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Voz Comunidade à Violência NÃO Jornal

da

Edição nº 82 - Ano VI - Zona Leste, Janeiro de 2014

“em defesa do planeta terra, pelo fim das desigualdades sociais e por uma sociedade mais justa e fraterna” - vozdacomunidade@uol.com.br - 10.000 Exemplares - DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

A Lei Maria da Penha funciona bem somente nas capitais brasileiras

contra a MULHER

Editorial Página 2

Cartilha de Combate à Violência Contra a Mulher

Páginas 8 e 9

Direitos da Mulher Página 3

Os meios utilizados pelo agressor para controlar a mulher

Crimes Contra a Mulher Página 4

A “misericórdia” deve ser a primeira das mensagens Não às Violências Página 7

A Mulher e as Violências

Momento Bíblico Página 12

Mortalidade de Mulheres Vítimas de Agressões Painel de Debates Página 13

A Delegada Maria Clementina de Souza atuou na primeira delegacia da mulher de São Paulo Entrevista Página 15

FOTOS: DIVULGAÇÃO

13ª Semana de Teologia De 10 a 14 de Fevereiro de 2014

Horário: 19h30 Acolhida, Cânticos, Oração. Local: Igreja São Francisco de Assis, Rua Miguel Rachid, 997, Ermelino Matarazzo, Tel: 2546.4254

Semana das Crianças da Catequese, dos Coroinhas e de todas as Crianças das Comunidades da Igreja São Francisco. De 13 a 17 de Janeiro de 2014 - Horário: das 9 às 10h30 - Local: Rua Miguel Rua Miguel Rachid,997 -Ermelino Matarazzo. Tel.: 2546-4654

25ª Semana da Juventude De 13 de Janeiro a 18 de Janeiro de 2014 Horário: 19 horas - Local: Igreja São Francisco de Assis Rua Miguel Rachid, 997, Ermelino Matarazzo, Tel: 2546.4254.


Editorial

2 Janeiro de 2014

vozdacomunidade@uol.com.br

CRIMES CONTRA A MULHER É comemorada em 25 de novembro, a Campanha Mundial de Combate a Violência Contra as Mulheres. Essa data foi marcada mundialmente no ano de 1960 por conta de atos violentos cometidos contra mulheres na América Latina. Organizações de mulheres reunidas em Bogotá e Colômbia em 1981 instituíram a data homenageando as irmãs; Pátria, Minerva, e Maria Teresa, assassinadas porque lutavam por soluções para os problemas sociais de seu país. Em 1999 a Assembleia Geral da ONU inaugura a data 25 de novembro como o Dia Internacional da Violência Contra a Mulher. As três irmãs dominicanas denominadas “Las Mariposas”, foram perseguidas por diversas vezes, presas e brutalmente assassinadas. A organização de mulheres manifestam com indignação frente à violência sexista que ainda submete tantas mulheres dentro dos diferentes espaços da vida social que continuam a ser humilhadas, desrespeitadas e espancadas. De acordo com pesquisas, a sociedade brasileira têm repudiado a violência gratuita que afeta a vida das mulheres e já não dizemos que “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”. Num processo de mudança de

Associação Voz da Comunidade

mentalidade que, lentamente, caminha na contra mão do senso comum que legitima o domínio masculino frente às mulheres, significa que o Brasil abre um caminho novo, para que as mulheres não se submetam mais aos maus tratos e humilhações. Lembramos também neste contexto, o papel da mulher dentro da igreja como um tabu a ser quebrado, sabemos que há muita discriminação. Para o papa Francisco, a mulher tem importância fundamental na Igreja Católica; “elas foram as primeiras testemunhas de Cristo e têm um papel especial na divulgação da fé e porque eles passam a crença a seus filhos e netos”. Francisco lembra que as mulheres já têm responsabilidades pastorais junto aos sacerdotes e cita a importância da ampliação dos espaços para a presença feminina na Igreja. “Porque o gênero feminino é necessário em todas as expressões da vida social, diz que é preciso garantir a presença das mulheres também no âmbito laboral e nos diversos lugares onde são tomadas as decisões importantes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais”. O jornal Voz da Comunidade, nessa edição especial, traz vários

artigos escritos por seus voluntários sobre a importância de tocar num assunto tão forte e delicado como o da violência contra as mulheres: São agressões físicas, psicológicas, moral, abuso sexual e morte. No bairro de Guaianazes, Zona Leste de São Paulo, foi registrado o maior índice de violência contra a mulher e para maiores informações, basta entrar no site da Rede Nossa São Paulo, www.nossasaopaulo.org.br. No Brasil, o estado do Espírito Santo tem o maior índice de mortalidade da mulher. É preciso dar um basta a essa vergonha da nação brasileira. Pesquisas revelam ainda que a Lei Maria da Penha funciona bem somente nas capitais brasileiras, embora medidas foram tomadas pelo governo federal para uma rede de proteção à mulher. Pelas pesquisas, boa parte do não funcionamento da Lei deve-se ao Judiciário que trata do assunto com lentidão, indo em direção contrária ao que determina a lei e acaba protegendo o agressor. É a lei do machisco que vem em primeiro lugar, por isso a defesa do agressor e a morosidade. Ao ler os artigos muitas mulheres irão se identificar ou ainda sentirão vergonha porque fazem parte de um grupo de mulheres

que não têm coragem de denunciar o agressor. Leiam com muita atenção todos os artigos dessa edição especial à mulher e ajude a divulgar e encorajar mulheres que sofre violência a entrar em contato através do LIGUE 180.

Pelas pesquisas, boa parte do não funcionamento da Lei deve-se ao Judiciário que trata do assunto com lentidão, indo em direção contrária ao que determina a lei e acaba protegendo o agressor Por Deise Cassi, publicitária. Sites: http://www.diariodeguarapuava.com.br/noticias/opinião http://www.estadao.com.br/ noticias/vidae,papa-enfatiza-importancia-fundamental-da-mulher-na-igreja http://tribunadonorte.com.br/ noticia/papa-francisco-pede-mais-participacao-feminina-na-igreja

Os artigos assinados não refletem necessariamente a filosofia (objetivos) do jornal, são de responsabilidade dos autores.

