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FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS EXATAS HABILITAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU

Reciclagem do Gesso É possível ou não?


FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS EXATAS HABILITAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU

Aline de Oliveira Reis Felipe Vinicius Lima Lucas Leal de Almeida Marco A. Mello Magalhães Mariane Peres Lima Natália Martinelli Gomes

Trabalho sobre a reciclagem do gesso Referente à matéria de Ciências dos Materiais Do curso de Engenharia Civil Da Universidade São Judas Tadeu

Orientador: Flávio Maranhão


SUMÁRIO 1. Introdução.......................................................................................................06 1.1 História do Gesso........................................................................................06 1.2 Gesso na Construção Civil..........................................................................08

2. Objetivo...........................................................................................................09 2.1 Objetivo Específico......................................................................................09

3. Justificativa ...................................................................................................09 4. Materiais Utilizados e Métodos Adotados...............................................10 4.1 Materiais......................................................................................................10 4.2 Metodologia ...............................................................................................10 4.2.1 Métodos de ensaio ..................................................................................10 4.2.2 Processos da Reciclagem .......................................................................12 4.3 Métodos dos Testes .................................................................................13 4.3.1 Pasta Inicial – Gesso Puro (GP) ..............................................................13 4.3.2 Gesso Reciclado Um (GR1) ....................................................................14 4.3.3 Gesso Reciclado Dois (GR2) ...................................................................15 4.3.4 Gesso Reciclado Três (GR3) ...................................................................17 4.3.5 Gesso Reciclado Quatro (GR4) ...............................................................17

5. Análise dos resultados ...............................................................................18 5.1 Ensaios realizados ......................................................................................18 5.2 Análise de Variância (ANOVA) ...................................................................22

6. Conclusão ......................................................................................................24 7. Bibliografias ..................................................................................................25


Reciclagem do Gesso

RESUMO

Com a Indústria da Construção Civil cada vez mais aquecida, a utilização para revestimentos internos com gesso teve um crescimento considerável, ampliando novos horizontes e compondo novas idéias para que se aproveite ao máximo sua matéria prima, todavia este material gera muitos resíduos devido ao seu rápido tempo de pega. Diante dos problemas econômicos e ambientais causados pela geração de resíduos e desperdício do gesso, tem sido estudadas formas de reciclagem desse material. O presente trabalho tem como objetivo de realizar cinco processos de reciclagens através de um método cujo os resultados obtidos com cada reciclagem serão comparados e serão analisados através de pesquisas para averiguar as condições de reaproveitamento desse resíduo de forma que suas propriedades físicas e mecânicas sejam parecidas ou iguais ao gesso não reciclado, para assim ser reutilizado na construção civil como revestimento e moldagem.


ABSTRACT Since the diffusion of the Civil Construction Industry, interior coating made of plaster has had comprehensive increases in usage which contributed for broadening horizons and composing new ideas so as to maximize the use of this raw material. However, it creates plenty of residues due to its rapid setting time. Taking into account all the economical and environment problems caused by the remainder and waste of POP, new researches have been carried out on ways to recycle this material. The present study aims at accomplishing five recycling processes through a method by which the recycling results achieved will be then compared and analyzed through researches in order to examine possible conditions for its physical and mechanical properties are similar or parallel to non-recycled plaster, so that it can be applied in civil constructions such as coating, molding and casting.


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1. INTRODUÇÃO. 1.1

Historia do Gesso;

A história mostra que o gesso é um dos mais antigos materiais de construção fabricados pelo homem. A partir do século XVIII o gesso passa ser utilizado tendo inicio ao conhecimento cientifico do material. O aglomerante gesso é produzido através da extração da pedra de gesso, Gipsita, este material é britado, fragmentado formando pequenos pedaços de pedra. Em seguida é realizada a calcinação desses fragmentos num forno rotativo com a temperatura por volta de 160°C. Com este processo o material perde água formando assim o sulfato de cálcio semihidratado. Após o processo de calcinação, o material é moído e forma-se o pó branco.

