Page 1

EDIÇÃO 01 | JUNHO 2012


VocĂŞ tem sede de novas experiĂŞncias?


Editorial

A Press Music é um espaço destinado às produções de bandas locais e eventos alternativos que acontecem na região Oeste do Paraná, além de tudo mais que o público estiver interessado em ler. O principal objetivo da revista é trazer informações relacionadas ao rock, pop e música clássica produzidos na região. Os textos são escritos de forma simples e direta. As fotografias são autoexplicativas. A busca é por tratar de assuntos que não são veiculados na grande mídia. Por vezes tais assuntos estarão presentes nesta revista, mas serão abordados de uma forma diferente. A revista Press Music surgiu a partir do interesse de relacionar a música com o fazer jornalístico de cinco acadêmicos do 4° ano de Jornalismo da Faculdade Assis Gurgacz.

F

06

09

10

12

14

17

A

I

X

A

S

18

24

26

30

32

35

Expediente Responsáveis

Bruna Bueno, Ivan Jorge, Kamilla Rorato, Max Odin e Rhayene de Andrade. Contato

(45) 9988 7766 pressmusic@gmail.com Endereço

Av. das Torres, número 500, bairro FAG, Cascavel – PR


CENÁRIO MUSICAL

Virada

Cultural

Respire mais cultura foi o lema do festival que reuniu milhares

Bruna Bueno

A Virada Cultural é um evento que acontece anualmente em diversas cidades do Brasil, e traz em sua programação diversos shows e apresentações voltados ao interesse da população local e regional. E na cidade de Toledo não foi diferente, o público que passou por lá aprovou o evento e já aguarda ansioso pela próxima edição da virada. Exemplo disso é a Jéssica Tavares, que cursa o 5º período de Jornalismo e esteve presente no evento em apenas um dos dois dias realizados e saiu satisfeita. “Participei apenas do segundo dia por que moro em Cascavel e ficaria difícil me locomover nos dois dias, então optei por ir apenas um dia. O importante era não deixar de ir, mas os shows foram ótimos. Cada um era de um estilo diferente então deu pra aproveitar de várias formas”, explica Jéssica. O evento que é realizado no sábado e domingo aconteceu em

um circuito em volta do Parque Ecológico Diva Paim Barth com dois palcos onde as bandas puderam se apresentar em horários distintos e também no Teatro Municipal que abriu as suas portas para trazer eventos da virada cultural. A secretaria da cultura de Toledo procurou inovar este ano trazendo bandas de diversos estilos musicais com o intuito de atrair todos os gostos e culturas. No total foram mais de 50 artistas envolvidos entre corais, bandas, músicos, danças folclóricas e demais. O evento este ano deu tão certo que atraiu pessoas de várias regiões próximas de Toledo que saíram satisfeitas. “Acho que Toledo se superou em evento cultural. Tanto a campanha, programação e interação foram muito bem planejadas. E acho que depois disso se tornou um “peso” para as cidades da região, porque não se investe em cultura por aqui.

Espero que seja um alerta para os municípios ao redor, repensar a atuação na área cultural e criar eventos mais solidificados na região”, afirma Jéssica. As apresentações de Raulzito, Terra Celta, Teatro Mágico, A Banda Mais Bonita da Cidade dentre outros aconteceram na segunda noite, e foram os responsáveis pela agitação da galera de toda a região que compareceu. “Me encantei por Terra Celta. Já conhecia as músicas deles mas não tinha noção que eles agitavam tanto a galera. Até quem não gosta de dançar acabou dançando aquele dia. Foi muito bacana e realmente contagiante”, comenta. Só resta aguardar para que na próxima edição da virada cultural, que deverá ocorrer no próximo ano a programação de shows também agrade a população, trazendo fãs de toda a região e deixando boas lembranças para quem participar.

Banda Terra Celta se apresentando na 2ª Virada Cultural. Foto: Luiz Padilha

06 | Press Music

Press Music | 07


Proprietária fala da sonoridade e do valor sentimental de um piano que deixou de ser fabricado há alguns anos em Curitiba Ivan Jorge Raro ou não, um instrumento musical deve ser sempre um fator de alegria e integração onde quer que esteja. A professora Consuelo Spoladore, 65 anos, natural de Minas Gerais, estuda e leciona piano a cerca de cinco décadas e é proprietária do conservatório “Som e Ritmo”. Consuelo tem um piano que pertence a célebre marca Essenfelder de Curitiba, mas que foi extinta há alguns anos. A proprietária o considera um objeto de muito valor. “Era uma marca conhecida e famosa de antigamente”, lembra a musicista.

