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Bimensal | Edição nº6 |Novembro 2013 | Gratuita

REVIVER

A velhice não passa de um estado de espírito

Ser idoso em Palmela Fomos saber como foi o mês dedicado aos seniores no Conselho de Palmela

Prémio do Envelhecimento Ativo Saiba quem foram os vencedores do prémio Drª Maria Raquel Ribeiro.

O Mundo de Kira Conheça a história e a obra pintor

Não perca ainda nesta edição: A FOTORREPORTAGEM:

“ZOO de Lisboa O Antes e o depois”

Na Esplanada com

Maria Helena Cadete Fique a conhecer a pessoa que tanto faz pelo envelhecimento ativo


REVISTA REVIVER Sumário Novembro de 2013 REVIVER n.º 6

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Editorial

Envelhecer a sorrir

03 Síndrome Lojas do Chineses

24 Aos 74 anos Micaela Silva con- 48 A terapia que lhe soa

por António Ramos.

tinua a encarar a vida a sorrir

bem ao ouvido.

Separador

Separador

Tai Chi Chuan

04 A beleza da troca de conhecimentos.Uma citação para si.

26 A vida é maravilhosa.

50 Conheça as vantagens

Uma citação para si.

que esta arte pode ter em si

Prémios do Envelhecimento

Ser idoso em Palmela

No meu tempo...

06 Saiba quem foram os premia-

28 Conheça como foi o mês de-

55 Diamante chamado

dos deste ano.

dicado ao idoso em Palmela.

“amigo” por Filipe Figueiredo

O Mundo de Kira

Como evitar uma burla

Breves

08 Conheça o pintor português

32 O “Apoio 65” explica-lhe

reconhecido internacionalmente.

como pode evitar ser burlado.

56 Saiba quais são as breves do momento.

Halterofilismo Master

Receitas de 5 estrelas

12 A história do homem que treina

34 Conheça as novas receitas do

Fotorreportagem: ZOO de Lisboa

para ser campeão do mundo.

cozinheiro Pedro Carrilho.

60 - O antes e o depois

A Gaiola de Alfredo

Na Esplanada com...

Crónica

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16 Um exemplo de como todos

36 MªHelena Cadete, premiada

Horóscopo Bimensal

pelo seu trabalho com os seniores

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temos o nosso talento.

Agenda Cultural

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Passatempos

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Ficha Técnica

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Travessia da Baía

Parque Eduardo VII

20 Várias pessoas nadaram 1500m

42 Respire fundo no jardim do

para atravessar a Baía de Sesimbra coração da capital lisboeta.

Musicoterapia


editorial Síndrome Loja dos Chineses Que Portugal está a passar uma grave crise já todos sabem, mas nunca pensei que a crise fosse tão extensa ao ponto de afetar o carácter dos portugueses. Sentem-se na plateia, com olhos atentos. Descobrirão que por detrás da cortina vermelha existe um baile de máscaras e uma bandeira hasteada, verde e encarnada, com uma esfera armilar no meio. Como se neste país fosse carnaval todos os dias. Quando ao cair do pano a única coisa que conseguimos fazer é desfilar como um pavão, a primeira pessoa a quem mentimos é a nós próprios. Algo está mal quando, por amor ao gabanço, a nossa identidade se torna de plástico. A evolução aproximou-nos de um Mundo cada vez mais artificial, é certo, mas será necessário mostrar que também o nosso carácter é artificial? Agora vejo que, o verdadeiro problema de Portugal são os que se autointitulam de tudo e que têm rótulos de todas as cores, sem nunca admitirem que são de plástico. E não é a classe social que o define, é a falta de carácter. É o querer ser tudo e na verdade não ser nada. É pregar à extinção da luz do Sol, para que só a luz do holofote incida sobre o plástico. Para que todos vejam e admirem, se espantem e aplaudam. Pessoas que vivem trancadas no seu Eu, onde até o gesto mais solidário é por benefício próprio. Ser a cópia barata da criação. A síndrome da Loja dos Chineses como eu lhe chamo. Alastra-se pela nação e rouba-nos a identidade. Tudo o que é genuíno é ofuscado pelo holofote, sobreposto pela falta de ideias, falta de talento e de criatividade. Feito para inglês ver. A verdade é que um país é o reflexo do seu povo. O que refletimos nós quando nos olhamos ao espelho? Se é que nos olhamos ao espelho. No país dos senhores doutores, pintam-se quadros para que lhes chamem pintores. O que ganha quem genuinamente se entregou para alterar o rumo das coisas? Uma visão sobre este país altamente descredibilizado, onde mundialmente já fomos referidos como “o bom aluno”. Esse é o reflexo do nosso país e o reflexo do seu povo. Onde é mais fácil caminhar como um pavão por ser uma cópia barata, do que valorizar quem enfrenta as verdadeiras adversidades da vida e mesmo assim se mantém de pé, sorridente, orgulhoso e digno, pronto a ajudar quem realmente tem valor. Esse é o povo que merecemos ter. Um povo que, independentemente dos títulos e estatutos, se mantenha unido, forte e digno. Onde se valorize quem se esforça por melhorar o bem comum e não quem procura encher o peito e comer o que é dos outros. As pessoas artificiais têm o valor que lhes damos. As Lojas dos Chineses ficaram conhecidas por venderem produtos, muitos deles copiados, a baixo preço. E Portugal? Que valor tem no mercado?

António Ramos REVIVER 03


“Feliz aquele que transfere o sabe e aprende o que ensina Cora Coralina

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que a.”

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PRÉMIO ENVELHECIMENTO ATIVO 2013 No dia 8 de outubro decorreu a entrega do prémio Drª Maria Raquel Ribeiro promovido pela Associação Portuguesa de Psicogerontologia. O evento decorreu no Espaço Santa Casa em Lisboa, e visa destacar pessoas com mais de 80 anos pelos seus exemplos de vida ativa e participativa. O prémio divide-se em diferentes categorias, nomeadamente Intervenção Social, Arte e Espetáculo, Ciência e Investigação, Politica e Cidadania, Ética e Saúde, Família e Comunidade. Os galardoados este ano foram; - Dra. Berta Silveira Botelho na “Intervenção Social” por toda uma vida ligada ao Serviço Social, tendo colaborado inclusive no lançamento do Programa de Apoio Integrado a Idosos. - Ruy de Carvalho na “Arte e Espetáculo” por todo o seu percurso artístico e pela maneira como tem contribuído para a promoção de uma imagem positiva das pessoas idosas e do envelhecimento. - Professor Dr. Daniel Serrão na “Ciência e Investigação” pela sua carreira ligada à medicina e investigação e também pela promoção do conceito de envelhecimento ativo e participativo. - Professor Doutor Adriano Moreira na “Politica e Cidadania” por toda a sua carreira politica e profissional, ainda hoje ativo, respeitado e reconhecido. - Dr. João Abreu na “Ética e Saúde” por uma carreira ligada à saúde e aos direitos humanos. Foi determinante no apoio ao desenvolvimento das Cidades Portuguesas Amigas das Pessoas Idosas, junto da Organização Mundial da Saúde. - Dª Teresa Fradique na “Família e Comunidade” por todo o trabalho de voluntariado ligado Associação Alzheimer Portugal para quem ainda hoje contribui. Os prémios foram entregues por várias personalidades portuguesas. No final da entrega, ainda houve tempo para um pequeno lanche promovido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, para convívio e muito boa disposição.O prémio Drª Maria Raquel Ribeiro nasceu em 2012, da vontade da APP distinguir o contributo dos portugueses mais idosos, apoiado pela SCML e pela Fundação Montepio. 06 REVIVER


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O Mundo de Kira Kira é um pintor como os outros, que vai fazendo o que sabe, sempre aprendendo”. É desta forma que António Gama, de 68 anos e mais conhecido como Kira se auto-descreve. Desde miúdo que desenhava nos cadernos da escola, mas os seus primeiros passos de pintor começaram no ateliergaleria A Trave. Foi lá que os mestres José Belém e Paulino Ramos lhe transmitiram os seus conhecimentos, numa turma com cerca de 20 alunos, onde só Kira e outro colega seguiram a vida de pintor. Também foi lá que fez a sua primeira exposição, com apenas 15 anos de idade. Até ao serviço militar, fez trabalhos para jornais juvenis, com cartoons e bandas desenhadas, chegando a ser premiado em alguns dos seus desenhos. Foi aos 20 anos, durante o tédio do serviço militar que nasceu o seu pseudónimo. “Não tinha nada para fazer na tropa, então decidi escrever uma carta para ninguém. Era uma espécie de carta de amor e escrevi no envelope para o carteiro entregar à primeira rapariga que visse na Rua D. Dinis em Castelo Branco. Curiosamente recebi uma resposta a essa carta. Chamava-se Felicidade, ainda estivemos juntos algumas vezes, mas não tantas vezes como queríamos porque ela tinha namorado. Ela em vez de dizer queria, dizia kira. Se eu a convidasse para ir ao cinema ela dizia, eu kira ir mas não posso. Mais tarde comecei a fazer uns cartoons e assinava como Kira, assim ficou.” Antes do 25 de Abril, quando colaborava com os jornais Diário de Lisboa e República, vários dos seus trabalhos foram alvo do marcador azul da censura. “Era chato porque às vezes tinha de fazer outros. Mas outras vezes lá deixavam passar algumas coisas. Nós brincávamos e tentávamos adivinhar se os trabalhos passavam ou não”. Para além de algumas multas, nunca teve problemas de maior. Os seus trabalhos censurados estiveram expostos na Galeria de São Mamede em Lisboa, na exposição “Maias para o 25 de Abril” e ainda hoje conserva um dos originais, riscado e carimbado Em 1981, diz-se criador do “Deglutinismo” na 1ª exposição de quadros comestíveis a que deu o nome “Kira Expõe para Comer”. Tudo começou, quando com exposições marcadas vendeu todos os seus quadros. Ficou sem trabalhos e com uma exposição que não conseguiu adiar. “Foi numa situação de aperto mas foi um sucesso. Fazia a base de massa folhada e dispunha os alimentos sobre

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a base. Ficavam presas na parede como quadros e as pessoas podiam comê-los. Desapareceu tudo em duas horas, com 800 pessoas na galeria e mais mil lá fora. Nunca ninguém tinha pensado em fazer isso e a galeria foi falada em todo o mundo”. Após o sucesso dessa exposição, a convite, ainda fez mais duas iguais. Os seus quadros já percorreram os quatro cantos do Mundo, em exposições, museus ou coleções particulares. Com um estilo muito próprio e cheios de simbolismo, diz que são o espelho de si mesmo e das suas vivências. “A tela a branco é desafiante. É como ir para um campo de futebol sozinho, nunca sei se ganho ou não. Do zero total da tela, obriga-me a pensar que só vou ser um artista quando chegar a uma tela branca e dar tudo por completo. Quando já não houver nada mais para dizer. Espero que isso nunca aconteça”.Conhecido e bem relacionado, sempre acompanhado nas fotografias, pode induzir-nos de que está sempre rodeado de gente. No entanto, considera-se uma pessoas com mais momentos a sós do que acompanhado. Calmo e notívago, afirma que é pela noite dentro que gosta de trabalhar. “Deito-me às 20h e acordo às 3h, fresco que nem uma alface. Vou para a rua, ou pintar ou escrever. Quando pinto gosto de estar sossegado, no máximo com música”. Para além da pintura, já foi ilustrador de vários livros, cronista e escritor de contos ou poesia leve. Editou o livro “Queiradas de Cinta”, uma compilação de vários textos seus. Kira nunca teve medo de se expressar, sempre fez uso da sua liberdade de expressão sem se intimidar. “Nas crónicas e cartoons sempre escrevi as parvoíces que me apeteceram. Depois às vezes as coisas não agradavam às pessoas e despediam-me” diz-nos bem disposto. Em protesto contra a falta de apoio a jovens artistas, numa intervenção pública, Kira queimou vinte quadros em tela. Também numa exposição inaugurada na Sociedade “Os Franceses” no Barreiro, colocou-se no centro da sala com uma caixa de engraxador e umas escovas, disposto a engraxar os sapatos dos visitantes para ganhar algum dinheiro. Abriu uma escola de pintura há 4 anos, onde dá aulas a 10 alunos, e reconhece que a vida não está fácil. “Já tive crianças que saíram de cá a chorar porque os pais não tinham dinheiro para pagar as aulas. Eu percebo, o país está numa má fase. Ninguém tem dinheiro para nada, muito menos para quadros. Se não fossem as aulas, tinha de pedir ajuda à misericórdia”. O talentoso Kira, deixa-nos com a seguinte mensagem “Todos nós nascemos com um talento. Se descobrirem qual é sigam-no, o importante é sonhar e criar. Cada coisa que nós fazemos, é algo que deixamos no Mundo”. Ao longo dos anos Kira construiu o seu, cabe a cada um de nós construirmos o nosso.

