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A UFSC NO CONTEXTO DA MOBILIDADE EM FLORIANÓPOLIS

A. Debatin Neto, F. F. De Miranda e R. F. Giaretta

RESUMO Um dos maiores problemas da atualidade na organização das cidades diz respeito à mobilidade urbana. A Universidade Federal de Santa Catarina participa ativamente na atual conjuntura econômica e social da cidade de Florianópolis. Para tratar deste tema, foram levantados conceitos e processos históricos de urbanização e características físicas da cidade, com foco na área da universidade. A partir disso, executaram-se observações a locais previamente estabelecidos, a fim de mapear a rotina em um dia de expediente normal. Ao considerar alguns pontos onde ocorrem conflitos de mobilidade, procurou-se criar propostas através do planejamento urbano seguidos pela ótica da reabilitação dos espaços existentes e dos limites da Universidade com o entorno. Considerou-se a política de mobilidade urbana e priorizou-se projetos de transporte estruturadores do território e indutores do desenvolvimento urbano integrado. 1 INTRODUÇÃO 1.1 Relevância A organização das cidades, no que diz respeito à Mobilidade Urbana, mostra ser um dos maiores problemas às atuais estruturas físicas das cidades. As administrações públicas procuram estabelecer melhorias no sistema de transporte público, no entanto, um grande número de usuários passa a utilizar o transporte individual (automóvel) a fim de resolver seus problemas de deslocamento. Assim, inicia-se um ciclo vicioso de degeneração da qualidade do transporte público em função do individual e vice-versa. ANTP1 (1997). A Universidade Federal de Santa Catarina, neste contexto, participa cumprindo um dos papéis mais estratégicos na atual conjuntura econômica: a formação de recursos humanos, a produção e desenvolvimento de conhecimento e tecnologia e a disseminação destes na sociedade. Cabe também salientar o aumento do número de vagas disponibilizadas para o ingresso nos cursos de graduação da UFSC, os quais tendem a demandar mais deslocamentos dentro da cidade. Importa destacar que ao longo de seus cinquenta anos de existência, a UFSC assistiu e participou do desenvolvimento/crescimento da cidade e hoje possui instituições comerciais, residenciais e mistas localizadas em seu entorno imediato. Portanto, esta 1

Associação Nacional de Transportes Públicos.


pesquisa buscou demonstrar que a UFSC tem sofrido com a consolidação de um modelo de gestão e planejamento urbanos o qual aumentou significativamente as necessidades de deslocamento em detrimento do igual incremento na capacidade do mesmo. 1.2 Justificativa O presente estudo pretendeu, a partir de uma revisão bibliográfica, determinar as principais contribuições da comunidade acadêmica aos temas relacionados ao deslocamento no espaço urbano. Os dados gerados a partir dessas observações foram confrontados com a bibliografia consultada para serem corroborados ou refutados, de modo a buscar responder algumas questões. O modelo de ocupação urbana em Florianópolis, sobretudo na parte insular, irá contribuir para um cenário futuro melhor resolvido em termos de mobilidade urbana? Será possível propor, ainda que a partir de uma análise mais restrita do espaço, algumas ações a serem empregadas no nível da cidade de Florianópolis? Considerando não ser possível alterar o cenário atual em diversos contextos, quais respostas o desenho urbano pode fornecer para melhorar a mobilidade? 1.3 Objetivos Geral e Específicos O objetivo geral da pesquisa foi propor ações de baixo impacto nos acessos à UFSC. A partir de uma análise geral, os objetivos específicos foram estudar os conceitos de mobilidade urbana; observar, no entorno imediato do Campus Trindade exemplos de conflitos ou apoio à mobilidade urbana; compreender, de maneira mais integrada, a posição da UFSC dentro do contexto da mobilidade. 2. ÀREAS E CRITÉRIOS ESCOLHIDOS A ANTP (op. cit.) sugere: “melhorar os parâmetros qualitativos do transporte urbano através de uma maior cobertura espacial, diminuindo os tempos de caminhada até os pontos de embarque/desembarque. Buscar o equilíbrio entre demanda e oferta, minimizando os tempos de espera e aumentar o conforto dos veículos e o nível de informação, que deve ser suficiente e de qualidade”. A partir desta observação, os critérios escolhidos para as intervenções das áreas estudadas foram decididos de acordo com as análises e problemas diagnosticados nos locais. Dos pontos de acesso à Universidade Federal de Santa Catarina, foram escolhidos aqueles que mostraram ser os mais congestionados. Além disso, esses pontos são os mais utilizados como trajeto em viagens origem x destino (BEPLER et al, 2010). Nesses pontos foram avaliados os critérios referentes preferencialmente aos meios não motorizados, sobretudo a caminhada. Foi levado em consideração a priorização do modal mais eficiente para o deslocamento, em função do tempo e das características físicas de cada área. Com um raio de influência de 500 metros, também foram analisados os problemas de estrutura e manutenção das vias, além do conforto daqueles que as utilizam.


