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Revista

Segunda Guerra Nº 03 - 11/2016

Brasil

Diário de Guerra de um Pracinha Brasileiro

Veja Também: Um Venezuelano na Frente do Pacífico DO RECIFE À NORMANDIA. A HISTÓRIA DE CHARLES VAN HOMBEECK Por Anderson Subtir


Nessa página iremos fazer algo direfente, voou dar os créditos que ficaram faltando na revista WWII Brazil 02. No artigo de capa sobre os Pilotos Paraguaios que serviram na FAB durante a Segunda Guerra Mundial, esquecemos em uma falha tremenda de informar os dados de quem mais nos ajudou no Artigo. Em busca dessa interessante história que se passou no Brasil durante a guerra, nos deparamos com o amigo paraguaio Ricardo Motta, que gentilmente nos cedeu seu trabalho de TCC, que é o maior trabalho já feito sobre o tema. Misión Aeronáutica Paraguaya de Especialización en Rio de Janeiro y Actuación en la Campaña Antisubmarina del Atlântico Sur (1.942 - 1.945)

Ricardo Lavecchia


Essa revista é mais um projeto do site WWW.SEGUNDAGUERRABRASIL.COM.BR

A ideia do site e da revista é contar a história da Segunda Guerra Mundial com histórias pouco conhecidas e divulgadas, iremos das ênfase para a participação dos países das Américas no conflito. Na medida do possível iremos postar artigos relacionados a defesa de cada país, também falaremos sobres seus veteranos, voluntários, economia e política em tempos de guerra e tudo mais que abordar o tema.

Revista Nº03 11/2016

Aos amigos que estão lendo essa revista numero três só tenho a agradecer pela força e incentivo.

Edição: Ricardo Lavecchia

Também agradeço aos Amigos que me ajudaram de forma direta ou indireta para a realização da revista.

Colaboração:

Agradeço a minha familia pelo apoio.

Anderson Subtil André Luiz Carlos A. Campestrini Clemente Balladares Fernando Zavarelli Francisco Mirando José Martiniano Julio B. Mutti Marcia Pavelosk Paulo Kasseb

Lembrando que esse trabalho não é profissional, e sim amador, mesmo sem conhecimento de regras ortográficas, gramaticais, gráficas e etc... faço por amor a história e para manter a chama da nossa Força Expedicionária Brasileira (FEB) viva.

RL Artes Produções rlartes@gmail.com

De antemão peço desculpas pelos erros e espero por criticas, sugestões e elogios se tiver algum claro. Ricardo Lavecchia

Indice: Vargas, O Integralismo e o Xenofobismo no Brasil 1937/1942. Parte 01. Do Recife à Normandia. A História de Charles Van Hombeeck Um Voluntário das Ilhas Cayman na Segunda Guerra Mundial O FÜHRER ESTAVA MORTO? O Controverso Fragmento de Crânio de Adolf Hitler Os Dias Finais da Vida de Adolf Hitler Contradições Históricas da FEB: Os Três Heróis Brasileiros, quem são? Um Venezuelano na Frente do Pacífico Durante a Segunda Guerra Mundial Diário de Guerra - ARGEMIRO PAVELOSK Coluna Espaço Fox-Hole Coluna Literatura de Trincheira Coluna Plastidicas Classificados


O Reinaldo Elias Ê um conceituado restaurador e tambÊm colorizador de fotos antigas. Se precisarem dos seus serviços, entre em contato pelo e-mail ou tel: rjelias2000@yahoo.com.br / (11) 98765-6588 (WhatsApp)


VARGAS, O INTEGRALISMO E O XENOFOBISMO NO BRASIL 1937/1942. Parte 01. Por: José Martiniano dos Santos Júnior

anular esta possibilidade, mesmo que remota, proibiu-se qualquer manifestação de cunho INTRODUÇÃO político de estrangeiros no Brasil, assim como o ensino da língua pátria destas colônias de objetivo deste artigo é analisar como a emigrantes alemães, italianos, poloneses, jacultura e política do nazismo e fascismo ponesa, dentre outras. A campanha de nacioatuaram sobre o pluralismo e no multi- nalização provocou o esfriamento das relações culturalismo no Brasil, culminando com o xe- diplomáticas teuto-brasileiras e teve mando na nofobismo, após a instalação do Estado Novo, tentativa de golpe dos integralistas em 1938. em 1937. O novo ideário do “homem brasileiro” levou o Estado a perseguir as minorias étnicas EXPANSÃO DO COMUNISMO E A REVOLTA que compunham as colônias de emigrantes no NACIONALISTA sul do país. Sob o manto do discurso patriótico e idealista, na verdade, foi a disputa pelo poder O mundo dos anos 20 estava em ebulição políque acirrou as perseguições aos “eleitos” inimi- tica e cultural. Os russos, em 1920, com o seu gos do Estado por todo o país. Suspeitava-se ideário de revolução mundial, invadem a Polôque os alemães tinham a intenção de reivindi- nia. Esta era a expansão comunista proposta car as terras do sul do país sob o pretexto de por Lênin: aproveitar o momento de crise poque, os que ali estavam faziam parte da “gran- lítica financeira dos países europeus, após a de nação alemã”. grande guerra, tomar o poder através da revoMuitos colonos eram partidários do NSPD (Na- lução proletária para formar o bloco comunista tionalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei – na Europa cuja capital seria Moscou. O objetiPartido Nacional-Socialista dos Trabalhadores vo de Lenin, quando invadiu a Polônia, era fiAlemães) e, unidos pela língua e pelos costu- car o mais próximo da fronteira da Alemanha mes, como o fizeram com a região dos Sudetos e apoiar militarmente qualquer levante popular e outras regiões da Europa, no contexto histó- que houvesse naquele país. Infelizmente para rico, a exigência poderia se tornar real. Para os comunistas, a Polônia reage e contra- ataca.

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O exército polonês toma a capital da Ucrânia, Kiev, e após vários combates e reviravoltas os exércitos russos mais uma vez entra em território polonês, mas é derrotado na batalha por Varsóvia e em 18 de março de 1921, um acordo de paz é assinado em Riga. Estes acontecimentos provaram ao ocidente de que a União das Republicas Socialistas Soviéticas seria sempre uma ameaça ao mundo ocidental independente de quem estivesse no poder. Os britânicos, franceses e alemães ficaram preocupados com o conflito russo/polonês e os extremistas de direita destes países se convenceram de que o socialismo jamais seria uma força política benéfica. “[...] O que encorajou certa desconfiança na democracia o que levou muita gente a preferir governos de ‘homens fortes’, mesmo à custa de certa perda de liberdade pessoal. Mussolini (Itália), o almirante Miklós Horthy (Hungria), o general Franco (Espanha), Salazar (Portugal) e Hitler (Alemanha), sem falar em outros líderes mais ou menos ditatoriais, foram todos diretamente beneficiados.” (ZAMOYSKi, 2010) Por volta de 1919 surgiu o pequeno Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei NSPD – Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, ao qual Hitler filiou-se a fim de monitora-lo para o governo. Ao perceber de que se tratava de um partido de direita com ideias parecidas com as dele, pôs-se a participar com entusiasmo e destacou-se como orador e líder. “O fascismo surgiu em oposição ao bolchevismo. Após a Revolução Soviética de 1917, houve um aumento alarmante do movimento bolchevista e, consequentemente, uma violenta reação da classe média e dos pequenos burgueses, que viam com pavor o avanço do “perigo vermelho”. O fascismo não é um movimento de aspecto revolucionário, mas, sim, de revolta. A ideologia fascista consiste basicamente no nacionalismo em contraposição ao movimento proletário. Mussolini, líder fascista, representou a revolta da classe média e da burguesia agrícola e industrial.” (SANTOS, 2012) Após a “Grande Marcha” sobre Roma, Mussolini é recebido pelo Rei Vitor Emanuel III e presta juramento antes de ser declarado Pri-

meiro Ministro do Reino da Itália. Apesar de a propaganda fascista mostrar ao mundo que o poder foi tomado pela imposição da força, Benito Mussolini governaria por muito tempo sob a benção do Rei. Movidos com a “Grande Marcha” italiana os nazistas tentariam repetir o feito, porém fracassariam numa tentativa de golpe em 9 de novembro de 1923 na cidade de Munique. Como consequência, o seu líder maior foi a julgamento e condenado há cinco anos na carceragem de “Landsberg”. Hitler escreveria “Mein Kampf” (Minha Luta), a sua plataforma ideológica e política, uma boa arma para a propaganda. Ele seria anistiado e libertado depois de um ano de reclusão. Em 1932, Hitler tentaria eleger-se presidente da Alemanha, obteve apenas 37% dos votos, perdendo para o velho e respeitado marechal Hindenburg. Porém, o partido nazista já era o mais influente partido da Alemanha e possuía a maioria das cadeiras no Reichstag (Parlamento). Efetivamente, os nazistas ganharam o poder quando Adolf Hitler foi declarado chanceler do Reich pelo então presidente Hindenburg, após uma severa pressão política, em 30 de janeiro de 1933 . “O fascismo e o nazismo eram uma nova onda que influenciou a maioria dos jovens italianos e alemães, e seus ideais atravessaram as fronteiras, arrebanhando milhares de seguidores em todo mundo, mesmo os que não eram arianos. Mussolini e Hitler eram verdadeiros pop stars, admirados e imitados por muitos e odiados por outros. Ambos formavam uma barreira contra o avanço do comunismo na Europa Ocidental e por isto foram tolerados pelas potências ocidentais.” (SANTOS,2012)


DO RECIFE À NORMANDIA. A HISTÓRIA DE CHARLES VAN HOMBEECK Por Anderson Subtil Em nossa primeira edição, publicamos um artigo sobre o veterano do Peru George Sanjinez Lenz, voluntario nas forças belgas que ajudaram a libertar a Europa, na qual o mesmo comenta da existência de outros latino-americanos em sua unidade, a Brigada Piron. Tendo em vista o razoável fluxo de imigrantes belgas a entrarem no Brasil no período de 1819 e 1940 – algo em torno de 16 mil indivíduos, que formaram colônias no Nordeste, São Paulo e na região Sul – fica fácil concluir que boa parte destes latino-americanos tenha, na verdade, vindo do Brasil, A partir de tal informação e conclusão, começamos a busca por algum deles e chegamos ao nome de Charves van Hombeeck, cuja historia já foi tema de uma entrevista á finada revista Grandes Guerras, da editora Abril. Charles nasceu em Brascat, perto de Antuérpia; mas, quando tinha 13 anos, mudou-se com a família para o Recife, no Pernambuco, pois seu pai, engenheiro, fora contratado para trabalhar nas usinas de açúcar locais. Aos 20 anos, em 1941, junto a outros belgas ou descendentes, alistou-se como voluntario em uma das representações diplomáticas do governo belga no exílio, seguindo depois aos Estados Unidos e dali passou a fronteira para o lado canadense, onde se reuniam os voluntários belgas das três

Soldados da Brigada Piron - Imagem ilistrativa. Américas. Segundo Charles, todos foram ficaram num quartel das forças reais canadenses e, após um rápido período de treinamento, foram embarcados no transatlântico Queen Mary, rumo á Grã-Bretanha. Como as demais tropas que estavam sendo preparadas para a futura invasão da Fortaleza Européia, ou seja, a recuperação da parte do continente dominada pelos nazistas, ele e seus companheiros belgas ficaram longe dos combates em outras frentes por um longo período e

por isso mesmo tiveram muito tempo para se preparar. Ele mesmo chegou como um soldado, mas depois foi enviado a uma escola de oficiais do Royal Army, de onde saiu já comissionado como 2nd Lieutnant. Durante o treinamento, foram realocados para vários pontos das ilhas britânicas e, em meados de 1943, passaram quatro meses como tropa de ocupação na Islândia, onde, segundo Charles, eram vistos com desconfiança pela maior parte da população, que apoiava as idéias nazistas. Isto, no entanto não quer dizer que estivessem de todo longe dos perigos da guerra. Os treinamentos eram bastante realistas e não foram poucos os que morreram no transcurso dos mesmos; alem disso, sempre havia os ataques aéreos da Luftwaffe. Charles seria testemunha de dois deles: Na primeira ocasião, tirava uma licença em Londres e


a ofensiva contra esta ultima localidade, tomada apenas no dia 20 daquele mês. Seu trabalho era como observador de artilharia. Num jipe, munido de potente equipamento de radio, ele e um cabo ou soldado tinham de se posicionar em um ponto próximo à linha de frente, de onde pudessem enxergar as posições inimigas e direcionar o fogo da artilharia contra elas. Nem sempre havia uma elevação na área e era comum que instalassem seus pontos de Veículo blindado da Brigada Piron - Imagem Ilustrativa. observação nos tetos de edifícios ou em torres de igrejas. uma bomba caiu bem próximo só esperando o momento de Era um trabalho obviamente ao hotel onde estava hospeda- se dirigir ao navio que o leva- menos perigoso que combater do. A outra aconteceu durante ria até a França, o que efeti- na infantaria, mas muitas veum treino em campo, quando vamente ocorreu mais de um zes eles tornavam-se alvo dos foram alvos de um repentino mês mais tarde, em 8 de ju- canhões alemães. Certa vez, ataque de bombardeiros de lho, em Arromanches, no se- contava ele, presenciou um mergulho Junkers Ju87, os fa- tor “Gold”, bem depois que os amigo seu do Rio de Janeimosos “Stukas” alemães. Aliados já haviam consolidado ro, também observador, subir O 2nd Lt. Van Hombeeck suas posições nas praias da até a torre de uma igreja para era parte dos 2.200 volunta- Normandia e marchavam para ali montar um posto de radio, rios belgas e de Luxemburgo o interior, enfrentando ainda quando um obus inimigo atinque conformavam a 1er Bri- ferrenha resistência alemã giu em cheio a construção, gade d’Infanterie Belge, mais para tomar as estratégicas ci- que afundou. Pouco depois, conhecida como Brigada Pi- dades de Saint-Lô, Carentan e como por milagre, o colega ron, em alusão a seu coman- Caen. Parte do Exercito britâ- saiu dos entulhos andando, dante, o coronel Jean-Baptiste nico, logo que desembarcou, sem ferimento algum. Piron, ficando integrados ao a brigada belga avançou raEm outra ocasião, em mea30ª Exercito Inglês. Como tal, pidamente, justo para reforçar dos de agosto, quando os Aliaele contou á Grandes Guerras que, quanto mais se aproximava o momento do ataque á Muralha do Atlântico, a expectativa era tremenda entre os soldados. O sigilo obviamente era total, mas todos tinham certeza que a data estava próxima, pois a movimentação nas bases, acampamentos e portos ao sul da Inglaterra era enorme. Quando finalmente a Operação Overlord foi desencadeada, na madrugada do dia 6 de julho de 1944, ele se encontrava de prontidão, Veículo blindado da Brigada Piron - Imagem Ilustrativa. embarcado em um caminhão,


