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Sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Por dentro da Rio Show ESPECIAL: Conheça quem faz a revista

Histórias da redação: casos curiosos Impresso x digital Erros e imprevistos


A

quinta-feira de 16 de setembro foi uma verdadeira saga. Saímos da PUC em nosso batmóvel (ônibus 410), nos perdemos (ainda que auxiliados Entre no pelo Google maps) e, além de mistério. Ajude-nos sermos barrados na portaria, a descobrir levamos um chá de cadeira quando daqueles: o pessoal da redação a revista nasceu estava em reunião de pauta (aliás, o único momento em que se pode filmar ou tirar fotos na redação). Isso é que é timing.... Uma vez Saiba sobre liberados, ávidos de curiosidade, o público da e devidamente identificados com Rio Show crachás, subimos as escadas para e sobre os índices de nos depararmos com a imensa audiência sala, repleta de pessoas que da revista nos olhavam como peixinhos dourados em aquários. Claro, nos olhavam com a certeza de que eram o que nós queríamos ser...pelo menos naquele dia: repórteres de verdade. A perder de vista, lia-se em uma plaquinha presa ao teto “RioShow”.Então, seis universitários felizes, com mochilas e crachás, tentaram ser invisíveis (impossível) ao cruzar o temido salão, cujo assoalho rangia Conheça sob nossos pés, despertando mais quem fez olhares curiosos. Foram cerca esta edição de duas horas de entrevistas, maravilhosa da revista papos sobre a rotina e frases Rio Show. fe: e h c gentis como “vocês não são NEM a r Ediatopena, anos focas!”... mas valeu rtins M a i l í Mar muito. divertimos e aprendemos entes: t s i s s a O resultado da nossa ores ditapuração aria E M , o d r a l pode ser conferido nas próximas nald Vil nte e o R páginas. Divirtam-se... a Vale

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Cristin orim Inês Am

2 Rio Show

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História

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Horários e Reuniões

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Audiência

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Site

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Mídias Digitais

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Publicidade

10 Gastronomia 12

Cinema

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Teatro

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Pista

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Gay


História

O mistério da Rio Show Persiste a dúvida de como surgiu a revista

A

té o fechamento des-

portagem procurou algum de-

sa edição, ninguém

partamento do jornal O Globo

conseguiu descobrir

que pudesse tirar essas dúvi-

como surgiu a Rio Show. A

das, mas ninguém foi encon-

editora da revista, Marília Mar-

trado.

tins, afirmou que o suplemento

Caso alguém saiba

possui mais de dez anos, mas

qualquer informação que pos-

não soube precisar o ano exato

sa desvendar esse mistério,

da criação e nem o motivo. Ela

entrar em contato com qual-

apenas soube informar que,

quer um dos criadores dessa

inicialmente era um trablóide.

revista.

Mesmo

em mais t w o h A Rio S s, antes era no de 10 a e. id um tabló

procurando

na internet ou perguntando aos outros jornalistas não foi possível descobrir sobre a história da Rio Show. Aparentemente, esse é um mistério ainda não desvendado. A equipe de re-

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Horários e Reuniões

Saiba tudo sobre a rotina da revista Entenda como é feita a Rio Show Grupo

Q

uem pensa que a ro-

A publicação da revista

reunião de todos os suplemen-

fazer os últimos ajustes. Isso

tina de uma revista

é na sexta e, portanto, o pla-

tos para verificar se não serão

faz com que eles trabalhem

semanal é muito tran-

nejamento começa na quinta

feitas matérias parecidas.

até 11 horas da noite, horário

quila está enganado. Correria e

da semana anterior. Neste dia,

mudanças de última hora tam- ocorre uma reunião uta: de pauta a p e d o bém fazem parte do dia-a-dia. Reuniã para decidir os assuntos que A vantagem, como eles mesmo serão abordados. 8hIsso acontece 1 a r i e afirmam, é poder se organizar 5ª f num confortável espaço da remelhor.

dação. Já na segunda, há uma

Nesse mesmo dia, eles

considerado desnecessário pela

fecham quais anunciantes apa-

editora do suplemento, Marília

recerão na edição. Quarta-feira

Martins.

