoção do golfe, em todas as suas vertentes. O Golfe de Vilamoura, colectivamente, e os dirigentes Fernando Fragoso e John Stilwell, receberam prémio idêntico. Ao nível da Região Norte, onde estão domiciliados o centenário Oporto, fundado em 1890, e o Golfe de Miramar, cuja fundação data de 1932, co-fundadores, já lá vão 60 anos, da Federação, juntamente com o Lisbon Sports Club (Belas) e o Golfe do Estoril, merecem destaque o Estela Golfe Clube (Póvoa de Varzim), agraciado com o título de Clube do Ano, a que corresponde o Troféu Visconde Pereira Machado, bem como o Clube de Golfe de Vidago, a que preside António Manuel Rodrigues. Este clube, situado no concelho de Chaves, na região do Alto Tâmega, cujo campo está a ser alvo de grandes melhoramentos, dotando-o de 18 buracos, que o tornarão mais competitivo, foi uma das entidades distinguidas com o Troféu Especial 2009, a par de algumas publicações alusivas à modalidade, e o Município de Cantanhede, onde há poucos anos foi inaugurado o primeiro campo municipal do país. No plano individual, importa referir que o título de Jogador Amador do Ano (Troféu Tito Lagos) também rumou a Norte, graças à performance de Joana Silva Pinto, uma jovem de 19 anos, que é actual campeã nacional individual, e que representa o citado Estela Golfe, para o qual se transferiu, juntamente com outros companheiros de clube, depois de em 2006 ter tido acção decisiva na conquista do título nacional feminino de clubes, por parte do Golfe da Quinta do Fojo. Para gáudio dos golfistas nortenhos, a Federação também agraciou a profissional Patrícia Brito e Cunha, actual treinadora do clube poveiro,  a quem foi atribuído o Troféu Mário Marques Pinto (era o anterior presidente federativo) para distinguir o Profissional de Ensino do Ano. Os restantes galardões foram atribuídos ao lusofrancês Filipe Lima, profissional do Circuito Europeu, distinguido com o título de Profissional do Ano, a que recebeu o Troféu Ricardo Espírito Santo; ao amador estorilista Tomás Silva, galardoado com o título de Jogador Jovem do Ano (Troféu José Sousa e Mello), enquanto os Troféus Fernando Cabral (Sociedade de Golfe do Ano) e José Roquette (Jornalista do Ano), foram para a entidade proprietária da Quinta da Ria e Quinta de Cima, no Algarve, e para o jornalista brasileiro Joel Neto.

Oferta de golfe na região

Há 12 unidades para a prática da modalidade aguarda campo no Azibo, em Macedo de Cava

O

golfe, modalidade de origem anglosaxónica trazida para Portugal em finais do século XIX, tem beneficiado de um grande desenvolvimento nas últimas décadas. Com efeito, só nos últimos 25 anos, foram construídas nove unidades distintas, a norte do Douro, facto que permitiu à região aumentar para 12 o número de campos existentes. Em bom rigor, dos apenas 36 buracos disponíveis até 1985, como somatório dos únicos três percursos que então existiam – Oporto (18 buracos), Miramar (9) e Vidago (9) – a região proporciona hoje uma oferta bastante diversificada de 141 buracos, com percursos bastante diversificados, e com consequências bastante positivas no desenvolvimento turístico e económico da região. Estes números representam um aumento triplo em relação ao que existia antes desse período, permitindo às entidades proprietárias dos campos, bem como aos operadores turísticos, encararem o futuro com mais optimismo. Face a esta dinâmica, no final de 2009 o número de jogadores com filiação federativa no conjunto dos clubes nortenhos era de 2645. No

entanto, tendo em atenção a crescente adesão de novos associados, muitos dos quais mais vocacionados para a vertente social (refiro-me, concretamente, aos sócios não jogadores), é bem provável que esse número ultrapasse largamente os cinco mil, exceptuando ainda a população golfista flutuante, que nesta modalidade tem uma expressão considerável.

| Modalidade introduzida há 120 anos | Apesar de ter nascido no Nor-

te de Portugal, o golfe, chegado ao nosso país, pela mão da cidadãos britânicos no auge da exploração do Vinho do Porto, no longínquo ano de 1890, viveu, durante muitos anos protegido por uma elite que muitos viam como uma necessidade de preservação. O Oporto Golf Club, com sede em Espinho (é o quarto mais antigo da Europa Continental), instituição que, entre nós, serviu de «berço» à modalidade, apesar de ter então, uma dupla responsabilidade na sua promoção, só mais tarde abriu as portas à comunidade em geral, já que nas primeiras décadas da sua existência, o acesso dos portugueses à mesa onde se traçavam os destinos do clube era bastante lento.


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o norte triplicou nos últimos 25 anos

e | Turismo transmontano aleiros A. Massa Constâncio | mconstancio.tamegapress@gmail.com

| Ano de 1988 criou uma nova dinâmica | Contudo, com os sucessi-

vos dirigentes a revelarem-se a favor de uma maior abertura, tudo se foi modificando, ao ponto de o golfe ter hoje uma forte implantação em toda a região norte. Assim, depois de muitos anos sem qualquer dado novo, onde pontuavam apenas o centenário Oporto (fundado em 1890), o vizinho Golfe de Miramar (1932) e o Golfe de Vidago (1936), o ano de 1988 marcou uma nova dinâmica no panorama golfístico, com a inauguração do campo da Estela. Um par 72, com 18 buracos, de características únicas na região, construído pela Sopete, nas dunas, entre a Aguçadoura e a Apúlia, com desenho do arquitecto Duarte Sottomayor, constituiu a «pedrada» no charco de um cenário que viria mais tarde a estender-se a diversos outros pontos a norte do rio Douro, com percursos nos distritos do Porto, Braga e Viana do Castelo.

| Amarante e Quinta da Barca surgiram em 1997 | Com ou-

tros projectos já em curso, e com o campo de treino do então nóvel Clube de Golfe de Bra-

ga, já em funcionamento, construído nas proximidades do aeródromo de Palmeira, e fundado em 1991, o Axis Golfe de Ponte de Lima, percurso de par 71, desenhado pelos irmãos Daniel Silva e David Silva, dava a sua tacada histórica, no Outono de 1995. A bola de neve tinha iniciado o seu movimento, e dois anos depois (1997), o panorama golfístico nortenho sofria novo impulso com o aparecimento de mais dois percursos; um em Amarante, de 18 buracos e par 68, desenhado por Jorge Santana da Silva, construído na Quinta a Deveza, pela empresa Mota Engil, e um de nove buracos, par 62, na Quinta da Barca (Gemeses, Esposende), com desenho da autoria do mesmo arquitecto. Nesse mesmo ano, abria a Academia da Quinta do Fojo, em VN Gaia, a escassa distância da auto estrada Porto-Lisboa, infra-estrutura que tem, actualmente, um percurso de seis buracos, também desenhados por Duarte Sotto Mayor, surgindo a seguir na Estrada Exterior da Circunvalação, junto à Senhora da Hora, o Citygolfe, na sequência de um projecto arrojado do arquitecto José Lencastre. Este percurso é um «pitch & putt» de nove buracos e tanto aqui como na Quinta do Fojo o golfista tem a dupla vantagem de poder usufruir de um es-

paço único no «coração» da cidade, assumindose, por isso, como verdadeiros oásis no meio de infindáveis aglomerados de betão.

| Campo público em Macedo de Cavaleiros | O Golfe de Rilhadas,

em Cepães, no concelho de Fafe, bem como o Golfe Vale Pisão, em Água Longa, no concelho de Santo Tirso, são os mais recentes empreendimentos do género na região. O primeiro é um percurso de nove buracos, de par 60, crendo-se que tenha sido inaugurado em 2007, enquanto o segundo (consta ter sido inaugurado em princípios de 2008), com dois percursos distintos de nove buracos, possui condições para acolher competições mais ambiciosas. Em suma, o aparecimento de novas infraestruras será apenas uma questão de tempo. Por outro lado, a construção de um novo campo de golfe público, da responsabilidade do Município de Macedo de Cavaleiros e apoiada por fundos comunitários, será em breve uma realidade que muito irá beneficiar o desenvolvimento turístico do planalto transmontano. O equipamento será construído na zona turística do Azibo, onde já existe um complexo turístico.

Em pouco mais de duas décadas os praticantes de golfe do norte de Portugal ganharam mais nove campos Oferta vai continuar a crescer e são anunciados novos projectos em várias localidades, nomeadamente no Azibo


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turismo

Turismo fluvial no Douro atraiu mais de 180 mil passageiros O

t urismo fluvial no Douro gerou mais de 180 mil visitantes no ano passado, mas os operadores turísticos querem aumentar esse número nos próximos anos. Cerca de 184 mil passageiros subiram o rio Douro em 2009, mais 21 por cento do que em 2008, mas o território espera aumentar o número de turistas provenientes de lugares tão diferentes como a América ou as Filipinas.

