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Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXI Encontro Anual da Compós, Universidade Federal de Juiz de Fora, 12 a 15 de junho de 2012

Consumo de mídias, interações e valores entre jovens rurais mineiros1 Ricardo Duarte Gomes da Silva2 Jeferson Boechat Soares3

Resumo: O objetivo deste artigo é articular os temas do consumo de mídias, das formas de interação e da constituição de valores com a aceleração da midiatização entre jovens rurais mineiros. A forma de interação a partir do consumo de mídias eletrônicas tem crescido no meio rural na última década devido aos programas institucionais de expansão da energia elétrica no campo, acompanhada pela ampliação dos sistemas de telecomunicação. O cenário atual beneficia um trabalho de pesquisa, ainda em fase inicial, sobre o consumo de informação nos meios massivos, sua possível reverberação nos meios digitais, bem como as interferências da mídia nas justificativas de consumo da informação. Essas interações se estabelecem na desigualdade entre as possibilidades de consumo da informação exibidas na mídia e seu uso na realidade rural; entre a profusão de imagens e valores urbanos difundidos e o isolamento dos jovens rurais em seus valores na cultura rural mineira. Palavras-Chave: Midiatização e Jovens Rurais; Recepção, uso e consumo midiáticos; Interações Comunicativas.

1. Introdução Nos últimos anos as notícias institucionais que festejam a chegada da luz em regiões do meio rural brasileiro4, em pleno século XXI, contrastam com as notícias sobre as novidades tecnológicas informacionais e comunicacionais disponíveis no meio urbano. Enquanto o jovem na metrópole já se acostumou a uma realidade com a luz elétrica e o uso de diversas possibilidades eletrônicas de informação e comunicação (outdoors digitais, rede 1

Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho “Recepção, Usos e Consumo Midiáticos” do XXI Encontro da Compós, na Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, de 12 a 15 de junho de 2012. 2 Docente Assistente IV do Departamento de Comunicação Social UFV/MG; Doutorando em Comunicação e Sociabilidade Contemporânea UFMG. Mail: rduarte@ufv.br. 3 Docente Adjunto IV do Departamento de Ciências Sociais da UFV/MG. Doutor em Sociologia pela UFRJ. Mail: jb_soares@hotmail.com 4 Atualmente a maioria dos pequenos e médios agricultores familiares na zona da mata norte de Minas Gerais contam com o apoio de diversos programas institucionais. Dentre esses, destacamos o “Luz para Todos”, criado em 2003 pelo governo federal, que vem ampliando a oferta de eletricidade nos municípios rurais brasileiros, chegando a beneficiar mais de 13 milhões de pessoas e cobrindo mais de 2,5 milhões de domicílios rurais. O decreto 7.520/11, com prazo de execução até 2014, institui novos objetivos para o Programa voltados à universalização da oferta de energia com foco em regiões e populações carentes de energia, mais especialmente assentamentos rurais, escolas rurais, casas rurais com ligações monofásicas, bem como populações atendidas pelos planos institucionais “Brasil Sem Miséria” e “Territórios da Cidadania”. Na região Sudeste, 2,3 milhões de domicílios já receberam eletricidade (C.f.: www.pnud.org.br e informativos do Programa no http://luzparatodos.mme.gov.br).

