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NOVEMBRO/2017

IPEA inflação mais alta para pobres

TRÂNSITO um brasileiro morre a cada 13 minutos

Mais 600 demissões na Samarco


Novo indicador Ipea mostra inflação mais alta para pobres nos últimos 11 anos Nos últimos 11 anos (de julho de 2006 a outubro de 2017), a inflação dos mais pobres apresentou uma variação de 102,2%, bastante superior à observada na faixa das famílias de renda mais alta, de 86,3%. Este ano, no entanto, devido à deflação dos alimentos, a inflação dos mais pobres foi menor. Nos últimos 12 meses, encerrados em setembro, a inflação das famílias de renda mais baixa foi de 2%, bem abaixo dos 3,5% do segmento mais rico. É o que mostra o novo Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, que mede a inflação em seis faixas de rendimento e será divulgado mensalmente. O indicador foi lançado nesta quinta-feira, dia 16, na unidade do Ipea no Rio de Janeiro, junto com a Seção de Inflação da Carta de Conjuntura. “O Indicador permite identificar as diferenças no comportamento do custo de vida de famílias com rendas distintas, que podem ser bastante significativas em determinados períodos, o que possibilita medir índices de preços mais precisos. Com isso, o Ipea passa a fornecer índices de preços úteis quando o objetivo é deflacionar renda ou despesas de classes sociais específicas”, explicou José Ronaldo de Castro Souza Jr., diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas. A Nota Técnica Inflação por Faixa de Renda mostra, a partir dos dados da POF de 2008/2009, que as famílias de renda mais baixa gastam em alimentação 2,5 vezes mais que as de renda mais alta (23% contra 9%). Outros itens também têm gastos mais expressivos na primeira faixa que na última, como aluguel (8,5% contra 5,5%) e transporte público (8,4% contra 1,7%). Do outro lado, os mais ricos gastam mais em educação (10,3% contra 2,2%), serviços de saúde (6,8% contra 1,4%) e despesas 2

Nos últimos 12 meses, entretanto, a inflação das famílias com renda mais baixa foi de 2%, bem abaixo dos 3,5% do segmento mais rico

pessoais (5,4% contra 1,6%). Nos últimos 11 anos, as maiores taxas de crescimento de preços se referem à alimentação, como carnes (199%), aves e ovos (126%), cereais (109%) e leites e derivados (107%). Já as menores taxas de inflação neste período foram com itens que não impactam tanto nas famílias menos favorecidas, como os aparelhos de TV, som, informática (-40%), eletrodomésticos e equipamentos (18,5%) e veículo próprio (17%). “Ao longo do próximo ano, deverá haver uma gradual elevação da inflação, sem, entretanto, gerar riscos significativos à estabilidade monetária”, segundo a Carta de Conjuntura do Ipea nº 37. A forte deflação dos alimentos não deverá se repetir no próximo ano. As perspectivas são de uma reversão da queda dos preços dos alimentos, em parte, em função da perspectiva de redução da safra de grãos para o ano que vem. Contudo, a melhora dos fundamentos macroeconômicos, a elevada ociosidade da capacidade produtiva e a lenta recuperação do mercado de trabalho devem manter a inflação abaixo da meta de 4,5% em 2018. Alguns fatores, entretanto, podem dificultar a consolidação desse cenário benigno, segundo os técnicos. O primeiro está relacionado ao desdobramento do ambiente de incerteza política, que será influenciado pelo debate eleitoral do ano que vem – com possíveis impactos sobre o nível de risco-país e sobre a taxa de câmbio. O segundo é que uma eventual mudança no cenário externo, atualmente favorável, também poderia gerar um aumento da aversão ao risco e, consequentemente, uma depreciação cambial, afetando a dinâmica dos preços livres. Por fim, a redução da safra esperada para 2018 pode implicar em incrementos adicionais à taxa de inflação. 3


