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Dificuldade: difícil

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Selfie, troika, greve, Grândola, Mandela, Panteão, Referendo, Bolsas, Swaps, Igualdade . Tema: notáveis portugueses

600 exemplares

Pedro Rebelo Pereira

Patrícia Ramos

Fábio Mirra Filipa Russo Francisco Hugo Silva Mariana Coimbra José Muller e Sousa Joana Andrade João Morais João Biscaia Ricardo Ferreira Rita Arraiano Rodrigo Ferreira do Amaral Teresa Ferraz

Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa Avenida de Berna, 26 C 1069-061 Lisboa 217 908 300 ext. 1272 http://ae.fcsh.unl.pt

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Pintor Português. Cubismo. Futurismo. Expressionismo.) O Romance da Raposa

9.

Auto. Teatro.

10.

Acto de Consciência. 1940

11.

Peito ilustre lusitano.

2.

ae@fcsh.unl.pt Rui Silva

Prográfica. Sociedade Gráfica, Lda. 2735-336 Cacém 214266400

Sofia Ferreira Teixeira

António Carvalho Joana Lopes

Ana Garcia António Moura dos Santos Bernardo Carreiras Dário Florindo Diogo Fernandes

http://facebook.com/AEFCSH.UNL http://www.youtube.com/aefcsh Vertical

prografica@sapo.pt 1. 3. 4. 6 7 8.

Republicano. Provisório "Obrigado, obrigado." Pantera. 1942-2014 Pim. (Apelido.) Variações em ré maior (Apelido.) Sem Medo (Apelido.)

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O empreendedorismo constitui um importante motor de crescimento económico, de geração de riqueza e bem-estar social e portanto, de promoção da inclusão social. O empreendedorismo é uma predisposição, uma atitude mental, que pode desenvolver-se no seio de toda a sociedade em geral, não devendo ser limitada a um contexto empresarial. O empreendedorismo combina assunção do risco, criatividade e inovação, com uma boa gestão, numa empresa “start-up” ou numa organização já existente. Isto pode ocorrer em qualquer sector e/ou tipo de negócio e para qualquer estudante independente de área do ensino superior. Aqueles que estão interessados em mudar a cultura portuguesa e as universidades, para as tornar mais empreendedoras e criativas, devem compreender que a construção desse modelo social tem de envolver toda a gente. O sistema de ensino, os meios de comunicação e os modelos positivos da comunidade são essenciais para promover atitudes positivas relativamente ao empreendedorismo. Numa perspectiva de aprendizagem ao longo da vida, uma educação empreendedora deve envolver os jovens, no sistema de ensino, em todos os seus níveis. Uma boa prática de ensino é o desenvolvimento de iniciativas que incluam a aprendizagem pela realização - "aprender, fazendo" - onde os jovens enfrentam o mundo real e experienciam actividades empreendedoras. A Harvard Business School define empreendedorismo como, "a busca de oportunidades para além dos recursos que actualmente se controlam". Alcançar e aperfeiçoar o espírito empreendedor depende do desenvolvimento das seguintes competências: - Intenção empreendedora; - Auto-eficácia empreendedora (A ideia de que se pode controlar o ambiente em redor);

- Orientação empreendedora, que inclui: - Inovação; - Autonomia; - Assunção do risco; - Pró-actividade. O desenvolvimento da capacidade para assumir riscos ou de uma atitude mais próactiva pode ser um processo lento. O empreendedorismo e para mobilizar os jovens para reflectirem sobre quem eles conhecem e sobre o que podem aprender com essas pessoas constitui uma óptima forma de desenvolver redes empreendedoras. É importante explorar conceitos mais abrangentes relacionados com um determinado problema sob diferentes pontos de vista para desenvolver soluções inovadoras. Com o recurso às novas tecnologias e com o apoio de programas governamentais, os jovens podem construir redes globais abrindo, dessa forma, as suas mentes para maiores possibilidades. Finalmente, queremos também ensinar como se processa a tomada de decisão e a acção, a incentivar os jovens a pensar e a usar as suas próprias capacidades para gerar novas informações. É necessário aconselhá-los relativamente à complexidade dos factos, adicionando-lhes subjectividade, nomeadamente os seus sentimentos e intuições. É essencial dar-lhes a oportunidade de aprender com o fracasso e ajudálos a lidar com conflitos, tensão e incertezas. Isso significa premiar comportamentos vinculados às atitudes e competências que queremos desenvolver. É imperativo que nos certifiquemos de que estas recompensas estão relacionadas com comportamentos positivo, mérito e trabalho árduo, e não com algo institucional e impessoal. Na minha perspectiva, incentivar a motivação para a realização, através da formação de jovens assente em valores como a persistência, a diligência, o trabalho árduo e a responsabilidade é essencial para a diferenciação no mercado do trabalho global.

A ligação da realidade académica ao mercado de trabalho tornou-se uma das responsabilidades centrais da tua Associação de Estudantes. Usando a privilegiada proximidade aos estudantes, a AEFCSH tem trabalhado por aumentar as oportunidades de formação, estágio e emprego, trazendo também para a discussão tópicos como uma cultura empreendedora baseada no respeito social. Numa primeira fase, o Departamento de Inovação, Empregabilidade e Empreendedorismo tem desenvolvido contactos com diversas instituições, no sentido de trazer até ti uma amostra do mercado de trabalho, desde casos de sucesso às maiores dificuldades, trabalhando por te dar todas as ferramentas para que a entrada no universo laboral corra da melhor maneira. No dia 16 de Janeiro reunimos com Ricardo Carvalho, Presidente Executivo da Fundação da Juventude, iniciando as conversações a culminar num protocolo de cooperação entre ambas as instituições. Esta é uma instituição privada, de interesse público, sem fins lucrativos, focada na Formação, Empreendedorismo e apoio ao Emprego Jovem. Todavia, nenhum deste trabalho seria possível sem o apoio do GIPAA – Gabinete de Inserção Profissional e de Antigos Alunos da FCSH, com o qual se celebrou uma parceria. Acreditamos que um trabalho conjunto e aumentado chegará melhor aos alunos e responderá às suas reais necessidades. Esta parceria será oficializada nos dias 24, 25 e 26 de Fevereiro, no “Prepara-te”. A sessão que dará início ao plano de actividades do departamento dar-te-á a conhecer o nosso trabalho conjunto através de diversos workshops muito práticos, sobre Criatividade, Empreendedorismo e a entrada no mercado de trabalho, onde poderás aprender, aplicar o que aprendes e, acima de tudo, divertir-te num dia diferente. Prepara-te!

