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Revista

Segunda Guerra Projeto Piloto - Nº 01 - 07/2016

Brasil

“Bebita” Hodgkiss uma Brasileira na RAF Histórias da FEB - Banco de Dados FEB - Curiosidades Força Aérea Hondurenha na Segunda Guerra Mundial

Um Peruano que Desembarcou na Normandia


Conheça a Segunda Guerra em Natal/RN através dos Programas Conversando com Augusto Maranhão no

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Esse é um piloto de um projeto de revista para o site HTTP://WWW.SEGUNDAGUERRABRASIL.COM.BR

Projeto Piloto Revista Nº01 - 07/2016 Edição: Ricardo Lavecchia Colaboração: Anderson Subtil Carlos Motta Parceiros: Ecos da Segunda Guerra http://segundaguerra.net/ Verde Oliva Reencenação Histórica Verde Oliva Reencenação Histórica http://www.verdeolivafeb. com.br/

A ideia do site contar a história da Segunda Guerra Mundial com histórias pouco conhecidas e divulgadas, iremos das ênfase para a participação dos países das Américas no conflito. Na medida do possível iremos postar artigos relacionados a defesa de cada país, também falaremos sobres seus veteranos, voluntários, economia e política em tempos de guerra e tudo mais que abordar o tema. A revista vem para complementar o site, nesse primeiro numero piloto iremos colocar artigos do próprio site, e a partir do segundo numero tentaremos mesclar artigos já postados com artigos inéditos. Esse trabalho não é profissional, e sim amador, mesmo sem conhecimento de regras ortográficas, gramaticais, gráficas e etc... faço por amor a história e para manter a chama da nossa Força Expedicionária Brasileira (FEB) viva. De antemão peço desculpas pelos erros e espero por criticas, sugestões e elogios se tiver algum claro. Ricardo Lavecchia

Portal do Ex-Combatentes de Itapetininga-SP http://pec.itapetininga.com. br/

Indice

RL Artes

Força Aérea Hondurenha na Segunda Guerra Mundial .........03 “Bebita” Hodgkiss uma Brasileira na RAF...............................05 Granadino Veterano da Segunda Guerra Mundial..................10 Guarnição em Itanhaém-SP Durante a Segunda Guerra.......10 Histórias das FEB: Pode subir, Somos Amigos!......................12 Um Peruano que Desembarcou na Normandia......................13 Banco de Dados FEB..............................................................15 Livros e Filmes........................................................................16

Produções

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Margaret Bourke-White foi a primeira fotĂłgrafo feminina credenciada durante a Segunda Guerra Mundial, e a primeira autorizada a voar em uma missĂŁo de combate

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Força Aérea Hondurenha na Segunda Guerra Mundial North American NA-16 Por: Ricardo Lavecchia

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uando pensamos em Segunda Guerra Mundial, logo vem em mente o Holocausto, Dia-D, Stalingrado, Pearl Harbor e etc… Porém, o conflito foi bem mais amplo e envolveu praticamente todos os países do mundo, de uma forma ou de outra. Milhões de pessoas foram afetadas, das mais variadas culturas, desde o mais rico ao mais pobre. Dentre os países envolvidos, estão os das Américas do Norte, Central e do Sul. A guerra também esteve nas Américas e muitos países tiveram sua soberania ameaçada pelas forças do Eixo, e consequentemente declararam estado de guerra ao Japão, Itália e Alemanha. Um dos países latino americano que declarou guerra ao eixo foi Honduras. Logo após o ataque japonês a Pearl Harbor, seu Pre-

sidente, General Tibúrcio Carias Andino, enviou uma nota de apoio ao Presidente Norte Americano Franklin Delano Roosevelt, mencionando que suas forças estariam dispostas para contribuir com a sua parte na guerra de acordo com suas capacidades tecnológicas. No início do ano de 1942 o Presidente Carias ordena que a FAH (Força Aérea Hondurenha) inicie a campanha de patrulhamento diário da costa em busca de submarinos do eixo que possam estar operando na região para bloquear navios mercantes que transportavam matérias-primas de países latino-americanos aos Estados Unidos. Essas patrulhas também serviram de vigia aos navios hondurenhos no mar do Caribe. Logo a FAH estabeleceu inúmeras bases aéreas por toda a costa onde existia no mínimo uma aeronave disponível para patrulhar o oceano. As patrulhas eram feitas três vezes ao dia, contando