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Silvestre treina para ser o melhor do mundo Aos 73 anos, Silvestre Fonseca do Ginásio Atlético Clube da Baixa da Banheira, é um dos nomes mais sonantes do halterofilismo em Portugal. Já arrecadou vários troféus individuais e coletivos, não só como atleta mas também como treinador, e ambiciona tornar-se Campeão Europeu de Masters na sua categoria. Passa praticamente todos os dias no ginásio, ora a preparar-se para as competições, ora a treinar os jovens prodígios do halterofilismo, ou mesmo de atletismo. “Quem sai prejudicada é a minha família. A minha mulher até diz que o ginásio é a minha segunda casa” confessa-nos Silvestre. Dos 48 anos dedicados à modalidade, teve cerca de vinte e seis sem competir e diz-nos que foram as saudades dessa competição que o fizeram regressar. Sabendo que era possível destacar-se e com o apoio da C.M Moita e da J.F Baixa da Banheira, Silvestre e os colegas prepararam-se arduamente durante dois anos para o 24º Campeonato do Mundo de Masters na Grécia. Em mais de 500 atletas, os seus colegas conseguiram o 2º e 4º lugar e Silvestre o 7º. Mais nenhum português participou. No Mundial de 2012 na Ucrânia, conseguiu com mais dois colegas do ginásio a medalha de bronze, e outros dois atletas portugueses a medalha de ouro, entre 520 atletas de todo o mundo. Desde novo ligado ao desporto, aos 17 anos começou a jogar futebol, um extremo muito veloz, numa equipa amadora. Mas antes de se tornar halterofilista de competição, foi na tropa que despertou o interesse do seu amigo José Pereira, que já praticava há dois anos. “Bati o recorde da Unidade no corta mato de 3000 metros de obstáculos. O Zeca Pereira conhecia as minhas qualidades atléticas e convidou-me quando eu tinha 23 anos”. Passaram dois anos até finalmente se decidir a fazer um treino. Foi amor à primeira vista. Desde então, confessa-nos que nunca faltou aos treinos mais do que um mês e que muito deve ao halterofilismo. “Na altura não havia discotecas, era mais bailes e coisas assim. O Halterofilismo evitou que eu seguisse essa vida de noitadas e a fumar. Dedicar-me ao desporto foi uma regra. Enquanto estou a treinar, muitos estão a beber. Outros já cá nem estão”. Iniciou-se como levantador no Luso Futebol Clube, representando-o durante 25 anos consecutivos. Aos trinta e cinco, com vários cursos tirados, tornou-se também treinador, uma ambição que considera natural num atleta. Foi convidado para ser o primeiro treinador de halterofilismo feminino. “No início não soube como reagir. Na altura era considerado um desporto só para homens. Eu não sabia ao certo como havia de as treinar mas aceitei. Pedi conselhos a António Caeiro que era vice-pre-

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sidente da Federação que me deu algumas indicações e aos poucos lá me fui adaptando. O tipo de treino era igual mas mais moderado, com cargas mais reduzida. Tinham também a condicionante dos períodos menstruais”. A verdade é que em 1988, a sua atleta Sara Duarte, consagrou-se Campeã da Europa em São Marino, na categoria de 48kg. Conta-nos como as coisas mudaram desde o 25 de abril. Como antigamente só haviam 3 ou 4 barras por Portugal inteiro, e hoje, só o seu ginásio tem mais do que isso. Na prova local, só costumavam participar de cinco a oito atletas, e que na deste ano participaram 42. “Levantar pesos” como as pessoas chamavam ao halterofilismo, era desaconselhado pelos médicos, que impedia o crescimento e fazia mal ao coração. Hoje em dia, considera-se o contrário. “Naquele tempo não havia musculação, as pessoas só levantavam pesos. Hoje a musculação aplica-se a todos os desportos” afirma Silvestre. Segundo Silvestre Fonseca, três características são necessárias para se ser um bom halterofilista. “É preciso flexibilidade, velocidade e o mais importante é muita força de vontade. Já vi pessoas muito rápidas e flexíveis, com tudo para serem bons atletas, mas sem força de vontade nenhuma. Acabavam sempre por desistir. O conjunto das três é que faz um bom atleta”. Por desavenças no Luso Futebol Club, saiu e passou para o Ginásio Atlético Club, onde desde então se dedica a treinar e a ser treinador. Sempre focado nos seus objetivos, considera que treina muito mais agora como candidato a ganhar o Campeonato Europeu de Masters, na categoria de 62kg dos 70 aos 74 anos, do que quando era mais novo. Quer também ser um exemplo para os mais novos, e relembra-nos como num Hotel um grupo de miúdos reconheceram-no e foram pedir-lhe conselhos e para tirarem fotos. Para ser um atleta de topo, mantém uma disciplina rígida de alimentação. Dorme bem, come bem e toma suplementos de zinco, vitamina B6 e creatina azul. Lamenta o facto de já não haver Federação Portuguesa de Halterofilismo e dos apoios serem escassos. Mais um exemplo de como atletas portugueses de topo, respeitados e internacionalmente medalhados, têm de gastar dinheiro do seu bolso para poderem representar o seu país. “Era bom que o Comité Olímpico, o Instituto Português do Desporto e Juventude e a Confederação do Desporto nos ajudassem a pôr a Federação de pé. Nós atletas não temos culpa pelo que se passou”. Aos mais velhos pede-lhes que não se deixem abater pela idade, que façam desporto, entrem numa coletividade, desenvolvam atividades e que façam qualquer coisa de útil. Palavras de campeão. 14 REVIVER


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A Gaiola de Alfredo

Na REVIVER acreditamos que todas as pessoas têm um talento e uma paixão interior. Grande parte das pessoas pode passar uma vida sem perceber ou reconhecer o seu verdadeiro talento, mas basta um pequeno clique, um acaso do Universo, para a vida ganhar um novo sentido. Contamo-vos a história de Alfredo Delgado e como uma infelicidade e um acaso o aproximaram do seu talento. Com 55 anos, é um dos muitos portugueses desempregados. Natural da Amadora, onde viveu até casar, dedicou-se a vários ofícios ao longo da vida tendo começado como paquete de uma farmácia local. Entre várias outras profissões, esteve mais de 20 anos ligado à serigrafia, e terminou na AutoEuropa. Após uma intervenção cirúrgica, ficou de baixa médica e considerado inapto para o trabalho que desenvolvia. Foi durante o natural período de deriva, sem trabalho e com tempo livre em demasia, que se deu o clique de talento. Farto de estar em casa, num passeio deambulante, Alfredo apanhou um tronco e levou-o consigo, determinado a fazer alguma coisa com ele. Sempre tinha gostado de trabalhar madeira, mas o máximo que fez até então foi um banco.

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Mas desde esse dia a sua criatividade começou a brotar, e a um tronco juntaram-se outros para formar uma gaiola. “Talvez o que me tenha levado a fazer aquilo foi o meu gosto pela madeira e pelo campo. A primeira não saiu muito bem, mas a 2ª já foi melhor” explica-nos Alfredo. O seu grande salto para o artesanato, foi quando a sua esposa que é cozinheira de doces tradicionais, foi convidada a participar numa feira com a temática “Anos 50”. Alfredo, que costuma costuma acompanha-la para ajudar e preparar as sangrias, lembrou-se de levar algumas gaiolas que já tinha feito. “As pessoas gostaram muito. A Ana Malhoa até queria ficar com uma” comenta com orgulho. O impacto de críticas tão positivas às suas criações foram suficientes para acreditar que tinha algo realmente bonito, que lhe dava prazer criar. Considera o seu artesanato puro, porque nenhum material é comprado ou montado, mas sim apanhado do chão e cuidadosamente trabalhado até ao seu resultado final. Apanha tudo o que a Natureza lhe dá. Madeira, bolotas, sementes, pinhas, cortiça, só as caricas são feitas pelo Homem. A peça mais simples leva várias voltas até estar completa. “Faço o que gosto, isto até é um full-time. Chego a trabalhar mais de 8 horas por dia, sempre com o rádio ligado, para ouvir música enquanto trabalho”. Alfredo admite-nos que nunca lhe tinha passado pela cabeça poder vir a ser artesão. “Eu nem sequer sabia que existia uma Carta de Artesão, mas foram mesmo uns avaliadores a minha casa ver o meu trabalho e deram-me a carta”. 18 REVIVER


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A sua primeira exposição foi em Setúbal, a convite pela Casa da Baía, mas entretanto já percorreu vários pontos do país, de Norte a Sul, para dar a conhecer o seu trabalho. Apesar do gosto que lhe dão os elogios às suas “mãos” e criatividade, o seu artesanato nasce da paixão que tem pelo que faz, e não à procura de fama ou reconhecimento. Não tenciona fazer uma exposição em nome próprio, não assina as suas obras e também não as vende a intermediários devido a uma má experiência. “Vendi alguns trabalhos meus a uma loja de artesanato, perto de uma feira onde eu tinha uma banca. Acontece que vim a descobrir que a loja vendia-os a mais do dobro do preço do que eu estava a vender ali ao lado. É um roubo às pessoas. Eu nem ligo ao dinheiro, já dei muitas peças e também vendo mais barato se souber que a pessoa quer mesmo mas não tem dinheiro para pagar. Mas as pessoas também têm de perceber que algumas das minhas peças levam semanas a serem feitas, com muitas horas de trabalho”. Confessa que seria muito difícil conseguir viver do seu artesanato, mas neste avô de três netas, o seu sorriso não esconde o gozo que lhe dá quando a mais pequenina quer acompanhá-lo para a oficina para aprender e ajudar o avô. Aos mais velhos, já reformados, deixa um simples apelo. “Mantenham a cabeça ativa e façam qualquer coisa de que gostem”. Um claro exemplo de como todos nós temos um talento pronto a ser descoberto. REVIVER

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Travessia a nado da Baía de Sesimbra Foi há 67 anos atrás que nasceu uma das provas mais prestigiadas de Portugal na sua categoria. A travessia da Baía de Sesimbra consiste em atravessar a nado 1500 metros, começando o percurso na praia da califórnia e acabando na praia do ouro.


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No dia 5 de outubro, a REVIVER chegou à praia da califórnia para assistir à Travessia da Baía. Depois de vários dias a chover, o sol fez questão de estar presente e ajudar os 200 atletas que estão inscritos. São várias as pessoas que aguardam na marginal pelo início da prova. Já no areal vemos os participantes divididos em dois grupos, atletas federados e não federados. Minutos antes da prova começar, os atletas brincam e falam entre si, visto que muitos destes são amigos ou até mesmo familiares. Ouve-se então o aviso que a partida será dentro de cinco minutos. Rapidamente o som das vozes que se ouviam diminui. Entre beijos e abraços de boa sorte os atletas concentram-se e o árbitro dá o sinal. É com rapidez que sai o primeiro grupo, cada um tentando chegar o mais rápido possível à água para começar a nadar. Os acompanhantes dos participantes continuam com as suas máquinas fotográficas erguidas, tudo para garantir o registo do momento da partida. Homens, mulheres e crianças de todas as idades percorrem a pé o que os participantes fazem a nado. Houve até quem levasse o seu fiel amigo de quatro patas. Passado alguns minutos parte o segundo grupo e a história repete-se. A pé, tentámos chegar à meta ainda antes dos participantes. Uma tarefa que não conseguimos cumprir devido à velocidade de alguns atletas. À medida que iam chegando, começavam-se a formar vários grupos que aguardavam pela chegada do último participante. Encontramos Carlos Barata com o seu amigo João Silva, um todo molhado e outro completamente seco. É a oitava vez que Carlos Barata participa nesta prova. Aos 61 anos de idade e já reformado explica-nos o porquê de ali estar. “Esta sem dúvida é a prova que mais gosto. Foram os meus filhos que me levaram a participar a primeira vez e desde aí vim sempre”. Como atleta federado, esta não é a única prova que Carlos faz anualmente. “Costumo entrar em cinco provas todos os anos. Nado pelo INATEL e gosto realmente disto”. Afirma que ao participar neste tipo de provas e fazer desporto só tem vantagens. “Entrei há pouco tempo na reforma. Desde aí já perdi peso e ganhei muita saúde. E estas provas são muito boas para o convívio”. Diz-nos que anda a desafiar os amigos para participar. Por sua vez, o seu amigo de infância João Silva, de 62 anos, não pôde concorrer. “Estive nos anos anteriores mas fui recentemente operado. Como ainda não recuperei não conseguia fazer a travessia”.Enquanto fotografávamos os dois amigos, chegou a mulher e a filha de Carlos que também tinha terminado a travessia da baía de Sesimbra. Este ano a prova contou com 5 atletas veteranos, no escalão dos 60 aos 70 anos.