Fig. Extração da Gipsita

Fig. Processo de calcinação

A gipsita é composta basicamente de sulfato de cálcio di-hidratado. As propriedades específicas do gesso como: elevada plasticidade da pasta; pega e endurecimento rápido; finura equivalente ao cimento; pequeno poder de retração na secagem e estabilidade volumétrica garantem desempenho satisfatório quando utilizado como aglomerante. O gesso em contato com a água volta a se hidratar, retornando ao dihidrato, um sólido de estrutura cristalina. Esse endurecimento (cristalização) se dá através de núcleos que vão se expandindo. O tamanho dos cristais depende das impurezas do gesso, dos aditivos usados (geralmente controladores do tempo de pega) e das condições de cristalização. Em geral, um dihidrato com cristais grandes tem menor resistência mecânica que um com cristais menores. Portanto um dos fatores que mais se influencia reação de hidratação e, conseqüentemente, o tempo de pega é a relação água/gesso. Quanto maior for essa relação, menor será a cinética da reação de hidratação e maior o tempo de pega, devido à grande quantidade de água que aumenta o intervalo de tempo necessário para saturar a solução.


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Fig. Tipos de gipsitas (Rapadura cinza, Rapadura, pedra branca e cocadinha)

A maior concentração da matéria prima do gesso, a gipsita, é encontrada na Chapada do Araripe, que ocupa uma área equivalente a 88 municípios de três estados nordestinos, Ceará, Piauí e Pernambuco. O estado do Pernambuco, onde está localizado o Pólo Gesseiro do Araripe, é o maior produtor nacional de gesso e abastece em torno de 95% do mercado brasileiro. E conta com 39 minas de gipsita, 139 indústrias de calcinação e cerca de 726 indústrias de prémoldados. produzindo aproximadamente 5,5 milhões de toneladas/ano e gerando cerca de 13 mil empregos diretos e 66 mil empregos indiretos (SINDUSGESSO, 2010)

Fig. - Cidades que compõem o Pólo da Gipsita: Codó/Ma, Nova Olinda/Ce, Araripe/PE, Grajaú/Ma, Camamú/Ba.


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1.2

Gesso na construção civil;

Na construção civil, o gesso vem se tornando uma alternativa bem vista por apresentar praticidade e baixo custo. Em 1990 o aglomerante ganhou impulso com a introdução do DRYWALL no mercado da construção, para as vedações internas de todos os tipos de edificações. A aplicação do gesso como material de fundição e do revestimento ainda pode ser usado na produção de placas de forro, sancas, molduras e outras peças de acabamento. Aditando-se a utilização tradicional da matéria prima como revestimento interno por proporcionar um acabamento, fino quando bem aplicado, e tendo vantagem por poder ser aplicado diretamente sobre o substrato quanto ao uso de blocos, dispensando o revestimento de argamassa, diminuindo custos, tempo e processos a serem executados. No entanto a pasta de gesso endurece rapidamente, devido ao seu tempo de pega, gerando assim, uma grande quantidade de resíduos, o desperdício chega a ser quase 45% do material usado. Diante dos problemas econômicos e ambientais causados por esse desperdício, formas de reciclagem dos resíduos têm sido estudadas, apesar do gesso ser considerado pelo CONAMA (CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE), um resíduo de Classe C, ou seja, parte dos resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem ou recuperação. Um dos fatores que geram essa inviabilidade é a contaminação dos resíduos de gesso por outros materiais, pois durante o processo de reciclagem a separação das impurezas muitas vezes é ineficiente. Devido a esse fato, o CONAMA estabelece diretrizes para a gestão do gesso, na sua resolução nº 307, com o objetivo de melhorar a qualidade do resíduo ofertado e facilitar a reciclagem.

Fig. Resíduo gerado na aplicação de gesso


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2. OBJETIVO. O propósito do trabalho é de desenvolver uma metodologia para o reaproveitamento desses resíduos através da moagem e requeima, de forma que suas propriedades físicas e mecânicas sejam iguais ou semelhantes ao gesso puro, podendo assim ser reutilizado como revestimento ou moldagem, tendo como objetivo viabilizar cinco ciclos de reciclagem (moagem / requeima) e através destas, analisar e verificar a possibilidade da técnica de reciclagem.