Um soldado da Brigada Piron e sua metralhadora em posição - Imagem Ilistrativa dos já avançavam com menor dificuldade pela Normandia, ocorreu com ele um fato bastante inusitado. Um prisioneiro alemão ao ser interrogado pelos ingleses disse a seus captores que havia, na verdade, nascido no Brasil, mais precisamente em São Paulo. Diante de tal situação, chamaram-no para ajudar em seu interrogatório e escoltá-lo até o local de cativeiro. Charles diz ter conversado com este teuto-brasileiro sobre coisas do Brasil, mas era necessário manter a postura de oficial e a conversa não se prolongou. Os belgas seguiram o avanço dos aliados até passarem por Deauville. Então, no dia 31 de agosto, a brigada cruzou o rio Sena, chegando a fronteira com a Bélgica no dia seguinte. Ali, por determinação do comandante inglês, general Horrocks, as vanguardas de uma divisão escocesa e do re-

gimento Welsh Guards galês pararam seu avanço, permitindo que a unidade belga entrasse primeiro em seu país. A resistência alemã ruiu rapidamente e no dia 4 de setembro, a Brigada Piron entrava triunfante na capital Bruxelas. Houve grande festa, mas eles só tiveram dois dias de descanso, partindo para o front holandês, agora incorporados ao avanço norte-americano. Uma passagem muito marcante desse periodo foi a libertação de um campo de concentração, onde encontrou o pai de uma amiga de infancia a beira da morte. Passaram depois a fronteira para a Alemanha, mas ali não havia mais guerra, só sofrimento e destruição. Parte dos belgas ainda permaneceu na Alemanha como tropa de ocupação. Charles ao contrário, acabou aliviado de seus deveres em outubro de 1945. Foi em seguida para a Inglaterra,

pegou um navio para Nova York e só então retornou ao Brasil, indo direto para o Rio de Janeiro, onde se encontravam seus pais. Após a guerra, Charles van Hombeeck retomou sua faculdade de engenharia, mas nunca atuou na área, indo fazer carreira no setor de vendas de uma grande empresa. Casado, teve dois filhos, que lhe deram quatro netos.


Um Voluntário das Ilhas Cayman na Segunda Guerra Mundial Ewart inscreveu como membro do contingente Cayman e foi para Trinidad em maio 1941 para se juntar ao Trinidad Royal Naval Volunteer Reserve. Três meses depois de chegar a Trinidad, ele foi enviado para Bermuda como um membro do regimento para reparar navios. Ele trabalhou na reparação de três navios: o O’Vera, Kencora e Elecitis. No dia em que foram programado para deixar Bermuda no O’Vera, houve um incêndio no navio que causou um atraso de Por: Ricardo Lavecchia um mês. s Ilhas Cayman é um Após os reparos concluídos pequeno arquipélago o navio voltou para Trinidad, localizado no Caribe, o Sr. Ewart foi atribuído a um fica ao sul de Cuba, e hoje é navio de patrulha à procura conhecido como um paraíso de submarinos inimigos. Eles iriam patrulhar todos os dias fiscal. Por ser um território ultramari- próximos dos canais. Mais tarno britânico, durante a Segun- de, ele foi designado para ouda Guerra Mundial alguns ci- tro navio com o nome de HMS dadãos se voluntariaram para Day Light, que era um caçao Exército, Marinha e Força -minas, e ele também serviu Aérea aliada. Entre os volun- como marinheiro de um rebotários esta o Sr. Thomas Ewart cador de salvamento. Ebanks. Thomas nasceu para em West Bay em 28 de agosto de 1920. Seu pai morreu quando ele tinha 2 anos de idade e sua mãe morreu dois anos depois, deixando três filhos, uma irmã mais velha e uma mais nova. Ele foi criado por seus avós com a ajuda de outros parentes. Estudou até os 13 anos, depois foi trabalhar pegando tartarugas para caçar tubarões para vender a pele para os Estados Unidos. Quando a Segunda Guerra Mundial começou, o jovem Sr.

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Enquanto o navio estava no mar, as suas funções incluídas turnos alternados de quatro horas, com oito horas de folga.Quando eles estavam no porto, os companheiros constantemente tinha que fazer todos os reparos que eram necessários para o navio, ao mesmo tempo, participar de treinamento rigoroso, incluindo marcha e treinamento de pontaria. Mr. Ewart serviu na Marinha durante 4 anos e meio, voltando para casa apenas uma vez em um descanso de dois meses e recuperação após dois anos. Após a guerra, ele voltou para casa em agosto de 1945, e começou a fazer o trabalho de construção. Logo após seu retorno para casa, ele conheceu sua futura esposa que se casou em 1949, em seguida tiveram sete filhos. Depois de uma vida saudável, veio a falecer em 14 de setembro de 2016.


O FÜHRER ESTAVA MORTO?

Montagem feita pelo FBI em 1945, mostrando vários possíveis disfarces adotados por Hitler. Mil Anos” claramente em seus derradeiPor Anderson Subtil ros momentos, o líder alemão ainda nutria uma insana esperança de resistênde abril de 1945, enquanto cia; assim, dois dias depois, em reunião os tanques soviéticos cercacom os generais Keitel e Jodl, quando vam uma Berlim quase que foi informado que tal manobra havia obtotalmente em ruínas, nada lembrando a viamente fracassado por completo, teve outrora gloriosa capital nazista, o führer um ataque de raiva, urrando: “Isto é o Adolf Hitler, então refugiado em seu abrifim! O fim! Todos desertaram, estou cergo subterrâneo, exigia de seus últimos cado apenas de incompetentes, covarcomandantes que suas tropas - agora redes e traidores!” Para terminar, ainda duzidas quase totalmente a velhos cidateria dito: “A partir de hoje, comandarei dãos e a jovens adolescentes da Hitlerpessoalmente a defesa de Berlim. Quem jugend - realizassem um contra ataque quiser fugir, que fuja... Eu ficarei e lutarei geral e repelissem os russos para longe até a hora final”. Não obstante a obstinados limites da cidade. ção dos últimos líderes do nazismo em Ao que parece, mesmo com o “Reich de

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continuar com a luta, a situação já havia a muito se tornado insustentável e as más notícias chegavam com tanta rapidez quanto o troar da artilharia soviética se aproximava. Enfim, na tarde de 30 de abril, com o Exército Vermelho a apenas alguns quilômetros do bunker, Hitler e sua amante, Eva Braun, com quem havia se casado no dia anterior, fecharam-se em seus aposentos e praticaram o suicídio. Ela com cianureto e Hitler com um tiro na têmpora direita. Os corpos foram então carregados para fora, queimados com gasolina e posteriormente enterrados no fundo de uma cratera de bomba. Sete dias depois, a Alemanha rendia-se incondicionalmente, pondo fim ao sangrento pesadelo da Segunda Guerra Mundial na Europa. Os parágrafos acima são um resumo dos acontecimentos passados no bunker de Hitler em sua derradeira semana de vida, descritos em dois dos principais livros sobre aqueles decisivos momentos: “Ascensão e queda do Terceiro Reich”, de William Shirer, e “A Queda de Berlim-1945”, de Antony Beevor, que trazem se não a versão oficial, pelo menos a mais aceita pela comunidade de his-

Em sua última aparição pública, Hitler, visivelmente envelhecido e doente, condecora membros da Juventude Hitlerista. A derradeira defesa de seu moribundo Reich de Mil Anos.

toriadores. No entanto, não são poucos os que divergem dessa versão, afirmando que o führer não morreu em Berlim, mas conseguiu se evadir e encontrar refúgio no exterior, longe dos que queriam capturá-lo. Teorias que buscam sustentação no importante fato de que os restos calcinados do casal jamais foram encontrados, como comenta o jornalista argentino Abel Basti em seu livro “El Exilio de Hitler”, ainda sem edição brasileira: “Nunca houve provas de sua morte. Não há perícias criminalísticas que demonstrem o suicídio. O Estado alemão deu Hitler como morto quase 11 anos depois, em 1956, por presunção de falecimento. Ou seja, legalmente, para a Alemanha, Hitler estava vivo depois de 1945. Não

só vivo — não era um homem condenado pela Justiça; não havia ordem de captura, nem processo judicial.” Uma hipótese sobre o destino dos corpos é que agentes russos tenham resgatado ambos e os levado à União Soviética, mesmo destino da maioria dos funcionários do 1.o escalão que serviam no interior do bunker, internados em diversas prisões políticas soviéticas por muitos anos. Entre os elementos capturados pelos russos ainda estavam dois dos dentistas de Hitler, os quais nunca mais foram vistos. Juntamente aos dois doutores sumiram igualmente todos os arquivos que mantinham nos consultórios... O objetivo nesse caso seria limpar qualquer vestígio do führer e evitar que o


bunker ou uma sepultura se tornasse uma espécie de local sagrado para os seguidores do nazismo. Em anos recentes, surgiu um crânio que supostamente for a encontrado no bunker e levado a Moscou como sendo de Hitler; porem, análises de DNA realizadas nos Estados Unidos pelos laboratórios da Universidade de Connecticut, mostraram que o tal crânio era, na verdade, de uma mulher com menos de 40 anos. Uma terceira corrente de pensamento, surgida nos anos imediatamente após o final do conflito e defendida por ingleses e suecos, dão conta de que, principalmente depois do atentado em Rastenburg, a saúde de Hitler estava tão abalada em 1945 que ele nem teria vivido para ver os últimos momentos de Berlim, sendo sua morte causada por uma hemorragia ou comoção cerebral.

Possibilidades de fuga Já aqueles que defendem a tese da evasão do casal Adolf e Eva Hitler, afirmam que a hipótese do corpo ter sido levado à então URSS não explica muita coisa, pois é sabido que o líder nazista igual a Stalin - tinha um ou

mais duplos e há evidências de que pelo menos um deles se encontrava na Chancelaria em 30 de abril de 1945. Seja como for, meios de fuga da Berlim sitiada realmente existiam. Pelo menos dois aeroportos da cidade - Tegel e Tempelhof - ainda operavam e existia uma pista de pouso improvisada nas proximidades da Porta de Brandemburg, de onde operavam sem problemas os pequenos monomotores de asa alta Fieseler Fi-

Primeira página de um jornal agentino noticiando a chegada do U-530.