Ela conta que adquiriu o instrumento de um casal de Cascavel, e que o havia encomendado para os filhos. O piano é branco e de modelo meia calda, o que o torna especial em relação a tradição de pianos de calda pretos. Sobre o valor simbólico e pessoal do piano, ela diz considerá-lo uma peça valiosa e de uma sonoridade muito bonita, além de possuir design tradicional e ao mesmo tempo, com traços ousados. “Ele é clássico, pois o design é clássico, e moderno por ser branco”, diz ela. Mas a cor se torna apenas um detalhe quando se trata do aspecto

principal do instrumento: o som. “São pianos próprios para concertos e recitais, pois têm uma mecânica com cordas horizontais”, explica Consuelo. Ela ainda enfatiza a importância das famílias terem um instrumento musical e alguém que saiba tocá-lo. “O pianista com seu piano dentro de casa é motivo de alegria, confraternização e cultura. Uma vez um aluno me contou que quando pequeno, ao entrar em uma casa com um piano e uma piscina, se sentia feliz, pois estes eram sinônimos de beleza e alegria”, relembra.

u re em se Spolado Consuelo branco de meia er Essenfeld : Ivan Jorge to o F . cauda

Press Music | 09

RELICÁRIO

Essenfelder: uma espécie em extinção


DES-ESCUTE

ATENÇÃO: não deixe a

música grudar na sua cabeça!

Mas se acontecer, troque por uma das “chiclete” aqui de baixo. Elas também são grudentas, só que têm qualidade Essa página é dedicada a você e ao hit que não sai da lista de reprodução no seu cérebro. Todo mundo já ouviu uma música que grudou na cabeça e demorou a sair. Dê uma olhada nessas “chiclete” aqui em baixo para ver se reconhece alguma, mas ATENÇÃO: não nos responsabilizamos se ela se instalar na sua mente...

Refrão de “We Are the Champions”, do Queen We are the champions, my friends And we’ll keep on fighting ‘Till the end We are the champions We are the champions No time for losers ‘Cause we are the champions Of the world

Bruna Bueno e Max Odin

Refrão de “Na Moral”, do Jota Quest Na moral, na moral Só na moral Na moral Na moral, na moral Só na moral Namoral

Refrão de “Pais e Filhos”, do Legião Urbana

É preciso amar as pessoas Como se não houvesse amanhã Porque se você parar para pensar Na verdade não há

no

ue

10 | Press Music F

: oto

Br

u

B na


INDEPENDENTES

Headthrashers: som pesado e de respeito

Formações da banda

O metal da banda faz sucesso na região e até no vizinho Paraguai Rhayene de Andrade Sergio, um dos guitarristas. Foto: Rhayene de Andrade

Caveira com capacete, símbolo da banda. Foto: Rhayene de Andrade

Headthrashers durante apresentação. Foto: Rhayene de Andrade

A banda Headthrashers foi formada no final de 2005 com a proposta de resgatar o som old school metal, realizando um speed/ trash cantado em português com a temática lírica voltada para guerra, morte, destruição e o cotidiano social. A banda faz parte do cenário musical cascavelense, e desde a sua criação vem se destacando dentre as bandas do Oeste paranaense. Já fizeram shows em diversas cidades da região como Foz do Iguaçu e Toledo. Segundo Vinicio Schenato, o único integrante da banda desde a sua primeira formação, em todos

12 | Press Music

os locais em que estiveram, foram muito bem recebidos. Porém um dos shows que mais marcou a história da banda foi realizado em Assuncion. Ele relata que naquela noite havia aproximadamente 400 pessoas na plateia. Há muitos fãs da Headthrashers na cidade paraguaia. Questionado sobre qual a diferença de tocar em Cascavel e em Assuncion, Vinico relata: “não há diferença. Aqui há muitas pessoas que além de serem nossos amigos, gostam do nosso som e lá também é assim. Antes de sermos uma banda somos amigos das pessoas. Acho que a diferença está talvez na

cena, uma cidade maior, vai mais gente nos shows, a organização é impecável. Em outras palavras, é fantástico tocar lá, eu sempre falo que o PY é a nossa segunda casa, por que é assim que somos tratados”. Durante esse primeiro semestre de 2012, a banda fez vários shows em Cascavel e os meninos vêm se preparando para muitos outros shows aqui na região. A banda ainda promete novidade: logo estarão em estúdio. Eles ainda disponibilizam três musicas no Myspace http://www. myspace.com/headthrashersband.

Vinicius Matos, atual baterista. Foto: Rhayene de Andrade

A banda Headthrashers passou por muitas mudanças em sua formação, desde que foi montada no ano de 2005. Mesmo assim Vinicio Schenato nunca desistiu de tocar sob o nome do grupo . Sua primeira formação era composta por: Vinicio Schenato na guitarra e vocal, Vilson Schenato no baixo e David Haber na bateria. Pouco tempo depois Bruno Marcelino (guitarra solo) se juntou ao trio, porém sua participação na banda durou apenas seis meses. A banda gravou uma Demo Ensaio em 2006 com o objetivo de se apresentar ao público. Em 2007 Vinicio Schenato sofreu um grave acidente de moto que fez com que a banda ficasse um longo período sem tocar. Logo após o retorno do trio aos palcos, o baterista se desligou da banda, ficando então só os irmãos Schenato que fizeram mais uma apresentação com um baterista “emprestado”. Depois disso Vilson foi buscar novos caminhos profissionais e também teve que se desligar da banda. Retornando aos palcos em 2008 agora com uma nova formação, Andro Adilio na bateria, Tony Marciniak no baixo e Vinicio Schenato que continuou na guitarra e vocal. Já em 2009, Marcos Adriano assumiu a segunda guitarra e Tony saiu da banda, fazendo com que Marcos trocasse a guitarra pelo baixo. Nesse mesmo ano a banda gravou outro CD Demo intitulado “Campos de Batalha”, e foi lançado no dia 16 de janeiro 2010. Em 2011 a banda Headthrashers era constituída por: Vinicio Schenato (guitarra), Sergio Silva (guitarra), Vinicius Matos (bateria) e Marcos Adriano (bateria). Atualmente a banda é composta por: Vinicio Schenato (guitarra e voz), Sergio (guitarra), Vinicius Matos (bateria), Reverse Sackser (Baixo). Press Music | 13