Jornalista Responsável: José Maria dos Santos - MTb: 11.413 - Articulistas: Prof. Odilon Guedes, Dr. Almir Pazzianotto, Dr. Wálter Maierovitch Colaboradores: José Augusto Rocha Lima, Sebastião Galdino, Maurinho de Jesus - Pastoral Social: Luis França Pastoral da Comunicação: Luís França, Magnelson, Fernando Cruz, Marcondes Messias, Vanessa Baltazar, Professor Waldir Augusti, Ricardo Baba, Mauro Margarido e Danilo Ferrari - Revisão: Alexssander S. Santos - Publicidade e Propaganda: Deise Cassi (98868-2884) Tiragem: 10.000 exemplares - Distribuição interna, Produção e Diagramação: Ricardo Leocadio - Mtb: 61.512/SP - (98136-1016). sem fins lucrativos - Todos os envolvidos na Rua Miguel Rachid, 997 - Ermelino Matarazzo São Paulo – SP - Fone: 2546-4254 Correio eletrônico: vozdacomunidade@uol.com.br

elaboração deste jornal são voluntários.

Impressão: TAIGA GRÁFICA E EDITORA LTDA. Fone: 2409-7926 - Apoio/Parceria: FUNDAÇÃO TIDE SETÚBAL.


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Direitos da Mulher

Janeiro de 2014

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Cartilha de Combate à Violência Contra a Mulher O que é a violência contra a mulher? É toda e qualquer ação ou conduta que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual, psicológico ou moral à mulher que ocorra dentro da própria casa, em relações pessoais e/ou de convívio, inclusive nas relações de namoro. O estupro, a violação, os maus-tratos e o abuso também são considerados violência contra a mulher.

soas que frequentam essa casa ou vivem ali como agregadas; 2. Na família: comunidade familiar formada por pessoas que são ou se consideram parentes por laços de sangue ou afinidade; 3. Nas relações íntimas de afeto: situações nas quais o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independente do fato de ter vivido sob o mesmo teto, em uma mesma casa.

Tipos de violência doméstica e familiar. A Lei Maria da Penha define cinco formas de agressão como violência doméstica e familiar: 1. Violência psicológica: causar dano emocional, diminuir a autoestima, prejudicar e perturbar o pleno desenvolvimento pessoal, degradar ou controlar comportamentos, ações, crenças e decisões mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação e isolamento, tirando a liberdade de pensamento ou ação; 2. Violência física: ofender a integridade ou a saúde corporal, bater, chutar, queimar, cortar, mutilar; 3. Violência moral: ofender com calúnias, insultos ou difamação – lançar opiniões contra a reputação moral, críticas mentirosas e xingamentos; 4. Violência patrimonial: reter, subtrair, destruir parcial ou totalmente objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos; 5. Violência sexual: presenciar, manter ou obrigar a participar de relação sexual não desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força que induza a mulher a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade.

Ligue 180 – “Não se cale!” O Ligue 180 é a Central de Atendimento à Mulher criado em 2005 e coordenado diretamente pela Secretaria de Política para Mulheres, da Presidência da República. O serviço é gratuito, confidencial e funciona 24 horas por dia, 7 dias da semana, incluindo feriados. O Ligue 180 tem como objetivo receber relatos de violência contra as mulheres, acolher e orientar mulheres em situação de violência doméstica e familiar, assim como divulgar serviços disponíveis na rede de atendimento à mulher em todo o país.

Locais e situações de ocorrência da violência doméstica e familiar A Lei Maria da Penha define, também, três locais e situações de ocorrência dos casos de violência doméstica e familiar: 1. Na unidade doméstica: na casa onde convivem parentes ou não, incluindo pes-

O que deve fazer uma mulher vítima de violência doméstica e familiar? Deverá, para sua proteção e de seus familiares, comparecer a uma Delegacia comum ou à Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (DEAM) mais próxima de sua residência e relatar a ocorrência dos fatos para efetuar o registro do Boletim de Ocorrência (BO) contra seu agressor. Ela poderá ir sozinha ou acompanhada de pessoas de sua confiança. Poderá ainda entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, que funciona 24 horas, todos os dias da semana, e recebe relatos, acolhe, informa e orienta mulheres em situação de violência. Qual O Procedimento que deve ser observado pela mulher que, ao procurar a delegacia da mulher, é desestimulada pelos profissionais que fazem o atendimento primário a registrar o crime? Qual é o canal para a denúncia deste fato?

A mulher poderá apresentar queixa à Corregedoria da Polícia, órgão responsável pela investigação de infrações administrativas praticadas por policiais. Para isto, a reclamante deverá possuir o máximo de informações possíveis que identifiquem a autoridade policial que não prestou o atendimento adequado, como: data e hora, endereço e identificação da delegacia, assim como o nome do policial que se negou a realizar o atendimento. Também poderá dirigir-se à Procuradoria de Justiça do Estado e ao Ministério Público para registrar sua denúncia. Outro importante canal de acesso é o Ligue 180, nesta central de atendimento, a mulher poderá formalizar sua reclamação sobre o atendimento inadequado que recebeu. Existem medidas que protejam a vítima de seu agressor? Sim. Chamam-se medidas protetivas de urgência e elas existem tanto para as vítimas quanto para o agressor. Em relação às vítimas, essas medidas visam assegurar a proteção física e psicológica à mulher e a seus dependentes. Já em relação ao agressor visam entre outras Respeitar a mulher: esta é a lei! Medidas, com o afastamento do agressor do domicílio e a proibição de sua aproximação fí-

sica junto à mulher agredida e aos filhos. Como a mulher que depende financeiramente do seu agressor deve agir quando enfrentar situações de violência doméstica e familiar? Nos casos emergenciais, o juiz pode determinar a inclusão da mulher no cadastro de programas assistenciais dos governos federal, estadual e municipal com propósito de preservar a sua integridade física e psicológica, estendendo a manutenção do vínculo trabalhista e garantindo o afastamento do local de trabalho por até seis meses. A assistência à mulher também compreende o acesso ao tratamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), da Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e de outros procedimentos médicos necessários e cabíveis nos casos de violência sexual, como serviços de contracepção de emergência. Fonte: www.spm.gov.br Dra. Vanessa Baltazar da Silva - Advogada Vanessa.baltazar@ terra.com.br