No início de mais um semestre, o Nova em Folha surgenos numa edição com a casa arrumada e com novos horizontes. Num contexto em que os media e a deontologia parecem ter deixado de andar de mãos dadas, queremos que este seja um produto cultural de reflexão conjunta, um espaço de liberdade onde cada estudante pode mostrar quem é, sem intermediários nem interposições. A cultura não podia deixar de ser a pedra de toque de uma publicação que se quer dinâmica, crítica e transformadora, não fosse esse o motor das sociedades mesmo que esta pareça ser hoje uma verdade inconveniente. Não deixaremos na prateleira a democracia, esse grande dispositivo em crise, mas que ainda funcionou para nos trazer até aqui. Enquanto comunidade estudantil, discutiremos tudo o que quisermos discutir porque irreverência é o nosso nome do meio. Estaremos sempre de sentinela aos que consideram que o Ensino Superior pode ser reduzido ao mal menor dos desequilíbrios financeiros e que as Ciências Sociais são fortes candidatas a ser espécie em vias de extinção. Porque sabemos que temos uma riqueza que jamais se traduzirá em números de um qualquer gráfico estatístico: o nosso saber, a nossa capacidade de pensar o mundo, a nossa perícia na retórica e argumentação (distanciandonos da arte de bem manipular). Seremos fieis, mês a mês, à compilação do que a Associação de Estudantes anda a fazer pelos seus

representados e o que os seus representados andam a fazer pela faculdade, bem como do que se vai passando na cidade das sete colinas em efervescência. Enquanto não chegam as tardes solarengas na esplanada, deixamos um registo fotográfico muito pouco agradável condizente com a situação - da manifestação de candidatos a bolsa e bolseiros da FCT, em que debaixo de chuva afirmámos a necessidade de um país com espaço para acolher quem queira pensar; trazemos a opinião de um aluno de História que, com o assunto na ordem do dia, fala da importância das Ciências Sociais nas democracias; à altura da nossa estreia está ainda a Grande Entrevista com Ricardo Costa, ex-aluno da FCSH e actual director do semanário Expresso. Selfie foi a palavra de 2013 e é também um óptimo retrato de uma sociedade cada vez mais individualizada e adepta do sensacionalismo, onde o que realmente interessa é ficar bem na fotografia. Os problemas estruturais, esses, empurram-se para debaixo do tapete e faz-se figas para que ninguém se lembre de ir mexer neles. Lembremo-nos é que também eles são dinâmicos e, um dia, serão avalanches. Em ano de eleições, de referendos e da celebração dos 40 anos do 25 de Abril, cabe-nos também a nós, estudantes, garantir que os nossos sonhos não caiam no esquecimento do nosso sistema social. Porque temos não só um papel histórico como uma postura decisiva no futuro que somos (e fá-lo-emos inevitavelmente juntos). Fica assim esta porta aberta para todos os que nela quiserem entrar.

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Cresci ao som dos Queen, que considero génios do Rock. A melhor maneira de esvaziar o cérebro é ouvir a faixa "Bohemian Rapsody" muitos decibéis acima do que qualquer regra de saúde recomenda.

(Várias versões, mas recomendo a de John Eliot Gardiner.) Não percebo nada de música, senão como dizem os informáticos - a partir da ótica do consumidor, mas eu consumo muito Bach. Há uma frase do compositor Michael Torke que resume a minha relação com Bach: "Why waste money on psychotherapy, when you can listen to the B Minor Mass?"

Sou viciado na voz do Tom Waits. Ouvi tantas vezes este álbum que ficou estragado e tive de arranjar nova versão. Recomendo quase toda a produção do Tom Waits.

Uma sugestão com muitos anos, mas que considero intemporal. Gosto muito de MPB e não consigo nomear um preferido no lote Chico Buarque, Caetano e Maria Bethânia, mas a voz da Elis Regina é única e as interpretações deste álbum são absolutamente fantásticas.

A nova geração de fadistas conquistou-me - já tarde - para o fado e, para desgosto dos meus filhos, tornou-me um ouvinte assíduo de fado. No dia em que fui eleito diretor da FCSH, algumas colegas do Departamento de Linguística ofereceram-me este CD, que tem interpretações excelentes e um texto na primeira faixa que pode alimentar várias aulas de semântica.

Limitada à literatura americana, a qual ainda acho ser relativamente desconhecida entre nós. Embora outras obras pudessem fazer parte desta lista, as que se seguem não só permitem abarcar um espaço de tempo relativamente lato, como possibilitam, de igual forma, a abordagem (maioritariamente desmistificadora) daqueles que se podem considerar como sendo temas/mitos americanos por excelência, a saber, entre outros: a eleição do povo americano, o sonho americano, a superioridade racial, a dimensão guerreira e a regeneração através da violência.

Em conjunto com o Gabinete de Recrutamento e Intercâmbio de Alunos da FCSH, renovámos a página dos Novos Alunos FCSH, que está agora pronta a acolher e responder a dúvidas dos alunos do 12.º ano que estejam interessados em juntar-se a nós a partir de Setembro.Mostra a página aos teus amigos mais novos e conta-lhes como é bom estudar na Avenida de Berna! http://facebook.com/

Foi aprovado em Janeiro, em Conselho de Estudantes, o Regulamento do Estatuto de Estudante Atleta da Universidade Nova de Lisboa. Este era um objectivo antigo da AEFCSH e dos estudantes desta faculdade. O documento, que abrange atletas de modalidades individuais e colectivas na NOVA e das Associações de Estudantes, será publicado brevemente e deverá entrar em vigor já este semestre. É uma excelente notícia para todos os colegas que praticam desporto universitário, vendo finalmente alguns direitos reconhecidos. Destacam-se o acesso à época especial de exames e a justificação de faltas motivadas por comparência em treinos e competições. Mais uma óptima razão para praticares desporto e te inscreveres nas nossas equipas.

No âmbito da renovação de protocolos, a AEFCSH assinou uma parceria com o Espalha Factos. Este é um site de entretenimento, sem fins lucrativos, no qual participam muitos alunos e ex-alunos da faculdade.

Fomos alertados pelos Serviços de Acção Social de que a marquise da cantina está constantemente em péssimas condições de limpeza e que, a manter-se a situação, se irá ponderar o fecho desse espaço. Apesar de haver limpeza diária das instalações, o número de funcionários não está a conseguir suportar a actual quantidade de lixo ali produzida.

Esta ligação permite o fortalecimento da imagem da Associação de Estudantes e é aumentará a divulgação das nossas iniciativas culturais e recreativas.