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com uma logo no início da manhã, outra por volta do meio-dia e a terceira e última ao entardecer. Todas essas patrulhas envolveram grande logística e tecnologia, mas foi eficaz, mesmo com toda limitação que o pais tinha na época. De acordo com os registros, a

Oficiais hondurenhos e o North American NA-16


Boeing 40

maior atividade de patrulhamento antissubmarino teve seu pico nos meses de julho e agosto de 1942. A FAH teve uma única oportunidade de entrar em combate na guerra quando no dia 24 de julho, logo ao entardecer, uma das aeronaves em patrulha avistou um com uma logo no início da manhã, outra por volta do meio-dia e a terceira e última ao entardecer. Todas essas patrulhas envolveram grande logística e tecnologia, mas foi eficaz, mesmo com toda limitação que o pais tinha na época. De acordo com os registros, a maior atividade de patrulhamento

Murillo Diaz, pilotando sua aeronave de matrícula FAH-2, sumiram sem deixar rastro. Por muito tempo houve a crença que havia sido abatido por um submarino alemão, mas depois essa ideia foi desconsiderada por falta de provas. As Patrulhas continuaram até o final de 1944, quando as ameaças já tinham cessado. Durante dois anos a FAH empenhou todos

antissubmarino teve seu pico nos meses de julho e agosto de 1942. A FAH teve uma única oportunidade de entrar em combate na guerra quando no dia 24 de julho, logo ao entardecer, uma das aeronaves em patrulha avistou um submarino na superfície, mas o mesmo logo submergiu, o piloto ainda soltou algumas bombas de 60 libras sem observar nenhum resultado. Também em uma patrulha que a FAH teve sua única baixa na guerra, em 23 de agosto de 1942, o Tenente Aviador Francisco Martinez Garcia em companhia do artilheiro Sargento Armando seus meios para a causa aliada, e empenhou desde seus modernos caças North American NA-16 até suas antigas aeronaves Boeing 40, adaptados para soltar pequenas bombas. A Força Aérea Hondurenha tem grande orgulho e satisfação de ter participado de sua primeira grande campanha.

ANUNCIE AQUI North American NA-16 exposto em um de Honduras.

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“Bebita” Hodgkiss uma Brasileira na RAF

Bebita a direita na foto (Arquivo Imperial War Museum) Filha do escocês John Armstrong Read, alto funcionário da Lauriston James Hodgkiss, holding canadense Brazilian cujos pais, ambos nascidos no Traction Light and Power Co., Brasil, se voluntariaram para empresa que tinha a concesa RAF em 1942. Seu pai. O são dos serviços de geração Comendador James Hall Ho- e distribuição de energia elédgkiss, foi instrutor de bimoto- trica e das linhas de bondes res e planadores Horsa, voou elétricos da então capital fedebimotores DeHavilland Mos- ral, ela nasceu no Rio, em 16 quito no Coastal Command e de março de 1919. O apelido terminou a guerra como piloto “Bebita”, pelo qual gostava de testes no Airborne Forces de ser chamada, foi dada por Experimental Estabeblish- uma babá espanhola. Igual a ment. Já sua mãe, a carioca outros filhas e filhos de britâLilian Helene Louise Hodgkiss, nicos radicados no Brasil, teve conhecida por todos como Be- uma infância privilegiada para bita, foi uma WAAF e serviu os padrões nacionais da prina seção de meteorologia da meira metade do século XX, RAF. Esta é sua história: realizando o curso ginasial no Reino Unido. Nesse período,

Por: Anderson Subtil, Carlos Motta e Ricardo Lavecchia

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e a história dos voluntários anglo-brasileiros que voaram pela Royal Air Force (RAF) durante a Segunda Guerra Mundial é praticante desconhecida, muito menos divulgado é o fato de que um seleto grupo de moças, na maior parte filhas ou netas de britânicos radicados no Brasil, seguiram para o mesmo destino, ingressando no corpo feminino dessa força, o Women’s Auxiliary Air Force, ou simplesmente WAAF, como era mais comumente conhecido. Por isso, foi com grande alegria e entusiasmo que logramos contato com o senhor