Mais 600 demissões na Samarco Sindicatos Metabase Mariana (Minas Gerais) e Sindimetal (Espírito Santo) propõem Programa de Demissão Voluntária (PDV) para os empregados

Nos dias 16 e 17/11 a Samarco Mineração, paralisada há dois anos, se reuniu com os representantes dos trabalhadores para anunciar o corte de 600 empregados. Os sindicalistas sugeriram o Plano de Desligamento Voluntário (PDV), como alternativa. Com o PDV, o sindicato está negociando o extermínio de sua base. Não faz sentido uma instituição que representa os trabalhadores da indústria da mineração propor um acordo dessa natureza. Serão 250 demissões no Espírito Santo e 350 em Minas Gerais. A Samarco pretende reduzir o quadro de 1.735 para 1.135 trabalhadores até dezembro de 2017. A mineradora pretende retomar as atividades com 26% da capacidade operacional. Ainda não há data prevista para o reinício das operações da Samarco Mineração em Mariana. Três meses antes do desastre de Fundão os sindicalistas se reuniram, ao lado dos trabalhadores, em audiência pública sobre a mineração na Região dos Inconfidentes (foto). O desastre agravou ainda mais o passivo ambiental e as disparidades socioeconômicas. O governador Fernando Pimentel anunciou, em abril de 2016, como panacéia, a retomada das atividades da Samarco Mineração em Mariana. De lá para cá a situação econômica dos municípios mineradores se agravou, chegando hoje a mais de 30 mil pessoas desempregadas só em Mariana e Ouro Preto. Esse contingente não trabalhava na Samarco, mas laborava em contratadas, no comércio e em órgãos públicos que foram atingidos pela paralisação com a perda de receita. Há quem acredite que essas demissões da Samarco são estratégias da Vale, para acalmar os ânimos em plena época de acordo coletivo, uma vez que não houve ganho para os trabalhadores.

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Ricardo Guimarães

Três meses antes do desastre de Fundão os sindicalistas se reuniram, ao lado dos trabalhadores, em audiência pública sobre a mineração na Região dos Inconfidentes. O desastre agravou ainda mais o passivo ambiental e as disparidades socioeconômicas. Sem dinheiro, os sindicatos conseguirão defender os interesses das inúmeras categorias de trabalhadores e resistir ao lobby do patronato?

Quem pode aderir ao PDV? Empregados de todos os níveis podem aderir ao PDV, inclusive os que estão em layoff. A adesão poderá ser realizada entre os dias 20 de novembro e 1º de dezembro deste ano. Caso o PDV não atinja a meta de adesão de 600 empregados, a empresa irá realizar um Programa de Demissão Involuntária (PDI), o famoso “olho da rua” ou “rua da amargura”. Quais os benefícios oferecidos pela Samarco a que aderir ao PDV? 50% do salário para cada ano de trabalho, limitado a quatro salários; três salários fixos limitado a R$7.500; desligamento por iniciativa da empresa; plano de saúde por seis meses, a partir da data de desligamento do empregado. A Samarco está com suas operações paralisadas desde novembro de 2015. Nesse período, a empresa concedeu férias coletivas, licença remunerada e dois períodos de layoff (suspensão do contrato de trabalho). O último período de layoff foi iniciado em junho deste ano e continua até março de 2018. Se o fantasma do desemprego assusta, por outro lado o fim da contribuição sindical obrigatória deverá levar à extinção centenas de sindicatos. Fica a pergunta: sem dinheiro, os sindicatos conseguirão defender os interesses das inúmeras categorias de trabalhadores e resistir ao lobby do patronato junto ao parlamento brasileiro? O reinício das operações da Samarco depende de aval da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SEMAD, uma secretaria de governo com efetivo reduzido, salários achatados e más condições de trabalho. Inclusive, movimentos grevistas de servidores daquela secretaria retardaram a apreciação da licença requerida pela mineradora.

