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ficha técnica

Editor-in-chief & Director Criativo João Pedro Padinha

Director-adjunto Rui Salvador

Design Gráfico e Edição João Pedro Padinha

Editor de Música Rui Salvador

Editora de Cinema Catarina D’Oliveira

Editora de Moda Irina F. Chitas

Editor de Literatura Carolina Chagas

Editora de Teatro Catarina Severino

Colaboradores nesta edição Ana Isabel Gaspar, António Jorge, Gonçalo Moura, Inês Peixoto, João Fernandes Silva.

Fotografia Capa João Pedro Padinha Modelo Dário Paraíso

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editorial

Passaram seis meses desde a primeira edição da RevoltARTE. Passaram dois meses desde a última. Achámos ser altura de nos reinventármos, de acrescentar aquele je ne se quoi que faltava. Inspirados pelo verão mais disfuncional de que há memória, quisemos levar avante todo este ecletismo que se sentiu nos meses mais calorentos (uns dias mais, outros dias menos) e melhorar aquilo a que nos propusemos a escrever desde o início: CULTURA. Não é por acaso que MARIA DO CÉU GUERRA é a nossa entrevista deste mês. Fundadora e actual Directora d’A Barraca, uma das mais conhecidas companhias de teatro em Portugal, é mais que uma mulher de armas. É uma Mulher de Cultura. Outro movimento cultural que se alastra desde que o Homem descobriu o tecido, é a moda, e a RevoltARTE não quis ficar de fora daquela que é, talvez, a maior celebração mundial: a VOGUE’S FASHION NIGHT OUT. Num outro contexto encontrámos ainda tempo suficiente para aproveitármos todo o sol da melhor maneira. Road trip pelos festivais de verão, a começar no OPTIMUS ALIVE’11 e a acabar em RITEK PAREDES DE COURA’11. Por ser sempre tão épico, ao verão decidimos apelidar de época dourada. Ou não fosse ele toda a razão de ansiedade que sentimos o resto do ano.

João Padinha

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4. Editorial 6. Música Reviews 7. Música Estranhos (nos) Festivais de Verão 8. Música Rewind 8. Música Especial Festivais de Verão 12. OPTIMUS ALIVE! 2011

28. Cinema Reviews

16. SUPER BOCK SUPER ROCK 2011 20. SUDOESTE TMN 2011 23. RITEK PAREDES DE COURA 2011

30. Cinema Rewind 31. Cinema Colecção Outono/Inverno 2011 por Hollywood 36. Fotografia The Golden Era 44. Entrevista Maria do Céu Guerra 48. Moda Who run the world? GIRLS! 49. Moda Kiss Me!

54. Fotografia Blinded by Youth

50. Reportagem VOGUE’S FASHION NIGHT OUT 2011

60. Blogs 61. Actualidade Lisboa sobre duas Rodas! 62. Literatura Sugestões 63. Actualidade Desde que me lembro, o 11 de Setembro.

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_música

Kasabian

The drums portamento

In the grace of Your love

Velociraptor!

Interessante. Ao mesmo tempo que reacendem a inspiração que tinham obtido de grupos como os Happy Mondays (“Days Are Forgotten”), também mostram proeminentemente uma costela um bocadinho mais avant-garde. No geral, é um bom álbum, apesar de falhas como “Goodbye Kiss” (esquecível, como um outtake duma canção de Paul Weller) ou o tema-título (sobreproduzido). Em “Acid Turkish Bath (Shelter From The Storm”, temos uma mistura de cânticos “orientais” e ritmos Kraut, que soa no geral, bem, enquanto que “Man Of Simple Pleasure” podia dar umas lições aos irmãos Gallagher. Sim, há falhas, mas ter um álbum bom e, vá lá, quase experimental, em tempos de crise, re-revivalismos e parras musicais (para não utilizar um termo mais agressivo), vale por si só, num grupo que costuma trocar sempre, vá lá, um poucochinho as voltas aos críticos e aos fãs.

The rapture

Joy Division/The Smiths/ New Order. As influências mantêm-se, e não saem da cepa torta. Este álbum é, em última análise, um lixo. A música é dum grupo que, pura e simplesmente, não convence. “Money”, soa a um tema abandonado pelos Smiths, "If He Likes It Let Him Do It” é um bocejo. Parece que despejaram tudo o que tinham (quinquilharia). “Book of Revelation” não cumpre o que o título promete. Peço desculpa, mas estou farto de bandas indie a roubar bandas do Post-Punk (no português, “pós-punk”… chamemos as coisas pelo nome original, mas é), sem perceberem o quão inovadoras essas bandas foram (e, não, não é só Joy Division quando se fala de PostPunk.). As letras são demasiado juvenis, as linhas de baixo não são fortes, a batida parece sempre a mesma (há boa repetição, mas esta é MÁ repetição). Banal, sem chama. Lixo.

É o regresso do filho pródigo à casa (DFA). Mas esqueceram-se de algumas roupas. E porquê? Mais uma vez, é o defeito dos Rapture: numas músicas, tudo bate certo e soa bem, noutras não se vai a lado nenhum. Nunca tiveram um álbum totalmente consistente. E, enquanto que “Sail Away” e “Miss You” (que abrem o disco) soam conservadoras, temos alguns bons momentos. Alude-se ao filho pródigo, porque trazem muita inspiração do Gospel (sobretudo depois do suicídio da mãe do vocalista Luke Jenner). E as letras mostram simultaneamente elegias e optimismos. “How Deep Is Your Love?” é o ponto alto do disco, onde os “pianismos” da Chicago (no qual tem mão óbvia a produção deste álbum, a cargo de Philippe Zdar, dos Cassius). Portanto, vale pelas letras (mais maduras) e por um possível caminho que podem tomar (música House). Só isso, contudo.

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_música Os festivais de música são, cada vez menos, vistos como festivais de música. O Sudoeste é o expoente máximo desta situação, mas, como foi possível ver este ano, o Super Bock Super Rock, ou até mesmo o Alive, vão pelo mesmo caminho. Nem vale a pena referir a mega “feira popular” que é o Rock In Rio.

Fotografia Luís Martins

Embora se perceba que, para um jovem, estes locais sejam bastante tentadores, pois são semanas onde o convívio e os excessos não têm limite, torna-se muitas vezes estranho e cada vez mais assustador, cruzarmo-nos com quem vai para um festival de música, por tudo, menos pela música.

Festival de música. M-Ú-S-I-C-A. Ou seja, pessoas que pelo o seu mérito enquanto artistas, ou pelo menos assim devia ser, têm a oportunidade de partilhar com milhares de pessoas as suas criações, as suas histórias, a sua vida. Não estamos lá para assistir a concursos de popularidade. A verdade, é que as simples expressões “gostei” ou “não gostei”, foram trocadas pelo já referido, e completamente vazio, “não falaram muito com o público.” É assim que andam as concepções criticas de muitos dos frequentadores de festivais, nos tempos que correm.

Estranhos (nos) Festivais de verao Ninguém é obrigado a gostar de Kanye West, Arctic Monkeys ou Portishead, mas os argumentos utilizados para definir o motivo de não apreciação do concerto, são completamente obsoletos. Temos que tratar a arte como tal. Temos que ouvir a música e que gostar dela, ou Tudo isto resulta numa situação, para mim, não. Precisamos de pegar nisto e, transpondo simplesmente estapafúrdia, que é o aumento do esta atitude para a nossa vida, impedir que o número de vezes em que ouvimos a frase: “Não obsoleto e o vazio a ocupem. gostei deste concerto, porque eles não falaram muito com o público.” Não estou denegrir ou julgar indivíduos, porque cada um é livre de se expressar da maneira que mais lhe agrada. A situação é, inclusive, incrementada pelas acções promocionais dos próprios organizadores dos festivais.

E é neste assunto que quero focar a minha atenção.

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_música

REWIND

Parte I

Chega dos anos 60: 1976-1984: a verdadeira idade de ouro?

Todos os anos, dizem: “ah, os anos 60 é que foram bons. Jimi Hendrix, Beatles, Pink Floyd…”. 76 – A Queda Iminente Sim, foi uma grande década, mas talvez não seja o pináculo da música popular como muitos No Reino Unido, o Prog-rock era pomposo. Os tentam fazer crer. sinais da decadência eram muitos. Virtuosismo sem destino e concertos com solos de mais de 7 Considerando que muita da música desse minutos (flauta incluída). Na América, os hippies período está mais que estabelecida (e alguma do folk-rock foram para as tocas: não se podia dela datada, como os Jefferson Airplane), está na mudar o mundo e a inocência morria de vez. O hora de apresentar o 1º concorrente: mais country-rock dos Fleetwood Mac ou dos Eagles concretamente o período entre 1976 e 1984. Irei, era uma fonte de drogas, dinheiro e quartos de num estilo muito livre, referenciar os artistas/ hotel destruídos. grupos inovadores deste período (e acreditem, são muitos mais e de igual valor que os dos anos O Disco começava a mostrar forças para 60). Esta primeira parte aborda os anos de 76/77 competir com o Rock e a roubar-lhe (e, em (não iremos falar da maioria do Punk porque já retrospectiva, justamente) espaço e airplay. Um foi muito debatido), a seguir, será 78/79, e assim ano antes, apesar da experiência Milgram, que sucessivamente. demonstrava que obedecer a uma autoridade é um dos instintos mais enraizados no ser humano, havia ecos de excepções: Patti Smith em Nova York, Tom Waits em LA ou Tom Zé em São Paulo. O ano de 76 foi estranho (ou seja, óptimo). David Bowie assumia-se como o Thin White Duke em Station To Station, os ABBA pediam apostas, e enquanto Boston e Kiss tornavam o Rock de estádio num show-business e num conjunto de anthems, os Modern Lovers de Jonathan Richman regressavam aos Velvet Underground e aos anos 50 para mostrar acordes com uma energia diferente, os Ramones traziam excitação com três acordes e veia Pop e os Residents tornavam-se, a pouco e pouco, a banda anónima mais famosa de sempre em parte à custa da apropriação (e consequente sátira) da música Pop duma maneira rasteira. O Punk estava à esquina.

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REWIND

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77 – Admirável Mundo Novo Não foi uma explosão ou uma revolução. Em retrospectiva, a maioria era má regurgitação do Rock’n’roll dos anos 50 e 60. Era o Punk. Mas minou uma boa parte das credenciais do passado (virtuosismo, conceptualismos aborrecidos, starsystem inócuo, etc.). Mas, apesar de álbuns de Sex Pistols (o único bom embuste da música popular), The Clash, The Damned ou Richard Hell And The Voivoids, já havia outros futuros.

O que não significa que a guitarra estivesse morta. Apenas precisava de se libertar do famigerado espectro dos Blues e das progressões de acordes e dos solos “machos” e tediosos (bem como de muitos dos seus cantores, com a mania de estrelas rock, arrogantes e com “coca” no nariz). Television, Talking Heads ou Blondie começavam as suas construções e adopções e tornavam-se sinónimos da New York coolness, enquanto que no Reino Unido os Wire e, mais tarde, os Buzzcocks reformulavam a canção Pop. Os Bee Gees celebravam a Saturday Night Fever (ou a banda sonora como fenómeno cultural) e Elvis morria, enquanto o serial-killer Son of Sam era detido. Do circuito do Pub-rock, surgiam novos ícones, sobretudo o outro Elvis (Costello), o icónico Ian Dury ou o “Jesus of Cool” a.k.a. Nick Lowe.

