Page 1

Jornal Laboratório da Universidade Federal do Piauí

Teresina, Piauí, Março de 2014

UFPI - DCS

Ana Paula Diniz

2013.2 N° 1

Empresas nascem no mundo digital Depois de obter sucesso no ambiente virtual, empresas montam estrutura física e formalizam seus negócios na capital piauiense. Pág. 05 POLÍTICA

CIDADES

Aplicação da Ficha Limpa em xeque

Pág. 04

LIVRE-SE

Patrimônios 20 livros para ler antes de históricos sob ameaça morrer Pág. 06

Pág.16 Ananda Omati

Importante para o corpo, alma e mente, o futebol é a paixão dos pequenos brasileiros Através de cursos, crianças e jovens aprendem sobre sustentabilidade

MEIO AMBIENTE

ENTREVISTA

Ong faz arte É difícil fazer com lixo cinema no PI Jovens do MP3 dão Monteiro Jr. comenta novas utilidades ao lixo acerca da Sétima Arte e um eletrônico através da pouco sobre a sua experiênPág. 03 metarreciclagem. Pág. 12 cia no ramo. Inácio Pinheiro

SAÚDE

ENSAIO

“Crianças e futebol” Págs 08 e 09

OPINIÃO Crônica “Nossa Senhora das Dores” escrita pela estudante Sabrina Luz. “Como todo autodidata que se preze, a gente tem que ir atrás”

Pág. 02

ESPORTES

Piauí não tem novo remédio para tratar lúpus

Timon tem atleta campeã mundial

O mais recente avanço no tratamento do Lúpus é o uso de um novo medicamento chamado Belimumab, ainda indisponível no Piauí. Pág. 11

Ana Célia está em 3° lugar no ranking brasileiro na luta de braço, tem 20 títulos nacionais, dois mundiais e dez regionais. Pág. 05

Edição: 16 páginas // Fechamento: Janeiro de 2014 // Departamento de Comunicação Social: (86) 3215-5965 // Site: www.ufpi.br


2

Opinião

Índice

Teresina/ Piauí Março de 2014

Editorial

Entrevista

Pág. 03

Política

Pág. 04

Economia

Pág. 05

Cidades

Págs. 06 e 07

Ensaio

Págs. 08 e 09

Educação

Pág. 10

Saúde

Pág. 11

Meio Ambiente

Pág. 12

Ciência&Tec

Pág. 13

Esportes

Pág. 14

Cultura

Pág. 15

Coluna

Pág. 16

Ritmo hipnótico Acordar cedo, pegar ônibus lotado, enfrentar filas enormes do Restaurante Universitário, passar noites em claro estudando, enlouquecer em finais de período. Nada disso diminui o prazer que é viver a universidade. Navegar pelos corredores infindáveis onde a arte pulsa nas paredes, conhecer pessoas diferentes e tão iguais a nós, superar nossos limites cotidiana-

mente, aprender, fazer planos, sentir a amadurecência a cada período concluído junto com a saudade que vem chegando devagar cada vez que sentimos que a conclusão do curso se aproxima. É como se o mundo fora dos muros da universidade parasse para que nós pudéssemos viver dentro dela plenamente. E quando nos foi lançado o desafio de fazer um jornal, tivemos que

quebrar essa barreira para conhecer a realidade de lá. Foi quando percebemos que o mundo não é, ele está sendo. Um grupo de pequenos navegadores recém-aventurados no mundo, vasto mundo, que cresce para além dos muros que nos cercam com a missão de transfigurá-lo em palavras que coubessem nas dezesseis páginas da nossa primeira experiência pura-

mente jornalística. Não foi fácil, contudo, as dificuldades foram como degraus que nos levaram ao aprendizado. E agora é como se houvéssemos recebido um colírio que nos faz enxergar a notícia contida nos diversos universos, em um rito de passagem que envolve pauta, fonte, tempo, escrever, diagramar, e se apaixonar perdidamente pelo jornalismo.

Expediente UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ - UFPI

Reitor Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes Vice-Reitora Profª. Drª Nadir do Nascimento Nogueira Departamento de Comunicação Social Chefe do DCS/UFPI Profª. Drª. Jacqueline Lima Dourado Coordenadora do Curso de Comunicação Social - Jornalismo Profª Drª. Ana Maria da Silva Rodrigues

Felipe Portugal

Crônica

Nossa Senhora das Dores Sabrina Luz - Estudante de Comunicação Social

Professores: Elizângela Carvalho e Cantídio Filho Editora-chefe: Ana Paula Diniz Editores: Ana Paula Diniz; Ananda Omati; Anna Célia Santos; Elana Marwell; Inácio Pinheiro; Jade Araújo; Almeida Filho; Marcos Cunha; Maria Carolina Albuquerque; Maria do Rosário Rodrigues; Matheus Rangel; Rafaella Nunes; Raiana Albuquerque; Sabrina Luz; Suzana Ribeiro; Talita Portela. Repórteres: Ana Paula Diniz; Ananda Omati; Anna Célia Santos; Elana Marwell; Fabrynne Sousa; Inácio Pinheiro; Jade Araújo; Marcos Cunha; Maria Carolina Albuquerque; Maria do Rosário Rodrigues; Raiana Albuquerque; Sabrina Luz; Thais Siqueira; Wanderson Alves.

“Que eu me cale diante da tristeza do próximo” deveria se constituir como a principal prece a Nossa Senhora. Há quem ande precisando dessa reza. Essa labuta que faz com que o ser humano julgue o outro em decorrência do seu próprio vazio é uma das práticas mais detestáveis que existem. E não é exagero, considerando que nem água há no copo. Não julgo dizer, puro e simplesmente por uma questão de seriedade aparente, que o sofrimento de uma mãe que acabou de perder um filho é maior do que o de uma jovem que não é correspondida no amor. Cada qual com

o seu peso. Se parássemos para pensar em todos os caminhos que favorecem o sofrimento, talvez percebêssemos que motivo nenhum precisa existir. É necessário ouvir a nossa alma para que seja possível compreender as suas necessidades. Triste é saber que há quem camufle a própria dor no intuito de ser visto como um alguém feliz. Felicidade é satisfação. Sentir-se bem, mesmo que o seu coração esteja em sentinela. Eu não me importaria de morrer se soubesse que seria possível ressuscitar para ter o prazer de reviver essa morte lenta que vivo hoje.