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Opinião Procurador, pedimos socorro! Nossa mão de obra local precisa ser valorizada! Só queremos trabalhar! Beatriz Magalhães (*) A nossa cidade vai receber um Procurador do Estado digno de respeito, o Senhor Rômulo de Carvalho Ferraz procurador-geral de Justiça adjunto institucional de Minas Gerais. No seu primeiro dia de posse o mesmo já mostrou que o MPE trabalha em função da sociedade - do povo, ele sabidamente está mostrando que o papel do MP é ouvir a população e tratar com lisura e imparcialidade todas as tratativas que envolvem a sociedade civil. Tenho acompanhado seu trabalho até mesmo pela constante torcida pelo desenvolvimento de nossa terrinha, Mariana. O Procurador sempre participa de ações que envolvem a economia local e financeira, sempre disposto a ouvir, como recentemente, quando esteve na Câmara de Belo Horizonte. Eles conversaram por mais de uma hora sobre os problemas enfrentados pelas respectivas instituições. Ambas, por exemplo, convergem no tocante às dificuldades financeiras no atual exercício, devido às peculiaridades internas e à queda de receita da capital mineira e do Estado. Além disso, atuam na redução de gastos, frente à grave realidade econômica do País. O cenário político local e nacional, assim como as propostas de reformas que, hoje, tramitam no Congresso Nacional, foram temas do diálogo amigável entre o chefe do Ministério Público e o chefe do Legislativo de Belo Horizonte. Cá entre nós, nosso Digníssimo MP só se preocupa com tragédia, atingidos diretos e Renova. E a cidade? Creio que não se pode dizer que essa atuação local seja coletiva. Somos hoje mais de 15 mil desempregados, e mesmo que a mídia ou o MP insistam em dizer que há demora nas reparações, não podemos nos cegar e dizer que os mesmos não estão amparados. Pouco ou muito, estão sim! Para eles, a passos lentos, mas é inegável que estão amparados. Espero de coração que se resolva logo tudo que eles querem, necessitam e devem receber por direito. Diante do exposto, lembro a todos que no dia 22/11, próxima quarta-feira, é de suma importância Mariana lotar o prédio da Câmara, juntar todo mundo, prefeito, vereadores, empresários, povo de Mariana, desempregados, empregados, donas de casa, e mostrar ao Procurador Rômulo que precisamos da ajuda dele. Que ele nos ouça: a empresa precisa voltar, que a mão de obra local seja respeitada e contratada. Que Cáritas e Aedes, responsáveis pela comissão técnica instituída pelos atingidos diretos e também por cidadãos marianenses, nos garanta o direito de trabalhar dignamente pela nossa terra e para nossa terra. Afinal, somos todos atingidos e tenho absoluta certeza que o nosso Procurador do Estado sabe e conhece bem as necessidades do nosso Município e prima por profissionalismo acima de tudo, em nome da sociedade em que ele também faz parte. Vamos fazer bonito dia 22/11 e não tenho dúvidas que estamos bem amparados com o Procurador Rômulo Ferraz. Levem cartazes, mostrem que precisamos do MPE! Em uma matéria recente se diz: o procurador Rômulo Ferraz, do MPE, considerou que há uma demanda “justa” das empresas para uma possível retomada no primeiro semestre do ano que vem. “Há um pleito justo das empresas de retomada das atividades da Samarco em Mariana. Este pleito hoje é quase uma unanimidade da população naquela região, dos municípios que estão no entorno, pela importância econômica que tem”, disse o Procurador. É preciso dizer mais? Compartilhem e convoquem amigos a participar! 8

*Jornalista e cidadã marianense

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Editorial

Estudo aponta tendência de precarização do trabalho no Brasil

Nos rendemos ao formato mídia digital

O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu estudos a respeito dos impactos econômicos da reforma trabalhista (Lei 13.467/2017) realizados por 31 pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e de Economia da Universidade Estadual de Campinas (CESIT/UNICAMP). A análise expõe as fragilidades dos argumentos comumente disseminados para justificar a necessidade de alteração legislativa e traz subsídios técnicos para o enfrentamento das discussões - abordando o tema sob diferentes aspectos. Entre eles, os efeitos negativos de reformas trabalhistas em outros países que inspiraram a brasileira, como a da Espanha.