INDEPENDENTES

A MAIS BONITA

“Meu amor essa é a última oração Pra salvar seu coração Coração não é tão simples quanto pensa Nele cabe o que não cabe na despensa”

da cidade

Esse é o refrão da música Oração. Foi a partir desse hit que a banda estourou.

Da internet direto para as apresentações ao vivo

A Banda Mais Bonita da Cidade durante apresentação na 2ª Virada Cultural de Toledo. Foto: Luiz Padilha

Kamilla Rorato Uma atriz, um compositor, alguns músicos e uma ideia que fez com que cinco pessoas se unissem para colocar em prática um projeto que hoje faz muito sucesso. Com pouco menos de três anos a Banda Mais Bonita da Cidade é conhecida e reúne um grande público por onde passa. A ideia que fez com que isso acontecesse surgiu com Uyara Torrent. “A banda começou com a proposta de interpretar autores locais, então a Uyara veio com essa proposta, ela conhecia alguns compositores e eu era um desses compositores antes de entrar na banda.”, conta Rodrigo Lemos, guitarrista. Vinícius, Rodrigo, Diego e Luís compraram a ideia e a banda mais bonita de Curitiba nasceu em 2009. No início este não era o projeto principal dos integrantes, cada um tinha suas prioridades, mas não foi assim por muito tempo. “E ai de repente em maio do ano passado teve um fenômeno em torno de um vídeo e a gente começou a ter uma demanda muito maior do que a gente estava acostumado”, se orgulha Rodrigo.

Uyara Torrent, vocalista da banda. Foto: Luiz Padilha

14 | Press Music

Nas primeiras semanas o vídeo teve cerca de 5 milhões de acessos e hoje mais de 10 milhões de pessoas já assistiram, além disso, surgiram diversas versões da música na internet. Para Rodrigo, o efeito que o sucesso da música fez é interessante, porque foi rápido e em pouco tempo a banda ficou conhecida e conquistou o público, não apenas com esta canção, mas com todas elas: “É maluco né? É muito interessante a gente ver o efeito que a internet tem nisso, foi uma banda que se revelou a partir da internet e logo no primeiro show que a gente fez depois desse fenômeno de “Oração” as pessoas já sabiam cantar todas as músicas, então não foi uma coisa que ficou restrita”. A dica para quem gosta de música e deseja viver dela é que comece a partir de uma ideia autêntica. “Uma ideia que você confie muito, que você bote muita fé. Acho que hoje em dia, mais do que nunca, as coisas precisam ter um diferencial para chamar a atenção, acho que é confiar em uma ideia que é só sua e não sair em uma tendência de querer copiar alguém”, explica Rodrigo. Personalidade e criatividade. São estes os dois ingredientes para que, quem sabe, a sua banda dê certo também. Boa sorte!

Press Music | 15


The Wall A história da banda contada por Roger Waters

Bruna Bueno Biografias do ramo musical são as mais procuradas pelos leitores desse gênero. As pessoas buscam este tipo de leitura por ser diferente das demais. Elas trazem conteúdos divertidos, trajetórias e exemplos de vida, além de lições de moral para quem lê. Elizandro Viana tem experiência nesse tipo de leitura. Ele conta para nós o que tirou de bom de uma das biografias mais conhecidas e procuradas pelos fãs de Pink Floyd: The Making Off - The Wall. “Eu sempre fui fã da banda, então eu estava esperando pelo lançamento desse livro. Achei uma pena que demorou a sair no Brasil. Na ansiedade da leitura, comprei pela internet o original em inglês e mandei bala”, explica o fã. O livro contém situações vivenciadas pelo grupo que não foram divulgadas à imprensa na época. “A história da banda escrita pelas palavras do Roger Waters é fantástica. Ela te ajuda a entender alguns pontos das músicas escritas pelo próprio Waters. O livro é excelente”, afirma Elizandro. O fã continua: “a obra conta sobre o ínicio do grupo, como os componentes se conheceram e foram realizando seus trabalhos.