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eficiente de telecomunicação, presença mais intensa de equipamentos de última geração), o jovem do contexto rural ainda está se acostumando com sua vida após a expansão da energia, que permitiu sua família adquirir televisores de plasma, antenas de tevê aberta e por assinatura, celulares com câmeras fotográficas e computadores com internet. Esse cenário social não se refere a 13 milhões de jovens rurais que viviam na zona rural na mais completa escuridão, sem acesso aos meios de comunicação eletrônicos. Alguns domicílios rurais já possuíam pequenos geradores de energia nas casas, mas com a luz elétrica as pessoas começaram a fazer uso de vários suportes e aparelhos eletrônicos ao mesmo tempo, como televisores, carregadores de celulares e computadores com internet, melhorando também a captação de sinais de outros canais da televisão aberta ou permitindo a aquisição de canais fechados que também possibilitam o acesso aos noticiários de rádio das capitais. Portanto, a presença e a influência da mídia se aceleram no rural, modificam hábitos e possibilitam novas maneiras de ser e de fazer cotidianas da juventude rural que demandam interpretação através de pesquisa. Nessa presença e influência, chama a atenção o conteúdo midiático (por vezes vazio de sentido, com uma programação dando ênfase ao “estilo metropolitano”) em localidades rurais distantes dos grandes centros urbanos. Existe uma desigualdade entre os valores circulantes na mídia e os valores constituídos na relação comunicativa dos jovens rurais em seus espaços sociais de interação5, o que motivou a investigação sobre os processos de reinterpretação de seus valores na cultura. A presença e a influência mais intensa dos meios de comunicação eletrônicos nesses espaços chegam a modificar algumas normas de conduta nas práticas cotidianas, bem como as relações sociais, permitindo o jovem atualizar, resignificar, reconverter ou pelo menos pôr em dúvida tanto suas normas quanto seus valores já sedimentados na cultura. 5

Nesse sentido, esta pesquisa continua nossas indagações iniciadas em Duarte (2005) sobre interações comunicativas entre jovens rurais, onde o massivo e o consumo dos valores urbanos foram visualizados na cultura das distantes vilas do sertão pernambucano. O contato dos jovens rurais com primos, irmãos e amigos em São Paulo, no passado e no presente, sempre se deu por meio de cartas, telefonemas e da interação face a face. O contato social com o outro paulista era a forma preferencial de produção do sentido da cidade grande, por onde os jovens rurais reinterpretavam seus valores sobre a metrópole. Identificamos indícios de que a indumentária moderna do jovem paulista, sua narrativa pelas cartas, as conversas por telefone celular e seu jeito de ser “descolado” na interação face a face formaram elementos simbólicos condicionadores e determinantes da migração para São Paulo durante décadas, sempre sob o self da “prosperidade” e da “melhoria de vida”. Não aprofundamos o aspecto da influência dos programas televisivos, mas identificamos forte influência de programas populares, como “Brasil Urgente” e “Cidade Alerta” (programas que funcionavam para os jovens rurais pernambucanos como “janelas abertas” para o que acontecia ao vivo em São Paulo).

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Por essas normas sob interferência da mídia, o jovem reflete sobre sua obrigação na cultura cotidiana rural e que se refere apenas a sua ação. Porém tais normas modificadas pelo consumo de valores circulantes na mídia revelam outros valores nem sempre implicados com sua ação na cultura. As obrigações revelam as interpretações do jovem na relação com o mundo em que vive e são os valores que justificam tais obrigações impostas pelas normas: as atividades que envolvem alguma responsabilidade e alguma necessidade de correção são obrigações justificadas pelos valores (LIVET, 2009). Mas por que, neste caso, o estudo dos valores é importante? Por dois motivos: primeiro porque valores na cultura podem justificar determinações ou condicionamentos das ações de interação da juventude rural com as informações sobre pessoas famosas e assuntos de destaque na mídia massiva e digital. Tanto a posição ao falar reinterpretando traços do conteúdo midiático e ao se comportar diante do outro quanto à projeção sobre o outro na tentativa de estimular o outro a fazer algo demonstram um movimento dos valores na interação. Os valores se misturam com a cultura, por vezes redefinindo normas de conduta social e atividades cotidianas. Com a acelerada midiatização no campo, surgem novas justificativas dadas a ações de consumo de mídia. Segundo porque em algumas localidades rurais mais tradicionais e distantes dos centros urbanos a apropriação do conhecimento sobre o mundo além das cercanias do rural se dá menos pela escola formal e pelos agentes sociais do que pela televisão, pelo celular e pela internet, que estão diariamente na intimidade do espaço privado das pessoas. Há, portanto, um componente educacional nesse processo comunicacional: o caráter informal da mídia em fornecer certo tipo de educação para a vida da juventude rural (mesmo que alguns especialistas e produtores de informação sublinhem que o papel da mídia não é educar). Para o jovem rural, a mídia eletrônica abre uma janela para o mundo do outro geralmente urbano, além das fronteiras de sua propriedade rural. Pela telenovela, por exemplo, esse “outro urbano” na mídia pode reproduzir distinções de classe legitimadas pela fé no mérito individual; a pobreza no drama televisivo pode ser visualizada de modo a oferecer mais do mesmo aos sujeitos (RONSINI, 2011). Ao chegar nesses espaços privados no rural, o mundo público do “outro urbano” que produz distinções de classe 6, apresenta-se, 6

