Page 1


EQUIPE UNITINS Organização de Conteúdos Acadêmicos Maria Lourdes F. G. Aires Coordenação Editorial Maria Lourdes F. G. Aires Assessoria Editorial Marinalva do Rêgo Barros Silva Assessoria Produção Gráfica Katia Gomes da Silva Revisão Didático-Pedagógica Maria Lourdes F. G. Aires Revisão Lingüístico-Textual Maria Lourdes F. G. Aires Revisão Digital Vladimir Alencastro Feitosa Projeto Gráfico Douglas Donizeti Soares Irenides Teixeira Katia Gomes da Silva Ilustração Geuvar S. de Oliveira Capa Igor Flávio Souza EQUIPE FAEL Coordenação Editorial Leociléa Aparecida Vieira Assessoria Editorial William Marlos da Costa Revisão Juliana Camargo Horning Lisiane Marcele dos Santos Programação Visual e Diagramação Denise Pires Pierin Kátia Cristina Oliveira dos Santos Rodrigo Santos Sandro Niemicz William Marlos da Costa


Este caderno de conteúdos e atividades tem como objetivo apresentar uma visão da História da Educação no Brasil, da Colônia à República. O recorte aqui apresentado pretende que, ao final desta disciplina, você tenha uma visão adequada da evolução dos fatos educacionais em nosso país, a partir da percepção de que, como prática social, a educação no Brasil, além de seu caráter dual, não é uma preocupação direta com a cidadania, mas uma exigência das diversas formas de reorganização do capitalismo, para perpetuar-se e garantir produtividade e lucro, seus alvos principais. Para alcançar o objetivo proposto, dividimos o conteúdo em sete aulas. Na aula um, apresentamos alguns conceitos relevantes para a compreensão do conteúdo das aulas seguintes. Na aula dois, tratamos do contexto europeu, no qual se deu a inserção do Brasil no capitalismo mercantilista, para que você compreenda o porquê da educação jesuítica. Na aula três, o assunto são as mudanças e as permanências no processo educacional, ocorridas durante o Período Colonial. Na aula quatro, nosso olhar volta-se ao processo educacional no Brasil Império, para revelar as preocupações com as exigências de formação das elites dirigentes, fato que define o perfil da educação naquele momento. Na aula cinco, tratamos da educação das três primeiras décadas do Brasil republicano, evidenciando os avanços em relação ao momento anterior e o processo de organização do sistema nacional de educação. Na aula seis, a preocupação foi mostrar como o governo autoritário de Getúlio Vargas tratou a educação nacional, dando a ela um perfil voltado para a profissionalização, exigida pelo avanço industrial. Na aula sete, o foco é a reforma educacional promovida pela Lei n. 5.692/71, particularmente no que se refere à profissionalização compulsória do Ensino Médio. Esperamos que você tenha um bom proveito em seus estudos. Boa Sorte! Prof.ª Maria Lourdes F. G. Aires


EMENTA Reconstrução da História da Educação, do pensamento pedagógico brasileiro e das políticas educacionais no Brasil Colônia, na República e no Brasil Contemporâneo.

OBJETIVOS t Situar a educação como práxis social vinculada ao contexto socioeconômico e político do Brasil, em suas fases já subdivididas historicamente (Colônia, Império e Repúblicas). t Compreender a importância da História na definição dos papéis e das funções das instituições.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO t Os conceitos que fundamentam a História t A influência do Humanismo, do Renascimento, da Reforma e da Contra-Reforma t A influência dos jesuítas no processo de escolarização da sociedade brasileira t O Brasil Império e a educação das elites t A educação no Brasil a partir do período republicano t O Estado Novo t A Ditadura Militar t O advento da Nova República e a década de 1960 t A educação brasileira nas últimas décadas do século XX e no início do século XXI


BIBLIOGRAFIA BÁSICA GHIRALDELLI Jr., Paulo. História da educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1992. ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da educação no Brasil. 28. ed. Petrópolis: Vozes, 2003. SHIROMA, Eneida Oto et al. Política educacional. 2. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1996. TOBIAS, J. A. A história das idéias no Brasil. São Paulo: EPU, 1987.