Segundo dados da Entidade Regional Turismo do Douro, divulgados em comunicado, em 2009 subiram o rio Douro em embarcações turísticas 184 mil pessoas, um número que prevê que continue a aumentar nos próximos anos por causa do novo barco-hotel da Douro Azul, num investimento de 12 milhões de euros que criará 36 postos de trabalho directos. Às 14 empresas que operam actualmente na via navegável do Douro vai juntar-se o “Douro à Vela”, que vai entrar em funcionamento em 2010. A entidade referiu que, com um programa de investimentos “sem paralelo”, a região tem-se promovido em mercados estratégicos, como os Estados Unidos da América (EUA), a Alemanha, a França, a

Itália, os Países Baixos, o Reino Unido e a Espanha. Só dos EUA são esperados, entre 2011 e 2012, 136 mil turistas, o valor estabelecido no acordo assinado em 2009 entre a Douro Azul, empresa de Mário Ferreira, com a operadora norte-americana Uniworld. De outras latitudes ficou também demonstrado o desejo de visita ao Douro por parte dos turistas filipinos. Numa visita realizada à região duriense em Abril de 2009, um dos maiores operadores das Filipinas traçou o objectivo de trazer ao Douro em 2010 cerca de cinco mil turistas naturais daquele país asiático.

| Meio milhão de dormidas em 2012 | O fervor religioso dos filipinos, a admiração por Fernão de Magalhães, que poderá ter nascido em Sabrosa e que morreu na ilha de Cebu (parte do arquipélago filipino), e a semelhança entre os socalcos durienses e os terraços dos arrozais em Bananue, nas Filipinas, fazem do Douro um destino de “sonho”. A aproximação às Filipinas é vista no Douro

como o ponto de partida para entrar no mercado asiático e em todos os países ligados pela circum-navegação de Magalhães. A entidade referiu ainda, no comunicado, que o turismo no Douro é visto cada vez mais com uma alternativa ao conceito de “sol e praia”, tendo mesmo registado, no último Verão, uma taxa de ocupação de 63,6 por cento, só ultrapassada pela Região Autónoma da Madeira (66 por cento). No entanto, o presidente da Turismo do Douro, António Martinho, já disse que o grande desafio do Douro é aumentar o número de dormidas em alojamentos turísticos, aumentando a breve prazo de uma duração média de 1,4 para as duas dormidas por turista (ver pg 26) . Ou seja, o Douro traçou como objectivo até 2012 atingir o meio milhão de dormidas. De acordo com a estrutura, o Douro quer “combater a sazonalidade e afirmar-se como um destino para todo o ano”. “Em cada estação há um Douro diferente, com tonalidades distintas e diversas formas de lazer, que tanto pode ser percorrido de barco como em comboio”, concluiu.

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tâmega e sousa

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‘NUTS III Tâmega não deve ter portagens’ Autarca de Paços de Ferreira escreveu ao ministro das Obras Públicas

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s automobilistas dos concelhos de Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras que utilizam a A 41 e A 42 nos seus acessos ao litoral vão ser dos mais penalizados com a introdução de portagens anunciada pelo Governo. Recorde-se que há duas décadas foi feita aos utentes a promessa de terem um IC 25 gratuito. Quando, finalmente, têm a tão ansiada autoestrada, vai-lhes ser imposta uma portagem. Alguns investimentos feitos nos últimos tempos nestes concelhos avançaram tendo como certa a gratuitidade das vias de acesso ao litoral. Numa carta enviada ao Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) e aos líderes dos grupos parlamentares, Pedro Pinto, presidente da Câmara de Paços de Ferreira, reiterou os argumentos contra o pagamento de portagens naquelas vias. Para o autarca, o concelho de Paços de Ferreira e a Região NUTS III Tâmega “não cumprem nenhum dos critérios definidos pelo Governo para a instalação de portagens pelo que não se compreende a inclusão dos troços que servem o concelho”. O autarca explica porque é que a região “não cumpre os critérios: o PIB - Produto Interno Bruto per capita de Paços de Ferreira, bem como o de toda a NUTS III Tâmega, situa-se abaixo dos 75% da média nacional, de acordo com dados do MOPTC que suportam o próprio estudo do Governo. O Índice de Poder de Compra Concelhio (IPCC) de Paços de Ferreira é de 64,3% da

média nacional e o da NUTS III Tâmega é ainda mais baixo: 55,78%, dados do estudo do Ministério”. O cálculo do Tempo de Percurso das Vias Alternativas às auto-estradas Sem Custos para o Utilizador (SCUT) do Grande Porto “apresenta condicionantes evidentes”. “Foi calculado o tempo de percurso que passa por uma Estrada Municipal, que não pertence à rede nacional de estradas, e que não cumpriria o tempo por uns míseros seis segundos, não se encontrando devidamente provado o cumprimento deste critério”, diz. Na carta, o autarca refere ainda ter verificado que “após análise exaustiva aos estudos encomendados pelo MOPTC, foram introduzidos mecanismos de correcção e análise que distorcem claramente os resultados e que apresentam índices estatísticos marcadamente artificiais”, frisa Pedro Pinto. “Basta atentar no seguinte: são apenas seis os concelhos atravessados pela SCUT do Grande Porto – Matosinhos, Maia, Valongo, Paredes, Paços de Ferreira e Lousada. No entanto, para

cálculo dos indicadores, consideraram-se como sendo também servidos concelhos como o de Espinho, Póvoa de Varzim, Vila Nova de Gaia, Amarante, Fafe ou Guimarães. Ou seja, foram contabilizadas, para efeitos de cálculo dos índices do PIB per capita e do IPCC regional, as NUTS III Grande Porto, Tâmega e Ave”, escreve o autarca. Pedro Pinto lembra ao Governo que o estudo foi “realizado em 2006” e chama a atenção “para as diferenças que se verificam hoje, dada a crise que tem afectado particularmente a região e que fez aumentar ainda mais a clivagem entre capitações do Produto Interno Bruto da região e a média nacional”. A tomada de posição do município de Paços de Ferreira “pretende chamar a atenção do poder central para uma medida que pode vir a revelar-se gravemente penalizadora para o concelho e para a região, potenciando e agravando as desigualdades”. Numa reunião recente da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa os autarcas não chegaram a uma posição comum porque os socialistas entendem que a questão das portagens deve ser apreciada de forma mais vasta, que inclua também a actual A4, portagem que penaliza sobretudo os concelhos de Baião, Amarante e Marco de Canaveses. Já esta semana, contudo, os autarcas do Sousa e do Grande Porto decidiram pedir uma audiência urgente ao novo ministro das Obras Públicas para tentar travar a introdução das portagens na SCUT A41 2 A42.


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empresas & negócios

Health Center da RTA remodelado O complexo turístico Tâmega Clube, em Fregim, Amarante, que tem a maior piscina de ondas coberta do país, remodelou o seu Health Center (centro de actividade física e bem-estar) e oferece agora maior diversidade de actividades para diferentes públicos, sejam crianças, adultos ou idosos. Sauna/banho turco, duche escocês, massagem terapêutica e hidromassagem, a par das aulas de ginástica localizada e de uma sala dedicada às artes marciais estão disponíveis no centro de fitness inaugurado. As aulas de dança do ventre começaram a título experimental em Dezembro e vão agora prosseguir com regularidade. Uma sala com dezenas de bicicletas para prática de Spinning (treino em bicicleta), outra apetrechada para musculação e cardio fitness e ainda um espaço amplo para as aulas de Jump, Locpum (trabalho físico acompanhando o ritmo da música e com pesos: barras ou alteres) e Pilates permitem uma utilização “muito diversificada”, explicou ao Repórter do Marão o director técnico do espaço, António Lírio. Utilizadores mais idosos passam habitualmente pelo Health Center do Tâmega Clube “durante a tarde”, enquanto os jovens adultos o fazem sobretudo no final do dia de trabalho. Os horários alargados, a variedade e qualidade das actividades e serviços prestados vão no sentido de “captar desde a criança até à pessoa de mais ida-

de”, referiu o director técnico. Na natação, na piscina de aprendizagem ou no trabalho cárdio-vascular, há sempre um monitor que orienta os utentes, tal como nas restantes actividades. No Health Center trabalham três técnicos com formação em Educação Física, além do director técnico que também é licenciado nessa área e tem mestrado em Treino Desportivo pela Universidade do Porto. António Lírio garante que as pessoas “são devidamente acompanhadas e enquadradas desde a recepção até ao seu treino”. Os interessados em iniciar treino físico ou qualquer outra das actividades que o Health Center disponibiliza devem fazer uma visita para “conhecer e tentar perceber o que mais se adequa” a si próprio. Os utilizadores regulares, cerca de 400 neste momento, são por norma sócios do Health Center,. Quem pretender aceder aos serviços de forma mais esporádica pode também comprar um bilhete avulso. Na visita à remodelação do Health Center do Tâmega Clube – empreendimento integrado na RTA, empresa da área do turismo do grupo Mota-Engil – participaram o presidente da Câmara de Amarante e alguns vereadores e representantes do grupo empresarial. O empreendimento está aberto diariamente ao público, embora em horários diferenciados, que podem ser consultados em www.tamegaclube.com .

Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro apresentou projecto para humanizar Pediatria

Vencedores da Missão Sorriso conhecidos até fim de Janeiro O Continente divulga até ao final de Janeiro os vencedores da sétima edição da iniciativa de solidariedade social Missão Sorriso, que este ano teve uma nova forma para atribuir os fundos angariados e que contou com o apoio de Maria Cavaco Silva. Foram apresentados a concurso, relativamente a 2009, 27 projectos oriundos de Hospitais Pediátricos, Maternidades ou Hospitais com serviço de Pediatria e/ou Obstetrícia, um dos quais do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro. Segundo explica o Continente, nesta edição prevê-se a atribuição de 500 mil euros para a imple-

mentação dos cinco melhores projectos (até 100 mil euros por projecto vencedor) apresentados a concurso nas áreas da pediatria ou obstetrícia de hospitais nacionais. Os projectos vencedores são decididos pelo júri Missão Sorriso, em colaboração com o público, que também votou no seu projecto favorito. O objectivo, segundo considera o Continente, visou “fomentar o envolvimento das comunidades com os hospitais da sua área de residência”. A decisão sobre os vencedores será tomada pelo júri Missão Sorriso (com um peso de 55%) e do público (restantes 45%). As verbas foram angariadas através do livro “Leopoldina e a Ordem das Asas”, que esteve à venda nos hipermercados Modelo e Continente, ao preço de 3 euros, sendo que 1 euro reverteu para a Missão Sorriso. Os vencedores deverão ser conhecidos a 31

de Janeiro, anuncia o Continente no site da Missão Sorriso.

Cuidados Pediátricos em Trás-os-Montes O projecto apresentado a concurso pelo Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro pretende organizar um espaço de “estabilização da criança gravemente doente, para prestação de cuidados intensivos, colmatando uma carência e promover melhores cuidados médicos pediátricos”. Pretende a administração do CHTMAD “criar um espaço lúdico, coberto, climatizado, compartimentado em função da idade, contíguo à sala de espera da Consulta Externa do SP (Serviço de Pediatria), permitindo dinamizar o tempo que a criança despende na sua permanência no hospital, ao longo do ano”. A área de influência do CHTMAD “estende-se pelo distrito de Vila Real e parte do distrito de Viseu, compreende 24 concelhos e 480 000 residentes”. Dos utentes abrangidos 62 000 têm idade inferior a 14 anos, mas o hospital presta assistência médica pediátrica até aos 18 anos.


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Feira do Porco em Boticas no fim-de-semana A XII edição da Feira do Porco, em Boticas, decorre entre sexta-feira e domingo apresentando-se como uma oportunidade de negócio para a venda de 30 toneladas de fumeiro que deverá originar um volume de negócios na ordem dos 350 mil euros. No recinto da feira vão estar cerca de meia centena de produtores, aos quais se somam mais duas dezenas de stands de exposição e venda de artesanato. A organização prevê que o número de visitantes desta edição se aproxime das

50 mil pessoas, provenientes das mais variadas regiões do país (em particular da região Norte) e da vizinha Espanha. Para além da mostra e venda de fumeiro, as “tasquinhas” voltam a ocupar o lugar central, esperando-se que, à hora das refeições, se verifiquem autênticas “enchentes” para provar os pratos regionais, confeccionados, segundo os costumes tradicionais, como o arroz de costelas e chouriça, o cozido à barrosã, o caldo barrosão ou as costelas de vinho e alho.

Provedores para deficiência com Idália Moniz no Marco A secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, vai estar no Marco de Canaveses na tarde de 26 de Janeiro para reunir com os cinco provedores do cidadão com deficiência que existem no país. A secretária de Estado e os provedores do Porto, Lousã, Marco de Canaveses,

Viseu e Santa Maria da Feira vão analisar e discutir a estratégia nacional para a deficiência. Após o encontro, que vai decorrer na Câmara do Marco de Canaveses, deverão ser conhecidas as orientações e medidas do novo Plano Nacional de Integração das Pessoas com Deficiência e Incapacidade.

outras terras

Associação reconstrói casa de família pobre em Amarante A associação “Habitat for Humanity Portugal”, que se dedica a apoiar famílias carenciadas na construção de uma casa, inicia em Março, através de voluntários locais e internacionais, a sua primeira intervenção em Amarante, anunciou fonte da organização. A fonte adiantou à Lusa que a associação vai ajudar a família Costa - com quatro membros, uma mulher e três filhos - a reconstruir a sua própria habitação, a qual deve ser “digna, saudável e de baixo custo”. “Esta é a primeira família fora do distrito de Braga a receber o apoio da Habitat e de todos os seus voluntários”, sublinhou a fonte. A associação é uma instituição de utilidade pública, oriunda dos Estados Unidos da América, que foi fundada em Braga em Maio de 1996. Desde então já construiu e reparou mais de 30 casas, nas zonas de Braga, Barcelos, Póvoa de Lanhoso, Vila Verde e Vieira do Minho, permitindo que 115 pessoas possam viver numa casa simples, mas com segurança e conforto.

Freguesia de Bustelo A Habitat salienta que o caso da família de Amarante lhe chegou através dos serviços sociais da câmara local, com a indicação de que não possuía “os recursos necessários para recuperar a casa e viver de forma condigna”. A família, residente em Bustelo, Amarante, é constituída pela mãe, Maria Lurdes, solteira e com três filhos, todos adultos, dois dos quais a trabalhar mas que continuam a morar com a mãe, que sobrevive com a sua reforma, e com a ajuda dos filhos, situação que o RM noticiou no final de Outubro. O apoio da associação passa pela reconstrução da habitação que se encontra em fase de degradação e não respeita as exigências mínimas necessárias em termos de condições de habitabilidade. O projecto será realizado em parceria com a empresa de construção MotaEngil, que cede os materiais de construção.

Feira das Papas em Olo A freguesia de Olo volta a viver a 13 e 14 de Fevereiro a sua tradicional Feira das Papas, que decorrerá no espaço polivalente do edifício da Junta de Freguesia. Serão dois dias de degustação de um menú tradicional daquela aldeia do Marão, que inclui papas de sarrabulho, de nabiças e couve. A Feira das Papas de Olo assenta nas tradições locais, marcadas por uma grande ruralidade e por actividades associadas aos trabalhos do campo e da floresta, a exigirem mão-de-obra bem alimentada e possante. O evento acontece no fim-de-semana imediatamente antes do Carnaval, marcado, também, por particularidades gastronómicas, assentes na matança do porco e no aproveitamento das suas carnes. Paralelamente à Feira das Papas, decorrerá uma exposição-venda de produtos locais, que incluem enchidos e fumeiros, mel, compotas e artesanato.


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Douro aproveita BTL para divulgar Património Mundial A Entidade Regional Turismo do Douro revelou esta semana, na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) os novos projectos para combater a sazonalidade neste território e algumas das 11 unidades hoteleiras construídas ou projectadas para este território. O Douro está a aproveitar a BTL para promover o património mundial da UNESCO e atrair mais turistas a este território, onde o principal constrangimento apontado é a sazonalidade, registando muitos visitantes durante o verão e vindimas e esvaziando-se de seguida. Durante o evento a hotelaria vai levantar o véu sobre as mais recentes novidades, com a apresentação, entre outras, do mais recente Hotel Rural do Douro, Quinta do Pego, ou do programa “Páscoa no Douro”, da responsabilidade da HTDouro - Associação de Profissionais de Hotelaria e Turismo do Douro. Segundo dados da Turismo do Douro, abriram as portas ou estão projectados 11

unidades hoteleiras espalhadas por todo o território. Em apreciação estão projectos como a reconstrução de um edifício para alojamernto turístico na aldeia vinhateira de Provesende, em Sabrosa, a Quinta da Pereira Hotel Rural, SPA & Wine, a Quinta da Amendoeira - Enoturismo, Quinta do Paço de Cidadelhe - Hotel Rural, a Quinta da Rede ou a Quinta da Barbatona. Abertos estão já o Hotel Rural Quinta da Pacheca,Hotel Rural Quinta do Pego - Tabuaço, Douro River Hotel, a Quinta da Aveleira Douro e a Casa de Tralhariz. A nível da restauração, a região conta com o Castas e Pratos, K Sushi Bar, LBV 79 e o Restaurante Sol Douro. Na BTL vão ainda ser apresentados os novos programas Enoturismo & Aventura 2010, pela Quinta da Avessada, que têm como grande novidade a primeira enoteca interactiva do Douro, e o novo operador fluvial do rio Douro: Douro à Vela. Os visitantes podem ainda participar no grande concurso “Viva uma Experiência Única Reporter do Marão, N.1229 - 12/01/10 no Douro” e habilitar-se a prémios, como cruzeiros no Douro, fins-de-semana com estadia e pequeno-almoço, visitas a caves e quintas, entre muitos outros. Está previsto que até 2011 passem pelo Douro artistas como B.B. King, Ivan Lins, Carlos do Carmo, Teresa Salgueiro e Mafalda Veiga, e que se realizem o Fórum Mundial do Vinho, o ConProjecto: Aproveitamento Hidroeléctrico do Fridão gresso Internacional de Turismo e o Congresso Proponente: EDP - Produção - Gestão da Produção de Energia, SA Ibérico Região de Grandes Vinhedos. Em 2009, a entidade promoveu um prograLicenciador: INAG - Instituto da Água ma de animação das Aldeias Vinhateiras, a priO projecto acima mencionado está sujeito a um procedimento de Avaliação de Impacte meira edição da mostra de cinema Douro Film Ambiental, conforme estabelecido no n.º 15 do Anexo I do Decreto-Lei n.º 69/2000, de 3 de Harvest e concertos de música clássica em muMaio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 197/2005, de 8 de Novembro. seus e locais de património religioso do Douro. O objectivo da direcção da Turismo do Douro Este projecto localiza-se nas freguesias de Chapa, Fridão, Gatão e Rebordelo (Concelho é dinamizar novas rotas turísticas, diversificar as de Amarante), Arco de Baúlhe, Cavez, Pedraça e Vila Nune (Concelho de Cabeceiras valias e divulgar o património da mais antiga rede Basto), Arnóia, Britelo, Canedo de Basto, Codeçoso e Veade (Concelho de Celorico gião demarcada do mundo. de Basto), Atei, Mondim de Basto e Paradança (Concelho de Mondim de Basto) e

Consulta Pública

Cerva (Concelho de Ribeira de Pena).