2.1 Acesso Córrego Grande Dentre a avaliação dos modais não motorizados, prioritariamente a caminhada, no local da figura 1, foi observada a existência de calçadas deterioradas, além de muitas saídas de estacionamentos em pequenos comércios conflitando com o passeio público, a falta de prioridade de fluxo ao atravessar a via em relação aos modais, edifícios sem recuo adequado conforme a classificação da via de acesso, além da inexistência de ciclovia. Para os veículos motorizados foi analisado uma falta de continuidade de fluxo, o estreitamento de vias, a confluência de vias muito movimentadas, a falta de espaço para manobras de veículos grandes e semáforos com sistema de temporizador descompassado.

Fig. 1 Entrada do Bairro Córrego Grande. Fonte: Google Earth. Como pólos geradores de tráfego, a UFSC e os pequenos comércios do entorno. 2.2 Acesso Trindade Dentre os modais não motorizados, sobretudo a caminhada, foi possível identificar, no local da figura 2, as faixas de pedestres mal localizadas, os pontos de ônibus em conflito com o fluxo de pessoas e a falta de ciclovias. Para os veículos motorizados, notou-se que os pontos de ônibus não têm recuo e há a formação de filas nas vias que confluem para a rótula devido a quantidade de tráfego. Além disso, o conflito entre pedestres e veículos aumenta o risco de acidentes.


Fig. 2. Rotatória da Entrada Principal da UFSC – Rua Lauro Linhares. Fonte: Google Earth. Como pólos geradores de tráfego, o Hospital Universitário, três instituições financeiras e o acesso principal à UFSC. 2.3 Acesso Pantanal Este acesso, representado na figura 3, desempenha grande importância em ligações da Universidade ao centro e sul da Ilha de Florianópolis. Os passeios estão em péssimo estado, além de haver um grande conflito entre o fluxo de pedestres e veículos motorizados. Ainda há o conflito com o acesso a uma empresa da área de energia do sistema Eletrobrás e no lado aposto há uma via confluente à rótula. Esses acessos prejudicam muito a organização dos deslocamentos deste ponto, uma vez que também não possuem sinalização e estrutura adequada para comportar o volume de tráfego existente..

Fig. 3 Acesso Bairro Pantanal. Fonte: Google Earth. Como pólos geradores de tráfego, a empresa de energia, a Universidade e os comércios vizinhos.


3. METODOLOGIA E ESTRATÉGIA DE AÇÃO Foram executadas observações a locais previamente estabelecidos, a fim de mapear a rotina em um dia de expediente comercial normal, considerando pontos onde ocorrem conflitos na circulação, buscando identificar as suas relações causa/efeito, considerando como área de estudo o Campus Universitário da UFSC na Trindade (Florianópolis - SC) e suas relações com o entorno próximo. Na sequência do experimento, foram elaborados modelos gráficos utilizando como ferramenta gráfica o software Google SketchUp. Com as ferramentas utilizadas, propõem-se intervenções através de conceitos de desenho urbano em pontos considerados mais críticos e onde seja possível este tipo de abordagem. Assim, além de representações gráficas, também foi elaborada uma descrição onde considerou-se necessário algumas alterações. 4. MÉTODOS E TÉCNICAS 4.1. A cidade de Florianópolis A cidade de Florianópolis está situada numa ilha e seu relevo é bastante acidentado (figura 4) de modo que seu espaço físico e outras condicionantes territoriais são mais propícias a um crescimento linear.

Fig. 4 Mapa Hipsométrico de Florianópolis. Fonte: Geoprocessamento Coorporativo da Prefeitura Municipal de Florianópolis O mapa hipsométrico de Florianópolis (figura 4) permite visualizar o relevo acidentado que a cidade possui, o que exige um maior cuidado na abertura de vias e na implementação de novos modais na cidade, uma vez que alguns meios de transporte não se adaptam a esse tipo de relevo.