Porque achamos impensável ver o único espaço coberto para fumadores ser fechado, temos a responsabilidade de ter o especial cuidado de dar o nosso contributo cívico.

Gostas de estar no espaço da AE e já não suportas ouvir sempre aquela dos Arctic Monkeys? Queres B Fachada e um cheirinho de Foals? Queres participar nas escolhas musicais? Cria uma playlist no Spotify e envia-nos o link para ae@fcsh.unl.pt com o assunto “Rádio AE”. Gostas de cantar? Gostas de belas guitarradas? Gostas de convívio? Claro que sim! A Tuna da FCSH está à procura de novos membros. Para entrares, basta apareceres nos ensaios: Quartas e quintasfeiras, das 21h às 23, no piso -1 da Torre A.


Aos seis anos de idade tiram-nos de casa e metem-nos na escola para aprender a ler e a escrever. A partir desse momento, a educação para a vida, a nossa construção como homens e mulheres de amanhã – líderes políticos, legistas, deputados, arquitectos, engenheiros, pensadores, o que seja – é partilhada entre aquilo que é ensinado em casa e aquilo que é ensinado na escola. A sede de lucros, a urgência no pagamento de dívidas externas e o equilíbrio das demais balanças comerciais faz com que as nações, e os seus respectivos sistemas de ensino, ponham de lado o ensinamento de certas capacidades cognitivas teóricas e, ainda pior, práticas.

A humanidade encontra-se em regressão de valores e as democracias enfraquecem-se e só o ensino das Artes e das Humanidades às gerações do porvir podem evitar esse destino. A literatura, a filosofia, a arte e, até, a ciência, são sombras daquilo que eram ontem. O desenvolvimento destas áreas sofre agora de um caso de letargia aguda provocada pela obtusidade de conceitos e ensinamentos, um desbobinar de lugares-comuns a um auditório de um quarteirão de mentes frescas, que aparentemente assim se prostra disponível a, infelizmente, comer e calar.

Esquece-se, porém, quem porventura manda, que as ideias leccionadas, repetidas até à exaustão, testadas e avaliadas (para depois serem prontamente olvidadas), não nasceram do acaso nem tampouco de mentes sisudas. E a juventude é

obrigada então a suprimir a sua voz e a sua criatividade, objecto de uma educação para o fazer, não para o saber-fazer e muito menos para o duvidar e o questionar. Nos Estados Unidos da América, a título de exemplo, a ex-candidata ao cargo de presidente Sarah Palin, disse certa vez num debate que, dos míseros 6% do PIB norte-americano que são usados para a educação, se deviam cortar os apoios às Artes e às Humanidades, visto serem matérias frívolas e sem qualquer utilidade económica para o desenvolvimento social de uma nação, a mesma nação que se diz a mais democrática do mundo enquanto gasta 56% do seu PIB em gastos militares. As Humanidades têm vindo a perder importância e destaque nos currículos profissionais nos países desenvolvidos. No Brasil, país ainda em desenvolvimento e uma das principais economias emergentes do mundo, a Filosofia acabou de ser incluída no programa educacional do ensino médio, equivalente ao ensino secundário português, enquanto cá a Filosofia, de um ano para o outro, passou de possível disciplina de ingresso para todos os cursos do ensino superior, para disciplina de ingresso em nenhum dos cursos. O XIX e actual governo constitucional da República Portuguesa extinguiu o Ministério da Cultura sob o pretexto de contenção de despesas. O IVA sobre os espectáculos culturais subiu de 6% para 13%. Qual a razão destes ataques às Humanidades, às Artes e à Cultura? Os aspectos humanísticos das ciências – a imaginação, a criatividade e o pensamento crítico rigoroso – vão perdendo terreno, enquanto as nações preferem procurar lucros a curto prazo através do cultivo em massa de capacidades e saberes adequados a esse objectivo.

Onde é que um aluno de Física ou Química é estimulado a fazer as suas próprias experiências, conseguir resultados por si próprio, demonstrar algo através das suas próprias equações? Em pouco ou nenhum lado. Em vez disso, vêm-lhe as

experiências no livro da matéria explicadas por pontos enumerados, rigorosamente explicitadas para não haver margem de erro e, no fim, o professor pede um relatório, devidamente organizado, para realmente constatar que o aluno fez a experiência. Ao cultivarmos uma aprendizagem de repetição não vamos chegar a lugar algum.

um problema do mundo, porque os laços económicos assim o ditam. Dessa maneira, temos de ensinar aos nossos jovens que vivemos num mundo heterogéneo e que para o percebermos temos de perceber da sua história e das suas gentes. O conhecimento, é certo, não faz um bom cidadão, mas a ignorância construirá um mau cidadão sem noções do bem.

. Sensible Soccers + Quelle Dead Gazelle. Galeria Zé dos Bois. 22h. 8€ Tó Trips + Kimi Djabaté. CCB. 21h. Desde 11€ - Samuel Úria. Galeria Zé dos Bois. 22h. 10€

É este tipo de ensino, o ensino das chamadas ciências exactas, que se encontra, actualmente, muito mais dignificado na sociedade, visto que um país que esteja num estado semelhante ao do nosso vai apostar cada vez mais nas engenharias e nas economias, porque é realmente o dinheiro a força motriz que move o mundo. É por isso que as democracias mundiais estão em carência: há uma crise ética e educacional, uma escassez de valores, uma incapacidade de tratarmos o próximo em relação de afinidade mais que mero objecto de proveito, porque a pedra angular da democracia é o respeito, e para respeitar há que reconhecer que o outro é, de facto, humano como nós e não um simples objecto. Só através do estudo da História, das Línguas e da Geografia nós conseguimos compreender o mundo em que vivemos e a sua complexidade, ainda mais na pequenez em que o mundo se tornou com a globalização, através do fomento do pensamento livre e crítico, da imaginação ousada e da compreensão da complexidade da realidade mundial em que vivemos, mormente numa altura em que dependemos cada vez mais de pessoas que não conhecemos, indivíduos de outras pátrias, raças ou credos, e eles dependem de nós. Todos os problemas que temos de resolver – económicos, ambientais, religiosos ou políticos – encontramse projectados à escala mundial. Hoje em dia o problema de um país é

Dizia Sócrates que “uma vida não examinada não vale a pena ser vivida”. Examinar a vida é constatar que temos a capacidade de usar referências históricas no quotidiano, usar e pensar criticamente sobre princípios económicos, comparar diferentes visões de justiça social, falar uma língua estrangeira, apreciar a complexidade do relativismo cultural e da religiões do mundo, aceitá-las e respeitá-las. Possuir um catálogo de factos que nos possam ajudar a ganhar uma macheia de dinheiro num programa de TV sem ter a capacidade cognitiva de os juntar, ordenar cronologicamente, possuir todas as verdades do mundo mas com elas não conseguir construir uma narrativa que vá contra os dogmas mais antigos é quase tão mau quanto ser completamente ignorante.