é o grande dia, porque acontece o fechamento e, por isso, há uma correria tradicional para

to: n e m a h Fec 23h / h 2 2 4ª feira

ito u m é a t A pau nda, e g a a n a basead rias o s s e s s nas a no m é b m a et nto e m a t r o comp e. da cidad Quinta

Sexta

Sábado

Domingo

Segunda

Terça

Quarta

Avaliação da revista

Publicação

“Descanso”

“Descanso”

Mapa de anúncios

Trabalho

Correria

impressa no dia

da revista

Reunião de pauta

Trabalho

Trabalho

Fechamento

é recebido “Descanso”

“Descanso”

Reunião de todos os suplementos

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da revista


Audiência

Rio Show no topo da audiência

tem w o h S Com o segundo índice o audiência do jornal, Rio Show só perde para o Segundo Caderno A Ride de e c i d n í Grupo o 2º nal r o j o d cia diênlanchonetes Rio Show tem o segundo au pizzarias, e bares/ o índice de audiência do choperiaslnos últimos 30 dias. b o G jornal, só perde para o O

A

Segundo Caderno. O suplemento tenta abranger um público de diferentes faixas etárias e classes sociais. Como pode ser visto no esquema abaixo, esse público é bem diversificado. Assim como o jornal O Globo, entretanto, o target do suplemento tem entre 20 e 40 anos e é de classes média e alta. É mais lido entre as mulheres, porém não há uma predominância. Segundo a editora da revista, Marília Martins, o foco acaba sendo a Zona Sul. A colunista de gastronomia, Luciana Fróes, confirmou isso e disse que tenta diversificar os lugares, mas acaba frequentando mais essa região, já que existe uma grande concentração de restaurantes e bares. Os hábitos de consumo dos leitores também são variados, mas a grande maioria gosta de música, frequenta bares e restaurantes e gosta de cinema.

87% têm interesse em assuntos sobre divertimento/ lazer 76% se interessam por assuntos ligados à cinema 65% costumam ir ao cinema 53% costumam jantar fora 52% costumam ir à shows/ eventos 38% costumam ir ao teatro. Os grandes lançamentos de filmes, peças e vídeos, críticas e reportagens sobre o mundo gastronômico e a noite do Rio de Janeiro estão na Rio Show. Toda a programação de cinema para o final de semana e os novos modismos da cidade também. O Rio Show possui 667.000 leitores e 255.549 exemplares às sextas-feiras, enquanto o Segundo Caderno possui 760.000 leitores e 249.124 exemplares.

how S o i R A as de s i u q s e realiza p semanais, ia audiênc ados ult com res . é o que Este último gosto, isaliás, a s n e m faz com que a revista seja muito lida. Cinema é parte preferida de quem lê a Rio Show. 91% se interessam por assuntos sobre música. Deste total, 67% têm muito interesse no assunto. 80% frequentaram restaurantes,

: Público 0 anos 5 e 0 2 Entre sexos e r t n e rio Equilíb dia mé Classe ul Zona S

Rio Show

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Site

Mais do que um complemento Suplemento de cultura do jornal aposta em participação Grupo

O

Globo está lançando nesta sexta-feira (11) o novo site do caderno Rio Show. A reformulação tem como principal objetivo valorizar e ampliar, no meio digital, o serviço de programação de eventos oferecido pelo do suplemento cultural do jornal carioca, conhecidos como “tijolinhos” do Rio Show. A nova página pretende ser um guia de entretenimento para os cariocas na Internet e um canal aberto para os usuários

escreverem e publicarem suas próprias críticas e indicações. Voltado para os interessados em cultura e gastronomia, o Rio Show online reúne informações e serviços de praticamente todos os restaurantes, cinemas e salas de teatro da cidade e arredores. Segundo comunicado oficial, o site também cataloga shows e passeios. Para cada categoria, o internauta tem acesso a endereços, telefones, preços, horários, emails e sites, apoia-

dos com fotos, vídeos, cartazes e mapa interativo (via Google Maps), que permite ao usuário descobrir como chegar ao estabelecimento. Além da disposição dos locais e eventos priorizados editorialmente, um dos grandes diferenciais do site é a opção de navegação via busca por palavra-chave. Funcionando como uma espécie de “Google” de programação, o site permite ao leitor fazer buscas complexas, de acordo com um interesse

ar o v e l e d Projeto lar u l e c o a site par

ite: s o v o N iárias d s e õ ç za 2 atuali do o t n e m Comple específico. Como, por exemplo,al espetáculo ou estabelecimento, n opinar e dar notas para cada jorestelocalizar um filme que ja passando em determinado bairro; ou um restaurante que aceite cartão de crédito e tenha manobrista, entre muitas outras opções. Cada resposta listada na busca dá acesso imediato a uma ficha de evento ou local correspondente. Neste novo universo interativo criado pelo Globo para o Rio Show, o leitor tem papel fundamental. Eles poderão fazer comentários sobre qualquer

evento ou ponto cultural, além de poderem divulgar um lugar ou programa bacana. As críticas de cinema, teatro, restaurantes e bares publicadas no jornal impresso pelos jornalistas especializados do Globo estarão na página, assim como o conteúdo exclusivo dos textos e avaliações.