Os dados do Censo 2010 divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que Florianópolis possui uma população de 421.240 habitantes e 825.262 habitantes na região metropolitana formada por 16 municípios. A região metropolitana possui uma média de 1 carro para cada 2,32 habitantes (Denatran/IBGE, 2010), sendo este o principal meio de transporte da cidade. O sistema de transporte público opera com ônibus. As despesas com transporte, em Florianópolis, alcançam, em média, ¼ do salário mínimo, conforme tabela 1. Tabela 1 Relação tarifa do transporte público com o salário mínimo em 2011 (Fonte: LEI 12.382, de 25.02.2011. Publicado no DOU em 28.02.2011) Tipo do Pagamento

Tarifa

Total Mensal (ida e volta)

Porcentagem do Salário Mínimo (R$ 545,00 reais)

Dinheiro

R$ 2,90

R$ 116,00

21,28%

Cartão

R$ 2,60

R$ 104,00

19,08%

É importante salientar que a cidade foi colonizada a partir de vilas de pescadores, gerando subnúcleos ligados por vias sem uma malha urbana pré-definida, ou seja, a conexão ocorria a partir das vilas e não das vias. Há, ainda, o relevo, que na maioria das vezes permite apenas um caminho entre dois subnúcleos. Outro fato relevante é o número de habitantes da cidade que aumentou cerca de 23,4% entre 2000 e 2010, segundo o IBGE. A causa de um aumento tão significativo foram o baixo índice de criminalidade e a qualidade de vida da capital catarinense (pelo menos naquela década). 4.2 O campus da UFSC A Universidade Federal de Santa Catarina está localizada na ilha de Florianópolis e exerce papel fundamental na formação de 34.280 alunos, correspondendo a 38.219 deslocamentos diários de origem/destino (BEPLER et al, 2010). A demanda de deslocamento dessas pessoas até a Universidade tem contribuído para o estrangulamento das vias de acesso nos horários de pico. Através de visitas de campo, foram identificados alguns pontos e a dificuldade de escoamento de tráfego nos arredores da UFSC. A baixa atratividade e o alto custo do transporte público podem contribuir para o uso extensivo do transporte individual. As vias com baixa interconectividade e insuficientes, além de um relevo acidentado dificultam a criação de acessos alternativos. 4.3. Análise da área da UFSC Na figura 5, são mostrados os cinco pontos de acesso à Universidade Federal de Santa Catarina e o relevo do local. Percebe-se que o entorno é acidentado, dificultando o acesso à UFSC. Através da análise do entorno da Universidade, é possível verificar uma baixa conectividade das vias, as quais caracterizam-se pelo modelo “espinha de peixe”, refletindo na dificuldade de criação de rotas alternativas.


Fig. 5 Mapa hipsométrico dos arredores da UFSC e suas vias. Fonte: Geoprocessamento Coorporativo da Prefeitura Municipal de Florianópolis Na tabela 2 é possível visualizar que a maioria dos acessos ao campus da UFSC ocorre pela Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos (Beira-Mar Norte), visto que esta é uma importante conexão entre os bairros e o centro, norte da ilha e toda a região do continente. Outra importante via de ligação mostra ser a Rua Deputado Antônio Edu Vieira, localizada no bairro Pantanal. Esta via se conecta à Avenida Beira-Mar Norte na rótula do Córrego Grande e liga a Universidade ao sul da ilha. Tabela 2 Percentagem da Quantidade de pessoas por acessos da UFSC. (BEPLER, F. R; PRIM, D. S., 2010) Via de Acesso à UFSC Beira-Mar Norte Pantanal Carvoeira Córrego Grande Lauro Linhares

Total (%) 31,83 22,43 19,48 13,57 12,70

Visualizando-se a população de cada bairro (tabela 3), é possível verificar que a UFSC exerce um forte papel organizador dos fluxos dessas pessoas. Porém, a falta de alternativas de deslocamento e a baixa conectividade das vias existentes, compromete a qualidade na mobilidade da região. Tabela 3 População de cada bairro no entorno da UFSC. (BEPLER, F. R; PRIM, D. S., 2010) Bairro Córrego grande Santa Mônica Trindade Saco dos limões Pantanal Total