Passei a entender o sentido de varias músicas, não apenas do album The Wall mas tambem do The Final Cut e o porque das letras se referirem à guerra. O pai de Waters foi morto em guerra quando o cantor tinha apenas alguns meses e a falta do pai o inspirou a retratar por meio da música este sentimento. O livro resumidamente traz este aspecto, embora não declarado, pois somente conhecendo as músicas é possível fazer o link com Roger + musica + seu pai”, explica o entrevistado. A procura por biografias tem se tornado cada vez maior, as pessoas buscam o conteúdo por curiosidade sobre a vida dos famosos ou por ser fãs, mas para Elizandro, muito além disso, a leitura trouxe também experiência. “De todos os livros que eu li a biografia do Pink Floyd foi a que mais me surpreendeu. É uma mistura de superação e de busca pelos ideais numa maneira de manter para si o próprio eu, algo totalmente diferente do que já tinha lido. Serviu de lição para vida”, finaliza. Elizandro Viana com seu exemplar de “The Making Off - The Wall”. Foto: Bruna Bueno

Press Music | 17

BIOGRAFIA

The Making Off Pink Floyd


CENÁRIO MUSICAL

Pego carona para te Uma noite cheia de motivos para ser lembrada pelo resto da vida de duas fãs da banda Los Hermanos Parecia que o relógio fazia de propósito e quanto mais eu queria que ele girasse menos isso acontecia. As horas não passavam e a ansiedade só aumentava. Já estava tudo planejado. Ingressos e passagens comprados e tudo combinado. A propósito, me chamo Kamilla e essa ansiedade toda tem motivo: ver um show de uma das minhas bandas favoritas. Não sei, mas deve ser a dança que me fez de certa forma acostumar com essa coisa de ansiedade e nervosismo. A semana passou como se fosse outra qualquer. As vezes escutava uma ou outra música que me faziam lembrar, mas nada de mais. Meu nome é Rhayene e eu também estava me preparando para ir no show. Cheguei a Curitiba, passei na frente do Bioparque, onde aconteceria o Lupaluna. Havia barracas na frente e dava para ver muita gente trabalhando lá dentro. Durante o dia eu e a Rhay conversávamos por mensagens, enquanto ela viajava. A esperada sexta-feira chegou. Aquela que não apenas anunciava o começo de um fim de semana, mas trazia juntamente a expectativa dos shows que nos aguardavam no Lupaluna. E ai sim bateu a ansiedade, ah que longas horas foram aquelas dentro do ônibus, parecia que o caminho a ser percorrido nunca chegaria ao destino: Curitiba. Tentava prestar atenção em outras coisas para ver se o tempo passava mais rápido, mas quanto mais eu tentava a distração, mais coisas me faziam lembrar o que me esperava. Assim que ela chegou à cidade fui para rodoviária e de lá iríamos direto para o Bioparque.

18 | Press Music

ACOMPANHAR

Kamilla Rorato e Rhayene de Andrade

Rodrigo Amarente: guitarra e vocal do Los Hermanos. Foto: divulgação

Press Music | 19


Que comece o show!

Los Hermanos era uma das bandas mais esperadas no evento. Foto: LeduxCWB

Eu, até então, nunca tinha ido a um festival de música, então pode imaginar a minha ansiedade. Mas meu ônibus chegou atrasado e para que chegar no horário certo, né? Ainda mais no primeiro festival, a cada trecho percorrido para chegar ao Bioparque a adrenalina só aumentava. Descemos do carro correndo. Os shows estavam marcados para começar às sete horas da noite e nós chegamos quase nove. Passamos facilmente por um portão acreditando que seria o único, mas ai a decepção: uma fila enorme nos esperava. Enquanto isso podíamos ouvir Nando Reis tocando All Star com certeza a favorita de muitos e, claro, a nossa também. O que incomodava era que não conseguíamos ver nada. O muro era alto e a estrutura do palco não permitia que quem estivesse do lado de fora visse qualquer coisa. A apresentação do Nando era uma das que mais queríamos ver, mas como não tínhamos opções cantarolamos suas músicas por ali mesmo, na fila. Uma, duas, três e quatro músicas, até que chegou a última: Segundo Sol. Estávamos quase entrando no parque, quando ele deixou o palco. Uma pena não termos visto, mas ainda tínhamos muito que ver e ouvir.

20 | Press Music

A sensação de estar no festival é de certa forma libertadora. Várias pessoas andando, cantando e cada uma com o seu estilo e gosto musical, porém unidos pelo mesmo objetivo: prestigiarem seus ídolos. Claro comigo e com a Ka não era diferente. Nesse momento já não sabia mais para aonde olhar, em que palco ficar ou qual show assistir antes do tão esperado: Los Hermanos. Quando entrei não sabia bem pra que lado olhar, mas o palco principal foi o primeiro que eu vi, então eu e a Rhay fomos até ele. Jota Quest estava começando a tocar. Tinha muita gente e todos com um sorriso enorme no rosto, cantando e se divertindo. Ficamos um tempo por ali, mas decidimos ver um pouco dos outros shows antes de Los Hermanos subir ao palco. O parque era bem grande, demorou um pouco até chegarmos no primeiro palco. Forfun estava tocando e a nostalgia dos tempos da adolescência bateu. Ficamos por alguns minutos, mas ainda tinha muito para ver e logo saímos. Nos outros lugares não sabíamos o que estava tocando, mas ficamos um pouco em todos eles. Estávamos lá e queríamos aproveitar. Cerca de quarenta minutos depois decidimos que era hora de

