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Poder

Escola do Cerrado recebe carne estragada para a merenda escolar N

Folha do Vale

há mais carnes com problemas na Câmara Fria do local. Antes do fechamento desta edição, os vereadores Laércio Amado e Júlio César receberam a denúncia de arroz carunchado na escola Maria da Silveira e constataram a veracidade da denúncia quando chegaram no local. A preocupação maior agora é de que crianças venham a passar mal, pois a carne armazenada no DSE é distribuída para todas as escolas do município.

Diretora da escola do Cerrado encaminhou a carne para o DSE – Departamento de Suprimentos Escolar para que a Vigilância Sanitária faça a análise e tome providências.

Folha do Vale

a última terça-feira 03, a rádio 94 FM recebeu a denúncia de que a Escola Cristiano Marques Bonilha, do bairro Cerrado, recebeu carne estragada para elaborar a merenda escolar às crianças. No mesmo dia, a equipe do Jornal Folha do Vale foi até o local averiguar a denúncia e conversou com a vice-diretora da escola que contou que constatou que a carne realmente estava estragada e não deixou manipulá-la para fazer o almoço às crianças. A equipe do Jornal Folha do Vale teve contato com a carne e também constatou a má procedência da mesma, que estava escura e com mau cheiro. No dia seguinte os vereadores, Laércio Amado e Júlio César Soares também estiveram no local constatando que a carne realmente não estava em condições de uso. Os vereadores conversaram com a diretora da escola que lhes informou que já havia encaminhado a carne para o DSE – Departamento de Suprimentos Escolar para que a Vigilância Sanitária faça a análise e tome providências. Os vereadores Laércio Amado e Júlio César, junto com o responsável da Vigilância Sanitária estiveram no DSE e constataram que

Novamente carne em má conservação é encaminha à escolas municipais para a Merenda Escolar. Segundo a vice-diretora da escola não foiautorizado utilizar a carne, pois a mesma se encontrava com uma cor escura e com mau cheiro.

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Antônio de Fazio to@jornalfolhavale.com.br

SÍTIO

F

inalmente aconteceu. Você acabou comprando o tal do sítio. Não importa o que os outros tenham dito, que sítio é que nem barco e que como tal, sempre dá duas felicidades. Você queria, ou melhor, sua mulher queria e você acabou comprando o dito cujo, e agora é um feliz proprietário de terras. Acres da boa terra itarareense, talvez até alguns hectares. Sítio formado ou não, console-se, dizem que terra sempre é uma boa forma de investimento, pois apesar de não render tanto quanto algumas ações, pelo menos o capital acaba se corrigindo. E, afinal de contas, a vida não é só juntar dinheiro, temos de ter nosso palmo de chão do jeito que queremos, não é mesmo? Então agora você é o feliz proprietário daquele belo terreno. E já tem até uma casa em cima! Que bom! Não, nada disso. Você vai descobrir que casa feita pelos outros nunca está dentro do padrão que exigimos a nós mesmos. Vai ver muita coisa mal feita ou, pior, coisa que nem se sabe como foi feita. Não espere demais dos encanamentos e da fiação elétrica. Geralmente é a coisa mais barata que o anterior dono encontrou na loja. E se acha que a construção foi feita para resistir à umidade, esqueça que impermeabilizante é coisa cara, e tudo nessa obra foi economizado ao máximo. Sem falar que o gosto dos outros nunca é o que consideramos “bom gosto”, pelo menos no dizer de minha mulher. Verifique a lógica do imóvel antes. Já vi cada coisa por aí que chegou a me dar medo. E depois que comprar, vai ter de conviver por muito tempo com quartos nos fundos da cozinha, alpendres com vista para o barranco, forros despencando, arquitetura maluca e coisas do gênero. E são construções que o anterior dono tinha muito orgulho, projeto arquitetônico do próprio, e está pedindo mais pelas terras só porque já tem aquela maravilha da arquitetura pronta em cima. Sim, cada um é cada um. E você é você. Então, se puder construir a casa de campo dos seus sonhos em cima de um terreno vazio, é o mais recomendável? Em termos. Construção não rima com chateação por acaso. Prepare-se para passar um ano ou mais indo e voltando todos os finais de semana, isso se não tiver de fazer durante. E prepare-se para passar boa parte de seu tempo livre em casas de material de construção, lojas de móveis e decorações – que sua mulher vai adorar, claro – escritório de engenheiros, etc. E, principalmente, prepare o bolso. É, hoje em dia construir casa está pe-

Divulgação

Vereadores foram até o DSE, junto com a Vigilância Sanitária e constataram que há mais carnes estragadas na câmara fria do local.

