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Behaviorismo  uma corrente  experimentalista   do comportamento  Ana Rita Marques  Sofia Tavares  Patrícia Castanheira 


Ă?ndice


Behaviorismo   No início da década de 1900, as ideias de Wundt dominaram a psicologia. O

termo

inglês

“behavior”

significa

comportamento. A

palavra

behaviorismo

passou

a

significar

comportamentalismo, teoria comportamental ou ainda análise experimental do comportamento. Behaviorismo é pois a psicologia do comportamento, uma doutrina iniciada por Watson (1878 - 1958) que ele definiu como sendo “Um ramo experimental e puramente objectivo da ciência natural” e que surgiu nos Estados Unidos da América em 1913. Segundo esta teoria, o objecto da psicologia era exclusivamente limitado aos dados observáveis do comportamento exterior. Assim, com o Behaviorismo, a psicologia deixa de ser o estudo da vida mental e da alma e passa a ser o estudo da consciência ou dos factos conscientes, em que o comportamento é o objecto de estudo da psicologia no seu aspecto observável e mensurável, uma vez que pode ser reproduzido em diferentes condições. O behaviorismo desenvolve-se como reacção à introspecção e à Psicanálise, ou seja, contra os métodos e suposições gratuitas da psicologia funcional, que tentavam lidar com o funcionamento interior e não observável da mente. A sua origem

é

consequência

de

experiências

cuidadosamente efectuadas em animais, com estrita garantia científica, promovidas por John B. Watson e expostas no seu livro Psichology from the Standpoint of a Behaviorist (1919). Recebeu novo impulso com as experiências de Pavlov (1849 - 1936) sobre os reflexos condicionados dos cães (condicionamento clássico, que diz respeito às relações entre estímulos e respostas). Um estímulo, o ruído de


uma campainha, que primeiramente não excitava a produção salivar no animal, foi repetidamente ensaiado com o fornecimento de alimentos; depois de um certo número de ensaios, o cão respondia ao tilintar da campainha com intensa produção de saliva, mesmo que tal som não fosse seguido de uma toma de alimentos. Este tipo de aprendizagem denominase,

classicamente,

por

condicionamento.

Mais

tarde

impôs-se

o

condicionalismo instrumental. Por outro lado, as experiências de Skinner (o mais importante Behaviorista a seguir a Watson) pertenceram ao condicionamento operante que consistia num mecanismo que premia uma determinada resposta de um indivíduo

até

condicionado.

ele A

ficar

linha

estudo

deste

ficou

conhecida

de

Behaviorista como

Behaviorismo radical e, oposta à

sua

corrente,

Behaviorismo

ficou

o

metodológico.

Enquanto que a principal preocupação dos outros Behavioristas era os métodos das ciências naturais, a de Skinner era a explicação científica definindo

como

prioridade

para

a

ciência

do

comportamento

o

desenvolvimento de termos e conceitos que permitissem explicações verdadeiramente científicas. Idealizou uma jaula em que o animal para conseguir alimento aprendia a desviar uma barra. Este condicionamento serviu de modelo aos behavioristas para estudar as variações do processo de aprendizagem. Ao behaviorista interessa, sobretudo, o estímulo e a resposta. Aplica a sua atenção sobretudo ao estudo das forças exteriores que actuam sobre o animal, e à observação das relações entre este e aquelas. Deste modo, podem prever-se as reacções do animal, dirigindo os factores externos. É assim que os behavioristas diminuem a importância da observação

empírica

e

dos

métodos

objectivos,

verificando

que

a

consciência e a experiência não são factos sujeitos à observação, ou que possam ser submetidos ao regime experimental. J.B.Watson é considerado o autor do Behaviorismo, mas é importante referir que Watson foi, na verdade, o porta-voz dessa abordagem, devendo ser lembrado que antes de Watson, dois pesquisadores deram os primeiros


passos: o americano E. L. Thorndike (1874 - 1949) e o russo Ivan Pavlov (1849 - 1936). O sentido de Behaviorismo foi sendo modificado ao longo do tempo e hoje já não se entende o comportamento como uma acção isolada do sujeito, mas sim como uma interacção entre o ambiente (onde o “fazer” acontece) e o sujeito (aquele que “faz”), passando o Behaviorismo a dedicar-se ao estudo das interacções entre o sujeito e o ambiente, e às acções desse sujeito (respostas) e ambiente (estímulos). O behaviorismo aplica-se a várias áreas, sendo a principal área, a educação. É através de métodos de ensino programado, que se pretendia garantir a aprendizagem através do condicionamento operante, ou seja, numa relação de estímulo-resposta. Foi ainda influenciado por estudos comportamentais em vários campos da ciência, como a antropologia, a psicologia e a sociologia. Ao longo do tempo, com esta teoria da psicologia do comportamento, foram

surgindo

alguns

tipos

de

behaviorismo

como

é

exemplo:

o

behaviorismo clássico, behaviorismo metodológico, neobehaviorismo e o behaviorismo radical.

Principais Behavioristas: •

Ivan Pavlov;

Clark Hull;

Skinner;

Conwy Morgan;

J.R.Kantor;

John Watson;

Joseph Wolpe;

Albert Bandura;

Edward Tolman.


Behaviorismo Clássico O Behaviorismo Clássico (também conhecido como Behaviorismo Watsoniano) apresenta a Psicologia como um ramo puramente objectivo e experimental das ciências naturais. Sendo que a finalidade da Psicologia seria, então, prever e controlar o comportamento de todo e qualquer indivíduo. John Watson, psicólogo americano, desenvolveu a proposta de abandonar, ao menos provisoriamente, o estudo dos processos mentais, como o pensamento ou os sentimentos, mudando assim o foco da Psicologia para o comportamento observável, concreto. Para Watson, a pesquisa dos processos mentais era muito pouco produtiva, de modo que seria conveniente

concentrar-se

comportamento.