Crimes Contra a Mulher

4 Janeiro de 2014

vozdacomunidade@uol.com.br

Os meios utilizados pelo agressor para controlar a mulher DIVULGAÇÃO

O homem que abusa de sua mulher conscientemente usa de vários artifícios para agredi-la. Os principais alvos para atingir a mulher são: os FILHOS, estes são agredidos física e psicologicamente, sabendo que ela ficará angustiada vendo-os sofrer e tudo fará para minimizar e superar tal situação. Os ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO, sabendo de sua estima e carinho pelo animal, o homem maltrata e até os mata, deixando “no ar”, a mensagem de que a próxima a ser agredida é ela. Outros alvos são: carro arranhado, vestido rasgado e joias quebradas, sempre no intuito de fazê-la sofrer, deixá-la subestimada e submissa. O agressor usa de uma infinidade de estratégias para controlar a companheira e deixá-la descontrolada emocionalmente. De acordo com Mary Susan Miller (1999), as estratégias mais usuais são: o CATIVEIRO, o ISOLAMENTO e a PROPAGANDA. O CATIVEIRO, usado pelo homem que não conseguem “segurar a mulher”. A mulher tenta escapar do seu comando, mas ele a segura sob seu domínio. Ao sair para o trabalho ele tranca-a em casa; esconde a chave ou fura os pneus do carro; ameaça que irá espancá-la se ela ousar desobedecê-lo. Assim, ela sente-se uma fora-da-lei, condenada à prisão em sua própria casa e, caso tente fugir, poderá ser condenada à morte. O ISOLAMENTO, o agressor faz uso de todos os meios possíveis para que a mulher não tenha qualquer con-

“O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa dos que nele fazem o mal, mas por causa daqueles que apenas olham e permitem que ele seja feito.” Albert Einstein tato social, principalmente não tendo a quem recorrer ao ser agredida. Para que a violência possa perdurar é preciso isolar progressivamente a mulher de sua família, de seus amigos, impedi-la de trabalhar e de ter uma vida social. A PROPAGANDA é o mais mortal para dominar a companheira através da violência psicológica. O agressor verbaliza que a mulher é estúpida, incompetente e a ofende das piores maneiras possíveis. A mulher acaba “acreditando” e se submete a uma rotina de calúnia, humilhação e medo para sa-

tisfazer o companheiro. O agressor não chama sua mulher pelo nome, e sim por adjetivos como “cadela”, “prostituta”, “vagabunda”, entre outras expressões. Assim, a mulher começa a se ver da forma que o agressor insistentemente a trata, perdendo seu amor próprio e sua autoestima, achando-se a pior mulher do mundo e que ninguém seria capaz de gostar de uma pessoa como ela. Caro leitor, não se omita, denuncie, divulgue, oriente, seja uma presença viva na sua comunidade!

Forte abraço e muita coragem! Texto adaptado por Danilo Ferrari danferra286@gmail.com Veja o texto na íntegra: Feridas que não se curam: A violência psicológica cometida à mulher pelo companheiro Por: Hugo Leonardo de Souza e Drª Latif Antônia Cassab - Universidade Estadual de Londrina http://www.uel.br/eventos/gpp/pages/ arquivos/5.HugoLeonardo.pdf

Pesquisa mostra os números da violência doméstica no Brasil A cada quatro minutos uma mulher é vítima de agressão. A lei Maria da Penha completa sete anos e nesse período a Central de Atendimento à Mulher, ligada à Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República, atendeu três milhões de denúncias. No levantamento feito pelo Data Popular, a pedido do Instituto Patrí-

cia Galvão, 75% dos entrevistados disseram que as agressões nunca ou quase nunca são punidas; 42% acham que a justiça é lenta; 54% conhecem alguma vítima de violência; 29% consideram a pena pequena e 66% acreditam que o constrangimento ainda é uma barreira e que a vítima tem vergonha que saibam da violência.

Na Casa Sofia, que dá apoio às vítimas de violência doméstica, o medo costuma andar junto com a impunidade dos agressores. As vítimas contam que tiveram que abandonar casa e que nada acontece com quem bateu. “A gente vai até a delegacia e parece que a errada somos nós de termos denunciado.” Quem lida com o problema aponta

caminhos para que isso mude. “Nós temos 500 delegacias para atender mulheres que sofrem violência no Brasil todo. A vítima que sofre violência ainda não tem acesso à justiça”, diz a diretora do Instituto Patrícia Galvão Jacira Melo. http://g1.globo.com/jornal-hoje 07/08/2013


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Filosofia

Janeiro de 2014

DIVULGAÇÃO

‘‘Camila, Camila, Camilaaa...

eu que tenho medo até de suas mãos, mas o ódio cega e você não percebe, mas o ódio cega’’

A canção CAMILA é um depoimento de uma garota que casou muito jovem, apanhava do marido e tinha medo de se separar além de nutrir um sentimento pelo agressor. É incrível, mas ainda assistimos a este cenário em pleno século XXI. Qualquer violência é insensata e irracional. O pensador grego pré-socrático Heráclito dizia que é a guerra entre os contrários que gera o movimento e a evolução do mundo. Mas a oposição não se determina por sexo, raça ou crença, pois somos todos seres humanos enfrentando os mesmos dilemas, fato que comprova que não há motivos racionais para o conflito, e muito menos para a violência. Especialmente no caso da violência contra a mulher, existe o medo de não conseguir se sustentar sozinha, existe o fator sentimental de acreditar que aquele homem pode mudar e não ter perspectiva de vida sem ele. Daí a importância do estudo, pois além de oferecer uma profissão, o conhecimento amplia a visão de mundo e apresenta outros ca-

minhos proporcionando a esperança de crescimento independente. A filósofa francesa Simone de Beauvoir defendia que somente através do trabalho a mulher se torna completamente independente. Ou seja, precisa estudar para ter uma profissão e ser livre. Todos precisamos ser livres. Todo relacionamento se baseia no respeito. Quando há agressão física ou verbal contra uma esposa que ama, é necessário um horizonte, uma direção para esta mulher seguir e se libertar. Ela precisa de conforto para amenizar suas feridas e necessita de um caminho que transmita segurança e esperança. Os homens têm muito a evoluir numa política preventiva, mas é preciso ter consciência: somos todos humanos, filhos de mulheres. Se nenhuma violência é racional, os maus tratos às mulheres e aos mais frágeis é um retrocesso, significa a perda da razão humana. Filósofo Ricardo Hidemi Baba www.ricardobaba.com.br

Não chore

Olhe para Não chore Seu coração Por quem não

mim assim padece a merece.