Nos termos e para efeitos do preceituado no n.º 2 do art. 14.º e nos arts. 24.º, 25.º e 26.º do Decreto-Lei n.º 69/2000, de 3 de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 197/2005, de 8 de Novembro, a Agência Portuguesa do Ambiente, enquanto Autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental, informa que o Estudo de Impacte Ambiental, incluindo o Resumo Não Técnico, encontra-se disponível para Consulta Pública, durante 40 dias úteis, de 18 de Dezembro de 2009 a 15 de Fevereiro de 2010, nos seguintes locais:

Baixo Tâmega integrado no stand do Porto e Norte de Portugal

Agência Portuguesa do Ambiente Rua da Murgueira, 9/9A - Zambujal - Apartado 7585 - 2611 - 865 AMADORA Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte Rua Rainha D. Estefânia, 251 - 4150-304 PORTO Câmaras Municipais de Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto, Mondim de Basto e Ribeira de Pena O Resumo Não Técnico pode ser consultado nas Juntas de Freguesia acima referidas, encontrando-se também disponível na Internet (www.apambiente.pt). No âmbito do processo de Consulta Pública serão consideradas e apreciadas todas as opiniões e sugestões apresentadas por escrito, desde que relacionadas especificamente com o projecto em avaliação. Essas exposições deverão ser dirigidas ao Director-Geral da Agência Portuguesa do Ambiente, até à data do termo da Consulta Pública. O licenciamento (ou a autorização) do projecto só poderá ser concedido após Declaração de Impacte Ambiental Favorável ou Condicionalmente Favorável, emitida pelo Senhor Secretário de Estado do Ambiente, ou decorrido o prazo para a sua emissão. A Declaração de Impacte Ambiental deverá ser emitida até 30/04/2010. Alfragide, 14 de Dezembro de 2009 O Director-Geral António Gonçalves Henriques

A Associação de Municípios do Baixo Tâmega (AMBT) participa na Bolsa de Turismo de Lisboa, que decorre de 13 a 17 de Janeiro, na Feira Internacional de Lisboa. Este ano a AMBT está integrada no stand promocional do Porto e Norte de Portugal, um espaço que conta com 405 metros quadrados. A AMBT participou nas actividades de animação no dia de abertura da feira, a partir das 16h30, com a actuação de um Quarteto de Madeiras da Orquestra do Norte e Showcookings de “Carne Maronesa” e com a participação do Chefe de Cozinha do “Água Hotels, de Mondim de Basto. Foi também servido um Verde de Honra e doçaria regional, a par da actuação do grupo de música tradicional Andarilhos, de Baião. A feira abre ao público nos dias 16 e 17.


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Eleições no PSD/Bragança disputadas por Telmo e Silvano Médico de Bragança defende apoio expresso a Pedro Passos Coelho

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m histórico local do PSD de Bragança Telmo Moreno anunciou a sua candidatura à distrital do partido com apoio expresso a Pedro Passo Coelho para a liderança nacional, mas sem congresso extraordinário. É a segunda candidatura, depois de José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela, ter também anunciado a corrida à liderança dos sociais-democratas de Bragança. Médico de profissão, Telmo Moreno foi fundador do PSD, já esteve à frente da distrital de Bragança, entre outros cargos, mas apesar de ser uma voz presente a nível interno tem-se mantido afastado nos últimos tempos.

Segundo disse, preferia manter-se como “senador das bases”, mas entende que o momento actual do partido justifica o seu regresso. “Só estou aqui em emergências e este é um dos “INEMs” políticos”, afirmou, na apresentação da sua candidatura com uma lista composta por 75 por cento de juventude, como fez questão de realçar. O candidato à mesa da assembleia distrital é o presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, José Luís Correia, e ao conselho distrital de jurisdição concorre Nuno Gonçalves, candidato derrotado nas últimas autárquicas, em Torre de Moncorvo. Telmo Moreno já foi mandatário de Pedro Passos Coelho e, a título pessoal, revelou hoje que continua a ser o candidato da sua eleição para substituir Manuela Ferreira Leite na presidência nacional do PSD. “Sei o seu valor, as suas ideias, e sei que é um candidato absolutamente credível para liderar o país”, declarou, acrescentando aos que criticam a juventude de Passos Coelho que “também José Sócrates é da mesma idade e ninguém considera que é jovem para governar”. O candidato à distrital de Bragança defende ser necessário “corrigir o rumo que o PSD vem trilhando, tempo de recuperar a matriz fundadora de Francisco Sá Carneiro e de uma nova direcção”, mas não considera útil um congresso extraordinário.

“Um congresso extraordinário para quê? Quem é a direcção, quem responde? A Comissão Política Nacional existe apenas na substância, não existe no facto. Não vale a pena estar a fazer peditórios a meio tempo”, disse. Intitulando-se “um homem das bases”, Telmo Moreno defende numa carta dirigida aos militantes que o PSD “não pode continuar a tratar os companheiros como tropas de choque daqueles que só vêem o partido como um trampolim para satisfação das suas inacessíveis satisfações pessoais”. Disse ainda que uma das razões da sua candidatura prende-se também com “o que se perspectiva a

nível distrital” que considera “perigoso”, referindo-se à candidatura adversária, apresentada segunda-feira e liderada por José Silvano, com Jorge Nunes como candidato à assembleia distrital. Telmo Moreno não concorda que os dois autarcas, de Mirandela e Bragança, já estejam “formatados” para serem candidatos na lista de deputados por Bragança às legislativas com o “partido a trabalhar para eles”. As eleições para a sucessão de Adão Silva na presidência da distrital de Bragança do PSD estão marcadas para sábado e podem votar os 1214 militantes com quotas em dia de um total que ronda os três mil.

Autarcas de Mirandela e Bragança à conquista da Distrital laranja José Silvano foi o primeiro candidato oficial às eleições de sábado para a distrital de Bragança do PSD e rejeitou assinar petições para a realização de um congresso extraordinário e indicar aos militantes um candidato à liderança do partido. José Silvano disse, durante a apresentação da candidatura, que não vai “assinar nenhuma petição para convocar um congresso”, embora entenda que se este se vier a realizar, será “útil para discutir o país e não questões internas do partido”. O candidato à distrital de Bragança garante ainda que a sua lista “não tem nenhum candidato escolhido para presidente” do PSD. “Discutiremos com os militantes todas as soluções que aparecerem”, afirmou, adiantando que do seu programa eleitoral constam debates temáticos e com os candidatos que vierem a surgir para a sucessão de Manuela Ferreira Leite. “Sem impor escolhas e apoios, cada um escolherá conforme a sua consciência”, sublinhou, realçando o propósito de dar “mais voz aos militantes”. José Silvano propõe-se ainda “preparar o partido a nível distrital com o objectivo de o partido a nível nacional chegar ao poder neste espaço de tempo”, referindo-se ao mandato de dois anos. “Gente mais nova” é o lema da candidatura, que apresenta o presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, para a presidência da mesa da assembleia distrital. Silvano e Nunes são dos autarcas sociais-democratas que, no distrito de Bragança, têm conseguido vitórias mais expressivas para o PSD, estando o primeiro à frente do município de Mirandela há 15 anos e o segundo do de

Bragança há 12 anos. José Silvano é também apoiado por um dos fundadores do PSD de Bragança, Júlio de Carvalho, ex-governador civil, para quem o partido precisa de “renascer”. “Dá a sensação que cada um faz o que quer sem qualquer sanção”, declarou. Os militantes vão escolher, sábado, o sucessor de Adão Silva, que decidiu não se recandidatar, mantendo-se como deputado na Assembleia da República, como um dos dois eleitos do PSD pelo círculo de Bragança. José Silvano disse que se teria demitido e incentivado os restantes elementos a renunciarem se fosse presidente da distrital quando, nas últimas legislativas, a líder Manuela Ferreira Leite impôs para Bragança um cabeça-de-lista de Penafiel, José Ferreira Gomes.