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Envelhecer a sorrir Micaela Silva tem 74 anos e é conhecida por todos como uma mulher que tem sempre um sorriso e uma brincadeira para oferecer. Apesar de alguns momentos sofridos que a vida lhe proporcionou, Micaela sempre procurou encará-la a rir e a brincar. Nasceu no Alentejano e trabalhou no campo desde cedo. Foi ao cair de uma oliveira que teve uma lesão grave na sua vista, que mais tarde iria antecipar a sua reforma. Sempre gostou de costurar e foi isso que fez quando veio viver para a cidade. “Sempre gostei de coser e comecei a costurar por conta própria. Fazia roupa de homem e de mulher. Mesmo depois de reformada continuei a coser, pois a reforma era muito pouca.”Não se recorda ao certo há quantos anos exatos está reformada, mas garante que já lá vão pelo menos 30 anos. Quando esse dia chegou encarou-o com bastante naturalidade. “Encarei muito bem. O meu pensamento e as minhas mãos têm sempre o que fazer,” disse com um sorriso no rosto. Quando parou de costurar, teve que procurar algo para ocupar o seu tempo e a sua cabeça. E foi na associação de reformados da Quinta da Lomba que encontrou aquilo que procurava. “Estou aqui há mais de 20 anos. Encontrei aqui um escape para as angústias que tinha. Acima de tudo encontrei um caminho melhor e gosto de estar aqui.” Micaela já conhecia algumas das pessoas que frequentavam a associação. Por isso a adaptação não podia ter sido mais fácil. “Já tinha amigos aqui. E depois aqui todos os momentos são bons. As pessoas já sabem como é que eu sou, comigo é sempre paródia. Fui convidando vários amigos para fazerem parte aqui dos reformados. Hoje já temos mais ou menos 500 associados. Tem muitas vantagens, desde os lanches serem mais baratos aos descontos que temos nas várias excursões. Dessas excursões não se recorda de uma em especial. Garante que todas elas foram boas e divertidas. “ As pessoas ficam com as histórias na cabeça mais do que eu. Porque eu estou sempre a brincar e a fazer para que todos estejam alegres. Recordo-me bem apenas de uma vez que eu e mais duas amigas fomos às termas em São Mateus. Decidimos inscrevermo-nos primeiro que todos para sermos as primeiras a desfrutar dos tratamentos. Assim ficávamos com o resto do tempo para descansar e aproveitar aquelas férias. Às vezes íamos jantar fora e pedíamos um jarro de vinho. Três mulheres e um jarro de vinho à frente só pode acabar em risos e em brincadeiras,” afirma a rir. Mas não é apenas na associação que Micaela ocupa o seu tempo. O gosto pelas artes não é esquecido no seu dia a dia. “Para além da associação faço parte do grupo coral e também tenho os ensaios do teatro de revista. Temos ensaios regularmente e depois então fazemos o espetáculo. Acredito que quem canta seus males espanta”. E se acha que aos 74 anos Micaela deixou de exercitar-se, engana-se. Os próprios problemas de saúde que a idade traz são uma das principais razões que a levam a praticar desporto. “Faço hidroginástica duas vezes por semana. Devido ao problema que tenho nos ossos a minha médica aconselhou-me. Realmente tinha razão. Agora sinto-me muito melhor, já não tenho tantas dores e sinto-me bem na hidroginástica”. Infelizmente para Micaela o tempo não dá para mais. Gostava de poder fazer mais coisas, mas como nunca para um segundo, está contente com as suas ocupações diárias. “O meu maior gosto é viajar, mas o dinheiro é pouco e há tantas coisas para fazer. Também gostava de ter ido para uma universidade sénior, mas o meu problema de visão condiciona muitas das atividades. E sinceramente o tempo já não dá para tudo”.

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Micaela sempre gostou de ajudar os outros. Acredita que a vida só faz sentido se for vivida sem raiva. “Adoro crianças e adoro ajudar os outros. Se eu pudesse eu abraçaria o mundo com os meus braços. Com tudo aquilo que eu sofri podia ser uma pessoa revoltada, mas não, prefiro transmitir amor em vez de ódio. Só assim é que conseguimos fazer coisas boas por nós, pelos outros e pelo mundo”.Para além de aconselhar todos os seniores a ocuparem os seus tempos livres, deixa uma mensagem para aqueles que governam o nosso país. “O governo deveria vigiar melhor os lares e as pessoas que trabalham neles. As pessoas que lá estão precisam de carinho. Quanto ao resto das pessoas deviam tratar melhor os mais velhos, porque todos nós envelhecemos. É preciso sermos mais humanos e mais conscientes. Só assim poderemos criar um mundo melhor”.Micaela Silva é um exemplo de quem já teve vários entraves e desgostos na vida, mas que soube dar a volta por cima. Viver de forma ativa não só lhe faz bem ao corpo como à alma. Talvez por isso consiga ter sempre um sorriso a oferecer ao próximo, desde que não tenha uma máquina fotográfica a apontar para si.


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“A vida é maravilhosa se não se tem medo dela” Charles Chaplin

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A PENSAR EM SI

Ser idoso em Palmela A REVIVER acompanhou a Câmara Municipal de Palmela durante o mês de outubro, que reuniu esforços para proporcionar inúmeras atividades e eventos à população sénior do concelho. Deixamos-lhe aqui alguns eventos que tivemos o prazer de acompanhar.

“Arrábida – da Serra ao Mar”

Chegamos ao Cineteatro S. João e na sala já inúmeros seniores estavam a aguardar o início do documentário. Aos poucos a sala vai ficando composta pelas 5 instituições que vieram assistir. Eram nove filas de lugares preenchidos, que conviviam entre eles à espera do início do documentário “Arrábida – da Serra ao Mar”. A sala escurece e instala-se o silêncio. Inicia-se a obra de Luís Quinta e Ricardo Guerreiro, que contribuiu para acentuar a candidatura da Arrábida a Património Mundial. São imagens de tamanha beleza, que custa acreditar que aquele lugar tão único está tão perto de nós. Muita daquela fauna e flora são únicas no mundo, que só aquela área tem a honra de receber tamanha beleza exclusiva. Na tela vão surgindo as inúmeras espécies de animais que ali vivem. Nessa altura podemos ouvir comentários ternurentos sobre aqueles seres vivos. Já no momento captado da metamorfose de uma borboleta, o silêncio foi total. Sem dúvida um momento que poucos de nós podem assistir, sem que seja no documentário de alta qualidade. Após os 48 minutos com imagens de excelência, as luzes regressam. As vozes dos espectadores começam a ser audíveis. Ouvem-se vários comentários favoráveis ao documentário que acabavam de assistir.


A PENSAR EM SI

A REVIVER foi saber a opinião dos seniores sobre o documentário. Fernando Rocha disse-nos de forma sucinta. “Gostei muito. Já tinha visto em casa, na televisão, mas gostei de voltar a ver”. Já Laura Cardoso de 77 anos, da Quinta do Anjo, ficou maravilhada com o documentário. “Adorei. Uma maravilha! Tanta dúzia de vezes que passei na Arrábida, não fazia ideia que era assim tão bonita”. Laura explica que muitas vezes não nos apercebemos dos paraísos que estão tão perto de nós. Fala-nos de um momento marcante que presenciou naquele mar há muitos anos atrás. “ Há mais ou menos 30 anos, cheguei a ver os golfinhos naquelas águas. Era encantador ver aquelas criaturas livres. Infelizmente o homem vai destruindo tudo”. Este documentário pretende também chamar a atenção de todos para a importância de conservar aquele local especial. A Câmara Municipal de Palmela, durante o mês do idoso, exibiu “Arrábida – da Serra ao Mar” três vezes. Uma delas que juntou alguns jovens e seniores do concelho no mesmo local, como forma de convívio entre gerações e troca de conhecimentos. Esta iniciativa permitiu o convívio e uma atividade de lazer de cariz cultural. Mesmo fechados dentro de um cineteatro, aqueles seniores ficaram envolvidos e mais próximos da natureza.

II ª Feira Sénior de Palmela No dia 15 e 16 de outubro, o Mercado Municipal de Pinhal Novo recebeu a segunda feira sénior de Palmela. A REVIVER quis marcar presença no último dia e aproveitar para divulgar esta iniciativa feita a pensar nos seniores do concelho. Já passa das 9 horas. O último dia da II ª Feira Sénior está prestes a começar. Entre pessoas que vão fazendo as suas compras habituais nas bancas do Mercado Municipal, juntam-se também inúmeros seniores que estão ali para ver as atuações de hoje. Para abrir o dia, nada melhor que uma música tradicional portuguesa, interpretada pelos Amigos das Lagameças. O palco está instalado no fundo do mercado. À sua frente ainda encontramos algumas cadeiras livres para assistir à atuação do grupo. Olhamos em nosso redor e conseguimos perceber uma maior afluência de pessoas do que é normal. No final da atuação, o barulho habitual do mercado transformou-se num único som, o das palmas. REVIVER

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Levantamo-nos e começamos a percorrer os corredores com os 17 expositores. Neles estão diversas associações e entidades que apoiam a população sénior. Para angariarem algum dinheiro, apresentam pequenas peças de artesanato feitas pelos idosos de cada entidade. Logo à entrada encontramos o expositor dos bombeiros voluntários do Pinhal Novo, que vão medindo a tensão dos mais velhos e esclarecendo algumas dúvidas. A GNR também esteve presente para conversar com os seniores e dar a conhecer alguns programas direccionados a esta faixa etária. Depois do palco estar parado por alguns instantes, voltamos a ouvir música. Desta vez somos presenteados com a voz marcante de Rogélia, que apresentou algumas das suas cantigas. Vemos algumas pessoas nas bancas a dançarem ao som da música enquanto vão atendendo a clientela. Quando o espectáculo termina, aproveitamos para visitar um dos três espaços que também estiveram sempre disponíveis. Fomos até ao canto direito do mercado, saber como estava a correr o espaço “ Parece bem, bem parecer”. Ali, o salão de cabeleireira Custódia da Fonte decidiu oferecer um novo visual aos idosos da zona. À espera de ser atendida está Maria Rosa Esperança de 58 anos, que não deixou passar esta oportunidade. “Acho uma bela iniciativa. É bonito ver o esforço da cabeleireira, estar aqui a trabalhar de borla. Ainda bem que existem pessoas assim”. Prometemos regressar ao local, quando Maria Esperança já tivesse sido atendida. Entretanto o palco prepara-se para receber as Rábulas do Grupo de Teatro da ARPI. Mas antes reparamos que Maria já tinha um novo visual e fomos ao seu encontro. Embora não tenha optado por uma mudança drástica, estava com um aspecto maravilhoso e feliz. “Não mudei nada de especial, foi só um pequeno corte e um penteado um pouco diferente. Mas estou bastante satisfeita”. É neste momento que começamos a ouvir algumas vozes no palco. Começaram as Rábulas. Mesmo com alguns problemas técnicos no som, foi notório o esforço e a bela apresentação que aquele grupo de teatro tinha preparado. Sem dúvida mais um momento bem passado nesta parte da manhã. No andar de cima estão disponíveis rastreios oferecidos pela Comenda Templária de Setúbal. Enquanto ali permanecemos, vimos sempre algumas pessoas a dirigirem-se até ao 1º andar.Enquanto esperávamos pela última actuação, fomos até à saída saber o que é que as pessoas estavam a achar desta iniciativa da Câmara de Palmela. Encontramos Rosa Marques de 79 anos, que estava à pressa para uma consulta mas mesmo assim quis partilhar a sua opinião. “Eu acho bem esta iniciativa, deviam existir mais deste tipo. Eu hoje não participei em nenhum dos números, mas costumo participar. Faço parte do Coro e do Teatro Revista, estes eventos são sempre bons para nós darmos a conhecer o nosso trabalho”, afirmou Rosa que rapidamente se despediu de nós. Antes de entrarmos novamente no mercado, deparamo-nos com o Grupo de Teatro da ARPI que tinha acabado de actuar no palco com as suas Rábulas. Fomos saber o que os nossos protagonistas tinham a dizer da sua actuação. “ Fizemos o que tínhamos a fazer e demos o nosso melhor. Claro que foi pena o som estar com alguns problemas, não se percebia bem o que estávamos a dizer, e nas rábulas isso é fundamental. Mas o importante é participar e mostrar aquilo que sabemos fazer. O ano passado já cá tínhamos estado como coral, é mais fácil. Com o teatro não é tão fácil. Mas o balanço foi positivo”. Entre risos e vergonhas, vão se juntando para a fotografia, uns totalmente descontraídos com os seus enchidos e pão e outros que não queriam ser fotografados porque não actuaram hoje. No final todos entraram na foto de grupo, registando aquele momento para a posterioridade. Voltamos rapidamente para dentro. Estava na hora do espaço “Cozinha Viva”. O chef Hélder Martins, que participou no programa televisivo português “Top Chef”, apresentou as suas iguarias confeccionadas com produtos da região e do mercado. Seguido ao show cooking, o chef Hélder ofereceu à plateia as suas saborosas confecções. A REVIVER saiu do local satisfeita. Foi uma manhã bem passada para a maioria que esteve presente nesta II ª Feira Sénior. 30 REVIVER