Se hoje você chora não demora Tenha certeza de que Para o sol chegar a Trazendo um novo di Que a desafia A levantar e lutar. r graça Um dia você vai acha ssa Dizendo que tudo pa eber E então você vai perc r. Que o melhor é vive Ricardo Hidemi Baba

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Curiosidades

6 Janeiro de 2014

Missa da Família 19 de Janeiro às 17 horas

Todos os meses, na Paróquia São Francisco de Assis, é realizada a Missa da Família, onde os casais recebem as bênçãos por conta da comemoração de suas bodas. No mês de Janeiro os seguintes casais participarão da celebração: 1... Acacio e Edina...................08/01/11...03 2... Adeilton e Tania.................15/01/83...31 3... Adriano e Sheila.................26/01/13...01 4... Alexandre e Danila.............07/01/12...02 5... Camilo e Leide...................24/01/87...27 6... Duarte e Claudia................10/01/87...27 7... Edson e Fabiana................18/01/03...11 8... Emerson e Sandra.............23/01/11...04 9... França e Luciene................19/01/91...23 10. Francelino e Isaura............17/01/59...55 11. Jadir e Rosa.......................14/01/84...30 12. Joao e Cecilia.....................09/01/00...14 13. José Juciê e Jociane...........30/01/10...04 14. José Luiz e Ana do Carmo...02/01/85...29 15. José Wilson e Jeanne..........05/01/91...23 16. Luiz e Alcênia.....................26/01/85...29 17.. Luiz e Vanilda.....................06/01/73...41 18. Luizao e Piedade................28/01/78...36 19. Miguel e Zilda....................26/01/63...51 20. Nelson e Viviane.................07/01/12...02 21. Nunes e Edna.....................24/01/87...27 22. Osvaldo e Claudete............21/01/12...02 23. Osvaldo e Jesuina..............19/01/87...27 24. Sérgio e Neusa...................10/01/81...33 25. Tião e Nice.........................27/01/73...40 26. Welington e Ana Paula.......20/01/07...07 27. Wilson e Renata.................15/01/11...03

TRIGO NÁCAR PAPEL ALGODAO CRIZOPAZIO CRIZOPAZIO AÇO FLORES PALHA AMETISTA PÉROLA MARFIM FLORES ERVA PALHA ERVA SEDA CEDRO BRONZE ALGODAO CRIZOPAZIO ALGODAO CRIZOPAZIO CRIZO RUBI LÃ TRIGO

Não Tropece na Língua Tema do Mês: FAX, FÉRIAS, HOJE É 13, SEM-TERRA Fax tem plural? O termo fax vem do inglês, numa redução do latim fac simile, aportuguesado para fac-símile, plural fac-símiles. Como se trata de um meio de transmissão, o certo mesmo seria dizer: “Mandei duas mensagens/cartas/ ofícios por fax”. O termo simplificado, por terminar em X, deveria seguir a mesma regra de ônix e dúplex, ou seja, sem variação no plural: um fax, dois fax. Mas o plural com ES também vem sendo usado por dar mais ideia de clareza e correção, observe: • O prefeito referia-se a fax sem assinatura deixados na sua mesa. • O prefeito referia-se a faxes sem assinatura deixados na sua mesa. Em tempo: o Dicionário Houaiss registra as duas formas de plural: fax e faxes. Eu desejo: feliz férias ou felizes férias? Sempre desejamos FELIZES FÉRIAS. Férias é um substantivo feminino plural. Sendo assim, os adjuntos adnominais (artigos, adjetivos, pronomes) devem flexionar em número e gênero: • As minhas férias foram ótimas. • Espero que você tenha boas férias na Bahia. Algumas pessoas dizem que “hoje são 13 de maio”. E eu sempre crio confusão e discussão afirmando que está errado, pois entendo que “hoje é 13 de maio”, porque a frase correta seria “hoje é dia 13 de maio”. Com isso, entendo que as pessoas quando falam a data se referem ao dia e não ao número do dia. Ambas as formas são corretas: a mais comum é hoje é 13 de maio, exatamente porque pressupõe o dia: hoje é [o dia] 13 de maio. Contudo,

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Ar qu ivo

também se encontra a construção preconizada pelos conservadores: “hoje são 13 de maio”, em que se faz a concordância com o número no plural. Naturalmente o primeiro dia do mês será sempre singular: hoje é 1º de maio. Está correto usar a expressão “sem-terra” com o verbo no plural? Por exemplo: Sem-terra invadiram a fazenda do presidente. Está certa a concordância? Por quê? Pode parecer estranho o sujeito sem “s”, aparentemente no singular, e o verbo no plural. O que explica essa concordância é que o substantivo fica invariável quando está na função de adjetivo. É o mesmo caso de camisas esporte e navios pirata. E o termo sem-terra (formado de prefixo + substantivo) está adjetivando um outro substantivo como agricultor/pessoa/homem, que pode estar explícito ou implícito na frase. No exemplo acima estão elípticos os termos os e agricultores. Assim: os agricultores sem-terra invadiram > os sem-terra invadiram > sem-terra invadiram. Enfim, são invariáveis muitas das substantivações e adjetivações que têm essa formação de SEM com valor de prefixo mais hífen: um sem-teto, os (brasileiros) sem-dinheiro, os sem-luz, um sem-família, as sem-pátria, os sem-vergonha... Fonte: www.linguabrasil.com.br Colaborou: Mauro Margarido - mauro318@uol.com.br

Origem dos Nomes das Ruas O Jornal Voz da Comunidade publica todos os meses a origem dos nomes das ruas de nosso bairro. A história do nome de cada uma delas é apresentada segundo as pesquisas realizadas pela equipe do jornal. Se você, leitor, encontrar nestes históricos qualquer divergência do apresentado, ou alguma informação complementar, solicitamos nos contatar para eventuais retificações. O Jornal está também à disposição dos leitores que queiram saber sobre a origem dos nomes das ruas em que moram. Entre em contato através do nosso endereço eletrônico vozdacomunidade@uol.com.br, ou carta para JORNAL VOZ DA COMUNIDADE – Rua Miguel Rachid, 997 – 03808-130.

Após a Missa haverá uma recepção a todos os casais no Salão São Bento. Observação: Os casais que tiverem interesse em participar destas celebrações, preencher uma ficha com seus dados e entregar na secretaria da Paróquia São Francisco.

CASAL ANIVERSARIANTE

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Rua Francisco Tavares - Ermelino Matarazzo