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Instituição de Bragança ajuda pobres a sair da exclusão Centena e meia de pessoas vão ser incentivadas a criar o seu posto de trabalho

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ma instituição social de Bragança vai ajudar pessoas em situação de exclusão a encontrar trabalho. Um das metas é ajudar 150 pessoas a sair da exclusão, encontrando emprego ou criando o próprio posto de trabalho. Alguma pobreza com que lidam instituições de solidariedade pode ser resolvida com pequenas noções de economia doméstica, defenderam responsáveis de um novo projecto social de Bragança. “Inovar e participar para incluir” é o lema do projecto que arrancará durante o mês de Janeiro e vai ser conduzido, durante três anos, pelo Centro Social e Paroquial dos Santos Mártires. Para Carla Pires, a coordenadora do projecto, a luta contra a exclusão e pobreza também passa por outras abordagens, nomeadamente dando às pessoas noções básicas do quotidiano como gerir o orçamento familiar.

| Ensinar a gerir |

Para os técnicos que lidam com os casos no terreno, algumas vezes, embora seja escasso, o problema não é tanto a falta dinheiro, mas sobretudo a capacidade para o gerir. Carla Pires contou à Lusa “alguns casos de pessoas que precisam e estão a ser ajudadas, mas que se

for preciso vão ao supermercado e compram produtos de marca em vez de outros mais baratos”. O projecto contempla formação nesta e outras áreas e vai ser desenvolvido no âmbito dos Contratos Locais de Desenvolvimento Social da Segurança Social, com uma comparticipação financeira de 575 mil euros. Para o efeito, foi constituída uma equipa de cinco técnicos que vai fazer o atendimento em gabinetes destinados a esse fim, mas também deslocar-se junto da população para proceder a um levantamento “porta-a-porta” das necessidades e problemas das pessoas.

| Um terço da população | O projecto abrange um terço da população do concelho de Bragança, cerca de 12500 pessoas, espalhadas por parte da freguesia urbana da Sé, Gostei, Carrazedo, Nogueira e Rebordãos. A aquisição de uma viatura que percorrerá regularmente as freguesias abrangidas faz parte do projecto com o propósito também de levar informação, animação e actividade sobretudo à população mais idosa. O território de intervenção é ocupado por uma população envelhecida ou com vários problemas de

exclusão. Segundo a coordenadora Carla Pires, o trabalho será feito em parceria com outras instituições da Rede Social, permitindo o encaminhamento dos casos de acordo com as necessidades. A equipa técnica acredita que a meta de ajudar a encontrar/criar emprego será concretizável, apesar da conjuntura actual. Para esse objectivo contribuirá o próprio Centro Paroquial dos Santos Mártires que planeia criar algumas dezenas de postos de trabalho em novas empresas de inserção social e equipamentos sociais.

Uma equipa de cinco técnicos vai fazer o atendimento e deslocarse junto da população para proceder a um levantamento das necessidades e problemas das pessoas.


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Governador Civil pede mais meios para o IP4

Douro quer aumentar permanência dos turistas Dormidas ao fim-de-semana ocupadas a 56% O grande desafio do Douro é aumentar o número de dormidas em alojamentos turísticos, aumentando a breve prazo de uma duração média de 1,4 para as duas dormidas por turista, afirmou o presidente da Turismo do Douro. António Martinho, que falava no decorrer de uma sessão informativa sobre apoios ao turismo, que decorreu esta tarde em Vila Real, referiu que o Douro tem que “aumentar sobretudo a permanência dos turistas”. Segundo o responsável, o Douro, até Outubro, ocupou “o primeiro lugar no Continente”, com uma taxa de ocupação ao fim-de-semana de 56 por cento das 3200 camas contabilizadas na região. “Mas a nível do conjunto da semana, estamos a meio da tabela, em quarto ou quinto lugar, com uma taxa de ocupação a rondar os 40 por cento”, frisou. António Martinho considera que para o terri-

tório cumprir o objectivo de aumentar o número de dormidas tem “também que subir significativamente o número de camas”. E, para o efeito, defendeu que os empresários da região “têm que saber aproveitar a oportunidade” concedida pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), que estabeleceu um programa de incentivos de 7,5 milhões de euros para o sector do turismo na região Norte e cujo prazo de candidaturas termina a 01 de Fevereiro. “Ora se nós precisamos de aumentar o número de camas e se damos tanta importância ao turismo em espaço rural ou turismo de quinta, é importantíssimo para nós que um sistema de incentivos enquadre precisamente esses projectos. Ou até mesmo para a reconversão de pensões ou estalagens”, salientou.

| Novo hotel em Lamego | Quem quer aproveitar os apoios financeiros para concluir a construção de um hotel de quatro estrelas em Lamego é o empresário Delfim Mendes. Com previsões de abrir ainda este ano os primeiros 28 quartos do empreendimento, o empresário quer concluir o projecto com mais 14 quartos e salas de congressos. O número de postos de trabalho a criar é de 20. O investimento ronda os oito milhões de euros, com um financiamento comunitário de 1,3 milhões de euros, mas Delfim Mendes diz que necessita de mais apoios para concluir o projecto. “Já investi em Angola e Moçambique, na área da hotelaria e construção civil, e vim investir agora na minha terra natal”, concluiu.

O Governador Civil de Vila Real anunciou que vai pedir mais limpa-neves para o Itinerário Principal 4 (IP4), reconhecendo a insuficiência de meios para fazerem a limpeza desta via. Concessionado à Auto-Estradas 21, o IP4 possui três limpa-neves para garantirem a limpeza da via e espalhamento de sal nesta estrada que liga os distritos do Porto, Vila Real e Bragança. Meios esses que, segundo o Governador Civil de Vila Real, Alexandre Chaves, no domingo se revelaram insuficientes. O IP4, na Serra do Marão, foi cortado ao trânsito domingo de manhã por causa do nevão que caiu sobre a região transmontana, mas a ligação até Bragança manteve-se aberta. Durante a tarde, muitos veículos ficaram retidos nas zonas do Pópulo, entre Alijó e Murça, e Justes, a poucos quilómetros de Vila Real, com automobilistas a queixarem-se de terem demorado “entre três a cinco horas” a fazerem este trajecto. Alexandre Chaves defende a necessidade de rever o contrato de manutenção do IP4, um pedido que disse que vai solicitar com urgência à Estradas de Portugal, de forma a que os meios sejam reforçados nesta que continua a ser a principal estrada de ligação de Trás-osMontes e Alto Douro ao litoral. “Isto, enquanto as novas auto-estradas não estiverem em funcionamento”, salientou. Em construção estão, neste momento, a Auto-Estrada Transmontana, entre Vila Real e Bragança, e a Auto-Estrada do Marão, que vai ligar Amarante a Vila Real. Contudo, o túnel do Marão, troço de seis quilómetros sob a serra – entre Ansiães e a Campeã – que resolverá definitivamente os problemas com os nevões no Alto de Espinho, está parado desde há dois meses por decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Penafiel. O tribunal acolheu a providência cautelar interposta pela empresa Água do Marão que alega que a construção do túnel vai colocar em causa a exploração das águas de nascente da empresa.


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Quercus não quer mais eólicas no Marão e Alvão

Fumeiro de Montalegre de 21 a 24 de Janeiro A 19ª edição da Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso, certame que torna Montalegre na capital dos enchidos e do presunto uma vez por ano, vai realizar-se de 21 a 24 de Janeiro no pavilhão multiusos daquela vila barrosã. A organização do evento é do Município de Montalegre e da Associação de Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã. Segundo revela a organização, o evento de 2010 tem mais produtores inscritos (79) e mais animais identificados (790). Os produtores de fumeiro são confrontados com a nova legislação, mas a organização apelou os agricultores “para seguirem o caminho do rigor alertando-os para a nova legislação que implica mais exigências”. Orlando Alves, vice-presidente do município e o mais directo responsável pelo sucesso da feira, tem apelado à calma dos produtores que normalmente se assustam e preocupam quando é preciso mudar, segundo informa o site do município na internet. “Há um prazo de dois anos para a adaptação às novas circunstâncias e para cumprir aquilo que está estabelecido» mas cada produtor terá de possuir uma “marca de exploração”, defende Orlando Alves. Como habitualmente, a feira será apresentada esta semana na Casa de Trás-os-Montes e Altodurienses do Porto e na Casa de Trás-os-Montes de Braga.

Pedreira encerrada no Montesinho A câmara de Bragança mandou encerrar provisoriamente a pedreira que alegadamente originou a avalancha de lama que afectou casas e campos da freguesia de França, no Parque Natural de Montesinho, além de danos em duas habitações. O município aprovou a “suspensão da laboração e encerramento preventivo” e vai imputar ao empresário a responsabilidade dos danos que venham a ser identificados, além de exigir a apresentação da licença de exploração. Foi ainda decidido solicitar ao Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) “a avaliação urgente da situação sob o ponto de vista ambiental e paisagístico”.

A Quercus considera que a proliferação de aerogeradores e novos acessos podem afectar a preservação do Lobo Ibérico nas serras do Alvão e Marão e, por isso, manifesta-se contra a construção de novos parques eólicos naquelas montanhas do distrito de Vila Real. O Parque Eólico das Vilas Altas prevê a construção de 56 aerogeradores, de 73 quilómetros de linhas eléctricas e de 4,2 quilómetros de novos caminhos que atravessarão Rede Natura 2000 e entrarão parcialmente no Parque Natural do Alvão. Dividido por quatro sub-parques, este empreendimento estende-se aos concelhos de Vila Real, Mondim de Basto e Vila Pouca de Aguiar. No âmbito do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) deste parque eólico das Vilas Altas, a Quercus participou na fase de consulta pública com um documento em que denuncia o “impacto brutal” que as estruturas terão “sobre a presença de mamíferos selvagens nesta zona, nomeadamente do lobo ibérico e das suas presas”. “É óbvia e reconhecida no EIA a desfiguração, destruição, deterioração e perturbação do habitat do lobo pelo que este empreendimento, a ser autorizado, afigura-se como uma clara violação das leis Comunitárias e da República Portuguesa, atrás referidas, e portanto ferido de ilegalidade”, refere o documento.

| Risco de colisão para aves | Os ambientalistas denunciam ainda o “risco de morte por colisão”, já que, consideram que o “clima local, com presença de grande nebulosidade e nevoeiro nas cumeadas, provocando a falta de visibilidade dos aerogeradores e das linhas eléctricas será um factor acrescido na mortalidade das aves”. Por causa dos efeitos cumulativos com outros parques e acessos existentes no território, a Quercus fala “numa redução e perturbação dos territórios da caça das aves de presa”. De acordo com a associação, encontram-se referenciadas para esta área 146 espécies de aves. As serras do Alvão e do Marão “são importantes” para a conservação da Águia-real, por albergar

um casal isolado que se tem mantido estável, com reprodução regular, e, nesta área, existe ainda um núcleo residente de Gralha-de-bico-vermelho que durante o Inverno vê aumentado o seu efectivo por aves que surgem nesta área para se alimentarem. Os EIA’s dos quatro sub-parques referem que a maioria dos impactes negativos se fazem sentir durante a fase de construção e que se forem aplicadas correctamente as medidas mitigadoras indicadas, os impactes identificados serão em grande parte reduzidos. Relativamente aos acidentes de colisão com os aerogeradores, o EIA refere que estes, “segundo os vários estudos que se têm feito sobre parques eólicos relativamente às aves e morcegos, são em número muito reduzido, apesar de ocorrerem com maior incidência no grupo dos morcegos”.

