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02/12/2017

BIOSSEGURO O cemitério vertical público biosseguro de Santa Bárbara CREMAÇÃO Processo póstumo não gera resíduos contaminantes

Tanatos revisitado


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Cremação é uma questão de esclarecimento Opção ecologicamente correta e que resolve o problema de espaço, a cremação ainda não é compreendida

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egundo o SINCEP - Sindicato dos Cemitérios Particulares do Brasil, em 1997 existiam no Brasil somente três crematórios. Em 2012, esse número aumentou para aproximadamente 34 crematórios. Apenas o Judaísmo e o Islamismo não aceitam a cremação. O Catolicismo, as Igrejas Evangélicas e o Espiritismo são os que mais a praticam. Para os espíritas, cujas doutrinas exigem que o corpo espere de 48 a 72 horas antes de qualquer processo, a cremação só é realizada depois da autorização da família. Depois de reformulações feitas pelo Papa João Paulo II no sentido de consentir a cremação, o número de católicos adeptos a esse procedimento aumentou. Contextualização A cremação iniciou-se na Idade da Pedra e, com o passar dos séculos, avançou de funerais rudes para modernos métodos científicos. Algumas dessas práticas foram muito comuns para se evitar a propagação de doenças altamente contagiosas. Hoje o procedimento conta com tecnologia e equipamentos de última geração. A Cremação é um processo que transforma o corpo em cinzas de forma rápida, apressando o que levaria muitos anos para acontecer naturalmente. O procedimento é realizado através de equipamento projetado exclusivamente para esta finalidade. Amparo legal Segundo a Constituição Federal de 1988, o serviço de crematório é um serviço público de interesse local. Especificamente em seu artigo 30, incisos I, V e VIII, é exposto que este tipo de serviço pode ser prestado por concessão, permissão ou ainda pelo próprio poder público. Insta salientar que a causa da morte é essencial no processo de cremação. A Lei Federal nº 6.015 de 31/12/1973 determina que no caso de morte natural,

os familiares deverão apresentar prova processo. de manifestação de vontade do falecido, constante de manifestação expressa, por Prática ecologicamente correta instrumento público ou particular, neste caso com a firma reconhecida e registrada A cremação preserva o meio ambiente, pois no Cartório de Títulos e Documentos ou não emite fumaça poluente. Para efetuar o autorização de dois familiares em linha reta processo, são retiradas as alças dos caixões (cônjuge, pais, filhos e irmãos), maiores e outros metais que possam ser prejudiciais de 21 anos, mediante apresentação do à saúde e ao meio ambiente. A tecnologia atestado de óbito possibilita realizar firmado por dois o procedimento A câmara primária só médicos ou por um a 900°C, por legista. No caso aproximadamente é posta para funcionar de morte violenta, 120 minutos, é necessária queimando e quando a secundária atinge a autorização requeimando os de autoridade gases que passam 500 0ºC. Os gases descem judiciária e um por tubulações até a câmara secundária atestado de óbito fiscalizadas firmado por um regularmente pelos através de uma passagem médico legista. órgãos ambientais. Quem deseja ser Após a cremação, que os força para baixo. cremado e deixar as cinzas são Após a passagem pela um documento colocadas para família e em uma urna. câmara inferior, a fumaça registros legais Algumas famílias deve fazer uma as guardam sairá pela chaminé isenta “Declaração de consigo, outras Última Vontade”, enterram, jogam de cor, cheiro e agentes registrá-la em no mar ou colocam poluentes. cartório e informar em igrejas, os familiares jazigos ou salas onde esta ficará de memórias. guardada para Também é possível uso posterior. Normalmente a Cremação transformá-las em diamante, cristal ou deve ser realizada após 24h do momento incorporá-las em obras de arte. O processo declarado do óbito, este intervalo é também de cremação impede a formação de um a oportunidade de realização de todas líquido proveniente da decomposição do cerimônias tradicionais. Após a cremação corpo humano, chamado de necrochorume, que dura em média 1h50m restam somente comumente visto nos sepultamentos fragmentos de ossos calcinados. A urna se tradicionais. Ademais, existem, atualmente, transforma em cinzas ao ser consumida pelo fornos crematórios com emissão de CO e O² calor. Os restos mortais são depositados em reduzida, possuindo taxa de emissão 70% um recipiente, previamente escolhido pela abaixo do limite estabelecido pelo Conselho família. Aqueles que pretendem ter o seu Nacional do Meio Ambiente – CONAMA. corpo cremado devem comunicar a família sua intenção, os quais poderão autorizar o Fonte: SEBRAE/SINCEP

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Cemitério vertical público biosseguro está pronto

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Servidores passaram por treinamento para operar sistema com 265 gavetas com durabilidade superior a 50 anos

A partir de sexta-feira (01/12), o cemitério vertical biosseguro de Santa Bárbara, primeiro público do país e único de Minas Gerais nesse padrão, está liberado para sepultamentos. O Decreto Municipal 3445/17 trata do regulamento do Cemitério e estabelece as regras para sepultamento. O local será administrado pela Secretaria de Meio Ambiente e Política Urbana. Ao todo, são 265 gavetas, distribuídas em sete andares e com durabilidade superior a 50 anos. As peças não possuem emendas e são feitas de fibra de vidro e garrafa pet. Cada túmulo construído equivale a 167 garrafas a menos no meio ambiente. Como as gavetas não possuem nenhum poro, por consequência, não há vazamento de líquidos oriundos da deterioração dos corpos, evitando, deste modo, a passagem de gases para o local de circulação de funcionários e visitantes. Os corpos permanecem nas gavetas por três anos, no processo de decomposição e, então, são redirecionados para o ossuário. Uma cabine, acoplada às gavetas, guarda o Módulo de Controle e Comando (MCC), que monitora a pressão, a temperatura e a umidade de cada túmulo. Neste espaço também está localizado o sistema de tratamento de gases. O Cemitério fica aberto para visitação de 7h às 16h, todos os dias, com exceção do dia de Finados, quando o horário pode ser estendido.