Francisco Muniz Tavares, padre, nasceu a 16 de fevereiro de 1793 em Recife (PE). Doutor em Teologia pela Universidade de Paris, Padre e, mais tarde, monsenhor. Escritor, historiador e parlamentar. Faleceu em 23 de outubro de 1876. Foi um dos vultos mais notáveis da revolução de 1817, em Pernambuco. Preso como suspeito de cumplicidade, permaneceu muitos meses nos calabouços da Bahia. Apaixonado e ardoroso pela causa que abraçara, o sacerdote batalhador não perdoava a D. João VI pela crueza com que tratara os revolucionários que se haviam comportado durante a vitória, aliás efêmera, com inexcedível generosidade. Deputado Constituinte, eleito pelas Comarcas de Olinda e Recife a 7 de junho de 1821, foi a Portugal e no dia 29 de agosto de 1821 tomou assento nas “Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa”. Permaneceu naquelas Cortes até o dia 4 de outubro de 1822, onde muito se destacou como parlamentar. Em emocionante debate com o Deputado Constituinte português Borges Carneiro, na sessão das Cortes de 18 de outubro de 1821. Chegou, em aparte violento aos Deputados Constituintes lusitanos Ferreira Borges e Moura, a lembrar que o primeiro choque que causou a desunião entre os Estados Unidos e Inglaterra fora causado fato desta nação enviar soldados para a América contra a vontade da colônia americana. Depois, em outro pronunciamento perante as Cortes, apresentou proposição para a criação de uma universidade no Brasil, tendo como resposta da maioria portuguesa daquela Assembléia que “algumas escolas primárias basta-

riam para o Reino Americano”. Exerceu as seguintes atividades profissionais: Presbítero Secular e Capelão do Hospital do Paraíso, quando rompeu a revolução de 1817; Secretário da Legação em Roma de 1826 a 1832 e encarregado de negócios durante o reinado de três papas; Monsenhor honorário da capela imperial. Era Sócio Fundador e Primeiro Presidente do Instituto Aqueológico Pernambucano; Sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Era Membro do Conselho do Imperador. Recebeu as seguintes condecorações: Dignatário da Ordem do Cruzeiro; Comendador das Ordens de Cristo e da Rosa. Teve as seguinte obras publicadas: Tese para obter o grau de doutor em Teologia, escrita em francês, Paris, 1825; História da revolução de Pernambuco em 1817, Recife, 1840; Projeto de Constituição para o Império do Brasil. Além de presidente da Câmara dos Deputados de 4 de junho de 1846 a 4 de maio de 1847, foi, também, vice-presidente no período de 1º de abril de 1845 a 4 de junho de 1846. Esta Rua fica entre as Ruas Prof.Jose de Souza e a Boaventura Rodrigues da Silva, em Ermelino Matarazzo. Fonte: http://www2.camara.leg.br/ Colaboração: Fernando Cruz e-mail: fernandocruz@gmail.com


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Não às Violências

Papa Francisco traça as suas prioridades.

“Temos de encontrar um novo equilíbrio, se não o edifício moral da Igreja pode cair como um palácio de cartas”. O argentino Jorge Mario Bergoglio traça as prioridades da sua ação pastoral. “Temos de encontrar um novo equilíbrio, se não o edifício moral da Igreja pode cair como um palácio de cartas”. Os ministros da Igreja devem ter como primeira missão levar uma palavra de “misericórdia”, a mensagem de salvação de Jesus Cristo, sublinhou. “Proclamar o amor redentor de Deus é

um dever prioritário, a cumprir antes do dever moral e religioso. O Papa falou abertamente da questão da homossexualidade - na origem de tanta violência e polémica, por vezes incentivada pela própria Igreja Católica. “Quando estava em Buenos Aires, recebi cartas de homossexuais “socialmente feridos” porque me diziam que a Igreja sempre os tinha rejeitado. Disse o Papa, “se um gay procurar Deus, quem sou eu para o julgar.” Reitera o Catecismo da Igreja Católica - que diz que as pessoas homossexuais são chamadas à castidade -, mas sublinha o primado da liberdade: “Deus deus-nos a liberdade quando nos criou: não é possível a interferência espiritual na vida pessoal de outra pessoa.” As reformas não se fazem num abrir e fechar de olhos, sublinha. “Eu acredito que leva tempo a construir as fundações de uma mudança real e eficaz. Esta é a altura do discernimento. Não aprecia os tradicionalistas e fala do princípio que o orienta, a sua “certeza dogmática”, é que “Deus está presente na vida de todas as pessoas, mesmo se essa vida tiver sido destruída por maus hábitos, por drogas ou seja o que for.” http://www.publico.pt/mundo/ jornal/francisco-diz-que-a-igreja-tem-estado-obcecada-com-o-aborto-e-o-casamento-gay-27119308

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DIVULGAÇÃO

A “misericórdia” deve ser a primeira das mensagens. Após seis meses como Papa, Francisco declara numa entrevista no jornal jesuíta italiano La Civiltà Cattolica que a Igreja Católica se tornou “obcecada” com os temas do aborto, do casamento homossexual e da contracepção. Quando se fala nesse assunto, deve ser no devido contexto. Sabemos qual é a opinião da Igreja e eu sou um filho da Igreja, mas não é preciso continuar a falar disto.

Janeiro de 2014

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8 Janeiro de 2014

Não à Violência Contra a Mulher

vozdacomunidad

QUEREMOS DE FATO O FIM DA V

Segundo dados da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, o se vítimas de violência fechou o ano de 2012 com 88.685 relatos de agressão Por meio do serviço Ligue 180 o número de chamadas cresceu 600% em 6 anos. A elevação no número de relatos não significa necessariamente um crescimento real dos casos de violência, mas um aumento das notificações – na medida em que mais mulheres estariam se sentindo seguras para procurar ajuda. Maria da Penha Fernandes, ficou paraplégica ao ser baleada pelo marido que a espancou por mais de dez anos. Ela deu nome à lei que endureceu as punições para quem comete violência contra a mulher, mesmo em ambiente familiar. O Ligue 180 é um serviço gratuito focado na orientação das mulheres vítimas de abusos e seu encaminhamento para órgãos da polícia, da justiça e demais serviços de enfrentamento da violência contra a mulher, como centros especializados e casas abrigo. Veja no Gráfico 1 os tipos e o número de agressões em 2012 registradas no Brasil.

“A lei Maria da Penha, depois de seis anos, começa a dar resultados, mais ainda falta a consolidação de uma rede (de proteção à mulher) e falta a mudança de mentalidade por parte dos homens”, disse a ministra da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, Eleonora Menicucci e acrescentou, “O aumento da denúncia significa que as mulheres estão acreditando mais nas políticas públicas e nos serviços de acolhimento. Estão acreditando que a impunidade do agressor está chegando ao fim”. O número de relatos de violência ao Ligue 180 é hoje uma das únicas formas para se tentar dimensionar o número de agressões a mulheres nacionalmente – pois não há uma contagem oficial e integrada de casos na área da segurança pública. Essa é uma das principais críticas feitas pela ONU ao Brasil. Segundo Maria da Penha, a lei não funciona satisfatoriamente na maioria das cidades do interior do país. “A gente infelizmente só tem encontrado a boa aplicação da lei nos grandes municípios, que geralmente são as capitais”, afirmou. A principal crítica da mulher que se tornou a face do combate à violência contra a mulher no país é a falta de iniciativa de governantes para investir em instrumentos de combate aos abusos nas cidades pequenas do Brasil. Mais a ministra, através do governo federal afirma que além de investir no Lique 180 diz que um dos principais focos de sua pasta é implementar a Lei Maria da Penha efetivamente em todas as regiões do país e que o governo federal tem enviado verbas aos governos estaduais com esse objetivo. Os repasses de recursos entre 2006 e 2011 chegaram a quase R$ 180 milhões e no ano passado, somaram R$ 40 milhões. Disse ainda que são estabelecidas parcerias com municípios, estados e órgãos do judiciário para a estruturação de uma rede de proteção à mulher e mesmo assim ainda há falhas na rede de proteção.