156 Storch da Luftwaffe. Possíveis destinos imediatos poderiam ter sido a neutra Suíça ou a Áustria e até a Espanha de Franco, onde documentos não seria um grande problema, uma vez que os serviços de informações do Reich eram particularmente eficientes em falsificar ou até mesmo con-

seguir papéis das mais variadas origem. Vale lembrar que, poucos dias antes do suposto suicídio, a piloto Hanna Reitsch, em sua derradeira visita ao bunker, utilizou exatamente a avenida próxima à Chancelaria para pousar. Alguns, inclusive, crêem que após tal visita, ao decolar, Reitsch levava Hitler consigo como passageiro. Seja qual for a hipótese defendida, todas as teorias parecem convergir para uma única região, o Cone Sul da América do Sul, mais precisamente para terras argentinas, algo mais que natural, pois este certamente foi o principal destino dos criminosos de guerra nazistas que conseguiram se evadir dos captores Aliados ou russos, muitas vezes com o consentimento ou mesmo o convite oficial do ditados Juan Domingo Perón. Segundo números do Centro de estudos do Holocausto Simon Wiesenthal, de Los Angeles, aproximadamente 300 criminosos de guerra e outros milhares de colaboradores do Terceiro Reich, incluindo ai oficiais e políticos nazistas e até mesmo guardas dos campos de extermínio, bem como fascistas italianos e líderes da Ustase croata,


O "Hitler Brasileiro" e sua companheira.

chagaram à Argentina no fim da guerra. E isso sem contar outro tanto que na mesma época se instalaram no Brasil, Paraguai e Uruguai. Dados oficiais do Governo Argentino, contabilizados pela Comissão de Esclarecimento das Atividades do Nazismo na Argentina (Ceana), dão um número substancialmente menor - de 180 indivíduos – embora ainda justifiquem em grande parte as desconfianças de que, se Hitler fugiu mesmo do cerco dos soviéticos, muito provavelmente tenha vindo parar na Argentina. Para que o leitor tenha uma idéia da quantidade de nazistas internados na Argentina no pós-guerra, basta dizer, nos idos de 1950, eles já haviam organizado associações, grupos

de ajuda e até publicavam uma revista destinada aos imigrados nazista. O primeiro a ser achado por lá foi Adolf Eichmann, um dos arquitetos do Holocausto. Gerhard Bohne, responsável pelo programa de eutanásia do regime nazista, Walter Kutschmann, comandante da Gestapo na Polônia, e Josef Schwammberger, comandante das SS, são alguns outros nomes de criminosos nazistas capturados na Argentina. Outra coisa em que os pesquisadores, incluindo ai os sérios e os não tão confiáveis, parecem concordar é que Hitler e outros líderes e figuras de destaque do nazismo teriam vindo à América do Sul no interior de um U-boot, partindo do porto alemão de Kiel, do território continental da Espanha ou mesmo das Ilhas Canárias. Sabe-se que dois submergíveis nazistas fizeram uma longa e perigosa travessia pelo Atlântico para se render às autoridades argentinas, o U-530 e o U-977. Destes, as maiores desconfianças recaem sobre o primeiro, um exemplar da Classe IXC/40, que chegou a Mar del Plata na manhã de 10 de julho de 1942, sob comando do Oberleutnant zur See Otto Wermuth,


entregando-se sem muitas dificuldades a oficiais navais locais. Curiosamente, poucos dias antes, em quatro de julho, quando o U-boot ainda estava passando pela costa brasileira, o “Bahia”, um cruzador da Marinha de Guerra do Brasil, afundou devido a uma explosão, matando mais de 300 de seus tripulantes, logo surgindo acusações de que a belonave brasileira havia sido afundada justamente pelo U-530, o que foi negado com veemência pelo comandante alemão e seus tripulantes. Investigações oficiais, no entanto, concluíram que o afundamento do “Bahia” deveu-se aos projéteis de suas próprias peças antiaéreas que acidentalmente atingiram o paiol de munições, desencadeando grande explosão, explicação não totalmente aceita ainda nos dias atuais. Todos os submarinistas alemães permaneceram sob custodia e foram intensamente interrogados por argentinos e norte-americanos. Entre as principais questões que tiveram de responder estava a existência de possíveis passageiros a bordo, hipótese novamente negada, pois eles já se encontravam em alto-mar

quando decidiram pela rota de rendição, ao passo que minuciosa revista no interior da nave nada encontrou de estranho a sua tripulação. O problema é que, alguns dias depois, em depoimento na Alemanha, o Almirante Eberhard Godt, ex-comandante da Base Naval de Kiel incluiu nova polêmica ao tema, contestando a data de 19 de fevereiro de 1945, dada pelos marinheiros como sendo o dia da partida de Kiel e informando que a data correta fora a de 3 de março, informação confirmada por pelo menos dois outros oficiais de Kiel e que coloca a partida do U-530 para sua derradeira patrulha alguns dias depois da mal explicada morte do führer. Outra informação que

causa estranheza é a de que, durante as análises do submarino por pessoal norte-americano foi notada a falta de um dos botes infláveis da embarcação, ao passo que, poucos dias antes a rendição da tripulação alemã, a polícia já investigava o aparecimento de um bote similar numa praia próxima à localidade de Miramar.

Cidadão argentino ou brasileiro? Apesar destas revelações “surpreendentes”, no geral, serem contestadas pela maior parte da comunidade de historiadores profissionais, os que defendem a suposta permanência de Hitler na América do Sul certamente tem em comum uma imagi-

Foto de um sósia do führer executado com um tiro na testa.


Um dos vários corpos carbonizados encontrados pelos russos nos arredores do bunker e levados a Moscou, durante o que parece ser uma autópsia.

nação e uma capacidade de suposição das melhores. Para alguns desses tais “crentes abnegados”, após se instalar na Argentina, Hitler e sua esposa teriam vivido tranquilamente e sem provocar nenhuma desconfiança em uma estância (fazenda), nos arredores da pequena San Carlos de Bariloche, onde tiveram duas filhas antes da morte de Hitler, em 13 de fevereiro de 1962, quando já tinha 73 anos! Suas filhas argentinas ainda estariam vivas. Outros afirmam que ele teria vivido alguns anos numa mansão nas montanhas da cidade de Villa La Angostura, na Patagônia, e depois passou por outras partes do país; nesse período, suas ativi-

dades políticas teriam se limitaram a apenas algumas reuniões com velhos camaradas igualmente escondidos por lá. Há ainda aqueles que defendem que, em suas andanças, o führer tenha ingressado no Paraguai, contando para isso com a ajuda do ditador Alfredo Stroessner, que já havia acolhido outro fugitivo nazista, o médico Josef Mengele, o mesmo que depois veio a se instalar no interior de São Paulo, onde viveu tranquilante como um “simpático senhor alemão” até sua morte, em 1979. E por falar em outros destinos, não podemos terminar esse artigo sem lembrar o livro “Hitler no Brasil – Sua Vida e Sua

Morte”, da brasileira Simoni Renée Guerreiro Dias. Em sua imaginativa obra, a autora afirma que Adolf Hitler, procurando se afastar da atividade dos caçadores de nazistas em território argentino, veio esconder-se na pequena Nossa Senhora do Livramento, estado do Mato Grosso do Sul, a 42 quilômetros de Cuiabá, tendo morrido nesta localidade quando tinha já 95 anos. Ela sustenta que o imigrante alemão Adolf Leipzig, pessoa muito conhecida na região, era, na verdade o führer, tendo inclusive se relacionando com uma senhora negra para afastar possíveis suspeitas que possam recair sobre ele. O Brasil, alias, foi o refugio escolhido por alguns outros condenados em Nuremberg, como Gustav Wagner, preso em 1978 durante uma confraternização do grupo “Amigos do 20 de abril”e Franz Stangl, preso ainda no ano de 1967, ambos imigrados para o Brasil no inicio dos anos de 1950.

Conclusões Apesar de todas as negativas acadêmicas acerca do assunto, devemos concordar que, sem a existência de um corpo ou


de restos mortais positivamente identificados como sendo os de Adolf Hitler, qualquer afirmação sobre o assunto não pode ser tomada como satisfatória, ao passo que nenhuma teoria, por mais absurda e irreal que possa parecer, pode ser de todo descartada. Entretanto, o que todos os defensores da fuga de Hitler se esquecem de levar em conta em suas varias teorias é que, caso não tenha morrido em Berlim nos últimos dias do Reich, Adolf Hitler se transformaria no humano mais procurado do plane-

ta, sendo perseguido em todos os cantos, quer seja por russos, norte-americanos, ingleses ou israelenses e é bem fácil crer que teria sido encontrado, mais cedo ou mais tarde. Outra verdade simplesmente deixada de lado por eles é a que Hitler, já com 56 anos ao final da Segunda Guerra Mundial, trazia sequelas da bomba em Rastenburg e tinha uma saúde bastante debilitada, somente parecendo apresentável nas aparições publicas, graças aos fortes medicamentos receitados por seu medi-

co particular. Assim, é fácil crer que teria sucumbido a alguma moléstia alguns anos depois e não ter chegado aos 70 e poucos, segundo autores argentinos e britânicos, quanto mais se tornado um nonagenário, como sugere a pesquisa nacional.

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O Controverso Fragmento de Crânio de Adolf Hitler Por: Julio B. Mutti

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os últimos anos, a especulação sobre uma suposta fuga Hitler foram crescendo lentamente a tornar-se investigações bem elaboradas. Em cada documentário vemos na televisão ouvimos obrigatoriamente a história do falso fragmento de crânio Hitler, como se fosse a prova culminante de fuga fantástica nos bastidores. No final do século XX, o governo de Moscou, sempre relutante em divulgar plenamente os seus arquivos, começou a liberar algumas informações e até mesmo exibiu em público do crânio já atribuído ao ditador. Em 2000, durante os cinquenta e cinco anos da Batalha de Berlim, o Serviço de Arquivos da Federação Russa organizou uma exposição chamada “A agonia do Terceiro Reich”. Na ocasião foi apresentado, entre outros objetos, um fragmento de crânio de quatro polegadas com um pequeno buraco de bala; de acordo com os russos pertenceu a Hitler. Fotografias da mandíbula e da ponte de ouro também foram mostrados ao público na época. No entanto, as peças originais ainda permanecem sob rigoroso segredo de Estado e completamente fora de alcance. É extremamente importante que Sergei Mironenko, naquela época chefe do Arquivo do Estado Russo, declarou que o fragmento de crânio em exibição, foi encontrado muito tempo após os dramáticos acontecimentos que levaram ao fim do Terceiro Reich e seu ditador. Ele foi encontrado em 1946, quando a polícia secreta soviética (NKVD, antecessora da KGB) abriu uma segunda investigação alimentada por falsos rumores de que Hitler haviam sobrevivido.

Mais uma vez o buraco foi cavado fora do bunker, o fragmento foi encontrado e enviado a Moscou para ser simplesmente arquivado. Estes fatos nos fazem recordar que a temida polícia secreta soviética chegou ao local um ano após o fato, quando os jardins do bunker haviam sido inevitavelmente alterada para sempre. Stalin simplesmente impediu-os de acessar o local. Em maio de 1945, o ditador russo instruiu o serviço de contra-espionagem, SMERSH, para isolar o abrigo de Hitler e impedir o acesso a qualquer pessoa curiosa fora de um grupo de escolhidos. A operação inicial realizada por um seleto grupo de funcionários de contra serviço foi um segredo total, e não apenas para as tropas do NKVD, mas também para os chefes do Exército Vermelho, incluindo o mesmo Zhukov, que duas oportunidades não teve acesso à Füererbunker com a desculpa de que a área era insegura. Stalin atingiu seu objetivo: manter a ameaça


fascista, mesmo depois de extinta, algo que lhe permitiria manter vivo o espírito de sobrevivência do povo soviético sob a sua “orientação providencial” vivo. Em 2009, uma equipe da Universidade de Connecticut, liderada pelo especialista Nick Bellantoni, visitou a sede dos arquivos russos e foram permitidos examinar a mesma peça que os soviéticos recuperada na segunda escavação em 1946. Não só ocorreu revendo pedaço de osso, mas a permitiu especialistas também fizessem uma coleta de amostras que permitisse uma relização de análise de DNA. Não há dúvida de que o fragmento de osso recuperou mais de um ano após os eventos nos jardins do Ministério das Relações Exteriores, em uma segunda operação de escavação, sem dúvida, pertencia a Adolf Hitler. Era apenas parte de um dos muitos corpos daqueles que morreram no local em 1945. Como vimos, os restos realmente importantes tinha sido levados um ano antes em caixas da SMERSH. Este fato não deve surpreender especialistas e o público em geral, este último sempre influenciada por falsas histórias de fuga furtiva do bunker em 1945. A ata da autópsia do Führer, feita pelos soviéticos e divulgada na década de oitenta, mencionou que sua cabeça foi quebrada.

Sua cavidade craniana quase tinha quebrado, o que dificilmente permanecem registros de um buraco de bala. Os testes das amostras mostrou, sem dúvida, que era o crânio de uma jovem mulher. Os primeiros fragmentos, recuperados em 1945 e em seguida, enviadas a Moscou como a narra a agente de SMERSH Elena Rzhevskaya, continuam sendo as peças-chave desta história que se recusa a terminar. Algumas vozes russas foram levantadas emitido após as conclusões do Nick Bellantoni. Por exemplo, no final de 2009, Vladimir Kozlov, vice-diretor do Arquivo do Estado da Rússia, onde o fragmento é armazenado, disse que não há registro de que um cientista americano chamado Nick Bellantoni, que nunca foi autorizado a ter acesso aos arquivos. “Ninguém com esse nome Bellantoni – teve acesso ao arquivo nos últimos quatro anos”, disse ele à agência de notícias RIA Novosti. “Nenhum dos conselheiros e dos que concedem essa permissão conheçe esse nome.” “A peça final das evidências é um pedaço de mandíbula de Hitler, que também é armazenado em Moscou.” Finalmente explicou o funcionário. Vassili Khristoforov, chefe do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), disse em dezembro do mesmo ano, que têm fragmentos originais do crânio Adolf Hitler, descartando os relatórios dos exames feitos por Nick Bellantoni. O fragmento de crânio e mandíbulas são mantidos em tanques diferentes. A SMERSH se agarrava a sua evidências valiosas.


O fragmento de controverso crânio, como já mencionamos, foi recuperado mais tarde, e foi levado pela NKVD, por isso, tem sido mantido no Arquivo do Estado da Federação Russa desde o colapso da União Soviética. As mandíbulas ainda ciosamente guardados na Lubyanka, a sede de Moscou da polícia secreta, junto com outros objetos obtidos pelo SMERSH em sua escavação do jardim, a única realmente importante. Por exemplo, podemos citar o crachá de ouro do partido nazista de pertença à ao Hitler, que foi retirado do corpo de Magda Goebbels. Os russos poderia dar por terminado as lendas ocidentais se efetuasse um teste de DNA nas mandíbulas, o que pode ser con-

tastado com o resultado de outra análise do mesmo tipo, praticada sobre os descendentes americanos de William Patrick Hitler. No entanto, assim eles não parecem muito preocupados com isso. Talvez, em alguns anos, quando alguém decide que não é mais uma questão de segurança nacional, o governo de Moscou decidira colocar um ponto final em um dos grandes mistérios do século XX, a morte de Adolf Hitler. Fonte: “Mito y realidad sobre la muerte de Adolf Hitler”. Los verdaderos últimos días de la Segunda Guerra Mundial, parte I. Julio B. Mutti, 2013.