m do é l a o t i l“: “Mu a n r o j m eu papel d ão ç a m r o f in por a d í u b i r dist ídias m s a i r á v

NOVO SITE da Rio Show: www.oglobo.com/rioshow

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Mídias Sociais

Nova editoria: mídias sociais O objetivo do jornal é aumentar sua presença online e a interação com os leitores Grupo

O

jornal O Globo está estreando nesta terçafeira (8) sua página no Facebook. Segundo o veículo, a página de perfil no popular site de rede social trará diariamente uma seleção de matérias relevantes para os usuários. Na lateral do perfil, ícones com links levam os leitores para seções especiais, para os blogs de colunistas e para o Eu-Repórter, área de jornalismo cidadão do diário. Já com forte atuação no Twitter (o jornal possui cerca de 40 contas para seus suplementos, editorias, blogs e colunistas), o veículo, ao entrar no Facebook, reforça a adesão a sites de rede social que também funcionam como agregadores de informação. “É nítido que as pessoas se informam pelas redes sociais (...) A página [no Facebook] será mais um canal de difusão de nossas histórias e de interação com o público (...) Com as redes sociais, todos nós conseguimos um poder inédito para nos associar e trocar informações”, diz Nívia Carvalho, editora de mídias

sociais do jornal O Globo. “Muito do trabalho nesse momento é incentivar o melhor uso de redes sociais entre os jornalistas, encontrando caminhos que tornem as ferramentas naturais em nosso dia a dia”, afirma a jornalista. Em dezembro do ano passado, Zero Hora e Estadão incorporaram editores voltados à interação na chamada web 2.0. O novo mercado de social media foi discutido pelos editores em entrevista ao Baguete Diário, disponível no link relacionado abaixo. Nívia Carvalho, jornalista e ex-coordenadora de Treinamento e de Desenvolvimento da Infoglobo, é a primeira editora de mídias sociais do jornal O Globo. O objetivo do veículo é aumentar sua presença online e a interação dos leitores com o jornal. É a primeira editora de Mídias Sociais do jornal O Globo, onde trabalha desde 1988. Foi repórter e editoraassistente da Editoria Rio, com ênfase nas coberturas das áreas de Educação e Justiça; editora-

adjunta dos Jornais de Bairro; responsável pelo Programa de Treinamento da Redação; e, depois de uma rápida passagem pela Gerência de Produtos, foi escolhida para o cargo que ocupa atualmente, criado em março de 2010. Para ela, O Globo já evoluiu muito na interação com os leitores, com uma média de 10 mil participações por dia e 150 contribuições diárias dos leitores, na área de jornalismo participativo, além das contas no Twitter, com destaque para a de Patrícia Kogut, que já tem quase 58 mil seguidores e a do Blog do Noblat, com mais de 30 mil. Mesmo assim, Nívia ressalta que ainda há mais a alcançar. “Mas claro que sempre temos o que melhorar, conhecendo cada vez melhor a audiência (a que temos e o que esperamos atingir) e marcando nossa presença em várias redes sociais, sem esquecer que cada uma tem seu próprio DNA”, afirma.

ias d í m e d a Editori pulariza po sociais: nal r o j o d a marca

PÁGINA DO jornal O Globo na rede social Facebook

Eu-Repórter Na lateral, ícones com links levarão o internauta, com apenas um clique, para especiais (site Rio Show e o ambiente com a cobertura da Copa do Mundo); blogs dos colunistas Ancelmo Gois, Miriam Leitão, Ricardo Noblat, Patrícia Kogut, Jorge Bastos Moreno e Renato Maurício Prado; serviços como previsão do tempo e horóscopo; e para o Eu-Repórter, a seção de

jornalismo participativo do GLOBO. - A página será mais um canal de difusão de nossas histórias e de interação com o público. Esperamos a participação das pessoas, com comentários, sugestões. Com as redes sociais, todos nós conseguimos um poder inédito para nos associar e trocar informações acrescenta Nívia.

enta m a r r e f : Twitter ng, eti de mark relação a estreita r ito com o le

de outubro de 2010 Rio Show 7 4 de8outubro de 2010


Publicidade

Uma relação de Amor e Ódio Jornalistas da Rio Show contam como é a relação entre a publicidade e a revista Grupo