Em Ronsini (2009) temos a discussão sobre o conceito de classe social, desigualdade e estudos de recepção televisiva. Investigar a mídia, nesta perspectiva, é estudar a reprodução da cultura e das relações sociais.

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de maneira inevitável, menos como mero instrumento de lazer e mercado do que como instrumento que amplia, ajusta, põe em discussão ou até mesmo forma conhecimentos, auxiliando os modos de fazer, de ser e de dizer dos jovens rurais. Essa análise traz um desafio: identificar se entre o consumo de mídia e as interações, na amostra de vinte jovens rurais pesquisados (corpus da pesquisa), existem indivíduos que alcançam o patamar da reflexão sobre os valores constituídos sob influência da mídia. Se a característica predominante for justamente à ausência de reflexão sobre os valores, interessa identificar como tais valores sem reflexão incidem sobre os jovens. A análise das falas das falas, a partir de entrevistas semi-estruturadas, em geral não demonstra mudanças de comportamento, nem o reconhecimento de valores ou que eles fazem o que dizem, sendo necessária a análise das práticas de interação comunicativa com a mídia. Essa tessitura formada pelos fragmentos das justificativas que dão sentido aos valores aceitos reflete as experiências afetivas e os interesses específicos dos jovens rurais. As justificativas vão se incorporando as suas atividades e falas cotidianas, mas que também são parte dos valores circulantes na mídia, formando aos poucos uma gramática de significados por onde dão sentido, na medida em que interage com suas formas preferenciais de comunicação7. Ao reproduzir suas ações e atividades na vida cotidiana as pessoas sedimentam seus valores, sob o imperativo de um reconhecimento recíproco existente no contato social. É na relação com os grupos de parentesco e compadrio que os jovens rurais chegam a uma auto-realização positiva de sua vida no grupo social, onde eles compartilham os mesmos valores. Nesse cenário, a vida pela linguagem midiática ou midiatização traz uma situação problemática. Ao resignificar um valor, o jovem atribui outro valor social às suas próprias capacidades e atividades, constituindo seu discurso através de pequenas e significativas falas e condicionando ou determinando formas de atribuição do valor social. O objetivo deste artigo é articular os temas do consumo de mídia eletrônica, das formas de interação comunicativa e da constituição de valores com a aceleração da 7

As formas preferenciais de comunicação podem ser alteradas em função do comportamento social dos jovens rurais. Um programa televisivo, que antes era o mais assistido, perde espaço para outro programa ou outra maneira de se comunicar preferencial via redes sociais. O Messenger, por exemplo, pode ser mais popular entre jovens rurais que o Twitter. Por isso nossa postura inicial será identificar essas formas preferenciais de comunicação e, posteriormente, aprofundarmos as questões e os conceitos na pesquisa à luz das discussões do GT “Recepção, Usos e Consumo Midiáticos”.

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midiatização entre jovens rurais mineiros, em especial na região da zona da mata do Estado. Ao longo dos tempos, os traços culturais e as referências sociais desses jovens se misturam e se modificam a partir da presença e da influência dos valores expostos na mídia que, atualmente mais presente e influente com a expansão dos meios massivos e digitais, interferem nas ações e atividades das pessoas na vida rural. Como esses jovens rurais se posicionam a partir do consumo de mídia e qual a influência dos traços desse conteúdo, que se complementam de uma mídia para a outra, no tipo de troca comunicativa estabelecida, tanto na comunicação situada no centro de sua vida cotidiana quanto através das redes sociais8. A disposição da pesquisa também é entender a recepção o uso e o consumo midiático presente nos fenômenos comunicacionais como, por exemplo, os que apresentam a influência da mídia na motivação do “estar junto”, ou seja, nos encontros marcados pelas redes sociais em espaços públicos e privados que não tem outro objetivo a não ser o próprio encontro (característica da noção de sociabilidade).