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A alegria do Chá Dançante No dia 25 de Outubro, o Grupo Desportivo Leões de Cajados recebeu as IPSS do concelho de Palmela para uma tarde bem passada. O objetivo era proporcionar um chá dançante para todos os seniores e profissionais das entidades. A REVIVER chegou ao salão de festas do clube e o chá dançante já tinha começado. Mal saímos do carro reparamos nas inúmeras carrinhas ali estacionadas. Logo de seguida, a música que vinha da festa encaminhou-nos para a entrada. Ao entrarmos vemos várias mesas com bolos e petiscos que cada instituição tinha preparado. Estava a tocar uma balada e apenas estavam três pares a dançar em frente do palco. Olhamos em nosso redor e o sorriso estava estampado na maioria dos rostos que ali estavam. O convívio estava instalado. Surge o anúncio que iria passar a música do idoso de Palmela. E o apelo à dança convenceu a plateia. Entre alguns pares que dançavam no meio da sala, juntaram-se as auxiliares e as técnicas das IPSS. Bem divertidas, foram convidando inúmeros dos seniores que estavam sentados a levantarem-se e a dar um pezinho de dança. As músicas eram intervaladas entre baladas, sucessos da música portuguesa e canções populares. Mas para quem estava a ver, sem dúvida que os dois maiores sucessos naquela sala foram o “zumba na caneca” e “Nini dos Meus 15 anos”. Em ambas, conseguimos sentir a alegria contagiante daqueles que lá estavam a divertir-se. Marquelina Cândido, mais conhecida por “Miquelina”, confessa-nos que estava a gostar muito de estar ali. “Estou a gostar. Eu fui operada à perna mas parada é que dói. Sempre gostei de bailar e mais ou menos há 5 anos que não dançava. Faz-me bem às pernas”. A música continuava a fazer ouvir-se. Foram cerca de 3 horas de música e boa disposição, acompanhadas de um saboroso lanche. Algumas associações começam a arrumar as coisas para regressarem às suas freguesias. Manuel Calvo, de 74 anos, estava de saída mas não nos passou despercebido na pista de dança. Era constantemente chamado por diferentes pares para bailar e não nos negou algumas palavras. “Eu sempre gostei de dançar. O meu pai era acordeonista e eu comecei a dançar aos 16 anos. Gosto muito de viver, conviver e fazer o que ainda posso”. Enquanto nos despedíamos de Manuel, a maioria das instituições já tinham saído. Ao abandonarmos o local, ouvimos as técnicas a perguntarem aos seus seniores se tinham gostado. A resposta era unânime. “Então não gostei!” O chá dançante é um dos eventos que permite um forte convívio entre todas IPSS de Palmela. E sem dúvida uma tarde bem passada para todos os presentes.

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Saiba como evitar uma burla Já na segunda edição da REVIVER, tínhamos falado do programa “Apoio 65” da Guarda Nacional Republicana e da PSP. Desta vez, decidimos ir assistir a uma ação de sensibilização deste programa, com o objetivo de alertar os seniores para as diversas formas de burla e o que fazer perante estas situações. Ficam aqui alguns conselhos para o dia a dia. Chegámos ao Auditório Municipal do Pinhal Novo para assistir a ação de sensibilização sobre as burlas ao público sénior. A sala estava pouco composta quando entrámos, mas aos poucos e poucos, as pessoas iam chegando e ocupando os lugares livres. Na plateia o público era formado por várias gerações. Enquanto o último grupo de seniores entra na sala, os dois agentes da GNR de Setúbal preparam-se para iniciar esta ação. Depois de todos estarem bem instalados, Alexandra Malta e João Contente, os dois agentes da GNR, fazem a apresentação do tema e chamam a atenção para esta realidade na vida dos mais velhos. A REVIVER apresenta-lhe os principais tópicos debatidos e os conselhos deixados naquela sala. - As burlas acontecem a todos, mas o público-alvo mais apetecível pelos burlões são as pessoas com mais idade, desprotegidas e isoladas. - O Perfil do “Burlão”: Homens e Mulheres bem vestidos, simpáticos, de voz calma e carinhosa. Com uma conversa convincente e cativante. Fazem diferentes tipos de abordagens, sejam como familiares, amigos de familiares no estrangeiro ou funcionários de algumas entidades de referências, como os CTT, Bancos e Segurança Social. - O agente João Contente dá alguns conselhos para evitar este tipo de situações. “Em primeiro nunca nos podemos esquecer, ninguém dá nada a ninguém. Em segundo os representantes das entidades têm que estar devidamente identificados. Mas com a tecnologia de hoje é fácil falsificar a identificação. Por isso a melhor maneira de resolver estas situações é simples. Não abrir a porta e dizer que o filho trabalha nessa entidade e responsabiliza-se por isso. Não aceitar encomendas para familiares que não vivem em vossa casa, sem que os mesmos vos informem que tal vai acontecer. As entidades financeiras não enviam funcionários a casa das pessoas. E no que toca às companhias de água e eletricidade, os contadores muitas vezes estão fora das casas. A contagem pode ser dada pelo telefone. São algumas formas eficazes de afastar possíveis burlas”. 32

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A PENSAR EM SI - Conto do vigário: Os peditórios e a oferta de prémios são duas das burlas mais antigas e mais usuais. Este foi um dos temas que mais gerou perguntas naquele auditório, no que diz respeito aos peditórios. Para tentar esclarecer as dúvidas da plateia, a agente Alexandra Mata tentou responder a todas as questões. “Sem dúvida que muitas vezes é difícil sabermos se aquele peditório é real, mas todos os peditórios devem ser comunicados às autoridades. Antes de contribuírem na altura podem contactar as autoridades para saber a legitimidade do peditório. Mas o melhor que temos a fazer é, se queremos mesmo ajudar aquela causa, dirigirmo-nos à própria fundação ou associação e contribuir lá. Esta é a forma mais segura. - Em caso de uma possível abordagem de burla: Numa situação de perigo devemos sempre pedir auxílio. No caso de terem ou não conseguido efetuar a burla, devemos sempre tentar fixar alguns aspetos físicos, como a estatura do individuo, cor dos olhos e cabelo, se tem algum sinal, tatuagem ou piercing. Se a pessoa abandonar o local de carro, devemos tentar fixar a matrícula, a marca, o modelo e a cor da viatura. - Não deixar desconhecidos entrar em casa. A agente Alexandra explica algumas atitudes que as pessoas que vivem no campo ou isoladas estão acostumadas a ter que podem ser perigosas. “Hoje em dia, deixarmos as janelas e as portas abertas quando não estamos é incentivar e ajudar o ladrão. Devemos ter sempre um óculo ou uma corrente na porta, no caso de não termos, podemos espreitar pela fechadura como o meu colega disse que a sua filha de 10 anos faz. Assim sabem sempre o que está a acontecer do lado de fora. Se do nada vos entrasse água por debaixo da porta, o que faziam?” Ouvemse algumas pessoas a dizer “Abria”. Ao que a agente responde “faziam mal, pois essa é uma das formas que os ladrões levam as pessoas a abrir a porta. Despejam uma garrafa de água contra a porta para abrirem. Se fossem ver primeiro podiam reparar que a água só estava junto à vossa porta.” - Manter perto do telefone os números de emergência. Em alturas de perigo, o nosso cérebro tem a tendência a bloquear. Por isso devemos ter os números ou colados ou o mais perto possível do telefone. O 112 serve para todo o tipo de emergências, mas a ajuda chegará mais rápido se ligar para o posto da guarda local. - Ter cuidado quando levantamos a reforma nos CTT. Há pessoas que já estão à espera nas estações dos correios no dia em que são pagas as pensões e reformas. Por isso o agente João deixa alguns conselhos. “Antes de sairmos dos correios, devemos repartir o dinheiro da reforma por vários sítios. Podemos colocar 30 euros na carteira e o resto dividir pelos bolsos ou em locais mais escondidos. Assim mesmo que consigam assaltar-nos, não levam todo o nosso dinheiro. As mulheres podem transportar o dinheiro no soutien”. Na plateia, o Sr. Joaquim conta que já foi roubado, mas ao não ter todo o dinheiro na carteira conseguiu ficar com algum. - Nos transportes públicos: Devemos ter sempre a nossa mala e os nossos pertences junto a nós. Se transportarmos uma quantia elevada de dinheiro, nunca devemos mostrá-lo nem ficarmos agarrados ao local onde o guardámos. É uma atitude que pode despertar interesse num assaltante. Ao andarmos na rua: Devemos usar malas à tira cola e na via pública deslocarmo-nos pelo lado interior do passeio. Nessa situação a mala deve estar do lado oposto à estrada, para evitar possíveis arrastões, principalmente quando passam de mota ou carro e tentam retirar-nos a mala. - Não fornecer qualquer tipo de informação sua ou de um vizinho a estranhos. Muitas vezes os assaltantes e os burlões sabem vários dados das suas vítimas através dos vizinhos. Por isso sempre que lhe perguntarem se o seu vizinho está, se está sozinho ou se a família está em casa não responda. Nestas alturas uma resposta simples como: “não sei, não nos damos muito bem,” pode ajudar a evitar uma situação de perigo. No final os dois guardas da GNR perguntaram se alguém tinha dúvidas ou questões para colocar, mas a plateia ficou bem elucidada. No caso de Leopoldina Braço Forte, que esteve a assistir, estas informações foram bastante úteis. “A minha porta não tem um óculo, então abria sempre a porta. Nunca tinha pensado em espreitar pela fechadura para ver quem é. Aprendi muitas coisas importantes, não dizer que estou sozinha e ter o número da guarda local ao pé do telefone. Eu até tenho o número, mas se acontecesse qualquer coisa não ia saber dele. Por isso agora vai estar ao pé do telefone. Eu vivo sozinha e estas informações são muito boas”. Esta ação foi pensada pela Câmara Municipal de Palmela e pela GNR de Setúbal, com o objetivo de chamar a atenção para inúmeros casos de burla, que têm vindo a multiplicar-se ao longo dos anos. REVIVER 33


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Receitas do Cozinheiro Pedro Carrilho

Receitas de 5 estrelas

O cozinheiro Pedro Carrilho apresenta mais uma refeição gourmet. Saiba como confecionar Ameijoas de cebolada à bulhão pato e para terminar deslumbre os seus convidados com uma magnífica Encharcada com frutos secos.