Haverá de surgir orações em ação de graças pela satisfação proveniente da certeza de que o amor é a dor. Vive-se o amor e, de brinde, também a angústia. Sou vista como pessimista. No ônibus, na padaria, em casa, nas casas alheias. Ora, caros colegas fortes, caro padeiro, cara tia minha, cara senhora mãe do meu amigo, o meu pessimismo não é de todo o mal, pois quando somado à minha vontade de viver novas dores, apenas diverge desse otimismo convencional de vocês no sentido de que o meu é dotado de uma elegân-

cia instigante e infinda. Resta saber, por fim, que a dor é de esquerda. Deus sempre esteve na direita, assim foi determinado. Que direito tenho eu, Nossa Senhora das Dores, de questionar tal fato, logo eu, que sou essa patética bruxa que se esqueceram de queimar? Somos adoradores da dor e amadores no amor. Eu amo a minha angústia, e quem diz não amar a sua própria é um grande mentiroso. Ela me ajuda a ir de encontro com o que eu verdadeiramente acredito ser. E, quando esse encontro acontece, me sinto contemplada. Eis a minha felicidade.


Entrevista

Teresina/ Piauí Março de 2014

Editor: Marcos Cunha

3

Fotos: Inácio Pinheiro

Cultura

A Sétima Arte contada por um eterno aprendiz Ana Paula Carvalho Repórter Em uma manhã nublada, entre risadas e brincadeiras, sentados em um banco qualquer nas proximidades do Cine Teatro da Universidade, um bate-papo com um homem apaixonado por cinema. Psicólogo, pós-graduado em Psicologia da EducaComo você analisa a produção cinematográfica brasileira atual? Ano passado foram lançados cerca de 120 filmes nacionais, um recorde até agora, se você for analisar que em 1994 a produção era zero filmes. Desses 120 filmes, tiram-se 3 ou 4 que realmente tem alguma coisa a ver com cinema e não com TV. Ao mesmo tempo em que se produz muito, a qualidade está muito baixa. Em 2003 acreditávamos que o cinema brasileiro iria atingir sua maturidade, só que veio o boom da comédia e houve um retrocesso violento. Os diretores e atores não estão preocupados em criar uma linguagem nova, fornecer um filme com substância técnica. Por conta disso, os filmes autorais, de arte, “mais cabeças”, os dramas, ficam restritos a festivais.

Assista a entrevista através do código abaixo:

E quanto às leis e editais de incentivo à cultura? Elas realmente auxiliam quem quer fazer cinema? Eu estava lendo uma entrevista com Héctor Babenco que é um diretor argentino-brasileiro, que já fez “Pixote”, “Carandiru”, “Lúcio Flávio” e entre outros, um ator dele ganhou um Oscar pelo filme “O beijo da mulher-aranha”, disse no programa Roda Viva que está há anos sem fazer filmes porque não consegue financiamento. Um cara famoso, indicado ao Oscar, não consegue financiamento porque os editais que eram para ser democráticos e dar oportunidade para todo mundo, estão fechados em suas “panelinhas”. E esses editais têm uma burocracia muito grande, você precisa ter muitos documentos, fazer tudo dentro de uma legislação super complicada. Os festivais de cinema recebem apoio de empresários e do poder público? Claro que não. Aliás, aqui no Brasil é pouquíssima a ajuda direto do empresariado. Na verdade, o único mecenato que existe é o estatal, e ele se revela essa faca de dois gumes.

ção, escritor premiado, estudante de Comunicação Social – Jornalismo, colunista no Jornal O Dia, não gosta de ser chamado de “cineasta”, e sim de “aprendiz”. Monteiro Júnior, diretor dos filmes “No Meio do Caminho” (2004) e “Insone” (2005), entre outros trabalhos realizados. Hoje é dono da empresa Doroteu Filmes, e pode ser encontrado facilmente pelos cinemas da cidade apreciando obras da Sétima Arte.

Como se consegue dinheiro para os prêmios? Editais. Por exemplo, o festival de Floriano é bancado pela Petrobrás. Todos os festivais são conseguidos através de editais, festivais independentes são muito raros no Brasil. Então a internet seria o espaço mais democrático para exibição? É um bom lugar para divulgar, mas internet não é cinema. Quando a gente fala de produção audiovisual engloba tudo (produção para tv, para cinema, para internet) mas cinema mesmo é feito desde o início focado num público alvo e no mercado. Você acredita que a acessibilidade à dispositivos capazes de gravar e editar vídeos com boa qualidade possibilita a criação de bons filmes? Semana passada, Martin Scorsese publicou uma carta a filha falando que o futuro do cinema é brilhante. Cada vez mais podemos fazer filmes de qualidade dentro de casa, a tecnologia permite termos acesso à equipamentos que o Scorsese não tinha quando começou a fazer cinema. Hoje em dia todo mundo pode fazer com Iphone, Ipad, etc, cada vez mais você tem acesso às instrumentos que

te facilitam contar uma história audiovisual. Somado ao conhecimento técnico, talento e trabalho pode-se sim fazer bons filmes. Quando você decidiu fazer cinema? E quando se deparou com o fato de Teresina não dispor de um curso específico na área, que alternativa buscou para adquirir conhecimentos? Comecei muito novo, eu gostava de escrever contos e minha mãe mostrava para toda a família. Depois comecei a escrever livros, publiquei três livros na adolescência e um foi premiado. Depois, comecei a fazer críticas para os jornais. Sempre quis de alguma forma trabalhar com cinema. E aí, juntei uns amigos e falei “vamos tentar fazer um videozinho?”, e esse foi o esquema, fiz um videozinho, ficou legal e acabamos lançando o videozinho na Oficina da Palavra e por conta disso deu para fazer outros filmes mais elaborados. Como todo autodidata que se preze, a gente tem que ir atrás. Sempre li muitos livros sobre técnicas, direção, roteiro, cheguei a fazer alguns cursos, vi filmes porque a maior aula de cinema que você pode ter é assistir filmes da maneira correta.

Porque a maior aula de cinema que você pode ter é assistir filmes da maneira correta

Os filmes locais têm espaço nas grandes emissoras de televisão no Piauí? Já exibiu algum filme assim? Em primeiro lugar, você não pode simplesmente exibir um filme na TV, a TV tem que pagar para exibir teu filme. Elas não querem pagar, querem exibir como se fosse um favor para nós. E não é favor, não é esmola, eu preciso de dinheiro para fazer outros filmes. Já recebi muitos convites para exibir meus filmes, mas quando digo o cachê eles não aceitam.