A

s jornalistas Marília Martins e Luciana Fróes da revista Rio Show explicaram, em um bate-papo bem descontraído, como é a complicada relação com a publicidade. Elas falaram sobre a independência que têm para trabalhar e como enfrentam os principais anunciantes. Contaram também sobre casos curiosos que aconteceram por causa desse conflito de interesses. Com uma simpatia enorme, Marília, que é editora do suplemento, definiu a relação deles com a publicidade como sendo de amor e ódio. Segundo ela, ao mesmo tempo em que as propagandas são importantes para pagar as despesas, os jornalistas querem ter o máximo de espaço possível para escrever. Ela ressaltou também a independência que todos os profissionais têm para escrever sobre qualquer estabelecimento, mesmo

sendo um grande anunciante. Já Luciana, que é responsável pela parte de gastronomia, lembrou-se de uma situação curiosa e desconfortável. Em sua coluna, ela criticou um restaurante japonês e, quando imprimiram o suplemento, viram que, embaixo dessa crítica, havia um anúncio desse estabelecimento. Entretanto, a colunista destaca que cumpriu o seu papel. Elas falaram sobre a independência que têm para trabalhar e como enfrentam os principais anunciantes. Contaram também sobre casos curiosos que aconteceram por causa desse conflito de interesses. Com uma simpatia enorme, Marília, que é editora do suplemento, definiu a relação deles com a publicidade como sendo de amor e ódio. Segundo ela, ao mesmo tempo em que as propagandas são importantes para pagar as despesas, os jorna-

listas querem ter o máximo de espaço possível para escrever. Ela ressaltou também a independência que todos os profissionais têm para escrever sobre qualquer estabelecimento, mesmo sendo um grande anunciante. Já Luciana, que é responsável pela parte de gastronomia, lembrou-se de uma situação curiosa e desconfortável. Em sua coluna, ela criticou um restaurante japonês e, quando imprimiram o suplemento, viram que, embaixo dessa crítica, havia um anúncio desse estabelecimento. Entretanto, a colunista destaca que cumpriu o seu papel.

mor a e d o Relaçã ta a n e t s u s e ódio: uba o r s a m revista, . espaço

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Histórias & Casos

De restaurantes a botecos Luciana Fróes conta tudo sobre sua vida gastromaníaca ma u é o t n assu O “ é não l i Grupo c i f í D delícia! dar.“ O que ele queria uando o Ferran Adrià ramazônia. o g n e esteve no Brasil, pediu mesmo era mostrar os sabores

Q

para ir até Belém para conhecer o chef Paulo Martins. Com Alex Atala, o timaço de chefs espanhóis que esteve em São Paulo durante o evento do Prazeres da Mesa, se deslocou para o Pará. Martins já estava doente, mas segundo Atala me contou, conseguiu esboçar um sinal de alegria ao ver os melhores do mundo ao seu redor. E na sua casa. Conheci o Paulo há tempos, quando fui convidada para o festival gastronômico que anualmente promovia em Belém. Disparado, o melhor e mais importante do país, exatamente por acontecer na 10 Rio Show

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locais, desconhecidos por boa parte de nós. Fez um passeio comigo e o Lu Ribeiro (da Wish) pelo Ver-o-peso que não esqueço jamais. Uma aula. O grupo era enorme. Alex Atala, Francesco Carli, Flavia Qauresma, Danio Braga... O encontro terminou num mega jantar assinado por todos. No menu, só ingredientes locais. Show completo, servido no porto de Belém, respaço fantástico que nada deixa a dever ao Pier de Nova York ou ao Porto Madero de Buenos Aires.. O “Lá em Casa”, restaurante de comida tipica, em Belém,

era comandado pela família. Começou pela mãe, depois passou para o Paulo e hoje quem toca são as filhas. Mais do que chef, Paulo Martins foi o embaixador da cozinha amazônica mundo afora. Hoje, esses sabores exóticos, virgens, despertam o interesse de chefs do mundo todo. E o responsável por tudo foi e continuará sendo o chef Paulo Martins. É curioso o papel da crítica gastronômica. O que esperamos dela? Sabemos o que esperar da crítica literária, da crítica musical, mas será que sabemos o que esperar da crítica gastronômica? As críticas literária e musical,

