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Ano 12 - Nº 96 - Agosto 2013

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Entrevista

Almir Guineto “No samba não existe professor. É dom” Carioca nascido no dia 12 de julho de 1946, no Morro do Salgueiro, Almir de Souza Serra, popularmente conhecido como Almir Guineto, começou a carreira aos 16 anos no grupo Originais do Samba, fundado por seu irmão mais velho, Francisco de Souza Serra – o “Chiquinho”. Sua primeira composição foi Bebedeira do Zé e um dos grandes sucessos da carreira “Coisinha do Pai”, imortalizada na voz de Beth Carvalho. Além de violonista, foi pioneiro ao adaptar o banjo, instrumento utilizado na música country americana, ao samba. Em 1980, fundou o grupo Fundo de Quintal. Com um samba altamente partideiro foi destaque ainda das antológicas rodas do Cacique de Ramos que projetaram nomes como Arlindo Cruz, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho. Em entrevista ao Bafafá, Almir Guineto fala sobre os primórdios como músico, parceiros, fontes de inspiração e o seu último CD Cartão de Visitas. Questionado sobre o que o samba trouxe para sua vida, não titubeia: “Felicidade. No samba não existe professor. É dom”.

Nesta : o Ediçã

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Leia nas páginas 8 e 9

Evo Morales Emir Sader José Maria Rabelo Leonardo Boff Luís Pimentel Alexandre Nadai Ricardo Rabelo 15/08/2013 18:54:39


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Editorial

As relações especiais do PSDB paulista

O escândalo das concorrências do metrô de São Paulo revela, em primeiro lugar, a prática gangsteril das grandes corporações multinacionais e suas relações especiais com a maioria dos governos. Em segundo, deixa às claras, de forma irrespondível, o comprometimento do PSDB paulista nesse assalto aos cofres estaduais. As empresas estrangeiras envolvidas no escândalo, como a Alstom e a Siemens, além de suas colegas menores, têm um histórico de traficâncias em várias partes do mundo. A Alstom, por exemplo, foi obrigada a pagar, na Alemanha, mais de um bilhão de dólares em multas por conduta fraudulenta. A Siemens ficou suspensa de financiamentos pelo Banco Mundial, também por práticas irregulares. No Brasil, além das obras do metrô paulista, as duas se candidatam a participar da concorrência do trem-bala Rio-São Paulo, com as mesmas suspeitas que cercam seus outros negócios. Esses gigantes capitalistas interferem na política interna dos países em que atuam, chegam a influir na escolha de governantes, tramam, nas sombras ou abertamente, na perspectiva de seus interesses. O golpe militar que derrubou o governo de João Goulart, em 1964, contou com o apoio dessas grandes empresas, que foram financiadoras dos grupos conspirativos, como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e o IPES (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) na intensa campanha desenvolvida por eles para a desestabilização do regime democrático brasileiro. O mesmo aconteceu no Chile do governo socialista de

Salvador Allende, tendo à frente a norte-americana ITT (International Telephone and Telegraph). Na Guatemala, a United Fruit transformou o país durante anos num imenso latifúndio sob seu controle. Na Venezuela, no Paraguai, no Peru e em quase toda a América Central, eles tiveram por detrás das diferentes ditaduras instaladas ali. E assim em diversas outras nações do mundo, submetidas à ação criminosa dessas e de outras companhias imperialistas. O escândalo do metrô de São Paulo mostra duas coisas: os métodos gangsteris das grandes multinacionais e a cumplicidade do tucanato paulista. No caso do metrô paulista, é impossível ocultar a responsabilidade das lideranças locais do PSDB. Negócios tão vultosos assim (cerca de R$ 400 milhões, só em uma de suas fases) não acontecem todos os dias e chamariam naturalmente as atenções do meio político e dos governantes. Alegar desconhecimento do resultado da concorrência, como fazem o governador Geraldo Alckmin e José Serra, em cujos governos o escândalo aconteceu, além de um pequeno período no de Mário Covas, é tentar tapar com a peneira a evidência dos fatos, ou então assumir abertamente seu despreparo e incompetência para a administração do Estado. A partir do escândalo do metrô, o PSDB não pode mais falar do Mensalão do PT, pois está agora às voltas com seu próprio mensalão, justamente em sua mais importante base eleitoral e com a implicação das principais lideranças do partido.

Onde encontrar: Associação Brasileira de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas do Rio, São Paulo e BH, Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, Sindicato dos Petroleiros, Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal, Escola de Comunicação, Instituto de Economia, Instituto de Filosofia, Escola de Serviço Social, Escola de Música, Instituto de Psicologia, Fórum de Ciência e Cultura, Faculdade de Direito (UFRJ), UERJ, Café Lamas, Fundição Progresso, Cine SESC Botafogo, Cordão da Bola Preta, Botequim Vaca Atolada, Livraria Leonardo da Vinci, Bar do Gomez, Bar do Serginho, Bar do Mineiro, Bar Santa Saideira, Banca do Largo dos Guimarães (em Santa Teresa), Padaria Ipanema, Casarão Ameno Resedá, Studio RJ, Faculdade Hélio Alonso, Livraria Ouvidor (BH), Livraria Quixote (BH) Livraria Mineiriana (BH), Livraria Cultural Ouro Preto (Ouro Preto).

Diretor e Editor: Ricardo Rabelo - Mtb 21.204 (21) 3547-3699 bafafa@bafafa.com.br Diretora de marketing: Rogeria Paiva (21) 3546-3164 mercomidia@gmail.com

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Bafafá 100% Opinião é uma publicação mensal. Matérias, colunas e artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. www.bafafa.com.br

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Partidos ou camarilhas José Maria Rabêlo*

Uma das reformas mais urgentes de que o Brasil necessita é a de sua organização partidária. Não há democracia verdadeira sem a existência de partidos estáveis, que traduzam com seu programa e atuação as aspirações da sociedade, em seus múltiplos e diferentes enfoques. Sem eles, os cidadãos não têm como organizar-se para sua ação política. Vimos isso recentemente nas manifestações de rua que agitaram o País, mobilizando milhões de pessoas. Passado o período da euforia popular, que restou? Muito pouco, diante da magnitude das manifestações, pois não existia um instrumento que incorporasse suas reivindicações e que as levasse, de forma efetiva, às diversas instâncias de poder. Nem havia um resumo claro das propostas que defendiam. A desorganização partidária interessa aos grupos dominantes. Eles dispõem de recursos próprios para impor o atendimento de suas demandas e para influir nos rumos políticos da nação, podendo prescindir de qualquer intermediação. Os partidos são usados pelos seus dirigentes para obter vantagens políticas ou financeiras. Um escândalo que precisa acabar

Os países europeus ocidentais e nórdicos, que conseguiram os mais notáveis

avanços em matéria de distribuição de renda e de justiça social, como França, Inglaterra, Alemanha, Suécia, Noruega, contam com fortes partidos populares, que, apesar dos problemas mais recentes, são um instrumento dos interesses dos setores menos favorecidos da população.

