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PARTIDO E REFERENCIAL TEÓRICO Para a concepção projetual adotamos como referencial teórico Kevin Lynch, com seus conceitos de mapas mentais e legibilidade, ou seja, a facilidade com que a cidade seja reconhecida em suas partes diferentes mantendo um rigor, um padrão coerente. A formação dos mapas mentais é importante para um entendimento geral da cidade, do bairro. Pontos nodais, limites, vias, caminhos, marcos são fundamentais para que a legibilidade ocorra. Sendo assim, a boa divisão das tipologias, usos e pontos centrais dentro de um bairro ou cidade é de extrema importância para que esses conceitos de Lynch sejam aplicados. Não criar um bairro/cidade totalmente regular mas sim criar um bairro/cidade onde as pessoas possam andar e reconhecer suas diferentes partes com facilidade, tomando como referência alguns lugares/edificios, como os caminhos, as escolas, as esquinas, em um misto de usos e visual, não criando uma paisagem idêntica ao longo de toda cidade/bairro. Não criar uma paisagem idêntica se enquadra no conceito de Visão Serial de Gordan Cullen, outro referêncial teórico que adotamos. Nesse conceito, Cullen diz que a visão serial é a maneira como percebemos visualmente um ambiente considerando nossos deslocamentos no espaço. Ao caminhar pelo espaço urbano, adotamos pontos de vistas diversificados. De cada ponto de vista, uma nova perspectiva se descortina e nossa percepção capta os possíveis contrastes existes. Assim, Cullen conclui que o percurso por uma rua retilínea e com arquitetura repetitiva é uma experiência muito menos rica e excitante do que o percurso por uma rua sinuosa e com diversos apelos

visuais.

ESTUDO DE CASO

TIPOLOGIAS

Na busca por um bairro/cidade sustentável, a Marta Romero, outro referencial teórico adotado, entra como uma das principais referencias brasileiras com seus conceitos de sustentabilidade e conforto urbano. Caminhar por ruas mais confortáveis, que tragam conforto tanto aos moradores quanto aos que estão andando por elas é fundamental para construir cidades caminháveis.

Estudando projetos que seguem a linha teórica que estamos adotando, usamos como referência o Romerstad de Robert May, com seus caminhos para pedestres, jardins, adequação à topografia, parques e a divisão dos diferentes usos. O residêncial Alexandre Mackenzie também serviu de estudo para a implantação dos edfícios de habitação coletiva.

HABITAÇÃO COLETIVA 40% - 417 unidades.

HABITAÇÃO SERIADA 30% - 313 unidades

11 unidades de prédios de 4 andares com 6 unidades por andar.

As 313 seriadas foram divididas em 3 tipologias:

5m

5m 5m

10m

unidades 10m

Ÿ 50%: 2 andares com habitação totalizando 156

Marta Romero diz que os espaços públicos estão sendo negligenciados e trocados por espaços privados. Em palavras dela, “A recente perda e decadência dos espaços públicos abertos, em que se fecha, literalmente, o espaço público e, portanto, elimina-se o clima de convivência cidadã, é um fator que compromete a sustentabilidade do espaço”. A participação da coletividade na vida urbana, esta que é característica de uma sociedade que exerce sua cidadania pode ser reforçada a partir de um desenho de cidade coeso, compacto e que permita espaços qualitativos à população.

Habitações unifamiliares com lotes de 200m2.

5m

Ÿ 20%: 2 andares com comércio no térreo totalizando 62

6 unidades de prédios de 6 andares com 6 unidades por andar, sendo o térreo com 6 unidades de comércio.

HABITAÇÃO UNIFAMILIAR 30% - 313 unidades.

12m

2.5m

10m

5m

unidades. Como são duas famílias em cada habitação, 76 unidades no total. Ÿ 40%: 1 andar de habitação, totalizando 125 unidades.

15m 5m

5m

2.5m 60m

5m 10m

10m

10m

12m

5m

2.5m

5m

10m

2.5m

10m

5m

12m

60m

O PROGRAMA

Com o conceito principal de integração, trouxemos esse conceito também para a parte dos usos, onde as atividades comerciais e de serviço intercalem com as atividades residenciais. As atividades comerciais foram dispostas ao longo das vias principais com áreas exclusivas para estacionamento nas faixas. As atividades principalmente residencias foram organizadas nos miolos das 4 grandes quadras, criando um ambiente mais íntimo, onde é possível que haja uma relação mais próxima entre os vizinhos, havendo a troca de informação.

MEMORIAL

O programa foi realizado com base em estudos dos equipamentos do entorno. Sendo assim, uma escola infantil/fundamental, um posto policial e um centro comunitário seriam adequados ao projeto, visto que esses equipamentos não foram encontrados próximos ao terreno.

A partir dos conceitos adotados pelos referênciais teóricos e visando uma integração entre o ambiente natural e o construído, o projeto se desenvolve na perspectiva de chegar em um intermédio entre os ambos ambientes, criando uma relação próxima em que um respeita o espaço do outro. Essa proposta é evidenciada pela criação dos parques internos, pelos caminhos exclusivos para pedestres que integram todo o bairro criando um ambiente qualitativo para os pedestres onde o uso do carro fica em segundo plano. Esse caminho tem como principal objetivo percorrer todo o bairro e ligar todos os pontos centrais, como o centro comunitário, os parques e a escola.

1. Escola Infantil/Fundamental = 10.000m2 2. Centro Comunitário = 10.000m2 3. Posto Policial = 900m2 Há também a presença de ciclovias, quadras de esporte e academias ao ar livre nos parques.