No gráfico 2 é possível dimensionar um aumento da rede de proteção à mulher.

Medidas judiciais: Atualmente estão em funcionamento pelo sistema judiciário do país 93 varas, 29 promotorias e 59 defensorias públicas especializadas em combater a violência contra a mulher. Mesmo assim, segundo a ministra, uma das falhas da rede de proteção às mulheres vítimas de violência ocorre na hora dos juízes determinarem medidas para proteger as vítimas. Depois que uma mulher agredida procura a polícia, o delegado pode pedir à Justiça que imponha ao agressor uma série de normas e regras que o impedem de se reaproximar da vítima. Porém, embora muitos juízes determinem tais medidas quase imediatamente, outros demoram para tomar uma decisão. “Às vezes eles demoram mais de um mês, exigindo atestado psicológico, atestado de saúde mental, laudos, o que não é necessário, é mais para atrasar”, disse. Ela afirmou que o governo federal já estaria agindo para acelerar a concessão dessas medidas pelo Judiciário. DIVULGAÇÃO


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Não à Violência Contra a Mulher

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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER Também os analistas fizeram a avaliação de que o Judiciário é o responsável em processar os casos com muita lentidão. Além disso, muitos juízes ainda tratam a questão com preconceito e machismo, primando por tentativas de conciliação mesmo diante das evidências de abusos, dizem pesquisadores da área. Segundo um levantamento do Instituto Sangari, baseado em dados obtidos de certidões de óbito e da Organização Mundial de Saúde (OMS, ligada à ONU), o Brasil acumulou mais de 90 mil mortes de mulheres vítimas de agressão nos últimos 30 anos. O Brasil fica em 7º lugar no ranking dos países com mais mortes de mulheres vítimas de agressão. No gráfico 3 o número de mulheres mortas no Brasil.

Diga

erviço de atendimento telefônico que oferece orientações para as mulheres – contra 12.664 em 2006, época em que foi criada a Lei Maria da Penha.

NÃO

à Violência

contra a MULHER

Esse texto foi extraído de outras pesquisas mencionadas como fonte. O debate tem ocorrido, mais de forma ainda tímida. O assunto deveria ser abordado dentro das salas de aula nas escolas e instituições de ensino/educação em geral, bem como nas igrejas. É uma necessidade de rever/reverter a imagem da mulher ante uma construção histórica de submissão e subordinação dentro e fora da igreja. Adaptação dos textos por Deise Cassi dos Anjos Email: deisecassijvc@gmail.com

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Fonte: www.unisinos.com.br Luis Kawaguti, jornalista, reportagem publicada pela BBC Brasil, 08/03/2013; Wania Pasinato, socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP, reportagem publicada pela BBC Brasil, 25/11/2012; Valquiria Eloisa dos Santos, graduada em Ciências Sociais, mestranda em Ciências Sociais pela Unisinos, a convite do ObservaSinos.


Avisos

10 Janeiro de 2014 13ª Semana de Teologia: 10 a 14 de Fevereiro de 2014 “Com coragem e ousadia anunciemos o Evangelho”

vozdacomunidade@uol.com.br

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(Papa Francisco) Horário: 19h30 Acolhida, Cânticos, Oração. Local: Igreja São Francisco de Assis, Rua Miguel Rachid, 997, Ermelino Matarazzo, Tel: 2546.4254, Messias, Kaique, Zilda.

Semana das Crianças da Catequese, dos Coroinhas e de todas as Crianças das Comunidades da Igreja São Francisco.

De 13 a 17 de Janeiro de 2014 das 9 às 10h30 Rua Miguel Rua Miguel Rachid,997- Ermelino Matarazzo. Tel.: 2546-4654 A Bíblia e as Crianças: “Deixem as crianças vir a mim, porque o Reino de Deus pertence a elas.” *Trazer a Bíblia todos os dias, haverá sorteio de brindes e a partilha da Palavra de Deus.

Convite da 25ª SEMANA DA JUVENTUDE De 13 de Janeiro a 18 de Janeiro de 2014

Local: Igreja São Francisco de Assis, Rua Miguel Rachid, 997, Ermelino Matarazzo, Tel: 2546.4254. Horário: 19 horas “A JUVENTUDE anuncia com esperança o Evangelho da alegria”.

Estudo de Bíblia

Curso gratuito - Inscrição no próprio dia (03/02/14) Início: 03/02/2014 / Data: Todas as segundas-feiras / Horário: Das 20h00 às 21h30 Local: Paróquia São Francisco de Assis (Rua Miguel Rachid, 997 – Ermelino Matarazzo – tel.: 11-2546-4254) Importante: Trazer a Bíblia, 1 caderno e caneta. Venha conhecer mais um pouco da história do Povo de Deus, a nossa história.

Para anunciar no JVC Publicidade e Propaganda:

Deise Cassi (98868-2884) deisecassijvc@ gmail.com


Pesquisa

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“Pesquisa mostra que um em cada quatro homens conhece um amigo que já agrediu a companheira” distúrbios como o alcoolismo e o psicológico como causas das agressões das quais foram vítimas. E a violência causada pela busca por autonomia não respeitada pelos maridos foi citada por 19%. A pesquisa indicou ainda que 84% das mulheres e 85% dos homens já ouviram falar da Lei Maria da Penha. Também, segundo os dados, 75% das mulheres e 59% dos homens são favoráveis à ideia de que para educar os filhos às vezes é preciso dar uns tapas. Entre os entrevistados, 75% das mães e 52% dos pais assumiram que batem nos filhos às vezes.