Foi o ano da música electrónica per excellence. O Futuro estava aí. A modernidade europeia foi restaurada pelos Kraftwerk (Trans-Europe Express, Foram anos intensos, demasiado intensos. Os um dos melhores álbuns de todo o sempre), David anos seguintes, no entanto, não iam abrandar. 78 Bowie (Low e “Heroes”, parte da trilogia de Berlim e 79 reservavam muitas surpresas. do próprio Bowie), Jean-Michel Jarre (Oxygene, o primeiro álbum de música electrónica com grande sucesso mainstream), Giorgio Moroder (produtor de “I Feel Love”, de Donna Summer, e pioneiro da cultura DJ com From Here To Eternity, anunciando o “som do futuro”), Brian Eno (contribuindo para os dois álbuns de Bowie já referidos e não só, como podem comprovar os Cluster), os americanos Iggy Pop (“The Idiot”, produzido e escrito por Bowie na maioria) e Suicide estavam atentos e mostraram outras visões (no caso dos Suicide, tanto cartoonescas como perturbadoras). Mas, sobretudo, respirava-se libertação, fazia-se inovação.

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Emba la renta do pelo s b u cinco ilidade e a cesso de todas fluên anos cia de entre a passe existência , desta ve s edições s diár z não anter . Mal io ior co o s e pu Não seria lseira s nomes f m três, m es, o Opti ortes para s que as sim festiv mus meno d ais fa A voara s: m, fe o cartaz c quatro dia live! 2011 vo viajar omeç z esq am d ritos dos o Optimu s de prom u a fe e e pro ra sonan s Aliv cer a e portu pó crise m a sair, stival, em tia igual e g t econó a cor honra abert es e quer sito até L ueses (e ! confirm r o id n idos m ura. is u d a a b ica e o s oa no pelo a que aos bilhe os públi para assis ó, que m vamente t d e a s, co. O u d o ti e Gov s Cold r aos co itos foram seu esta erno. ncert t play u o t o s os in c fizera m as ) com um gleses e omo um do es honra c s e e artaz reple panhóis q s ncher u t o d e nom e am a c e a s s a, log dia 6 de Julho o na pelo recinto no e ss ea ss pa as Quem ltavam e as fil chapéus não fa notava que os iadas, quer em já eram demas s de in br os os para entanto, sabem em número. No er qu o ho iss an r m ta Mas os se música e po nhores d ! quer é dar-nos m a noite e nu l bem que o Alive va sti n fe em mesm o am ram os C rir ab s ou m o a passa Fa d oldplay e an a eti gem de u om os The Naked pr e co qu m as m o r, ma band B po m lo co n r d po ie ck a mítica Bo (c om uma palco Super apesar d a presença Debbie H o mérito o do dia, com ng lo ao a s, rr to y que, er de estar bons conc bastante no alto d ainda pa os seus 6 Patrick Wolf, ra ou a lvi s Ca cu 6 rvas e anos, já te de Anna a ajuda e conheciam m de con do público r aqueles qu tar com . er p a ec ra nh aclamados po m co se a a is lembrar aram conhecid das letra pelos que pass as) fez e s squecer posteriormente meia qu umas bandas alg as duas h , e es el le v m a co ra oras e m te en m à am ra ca lo Junt ar a ta m n , çã o ria : o Fú Chris M esgotada adas à Amor artin e deste três portuguesas, lig companh acompan pequeno dos ia fizera h ais a m r lco p pa e lo no s m-se ça se ico en bl u es pú s maiore pr um espe ), com um s êxitos ctáculo d timus Clubbing e e por ix co Sm r existentes (o Op fa de e de luz ltaram o a música no qual fogo-de-a agraciado com n ão rti tre en fí b ci que quis ser a, a o, os con lões gig Feromon fettis ou antes. Os Golpes ou a e A té m s ra a Smox Smux, lta co fa v ozes ele mpanhan Luta do Marti varam-se os Homens da , n sem corpos outros. Nem as do festival, di os hesitação s do sa to lt em a ra ça en m es e os pr m e de , to to marcara d cin a ca re n v ça lo am os a ram en cordes d da Luta ou pe quanto e “Viva recente no seu Coreto La Vida” “E v e ry . ão T m e ou a a na rd e on ro p is a W deixar fica megaf aterfall”, r mal a b sem a n d a um rasg . No fina o de eno l, mesmo rme sim se m protagon patia po istas, co r parte d m gran o s personali des dis zações, o cursos importan o u quer se g te foi a oste ou n música e ão, não p , foi um co o demos n m e ço em gra egar que especial nde.

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o foi pêra ir do recinto nã ite em que sa no a um mplicado), de co is e Depo er sair é sempr er qu a s oa ss dia em que as doce (50 mil pe ra um segundo pa vo no de ndas Algés encheu-se de tudo: as ba enores. Havia m am er am, o re nã nos Primal Sc expectativas ios ( os vetera ár nd cu se no s as lco as das band dos ditos pa rados que algum pe es e ais qu m as ou nd eram tão sucesso), as ba am tão ou mais er és fiz e ap nt us Po tim se palco Op sse dia de Xuto a família, não fo afastamento do is agradam a toda po de o esso de Zé Pedr gr re de to Zé Leonel, er a (o conc homenagem saúde e com de s abrir com vo oti ao m por este ano, tos e falecido Xu s do Iggy Pop or ou ad ce fund emical Roman Ch y M o m co concerto dos “Sémen”), bem com um senhor do an in lm cu My s, y Eat World e and the Stooge ericanos Jimm m -a rte no e qu Os s Foo Fighters. dando concerto ceram o palco, ue aq ce am an er m fiz o os Chemical Ro com certeza, nã fãs mas que, rana banda te ve da agradaram aos rio rá dores, ao cont ira m ad u que s vo no ganhar limitado, mostro mo com tempo es m Pop e, gy qu Ig a es Já portugu eia a mexer. r qualquer plat y, pô bo ue d eg ba ns co de ainda a sua fama e mostrar toda do de an u nt ixo ca , de nu o não outro de tronc o ra pa o Be lad “I Wanna correndo de um anto declarava garganta enqu a ou outro do an um nh ra a ar zendo frente fa o m es m ao público. Your Dog” ou ava nas descidas nh pa om ac o e segurança qu

Tudo isto para que depois en Fighters trassem e mome os Foo n ta neamente esquecid o. A prese tudo foss e nça de D de extrao ave Ghro rdinário, l é algo correndo outra do de uma p palco aco onta à mpanhad indo pert o da gu o da plate it arra, ia, gritan aquilo q do mais ue seria d o que aconselh médico e ado por fazendo u m d is cursos qu o rock e aclama n’ roll v a m co mo um instrume produto ntos e n ão comp de banda sã utadores, o podero e os da sí ss im Ghrol e os, a co meçar e seguindo m para a Taylor H bateria awkins e de um m fogo(! “Best of ). Se não You” na ouviram margem porque n sul do T ão estava ejo é m atentos, suficiente as vozes s para qu eram e conseg uissem.

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8 DE JULHO mais, ba com um gostinho por E se o segundo dia aca pela música, mas

, não o terceiro é protagonizado os das três primeiras cert pelas más notícias: os con o Optimus são cancelados bandas a actuar no palc (que, mais tarde, veio a devido a problemas técnicos na am de excesso de peso saber-se que não passav lua a já o blema resolvid estrutura do palco, pro a mudança de ambiente um o, ant ent brilhava). No es com as suas camisolas era notória, com adolescent cores fluorescentes e pretas, acessórios de amente de acordo com os maquilhagem cerrada, cert viram o seu concerto cabeças de cartaz que sos provocados pelo atra encurtado devido aos Mars eram o motivo to s ond problema – os 30 Sec de manhã e 50 minutos de pelo qual ali estavam des amente, aos fieis fãs de concerto não bastaram, cert A banda não se mostrou Jared Leto e companhia. po e entrou com o seu afectada pelo limite de tem ntivando um público que habitual espectáculo, ince m l. De “The Kill” e “Fro não os deixou ficar ma lico púb o s, nte rece mais Yesterday” aos sucessos itas declarações de amor mu as com rou deli e riu ade itantes. hab s feitas a Portugal e aos seu

No final, ficar am a ganhar os restantes Fleet Foxes e palcos: Grinderman brilharam no Super Bock palco e com cert eza conquist novos fãs qu aram e não se re signaram em parados à fren ficar te do palco pr incipal. Nada como uma verdad eira discotec livre, para o a ao ar encerramento do terceiro com os Chem dia, ical Brothers que, num m verdadeiram odo ente psicadél ico e a lembr rave norte-am ar uma ericana, man daram os úl cartuchos da timos noite para um público que tinha ido excl não usivamente pela banda de Leto. O Ja red Passeio M arítimo de transformou Al gé s -se num reci nto de danç música do du a co m a o britânico, e de Steve Digitalism, Aoki e nos outros palcos, tudo uníssono. em

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9 DE JULHO Dia final do Optimus Alive! 2011 e o destaque tem que ir para os veteranos Jane’s Addiction e para as performances na pequena tenda do Palco Super Bock. No palco principal o dia correu como esperado, os Lululemon iniciaram as hostes logo seguidos pelos Linda Ma rtini, Foa britânicos White Lies. De seguida entram em cena os ls e Tv O três band n The Ra a s que se dio foram Kaiser Chiefs de Ricky Wilson e os Paramore, da seguiram as as expect e todas su ativas: o bonita e carismática, Hayley Williams. Bandas muito peraram s portug com laiv u e se s têm o os noise diferentes, mas que, no final de contas, deram seu punk cada vez Rock do mais apu s Foals rado, o M concertos bastante semelhantes: provavelmente não p ô s ath to secundári da a te o a mex nda do ganharam muitos admiradores novos, mas os que já o er e foi p a lc o todo o fe um dos stival e o eram vibraram, saltaram e gritaram bastante. No melhores s experie d e não se ntes Tv O ntiram, palco Super Bock o dia começou com os brasileiros n The Ra musicalm dio, desapare ente fa cimento Stereopack, a que se seguiram quarenta minutos algo lando, de Gera o baixista, rd Smit e cumpri enigmáticos com os World Unite Lucifer Youth h, entã ram com o condição to da sua q Foundation, ou simplesmente, WU LYF. Directamente de headli ualidade ners do p a alco secu de Manchester, este quarteto com um vocalista Dave Na ndário. varro, P e praticamente imperceptível deu um surpreendente mem rry Farr ell e o bros dos s restan Jane’s A concerto, apresentando o que os próprios definem velh tes ddiction os são os mostrara trapos e m que como Heavy Pop. foram os canções reis da n foram to oite. As cadas de e, apesa forma irre r do set preensív cu rt o el , pois a não é o voz de F que era, arrell já o frontm teve o p a n d os califo úblico, q rnianos ue acab “Jane Sa ou a no ys”, a se ite a en u s pés. Be toar vinho, tr beu vinh ouxe um o, oferece show bu u dançarin rl esco que as pendu até inclu radas ao iu nas costa palco po s (sim, is r piercin so mesm gs mestre o que le de cerim ram) e fo ó n ias de io encerrou uma no com con ite que certos do Negra, B s Duck Sa oys Noize uce, Ore , entre o lha mais um utros, qu Alive!, q e encerra ue este ra m conceito ano apre diferente sentou u no palco m Super Bo principal ck de lux e um palc o. o

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Sobre o recinto, a situação do pó explica-se em poucas palavras. Há pó em todo o lado, vai para os olhos, para a cara, dificulta a respiração e suja as roupas de toda a gente. Capítulo do pó, encerrado. Mais ridículo e alarmante, era o espaço bastante estreito que consistia nas grades à frente do palco principal. Era mesmo assustadoramente pequeno, para um público que, embora fantástico em todos os concertos e muito participativo, continha alguns elementos com muito pouco, ou quase nenhum, bom senso, o que fez com que a vida mais perto do palco fosse bastante complicada, principalmente em Strokes e Arctic Monkeys.