4

Política

Teresina/ Piauí Março de 2014

Editor: Matheus Rangel

Lei

Ficha Limpa nas eleições 2014 O que mudou na opinião dos eleitores para as eleições de 2014 a partir da aprovação da lei da Ficha Limpa Rosário Rodrigues Repórter

Eles sempre dão um jeito para burlar a lei que eles mesmos criaram, declara Cleópatra

Eleitores expõem diversas visões sobre a eficácia da Lei da Ficha Limpa de condenação por meio de decisões colegiadas não podem se candidatar. Na prática, tem sido diferente. Os fichas sujas têm conseguido junto aos Tribunais de Justiça estaduais decisões liminares que suspendem os efeitos de suas condenações e, assim, voltam a disputar eleições antes do fim do prazo de inelegibilidade imposto pela lei. O vigilante Mauro Sérgio, ao ser ouvido pela reportagem, demonstrou desinteresse pelas disputas eleitorais e afirma que “só voto porque é obrigatório”. Segundo a universitária Cleópatra Loiola, a lei dificulta a eleição de políticos corruptos. “Eles sempre dão um jeito para burlar a lei que eles mesmos criaram. O brasileiro tem memória curta e costuma servir de moeda de troca por agrados”, afirma a eleitora. O cientista político Cleber de Deus afirma que ele mesmo tem sérias preocu-

Para as eleições de 2014, eu não acredito que haja mudança significativa, afirma o eleitor João

Saiba mais sobre a Lei da Ficha Limpa A Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135/2010) passou a vigorar no dia 4 de junho de 2010, após ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Fruto da iniciativa e enorme mobilização popular pelo fortalecimento da lisura das eleições e do comportamento ético dos cidadãos, a lei trata de 14 hipóteses de inelegibilidades que sujeitam aqueles que nelas incorrem a oito anos de afastamento das urnas como candidatos. Os obstáculos da Lei da Ficha Limpa a quem pratica alguma irregularidade ou delito de ordem eleitoral (ou não) foram incluídos na for-

ma de alíneas no inciso I do artigo 1º da Lei de Inelegibilidades (Lei Complementar nº 64/90). Segundo o assessor especial da Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Murilo Salmito, a Lei da Ficha Limpa foi feita “para [afetar] uma minoria de candidatos, para aqueles que já têm uma vivência na política”. “Não é uma lei pensada para a maioria dos candidatos, mas para aqueles que estão na política há algum tempo, sendo que muitos já ocuparam cargos públicos, ou seja, para aqueles que têm uma vivência na política”, afirma Murilo. Fonte: TSE Ana Célia Santos

Aspiração da sociedade e iniciativa popular, a Lei da Ficha Limpa no Piauí diverge opiniões entre os eleitores entrevistados. Segundo João Magalhães, estudante universitário, a lei trouxe avanços ao demonstrar a força da iniciativa popular, já que é um instrumento para barrar políticos envolvidos em casos de corrupção. No entanto, para João Magalhães a lei também trouxe efeitos negativos, como o fenômeno da candidatura de filhos, esposas, e parentes. Em alguns casos, os candidatos fizeram campanhas e dias antes do pleito foram substituídos por familiares, confundindo o eleitorado. “Já para as eleições de 2014, eu não acredito que haja mudança significativa em relação aos fichas suja no processo eleitoral”, disse João. Para Rogério Holanda, estudante de Jornalismo da Ufpi e eleitor esclarecido, a Lei complementar 135 de 2010, que já valeu nas eleições de 2012, ainda não trouxe grandes efeitos, ou pelo menos não conseguiu atender às expectativas de seus autores. Pela nova legislação, os políticos que tiverem qualquer tipo

Divulgação/TSE

Divulgação/TSE

pações e não acredita que a lei venha emplacar. “Marlon Reis, que comanda o movimento de combate a corrupção, afirma em entrevista que a lei tem efeito pedagógico e ainda não se tem dados estatísticos quem venham confirmar a aplicação dos fundamentos da Lei da ficha limpa, e é isso que o eleitorado precisa saber, é preciso conhecer, pesquisar melhor sobre os candidatos ajuda muito na hora de escolher em quem votar”, diz.

Cleber de Deus não acredita que a lei venha a emplacar


Economia

Teresina/ Piauí Março de 2014

Editor: Inácio Pinheiro

E-Commerce

5

Mercado invade mundo digital e faz surgir novas empresas As redes sociais estão sendo cada vez mais usadas como auxílio na criação e no crescimento de novos negócios em Teresina

A popularização das redes sociais e o aumento do número de usuários, proporcionaram para muitas pessoas a oportunidade de ter seu próprio negócio. São empreendimentos que foram criados com sede no mundo virtual, sobretudo, aproveitando as redes sociais. O E-commerce, comércio virtual, ganha cada vez mais espaço no mercado. Muitas das lojas e prestadores de serviços que começaram na internet, com menos de um ano, já apre-

Na rede social tem instantaneidade, tem aproximação, tem agilidade, humanização e um ‘feedback’ mais rápido, diz Yako Guerra

sentam progressos. A empresa de Yako Guerra, especializada em comunicação digital, começou em 2012. “É uma empresa que trabalha com publicidade, marketing e relacionamento em redes sociais. É um mercado novo, que está crescendo, mas as pessoas ainda não têm a consciência dessa forma de comunicação”, explica. As redes sociais, na visão de Yako, são ferramentas estratégicas para os mais diversos tipos de negócios. “Se invisto num VT (propaganda televisiva) ou num outdoor, não saberei o retorno disso. Não vou saber se as pessoas gostaram, quantas pessoas viram. Além disso, não tenho como responder uma dúvida na TV ou escrever no outdoor. Já a rede social tem instantaneidade, tem aproximação, tem agilidade, humanização e um “feedback” mais rápido”, destaca. A Nexo Comunicação, empresa de Yako, utiliza página no Facebook e perfil no Twitter e no Instagram para auto divulgação. O empreendimento já possui estrutura física, quatro funcionários e um número significativo de clientes para o ramo, o que expressa um grande crescimento do investimento em menos de um ano no mercado. “A tendência é crescer, fazer parcerias e conquistar mais clientes”, afirma o empresário. Os microempreendedores Ícaro Igreja e Luiza Senna começaram sua loja no Facebook. Antes, Luiza já utilizava a internet para vender bijuterias em um site

Fotos: Inácio Pinheiro

A loja de variedades Arcádia investe em publicidade, atendimento a clientes e venda de produtos no mundo virtual

de vendas, mas encontrou outros produtos interessantes e viu que poderia alcançar mais pessoas através da rede social. Então, o casal criou uma página no Facebook e começou a postar fotos dos produtos, marcando os amigos para alcançar um público maior. A cada dia mais pessoas curtiam a página, mais produtos eram vendidos e a loja crescia. Segundo o casal, o público alvo é todo mundo. Desde a criança, que ainda não sabe

do que gosta, a adultos que gostam de produtos exclusivos. A Arcádia, loja do casal, possui clientes até no exterior e utiliza o Facebook, o Twitter e o Instagram para divulgação e venda. Em menos de um ano a página da empresa possui mais de 10 mil curtidas e agora conta com loja física. Segundo Ícaro Igreja, “o diferencial é amor, dedicação e força combinados à criatividade, pioneirismo e ao atendimento humanizado. Todo

cliente é importante”. Para o microempreendedor, os produtos diferenciados que caracterizam a loja também colaboraram para o sucesso do negócio. Para as pessoas que querem abrir seu empreendimento virtual ou loja física, Ícaro aconselha: “Não é fácil. Precisa ter coragem, perseverança e insistir. Colocar um toque pessoal”. Segundo ele, como primeiro passo, é necessário buscar orientações em órgãos voltados à assistência ao microempreendedor, como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