Ameijoas de cebolada à bulhão pato Ingredientes para 4 pessoas - 3 cebolas - 1,4 Kg de Ameijoa (a que mais gostar) - 1 pacote de vinho branco de 200ml - 1 colher de sopa de manteiga - 5 dentes de alho - Sal e pimenta q,b; - 1 limão - 10 pés de coentros ou cerca de 50gr Cebolada: Corte 3 cebolas em meias luas finas. Refogue a cebola em azeite e tempere com sal e pimenta. Quando a cebola começar a ficar translucida, refresque com metade do pacote de vinho branco e deixe cozinhar 7min em lume brando e reserve. 34

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Ameijoas à bulhão pato: Se forem congeladas, deixe-as descongelar primeiro. Corte o alho de forma a lamina-lo. Pique metade dos coentros grosseiramente. Num tacho largo coloque azeite quase a cobrir o fundo e adicione a manteiga. Aqueça o azeite e a manteiga em lume médio até derreter toda a manteiga e coloque o alho para fritar ligeiramente (cerca de 30 seg) sempre a mexer para não queimar. Adicione os coentros para libertar o seu aroma e passado o tempo também adicione as ameijoas e tape. Quando passar cerca de 1min adicione o limão e o resto do vinho branco. Baixe o lume e deixe cozinhar cerca de mais 2min e desligue. Abra o tacho polvilhe com o resto dos coentros picados. Para servir: Numa travessa ou num prato fundo faça uma cama com a cebolada e coloque as ameijoas e o molho que criaram por cima.


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Encharcada com frutos secos

Encharcada com frutos secos

Ingredientes: 8 pessoas

Confeção:

- 11 gemas - 1 ovo inteiro - 500gr de açucar branco - 400ml de água - 100gr de frutos secos (aconselho nozes ou avelãs) - Canela q.b

Pré aqueça o forno a 200º; Coloque ao lume a água com o açúcar e quando começar a ferver conte 6min e desligue; Depois de arrefecer cerca de 2 a 3 min vá juntando as gemas e os ovos batidos muito lentamente sempre sem deixar de mexer para não cozer os ovos; Pique os frutos secos grosseiramente e adicione ao preparado. Verta para dentro de uma canoa de loiça ou barro e cubra tudo com uma camada de canela em pó. Leve ao forno cerca de 20 a 25min, retire e deixe arrefecer; Deverá ficar com uma camada semi-crocante por cima e mole por baixo.


NA ESPLANADA COM...

Maria Helena Bernardo Cadete Maria Helena Bernardo Cadete tem 81 anos e recebeu o ano passado o prémio do envelhecimento ativo Drª Maria Raquel Ribeiro. Dedicou a sua vida a ajudar os outros e tem sido um pilar na luta pelos idosos mais vulneráveis da nossa sociedade. Mesmo estando reformada, continua a dedicar o seu tempo em prol dos outros. Conheça a história de quem sempre soube o que significava a palavra solidariedade. - Quem é a Maria Helena Cadete? Sou uma velha senhora que gosta muito de ser velha. Tive uma vida bastante boa, modesta mas feliz. Estudei enfermagem e ciências políticas. Trabalhei em dois Ministérios, o que resultou num trabalho de 44 anos na função pública. Ensino numa escola de enfermagem. Ajudei a fundar a Associação Coração Amarelo e adoro fazer voluntariado aqui. Sou uma pessoa que gosta de estar ativa. - Desde cedo soube que a sua vida seria a ajudar os outros? Venho de uma família solidária e participativa. Brotou naturalmente. - Até à reforma foi diretora de serviços de ação social. Em 1997, quando esse dia chegou, sentiu que tinham ficado inúmeras coisas por fazer? Não. Quando chegou a reforma, ainda fiquei a convite mais 10 anos no Ministério. Estava num projeto de apoio aos idosos e convidaram-me para ficar. Tinha várias vertentes, desde o apoio domiciliário integrado, centro de apoio a dependentes, o portal tele-alarme, termalismo sénior entre outras. Aceitei o convite de bom agrado por ser um excelente projeto. - Sendo uma das pessoas responsáveis pelo guia do idoso, acha que a mentalidade da população portuguesa em relação aos seniores precisa ser reformulada? Acredito que há alguns progressos, mas todos nós temos um papel importante na transmissão dos valores, dos direitos e dos deveres de cada ser humano. Mas como é óbvio ainda são precisas mudanças. Devemos começar por ensinar os mais novos, desde o jardim de infância, só assim alguns aspetos podem ser mudados. - São inúmeros os projetos em que já esteve envolvida para proporcionar uma melhor vida aos seniores. Existe alguma razão específica ou um carinho especial por esta faixa etária? Eu fui criada pela minha avó. E acho que não poderia ter sido melhor. Quando eu, a minha irmã e a minha prima nos juntamos, acabamos sempre a falar da minha avó. Das suas histórias, vivências, costumes e até da sua ruralidade. Sem dúvida que deu-me este carinho especial pelos idosos. 36 REVIVER


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- Uma das suas grandes preocupações recai nos seniores mais desprotegidos e sós. A A. Coração Amarelo era um projeto que sempre sonhou concretizar? Eu e muitas pessoas que vieram da ação social já tínhamos este projeto em mente. E após a reforma, sempre tive vontade de fazer voluntariado junto da população idosa mais vulnerável. Por isso posso dizer que sim, era um projeto do qual sempre quis fazer parte e ajudar na sua evolução. - Com mais de uma década já podemos encontrar algumas delegações da associação. Como tem sido este percurso? Tem sido um ótimo percurso. Gostaríamos de ter mais delegações pelo país. Temos cada vez mais atividades e mais parcerias. Gostávamos de crescer ainda mais, mas o país atravessa uma situação delicada e temos que ter consciência disso. - Como se sentiu ao receber o prémio do envelhecimento ativo Drª Maria Raquel Ribeiro o ano passado? Foi uma grande honra. É o reconhecimento de uma vida de trabalho. E para além disso, também é o reconhecimento como cidadã ativa e participativa em questões sociais. Não podia ter ficado mais honrada. É uma forma de levar as pessoas a pensarem, tudo aquilo que fazemos tem sempre uma repercussão. - Sabemos que é um expoente máximo do envelhecimento ativo. Nunca se imaginou em casa, a descansar, sem nada para fazer? Não, isso não. Eu saio de casa pela manhã e só regresso à noite. A minha irmã diz que eu não consigo estar em casa. Eu gosto de ter o meu tempo todo bem ocupado. - Do pouco tempo livre que tem, como é que gosta de ocupá-lo? Leio, vou à internet, gosto de ver espetáculos e exposições. Gosto muito de ir a concertos de ópera, desde pequena que tenho esse gosto. Depois para além do voluntariado, estou na Universidade Sénior S. João de Deus. - Se lhe perguntarem, quais são as suas três paixões, o que é que lhe vem de imediato à cabeça? Viagens, leitura e solidariedade social. - Se o mundo inteiro estivesse calado a ouvi-la, o que diria? Amem-se uns aos outros.

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“Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos”

William Shakespeare


MENTE SÃ; CORPO SÃO

Respire fundo no coração de Lisboa A REVIVER foi até à cidade lisboeta contrariar a ideia que na capital só reina o stress. Bem no centro da cidade encontramos o Parque Eduardo VII. Existem várias formas de aceder ao local, nós optamos por estacionar o carro no topo norte. Ao contrário do que pode parecer, deparámo-nos com vários lugares de estacionamento a noroeste do parque. Enquanto caminhávamos até ao miradouro, foram aparecendo algumas bancas com bordados típicos portugueses. Começamos a ver a gigantesca bandeira portuguesa hasteada. A sua imensidão representa o orgulho deste povo em ser português e de ter Lisboa como capital. Após apreciarmos o seu impacto, fazendo-nos sentir tão pequenos perante esta bela bandeira. Viramo-nos de costas e deparamo-nos com a bela fonte, uma obra de João Cutileiro em honra da Revolução do 25 de abril. Descemos um lance pequeno de escadas e a partir daqui os nossos olhos prendem-se naquela panorâmica única. Do miradouro do Parque Eduardo VII podemos ver o céu a tocar na margem sul do rio. Os nossos olhos veem de forma decrescente os edifícios de lisboa diminuírem até ao grande Tejo. Sem dúvida que dá vontade de pegar numa máquina fotográfica e gravar aquela visão tão única. Para além da cidade de lisboa, temos uma visão ampla dos 25 hectares que compõem o parque lisboeta. Dali vemos uma faixa central de relvado e arbustos trabalhados. A acompanhá-la estão, nas laterais, os longos passeios da tão típica calçada portuguesa que nos irá levar até à famosa rotunda do Marquês de Pombal. Dá vontade de ficar ali o resto do dia, sentados naquele miradouro com aquela bela paisagem de fundo, mas ainda temos tanta coisa para ver. Entramos no lado noroeste do parque. Aproveitamos e bebemos um café com uma vista para um belo lago com gansos e cisnes. Estamos rodeados por belíssimas flores e árvores, sem dúvida um ótimo momento para relaxar. Vamos descendo e encontramos o Pavilhão Carlos Lopes em honra do nosso famoso atleta. Ali perto existem umas mesas de madeira, próprias para fazer um piquenique no centro de lisboa. Esquecemo-nos da loucura deste trânsito local. Se decidir fazer um piquenique não hesite em descontrair um bom tempo. Aproveite e vá dar uma caminhada ao centro do parque. Até lá chegar irá encontrar pequenos lagos e estátuas. Cada trilho parece que nos leva a outro local, onde existe algo interessante de ver.


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Vamos agora até ao centro do parque, caminhar sobre a calçada portuguesa. À nossa frente deparamo-nos com várias pessoas deitadas na relva, umas olham para o céu e outras conversam tranquilamente entre si. À primeira vista, os arbustos que vimos lá no topo do miradouro já não parecem ter aquela forma de labirinto. Mas conseguimos reparar melhor no trabalho que deve ter dado tal projeção. Ainda temos uma longa descida a percorrer para chegarmos à parte sul do Parque Eduardo VII, por isso seguimos em frente até à parte este. Para quem vem acompanhado pelos mais pequenos, aí poderá encontrar um parque infantil onde as crianças podem brincar descansadamente. Ali ao pé podemos encontrar um lago grande, cheio de carpas. Um local muitas vezes eleito para ler um livro num sítio sossegado. Bem perto situa-se a conhecida Estufa Fria, também composta por uma Estufa Quente. Uma antiga pedreira de basalto, que hoje contém uma diversidade de plantas exóticas raras de encontrar no nosso país. Ali conseguimos ver riachos, cascatas, palmeiras e bananeiras. Já na Estufa Quente temos os marcantes lagos e catos mas também aves tropicais. Aos domingos e feriados a entrada até às 14h é gratuita e poderá deslumbrar-se com aquele pequeno paraíso. Depois de estar fechada durante algum tempo, pode visitá-la por 3,10€. Mas se for reformado, pensionista ou estudante o bilhete fica em 1,55€. Se regressar para os jardins no centro do parque irá querer chegar até ao fim. Depois de tudo aquilo que já desceu, pode encontrar o acesso à rotunda do Marquês de Pombal. De novo, o trânsito habitual e frenético que esta cidade possui não passa indiferente a quem ali não vive. Vire-se então de costas e observe com calma toda a tranquilidade que acabou de percorrer. A vista é inversa à do miradouro. Daqui vê a ascensão do parque e no topo, hasteada, a bandeira de Portugal.

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A terapia que lhe soa bem ao ouvido A musicoterapia, como o próprio nome indica, é uma terapia utilizada através da música. Desta arte são aproveitados três dos elementos fundamentais em qualquer música. Ritmo, melodia e harmonia. Estes três fatores são estimulados pelo musicoterapeuta quando desafia o seu grupo a tocar instrumentos, cantar, criar, improvisar e partilhar experiências. A música tem um forte poder na mente do ser Humano e se pensar bem, vai reparar a influência que ela tem sobre nós no dia a dia. Ao longo do tempo, os especialistas comprovaram que esta pode ter inúmeros benefícios para a saúde. Desses benefícios, a musicoterapia pode trazer aos seniores uma forte melhoria na memória, na autoestima e não só. A terapia deve ser sempre feita e adaptada a pensar nos participantes. Por isso é bom procurarmos uma aula de musicoterapia para seniores. Assim todas as atividades realizadas serão pensadas segundo as necessidades e perdas causadas pela idade. O musicoterapeuta deve ter um conhecimento aprofundado das músicas que fizeram e fazem parte do universo musical de cada paciente. Podendo com isto, criar um ambiente agradável para fluir a linguagem musical e os seus aspetos terapêuticos.