Em novembro de 1996 lancei, em parceria, o jornal Insight, na zona sul de Belo Horizonte. Com uma tiragem de 7 mil exemplares e distribuição gratuita a publicação garantiu um público ledor fiel ao longo de três anos. Em 1998, o Insight passou a circular em Mariana. Em 1999, o nome foi mudado para Folha Marianense. Excepcionalmente, em 2017, o Folha Marianense parou de circular na versão impressa mas se manteve nas redes sociais. Estamos com nossa fanpage no Facebook, Website em domínio próprio desenvolvido por mim e uma conta no Twitter. Novos tempos exigem mudanças. Ambas as publicações serão mantidas no formato mídia digital com um alcance muito maior e a instantaneidade da comunicação na era tecnológica, sem as manipulações da métrica. Vamos tentar dar ao jornalismo a nossa contribuição da forma mais honesta. O Folha Marianense continuará com sua fanpage. O Insight agora passa a ser uma revista eletrônica. Cada número da revista será dedicado a um tema específico. Diversos jornais diários no mundo todo deixaram de circular como impressos, mas continuam na internet de onde podem ser acessados por aparelhos portáteis como smartphones e tablets oferecendo além de textos e imagens, áudios e vídeos. O orçamento que não cabe no impresso se adapta muito bem ao ciberespaço de forma interativa. Agradeço aos estudantes de jornalismo que colaboraram com o Folha Marianense, bem como aos colegas jornalistas que nos enviam sugestões de pauta. Sobretudo, agradeço a cada leitor pelo incentivo e confiança. Por fim, um agradecimento especial à minha família terrena e espiritual que me amparou e ainda acolhe nos momentos bons e ruins. Um lembrete aos coleguinhas: não uso Skype, não tenho perfil no Facebook, não tenho perfil no Twitter, não uso Linkedin e recebo 400 e-mail’s/dia. Quer me contactar? Use preferencialmente o WhatsApp. Ricardo Guimarães

Expediente Insight Empresa Jornalística Jornalista Responsável: Ricardo Guimarães E-mail: ricardoguim@yahoo.com.br WhatsApp: 5531989685443 Edição 1 - Novembro/2017

Publicados sob o título geral “Reforma Trabalhista – Textos para Discussão, os oito estudos em forma de artigos científicos apresentam conteúdo atual e robusto, analisando a Lei 13.467/2017 e suas repercussões, sob os pontos de vista econômico e social. Os dados da realidade brasileira foram analisados tomandose por base comparativa as reformas realizadas em outros países, com objetivo de identificar paradigmas e tendências socioeconômicas. O estudo enfatiza como as relações de trabalho já são historicamente flexíveis no Brasil, flexibilidade essa que se ampliou com o avanço da terceirização, da pejotização, da remuneração variável e não salarial e da despadronização da jornada. Em “Movimento Sindical e Negociação Coletiva”, há uma análise do impacto da reforma trabalhista sobre o movimento sindical e a negociação coletiva, destacando as diferenças entre as convenções coletivas assinadas por sindicatos sujeitos a maior precariedade e as de categorias mais organizadas – expondo as diferentes posições das entidades sindicais no debate da reforma. Apresenta dados sobre a evolução da taxa de sindicalização, do número de greves, bem como aborda a pulverização e a questão do financiamento sindical.

Insight - Revista Eletrônica  

A edição de novembro de 2017 pauta a economia, as demissões na Samarco, o desemprego em Mariana, os números recentes do Ipea e a violência n...

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A edição de novembro de 2017 pauta a economia, as demissões na Samarco, o desemprego em Mariana, os números recentes do Ipea e a violência n...

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