O diferencial é amor, dedicação e força, combinados à criatividade, pionerismo e ao atendimento humanizado, afirma Ícaro Igreja

Fabrynne Sousa Repórter


6

Cidades

Teresina/ Piauí Março de 2014

Editora: Sabrina Luz

Memória

Patrimônios históricos de Teresina estão ameaçados Prédios da capital vêm sofrendo com o descaso do poder público e grande parte de sua memória está comprometida Raiana Albuquerque Repórter Teresina é uma cidade cheia de história, e muito dessa história está marcada nos prédios, igrejas, pontes, etc. Mas o tempo passa e o registro da nossa história está se perdendo junto com sua arquitetura que, ao longo dos anos, vem sendo modificada. Edificações que guardavam a memória da capital estão sendo substituídas por estruturas modernas. Além disso, alguns prédios estão abandonados. Alguns viraram abrigos para usuários de drogas, enquanto outros foram transformados em estacionamentos. A maiori parte dos prédios históricos de Teresina fica localizada no Centro, e grande parte dessa área é comercial, o que faz com que haja uma grande necessidade de espaço, tan-

to para o comércio em si, quanto para pedestres e residências. Alguns famosos prédios foram reformados, como o Theatro 4 de Setembro e a Prefeitura Municipal de Teresina. Para especialista, o problema é que essas reformas só preservaram a fachada principal. As técnicas construtivas, a planta e as outras fachadas, elementos cuja preservação é tão necessária quanto à da fachada, costumam ser destruídas. A Prefeitura Municipal possui uma lei que dispõe sobre a preservação e o tombamento do patrimônio cultural teresinense. Porém, quando se trata de preservação de patrimônio histórico, pouco se vê ações da Prefeitura. Prédios como o do INSS, localizado na Praça João Luís, já completam mais de 25 anos de inatividade, e durante todo esse tem-

po já foi alvo de vândalos, encontros para prostituição e consumo de drogas, acarretando grande prejuízo histórico. Como se não bastasse, o local está correndo o risco de desabar, devido ao péssimo estado em que se encontra. Em 2010, o Banco do Nordeste assinou o contrato para a reforma do espaço com a promessa de revitalização do prédio e a criação de um centro cultural no local, algo que nunca saiu do papel. As características dessas edificações vêm sendo perdidas, e, junto com elas, a memória de uma época tão importante para a construção da cidade que temos hoje. A arquiteta Maria Betânia Guerra, que é coordenadora do curso de Arquitetura da Universidade Federal do Piauí, afirma que um monumento histórico pertence às próximas gerações, que têm o direito de conhecer

parte da história de seus antepassados. No entanto, se esses monumentos forem destruídos, toda essa memória será perdida.Segundo ela, existe uma comissão no município que está realizando estudos sobre a legislação de proteção histórica de Teresina com o intuito de melhorá-la. “Um terreno no Centro tem um valor imobiliário muito grande, o que aguça a especulação imobiliária. Porém, o dinheiro, nesse caso, não exerce maior importância. O valor histórico dele é imensurável”, afirma a arquiteta. O professor de História , Aristides Oliveira, lamenta: “Acredito que a memória de Teresina está, cada vez mais, virando fotografia para a contemplação. Nossos fragmentos estão sendo estilhaçados por um corpo de empresários estúpidos, que não dialogam com suas raízes, deixando

muitos vazios em nossos corações. Estranho ver o Iphan investir uma nota na preservação nas cidades do interior e deixar Teresina virar estacionamento, uma contradição lamentável. Que tipo de atuação essa instituição possui na capital? Vamos aproveitar que existem alguns pedaços e manter vivas essas imagens, guardando com carinho esse passado que nos constitui”, critica.

O outro lado

O Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – afirma ter interesse no tombamento do conjunto histórico e urbanístico do Centro de Teresina. No entanto, o processo de tombamento ainda encontra-se em instrução, sem previsão para conclusão. A fiscalização dos bens tombados se dá periodicamente e/ou mediante denúncia.


Cidades

Teresina/ Piauí Março de 2014

Editora: Ananda Omati

7

Utilidade

Além da condução coletiva, os ônibus são meios publicitários Anna Célia Santos Repórter

Rosário Rodrigues

Os ônibus urbanos de Teresina, além de serem usados com a finalidade de transporte, também são utilizados para fins comerciais, sociais e assistenciais por empresários, que aproveitam os coletivos para divulgar seus produtos em anúncios através de busdoors e mídias digitais. O sistema de transporte público de Teresina, gerenciado pelo Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut), é composto por 13 empresas, distribuídas em 87 linhas e uma frota de 430 ônibus, que atendem os mais diversos bairros da cidade. Os ônibus coletivos são utilizados como forma de transporte pela população, para deslocamento até o trabalho, escolas, universidades e locais de lazer. Nos percursos, de uma parada a outra, é comum

encontrar pessoas utilizando esse espaço para divulgação de instituições e venda de produtos como balas, bombons e kits. Dependendo do ônibus utilizado, passageiros também podem contar com telas de anúncios nos monitores de TV, que veiculam informações e entretenimento. A instituição Social Manasses adota a prática de divulgação e de venda de kits feitos por jovens em processo de recuperação e reintegração de dependência química. “Como forma de reintegração social e aquisição de recursos para manutenção do tratamento e sua subsistência”, explica um ex-dependente químico, enquanto vendia os seus produtos. Ele destaca a importância dos trabalhos que acontecem em todas as linhas dos coletivos da cidade. É possível identificar pessoas pedindo ajuda financeira para tratamentos de saúde e para a alimentação, enquanto

Anna Célia Santos

Os coletivos de Teresina também são usados para fins comerciais, divulgação de atividades sociais e assistenciais

Monitor da Onbus informa os passageiros durante todo o trajeto da linha, anuncia produtos e serviços contam histórias de vida vistados declararam não letivos, já que é uma nova e mostram fotos da pessoa se incomodarem com as forma comercial. Elas posque necessita ser ajudada. práticas comerciais reali- sibilitam ao passageiro Em enquente realiza- zadas por pessoas dentro uma forma de entretenida com estudantes na dos ônibus e a outra meta- mento e informação veicuUniversidade Federal de não concorda com essa lando anúncios por um londo Piauí, 50% dos entre- forma de abordagem. O go período de tempo. ambiente encontrado para Segundo o Diretor Geral esse meio comercial e sodo Setut, Fabio Prado Reis, Empresas aproveitam a cial nos coletivos possibi“o projeto está em fase de visibilidade dos ônibus lita a ação assistencialista teste. Até o fim do semestre para a publicidade por parte dos passageiros deste ano serão instalados que acabam sensibilizan- definitivamente em 40 ônido-se, contribuindo e ad- bus das linhas de maior fluquirindo os produtos ou xo de passageiros”, explica. até mesmo disponibilizan- As informações e a construdo passagens a estas pes- ção da programação destas soas. mídias digitais nas TVs de As comercializações de anúncios serão aperfeiçoespaços publicitários pe- adas pela empresa Onbus los empresários também Digital para disponibilizar são feitas na parte de trás informações pertinentes em forma de busdoors e ao trânsito, informes sobre em anúncios nas TVs den- Teresina, Piauí, nacionais, tro do veículo. As telas de internacionais, entretenianúncios ainda não estão mento e divulgar as ações disponíveis em todos os co- do Setut.