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A REVIVER apresenta-lhe as principais vantagens que a musicoterapia pode trazer-lhe. 1. - Estimula e melhora a memória: A perda de memória é normalmente um processo habitual com o passar dos anos. Muitas vezes é associada apenas ao envelhecimento mas também poderá ser um fator a ter em conta no surgimento de uma demência. A música faz-nos recordar momentos passados, facilitando o resgate de inúmeras lembranças. Ao aprendermos ou relembrarmos músicas, temos que saber a sua letra, o que estimula a memória. Poderá também ser aplicada na aprendizagem de um instrumento musical. 2. - Estimula a fala: Algumas pessoas devido a doenças do passado ou mais recentes notam o seu processo de comunicação verbal afetado. Seja com sinais mais ou menos visíveis, a musicoterapia pode trazer fortes melhorias se recorrer ao canto. Ao cantarmos estamos a estimular a musculatura facial e as áreas cerebrais envolvidas. Uma simples atividade que ajuda de forma significativa a reabilitação da fala. 3. - Reforça o ritmo de marcha: Com a idade começam a aparecer diversas dificuldades de locomoção e de equilíbrio. O que torna difícil o simples processo de marcha. A utilização de músicas com o ritmo e a pulsação bem marcados auxiliará os seniores com mais dificuldades a reestabelecer esta necessidade. 4. - Estimulação a nível Cognitivo: O processo cognitivo desacelera conforme o aumento da idade. Aprender novas músicas, tocar instrumentos com diversas associações no decorrer das atividades pode tornar-se num meio excelente de estimular o raciocínio, ajudando a prevenir ou retardar doenças associadas à demência. 5. – Aumento da força Muscular: Os seniores têm tendência a perder massa e força muscular com o passar do tempo. Incentivá-los a aprender instrumentos musicais de percussão, que exigem maior trabalho muscular, pode ser uma forma de manutenção muscular. A dança e os alongamentos também são um ótimo exemplo de como atingir uma maior robustez nestas secções. 6. – Ajuda em casos de Depressão: A música tem a capacidade de controlar o nosso estado de espírito. O prazer de ouvir uma música, sendo este libertador, pode auxiliar os seniores em inúmeros aspetos emocionais. Nestas aulas, os seniores têm a possibilidade de expressar as suas emoções. O que leva a libertarem sentimentos de perda, medos e tristezas que os condiciona a viverem uma vida melhor. 7. – Diminui a solidão: O sentimento de solidão e abandono é um facto na vida de muitos idosos. Os musicoterapeutas trabalham com grupos de seniores de forma a esta terapia poder ajudar a fazer novas ligações e amizades. A partilha de conhecimentos e experiências cria novos elos e amplia os momentos de satisfação proporcionados pela vivência em grupo. A musicoterapia é uma das atividades que várias associações e centros apresentam como solução no plano de atividades. É uma terapia leve, melhora o seu estado de espírito e possibilita-lhe uma fácil integração num novo círculo de pessoas. Se gosta de musica, talvez esta seja a terapia certa para si.


As vantagens do Tai Chi Chuan para seniores


MENTE SÃ; CORPO SÃO


MENTE SÃ; CORPO SÃO

Tai chi chuan é uma arte marcial chinesa também conhecida como uma forma de meditação em movimento. Destacando-se pela concentração, resistência e beleza é uma atividade que pode ser frequentada por qualquer pessoa que queira melhorar o seu bem-estar. Os seniores encantam-se facilmente pelo Tai Chi Chuan pelos seus benefícios e simplicidade de movimentos na fase inicial. A arte baseia-se em 13 conceitos fundamentais, que se devolvem e multiplicam consoante os estilos praticados. São conhecidos como “as oito portas e os cinco passos”. O mais comum de cada escola são os 18 movimentos. Na China, devido ao estilo de vida saudável e ativa que o próprio Ministério da Saúde quer apoiar, reúnem-se cerca de 80 a 200 milhões de pessoas nos seus parques , empresas, templos e clínicas e hospitais que praticam Tai Chi Chuan. Praticam-no normalmente pela manhã, de modo a prolongar o bem-estar pelo resto do dia. A REVIVER apresenta as inúmeras vantagens que o Tai Chi Chuan pode ter na vida dos seniores portugueses, tanto a nível da saúde física como mental. - Aumenta o equilíbrio. Uma particularidade importante para quem a idade começa a avançar, pois é uma capacidade que vai desaparecendo com o tempo. - Para pessoas com a doença de Parkinson aumenta a estabilidade postural. O que permite uma melhor qualidade de vida no que toca ao corpo e à mente. - Melhora os parâmetros metabólicos em pessoas com Diabetes Tipo 2. Ajuda também em problemas de colesterol e triglicérides. - Diminui os problemas de hipertensão e cardíacos, equilibrando a mente e o organismo. - Aumento da coordenação motora, da flexibilidade e da robustez dos músculos. Uma atividade que pode ser útil para seniores que sofram de doenças reumáticas, como osteoporose, artrite e artrose. - Melhora também o sistema imunitário, quando a prática é regular. Dados estatísticos já comprovaram que o organismo apresenta mais defesas quando o Tai Chi Chuan é efetuado regularmente. - Diminuí os problemas respiratórios. Esta arte promove uma maior oxigenação sanguínea e um rejuvenescimento celular. Considera-se que o Tai Chi pode desintoxicar o organismo. - Ajuda a manter a mente equilibrada, diminuindo a possibilidade de depressões nesta faixa etária. Alguns dos praticantes sofriam de depressões que após algum tempo dedicado a esta arte melhoraram significativamente. Relataram o aumento do bem-estar, diminuição da ansiedade, aumento da confiança e também da concentração. O Tai Chi Chuan não só poderá equilibrar as forças vitais do organismo como pode executar as funções do mesmo de uma forma mais eficiente. Todos os movimentos aplicados são suaves e de fácil aprendizagem. Mas será sempre aconselhado a praticar esta arte regularmente para tirar proveito dos seus benefícios. Fica aqui a nossa sugestão para os interessados.

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REVIVER


REVISTA REVIVER Tem histórias de vida para contar? Se leu as quatro edições anteriores da REVIVER, certamente apercebeu-se que dedicamos um espaço exclusivo para os nossos leitores e protagonistas falarem sobre as suas experiências de vida. Se gosta de escrever ou tem algumas histórias que se enquadrem no contexto da nossa revista, não hesite em contactar-nos. Todos os testemunhos e sugestões são importantes para nós. Entre em contacto connosco da maneira mais cómoda para si, seja por carta ou email. Seja qual for o meio que opte, deve indicar sempre o seu nome, morada, contacto, idade e a história que gostaria de ver publicada sobre si na REVIVER, que deve começar sempre por “No meu tempo...”. Contactos Sede Revista REVIVER Rua da Esperança Lote 2B 2835-483 Santo António da Charneca, Barreiro Telefone : 212169069 email : geral.reviver@gmail.com info.reviver@gmail.com Site: www.revista-reviver.wix.com/seniores Siga-nos também no Facebook: https://www.facebook.com/revistareviver E não se esqueça do nosso blog : www.revistareviver.blogspot.pt


NO MEU TEMPO

Diamante chamado “amigo” Quando falamos “no meu tempo” ou sobre um passado longínquo soa sempre à distância marcada pelas diferenças e à história guardada como memória. É natural que com o acumular da passagem de décadas por nós quando olhamos para trás tudo parece ou já o é na realidade, diferente. Por isso, não deve ser difícil encontrar temas e motivos que nos levem a falar de situações que se transformaram em mudanças óbvias. Quando eu olho para trás, para o tempo em que era um jovem adolescente, passados no mínimo pelo menos 40 anos… houve muita coisa que mudou, mas muitas delas marcaram-me na época de tal forma que ainda hoje fazem parte da natureza da minha personalidade. Quatro décadas de constantes transformações em termos sociais, políticos, económicos e culturais acabam por definir inevitavelmente o ser humano como individuo, principalmente, no que diz respeito ao direito e à liberdade nas suas próprias opções pessoais. Perante a distância desta coisa “no meu tempo”… o mundo em que vivemos é hoje completamente outro. Contudo, todos nós sabemos que o Homem é o animal que melhor preparado está para se adaptar, forçadamente ou não, às mudanças. Está na nossa natureza e no gene que carregamos há 200 mil anos. Há coisas nesses tempos mais antigos que me trazem com naturalidade alguma nostalgia. Porém, há outras que ainda hoje são vividas como se nunca tivesse passado o tempo por elas, e são essas que mais prezo. Aqui vou falar apenas de uma! E determinante, no que de mais autêntico o ser humano pode ter… Amizade. Amizade é um dos sentimentos que tem na sua mais digna essência uma só definição… ser verdadeiro! Esta autenticidade de ser “Amigo” só nos toca, só se sente… quando a sua manifestação surge e cresce por um instinto natural; não premeditada, sem interesses ou conveniências, limitada por egoísmos, condicionada pelo egocentrismo, pelo preconceito e por estatutos que definimos no modo de vida. Mediante todos estes factores é natural que numa sociedade que vem evoluindo num pensamento e numa mentalidade de “cada um por si” a amizade de que falo não tem lugar nem espaço, e que pelo individualismo deixou de ser uma necessidade na nossa própria existência. Por isso, não é difícil ver como as relações hoje funcionam, porque não duram, porque não pesam nas nossas escolhas… a verdade é que elas não são mais essenciais, nem sequer se revestem da confiança necessária para que nos entreguemos da forma mais verdadeira e pura que um sentimento de afecto exige. Neste caso concreto, eu sou um homem feliz e realizado. Diria que fui abençoado, com a capacidade de fazer amigos e mantê-los ao longo de décadas, sempre com a naturalidade do primeiro dia em que se assumiu a amizade. Eu sei que hoje isto é muito raro, quase uma utopia. Hoje não parece ser concebível que alguém mesmo muito diferente, possa ser uma extensão de nós sem nenhuma contrapartida ou razão específica. Mas um amigo é parte de nós porque é parte de nós, só por isso, porque verdadeiramente assim se tornou. Sou um ser orgulhoso da palavra amizade. Eu tenho amigos, amigos que se têm eternizado na minha vida. Estejam onde estiverem, passe o tempo que passar são meus amigos. A minha voz, as minhas palavras, a minha existência é importante para eles porque não me esquecem, tal como eles na mesma medida o são para mim. É isto que se chama uma amizade de verdade. Encontrarmo-nos à manhã depois de algum ou mesmo muito tempo e esse reencontro dá-se como se tivessem passado somente alguns dias. É bom exemplo para poder dizer que tenho amigos em quem confio plenamente depois de quarenta anos. A quem podes dizer coisas que só as dirias a muito poucas pessoas no mundo. Não precisam de serem muitos basta que existam por tudo aquilo que representam para nós. Esta bonita palavra hoje em dia, com a globalização da comunicação, com a internet, com as tecnologias, com a competitividade humana desenfreada, com o materialismo, com a indisponibilidade sobrevalorizada, com os valores centrados unicamente em nós próprios… não tem espaço para ser cultivada e muito menos lugar para ser aceite independentemente das diferenças, das personalidades, do carácter, do estatuto social, das diferenças culturais, politicas ou religiosas. Hoje uma voz “amiga” soa a pretexto, a desconfiança, a pouco credível… por isso, não faz parte do nosso compêndio de vida. Infeliz aquele que não tem um AMIGO. Filipe Augusto Ferreira Parente de Figueiredo REVIVER

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BREVES

O melhor e o pior país para se envelhecer

The GlobalWatch Index, é um indicador que pretende mostrar quais os melhores e os piores países para se envelhecer, desenvolvido pela HelpAge International e com base na recolha de dados internacionais. Analisam e posicionam 91 países segundo o rendimento e as pensões, o sistema de saúde, emprego e educação e o meio ambiente. Conclui-se, que o melhor país para se viver na reforma é a Suécia, seguida pela Noruega e pela Alemanha. O pior país para se envelhecer é o Afeganistão, logo após o Paquistão e a Tanzânia. Portugal está na 34ª posição, atrás de países como Espanha, Holanda, Dinamarca, Chile e Brasil, e logo seguido pela China. Curiosamente, os Estados Unidos da América, considerada a maior potência económica do Mundo, encontra-se em 8º lugar. Através do The GlobalWatch Index podemos concluir que nem sempre o poder económico dos países define a qualidade de vida dos seus seniores. Mark Gorman da HelpAge International diz que “O estudo mostra-nos que a história conta. Os países escandinavos são o que se espera deles, mas não eram países economicamente abastados quando introduziram o sistema de pensões. Todos os países enfrentam escassez de recursos, mas não devem esquecer-se de também abordar as questões do envelhecimento quando fazem investimentos”. Mark refere também como apostar em políticas de envelhecimento tem grandes efeitos a longo prazo da qualidade de vida das pessoas. Numa altura difícil para Portugal, podemos tirar bons exemplos deste estudo e repensar as nossas políticas sociais para que possamos progredir e não regredir. Segundo o The GlobalWatch Index, apesar de nos encontrarmos quase a meio da tabela dos 91 países, somos um dos piores no emprego e educação. Comparando com países como o Equador ou o Chile, onde o sistema de pensões não é tão funcional, mas em contrapartida oferecem um melhor sistema de saúde. O Brasil é considerado um país com uma boa segurança económica para os seniores, mas com um sistema de saúde, emprego e educação a precisarem de melhorias.