voltar e encontrar um bom lugar para ficar e ver Los Hermanos. Voltamos para o palco principal e encontramos um espaço. Não estávamos longe do palco e dava para ver tudo. Ingenuidade a nossa. Eu e a Rhay realmente acreditamos que conseguiríamos ficar ali e ainda ver o show direitinho. Foi Jota Quest tocar a última música que o lugar encheu. Parece que todos estavam ali só para ver Los Hermanos. De onde estávamos já não dava mais para ver muita coisa, só algumas cabeças mais altas. As pessoas se ajeitavam como dava. Eu e a Rhay fizemos o mesmo e estávamos decididas a encontrar um lugar melhor. Não deu para andar por muito tempo, ninguém nos deixava passar com medo de perder o lugar e a visão. Enfim, um bom lugar. De frente para o palco e não muito longe. O show não começava e as pessoas se empurravam impacientes. Eu estava quase desistindo de ver alguma coisa, só queria correr dali. Ficar em um lugar que desse para respirar tranquilamente. Eu não sabia que tantas pessoas poderiam se aglomerar em um determinado espaço. Mal dava para se mexer, aliás, a cada viradinha para o lado eu batia em alguém. Então decidi ficar ali parada.

Meu desespero por sair do lugar só durou até que uma voz começou a contar a história da banda. Enquanto ela falava sobre os discos e músicas, nos telões que estavam dos dois lados do palco, dava para ver os quatro integrantes da banda chegando. Mas o corredor era enorme e parecia que eles não chegavam nunca. Todos estavam esticando o pescoço com medo de perder alguma coisa. Então a voz anunciou: “Com vocês Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Rodrigo Barba e Bruno Medina”. - Ka, eu não estou conseguindo ver! - Rhay, o Camelo está no palco! - Ka, eu não estou vendo naaaada! - Aaaaah o Rodrigo Amarante chegou! – Neste momento eu já estava gritando de alegria. Eu esqueci completamente que existia um telão, para mim era só eles e o palco e para a minha frustração eu não conseguia ver nada, tentava pular, desviar das cabeças que estavam na minha frente e nada. Essa é a parte ruim de ser baixinha. Eu ainda conseguia ver bem o palco, mas não consigo lembrar como foi que eles se posicionaram e começaram a tocar ou se demoraram algum tempo até pegar os instrumentos. Nada disso vem à mente. Só me lembro de ouvir a voz do Marcelo Camelo cantando e quando percebi havia uma multidão com as mãos para cima e todas as vozes misturadas cantando: - Olha lá! Quem vem do lado oposto vem sem gosto de viver. Olha lá! Que os bravos são, escravos sãos e salvos de sofrer. Olha lá! Quem acha que perder é ser menor na vida. - Rhaaaaay, estamos no show dos Hermanos!!! Essa frase saiu da minha boca diversas vezes, mas ainda assim não conseguia acreditar naquilo. Acho que eu dizia isso com freqüência

justamente para acreditar que estava mesmo lá. Era tanta emoção e adrenalina misturada que eu já não me importava se conseguia ver ou não, só tentava olhar para o telão ou para o palco. Por um momento lembro que olhei para traz com muito esforço só para dizer: - Ka eu amo essa música! Eu disse isso várias vezes durante o show, porque parecia que eles tinham selecionado só as minhas músicas favoritas para tocar. Eu ainda não acreditava que tudo aquilo estava acontecendo e que eu estava ali. A banda estava lá no palco e eu não conseguia parar de sorrir. Era ótimo poder, enfim, ver os barbudos tocando ao vivo. Algo que eu não imaginei que aconteceria, até porque Los Hermanos acabou há mais ou menos seis anos. Mas aconteceu, lá estavam eles tocando e eu e a Rhay cantando e pulando. Quando o Amarante começou a cantar eu não resisti. Eu cantava o mais alto que conseguia e não queria tirar os olhos do palco, não queria perder qualquer reação dele. Gosto de como o Amarante canta. Ele parece sentir aquilo que esta fazendo de uma maneira que contagia todos que estão vendo. Não tem como olhar o ruivo cantando e não sorrir. É involuntário.

Eu não conseguia prestar atenção em outra coisa a não ser no palco e a cada minuto torcia para que não chegasse o momento em que eles agradeceriam e consequentemente parariam de tocar. Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante dividindo o holofote. Foto: Fabrício Vianna

Press Music | 21


Olha lá! Quem vem do lado oposto vem sem gosto de viver; Olha lá! Que os bravos são, escravos sãos e salvos de sofrer; Olha lá! Quem acha que perder é ser menor na vida.