10

Educação

Teresina/ Piauí Março de 2014

Editor: Almeida Filho

Comunicação

Wanderson Alves

Rádio conta com a participação de 25 alunos entre 12 e 14 anos divididos em duas turmas, A e B

Rádio é ferramenta educativa em escola pública de Teresina Escola da zona sul de Teresina insere o uso do rádio no cotidiano de seus alalunos. O projeto funciona através de oficinas Wanderson Alves da Silva Repórter Há quatro anos, a Unidade Escolar Nossa Senhora da Paz (UENSP), localizada na Vila da Paz, zona sul de Teresina, implantou em suas instalações um conjunto de equipamentos que pretendia dinamizar ainda mais sua prática educacional e proporcionar uma vivência diferente de seus alunos com a comunicação. Em abril de 2009 a escola inaugurou em seu prédio do ensino fundamental uma rádio própria onde os estudantes poderiam experimentar, no dia a dia, um contato mais próximo com o fazer comunicacional através de oficinas de rádio.

As aulas eram em formato de oficinas e os equipamentos eram extremamente simples já que eles não tinham computador à disposição, apenas uma caixa amplificadora. Os alunos selecionavam poemas, artigos, editoriais e os transmitiam através de caixas de som espalhadas pelos corredores da escola. A rádio escola nesse formato durou um pouco mais de um ano até iniciar uma pausa que se estendeu de 2010 à 2013. Nesse período a rádio se limitou a veiculação de músicas e informativos institucionais. Em outubro de 2013, a UENSP volta a oferecer a oficina de rádio-escola além de mais outras três

oficinas: teatro, artes e português. As oficinas fazem parte do Mais Educação, programa do Governo Federal que visa induzir a ampliação da jornada escolar e a organização curricular na perspectiva da Educação Integral em escolas das redes públicas de ensino estaduais, municipais e do Distrito Federal. Dessa vez as aulas são bem mais completas e profundas, acontecem duas vezes por semana, às terças e sextas e contam com a participação de 25 alunos entre 12 e 14 anos divididos em duas turmas, A e B. Além de explanações sobre a parte teórica do rádio, grupos de discussão sobre temas atuais são formados a cada semana e a análise

de material jornalístico em jornais e revistas é prática constante em sala. Atividades conjuntas às outras oficinas também fazem parte das aulas. Professora Claudeci, coordenadora do Mais Educação na escola conta o quanto essa oficina desenvolve pontos importantes, como a criatividade e a comunicação. “Com a rádio essas crianças aprendem a produzir em conjunto e a entender melhor como funcionam os meios de comunicação. Esse tipo de experiência vivida no ambiente escolar é muito importante para que elas se relacionem bem com as pessoas”. Marcos Antônio, que já ministrava a oficina em

2009 e continuou sendo o responsável por ela em 2013 também ressalta a importância da mesma: “Os alunos sempre chegam empolgados e se empenham muito em produzir o material. Eles já estão usando o microfone e não tem nada do que gostem mais do que ouvirem suas próprias vozes”. Atualmente, os participantes da oficina estão iniciando a produção de miniprogramas voltados para o público escolar e utilizando a rádio comunitária que existe na Fundação Nossa Senhora da Paz, da qual a UENSP faz parte, como laboratório. A escola também implantou rádios escolas nos seus prédios de ensino médio e primário.


Saúde 11

Teresina/ Piauí Março de 2014

Editora: Raiana Albuquerque

Alerta

Lúpus, um mal desconhecido Doença autoimune é uma condição que ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo

Lúpus é uma doença autoimune que ocorre quando o sistema imune ataca as células provocando lesões nos tecidos. Embora tenha suas causas desconhecidas, é uma doença desencadeada por fatores genéticos, hormonais e climáticos. Atinge em sua maioria, mulheres entre 20 e 40 anos, também podendo se manifestar ainda na infância. O Lúpus classifica-se em dois tipos: Lúpus Eritematoso Discoide ou Cutâneo (LED) caracterizado por inflamações cutâneas na face, couro cabeludo e nuca, e Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), a manifestação mais grave da doença, podendo acometer órgãos como coração, rins e pulmões, podendo levar o portador a óbito. Os principais sintomas são: dores articulares, inchaço, manchas avermelhadas, falta de ar e fotossensibilidade (sensibilidade à luz). Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia, no Brasil há aproximadamente 65 mil

Fotos: Thaís Siqueira

Thais Siqueira Repórter

Maria Dalva, 40 anos, é portadora de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). Nas fotos os efeitos da doença portadores, sendo a maioria mulheres, numa frequência de uma a cada 1.700 mulheres. Apesar de todos os avanços médicos, tecnológicos e

Dr. Maria das Graças Barbosa Sousa, é relmatologista e trata o lúpus

das constantes campanhas de conscientização sobre a doença, o Lúpus ainda é pouco conhecido pela população, tornando-se alvo fácil do preconceito. A dona de casa Maria Dalva, 40 anos, descobriu ser portadora de LES há dez anos, e afirma ter sido vítima de preconceito por diversas vezes. “Até hoje, ainda tem pessoas que me olham de um jeito diferente, são pessoas más”, comenta a dona de casa. O mais recente avanço no tratamento do Lúpus é o uso de um novo medicamento chamado Belimumab, um anticorpo humano que tem se mostrado eficaz no tratamento de pacientes lúpicos. No entanto, esse medicamento ainda não está disponível no Piauí.

TRATAMENTO

Geralmente, todo o tratamento é feito com uso contínuo de medicamentos anti inflamatórios, imunossupressores e corticoides, que trazem melhorias do quadro de saúde dos pacientes. No entanto, às primeiras melhoras, muitos deles abandonam o consultório médico. Mas a Reumatologista Dr. Maria das Graças Barbosa Sousa alerta: “Por ser uma doença crônica, é preciso manter um tratamento regular. Esses medicamentos trazem efeitos colaterais, por isso tem que ser feito um acompanhamento da doença e detectar outros problemas para encaminhar a um outro especialista”, explica.

Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia, no Brasil há aproximadamente 65 mil portadores, sendo a maioria mulheres


12

Meio Ambiente

Teresina/ Piauí Março de 2014

Editora: Anna Célia Santos

Reciclagem Fotos: Ana Paula Diniz

Lixo eletrônico é transformado em arte em movimentos de MetaReciclagem através de cursos desenvlvidos pela ONG Movimento pela Paz na Periferia (MP3) em Teresina

MP3 transforma lixo em arte

Materiais doados e recolhidos nos lixões de Teresina ganham nova utilidade ou função nos cursos realizados pela Ong

Inácio Pinheiro Repórter O Movimento Pela Paz na Periferia (MP3) oferece cursos de “MetaReciclagem”, técnica que transforma e dá nova utilidade ao lixo eletrônico, aos jovens da periferia de Teresina. Cursos de robótica também são realizados e peças de computadores antigos e em desuso são utilizadas para a montagem de “novos” aparelhos. O Movimento já existe desde os anos 90 e sua sede fica no bairro São Pedro. Os materiais que são doados ou encontrados nos lixões de Teresina ganham utilidade decorativa no MP3. Vasos sanitários se transformam em bancos ou em vasos de planta e enfeites de jardim, já os televisores de tela plana viram quadros pintados ou adesivados. Os trabalhos são posteriormente exibidos em uma exposição e postos a venda. Segundo Maria do Socorro Pereira, voluntária do projeto e pes-

quisadora pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) na área de educação, a venda das obras de arte que são fruto da “MetaReciclagem” é uma forma do MP3 custear parte de suas atividades. Socorro afirma que não dá para depender de repasses do governo e dos convênios que apoiam o Movimento. “A idéia de transformar o lixo em arte é uma fonte de renda para o Movimento, mas ainda precisa ser mais difundida para que ele possa avançar”, pontua. A ONG também faz reciclagem de computadores para outras instituições, como escolas. As peças de velhos aparelhos são utilizadas para a montagem de novos. O que não dá para ser aproveitado vira arte. “A globalização vai produzindo muito lixo eletrônico. É o conceito do descartável: você usa um celular e daqui a pouco compra outro e vai descartando, e isso agride muito a natureza”, afirma Socorro que está desenvolvendo sua dissertação

de mestrado a respeito da forma de educação popular adotada pela ONG. “É uma educação para o meio ambiente. É um jeito novo de pensar a educação”, completa. A pesquisa que está sendo desenvolvida pela mestranda se refere às práticas educativas que o movimento realiza em parceria com o Estado na promoção de uma educação de paz. Além do bem para o meio ambiente, a educação ambiental através da “Me-

taReciclagem” ensina e profissionaliza os jovens da periferia. Aliados à Estação Digital do MP3, os cursos de reciclagem são a alternativa para um complemento educacional para os jovens. Segundo Maria do Socorro, essa educação popular é uma alternativa para emancipação e inserção social do jovem marginalizado. Para ela, se as escolas adotassem a forma de educação ou a metodologia dos cursos de “MetaReciclagem” do MP3, elas

seriam diferentes. “A característica singular dos trabalhos do MP3 é o posicionamento questionador diante do papel do Estado”, explica a pesquisadora. Segundo ela, o Estado não deve se eximir da sua responsabilidade. “Eu acho que a juventude tem todo um potencial criativo, ela cria e vai construindo seus próprios espaços. É importante mostrar esse outro lado de uma juventude da periferia que tem a paz no seu espaço”, finaliza.

Movimento Pela Paz na Periferia O MP3 surgiu através de grupos de jovens que se encontravam nas praças em rodas de cultura hip hop. Apenas em 2004, o Movimento se tornou oficialmente uma Organização Não Governamental. A primeira parceria foi com o Consórcio Social da Juventude, iniciativa do Governo Federal em parceria com a administração estadual, vinculado ao programa Primeiro Emprego. Surgiu então o projeto de inclusão digital dentro do Movimento. Hoje, o MP3 também conta com o apoio da Fundação Banco do Brasil.


Ciência&Tec. 13

Teresina/ Piauí Março de 2014

Editora: Rafaella Nunes

Tecnologia

Aplicativos auxiliam estudantes Aplicativos para smartphones contribuem na hora dos estudos. Apps especificos para cada area são utilizados pelos estudantes Inácio Pinheiro

Jade Araujo Repórter

Com o avanço dos smartphones e da internet, os aplicativos especializados se tornam uma opção a mais para alunos que buscam consultas rápidas. Em 2007, com a popularização do Iphone, ocorreu um crescimento dos aplicativos, e com isso um avanço na criação de aplicativos específicos que dão um direcionamento para os diferentes públicos. Hoje qualquer pessoa pode criar um aplicativo para suprir sua necessidade especifica, com isso há uma dinamização da informação onde os usuários podem também comentar sobre os aplicativos que usam. Para Armando Soares, coordenador de sistemas da UFPI, esses aplicativos promovem o conhecimento colaborativo onde você pode compartilhar com os colegas, mostrando assim o quão viva é essa interação e podendo colocar o produto em sucesso ou também em fracasso. Além dos aplicativos comuns do dia a dia, como Instagram e Whatsapp, há também os especializados para áreas do conhecimento. Iolanda Sousa, estudante de Química, afirma usar auxílio de aplicativos específicos ‘’ eu uso o aplicativo da tabela periódica, o que ajuda muito quando preciso de uma consulta rápida’’. Outras áreas do conhecimento também contam como fundamental o uso desses aplicativos, ‘’gosto muito do Bulario Free, por que é um aplicativo que me informa vários tipos de medicamentos. Há também o Talk Hand que ajuda nos sinais de libra’’, explica a

O grande desafio do estudante está em manter o foco do conhecimento que você quer adquirir.

Armando Soares, coordenador de sistemas da UFPI, comentando a respeito das novas tecnologias.

Saiba mais sobre alguns apps World Atlas HD

A National Geographic disponibiliza mapas mundiais, geralmemente usado por geografos. O aplicativo está disponivel na Play Store.

Bulário Free

É um aplicativo que informa vários tipos de medicamentos. Muito utilizado por estudantes de Fármacia. E está dispónivel na Play Store para qualquer dispositivo Android

Epocrates É um aplicativo que descreve vários remédios e indica as instruções de uso,, além disso, ainda contém calculadoras e identificadores de pilulas. Está disponivel na Play Store para qualquer dispositivo Android.

Talk Hand É um aplicativo que converte conteudos em áudio, textos digitais e fotografados para a Língua Brasileira de Sinais. O aplicativo se encontra disponível na Play Store para qualquer dispositivo Android.