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do, as recrutas eram enviadas, segundo suas aptidões, para a formação especializada, que poderia durar de um até sete meses, dependendo da complexidade do trabalho. Bebita Hodgkiss deve ter impressionado os avaliadores com seus conhecimentos em números ou ciências, pois estas eram justamente as aptidões requeridas para as WAAFs designadas para a função de assistente de meteorologia. A WAAF Apesar de haver existido uma organização feminina na RAF entre 1918 e 1920, o corpo conhecido como Women’s Auxiliary Air Force, surgiu oficialmente só em 28 de junho de 1939. Inicialmente, as voluntárias da WAAF foram recrutadas para preencher cargos como secretárias, ajudantes de cozinha, telefonistas e motoristas, a fim de liberar os homens para funções na linha de frente. No entanto, com o avanço da guerra, Lilian Helene Louise Hodgkiss (Arquivo Lauriston James as funções preenchidas peHodgkiss) las auxiliares femininas foram se diversificando e logo elas a cada seis meses, durante as mento na RAF. Enquanto seu também se transformaram em férias escolares, a família toda marido é selecionado para telegrafista, operadoras de ráviajava pela Europa, tendo ela treinar como piloto no Canadá, dio, decifradoras de códigos conhecido a Itália, a antiga ela, como qualquer voluntária e até especialistas em armaTchecoslováquia e a Áustria, da WAAF, apresentou-se a um mento e mecânicas de aeroentre outros. Bebita conheceu Recruit Depot, onde passou naves, entre outras funções. seu futuro marido no Rio de por um período de sete a dez Alguns dos trabalhos de maior Janeiro, e juntos apresenta- dias de reconhecimentos méimportância desempenhado ram-se ao consulado britânico dicos regulamentares, inocupelas WAAFs, era a operação como voluntários para a guer- lações e vários testes e avados balões de barragem conliações para indicar a função ra. tra bombardeiros e a função No início de 1942, junto ao mais adequada a suas aptide operadoras dos sistemas noivo James Hodgkiss, ela dões. Seguiu-se então três sede controle por radar, notadaparte para a Inglaterra, ca- manas corridas de formação mente durante os meses crítisando em Londres, no dia 23 básica, incluindo treinamento cos da Batalha da Inglaterra. de março, logo após seu 23o. físico, regulamentos e outros Voluntárias com habilidades Aniversário. No mês seguinte, elementos do serviço, sendo específicas serviram igualambos começaram seu treina- que, após o final de tal perío-

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mente ao Special Operation Executive (SOE) e foram treinadas como espiões, operando na França em outros cantos da Europa ocupada, principalmente como especialistas em comunicações. Havia ainda um serviço de enfermagem da RAF, o Princess Mary’s Royal Air Force Nursing Service, e mais de 150 mulheres prestaram serviço como pilotos no Air Transport Auxiliary (ATA), que tinham a função de transladar aeronaves das fábricas até as bases aéreas dentro da Grã-Bretanha. Na verdade, as integrantes do ATA nunca foram consideradas parte integrante da WAAF e sim civis contratadas, pois a RAF pensava ser inaceitável seus quadros femininos voarem aeronaves militares. Por volta de 1943, a Women’s Auxiliary Air Force reunia mais de 18 mil integrantes, um bom número delas atuando fora das ilhas britânicas. EM SERVIÇO Finalizado seu treinamento, a agora Aircraftwoman Hodgkiss foi designada para prestar serviço no Escritório Central de Previsão da RAF, uma instalação meteorológica de alta segurança, localizada na Cartaz de recrutamento da WAAF (Arquivo Anderson Subtil) pequena cidade de Dunstab- relatórios, que era de bastante depois, minha mãe quase enle, em Bedfordshire, a apenas importância às operações da fartou em saber quem estava 35 milhas de Londres, onde noite, sendo que o Coman- atrás de sua cadeira.” eram recebidas, analisadas e dante chegou detrás dela e O filho nos revelou que a despachadas todas as previ- perguntou se o relatório x já ti- mãe, tal como o pai, eram retisões climáticas da Europa, im- nha chego. Ela, ja cansada de centes em falar de si, mas que precindíveis no planejamento responder que ainda não, dis- deixou escritas várias de suas de qualquer operação aérea se, sem virar a cabeça: “Não! lembranças de seu tempo em aliada. O filho Lauriston conta E você sabe o que fazer com terras britânicas durante a um episódio inusitado ocorrido ele!!”, pensando que era um guerra, como a descrita abaicom ela em Dunstable: colega. O Comandante sorriu xo: “…quando ela estava espe- e saiu de fininho, mediante “Ela recordava que enquanto rando a vinda de um desses um silencio ensurdecedor. Só na WAAF, ao entrar num trem,