2. O processo de midiatização A presença e a influência dos suportes materiais da mídia, que permitem reinterpretações e outros usos, não se constituem força determinante e reguladora da vida. Acolhemos a perspectiva teórica dos autores que defendem um conceito de midiatização mais “periférico”, dependente de uma comunicação que se molda e se situa no centro da vida. O processo de midiatização se visualiza nas respostas (interpretações e usos) dadas pelo jovem ao interagir com os meios. Essa aceleração da midiatização no meio rural significa o aumento de um tipo particular de interação com as tecnologias que possibilita uma ampliação especial dos conhecimentos sobre o mundo. Ou seja, as “próteses tecnológicas e mercadológicas” estão ali à disposição dos sujeitos habitantes do rural como um recurso para quem se interessa em interagir com conhecimentos expostos na tela. Mas o processo se completa depois que as informações são comentadas, interpretadas e utilizadas de alguma 8

Interessante aqui ressaltar a proximidade com o estudo sobre frequentadoras de um weblog, de Braga (2008). A autora sublinha o comportamento de receptores que lançam mão de diferentes recursos técnicos para estabelecer a comunicação, empreendendo uma lógica de articulação, uso e complementação das diversas mídias no cotidiano. Para nosso estudo, também importa as articulações e complementaridades entre as diferentes mídias (preferenciais) para compreendermos o processo comunicacional e as práticas sociais midiatizadas.

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maneira, misturando-se a cultura já existente. Para sobreviver, a informação midiática necessita reverberar no contato social onde uma comunicação se posiciona no centro da vida das pessoas. As tecnologias da informação e da comunicação, que retira do isolamento os jovens rurais na direção tanto da formação de opinião sobre famosos e assuntos em destaque expostos na mídia quanto de um espaço virtual de interações coletiva, são apenas suportes materiais esvaziados de sentido, se não carregam consigo as linguagens que ganham forma e circulam (SANTAELLA, 2007). Contudo, as linguagens midiáticas também são dependentes da remodelagem dada pelas linguagens nas práticas sociais cotidianas, tanto na vida de receptores quanto de produtores de informação. Apenas em alguns grupos e sistemas sociais a vida pela linguagem midiática ou pela ordem das “tecnomediações” se torna mais intensa e assume mais intensamente um lugar referencial na sociedade, pois tal forma de vida depende da especificidade das interações comunicativas (das formas operativas e comunicativas do processo mediador) e dos tipos dos sujeitos da/em comunicação. Santaella (2007) explica que as formas interativas presentes nas mediações tradicionais proporcionam uma vida pela linguagem midiática apenas em uma situação de mediação social hipersaturada em territórios específicos e com limitada autonomia. Ao articular os temas do consumo de mídia eletrônica, das formas de interação comunicativa e da constituição de valores com a aceleração da midiatização sobre a vida do jovem rural mineiro, nosso estudo não focaliza “processos semióticos” e nem se ocupa com a “saturação midiática”, embora ambas as perspectivas sejam importantes à compreensão do processo comunicativo. O trabalho está delineado na identificação dos momentos ou situações de interação a partir do consumo de mídia, instante em que os sujeitos constituem seus valores.

3. Estudos de recepção e processo comunicacional A presença mais intensa das diferentes mídias eletrônicas no meio rural gera uma recepção mais difusa, pois se amplia a quantidade de informação nos produtos televisivos (nas telenovelas, nos programas de entretenimento, nos telejornalísticos, nas transmissões esportivas, etc). Contudo, a possibilidade de interação com o conteúdo televisivo pela internet