22 | Press Music

A seleção de músicas estava maravilhosa... “Além do que se vê”, “O vento”, “A Flor”, “Retrato pra iáiá”, “Último Romance” e por ai vai. Amarante como sempre me surpreendendo. Quando cantou “Quem sabe” o arrependimento de não termos tentado chegar ainda mais perto do palco veio até com uma força horrível. Rodrigo Amarante desceu do palco e ficou pertinho do público cantando e nem preciso dizer que eu e a Rhay gritamos o mais alto que pudemos. A noite parecia ter saído diretamente de um sonho. Eu não conseguia prestar atenção em outra coisa a não ser no palco e a cada minuto torcia para que não chegasse o momento em que eles agradeceriam e consequentemente parariam de tocar. Se pudéssemos eu e a Ka adiaríamos esse final por muito tempo. Eu poderia passar a noite toda ouvindo aquelas músicas e aquelas vozes que não acharia ruim, mas nem tudo pode ser como queremos. Quase duas horas de show e a banda encerra o show com Pierrot. A música terminou e todos saíram do palco. Um espetáculo de fogos começou e durou cerca de dez minutos. Era lindo, mas o que queríamos era que eles voltassem

ao palco para mais uma música. Todos gritaram e pediram, mas não foi suficiente. Quando os fogos terminaram os instrumentos começaram a ser retirados do palco e substituídos por outros, os da banda que viria em seguida e eu e a Rhay já falávamos desapontadas: - Acho que agora acabou mesmo. - Acho que não Ka, eles nem deram tchau. Eu não conseguia acreditar que tinha acabado, aliás, eu não conseguia acreditar que eles não tinham se despedido e nem sequer tinha rolado um biz. Por um momento me veio um desapontamento grande, mas a euforia das duas horas de show era muito maior do que a tristeza deles não terem se despedido e nem tocado uma última música, eu sabia que eu e a Ka, apesar do cansaço ainda tínhamos bandas para ver e ouvir. Esperamos por alguns minutos, mas a sede era grande e precisávamos procurar algo para tomar. Então saímos, foi quando percebemos que quase não conseguíamos mais falar. A voz até saía, mas era quase impossível ouvir o que a Rhay dizia. Tantos gritos durante o show só poderiam nos render uma voz rouca.

Depois de encontrar uma bebida e aproveitar o samba rock do Seu Jorge no palco principal chegou a hora de iniciar uma breve aventura: chegar em casa sem saber como chegar. Taxis chegavam a todo o momento na frente do Bioparque, mas sempre havia alguém mais disposto e rápido do que eu e a Rhay e corria para pegar o taxi primeiro. Depois de alguns minutos conseguimos entrar em um carro e então o diálogo que se repetiu duas vezes começou: - Precisamos ir para São José dos Pinhais. - Tudo bem, entrem ai! – E nós entramos. - Mas vocês precisam me guiar, não conheço muito São José dos Pinhais. - Mas nós não conhecemos nada por aqui! - Então vocês vão ter que pegar outro taxi, desculpa! Lá vem o segundo taxi e o mesmo diálogo se repete. Até que um terceiro conhece bem e nos leva rápido e sem qualquer pergunta. A diversão acabou, era hora de deitar e lembrar como foi bom. Rodrigo Amarante segura a mão de um fã. Foto: LeduxCWB

Press Music | 23


SE EU FOSSE

SE PUDESSE,

quem você seria?

Apenas supondo que pudesse escolher ser outra pessoa, talvez o seu artista favorito, quem sabe...

Press Music

Gabriela Pramiu Diogo Damasceno

“Gostaria de ser o Rodrigo Tavares, exbaixista da banda Fresno. Acho ele um bom compositor e as músicas dele falam com o coração. Por isso me identifico.”

Alexandre Rossa Willian Brognoli

“Gostaria de ser o Jack White por causa dos seus ideais e pela sua performance musical.”

“Gostaria de ser o Raul Seixas, por que o cara era doidão demais, ele era o maluco beleza.”

“Gostaria de ser a Madonna por que ela é maravilhosa, as músicas dela são ótimas, ela dança muito e é um ícone no mundo da música pop.”

Madonna Raul Seixas Rodrigo Tavares

24 | Press Music

Jack White

E você, quem gostaria de ser?

Press Music | 25


INSTRUMENTOS

É com instrumento velho que se faz música boa Foi exatamente o que descobriu o autor do texto que está abaixo

A regulagem geral na guitarra custou R$ 110,00. Foto: Max Odin

Max Odin

Ter uma guitarra velha é parecido com ter um carro velho: de vez em quando dá um probleminha aqui e outro ali e você mais se incomoda do que aproveita. Mas os donos de carros velhos costumam vender seus automóveis? Não. E nem os de guitarras. Em parte porque é um tipo de instrumento caro para se comprar novo, em parte porque a gente se apega ao que é nosso. Ainda mais um objeto que representa a sua forma de expressão artística, mesmo que amadora. Cansado de me incomodar com o braço empenado, as cordas sujas, a tampa que protege a parte de trás que nunca esteve lá, entre outros detalhes é que eu resolvi dar uma geral na minha querida Texas modelo Stratocaster. “Amigo, eu tenho essa guitarra e ela está um pouco ‘judiada’. É paraguaia, mas eu gosto de tocar com ela. Tem como arrumar, deixar 26 | Press Music