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ao ver outra pessoa uniformizada, ia ter conversa com essa pessoa. Num desses episódios, quando da invasão da Sicilia/Itália, ela entrou num trem e deu com um capelão militar. Todos os capelões, irrespectivamente de sua denominação religiosa, era chamado de Padre. Então, ao sentar ao lado deste capelão, ela perguntou se ele havia encontrado muitos ateus durante o seu ministério em campo de batalha, ao que ele respondeu que nenhum, pois o soldado alvejado mortalmente, nos seus momentos derradeiros, sempre chama por Deus. Nunca esqueci desta história.” Em abril de 1943, mais precisamente no dia 10, a já Leading Aircraftwoman (LACW) Hodgkiss recebe ordens de deixar momentaneamente suas funções em Dunstable e se apresentar en Hendon, uma Air Station da RAF em Londres, a fim de tomar parte, junto a autoridades brasileiras e britânicas, da cerimônia simbólica de incorporação à RAF de dois caças Supermarine Spitfire Mk. Vc adquiridos com recursos doados pelos membros da The Fellowship of the Bellows Brasileira. Entre as personalidades reunidas para o evento encontravam-se o embaixador do Brasil no Reino Unido, o diplomata José Joaquim Lima e Silva Moniz de Aragão, o Ministro do Ar inglês, Sir Archibald Sinclair, e algumas altas patentes da RAF. Além dela, também representavam o Brasil na cerimônia outra brasileira, a LACW Jean Clark e o curitibano Cosme Lockhood Gomm, famoso piloto de bombardei-

ro, oficial comandante do 467 (RAAF) Squadron. Em setembro do mesmo ano, ávida por rever depois de tanto tempo o marido, que acabara de retornar à Inglaterra, ela tenta entrar em contato por telefone com o hotel indicado por ele, resultando em outro episódio inusitado, descrito assim em seu diário: “…na minha ignorância, achava que Harrogate era um subúrbio londrino e pedi a telefonista que me desse o número do hotel onde Jimmie estava. Ela me informou que Harrogate ficava em Yorkshire, no norte da Inglaterra, e que o Queen Hotel havia sido requisitado pela RAF e portanto o número que eu queria era restrito… Falei que meu marido acabava de chegar de além-mar. Lí o telegrama em voz alta e contei-lhe que não o via a um ano, etc, etc. Mandou que eu desliguasse e ficasse esperando o retorno, embora isso fosse contra todos os regulamentos, por se tratar de um número restrito e “por favor, nunca faça mais isso!”… Finalmente uma voz de homem atendeu e eu pedi para que chamasse o P/O Hodgkiss. A voz me informou com rispidez que oficiais não eram permitidos receber chamados particulares naquela linha. Comecei a esquentar e pensando que estava falando com algum cabo antipático de plantão, lembro-me ter dito, “pois ao diabo com sua burocracia imbecil! Pelo menos não daria para você transmitir um recado à ele – POR FAVOR?!” Mais uma vez a sorte me favoreceu e apesar do tom resignado, a voz falou: ‘pois bem’, me dê o nome e a patente dele e tomarei providen-

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cias para que receba o seu recado.” E foi esta a razão pelo qual, quando Jimmie entrou no refeitório daquela noite, entre as ordens afixadas na prancha de recados, havia um que dizia: “Mensagem para P/O James Hodgkiss. Esposa manda dizer para ir à Dunstable”. Estava assinado pelo Oficial Comandante RAF Harrogate.” ESCÓCIA No ápice do inverno londrino de 1943, a umidade e o frio da capital inglesa foi demais para a saúde da jovem e ela contraiu uma pneumonia. Por isso, como acontecia geralmente em casos de doenças mais graves ou gravidez, precisou se afastar de seus deveres para tratamento. Bebita Hodgkiss ainda passou pelo Wartime Broadcasting Service da famosa emissora BBC de Londres, mas, por recomendação médica, acabou deixando a WAAF e indo para a Escócia, onde o clima seco ajudaria muito em seu restabelecimento. O casal se instalou em Fochabers, uma pequena aldeia na paróquia de Bellie, em Moray, norte da Escócia, às margem do rio Spey, onde alugaram de uma simpática viúva local uma construção do século XVI, com grossas paredes de pedra e lareiras em todos os cômodos. Uma particularidade desta localidade, é que ali havia um campo com mais de mil prisioneiros de guerra italianos, todos capturados na África do Norte, que eram guardados por um único sargento, o qual se limitava a apenas fechar à noite o portão do campo e voltar a abri-lo pela manhã. Não por acaso, a