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BREVES

Tocar um instrumento benefícia a mente

Tocar um instrumento musical pode estimular a mente, segundo um recente estudo da Universidade de St Andrews. Segundo os resultados da equipa de investigação a atividade musical pode ser utilizada para abrandar, parar ou reverter processos de declínio mental relacionados com o envelhecimento ou a doença. O estudo comparou os resultados de um grupo de músicos amadores com um grupo de controlo sem treino musical. De seguida foram comparados os resultados comportamentais e a resposta cerebral a testes mentais. A maior diferença estava na capacidade de reconhecer e corrigir os seus erros, sem perderem a sua precisão. Os investigadores dizem que se deve provavelmente ao facto dos músicos aprenderem a estar constantemente cientes do seu desempenho, sem se deixarem abalar por erros. Dr Ines Jentzsch, líder da investigação diz que “O nosso estudo demonstra que mesmo níveis moderados de atividade musical podem beneficiar o funcionamento do cérebro. Podem ser descobertas importantes, já que os processos envolvidos são dos primeiros a serem afetados pelo envelhecimento, assim como algumas doenças mentais como é o caso da depressão”.

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Treino de força para seniores

Seniores que façam treino de força durante os seus exercícios físicos, aumentam a sua massa muscular, o equilíbrio, e reduzem o risco de quedas. Segundo um estudo publicado no jornal Age da American Age Association, pessoas acima dos 90 anos a fazerem um treino específico de força, têm um melhoramento na força, energia e massa muscular. Isto reflete-se na sua velocidade, numa maior facilidade a levantarem-se das cadeiras, e um aumento muscular nos membros inferiores. Participaram na pesquisa 24 pessoas, entre os 91 e os 96 anos de idade. Durante um período de 12 semanas, duas vezes por semana tinham um programa de treino específico que combinava exercícios de força e equilíbrio. Miquel Izqierdo, da Public University Of Navarre e líder do estudo, explica “O treino aumentou a sua capacidade funcional, e reduziu o risco de quedas. Para além de todas as melhorias significativas nas capacidades físicas de pessoas mais frágeis, este estudo mostra-nos que treinos de força podem ser perfeitamente aplicados a seniores mais fragilizados”. Com o avançar da idade, as funções neuromusculares, cardiovasculares e respiratórias, diminuem progressivamente. A inatividade física é um dos principais fatores para a perda muscular e incapacidade funcional, o que leva a uma maior fragilidade. Segundo Miquel Izqierdo, os resultados do estudo apontam para a importância de implementar exercícios que contribuam para a força, andar e equilíbrio. “Seria benéfico aplica-los a pessoas mais velhas, para prevenir os efeitos físicos do envelhecimento, melhorar o seu bem estar, e ajuda-los a adaptarem-se à sociedade em que vivem”.

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BREVES

Boranga é guarda-redes aos 71 anos

Lamberto Boranga, ex-guarda-redes do Parma, completou o mês passado 71 anos. Ao ser convidado para estar no jogo amigável para comemorar os 100 anos do Parma, ficou-se a saber que o guarda-redes ainda está no ativo. Depois de vários anos afastado dos relvados, em 2009 decidiu voltar. Boranga defende a baliza do Papiano e tem contrato até 2015. Para além do futebol, o italiano participa em inúmeros torneios de atletismo na categoria máster. Já foi recordista de salto em comprimento (acima de 65 anos) e em triplo salto (acima de 70 anos). Para casa já trouxe 5 medalhas em mundiais de veteranos, sendo duas delas de ouro. O guarda-redes Boranga, ficou conhecido na década de 70 por atirar o seu boné bem alto quando se exaltava e algumas expulsões descontroladas, que marcam a carreira de inúmeros jogadores. Hoje em dia continua a demonstrar a sua garra e mostra que a vida dedicada ao desporto não foi em vão. Mesmo depois de estudar medicina e biologia, chegando a exercer funções na sua área de formação, a paixão pelo relvado sempre foi mais forte.

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ZOO DE LISBOA O Antes e o depois 60

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FOTO-REPORTAGEM

1979

1980

2012

2011


2012

1980

1992

1980

2011

2012


crónica

Afasta-te de mim, solidão! Eu trabalhei arduamente durante uma vida. Criei filhos e vi nascer netos. Perdi o meu companheiro recentemente, e todos dizem que devia sair da minha casa para outro lugar. Digo que não quero, mas não me querem ouvir. A perda de alguém que esteve ao nosso lado cerca de 50 anos deixa-nos sem forças confesso. Mas o meu cérebro ainda não parou, não me tornei incapaz de tomar uma decisão fundamental na minha vida. Quero ficar no lar que construí com o meu marido, não só pelas boas memórias, mas porque é aqui que me sinto bem. Ontem depois de assistir a um filme, dei por mim deitada na cama que faz parte desta casa há mais de 40 anos e pela primeira vez senti-me só. Passei a noite em branco, relembrei tantos momentos de felicidade e apercebi-me que não podia deixar que a tristeza me consuma. Senti-me só, mas sei que no fundo existem inúmeras pessoas que gostam de mim e se preocupam, o que nos dias que correm é uma dádiva. O homem que eu amava desapareceu fisicamente da minha vida, mas consigo sentir a sua presença e a sua orientação. Não estou só, ele não me abandonou, foi apenas um até já. Foi a última frase que me lembro antes de adormecer. Acordei mais forte. Hoje vou receber os meus filhos e os meus netos. A cozinha espera-me. Comecei a preparar o jantar por volta das 10 horas, sou uma avó portuguesa, do pouco dinheiro que tenho, consigo gerir bem a reforma e fazer um banquete com o dinheiro que um deputado gasta numa refeição. Hoje não vou vestir-me de preto, aquele fato branco e rosa assenta-me bem melhor. Telefonam-me os meus filhos para dizerem que estão atrasados. Tenho pena do stress em que vivem, sempre preocupados com o que o amanhã trará. Mas finalmente aqui estamos nós todos reunidos. Ninguém reparou no meu vestido rosa, pensei eu. Durante o jantar, a minha filha diz que tenho de pensar e decidir para onde quero ir, mas o meu neto mais velho intromete-se na conversa. “Só eu é que reparei que avó não está de preto e consigo ver o seu sorriso no rosto a servir este jantar? Não sei se já pensaram que avó é independente e livre para ficar na sua casa. Nós precisamos mais dela do que ela de nós. Quando ninguém tem onde deixar o bebé é a avó a primeira solução. Quando é preciso preparar jantares é a avó que os faz. Quando falta dinheiro a avó ajuda com o pouco que tem. E nós o que fazemos por ela? Obrigamo-la a ir viver para um sítio que ela não quer, porque temos medo que ela se sinta sozinha? Só ela pode decidir se quer viver só” afirmou. Claro que não é fácil ser derrotado pelo jovem de 16 anos. Mas foi o que aconteceu. O meu pequeno deixou todos calados naquela sala. Não me pronunciei. Para quê? Eu não diria melhor. Assim foram saindo todos, mas o meu neto quis ficar para o fim. Antes de se despedir deu-me três folhetos que reuniu com eventos e atividades para os seniores do concelho. A esse gesto apenas acrescentou uma frase, “avó pode ser que gostes de alguma atividade que está aí”. Deu-me um beijo na testa e saiu. Sentei-me na cozinha e olhei atentamente para aquela informação. Tantas atividades que nunca fiz, tanta coisa útil e gratuita que eu não sabia. Talvez tenha sido eu que nunca me dei ao trabalho de procurar. Senti naquele preciso instante que a minha vida ia mudar. Novas experiências e formas de ocupar os meus dias estavam para vir. E quando me apetecer estar sozinha, vou ter o meu próprio tempo de retiro e solidão. Sei que, naquela noite antes de adormecer, tinha plena vontade de iniciar um novo caminho. Um caminho cheio de novos conhecimentos, onde poderei conhecer outras pessoas e aprender algo com elas. Por isso antes de apagar a luz disse em voz alta, afasta-te de mim, solidão! REVIVER

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Tarot Horóscopo Bimensal Rodolfo Miguel de Figueiredo Carneiro

Touro

De 21/03 a 20/04 Cartas do Mês de Novembro

De 21/04 a 20/05 Cartas do Mês de Novembro

A Imperatriz e o Rei de Espadas

O Mundo e a Rainha de Paus

Gémeos De 21/05 a 20/06 Cartas do Mês de Novembro A Sacerdotisa e o Cavaleiro de Paus

Amor – Um novo amor pode entrar no seu coração. Deixe-o fluir e não racionalize em demasiada.

Amor – O seu magnetismo pessoal está intenso. Pode atrair a si o relacionamento de que estava à espera.

Amor – Seja ousado. O amor tem de ser apimentado. Uma segunda pessoa pode entrar na sua vida.

Saúde–Cuide-se.A auto-estima agradece.

Saúde – Sente-se saudável e com vigor.

Saúde - Bom momento para engravidar.

Dinheiro – Não seja excessivamente rígido nas suas opções profissionais. As suas finanças vão melhorar.

Dinheiro – Foque-se nos seus objectivos e não perca oportunidades. Este é o tempo de evoluir.

Dinheiro – O estudo está favorecido. Tem de aprender mais. As viagens de negócios estão protegidas.

Cartas do Mês de Dezembro O Mago e o Dois de Paus

Cartas do Mês de Dezembro

Cartas do Mês de Dezembro

A Força e o Três de Ouros

O Louco e o Cinco de Ouros

Amor – Os novos relacionamentos estão favorecidos. É também o momento para iniciar uma vida em comum.

Amor – Gira melhor o seu tempo. Um relacionamento pode estar ressentir-se pela sua ausência.

Amor – Esteja disponível para o compromisso, senão pode perder a pessoa que o ama. Não seja inseguro.

Saúde– Cuidado com as sinusites e renites.

Saúde Proteja-se das DST. Use protecção.

Saúde - Caminhe. A sua saúde agradece.

Dinheiro – Aproveite para se afirmar no seu emprego. São possíveis novos contratos e promoções.

Dinheiro – No trabalho, vai sentir uma grande energia, o que pode fazer com que reconheçam o seu esforço.

Dinheiro – Pode surgir uma despesa inesperada. As relações laborais estão tensas. Vai ser avaliado.

Caranguejo

Leão

Virgem

De 21/06 a 21/07 Cartas do Mês de Novembro

De 22/07 a 22/08 Cartas do Mês de Novembro

De 23/08 a 22/09 Cartas do Mês de Novembro

A Roda da Fortuna e o Três de Espadas

A Justiça e o Rei de Copas

O Sacerdote e o Oito de Espadas

Amor – Vai sentir-se desiludido. O passado não vai voltar. Invista primeiro em si e depois no amor.