Fotografia Luís Martins

Já muito se falou sobre as condições e sobre a organização do 17.º Super Bock Super Rock, pela segunda vez realizado no Meco. A conversa toma um tom mais grave, e sério, quando somos confrontados com as declarações de um dos principais responsáveis do festival, desvalorizando todas estas situações. Iremos gastar algumas linhas com este assunto, para depois passarmos ao essencial, os músicos e as músicas. Quem teve a “sorte” de chegar dias antes ao parque de campismo do SBSR, riu-se, mas sem achar piada nenhuma do espaço que estava destinado a todos os campistas. Espaço esse que, se não tivesse sido aumentado algumas vezes, e para sítios onde ninguém tinha luz, deveria chegar para albergar cerca de um terço das pessoas que acabariam, realmente, por acampar. Isto resultou, como já foi dito, em que muitas pessoas ficassem sem luz à noite e que, devido à falta de espaço as tendas ficassem demasiado próximas para poderem existir passagens.

Mas não se enganem, o ambiente no campismo era óptimo, com os já habituais (e muitas vezes irritantes) gritos da moda, que se espalham muito rápido. A recolha do lixo podia ter sido mais eficaz, enquanto que a falta de condições das casas de banho e as constantes filas para os chuveiros, são mais da responsabilidade dos campistas. De destacar, ironicamente, o espaço minúsculo para carregar os telemóveis, bem como o supermercado com preços “em conta”, como por exemplo, garrafões de água a 4 euros.

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Passando ao que interessa, no dia 14 de Julho subiam ao palco bandas como Arctic Monkeys, Beirut, The Kooks, Tame Impala, os portugueses Sean Riley and The Slowriders, entre outros. O dia no palco principal, começou com os portugueses supracitados, que, como sempre nos ofereceram, de forma simples e descontraída, a sua música apaixonante e muito bem construída. De seguida, os nova iorquinos The Walkmen, cujo último álbum se chama “Lisbon”, em homenagem à nossa bela cidade, deram um concerto bastante competente, enérgico e emotivo. Liderados pelo vocalista e letrista, Hamilton Leithauser, os Walkmen foram provavelmente a primeira surpresa do festival. Sobem então ao palco os The Kooks, para delírio da maioria dos presentes, que saltam e cantam cada palavra, extasiando a cada intervenção do vocalista. No entanto, a nós, não nos convencem, e apesar do espectáculo que claramente encheu as medidas de quem estava lá para os ver, as letras, as melodias juvenis e um vocalista demasiado preocupado em vestir-se à Jim Morrison, não nos agradaram particularmente. Num dia em que no palco secundário tocaram os Glockenwise, Tame Impala, El Guincho e Lykke Li, os Beirut, encabeçados por Zach Condon, trouxeram o seu Folk Balcânico/World Music ao recinto do SBSR e apresentaram-se de forma irrepreensível, notando-se , desde logo, uma cumplicidade entre a banda e o público, cujo epíteto foi o coro que acompanhou Condon, em “Nantes”. Um concerto para recordar.

Só faltavam os cabeças de cartaz, e mal os Arctic Monkeys entram em palco, percebemos como estão diferentes desde que lançaram o aclamado “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”, em 2006. Estão mais crescidos, mais sombrios, os jogos de luzem em palco realçam isso mesmo e Alex Turner já não é o adolescente que disparava piadas a toda a hora. Apesar de muita gente se ter esquecido, uma banda serve para tocar e foi isso que os Arctic Monkeys fizeram. Começando o concerto com “Library Pictures”, atirando-se de seguida a uma “Brianstorm”, “This House is a Circus” e “Still Take You Home”, os britânicos fizeram levantar muito pó, ainda mais que o habitual, e foram sólidos, apresentando uma setlist que percorreu todos os discos, com destaque para o último, “Suck it and See”, e cumpriram, com uma grande performance, a sua condição de headliners. O mentor dos já extintos LCD Soundsystem, James Murphy, encerrou o dia na pista de dança.

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15 DE JULHO No segundo dia, o regresso da praia, que é fantástica, esteve bastante caótico e só chegámos a tempo de espreitar os The Gift. No entanto, temos informações sólidas em como Noiserv e Rodrigo Leão, embora completamente fora dos seus habitats, entregaram dois concertos competentes e interessantes, como seria de esperar. Os The Gift não aqueceram o público enquanto os L.a., The Legenday Tigerman e B Fachada animavam o outro palco. Foi hora dos Portishead subirem ao palco e ver um concerto da banda de Bristol é como olhar para uma escultura ou quadro. É uma pura obra de arte, é para ser visto, aplaudido e recordado. A voz de Beth Gibbons é forte, e hipnotizante ao ponto de deixar o vasto público, pois este foi o dia com mais gente, em suspenso ante cada palavra e cada som criado por Geoff Barrow e a restante banda. “Um dos melhores concertos que já vi”, dizia alguém no público, e nós confirmamos.

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Num dia em que não havia nenhuma cimeira da NATO a incomodar, os canadianos Arcade Fire, puderam finalmente tocar em Portugal e, mesmo com alguns problemas de som, mostrarem porque são uma das bandas mais aclamadas dos últimos anos. A banda liderada por Win Butler é tão boa, ou melhor, do que tudo aquilo que dela se diz. Os sete, sim sete, membros da banda, percorrem o palco de uma ponta à outra e trocam de instrumentos com toda a facilidade do mundo. Apresentando muitos temas do seu último e multi-premiado disco, “The Suburbs”, as músicas dos Arcade Fire voaram pelo recinto do festival e “Wake Up”, “No Cars Go”, “Ready to Start” e “Crown of Love” foram alguns dos momentos altos de um espectáculo que não vai ser esquecido tão cedo pelos presentes que, segundo o próprio Butler, deviam “ensinar os outros países como ser um público tão bom”. Obrigado, Win.

Fotografia Luís Martins

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16 DE JULHO O último dia do Super Bock Super Rock, começou com os portugueses X-Wife, que já são habitués dos grandes festivais de verão. Subiu então ao palco Brandon Flowers, que além de fazer versões muito duvidosas, digamos assim, de músicas dos Killers, apresentou o álbum a solo, que soa mais uma vez a The Killers, mas sem o resto da banda. No entanto, a essa hora, o grande acontecimento, era o electrizante concerto dos PAUS, no palco secundário. Os PAUS são, sem dúvida, uma das mais excitantes bandas portuguesas dos últimos anos e demonstraram isso mesmo com um grande concerto, para uma plateia bastante bem composta e que teve direito a crowd surf por parte de alguns elementos da banda. Os britânicos Elbow, fariam muito sucesso na Aula Magna, ou alguma sala semelhante, é claramente esse o seu espaço, e não um largo festival como o SBSR. Contudo, a banda e o público ultrapassaram isso ajudando-se mutuamente, o que resultou num concerto bastante interessante e mesmo bonito, musicalmente falando, da banda que tem como vocalista o simpatiquíssimo Guy Garvey.

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Junip, Ian Brown e The Vaccines preencheram de forma competente o restante tempo do palco secundário, mas as atenções estavam viradas para Slash. O ex-Guns N’ Roses e Velvet Revolver, veio apresentar o seu último álbum a solo, o homónimo “Slash” e como já tem sido hábito trouxe Miles Kennedy (Alter Bridge) na voz. Apesar de curto, o guitarrista conseguiu combinar músicas históricas das suas antigas bandas, como “Sweet Child o’ Mine”, “Paradise City” ou “Slither”, com os temas tipicamente Hard Rock do seu mais recente disco. O resultado foi um concerto divertido, em que Slash mostrou todo o seu virtuosismo e emoção na guitarra, e no qual Miles Kennedy teve um papel importantíssimo, agarrando o público de início ao fim, como um frontman “à antiga”. Coube aos Strokes a honra de encerrar esta edição do festival e em menos de uma hora, a banda de Julian Casablancas conseguiu dar-se ao público de uma forma bastante intensa. Casablancas, que estava visivelmente “animado”, elogiou o público português, sobretudo as suas mulheres, e a beleza do país. Trazendo na bagagem o mais recente “Angles”, a banda de Nova Iorque não esqueceu temas como “Juicebox” ou “Take it or Leave it”, e de forma animada e intensa, correspondeu as expectativas dos presentes. Ricardo Villalobos, deu o toque final ao 17.º Super Bock Super Rock retirando as últimas energias dos festivaleiros com mais um set irrepreensível. Para o ano há mais “Meco, Sol e Rock n’ Roll” e quanto às condições, esperemos que melhorem, para bem de todos.

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Na escolha de um festival de verão existem, sempre, vários elementos a considerar. Uns são escolhidos por causa do género musical, outros pela variedade do cartaz ou até por questões mais práticas como o local onde se realizam, o preço e a qualidade das condições oferecidas. Mas o festival Sudoeste TMN é diferente, em quase tudo. Na partida para o SW, o factor decisivo é capaz de englobar todas as razões já descritas e mais alguma. Geralmente, as pessoas que vão para este festival não o fazem pelos artistas convidados, pelo preço ou pelas condições. Fazem-no por aquilo que este representa e tem afirmado ao longo de 14 edições, pelo espírito e ambiente únicos vividos não só entre campistas, como entre aqueles que estão só de passagem. O próprio lema do festival, “Vens Ver ou Vens Viver?”, é um desafio colocado aqueles que todos os anos visitam a Herdade da Casa Branca, na Zambujeira do Mar. O objectivo não é apenas o de ver os espectáculos, mas sim, como sugere o próprio slogan, viver o ambiente e fazer parte das várias experiências que decorrem no recinto ao longo dos cinco dias de festival. Para os campistas que utilizaram os transportes, este ano revelou-se um pouco atribulado, tanto nas chegadas como nas partidas. Os que foram mais cedo na tentativa de arranjar um lugar para as suas tendas tiveram dificuldades ao chegar à estação ferroviária da Funcheira, a que fica mais perto do recinto, visto que os autocarros e táxis que faziam a ligação entre a estação e o recinto eram muito poucos nestes primeiros dias e encheram depressa, o que fez com que várias pessoas ficassem “apeadas” à espera. Os mais corajosos (e, de resto, com bastante sorte) arriscaram erguer os polegares e alguns conseguiram mesmo chegar ao recinto, à boleia.