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Os Dias Finais da Vida de Adolf Hitler Por: André Luiz

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nfermeira de Hitler, após 60 anos contou sobre as últimas horas de vida do ditador. Numa entrevista a um jornal alemão, vasculhou sua memória e trouxe novas informações sobre o término do regime nazista. Quando deu essa entrevista, Erna Flegel, então com 93 anos de idade e residia num asilo para idosos, e tinha permanecido anônima em sua casa até 2005, e somente quando foi descartado pela CIA dos interrogatórios feitos após a Segunda Guerra Mundial, ela se declarou enfermeira de Adolf Hitler. Erna trabalhou como enfermeira da Cruz Vermelha na Clínica Universitária de Berlim, responsável pelo tratamento do alto escalão nazista. Em sua jornada, prestava atendimento tanto na Chancelaria quanto nos ministérios de Hitler. Em 1943, pela primeira vez recebeu um chamado para ir ao bunker. Consequentemente, com as visitas se tornando cada vez mais comuns, ela ficou no cargo de enfermeira oficial da cúpula do regime até a chegada do Exército soviético em 1945. Na entrevista ao Jornal alemão Berliner Zeitung, a enfermeira revela novas informações sobre a personalidade de Adolf Hitler e sobre as pessoas que o cercavam. “Hitler não necessitava de cuidados especiais. Envelhecera muito nos últimos dias e o seu lado direito estava debili-

tado devido ao atentado que sofreu. Eu estava ali para cuidar dos feridos” A vida sentimental do Führer também é lembrada por Erna Flegel. A enfermeira afirma que a amante, e por fim esposa, do ditador, Eva Braun, era uma “jovem insignificante”. A escolha de Hitler em casar-se com ela foi para Erna um forte sinal de declínio do III Reich. Suicídio coletivo Nas suas últimas horas de vida, o Hitler se despediu de toda a equipe médica, antes do suicídio no dia 30 de abril de 1945. “Partiu de um quarto lateral, nos estendeu a mão, falou algumas palavras amistosas e isso foi tudo”. A enfermeira jamais viu o cadáver de Hitler. Soube de sua morte quando viu no bunker um número de médicos a mais que de costume. O corpo do ditador foi transportado para o jardim da Chancela-


ria e queimado. Erna também comentou sobre o suicídio posterior de outros líderes do regime, como o da família de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda nazista que ficou com o comando do Reich após a morte de Hitler. Erna afirma que tentou em vão salvar a vida dos 6 filhos de Goebbels, que tinham entre 4 e 12 anos de idade. Magda Goebbels não permitiu que salvasse as crianças, e elas morreram no bunker, envenenadas por cianureto. “Eu pertenço ao meu marido e meus filhos pertencem a mim”, argumentou a esposa de Goebbels antes de Erna tentar levar ao menos dois dos filhos embora de Berlim. Erna testemunhou o fim do suicídio da família e, de acordo com a enfermeira, foi o dentista Helmut Kunz que administrou o veneno às crianças. Em seguida o casal se matou. O suicido coletivo no bunker finalizou em

rajadas de tiros uns contra os outros. O grupo de oficiais da SS que continuava vivo, quando não havia mais fôlego ao regime, tentou escapar. Erna permaneceu no bunker com mais algumas pessoas, aguardando a chegada dos russos e cuidando de feridos. Apesar das tiranias e atrocidades promovidas pelo nazismo, Erna diz não tem nada contra Hitler. “Ele se portou sempre cortês e encantador. A sua autoridade era extraordinária.” “Eu não queria levar esse segredo para o túmulo, no final de sua vida, Hitler não confiava mais em ninguém.” Erna Flegel faleceu em 16 de Fevereiro de 2006, poucos meses após ter dado esta entrevista.

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Contradições Históricas da FEB: Os Três Heróis Brasileiros, quem são?

Por: Francisco Miranda

nados acontecimentos que envolveram a atuação da FEB e seus integrantes. Um dos mais conhecidos: OS TRÊS HERÓIS:

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á em vários momentos buscamos lançar luz sobre a obscuridade histórica, que é crônica em nosso país. Parece-nos que há um plano orquestrado de esquecimento, quando se trata do estudo do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Longe de ser objeto de estudo dos nossos cientistas da ciência História, a campanha da FEB é referenciada unicamente dentro dos círculos das associações ou dos grupos de interesse. Um problema também muito sério ocasionado pela falta de pesquisa abrangente, é o risco que corremos em transformar um mito em fato histórico consagrado. Não podemos admitir que qualquer fato envolvendo a FEB seja diminuído, aumentado ou alterado para satisfazer o apetite verossímil daqueles que adoram desvirtuar os acontecimentos para atender uma demanda cinematográfica ou apenas para vender livros, desapegado da realidade histórica. É a velha mania hollywoodiana e seus personagens quase semideuses da guerra. A História da FEB e do Brasil deve considerar novas interpretações, baseada em pesquisas sérias, para que o fato histórico possa evoluir; mudando segundo a exposição de novas evidências. Isso é importante para corrigir injustiças, trazer à luz personagens históricos injustiçados ou esquecidos. A História ela é elemento vivo em constante evolução. Com o objetivo de contribuir para o aprimoramento do Fato Histórico, observamos algumas contradições em determi-

Em 14 de abril de 1944, durante uma patrulha nas proximidades do Montese, três soldados Geraldo Baêta da Cruz, então com 28 anos, natural de Entre Rios de Minas; Arlindo Lúcio da Silva, de 25, de São João del-Rei; e Geraldo Rodrigues de Souza, de 26, de Rio Preto, morreram como heróis em Montese, Itália, palco de uma das mais sangrentas batalhas do conflito com a participação da FEB Integrantes de uma patrulha, os três pracinhas mineiros se viram frente a frente com uma companhia alemã inteira. Receberam ordens para se render, mas continuaram em combate “até o último cartucho”, como se diz na caserna. Metralhados em 14 de abril de 1945, receberam, em vez da vala comum, as honras especiais do exército alemão. Admirado com a coragem e resistência dos mineiros, o comandante mandou enterrá-los em cova rasa e pôs uma cruz e uma placa com a inscrição: Drei brasi-


lianische helden, que em bom português significa “três heróis brasileiros”. Acabada a guerra, eles foram trasladados para o cemitério de Pistóia, na Itália, e depois para o Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.

fogo alemão, em busca de elementos daqueles elementos, até alcançar estreita e rala ravina, entre Motaurígola e faldas de Montese, quando foram também detidos por fortes rajadas de “lurdinhas”, morteiros e artilharia.

O fato é registrado aqui, no próprio BLOG, Logo explodiu uma granada sobre o padioe já motivou livros, séries e filmes. leiro Geraldo Baeta da Cruz, de nossa seção de saúde, que morreu no mesmo insExplicando algumas contradições. tante. (ADHEMAR, 1985, pag. 146). A questão que queremos abordar, que fique bem claro, não se trata de desmerecer ou duvidar dos méritos dos nossos soldados, pelo contrário, buscamos entender os fatos e tornar justo os personagens que estiveram envolvidos. Vamos para alguns problemas: O Coronel Adhemar Rivermar de Almeida, então Chefe da 3ª Seção, do 1º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria registrou o que segue em seu livro: Montese – marco glorioso de uma trajetória: O inimigo desencadeou uma terrível barragem de fogos de Infantaria e Artilharia entre as encostas Sul de Montese, e suas orlas Leste e a base de partida (Montaurígola), conseguindo deter a ação do Pelotão Ary Rauen, que seu heroico comandante ferido mortalmente na cabeça, quando tentava neutralizar uma incômoda “lurdinha” que barrava o avanço de seu pelotão causando grande baixas em seu efetivo, cujos remanescentes ficaram detidos, sem se moverem, em meio a terrível campo minado

Nos registros de embarque da FEB, consta o soldado Geraldo Baeta como padioleiro, integrante do Seção de Saúde do 11º Regimento de Infantaria, o que reforça a tese de que ele estaria, conforme relato do Coronel Adhemar, indo em direção ao socorro do pelotão do Tenente Rauen. Outra evidência, é que o militar foi agraciado com a Medalha de Cruz de Combate de 2ª Classe, mérito de bravura em combate (coletivo), diferentemente do Arlindo Lúcio da Silva, recebendo o Cruz de Combate de 1ª Classe, mérito de bravura em combate (individual). Se eles participaram da mesma ação, quais os motivos da diferença nas honrarias? Sobre o Geraldo Rodrigues de Souza, o interessante é que o local da morte do soldado é identificado como Natalina e não Montese, como os demais. Classe 1919. 11º Regimento de Infantaria. Embarcou para além-mar 20 de setembro de 1944. Natural do Estado de Minas Gerais, filho de Josino Rodrigues de Souza e Maria Joana de Jesus, residente à rua Cajurú nº 4, Serra Azul, SP. Faleceu em ação no dia 14 de abril de 1945, em Natalina [crivo nosso], Itália, e foi sepultado no Cemitério Militar brasileiro de Pistóia, na quadra B, fileira 9, sepultura nº 98, marca: lenho provisório.

Tomando conhecimento das pesadas baixas ocorridas naquele Pelotão, o Dr. Yvon, acompanhado do Tenente Ary, de padioleiros e do 1º Sargento Alfeu, sargenteante de minha Companhia e que se apresentara como voluntário, iniciaram a sua longa Sobre o Arlindo, temos o relato do Decreto e perigosa caminhada, cortada de campos que lhe concedeu a medalha: minados e varrida incessantemente pelo


“Foi agraciado com as Medalhas de Campanha, Sangue do Brasil de Combate de 1ª Classe. No decreto que lhe concedeu esta última condecoração, lê-se: No dia 14 de abril, no ataque a Montese, seu Pelotão foi detido por violenta harragem de morteiros inimigos, enquanto uma Metralhadora alemã, hostilizava violentamente o seu flanco esquerdo, obrigando os atacantes a se manterem se manterem colados ao solo. O Soldado Arlindo, atirador de F.A, num gesto de grande bravura e desprendimento, levanta-se, localiza a resistência inimiga e sobre ela despeja seis carregadores de sua acontecimento idêntico como o relato dos arma, obrigando-a a calar-se nessa ocatrês soldados brasileiros mortos em Monsião, é morto por um franco-atirador inimitese. Em janeiro daquele mesmo ano, uma go”. (Decreto de Concessão da Medalha) cruz fora encontrada durante o avanço brasileiro, com fantástica similaridade. PorOs detalhes da descrição da ação não se tanto, as covas de Montese não seriam as referem a três soldados lutando bravamenúnicas a guardar os corpos de bravos brate por suas vidas em combate contra uma sileiros que foram honrados pelo inimigo. Companhia, se referem a um ataque sobre Assim registra Joaquim Xavier da Silveira um ponto fortificado e, com testemunhas em seu livro A FEB por um Soldado: dos fatos, que relataram posteriormente. Por mais surpreendente que seja, outro Ao conquistarem Castelnuovo, as tropas


de depararam com um testemunho da coragem do soldado brasileiro. Desde janeiro, três soldados do Regimento Sampaio figuravam na lista dos desaparecidos em combate: Cabo José Graciliano Carneiro da Silva, Soldado Clóvis Paes de Castro e Aristides José da Silva. Em Castelnuovo havia uma tosca cruz de madeira com a dística em alemão: 3 Tapfere – Brasil – 24.01.1945 (Três bravos – Brasil – 24.01.1944). Essa singular homenagem feita pelo inimigo é uma eloquente demonstração da coragem do soldado brasileiro. (SILVEIRA, 2001, pag. 177).

Conclusão:

seus inimigos, ou trazendo a justiça histórica para aqueles que efetivamente estiveram nessa ação de bravura. Trata-se de um único episódio Montese / Castelnuovo? Como anteriormente citado, não há dúvida que trata-se de acontecimentos distintos. Contudo, é necessário que possamos expor evidências que não possibilite margem para debates e interpretações histórica erradas sobre os acontecimentos, objetivando que futuras gerações tenha a possibilidade de vivenciar a clareza histórica do passado de nosso Brasil e saber quem são seus heróis.

Não são respostas que movem o mundo, Quem foram os três heróis brasileiros mas as perguntas. em Montese? Ocorreu o fato dos três heróis brasileiDe certo que há dúvidas bibliográficas leros em Montese? vantadas sobre quem foram os três brasiPelo relato oral dos integrantes do 11º RI, leiros que morreram conforme a descrição não há dúvidas sobre o fato ocorrido em relatada do episódio: “Os três Heróis BrasiMontese, contudo, não podemos afirmar de leiros”. O que na prática deverá despertar o forma concludente que os personagens en- interesse de pesquisadores e de pessoas volvidos no fato são aqueles consagrados e instituições que possam financiar essas pela historiografia militar. Novamente, isso pesquisas para trazer para luz a verdade não tira o mérito do sacrifício dos militares histórica sobre o fato. Os nomes desses do Regimento Tiradentes mortos, seja no bravos soldados brasileiros devem ser recaso da patrulha perdida; seja em outras gistrados de forma justa, seja os três mineiros atualmente apontado como protagocondições de morte violenta. nistas, ou outros que por ventura a História O importante seria para a História Militar revele de forma inquestionável. Brasileira a análise dos acontecimentos e a busca por respostas; ou confirmando o nome dos bravos soldados que morreram naquele confronto, sendo sepultados por https://chicomiranda.wordpress.com/


Um Venezuelano na Frente do Pacífico Durante a Segunda Guerra Mundial “As balas não são de algodão”

Assim contou um Yaracuyano vetarano da Segunda Guerra Mundial.