No Brasil, houve até um retrocesso nos últimos anos. Com a atual legislação, os partidos se converteram em autênticas camarilhas, governados por pequenos grupos de espertos que pensam apenas em seus próprios interesses. Graças ao sistema das comissões provisórias municipais e estaduais, nomeadas e controladas com mão de ferro pelas direções nacionais, as convenções se tornaram meros órgãos homologatórios das decisões tomadas com antecedência pelos

dirigentes, verdadeiros donos dos partidos. Talvez o PT seja a única exceção, apesar das críticas de que tem sido alvo ultimamente. Por isso, as instituições partidárias constituem hoje a antítese do que deveriam ser, perdendo por completo sua condição de representantes da sociedade. Uma aberração, portanto, que é preciso pôr abaixo com toda a urgência. Mandem os drones! Os EUA, com todo o poderio que possuem, exercido sempre contra os mais fracos, tiveram de engolir a decisão russa de conceder asilo a seu agente da inteligência Edward Snowden. Verdadeiro arquivo vivo de informações sobre as estratégias militares de seu país, ele constitui uma valiosíssima peça no jogo de interesses da política mundial. Se não fosse pela força dos exércitos russos e de seu estoque de armas nucleares, os EUA já teriam mandado para lá seus drones, a fim de destruir o Kremlin e o aeroporto de Moscou, este último pelo crime de haver homiziado Snowden em seus primeiros dias de exílio. Mas como a Rússia não é um Iraque ou um Afeganistão qualquer, que destruíram ou estão em vias de destruir, satisfizeram-se com os protestos formais que, na verdade, nada valem. *Jornalista

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A crise da direita brasileira Emir Sader* É um fenômeno geral no continente: os governos progressistas deslocaram a direita e a ultra esquerda, que não encontram forma de acumular força. A ultra esquerda insiste em não reconhecer que a situação social desses países melhorou substancialmente, que deram passos importantes na contramão do modelo neoliberal, que têm uma politica externa que se opõem à dos EUA, que recuperaram o papel ativo do Estado. Ficam isolados dos processos que se dão em cada país e do grupo de governos progressistas na América Latina, que representam o contraponto internacional ao eixo neoliberal ainda hegemônico no capitalismo mundial. Não conseguem apoio em nenhum dos países com governos progressistas, frequentemente aparecem aliados à direita, considerando aqueles governos como seu inimigo principal. A direita fracassou com seus governos neoliberais, leva esse peso nas costas – imaginem o que é carregar o peso de governos como os de Menem, Fujimori, Carlos Andrés Peres, FHC? Mas

tampouco conseguiu uma nova identidade durante os governos progressistas. Em todos os países lhe faltam lideres, programa, apoio popular.

No Brasil, além da dificuldade do que fazer com o governo FHC – Serra e Alckmin tentaram distancias e não deu certo pra eles, Aécio tenta reivindicar FHC e, como se vê, não decola – não consegue lideres, nem programa. A velha mídia, sua ponta de lança e farol ideológico, mantém capacidade de gerar ou multiplicar circunstâncias, que geram certo desgaste nos governos, mas daí não se fortalecem lideres da direita.

Apesar da sua insistência – até porque não sabe fazer outra coisa -, o Serra é carta fora do baralho, sua validade já venceu. Aécio não consegue crescer, em nenhuma circunstância, nem com todo o beneplácito da mídia. Não dá confiança nem a seus correligionários mais fiéis – como é o caso de FHC agora. Não creem que ele tenha possibilidades de vitória e até corre o risco de ficar em terceiro lugar, consolidando a debacle dos tucanos. O balão de ensaio do Joaquim Barbosa não funcionou, o mesmo aconteceu com o Eduardo Campos. As possibilidades eleitorais da Marina são limitadas porque, apesar do seu desempenho nas pesquisas, seu tempo de TV será exíguo e ela não conta com alianças nos estados, nem com bancadas de parlamentares. Além da falta de um programa minimamente apegado à realidade do Brasil. Parece que a direita se contentaria com chegar a um segundo turno, com qualquer candidato, porque seu objetivo é: qualquer um, menos a Dilma. Muito pouco pelo estardalhaço da sua mídia. * Sociólogo e escritor publicado no Carta Maior - www.cartamaior.com.br

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O boi de piranha e a entrega do pré-sal

Por que querem colocar outras pautas para esvaziar a urgente mobilização contra a privatização do pré-sal de Libra? O Wikileaks denunciou telegrama de Patrícia Pradal, diretora da Chevron: ‘Diante dessa estratégia das petrolíferas para barrar a aprovação do novo marco do pré-sal, seria fazer lobby no Senado por meio do IBP, Onip e a Fiesp’... (Wikileaks) Os documentos revelam a insatisfação das petroleiras com a nova lei do petróleo aprovada pelo Congresso Nacional – em especial, com o fato de a Petrobrás passar a ser a única operadora – e como elas [multinacionais] atuaram, fortemente, no Senado para mudar a referida lei. E recomenda: “é preciso cuidado para não despertar o nacionalismo dos brasileiros”. O Congresso Nacional captou a mensagem e saiu em campo pautando a discussão dos royalties que representa no máximo 15% do petróleo, ou seja, o rabo do elefante. Os outros 85% que é o elefante todo ninguém discutiu. Com isso pas-

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saram o 10º e 11º leilão da ANP. Agora, no Leilão de Libra, as centrais sindicais ,capitaneadas pela CUT, conclamam: “se o Congresso aprovar a PL 4330, o Brasil vai parar. Isso muito se parece com a história do boi de piranha: “para atravessar um rio, o boiadeiro esperto oferece um boi às piranhas num trecho do rio, e no outro trecho passa a boiada”. Vamos discutir a PL 4330 enquanto os gringos arrematam a maior descoberta da Petrobrás em todos os tempos e um dos maiores campos de petróleo do mundo. Lógico que é importante a PL 4330, que vai legitimar as terceirizações, tanto quanto discutir a redução da jornada de trabalho, a lei das Domésticas etc. Mas o petróleo é estratégico para o Brasil, é a nossa independência, tanto assim que as guerras contemporâneas, as tentativas de golpes de democracias e as derrubadas de governos têm

somente um pano de fundo: o Petróleo! O leilão de Libra está marcado para o dia 21 de outubro de 2013. O campo de Libra com 14 bilhões de barris de petróleo, equivale a um trilhão e quatrocentos bilhões de dólares. Isso é mais que um PIB brasileiro de um ano ou toda nossa dívida externa. Os companheiros que priorizam a PL 4330 da terceirização estão movidos por qual razão? Pelo entreguismo ou pela ignorância? Acordem companheiros, ou vamos ser roubados de novo, já levaram nosso pau-brasil e nosso ouro e não fizemos nada! Vamos despertar para defender nossa soberania energética, o controle popular sobre esse importante recurso natural e a garantia de que a exploração do petróleo esteja a serviço da resolução dos nossos graves problemas sociais e no desenvolvimento de energias limpas. Fonte: Emanuel Cancella, diretor do Sindipetro-RJ Publicado na APN em 12 Agosto 2013