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FESTIVAIS DE VERÃO

Fotografia Luís Martins

Fotografia Luís Martins

Fotografia Luís Martins

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Fotografia Luís Martins

Fotografia Luís Martins

Fotografia Luís Martins

Uma vez chegados ao recinto, é tempo de levantar as pulseiras e seguir em direcção ao parque de campismo, em busca do melhor espacinho, para montar a tenda e a bagagem. Essa revelou-se uma tarefa mais difícil do que o esperado, isto porque apenas dois dias após a abertura do parque de campismo já estava tudo praticamente ocupado, sobrando apenas alguns espaços junto aos caminhos de acesso. A falta de espaço foi, precisamente, uma das principais queixas dos campistas, o que obrigou as tendas a estarem demasiado próximas umas das outras, dificultando a passagem. Em termos de condições, estas foram muito semelhantes às de anos anteriores, estando ao nível daquilo que se pode esperar do parque de campismo de um festival. Geralmente estas infraestruturas ficam em más condições mais pela falta de zelo dos que as utilizam, do que propriamente por descuido da organização. Escusado será dizer que durante os 5 dias de festival (ou mais, para quem acampou mais cedo) poucas foram as horas de sono. O grito “Ó ELSAAAA”, que se tornou célebre neste mesmo festival, caiu um pouco em desuso, mas nem por isso se perdeu o hábito de gritar algo para, em poucos segundos, todo o parque de campismo replicar. Este ano as principais tendências foram para “SAI DA FRENTE Ó GUEDES” ou “ “’Tás a dormir? Queres um Kompensan?” e outros que não podemos reproduzir por excesso de “massa” (TRINTA!).

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FESTIVAIS DE VERÃO

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Mas, no final de contas, trata-se de um festival de música, sendo impossível fazer uma apreciação sem falar dos artistas que levaram milhares de pessoas ao recinto, proporcionando animação non-stop todas as noites. Como seria de esperar, a música reggae do palco Good Vibes encheu o seu espaço de boa disposição. O palco TMN esteve cheio de surpresas, como Janelle Monáe e The Script, que conquistaram a plateia do Sudoeste. Os artistas mais esperados foram certamente Snoop Dogg, na sua estreia em Portugal, e Kanye West que foi, de longe, o que mais investiu em termos de espectáculo, tendo uma entrada numa torre gigante que se erguia no meio da multidão e seguindo depois para o palco, onde a pirotecnia esteve presente ao longo de todo o concerto. Patrice trouxe um bocadinho das tais good vibes ao palco principal, com a sua música inspirada no eterno rei do reggae, Bob Marley. Os animados Scissor Sisters estiveram em sintonia com o público, não parando nem por um instante de saltar e de cantar, o que já é uma marca do seu estilo e da sua performance. David Guetta, num género totalmente diferente, pôs toda a gente a mexer e acabou por prolongar o concerto, tocando um pouco mais que duas horas. Não se pode deixar de referir, também, os portugueses Deolinda, que conseguiram reunir muitas pessoas junto ao palco, dos mais jovens aos mais velhos, e encantaram todos, terminando numa pequena “provocação”, com a música “Que Parva Que Eu Sou”. O festival Sudoeste promove também várias acções ambientais no recinto, uma delas consistiu na troca de sacos cheios de copos e garrafas de plástico por EcoMoedas, que poderiam ser trocadas por vários brindes que fizeram as delícias dos campistas. Por toda a Zambujeira se viram colchões azuis em forma de “xanato”, raquetes de praia e outros tantos brindes. Apesar de também ter sido marcado por alguns momentos de instabilidade, na área do campismo, por assaltos, e de ter sido acusado por graves falhas de segurança, o festival Sudoeste TMN teve um balanço positivo, com milhares de pessoas que entre 3 e 7 de Agosto passaram pela Herdade da Casa Branca. Para o ano há mais SW… e iremos para viver! especial

FESTIVAIS DE VERÃO

Fotografia Luís Martins

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Fotografia Luís Martins

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Quem já esteve em Paredes de Coura, perceberá exactamente o que vai ser escrito nas próximas linhas. Quem nunca foi, vai ficar com uma ideia, mas só irá compreender efectivamente todo o ambiente que envolve aquele pequeno sítio, quando o sentir na pele. Quase na vizinha Espanha, Paredes de Coura é uma pacata, e bonita, localidade, situada no noroeste do nosso país. O ambiente é, tal como o festival em si, muito tranquilo e especial. Ao contrário de outros eventos, não é preciso ter-se excessivos cuidados com roubos, assaltos, ou violência. Aliás, é muito pouco provável que qualquer pessoa, que passe uma semana à beira duma praia fluvial (água fria, muito fria) a ouvir poesia e jazz, enquanto bebe umas cervejas ou conversa com os amigos, esteja disposta a praticar qualquer acto hostil. Para não fugir à regra, ao fim de uns dias, as casas de banho estão impróprias para consumo, mas tirando isso, as filas para os duches e para os lava loiças são completamente ordeiras e toleráveis. Intolerável esteve muitas vezes a temperatura, visto que durante praticamente toda a semana o calor foi imenso e o sol brilhou sempre sozinho no alto, obrigando os mais sensíveis a refugiarem-se nas sombras, enquanto liam um livro ou ganhavam coragem para ir dar um mergulho. Por falar em livros, o Festival Ritek Paredes de Coura (a empresa angolana foi a patrocinadora do festival pela primeira vez) é, muito certamente, o festival com maior número de livros e de leitores, o mesmo acontece para o número de guitarras acústicas. A noção de convívio e tranquilidade é levada ao extremo na semana que dura o festival.

Relativamente ao recinto, este não é muito grande mas é suficiente para a quantidade de pessoas que lá passam todos os dias. O Palco Ritek, por onde passam os principais artistas, fica no fundo de um anfiteatro natural, dando azo a que seja visível de qualquer ponto do espaço envolvente. A combinação palco, artista, público, natureza, resulta extremamente bem, como seria de esperar, e os músicos fizeram questão de referir a beleza do festival. O único senão foi mesmo a praga de vespas que se fez sentir e da qual resultaram algumas mazelas em festivaleiros mais azarados. No dia 16 de Agosto, começou o aquecimento para o festival, com um showcase da editora portuguesa Lovers & Lollypops, com as bandas Mr. Miagy, Black Bombaim e Larkin. A noite terminou com um DJ set do actor Nuno Lopes.

16 DE AGOSTO

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FESTIVAIS DE VERÃO

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17 DE AGOSTO

No dia seguinte já tínhamos nomes internacionais, apesar de a noite ter sido iniciada pelos Quarteto de Bolso, seguidos do extravagante Omar Souleyman, que divertiu, e de que maneira, quem se juntou aquela hora em frente ao Palco 2. Foi então que os britânicos Wild Beasts tomaram às rédeas da festa e deram um dos grandes concertos do festival. Se em álbum, pode muitas vezes parecer que falta alguma coisa ao som da banda, para ser verdadeiramente cativante, ao vivo os Wild Beasts são mais largos, são maiores, as texturas Dream Pop fluem até aos ouvidos do público com uma simplicidade e uma beleza difíceis de explicar. “Hooting and Howling”, foi um dos primeiros grandes momentos de PDC. Os Crystal Castles foram os senhores, neste caso senhor e senhora, que se seguiram, colocando toda a gente a dançar. O encerramento da noite, ficou a cargo de Vladimir Dynamo.

Fotografia Maria C. Louceiro

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FESTIVAIS DE VERÃO

Dia 18 era, supostamente, o “primeiro dia a sério de festival”, e começou, no Palco 2, com os portugueses Murdering Tripping Blues, que ofereceram o seu Blues/ Garage Rock aos que se dirigiram mais cedo para o recinto, protagonizando uma grande actuação, muito energética, crua e, sobretudo, com um travo bastante sexy a rock n’ roll. No Palco Ritek tocaram os Crystal Stilts, que pareceram muito mornos e não convenceram. Pelo contrário, Twin Shadow, nome artístico de George Lewis Jr, cumpriu todas as expectativas que tinham sido criadas pelo seu acalmado álbum de estreia, “Forget”. Emily Kokal, Theresa Wayman, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa, foram as senhoras que se seguiram e foram as rainhas da noite. As Warpaint, directamente de Los Angeles, deixaram o belíssimo anfiteatro de Paredes de Coura perplexo e completamente hipnotizado com o seu Dream Pop/Art Rock/Indie. O charme e a beleza dos elementos da banda, transparece para cada um dos seus temas, o que resultou num concerto calmo, mas intenso e bastante intimista. De seguida, subiram ao palco os, já veteranos, Blonde Redhead, que consistem nos irmãos Amadeo e Simone Pace, e na japonesa Kazu Makino. As sonoridades desta banda vão do Noise/Shoegaze ao Pop mais psicadélico. No entanto pareceu-nos que o primeiro género referido é o que assenta melhor na banda, sendo neste contexto que foram apresentadas as músicas mais interessantes e que agradaram ao público.

18 DE AGOSTO

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Por falar em veteranos, os Pulp eram os senhores que iam fechar o palco e desde cedo se percebeu que o mítico, e carismático, Jarvis Cocker, não vinha para brincadeiras. Antes sequer de entrar em palco, a banda conversou com o público, através duma tela projectada. Depois, entraram em palco e Jarvis dominou e divertiu o público durante todo o concerto, “Disco 200” foi o primeiro grande momento de loucura, mas seria, claro, em “Common People”, que todo o festival saltou e cantou de forma intensa. Os Pulp mostraram porque foram, e continuam a ser, grandes.

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FESTIVAIS DE VERÃO

O dia 19 de Agosto começou com Joy Formidable e Trail of Dead (vamos optar pela short version do nome), sendo que por essa hora já tocavam no Palco 2 os portugueses You Can’t Win Charlie Brown. Um pouco antes das nove da noite, os Battles entraram no Palco Ritek, para um dos concertos mais fascinantes e marcantes de todo o festival. Agora reduzidos a trio, a banda nova iorquina da Math Rock apresentou-se numa forma excepcional e quando, a dada altura, Dave Konopka perguntou : “Are you with us? Yeah, we are with you”, o público estava já rendido à actuação de Dave, Ian Williams e, sobretudo, do baterista, John Stainer, que terminou o concerto com a camisa extremamente suada e deixou o palco sob uma merecida ovação. “Atlas” foi, obviamente, o momento alto dos Battles. Tinha chegado então, a muita esperada actuação dos Deerhunter, que tiveram, em “Halcyon Digest”, um dos melhores discos de 2010. As expectativas eram altas e a banda de Bradford Cox não desiludiu, mas também não superou. A banda de Atlanta cumpriu, o som estava óptimo, o público a gostar, sendo que o ponto alto da actuação foi, provavelmente, a agradável e espacial “Desire Lines”. Os noruegueses Kings of Convenience ganham, sem dúvida, o prémio de banda mais simpática do festival, tendo, durante o dia, convivido com os campistas, enquanto passeavam de barco pelo rio Tabuão. O concerto agradou ao público e é basicamente isso que as músicas da dupla são, bastante agradáveis. A plateia esteve bastante atenta e a interacção da dupla com o público foi, sem dúvida, um dos pontos fortes do concerto. Contudo, parece-nos que a noite pedia outro cabeça de cartaz, uma banda que fosse, por assim dizer, mais forte e com um estilo de música que metesse as pessoas a mexer.