LUCIANA FRÓES


assim como de artes plásticas, possuem suas próprias teorias, de sorte que também podemos julgar o crítico em função das referências teóricas e conceituais que o movem. E o crítico gastronômico, qual sua teoria? Qual a sua metodologia? Como a gastronomia não é uma forma canônica de arte – e há quem diga que se trata de uma não-arte, pois não tem um objeto próprio – muitas vezes nos contentamos com a sua crítica mais elementar: o analista nos diz, diante de um prato, “gosto” ou “não gosto”. Mas por que vou abrir mão da minha subjetividade em favor da subjetividade de um terceiro? Muitas vezes por preguiça. Não quero perder meu tempo arriscando e elejo um bode expiatório para experimentar o que eu virtualmente

desejaria. Esse crítico é uma espécie de comissão de frente do meu desejo. Mas há o crítico da cultura alimentar ou gastronômica. Esse é mais raro e o que ele nos fornece são coordenadas para nos movermos livremente entre os desafios de um mundo empírico, concreto, que é bem maior do que as experiências que pessoalmente podemos acumular. Dentro desse tipo de crítico, Manuel Vázquez Montalbán (1939-2003) foi um expoente e figura quase única. Esse prolífico escritor catalão, de posições políticas inequívocas – em sua obra brilha o comunista militante, que sempre usava sua verve em favor da democracia e contra o franquismo – criou para si um vasto campo de

, as No Rio s de ria assesso a área são ad imprens perientes, é ex muito in nte ere bem dif de SP

cultura gastronômica onde, como autoridade, pontificava com a admiração de todos. Quando morreu, Ferran Adrià escreveu em seu elogio fúnebre: “ Montalbán é importante porque foi a pessoa que tornou possível que a cozinha tradicional e a contemporânea convivessem sem problemas neste país. Foi autor de livros importantes sobre cozinha tradicional, mas era também um amante da cozinha de vanguarda e nunca se referiu a elas como se fossem mundos contrapostos {...}. Sobre El Bulli, Vázquez Montalbán foi a primeira pessoa que falou do que estávamos fazendo qualificando-o de “cozinha de investigação”. O disse há oito ou dez anos, quando as pessoas ainda não sabiam como qualificar o que fazíamos

no restaurante. Era admirável, já que não só em cozinha, mas em tudo, tinha uma grande capacidade de análise e de antecipar-se ao futuro”. Capacidade de antecipação. Talvez esta seja a chave da critica gastronômica. Nesse sentido, Montalbán é o fundador da moderna disciplina da crítica gastronômica, isto é, alguém que estabeleceu a sua “teoria analítica” mais do que exerceu a crítica de restaurantes propriamente dita. Outra figura de destaque da crítica é Rafael Garcia Santos, embora este se concentre mais na crítica de restaurantes. Ele não é exatamente querido, como Montalbán. Talvez seja mais odiado do que qualquer outra coisa. Seu método partisan consiste em separar o joio do trigo: quem

não faz a moderna cozinha espanhola simplesmente não presta! Ele segue uma espécie de decálogo da cozinha moderna, que ele mesmo sintetizou. Como, decadas antes, Gault-Millau havia feito para a nouvelle cuisine. Apesar disso, é inegável que Garcia Santos funcionou como parteiro de um novo ambiente gastronômico na Espanha. E entre nós? Quais são os passos para se superar o primeiro momento da consciência gastronômica, o jogo maniqueísta do “gostonão gosto”? É claro que sou grato àqueles que me desviam de experiências que não seriam gratificantes. Mas isso é tudo o que, entre nós, a crítica pode dar? É uma questão a pensar.

ela e u q o d a Certific or comer p recebeu em um dia os 19 prat

CERTIFICADO QUE a Luciana ganhou após degustar 19 pratos do Chef Roland Villard.

AS GAVETAS com as anotações da Luciana na redação d’O Globo é toda enfeitada com motivos gastronômicos.

Pé - Limpo

Luciana Fróes

Uma noite regada à Lanson A maison Lanson tem 250 anos. Ausente um bom tempo aqui nos trópicos, está de volta ao mercado brasileiro, importada pela Barrinhas. Thierry Tronquit Prats, export manager da marca, comandou a degustação de vários exemplares no Bazzar, cardápio da Cristiana Beltrão. Impecável. O brut rosado foi servido em taças de lalique rosa. Thierry me disse que as inglesas adoram esse tipo de taça rosé. Eu já prefiro ver a cor da bebida, as suas borbulhas...Mas tem seu charme. 8 de outubro de 2010 Rio Show

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Com vocês, o campeão Seção de maior audiência é a marca da revista

B

aseado no best-seller autobiográfico de Elizabeth Gilbert, Comer, Rezar, Amar nada tem de muito interessante para muita gente, mas não fez feio nas bilheterias norteamericanas porque a parcela feminina da população correspondeu às expectativas e foi conferir a adaptação do livro que muitos adoram. É engraçado que, em Berlim, as pré-estreias são separatistas, ou seja, homem só pode ver “filme de homem” e mulher só pode ver “filme de mulher”. Mas neste caso, a divisão até que é coerente: Comer, Rezar, Amar é um filme para (um grupo específico de) mulheres. Assim, só pude conferir o novo filme de Julia Roberts agora, depois da verdadeira estreia em terras alemãs. E fui, na esperança de que minha opinião não batesse com a da