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Bandeira

Ricardo Rabelo Gaiola de Ouro

Não é a toa que a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro tem o apelido de “Gaiola de Ouro”. Historicamente, a instituição é regida por políticos pouco comprometidos com o interesse público. Basta ver agora a vergonha em torno da CPI dos Ônibus. Vereadores que sequer votaram pela sua criação foram eleitos para comandar as investigações. E o pior, a portas fechadas sem a presença da população. A CPI foi requerida pelo vereador do PSOL Eliomar Coelho que suspeita de benesses às empresas de ônibus, legitimando um verdadeiro cartel. A ideia é passar tudo a limpo e descobrir eventuais irregularidades. Como as empresas de ônibus fizeram generosas doações na campanha eleitoral, a maioria dos vereadores quer esvaziar a sua atuação.

Gaiola de Ouro II

Os vereadores só não esperavam a enérgica rea-

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ção da sociedade, principalmente dos jovens. A Câmara acabou sendo ocupada e os vereadores expostos à execração pública. A reivindicação (legítima) é que o autor do pedido da CPI, Eliomar Coelho, seja o presidente. Espero que os vereadores tenham bom senso e respeitem a sociedade. Está na hora de um “saculejo” nesta instituição.

Gaiola de Ouro III

No entanto, uma pergunta não quer calar: por que os eleitores votam tão mal para vereador? É desolador ver nomes despreparados legislando em nosso nome. Alguns têm até fichas criminais e ainda assim são eleitos. Está mais do que não hora de dar um “pé no traseiro” de quem não merece o nosso voto.

Depredação Não

O protesto legítimo das

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ruas infelizmente está sendo desrespeitado por meia dúzia de vândalos que aproveitam para destruir o patrimônio público. Lamentável ver serem quebrados pontos de ônibus, orelhões, placas de rua e lixeiras. Afinal, isso é de todos nós. Essa ação inconsequente e covarde está colocando a sociedade contra as manifestações. Até quando meia dúzia de arruaceiros continuará tornando a cidade refém deste absurdo? De onde vem esse pessoal? Duvido que sejam estudantes e trabalhadores. Estou cada diz mais convencido de que não passam de desocupados sedentos por instalar o caos em nossa cidade. Só agem em grupo e com o rosto coberto. Por que não mostram a cara?

Depredação Não II

Tenho medo que marginais se aproveitem para invadir e saquear prédios residenciais, centros comerciais e destruam transportes coletivos, carros e outros bens públicos e privados. Se isto acontecer, estará aberta uma guerra sangrenta com muitas vítimas. Não precisamos de cadáveres. Precisamos de razão e bom senso.

O pior é que esses “valentões” não têm propósito político algum. Não têm propostas, pautas, bandeira. É a regra do “quanto pior melhor”. Não podemos legitimar este tipo de ação. A sociedade organizada tem de resistir. Tem muito milico fardado e de pijama doido para justificar um retrocesso. Vamos dar corda para esse tipo de gente?

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com generosas verbas de publicidade, a pequena imprensa é tratada a “pão e água”. Para termos imprensa plural, antes de tudo é preciso ser pluralista na distribuição das verbas publicitárias. Defendo que pelo menos 10% das verbas públicas de publicidade sejam destinadas a veículos alternativos e regionais. Caso contrário, estaremos para sempre dependentes dos grandes veículos de comunicação.

Seminário na ABI

Novo Portal Bafafá

Tive a satisfação de participar do Seminário “Democratização da Mídia”, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Promovido pela Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da entidade, teve como finalidade provocar um debate sobre o monopólio da comunicação no Brasil e o prejuízo desse modelo para o conjunto da sociedade. Na mesa “Comunicadores populares, livres e independentes” expressei meu desapontamento com o tratamento dispensado pelo governo federal à imprensa alternativa. Enquanto os grandes veículos são contemplados

O portal Bafafá On Line está de cara nova. Agradecemos a agência Mônada Soluções Criativas pelo sensacional visual do site. Em especial, à publicitária Raquel Reis que demonstrou grande capacidade criativa. Acessa e confira o novo site: www.bafafa.com.br

Novo Jornal Bafafá

O jornal Bafafá também está de visual novo. A mudança começou com a logomarca e paulatinamente chegará às páginas internas. A ideia é padronizar a “marca” Bafafá (jornal, site e bloco).

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VOCÊ NUNCA VIU UM HOSPITAL COMO O INSTITUTO ESTADUAL DO CÉREBRO. NEM ELES.

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Paulo Niemeyer Filho. Fábio Miranda. Emerson Gasparetto. Eduardo Faveret. Monica Gadelha. Cinco grandes médicos que fazem parte do Instituto Estadual do Cérebro, hospital criado pelo Governo do Rio que tem um moderno ambulatório e 100 leitos, 44 só de UTI, para tratar doenças vasculares, degenerativas, tumores e epilepsia. Um centro de referência com tecnologia avançada e núcleo de pesquisa que traz o que há de melhor no mundo para realizar cerca de 200 cirurgias por mês. Um hospital de primeiro mundo, especializado em doenças neurológicas, no Centro do Rio.

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Almir Guineto

Entrevista

“No samba não existe professor. É dom” Carioca nascido no dia 12 de julho de 1946, no Morro do Salgueiro, Almir de Souza Serra, popularmente conhecido como Almir Guineto, começou a carreira aos 16 anos no grupo Originais do Samba, fundado por seu irmão mais velho, Francisco de Souza Serra – o “Chiquinho”. Sua primeira composição foi Bebedeira do Zé e um dos grandes sucessos da carreira “Coisinha do Pai”, imortalizada na voz de Beth Carvalho. Além de violonista, foi pioneiro ao adaptar o banjo, instrumento utilizado na música country americana, ao samba. Em 1980, fundou o grupo Fundo de Quintal.

cantávamos sambas inéditos, pois todos os artistas do mundo do samba e jogadores de futebol iam ali. Então, em 1980, pintou o Fundo de Quintal. Gravamos um disco. Depois disso, eu passei a cantar sozinho e estou aí até hoje.

Como é a relação com os parceiros de composição? Ótima, sensacional. Beto Sem Braço, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Sereno, Bira Presidente, Ubiranir, Jorge Aragão, aquele time todo. Nós criamos o Fundo de Quintal, eu, Sombrinha e o falecido Enelcir.

E o Denir de Lima? Denir também. Apesar de não ser do grupo, ele participava muito, gostava de versar e mandava muito bem.