POR: CLEMENTE BALADARES

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m meados da década de cinquenta, caminhando por Barquisimet, um senhor de média idade e porte físico do ocidente da Venezuela, um oficial da guarda nacional lhe pergunta: Antonio, Quantos japoneses você matou na guerra? Você esta vendo esses dez dedos em minhas mãos? Eles não são suficientes para conta-los Manuel Antonio Prince Veroes nasceu em Aroa, estado de Yaracuy, en de 16 de junho de 1914. Sua mãe era de Sam Juan de Los Cayos e seu pai era de origem Holandesa que foi para Venezuela para a instalação da estrada de ferro Bolivar. Quando menino, ele cresceu em Brasquisimeto, estudando no Colégio La Salle, jogava beisebol e se lembra que nessa época conheceu o futuro presidente Rafael Caldera. Quando completou 13 anos, seu irmão mais velho lhe convidou para morar com ele em Nova York.

Primeiro se preocupou em aprender o idioma, depois foi para Detroit, onde aprendeu um pouco de mecânica, que serviu para trabalhar como mecânico dos famosos taxis amarelos, e em pouco tempo já era gerente de um estacionamento do qual o dono era libanês. No final dos anos 20 e 30, Antonio tinha um grande grupo de amigos latino-americanos, na sua maioria de porto-riquenhos e mexicanos. Em 07 de dezembro de 1941 sua vida mudou, os Estados unidos declarava guerra ao Japão, devido o ataque a sua Base Naval de Pearl Harbor. Manoel e seus amigos hispânicos foram obrigados a servir ao país, isso ocorreu devido a lei aplicada para residentes com mais de três anos no país. Essa estava de acordo com suas convicções sobre essa nação e não era objetivo ir contra essa ordem, pelo contrario, era motivo de orgulho e aventura. No início de 1942 treinou por três meses em um campo militar na Carolina do Sul, logo em segui-

da foi enviado com milhares de outros alistados de trem para São Francisco, de onde embarcaria para o Pacifico. Imaginou que iam lutar contra os japoneses, uma vez que lhes deram uniformes na cor caqui de algodão e não de lã para suportar o frio da frente européia. Prince foi designado para o 182º Regimento de Infantaria da 23º Divisão do Exército Norte Americano, conhecida como Divisão AmeriCal, essa unidade foi ativada em maio de 1942 na Nova Caledônia, era conhecida pelo seu brasão azul com as estrelas formando o cruzeiro do sul, quando Manoel chegou a unidade era formada somente por latinos. No final desse ano


viajaram para as ilhas ocupadas pelos japoneses em navios de transporte de tropas da US Navy. Entrou em combate em outubro do mesmo ano em Guadalcanal nas proximidades da foz do rio Matakinau. Os primeiros a desembarcar foram os jovens marines de 18 anos. Prince estava com 28 anos, e sua divisão foi a segunda a desembarcar. Quando chegou na praia, viu os corpos dos primeiros marines na areis e outros boiando na praia. O reforço de seu regimento ao marines, permitiu que os estadunidenses tomassem o monte Austen em janeiro de 1943 e tomar o campo Henderson que se tornou a base aérea para os primeiros ataques contra o Japão. Seus companheiros latinos o batizaram como “Bruxo” devido a maneira destemida que entrava em combate enfrentando a morte contra os japoneses. Ele recorda que para sobreviver em batalha tinha que ser mover como um esquilo e que em parte parecia como um jogo de beisebol. Sua frase de cuidado era: “As balas não som de algodão”. No ano seguinte recebeu a promoção de sargento, onde comandou um esquadrão de mais jovens, todos estadunidenses e latinos. Sua arma principal era o morteiro de 81mm para apoio avançado. Quando Guadalcanal foi totalmente tomada, o General Mac Arthur desembarcou

e entre os soldados que o recebeu estava o venezuelano, seu aspecto hispano chamou atenção do general que então perguntou de onde era, ai para não confundir com a localização de seu pequeno povoado de Yaracuyano, respondeu: Caracas!. E em um espanhol perfeito o general replicou: Oh, si Caracas! Convidando para segui-lo para sua barraca de campanha. Por ser baixo e moreno, os aborígenes tiveram afeição achando que era um deles, e isto lhe fez conseguir outra atenções. Também era Cortez com as crianças locais dando de presente Galina e

cantando canções infantis. Depois de Guadalcanal, foi para Fiji em março, até alcançar Bouganville em 1944, quando chegaram nas Filipinas era o ultimo ano, a guerra estava nas ilhas de Corregidor. Ali ele teve seu maior feito, quando nas colinas da cidade de Cebú em 03 de abril de 1945, um grupo de seis soldados americanos estavam sendo derrotados pelos japoneses. Manoel viu de longe o perigo que os companheiros estavam passando e dirigiu fogo de morteiro contra o inimigo, alem de uma nuvem de nuvem de fumaça verde que escondia os americanos do


ataque. Isso cegou os japoneses e permitiu a evacuação de seus companheiros, incluído os feridos. O mais dramático de tudo, eram os franco-atiradores nipônicos, mas sua ação evitou a ação dos atiradores. Essa ação lhe rendeu um reconhecimento por escrito com selo estadunidense assinado pelo general da Divisão, uma cinta e medalha para seu uniforme de gala por destaque em combate. Ia para a invasão de Okinawa em julho de 1945, se previa a derrota do império Japonês, mas essa era a primeira ilha em território japonês e a sua defesa seria encarniçada. Porem o

batalhão Americal continou a atacar os focos de resistência. No inicio de agosto a guerra terminou com a rendição e Manoel foi enviado para casa, Em novembro lhe deram a baixa honrosa e em Nova York seus familiares e amigos deram calorosas boas vindas. Em 1946 voltou para a Venezuela, onde montou uma oficina de automóveis em Barquisimeto, O jornal local El Impulso publicou seu retorno em 27 de novembro, e posteriormente outros diários também escreveram sobre ele. Se casou e teve sei filhos. Viveu com seus princípios de respeito as pessoas e em defesa da de-

mocracia, do qual sempre destacava nas conversa. Criticou dos ataques de 11 de setembro em 2001 em umas de suas entrevistas. Com quase 80 anos ganhou uma pensão do governo norte americano antes de sua morte em 2003 Desde 2012 esse pesquisador falou por correio eletrônico com um familiar do sargento Prince. Daniel Athalido reconhece o valor da experiência de combate de Manuel enviando parte dos documentos e fotos para servirem de prova das experiências desse Yaracuyano.


Um soldado estadunidense em Guadalcanal.


DIÁRIO DE GUERRA ARGEMIRO PAVELOSK

Cabo 6ª Cia 2º Btl. 6º RI 30/06/1944 a 07/05/1945

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essa edição teremos o grande prazer em publicar na integra o Diário de Guerra do veterano da Força Expedicionária Brasileira, Cabo Argemiro Pavelosk, que registrou desde a partida do Rio de Janeiro, seu dia a dia na Itália, seus combates, até o seu retorno ao Brasil. Graças a gentil contribuição de sua filha Marcia Pavelosk, iremos ter acesso a esse maravilho material. E aproveitando, espero um dia poder contar com mais familiares de veteranos nessa empreitada. Dia 30/6/1944 – sexta-feira – Quartel - impedido dia todo. 9:30 hs da noite pegamos o trem e fomos até o cais onde se achava ancorado um navio norte-americano - 11:45hs da noite embarquei no navio.... Dia 01/7/1944 – sábado – passei o dia todo no navio sem poder sair para comprar nada, e assim passou-se também a noite. Dia 02/7/1944 – domingo – 5:30hs da manhã quando tocava a alvorada já o navio deixava a Bahia de Guanabara onde só aparecia o Corcovado e o Pão de Açúcar e assim momentos mais tarde via-se no lado direito somente uma faixa de terra que momentos depois desaparecia. E afinal é água e céu somente. Dia 03/7/1944 – segunda-feira – quando levantei sentia-me muito mal, tudo para mim parecia girar. Passei sem almoço até o momento de jantar onde fui até o rancho com muita dificuldade, com as pernas bambas, mas logo depois do jantar já me sentia melhor passando assim a noite. Dia 04/7/1944 – terça-feira – passei o dia sem novidades para contar a não ser o imenso calor que fazia de dia e de noite apesar do mar muito calmo. Dia 05/7/1944 – quarta-feira – até as 12:00hs sem novidades – 13:30hs fomos avisados de que iríamos passar a linha do Equador. 2:40hs da tarde passamos a linha do Equador. Um calor tremendo fazia. 4:30hs tarde, hora do jantar, onde comi muito bem 12:00hs da noite éramos

avisados para adiantar 1 hora nos nossos relógios. Dia 06/7/1944 – quinta-feira – sem novidades Dia 07/7/1944 – sexta-feira – também sem novidades Dia 08/7/1944 – sábado – passava o dia sem se ver nem um sinal de terra a não ser o que se via ao nosso lado direito como no esquerdo 2 destroyers americanos e na retaguarda um cruzador que transportava 2 grandes porta-aviões que também faziam o patrulhamento em redor do comboio.14:30hs da tarde aparece um avião, nossas metralhadoras e canhão entraram em ação. Todos pensávamos que era inimigo mas o avião trazia amarrado atrás um saco comprido que era para treinamento da guarnição do navio e também para tirar o sistema nervoso da tropa. O resto do dia e noite sem alterações. Dia 09/7/1944 – domingo – Completava uma semana de viagem através dos mares, tomamos nosso café, que aliás era muito bom pois vinha todos os dias, leite, café, doce em conserva, um dia ovos, outro maçã, peras, pão


americano, manteiga a vontade, etc. Passamos muito contentes. 4:30hs da tarde fomos jantar. Eu jantei como nunca desde que estava em viagem. Peixe em conserva, arroz, feijão, 2 salsichas, doce de pêssego, uma maçã, 2 tomates, pão com manteiga, café e bolachas. À noite antes de nos recolhermos ainda comemos uns pedaços de peru que estava muito gostoso. Assim passamos a noite sem novidades; somente muito calor. Adiantamos 1/2h no relógio. Dia 10/7/1944 segunda-feira – Quando acordamos todos estávamos ansiosos para subir ao convés na esperança de vermos terra. Estava um vento forte soprado do norte e um mar muito agitado. 1:40hs da tarde toca o alarme geral. Todos em seus postos com os salva-vidas no corpo, mas somente treinamento: que susto! Assim passou o resto da segunda-feira – mais ½ hora de adiantamento a meia noite. Dia 11/7/1944 – terça-feira eram 7 horas da manhã quando ao sair ao convés do navio recebia em cheio aquela brisa fresca que vinha do além mar. Era uma verdadeira delícia parecia que começava a viver em outro mundo. 8:30hs da manhã já tornava a descer para o meu compartimento onde ia logo após para o rancho. 9:00hs da manhã já me encontrava dentro do rancho tomando meu café com leite habitual. Logo ao terminar o café subi novamente ao convés e ao ver bem longe no horizonte notava-se algumas barcaças a vela todas de pesca. Logo pensamos estarmos perto de alguma terra, mas passou o dia sem nada podermos ver. A meia noite mais 1/2hora de adiantamento nos relógios de bordo. Dia 12/7/1944 – quarta-feira - sem alterações durante todo o dia, mais 1 hora era adiantado em todos os relógios que existiam a bordo. Dia 13/7/1944 – quinta-feira – Levantei-me, to-

mei meu banho e fui logo tomar meu café. Tomado meu café subi ao convés e lá permaneci até tarde. Meu colega levou consigo um quadro de damas e estávamos fazendo uma disputa entre quatro colegas. Ali passamos muito tempo nos distraindo com dama. 1:20hs da tarde foi desviada nossa atenção para muitos dos nossos colegas que olhavam para apreciar aquilo a que onze dias e meio não víamos, de fato era terra mesmo. Ficamos todos muito entusiasmados, mas logo no alto-falante do navio nos esclarecia que terra era a nossa direita ou melhor a leste era a costa africana e a oeste ficava situado o maior forte de todos os tempos que pertencia até aquela data aos ingleses. Era o famoso forte de Gibraltar. 2:10hs da tarde passávamos pelo canal ou estreito de Gibraltar que contém 8km de largura passando assim a navegar em águas do Mediterrâneo. O cruzador que fazia parte do comboio, momentos após entrarmos no Mediterrâneo tomava outro rumo onde prestamos nossa despedida com a continência oficial e 3 urras em conjunto. Daí passamos a navegar comboiado por 4 destroyers. Assim passamos a tarde toda muito alegres, afinal já eram 8:00hs e o sol aparecia no meio do céu. Eu pensava entre mim: “como é o mundo, aqui 8 horas é tão cedo, no Brasil eram somente 3hs da tarde e dizia, ainda faltam 2 horas para que meus manos deixem o serviço. Afinal anoiteceu e passamos a noite muito bem. Dia 14/7/1944 – sexta-feira – tudo andou muito bem durante o dia, alguns aviões ingleses e americanos sobrevoavam nas imediações mas somente reconhecimento. A noite era 11:30hs quando foi esclarecido alguns aviões inimigos, mas graças ao grande invento do radio foi avisado na base aérea mais perto e logo chegaram uns 40 ou 50 aviões ingleses que durante a noite toda nos acompanharam. Com a graça de Deus nada nos aconteceu até o clarear do dia. Dia 15/7/1944 – sábado - o dia inteiro passei observando as margens muito distantes do Mediterrâneo na qual somente via-se muitos postos bem guarnecidos e muitas montanhas, algumas altas. Passamos por Tuniz......., Bizerta e muitos outros postos. As 13:00hs estava eu cortando o cabelo de um colega quando sem esperar ouvimos diversos disparos de canhão 155mm e 105mm. Ficamos todos muito assus-