Liberdade de pensamento, de crítica, de educação; a liberdade ética, moral e religiosa – mas uma liberdade que esteja intrinsecamente ligada por laços indissolúveis à responsabilidade. Não podemos deixar que tudo isto fique apenas na teoria. Lutámos pela liberdade de expressão e ganhámo-la após vários anos de opressão, apenas para não saber como ensinar as novas gerações a usá-la.

Birds Are Indie. Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro

Futebol

10º

AEFCSH

Futebol

11º

Voleibol

Ciclo “Segunda Guerra Mundial”. Casa da Achada. Centro Mário Dionísio. 21h30

“Menino de sua avó”, de Armando Nascimento Rosa. De quinta a sábado às 21h. Domingo às 16h. Teatro Cinearte. A partir de 5€

Brass Wires Orchestra/Octa Push/Los Waves. Talkfest. Aula Magna. 21h30. Desde 15€

Futebol

“Telebaladas ao Vivo”, de Nuno Markl e João Só (com convidados). Teatro Tivoli BBVA. A partir de 5€

Ciclo “Ingmar Bergman”. Espaço Nimas. 6€

“Serão dos Poetas”. Teatro Passagem de Nível. 21h30. Entrada livre

Rhino Bucket. Music Box. 22h. 15€.

Jornada

“Depois de Vanda”, de Alber Serra, Nicolás Pereda e Tomita Katsuya. Ciclo “Harvard na Gulbenkian”. Fundação Calouste Gulbenkian. 5€

“SG Gigante ou...As flores de plástico nunca morrem”, de Ricardo Moura. Teatro Turim. Quarta a domingo. 21h30

. Kilimanjaro. Trem Azul Record Shop Bar. 21:30. 6€.

Equipa

“Um precipício no mar”, de Simon Stephens (encenação de Jorge Silva Melo). Teatro da Politécnica. Quintas e sextas. Às 19h

27 de Fevereiro. Cantina da FCSH 24.25 e 26 de Fevereiro.

“Rituais da Terra”, do “Projecto Teatro, Criar para Incluir”. Espetáculo inclusivo que integra surdos e ouvintes. 21h30. 5€

Jogo AEFArquitectura -

Data

Hora

Local

AEFCSH

13-fev-14

Qui

20:30

Sintético 7

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AEICSTE

19-fev-14

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18:30

Sintético 7

AEFCT

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AEFCSH

26-fev-14

Qua

21:00

Sintético 7

AAIPS

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AEFCSH

05-mar-14

Qua

19:00

Pavilhão

Futsal Fem.

AEFFarmácia

-

AEFCSH

06-mar-14

Qui

20:45

Pavilhão 2

Voleibol

AEFCSH

-

AEISPA

10-mar-14

Seg

19:00

Pavilhão

Futsal Fem.

AEESTeSL

-

AEFCSH

11-mar-14

Ter

20:45

Polidesportivo 1

4. Qual destes três realizadores tem um maior número de nomeações?

1. Qual destes filmes está nomeado na categoria de Melhor Filme? a. Inside Llewyn Davis b. The Hobbit: A desolação de Smaug

c. Her

a.Alfonso Cuarón b. Martin Scorsese c. David O. Russel

2. Que banda conhecida concorre para a categoria de Melhor Canção Original com a música “ Ordinary Love” do filme Mandela: Um longo Caminho para 5. Qual destes filmes está nomeado na categoria Melhor Filme de Animação? a Liberdade? a.Gru o Maldisposto 2 b. Monstros e Companhia 2 a. Bon Jovi b. U2 c. Pearl Jam c.Turbo

Janeiro de 2012

3. Qual destes actores já foi nomeado mais do que uma vez para os Óscares? a. Bradley Cooper

b. Matthew McConaughey c.Michael Fassbender

1. c) 2. b) 3. a) 4. b) 5. a)

O sucesso económico de um país, a longo prazo, assenta, entre outros investimentos, na educação da sua juventude.


A taxa de desemprego atingiu em Abril o recorde de 17,8% e o desemprego jovem chegou aos 42,5%. Se 2013 foi para Portugal um dos piores anos de sempre? Certamente. Mas terá tido tanto de mau como de insólito: lembremo-nos da inimaginável “demissão” de Paulo Portas, do eclipse de Miguel Gonçalves (vítima da própria doutrina) ou da viralidade da “Grândola Vila Morena” que, não tendo demitido Miguel Relvas, deu um valente empurrão.

Foi em 2011 que Tomás Wallenstein (voz/guitarra), Manuel Palha (guitarra), Francisco Ferreira (teclas), Domingos Coimbra (baixo) e Salvador Seabra (bateria) decidiram tomar o país de assalto. A arma escolhida foi Gazela, magnífico disco de estreia, e as suas canções incendiárias, apoiadas num indie rock fresco, directo e cheio de psicadélicas referências sonoras a Jimi Hendrix ou Led Zeppelin, fizeram com que depressa estes cinco rapazes se afirmassem como jovens promessas da música nacional.

Setembro não nos trouxe números mais animadores: mais vagas por preencher no Ensino Superior. No Ensino público, o número de estudantes bolseiros subiu 10%, o que não pode, nunca, representar uma boa notícia – porque o valor não aumentou (de longe!) em proporção directa com o aumento do número de estudantes e famílias sem capacidade para pagar propinas, quarto, comida, transportes.

É claro que só com estes números ficam a faltar algumas variáveis para uma completa análise económica e social do país. Mas são exactamente estes os mais flagrantes para mostrar que andámos, e muito, para trás.

Morreu Mandela.

Mas no ano passado nem tudo foi mau. Pode vir do sítio mais inesperado, mas a verdade é que o Papa Francisco e a sua minúcia comunicacional souberam passar uma mensagem de modéstia e tolerância ao mundo. A Igreja católica esta mesmo a precisar desta lufada, para não ficar cada vez mais isolada num mundo que, contra a sua vontade, não pára. Os golpes mediáticos foram muitos, mas o gesto mais significativo terá sido o baptismo a um filho de uma mãe solteira.