Assim,

o

naquilo

que

é

comportamento

objectivo, seria

observável,

qualquer

o

mudança

observada, num organismo, que fosse consequência de um estímulo ambiental anterior, especialmente alterações nos sistemas glandular e motor. Por esta ênfase no movimento muscular, alguns autores referem-se ao Behaviorismo Clássico como Psicologia da Contracção Muscular. O Behaviorismo Clássico partia do princípio de que o comportamento era modelado pelo paradigma pavloviano de estímulo e resposta conhecido como condicionamento clássico. Ou seja, para o Behaviorista Clássico, um comportamento é sempre uma resposta a um estímulo específico. Porém, esta proposta viria a ser superada por comportamentalistas posteriores. Ocorre referirem-se ao Comportamentalismo Clássico como Psicologia S-R (sendo S-R a sigla de Stimulus-Response (estímulo - resposta), em inglês). Watson era um defensor da importância do meio na construção e no desenvolvimento

dos

indivíduos.

Ele

acreditava

que

todos

os

comportamentos eram consequência da influência do meio onde estavam inseridos, a ponto de afirmar que, dado algumas crianças recém-nascidas arbitrárias e um ambiente totalmente controlado, seria possível determinar qual a profissão e o carácter de cada uma delas. Embora não tenha executado alguma experiência do tipo, por razões óbvias, Watson executou a clássica e controvertida experiência do Little Albert*, demonstrando o


condicionamento dos sentimentos humanos através do condicionamento responsivo. Em 1920, John Watson e a sua assistente desenvolveram

Rosalie

Rayner's,

um

estudo

experimental que assentava em três questões-base: 1. Uma

criança

pode

ser

condicionada a ter medo de um animal, ao mesmo tempo hque este emite um som alto? 2. Será que esse medo é transferido para outros animais e/ou objectos inanimados? 3. Qual é o tempo que esses medos persistem? Watson e Rayner escolheram o Albert B., de um hospital, para desenvolverem

este

estudo,

durante

cerca

de

nove

meses.

Anteriormente ao início da experiência, o Pequeno Albert foi sujeito a uma série de testes de base emocional, ao qual foi exposto, pela primeira vez, a um rato branco, um coelho, um cão, um macaco, a máscaras com e sem cabelo, etc. Durante este procedimento, o Pequeno Albert não demonstrou receio/medo em relação a qualquer um destes itens. Os testes do condicionamento do Pequeno Albert só foram realizados dois

meses

mais

tarde.

A experiência começou quando colocaram Albert num colchão, em cima de uma mesa, no meio de uma sala. De seguida colocaram um rato branco de laboratório, próximo de Albert, e ele foi autorizado a brincar com o rato. Neste ponto, a criança não mostrou medo do rato. Começou a chegar perto do rato, que se deslocava em torno dele. Depois, watson e Rayner provocaram um som alto, nas costas de Albert, batendo numa barra de aço suspenso, com um martelo, ao mesmo tempo em que o bebé tocava no rato. Como era de esperar, ao ouvir o barulho, Albert mostrava medo, acabando

mesmo

por

chorar.

Após várias tentativas com os dois estímulos, foi novamente


colocado, apenas o rato diante de Albert. Desta vez, Albert demonstrou emoções de aflição e pânico, começando a chorar e a tentar afastar-se do rato. Aparentemente, o menino tinha associado o rato branco (estímulo original neutro, agora estímulo condicionado) ao barulho (estímulo incondicionado) e estava a produzir uma resposta emocional de medo e/ou de chorar (originalmente a resposta incondicionada ao ruído, agora, a resposta condicionada para o rato). Estas experiências levaram a concluir que: •

A introdução de um som alto (estímulo incondicionado) resultou numa sensação de medo (resposta incondicionada), uma resposta natural.

A introdução de um rato (estímulo neutro) emparelhado com o som alto (estímulo incondicionado) resultou numa sensação de medo (resposta incondicionada).

Introduções sucessivas de um rato (estímulo condicionado) resultou numa sensação de medo (resposta condicionada). Aqui, a aprendizagem ocorre.

O que foi problemático sobre esta experiência foi que, o Pequeno Albert pareceu generalizar a sua resposta de modo a que, quando Watson colocou diante dele um coelho (não branco), dezassete dias depois da experiência original, Albert também ficou aflito. Ele most1rou reacções semelhantes quando lhe era apresentado um cachorro peludo, um casaco de pele, e mesmo quando Watson apareceu em frente dele utilizando uma máscara de Pai Natal, com bolas de algodão branco (como a barba), apesar de antigamente, este não ter medo. Pouco depois da série de experiências que foram realizadas, Albert foi retirado do hospital e, portanto, todos os testes foram interrompidos por um período de trinta e um dias. Watson queria insensibilizá-lo para ver se                                                              1

  Mais pormenores em: http//www.sussex.ac.uk/psychology/documents/harris_‐1979.pdf 


um estímulo condicionado poderia ser removido, mas sabia desde o início do estudo que não haveria muito tempo. No entanto, Albert deixou o hospital no dia em que os últimos testes foram feitos, e nunca ocorreu a insensibilização, portanto, a oportunidade de desenvolver uma técnica experimental para a remoção do Conditioned Emotional Response foi negado. Nada se sabe da restante vida de Albert1. É importante notar que Watson em momento algum nega a existência de processos mentais. Para Watson, o problema no uso destes conceitos não é tanto o conceito em si, mas a inviabilidade de, à época, poder analisar os processos mentais de maneira objectiva. De facto, Watson não propôs que os processos mentais não existissem, mas sim que o seu estudo fosse abandonado, mesmo que provisoriamente, em favor do estudo do comportamento observável dos indivíduos. A experiência que elucidou a existência do condicionamento clássico envolveu a salivação condicionada dos cães do fisiólogo russo Ivan Pavlov2. Num estudo sobre a acção de enzimas no estômago dos animais (que lhe dera um Prémio Nobel), interessou-se pela salivação que surgia nos cães sem a presença da comida. Pavlov queria elucidar como eram adquiridos os reflexos condicionados.

Os cães

salivam naturalmente

por comida; assim, Pavlov chamou à correlação

entre

o

estímulo

incondicionado (comida) e a resposta incondicionada (salivação) de reflexo incondicionado. Por outro lado quando um estímulo não provoca qualquer tipo de resposta, designa-se por estimulo neutro

(som da campainha).