O projeto visa resgatar os 3 pontos principais que foram perdidos com o crescente uso do carro e edifícios privados para comércio: o lazer, as atividades comerciais e a troca de informação.

10m

10m

TIPOLOGIA DAS RUAS

QUADRO DE AREAS

As ruas possuem arborização no passeio em todo o percurso, com lixeiras e bancos públicos. A rede elétrica é subterrânea e os postes em uma altura adequada ao pedestre nas ruas exclusivas para pedestres e em uma altura adequada para os carros e pedestres nas ruas com tráfego de carros. Alguns tipos possuem faixas exclusivas para estacionamentos, que são restritos aos usos comerciais. Quando sem uso, podem ser alugados por moradores ou transformados em pequenos parklets.

Unifamiliar

34748 m2

Seriada

20464 m2 17438 m2

Seriada Unifamiliar

21.000 m2

Equipamento Público

7920 m2

Habitação Coletiva

22769 m2

Area Verde (Sem APP)

Rua de 20 metros

ITEM

DIRETRIZ

PROBLEMA/POTENCIALIDADE

MEIO AMBIENTE - RECURSOS

Pouca mata ciliar - deterioração

HÍDRICOS

Recuperar mata cilicar no trecho delimitado pela

das margens/Assoreamento

APP

Acesso à área se dá diretamente

SISTEMA VIÁRIO

MEIO AMBIENTE - VEGETAÇÃO

Criar uma faixa extra (exclusiva para acesso e

pela rodovia facilitando acidentes

ônibus)

Não há presença de vegetação de

Aplicar árvores de médio e grande porte com

médio e grande porte

potencial de sombreamento

Rua lateral e com potencial para

SISTEMA DE ACESSO

Rua de 15 metros

Usar esta via como principal acesso do terreno

acesso principal não é pavimentada

Residência Seriada com Comércio (2 pav.)

para a cidade/BR-040

Passeio Público 3 metros

Faixa de Ônibus 4,1 metros

Faixa de Veículo 4,1 metros

Faixa de Veículo 4,1 metros

Ciclovia 1.5 metros

Passeio Público 3 metros

Residência Seriada (2 pav.)

Residência Seriada com Comércio (2 pav.)

Falta de mobiliário de iluminação SISTEMA DE ILUMINAÇÃO

no local e nas ruas laterais - Risco

Mobiliário de iluminação à nível pedestre

Rua de 12,5 metros

de segurança Falta de mobiliário de apoio

FALTA DE MOBILIÁRIO

Implantação do mobiliário de apoio

coletivo

Passeio Residência Faixa Faixa Estacionamento Passeio Ciclovia Público Público 1.5 metros Seriada com Comércio de 2.5 metros de 3 metros 3 metros (2 pav.) Veículo Veículo 2,5 metros 2,5 metros

Rua para pedestres de 5 metros

Falta de mobiliário urbano como FALTA DE MOBILIÁRIO URBANO

calçadas e faixas de pedestres o

Implantação do mobiliário urbano LIXO

que pode gerar acidentes

Escola de Ensino Infantil e Fundamental (2 pav.)

O PROJETO

LEGENDA

Faixa Passeio Ciclovia Faixa de Público 1.5 metros de Veículo Veículo 3 metros 2,5 metros 2,5 metros

LIXO

Passeio Jardim da Público Residencia 3 metros

Residência Seriada Unifamiliar (1 pav.)

Residência Unifamiliar

CORTES DO TERRENO

ESCALA 1:2000 985

990 995

1000

1010

1005

1015

1020

1030

1025

3

1040

1035

HABITAÇÕES: Habitação Unifamiliar Habitação Seriada (2 Pavimentos) Habitação Seriada (1 Pavimento) Habitação Coletiva (4 Pavimentos)

4

1040

USO MISTO: Hab. Seriada + Comércio (2 Pavts.) Hab. Coletiva + Comércio (6 Pavts.) EQUIPAMENTO PÚBLICO: 1 - Posto Policial (1 Pavimento) 2 - Centro Comunitário (2 Pavimentos) 3 - Escola Ens. Fundamental 4 - Escola Ens. Infantil 5 - Quadra Poliesportiva 6 - Academia

CORTE TRANSVERSAL ESCALA 1:2000

ÁREAS COMPARTILHADAS: Córrego Reboleira Jardim/Pátio Privado - Hab. Área verde comunitária Área de preservação ambiental Calçadas e Ruas de Pedestres Calçadão (Rua de veículos e pedestres) Estacionamento

2

1 6

5

5

985 990

995

1000

1005

1010

1015

1020

1025

1030

1035

CORTE LONGITUDINAL ESCALA 1:2000

Jardim da Residencia

Rua para pedestres Jardim da Residencia 5 metros

PROJETO URBANO III

LIXO

Residência Seriada (1 pav.)

UNIEVANGÉLICA Centro Universitário de Anápolis

ARQUITETURA E URBANISMO 7º Período

ORIENTADORA Angélica Romacheli

ACADÊMICOS Mário Calaça Richardson Thomas

PRANCHA

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Projeto Urbano III - Conjunto Habitacional  

Proposta de conjunto habitacional desenvolvida no 7º período por Mário Calaça e Richardson Thomas. Orientadora: Angélica Romacheli.

Projeto Urbano III - Conjunto Habitacional  

Proposta de conjunto habitacional desenvolvida no 7º período por Mário Calaça e Richardson Thomas. Orientadora: Angélica Romacheli.

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