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Subprefeituras melhores e piores em 2007

Parelheiros Pinheiros Vila Mariana

Município de São Paulo Casa Verde/ Cachoeirinha Freguesia/ Brasilândia Guaianases

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Um em cada quatro homens (25%) sabe de algum parente próximo que já bateu na mulher ou na namorada, enquanto 48% afirmam ter amigo ou conhecido que agride ou costuma agredir a esposa. Desses só 8% assumem a agressão, e a maioria acha errado esse tipo de comportamento em qualquer tipo de situação. Entre os homens que assumiram atos de violência contra a mulher ou namorada, 14% acreditam que agiram corretamente e 15% disseram que repetiriam a agressão. Os dados estão no capítulo sobre Violência Doméstica e Violência de Gênero, da pesquisa Mulheres Brasileiras em Gênero nos Espaços Públicos e Privados, feita em agosto de 2010 pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc). O levantamento divulgado hoje (28) entrevistou 2.365 mulheres e 1.181 homens com idade acima de 15 anos, em 25 estados. Das entrevistadas, 13% disseram ter sofrido ameaças de surra e 10% terem sido espancadas. Segundo a pesquisa, 18% das mulheres – uma em cada cinco – afirmaram que foram vítimas de algum tipo de violência do sexo oposto, seja o homem conhecido ou não. As agressões mais frequentes, segundo elas, são tapas, empurrões ou sacudidas (16%), xingamentos ou ofensas relacionadas à conduta sexual (16%) e controle sobre as atividades da parceira (15%). De acordo com a pesquisa, os homens também responderam ter sofrido algum tipo de violência por parte das mulheres (10%). Entre as modalidades de agressões, controle ou cerceamento (35%) e física (21%). Os principais motivos para as agressões apontados tanto pelas mulheres quanto pelos homens estão ligados ao controle de fidelidade (46% para as mulheres e 50% para os homens). Vinte e três por cento das mulheres apontaram

42,99 60,64 61,26 123,04 164,76 197,97 234,48

Unidade: internações por cem mil

Agressão a mulheres Número de internações de mulheres de 20 a 59 anos por causas relacionadas a possíveis agressões, por cem mil mulheres nessa faixa etária. Fonte: AIHs (Autorizações de Internações Hospitalares) /DATASUS Fator de desigualdade subprefeituras: 5,5 Reportagem de Flávia Albuquerque, da Agência Brasil 02/03/2011

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12 Janeiro de 2014

Momento Bíblico

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“A Mulher e as Violências” DIVULGAÇÃO

Introdução Este mês em nosso jornal o tema central é “O combate à violência contra a mulher”. Uma palavra me chama a atenção, “violência”, e aí a minha memória recorda as manchetes: boa parte das mulheres é agredida fisicamente, mesmo com a Lei Maria da Penha para a sua proteção. São alarmantes, e quem mais bate é o marido alcoolizado ou drogado; outro personagem é o namorado, isso mesmo, não casou não mora junto e se acha dono da moça e bate mesmo, inacreditável. O que está faltando e creio que melhoraria muito o diálogo são projetos sociais na base (infância) e religião. Esse jovem namorado que agride não tem em sua casa fundamentos de cidadania e de religiosidade, vai crescer casar ou juntar-se e continuará a distribuir murros e pontapés na companheira, foi o que ele aprendeu. Muitos homens não aceitam a igualdade, e a inteligência da mulher, querem na força torná-la submissa, deixá-la à margem, sem voz nem vez, ao invés de torná-la uma parceira digna para todas as ocasiões. Resgatando Jesus em seu ministério valorizou a importância das mulheres. Além dos discípulos, Jesus percebe que sem a participação das mulheres o projeto não teria a mesma qualidade, convidou várias para o seu grupo (Lucas cita os nomes delas). Surge então o Papa Francisco, homem do povo, que ouve o povo, trazendo uma grande luz, um grande recado ou como ouvi na infância, um pito, a todos os “príncipes” da Igreja (vale para todos os credos): “As mulheres são fundamentais para a caminhada da Igreja

e da Família, não as decepcione”, em outras palavras (minhas), não precisam ter medo, a mulher não vai tomar o lugar de ninguém, vai ocupar o seu por direito e competência, e competência não depende de gênero. Não deixem de ler os livros: Rute, Judite e Ester; belíssimos.

Competência não depende de gênero! Concretizando Não é possível grande parte do Norte/ Nordeste do Brasil receber a Ceia Eucarística a cada dois ou três anos porque não tem o padre; com tantas irmãs religiosas, missionárias no local. Mulheres formadas, competentes, mas de mãos atadas. Podem até perderem a vida por defender um projeto social, mas não podem consagrar o Corpo e Sangue de Cristo que é vida. Quer mais violência que essa? Volto então com a palavra violência; O apanhar é violento, mas o calar a boca, a imobilização de atitude também é uma grande violência. Com muita razão devemos olhar com amor pelos pobres, incluo nesse grupo as mulheres. Há homens que não aceitam a emancipação das mulheres, mas há uma grande maioria que querem e reconhecem a sua igualdade. Messias Guirado messiasguirado@ ig.com.br


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Painel de Debates

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Mortalidade de Mulheres Vítimas de Agressões A expressão máxima da violência contra a mulher é o óbito. Estes crimes são geralmente perpetrados por homens, principalmente parceiros ou ex-parceiros, e decorrem de situações de abusos no domicílio, ameaças ou intimidação, violência sexual, ou situações nas quais a mulher tem menos poder ou menos recursos do que o homem. Aproximadamente 40% de todos os homicídios de mulheres no mundo são cometidos por um parceiro íntimo. No Brasil, no período de 2001 a 2011, estima-se que ocorreram mais de 50 mil feminicídios, o que equivale a, aproximadamente, 5.000 mortes por ano. Acredita-se que grande parte

destes óbitos foram decorrentes de violência doméstica e familiar contra a mulher, uma vez que aproximadamente um terço deles tiveram o domicílio como local de ocorrência. Estudo do Ipea avaliou o impacto da Lei Maria da Penha sobre a mortalidade de mulheres por agressões. Constatou-se que não houve redução das taxas anuais de mortalidade, comparando-se os períodos antes e depois da vigência da Lei. As taxas de mortalidade por 100 mil mulheres foram 5,28 no período 2001-2006 (antes) e 5,22 em 2007-2011 (depois). Observou-se sutil decréscimo da taxa no ano 2007.

Mortalidade de mulheres por agressões antes e após a vigência da Lei Maria da Penha

No Brasil, no período 2009-2011, foram registrados, no SIM, 13.071 feminicídios, o que equivale a uma taxa bruta de mortalidade de 4,48 óbitos por 100.000 mulheres. Após a correção, estima-se que ocorreram 16.993 mortes, resultando em uma taxa corrigida de mortalidade anual de 5,82 óbitos por 100.000 mulheres.