A experiência de Pavlov consistiu em associar um estímulo não condicionado (comida) com a apresentação de um estímulo neutro (som de uma

campainha). Após

repetição

a desta

                                                             2

 Ivan Pavlov, fisiologista e médico russo, criador da Teoria Dos Reflexos Condicionados. 


asso ociação de e estímulos s verificou u-se que o cão aprrendeu a s salivar perrante o es stímulo que antes não provoc cava qualq quer respo osta (neuttro) mesm mo na ausê ência do estímulo incondiciona ado (comida). Assim,

este

co omportame ento

serria

denom minado

d de

resposta

cond dicionada a (aprend dida). 1. Som da d campainha (E. ne eutro)→ Ausência de e resposta a; 2. Comid da

(E.

in ncondicionado)

→ Salivação o

(R.

inc condiciona ada);

(reflex xo Incondiicionado) 3. Som da d Campainha (E. Neutro) N + Comida (E. Incond dicionado)) → Salivação (Resp posta incon ndicionada a); 4. ... 5. ... 6. ... 7. Som

da camp painha (E E. Condiciionado) → Salivaç ção (Resp posta

Condic cionada)

Explican ndo melhor: um estímulo e indiferente i e, combin nado com um estím mulo capa az de actiivar um reflexo r inc condicionado, gera uma resp posta incondicionada a e, depoiis de algum tempo, o estímulo indifere ente, por si s só,


é capaz de provocar resposta que pode, então, ser considerada como condicionada. Esses estímulos indiferentes podem vir tanto do meio externo (estímulos sonoros, luminosos, olfactivos, tácteis, térmicos) como do meio interno (vísceras, ossos, articulações). As respostas condicionadas podem ser motoras, secretoras ou neurovegetativas3. Podem pois, ser condicionadas reacções voluntárias ou reacções vegetativas involuntárias. Podemos fazer com que respostas involuntárias apareçam de acordo com a nossa vontade, se usarmos o condicionamento

adequado.

As

respostas

condicionadas

podem

ser

excitadoras (com aumento de função) ou inibidoras (com diminuição de função). Existem diversos exemplos de como se pode modificar, através do condicionamento, a fisiologia do animal e do ser humano.

     

                                                             3

 Neurovegetativo – que é relativo ao sistema nervoso. (Ex: perturbação neurovegetativa) 


Behaviorismo Metodológico A delimitação do objecto de estudo da Psicologia deixa transparecer muito a respeito da filosofia da ciência e metodologia que sustentam o Behaviorismo Metodológico. Watson apoiava-se

num determinismo

materialista. Ou seja, apenas fenómenos físicos causariam fenómenos físicos, não havendo espaço para uma ontologia diferente. Outra característica do behaviorismo metodológico é a defesa da verdade por consenso. Isto é, o objecto de estudo tem que ser observável por mais de uma pessoa e a verdade a seu respeito é fruto de pesquisas e experimentações cujos resultados são consensuais entre os que se encontram a pesquisar.

É por essa razão, pelo menos, que Watson nega

veementemente a introspecção como método da Psicologia. O uso da introspecção seria o maior obstáculo ao progresso da Psicologia enquanto ciência. A mente, a consciência, as emoções, etc., por serem inobserváveis, foram ignoradas – ou, ao menos, evitadas - por Watson nos seus estudos. Nada

poderia

ser

dito

a

respeito

desses

fenómenos

sem

ferir

os

pressupostos metodológicos do seu behaviorismo. Por isso, há um debate sobre a sua posição em relação ao problema mente-corpo. Seria Watson um dualista? Um epifenomenalista? Trata-se de uma questão em aberto. A definição de conceitos em termos observáveis também é de extrema importância para o behaviorismo metodológico. O pensar, por exemplo, para Watson, seria uma resposta não-observável, produto da linguagem, verbal ou não, do organismo e, em decorrência disso, não passível de experimentação científica. O método de Watson para estudar tal comportamento verbal é semelhante, na prática, ao da introspecção. Muda-se, todavia, a interpretação do fenómeno estudado. Ao passo em que na introspecção há um experimentador e um observador que relata as suas experiências internas, no experimento behaviorista metodológico, o experimentador é o observador: ele observa o comportamento do sujeito experimental enquanto este relata as suas experiências internas. Nesse sentido, para o behaviorismo metodológico, descrever o comportamento observável do sujeito é explicar tal comportamento. Portanto, para o


behaviorismo metodológico, definir um fenómeno, um comportamento, um objecto, um facto da natureza, é descrevê-lo em termos objectivos. Watson, adepto do evolucionismo, realizou pesquisas tanto com seres humanos quanto com outros animais. As suas pesquisas com crianças foram as mais célebres. Levado pela discussão a respeito da questão do inato versus aprendido na psicologia do desenvolvimento, Watson resolveu aplicar a sua metodologia em crianças recém-nascidas para, assim, levantar dados que delimitassem o que seria aprendido e o que seria herdado por elas. Ele traçou, passo a passo, o desenvolvimento de reações dessas crianças a diversos estímulos. Descobriu um grande repertório de atividades reflexas (chorar, piscar, fechar o punho, espirrar, etc.) que apareciam numa sequência

bem

definida

em

todas

as

crianças

participantes

dos

experimentos. Localizou, também, três tipos de respostas emocionais (que foram definidas operacionalmente): medo, raiva e amor. A partir dessas experiências com crianças Watson desenvolveu parte do seu arcabouço conceitual. Pesquisou a respeito do reflexo condicionado (aprendido)

e

observou

fenómenos

como

a

transferência

e

o

descondicionamento. O primeiro diz respeito à capacidade dos organismos para generalizar as funções dos estímulos para estímulos semelhantes. Um caso célebre, resultado de um experimento feito pelo próprio Watson, mostra,

de

forma

clara,

o

que

isso

significa.