Como você vê o partido-alto hoje? Nesta época você tocava cavaquinho? É! Nessa época eu toquei com muita gente, artistas como Beth Carvalho, Alcione, Martinho da Vila, etc. Depois, fui para o Fundo de Quintal. Na verdade, não existia Fundo de Quintal. Nós nos reuníamos

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O samba de partido-alto, o samba de improviso, caiu muito. Antes você tinha o tema e improvisava em cima dele. Hoje em dia não tem mais isso. Virou um folclore, o pessoal gosta de rir e ganha quem canta por último. Tem a escada que prepara para o outro cantar. Hoje em dia, eu não vejo mais partido-alto como era antigamente.

Por Alexandre Nadai

Com um samba altamente partideiro foi destaque ainda das antológicas rodas do Cacique de Ramos que projetaram nomes como Arlindo Cruz, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho. Em entrevista ao Bafafá, Almir Guineto fala sobre os primórdios como músico, parceiros, fontes de inspiração e o seu último CD Cartão de Visitas. Questionado sobre o que o samba trouxe para sua vida, não titubeia: “Felicidade. No samba não existe professor. É dom”.

Como começou a sua história no Cacique de Ramos, às quartas-feiras No começo da carreira você foi com o samba, lá no Morro do para fazer samba sem compromisso, para São Paulo e, agora, volta ao sem interesse, só por diversão. Aí que Rio depois de mais uma longa Salgueiro? nasceu o Fundo de Quintal. Me chama- temporada por lá. O Rio é ruim Morávamos na Rua João XV, num barraco ram para fazer um teste, em uma época para o sambista ganhar dinheiro sem número a 100m da quadra principal que nós nem pensávamos nisso. Nós só com a música? do Salgueiro. E, vivendo perto do samba, tinha que ser sambista. Ainda mais porque meu pai era professor de violão e meu irmão Chiquinho, integrante do grupo Originais do Samba. Junto com o músico e humorista Mussum ele me levou para São Paulo para tocar com o Originais do Samba. Fiquei um bom tempo por lá, um lugar que excita a fazer música. Antes de cantar, fui músico, toquei em estúdio.

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Exatamente! O Rio é bom para o turista gastar. Porque para fazer show é difícil. As instituições falam que você é daqui, “cria da casa” e não pagam. Já em São Paulo não. Lá você trabalha muito, muito mesmo e ganha dinheiro. Pagam de acordo com o valor do artista. Cantei no interior todo e, em cinco anos, não consegui ir a todos os lugares. Em São Paulo tem as feiras agropecuárias, “cantar para boi” (riso), tem espaço. Aqui não, tirando a época de carnaval, é complicado.

Como foram as dificuldades no início da carreira? Naquela época ninguém tinha automóvel, ninguém tinha carro próprio, era ônibus, a pé ou de carona mesmo. Por exemplo, no Cacique de Ramos era difícil passar carro, automóvel, principalmente de madrugada. Era muito difícil. Então, ou voltava de carona ou ficava por lá e só chegava no dia seguinte em casa. Ficávamos bebendo até de madrugada, tocando embaixo da tamarineira. Mas era um tempo bom, que deixou muitas saudades.

Como era a relação com Zeca. Ele pagou muita cerveja para vocês?

Nas suas músicas, algumas falam É uma grande amizade. Ele é parceiro sobre o caxambú, o jongo. Você de música, cantava bem, versava bem. vivia isso na época de infância? Curtimos muito a madrugada. Tempo bom que não volta mais.

Na minha época de menino, tinha o Jongo. Minha falecida Tia Estephânia fazia festas de São João e sempre botava o tambor para tocar no terreiro. E tem toda aquela coisa da oração, todo um preceito. Mas a gente via e brincava ali vendo os mais velhos.

E a sua relação com o Salgueiro? Eu fui ritmista do Salgueiro, fui presidente da bateria, desfilava em ala, essas coisas. Mas hoje já não faço mais parte. A carreira artística não deixa. Hoje, eu só sei fazer isso: cantar. A gente tem que aproveitar para poder viajar e ganhar dinheiro.

E o primeiro sucesso? Fiz “Coisinha do Pai” antes de ser cantor, era cavaquinista. Ela é minha e do Jorge Aragão. Essa música foi até para Marte na voz de Beth Carvalho. É uma música que tenho muito orgulho. E não pode faltar nos shows.

E a sua relação com o público? Como é o reconhecimento? É muito gratificante. É muito bom você ver o público interagir com você e cantar tudo o que você canta. Minhas músi-

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Milton Manhães é um grande produtor. Ele e o maestro Ivan Paulo. Eles estão na maioria dos meus discos.

O que inspira Almir Guineto? Como é o seu processo de criação?

Como foi a concepção de “Lama nas Ruas” por exemplo? Eu e o Zeca estávamos na Serra da Cantareira, em São Paulo, totalmente embriagados (riso), uma tempestade “do caramba”. Aí conseguimos fazer essa música. Noite de pifão, com limão e cachaça.

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nhães, no processo de produção fazer as composições, Fred Camacho, quando surgiram vários sambis- Arlindo Cruz, Gilson Bernini, Dudu Nobre. Uma ga-lera. E chamei o Ivan Paulo para tas no Cacique de Ramos?

cas são todas antigas. E elas não têm idade, elas perduram, são antológicas. Canções como “Conselho”, “Insensato Destino”, “Coisinha do Pai”, “Jibóia”, entre outras são muito conhecidas. No show é só começar para o povo cantar.

Vem naturalmente. Tem muitas formas de fazer, inclusive de trás para frente para montar. Pega um parceiro que gosta de trabalhar. Já fiz músicas de todas as maneiras. O poeta escreve e geralmente, eu faço a melodia.

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fazer os ar-ranjos. Nós fazíamos duas músicas por dia.

Quais são os planos para o próximo semestre?

Você perdeu um filho. Como foi Vou fazer um DVD agora. Vão participar lidar com essa perda? Uma perda é sempre uma perda. Eu já estava em São Paulo quando o fato ocorreu. É sempre difícil. A dor é sempre grande.

Diogo Nogueira, Xandy de Pilares, Almirzinho, Dorina, Luciana Carvalho, Fundo de Quintal, Elba Ramalho, Alcione. São músicas antigas, sucessos, que estou fazendo regravações. Além disso, vou ser também “Memória do Samba”. O primeiro foi o Monarco, agora sou eu.

E essa volta para o Rio agora? Qual a música que você mais gosta? Para reencontrar a Regina. Matar as O que o samba trouxe para você? Música é que nem um filho que nasce. É magia. Você pensa que vai brilhar no disco, mas não acontece. Umas vão, outras não. Mas é um filho que nasce. Eu gosto de todas.

saudades da minha mulher. Matar saudades do Rio.

E o seu último CD Cartão de Visitas?