LinguaLeo Por meio de jogos, músicas, vídeos e até piadas, o aplicativo possibilita que os usuários aprendam inglês de uma maneira muito simples, oferedendo inclusive um dicionário com áudio para cada palavra. Está dispónivel na Play Store de qualquer dispositivo Android.

estudante de Enfermagem, Andressa Lopes. O sistema Android, que é da empresa Google, segue a mesma linha do Iphone e é um dos muitos sistemas que auxiliam com aplicativos movimentando a economia. Só no ano passado foram feitos mais de 3 milhões de downloads o que possibilitou ao mercado um faturamento de mais de 1 bilhão de dólares. Isso mostra que o mercado está cada vez mais lucrativo sendo difundido e a criação de aplicativos torna-se um mercado rentável. Segundo Armando há um marco tecnológico que muda o comportamento, ‘’ hoje a grande vantagem dos alunos é que o conhecimento está disperso no mundo e o professor já tem mais o papel de direcionar o aluno para um conhecimento especifico, acontecendo à transformação do conhecimento’’. Esses aplicativos auxiliam no conhecimento direcionado, e possibilitam caminhos aos estudantes na sua área especifica do estudo, dessa forma há uma aceleração da aprendizagem. Mas para o coordenador há também espaço para criticar esse meio, ‘’o problema é que você navega por cima das noticias e informações, então quando você estuda de verdade você tem que mergulhar, tornando-se superficial. O grande desafio do estudante está em manter o foco do conhecimento que você quer adquirir’’, afirma. Nota-se então que os aplicativos existem para auxiliar na construção do conhecimento de cada um, e é necessário apenas um direcionamento para o foco em áreas especificas do conhecimento.


14

Esportes

Teresina/ Piauí Março de 2014

Editora: Jade Araujo

Luta de aço

Timonense é duas vezes campeã mundial em queda de braço

O Nordeste se destaca com a timonense Anna Célia, que já conquistou titulo mundial em luta de braço para o Brasil

Os objetivos essenciais de Luta de Braço são a força e a potência

como com o esquerdo), assim como a criação da Federação de Luta de Braço do Estado do Maranhão. Ela está em 3° lugar no ranking brasileiro da sua categoria sênior feminino até 50 kg. Mantém uma dieta para permanecer

Ananda Omati

Após a pesagem, feita uma hora antes da competição, o atleta se dirige à mesa de ferro. Seu braço limpo e suas unhas bem aparadas não são meros detalhes, pois fazem parte das regras da modalidade. Os competidores entrelaçam suas mãos, deixando à mostra cada falange distal, assim como os polegares. Apoiam os seus cotovelos nas almofadas alinhadas ao centro da mesa, com os pulsos igualmente retos. Com a mão livre, cada um segura o pino lateral. Além dos lutadores, há os dois árbitros: o central, para analisar o alinhamento e dar o apito inicial, e o auxiliar, com a função de fiscalizar as faltas. Dá-se o tempo de um minuto para que os braços estejam alinhados, caso os competidores ultrapassem esse período, o árbitro os ajuda. A tensão paira no pequeno círculo de pessoas que estão envolvidas na disputa, a concentração impera e, no momento em que o sinal da partida é acionado, a luta de braço acontece. Assim como no futebol, a luta de braço é também praticada de forma amadora. No entanto, essa modalidade só se oficializou internacionalmente como esporte em 1967 com a criação da Federação Mundial (WAF). Dez anos depois, no Brasil, a luta de braço se tornou oficial. Antigamente, a modalidade era ligada à Confederação Brasileira de Culturismo, que unia a luta de braço, o levantamento e o fisiculturismo. Com a

criação da Federação Paulista de Luta de Braço, o esporte passou a ser coordenado separadamente. E em 27 de agosto de 1994 foi fundada a Confederação Brasileira de Luta de Braço e Halterofilismo (CBLBH); que metodiza as duas modalidades. A timonense Anna Célia Santos ingressou nesse esporte em 2003, quando viu um anúncio na TV sobre o Campeonato Norte e Nordeste de Luta de Braço. Desde então, são dez anos como atleta, sendo hoje detentora de 20 títulos nacionais, dois mundiais, e dez regionais (contabilizando as competições tanto com o braço direito,

Ananda Omati Reporter

com o peso, apesar de já ter competido na categoria de 55 kg. Seus treinos são direcionados para trabalhar a resistência muscular, tanto aeróbico e anaeróbico, como a musculação, voltada para a força e a resistência. “Os objetivos essenciais de Luta de Braço são a força e a potência”, afirma Anna Célia. Ela também destaca alguns detalhes sobre sua carreira no esporte, como o fato de nunca ter se machucado. No momento da luta, Anna Célia diz que seu perfil não é calmo, como costuma ser fora de

combate, “Sou muito mais ativa, um pouco mais estressada”. Alguns atletas utilizam o grito como objetivo de estimular o movimento e ter mais força para assim ganhar a luta. De todas as competições das quais participou, a timonense destaca o Mundial realizado no Japão, pois foi a primeira vez que fez uma viagem internacional, e o I Campeonato Maranhense em 2011, no qual contou com a torcida local gritando ao seu favor. “São momentos que você não pode esquecer, pois são muito importantes”, finaliza. O Mundial deste ano já está agendado para o período entre os dias 14 e 22 de setembro. Até lá haverá muitas competições nacionais em que se poderá ver a força de Anna Célia e de muitos outros rostos que gritam e lutam para derrubar o braço adversário na almofada lateral.

Anna Célia Santos, bracista desde 2003 já conquistou vários títulos para o Brasil


Cultura

Teresina/ Piauí

Março de 2014 Editora : Suzana Ribeiro

Arte

15

Foto : Gabriel Expo Amavél

Foto: Marcos Cunha

Foto: Galeria Expo-Amável Despertando a atenção de quem passa, as pinturas buscam emitir expressões e opiniões dos alunos, como esta que se encontra em um dos corredores do Centro de Ciências Humanas e Letras (CCHL), da UFPI

Arte emoldura paredes da Ufpi

Espalhadas pelos corredores da UFPI, as intervenções artísticas chamam atenção e dividem opiniões entre professores e alunos Marcos Cunha Repórter Pelas paredes da Universidade Federal do Piauí, alunos expressam suas opiniões, protestos e sentimentos a partir de manifestações artísticas. Segundo a lei federal nº 12.408, de 2011, a prática de grafite deve ser realizada com objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário. Em caso de bem público, é necessário obter autorização do órgão público superior. Pelos corredores da Universidade Federal do Piauí, em Teresina, percebe-se a presença pichações, pinturas e desenhos que dividem opiniões. No entanto,

nos primeiros dias de 2014, parte das pinturas foram retiradas. Para alguns alunos, essa pintura é vista como censura já que apaga a ideia que antes era exposta, e por mais que haja a busca pela limpeza das paredes, sempre surgem novas expressões. “É um pouco frustrante, porque o Centro de Ciências da Educação (CCE), não permite que os alunos

expressem o que eles pensam e também não abre espaço. Eles dizem que é preciso inscrever um projeto para usar as paredes, mas só que eles não facilitam o processo”, diz o estudante de Artes Visuais, Gillan King. Odailton Aragão, chefe de departamento de Artes Visuais e Música, diz que há uma orientação aos alunos para que não haja picha-

ção, buscando a preservação do ambiente. Existem projetos para uso das paredes da universidade como grandes painéis de arte, assim como pintura de praças do centro de educação, valorizando o trabalho dos alunos. Grandes pinturas são usadas como placas de encerramento no curso de Artes, que além de homenagear a turma embeleza a

universidade. Mas segundo os estudantes existem poucas iniciativas da universidade por parte dos órgãos superiores, na qual, para se realizar alguns trabalhos, é necessário buscar investimentos exteriores, pois existe muita burocracia na liberação de materiais na universidade. Segundo a professora Jacqueline Dourado, chefe do departamento de Comunicação Social, já houveram algumas conversas com artistas plásticos, para futuros grafites pela universidade. Com a autorização para executar o trabalho, o grafite é permitido, pois além ser uma manifestação artística, ajuda na construção do patrimônio público.