Outra preocupação de Watson diz respeito à possibilidade de descondicionamento. Ou seja, seria possível à criança antes citada desaprender a ter medo do rato branco e de objectos semelhantes a ele? Segundo Watson, sim. Em situações experimentais ele fez com que crianças desaprendessem a ter medo dos mais diversos objectos. Watson, tomado pelo sucesso dos seus experimentos, chegou a negar a existência de

qualquer

influência

hereditária

nos

comportamentos

complexos dos adultos. Segundo ele, esses comportamentos seriam resultantes da aprendizagem (condicionamento) a partir das respostas básicas,

como

as

localizadas

nas

crianças

recém-nascidas

de

seus

experimentos, não aprendidas (reflexos). Watson não afirma que o organismo é uma tabula rasa, mas sim que o pequeno repertório de reflexos das crianças já é o bastante para


possibilitar o surgimento de comportamentos complexos. Ele é contra, portanto, as ideias de “capacidades”, “dons”, “predisposições”, “talentos”, comummente presentes nos discursos da sua época.


O neobehaviorismo prossegue a tradição behaviorista de uma pesquisa essencialmente analítica, embora se foque na preocupação com a mediação. Nesta, a aprendizagem é estudada a partir das suas menores partes componentes. Na mesma linha, as suas variáveis de interesse restringem-se às objectivamente observáveis. Hull  Hull e Spence, criam sistemas hipotéticos dedutivos altamente formalizados que enfatizam principalmente os eventos que ocorrem entre o estímulo (E) e a resposta (R). São fundamentalmente sistemas do tipo E-M-R, o que os caracterizam como neobehavioristas. Dadas as suas semelhanças passaram a ser conhecidos como Modelo Hull-Spence. Preocupado com a mediação, Hebb tem no conjunto neuronal (CN) o seu conceito central. É definido como uma estrutura hipotética formada por dois ou mais neurónios (que podem ser milhares) que se estimulam reciprocamente formando uma alça reverberatória. Este diz-nos que o pensamento e sentimentos não podem ser reduzidos a um mero processo de mediação. No entanto, o conceito de mediação significou um claro avanço nas posições behavioristas, sem que com isto houvesse perda da objectividade (Lefrancois, 1972). Tolman (1948), Festinger (1957) e Bandura (1971) são autores que pelas suas ideias representam uma posição intermediária entre as teorias comportamentais e as cognitivistas. O primeiro (Tolman), ao apontar um comportamento teleológico (dirigido a um fim, organizado com um objectivo) nas suas cobaias. O segundo (Festinger), ao tomar a dissonância entre a crença e o comportamento como variável de estímulo a induzir respostas (Teoria da Dissonância Cognitiva). Já Bandura, apresenta uma teoria eclética da socialização humana que considera a aprendizagem do comportamento social como decorrente de variáveis comportamentais, cognitivas e ambientais.


Texto 1_Skinner: o papel do meio ambiente

Tais foram os antecedentes dos quais nasceu a psicologia do estímulo-resposta. John B. Watson usou o princípio do reflexo condicionado reunido com a noção anterior de hábito. Sustentava que animais e homens adquiriam

novos

comportamentos

através

do

condicionamento

e

continuavam a se comportar enquanto os estímulos apropriados estivessem agindo. Esta posição científica foi desenvolvida sistematicamente por Clark Hull. E. B. Holt sumariou-a assim: “Somos, de fato, cutucados ou aguilhoados pela a vida afora”. Não era fácil, entretanto, demonstrar que isso se aplicava a todos os comportamentos. Nem identificar estímulos correspondentes para todas as respostas. Algumas condições ambientais relevantes, tais como falta de alimento, não agiam como se fossem estímulos. O conceito original foi sendo substituído por algo muito menos preciso, chamado de “situação estimuladora global”. De outro lado, igualmente perturbador, era o fato de que vários estímulos pareciam não ter efeito, embora obviamente atingissem a superfície do organismo. Inventou-se, então, um novo tipo de estímulo, chamado “pista” ou “indício”, que tinha a curiosa propriedade de ser eficaz, apenas quando o organismo necessitava dele. (Os etólogos resolvem um problema similar da mesma forma, quando atribuem o comportamento não aprendido a mecanismos “gatilho”, estímulos que agem apenas quando o organismo está carregado ou pronto para responder). Essa psicologia ficou sendo uma colcha de retalhos, destinada a salvar a fórmula estímulo-resposta e teve o efeito de levar a determinação do comportamento de volta para o interior do organismo. Quando não se podiam

encontrar

estímulos

externos,

havia

que

inventar

estímulos

internos. Se a falta de alimento, no ambiente, não pode ser considerado um estímulo, era o caso de imaginar que, ao menos, gerava um “impulso” que espicaçasse o organismo por dentro. (A descoberta dos espasmos de fome parecia confirmar esta visão, mas uma estimulação comparável pelas vesículas seminais dilatadas, que Watson pensou pudesse explicar o


comportamento sexual, era menos plausível.) Variáveis emocionais levaram a criação de outros estímulos internos: o medo, por exemplo, tornou-se um impulso adquirido. Até mesmo os instintos tornaram-se estímulos, ponto de vista defendido, o que é muito curioso por Freud. Também tiveram que ser inventados processos e mecanismos interiores. Se um estímulo conspícuo parecesse não ter efeito, era porque um porteiro central – uma espécie de demônio de Maxwell – havia se recusado a deixá-lo entrar. Quando o organismo parecia comportar-se apropriadamente em relação a estímulos há muito desaparecidos, dizia-se que respondia a cópias desses estímulos que tinham ficado armazenados em sua memória. Muitas destas atividades centrais eram versões mal disfarçadas dos processos mentais que a psicologia de estímulo-resposta tinha prometido exorcizar. De fato, continuaram a ser chamadas de mentais (ou, em mudando a moda, cognitivas), numa formulação similar, derivada da teoria de informação. Substituam-se estímulos por entrada e resposta por saída, e certos problemas dimensionais estarão simplificados. Isto promete, mas não prometeu o suficiente, porque processos centrais ainda são necessários. As saídas seguem-se às entradas só depois de a entrada ter sido “selecionada”, “transformada”, “armazenada”, “recuperada” etc. (…)