Colunista

Sexta-feira, 07 de fevereiro de 2014

Sexta-feira, 07 de fevereiro de 2014

la hora da morte. Separe um bom tutu para fazer a mansão do começo ao fim em tempo hábil, a não ser que queira passar anos construindo. Uma coisa que sempre acontece com quem tem sítio é a tal da produção local. Não conheço um que não tenha o seu pomar, talvez o seu galinheiro e o açude. Vejamos o que acontece com cada caso. No caso do pomar, o feliz proprietário vai plantar sempre aquilo que ele quer, ou melhor, aquilo que a esposa quer. Pois se ela gosta de acerola, claro está que você terá de ir ao viveiro e trazer pelo menos uns cinco pés da dita cuja. Se é banana a fruta da preferência familiar, o mesmo. Seja lá que for, prepare um bom pedaço de terra para plantar essas coisas. Pois em se tendo uma pequena produção local, a despensa sempre fica cheia de limões, laranjas, abacates, mangas, caquis, mandiocas e tudo mais que a natureza der de graça ou foi plantado. Coisas que no futuro vão acabar gerando um considerável excesso de produção, para a felicidade das sogras, cunhados, parentes e amigos em geral. E nada melhor que fazer uma média com o pessoal dando essas coisas que iam se perder de qualquer jeito. No caso do galinheiro, tendemos sempre a achar que criação de bicho é coisa fácil e barata. Doce e ledo engano. Além de ter de gastar um bom tutu para cercar uma área considerável e perceber que qualquer construção simples de tábuas hoje em dia sai caro, não se esqueça que bicho come. E come bem. Portanto, não ache que aquelas penosas conseguirão se virar apenas com a dose de minhocas diárias que o terreno pode fornecer. Prepare-se para comprar pelo menos milho, quiçá ração, que elas devorarão com uma rapidez de dar medo. Sacos e sacos deverão ser estocados, e você verá o caseiro dizer com frequência que acabou tudo. Pode esticar o pensamento acima para criação de qualquer outro bicho.

E, principalmente não se esqueça que qualquer sucesso na criação de seus animais é diretamente proporcional ao sucesso da criação dos animais de seu caseiro. Se mora no Brasil, acho que já descobriu o porquê. Então, vai perceber como custa caro aqueles ovos, o leitãozinho anual e o franguinho mensal, abandonando tudo depois de alguns meses para comprar na mercearia da cidade, que sai muito mais barato. Agora, o açude. Aquele açude onde o feliz proprietário poderá soltar o peixe que quiser, e sem dúvida que irá fazer isso rapidinho. Depois, vai perder quase toda a criação boiada porque soltou peixe demais, soltar de novo outra leva, perder quase tudo de novo para as lontras, soltar de novo, perder tudo novamente porque algum pilantra passou rede – e o caseiro dando a entender que nada percebeu, assobiando quando você conferia a desgraça - e aí sim, finalmente acertar. Acertar deixando o açude se virar por si só, que peixe nesta terra aparece do nada, basta dar um ambiente decente. E peixe bom é sempre aquele que você não gastou um centavo com ele. Pelo menos no dizer de sua mulher. Agora, a parte ruim. Quem tem sitio, acaba não conseguindo fugir da maior praga da lavoura no Brasil, que é o tal do caseiro. Caseiro é o típico caso de coisa que quando é boa, já é ruim. Caseiro é aquele indivíduo que vai ligar para você nos piores momentos para avisar das piores coisas. Com sorte, ele avisa apenas das necessidades do sítio – e dele – que você deverá providenciar quando de seu retorno. Com sorte. Mas é comum ouvir da vaca que morreu açude que estourou, rancho que incendiou, ladrão que rapinou e por assim vai. Isso, sem falar dos problemas gerados pelo próprio. Pois caseiro é bicho mais carente de cuidados que a própria criação. Se o telefone tocar em um horário impróprio e você ver no visor que o número é o

do caseiro, nunca espere apenas um voto de bom fim de semana. Se prepare. Aí vem chumbo grosso. Chega ao ponto de você ficar com medo de conversar com ele, pois é o típico ser que só te fala problema e desgraça. E ai de você se nos pagamentos mensais não exigir um recibo assinadinho e não pagar todos os direitos da carteira. Quem paga mal paga duas vezes, é o que dizem todos os Juízes das Varas Trabalhistas. Às vezes, três. Mas ruim com eles, pior sem. Deixar uma propriedade abandonada é pedir para encontrar uma terra arrasada quando voltar. Sorte se foi só o botijão de gás que sumiu. Já soube de casos em que até o madeirame do telhado foi roubado. Isso se você não for passar um final de semana calmo e agradável em sua terrinha e encontrar duas famílias estranhas morando na casa que você construiu com tanto amor. E depois ouvir eles jurando de pés juntos ao Juiz que vivem ali desde há vinte anos, terrinha onde criaram os filhos e enterraram os pais. E o Juiz, com lágrimas nos olhos, concordando com cada palavra. Mas também, não é só assim. Não desista de um sonho só porque ouviu – ou leu – certas coisas. A vida não é só feita de problemas. Todos temos direito também à nossa dose de satisfação. Afinal de contas, todos nós temos em nosso subconsciente aquela vontade de retornar ao campo, um lugar que em nossas mentes tem um apelo irresistível. Quem não gostaria de passar aquela tarde gostosa depois de uma pescaria na lagoa e um franguinho ao molho, feito na panela de ferro com polenta no almoço feito em fogão a lenha, deitado na rede de casal esticada no alpendre que construiu, a vista se perdendo na distância, onde pode-se ver o morro semi escondido pelas névoas do fim do dia? E nesse momento você observará os animais pastando no vizinho pois estouraram a cerca de novo, os filhos brincando no barro onde os leitões estavam logo cedo, a esposa feliz lavando aquela montanha de pratos e sorrirá satisfeito, se sentindo o homem mais feliz do mundo. Portanto, não desista. Compre seu palmo de terra e monte o sítio de seus sonhos. E, depois, me convide para conhecer. Que melhor que ter sítio, é ter amigo que tem um. Bom, deixa eu parar por aqui. Poderia escrever um manual aos colegas, pois morei em sítio por um bom tempo. Mas não é a intenção, eu apenas estava aqui em casa neste domingo de bobeira e pensei, por que não? Então, até a próxima doideira.


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