População 6089 6402 18939 1735 5925 39090


A tabela 4 permite observar que o principal meio de transporte utilizado pela comunidade é o carro (44,01%), o ônibus se corresponde a 37,7% dos deslocamentos e 12,21% das pessoas vêm caminhando para a Universidade. Tabela 4 Meios de transporte para chegar à UFSC em porcentagem. (BEPLER, F. R; PRIM, D. S., 2010) Meio de transporte Automóvel como motorista Automóvel como passageiro Ônibus Bicicleta Motocicleta A pé Taxi Outro

Comunidade acadêmica (%) 44,01 4,82 37,7 0,65 0,28 12,21 0 0,2

Verifica-se, na tabela 5, que há um grande percentual de viagens localizado na isócrina de 20 minutos (33,74%) e muito deste tempo gasto nos deslocamentos é devido a falta de variedade de modais, o que gera o congestionamento de veículos do mesmo modal. Tabela 5: Isócrinas de Viagens de Acesso ao Campus da UFSC. (BEPLER, F. R; PRIM, D. S., 2010) Isócrina 0-10 minutos 10-20 minutos 20-30 minutos Maior que 30 minutos

Total (%) 31,65 33,74 12,70 21,91

A UFSC, conforme observado, constitui-se em um importante estruturador das viagens de muitos florianopolitanos e sua articulação com outras regiões da Ilha afeta e é afetada por diversos condicionantes: a topografia da Ilha, a baixa conectividade das vias existentes, a prevalência do modal rodoviário e do transporte individual sobre o público além da dificuldade em ampliar as estruturas existentes. 5. RESULTADOS 5.1. Acesso Córrego Grande Como pode se perceber na figura 6, foi proposta uma continuidade de calçamentos e ciclovias ao longo de todos os acessos. Os pontos de ônibus foram adaptados garantindo acessibilidade para os usuários (ver N°1 na figura 7, página 10). Buscando maior conforto para a caminhada, foram retirados os estacionamentos dos estabelecimentos que circundam a UFSC com o intuito de qualificar as áreas para pedestres (N° 2 na figura 6, página 10). Um elevado foi proposto com a finalidade de evitar a intersecção do fluxo de veículos. Com esta intervenção os sistemas não motorizados passam a ter menos conflitos com os motorizados (N°3 na figura 6) A criação de direitas livres para os veículos favorece a fluidez do trânsito.


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Entrada Córrego Grande Fig. 6: Entrada do Córrego Grande: N°1 – Bolsão para ônibus com ponto de ônibus acessível e espaço para fluxo de pedestres; N°2 – Retirada dos estacionamentos das calçadas dos estabelecimentos e alargamento do passeio; N°3 – Viaduto para priorizar a organização do fluxo de veículos motorizados e a segurança para os usuários de veículos não motorizados na parte inferior; N°4 – Direita livre para motorizados.

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Córrego Grande Acesso à UFSC

Fig. 7: Córrego Grande. Acesso pela Avenida Deputado Antônio Edu Vieira. N°1: Proposta de ciclovia, alargamento de pavimento para o passeio e retirada do muro da Universidade garantindo mais permeabilidade ao pedestre; N°2: Implantação de faixa de pedestres; N°3: Faixa de aceleração e desaceleração.


5.2 Acesso Trindade Na área do acesso principal da Universidade foi proposto o afastamento do conflito dos modais não motorizados com os modais motorizados no intuito de qualificar e proporcionar segurança a esses tipos de deslocamentos (ver N°3 e N°4, figura 8). Nesse contexto foi projetada uma entrada principal à Universidade apenas para pedestres (N°5, figura 8). Além de bolsões para ônibus, também foi proposta a utilização dos edifícios vizinhos como forma de continuidade através da criação de passarelas, uma vez que a falta de espaço urbano impossibilita em muitos pontos a implementação desse tipo de equipamento (N°1 figura 8).

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Rotatória do Acesso Principal à UFSC

Fig. 8: Rotatória do Acesso Principal à UFSC: N°1 - Implantação de bolsões para ônibus e passarela de pedestres; N°2 - Deslocamento do passeio com a rótula; N°3 Deslocamento das faixas de pedestres para lugares mais livres de tráfego; N°4 Pedestre e ciclista mais perto da área verde e afastado do movimento da rótula; N°5 – Nova entrada de pedestres na UFSC. 5.3 Acesso Pantanal Um dos principais pólos geradores de tráfego do entorno da UFSC é a sede da Empresa do grupo Eletrobrás de Energia Elétrica. Desse modo, foi proposto o deslocamento do acesso principal dessa instituição para uma avenida de menor tráfego (Ver N°1, figura 9) diminuindo o fluxo de veículos da Av. Deputado Antônio Edu Vieira. Também foi proposto um túnel para acesso à UFSC e uma continuidade da ciclovia para dentro da Universidade, longe das vias de modais motorizados, garantindo maior qualidade para o deslocamento para esses meios (Ver figura 9, N°3 e N°2).