Teatro Experimental Flaviense assinala 30 anos A estreia da peça “Jorge Dandino ou um marido confundido”, da autoria de Molière e encenação de Ruy de Matos, marca as comemorações dos 30 anos do Teatro Experimental Flaviense (TEF), sedeado em Chaves. O director da companhia, Rufino Martins, referiu que a nova peça estreia a 03 de Fevereiro, no Cine Teatro Bento Martins e revela os estratagemas de uma jovem mulher para ludibriar o seu marido, numa história que tem como pano de fundo o prenúncio da Revolução Francesa. Molière é considerado um dos mestres da comédia satírica. Ainda em Janeiro, decorre uma sessão solene que tem como tema “O Teatro Experimental Flaviense, um percurso com 30 anos de actividade contínua e a sua importância para a cultura e

o teatro”. No mesmo dia é inaugurada a exposição de figurinos e fatos das peças de teatro encenadas no TEF por Ruy de Matos, que ficará patente até 08 de Fevereiro. A 06 de Fevereiro decorre a apresentação pública nacional do livro “Manuel de Figurinos Dissertações Avulsas”, uma publicação do INATEL da autoria de Ruy de Matos. O TEF é uma Cooperativa Cultural, fundada em 1980, que, ao longo de 30 anos de actividade contínua, recebeu vários prémios e menções como o Prémio Podium 92, Prémio Alto Tâmega 93, Prémio Podium 99, Prémio Especial do Júri dos Prémios Podium 2005 e a Medalha de Mérito Municipal - Grau Bronze, atribuída pela Câmara Municipal de Chaves em 2001.


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opinião

Navegar à bolina

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ste ano de 2010 não vai ser fácil. É, seguramente, uma verdade de La Palisse, mas não há outra forma de colocar as coisas quando nos pedem uma abordagem às perspectivas económicas regionais e nacionais para este ano que agora se inicia. O tom foi dado nesta semana pela Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s. De forma mais ou menos coincidente, as agências de rating colocaram o dedo na ferida: são indispensáveis medidas concretas e credíveis de consolidação orçamental e o Orçamento de Estado para 2010, por um lado, e o Programa de Estabilidade e Crescimento, por outro, têm que reflectir. O ponto de partida está definido e não é animador: economia estagnada, desemprego acima dos 10%, défice à volta dos 9%, rácios de endividamento que levantam incertezas para o futuro. Dir-se-ia que, neste momento, perante os efeitos tão profundos da crise e perante as dificuldades estruturais da economia portuguesa, tudo o que país não precisava era de instabilidade política. Mas o resultado das eleições de Setembro de 2009, conjugado com uma total incapacidade dos políticos portugueses em estabelecerem compromissos de fundo e de valor estrutural, lança nuvens negras sobre os tempos mais próximos. Tivemos quatro anos e meio de estabilidade política que produziram poucos efeitos estruturantes na economia portuguesa. Agora, temos uma oposi-

mento fiscal a que elas estão sujeitas? ção empenhada em governar à reveAlguém conhece ideias e projectos lia e um governo empenhado em dispara agilizar a injecção na economia cutir tudo menos aquilo que é mais de fundos comunitários do QREN premente para os portugueses. (Quadro de Referência Estratégico É óbvio que o casamento gay é Nacional), cuja aplicação conhece perum assunto importante. Mas não era centagens baixíssimas, sobretudo nos preciso “parar” o país para isto, até programas de apoio às empresas? porque os portugueses (parece-me) O país não pode continuar a assoconsideram que todos os cidadãos biar para o lado, à espera que a temnasceram para ser iguais em direipestade passe. O país não pode contos e prerrogativas e nem atribuem tinuar mergulhado em discussões e grande controvérsia ao assunto. Basdebates públicos mais ou menos alartava tomar decisões sobre o assunto e gados sobre tudo e sobre nada. São avançar. Ponto final. necessárias decisões efectivas e políMas não é por aí que o primeiroticas duradouras. Portugal precisa de ministro pretende ir. Porque enquan- Rui Coutinho estabilidade nas suas opções macroto se discutirem estes assuntos “frac- Paços de Ferreira económicas e nas reformas que se vão turantes”, ninguém se lembra que a aplicando. economia e as empresas estão a defiA incapacidade de decisão prejudica profundanhar lentamente. O país não pode continuar a viver em função de mente o país. Pior do que que más medidas é a inexistência de estratégias de oportunidade e de conveniências momedidas ou o medo de as tomar. mentâneas. Portugal precisa de dar a volta. Se não o soube Alguém conhece ideias e projectos (do governo ou da oposição, bem entendido) para o relançamento da fazer quando as marés eram favoráveis, pelo meeconomia, tendo em conta as suas debilidades cróni- nos que o tente fazer agora que a tempestade não cas? Alguém conhece ideias e projectos para apoiar dá tréguas. O que não dá é para continuar a naveefectivamente as empresas, revendo o estrangula- gar à bolina.

Protecção Civil é tarefa de todos O c oncelho de Amarante, pelas suas características naturais, determina especial acuidade no que à protecção civil diz respeito. Destacandose pela estação do ano em que nos encontramos, sobretudo os locais de maior altitude e os rios. Por norma o inverno tem a particularidade de nos presentear com as chuvas e o frio. O que, invariavelmente, tem implicado cheias sobretudo na zona baixa da cidade, e ainda, a queda de neve nalguns pontos do concelho. Ora, nas situações de emergência, têm intervindo os Agentes de Protecção Civil, com o objectivo de minimizar as consequências para pessoas e bens. Contudo, e porque na própria definição da protecção civil está claramente expresso que esta é uma actividade também desenvolvida pelos cidadãos, importa, que cada um interiorize a sua responsabilidade neste âmbito, adoptando as atitudes correctas de prevenção e acção. Recomenda-se por isso, que as pessoas como medidas de precaução genéricas para o inverno, atentem no seguinte: - Informações meteorológicas e indicações prestadas pela protecção civil através dos meios de comunicação; - Condução de veículos a baixa velocidade em vias propensas à formação ou persistência de gelo; - Ventilação dos aposentos quando se utilizam lareiras ou braseiras; - Não secar roupa nos aquecedores, e afastá-los de cortinados, tecidos ou mobílias; - Na utilização de lareiras, usar um resguardo próprio para evitar que qualquer faúlha salte para fora e igualmente para impedir uma possível queda de pessoas para o seu interior, sobretudo crianças ou idosos; - Utilizar várias camadas de roupa em vez de uma única peça de tecido grosso. Evitar roupas muito justas ou as que façam transpirar;

- Evitar as actividades físicas intensas que obriguem o coração a um maior esforço, uma vez que o ar frio não é bom para a circulação sanguínea; - Se suspeitar que você ou alguém que o rodeia está com sinais de hipotermia (corpo frio com tremuras, pele roxa e falta reacção) ligar imediatamente para o 112. Na circunstância de ser previsível queda de neve e formação de gelo nas estradas, devem adoptar-se as seguintes medidas: Para quem pretende viajar, - Evitar fazer viagens para as zonas onde se prevê a queda de neve, procurando antecipar ou adiar essas viagens No caso de ter mesmo de o fazer, - Procurar informar-se através das concessionárias ou das forças policiais, de quais os condicionamentos de trânsito existentes e vias alternativas de circulação; - Estar atento antes e no decurso da viagem às informações difundidas pelos órgãos de Comunicação Social; - Circular preferencialmente utilizando as vias rodoviárias mais seguras; Helder Ferreira - Tomar alguVereador CM Amarante mas medidas preventivas como sejam munir-se de correntes, alguns agasalhos e alimentação suplementares e garantir o abastecimento do depósito do veículo, para fazer face à possibilidade de ser forçado a paragens prolongadas durante a via-

gem devido à neve e ao gelo. Nos locais onde se verifique a queda de neve: - Seguir escrupulosamente as indicações transmitidas pelas autoridades policiais no que concerne ao respeito pelos cortes da estrada, percursos alternativos, sinalização e outras informações; - Evitar parar ou abandonar a viatura na faixa de rodagem, contribuindo para o aumento do congestionamento de trânsito; - Ter especial atenção à brusca formação de gelo na estrada, que poderá dificultar a condução e provocar o atravessamento dos veículos e ocorrência de acidentes. Na circunstância de ser previsível queda de chuva forte, devem adoptar-se as seguintes medidas: - Desobstruir os sistemas de escoamento das águas pluviais e retirar inertes que possam ser arrastados; - Limpar bueiros, algerozes, caleiras e respectivos sistemas de escoamento; - Adoptar cuidados redobrados com as actividades relacionadas com o rio, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos, passeios à beira-rio e estacionamento de veículos nas margens; - Conduzir a velocidades baixas, nomeadamente nas vias propensas à formação de lençóis de água ou persistência de gelo. Por último, e porque a eficiência e a eficácia dos agentes de protecção civil, em situação de emergência, depende sobretudo da atitude de cada um, devem evitar-se comportamentos de risco que poderão originar acidentes não previstos, como por exemplo o desrespeito pela sinalização de trânsito e indicações das forças de segurança; a deslocação aos locais sujeitos a queda de neve para efeitos lúdicos; o estacionamento de veículos ou a sua deslocação para os locais sujeitos a cheias, e ainda, a permanência nos locais alvo de intervenção de socorro. Colabore com a protecção civil, a segurança depende de todos.