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gera também a “recepção ativa”: as intensas trocas comunicativas e a possibilidade de fazer circular nas redes sociais imagens capturadas por câmeras fotográficas dos celulares. A recepção mais difusa e a característica da “recepção ativa” proporcionam o surgimento de diversas perspectivas teóricas e epistemológicas para os estudos de recepção e das interações com a mídia, com diferentes procedimentos e posturas tais como as abordagens sobre as comunidades interpretativas, a interseção e articulação entre produção e recepção, contrato de leitura, pacto de recepção e estudos etnográficos (JACKS e SOUZA, 2006). Ao longo dos anos, os estudos de recepção demonstraram que os receptores são ativos, múltiplos, interpretam e fazem uso das mensagens midiáticas a partir do contato com seu grupo social. Também identificaram a variabilidade do consumo de mídia, pois são também múltiplos os produtos e os veículos de comunicação. O foco no sujeito proporcionou críticas construtivas aos estudos de recepção, dentre elas destacamos a de França (2004 apud ROCHA e MARQUES, 2006, p.35): Linearidade ao inverso, uma ênfase excessiva no receptor, uma valorização indiscriminada dos usos, assim como uma fragmentação da abordagem e uma sociologização dos estudos de recepção em detrimento da apreensão do processo e do próprio enfoque comunicacional.

Mas a complexidade, instabilidade e intersubjetividade sempre fizeram parte dos delineamentos dos estudos de recepção, desafiando os modelos metodológicos na direção de dar conta de compreender as interpretações e os usos na recepção. Ao buscar um diálogo dos estudos de recepção com as lógicas e os modos de operar no âmbito da produção, Rocha e Marques (2006) aponta também à possibilidade de investigação dos significados circulantes na interseção do processo comunicativo entre produtor e receptor. Ao lembrar o lugar da produção no estudo de recepção, as autoras iluminam o caminho rumo ao ponto de interseção do processo comunicativo: aquilo que existe entre a recepção e a produção. Nesta intersecção, reside uma gramática de significados que configura o processo comunicativo dos sujeitos: Por isso consideramos a interseção um lugar mais rico de análise, pois além de podermos evidenciar os conflitos de informações, as diferentes motivações, veremos que tal processo é complexo, pois envolve vários atores, um cenário contextual, um texto [ou vários textos] e múltiplas interpretações (ROCHA e MARQUES, 2006, p. 37).

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Assim como o receptor, o emissor também consome mídia, interage com outros emissores e receptores e, em função da sua posição enquanto produtor de informação, ele modela seus valores a partir de uma forma de vida pela linguagem midiática. As mensagens dos emissores influenciam as falas dos receptores e vice-versa, organizando no espaço de interseção do processo comunicativo as experiências de identificação desse lugar entre nós: entre sujeitos da/em comunicação nos espaços de sua cultura.

4. Cotidiano e consumo dos meios massivos Na prática cotidiana do consumo de mídia, ações e atividades se envolvem no processo comunicativo. Couldry, Livingstone e Markham (2007), ao estudar a mídia na sua relação de oferecer atenção às pessoas para o engajamento público, identificaram que a mídia massiva chama a atenção das pessoas pela cobertura de eventos que apontam às questões e despertam as pessoas para o lado humano. Os receptores escreviam em diários suas experiências de consumo de mídia massiva e foram divididos em receptores de “nível básico” e com “qualidade de uso” (pessoas com o consumo já incorporado ao hábito). Para os autores, os valores decorrentes do consumo de mídia podem servir como uma ponte entre a vida privada do receptor e a vida pública exposta na mídia, reforçando relações entre hábitos de consumo de mídia e orientações para ações e atividades no mundo. Apesar da importância do estudo para o debate sobre consumo de mídia, a pesquisa não adentra os tipos de interação a partir do uso social das mensagens nem analisa a potência desses valores humanos interferindo nos hábitos cotidianos das pessoas, orientados ou não para engajamentos. Ao final do estudo, os autores indagam: o que os receptores fazem afinal com aquilo que consomem na mídia? Lembramos, então, o que diz Certeau (1994) sobre as maneiras de fazer na cultura cotidiana dos sujeitos. Quando articulamos o que diz Certeau à perspectiva da aceleração da midiatização no meio rural e do consumo de mídia, observamos a relação entre as maneiras de fazer das pessoas no cotidiano e o condicionamento dos estímulos produzidos pelas mensagens midiáticas. Certeau diz: Pode-se supor que essas operações multiformes e fragmentárias, relativas a ocasiões e a detalhes, insinuadas e escondidas nos aparelhos das quais elas são os modos de usar

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e, portanto, desprovidas de ideologias ou de instituições próprias, obedecem a regras. Noutras palavras, deve haver uma lógica dessas práticas (CERTEAU, 1994, p. 42).