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maioria dos críticos e que eu gostasse, já que gosto da Miss Roberts e achei que fosse um filme maduro. Mas a verdade é que, se a protagonista fosse vinte anos mais jovem, não faria a mínima diferença. As crises existenciais e a dificuldade em se relacionar, bem como a fuga dos problemas (achando que mudar de cidade é a solução para tudo) são típicas de uma adolescente – desculpem o termo – boboca. Mas paciência. É autobiográfico e a personagem precisava ter a mesma idade da Lisa real. Lisa é bem sucedida na carreira, tem um marido que a ama e dinheiro. Mas ela se sente incompleta e o anseio por mudança a faz tomar uma decisão: ela resolve passar um ano viajando, durante o qual ficará um tempo na Itália, na Índia e em Bali. Os países re-

presentam as “fases de crescimento” pelas quais ela passou, respectivamente: a admiração pela gastronomia, o costume e o prazer em rezar, e o a descoberta do amor verdadeiro. A fase italiana é a que melhor se desenvolve, com dinamismo, boa utilização da linguagem cinematográfica, ausência de redundância entre imagens e falas e boa trilha sonora. Depois disso, a história cada vez mais perde o fôlego e chega ao final dos longos 140 minutos se arrastando. A impressão é de que o diretor tentou não deixar nenhum detalhe do livro de fora. Se tivesse uma montagem mais eficiente, poderia ser bem mais agradável. Mesmo assim, parece ser melhor que o livro – mas isso só quem leu poderá dizer. Comer, Rezar, Amar só escapa de ser uma tremen-

ibuir r t s i d o “Tent de acordo es os film ostos dos g s o m o c s” crítico

MARIA CRISTINA Valente

da chatice porque possui uma boa primeira metade e porque tem um elenco competente, que vai de Julia Roberts a Viola Davis e o excelente Richard Jenkins. Ah, sim! E tem o (quase) sempre muito bom Javier Bardem, desta vez in-

terpretando o brasileiro Felipe, com quem a autora do livro é casada até hoje, com direito a sotaque portunhol e a citação de que os homens no Brasil têm o costume de beijar os filhos na boca. Só em filme de gringo mesmo...


, um z e v a t u “o Cer e v e r c es crítico inho está qu Bone orque foi p saindo a entrar”. do obriga

aa ç e m o c : a Segund filmes que os ronda d r na 6ª ea irão estr quantas er para sab ão na far critícas revista.

tece n o c a a “Nunc s os de todo rem a a d n a m cinemas ão, a gente aç m a r g o r p que m e t e r semp u 3.” o 2 e d cobrar

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Teatro

“O Globo indica” “A escolha das peças que serão avaliadas é muito difícil”, afirma a crítica de teatro Lívia Breves. Grupo

O

teatro surge a partir do desenvolvimento do homem, através das suas necessidades. O homem primitivo era caçador e selvagem, sentia necessidade de dominar a natureza. Através destas necessidades surgem invenções como o desenho e o teatro na sua forma mais primitiva. Eram umas espécies de danças dramáticas coletivas que abordavam as questões do seu dia a dia, uma espécie de rito de celebração, agradecimento ou perda. Estas pequenas evoluções se deram com o passar de vários anos. Com o tempo o homem passou a realizar rituais sagrados na tentativa de apaziguar os efeitos da natureza, harmonizando-se com ela. Os ritos começaram a evoluir, surgem danças miméticas, os homens praticam a MIMESIS (mímica) e as mulheres cantam. Com o surgem da civilização egípcia os pequenos ritos se tornaram grandes rituais formalizados e baseados em mitos (histórias que narram o sagrado do mundo. Cada mito conta como uma realidade veio a existir. Os ritos possuíam regras de