Este estudo investigou apenas os óbitos, a violência contra a mulher compreende uma ampla gama de atos, desde a agressão verbal e outras formas de abuso emocional, até a violência física ou sexual. A obtenção de informações verificadas sobre feminicídios é um desafio, pois, na maioria dos países, os sistemas de informação sobre mortalidade não documentam a relação entre vítima e quem pratica tais atos, ou os motivos do homicídio. Foi recomendado a inclusão de um campo na declaração de óbito (DO), visando a permitir a identificação dos óbitos de mulheres decorrentes de situações de violência doméstica, familiar ou

sexual e o monitoramento destes eventos. A dimensão dos feminicídios foi elevada em todas as regiões e estados brasileiras e que o perfil dos óbitos é, em grande parte, compatível com situações relacionadas à violência doméstica e familiar contra a mulher. Sendo assim, se faz necessário reforço às ações previstas na Lei Maria da Penha, bem como a adoção de outras medidas voltadas ao enfrentamento à violência contra a mulher, à efetiva proteção das vítimas e à redução das desigualdades de gênero no Brasil. Site: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/ PDFs/130925_sum_estudo_feminicidio_leilagarcia.pdf


14 Janeiro de 2014

Espaรงo das Crianรงas

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Entrevista

Janeiro de 2014

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Em Defesa dos Direitos da Mulher Por Rejane Romano A Delegada Maria Clementina de Souza, há 37 anos na carreira policial, atuou na primeira delegacia da mulher de São Paulo, como primeira assistente. A delegada que ao sair da graduação, com apenas 24 anos, prestou concurso e tornou-se delegada com apenas 24 anos, relembra a situação das mulheres neste período. “Na ocasião só existiam 7 delegadas de polícia em São Paulo. Eu sabia que seria difícil, mas era o que eu queria, por isso me preparei para o concurso”, explica Clementina que foi a primeira negra delegada de polícia de carreira. “No início nos pareceu uma ideia inusitada. Não tínhamos noção de como seria. Na época havia pouquíssimas mulheres na carreira e pensamos inclusive que seria prejudicial para o nosso futuro na polícia. Mas ao contrário do que imaginamos nosso trabalho foi reconhecido internacionalmente e foi aí que descobrimos como se apanhava dos maridos e companheiros em São Paulo”. Situação esta que infelizmente ainda acomete o maior número de mulheres que procuram a delegacia da mulher para efetuar denúncias. “A delegacia da mulher, inaugurada no dia 6 de agosto de 1985, inicialmente surgiu para combater os crimes sexuais. Mas para nossa surpresa o carro chefe foram as agressões físicas, as agressões corporais.” É evidente que não há justificativas para este comportamento, mas alguns fatores são

preponderantes. “Há homens que já são violentos por natureza. Mas o pior em minha opinião é a ingenuidade da mulher que acredita que irá mudar o companheiro. “ A maioria dos casos de agressões são reincidentes. De acordo com a Delegada Clementina é muito raro a mulher que realiza a denúncia após o primeiro episódio de violência. “Muitas vezes a mulher que agora, após unir-se ao companheiro, sofre agressões foi avisada por amigos e familiares de que aquela não seria uma boa relação. Então até para não dar o braço a torcer a vítima permanece calada, em alguns casos por anos, sem denunciar a situação de opressão que vive. Isso sem falar da vergonha social que também faz com que algumas mantenham o silencio.” Silencio este que pode matar. As agressões tendem a aumentar com o passar do tempo e se a mulher não der um basta pode ser vitima de crimes bárbaros que deixam marcas eternas, tanto físicas quanto psicológicas. Como foi o caso de Maria da Penha Maia Fernandes, que deu nome a Lei 11.340, de 2006, ao ter ficado paraplégica após ser violentamente agredida pelo esposo, um professor universitário. Uma característica que denota não haver condição financeira, nem mesmo classe social para o agressor. No entanto, a Lei Maria da Penha, como é conhecida, há 7 anos em vigor, não é suficiente para coibir novos casos. “A Lei Maria da Penha não é contunden-

te e não tem a mão pesada o suficiente. Foi criada para atender as leis internacionais de defesa dor ser humano, mas não nos atende de forma eficaz. O crime é afiançável.” Prova de que a Lei Maria da Penha não derrubou a ideia de impunidade da cabeça dos homens agressores é que a maioria destes tem mais medo do artigo 736 do código civil, que refere-se a pensão alimentícia. “Há homens que ameaçam suas companheiras de morte, caso estas venham a processá-los pelo não cumprimento da pensão de alimentos”, esclarece a Delegada. Atualmente como Delegada Titular da 6ª Delegacia de Proteção ao Idoso de Santo Amaro, a Delegada Clementina vivencia uma outra vertente de agressões contra a mulher. “A idosa sofre agressões morais e financeiras. A família tenta tomar-lhe a pensão e/ ou aposentadoria e ela sofre todos os tipos de xingamentos.” Por vezes a idosa é confinada a viver num espaço afastado da família, numa edícula ou num quartinho dos fundos. Apesar da Lei 10.740, o Estatuto do Idoso, este tipo de crime é mais comum do que se pensa, Isto porque como afirma a Delegada “cai na vala dos crimes de menor potencial ofensivo”. O fato é que se a leis ainda estão aquém do ideal para evitar que mulheres de todas as idades, jovens ou idosas, não tenham seus direitos preservados, cabe a nossa sociedade cobrar o poder público e educar aos nossos futuros cidadãos para que respeitem o direito do próximo.

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Delegada Maria Clementina de Souza, há 37 anos na carreira policial, atuou na primeira delegacia da mulher de São Paulo


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Maria De Um Só João Leci Brandão

Jura ser Maria de um só João. Ai que servidão, ai que servidão. Ainda passa roupa à ferro de carvão. Ai que escravidão, ai que escravidão. Se agarrou no tempo em que a vovó vivia, Não quis ficar pra titia e dessa utopia não quer acordar. Diz que é rainha do lar e até faz por merecer, eu sei, Mas não adianta que o Rei não quer reconhecer. Acho bom mudar. É melhor largar desse mal. Vem participar pra ser mais igual. Oh mulher! Eu não sou um livro pra te dar receita. Mas seja cabeça feita e aproveita esse jeito de olhar. Saiba como cativar, use a imaginação. Mulher!! Na vida só ganha quem joga em qualquer posição. Acho bom mudar. É melhor largar desse mal. Vem participar pra ser mais igual. Oh mulher! MULHER, DENUNCIE O SEU AGRESSOR.

PROTEJA SUA VIDA E A VIDA DA SUA FAMÍLIA!

LIGUE PARA 180 É um serviço gratuito focado na orientação das mulheres vítimas de abusos e seu encaminhamento para órgãos da polícia, da Justiça e demais serviços de enfrentamento à violência contra a mulher, como centros especializados e casas-abrigo.

Jornal Voz da Comunidade nº 82 - Janeiro de 2014