(Adaptado de: http://www.terapiaporcontingencias.com.br/pdf/skinner/opapel_do_meio_a mbiente_textos.pdf)


Texto 2_Skinner: condicionamento respondente

Como processos evoluídos através dos quais o comportamento se modifica durante a vida do indivíduo, a imitação e a modelação o preparam apenas para comportamento que já tenha sido adquirido pelos organismos que dão o modelo. Há outros processos que evoluíram que colocam o indivíduo sob controle de ambientes aos quais ele é exposto. Um deles é condicionamento respondente (pavloviano ou clássico). Sob que condições ele poderia ter se desenvolvido? Vamos

considerar

o

exemplo

clássico

de

Pavlov:

um

som,

frequentemente seguido pela liberação de alimento, começa eventualmente a eliciar salivação. A salivação incondicionada é um reflexo evoluído. Os estímulos mais comuns são substâncias na boca, mas, num ambiente estável, o salivar diante da simples presença de determinado alimento também deve ter evoluído, assim como o apanhar e o comer um alimento evoluíram em resposta aos mesmos estímulos. No entanto, as contingências favoreceriam uma resposta mais forte ao sabor. O condicionamento respondente poderia ter se iniciado como uma variação que tornou as características visíveis do alimento ligeiramente mais prováveis de eliciar salivação. A saliva, então, teria sido secretada em resposta à visão do alimento, tanto como um reflexo fraco, resultante da selecção natural, como também como um reflexo condicionado. A versão condicionada poderia surgir em resposta a um estímulo (um som, p. ex.) que não tinha nenhum efeito relacionado à selecção natural. A salivação não sugere um forte valor de sobrevivência, e o argumento é mais convincente em relação à transpiração e à aceleração da pulsação, associadas com actividade vigorosa. Uma tendência evoluída para lutar ou fugir, à visão de um predador, poderia ser acompanhada por uma tendência evoluída para suar e aumentar a pulsação, mas existiriam mais transpiração e uma pulsação mais rápida durante uma fuga ou um ataque reais. Se, inicialmente, a transpiração e o aumento da pulsação ajudaram a preparar para uma fuga ou ataque eficazes, variações que conduziram ao processo

de

sobrevivência.

condicionamento Nestes

exemplos,

respondente o

teriam

condicionamento

tido

valor

respondente

de é

explicado como um aumento adicional na força de reflexos que não


evoluíram

completamente.

A

explicação

é

corroborada

por

certas

características do condicionamento respondente que são, frequentemente, negligenciadas. O condicionamento reflexo pavloviano não tem valor de sobrevivência, a não ser que seja seguido pelo reflexo incondicionado. Embora se possa demonstrar que a salivação é, eventualmente, eliciada por um som, não existe vantagem para o organismo, a menos que se siga a apresentação do alimento. Similarmente, uma inclinação para suar ou para aumentar o batimento cardíaco, em resposta ao aparecimento de um predador, também não tem valor, a menos que uma actividade vigorosa se siga. O alcance do condicionamento respondente é muito mais amplo do que seu papel no reflexo condicionado. Os desencadeadores (“gatilhos”) estudados por etólogos são condicionados mais ou menos da mesma maneira, e o imprinting é, no mínimo, similar. Há um óbvio valor de sobrevivência no comportamento de um patinho

quando

ele

segue

sua

mãe.

As

características

do

objecto

desencadeador poderiam ter sido precisamente definidas, mas há menor envolvimento genético, se o seguir for desencadeado por qualquer objecto grande que se mova. No mundo do patinho, tal objeto é quase sempre a mãe. A especificação menos rigorosa é suficiente, porque a pata-mãe é uma característica consistente do ambiente natural do patinho. O imprinting é um tipo de confirmação estatística de uma instrução genética não muito específica.


Texto 3: “JOHN  B.  WATSON  E  A  DIVULGAÇÃO  CIENTÍFICA  EM  PSICOLOGIA     John  B.  Watson  é  uma  figura  muito  conhecida  na  história  da  psicologia.  A  maioria  dos  autores  o  aponta  como  fundador  do  movimento  behaviorista.  Entretanto,  poucos  sabem  que  ele  foi  um  dos  grandes  defensores  da  transformação  da  psicologia  numa  disciplina  aplicada  (BUCKLEY,  1989;  COHEN,  1979;  MORRIS;  TODD, 1999), movimento esse por vezes indicado como responsável  pela independência da psicologia em relação à filosofia (ABIB, 1998).  Além  de  um  grande  defensor  da  psicologia  como  um  campo  de  aplicação,  e  talvez  justamente  por  defender  este  compromisso,  Watson  foi  um  grande  disseminador  dessa  área  do  saber  para  o  público  leigo  (COHEN,  1979).  Dentre  as  dezenas  de  entrevistas  no  rádio, textos em jornais e em periódicos literários, Watson escreveu  dois  livros  que  tinham  o  grande  público  como  alvo,  The  ways  of  Behaviorism  [Os  Caminhos  do  Behaviorismo]  (WATSON,  1928)  e  o  Psychological  Care  of  Infant  and  Child  [Cuidado  Psicológico  do  Infante  e  da  Criança  ‐  doravante  apenas  Psychological  Care]  publicado  há  exactos  80  anos  (WATSON,  J.;  WATSON,  R.,  1928)  e  traduzido  para  o  português  em  1934  (WATSON,  J.;  WATSON,  R.,  1934[1928]),  texto  este  que  pode  ser  considerado  um  dos  primeiros  livros de divulgação científica na psicologia e que será o foco desta  resenha.     O  carácter  polémico  do  livro  Psychological  Care  e  o  impacto  que teve na disseminação da psicologia em geral e do Behaviorismo  em  específico  justificam  essa  resenha  e  devem  servir  de  alerta  para  os profissionais que se dedicam à divulgação científica em psicologia  hoje, explicando, portanto, a retomada dessa obra 80 anos depois de  sua  publicação.     Watson  ficou  muito  conhecido  pela  publicação  do  chamado  "manifesto  behaviorista":  um  conjunto  de  palestras  publicadas  em  forma  de  artigo  em  1913  no  qual  defendeu  o  abandono  da  introspecção e a adopção da observação directa do comportamento  como  o  único  método  possível  para  uma  psicologia  científica.  O  manifesto  behaviorista  coordenou  muitas  das  manifestações  esparsas  que  já  vinham  criticando  o  método  introspectivo  e  se  tornou um marco histórico na psicologia. A grande reivindicação de  Watson,  tanto  no  manifesto  quanto  em  outras  de  suas  obras  (eg.  WATSON,  J., 1928, 1930) era a transformação da  psicologia, através  da  adopção  da  observação  do  comportamento  como  método  privilegiado,  numa  ciência  capaz  de  prever  e  controlar  o  comportamento,  e  que,  portanto,  teria  grandes  aplicações  práticas.  Com esses propósitos, (1) o apelo à observação e experimentação do  comportamento, (2) a��rejeição de conceitos mentais inobserváveis e  (3)  a  aplicação  prática  dos  conhecimentos  produzidos  pela  psicologia tornaram‐se elementos marcantes de sua proposta.     Em 1920, devido a certas condutas pessoais inaceitáveis à época  (relacionamento  extraconjugal  com  uma  de  suas  alunas,  Rosalie 


