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editorial A Revista Nacional de Reabilitação é uma publicação bimestral da C & G 12 - Comunicação e Marketing S/C Ltda. Telefone (PABX): (11) 3873-1525 Fax: (11) 3801-2195 www.revistareacao.com.br contato@cg12.com.br Diretor Responsável - Editor Rodrigo Antonio Rosso Gerente Executivo Denis Deli Reportagem: Maria Luiza de Araujo Consultores Técnicos: Romeu Kazumi Sassaki Carlos Roberto Perl Colaboradores: Suely Carvalho de Sá Yañez Hermes Oliveira Márcia Gori Alex Garcia Silvia de Castro Deborah Prates Tatiana Rolim Wiliam Machado Ricado Shimosakai Samara Del Monte Celise Melo (Celelê) Neivaldo Zovico Fabiano Puhlmann Mara Di Maio Geraldo Nogueira Isabel Mcvelly Nélida Berbeito Luciene Gomes Marketing: Jackeline Oliveira Depto. Comercial: Nataliane Paiva Paulo Brandão Marco Gouveia Administração: Cissa de Carvalho Circulação: Jairo Prates José Faustino Rivelino Cordeiro Assinaturas: Cissa de Carvalho - Coordenação

Fone: 0800-772-6612 Tiragem: 20 mil exemplares Redação, Comercial e Assinaturas: Caixa Postal: 60.113 CEP 05033-970 São Paulo - SP É permitida a reprodução de qualquer artigo ou matéria publicada na Revista Nacional de Reabilitação, desde que seja citada a fonte.

Rodrigo Antonio Rosso Diretor/Editor

Começa um novo tempo, de dedicação integral à PcD !!!

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Festa dos 15 Anos da Revista Reação, que aconteceu dia 24 de outubro último no Memorial da América Latina, em São Paulo/SP, me fez refletir sobre os rumos da minha vida... em cima daquele palco, na festa, enquanto apresentava a todos um pouco da história dessa publicação e entre uma homenagem e outra prestada a tanta gente que nos ajudou nessa caminhada, fiz uma retrospectiva de tudo que passei para que esta revista chegasse até aqui. Foi como se um filme passasse em minha cabeça. E naquela noite, depois que a festa acabou e todos foram embora, fiquei lá sozinho, no meio daquele salão enquanto tudo era desmontado, e algo bem forte e positivo tocou em meu coração. Ver aquele local lindo, repleto de gente, amigos e parceiros de jornada, pessoas que não reencontrava há anos, todos se confraternizando, se revendo, se abraçando... Cada um presente ali, à sua maneira, “faz parte desta história”, como eu sempre gosto de frisar. E foi naquele momento que tomei uma decisão que mudou, de repente, o rumo da minha vida e dos meus negócios. Pode parecer loucura, muitos estão assustados com minha decisão. Mas, a maioria das pessoas, as que realmente acompanham o trabalho desta revista, estão apoiando e vibrando muito com essa atitude que tomei, assim como eu também estou. No dia seguinte da Festa dos 15 Anos, tomei a decisão que, a partir de agora, eu, Rodrigo Rosso, vou me dedicar exclusivamente à Revista Reação !!! Meus negócios nos últimos anos cresceram. Não posso reclamar. Além da Revista Reação, também tinha outras empresas em outros segmentos diferentes do nosso, outros títulos de revistas também em outras áreas, agência de publicidade, enfim... Uma série de negócios que me tomavam tempo e que me faziam de certa forma, não dedicar como eu gostaria e da maneira que realmente precisava à Revista Reação e ao nosso segmento. Eu não tinha mais tempo para me dedicar àquilo que, hoje entendo, é a minha MISSÃO maior: a pessoa com deficiência !!! Pois bem... após a Festa, me decidi. Fechei algumas coisas, repassei outras para frente, enxuguei minha estrutura, remanejei meu sistema de trabalho, encerrei todas as outras atividades que eu tinha, e a partir de 2013, me dedicarei totalmente à Revista Reação, e também à ABRIDEF, associação do setor da qual estou como presidente. Pois bem amigos, meus negócios nos últimos anos diversificaram demais e infelizmente, de certa forma, deixei de me dedicar ao que mais gostava e que me dá prazer em realizar. Sei que quero e posso fazer muito mais, não só pela Revista Reação, ou pela própria ABRIDEF, mas principalmente, quero, posso e sinto que preciso fazer muito mais pelo nosso setor e pelas pessoas com deficiência, em várias frentes diferentes sim, mas todas ligadas ao nosso segmento, à nossa área. A partir de agora, expandindo sim, mas sem perder o foco, sempre dentro do nosso segmento. Quero e vou estar mais próximo das pessoas, dos acontecimentos, participando dos eventos e do dia-a-dia do nosso setor. Como já fiz um dia, no início de tudo, lá atrás... e que nem sei direito como e nem porque, acabei um dia deixando esfriar. Mas esses 15 anos da Revista Reação fez renascer dentro de mim o desejo de recomeçar... Me fez entender que este é o meu caminho. Esta é a minha MISSÃO. Esse é o meu meio. E vocês são a minha razão ! Um grande abraço a TODOS e em 2013, e se Deus quiser, por muitos e muitos anos ainda, estaremos sim, juntos, sempre, fazendo e transformando a história da pessoa com deficiência em nosso País !!! “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu... Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou...”