UNITINS/FAEL • PEDAGOGIA • 2º PERÍODO

255


AULA 1 • HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

Revendo Conceitos

Ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida com ela: para aprender, para ensinar, para aprender-e-ensinar. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação. Com uma ou com várias: educação? Educações. (Carlos Rodrigues Brandão)

Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de: t compreender os principais conceitos que envolvem a história da educação; t fazer uma leitura reflexiva das ações que buscam vincular as práticas educacionais às exigências do capital.

Para um bom aproveitamento do conteúdo desta aula, é importante que você reconheça a necessidade de instrumentalização teórica, como mecanismo de facilitação e compreensão dos conteúdos das disciplinas.

Nosso esforço de reconstituição da história da educação brasileira na República traz subjacentes diversos conceitos que dão suporte aos argumentos e às afirmações apresentados ao longo do texto. Por isso, faz-se necessário não apenas que informemos a você quais as principais categorias (leia-se: conceitos), mas também apresentar os significados com os quais elas foram usadas. Entre os conceitos que serão trabalhados nesta aula, destacamos: educação, história, história da educação, sociedade capitalista, burguesia e trabalhadores.

UNITINS/FAEL • PEDAGOGIA • 2º PERÍODO

257


AULA 1 • HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

1.1 Educação De acordo com Brandão (1988), não existe educação, mas educações. Essas diferentes formas de educação envolvem nossas vidas do nascimento à morte, variando de acordo com circunstâncias de tempo e lugar, o que subentende necessidades das várias culturas, nos diversos momentos de sua existência. Para os objetivos desta aula, basta-nos, apenas, a consciência de que existem dois tipos de educação: a educação formal e a educação informal. Por isso, principiaremos este estudo teórico esforçando-nos para responder duas perguntas: o que é educação formal? O que é educação informal? Para construir as respostas que essas perguntas exigem, vamos, em primeiro lugar, aproximar duas afirmações sobre educação; depois, discutir a essência de cada uma delas. Segundo Aulete citado por Brandão (1988, p. 54), educação é “Ação e efeito de educar, de desenvolver as faculdades físicas, intelectuais e morais da criança e, em geral, do ser humano; disciplinamento, instrução, ensino”. Já segundo Holanda também citado por Brandão (1988, p. 55), a educação é ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações jovens, para adaptá-las à vida social; trabalho sistematizado, seletivo, orientador, pelo qual nos ajustamos à vida, de acordo com as necessidades ideais e propósitos dominantes: ato ou efeito de educar [...].

Como você pôde observar, cada um desses conceitos refere-se a uma das maneiras de explicar o que é educação e para que ela serve: o primeiro fala de educação informal, resultado da existência e de suas vicissitudes; o outro, da educação formal, aquela que acontece na escola, segundo objetivos, métodos e metas, uma educação intencional. Numa palavra: a educação informal acontece na vida (releia a epígrafe desta aula, em caso de dúvida); a educação formal acontece em instituições, tendo a escola como locus principal.

1.2 História O conceito de história depende da perspectiva em que a consideramos. Segundo Lopes (2002), na concepção positivista, a história é uma sucessão ordenada de fatos que se orientam para o progresso; na concepção marxista, a história estaria relacionada com o esforço do homem para garantir os bens materiais necessários para sua existência e reprodução (visão simplificada: o tema é muito complexo); na concepção dos Annales, a história não é narração, mas problema, e seus limites são ampliados, abrangendo todos os aspectos da vida social (civilização material, poder e mentalidades coletivas). Ainda de acordo com Lopes (2002), a História é uma ciência em árdua construção. Por isso, ela não dispõe de um conceito fechado. Ghiraldelli Jr. (1992, p. 11), por exemplo, diz que

258

2º PERÍODO • PEDAGOGIA • UNITINS/FAEL


AULA 1 • HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

a palavra história tem, entre outros, dois significados básicos. Ela se refere tanto aos processos de existência e vida real dos homens no tempo como ao estudo científico, à pesquisa e ao relato estruturado desses processos humanos.

1.3 História da Educação E História da Educação, o que é? Para responder essa pergunta, damos, mais uma vez, a palavra a Ghiraldelli Jr. (1992, p. 11): a História da Educação carrega o duplo sentido da palavra história. Corresponde às tramas objetivas criadas pelos homens no trabalho, sistemático ou assistemático, de transmissão de vários tipos de conhecimento, valores etc. Ao mesmo tempo, significa o estudo científico e a exposição dessas tramas [...].