Reiner,  colaboradora  no  projeto  do  Psychological  Care  e  com  quem  posteriormente  viria  a  casar)  Watson  é  convidado  a  retirar‐se  da  Johns Hopkins University onde lecionava. Após esse ocorrido, muda‐ se  para  Nova  York  e,  não  tendo  conseguido  outras  posições  em  universidades,  começa  a  trabalhar  com  marketing  na  J.  Walter  Thompson.  Entretanto,  sendo  amplamente  conhecido  como  um  dos  grandes  nomes  da  psicologia  da  época  e  ganhando  alguma  publicidade com o trabalho com marketing, é convidado a falar sobre  diversos  assuntos  do  cotidiano  e  da  psicologia  no  rádio  e  em  periódicos  populares,  expondo,  via  de  regra,  opiniões  polêmicas  sobre  esses  assuntos.  A  partir  de  então,  Watson  diminui  suas  publicações para o público acadêmico e investe gradativamente mais  em publicações para o público leigo de tal modo que, em 1925, seus  contatos com a academia resumem‐se a algumas palestras, resenhas  de  livros  acadêmicos  e  a  co‐orientação  de  Mary  Cover  Jones  num  trabalho  não  concluído.  Cohen  (1979)  e  Logue  (1994)  sugerem  que,  ao afastar‐se do ambiente acadêmico e privado da crítica promovida  por  esse  ambiente,  Watson  vai  gradativamente  extrapolando  seus  resultados  e  interpretações  para  ambientes  e  situações  onde  seus  dados  não  são  suficientes  para  sustentar  suas  teorias.  Se  considerarmos  que  nas  primeiras  décadas  do  século  XX  a  avaliação  da repercussão de uma fala no rádio era o número de cartas recebidas  pela  emissora  comentando  um  programa  ou  entrevista  (LAFOLLETTE,  2002),  o  que  provavelmente  também  era  verdade  para  os  periódicos  populares  impressos,  é  razoável  supor  que  após  sair  da  Johns  Hopkins  University  o  controle  exercido  pela  crítica  acadêmica  foi  transferido  gradativamente  para  a  repercussão  que  suas falas provocavam no público leigo até porque seu trabalho com  marketing  exigia  certa  visibilidade  (BUCKLEY,  1989;  LOGUE,  1994),  essa  transferência  se  torna  importante  porque  o  reconhecimento  acadêmico  era  contingente  a  adequada  formulação  de  teorias  baseadas em dados e a repercussão no público leigo era contingente  a  discrepância  entre  os  padrões  culturais  vigentes  e  a  proposta  publicada.  O  Psychological  Care  é  um  dos  seus  últimos  livros  de  divulgação  publicados  e,  portanto,  pode‐se  supor  que  seja  o  mais  influenciado  pela  repercussão  pública  em  detrimento  do  reconhecimento acadêmico. Além disso, os estudos mais conhecidos  e disseminados de Watson são aqueles sobre o condicionamento de  emoções em crianças e o campo mais direto para a aplicação de tais  estudos é a criação de filhos, o que torna o Psychological Care a obra  de  divulgação  científica  mais  importante  de  Watson  segundo  seu  próprio projecto de psicologia (WATSON, 1930).      (Texto retirado de: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S198402922008000200023&script=sci_arttext)


Texto 4: “Behaviorismo Radical x Behaviorismo metodológico: Paradigmas da abordagem comportamental” A Psicologia não possui uma única unidade conceitual e / ou metodológica, isso por que até hoje, tal ciência não chegou a um acordo de como estudar o seu objecto de estudo (o homem), dentre algumas abordagens, podemos destacar como unidades de analise deste objecto de estudo: o comportamento, a mente, a existência, a personalidade, a subjectividade,

dentre

outras

que

surgem

frente

aos

avanços

e

investimentos científicos que sustentam o desenvolvimento desta ciência. […] Behaviorismo comportamental, comportamento, cognitivo

radical,

analise analise

behaviorismo

do

metodológico,

comportamento,

experimental

comportamental,

do

psicologia

analise

aplicada

comportamento,

analítico

psicologia do

psicologia

comportamental,

psicologia cognitivista, psicologia experimental, psicologia da aprendizagem, comportamentalismo....quem

passou

pela

graduação

de

psicologia

certamente se deparou com uma destas terminologias que muitas vezes acabam

sendo

interpretadas

como

uma

única

coisa:

Abordagem

comportamental. […] Skinner (behaviorismo radical) contrapõe Watson (behaviorismo metodológico) conforme veremos na sequência deste artigo. É importante deixar claro que há ainda, “ramificações” dentro destas abordagens que servem para estudos específicos, como por exemplo: o Behaviorismo Radical é a filosofia da analise do comportamento, analise aplicada do comportamento,

psicologia

experimental,

psicologia

analítico

comportamental, psicologia cognitivo – comportamental, ou seja, enquanto filosofia, visa trazer subsídios epistemológicos para um sólido embasamento teórico, que posteriormente, fornecerá meios para o desenvolvimento de experimentos (psicologia experimental, estudos de laboratório, etc.), de formação

de

conceitos

(analise

do

comportamento,

psicologia

comportamental, etc.) e aplicação de conceitos (analise aplicada do comportamento, psicologia analítico – comportamental, etc.), assim como o behaviorismo

metodológico

é

a

filosofia

do

comportamentalismo.