2.1

Objetivos Específicos;

• Executar o processo de reciclagem por cinco vezes; • Determinar o tempo de pega das pastas, realizar ensaios de resistência à compressão e resistência à aderência do gesso; • Analisar e comparar as propriedades físicas e mecânicas do gesso puro com o reciclado, com relações de 0,5 e 0,7 de água/gesso;

3. JUSTIFICATIVA. A quantidade de resíduos gerados pela indústria da construção civil é equivalente a 60% de todo lixo urbano da sociedade, e desse total, 5% correspondem ao resto de gesso que, ao ser manipulado de forma incorreta, emitem gás sulfídrico no ambiente, que é inflamável e altamente tóxico. Com o intuito de não desperdiçar os resíduos de gesso, considera-se que estará preservando a vida útil das jazidas que se encontram distantes das aglomerações urbanas, e evitando a manipulação incorreta, sem contar, no aspecto econômico que diminuirá custos pois gastará menos com transporte. A partir disso, a reciclagem do gesso se torna uma alternativa viável , visto que com o gesso reciclado pode se reutilizar como aditivo de concreto, calcário para correção pH do solo e, ainda, ajudar na confecção de novas peças para o setor de construção civil. Este trabalho tem com foco principal reciclar de acordo com as normas técnicas brasileiras que existem para a utilização do material em analise.


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4. Materiais Utilizados e Métodos Adotados. 4.1 Materiais • Gesso Foi utilizado gesso Mundial, originário de Pernambuco de acordo com a NBR 12207. • Água Foi utilizado água, com características de cor transparente. • Areia Foi utilizado areia normal brasileira (IPT), com granulométrica de 0,6mm.

4.2 Metodologia O primeiro passo consiste na confecção das pastas com a relação a/g prédefinidas em 0,5 e 0,7 com gesso puro originário de Pernambuco, para assim fazer os ensaios mecânicos e físicos e começarmos com os processos de reciclagem.

4.2.1 Métodos de ensaio • Tempo de Pega Por já ter pré-estabelecido as relações a/g, iniciamos os ensaios com o tempo de inicio e fim de pega através do aparelho de Vicat, de acordo com a NBR 12128.

Fig. (aparelho de Vicat)


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• Resistência à Compressão Foram moldados corpos de prova cúbicos de 50 mm de arestas de acordo com a NBR 12129, e medida sua resistência com uma hora e com sete dias rompendo-se com a Prensa universal.

Fig. (Prensa universal)

• Resistência à Aderência Determinamos à aderência conforme NBR 13528. A resistência à aderência é utilizada para saber a tensão máxima suportada pelo revestimento quando submetido a um esforço normal de tração. Portanto foi utilizado um substrato padrão. Cortamos a seção na forma circular para colagem de placas metálicas de 50 mm de diâmetro não deformável, preparado para receber o equipamento para ensaio de aderência, que fará o arrancamento após sete dias de cura.

Fig. (equipamento para ensaio de aderência)


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Fig. (Placa preparada para ensaio)

Após a conclusão dos ensaios com a pasta de gesso puro, começamos a reciclagem da pasta.

4.2.2 Processos da Reciclagem Começamos este procedimento colocando as pastas de 0,5 a/g e 0,7 a/g em bacias de alumínio separadas e levamos a estufa. Após 24h exposto a uma temperatura de 160ºC, retiramos as pastas da estufa e começamos o processo de moagem com o equipamento Abrasão Los Angeles, por 1h (uma hora) cada tipo de massa. Após a trituração foi peneirado em peneiras com tela de tecidos metálicos com abertura de 0,600mm, obtendo-se novamente o pó para a confecção das pastas recicladas.

Fig.(Abrasão Los Angeles)


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Fig. (Peneira em tela de tecido metálico)

Fig. (Estufa)

Terminado os processos de reciclagem, repetiram-se todos os métodos dos ensaios conforme especificados acima de acordo com a proposta estabelecida executamos por mais quatro vezes estes processos.

4.3 Métodos dos Testes 4.3.1 Pasta Inicial – Gesso Puro (GP) Para a execução inicial das reciclagens, foram efetuadas um montante de 16 kg de pasta sendo 8 kg para a relação 0,5 a/g e 8 kg para a relação 0,7 a/g. Foram realizados os devidos procedimentos experimentais:


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Ensaio Tempo de pega da Pasta (GP) Relação A/g 0,50 0,70

Inicio < 12 min. <16 min.

Final < 34 min. <37 min.

Ensaio a Compressão (GP) Relação A/g 0,5 0,5 0,7 0,7

Idade de Ruptura Resistência a compressão (Mpa) 1hora 7, 840 7 dias (15, 480±0, 622) 1hora 3,12 7 dias (5,48±1, 301)

Ensaio de Aderência (GP) Relação A/g 0,50 0,70

Idade de Ruptura 7 dias 7 dias

Tensão de ruptura (Mpa) (0,753±0,019) -

Depois de efetuados os ensaios acima, foram iniciados os procedimentos de reciclagem da pasta para obtenção da R1 (reciclagem nº. 1).