1.4 Sociedade Capitalista A sociedade capitalista é uma forma de organização social, marcada por uma contradição fundamental: a contradição entre capital e trabalho. Isso porque o capital, na busca de potencializar seus lucros, transforma coisas, pessoas e relações em mercadoria. Nesse contexto, o trabalho humano também não passa de uma espécie de mercadoria, vendida ao capitalista (dono de dinheiro) pelo trabalhador (dono da força de trabalho). Essa relação coloca um e outro em pólos diferentes. Desses lugares eles têm percepções e interesses diferentes sobre o mundo, os homens e a vida.

1.5 Burguesia e Trabalhadores Na Baixa Idade Média os artesãos e comerciantes, aliaram-se aos reis para enfraquecer o sistema feudal, mantido pelo Estado e pela Igreja. Os artesãos e os comerciantes, que começam a emergir como força econômica, social e cultural, foram os burgueses originais. A burguesia surge ao mesmo tempo em que se desenvolviam as cidades e os regimes políticos da Europa. Vai se infiltrando na aristocracia e passa a dominar e a reger o sistema político, social e econômico. Teve seu apogeu a partir da Revolução Francesa e, gradativamente, transformouse na classe dominante dos Estados industrializados. Trabalhador é aquele que emprega sua energia pessoal, em proveito próprio ou alheio, visando a um resultado determinado, econômico ou não.

A educação é uma dimensão existencial do homem do nascimento à morte. Existe uma educação informal, que ocorre espontaneamente, fora da institução escolar. Há também uma educação formal que acontece de maneira sistematizada, na escola. A história da educação é o estudo de valores. Na Idade Moderna, o mundo da educação é influenciado pela opção burguesa por um modelo capitalista, que determina uma relação dialético entre dono da capital e trabalhador.

UNITINS/FAEL • PEDAGOGIA • 2º PERÍODO

259


AULA 1 • HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

1. Esta aula possibilitou-lhe conhecer os principais conceitos utilizados nesta história da educação no Brasil, no período republicano. O que você poderia dizer sobre os conceitos de educação, história, história da educação, sociedade capitalista, burguesia e trabalhador? 2. Em relação à sociedade capitalista, é correto afirmar. I.

A sociedade capitalista é uma forma de organização social, marcada por uma contradição fundamental: a contradição entre capital e trabalho.

II.

O capital, na busca de potencializar seus lucros, transforma coisas, pessoas e relações em mercadoria.

III. O trabalho humano também não passa de uma espécie de mercadoria, vendida ao capitalista (dono do dinheiro) pelo trabalhador (dono da força de trabalho). IV. Na sociedade capitalista, burgueses e proletários ocupam pólos diferentes no contexto social. Desses lugares eles têm percepções e interesses diferentes sobre o mundo, os homens e a vida. a) Apenas I e II estão corretas. b) Apenas I e III estão corretas. c)

Apenas I e IV estão corretas.

d) Todas estão corretas.

Na atividade um, se você fizer uma leitura deste caderno de conteúdos e atividades, tendo, como preocupação primeira, compreender os assuntos nele tratados, perceberá que, de forma subjacente ou não, os conceitos de que tratou esta aula se fazem presentes nas demais aulas que compõem o caderno. Se você tiver se apropriado desses conceitos, está pronto para continuar a leitura deste caderno de conteúdo e atividades. Lembre-se sempre: neste caderno estudamos a educação formal. Na atividade dois, se você escolheu a letra (d), acertou: todas as alternativas apresentam afirmações corretas sobre a sociedade capitalista.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. 22. ed. São Paulo: Brasiliense, 1988. GHIRALDELLI Jr., Paulo. História da educação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1992.

260

2º PERÍODO • PEDAGOGIA • UNITINS/FAEL


AULA 1 • HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

LOPES, Eliane Marta Teixeira. Perspectivas históricas da educação. 4. ed. São Paulo: Ática, 2002.

Na próxima aula, iremos tratar do contexto europeu, no qual se deu a inserção do Brasil no capitalismo mercantilista, para que você compreenda o porquê da educação jesuítica.

Anotações

UNITINS/FAEL • PEDAGOGIA • 2º PERÍODO

261


AULA 1 • HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

262

2º PERÍODO • PEDAGOGIA • UNITINS/FAEL


Historia da educação  

Artigo sobre a história da Educação a Distância. A fonte consta no próprio artigo.

Advertisement
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you