E a importância do Milton Ma- Eu e o Adalto Magalha sentamos para

Muita Alegria. Até hoje. É uma felicidade conviver com o samba. No samba não existe professor. É dom. A galera mais nova tem que cair dentro e fazer com carinho. Sempre com humildade, sem máscara.

ras scinas e quad as, campos, pi st pi s na r lo do seu va cnica e apoio. s vêm mostran superação, té iro a, ile lin ip as sc br di s a, co límpi isas: garr Os atletas para parte a de muitas co ca da ANDEF nível é a som to al se es uipe paralímpi E . eq do a un ra m pa do do e var do Brasil ia, reverten potencial de le e dessa histór ar quem tem o de fazer part ud lh aj , gu RJ or TE m te LO A LOTERJ os. Para a lhetes lotéric mesmo. a venda de bi m co o tid gio. É orgulho ob o do seu lucr é só um privilé o nã o di pó ais alto do asil ao lugar m o nome do Br

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Vitrola

Alexandre Nadai Agulha caindo sobre o vinil e a vitrola começa ecoar “Filosofia de Boêmio”, do sambista Zuzuca do Salgueiro. Um time de bambas participou da gravação deste trabalho de 13 faixas. “Aí grande Zagallo!”, que abre com a música que dá nome ao disco. Infelizmente não foram colocados os compositores das músicas para darmos o devido crédito. Mas nada que tire o brilho desta preciosidade para quem curte o samba no seu cerne, aquele de raiz. Como falei, um elenco de craques participou do CD. Arranjos e regência do maestro Ivan Paulo, Alceu Maia no cavaco, Ivan Machado no contra-baixo, Gerominho no violão, Guilherme Lara nos teclados, Luciano Broa na bateria, Beloba na percussão e Bira Show. Nos vocais, Neth Bonfim, Cida França, Alexandre Lloro, Angela Sol, Edneusa Santos e Guilherme Lara. Fiz questão de citar todos, pois o cd está muito gostoso de ser ouvido e o coro vem pesado, tendo uma participação bem efetiva no CD, mais do que eu usaria, um pouco além da medida, mas que deu cara de roda ao estúdio. E hoje, a Vitrola vai ganhar um ar mais instrumental. Subindo pro vale do Paraíba, levei um pacote de CDs que recebi aqui no escritó-

rio. Coisa boa, que me fez lembrar dos tempos de assessor de imprensa do Drink Café, na Lagoa, da amiga Ana Maria Magalhães, que realizava os festivais de jazz e bossa nova - consegui convencê-la a fazer um de samba também, mas isso é outra história. Mas voltando, vamos falar de música: Peguei a Linha Vermelha para começar a saída do Rio ao som do “Duo Santoro”, com o trabalho “Bem Brasileiro”, que abre a minha viagem com o Trenzinho do Caipira, de Heitor Villa-Lobos, passando depois para Waldemar Szpilman, com Choro. O CD traz também músicas de Ricardo Medeiros, Ernst Mahle, Francisco Megnone, José ALberto Kaplan, Alexandre Schubert, Osvaldo Lacerda, Ernani Aguiar, Edmundo Villani-Côrtes, João Guilherme Ripper e Sérgio Roberto de Oliveira. Um trabalho para ouvir, virar o disco, ouvir de novo e seguir ouvindo. Mas vamos seguindo que o pacote veio recheado, com coisas ótimas. “Os Pianeiros” de Luiz Eduardo Domingues adentrou o carro na subida da serra com Arrojado, de Ernesto Nazareth - nem preciso falar que começou bem. Tivemos

que dar uma parada no Alemão para um almoço e seguir viagem e a audição. E logo veio o tal do Joaquim Callado, que no quesito musical - ou como alguns pseudos gostam de usar (mal diga-se de passagem) “a nivel de” ..kkkk (tive que falar) - fala com toda propriedade. Que coisa linda. E por aí, foi, como diria Kerouac, pela estrada, Chiquinha Gonzaga, Misael Do-

mingues e JJ Batata, em 16 faixas de êxtase, tranquilidade, fazendo a devida transição do turbilhão que vivemos na cidade para a paz que estávamos a encontrar acima dela. E subiu também foi o tom da voz, somando-se aos belos instrumentos aqui já falados e compositores citados, chego a “Oitis” do Sérgio Roberto de Oliveira, onde pude degustar

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boa música e poesia de nomes como Paulo Cèsar Feital, Mário Quintana e do próprio Sérgio.Acompanhado do trio Luis Carlos Barbieri, Mimi Cassiano e Maria Carolina Cavalcanti. Um pouquinho do que compõe não só o autor do projeto “Quinze”, mas do que traz a alma da música, na poesia cantada, falada, solta de forma leve e harmônica. Já o trabalho do outro Sergio, o Ferraz, requer um pouco mais de atenção e cuidado. Coisa de Pernambucano, povo que eu gosto muito. Povo que tem a música no sangue, que cria, recria, em uma insatisfação continua, como meu amigo Décio Rocha - que já está com mais um CD no forno, parceria com Arthur Maia. Mas voltando ao Ferraz, “A Sublime CIência & O Soberano Segredo” beira àquela coisa instrumental, que viaja por influências mais esotérias, como deixa clara a entrada da primeira faixa: “A grande Batalha de Arajuna”. No começo, pode soar estranho, diferente, eu diria, mas deixe o CD rolar, rola uma mistura com algo mais eletrônico, barulho das águas, um “q” de natureza nas faixas seguintes, um som com muita percussão, algo para meditar, relaxar em casa. É importante ouvir algo diferente, se desconstruir para reconstruir algo novo. Gostei bastante da experiência, gostei muito do som. Vale conferir. É isso!!! A Vitrola hoje foi do samba para uma viagem mais erudita, sem perder o gingado, aprendendo o que é bom de ser apreciado. Desliga aí! alexandre.nadai@gmail.com

A tranquilidade, a cordialidade e o bom humor de Monarco Luis Pimentel*

No ano em que ele completa 80 anos (dia 17 de agosto), quem ganha o presente é a Portela, sua escola do coração. Monarco, o grande compositor, baluarte e incentivador da Velha Guarda, foi eleito presidente de honra da agremiação azul e branca de Madureira. Desses oitenta, só de samba são quase sete décadas, porque começou a compor ainda menino, com 11 ou 12 anos de idade. Até hoje compõe, e bem. Até hoje canta, cada vez melhor. Sozinho ou ao lado da família de músicos que a vida lhe deu (filhos, netos

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e netas que tocam e que cantam), Hildemar Diniz, o grande Monarco, não para de trabalhar. Mês passado mesmo o vi, inteiro, íntegro e pimpão, sambando e cantando o fino em casa de shows na Lagoa. Dono de uma voz bela, forte e poderosa, o sempre jovem Monarco da Velha Guarda da Portela é compositor de encher os olhos, autor de sambas que estão entre os mais deliciosos da MPB e do repertório de excelências como Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola, Clara Nunes, Martinho da Vila e Beth Carvalho. É autor de pérolas como Lenço, Vai vadiar, Tudo menos amor, Coração em desalinho, Passado de glória, Rancho da primavera e mais um caminhão de obras-primas.