Para o autor, a lógica das práticas de consumo de mídia se desenrola sob normas de conduta por meio do modo implícito de uso na cultura e no cotidiano dos usuários. Para os estudos de recepção o conceito de consumo é mais amplo e complexo, referente ao uso social da mídia. Por isso, tanto o consumo quanto o massivo são conceito importantes às pesquisas em recepção das mídias. O massivo origina-se após a crescente industrialização e urbanização das cidades, tendo os meios de comunicação de massa como amplificadores dessa forma de vida moderna nas sociedades contemporâneas. Martín-Barbero (1997) recomenda não reduzir o massivo às mídias, pois a origem do massivo está na sociedade moderna, no princípio de compreensão dos novos comportamentos das pessoas diante do novo cenário. Canclini (1988, p.40) definia massivo como uma estrutura de relações adotada pelos sujeitos a partir da sociedade massificada: “la forma que adoptam, estructuralmente, las relaciones sociales en una sociedad en la que todo se há masificado: el mercado de trabajo, los procesos productivos y el diseño de los objetos” 9. Também para o autor, o massivo seria algo mais que um conjunto de produtos divulgados pelas mídias, pois pode ser percebido pelos corpos e pelas roupas das pessoas. E a operacionalidade da cultura de massas não se dá de modo universal ou massificado, pois são distintos os processos de socialização e nas relações interpessoais influenciadas pela mídia que ocorrem entre o rural e o urbano, entre gerações e gêneros (CANCLINI, 1987). A importância da cultura e do processo de comunicação na produção de sentido das pessoas é fundamental: “Esa perspectiva nos pone en camino de pensar la cultura y la comunicación masivas como espacios claves para la production de los sentidos, predominantes del orden social en tanto emisores y receptores”

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(CANCLINI, 1987, p.18).

Quanto ao consumo, diz Canclini ser um conjunto de processos socioculturais em que se realizam a apropriação e os usos dos produtos culturais de maneira desigual, além do simples exercício de comprar ou do desejo de consumir. A racionalidade das relações dos indivíduos na sociedade atual se constrói menos nas lutas por meios de produção do que pela 9

“A forma que adotam, estruturalmente, as relações sociais em uma sociedade em que tudo existe massificado: o mercado de trabalho, os processos produtivos e o desenho dos objetos”. 10 “Essa perspectiva nos põe no caminho de pensar a cultura e a comunicação massiva como espaços chaves para a produção dos sentidos, predominantes da ordem social de emissores e receptores”.

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apropriação dos meios de distinção, sendo resultado de uma lógica econômica e social global e modeladora da ação cultural (CANCLINI, 1987, p.15). Por conta dessa definição mais abrangente de consumo, Ronsini (2010) sublinha que os termos recepção e consumo “são utilizados freqüentemente como sinônimos para indicar o conjunto dos processos sociais de apropriação dos produtos da mídia”, tornando a recepção também um termo abrangente que envolve outros estudos sobre as relações entre mídia e públicos.

5. Matriz das interações: ponto de observação sobre o objeto Essa noção da lógica das práticas na cultura enquanto mediação teórica e social da comunicação e dos meios teve início com Martín-Barbero (1997) influenciando o conceito de recepção e sintetizado em um conjunto de trabalhos focados nas práticas de apropriação da mídia e balizados nos estudos culturais britânicos em relação ao poder hegemônico. Nestes termos, pode-se afirmar que se trata de estudos sobre as interações, entendendo-as como respostas – estruturadas pelas instituições sociais e pela conjuntura histórica que modelam o entorno social – fornecidas pelos indivíduos e grupos aos meios e que podem se expressar em ações, comportamentos, valores, representações e sentido atribuídos, leituras (opositivas, negociadas ou dominantes) ou nos termos de Braga (2006), em respostas produtivas ou direcionadas da sociedade em interação com os produtos midiáticos (RONSINI, 2008, p. 17).