Eclesiastes 3:1.2

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Ano bom e perspectivas ainda melhores !

Ficaram para trás os problemas enfrentados pela Toyota em 2011, quando a marca, também aqui no Brasil, sentiu as consequências do tsunami no Japão. Em 2012 veio a recuperação e o ano termina com bons resultados e perspectivas animadoras. “Em 2012 tivemos a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), publicada pelo Governo no final de maio, gerando um reaquecimento do mercado doméstico. Como a Toyota trabalha sob demanda, o resultado foi ainda melhor, mantendo a liderança do Corolla no segmento dos sedans médios no volume acumulado no ano”, conta Rubens Cezar Freire de Oliveira, gerente de Vendas Diretas. O segmento para pessoas com deficiência também se saiu bem e deve fechar o ano na marca de 4 mil unidades. No total das vendas gerais da marca, o número representa cerca de 4% mas no canal de vendas diretas atinge 28%. “Este ano, com a redução da alíquota do IPI e consequente reenquadramento da versão GLI AT 1.8 do Corolla na dupla isenção (IPI + ICMS), o modelo tornou-se o nosso best seller. Com relação à venda com isenção de IPI somente,

a HILUX SW4 é o sonho de consumo da categoria”, conta Oliveira. No final de setembro, chegou às concessionárias um lançamento também indicado para pessoas com deficiência: a linha Etios, composta de modelos Hatchback e Sedan compacto. Com motorizações 1.3L e 1.5L para o Hatch e 1.5L para o Sedan, representam excelentes opções de veículos compactos, com ótimo aproveitamento do espaço interno, baixo custo de manutenção e classificação “A” no Programa Brasileiro de Etiquetagem criado pelo INMETRO, assegurando o melhor consumo de combustível da categoria, aliado ao reconhecido padrão de qualidade e durabilidade Toyota. Com o lançamento do Toyota Etios como veículo compacto e pertencente a um segmento de mercado que a Toyota do Brasil até então ainda não atuava, foi necessária uma maior interação com novos clientes. “As mídias sociais são imprescindíveis nesse processo”, explica o gerente, contando sobre a nova página no Facebook. A marca está sempre preocupada em se aproximar de seu público entre as pessoas com deficiência. Participou, em abril, da REATECH 2012, com o tradicional estande e área ampliada para test-drive. Também investiu nos principais canais de comunicação como revistas especializadas e sites dedicados ao tema. “Em 2012 trabalhamos no desenvolvimento de um Programa de Certificação de nossa rede relativo ao canal de vendas diretas, que deverá entrar em vigor no início de 2013. Portanto aguardem boas novidades dentro em breve”, anuncia Oliveira. Com novos produtos no mercado, a expectativa é que o canal de vendas diretas cresça em torno de 40% em relação ao volume comercializado em 2012.


entrevista

Scott Rains

Especialista em turismo, esse norte americano é um dos principais consultores mundiais quando o assunto envolve pessoas com deficiência e acessibilidade. Seus estudos trouxeram novo entendimento à questão, fugindo da mera “adaptação”. Apaixonado pelo Brasil, já esteve várias vezes em nosso país, onde tem uma verdadeira legião de amigos e seguidores.