Em 2014 prometem-nos a saída da troika, mundos e fundos. A troika vai sair, de facto, e isso só por si já é positivo. Mas não chega. Parece que todos se esqueceram de pensar no futuro durante a tempestade. Para já, o ano não começa menos atribulado. A morte de Eusébio, para além de provocar um dos maiores fenómenos sociais do século em Portugal, acordou a discussão sobre quem deve dormir na Igreja de Santa Engrácia. E, de repente, demo-nos conta de que está lá sua eminência Óscar Carmona e falta Aristides de Sousa Mendes. Exemplo revelador. Ao contrário das obras de Sta. Engrácia, a febre popular conseguiu que a decisão sobre Eusébio levasse poucos dias a ser tomada, quando costuma levar anos. É a mesma emoção que mais de metade do Parlamento quer explorar em 2014, ao referendar o direito à adopção e co-adopção por casais do mesmo sexo. Só que, para o caso, futebol tem pouco a ver com direitos humanos e minorias. E desta vez as favas não estão contadas.

Primeiro, não é certo que haja referendo; mas discussão vai haver: já há figuras públicas inspiradoras e influentes a fazer o seu papel, mas é altura de a massa estudantil – que nos últimos dias há quem queira fazer passar por uma cambada abjecta e inútil – mostrar o seu papel numa sociedade de séc. XXI e marcar uma posição forte, capaz de mostrar à opinião pública alguns dos nossos verdadeiros valores. Não se espera menos de nós do que estarmos na linha da frente da mudança legislativa.

Temos também eleições europeias. Mas essas, para além de leituras nacionais, não nos vão aquecer ou arrefecer muito. Ironicamente, neste momento, grande parte dos nossos destinos não são decididos entre portas. O crescente cepticismo em relação a todo o projecto europeu e à moeda única em particular deviam propiciar um debate novo, que elevaria estas eleições a um patamar realmente importante, mas é provável que o descrédito seja canalizado para a abstenção. Porque, convenhamos, a bitola financeira do velho continente não tem passado, em nada, pelos processos democráticos.

Aguardamos, ainda assim, as surpresas que nos poderão chegar dos movimentos anti-união de Marine Le Pen, Geer Wilders, Nigel Farage e queijandos.

Antes de colarmos todos os olhos no Brasil, que luta com o tempo para que as festividades do Verão se realizem com toda a pompa, e na força de Cristiano Ronaldo (o nosso maior empreendedor, que não precisa de dar palestras), olhemos, então, para mais um pouco do que se passa na Europa.

Se as primeiras grandes revoltas do século XXI se deram com a Primavera Árabe, nos últimos tempos também o mundo ocidentalizado tem sido alvo de sublevações populares: primeiro com a Turquia (na fronteira entre os “dois mundos”) e agora com a Ucrânia a ferro e fogo, dividida entre os acordos comerciais com a União Europeia e o apoio financeiro da Rússia. O presidente Viktor Yanukovych optou primeiro pela supressão policial, que falhou perante a numerosa população em revolta, cansada dos constantes ataques às suas liberdades básicas. Agora, já quer conceder amnistias, mas os populares não cedem.

Para o fim, mas não menos importante: a tragédia no Meco, a tradição académica e o Ensino Superior em geral. As notícias, relatos e especulações das últimas semanas só podem merecer toda a nossa atenção. Porque, apesar de todos os exageros, são uma excelente oportunidade para reflectirmos sobre os valores e princípios em que acreditamos. E, sendo defensores, “agnósticos” ou anti-praxe, devemos unir-nos num ponto: um estudante universitário tem muito mais para dar ao seu país do que as imagens de infantilidade, boémia e descontrolo que enchem agora as televisões. E nunca poderemos deixar que esta discussão e tentativas de descredibilização se configurem como pretextos para, amanhã ou depois, se dar nova machadada nas instituições de ensino (um ensino superior), de pensamento livre, de desenvolvimento económico e social. Temos o direito e a responsabilidade de nos afirmarmos por outras razões – e razões não faltam.

Selfie. Foi a palavra do ano em 2013 e não perderá assim tanto protagonismo nos próximos 12 meses. Provavelmente, a primeira tendência que os préadolescentes conseguiram massificar. No nosso tempo, tirar fotografias a nós mesmos significava que não tínhamos ninguém que pudesse fazer isso por nós.

Pesar o Sol, lançado no passado dia 27 de Janeiro pela Sony Music Portugal, é o segundo tomo desta “investida” levada a cabo pelos Capitão Fausto. Porém, quem espera uma mera repetição da fórmula de Gazela arrisca-se a ficar desiludido; o segundo registo do quinteto lisboeta afirma-se como uma obra de pleno mérito, apostada em trilhar o seu próprio caminho sem se apoiar nos louros do passado.

Citando, de forma mais ou menos fidedigna, os próprios Capitão Fausto, em entrevista à Antena 3, Pesar o Sol pode ser visto como “a viagem de uma banda à procura de encontrar um rumo” para além da frontalidade de Gazela. E, de facto, durante os 49 minutos do disco, são várias as passagens sonoras que nos remetem para uma autêntica odisseia. Apesar de não ser propriamente um álbum “mansinho”, Pesar o Sol desacelera o ritmo e tenta explorar, de forma bem-sucedida, novos territórios dentro do psicadelismo.

A comparação com os Tame Impala poderá soar a blasfémia para os fãs mais aguerridos dos australianos mas, perdoem-me, foi a primeira coisa que me veio à cabeça ao ouvir este disco. Os riffs estão mais encorpados, os sintetizadores trazem-nos passagens verdadeiramente cósmicas e a secção rítmica merece, com as suas cavalgadas possantes e avassaladoras, uma ovação em pé. A par disto, os filtros na voz de Tomás (que surge aqui num registo mais displicente e arrastado) e a produção do registo no geral também sugerem alguma influência do revivalismo psicadélico que se vai ouvindo lá fora.

Contudo, é de notar um certo desinvestimento na componente lírica deste Pesar o Sol, sobretudo quando comparamos as letras deste com as de Gazela. Apesar de não ser nada de demasiado grave, especialmente para alguém que, como eu, tende a valorizar muito mais o som do que a lírica, a verdade é que, aqui e ali, encontram-se algumas passagens que me deixaram algo aparvalhado. Isto, em conjunto com o abrandamento de ritmo que este disco impõe, algo insatisfatório para alguém que adorou a abordagem “pé no pedal” do antecessor, faz com que este Pesar o Sol cause alguns dissabores momentâneos, ainda que não estrague o conjunto muito bem conseguido da obra.

Quanto às melhores canções do pedaço, é impossível não destacar a onírica Nunca Faço Nem Metade, a pungente Litoral, a portentosa Célebre Batalha do Formariz, a bipolar Maneiras Más e a incrivelmente épica Lameira, peças que, para mim, elevam a qualidade das composições dos Capitão Fausto para um outro nível. Por outro lado, as desinspiradas Tui, Flores do Mal e Pesar o Sol acabam por ser, para mim, as “favas” deste Pesar o Sol.