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O livro verde da mobilidade A

Câmara Municipal de Penafiel apre- pre positiva. Mas depois como vai ser feita a sentou recentemente e com a pom- ligação da cidade para lá? pa habitual, um Plano Estratégico de A zona das Lages vai dar uma grande volta, Mobilidade da Cidade de Penafiel (PEMCP). com tudo aquilo que para lá se prevê. Até uma Trata-se de um livro profusamente ilustrado e praça de homenagem a António Nobre. Sim sebem feito. Se calhar, um luxo pouco acessível nhores. António Nobre, que não deixa de andar ao comum dos mortais penafidelenses. no colo de quem manda nesta terra. Foi assim Do que eu compreendi, parece que vão no tempo do PS, é assim no tempo desta coligahaver profundas alterações e não apenas ção de direita. António Nobre, claro, quem mais “correcções de mazelas”, como disse há tem- podia ser? Só se fosse o Daniel Faria. pos o nosso presidente da Câmara, Dr. AlberPorque é que não transformam aquele loto Santos. cal das Lages, num parque de estacionamenTodo o penafidelense bairrista, mesmo o to e campo da feira, “limpando” a cidade deste de paróquia, quer é que esta terra progrida e desusado e feio comércio de barracas? ande para a frente, e eu tenho sérias dúvidas Quanto à mobilidade em forma de autose os 10 milhões de euros que se vão gastar móvel, não entendo o desvio do trânsito, que nos próximos cinco ou seis anos, sirvam para vem do antigo hospital para a Rua Faião Sotirar Penafiel da “cepa torta”. Estou em crer ares e Rua do Bom Retiro, se bem que esteja que estes dois milhões de contos vão dar ape- de acordo que quanto menos trânsito na cidanas para umas caríssimas operações de cos- de, melhor. É que o fluxo de automóveis pode mética, que não irão ao encontro da promessa ser demasiado intenso, para umas ruas tão de uma cidade mais atractiestreitas. Já agora quero diva daqui a quatro anos, como zer que o sentido do trânsipromete a vereadora da moto na rampa das freiras, está bilidade, engª. Paula Teles. na minha opinião ao contráÉ que esta requalificario. Deviam deixar sair e não ção já começou há alguns entrar automóveis na cidaanos com a pandemia do de. E depois descer é mais granito que se abateu sobre fácil que subir, produzindo os passeios da principal avemenos CO2. nida da cidade, acinzentanNa rua da Saudade, o do-os mortalmente. que lá fizerem, ficará condiE que melhoramencionado pela insólita constos poderão advir deste trução de um prédio quase PEMCP se como diz a mino meio da estrada, que veio nha opinião, já começaram estragar tudo. mal? Os passeios estão larComo se pode compregos, estão espaçosos, mas ender que queiram virar a com aquele piso, estão feios. A. Beça Moreira cidade do avesso, quando ela E depois, largura não é for- Penafiel já tem já o seu direito prómosura. Estes passeios são prio há 240 anos? Não queiautênticas ciclovias. As biciram transformar uma “vecletas têm de facto muita mobilidade num es- lha” cidade , numa “coisa” nova. paço que era suposto ser só para peões.  Fico Tenho para mim que para alindar a cisem fala quando me dizem que a zona que vai dade, não era preciso tanto estardalhaço. Eu do Café Bar até à Nova Doce está mais boni- não precisaria de muitas palavras, nem tantas ta. Cada um tem o seu conceito de beleza. Mas páginas para dizer como ficava linda e atrachá muita gente, cujo conceito de beleza está li- tiva a nossa cidade. Não precisaria de tanta gado à cor partidária e por aí eu não vou. cerimónia, tanto holofote, tanto flash. Só me Não sei o que vão fazer na Praça Munici- bastava um conjunto de sensibilidades em tapal, mas parece que vão suprimir três ou qua- manho natural. E Penafiel seria com certeza, tro árvores a um dos nossos maiores ex-libris como dizia a brincar Justino do Fundo, a mee retomar a cor mortiça do granito no resto lhor terra do mundo. dos passeios. Lamento que assim seja. Quando há seis ou sete anos, se iniciaram Na Praceta da Alegria é de facto necessá- as obras de requalificação urbanística nesta ria uma intervenção no que diz respeito ao es- cidade, Penafiel perdeu uma grande oportutacionamento. Aquilo é uma bagunça de todo nidade de ser mais feliz. Penafiel perdeu muio tamanho. Mas é mirabolante a instalação to, Penafiel morreu um pouco. (tanto quanto me parece) de uma passagem Eu sinceramente não acredito neste “liaérea e elevador, do antigo Posto de Turismo vro verde da mobilidade”. Penafiel não vai fiaté à zona dos correios e finanças. As pesso- car mais linda, nem mais atractiva. Vai ficar as podem e devem andar a pé. Quem não qui- ao gosto de engenheiros, arquitectos e polítiser descer as escadas, vai à volta de um lado e cos, cujas cultura e sensibilidade andam perto ou do outro. Também não estou a ver uma ro- de gostos partidários e longe do bom gosto e tunda junto às escolas Conde de Ferreira. O do bom senso, basta olhar para alguns exemespaço é escasso, só se ela for do tamanho de plos que por aqui já deram à costa. uma moeda de um euro. Só me resta lamentar e morrer de inveSaúdo a requalificação na zona de Puços. ja quando olho para outras pequenas cidades Qualquer intervenção naquele local será sem- deste país.

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Regionalização: a última oportunidade do interior? N

o início do ano que agora termina, publiquei uma reflexão na qual considerei que no debate sobre a regionalização deveriam ser dadas garantias de que por um lado o modelo a implementar não poderia implicar o aumento de custos de funcionamento da Administração Pública e por outro lado o modelo das cinco regiões (que está em cima da mesa) deveria garantir como objectivo essencial a homogeneidade de cada uma das regiões (nomeadamente entre litoral e interior). Foi esta a premissa da minha intervenção nas Jornadas Parlamentares do PS que nos passados dias 15 e 16 decorreram em Beja sob o tema, Desenvolvimento Regional, Competitividade e Sustentabilidade. Sem dúvida que nunca, como nos últimos 35 anos do Portugal democrático, tanto se investiu no interior de Portugal, quer nas infraestruturas viárias ou ferroviárias, quer na cultura, na educação, nas redes de abastecimento de água, no saneamento, ou mesmo no lazer e qualidade de vida das pessoas. Todavia não deixa de ser verdade que longe de se ter conseguido inverter a perda de população, iniciada nos anos 50 do século passado, em quase todos os concelhos do interior se continua a perder população e riqueza. Não deixa igualmente de ser verdade que nos últimos anos muitas cidades do interior se afirmaram no cenário nacional pelas suas universidades, politécnicos e mesmo pela afirmação de fileiras tecnológicas e industriais. Este caminho não só não é suficiente como é incapaz de suster a desertificação do interior e a prova disso é que em Portugal, se concentraram no litoral, e numa faixa de território entre Braga e Setúbal cerca de 80% da população e da riqueza do país e, em Lisboa quase toda a capacidade de decisão. Durante décadas, os sucessivos dirigentes políticos, quer da

ditadura quer da democracia e de todos os partidos não utilizaram qualquer estratégia vencedora e consensual que impedisse este movimento contribuindo para a realidade em que quase todas as vilas e aldeias do interior estão, e se nada se fizer, condenadas a desaparecer. Não entendo, ao contrário de muitos, que a regionalização seja o remédio milagroso para o problema: perdeu-se muito tempo, perdeu-se muita gente e acima de tudo o país perdeu uma grande oportunidade de crescer de uma forma sustentada: grandes cidades como Lisboa e Porto também não são nenhum exemplo pela forma como cresceram desordenadamente. Num período de crise mundial, em que ninguém será capaz de prever qual será a configuração da economia mundial para os próximos anos ninguém duvide de que Portugal precisará de regiões fortes e equilibradas. A economia pede-o e a democracia exige-o. Numa Assembleia da República, onde agora a discussão e o

Jorge Seguro Sanches Deputado PS

debate político estão reforçados espero uma legislatura capaz de trazer o interesse do interior e das regiões mais desfavorecidas à agenda política. Espero que com responsabilidade e sem os habituais populismos de quem apenas age pensando no imediato.