Segundo Malerbi (2003), para o behaviorismo metodológico, o ambiente


refere-se apenas às condições externas, neste sentido tal behaviorismo considera importante o critério de “verdade” via consenso público, ou seja, o qual só pode ser alcançado para eventos externos e públicos (visto igualmente por mais pessoas além do observador). Na medida em que os aspectos do ambiente interno não são, e não podem ser observados por observadores independentes, eles não poderiam, segundo essa abordagem, ser objecto de uma ciência, neste sentido, defendem que o objecto de estudo seja somente o comportamento observável, mesmo que não ignorasse os sentimentos, subjectividade, Watson não acreditava que estes deveriam ser unidades de analise sobre o homem, enquanto um objecto de estudo. […] Oito dias antes da sua morte, Skinner recebeu da APA – American psychologist

Association

o

prémio

por

“Destacada

a

contribuição

à

psicologia ao longo da vida”, deste a fundação desta associação (1974), Behavioristas do Brasil e do Mundo, cerca de 6.500 espalhados pelo planeta, segundo Hubner (2005), vêem tomando os cuidados científicos oriundos

da

filosofia

do

behaviorismo

radical,

abandonando

o

comportamentalismo de Watson, que no contexto histórico – cultural de hoje, deixa como marca, contribuições para ter gerado em segunda instância, a ciência do comportamento de Skinner, mais completa, cientificamente adaptada para abarcar as demandas que exijam uma intervenção comportamental.

(Adaptado de: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid= 318)


Texto 5: “Neo-behavioristas” […] …iremos

conceptualizar

a

aprendizagem,

através

de

dois

autores

pertencentes a duas teorias psicopedagógicas que marcaram o século XX: Neo-behaviorismo (Skinner) e Cognitivismo (Bruner). A aprendizagem é um conceito essencial, tanto na Psicologia como na Pedagogia, envolvendo várias variáveis que se combinam de diversas formas estando, ainda, sujeita a factores internos e externos, individuais e sociais. Ao longo do tempo foram vários os psicólogos e pedagogos que pesquisaram a aprendizagem e desenvolveram teorias científicas a esse respeito. Assim, apareceram, entre outras, duas teorias conceptuais sobre a aprendizagem:

O

Neo-behaviorismo

protagonizado

por

Skinner

e

o

construtivismo social representado por Bruner. Tanto Skinner como Bruner discutem temas da aprendizagem que são de importância prática para o professor no contexto da sala de aula. Todavia, “quiçá” fruto de uma base de trabalho - a teoria de Skinner resulta principalmente de trabalhos com animais; os dados de Bruner têm origem em observações de crianças em situações de aprendizagem -, temos concepções diferentes sobre a aprendizagem. Assim, o Neo-behaviorismo, teoria descritiva, coloca acento sobre a dimensão quantitativa dos saberes. Daí o parcelamento dos conteúdos e das tarefas de aprendizagem, tal como a hierarquização dos conhecimentos a adquirir numa sequência linear e cumulativa, muitas vezes sem visão de conjunto. Skinner (1904-1990), professor e investigador de Psicologia, interessouse pelo estudo do comportamento animal com aplicações à conduta humana, onde, nas palavras de Sprinthall “O meio - e só o meio -controla o nosso comportamento” (Sprinthall,1993:233). Com efeito, inspirado no behaviorismo clássico idealizado por Watson, na reflexologia de Pavlov e apoiado nos trabalhos de Thorndike, criou a moderna teoria comportamentalista da aprendizagem (neobehaviorismo).


Para o efeito, de acordo com Sprinthall, Skinner distingue as respostas em duas categorias: “operantes (respostas que não necessitam de qualquer estímulo para serem desencadeadas) e respondentes (respostas que precisam

de

um

estímulo

incondicionado

a

fim

de

serem

activadas)”(Sprinthall,1993:244). Trata-se, portanto, de uma teoria que se interessa pelo resultado da aprendizagem, através do estudo das respostas das pessoas ao ambiente, passíveis de observação e medida. O modelo Neobehaviorista de Skinner interessou-se, também, pelos processos de retenção e transferência da informação. A retenção pode ser melhorada através do aumento e da variedade de estímulos associados a uma resposta particular. A transferência é influenciada criticamente pela semelhança entre a tarefa apreendida e a tarefa para a qual a transferência é feita. Tanto uma como a outra constituem meios para que o aluno progrida na aprendizagem de objectivos pré-estabelecidos. Numa

aprendizagem

assente

em

associações

entre

estímulos

e

respostas, no desejo de uma objectividade científica alicerçada num empirismo lógico, na identificação do indivíduo como “tábua rasa”, conduz a um modelo pedagógico onde o aluno tem um papel passivo e o professor converte-se num executor de objectivos prescritos. Ao

impor

uma

aprendizagem

exclusivamente

dependente

do

ambiente/meio, Skinner induz ao conceito de aprendizagem operante, a qual se baseia, essencialmente, no conceito da administração de reforços positivos.“ O reforço, como todos os conceitos de Skinner, é defendido estritamente em termos operacionais, isto é, em termos do modo como é observado ou medido.” (Sprinthall e Sprinthall, 1993:226). Por

exemplo,

a

frequência

de

uma

conduta

aumenta

quando

acompanhada de reforços positivos, isto é, ao identificar uma resposta que se deseja, devemos reforçar o indivíduo cada vez que a exibe. Todavia, o condutivismo protagonizado por Skinner sofre hoje um sem fim de críticas: fundamentalmente critica-se hoje o deixar de lado o mais genuíno da dimensão psicológica do homem, isto é, as estruturas e os processos cognitivos. Torna-se evidente que reduzir a Psicologia humana a uma análise de estímulos e respostas é um esquema demasiado estreito para a grandeza da questão. Por isso, este modelo sofreu críticas e daí, também, o surgimento de outro representante contemporâneo da escola


cognitivista-gestaltista, associado mais ao conhecimento da mente e da conduta humana. […] Em síntese, de acordo com a teoria neo-behaviorista, a aprendizagem é considerada como um processo linear, um acumular de conhecimentos, realizando-se

na medida

conhecimentos

mais

em

simples

que para

se os

passa mais

progressivamente

complexos.