Resumindo, ao segundo álbum os Capitão Fausto assinam um disco que simboliza uma recusa dos caminhos fáceis da repetição de fórmulas bemsucedidas. Assumindo-se como uma viagem cósmica pelas rotas do revivalismo psicadélico, à luz do que tem sido feito pelos Tame Impala e por outros entusiastas dos 60‟s e 70‟s, Pesar o Sol é um avanço significativo na estética dos Capitão Fausto e, apesar de menos conciso e directo do que Gazela, consegue ainda assim deixar-nos atordoados com a força das suas canções. Passado o teste do difícil segundo LP, só nos resta aguardar com ansiedade pelo brilhante futuro destes rapazes.

Nota final: 8/10

Publicado simultaneamente em espalhafactos.com

Está a nascer um coro da nossa faculdade. Para isso, precisamos da tua voz: vem fazer a tua audição. Ajuda a construir este projecto e a representar culturalmente a tua faculdade. Audições: 18 de Fevereiro: 14 às 16h. 19 de Fevereiro: 12 às 14h. 20 de Fevereiro: 16 às 18h. Sala 425, Torre B, 4.º andar, à direita. Todas as informações na AE.


Nos transportes públicos têm sido o prato do dia. Em Janeiro, a greve dos trabalhadores da recolha do lixo deixou Lisboa a tresandar. Nesta página publicamos duas opiniões distintas sobre o mesmo tema.

Escrever um artigo para o jornal da FCSH não é de todo uma tarefa fácil. Uma tarefa tanto mais ingrata se for um artigo com um tema tão debatido como a greve e sobretudo apresentando uma perspectiva negativa. Existe uma premissa básica quando falamos ou escrevemos sobre qualquer tema, perceber e entender o sentido das palavras. A greve é um estado de excepção, um acordo entre operários para a cessação do trabalho, por combinação prévia, até serem atendidas as suas reclamações ou até que se chegue a um compromisso. A palavra não é nova e a acção é igualmente conhecida de todos.

Há quem tenha medo que o país pense. Os resultados gerais das candidaturas a bolsas de investigação representam um retrocesso e um desinvestimento brutal na ciência, como podemos ver pelos números lançados: dos 3416 candidatos para bolsas de doutoramento só 298 foram aprovados, e dos 2305 candidatos de pós doutoramento, só 233. Marcámos presença no protesto nacional agendado pela Associação dos Bolseiros de Investigação Científica no dia 21 de Janeiro, em frente à Fundação para a Ciência e Tecnologia

De facto, em maior ou menor valor, teremos de concordar o que a História de certo modo demonstra: que o direito à greve promoveu o desenvolvimento de diversos direitos, entre os quais o direito à própria greve. Mas no início do século XXI impõem-se questões importantes sobre essa forma de acção, relativas à eficácia, credibilidade ou ainda à legitimidade daqueles que tentam tomar as suas rédeas. Partilho da opinião que a greve deve ser vista como uma poderosa arma que os trabalhadores têm para contestar uma qualquer situação (assente em princípios lógicos, defensíveis e coerentes). O que questiono, contudo, é a sua eficácia e o princípio que dita que a greve é eficaz tanto para os trabalhadores do sector público como privado, princípio este claramente desfasado da realidade. Por exemplo, a greve em empresas do sector público, como o Metropolitano de Lisboa, atinge invariavelmente o cidadão-utilizador e não os gestores dessa empresa (ou o próprio governo), já que a empresa dispõem previamente do passe pago. Contudo, a realização de uma greve no sector privado afectará directamente (na maioria das vezes) a empresa – isto porque detém parte ou a totalidade da produção, pondo em causa a cadeia de lucros que sustenta a empresa. Note-se curiosamente que, apesar disto e contra a lógica que seria de esperar, o sector público consegue mobilizar-se muito mais facilmente e ver cumpridas as suas reivindicações mais rapidamente, pelo que se impõe a dúvida se o interesse sectorial não estará a ser colocado acima do interesse público. Não pretendo com isto, de modo algum, desvalorizar o acto da greve no sector público, apenas destacar que encontramos dois pólos de eficiência que deverão ser repensados segundo a lógica daquilo que se pretende alcançar.

Pela primeira vez, a AEFCSH lança o Orçamento Participativo, um instrumento democrático que permite que qualquer estudante intervenha responsavelmente no plano de actividades da Associação de Estudantes. O prazo de entrega de projectos termina no dia 10 de Abril. Depois, todos os proponentes terão oportunidade de apresentar as suas ideias numa Reunião Geral de Alunos e a votação acontece no final do mesmo mês. Todos os alunos podem votar no Orçamento Participativo. Os projectos apresentados podem incidir sobre qualquer um dos departamentos da Associação de Estudantes: Recreativo; Cultural; Desporto, Saúde e Ambiente; Inovação, Empregabilidade e Empreendedorismo; Comunicação e Imagem. O Orçamento Participativo de 2014 prevê uma verba global de 500€. Consulta o regulamento completo e o formulário de participação em http://ae.fcsh.unl.pt e tira todas as tuas dúvidas no balcão da AEFCSH. Participa!

A sociedade tecno-informática do século XXI exige hoje a discussão dos motivos e objectivos a atingir com a greve, não se satisfazendo com argumentações fundadas em medos futuros e/ou na defesa de direitos considerados pela maioria como desiguais e injustos, mas prontamente defendidos por estruturas sem representatividade social para tal. A sociedade carece de explicações plausíveis, sobretudo num país que, em graves dificuldades, dificilmente compreende como um pequeno sector social pode parar serviços nevrálgicos. A greve é uma técnica de poderosa pressão, de defesa do Estado (veja-se a obra Técnica do Golpe de Estado, de Curzio Malaparte), e requer uma ponderação fundamentada sobre os seus motivos, efeitos e objectivos, necessitando de um líder (ou estrutura) forte e inteligente. Não temos tido muito disto em Portugal. É urgente repensar um novo modelo.