nova?”, eu perguntei ao rapaz que me atendeu na loja de música. “Tira ela da capa, vamos dar uma olhada nessa monstra ai”, ele respondeu e eu percebi que seria divertido consertar a strato. “Precisa desentortar o braço, trocar as cordas e lubrificar as tarraxas para segurar a afinação, mas essa tampa aqui atrás eu não tenho...”, continuou. Logo a tampa que me incomodava tanto. Não faz diferença no som, mas a estética também conta, poxa. “Tudo bem, nisso eu dou um jeito depois. Quanto fica o serviço e quando posso vir busca-la?”, perguntei. Alguns dias depois estava eu de volta à loja, pagando R$ 100,00 pela regulagem geral na guitarra, mais um cabo novo e algumas palhetas. Encontrei a tampa traseira em outra loja por R$ 10,00 onde o atendimento também foi bacana. Essas pessoas que trabalham com

música e instrumentos costumam ser bem humoradas. Cheguei em casa, pluguei a ‘monstra’ como o cara da primeira loja apelidou minha guitarra e foi como tocar um instrumento musical novinho. As cordas estavam rentes ao braço, que agora é reto e limpo. As tarraxas seguram a afinação por dias. O som, quesito indispensável, ficou muito agradável. Assim como em “Sultans of Swing – Dire Straits”, quando Mark Knopfler canta “e uma guitarra velha é tudo pelo que ele pode pagar, quando está sob as luzes tocando suas músicas” eu fiquei satisfeito com a minha Texas e inspirado para aprender a tocar, inclusive, “Sultans of Swing”. Mas a qualidade do instrumento não influencia na qualidade do músico e eu ainda tenho que aprender muito para “chegar aos pés” do Knopfler. Quem sabe um dia...


CINEMA E MÚSICA

88 minutos e nenhuma nota errada Once é um filme que usa a música não só como linguagem, mas também como tema central Rhayene de Andrade

Apenas uma vez é um filme que une um bom som a uma excelente história. O segredo é simples: duas pessoas, alguns instrumentos, 88 minutos e nenhuma nota errada. Ele é um talentoso músico, que ganha à vida com seu violão nas ruas de Dublin e ajuda o pai em uma loja de aspiradores de pó. Ela é uma tcheca que anda pelas mesmas ruas, vendendo rosas para sustentar sua família e toca piano. Ele se sente inseguro para apresentar suas

30 | Press Music

próprias canções e ela tem a música apenas como hobby. O destino fez com que eles se encontrassem e a paixão pela música os fez viverem uma experiência inesquecível. Aos poucos percebem que tinham material para formar uma banda e gravar um disco. Pouco diálogo e muita sutileza, formando linda história de amor embalada pela música. Dirigido por John Carney, Once teve o seu projeto inicial em 2005

através de um concerto da banda The Frames. O diretor encomendou a Glen Hansard, líder da banda algumas músicas. A partir disso surgiu o roteiro com 60 páginas e 10 canções exclusivamente feitas para o filme. “Falling Slowly” foi uma delas e rendeu o Oscar de Melhor Canção Original em 2008. Não por acaso, os dois protagonistas dessa história musical são os músicos: Glen Hansard e Markéta Irglová, fundadores da banda The Swell

Season. Bob Dylan gostou tanto de Once que convidou os músicos e compositores para fazerem o show de abertura em parte de uma das suas turnês mundiais. O universo do filme é real, povoado por pessoas de verdade, com sentimentos de verdade que afloram através das belas canções da trilha sonora e encantam a todos que assistem. Mario Lemanski filho estuda direito e destaca uma das primeiras cenas do filme como sua favorita.

Segundo ele, é quando os protagonistas se encontram e vão até uma loja de instrumentos e ambos tocam uma música juntos. “A trilha sonora é original, foi feita para o filme e é fantástica”, afirma Mario. Veja abaixo algumas curiosidades e prêmios que o filme recebeu. Apesar de ter custado pouco para ser filmado, cerca de 150 mil dólares o longa fez muito sucesso. Alguns filmes de grande bilheteria chegam a custar milhões.

Once recebeu o Oscar de Melhor Canção Original com “Falling Slowly”. Foto: divulgação

Curiosidades

Prêmios

• Nós creditos do filme os protagonistas são descritos como “Girl” e “Guy”; • As filmagens duraram apenas 17 dias, muito pouco para a maioria dos filmes de sucesso; • O diretor já fez parte da banda The Frames; • Marketá Irglová tinha apenas 19 anos quando filmou o longa; • O orçamento deste filme foi de 150 mil doláres, também muito abaixo do normal.

• Oscar de Melhor Canção Original (“Falling Slowly”); • Independent Spirit Awards de Melhor Filme Estrangeiro; • Prêmio do Público, no Sundance Film Festival; • Recebeu 2 indicações ao Grammy, nas categorias de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original.