S

cott mora em San José, na Califórnia, o conhecido “Silicon Valley”. Aos 17 anos, fez a biopsia de um câncer na coluna dorsal, que o deixou tetraplégico. No verão anterior à cirurgia, esteve no Brasil como estudante de intercâmbio. Voltou 2 anos depois, em 1975, já como cadeirante, com uma bolsa de estudos para a Universidade de São Paulo (USP). Fez, inclusive, o primeiro workshop no país sobre “Desenho Universal em Turismo”, na abertura do 3° Congresso Internacional sobre Desenho Universal: “Projetando para o Século XXI”, além de outras visitas. Foi o fundador do Fórum Global em Turismo Acessível, e seus artigos são reproduzidos em publicações especializadas de várias partes do mundo. Como consultor em Turismo Inclusivo, esteve também em países como: Índia, Austrália, Itália, Barbados, Tailândia, Geórgia e África do Sul. Foi um dos organizadores da Segunda Conferência de Turismo Acessível Internacional e é membro honorário da Rede Europeia para Turismo Acessível (ENAT), entre outras atividades em que também atua, como: escritor, palestrante e consultor. Para conhecer melhor o trabalho de Rains, acesse: www.RollingRains.com Em entrevista exclusiva à Revista Reação, essa personalidade de reconhecimento mundial no turismo e no movimento da pessoa com deficiência fala de sua vida, seu trabalho e sua relação com o Brasil. Acompanhe: Revista Reação - Como começou a se interessar por turismo para pessoas com deficiência ? Scott Rains - A verdade é que turismo “adaptado” não me interessa. Falo de turismo inclusivo. Adaptar supõe uma norma que tem de ser modificada para 23,9% dos cidadãos do Brasil. Em escala mundial, é como dizer que um conjunto muito grande de pessoas fica fora do cotidiano dito normal, das normas, do mercado, ou da vida social. Quando aceitamos a ideologia que identifica a adaptação como uma forma de justiça, aceitamos com ela o preconceito que nos desvaloriza, tanto como seres humanos quanto como consumidores. Isso, sem falar nas consequências dessa visão para a arquitetura e a prestação de

serviços. Mais sútil e, por isso mesmo, praticamente imperceptível para quem não faz parte da nossa comunidade é a falta de nossa gente nas peças e campanhas de marketing na mídia. Essa ausência na representação visual diz que não fazemos parte do mundo, que não estamos incluídos entre os que têm responsabilidade pelo seu destino, o que impede a existência de um pensamento voltado para tornar a vida no planeta uma experiência agradável para nós.

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entrevista

RR - A questão do turismo é bastante discutida entre as pessoas com deficiência, com muitos estudos para definição das melhores rotas, hotéis acessíveis, transportes adaptados. Sua afirmativa é que o caminho não é o turismo adaptado, mas sim o turismo acessível. Qual a diferença entre os dois conceitos ? SR- No setor do turismo, a aplicação do Desenho Universal em todas as fases do desenvolvimento de produtos turísticos, serviços e comunicação, bem como no desenvolvimento e marketing de destinos, é conhecida como Turismo Inclusivo. Nesta época que antecede a Copa 2014 e Rio 2016, é apenas esta abordagem da política de turismo e da gestão de destinos que pode criar produtos com apelo para esse mercado global de 1 bilhão de pessoas. Atualmente são publicados muitos artigos sobre essa realidade, o que é sem dúvida importante para nós como viajantes. Acho, no entanto, mais importante neste momento o aprofundamento das discussões - por meio de estudos acadêmicos e técnicos - sobre o comportamento dos viajantes com deficiência e os processos de decisão do mercado com relação às demandas desse segmento. No Brasil estamos esperando os resultados da primeira pesquisa nacional sobre a comunidade de pessoas com deficiências como viajantes. Meus parabéns aos integrantes do governo que tiveram a clareza de visão para iniciar essa investigação, necessária para que se implante no país um turismo verdadeiramente inclusivo. Com uma pesquisa confiável, pode-se iniciar o gerenciamento de destinos, que depende de um plano de turismo integral, direcionado para destinos que adotam princípios e mandamentos do Desenho Universal. RR - Qual a importância do Desenho Universal nessa questão do turismo ? SR - Os princípios do Desenho Universal são aplicados para criar produtos, ambientes e comunicação

a serem utilizados por todas as pessoas, na maior extensão possível, sem necessidade de adaptação ou desenho especializado. O modelo pressupõe que as pessoas com deficiência em geral e aquelas que têm deficiências específicas semelhantes, possuem um comportamento econômico similar. Por exemplo, as pessoas com deficiência irão reconhecer e comprar produtos e serviços projetados para acomodar suas limitações em função do corpo, desde que estes não mais as estigmatizem como diferentes. Estudos têm mostrado que os viajantes com deficiência tomam decisões de viagem baseados mais nas recomendações boca-a-boca do que qualquer outro segmento do público viajante. Um estudo feito nos EUA em 2002 e repetido em 2005 mostrou que americanos com deficiência gastam a cada ano 13,6 bilhões dólares somente em viagens. A pesquisa mostra que eles poderiam dobrar a frequência de suas viagens se a indústria adotasse as práticas de turismo inclusivo. Para mais informações, sugiro o livro da minha colega Silvana Cambiaghi, em português: “Desenho Universal - Métodos e Técnicas para Arquitetos e Urbanista”, e o novo livro didático: “Universal Design: Creating Inclusive Environments”, dos meus colegas Edward Steinfeld e Jordana Maisel. RR - O que pode representar o turismo para as pessoas com deficiência ? É diferente em relação a pessoas sem deficiência ? Qual a importância da acessibilidade nesse caso ? SR - Nosso comportamento “natural”, seja social ou econômico, é distorcido pela falta de acessibilidade, que nos exclui da participação plena como cidadãos. Lembro ter dito uma vez que: “Qualquer viagem é um esporte radical para quem tiver deficiência”. Viajamos para nos testar contra o desafio de sair nossa zona de conforto, mas queremos escolher desafios interessantes, outros que não sejam os da viagem, como problemas ao embarcar no avião, entrar no banheiro ou ainda, para quem estiver surdo, sobreviver à falta de sinais de emergência visual no quarto do hotel. É uma decisão perigosa para uma empresa abrir mão dos lucros que podem ser auferidos em um segmento do mercado que cresce tão ra-