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19 DE AGOSTO

A noite no Palco Ritek terminou com Marina and the Diamonds, que foi o alien do cartaz, apresentando os seus temas Pop com grande convicção, mas era, claramente, um objecto estranho relativamente ao resto do cartaz. O After Hours esteve a cargo dos Metronomy, que deram um show bastante interessante, e dos Mixhell, que consistem em Igor Cavalera a tocar bateria e a sua esposa na mesa de mistura. O último dia festival prometia ser o mais interessante e intenso da semana, o que se viria a confirmar. O dia começou com os portugueses Linda Martini, que insiste em não dar um concerto mau, ou eventualmente, um menos bom. Mesmo sendo ainda o início do dia, o quarteto punk levou muita gente ao palco principal e mostrou que merece ser vista como uma banda de topo, e não como um conjunto português que serve para ocupar tempo. Os Linda Martini são bons, muito bons, e o final do concerto, com o público rendido a gritar “Foder é perto de te amar, se não ficar perto”, mostra que o público está cada vez mais apaixonado pela banda. Com o súbito cancelamento da tour dos Foster The People, coube à desconhecida Marta Makovski preencher esse espaço. O Noise Pop da cantora espanhola foi uma excelente banda sonora para o pôr-do-sol em Paredes de Coura. Os Two Door Cinema Club trouxeram o som mais directo que se ouviu durante o último dia do festival. A banda britânica cumpriu a sua função: pôr toda a gente a dançar e a saltar, durante uma hora. Depois da mega festa que os Two Door Cinema Club criaram no anfiteatro de PDC, entraram em palco os escoceses Mogwai

Fotografia Maria C. Louceiro

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FESTIVAIS DE VERÃO

Fotografia Maria C. Louceiro

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20 DE AGOSTO

O que se passou na hora e vinte que se seguiu é dificilmente explicado por palavras. Muito baseado no mais recente trabalho, “Hardcore Will Never Die But You Will”, o alinhamento dos Mogwai foi bastante dinâmico e o muro de som, que invadia os ouvidos dos presentes, era bastante nítido, o que só abrilhantou a prestação do quinteto britânico. Stuart Braithwaite foi, como sempre, o porta-voz da banda e dirigiu-se ao público uma mão cheia de vezes, apenas para agradecer e manifestar satisfação pelo apoio manifestado pelo público. Os Mogwai foram, sem dúvida, a banda mais intensa e mais barulhenta de todo o festival, entregando-se a cada música com a força sonora que os caracteriza. Ao contrário do dia anterior, a banda que fechou o Palco Ritek no último dia do festival é caracterizada pela agressividade, num sentido punk e positivo. Os canadianos Death From Above 1979, Jesse Keeler e Sebastien Grainger, que contam com um álbum e um EP no currículo, provocaram o maior número de moshpits e crowdsurfers em todo o festival.

O rescaldo da edição deste ano do festival de Paredes de Coura é muito, muito positivo. O ambiente, o rio, os concertos, a poesia, as árvores e as pessoas, fazem deste pequeno cantinho no norte português um sítio verdadeiramente extraordinário.

Fotografia Maria C. Louceiro

Fotografia Maria C. Louceiro

especial

O Os Orelha Negra iniciaram a recta final do festival, no palco After Hours, com um concerto fabuloso, sendo que a última performance do festival estiveram a cargo dos extravagantes Terry Hooligan e Ricco Tubbs.

Fotografia Maria C. Louceiro

FESTIVAIS DE VERÃO

Fotografia Maria C. Louceiro

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_cinema Continuando a rota europeia de Vicky Cristina Barcelona, Woody Allen encontra agora em Paris a sua grande musa. Reencontrando-se e redescobrindo-se, o realizador traz-nos a história mágica de um homem que um dia deixou de ter medo e decidiu seguir o seu sonho.

Midnight in paris

Gil sempre idolatrou os grandes escritores americanos. A vida levou-o a trabalhar como argumentista em Hollywood, o que se por um lado fez com que fosse muito bem remunerado, por outro lhe rendeu uma boa dose de frustração. Agora, está prestes a ir a Paris com a noiva, Inez, e com os pais dela, John e Helen. John irá à cidade para fechar um grande negócio e não esconde a sua desaprovação pelo futuro genro. Estar em Paris faz com que Gil se volte a questionar sobre os rumos da vida, desencadeando o velho sonho de se tornar um escritor reconhecido. “Midnight in Paris” abre, desenvolve e fecha como um belo postal da cidade das luzes. É importante conhecer os locais onde vamos filmar o nosso filme, e Woody Allen não só faz isso como também se apaixona repetidamente por estes locais, e como um jovem embriagado de paixão, filma-os. O que vemos é o resultado dessa relação quase amorosa entre o realizador e as cidades que filma, que sempre tiveram lugar de destaque no seu Cinema. O realizador e Darius Khondji (fotografia) deram ao filme um estilo visual vívido e único: seja, por exemplo, na montagem inicial em jeito de postal ou nas cenas dos anos 20, cheias de texturas ricas e fluídas. O elenco é fantástico; todos os actores parecem perfeitos para o seu papel, e acho que este é o melhor elogio que lhes posso fazer. E como ouvi por aí algures, Owen Wilson parece ser o avatar perfeito de Woody Allen. “Midnight in Paris” é encantador, inteligente e nuclearmente esperançoso. Obviamente não tenho espaço nem engenho para prezar este filme quanto baste, por isso toca a levantar os rabinhos e vão ver esta maravilhosa parada mágica por vocês mesmos.

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_cinema “Amigos Coloridos” é um filme de clichés desfeitos e modernizados. A típica história de amor hollywoodesca é transformada num amor do século XXI com fórmulas de comédia e amor bem alicerçadas pelos dois protagonistas do filme.

Friends with benefits

Meses passados depois da estreia de “Sexo sem Compromisso” é impossível não comparar um e outro. Algumas semelhanças, algumas diferenças. Ambas as protagonistas fizeram um dos filmes do ano e dos mais brilhantes de sempre - “Black Swan”. Kutcher e Timberlake não deixam de ser playboys de Hollywood a quem o papel de galã moderno e divertido só a eles poderia ser atribuído. “Amigos Coloridos” em si mesmo encerra uma quantidade de temas actuais e representa na perfeição a vida que qualquer homem ou mulher em plena sociedade moderna gostaria de ter. Quando dois amigos decidem pôr fim ao desejo sexual, começa a loucura que é não caírem de amores um pelo outro. Nem só o argumento do filme e a abordagem às relações amorosas do presente século e da presente sociedade são irreverentes. Atentem-se nos planos das cidades! Quem não gostaria de subir ao terraço de um prédio nova-iorquino e estar sem rede, prender o momento e guardá-lo para sempre? E mais, quem de nós não sonha sentar nas gigantescas letras “HOLLYWOOD”? Uma nova e diferente perspectiva das cidades de sonho norteamericanas que o realizador Will Gluck tentou (e conseguiu) aprofundar. As interpretações de Justin Timberlake e Mila Kunis estão geniais, não por serem actores de renome na área cinematográfica mas porque são perfeitos no papel do casal descontraído, bem-disposto, enérgico e almariado da sociedade nova-iorquina. Aconselha-se a todas as meninas românticas, a todos os amantes de Justin Timberlake e Mila Kunis, amantes de Nova-Iorque e Los Angeles e acima de tudo apreciadores de comédias, e nomeadamente romances.

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_cinema

A clockwork orange

REWIND

Stanley Kubrick foi um homem que fez filmes brilhantes, mas, acima de tudo, perigosos. Filmes que ousaram como outros não o fizeram, filmes que não se limitaram a tocar feridas abertas mas também a macerá-las com ferros ferventes. Mas filmes perigosos são por vezes geniais. Este certamente foi.

A violência e agressividade cruéis não são gratuitas, adornando um quadro completo e assustador com salpicos de medo e borrões de temor.

Malcom McDowell faz de Alex o personagem impossível. Ou será que vos parece coerente que possamos sequer pensar em simpatizar ou A pérola futurista adoptou o nome de “A compreender a algum nível um monstro como Clockwork Orange”, ou, para nós, “Laranja estes? A verdade é que, sabe-se lá como, criamos Mecânica”. Um nome que só de si diz muito de uma relação especial com ele. uma raça robótica, sem sentimentos e bizarra A música é uma presença notável (quase devia mas que no exterior aparenta a normalidade. ter ganho um Óscar para melhor interpretação Uma raça de uma realidade futura alternativa, secundária!) com a música clássica a cruzar-se num mundo dominado pela violência, revolta com o gótico e rock de uma forma política, álcool e sexo. completamente insana. Estamos em Inglaterra e acompanhamos “A Clockwork Orange” é uma poesia visual, dolorosamente um grupo de rapazes que, nas irónica, esquizofrénica e alucinante do princípio noites frias e nubladas, aterroriza gratuitamente ao fim, desafiando mesmo as mentes mais aqueles que se lhes atravessarem no caminho. invulgares. A náusea acompanha-nos e perdura, Espancando, violando e humilhando, o gang mas aquilo a que assistimos é muito mais dominado por Alex DeLarge só receia uma coisa: poderoso do que o nojo de uma realidade tão a polícia. Um dia, depois de uma discussão imunda. O mundo só se perderá pelas nossas dentro do grupo, durante mais um das suas mãos. E se continuamos caminhando para uma violentas aventuras, o grupo trai Alex e este existência que nem animal pode chamar-se… a acaba por ser preso. Corroído ainda mais pelo perdição será muito possivelmente o destino. ódio, Alex tenta encurtar a pena ao aceitar participar num procedimento novo que, Esta é uma das mais bizarras e desorientadoras supostamente, torna as pessoas boas. Será Alex experiências que o cinema me ofereceu. um homem renascido… ou não? Talvez o Mundo dos anos 70 não estivesse É desde o primeiro minuto que somos assaltados preparado para receber um filme como o génio pelas metáforas, pela violência gráfica e pelos de Stanley Kubrick ousou lançar. Pelo menos, eu paradoxos que dão cor e uma vida assustadora à sei que o mundo do séc. XXI não está. obra de Kubrick. Sendo passado num futuro hipotético, “A Clockwork Orange” é uma violenta crítica mascarada à sociedade britânica dos anos 50 e 60. Não é apenas o grupo de Alex que suja as ruas do mundo; o mundo em si já é um lugar nojento, uma sarjeta putrefacta sem esperança nem redenção.

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COLECCAO OUTONO/INVERNO 2011 POR HOLLYWOOD ‘

Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Seth Rogen, Anna Kendrick, Bryce Dallas Howard, Anjelica Huston. Realizado por: Jonathan Levine. Sinopse: A história centra-se em Adam, um jovem que tem uma grande vida à sua frente: tem um trabalho que adora, o seu melhor amigo é também seu colega, e ainda tem uma namorada bonita. Um dia, Adam vai ao médico e descobre que tem uma forma rara de cancro que lhe oferece apenas 50% de hipótese de sobrevivência. Esta é a luta de um homem que ajudado pelo melhor amigo, mãe e uma médica, vai descobrir o que a vida tem de mais importante. Porque não podemos perder: Quando foi diagnosticado cancro ao seu amigo Will Reiser, Seth Rogen começou a pensar em desenvolver uma comédia baseada na sua amizade durante o tratamento do amigo, e Rogen até conseguiu que o próprio Reiser participasse na escrita do argumento! Joseph Gordon-Levitt – um dos actores do momento – interpreta a versão cinematográfica de Reiser, enquanto Rogen (que também produz) faz uma versão de si mesmo. Os actores defendem que o filme faz o equilíbrio entre momentos leves e a dura realidade da doença com demonstrações de quimioterapia, perda de cabelo e diminuição da libido. Quem já viu não tem dúvidas: é um dos filmes do ano!