4.3.2 Gesso Reciclado Um (GR1) Após a conclusão dos procedimentos de reciclagem adquirimos um gesso reciclado semelhante ao gesso puro e demos continuidade aos experimentos. Porém quando iniciaram-se os ensaios foi observada a inviabilidade da reciclagem, pois não era possível obter o tempo de pega da pasta, ela se hidratava de uma maneira que não havia possibilidades de trabalhabilidade. Pesquisada sobre a aceleração da hidratação da pasta e através de orientações optou-se por manter a mesma relação a/g, porém o gesso seria composto de 30% reciclável e 70% puro. Ao realizar novos testes desta maneira verificou-se uma melhora na pasta, mais identificamos o mesmo problema de hidratação da pasta, pois o tempo de pega adquirido foi < 2 min. E então após pesquisas foi constatado algum possível dano ao processo de secagem do gesso. Sendo assim optamos então por anular os procedimentos com a pasta R1 e dar continuidade ao processo de reciclagem para obtenção da próxima massa a ser reciclada.


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Fig. (Gesso sem trabalhabilidade)

4.3.3 Gesso Reciclado Dois (GR2) Após a realização de mais uma reciclagem obtemos a massa GR2 e de acordo com as analises feitas, começamos os procedimentos experimentais com as mesmas relações a/g e também com a alteração na composição do gesso como efetuamos anteriormente (30% reciclado e 70% puro). Ao analisar amostras verificamos a continuidade do problema de hidratação do gesso e a impossibilidade de trabalho do mesmo. Após discutir e pesquisar tais fenômenos, concluímos que deveríamos voltar ao foco do nosso objetivo e descobrir um método eficaz para que as reciclagens possam se formar pastas com uma hidratação que dê alguma trabalhabilidade. E um dos métodos pesquisados seria a utilização de água aquecida á 50ºC, pois utilizando água com a temperatura elevada, retarda o tempo de pega da pasta. Efetuados os processos verificou-se que acelera ainda mais o tempo de pega da pasta. E por uma questão de dedução e analise resolvemos tentar fazer uma amostra com água a uma temperatura de 6ºC para analisar se o resultado seria oposto, mais o resultado obtido foi a não formação da pasta novamente. Pensamos então em aumentar a relação água/gesso e foi concluído que desta maneira finalmente poderia ter trabalhabilidade, hidratação e a formação da pasta, sendo assim fizemos testes com diversas relações a/g até chegarmos a uma proporção ideal para experimentos que seria 1:1 (100%). E após ensaios realizados os resultados obtidos foram os seguintes:


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Ensaio Tempo de Pega da Pasta (GR2) Relação A/g 0,5(1:1) 0,7(1:1)

Inicio < 4 min. <7 min.

Final < 7 min. <12 min.

Ensaio a Compressão (GR2) Relação A/g 0,5(1: 1) 0,5(1: 1) 0,7(1: 1) 0,7(1: 1)

Idade de Ruptura 1hora 7 dias 1hora 7 dias

Resistência a compressão (Mpa) (2, 050±0, 071) (2, 200±0, 141) (2, 100±0, 141) (2, 470±0, 042)

Ensaio de Aderência (GR2) Relação A/g 0,5(1:1) 0,7(1:1)

Idade de Ruptura 7 dias 7 dias

Tensão de ruptura (Mpa) (0,870±0,122) (0,576±0,029)

Obs.: As relações a/g foram alteradas, porém mantivemos a linguagem inicial para que possamos demonstrar as aplicações e testes mais claramente. Uma vez que alteramos a relação a/g os resultados obtidos nos primeiros testes com gesso puro já não seria mais utilizados como parâmetros para esses novos ensaios. Portando para que se conseguisse uma pasta de gesso puro com uma relação 1:1 de a/g pesquisou e verificou que a utilização de um agregado como areia fina influenciaria sensivelmente nos resultados, porém não irá interferir nas conclusões, tendo apenas a função de compor a massa para se formar uma pasta trabalhável. Sendo assim utilizamos a seguinte relação 1:1:1 (água, gesso, areia) e continuaram os ensaios de tempo de pega, resistência à compressão e aderência, e chegamos aos resultados a seguir.


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Ensaio Tempo de Pega da Pasta GPA (Gesso Puro e Areia) Relação A/g 1:1

Inicio 7 min.