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crónica|diversos

A.M.PIRES CABRAL

Baba de camelo Escrevo estas linhas no dia primeiro de Janeiro, regressado (e um tanto enjoado, convenhamos, e também arrependido) de uma orgia de filhós, rabanadas, arroz doce, aletria, leite-creme, bombons e outras doçuras da quadra que são um quebracabeças para qualquer cinto e para qualquer balança. Come-se muito, no Natal. Não só em nossas próprias casas, como nessas ceias que se tornaram moda nos últimos anos, de funcionários daqui, empregados dali, professores dacolá, amigalhaços de longa data, etc. e tal. Não há corporação que não organize a sua ceia de Natal. No restaurante em que participei numa delas, estavam a decorrer simultaneamente cinco ou seis outras ceias de Natal. Em tempos que são de crise, o Natal vai-se tornando assim no São Miguel dos restaurantes e casas de pasto, como já o era dos comerciantes. Depois é que são elas. Aqui d’el-rei que engordei dois quilos, aqui d’el-rei que as calças não me servem (ou as saias, no caso — porventura mais dramático — das senhoras). E fazemse então juras e promessas de desfazer, ao longo do ano, os malefícios dos excessos do Natal, esmoendo os quilos a mais a poder de dietas e chá verde — só para, chegado outro Natal, voltar tudo à estaca zero. A isto se podia chamar metaforicamente uma serpente que morde a própria cauda. Bom, mas não é destas fraquezas humanas que eu quero falar hoje. Em todo o caso, falarei de comida. Uma travessa bem apresentada, se possível alegrada com as cores vivas dos legumes, redobra o prazer da mesa. Pelo contrário, um troço de carne partido às três pancadas, longe de apetecer, aborrece. O nosso povo sabe disso muito bem, e por isso inventou um anexim que diz: ‘A gente também come com os olhos’. Quando era muito pequeno e ouvia dizer isto, levava o caso à letra e ficava-me a cismar como diabo é que seria possível meter por exemplo uma garfada de couve-troncha pelos olhos aden-

tro. E os olhos teriam dentes? Com o passar dos tempos e o advento da capacidade de tresler — isto é, de distinguir o sentido real do sentido figurado —, pude enfim compreender. E nada me parecia mais acertado, a mim, que sempre fui um esquisito no que toca ao aspecto das comidas. De facto, os olhos também comem, e por isso conheço muito boa gente que, incapaz de abstrair do aspecto feio de certos pratos — um arroz de lampreia ou uma chanfana, por exemplo — não comem e não sabem por isso o que perdem. Ultimamente, deu em aparecer em todos os restaurantes uma sobremesa chamada baba de camelo. Reflectindo sobre este estupor deste nome — o padrinho deve estar a estas horas a prestar contas do desconchavo a Belzebu — acabei por decidir que a gente não só come também com os olhos, como come também com os ouvidos. Pela parte que me toca, nego-me em absoluto a comer baba de camelo. Dizer este nome é representarem-se-me muito vividamente na ideia as escorrências bucais de um camelo acabado de chegar de uma travessia do Deserto do Saará. Possivelmente perco muito com esta repulsa, mas é superior às minhas forças. Podia até citar contra mim o grande Shakespeare: What’s in a name? that which we call a rose / By any other name would smell as sweet. Vem esta pérola no Romeu e Julieta. Traduzindo livremente, para quem não meta dente no inglês: “Que importa o nome? Aquilo que chamamos rosa cheirava bem à mesma com outro nome qualquer.” E é capaz de ser verdade. Mas nem doutrinado por Shakespeare, um dos santos do meu altar, sou capaz de comer baba de camelo. E gosto até de brincar nos restaurantes — quando a maré vai de brincar — perguntando ao empregado, na hora de pedir a sobremesa: – Tem baba de camelo? – Temos, sim. – E ranho de hipopótamo? Alguns afinam. pirescabral@oniduo.pt

Ana Moura e Rodrigo Leão no Teatro de Vila Real

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na Moura e Rodrigo Leão são os destaques da programação do Teatro de Vila Real para os primeiros meses de 2010. Também o espectáculo de teatro “Otelo”, do dramaturgo inglês William Shakespeare, será apresentado no primeiro trimestre, anunciou a instituição. Realce na programação do Teatro Municipal de Vila Real também para mais uma edição do FAN - Festival de Ano Novo que até ao final do mês propõe 24 concertos nas cidades de Vila Real, Bragança e Chaves. Os músicos são provenientes da Bulgária, Bélgica, Coreia do Sul, Inglaterra e Portugal e, sob o lema, “Música séria para gente divertida”, o FAN pretende chegar a públicos de todas as idades e de todos os gostos e ao mesmo tempo incentivar o turismo cultural neste território.

| Rodrigo Leão a 13 de Fevereiro, Ana Moura a 6 de Março | Segundo a fonte, neste pri-

meiro trimestre do ano, os “momentos altos” na área da música são os concertos

de Rodrigo Leão, que regressa a Trás-osMontes a 13 de Fevereiro para apresentar o novo álbum “A Mãe”, e a fadista Ana Moura, que actua pela primeira vez em Vila Real a 06 de Março com o seu mais recente trabalho “Leva-me aos Fados”. Uma das “obras maiores” do dramaturgo inglês William Shakespeare, “Otelo”, será apresentada em Março pela ACE/Teatro do Bolhão, o espectáculo que dá o arranque ao Vinte e Sete - Festival Internacional de Teatro. As propostas nesta área integram ainda outro dramaturgo importante da história do teatro, Samuel Beckett, com a peça “Começar a Acabar”, que será representada pelo actor João Lagarto.

| Companhia de Lousada no palco com Garrett | A

dramaturgia portuguesa será representada pela Jangada Teatro, companhia de Lousada, que em 2009 celebrou dez anos de actividade teatral ininterrupta, que leva ao palco transmontano a peça “Frei Luís de Sousa”, de Almeida Garrett. A fonte referiu ainda que os novos dramaturgos portugueses também têm espaço na programação de 2010, como é o caso de Daniel Jonas, que verá um dos seus textos encenados pela companhia Teatro Bruto. A peça “Reféns”, com texto de Daniel Jonas, assinala o sexto aniversário do Teatro Municipal de Vila Real. O espectáculo de novo circo “Paisagens em Trânsito” será apresentado pela companhia Circolando, e na área da dança, a Quorum Ballet, vencedora da primeira edição dos Prémios de Dança em Portugal, apresentará o espectáculo “Impacto”, que inclui uma sessão para as escolas. Pelos palcos do teatro passarão ainda os portugueses The Weatherman, um banda que recupera o universo pop dos Beatles, ainda a Roda de Choro de Lisboa, que une músicos portugueses e brasileiros, e a OliveTreeDance, uma banda de Renato Oliveira, natural de Vila Real.


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C a r t o ons de Santiagu Fundado em 1984 Quinzenário Regional Registo/Título: ERC 109 918 Depósito Legal: 26663/89

[Pseudónimo de António Santos]

Redacção: Rua Manuel Pereira Soares, 81 - 2º, Sala 23 Apartado 200 | 4630-296 MARCO DE CANAVESES Telef. 910 536 928 - Fax: 255 523 202 E-mail: tamegapress@gmail.com Director: Jorge Sousa (C.P. 1689), Director adjunto: Alexandre Panda (C.P. 8276) Sub-director: António Orlando (C.P. 3057) Redacção e colaboradores: Alexandre Panda, António Orlando, Jorge Sousa; Alcino Oliveira (C.P. 4286), Paula Costa (C.P. 4670), Liliana Leandro (C.P. 8592), Paula Lima (C.P. 6019), Carlos Alexandre Teixeira (C.P. 2950), Helena Fidalgo (C.P. 3563), Helena Carvalho, Patrícia Posse, A. Massa Constâncio (C.P. 3919). Cronistas: A.M. Pires Cabral, António Mota Cartoon/Caricatura: António Santos (Santiagu) Colunistas: Alberto Santos, José Luís Carneiro, José Carlos Pereira, Nicolau Ribeiro, Paula Alves, Beja Santos, Alice Costa, Pedro Barros, Antonino de Sousa, José Luís Gaspar, Armindo Abreu, Coutinho Ribeiro, Luís Magalhães, José Pinho Silva, Mário Magalhães, Fernando Beça Moreira, Cristiano Ribeiro, Hernâni Pinto, Carlos Sousa Pinto, Helder Ferreira, Rui Coutinho. Colaboração/Outsourcing: Media Marco, Baião Repórter/Marão Online Promoção Comercial, Relações Públicas e Publireportagem: Iva Soares - Telef. 910 536 928 ivasoares.tamegapress@gmail.com, publicidade.tamegapress@gmail.com Propriedade e Edição: Tâmegapress - Comunicação e Multimédia, Lda. NIPC: 508920450 Sede: Rua Dr. Francisco Sá Carneiro, 230 - Apartado 4 4630-279 MARCO DE CANAVESES Partes sociais superiores a 10% do capital: António Martinho Barbosa Gomes Coutinho, Jorge Manuel Soares de Sousa.

Cap. Social: 80.000 Euros Impressão: Multiponto - Baltar, Paredes Tiragem desta edição: 30.000 exemplares

Inscrição na APCT - Ass. Portuguesa de Controlo de Tiragem e Circulação | Em fase de auditoria A opinião expressa nos artigos assinados pode não corresponder necessariamente à da Direcção deste jornal.

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Repórter do Marão  

Jornal Regional - Distritos do Porto, Vila Real e Bragança - 30 mil exemplares

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