Instalações do Escritório Central de Previsão da RAF em Dunstable (Arquivo Anderson Subtil) melhor comida da região era encontrada lá. Curiosamente, nas frequentes arrecadações de fundos para os esforços de guerra, eram justamente os prisioneiros os que mais colaboravam. Enquanto James Hodgkiss prestava serviço como instrutor na Inglaterra, Bebita permaneceu pelo resto da guerra no norte da Escócia. E foi naquela parte das ilhas britânicas, em 9 de abril de 1945, que Bebita deu a luz a um menino, o primeiro filho do casal, batizado, por sugestão do marido, com o nome de John Francis. Segundo um telegrama enviado por ela a James, então baseado em Fairford, o parto foi realizado às 23:10hs, em um hospital de Forres, a 35 km de Fochabers, pelo Dr. John Adams, um médico recém liberado do Royal Army Medical Corps (R.A.M.C). *

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O casal permaneceu no Reino Unido até meados de 1946, quando James Hodgkiss foi dispensado da RAF. Novamente no Brasil, eles se instalaram em São Paulo, onde Lauriston James Hodgkiss nasceu. Além de cuidar da família, Bebita se dedicou as atividades jornalísticas, tendo editado por muitos anos o informativo mensal da São Paulo Women’s Club. Posteriormente, na década de 1970, quando a família mudou-se para Mairiporã, passou a escrever para o jornal local e, nos anos 80, também publicou na Revista do Caminhoneiro. Lilian Helene Louise Hodgkiss viveu seus últimos dias de forma feliz, mas ausente numa clínica especializada em Alzheimer, na cidade paulista de Atibaia, onde veio a falecer aos 11 de novembro de 2001. Seu corpo encontra-se sepultado no Cemitério da Paz, no Morumbi, junto a seu esposo e

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seu primeiro filho. Agradecimentos: Os pesquisadores Anderson Subtil, Carlos Motta e Ricardo Lavecchia gostariam de agradecer a atenção do senhor Lauriston James Hodgkiss pela inestimávem ajuda, sem a qual este trabalho nunca seria possível. Esse artigo você também encontra no site: www.segundaguerrabrasil.com.br

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CURIOSIDADES

Granadino Veterano da Segunda Guerra Mundial

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ranada é uma pequena ilha no Caribe formada por rochas vulcânicas, seu governo é a monarquia parlamentarista, o país é integrante da Comunidade Britâni-

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ca de Nações e é dirigido pelo primeiro ministro britânico. Durante a Segunda Guerra Mundial muitos voluntários de Granada, assim como de outros países da Comunidade

Britânica, se alistaram para defender a pátria mãe e o mundo do nazismo. Muitos foram se alistaram na Marinha, Exército e Força Aérea Britânica, mas alguns também se alistaram para a defesa das ilhas do Caribe, como no caso do Veterano Granadino Sr. Oliver Modeste que serviu na Artilharia de Costa em Trinidade. Infelizmente não conseguimos ainda histórias pessoais e relatos, mas abaixo segue uma imagem de 2014 onde o Sr. Oliver tinha 89 anos, e estava bem debilitado.

Guarnição em Itanhaém-SP Durante a Segunda Guerra

tanhaém, uma cidade do litoral paulista é a segunda cidade mais antiga do Brasil, mantem uma grande importância histórica, oferece aos turistas inúmeras possibilidade de conhecer mais sobre seu passado. Uma dessas possibilidades é a “Pedra do Espia”, no morro do Sapucaitava que durante o período da Segunda Guerra Mundial o morro foi um ponto de observação do exército para defesa da costa nacional. Segundo relatos de moradores da época, foi visto uma pequena embarcação de banana descendo o Rio Itanhaém carregado de barris de óleo, e logo mais a frente foi visto um submarino alemão recolhendo o produto.