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Rotatória do Acesso à UFSC – Bairro Pantanal

Fig. 9: Rotatória do Pantanal: N°1 - Deslocamento do acesso principal da Eletrosul para a Avenida César Seara; N°2 - Passeio separado do fluxo de veículos motorizados; N°3 - Túnel para acesso à UFSC através de modais não motorizados. 7. Conclusão Ao abordar o problema da mobilidade urbana, percebeu-se a a importância da Universidade Federal de Santa Catarina dentro do tema e a possibilidade de ações para minimizar os efeitos de sua condição de pólo gerador de tráfego. A UFSC já possui uma posição consolidada como formadora de recursos humanos, como produtora e disseminadora de conhecimento e tecnologia. Foi a partir desta percepção que a pesquisa “A UFSC no Contexto da Mobilidade Urbana” propôs ações de intervenção no contexto da mobilidade, pensado a partir do Campus Trindade. As soluções para a crise de mobilidade urbana na capital passam por uma análise das relações entre o uso e a ocupação do solo, os sistemas de transporte e a infraestrutura viária e a interação entre fator humano, veículo, via pública e meio ambiente. Dentro desta perspectiva, pudemos concluir que o crescimento da cidade, sobretudo na parte insular, mostra-se precarizado em termos de qualidade e velocidade de deslocamento. Esta pesquisa procura alertar, também, que caso o crescimento da população da cidade, juntamente com a manutenção de uma estrutura de vias sem conectividade e a priorização de apenas um tipo de modal, o rodoviário, o planejamento de transportes urbanos de Florianópolis possivelmente não será capaz de suprir a futura demanda da cidade. A ocupação irregular do espaço urbano, a falta de alternativas modais de deslocamento, a infra-estrutura inadequada ou mesmo inexistente para meios não motorizados e a irregularidade da distribuição das funções cotidianas nos distritos também contribuem para o agravamento do problema. Visto que grande parte da cidade encontra-se em áreas onde não é possível propor grandes intervenções, devido a falta de espaço gerado a partir do processo histórico de urbanização


e das características ambientais e físicas da cidade, melhorias podem ser feitas através de pequenas ações dentro de conceitos que valorizem a qualidade da mobilidade urbana através do desenho urbano com ações de baixo impacto. Uma reavaliação e priorização dos espaços urbanos, poderão gerar ações de fomento para melhorar as condições de deslocamento. A partir destas ações, possivelmente haverá impactos no modo de agir das pessoas, na interação destas com seu espaço urbano e nas interconexões entre os lugares. 7. Referências Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP). (1990) Transporte humano: cidades com qualidade de vida. São Paulo: ANTP. Bepler, F. R; Prim, D. S. (2010) “Análise do Campus da Universidade Federal de Santa Catarina Como Um Pólo Gerador de Viagens.” Relatório de Pesquisa PET/ECV/UFSC. Debatin Neto, Arnoldo; Fialho, Francisco Antônio Pereira (1998). Política de planejamento de transportes e desenvolvimento urbano : considerações sobre a cidade de Florianopolis. 162f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico Debatin Neto, Arnoldo. (2004) Consideração do meio virtual como alternativa ao deslocamento urbano em Florianópolis : uma utilização de matrizes de dominância difusas. Florianópolis, SC. 199 f. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico. Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção. Denatran (2010) Anuário Estatístico do Departamento Nacional de Trânsito. (DENATRAN) - Brasil. Duarte, Fábio., Sánchez, Karina., Libardi, Rafaela. (2008) Introdução à mobilidade urbana. 1ª ed. Curitiba: Juruá. Prefeitura Municipal de Florianópolis (1996) Núcleo de Transportes. Análise urbana para implantação do sistema integrado de transporte público. Florianópolis: PMF.

ARTIGO PLURIS A UFSC no contexto da mobilidade em Florianópolis  

Artigo publicado no 5º Congresso Luso - Brasileiro para o Planejamento Urbano, Regional, Integrado e Sustentável que aconteceu em Brasília n...

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