Complementando Veneza Ronsini, e adentrando mais na perspectiva da interação nos processos comunicativos com a mídia, Vera França no texto “interações comunicativas: a matriz conceitual de G.H.Mead” (2008) explica que a noção de interação associada ao processo comunicativo (França, 1998; Braga, 2001; Pinto e Serelle, 2007) traz o lugar da fala na ação conjunta referenciada pelos sujeitos em interação, substituindo e qualificando de maneira diferente a ideia de ação em seu sentido de compartilhamento e agenciamento. A interação está no sentido social mais amplo, não se refere à interatividade, e se estabelece na resposta que o sujeito fornece a mensagem na mídia em seus espaços cotidianos e na forma como essas diferentes maneiras de responder se moldam ao “outro generalizado” e ao seu valor social. França (2008) sistematiza as contribuições trazidas pelo “interacionismo simbólico” de G.H.Mead para o campo da comunicação. A ênfase no objeto comunicacional está na relação do usuário com a linguagem midiática, mas a interação está naquilo que se deseja

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dizer com textos, com gestos, com imagens e com os atos de fala oriundos da mídia a partir do comportamento do sujeito motivado socialmente por essa linguagem. Esse seria o lugar de intersecção, das relações que se instituem entre diferentes elementos em uma mesma experiência. Para Mead todo o ato social é interação, ação partilhada e o ato é um todo formado de partes. A análise situacionista de Mead é a análise da situação como um todo formado pela relação de sujeitos implicados. França (2008, p.85) refina a discussão: Não é possível, numa perspectiva interacional, analisar a intervenção de um emissor sem levar em conta o outro a quem ele se dirige e cujas respostas potenciais (as respostas do outro imediato e de outrem – o grupo ao qual pertence) já atuam com antecedência sobre o seu dizer; não é possível analisar o receptor separado dos estímulos que lhe foram endereçados e que o constituíram como sujeito da qual relação (...). Em suma: uma perspectiva interacional e situacionista não permite analisar uma fase do ato social sem levar em consideração seu encadeamento numa sequência de outras fases.

Braga e Gastaldo (2009) apresentaram na Compós um resumo de temas e conceitos propostos por autores da Escola de Chicago que podem auxiliar o estudo de recepção, dos usos e do consumo midiáticos a partir de fenômenos comunicacionais. Os autores explicam que uma ciência social baseada nas pessoas e em suas interações cotidianas produzidas coletivamente descortina um papel fundamental para os meios de comunicação e os estudos de recepção na contemporaneidade: Os meios de comunicação, nesta perspectiva, assumem um papel central na legitimação de certas definições, mas esse processo não é simples, nem unidirecional. A distinção proposta pelos estudos de recepção, a de privilegiar o ponto de vista das pessoas comuns e os usos que elas fazem das mídias de que dispõem, é bastante convergente com este paradigma naturalista, e tem muito a se beneficiar deste aporte teórico e metodológico. Se considerarmos que, como George Herbert Mead tão bem demonstrou, comunicação é interação simbólica, pesquisar as dinâmicas comunicacionais no local onde ocorrem é também compreender a vida social na sua dimensão mais elementar, relacional, a vida social em processo (BRAGA e GASTALDO, 2009, p.13).