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11 As gavetas ocupam uma área de menos de 100 m². No sepultamento convencional seria necessário 546m² para a mesma quantidade de sepulturas. A proporção é de um sepultamento convencional para cada sete sepultamentos verticais. Seguindo o padrão sustentável, as lápides são feitas com um tipo de granito ecológico, desenvolvido a partir do bagaço da cana-de-açúcar, 20% de palha de coco seca, carbonato de cálcio misturado a areia, fibra de vidro e resina com 30% de garrafa pet reciclada. Três colunas filtram esse ar sujo, devolvendo-o ao ambiente sem odores. Outra válvula recebe o ar limpo da natureza, que é injetado em todas as gavetas ocupadas, ao mesmo tempo. O MCC também gerencia automaticamente a vedação das gavetas por meio de um teste de estanqueidade, feito sempre após cada sepultamento. A precisão do procedimento detecta qualquer furo ou falha na lacração, permitindo que os vazamentos ocorridos na operação sejam reparados. Caso seja detectada alguma falha na integridade da gaveta, o sistema entra em “módulo de alerta” e executa automaticamente o protocolo de segurança, que consiste em manter um vácuo permanente. Na sequência, o MCC envia um alerta por SMS para os celulares dos responsáveis, informando e identificando o lugar do possível vazamento. Nestes moldes o sepultamento leva apenas 10 minutos, enquanto da maneira tradicional são 55. Todo o processo descrito atende por completo a Resolução CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) 335/2003, que detalha as diretrizes a serem seguidas para licenciamento ambiental tanto de cemitério convencional quanto vertical. A obra custou R$ 447.555,63.


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Falta segurança na capela-velório

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Em muitas localidades as pessoas deixam o ente falecido na capela e vão para casa, com medo de serem assaltadas na madrugada Samuel Consentino

A capela-velório do cemitério de Santana (foto), em Mariana (MG), não está sendo usada porque à noite tem acontecido roubo no local. Dois vereadores preocupados com a situação fizeram indicação ao prefeito pedindo obras e fiscalização.


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16 Editorial Boas práticas precisam ser valorizadas Tanatos (Thanatos) é um nome grego masculino associado à morte. A ciência que estuda esse fenômeno é conhecida como tanatologia. Na mitologia, Tanatos é Filho da Noite, que o concebera sem o auxílio de nenhum outro deus. Irmão do Sono (Hipnos), Tanatos é percebido pelos ocidentais como inimigo implacável do gênero humano. Ele fixou a sua morada no Tártaro, segundo Hesíodo, ou diante da porta dos Infernos, segundo outros poetas. Hoje, a imagem da destruição está associada à perda de direitos. Morre o homem que não tem ideologia, não tem liberdade e não tem dignidade. Os antigos gregos representavam Tanatos sob a figura de uma criança de cor preta, com os pés tortos, acariciada pela Noite, sua mãe. Os seus pés, às vezes, mesmo não sendo disformes, estão cruzados, símbolo da posição incômoda em que os corpos ficam na sepultura. A escravidão moderna condena à morte as vítimas do arbítrio e dos desvios de recursos públicos. Tanatos se distingue por ter uma urna e uma borboleta. Julga-se que a urna contém cinzas, e a borboleta abrindo o vôo é o emblema da esperança de uma outra vida, além de símbolo budista. Crer ou não crer na mitologia não vai mudar a relação dos mortos-vivos com o planeta, tampouco a relação dos vivos-mortos com os cemitérios. Na Europa, são locais de repouso e magníficas obras de arte. Nos campos de batalha, são a constatação da insanidade humana. Há quem acredite que sepultar em pé tira a paz e o descanso do morto. Talvez o morto perca mesmo a paz ao saber o custo de seu sepultamento e as viagens que poderia ter feito com esse dinheiro. Enfim, nesta edição vou brindar com outros mineiros a ousadia. Santa Bárbara é a protagonista dessa primazia. Um sepultamento de 10 minutos de duração que não contamina o ar, o solo ou o lençol freático e reduz o nível de enxofre lançado no meio merece uma edição especial.

Expediente Insight Empresa Jornalística Jornalista Responsável: Ricardo Guimarães E-mail: ricardoguim@yahoo.com.br WhatsApp: 5531989685443 Edição 3 - 02/12/2017

Insight - Revista Eletrônica - Nº 3  

Nesta edição destacamos as tecnologias de sepultamento ecológico: cremação e cemitério vertical biosseguro, bem como a violência que chegou...

Insight - Revista Eletrônica - Nº 3  

Nesta edição destacamos as tecnologias de sepultamento ecológico: cremação e cemitério vertical biosseguro, bem como a violência que chegou...

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