Mesmo essa história não ter sido comprovada, o exercito mobilizou na região 120 militares para a guarnição e observação de futuros contatos com moradores ou suposto espião. Durante um ano e quatro meses os homens ficavam dia e noite observando. O interessante é que mesmo não tendo sido confirmada

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a passagem de um submarino na região, o U-513 torpedeou em 1943 na região de Iguape-SP a caminho de Santos o navio mercante Tutóia sob o comando do Capitão-de-Longo-Curso Acácio de Araújo Faria com carregamento de café vindo de Paranaguá, morrendo sete tripulantes.


Embarque Brasileiro para a Itรกlia

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Histórias da FEB: Pode subir, Somos Amigos!

Por: Ricardo Lavecchia

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m entrevista ao Veterano Antonio Cruchaki, Presidente da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira – Seção de São Bernardo do Capo, no ultimo dia 12/10/2012, junto dos amigos Durval Junior e Marcus Carmo, ouvimos varias historias referente a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Segue abaixo uma das historias contada pelo Sr. Antônio, essa historia também esta no livro “Quebra Canela – General Raul da Cruz Lima Junior”. Nas proximidades de Montese, foram designados a limpar algumas casas, tinham que retirar as armadilhas deixadas pelos alemães. Em uma das casas o Cabo Mario Müller

Prisioneiros alemães feitos em Montese. Ao lado, conduzindo-os, o Ten. Edson, Comandante do 5º Pelotão de Engenharia.

Sr. Antônio em uma entrevista para o amigo Duval Junior. chamou atenção do Tenente Edson, dizendo que teria ouvido falar alemão no interior da casa. Cercaram a entrada, e o cabo que falava bem o idioma, devido sua origem alemã, e seguindo as instruções do seu Comandante, ordenou aos combatentes que subissem ao do porão, pois se tratavam de amigos. A proporção que iam saindo, encontravam as armas apontadas contra eles e não tinham tempo de esboçar a menor resistência. Assim foram aprisionados 7 alemães, entre surpresos e indignados. Contou o Tenente que o ultimo que devia ser chefe deles, não pode deixar de dizer a seguinte frase: “Puxa, que amigos” Na mesma casa foram encontrados fuzis, metralhadoras e granadas. O inesperado deste aprisionamento mostra como seus defensores foram surpreendidos pela velocidade do ataque brasileiro. Com muita emoção o Sr. Antônio nos contou essa historia com mais ou menos essas palavras,

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como também contou outras tantas que iremos contar mais para frente. Em memória desse veterano que tanto lutou para manter a chama da FEB acesa. Esse artigo você também encontra no site:

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Foto tirada no final de guera.


Um Peruano que Desembarcou na Normandia

Desembarque aliado na Normandia

exiladas na Inglaterra. George trabalhava como cuidador de cavalos no hipódromo limenho de San Felipe, era órfão e não tinha irmãos, decidiu então ir à Embaixada Belga e se apresentar como voluntário. Após três dias de alistado, ele recebeu permissão do governo local para deixar o país, mas tiveram que antes passar por exames médicos; tais exames seriam enviados depois à Inglaterra e, após trinta dias, viriam os resultados e o OK para o embarque. Após finalizados todos os tramites, George embarcou em um cargueiro de bandeira chilena, rumo a primeira escala da longa viagem, os Estados Unidos. Junto, iam seis outros voluntários de origem peruana, alem de quatro argentinos e três chilenos. Entre os peruanos do navio encontravam-se dois amigos seus, o já citado Carlos Barreto Pérez e Carlos Oyanguren, o qual perderia a vida em combate. Nos EUA, foram de trem de New Orleans para Miami,