Elenco: Rooney Mara, Daniel Craig, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Robin Wright. Realizado por: David Fincher. Sinopse: O Jornalista Mikael Blomkvist e a hacker Lisbeth Salander descobrem que mesmo as famílias mais ricas e tradicionais tem esqueletos no armário. Juntos, trabalham para solucionar o misterioso desaparecimento de Harriet Vanger, herdeira do clã Vanguer, e as suspeitas apontam para um membro da própria família. Porque não podemos perder: A adaptação de David Fincher do bestseller sueco promete ser violenta, assustadora e escrutinada pelos fãs apaixonados. O argumentista e produtor executivo Steven Zaillian argumenta que “algumas pessoas vão ter uma noção pré-feita do que o filme é. No final de contas, o filme é e não é todas essas coisas. A forma como o David Fincher o realizou, como os actores interpretaram os seus papéis e como eu escrevi o argumento… é uma coisa própria”. E isto é bom! Compreendo o pé atrás dos fãs mais hardcore, mas se tivéssemos uma versão igual à sueca… bom, nem valia a pena estar nesta lista.

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The Girl with the Dragon Tattoo

50/50

E porque Setembro não trás apenas o final do Verão mas também o final do reinado dos blockbusters (pelo menos para já), isso só significa uma coisa: os filmes a sério, a artilharia pesada está a chegar. Desta forma, a RevoltARTE resolveu trazer-vos um pequeno guia sobre os onze filmes a manter debaixo de olho nos próximos meses e que estarão certamente na linha da frente do louvor da crítica e das entregas de prémios internacionais.


_cinema The descendants

a dangerous method

Elenco: George Clooney, Judy Greer, Matthew Lillard, Shailene Woodley. Realizado por: Alexander Payne.

Elenco: Viggo Mortensen, Michael Fassbender, Keira Knightley e Vincent Cassel. Realizado por: David Cronenberg

Elenco: Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti. Realizado por: George Clooney.

Sinopse: “The Descendants” conta-nos a história de Matt King, um pai de família indiferente que precisa de tratar das duas filhas adolescentes, depois da esposa sofrer um acidente de barco no Havaí. O sucedido permite a King tentar uma reaproximação às filhas ao mesmo tempo que tenta decidir se venderá as suas terras no Havai ou não.

Sinopse: O filme conta a história real do rompimento das relações entre Sigmund Freud e Carl Jung, os dois maiores nomes da psicanálise clássica. Seduzido pelo desafio de um caso impossível, o determinado Dr. Jung decide tratar da perturbada, porém bela, Sabina Spielrein. Usando o método do seu mestre, o renomado Sigmund Freud, Jung acaba por se envolver com Sabina, e quando Freud também cai nos encantos de Sabina, a relação dos dois pode sofrer um abalo definitivo.

Sinopse: Um funcionário idealista de um candidato à presidência sofre grande impacto ao descobrir toda a corrupção que existe em Washington.

Porque não podemos perder: George Clooney já correu várias profissões no cinema, mas a mais importante ficou de lado. “The Descendants” vem colmatar essa falha e o eterno galã surge-nos finalmente… como pai. Será uma experiência diferente e decerto muito interessante de observar. Por outro lado, temos o regresso ansiado de Alexander Payne depois de um hiato cinematográfico de sete anos. “The Descendants” tentará o mesmo equilíbrio entre o drama e a comédia que os filmes anteriores de Payne (“About Schdmit” e “Sideways”), e promete interpretações e uma história a cheirar a indie de luxo.

Porque não podemos perder: Se o elenco ou o facto de este ser um filme realizado por David Cronenberg (o mestre da magia negra cinematográfica) não vos deixar curiosos, tratem de ver o fabuloso e intenso trailer. Com argumento de Christopher Hampton (Dangerous Liaisons, Atonement), este parece ser um olhar obscuro sobre a psicologia moderna com uma realização e interpretações de qualidade a condizer.

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Porque não podemos perder: Com costelas de thriller e de história moral, “The Ides of March” oferece uma visão pouco simpática da maquinaria de uma campanha presidencial, explorando até onde as pessoas estão dispostas a ir para obter poder. George Clooney afirma que não o considera um filme sobre política, mas antes uma história sobre um homem capaz de tudo para ganhar alguma coisa, e que esse é um tema universal que poderia ser adaptado a qualquer género. Com elenco de peso, realização sólida assegurada e argumento escrito por mãos de qualidade, The Ides of March promete ser um dos grandes concorrentes da temporada e uma valente dor de cabeça para os políticos de todo o mundo.

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_cinema The iron lady

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Elenco: Meryl Streep, Jim Broadbent, Richard E. Grant e Harry Lloyd. Realizado por: Phyllida Lloyd.

Elenco: Brad Pitt, Jonah Hill, Robin Wright, e Philip Seymour Hoffman . Realizado por: Bennett Miller.

Sinopse: O filme segue desde a infância de Thatcher até ao período mais impopular do seu governo, em 1982, quando tentava salvar a sua carreira nos 17 dias que antecederam a Guerra das Malvinas. O conflito armado, que durou dois meses e meio, foi uma reviravolta para Thatcher, que, após a vitória na guerra, conseguiu ser reeleita para um segundo mandato. Um retrato íntimo e surpreendente duma mulher extraordinária e complexa, numa história sobre poder e o preço que se paga por ele.

Sinopse: O filme adapta ao cinema o livro de não-ficção “Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game”, de Michael Lewis, e conta a história de Billy Beane, técnico da equipa de baseball Oakland Athletics. Como em vários desportos, as equipas ficam atentas às equipas universitárias/amadores para conseguirem encontrar novos talentos. Com um orçamento muito limitado, Beane decidiu investir num sistema informático que analisava e escolhia os melhores jogadores.

Porque não podemos perder: Meryl Streep. Este nome apenas deveria chegar (e chega!) para nos convencer a dar uma espreitadela ao vislumbre de uma das mulheres britânicas mais célebres de todos os tempos. Mas além disso, temos ainda o interesse do tema e do resto que o circunda – é também uma história de família, amor e perda – e o desejo de saber se Phyllida Lloyd consegue por em pé um filme que não implique que o elenco ande aos saltos a cantar músicas trintonas.

Porque não podemos perder: O realizador já se apressou a confirmar: “Não é um filme sobre baseball, ponto”, mas na verdade, Moneyball soa exactamente a um filme de baseball – talvez seja uma das incursões mais detalhadas e realistas do desporto no grande ecrã. Mas para o realizador e elenco, que até nem são grandes fãs do desporto, o filme é muito mais do que isso. A equipa defende mesmo que esta é uma história sobre pessoas a serem depreciadas.

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Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Albert Brooks, Rob Perlman, Bryan Cranston, Christina Hendricks. Realizado por: Nicolas Winding Refn. Sinopse: Drive conta a história de Driver, um duplo de filmes durante o dia e motorista de fugas durante a noite, que está sempre mais confortável atrás de um volante. Porque não podemos perder: Ryan Gosling tem vindo a tornarse um belíssimo actor dramático, mas as mudanças de ares são sempre bem vindas, seja para o actor experimentar outros géneros, seja para a audiência não se habituar apenas a um tipo de filmes vindo de si. Com Gosling, Drive mudou de direcção – originalmente destinado a Hugh Jackman, tornando-se no filme que acabou por valer a Nicolas Winding Refn o prémio de Melhor Realizador em Cannes.

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_cinema The help

We Need to Talk About Kevin

Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Octavia Spencer, Bryce Dallas Howard. Realizado por: Tate Taylor. Sinopse: Skeeter, Aibileen e Minny, três extraordinárias mulheres que moram no Mississipi na década de 60, constroem uma amizade improvável através de um ambicioso projecto. Esse projecto é um livro cujo conteúdo quebra todas as regras sociais impostas pela época. Dessa aliança surge uma irmandade, que mantém firme a coragem de transcender as linhas que os definem, mesmo que isso signifique trazer para todos na cidade uma grande mudança. Porque não podemos perder: A crítica americana tem-se dividido quanto a apreciações gerais, mas as interpretações reúnem consenso: temos aqui um bom punhado de performances. Um filme de época com óptimo aspecto que nos traz o segundo grande filme de mulheres do ano (o primeiro foi a surpreendente comédia Bridesmaids). Mas desenganem-se caros leitores do sexo masculino: este é um filme para todos. A não perder.

Like crazy

Elenco: Anton Yelchin, Felicity Jones, Jennifer Lawrence e Alex Kingston. Realizado por: Drake Doremus. Elenco: John C. Reilly, Tilda Swinton, Ezra Miller e Siobhan Fallon. Realizado por: Lynne Ramsay Sinopse: Kevin, de apenas 15 anos, pratica uma chacina na sua escola e acaba por ser preso. Perturbada com o sucedido, a mãe, Eva, tenta reagir à tragédia através do seu marido, de quem vive afastada, enquanto relembra o passado problemático do filho. Porque não podemos perder: Estreou no festival de Cannes onde foi bem recebido pela crítica, que continua a distribuir elogios. Parece que estamos perante algumas das performances do ano!

Sinopse: Um jovem rapaz norteamericano e uma jovem britânica conhecem-se na faculdade e apaixonam-se irremediavelmente. O seu amor é testado quando ela é banida dos Estados Unidos da América e ambos têm que enfrentar os desafios de um relacionamento à distância. Porque não podemos perder: “Queria muito fazer algo que parecesse achado e roubado” diz o realizador Drake Doremus do filme premiado com o Grande Prémio do Júri no Festival de Cinema de Sundance, que se baseia numa relação de longa distância que ele próprio teve. “Gostamos de pensar que é fácil amar, e que vamos ficar assim para sempre. Mas foi interessante para mim tentar compreender porque é que duas pessoas não podem estar juntas mesmo que o queiram”.

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aria do Céu Guerra. Só o nome é motivo de tremores e não o fa-lo por menos. Com uma bagagem cultural enorme, de fazer inveja a muitos actores lá fora, é ainda a co-fundadora de uma das mais conhecidas companhias de teatro em Portugal: A Barraca. Situada em Santos com vista previligiada para o Rio Tejo e as Docas é fácil de identificar tão majestoso edifício que tem em letras bem garridas o seu nome.

muita vergonha… sim, estas actividades artísticas em que nos expomos muito… nós temos sempre vergonha de estar a bater a uma porta onde não somos bemvindos, não é? E quando percebi que era bem-vinda, e bastante bem-vinda, animei-me. R: O actor coloca uma máscara ou, pelo contrário, deixa-a cair?

MCG: Pois, são as duas coisas. A construção de uma personagem pressupõe sempre a maior verdade de A RevoltARTE chegou à Barraca de caneta pronta e quem a representa. gravador em punho. E assim foi. Nós fazemos dois caminhos: por um lado vamos ao encontro de uma personagem que é uma máscara, RevoltARTE: Porquê teatro? uma persona que nós procuramos encarnar, mas, ao Maria do Céu Guerra: Ai meu deus… Olha, estava na mesmo tempo, despimo-nos a nós próprios indo à universidade e começámos todos ali cheios de energia procura da maior verdade que há em nós para darmos e paixão a reanimar o grupo de letras, que estava àquela personagem. Um caminho de duas vias, uma parado. Depois comecei a gostar tanto do que a estrada de dois sentidos, como diria Walter Benjamim. actividade teatral nos pede que realmente comecei a fazer contas à vida e a pensar que talvez ser professora R: A interpretação exige o alcançar de uma emoção, a ou investigadora, que era o que eu ia ser, era muito emoção da persona que se encarna. É difícil sair dessa emoção? menos interessante do que ser actriz. E, também, começaram a entusiasmar-me, a dizer que MCG: O período sensível destas coisas é o período de eu tinha qualidade, porque isto a gente tem sempre ensaios, quando nós estamos a fazer a construção,

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_entrevista quando estamos a mergulhar em nós próprios para construir o gesto, a emoção, o sentimento, a máscara… tudo o que diz respeito à personagem. Estamos a dar de nós, estamos a mergulhar em nós para oferecermos à personagem.