Amor – Mostre ao seu companheiro que o compreende. O diálogo é fundamental neste período. Oiça primeiro

Amor – O amor é o que verdadeiramente importa, não deixe que os outros interfiram naquilo que tem.

Saúde Problemas de circulação. Faça exercício.

Saúde - Seja equilibrado na alimentação.

Saúde - Tome cálcio e proteja os seus ossos.

Dinheiro – Pode sentir-se traído por um colega de trabalho. Invista na carreira e esqueça a maledicência.

Dinheiro – Vai ser hábil em lidar com assuntos legais e burocráticos. Esteja atento aos pormenores.

Dinheiro – A resolução de problemas legais está favorecida. Vigie, com atenção, as suas finanças.

Cartas do Mês de Dezembro

Cartas do Mês de Dezembro

Cartas do Mês de Dezembro

O Eremita e o Oito de Paus

O Imperador e o Rei de Ouros

O Julgamento e Oito de Espadas

Amor – Se está sozinho, então uma oportunidade para amar pode bater-lhe à porta. Deixe fluir o momento.

Amor – Não use o dinheiro para dominar o seu parceiro. Aprenda a dar e a apoiar quem o ama.

Amor –A harmonia familiar vai ser muito importante, porém, podem exigir demais e desiludi-lo.

Saúde - Vigie a sua densidade óssea.

Saúde - Vigie o seu coração. Faça exames.

Saúde -Cuide da alimentação e vigie o fígado.

Dinheiro – Uma notícia inesperada pode mudar a sua carreira. Esteja disponível para a mudança.

Dinheiro – Se está à procura de um cargo de liderança, este é um bom momento. Seja firme na sua escolha.

Dinheiro – Se tem dúvidas em relação ao que quer fazer, então a resposta está para breve. Use o seu dom.


Balança

Escorpião

Sagitário

De 23/09 a 22/10 Cartas do Mês de Novembro

De 23/10 a 21/11 Cartas do Mês de Novembro

De 22/11 a 21/12 Cartas do Mês de Novembro

O Imperador e o Seis de Paus Amor – Não duvide do seu coração, confie nos seus sentimentos e siga em frente. A felicidade aproxima-se.

O Louco e o Quatro de Ouros

O Dependurado e o Rei de Paus

Amor – Não se prive da sua liberdade, nem se mova pelo apego. Meça as suas palavras e evite discussões.

Amor – Se terminou uma relação, faça o seu luto. O tempo de repouso é uma condição para o amor.

Saúde – Vigie a tensão arterial e o coração

Saúde – Tenha cuidado com as entorses.

Saúde – Se está sem energia, vá ao médico

Dinheiro – Se estava à espera de uma promoção ou de aumento salarial, então este é o momento ideal.

Dinheiro – Não se prenda a um emprego só porque lhe parece estável. Pense na sua realização profissional.

Dinheiro – Esteja atento! Se sentir o seu emprego em risco, aja, seja audaz e previna-se.

Cartas do Mês de Dezembro

Cartas do Mês de Dezembro

O Sacerdote e o Ás de Ouros

Cartas do Mês de Dezembro A Morte e o Valete de Paus

A Lua e Dez de Ouros

Amor – É bom momento para casar e para iniciar uma vida de partilha. O lar vai ser um lugar de harmonia.

Amor – O fim de uma relação pode proporcionar-lhe um período sem compromissos. Aproveite.

Amor – Não idealize o seu parceiro. Aceite o outro. Príncipes e princesas são nos contos de fadas.

Saúde - Deve consultar um oftalmologista.

Saúde – Faça a cirurgia que tem evitado.

Saúde – Vigie o seu sistema nervoso.

Dinheiro – Um novo projecto profissional pode dar-lhe um novo ânimo. A recompensa virá depois. Aproveite.

Dinheiro – Esta é uma fase de grande mudança. Tenha confiança em si. Invista no trabalho por conta própria.

Dinheiro – Pode sentir-se frustrado e perceber que o dinheiro não é tudo. Invista na sua realização.

Capricórnio

Aquário

De 22/12 a 21/01 Cartas do Mês de Novembro

De 22/01 a 19/02 Cartas do Mês de Novembro

O Eremita e o Nove de Copas

O Sol e Dez de Copas

Peixes De 20/02 a 20/03 Cartas do Mês de Novembro O Diabo e Nove de Ouros

Amor – Se o seu relacionamento está atraves- Amor – Este é um período muito harmosar uma fase de desgaste, então é tempo rea- nioso. O amor está em alta. Esperam-se cender a chama. momentos muito românticos.

Amor – A paixão e a sensualidade vão ser muito importantes neste período, mas evite dualidades.

Saúde – Se tiver cansado, tome vitaminas.

Saúde -Possibilidade de dores de garganta.

Saúde Vai sentir-se revitalizado e com saúde

Dinheiro – Tenha cuidado com os gastos. Os Dinheiro – Poderá entrar um rendimento pequenos luxos podem tentá-lo. Faça uma extra. A sua carreira está também numa pequena poupança. fase de crescimento.

Dinheiro – Vai sentir a necessidade de elevar o seu status. Prevê-se uma entrada extra de capital.

Cartas do Mês de Dezembro

Cartas do Mês de Dezembro

Cartas do Mês de Dezembro

O Mundo e o Cavaleiro de Paus

A Roda da Fortuna e o Dez de Espadas

A Temperança e o Dois de Copas

Amor – Se está interessado em alguém, dê o Amor – Se a sua relação está a passar por primeiro passo. O amor e a felicidade estão à período de crise, avalie qual é a sua espera. responsabilidade.

Amor – Vai sentir-se muito feliz e apaixonado. Crie momentos de romance e fuja ao quotidiano.

Saúde – Vai sentir-se revitalizado. Faça exercício. Saúde – Tenha cuidado com os acidentes.

Saúde – Bebe água e visite umas termas.

Dinheiro – Pode receber um rendimento Dinheiro – Pode estar a gastar mais do que extra. Faça uma viagem que lhe abra os hori- deve. Reavalie as suas despesas e faça zontes do saber. alguns cortes.

Dinheiro – Não se esperam rendimentos extras, nem despesas inesperadas. O dinheiro flui. Estabilidade.


Agenda Cultural Novembro e Dezembro de 2013 7 de Novembro

8 de Novembro

Suede no Coliseu dos Recreios em Lisboa

Miles Kane TMN ao Vivo

9 de Novembro 10 de Novembro 11 de Novembro Pixies no Coliseu dos Recreios em Lisboa

Guimarães Jazz no Centro Cultural Vila Flor

Planet Ocean Oceanário de Lisboa Entrada Grátis

12 de Novembro 13 de Novembro 14 de Novembro 15 de Novembro 16 de Novembro Casas Suspensas Cristina Ripper Centro Cultural da Malaposta

“Os Azeitonas“ no Coliseu do Porto

“Tratado ilusionista” Centro de Exposições de Odivelas

Tiago Bettencout Centro Cultural Olga Cadaval

La Bohéme no Coliseu do Porto

17 de Novembro 18 de Novembro 19 de Novembro 20 de Novembro 21 de Novembro Quarteto de Cordas de Sintra no Centro Cultural Olga Cadaval

Entre o Rio e o Mar Teatro Municipal de Portimão

Goya no Museu Nacional de Arte Antiga

Ambiente Imagens Dispersas no Centro de Arte de Ovar

Lisboa Tasting Aprecia Iguarias Terreiro do Paço

22 de Novembro 23 de Novembro 24 de Novembro 25 de Novembro 26 de Novembro Os Idiotas no Casino de Lisboa

Antonin Dvorák, O Boémio - E. Secundária de Amarante, Gratuito

Rodrigo Leão - Bandas Sonoras no Coliseu do Porto

BES Revelação 2013 Fundação de Serralves

“Em Viana” Joel Faria Viana Welcome Center

27 de Novembro 28 de Novembro 29 de Novembro 30 de Novembro 1 de Dezembro Os últimos 3 dias de Fernando Pessoa Teatro Municipal São Luiz

Lago dos Cisnes Ballet Clássico Russo Coliseu do Porto

Bailado Cinderela no Teatro Camões, Lisboa

Estalo Novo @ Centro Cultural de Belém

2 de Dezembro

3 de Dezembro

4 de Dezembro

5 de Dezembro

Do Outro Lado do Espelho na Galeria Fernando Santos

Lisbon Orchestra And Friends no Teatro Tivoli

O brilho das Cidades, A rota do azulejo Fundação Calouste Gulbenkian

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“Family Fiction Film Project Balleteatro, Porto

Gala da Abraço no Teatro Municipal São Luiz

6 de Dezembro Ana Moura - Centro Cultural Olga Cadaval


Dezembro de 2013 e Janeiro de 2014 7 de Dezembro

8 de Dezembro

Viagem a Casa dos Meus Avós no Teatrão, em Coimbra

Cinanima no Culturgest

12 de Dezembro Madredeus no Centro Cultural de Belém

9 de Dezembro 10 de Dezembro 11 de Dezembro Diário de uma Cidade no Centro Cultural de Lagos

Jorge Palma no Centro Cultural de Belém

Cildo Meireles na Fundação de Serralves

13 de Dezembro 14 de Dezembro 15 de Dezembro 16 de Dezembro Magia Miguel Pinheiro no Teatro Villaret

Carlos do Carmo no Theatro Circo em Braga

Isto é que me dói no Teatro Sá da Bandeira

Anna Calvi na Casa da Música no Porto

17 de Dezembro 18 de Dezembro 19 de Dezembro 20 de Dezembro 21 de Dezembro Martha Barros-Silêncio e Alvoroço Casa da América Latina em Lisboa

A Mulher de Porto Pim no Teatro Nacional D. Maria II

Combos de Jazz no Teatrão em Coimbra

David Fonseca no Teatro Municipal de Portimão

Tire o dia para fazer as filhoses de Natal

22 de Dezembro 23 de Dezembro 24 de Dezembro 25 de Dezembro 26 de Dezembro Artistas Portugueses na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva

Aproveite o dia para umas compras de Natal

Passe a Véspera de Natal com quem lhe é mais querido

Aproveite as suas prendas e a tarde de Natal

Graça e a Geração da “Presença” no Museu da Música Portuguesa

27 de Dezembro 28 de Dezembro 29 de Dezembro 30 de Dezembro 31 de Dezembro Vida, Pensamento e Luta de Álvaro Cunhal Casa das Artes de Arcos Valdevez

A Noite no Teatro da Trindade em Lisboa

Ahlam Shibli Exposição Fotográfica Fundação de Serralves

1 de Janeiro 2014

2 de Janeiro

3 de Janeiro

4 de Janeiro

Dia de um merecido descanso

Cirque Du Soleil no MEO Arena

PontoWAV no Melkia Spirit em Lisboa

Strauss F. Orchestra no Coliseu do Porto

Faça os preparativos para a passagem de ano

Aproveite o último dia do ano 2013

5 de Janeiro Tapeçarias Ferreira de Sá no Museu Municipal de Espinho

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Passatempos

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Sudoku Médio

Anedotas Qual é o animal mais antigo do mundo? - É a Zebra. É tão antiga que ainda é a preto e branco. Na selva o tigre afia as unhas. Perguntalhe o elefante : O que estás a fazer tigre? O tigre responde: Estou a afiar as unhas. Quando o leão chegar vai ver! Chega a zebra e pergunta o mesmo. O tigre responde: Estou a afiar as unhas. Quando o leão chegar vai ver! Aparece o Leão e pergunta ao Tigre: O que estás a fazer? O tigre responde: Oh... Mariquices!!!

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REVISTA REVIVER Novembro 2013 . Edição nº6

Ficha Técnica Fundadores António Ramos Natacha Figueiredo Director Geral António Ramos Editor António Ramos Directora Artística Natacha Figueiredo Redacção António Ramos Natacha Figueiredo Sede de Redacção Rua da Esperança Lote 2B 2835-483 Barreiro Contactos geral.reviver@gmail.com Telefone: 212169069 www.revista-reviver.wix.com/seniores facebook e blog link: https://www.facebook.com/revistareviver www.revistareviver.blogspot.pt Comunicação e Publicidade dep.publicitario.reviver@gmail.com dpt.comunicacao.reviver@gmail.com

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Revista reviver 6ªedição  

A única revista em Portugal dedicada ao envelhecimento ativo e saudável.

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