A

de

definição

estruturada de objectivos cada vez mais complexos para o aluno progredir na aprendizagem, conduziu à introdução da noção de pré-requisito como capacidade já adquirida e fundamental para a aquisição da aprendizagem seguinte.

Uma

vez

que

os

objectivos

são

definidos

em

termos

comportamentais, toda a aprendizagem se encontra orientada para o atingir dos resultados/produtos, em detrimento dos processos. Ao

contrário,

a

aprendizagem

surge-nos,

numa

perspectiva

construtivista, como um processo activo, interactivo e contínuo do próprio sujeito, utilizando este as suas experiências e conhecimentos prévios em situações novas, construindo, progressivamente, sozinho ou com a ajuda do outro e/ou de acordo com os ambientes/contextos, os seus próprios conhecimentos.

Neste

sentido,

a

aprendizagem

é

diferenciada

e

individualizada. […] Por exemplo, podemos encontrar aplicações da teoria de Skinner, quando queremos fortalecer a auto-confiança em pessoas excessivamente tímidas. Isto é, no campo educativo, um professor que conheça as técnicas de condicionamento operante pode ajudar os alunos a vencer a sua timidez, adquirindo uma conduta mais activa na aula. Basta, por exemplo, que aprove de algum modo a conduta de um aluno para que esta aumente as probabilidades de repetir-se. […] Num último parágrafo, diremos que, a Teoria de Skinner está mais apropriada na aprendizagem de factos simples, com recurso à memorização e/ou descrição de conceitos isolados.” […] (Retirado de: http://ruijorgecgomes.blogs.sapo.pt/852.html)


Vídeos: behaviorismo

http://www.youtube.com/watch?v=4TyYX5C8uuI http://www.youtube.com/watch?v=UBjv_fVSyQY http://www.youtube.com/watch?v=vMVaxktVJz4  

Glossário: Behaviorismo “Behavoir”: comportamento, comportamentalismo, Teoria Comportamental ou Análise Experimental do Comportamento ou ainda, Análise do Comportamento (Watson). Behaviorismo

radical

(Skinner):

designa

uma

filosofia

da

Ciência

do

Comportamento por meio da análise do comportamento ( comportamento operante) onde actua sobre o ambiente.

Behaviorismo metodológico (Watson) : designa um método de ciência, apenas os comportamentos observáveis são passíveis de serem analisados (comportamento reflexo ou respondente). O comportamento é produzido por estímulos do ambiente.

Condicionamento operante: mecanismo que premia uma determinada resposta de um indivíduo até ele ficar condicionado.

Condicionamento clássico: diz respeito às relações entre estímulos e respostas. Chamados

de

‘não

voluntário’,

respostas

são

produzidas,

por

estímulos

antecedentes do ambiente. São acções reflexas ou respondentes de comportamento involuntário (ambiente-sujeito), independente da ‘aprendizagem’. Incluem-se aí as respostas biológicas do organismo ao ambiente.


Behaviorismo: Princípios básicos

Exercícios

1. Qual é o papel do ambiente para a análise do comportamento? R: Ambiente para a análise de comportamento tem um significado amplo que abrange o espaço físico, social e interno do sujeito, através do estudo do comportamento pela mudança no ambiente é possível prever qual será o comportamento.

2. Um dos objectivos da análise comportamental é prever e controlar o comportamento humano. Discuta esta afirmação. R: As consequências dos comportamentos produziram o reforço ou a sua extinção. Ter essa análise do comportamento torna possível prever qual será a acção emitida pelo sujeito.

3. Qual é o objecto de estudo da análise experimental do comportamento? R: O objecto de estudo da análise experimental corresponde à interacção entre o sujeito e o ambiente, prever o que determinada alteração no ambiente provoca no seu comportamento.

4. Porque é que não podemos lidar com os termos “análise do comportamento” e “behaviorismo” como sinónimos? R:Não podemos lidar copmo sinonimos porque behaviorismo é uma filosofia,não uma ciência, que rege a análise do comportamento.


5. Quais

foram

as

principais

objecções

de

Skinner

ao

Behaviorismo metodológico de Watson? R: Ao dualismo de Watson a separação do físico e do mental, nega a existência das emoções e sentimentos. Watson teve uma ideia primitiva sem pode provar muitas das suas teorias.

6. Qual

é

a

importância

dos

eventos

privados

(sonhos,

pensamentos, sentimentos) para o behaviorismo radical? R: Os eventos privados podem eliciar um comportamento mas não explicam ou justificam a sua ocorrência.

7. Skinner

rompe

com

o

dualismo,

com

as

concepções

mentalistas. Discuta esta afirmação. R: Skinner não nega a existência das emoções, sentimentos e ideias, considera físico e mental um só organismo, questiona que possam ser a causa do comportamento, por isso rejeita a mente como agente causador.


ReferĂŞncias:

http://historicofilosoficas.blogspot.com/2008/03/vidas-watson-john.html http://translate.google.pt/translate?hl=ptPT&langpair=en|pt&u=http://www.brynmawr.edu/Acads/Psych/rwozniak/w atson2.html&prev=/translate_s%3Fhl%3DptPT%26q%3Djohn%2Bwatson%2Bbehaviorismo%26tq%3Djohn%2Bwatson %2Bbehaviorism%26sl%3Dpt%26tl%3Den http//www.sussex.ac.uk/psychology/documents/harris_-1979.pdf http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid= 318 http://ruijorgecgomes.blogs.sapo.pt/852.html http://www.terapiaporcontingencias.com.br/tx_skinner.php http://www.bdrum.com/p130grp5/albert.html


Behaviorismo teste