Para compreendermos a greve enquanto manifestação de desagrado pelas condições laborais a que os trabalhadores de uma determinada área estão submetidos é preciso remontar a um período da nossa História em que esses direitos não estavam consagrados. Na transição para a democracia determinou-se – imagine-se – a sua pertinência e, enquanto elemento consagrado pela constituição portuguesa, tem, necessariamente, que ser respeitado, até porque representa, por vezes, o último instrumento de negociação com as entidades patronais. Numa conjuntura sócio-económica austera compreende-se a necessidade de exigência de sacrifícios, mas essa exigência não pode – ou não deveria – extravasar o limite do suportável, por parte do cidadão comum. A acentuação das desigualdades sociais é um fenómeno que reflecte uma fractura no tecido social e os seus efeitos na diminuição do poder de compra (e consequente diminuição da procura e consumo interno) contribuem, a longo prazo, para o esgotamento da própria economia. Talvez seja necessário retirar à greve a carga ideológica e historicamente pouco moderada a que está, muitas vezes, associada, e analisar as suas propriedades enquanto instrumento validado por qualquer estado democrático. Como consequência de um diálogo que, por variadas razões, se demonstrou improfícuo, entre trabalhadores e entidade patronal, traduz-se num meio de carácter excepcional de procura de um vínculo laboral condigno que, obviamente, não interfira com a viabilidade dessa entidade. O recurso reiterado a esse meio de negociação, para além de repercussões sócio-económicas mais ou menos gravosas e, talvez, de difícil aceitação por parte dos cidadãos afectados, acaba por comprometer o próprio processo negociativo. É interessante verificar que a greve se torna mais eficaz, em relação a esse processo negociativo, quanto maior for o impacto na sociedade civil – recorde-se a paralisação dos camionistas, em 2008, ou greve dos professores às avaliações e ao exame nacional de português, em 2011, que implicaram significativas transigências por parte do executivo –, o que, em democracia, se torna problemático. A solução encontra-se na definição de um processo democrático viável que retire ilações e efectue a transição entre o protesto dos trabalhadores de um determinado sector e as entidades patronais no sentido de um compromisso comum, evitando o clima de clivagem social que possa ser criado.


A cultura é uma espécie de cimento que nos liga de uma forma pouco visível. Durante a 2.ª Guerra Mundial, os ingleses uniram-se e levaram para longe de Londres muitas obras da National Gallery, por causa dos bombardeamentos alemães. Mas havia uma rotação para ir uma obra todos os meses à cidade. E era muito visitada; criou-se ali um hábito de as pessoas verem que aquilo era o seu património. Deve fazer-nos pensar.

Sim, num certo sentido. Uma das grandes críticas que eu faço ao governo é a falta de discurso de esperança e de as coisas terem um sentido, a médio ou longo prazo. “Tem de ser porque tem de ser e tem de se cortar porque tem de se cortar”. Grande parte desse discurso é verdadeiro. Só que, apesar de tudo, nós podemos tentar dar-lhe algum sentido. Vejamos as duas primeiras intervenções do FMI, uma em 1978 e outra em 1983, muito simples de explicar. A de „78 é uma intervenção rápida, porque Portugal tinha vindo de uma ditadura, teve um período revolucionário confuso, estava tudo de pantanas e precisava de se reorganizar para caminhar para uma democracia madura.

Foi uma Universidade onde eu gostei muito de andar. Não sou um aluno exemplar, porque não acabei o curso (é uma coisa que não se deve dizer em público, mas a verdade é essa). Eu digo isto mas digo logo a seguir “Não me imitem”, por uma razão muito simples: entrei na última fila da última carruagem do último comboio de jornalistas não licenciados, e não é coisa de que me orgulhe muito.

Era uma altura em que, quando se chegava às redacções, a maior parte dos meus colegas mais velhos (algum dos quais ainda trabalham comigo) eram pessoas da área de História, de Engenharia, de Medicina, de Arquitectura, dos cursos mais variados, que não tinham sequer acabado os cursos, porque depois tinham feito toda a sua formação no jornalismo. E uma pessoa olhava para aquilo e dizia: “Mas por que é que eu vou acabar o curso?”.

O que acontece é que, obviamente, isso hoje não faz qualquer sentido. Também não acho que os jornalistas devam ser todos de comunicação social. É um erro que hoje existe na maior parte das redacções, muito por via de a lei não aceitar estágios de outras áreas. É um erro porque enriquece pouco. A verdade é que hoje em dia a formação universitária é absolutamente fundamental. Eu já estava no 4.º ano e acho que agora com aqueles créditos (não preciso de pedir nada!) até tenho o curso formalmente feito, tenho é de vir cá pedir o papel.

Foi uma faculdade que correu muito bem. Notei brutalmente o salto em relação ao liceu quando aqui cheguei. E tive um grupo de amigos e colegas extraordinário. Não vou dizer agora que me dava bem com toda a gente da turma, porque isso toda a gente sabe que não existe, mas tinha um grupo muito alargado de colegas, com interesses muito variados, o que foi muito importante para a minha formação como pessoa, e para as áreas mais variadas: para o cinema, para a literatura, para a música. Foi um grupo muito heterogéneo.

É preciso ter pessoas que pensem um bocadinho diferente. A colunista do Financial Times Gillian Tett, que é especialista em mercados financeiros e antropóloga, foi das poucas pessoas que anteviu a crise do subprime. Porquê? Porque ela era especialmente dotada em perceber comportamentos humanos. Houve algumas pessoas que adivinharam muito pelo lado da matemática, dos números, etc. Ela avisou para os riscos que estavam a ser tomados, porque estuda muito bem o comportamento humano. Não estou a dizer que todas as pessoas que vão para Antropologia vão ser felizes ou ter super sucesso e ganhar rios de dinheiro. Mas acho que se não se estudar Ciências Sociais e Humanas nós acabamos por perder o conhecimento de uma grande parte de coisas que interessam à Humanidade.

Acho, acho que faz. Acho que hoje em dia as pessoas estão muito com a mania (que eu percebo, ainda por cima com a crise e com a falta de empregos), por um lado os pais, por outro lado os filhos, de ir para os cursos com alta empregabilidade. Eu percebo a questão e, portanto, não critico. É uma opção perfeitamente natural. Está um bocado. A Cultura, a História... Fiquei triste, e já o escrevi, com o fim do 1.º de Dezembro. Acho Mas as pessoas devem tentar perceber que a vida não é que todos os países precisam de datas de identidade. só isso, que as pessoas devem ter formação naquilo que gostam e naquilo que lhes interessa. E há-de É verdade que o 1.ª de Dezembro não era um feriado chegar a Portugal (se calhar vai demorar um propriamente comemorado, mas é um erro os países bocadinho mais, mas vai chegar) aquilo que acontece deixarem cair esse tipo de datas. Porque depois de cair muito hoje lá fora, sobretudo no mundo anglo- é muito difícil recuperar, e os países normalmente saxónico: as grandes empresas financeiras e arrependem-se. seguradoras fartam-se de contratar pessoas das mais variadas áreas. Porque não querem ter equipas só com pessoas que venham de Gestão ou de Economia.