Com o seu eterno e indiscutível amor ao samba e à Portela, Monarco já formou duas gerações, dentro da própria família, de seguidores dos seus passos. O último pilar da ponte já está acontecendo no mundo da música, a linda neta Juliana (cantora e atriz), filha de seu filho Mauro Diniz – também compositor e um instrumentista de altíssimo nível. Tem mais um filho no ramo: o cantor e compositor Marquinhos Diniz, uma das feras do Trio Calafrio. Todos seguem a tradição do velho Hildemar, da velha guarda, da escola de samba querida e também dos principais parceiros de Monarco, como Alci-

des Dias Lopes (o Malandro Histórico da Portela), Chico Santana, Manacea, Mijinha e Candeia. Infelizmente, todos já mortos. Monarco tem alguns discos gravados (com certeza, bem menos do que merece), inclusive no Japão. Ainda hoje, corre para cima e para baixo (quando faz bom tempo, viaja até o estrangeiro), em busca de shows que garantam o seu sustento. Mas sempre sem perder a tranquilidade, a cordialidade e o bom humor. É uma das jóias mais raras da nossa música. *Jornalista e escritor

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Greve de fome em Guantánamo Obama tinha prometido o encerramento da prisão norte-americana de Guantánamo, mas quatro anos e meio depois da sua primeira eleição ela continua a funcionar, com grande parte dos seus prisioneiros sem acusação, nem processo formal. Noventa por cento dos prisioneiros nunca foram acusados de crime algum. Desde o dia 6 de fevereiro, os prisioneiros de Guantánamo iniciaram uma greve de fome de protesto pela sua situação de prisão ilegal e sem fim e também contra os abusos que sofrem. Dos 166 detidos na prisão norte-americana de Guantánamo, 102 participam no protesto e, pelo menos, 45 foram alimentados à força nas últimas semanas. Segundo David Reme, advogado de alguns dos detidos, vários prisioneiros perderam quase 20 quilos e estão desesperados. Reme alerta que alguns podem morrer nos próximos dias. O jornal Miami Herald noticiou recentemente que os EUA vão gastar este ano 454,1 milhões de dólares com a prisão de Guantánamo. A previsão é que os custos totais com a prisão de Guantánamo, até ao final de 2014, sejam de 5,242 bilhões de dólares. Estes dados foram confirmados pela administração norte-americana, pela primeira vez, numa reunião do Comitê de Justiça do Senado dos EUA. Fonte: Carta Maior

Onde está Amarildo? Policiais da UPP apreenderam em 14 de julho, na Rocinha, um homem que teria sido confundido com um traficante procurado no Rio de Janeiro. Segundo a polícia, ele foi solto após checagem de antecedentes criminais, mas desde então está desaparecido. Amarildo Souza Lima, de 42 anos, foi levado por agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) à sede da UPP na Rocinha, Rio de Janeiro. Câmeras de vigilância instaladas próximas à entrada da Unidade registraram a entrada de Amarildo, mas a polícia alega que ele saiu por outra porta, cuja câmera não estava funcionando. A polícia diz que está investigando o que aconteceu depois que Amarildo foi liberado, mas até agora nada foi encontrado. Sua esposa, Elizabeth Gomes da Silva, disse à imprensa: “Não acredito mais que vou encontrar ele com vida. Não sofremos nenhuma ameaça, mas tenho medo, muito medo de que depois que a poeira baixar a polícia faça algo comigo ou com minha família” (O Globo, 24/7). Amarildo sempre morou na Rocinha, e é bastante conhecido pela vizinhança e pela polícia local.

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Moradores da Rocinha organizaram uma série de manifestações a partir do dia 17 de julho, com a participação de pessoas de várias partes do Rio de Janeiro e intensa atividade nas redes sociais. Juntamente com organizações de direitos humanos e agentes policiais, moradores e amigos de Amarildo têm realizado buscas pelo seu corpo, mas ainda não encontraram pistas para o seu desaparecimento. Fonte: Anistia Internacional

Despreparo policial A Anistia Internacional reitera a sua preocupação com a falta de preparo da Polícia Militar do Rio de Janeiro ao atuar durante os protestos e ao coibir ações que resultam em violência e depredação, como constatamos nos bairros do Leblon e Ipanema, na Zona Sul do Rio. A Anistia Internacional não defende a inação da polícia, mas critica a sua incapacidade de atuar de maneira a garantir a paz nas manifestações. Não podemos ficar diante de uma escolha entre extremos: ou repressão abusiva ou falta de ação. Além de garantir a segurança dos manifestantes pacíficos durante os protestos, a polícia precisa identificar pontualmente quem são as pessoas que praticam saques, depredação de patrimônio e ações de violência contra os próprios policiais e utilizar a lei vigente no país para responsabilizar estes atos. A Anistia Internacional reforça ainda o seu posicionamento contra o uso indiscriminado de armas menos letais e a perseguição de manifestantes pacíficos pela polícia, no momento de dispersão dos protestos, situação que tem se repetido durante as manifestações no Rio de Janeiro. Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional Brasil.

Site Brasil Nunca Mais A Procuradoria Regional da República da 3ª Região (órgão do Ministério Público Federal que atua na segunda instância da Justiça Federal em São Paulo) lançou no início de agosto o site Brasil Nunca Mais Digit@l, que disponibiliza cerca de 900 mil páginas digitalizadas de um conjunto de 710 processos da repressão durante a ditadura militar, julgados pelo Superior Tribunal Militar. Com essa iniciativa todo o acervo do Brasil Nunca Mais (BNM), projeto realizado no início dos anos 80 pela Arquidiocese de São Paulo e o Conselho Mundial de Igrejas, já pode consultado pela internet. O site traz, ainda, cópia integral dos arquivos do Conselho Mundial de Igrejas e da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, os quais revelam os bastidores do projeto, realizado em segredo durante a vigência do regime de exceção. Confira: http://bnmdigital.mpf.mp.br Fonte: Brasil Nunca Mais Digital

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Festival de Cinema de Roma As inscrições para a oitava edição do Festival de Cinema de Roma estão abertas até o dia 16 de setembro. O festival, que acontece na capital italiana entre os dias 8 e 17 de novembro, aceita inscrições de longas e curtas-metragens finalizados a partir de 29 de novembro de 2012 para suas mostras competitivas e não-competitivas. Filmes brasileiros selecionados para a Seleção Oficial Competitiva ou para a Seleção Cinema XXI poderão solicitar apoio à ANCINE pelo Programa de Apoio à Participação de Filmes Brasileiros em Festivais Internacionais da Agência. Mais informações no site oficial do festival: http:// www.romacinemafest.it Fonte: Ancine