tados pois foi sem esperar. Saímos todos para o convés com nossos salva-vidas no corpo para ver o que se passava. Observamos bem e vimos que muito longe notava-se que passava um avião, talvez fosse inimigo mas ninguém quis dizer se era. Chegou a hora do jantar; jantamos bem. O resto da tarde nada mais houve. A noite também passamos bem pois com muita tranquilidade. Dia 16/7/1944 – domingo - Eram 4hs da madrugada quando fomos tomar nosso café. Momentos mais tarde o navio parava perto de um porto. Ficamos parados mais ou menos 2 horas. Depois desse tempo parado começamos a navegar momentos depois ancoramos no porto de Nápoles. Daí descemos e pegamos um trem elétrico e fomos numa direção que não sei, pois viajamos por um túnel mais de 1 hora, depois descemos e fomos para um acampamento. Situação dos italianos - era triste ver aqueles habitantes quando chegamos, vinham pedir cigarros e comida e tudo que lhes matasse a fome. Pudera, a cidade estava toda em ruínas, o porto dava até receio de chegar perto. Aquela população andava toda rota, aliás 80%. Em caminho para o acampamento encontrávamos aquelas moças, mulheres e crianças com cestinhas de frutas para trocar por cigarros. Dávamos 3 cigarros e elas nos davam 8 pêssegos,

ameixas, peras e outras frutas mais. Acampamos a noite. Dia 17/7/1944 – segunda-feira – Passamos a noite toda no acampamento. Logo de manhã recebíamos uma lata de conserva e uma de bolacha doce, etc. As 11:30hs era dado mais uma ração igual e de manhã. As 5;15hs recebíamos uma outra ração que era o jantar. Anoiteceu, fazia um pouco de frio, pois estávamos em uma cratera de vulcão a mais de 1.000 anos que não se punha em revolta. Dia 18/7/1944 – terça-feira – Logo de manhã uma boa física e depois ficamos até as 11:15hs sem fazer mais nada. Estávamos descansando quando ouvimos a corneta tocar avançar para o rancho. Eu estava de ordem na Cia. 11:30hs avançamos para o rancho. Durante o resto do dia passamos no acampamento dormindo sem ninguém nos amolar. Dia 19/7/1944 – quarta-feira – Tivemos logo de manhã uma boa física das 7:15hs às 8:00hs. Logo depois do café, terminado tudo fomos até a hora do rancho sem fazer mais nada. 11:30hs avançamos para o rancho, a boia era melhor dos outros dias porque tínhamos um rancho novo tudo moderno. Passamos o resto do dia na melhor folga possível. Dia 20/7/1944 – quinta-feira – Igual aos outros dias, fizemos nossa física, logo depois o almoço e descansamos o dia inteiro. Dia 21/7/1944 – sexta-feira – Tomamos nosso café da manhã e depois fomos fazer uma pequena marcha de 8 km passando por aqueles bairros onde só se via miséria e nada mais. Aqueles italianos todos saiam para fora de suas casas, mas nas quais nem tinham telhado, tudo amassado pelas bombas inimigas. Passando por um italiano ele nos contou o seguinte: que ele se viu obrigado a perder a vergonha e sujar sua honra de família para poder matar a fome. Também pudera, coisa que os alemães fizeram é demais. Não respeitaram nada, desonrando moças, meninas de até 8 anos, matando sem piedade depois. Depois de vermos diversos efeitos de uma guerra, voltamos, almoçamos e descansamos um pouco. As 13 hs eu era convidado para dar um passeio por Nápoles as 2:30hs. Bem, chegando essa hora eu estava pronto para sair. Saímos e chegamos as 3:00hs o carro nos ficou a espera enquanto passeávamos. Tive oportunidade de ver mais


um pouco dos estragos e miséria em Nápoles. Voltamos e como já era um pouco tarde fomos para as barracas. Dia 22/7/1944 – sábado – Nada tivemos durante o dia. Meus colegas todos saíram e eu fiquei, pois me sentia um tanto triste e horrorizado com o que já tinha visto na sexta-feira. Dia 23/7/1944 – domingo - Já era o 2º domingo que passava no acampamento em Nápoles. Assim que me levantei tomei o café e fui à missa rezada no acampamento pelo nosso Capelão chefe que nos acompanhou em toda a viagem rezando a Deus Nosso Senhor para nos proteger. Depois da missa entrei em minha barraca e fiquei deitado esperando o almoço. Pouco depois avançava para o rancho, a boia era ótima. Tínhamos salsichas, feijão branco, carne, um pouco de arroz, café com leite, doces em conserva, pão com manteiga etc. depois passamos o resto do dia descansando. Dia 24/7/1944 – segunda-feira – tivemos o nosso café da manhã costumeiro, depois uma boa física. Terminado a física não tínhamos o banho porque a divisão tem muita gente e não era possível todos tomarem banho a uma só vez, além disso havia um só compartimento com 30 chuveiros. Ficamos sem o banho nesse dia.

Hora do almoço fomos almoçar e um almoço reforçado. 13:00 hs estávamos em forma para recebermos uma teoria a respeito de ataques aéreos muito possível onde estávamos, pois vinte minutos de avião era a distancia nossa das bases inimigas. Depois dessa teoria nada mais tínhamos a fazer. “No momento que escrevo estas frases ouço perfeitamente a artilharia americana martelando as posições inimigas ao norte da Itália”. Estou nesse momento deitado em minha barraca a escrever esta lembrança para poder mostrar a todos se Deus Nosso Senhor me ajudar que eu volte. São apenas 2 horas aqui e são somente 10 horas no Brasil. Hoje sai de ordem na Cia e deitei-me. Eram apenas 9:30hs estava eu registrando umas partes de deserção quando surgiu um italiano muito menino ainda com umas frutas num saco e disse-me: Ei soldato se poi mi amico dame uma camiça e io dou questas frutas”. Fiquei com dó do rapaz mas não tinha roupa para dispor mas o Sargento Barreto também se compadeceu do rapaz e deu umas peças que não usava mais e ele nos deu umas frutas. Assim terminou o dia sem alterações. A noite tínhamos um “show” que era de costume três vezes por semana. Dia 25/7/1944 – terça-feira – Amanheceu um


dia muito bonito nem parecia estarmos em zona de guerra. Tomamos nosso café e logo após formamos como de costume para hasteamento do Pavilhão Nacional Brasileiro, depois nada mais tivemos. Às 11:30hs almoçamos um saboroso almoço, doces de sobremesa e tudo mais. Depois do almoço eram 13:00hs respondemos uma chamada todos uniformizados e equipados mas somente a 6ª Cia para prestar honras a um general americano. Isso foi para mim uma honra ainda maior porque do Regimento nossa companhia foi escolhida para essa honrosa tarefa. Depois disso nada mais fizemos até o fim do dia. Dia 26/7/1944 – quarta-feira – Ao ouvir a alvorada levantei-me e desci para tomar café. Logo depois o Sargento mandou a Cia em forma para cantar o Hino Nacional para hastear a bandeira nacional. Isso 8 horas da manhã; às 9:00hs tivemos uma pequena teoria e só. 11:30hs desci novamente para o rancho para depois descansar mais um pouco. O resto da tarde passamos livres a jogar trilha, xadrez, damas, dominó e até baralho. Dia 27/7/1944 – quinta-feira - Tivemos logo após o café uma marcha de 12 km com disciplina rigorosa. Pois tanto o perigo era fora do

acampamento como dentro, pois no acampamento precisamos andar com cuidado que até minas contra nós tinha enterrada na redondeza. O resto da tarde não fizemos mais nada além de escrever. Dia 28/7/1944 – sexta-feira – Dia da minha promoção às 6:30hs da tarde. Tivemos uma manhã muito bonita apesar de estarmos numa cratera de vulcão. Tomamos nosso café, logo mais tarde almoçamos e depois jogávamos damas, dominó, etc até chegar a hora do jantar, e como chegou depressa. A noite eram 3 horas da madrugada quando acordei assustado com todas as baterias antiáreas em pleno funcionamento que parecia na escuridão da noite uma cidade aérea toda iluminada. Durou seguramente uns 40minutos. Dia 29/7/1944 – sábado – Era uma coisa louca ver que todos comentavam o acontecimento da noite passada, mas foi tudo acalmado com o toque de “avançar para o café”. Depois tivemos uma pequena marcha de 18 km onde fomos ver a miséria reinante em toda aquela região de Nápoles. Voltamos, descansamos um pouco e logo veio a hora do almoço onde o efeito da marcha nos deu um apetite louco e a boia ajudava bastante pois estava boa. O resto do


dia nada mais fizemos, senão descansar até vir o jantar que não demorou a chegar. Nada mais fizemos senão dormir até amanhecer o dia. Dia 30/7/1944 – domingo – Tomei o meu café e logo mais me aprontava para ir à missa que ia ser rezada no acampamento. Almoçamos, dormimos e nada mais durante o dia. Dia 31/7/1944 – segunda-feira - Logo de manhã tivemos a notícia de que seriamos deslocados para o norte de Roma no dia 2 de agosto. Mais tarde ouvíamos o toque do café, e mais tarde ainda avançamos para o almoço onde depois descansamos deitados à sombra de umas fruteiras. 5:30hs da tarde jantamos e depois fomos dormir. Só. Dia 01/8/1944 – terça-feira – passamos o dia todo comendo e dormindo até a noitinha. Dia 02/8/1944 – quarta-feira – Alvorada para nós era tocada ás 3hs da madrugada, café às 4hs, embarque às 6:30hs da manhã na estação de Bagnoli subúrbio de Nápoles. Eram 8hs quando saímos em viagem onde viajamos 11 horas de trem até a estação de Litoria. Pelo caminho nada mais via-se do que destruição. Eram locomotivas elétricas e a carvão destruídas, estradas de ferro, pontes, cidades, portos, linhas elétricas e telefônicas, automóveis, tanques e muitas outras coisas mais. Desembarcamos em Litoria onde mais de 200 caminhões nos esperavam para nos levar até a cidade de Sevitavéquia. Pegamos o caminhão as 7:30hs e chegamos ao local as 3horas da madrugada. Dia 03/8/1944 – quinta-feira – Quando amanheceu o dia eu acordei com um sol muito forte no rosto porque dormi no tempo e via que o lugar onde me achava muitos combates havia tido porque pelo chão notava-se os sinais de minas terrestres, balas de canhão e muita munição jogada. Eram 12hs quando fomos almoçar e eram 4hs da tarde quando acabava de arrumar minha barraca. Às 6 hs já tinha jantado e as 7:30hs já dormia. Dia o4/8/1944 – sexta-feira – Era o 2º dia do novo acampamento que tão perto da linha de frente se achava, a menos de 15 minutos a aviação alemã nos poderia atacar. Nesse local corri algumas vezes aos moradores da redondeza onde todos me diziam a mesma coisa, que havia tido forte combate nessa região e que a aviação aliada não perdia sequer uma bomba pondo-as em cima dos ninhos de bate-

rias antiaéreas. Afinal a hora do almoço chegou e depois de ter “manjado bene ” fui dormir até a hora do jantar, depois fui dormir para me preparar para o dia seguinte. Dia 05/8/1944 – sábado – Sendo o primeiro dia que passava nesse lugar não quis sair para parte nenhuma. Passei o dia todo descansando e pensando em minha família que tão longe de mim estava. Cheguei a sonhar que a guerra tinha acabado e que eu estava em São Paulo junto dos meus pais e irmãos. Passou-se assim o dia todo. Dia 06/8/1944 – domingo – levantei-me e logo de manhã fui à missa rezada no acampamento. Isto depois de tomar o café costumeiro. Mais tarde as 11:30hs almocei e depois fui escrever, onde mais tarde pegava num sono muito gostoso que só acordei com o toque de rancho. Terminava o domingo e nada mais aconteceu. Dia 07/8/1944 – segunda-feira – Tínhamos sido avisados que esse dia tínhamos uma marcha de 24km, como de fato fizemos. Esse dia o almoço saiu as 3hs e depois de 2hs veio o jantar. Dormi muito porque ainda sentia muito a marcha. Dia 08/8/1944 – terça-feira – Apesar do calor ser muito grande preparei-me para ir a uma instrução que ia ter pouco distante do acampamento. Pouco mais tarde voltamos para almoçar. Depois de dias com almoço ruim por causa da desorganização da mudança, tivemos um almoço bom. Mais tarde jantamos e depois fui ouvir umas músicas paraguaias tocada pelos soldados mato-grossenses. Dia 09/8/1944 – quarta-feira - Eram 4hs da madrugada quando acordei muito assustado com uns trovões muito fortes e logo após uma chuva com vento que foi de arrasar as estacas das barracas, saí para fora e vi que todos os meus colegas plantavam estacas que o vento arrancara sem piedade. Logo amanheceu o dia e ainda continuava a chover não muito forte. Logo que parou a chuva fomos ao rancho, mas também só deu tempo para mim pois passou o dia todo chovendo e eu dormindo como um urso branco dorme no inverno. Dia 10/8/1944 – quinta-feira – sem condições de leitura Dia 11/8/1944 – sexta-feira – Dia lindo, sol bem quente mas bom pois tivemos uma boa física que fiz com a maior vontade, aliás uma das minhas instruções prediletas.