16

Livre-se

Teresina/ Piauí

Por Elana Marwell e Carolina Albuquerque

Março de 2014

Biblioteca

Um livro para cada dez alunos

Para os universitários, ter todos os livros cobrados no curso em suas prateleiras é quase impossível, principalmente devido ao preço deles. Imagine, por exemplo, o preço de todos os livros de saúde para cinco anos de curso, que bolso suporta? Para os alunos da UFPI, que não têm como manter sua estante atualizada com os títulos necessários, a solução é tirar cópias ou recorrer à Biblioteca Comunitária Jornalista Carlos Castello Branco, que dispõe de vasto acervo para atenter os alunos de todos os cursos da instituição. A Coluna conversou com a Diretoria da Biblioteca e descobriu que para disponibilizar os volumes que atendam à demanda de impréstimos há uma proporção média de livros por aluno, em que a quantidade dos mesmos se baseiam no número de estudantes. Para cada dez alunos, por exemplo, está disponível um livro, mas essa média varia de turma para turma e de curso para curso. Disciplinas comuns a diversos cursos, obviamente, têm

Os 20 mais lidos por jovens no mundo 1. Série Harry Potter, J.K. Rowling 2. Série Jogos Vorazes, Suzanne Collins. 3. O sol é para todos, Harper Lee 4. A culpa é das estrelas, John Green 5. O Hobbit, J.R.R. Tolkien 6. O apanhador no campo de centeio, J.D. Salinger 7. O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien 8. Fahrenheit 451, Ray Bradbury 9. Quem é você, Alaska?, John Green 10. A Menina Que Roubava Livros, Markus Zusak 11. Série The Giver, Lois Lowry. 12. O Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams. 13. The Outsiders, S.E. Hinton. 14. Anne de Green Gables, L.M. Montgomery. 15. Série Fronteiras do Universo, Philip Pullman. 16. The Perks of Being a Wallflower, Stephen Chbosky. 17. The Princess Bride, William Goldman. 18. O Senhor das Moscas, William Golding. 19. Série Divergente, Veronica Roth. 20. Paper Towns, John Green. Fonte: http://valerumlivro.com. br/

Prateleiras da Biblioteca da UFPI mais livros presentes nas prateleiras. O sistema de aquisição de livros por parte da Biblioteca da UFPI funciona de dois modos: por doações e por compra. Para quem

deseja doar livros para a Biblioteca basta procurar os funcionários e preencher os documentos necessários para realizar sua doação. Os livros que chegam e não são interessantes para a Instituição, são encaminhados para outras bibliotecas do Estado onde terão maior utilidade. De acordo com a subdiretora da Biblioteca, Maria do Socorro Campos, as coordenações dos cursos são responsáveis pela presença dos livros cobrados por seus professores nas prateleiras da Biblioteca, pois a cada ano uma lista dos livros necessários precisa ser enviada à Biblioteca. Se você é estudante e sente falta de algum livro na Biblioteca e o mesmo é utilizado por seus professores, então cobre da sua coordenação e do seu departamento, para que o título seja incluído na lista de compras anual da instituição. Por isso, para quem não pretende comprar, ou tirar cópias dos livros é melhor chegar bem cedo à Biblioteca e fazer o empréstimo.

Enquete

Você lê livros extracurriculares? Percorrendo os corredores da UFPI no- baixo se comparado a um aluno do Enta-se a grande quantidade de estudan- sino Médio. Em pesquisa feita por uma tes carregando livros extracurriculares. universidade do estado Rio Grande do A partir desta observação, a coluna foi Norte, um estudante de Ensino Médio lê perguntar aos estudantes de variados 15 livros a mais que os pedidos nas escocursos sobre quais gêneros gostam de las. Já os universitários, queixam-se por ler. Oito entre dez afirmaram que prefe- não lerem mais livros devido à falta de rem Ficção e Romance. “Me leva a outro tempo, divido entre os livros acadêmicos mundo e me faz imaginar pessoas e situ- e os de entretenimento. ações que eu poderia ser e viver”, diz a Poucos são os alunos que têm o hábito estudante de Biologia, Wyara Marques. de ler livros extracurriculares, é o caso A procura por livros extracurriculares do estudante de Matemática, João Aué constante. Os universitarios sempre gusto, que prefere ler os livros da sua estão buscando novos livros para ler nos graduação, devido ao pouco tempo e à horários livres e nas férias, período em complexidade dos assuntos que têm no que leem maior quantidade de livros que curso. não são do curso. A maioria dos estudantes busca a Biblioteca como fonte para ter acesso a novos livros. A leitura por meio do PDF também tem sido outra opção bastante procurada, já que podem ter o livro por mais tempo e ler sempre que desejam. Em média, paralelo aos livros do curso, os estudantes universitários leram dez livros no ano de 2013, um número relativamente Universitários sempre buscam novas histórias para as horas vagas

20 livros para ler antes de morrer 1. Guerra e Paz - Liev Tolstói 2. On the Road - Jack Kerouac 3. Grande Sertão: Veredas Guimarães Rosa 4. As Viagens de Gulliver Jonathan Swift 5. Dom Quixote - Miguel de Cervantes 6. Robinson Crusoé - Daniel Defoe 7. Em Busca do Tempo Perdido - Marcel Proust 8. Moby Dick - Herman Melville 9. O Processo - Franz Kafka 10. Livro do Desassossego Fernando Pessoa 11. Os Irmãos Karamázov Fiódor Dostoiévski 12. Coração das Trevas - Joseph Conrad 13. A Divina Comédia - Dante Alighieri 14. Hamlet - William Shakespeare 15. Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis 16. Pergunte ao Pó - John Fante 17. Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez 18. A Montanha Mágica Thomas Mann 19. O Complexo de Portnoy Philip Roth 20.O Som e a Fúria - William Faulkner Fonte: http://jornalggn.com.br/

Calandragem 2013 02 nº1  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you