Novo Bafafá online O portal Bafafá On Line ganhou nova roupagem às vésperas de completar 11 anos. Ele está mais moderno, bonito e funcional. Todos os eventos agora são acompanhados com mapa de localização. Destaque ainda para as fotos e muito mais conteúdo. Não esqueça de cadastrar seu email para receber a agenda semanal com o melhor da Cidade Maravilhosa. Agradecemos o empenho da Mônada Soluções que concebeu o projeto! Confere lá: www.bafafa.com.br

Festa de 4 anos da Folia Carioca Os leitores do Bafafá estão convidados para a festa dos 4 anos da Associação Carioca de Blocos e Bandas – Folia Carioca. Será no sábado 31 de agosto, no Cordão da Bola Preta (20h). Atrações: roda de samba com o grupo Pixin-Bodega (que anima a feira da Rua Gal Glicério aos sábados) e participação do sambista Noca da Portela cantando os seus maiores sucessos. Encerrando, baile com o Multibloco apresentando amplo repertório de música brasileira e internacional em ritmo de batucada. Cordão da Bola Preta Rua da Relação, 03 – Centro – Ingresso: R$ 10 Informações: 3547-3699

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“Eu, sequestrado na Europa” Evo Morales, Presidente da Bolívia O último 2 de julho produziu um dos eventos mais insólitos da história do Direito Internacional: a interdição feita ao avião presidencial do Estado Plurinacional da Bolívia de sobrevoar os territórios francês, espanhol, italiano e português, seguida de sequestro, no aeroporto de Viena (Áustria), por catorze horas. Várias semanas depois, este atentado contra a vida de membros de uma delegação oficial, cometido pelos Estados considerados democráticos e respeitadores da lei, continua a provocar indignação ao mesmo tempo em que abundam as condenações de cidadãos, de organizações sociais, de organismos internacionais e de governos por todo o mundo. O que aconteceu? Estava em Moscou, alguns instantes antes do início de uma reunião com Vladimir Putin, quando um assistente me alertou de dificuldades técnicas: era impossível levar-nos até Portugal como estava previsto inicialmente. Mas, assim que terminou o encontro com o presidente russo, já tinha ficado claro que o problema não tinha nada de técnico… Desde La Paz, o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros, David Choquehuaca, tratou de organizar uma escala em Las Palmas, na Espanha, e validar um novo plano de voo. Tudo parece em ordem… mas, agora que estamos no ar, o coronel de aviação Celiar Arispe, que comanda o grupo aéreo presidencial e pilotava o avião neste dia, vem me ver: “Paris retirou nossa autorização de voo! Nós não podemos penetrar no espaço aéreo francês!”. A surpresa era tão grande quanto a sua inquietude: estávamos prestes a cruzar o sul da França. Podíamos, é claro, tentar regressar à Rússia, mas corríamos o risco de ficar sem combustível. O coronel Arispe fez, então, contato com a torre de controle do aeroporto de Viena para solicitar uma autorização de aterrissagem de urgência. Que as autoridades austríacas sejam aqui agradecidas por nos dar sinal verde. Instalado num pequeno escritório que me colocaram à disposição no aeroporto, conversava com meu vice-presidente, Alvaro Garcia Linera e com o ministro Choquehuanca, para decidir o que fazer na sequência e, sobretudo, tentar compreender as razões da decisão francesa, uma vez que o piloto tinha me informado que a Itália também tinha recusado o nosso pedido de entrada no seu espaço aéreo. Neste momento, recebi a visita do embaixador da Espanha na Áustria, Alberto Carnero. Ele me comunicou que um novo plano de voo para me levar à Espanha havia sido aprovado. Explicou que era necessário fazer, antes de tudo, uma inspeção no avião presidencial. Tratava-se de uma condição sine qua non para a nossa partida em direção à Las Palmas, nas Grandes Canárias. Quando pergunto sobre as razões de tal exigência, Carnero invocou o nome de Edward Snowden, empregado de uma empresa norte-americano que prestava serviços de espionagem a Washington. Respondi que só o conhecia pelo que era noticiado na imprensa. Lembrei igualmente, ao diplomata espanhol, que meu país respeitava as convenções internacionais: em nenhum caso eu estava tentando extraditar alguém para a Bolívia. Carnero estava em contato permanente com o subsecretário dos assuntos estrangeiros espanhol, Rafael Mendívil Peydro, que lhe pedia, visivelmente, para insistir. “Você não inspecionará este avião, tive que reforçar. Se você não acredita que no que eu digo, você está chamando o presidente do Estado soberano da Bolívia de mentiroso.” O diplomata retirou-se para se aconselhar com seu superior, antes de retornar. Pediu-me, então, que o convidasse a tomar um rápido café no avião. “Mas você acha que eu sou um delinquente?” — perguntei. “Se você tentar entrar neste avião será necessário que use a força. E eu não resistirei a uma operação militar ou policial, não tenho meios para tanto.” Definitivamente assustado, o embaixador descartou a opção da força, não sem antes afirmar que, nestas condições, não poderia autorizar o plano de voo: “Às nove da manhã, indicaremos se vocês podem ou não partir. Por enquanto, vamos discutir com nossos amigos”, explicou. “Amigos?” “Mas que amigos da Espanha são esses que você se refere? A França e a Itália?” Ele recusou-se a responder e saiu… Aproveitei o momento para discutir com a presidente ar-