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acordo com o que propunha o estado e a religião, eram apenas a história do mito em ação ou seja em movimento. Estes rituais propagavam as tradições, apelo as entidades sobrenaturais, oferenda para obtenção de favores, para homenagem, para divertimento e sinal de honra aos nobres. Na Grécia sim, surge o teatro. Surge o DITIRAMBO, um tipo de procissão informal que mais tarde ficou mais organizada era para homenagear o Deus Dioniso. Era um culto de evolução e louvação a determinado Deus. Mais tarde o ditirambo evoluiu, tinha um coro formado por coreutas e pelo corifeu, eles cantavam, dançavam, contavam histórias e mitos relacionados a Deus. A grande inovação se deu quando se criou o diálogo entre coreutas e corifeu. Cria-se a ação na história. Surgem assim os primeiros textos teatrais. A princípio tudo acontecia nas ruas, depois tornou-se necessário um lugar. Aí surgiram os primeiros teatros. E foi assim que o teatro foi evoluindo. Com o tempo surgiram novas

ebe c e r a l E ssiste a , s e t i v con aios. s n e s o t mui

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formas de fazer teatro. Ainda num estágio de maior desenvolvimento, o teatro passou a ser o lugar de representação de lendas relacionadas aos deuses e heróis. Na Grécia antiga, os festivais anuais em honra ao deus Dionísio (Baco, para os latinos) compreendiam, entre seus eventos, a representação de tragédias e comédias. As primeiras formas dramáticas na Grécia surgiram neste contexto, inicialmente com as canções dionisíacas (ditirambos). A tragédia, em seu estágio seguinte, se realizou com a representação da primeira tragédia, com Téspis. A introdução de segundos e terceiros atores nas tragédias veio com Ésquilo e Sófocles. Surgiu também a peça satírica: o conservador Aristófanes cria um gênero sem paralelo no teatro moderno, pois a comédia aristofânica mesclava a paródia mitológica com a sátira política. Todos os papéis eram representados por homens, pois não era permitida a participação de mulheres. Ao final do século XIX uma série de autores passaram a assumir uma postura de

criação bastante diversa da de seus predecessores românticos, visando a arte como veiculo de denúncia da realidade. Escritores como Henrik Ibsen e Emile Zola foram partidários dessa nova tendência, cada qual com sua visão particular.

LÍVIA BREVES

O teatro do século XX caracteriza-se pelo ecletismo e pela grande quebra de antigas tradições. O “design” cênico, a direção teatral, a infra-estrutura e os estilos de interpretação não se vincularam a um único padrão predominante.


Teatro

lobo G O ” O selo nta o e m u a ” indica eças p s a d o públic

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Pista

Dance, dance, dance Para os festeiros, variedade é o que não falta Grupo

oas s s e p As aisreclamar de mpara esta altura só “não sabe de festa e d m a respeito do Chemical quesito , maso cara clamanada (sóo neste e o i r R Music Festival quem já muitos pontos de tesaincom i o n está em Marte ou realmente crédito, pronto.falei) descobri a d não está nem aí para o vã que a produção do Chemical o smoscom las colocaráoospalco e festival que vai parar aecena principal m a de trás virada para a noturna carioca na Marina da pare parte m e s Glória, neste sábado. Serão baía de Guanabara. Ou seja, es.”estiver derretendo ali três tendas, além do palco arquem g u l principal, cujas primeiras em frente - os portões abrem

A

plantas a gente pode ver no blog noisemaker.com.br, uma ótima descoberta que acabei de fazer via Facebook. Até que essa rede do mal serve para alguma coisa. Foi lendo o texto de Lucca Koch, pessoa que NUNCA VI na vida e que nunca me alugou em canto

às 16h - vai ver um por do sol daqueles. IN-CRÍ-VEL. Agora, o que este blogueiro realmente gostou foi do Noisemaker, sabia? O blog de Lucca é muito bem cuidado, com textos e imagens relevantes para o leitor interessado em moda, música

BLOG DO Ronald Villardo: www.oglobo.globo.com/blogs/villardo/

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e noite, bem humorado no tom certo, pra cima, jovem e cool. Eu fico realmente muito feliz quando me deparo com surpresas do bem como este blogueiro, que prefere focar no bom trabalho do que na autopromoção. Passeando por lá, depois desta terça-feira complicadíssima na redação direto não. Foi lendo o texto de Lucca Koch, pessoa que nunca vi na vida e que nunca me alugou em canto de festa para reclamar de nada (só neste quesito o cara já sai com muitos pontos de crédito, pronto.falei) descobri que

da produção do Chemical colocará o palco principal com a parte de trás virada para a baía de Guanabara. Ou seja, quem estiver derretendo ali em frente - os portões abrem às 16h - vai ver um por do sol daqueles. incrível Eu fico realmente muito feliz quando me deparo com surpresas do bem como este blogueiro, que prefere focar no bom trabalho do que na autopromoção. Passeando por lá, depois desta terça-feira complicadíssima na redação direto não. Agora, o que este blogueiro realmente gostou

foi do Noisemaker, sabia? O blog de Lucca é muito bem cuidado, com textos e imagens relevantes para o leitor interessado em moda, música e noite, bem humorado no tom certo, pra cima, jovem e cool. Eu fico realmente muito feliz quando me deparo com surpresas do bem como este blogueiro, que prefere focar no bom trabalho do que na autopromoção. Passeando por lá, depois desta terça-feira complicadíssima na redação direto não.