Mundial. As notícias do conflito, entretanto, chegavam por todos os meios de comunicaurante os decisivos e ções possíveis. Foi nesse pemarcantes aconteci- ríodo, mais precisamente no mentos da Batalha da final de janeiro daquele ano, Normandia, não foram poucos que começou a aventura de os latinos entre os combaten- George Sanjinez Lenz, um tes que desembarcaram nas peruano nascido na capital praias da Normandia. Isso ge- do país, Lima. Sua saga inicia rou inúmeras histórias, que, quando um de seus amigos – com o passar dos anos, foram Carlos Barreto Pérez – veio se perdendo, até se tornarem falar com ele sobre a guerra quase desconhecidas, mes- na Europa, perguntando-lhe mo entre os estudiosos e en- se gostaria de se alistar como tusiastas dos acontecimentos voluntário das forças belgas da Segunda Guerra Mundial. A história abaixo é exatamente uma dessas que, apesar de não de todo esquecida, provavelmente ficou restrita ao país na qual se iniciou, embora seja um assunto que mereça ser melhor divulgado entre nós. No início de 1941, o Peru estava envolvido em uma disputa limítrofe contra seus vizinhos equatorianos e, a exemplo da maioria das nações latino-americanas, ainda George Sanjinez Lenz com suas medalhas. era neutra na Segunda Guerra Por: AndersonSubtil e Ricardo Lavecchia

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depois para Nova York, e finalmente seguiram para Montreal, no Canadá. Ali, ficaram em um quartel onde já havia muitos latino-americanos e onde parte dos voluntários belgas fariam o treinamento para a guerra. Após um tempo em Montreal, Jorge e outros companheiros embarcaram no transatlântico Queen Mary, que havia sido requisitado como transporte de tropas pela Royal Navy, a fim de seguirem para Londres. Na Inglaterra, a exemplo da maioria dos voluntários estrangeiros que haviam se alistado no novo exército belga no exílio, Jorge passou a integrar o contingente de 2.200 homens da 1er Brigade d’Infanterie Belge, mais conhecida como Brigada Piron, uma alusão aseu comandante, o coronel Jean-Baptiste Piron. Como ocorreu com todas as tropas selecionadas para a tão esperada invasão da Europa ocupada pelos nazistas, a brigada, que, alem de voluntários de várias partes do mundo, contava com um contingente de Luxemburgo, não foi enviada de imediato ao combate, permanecendo por longo tempo nas ilhas britânicas. “Em Londres, um dia estávamos andando pela rua, quando soou o alarme de bombardeiro, nós jogamos no chão e nos escondemos debaixo de um banco de praça. Não que fosse proteger alguma coisa, mas foi por extinto.” Lembra ele. George conta ainda que todos se perguntavam quando enfim iriam à guerra. As especulações sobre onde combateriam eram as mais diversas, mas ninguém sabia que iam para a França, até que o dia

chegou. Os soldados haviam recebido ordens para arrumar todo seu equipamento, pois sairiam para quatro dias de manobras simulando um desembarque anfíbio; quando estavam no navio, já no Canal da Mancha, porém, foram reunidos e informados pelos comandantes que estavam indo par a Normandia e que aquilo não era um treinamento, nesse momento o pavor deixou os combatentes pálidos e com calafrios, mas enfrentaram a ordem com coragem. As primeiras unidades da brigada chegaram à Normandia no dia 30 de julho, isto é, quase um mês depois do Dia-noorm1D, mas o grosso da tropa só desembarcaria nas praias de Arromanches e Courseulles à partir de 8 de agosto de 1944. Ao chegar em terra, ou melhor, nas areias de Arromanches, Sanjinez conta que não sentiu medo: “…na guerra não há tempo para medo nem para o erro, ou mata ou morre.” Mesmo assim, seria um dia muito marcante, pois foi ali que perdeu o primeiro compa-

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nheiro e também grande amigo. Sanjinez e a Brigada Piron seguiram o avanço aliado até o final de agosto de 1944, quando se encontrava no Sena, sendo em seguida retirada da frente e desviada para libertar a Bélgica, onde entrou em 2 de setembro e a 4 já havia liberado a capital, Bruxelas. A unidade ainda participaria da libertação da Holanda e, após o final do conflito mundial, permaneceu como tropa de ocupação no setor britânico da Alemanha ocupada. George Sanjinez Lenz retornou ao Peru somente em 1947 e, apesar da distância e do tempo, nunca deixou de ter contato com seus companheiros de armas. Em 1994, retornou à Europa para as celebrações dos 50 anos da liberação da Bélgica, quando desfilou entre os veteranos belgas. Sua atuação ao lado dos belgas foi reconhecida na ocasião, quando o governo local o nomeou Cavaleiro do Rei Leopoldo III.