Dia 12/8/1944 – sábado – Pouco amanhecia o dia e já tínhamos marchado uns 10km em direção ao mar. Chegado na praia tínhamos ordem de tomar banho pois ....... divertíamos a valer, veio a maior tristeza. Um de nossos colegas acabava de se afogar no mar. No momento que vi meu colega afundar já era tarde para o salvamento.........era a 3ª vez que ele descia. Viemos embora e lá ficou uma guarda para guardar o corpo do infeliz. Dia 16/8/1944 - quarta-feira – 6:30hs da manhã era tocado a alvorada, nunca desde que estava no exército tinha ouvido um toque de alvorada tão bem tocado e tão bonito como este dia. Levantei-me pensando muito em minha família, coisa que nunca tinha esquecido, mas esse dia pensava mais do que os outros. Dias atrás tinha recebido uma carta vinda de Bauru e dentro dela uma fotografia tão linda da mulher que sempre gostei e nunca pude esquecê-la. Passei o dia todo a apreciá-la junto a de minha família. Esse dia passou muito depressa para mim, veio o café e o almoço e o jantar sem que eu esperasse. Dia 17/8/1944 – quinta-feira - Outro dia que acabava de surgir e se findar sem nem uma carta ou uma palavra de ninguém, de consolo. De minha família já fazia e meses e 2 dias que me achava na Itália e ainda não tinha notícias dos meus. Dia 18/8/1944 – sexta-feira – Logo que tocou a alvorada veio um dos plantões nos acordar e dar uma ordem superior que era a seguinte: Do Cmt. da D.I.E. para os cmts. Subordinados, ordem para as 3:00hs levantar acampamento. Não tardou a chegar as 3:00hs. Esse dia entrei de cabo de dia no transporte de água para o acampamento. Estava meio desgostoso esse dia e fui junto com uns colegas levando comigo uma mouser e 48 tiros. Saí, fui andando quando meus colegas descobriram pelo volume que fazia a arma; logo perguntaram: O Cabo, o que o senhor vai nos aprontar? Nesse instante parece-me que uma força maior apoderou-se de mim retifiquei o que ia fazer dizendo: tenho aqui uma lata e vamos gastar estes tiros treinando assim nossa pontaria. Todos ficaram muito contentes e continuamos palestrando até o local do treinamento. Gastamos todos os tiros e voltamos até uma casa onde fomos beber um vinho. Bebi tanto que não enxergava mais nada. Voltei até o acampamento dormi um pou-

co e era acordado pelo Sargento meu colega de barraca. Ele já tinha desarmado a barraca e eu dormia ainda. As 8 horas da noite partimos para destino ignorado. Nessa tarde chovia um pouco mas não impediu nossa partida, sei que viajamos a noite inteirinha. Vi 2 colegas morrerem esmagados ao virar um dos caminhões do comboio. Chegamos afinal. Já era 19/8. Dia 19/8/1944 – sábado – Me achava num outro local onde o combate tinha sido feroz. Estava bem pois era só uva que se via. Armei minha barraca e dormi o resto do dia. Dia 20/8/1944 – domingo – Primeiro domingo que passava no novo acampamento, mas que domingo mais divertido que passei. Saí logo de manhã, fui a cidade onde lá encontrei uma família de italianos que tem um filho em São Paulo pois passei o dia até a noite na casa dessa gente que me trataram como um filho. Dia 21/8/1944 – segunda-feira – Levantei-me com um pouco de dor de dente. Almocei e a dor continuava mais forte, pois cheguei a ponto de chorar porque a dor era demais. Passou-se a hora do jantar e nem vi. A noite inteira doeu-me a ponto de ficar meio louco. Dia 22/8/1944 – terça-feira - Já me sentia bem melhor do dente, amanheci bem disposto para ir a uma demonstração na qual eu ia tomar parte como Cabo Cmt. do Grupo de Tiro. Fiz tudo muito bem onde fui elogiado pelo Cmt. da minha Cia. Nesse dia não fui mais a instrução, apenas descansei porque a demonstração foi um tanto dura. Dia 23/8/1944 – quarta-feira – Não fui a instrução pois me encontrava de serviço. A noite saí em companhia de um soldado passear. Encontramos uma casa de italianos, tomamos vinho em cia deles e voltamos para o acampamento. Dia 24/8/1944 – Quinta-feira – Um dia muito quente que aliás era em geral todos os dias. Fui a uma instrução saindo às 7hs da manhã e voltando somente as 3 da madrugada. Dia 25/8/1944 – Sexta-feira – Fiz a mesma demonstração do outro dia para o meu batalhão ver somente que em vez de voltar e descansar fiquei até as 1 hora da madrugada na instrução de tiro real. Dia 26/8/1944 – sábado – Fui ao campo fazer instrução com muita dor de dente, fiquei até as 4 hs da tarde, pedi licença ao meu Cmt para voltar ao acampamento por motivo justificado. Dia 27/8/1944 – domingo – Após meu café fui


a missa rezada de fronte a minha Cia. Pedi a Deus que nos guardasse e que olhasse pelas nossas famílias que tão longe se encontravam. Terminada a missa esperei o almoço. Depois do almoço saí com meu colega onde fomos visitar uma cidade com o nome de Rosignanos. Fiquei lá até cerca de 9 horas da noite e depois pegamos um carro e voltamos para o acampamento. Dia 28/8/1944 – Segunda-feira – Levantei-me bem cedo mas não fui a instrução para poder ir ao dentista. Depois do almoço saí dar umas voltas e só voltei quando já eram 7:30 da noite. Dia 29/8/1944 – terça-feira – Também não fui à instrução no período da manhã porque o dentista disse-me que voltasse novamente noutro turno. Na parte da tarde passei no acampamento sem fazer nada. Dia 30/8/1944 – quarta-feira – Logo de manhã fui ao dentista. Mandei arrancar o dente no qual sofri muito porque de 6 injeções nenhuma pegou e mandei arrancar assim mesmo. Passei o dia inteiro desanimado com o corpo mole. Nesse dia esperava carta por ser quarta-feira. Passou-se sem eu saber notícias da minha casa, que aliás, faziam 2 meses e já havia escrito 4

cartas sendo 3 de Nápoles e uma de Tarquinia e nenhuma resposta. Penso todos os dias: será que ninguém recebeu minhas cartas, ou se receberam, responderam e extraviaram-se. Dia 31/8/1944 – Quinta-feira – Foi um dia péssimo para mim, pois além da dor de dente que me aborrecia fiquei só no acampamento o dia inteiro. Esse dia para mim foi a maior agonia para chegar ao fim. Dia 01/9/1944 – Sexta-feira - Já estava bem melhor, tanto é que fui à instrução na qual saí às 7 horas da manhã e só regressei às 2:30hs da madrugada. Dia 02/9/1944 – Sábado – De manhã dormi até as 9hs, pois levando em consideração a instrução anterior não tive o 1º expediente, somente o 2º. Fomos ao campo 2h e voltamos à 6 da tarde. Dia 03/9/1944 – Domingo – Amanheci pensando muito em minha família, até parecia sonho, mas passei a mão por cima e logo tirei a dúvida pois encontrei o pano da barraca. A tarde saí em companhia de um 3º Sargento e fui direto a praia de Cecina onde encontrei o mar um tanto bravo com uma ventania terrível. Voltei tarde – 11:50 hs. Dia 04/9/1944 – Segunda-feira – Nada tivemos. Descansamos o dia inteiro e pensei o dia todo também na minha família. Dia 05/9/1944 – terça-feira – Logo de manhã após o nosso café fomos apanhar nossas armas e fazer uma limpeza para termos um estudo mais tarde. Depois do almoço descansamos. Jantamos e logo após arrumamos nosso material para uma instrução noturna. Saímos as 7 hs passamos a noite no mato. Só voltamos no outro dia as 12:30hs Dia 06/9/1944 – quarta-feira – Voltamos do mato e fomos dormir por ordem do nosso Capitão Cmt. e por nos acharmos demais cansados passou o dia 7 /9 – dia da independência do Brasil tivemos uma missa em louvor a essa data. O resto do dia passei de guarda Dia 08/9/1944 – quinta-feira Saí de serviço as 4:30hs da tarde. Estava muito cansado mas não deixei de ir a uma procissão em comemoração a data natalina de N.S.Aparecida. Uma procissão muito bonita. Dia 14/9/1944 – quarta-feira, achávamos em caminho do front, (marcha de aproximação) pela 1ª vez.


Dia 15/9/1944 – quinta-feira às 4 horas da madrugada acho que vamos a menos de 100 metros do (tedesco) alemão. 7 horas da manhã éramos iluminados pelo sol que apesar de muito cedo já era quente, e achávamos em lugar bastante visível para o inimigo, e começamos a receber os primeiros fogos de metralhadora, 3 horas da tarde o inimigo notou o nosso movimento e começou a nos bombardear com fogos de morteiro e artilharia. Não recuamos durante o dia, mas as 7 horas da noite já era um pouco escuro e fomos obrigados a recuar devido o forte bombardeio sobre nossas posições. Passamos a noite em nova posição e ao amanhecer um comandante escalava-me para uma guarda com os soldados, todos sob meu comando para guardar uma estrada, (ordens, não deixar civis e viaturas passarem para as linhas inimigas). Desempenhei minha função da melhor maneira que pude. Nessa guarda permaneci atento durante 6 dias, o qual durante esse período de tempo foram feitos 8 prisioneiros. Dia 22/9/1944 - quinta-feira recebíamos ordens para avançarmos, 11 horas da manhã já tínhamos deslocado e ocupado novas posições Dia 23/9/1944 – sexta-feira novamente recebíamos ordens, não para avançarmos, só a mim para tomarmos a qualquer custo a cidade, Pescalia e Piano, executamos tudo com a melhor maneira fazendo 2 prisioneiros, sendo um ferido e outro não. Dia 01/10/1944 – novamente deslocávamos para ocupar um outro front no vale do Terquio, de entrada ocupamos Bologna e Barga com forte pressão inimiga. Dia 6/10/1944 novamente deslocávamos para ocupar a cidade de Galicano, sob forte bombardeio de morteiro e artilharia o qual deteu-nos seguramente 5 horas, onde causou a perda de meu primeiro companheiro Romeu Cocco, companheiro de luta, ocupamos a cidade às 8 horas da noite sempre sendo bombardeada. Dia 08/10/1944 – meu pelotão recebe ordens para fazer uma patrulha de reconhecimento. Saímos as 8 horas da manhã e começamos a subir morros. Logo mais adiante fomos descobertos e era só metralhadora que trabalhava auxiliada por morteiros. Retornamos a noite para melhor conservação dos homens sem perder nenhum soldado. Dia 12/10/1944 – novamente subíamos o mor-

ro para apoiar o recuo de uma patrulha da 1ª Cia comandada pelo tenente Barbosa o qual perdeu a vida junto de um seu sargento e muitos praças. Dia 15/10/1944 – subíamos o morro para ocupar a cidade de Molaçana e outras três vizinhas, ali permanecemos durante vários dias – sol forte, bombardeio, desta vez as bombas de canhão russo 210mm 50 kilos a granada. Mudamos novamente de front e fomos substituir um batalhão de americanos que se encontrava em uma posição a esquerda de Bolonha no vale do Reno. Na noite da substituição ainda cavamos o nosso Fox-oil quando fomos surpreendidos por uma patrulha inimiga e fomos mais espertos e disparamos primeiro e todos ficaram no chão a menos de 10 mts. de nossas posições. No dia seguinte nós ainda não tínhamos bastante certeza se o inimigo estava ou não longe de nós e começamos a andar pela crista do morro em pleno dia, quando a tarde fomos surpreendidos, desta vez, por forte barragem de artilharia sobre nossas posições. Aguentamos firmes. Dia 12/11/1944 – um meu companheiro que se encontrava no hospital acabava de chegar às nossas posições. Fui buscá-lo no P.C. do Comandante, levei-o para cima, mas como o morro era bastante alto, ao chegar através de um barranco paramos para descansar. Depois de termos descansado fomos para os Fox-oil. Lá paramos fora do buraco na seguinte posição: eu deitei-me apoiando-me pelo cotovelo no chão. Ele sentou-se ao meu lado meio obliquo a direita meu Sgto sentou-se a minha esquerda e conversávamos quando em dado momento senti um forte estalido e ao mesmo tempo um gemido: um projétil de fuzil acabava de passar pelo vão de meu braço e pegou meu companheiro que acabava de chegar do hospital. O


projétil quebrara o braço e ao mesmo tempo o joelho da perna direita. Fora imediatamente para o hospital. Dia 15/11/1944 – acontece que quando amanhecia o dia, eram 6:30 da manhã, meu companheiro que estava de sentinela sai do Fox-oil de combate e vem para a retaguarda chamar o outro para entrar na hora, mas naturalmente o tedesco que o tinha visto ficou com seu fuzil marcando o ponto em que meu companheiro entrou. O outro “Ferrugem” levantou-se rápido mas quando meio corpo seu se achava fora do buraco, recebe um tiro pela costas onde poucos minutos mais tarde veio a falecer. Antes de falecer pediu-nos que tirasse do bolso de sua calça uma certa quantidade de liras e mandasse à sua mamãe e nos disse ainda: Meus companheiros, meu descanso já chegou eu bem sei, peço a vocês que ficam que N.S. Aparecida os proteja sempre, e já não teve forças para dizer mais nada. Morreu. Dia 20/11/1944 – 4 horas da madrugada acabávamos de ser substituídos por um batalhão do 1º RI e fomos para um descanso em uma cidade chamada Borgo-Capane depois de três meses de combate. Ali ficamos 10 dias quando um dia recebemos ordem para ocupar uma outra cidade uns 5 kms mais adiante. Ocupamos. Dia 02/12/1944 – uma madrugada fomos acordados para prepararmo-nos para partir imediatamente para apoiar um forte contra-ataque alemão. Chegamos ao destino 6 horas da manhã, ficamos dois dias nessa posição debaixo de forte fogo de metralhadora e artilharia e apesar de tudo um frio horroroso, uma neve que nos deixava com o corpo todo duro. Dia 05/12/1944 – já estávamos novamente na cidadezinha. Dia 15/12/1944 – me encaminharam para o hospital onde fui fazer um tratamento de come-