Press Music | 31


CENÁRIO MUSICAL

O clube mais legal de todos! Um lugar para ouvir músicas em vinil, conversar sobre artistas que marcaram época e se deixar levar pela nostalgia

Max Odin

No dia 21 de abril estreou o programa Clube do Vinil na Catve FM 91.7. A rádio é de Cascavel e tem abrangência regional. A proposta desde o início é de ser diferente das outras, tocando música popular brasileira, rock, entre outros estilos que o público sentia falta de ouvir nas rádios. O sertanejo, por exemplo, não entra na programação. O Clube do Vinil funciona assim: o ouvinte combina com a equipe o dia e leva os discos que tem em casa para tocar na rádio. Entre uma música e outra, ele e o locutor conversam sobre o artista, a época e o estilo das canções. “O programa tem o objetivo de trazer essa nostalgia que é o vinil. Resgatar a história da música enquanto a

gente bate um papo descontraído com as pessoas que ainda guardam essas relíquias”, conta o locutor Claudemir Micoanski. A “vitrolinha”, como é chamada na rádio é, na verdade, um equipamento de alta tecnologia que foi trazido de Miami, EUA. Existem outros equipamentos semelhantes na região, mas quem possui não tem interesse de vender devido à raridade da máquina. O apresentador do programa de TV Garagem Rock, Serginho Ribeira foi um dos primeiros a participar do Clube do Vinil. Ele trouxe para tocar nada menos que Elvis Presley, The Beatles e Ramones, além da banda cascavelense Ecos da Tribo, que fez o maior sucesso há alguns anos. Ao som de Suspicious Minds

O apresentador Serginho (de vermelho) foi um dos primeiros a participar do clube. Foto: Max Odin

(1969), ele contava animado: “Elvis foi o primeiro disco e a primeira fita cassete que eu comprei, sou fã absoluto dele”. Ao contrário do que se possa imaginar, a qualidade sonora dos vinis supera, inclusive, a dos CDs e MP3. Dá para ouvir melhor os graves e agudos, o som é mais envolvente. O apresentador, que ouve rock desde a época da ditadura militar não esconde a satisfação. “A gente fica feliz de ouvir grandes músicas de grandes nomes e ainda com esse chiado característico do vinil, afinal tudo começou com os discos”. Quem quiser se inscrever pode mandar um e-mail para clubedovinil@catve.fm e participar do programa ao vivo, todo sábado, ao meio dia, na Catve FM 91.7!

O disco de vinil surgiu na década de 1940. A música é gravada no disco por meio de ranhuras feitas na superfície que fazem a agulha vibrar. Ela então produz sinal elétrico que é amplificado, tornando-se audível.

No Brasil, artistas gravaram em vinil até 1997. Especialistas ainda defendem a qualidade e fidelidade sonora superior dos vinis.

32 | Press Music

Press Music | 33


Conheça um pedaço da história cultural de um país onde a maioria dos cidadãos tem habilidade com instrumentos musicais Ivan Jorge A Alemanha sempre demonstrou grande vocação musical, sendo berço de compositores como Ludwig Van Beethoven e Sebastian Bach. A estudante Andressa Stella Kuhn, 19 anos, viveu no país durante um ano como intercambiária. Ela logo percebeu os aspectos culturais tangentes à música na região, como o fato de que a maioria das pessoas toca um ou mais instrumentos musicais. Isso faz com que o consumo de música clássica na Alemanha seja muito maior do que no Brasil. Andressa explica que lá existe o núcleo de jovens que ouve heavy metal de bandas internacionais famosas (norte americanas, principalmente) e heavy metal alemão, mas que no geral, todos ouvem as músicas famosas do país

dentro do pop e do rock. Também costumam ouvir músicas que são “febre” no momento em todo o mundo, inclusive os que ouvem heavy metal e musica clássica. “Por exemplo, agora eles devem estar ouvindo Adele, Michel Teló, as mesmas coisas internacionais que são moda no Brasil”, explica. Sobre as razões que levaram o povo alemão a se preocupar com a educação musical, Andressa diz que o primeiro ponto é a tradição familiar. “Todos os alemães que conheci, ou pelo menos a grande maioria tocava pelo menos um instrumento, como piano, flauta, violoncelo, violino, que são os mais comuns, mas também bateria, guitarra e baixo” relata Andressa, deixando claro que a influência da família é um fator definitivamente importante.

Isso faz com que uma sociedade crie regras e todos acabem tocando algum instrumento. A jovem afirma que os alemães aprendem música e gostam pelo fato da Alemanha ser a pátria de muitos compositores famosos, principalmente dentro da música clássica, enfatizando que os alemães tem muito orgulho desses compositores conterrâneos, assim como de tudo o que é de lá. Sobre seus artistas alemães preferidos, ela diz adorar Scorpions, além dos compositores clássicos, e que também se divertia ouvindo Peter Fox e Rammstein. Andressa afirma que as gerações mais antigas também são muito ligadas a música. “Os pais e até os avós freqüentam shows de bandas que gostam, orquestras e corais”, finaliza.

Andressa passou um ano na Alemanha fazendo intercâmbio. Foto: Andressa Kuhn

Press Music | 35

CORRESPONDENTE

Onde todos sabem tocar


Revista Press Music  

A revista Press Music, surgiu a partir do interesse de relacionar a música com o fazer jornalístico de cinco acadêmicos do 4° ano de jornali...

Advertisement
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you