Seguindo o que dizem os autores, a perspectiva das interações comunicativas pela linguagem midiática se vincula – tendo em vista as discussões do Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade (Gris/UFMG) – ao modelo praxiológico da comunicação de Louis Quéré. O modelo concebe a comunicação situada no centro da vida social das pessoas, e não fechada sobre si mesma e não a mídia no centro da vida. A presença e a influência da mídia no processo comunicacional auxilia a formação do lugar de constituição dos espaços públicos e dos fenômenos comunicacionais, além de criar a interação pela linguagem entre seus

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membros e os cenários institucionais que promovem sua identidade e sustentam sua ação (QUÉRÉ, 1991). Quéré adota um “esquema conceitual comunicacional de relações” que explica a relação da atividade organizante das pessoas e seus pequenos engajamentos em atividades cotidianas comuns; a relação do sentido e da razão, próprios dos membros de um grupo que se comunica, com as práticas comuns das pessoas no seu dia-a-dia; a relação da função representativa da linguagem midiática com sua função expressiva e constitutiva na vida das pessoas. A adoção do modelo praxiológico permite compreender esse dinamismo das respostas descompassadas dos jovens rurais e seus usos sociais da mídia. Esse movimento dialético entre a exposição dos valores na mídia e a resposta do sujeito produz uma adaptabilidade única do conteúdo às interpretações e aos usos das pessoas. Ao produzir sentido junto aos jovens rurais, são peculiares as formas de enquadramento dos sentidos e de visibilidade promovidos pela mídia. Por isso que Quéré, ao olhar para a mídia, sugere investigar a associação entre a atividade e o engajamento em uma ação entre os sujeitos em interação com as mensagens midiáticas. Desta forma, ao perceber a comunicação das pessoas enquanto um lugar constitutivo da relação intersubjetiva e de interlocução entre eles, Quèrè (1991) pergunta para si mesmo que sentido dá ao termo comunicação quando se faz dela uma dimensão organizativa e formadora de todo o conjunto das ações e atividades práticas. Para ele, a resposta à pergunta estava na mudança de paradigma, mas também alcançar o patamar de substituição do modelo representacionista-informacional de comunicação por um modelo comunicacional. “É o que permite, a meu ver, fazer uma concepção praxiológica da comunicação, articulada a uma problemática da construção intersubjetiva da objetividade, e a uma concepção ´constitutivista ´ da linguagem, da expressão e da cognição” (QUÈRÈ, 1991, p. 3).

Considerações finais A paisagem midiática reproduz um regime de ver o mundo sob ênfase da perspectiva urbana e carregam consigo o invisível dos valores que estão mais ao alcance dos habitantes das metrópoles e dos sujeitos nos grandes centros urbanos. Esse regime produz, para o jovem rural, um contexto inflacionado de imagens replicantes na televisão e na internet, reprodutoras desses valores e que são reinterpretados pelos jovens rurais de acordo com seus

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traços culturais e referências sociais (vínculos com a terra, com o meio ambiente, com a produção agrícola e agropecuária, etc). Na atividade de intermediação, a mídia produz um contraste instalado nessa profusão de informações encarnadas nos objetos circulantes, atividade que se trata de um efeito de situação: de um lado, jovens de contextos rurais isolados, por vezes mais introspectivos e enlaçados pela mídia; do outro lado, a comunicação no centro da vida dessas pessoas catalisando os traços das informações que os jovens consomem na mídia para o interior de sua cultura rural. Temos, portanto, a interação comunicativa pela linguagem midiática associando não somente essas duas situações distintas, como igualmente respondendo pela conexão de dois mundos diferentes: o metropolitano das luzes, das diversas possibilidades de conexão tecnológica, da robótica, da vida habituada à eletricidade que conecta as pessoas ao mundo via diversos meios tecnológicos de comunicação; o rural invisível na “escuridão” e no isolamento e que se modifica ao tornar sua vida mais visível, mais participativa via meios digitais. Diferente da recepção, lugar da revisão de todo o processo comunicativo, a interação seria o lugar de enlace dos desiguais, ponte de constituição de uma gramática de sentidos entre produção e consumo, entre a realidade rural tão distinta do urbano, entre o visível do conteúdo midiático com ênfase nos valores urbanos e a invisibilidade das formas de apropriação e de experiência no uso das mensagens por parte dos jovens de contextos rurais.

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Consumo de mídias, interações e valores entre jovens rurais mineiros - Artigo Compós 2012.  

Resumo: O objetivo deste artigo é articular os temas do consumo de mídias, das formas de interação e da constituição de valores com a aceler...

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