ço de reumatismo. Fiquei 8 dias no hospital e no dia 23 de dezembro de 1944 tornava em minha companhia. Passei o dia de Natal no front com uma neve com mais de um metro da terra. Dia 26/12/1944 – sou avisado pelo Cmt que sou transferido de companhia e batalhão no mesmo dia apresento-me na nova companhia C.P.P.I. do 1º Batalhão. Nessa companhia permaneci 20 dias na S. de Cmt onde depois de estar em nova função fomos repousar 1 mês em Porreta-Terme. Dia 24/01/1945 – tiram-me da S. de Cmt. E me dão a função de Cabo de instrumento do Pelotão de Morteiro. Dia 26/01/1945 – encaminhamos para as mesmas posições em Riola-Vechia no Vale do Reno. Trabalhando em nova função sempre me saí bem, quando havia pedido de tiros de morteiro eu auxiliava em mandar para as linhas inimigas minhas 8 ou 10 granadas também. Nessa posição ficamos até março. Dia 02/3/1945 – saímos e viemos para a retaguarda em Sed Christo, ali ficamos a noite. Dia 3/3/1945 recebíamos ordem para preparar que dia 4 iríamos atacar Doprassasso e Castel Nuovo Dia 04/3/1945 – saimos e as 9:30 hs da manhã depois de forte bombardeio de artilharia e aviação da F.A.B. iniciamos o ataque. Quando foi 9 hs da noite já era dada as posições como “conquistadas”. A queda desse morro simplificou todo nosso movimento de transporte, porque Soprassosso era um pico muito alto onde o inimigo tinha suas vistas sobre nós. Dia 08/3/1945 – deslocamos para uma nova posição Gagio Montano e Tem Belvedere nessa posição perdemos mais um de nossos elementos na permanência de um mês e pouco. Daí deslocamos e fomos nos preparar para a grande ofensiva. Um mês de preparativos e quando foi em 12 de abril começamos a ofensiva em direção norte. Eu carregava comigo como instrumento um binóculo e um radio receptor e transmissor 310. Íamos sempre avante em nosso 1º objetivo marcado que era a cidade de Zócca, ali ao aproximarmos da cidade fomos recebidos com forte resistência por parte dos alemães. No dia seguinte avançamos e conquistamos a cidade depois de forte bombardeio dos tedescos. Pelo radio recebi a ordem de avançarmos até a cidade de Giu-


te deles. Logo mais tarde voltaram novamente pelo que parece nada tinham arranjado. No dia seguinte bem de manhã, ordem de cessar fogo em toda frente. 4:50 da tarde começava a passar pelas nossas linhas os primeiros elementos alemães feridos pela forte concentração de nossos fogos. Passaram somente feridos em número de 800 alemães e alguns civis. 3 dias seguidos dia e noite era só passar tedesco que não acabava mais. Para mim peguei um anel de prata com uma bonita pedra preta, uma pislia e até lá fomos avançando sem resistência, tola e mais algumas coisinhas. dormimos e continuamos a avançar no dia se- Estava cessada as hostilidades nos campos de guinte, entramos e passamos o rio Panaro todo luta na Itália. De Pontescodonha saímos e fomos sempre minado sem nada nos acontecer. Avançando sempre fomos em prazo de pou- para frente, para a alta Itália. Chegamos em cos dias conquistando Modena, Regio Emília, Voghera onde permanecemos um mês e cinco Levisano e afinal chegamos em Colechio con- dias, pois dessa cidade e fomos conhecer Boquistamos e avançamos até Pontescodonha lonha, Genova, Veneza, Turim, Milão, Padua e onde ouve encarniçados combates pelas ruas. até as primeiras cidades da França vizinhas da fronteira. O tedesco sempre recuando 1ª noite em Pontescodonha fizemos forte con- Dia 07/5/1945 – termina a guerra na Europa. centração de morteiros, tanques, artilharia etc. Saímos de Voghera e voltamos para a baixa O alemão não podia recuar devido ter por sua Itália onde acampamos em um lugar chamado retaguarda a 10ª D.M. Americana e a cada flan- Francolisse a 56 kms de Nápoles. De Francoco tropas brasileiras e pela sua frente o 1º do 6º lisse fui visitar Roma e também a cidade do Vaticano, a catedral de S.Pedro no Vaticano onde R.I. que não dava um minuto de folga. Na 2ª noite quando tardinha vimos lá um fundo achei tudo muito bonito. da estrada 3 soldados com bandeira branca se Fui a Nápoles, depois Pompeia visitar as ruínas feitas pela erupção do célebre Vesúvio mil aproximar de nossas linhas Eram 3 parlamentares alemães que vinham anos antes de Cristo. tratar de uma rendição incondicional por par-


Coluna Espaço Fox-Hole Por: Carlos Augusto Campestrini

Espiritualidade

D

urante a Segunda Guerra a maioria dos soldados portava algum tipo de placa de identificação. Os americanos e brasileiros portavam um par destas, em metal e geralmente penduradas por uma corrente, e eram conhecidas como dog-tags, ou, placas de cachorro. Essas placas eram usadas principalmente para a identificação do soldado morto em ação ou gravemente ferido. Entre as várias informações estampadas estava a religião do soldado e isso permitia que, em caso de extrema unção ou sepultamento, fossem atendidos os ritos adequados. Houve contato com os religiosos das vilas e cidades por onde passavam, mas o conforto espiritual mais próximo e presente no dia a dia dos soldados vinha do Capelão Militar. Fossem católicos, protestantes ou de outras religiões, esses voluntários acompanhavam as tropas e chegavam a se expor aos perigos do combate no cumprimento de suas tarefas. Celebravam missas e algumas vezes as faziam sobre o capô de um jipe em um altar improvisado. Para essas ocasiões haviam altares portáteis feitos em estojos de madeira para serem abertos e usados próximo às linhas de frente. A FEB perdeu um Capelão, Frei Orlando, em um acidente absurdo e sem sentido. Um

Benção do Papa entregue para Joaquim Moura guerrilheiro italiano, amigo, tentava desatolar com seu fuzil o jipe no qual viajavam e a arma disparou na direção do Capelão que morreu no local. Entre as tropas aliadas havia um revezamento na linha de frente para proporcionar um descanso em merecidas licenças. Isso possibilitava, mas não sempre, que visitassem pontos turísticos e cidades famosas. Para os soldados católicos na Itália significava a chance de conhecer Roma e o Vaticano. O Papa Pio XII, que no inicio da guerra tomou atitudes que são questionadas até hoje, após a libertação de Roma pelo V Exército Americano passou a receber os soldados aliados em audiências públicas. Nesse encontro era fornecido ao soldado um documento com a benção do Papa. Mencionando este documento lembrei que o expedicionário são-bentense Joaquim Moura, o Seu Quinzinho, quando nos conhecemos, me mostrou com orgulho a sua benção papal emoldurada. Entre os militares americanos também era comum a visita ao Vaticano conforme relata Stephen E. Ambrose autor de Azul Sem Fim. Conta a história de aviadores americanos, tripulantes dos bombardeiros


outro era colocado dentro da boca, pois se o corpo fosse encontrado muito tempo depois, a identificação estaria resguardada. No anexo, o medalhão do meu pai, cujo nome está escrito errado, mas o número de identificação na FEB (5G-27715) está correto. Não sei o que significa os outros códigos. O nome correto do meu pai é ANTONIO LANGOWSKI, se alistou em São Bento e fez parte da FEB no 11 RI - Companhia de Obuses (baseada em São João Del Rey - MG)”. Dog-Tag do expedicionário São-bentense Antonio Langowski com o nome gravado errado, com Z no lugar do L e sem o W. A corrente foi trocada após a guerra B-24, baseados na Itália. Dois deles souberam das audiências do Papa e aproveitaram a oportunidade para conhecer este “chefe de estado e símbolo do mundo católico” na companhia de outros 500 militares. Nos últimos dias tenho mantido contato com Eleutério Langowski, filho do veterano Antonio Langowski que por sua vez é natural de São Bento e após a guerra se mudo para Cianorte no Paraná. Tentei entrar em contato com eles durante a pesquisa para o livro São Bento do Sul na Segunda Guerra Mundial, mas na época não obtive sucesso. Por esse motivo, fiquei feliz em saber um pouco da história deste são-bentense que participou da Segunda Guerra. Nas palavras de Eleutério, “lendo o seu texto (sobre a religiosidade), e a respeito do assunto, meu pai, quando na Itália, foi um dia, ao final da campanha, conhecer o Vaticano. Chegando lá, se encontrou com um grupo de soldados poloneses que teriam uma “audiência” com o Papa. Meu pai entrou junto e o Papa procedeu à benção dos soldados. Chegando ao meu pai, percebeu que no uniforme havia a insígnia da FEB. Então o Papa falou “Soldati brasiliani é?” e deu um tapinha na cara do meu pai, que ele nunca mais se esqueceu. O papa era PIO XII. Pelo que li a respeito, me parece que haviam pastores evangélicos também, mas o serviço de capelão era ecumênico. Sobre o medalhão, todo soldado carregava no pescoço dois medalhões desse. As vezes um soldado morria e não podia ser resgatado. Meu pai conta que os soldados tinham a obrigação de recolher um dos medalhões para levar até o comando e o

Jeep usado como altar para missa. Arquivo Gen. Tácito Theóphilo Gaspar de Oliveira http://www.mauxhomepage.net


COLUNA LITERATURA DE TRINCHEIRA Por: Paulo Kasseb

do pela atuação, elementos constituitivos, citação de oficiais da FEB, mortos em comA FEB PELO SEU bate, acidentes , batalhões de COMANDANTE engenharia, cavalaria, artilhaale a pena conhecer a ria, Serviço de Saúde e, enfim visão da Força Expe- tudo o que o historiador milidicionária Brasileira, tar possa querer saber sobre escrita por seu próprio co- nossos soldados no teatro de mandante, o Marechal Mas- guerra europeu durante o concarenhas de Moraes, em obra flito. O trabalho traz algumas literária editada no ano de fotos em preto e branco e ma1947 pelo Instituto Progresso pas coloridos, ilustrativos dos Mundial S.A , São Paulo (2ª movimentos da FEB em sua atuação na Itália. edição). Uma curiosidade em sua segunda edição, é que esta foi realizada por uma editora brasileira, porém impressa na Argentina. Embora não seja encontrada de forma corriqueira, não é uma obra muito difícil ,que se considere raridade, podendo-se obter em locais de venda de livros usados e antigos. Vale a pena tentar .

Ilustração: Kelly Swann

A EPOPÉIA DOS APENINOS

U

ma das obras pouco encontradas nas livrarias de livros usados, os chamados “sebos” é um título que não pode faltar aos pesquisadores sobre a história da Força Expedicionária Brasileira.

Ilustrado, porém com material fotográfico de relativa qualidade, nos traz a história escrita por José de Oliveira Ramos, ex-expedicionário, com relatos importantes sobre a ação da FEB na Itália em suas 262 páginas. A edição é da Gráfica Laemmert Ltda. (Rio de Janeiro) em edição de 1947, com temas que abrangem a Organização Geral da FEB,a travessia do Atlântico, Serviço de saúde divisionário, estatísticas sobre a ação da FEB, a engenharia divisionária, serviços de polícia , intendência etc.... Vale a pena tentar encontrar essa obra.Não rara mas difícil de ser achada, mesmo nos melhores livreiros.

V

São 341 páginas em formato 22,5 x 14,5 cm de pura história militar brasileira e a atuação de nossos Pracinhas durante a Segunda Guerra Mundial, desde seus antecedentes passan-

ROTEIRO DA FEB NA ITÁLIA


COLUNA PLASTIDICAS T-70 Foi um blindado leve utilizado pelos soviéticos na Segunda Guerra Mundial. Era armado com um canhão de 45 mm e carregava 45 projéteis para ele. Trazia coaxial a este uma metralhadora calibre 7,62 mm. Sua tripulação consistia de apenas duas pessoas, um motorista e um comandante/artilheiro. Era impulsionado por dois motores GAZ, que somavam 140 hp, que levavam o veículo de 9 toneladas a até 45 km/h, com um impressionante alcance de 580 km. Porém com seu fraco armamento e blindagem deficiente não fazia frente aos tanques alemães, ficando relegado ao apoio à infantaria e até a missões de reconhecimento. Mais de 8 mil unidades foram produzidas. O kit da MiniArt desse blindado é bastante agradável de construir. Os encaixes são muito bons e as correções são mínimas, o que resulta em um modelo muito interessante. As esteiras LBL dão um certo trabalho, mas fazem a diferença no resultado final modelo. As fotos estão aí para conferência.

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