Escolhe-se uma peça porque interessa, porque é interventiva, porque reflecte um bocadinho o que estamos a viver, porque ajuda a compreender os mecanismos da sociedade, e isso é uma coisa a que nos fomos habituando a gostar. A ter cada vez mais pontos pacíficos em que todos, mais ou menos, estamos de Depois de feita a construção eu acho que esse trabalho acordo. fica atenuado. Quem é esta pessoa que estou aqui, corpo a corpo, a confrontar e a construir? É verdade que dessa fundação já só restamos dois, mas o projecto foi-se redefinindo e tornando mais claro. Não podemos tornar histérico o trabalho do actor… Hoje, quem entra para aqui já entra para uma regra de tornar de repente uma alienação da nossa jogo. personalidade na personalidade do outro. Isso dá muito mau resultado, foi muito feito no cinema nos anos 50 na América. O teatro deixa de ser uma arte para ser um trabalho de psicanálise, ou seja, é a utilização de um trabalho de psicanálise para chegar à arte e muitas vezes fica-se pelo caminho, que não penso que seja o caminho mais interessante. Temos de ter noção de que é uma construção resistente, que podemos fazer igual todos os dias, dando a nossa emoção, mas medindo-a, trabalhando-a, não nos deixando avassalar por ela. R: De onde vem a Barraca? MCG: Eu sou um animal de fundações. Eu gosto de começar coisas e gosto de as ver crescer. Quando fui para a Casa da Comédia foi o primeiro espectáculo que se fez lá. Depois saí da Casa da Comédia e fui para o Teatro Experimental de Cascais, onde estive sete anos e fui também fundadora. Definir um repertório, definir um gosto, definir um estilo. É muito apaixonante. E eu estava nessas fundações todas, depois tive num grupo que se chamou Adóque, logo a seguir ao 25 de Abril, do qual também fui fundadora. Aqui, na Barraca, fui mesmo fundadora quase absoluta, ou seja, eu é que desinquietei os outros, que depois acabaram por ser fundadores como eu. Foi a companhia em que eu me senti mais próxima, porque é bastante lúdica, participada, sem intriga. Procura-se um ambiente de saúde e de verdade, a participação na vida da cidade e de componentes de cidadania que, para mim, me parece muito importante para o teatro.

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_entrevista Ora vejamos, a televisão, que tem um discurso sempre orientado, formata a cabeça das pessoas relativamente a um momento político que convém a essa mesma televisão e a esse mesmo poder político. Eu acho que o que vale a pena é o teatro questionar isso tudo. Questionar se a informação que nos é trazida todos os dias é verdadeira, depois se a forma como somos informados vale a pena, se não estão só a por um tampão na nossa curiosidade. R: E o nome? MCG: A Barraca foi um grupo que Garcia Lorca (La Barraca) fundou no sul de Espanha com uma perspectiva: fazer um teatro que fosse ao mesmo tempo culto e popular. Eu achei este projecto tão interessante, porque os participantes na Barraca eram todos universitários, académicos, actores, poetas, pintores, e o público a que se dirigia era o público mais popular e o que eles queriam era, de facto… uma barraca porque se monta e se desmonta e segue em frente. Eu gostei muito dessa ideia e tomei contacto com ela, exactamente no sul de Espanha, exactamente na altura em que estava a querer participar numa aventura destas. Conheci gente do povo que falava do Lorca com uma estima, uma admiração daquele poeta. E que bonito, que bom um poeta conseguir ter esta admiração sem ser exactamente o António Aleixo, sem ser um poeta popular, porque ele não é popular, e porque eu também não o sou.

O teatro tem sempre obrigação de ir mais longe que o jornal, que o telejornal, que o boato ou que a história simples. O teatro é um meio muito sofisticado e muito elaborado. Tem que se saber muito bem como é que se comunica com as pessoas e não se pode guardar para mais tarde a comunicação com elas, é mesmo ali, portanto o público tem que estar preparado para receber uma determinada comunicação que não pode ser igual a mais nenhuma. O teatro de onde a poesia se afastou não serve, o teatro de onde imaginação transformadora se afastou, não serve. R: Na sua opinião que papel tem quem está do outro lado a receber a mensagem, a sociedade civil, na situação económica, política e social em que Portugal se encontra agora? MCG: Bom, eu acho que nós quando entrámos para a moeda única demos uma machadada na nossa soberania. Era claro como aquilo que custava 100 escudos passar a custar um euro. Quase duplicou o nosso custo de vida e nós, sociedade civil, continuámos a ganhar quase o mesmo.

Trabalhamos com vista a que se por um lado o público culto perceba as nossas intenções estéticas e culturais, No primeiro período recebemos as ajudas para nos por outro lado o público menos cultivado possa pormos ao mesmo nível que a Europa, mas quando se é pobre não se é pobre porque não se tem dinheiro na emocionar-se com o que a gente quer fazer. gaveta, é-se pobre porque não se sabe como produzir R: O teatro é um bom veículo de mensagem social e riqueza. política? Os nossos políticos, com falta de visão, com falta de MCG: O teatro é o meio mais eficaz para desmontar os orgulho, cederam a tudo o que a política europeia lhes mecanismos da sociedade. pediu para terem acesso imediato ao dinheiro. Cederam a destruir a agricultura, cederam a destruir as Eu estou um bocadinho massacrada e castigada contra pescas, cederam a criar um pseudo-sistema educativo o teatro político a primeiro grau. Acho que devemos que deteriorou a educação nas nossas escolas e nas encontrar os grandes textos, os grandes momentos de nossas universidades. Cederam e construíram muito teatro, que ajudem as pessoas a ver o que se passa à pouco com esse dinheiro. volta delas e ao mesmo tempo as ajudem, poeticamente, a sair das suas coisinhas, da sua casinha, porque as pessoas sufocam se viverem só agarradas ao seu quotidiano e àquilo que os meios de comunicação lhes oferecem.

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_entrevista E agora confrontamo-nos, e, agora, vamos a contas. Continuamos a ser os mais pobres porque éramos os mais pobres e não deixamos de o ser, como a Grécia não deixou. Uma injecção de dinheiro não é suficiente Agora, que lhes caiu a espada em cima da cabeça é que estão a dizer que devemos ser austeros. para transformar um país num país rico. É uma coisa que todos temos um bocadinho de culpa. A sedução do novo riquismo, os portugueses apressaram-se a comprar, a gastar… é natural, queriam, precisavam. Mas quiseram logo o melhor, gastaram e endividaram-se.

O país melhorou, sim. Há mais infra-estruturas, sim. Há mais condições de desenvolvimento, sim! Mas nós deixamo-nos envolver em tantos enleios que não temos capacidade de responder, quer do ponto de vista da cidadania, quer enquanto governo.

Também porque não houve uma moral, porque os dirigentes pertenciam a essa classe do “agora é a minha vez, vamos comer, vamos encher-nos” e não passaram uma outra ética, uma outra maneira de estar.

Quem manda em Portugal é o FMI e o BCE. Os partidos, os governos, podem fazer muito pouco. Podemos nós, sociedade civil, fazer bem mais. Se os portugueses valorizarem o que produzem o país fará um avanço extraordinário. Nas praças, nos supermercados… “estas laranjas são nossas ou não são”?

Entrevista por antónio jorge e catarina severino 47 47


_moda

Para a próxima estação, a tendência comum a todas as passerelles não foram os comprimentos midi, o pêlo ou os Mary Jane's: foi a mulher. Mas dizê-lo assim, tão simplesmente, retira-lhe o impacto. Modelos marcharam com poise e confiança, com elegância determinada, espírito de aventura, com consistência e consciência da necessidade de afirmação.

Esse espírito foi captado pelos designers, que pegaram nas dificuldades por que passamos actualmente e transformaram-nas em inspiração para a adopção de um espírito positivo e empreendedorismo elegante.

O empowerment feminino surge sob a forma de novos comprimentos e silhuetas, androginia que alterna com rendas e transparências, cortes As tendências recaem sobre os anos 20, 40 e 60, austeros que transbordam de décadas em que o mundo se transformava allure feminino pelo realce da cintura. rapidamente, passava por conflitos globais e, As mulheres erguem-se dos escombros, fortes pouco a pouco, lambia as feridas e regenerava. A como nunca antes, para dirigir um mundo à beira mulher subiu à ribalta, enfrentando da implosão. circunstâncias sobre-humanas para subsistir e defender a família. Precisou de sair para a rua e arranjar emprego, votar, lutar, sair das asas do marido; precisou de ser criativa e inventiva, precisou de ser firme e forte. E nunca perdeu a elegância (aconselhamos o visionamento de “Mildred Pierce”, tanto a longa metragem de 1945 com o olhar penetrante de Joan Crawford, como a mini série televisiva deste ano com a soberba Kate Winslet).

Who run’s the world?

Girls!

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_moda

Kiss me! Se há coisa que não sai – nem sairá de moda – é o batom. Intemporal, imortal, incomparável. Nem mesmo a expansão da popularidade do gloss conseguiu destronar este item de maquilhagem que é imprescindível na carteira de qualquer mulher. Um estudo revelou que, em tempos de crise, as vendas de batons de marcas de luxo subiram. A justificação é que, quando debatidas com a necessidade de se mimar, as mulheres optavam por um bem que, ainda que acessível, lhes “enchesse as medidas”. Provada a importância que o batom traz a qualquer look, é posto o desafio da durabilidade: nem todas as mulheres têm a disponibilidade – e a paciência, diga-se de passagem – de retocar a maquilhagem de meia em meia hora.

Assim, trazemos um truque para que o batom, não só dure mais tempo nos lábios, como também atinja o máximo de cor que a sua fórmula permite. Os passos, simples e fáceis, são os seguintes: Primeiro: aplicar uma fina camada de base nos lábios; Segundo: aplicar uma camada de batom; Terceiro: aplicar uma fina camada de pó compacto sobre os lábios; Quarto: aplicar uma nova camada de batom. Não podia ser mais fácil. Os efeitos não são mágicos, mas são eficazes. E o batom, esse, é tudo. Now go kiss and tell.

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_reportagem

O dia 8 de Setem como bro ir sendo á cer a ma de qu tame ior ce e há nte s lebra mem er re Chiad ção d ória. lemb o, a A e mo Duran rado v da em . da L t se de e 4 iberd h Portu o anim r as a R a d gal a e ç ão e e o Pr ua Ca que músic se tr íncipe stilho a a , t , R a o e e acess todo al enc claro, iveis este heram moda às ex e v . ambie e Aliás, nto. orbitâ nte q Desd é dist ncias e as ue se o da Av Celeb lojas vivia enida ração mais . culmin da Lib erdad ava n O VO e uma GUE’ só pa , o S FA 2009 lavra: SHION , um NIGH a inic forma T OU iativa T com a en d a revist coraja indús eçou a de r os tria d no a moda e c no o m nsum ainda oda f Vogu idore ace à hoje e de s c s a r e ise ec realiz vive. apoia ado onóm rem Desta em N ica m a forma como ova undia , dur Iorqu Capit l que ante e (m al d dispo o 1º uitas nibiliz a M FNO, vezes aram oda), desco apelid os s as lo ntos ada g e e ja u neros s pr e out s ad os, br door oduto erent duran indes s es atrav , te tod és d o o ev cocktails, e e ento. anim ação in

Reportagem por Joao Padinha e Irina F. Chitas Fotografia por joao padinha

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Zara

Em 2011 a história mantém-se, tal como a crise que se alastra cada vez mais, e Lisboa recebeu, pelo 2º ano consecutivo, este evento de braços abertos e vestida a rigor. No Chiado encontrávamos em todas as lojas um serviço de bar/catering e música ao vivo. Tomemos o exemplo da Zara que contou com um trompetista com direito a palco improvisado junto aos provadores e expositores de roupa. A H&M que praticou descontos de 20% em todas as peças da colecção, espaço de maquilhagem e venda de artigos exclusivos, e ainda animou os 5 andares com um dj. A Bershka contou com a presença da dj Rita Mendes e todos nós fomos contagiados com o seu sorriso e à vontade que a própria fazia sentir e fazia ainda questão que o sentíssemos também.