Por outro lado, há muita gente da minha idade que apanhou a crise em cheio com 40 e poucos anos, que estava habituada a um estilo e a uma ordem de vida e de repente teve de abdicar disso. Muita gente não sabe Não. Acho que, na maior parte, não. Talvez em algumas coisas: num lado politico-psicológico, em como é que vai viver, é muito complicado. que deixa de haver uma tutela externa, deixam de “mandar” em nós. Já não é tão humilhante. Mais Acho que vocês são obviamente mais prejudicados do simbólico que outra coisa. Agora, nós estamos num ponto de vista económico, mas têm uma vantagem quadro na União Europeia e estamos comprometidos sob as gerações anteriores: vocês são a primeira a uma série de metas orçamentais muito apertadas geração verdadeiramente global. São pessoas que, por para os próximos anos, seja lá qual for o governo. natureza, ou já viajaram ou vão viajar muito mais que as gerações anteriores. Já apanharam os low-cost, já Do ponto de vista económico, eu acho que se vai apanharam os Erasmus. começar a notar algumas diferenças, mas há muita gente que não vai notar e há gente que não vai notar Hoje é relativamente fácil a qualquer um de vocês, ou nunca. Sempre que há alterações estruturais na relativamente possível – não digo que toda a gente economia ou numa sociedade, mesmo quando as consiga ou que toda a gente queira - chegar aos 20 e coisas a seguir ficam melhor, há sempre pessoas que poucos anos ter uma data de amigos de vários sítios, ficam pelo caminho. Isto é muito duro de dizer, mas um network de não sei quantas coisas, falar várias há. Há profissões que acabaram, de vez. As pessoas línguas... E isso é uma vantagem brutal. Portugal é um que trabalhavam há 5 ou 6 anos na banca achavam país pouco moderno desse ponto de vista, é um país totalmente impossível que houvesse despedimentos não muito aberto. E acho que essa misturada faz falta, no sector, mas agora o sector está a reestruturar-se e já faz muita falta. não vai voltar a ser o mesmo.

Não morro de amores por as pessoas emigrarem, como é óbvio, mas acho que há muita gente que emigra por boas razões, mesmo quando precisa, quando é forçado a isso. Há muita gente que vai e que começa a namorar lá fora. Depois vêm para cá, ou ficam lá sempre, e andam de um lado para o outro. É verdade que tem muitas frustrações, mas é muito Em 83-85 foi mais duro. Houve cortes muito grandes, interessante e pode ser super importante. mas o objectivo era óbvio: a entrada na União Europeia, a qual se verificou, de facto, em „85. Podíamos discutir se era bom, mas tinha uma lógica. Agora há um problema: “Isto é para quê?” E é isso que os políticos têm de ter a capacidade de explicar. Nós olhamos sempre para a globalização pelo lado que nos prejudica. E prejudica - houve muita gente a É para nos mantermos na Europa, é para nos perder emprego e muita falência. mantermos no Euro, é para fazermos parte de um sonho europeu. “Ah, mas o sonho europeu não interessa para nada...” Interessa. A União Europeia Mas a globalização aumenta as oportunidades e a nasceu, depois da 2.ª Guerra Mundial, exactamente igualdade em muitos outros sítios. Repara: na Índia, para impedir que voltassem as guerras à Europa. há pouco tempo, havia 30 milhões de pessoas por ano Desde então, houve na Jugoslávia uma guerra grave, a sair da pobreza, e isto é uma coisa que nunca na Geórgia há uns anos uma invasão da Rússia, mas aconteceu na história da humanidade. de resto não tem havido. Se olharmos para a História, isso é a primeira vez que acontece. E só por isso a O número de pessoas no Brasil que saíram da pobreza União Europeia vale muito a pena e é muito extrema é de não sei quantos milhões, uma coisa que importante manter. E os políticos têm de ter a também nunca aconteceu na história do Brasil num capacidade de ter esse discurso. Não entrar em período tão curto. Mesmo em África há países que nacionalismos fáceis, porque quando ouço esses estão a crescer e a sair de níveis de grande discursos fico logo arrepiado. subdesenvolvimento.

Por um lado, a geração de que eu fiz parte foi altamente beneficiada. Já pudemos fazer a juventude em plena liberdade (fomos os primeiros a fazer isso) e depois apanhámos alguns anos de expansão económica importante e, portanto, ainda beneficiámos em boa parte de emprego.

É muito bom sabermos que na Índia, na China, no Bangladesh, há progressos científicos de saúde, de indicadores económicos, que tiram esses países de épocas quase medievais em que uma parte das pessoas vivia. Isso tem um custo, tem, e é por isso que essas transformações são simultaneamente fascinantes e perigosas. Nós temos de aprender a viver nesse mundo.

E, nesse caso, acho que é melhor para a vossa geração do que para quem está mais à frente, para quem já deu mais voltas à pista. Vejo isso em colegas meus de 40, 50 anos, e até nos 30 e tais. Já têm muita dificuldade em ter emprego não muito qualificado, porque as pessoas preferem dar esses empregos a jovens de 2023 anos. Depois, não arranjam os outros. Há coisas que, de facto, são extraordinariamente complicadas.

É muito difícil generalizar. A primeira questão passa por a greve ser um direito inalienável. Custa me ver a banalização de algumas greves, como nos transportes, em que, em 365 dias, há greves em quase 300. Acho isso um absurdo. Isto prejudica tanto, de forma tão continuada, que os grevistas perdem o apoio popular. Repito: não sou contra as greves, mas acho que há muita gente a entrar em greves sem noção do que se passa no país e sem tentar encontrar acordos mais lógicos (o que pode também ser culpa das administrações, por não tentarem encontrar elas estes acordos). Percebo mais uma lógica sindical que existe no norte da Europa, na Alemanha, na Suécia, em que os sindicatos têm forças brutais e fazem muita negociação de compromissos. No outro dia li um artigo interessantíssimo sobre as alterações nas indústrias automóveis alemã, italiana e francesa, e em como as diferentes capacidades de negociação dos sindicatos e das administrações podem condenar ou não condenar os empregos. A indústria francesa está de rastos. Os sindicatos trabalham à antiga. Na indústria alemã, resolveram tudo, com cortes salariais, lay-off‟s, bancos de horas, tal como acontece na AutoEuropa. Se o não ter férias em determinada altura do ano significar a manutenção de um emprego, talvez isto seja preferível.


Nova em folha fevereiro edição final  
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