Final <20 min.

Ensaio a Compressão (GPA) Relação A/g 1: 1 1: 1

Idade de Ruptura Resistência a compressão (Mpa) 1hora (2,250±0,071) 7 dias (2,847±0,535)

Ensaio de Aderência (GPA) Relação A/g 1: 1

Idade de Ruptura 7 dias

Tensão de ruptura (Mpa) (0,369±0,069)

Após a conclusão dos procedimentos experimentas da pasta com areia e a reciclagem GR2, voltamos a reciclar mais uma vez somente a pasta GR2 para obtenção da próxima reciclagem.

4.3.4 Gesso Reciclado Três (GR3) Conforme a proposta de trabalho inicial a massa GR3 estava prevista apenas a reciclagem. Sendo assim ao término do processo do mesmo pesamos a massa reciclada e acrescentamos água com a relação 1:1 para confecção da pasta e levamos novamente a estufa para dar prosseguimento aos ensaios.

4.3.5 Gesso Reciclado Quatro (GR4) Terminado o processo de reciclagem geramos a massa GR4 e ao darmos inicio aos trabalhos experimentais analisou-se que por mais uma vez a pasta não se hidratou. Este problema pode ter sido gerado pela alteração da temperatura na estufa durante o processo de reciclagem e também pela contaminação do gesso por diversos resíduos durante os experimentos anteriores. Diante do exposto, colocamos as massas novamente na estufa durante 36h para verificar quaisquer problemas relacionados à temperatura da mesma. Ao executar os ensaios foi observado que a pasta não se hidratou. E por não haver mais pó para uma próxima reciclagem encerramos os procedimentos experimentais.


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5. Análise dos resultados. Inicialmente, é necessário registrar que imprevistos ocorridos durante o processo, especificados no item 4.3 deste trabalho, podem ter sido determinantes para a conclusão final e resultados obtidos. Imprevistos os quais, acarretaram na modificação da padronização dos métodos, o que pode ter, conseqüentemente aumentado a probabilidade de erros. Na presente análise, foram comparados os resultados do gesso puro acrescido de areia (GPA) com a massa da reciclagem dois (GR2). Optamos por comparar as duas massas, pois, de acordo com as reciclagens realizadas, a GR2 foi a única massa reciclada a qual conseguimos extrair resultados dos três ensaios, sendo assim, criamos a massa GPA, com a mesma relação água/gesso, para estabelecermos parâmetros entre os gessos novo e o reciclado.

5.1 Ensaios realizados. Aderência à tração

Ensaio de Aderência ( 7 Dias) 1,20

(0,87 ± 0,12)

Resistência ( MPa)

1,00 0,80 0,60 0,40

GR2 0,5

(0,58 ± 0,03)

GR2 0,7 (0,37 ± 0,07)

GPA

0,20 0,00

Relação Água/gesso 1:1

Os parâmetros utilizados para análise de resistência à aderência do GR2 são os valores do GPA, pois não obtivemos trabalhabilidade com as relações água/gesso determinadas inicialmente, sendo assim, não há como compararmos os valores obtidos com os preconizados pela NBR 13749.


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Conforme gráficos notou-se que os resultados da resistência à aderência do GPA foram inferiores ao gesso reciclado, um possível motivo para o ocorrido seria a adição de areia à massa, porém o agregado miúdo em uma pasta não exerce influência nas propriedades físico-mecânicas. Observou-se, então, que o gesso reciclado possui uma melhor aderência quando comparado com o gesso novo, pois foi verificado que as pastas de gesso reciclado obtiveram resistência muito elevada, superior até mesmo à resistência solicitada na NBR 13749, que é ≥0,20 MPa (para revestimentos internos, utilizados com pintura ou base para reboco). Portanto, podemos considerar o gesso reciclado útil na construção civil quando se tratar de revestimento, e uma possível explicação para o ocorrido se deve à maior aspereza das partículas (oriundas do processo de aquecimento durante a reciclagem). Resistência à Compressão

E ns aio de C ompres s ão ( 1 hora) 3,00

R es is tênc ia ( MP a)

2,50

(2,23 ± 0,20) (2,22 ± 0,03) (2,05 ± 0,07)

2,00 G R 2 0,5

1,50

G R 2 0,7 GPA

1,00 0,50 0,00

R elaç ão Ág ua/g es s o 1:1


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E ns aio de C ompres s ão ( 7 Dias ) 4,00 (2,84 ± 0,54)