A G-Star Raw não fez por pouco e publicitou a marca com uma parada de modelos vestidos a rigor todos com máscaras de rinoceronte, cujo modelo era o mesmo do porta-chaves que a loja oferecia aos seus visitantes. Os Armazéns do Chiado não se deixaram ficar atrás e frente à recente loja da Tommy Hillfiger o público contava com espumante servido em flutes e fondue de frutas (morangos, vá...). A loja Nike, também ela recente no Chiado, foi talvez das melhores surpresas da noite. Contando com a presença de um dos dj’s mais conceituados em portugal MAD.MAC (um pouco também pelo facto do mesmo ser imagem de marca da Nike Portugal) e inaugurando em Portugal a nova tecnologia Hyperfuse, que permite ao consumidor personalizar os seus próprios ténis através do novo Nike ID Studio. Contou ainda com pocket shows dos Legacy, equipa de dança com membros da versão portuguesa do programa So You Think You Can Dance?. Dizer que cocktails patrocinados pela Absolut Vodka marcavam presença nas mãos dos visitantes seria escusado.

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_reportagem A Marc Jacobs contou também com actividades tais como um dj e barman à porta, e uma banca de maquilhagem à semelhança da H&M. As montras vivas ganhavam vida em lojas como a Hugo Boss e a Gardenia. À saída do Chiado e em direcção à Avenida da Liberdade, a loja de roupa feminina Stradivárius fazia de tudo por parecer um club de verão, com fotografias à porta sob rollups da marca, dj em palco e recriação de looks na montra. Marc Jacobs

A loja da estilista Ana Salazar contou com descontos em variadas peças e cocktails como não poderia deixar de ser.

Marc Jacobs

Já na Avenida da Liberdade, a realidade era um pouco diferente deixando para trás as lojas para “cintos mais apertados”. Começávamos a entrar no mundo de lojas como Prada, Burberry, Fashion Clinic, Dolce & Gabanna e Fly London.

Ana Salazar

Stradivarius

O am b ruido iente era s parec a como n outro. A o músic ia mais m guerr Chiado, a nã as ab onde o alta. ertas houv se mostr e alt ava t entre A ma ão quem uras qu rc e ma tinha coisa a Prada, is nova a por m músic ta cobiç a adas enos, e em territ ório p por s em t farda od a d o por u o a rigor o o mun ber que rtuguês, n é da do te ma n e a fi ão fe s v que o senti ite só, e las interm e direito marcas m z a r olh ntrar a um a se te are iam d ináveis d porte is r ep en iro Purifi que co s constra mpra gedo tro da lo essoas, catio q r n Gar r alg j comp o pa es ou a n a sem te ue cia e e rem a Lon ra n ecess concu tidoras ão gc id fo r pelos so. Na pr tográfica hamp mo parecer ade de imeir s, c strara inter mal. a a essad da u m-se uma , as v e fo o grand A ma vence tografia s e na se stes de p c es o m ap gu co d e um ores rece m uma m nda a po el person o seu a car teira beriam um ala da m ssibilidad alizadas e Balza A Bu ne no look com arca, send de tirar rb o p caso comp erry, vete da Lo leto no c que os a re, c rana ngch o em L amp. so da PG uma isboa carte mpre!”. A , ira Bu rberr compra tinha o m O tem y. ot mais po é eleva e: “comp dificu e re da re lta o scasso e cebe , as segre ria do é facto de lojas são tr de ca muita da lo açar o ro conseguir s, o q ja, nu te m nca p iro e ter os visitá ue por ve em a erden zes -las te to do m ais de nção as d das. O is 20 m in. em tâncias cada . 52

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Pelo lounge exclusivo da Vogue, a competição pelos flashes era implícita: pernas longas e nuas, roupa que prenunciava detalhada ponderação e maquilhagem perfeitamente aplicada eram imperativos nos looks impecáveis que cirandavam entre copos de vinho, queijos e boa música. Celebridades, personalidades, bloggers, rostos conhecidos (e desconhecidos mas que se adivinham deveras importantes) da cena da Moda nacional e áreas circundantes conversavam animadamente num espaço que não conheceu um momento de tédio.

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O FNO’11 foi um sucesso! Aliás, é-o sempre, cada vez mais a cada ano que passa. Lisboa fervilha cosmopolita, os lisboetas vibram, celebram e celebram -se. O ambiente que se vive faz-nos parecer que estamos numa capital da moda e que o mundo é nosso. Pelo menos, por uma noite.

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_actualidade

LISBOA SOBRE DUAS RODAS

Inspirado pelo facto de ter trabalhado na Volta a Portugal 2011, competição anual de ciclistas, e motivado pela crise que se acentua cada vez mais implicando o aumento dos passes sociais, transportes e gasolina, dei por mim a pensar: e se arranjasse uma bicicleta? A tendência não é nova e nos últimos anos tem se visto uma aposta cada vez maior por parte das câmaras municipais na construção de vias próprias para ciclistas. A Bike Scene, como lhe chamam, afirma-se cada vez mais como uma forma de vida. E nela só se encontram vantagens: é low cost, não poluí, é fácil de “estacionar”, compensa o “esqueci-me de ir ao ginásio” e ainda por cima dá estilo! Mais do que todos aqueles carros xpto topo de gama, a bicicleta concede a quem a pedala um certo je ne se quoi. Não é por acaso que cada vez mais se a tem adoptado nas capitais europeias como meio de transporte. Cada vez perde-se mais a noção de bicicleta como um objecto do qual nos servimos para andar de um lado para o outro e começa-se a vê-la como um acessório de moda. A propósito deste movimento existe já um blog, o Lisbon Cycle Chic, que nos convence por completo que o pedalar a bicicleta é o exercício mais in do séc. XXI. Guardem os passes sociais, as chaves do carro e os cartões de carregamento, desçam até à cave, procurem pela vossa bicicleta e comecem a pedalar. http://www.bicicletanacidade.blogspot.com/ http://www.lisboncyclechic.com/ http://www.ciclone.pt/

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Esta história é narrada por duas personagens diferentes, em épocas diferentes, mas unidas pelos laços de sangue entre pai e filho. Numa narrativa cheia de reviravoltas, este romance explora a temática da morte, não como um fim mas como uma renovação. O título, “Cemitério de Pianos” faz referência à oficina de família, onde não só se desenrolam alguns dos momentos mais importantes do enredo como também faz uma analogia com as peças dos pianos “mortos” que eram colocadas em outros pianos, para lhes dar nova vida. Cemitério dos Pianos Autor: José Luís Peixoto Editora: Quetzal Editores Preço: 21.15€

Este livro é fruto de um trabalho de investigação desenvolvido por Irene Flunser Pimentel, em que são analisados vários aspectos acerca da polícia política do Estado Novo. Criada para intimidar e prevenir todas as formas de constestação contra o regime Salazarista e ainda para destruir a sua oposição, a PIDE tinha uma estrutura própria, métodos de vigilância, de interrogatório, captura… Que segredos se esconderiam por detrás das suas prisões e da sua aparente luta pela ordem? A História da PIDE Autor: Irene Flunser Pimentel Editora: Temas & Debates Preço: 30.24€

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_actualidade

Desde que me lembro, o

11 de setembro O aniversário dos dez anos do 11 de Setembro recordou-nos de tudo aquilo que significou esse acontecimento. Muitos de nós éramos novos quando os aviões colidiram com as torres gémeas, causando milhares de mortes, e a maioria de nós nunca teve noção da gravidade e importância da ocorrência. Lembro-me de ver SMS’s correntes a passarem pelo telemóvel dos meus pais para reenviarmos em memória das vítimas, e lembro-me ainda que mesmo sem saber o que era a AlQaeda me introduziram a um jogo de vídeo em que nós na pele de George Bush filho, com uma metralhadora em punho, tínhamos como objectivo fazer pontaria à cabeça de um senhor barbudo com um turbante branco. Só quando os meus pais me proibiram de jogar é que percebi que era Osama Bin Laden e que tinha sido por causa dele que os aviões tinham ido contra as torres. Tinha nove anos de idade. Com o crescimento, a complexidade e as ideias ganham vida quando nos apresentam estímulos que têm força suficiente para termos a nossa ideia formada e não sermos apenas espelhos dos pensamentos de alguém que nos é próximo. Era consideravelmente mais velho quando tive oportunidade de ver o documentário “Farenheit 9/11” de Michael Moore. Fiquei fascinado com a controvérsia que mesmo após todos aqueles anos o 11 de Setembro ainda continuava a causar e sobretudo com a sagácia de Michael Moore ao descortinar algo que na altura achei assemelhar-se a uma teoria da conspiração bem justificada onde Moore apresentava pequenas provas de que Bush pai e Bin Laden tinham ligações. Secretamente, sonhei ser como Michael Moore. Tinha dezasseis anos de idade

Agora com dezanove a minha perspectiva não está assim tão diferente, só não acredito em teorias da conspiração. Acredito sim em maneiras diferentes de contar a verdade, onde outras partes são omissas para passar uma mensagem. Porém, continuo a admirar o Michael Moore. Não pela forma como expõe os “factos” para os espectadores mas sim pela paixão com que faz o seu trabalho e pelas suas boas intenções. Acredito na sua isenção com que defende o direito do povo americano e do mundo à verdade, porque quer queiramos quer não, todo o mundo foi alterado minimamente depois do ataque terrorista. A economia alterou-se, países foram invadidos, e foi o primeiro passo para uma guerra motivada pela defesa dos valores de um país contra os valores de uma religião. Não me compete fazer análises geopolíticas nem atribuir culpas a ninguém, porque aquilo que realmente me importa aqui é relembrar as vítimas. Pessoas completamente inocentes que nada tiveram a ver com o sucedido, que faziam a sua vida com normalidade e que talvez nem fossem assim tão felizes com a vida que levavam mas que ainda assim não mereciam morrer daquela forma trágica. Ninguém merecia. Li algures que ainda há antigos bombeiros com problemas respiratórios causados pelos pós tóxicos e poeira industrial, familiares que ainda não superaram o trauma e os sobreviventes que continuam sem conseguir dormir à noite e acordam com suores frios desde que sentiram as torres a cair. Independentemente de quem é a culpa, é importante que os Governos percebam o que aconteceu, como aconteceu e porque é que aconteceu, para que não voltem a acontecer porque ninguém merece mais um 11 de Setembro, nem na América nem em lado nenhum.

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RevoltARTE Setembro 2011 #5