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gentina Cristina Fernández, uma excelente advogada que me aconselha nas questões jurídicas, e também com os presidentes venezuelano e equatoriano, Nicolás Maduro e Rafael Correa, ambos muito inquietos com o assunto. O presidente Correa ligou várias vezes durante o dia, para saber as novidades. Esta solidariedade me deu forças: “Evo, eles não têm nenhum direito de inspecionar o seu avião!”, repetiu. Eu não ignorava que um avião presidencial tem o mesmo estatuto de uma embaixada. Mas estes conselhos e a chegada dos embaixadores da Aliança Bolivariana para os Povos da nossa América (ALBA) [1] aumentou dez vezes a minha determinação de me mostrar firme. Não, nós não ofereceremos à Espanha ou à qualquer outro país – aos Estados Unidos, ainda menos que aos outros – a satisfação de inspecionar nosso avião. Nós defenderemos a nossa dignidade, a nossa soberania e a honra de nossa pátria, nossa grande pátria. Nós jamais aceitaremos esta chantagem. O embaixador da Espanha reapareceu. Preocupado, inquieto e nervoso, disse que eu já disponha de todas as autorizações e que podíamos partir. Enfim, decolamos… A interdição de sobrevoo, decretada de maneira simultânea por quatro países e coordenada pela CIA (Central Intelligence Agency) contra um país soberano, sob o único pretexto que nós talvez estivéssemos a transportar Snowden, atualiza o peso político da principal potência imperial: os Estados Unidos. Até 2 de julho (data do nosso sequestro), todos compreendiamque os Estados pudessem dotar-se de agências de segurança, a fim de proteger seu território e população. Mas Washington ultrapassou os limites concebíveis. Violando todos os princípios da boa fé e as convenções internacionais, transformaram parte do continente europeu em território colonizado. Um insulto aos direitos do homem, uma das conquistas da Revolução Francesa. O espírito colonial que conduziu a submissão de tantos países demonstra, mais uma vez, que o império não tolera nenhum limite – nem legal, nem moral, nem territorial. A partir de agora, está claro para o mundo inteiro que, por esta potência, todas as leis podem ser transgredidas, toda a soberania violada, todo o direito humano ignorado. O poder dos Estados Unidos está claramente nas suas forças armadas, envolvidas em várias guerras de invasão apoiadas por um complexo militar-industrial fora do comum. As etapas das suas intervenções são bem conhecidas: após as conquistas militares, a imposição do livre comércio, de uma concepção singular de democracia, e, enfim, a submissão das populações à voracidade das multinacionais. As marcas indeléveis do imperialismo – militares ou econômicas – desconfiguraram o Iraque, o Afeganistão, a Líbia, a Síria. Alguns destes países foram invadidos por serem suspeitos de portarem armas de destruição em massa ou de abrigar organizações terroristas. Em todos, milhares de seres humanos foram mortos, sem que a Corte Penal Internacional instituísse o mínimo julgamento. Mas o poder norte-americano provém igualmente de dispositivos subterrâneos de propagação do medo, chantagem e intimidação. Algumas das receitas utilizadas por voluntários de Washington para manter o seu status: a “punição exemplar”, no mais puro estilo colonial que levou à repressão de índios Abya Yala. [2] Esta prática agora recai sobre os povos que decidiram libertar-se, e sobre os dirigentes políticos que optaram por governar para os humildes. A memória desta política de punição exemplar ainda está viva na América Latina: pensemos nos golpes de Estado contra Hugo Chávez na Venezuela em 2002, contra o presidente hondurenho Manuel Zelaya em 2009, contra Correa em 2010, contra o presidente paraguaio Fernando Lugo em 2012 e, claro, contra nosso governo em 2008, sob a chefia do embaixador Americano na Bolívia, Philip Goldberg [3]. O “exemplo” para que os indígenas, os operários, os trabalhadores do campo, os movimentos sociais, não ousem levantar a cabeça contra as classes dominantes. O “exemplo”, para curvar os que resistem e aterrorizar os outros. No entanto um “exemplo” que, a partir de agora, conduz os humildes do continente e do mundo inteiro a redobrar seus esforços de unidade para fortalecer suas lutas. O atentado de que fomos vítimas revela as duas faces de

uma mesma opressão contra a qual os povos decidiram se revoltar: o imperialismo e seu gêmeo político e ideológico, o colonialismo. O sequestro de um avião presidencial e de seu equipamento – o que tínhamos direito de considerar impensável no século XXI – ilustra a sobrevivência de uma forma de racismo no seio de certos governos europeus. Para eles, os Índios e os processos democráticos ou revolucionários nos quais eles estão engajados representam obstáculos no caminho da civilização. Este racismo se refugia agora na arrogância e nas explicações “técnicas” mais ridículas para maquiar uma decisão política nascida num escritório de Washington. Aqui estão os governos que perderam até a capacidade de se reconhecer como colonizados e que tentam proteger a reputação de seu mestre. Quem diz império, diz colônias Tendo optado pela obediência às ordens que lhes foram dadas, certos países europeus confirmaram o seu estatuto de país submisso. A natureza colonial da relação entre os Estados Unidos e a Europa foi reforçada após os atentados do 11 de Setembro de 2001 e revelada a todos em 2004, quando tomamos conhecimento da existência de voos ilícitos de aviões militares norte-americanos, transportando supostos prisioneiros de guerra, para Guantánamo ou para prisões europeias. Sabemos hoje que estes presumidos “terroristas” eram submetidos a tortura; uma realidade que mesmo as organizações de defesa dos direitos humanos silenciam frequentemente. A “Guerra contra o terrorismo” reduziu a velha Europa à classificação de colónia; um ato hostil, que podemos tratar como terrorismo de Estado, coloca a vida privada de milhões de cidadãos à disposição dos caprichos do império. Mas a ofensa ao Direito Internacional que o nosso sequestro expressa pode constituir um ponto de ruptura. A Europa foi berço das mais nobres ideias: liberdade, igualdade, fraternidade. Ela contribuiu largamente para o progresso científico e à emergência da democracia. Ela não é mais que uma pálida figura de si mesma. Um neo-obscurantismo ameaça os povos de um continente, que séculos atrás, iluminava o mundo com suas ideias revolucionárias e suscitava a esperança. Nosso sequestro poderia oferecer a todos os povos e governos da América Latina, do Caribe, da Europa, da Ásia, da África e da América do Norte a oportunidade única de constituir um bloco solidário condenando a atitude indigna dos Estados envolvidos nesta violação do direito internacional. Trata-se também de uma oportunidade ideal de reforçar as mobilizações dos movimentos sociais que desejam construir um outro mundo, de fraternidade e de complementariedade. Cabe aos povos construí-lo. Estamos certos que os povos do mundo, principalmente os da Europa, lamentam a agressão da qual nós fomos vítimas e que os afeta igualmente. E interpretamos a indignação deles como uma maneira indireta de nos pedirem as desculpas a que se ainda recusam os governos responsáveis. [4] Notas [1] Dos quais são membros: Antigua e Barbuda, Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua, República Dominicana, São Vicente e Granadinas e a Venezuela. [2] Nome dado pelas etnias Kunas do Panamá e da Colômbia ao continente americano antes da chegada de Cristóvão Colombo. Em 1992, esse nome foi escolhido pelas nações indígenas da América para designar o continente. [3] Sobre estes eventos, consultar a página “Honduras” em nosso site e ler “Estado de Exceção no Equador” de Maurício Lemoine, La valise diplomatique, 1 de Outubro de 2010 e “O Paraguai tomado pela Oligarquia” de Gustavo Zaracho, La valise diplomatique, 19 de Julho de 2010; “Pequena desestabilização específica na Bolívia” de Hernando Calvo Ospina, Le Monde Diplomatique, Junho de 2010. [4] Lisboa, Madrid, Paris e Roma fizeram um pedido de desculpas oficial tardio para La Paz . Artigo de Evo Morales, presidente da Bolívia, no Le Monde Diplomatique e reproduzido na Carta Maior - Tradução de Cristiana Martin

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Bafafá 100% Opinião  

Bafafá 100% Opinião tem como objetivo oferecer uma leitura alternativa e identificada com o espírito carioca.

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