R es is tênc ia ( MP a)

3,50 3,00 (2,22 ± 0,14)

2,50

(2,52 ± 0,10) G R 2 0,5

2,00

G R 2 0,7

1,50

GPA

1,00 0,50 0,00

R elaç ão Ág ua/g es s o 1:1

Tendo em vista os parâmetros admitidos, a reciclagem analisada se mostrou com uma resistência à compressão um pouco inferior, porém bem próxima do parâmetro utilizado. De acordo com os resultados obtidos nos ensaios com GPA e GR2, pode-se notar que os valores médios de resistência à compressão são muito próximos, o que indica que a determinação da resistência de ambas as massas é a relação água/gesso.

Tendência da resistência a compressão de acordo com a Relação água/gesso

Resitência ( MPa )

18,00 16,00 14,00 12,00

7 dias

y = 49,589e-3,0774x

10,00

1 hora

R2 = 0,8638

8,00

Expon. (Série3)

6,00 4,00 2,00 0,00 0,00

0,20

0,40

0,60

0,80

Relação água/gesso

1,00

1,20


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De acordo com os resultados obtidos nos experimentos realizados, a resistência a compressão diminui de acordo com relação água/gesso adotada, sendo que quanto maior for a quantidade de água, menor será a resistência a compressão, verificando indiferença nas mais diversas idades do corpo de prova. Tempo de Pega

Tempo de Pega 20 12

Final

7

GPA

37

GR2 0,7

34

GR2 0,5 7 7

Inicio

GR0 0,7 GR0 0,5

4 16 12 0

5

10

15

20

25

30

35

40

Tempo (min)

O tempo de pega em uma pasta reciclada é muito menor do que em uma pasta com gesso novo devido a uma aglomeração maior das partículas, conforme foto fig. abaixo, na massa reciclada. Isso faz com que a água adicionada ao gesso reciclado reaja mais rápido devido à proximidade das partículas e, consequentemente, a massa se hidrate com maior rapidez formando os cristais de di-hidratado precocemente.

fig. Gesso novo: partículas separadas

fig. Gesso Reciclado:partículas aglomeradas


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De acordo com os resultados foi identificado que houve alteração nas propriedades físicas e mecânicas do gesso durante o processo de reciclagem, pois, ao término das reciclagens GR3 e GR4, não houve (ou foi muito pouca) reação de hidratação do gesso. Por este motivo, não foi possível medir o tempo de pega e, nos ensaios de compressão e aderência à tração, não obtivemos resultados satisfatórios necessários para o fim, o qual está sendo analisado. Portanto, a única amostra cuja reciclagem nos apresentou uma boa trabalhabilidade e propriedades físico-mecânicas mensuráveis semelhantes às de uma massa realizada com gesso novo foi a GR2. Resumo das Propriedades dos Gessos Analisados Revestimento GPA GR2 Variáveis (Temp. °C). 160 Inicio Tempo de Pega (min.) 7 5,5 Final Tempo de Pega (min.) 20 9,5 Aderência - substrato padrão (MPa) 0,369 0,723 Compressão (MPa) 2,680 2,200

NBR ND >10 > 45 0,200 8,000

5.2 Análise de Variância (ANOVA). Resistência a Aderência (7 dias)

Variação Entre Tratamentos Vb=0, 2540

Graus de liberdade

Quadrado Médio

F

Valor P

a-1 = 2

S²B=0, 127

1, 0854

0, 4419

Dentro dos Tratamentos Vw=0, 3506

a(b-1)= 3

S²W=0, 117

Total V=0, 2744

ab-1=5

Para os níveis de significância 0,05 e 0,01, temos como valor critico de Fisher 9,55 e 30,80, respectivamente, sendo que o valor obtido foi de 1,08, portanto aceitamos a hipótese nula, onde H0= (valor obtido=valor esperado), concluindo que não há diferença entre as pastas.