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RONALD VILLARDO


A mais colorida Sem preconceito, é pra curtir com todo mundo Grupo

V

ocê conhece Hedwig. Em 2001, John Cameron Mitchell interpretou na telona o musical composto por ele mesmo sobre a transexual fã de Lou Reed que sofreu uma operação malsucedida de mudança de sexo, se apaixonou por um rapaz que não segurou a barra (juro que não há trocadilho) e se mandou, roubando as músicas de Hedwig e se tornando um popstar. Hedwig, inconformada com a série de dramas das quais sua vida é composta, transforma suas experiências de sotaque underground em canções de rock. A montagem em cartaz no Rio mostra que a turma realmente se esforçou para trazer o espírito offBroadway da ópera rock para o Teatro das Artes. Os músicos são valentes nas interpretações, caprichando nos gestos clássicos dos shows de rock, o universo de Hedwig, uma trava que está mais para Blondie do que para RuPaul. Hedwig é punk. E Evandro Mesquita manda bem quando diz no programa da peça que “se uma drag queen incomoda muita gente, optei por duas para incomodar muito mais”. Como espectador, diria que deu certo a “interpretação em dupla” de Paulo Vilhena e Pierre Baitelli como Hedwig. Como um dos motes da peça é justamente a “busca pela outra metade” de cada um de nós, cabe aí a “sacada”. Mas o Paulinho Vilhena, tadinho... ele até tentou se jogar no

personagem, mas em vez de se parecer com um transexual do underground berlinense - o que Baitelli faz com perfeição, desde o olhar agressivo/ carente até as desafinadas propositais nas canções -, acabou ficando no território do draguismo de Copacabana, mais especificamente da Le Boy mesmo. Noves fora, algumas piadas “adaptadas” são divertidas, como quando VIlhena diz que usa um vestido “da Yes Brazil” e admite estar “ficando careca”. É, pensando bem, quando é para rir, até que Vilhena convence. A parte da atuação mais... profunda, digamos, é segurada mesmo por Baitelli. Boy mesmo. Noves fora, algumas piadas “adaptadas” são divertidas, como quando VIlhena diz que usa um vestido “da Yes Brazil” e admite estar “ficando careca”. É, pensando bem, quando é para rir, até que Vilhena convence. A parte da atuação mais... profunda, digamos, é segurada mesmo por Baitelli. Fica uma sensação de que “Hedwig e o centimetro enfurecido” talvez merecesse uma outra montagem carioca. Mais bem cuidada. “Off” não quer dizer “relaxada” ou “mal feita”. Evandro Mesquita até que se esforçou mas também se enrola nos próprios conceitos. Por exemplo: ele assina uma das frases mais caretas do mundo sobre gays no programa da peça: “Para

uma é y a G A seção centes da re das mais . ow Rio Sh

ser transexual nos anos 80 e ainda na Alemanha, tinha que ser muito macho!”. É frase da mesma família de “ele é um preto de alma branca” ou coisa parecida. O programa da peça tem textos que parecem não ter sido revisados, com palavras repetidas, erros de pontuação... seria proposital para dar o tom de “zine” que também parece definir a programação visual do tal programa? É possível. Mas não ficou bom. Parece só erro mesmo. O site oficial é outra falácia. Anunciado no programa da peça como um lugar de referência para quem quiser saber mais sobre o espetáculo, neste domingo, em plena semana de estreia, não há imagens, vídeos, nada. Tudo será “em breve”. Há apenas um blog com promoção de ingressos. Mais honesto seria dizer, então, que há um “blog com promoções” e não um site com seções que entrarão “em breve”, uma vez que a peça já iniciou sua trajetória. As intenções artísticas de “Hedwig” foram boas, eu sei. Mas como diz a grande filósofa, “the road to hell is paved* with good intentions”.

rios eá v o b e c “Re stas e f s a e r mails sob vulgo, di e, se não que não am eles ach festa.” a d o t s o g

HEDWIG E O centímetro enfurecido, com Paulo Vilhena e Pierre Baitelli 8 de outubro de 2010 Rio Show

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Expediente

Anna Bรกrbara Corbelli, Diana Vaisman, Karina Valente, Thiago Leal, Victoria Reis e Sara Andrade. 4 de outubro de 2010

08 de outubro de 2010 Rio Show

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trabalho de comunicação impressa

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