Banco de Dados FEB JOAQUIM NORONHA LOPES

EUCLIDES MARQUES

CLOWER BASTOS CORTES

Nascimento: Cidade: Brazópolis Estado: MG Regimento: 1º Regimento de Infantaria Companhia: Saúde Posto: Cabo Embarque: 22/09/1944 Retorno: 22/08/1945

Nascimento: 09/12/1921 Falecido: 16/05/2015 Cidade: São Paulo Estado: SP Regimento: 6º Regimento de Infantaria Companhia: 2º Batalhão – 4º companhia de fuzilieros Posto: Cabo Embarque: 02/07/1944 Retorno: 18/07/1945

Nascimento: Cidade: Alem Paraiba Estado: MG Regimento: 11º Regimento de Infantaria Companhia: Posto: cabo Embarque: 22/09/1944 Retorno: 30/05/1945 (Falecido em combate) História:

EUCLIDES MARQUES e sua companhia na Itãlia.

Procure no Youtube o programa Conversando com Augusto Maranhão e conheça mais sobre a história de Natal/RN Pag. 15


Livros e filmes Força Expedicionária Brasileira (FEB) no Brasil e na Itália; as tentativas estadunidenses de se opor à desmobilização da FEB ao fim da guerra etc. Este livro examina tais questões à luz de documentos até aqui inéditos, além de revelar fatos desconhecidos como as políticas não escritas para vedar acesso brasileiro a tecnologias militares estadunidenses, o domínio do mercado da aeronáutica civil brasileiro pelos EUA, o destino dos pacientes militares brasileiros internados em hospitais estadunidenses e o obscuro “Projeto Sul” de 1944, o qual previa a eventualidade de uma guerra contra a Argentina.

Livro: Aliança Brasil-EUA – Nova História do Brasil na Segunda Guerra Mundial Filme: A ESTRADA 47 Autor(es): Dennison de Oliveira ISBN: 978853625195-0 Acabamento: Brochura Número de Páginas: 334 Publicado em: 10/06/2015 Área(s): Literatura e Cultura – Política, História e Filosofia

Direção: Vicente Ferraz Elenco: Daniel de Oliveira, Francisco Gaspar, Júlio Andrade mais Gêneros Drama, Histórico, Guerra Nacionalidades Itália, Portugal, Brasil

SINOPSE Decorridos 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, a aliança militar entre Brasil-EUA ainda desperta indagações e controvérsias. Dentre essas cabe citar o programa do Lend Lease, pelo qual o Brasil se beneficiou de vantajosos financiamentos para aquisições de bens de interesse militar nos EUA. Também permanece obscura a forma pela qual foram criadas aqui unidades militares inteiramente novas, dedicadas a manusear tanques e gases venenosos; as pressões pela americanização total do Exército Brasileiro; o treinamento e assessoria da

Sinopse Na Segunda Guerra Mundial, o Brasil era aliado dos Estados Unidos, Inglaterra e França. Na época, foram encaminhados mais de 25 mil soldados da FEB (Força Expedicionária Brasileira) para combater os inimigos, representados pelo Eixo: Alemanha, Itália e Japão. Quase todos de origem pobre e, em sua maioria, despreparados para o combate, os pracinhas tiveram que aprender na prática a lutar pela sobrevivência. Depois de sofrerem um ataque de pânico coletivo, no sopé do Monte Castelo, os soldados Guimarães (Daniel de Oliveira), Tenente (Julio An-

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drade), Piauí (Francisco Gaspar) e Laurindo (Thogum) tentam descer a montanha, mas acabam se perdendo um do outros. Quando conseguem se reencontrar, precisam decidir se retornam para o batalhão e correm o risco de enfrentar a Corte Marcial por abandono de posto, ou voltam para a posição da noite anterior e se arriscam a enfrentar um ataque surpresa do inimigo. É quando conhecem o jornalista Rui (Ivo Canelas), que conta sobre um campo minado ativo e eles acham ser essa a chance de se redimirem da mancada que cometeram, mas muita coisa ainda está por acontecer e a guerra está longe de acabar.


Não deixe de visitar o site Segunda Guerra Brasil e conhecer muito mais sobre a Segunda Guerra Mundial e a participação do Brasil e das Américas.

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Revista Segunda Guerra Brasil 01  
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