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Resistência a Compressão (7 dias)

Variação

Graus de liberdade

Quadrado Médio

F

Valor P

Entre Tratamentos Vb=0, 4656

a-1 = 2

S²B=0, 2328

1, 1657

0, 4222

Dentro dos Tratamentos Vw=0, 5992

a(b-1)= 3

S²W=0, 1997

Total V=1, 0648

ab-1=5

Para os níveis de significância 0,05 e 0,01, temos como valor critico de Fisher 9,55 e 30,80, respectivamente, sendo que o valor obtido foi de 1,17, portanto aceitamos a hipótese nula, onde H0= (valor obtido=valor esperado), concluindo que não há diferença entre as pastas. Resistência a Compressão (1 hora)

Variação

Graus de liberdade

Quadrado Médio

F

Valor P

Entre Tratamentos Vb=0, 0745

a-1 = 2

S²B=0, 03725

3, 2298

0, 1786

Dentro dos Tratamentos Vw=0, 0346

a(b-1)= 3

S²W=0, 0153

Total V=0, 1091

ab-1=5

Para os níveis de significância 0,05 e 0,01, temos como valor critico de Fisher 9,55 e 30,80, respectivamente, sendo que o valor obtido foi de 3,23, portanto aceitamos a hipótese nula, onde H0= (valor obtido=valor esperado), concluindo que não há diferença entre as pastas.


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6. Conclusão. I.

Através dos métodos utilizados neste trabalho, foi identificada a possibilidade de reciclar o gesso por duas vezes sem que haja alterações muito significantes em suas propriedades. Porém, tendo controle sobre algumas de suas características com o aumento da relação água/gesso durante o processo de execução da pasta ou outros fatores não estudados neste trabalho, como o acréscimo de aditivo retardador de pega, para se obter trabalhabilidade. A partir da segunda reciclagem não conseguimos obter nenhum dado que comprove a possibilidade de reciclagem.

II.

A contaminação por impurezas e possíveis oscilações da temperatura com que o gesso é aquecido no processo de reciclagem são fatores que podem ter interferido no resultado do produto final.

III.

Por termos usado aproximadamente 54% a mais de água do que o determinado na norma para consistência normal, o gesso não apresentou as propriedades físicas e mecânicas exigidas pelas normas seguidas.

IV.

Os ensaios de compressão feitos com a massa reciclada tiveram sua resistência muito próxima da massa de gesso novo, sendo as duas com a mesma relação a/g, isso pode ocorrer pelo gesso retornar às suas propriedades originais.

V.

Um possível motivo para os melhores resultados de aderência na massa reciclada é devido às partículas serem mais ásperas, causadas pela retirada brusca de água de dentro das partículas no processo de aquecimento, o que influencia quando o gesso entra em contato com uma superfície por causa de seu atrito.

VI.

O tempo de pega é muito menor em uma massa reciclada devido à maior aglomeração de partículas, a água adicionada ao gesso reciclado reaja mais rápido devido à proximidade das partículas e, consequentemente, a massa se hidrate com maior rapidez formando os cristais de di-hidratado precocemente.

VI.

De acordo com a análise de variância pode se concluir que o gesso reciclado é semelhante ao gesso puro, tendo uma probabilidade muito alta de ser igual.


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7. Bibliografias http://www.arq.ufsc.br/arq5661/trabalhos_2005-1/gesso/material.html www.sindusgesso.org.br CONAMA, resolução 307 “Alternativas de gestão dos resíduos de gesso” – Vanderley M. John/ Maria Alba Cincotto – Universidade de São Paulo – Escola Politécnica. “Reaproveitamento de resíduos de gesso” – Felipe José de Farias Nascimento e Lia Lorena Pimentel – Pontifícia Universidade Católica. “Estudo da viabilidade do reaproveitamento de gesso – Queima lenta” – Eric Harada e Lia Lorena Pimentel – Pontifícia Universidade Católica. “Estudo da viabilidade do reaproveitamento de gesso – Queima rapida” – Maria Beatriz Stochi Fiano e Lia Lorena Pimentel – Pontifícia Universidade Católica “Produção de gesso reciclado a partir de resíduos oriundos da construção civil” – Abrahão Severo Ribeiro – Universidade Federal da Paraiba, centro de tecnologia programa de pós graduação em engenharia urbana. NBR 12127 – Gesso para construção – Determinação das propriedades físicas do pó. NBR 12128 – Gesso para construção – Determinação das propriedades físicas da pasta. NBR 12129 – Gesso para construção – Determinação das propriedades mecânicas. NBR 13207 – Gesso para construção civil. NBR 13528 – Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Determinação da resistência de aderência a tração. NBR 13749 - Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Especificações. “Estatística 4ª Ed.” – Murray R. Spiegel & Larry J. Stephens – Coleção Schaum.

Reciclagem de Gesso  

Viabilidades do Processo de Reciclagem na Construção Civil

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