entrevista pidamente como o turismo de pessoas com deficiência. Turismo é, antes de mais nada, um negócio, vive do lucro. Deixar de pensar em um quarto da população como consumidora dos produtos de turismo define, desde o principio, que resultado obtido nesse negócio não vai ser adequado. RR - Já viajou por muitos países a trabalho e por lazer. Quais as melhores experiências em turismo e acessibilidade que já encontrou ? SR - Existem lugares que já descobriram como desenvolver um turismo inclusivo. As ilhas Canárias, a cidade de Takayama no Japão e vários lugares no Canadá são bons exemplos. No Brasil, temos Socorro e Brotas (SP) e Gramado (RS). Mas o destino que melhor sabe proporcionar o que queremos é a Disneylândia ! Pode-se reclamar que eles têm a vantagem de possuir controle total sobre seus ambientes, e é verdade. Fazem isso de propósito. Praticam um gerenciamento de destino inclusivo. Têm a atitude correta – oferecer delícias, proporcionar deleite, ultrapassar as normas e expectativas, projetar uma experiência integral para todos. Até inventaram uma palavra para quem desenha isso: “Imagineer.” Gosto disso. Eles praticam o que dizemos na indústria: “Não vendemos uma simples viagem. Vendemos é imaginacão”. RR- Sua relação com o Brasil é antiga, desde os tempos de estudante. Quantas vezes já esteve em nosso País e qual sua avaliação sobre a acessibilidade por aqui ? Mudou muito nos últimos anos ? SR- Estive 7 vezes no Brasil, inclusive em visitas de vários meses. Deixei minha bolsa de estudo na USP em 1975, em São Paulo/SP, por falta de acessibilidade e pela falta de desejo da universidade de corrigir essa injustiça na época. Mas muitas coisas estão melhorando. Programas como o “Viver sem Limite” do governo, mostram o caminho certo, sem contar o erro estrutural de não incluir o Ministério do Turismo na gerencia nacional do projeto. Parabéns a um governo que está respondendo ao ímpeto do nosso movimento. Além disso, no setor privado, houve o entendimento de pessoas com deficiência como sendo clientes e consumidores, o que vai facilitar uma inclusão social sustentável. RR - Grandes eventos ocorrerão no Brasil proximamente, a Copa do Mundo de Futebol em 2014, as Olimpíadas e Paralimpíadas em 2016. O que é preciso fazer em termos de acessibilidade para receber bem as pessoas com deficiência que viajarão para o Brasil ? SR - Nesse caso, concordo com meu amigo Augusto

Fernandes, que é responsável pela acessibilidade no Comitê Brasileiro da Paralimpíada Rio 2016: inicialmente é preciso que todas as obras construídas para os jogos sejam acessíveis e cumpram os as exigências nacionais e internacionais de acessibilidade. Em um segundo momento, não menos importante, é preciso adequar toda a infraestrutura já existente e que servirá para os jogos. Isto envolve desde o sistema de transporte, vias públicas, acomodações e as instalações esportivas. Também é de suma importância treinar as pessoas para operar todo esse sistema e ao mesmo tempo conscientizar a população, despertando uma nova visão e atitude perante as pessoas que possuem alguma deficiência ou mobilidade reduzida. Veremos como o ambiente e atitude, juntos, vão servir para liberar o poder reprimido do povo brasileiro com deficiência. Servir bem o nosso cidadão é 80% do necessário para receber bem as pessoas com deficiência que viajarão para o Brasil. O genial desse enfoque é que somos nós, como turistas estrangeiros, que faremos retornar custos iniciais para o Brasil na forma de lucros. RR - Quais são seus planos em relação ao Brasil ? SR - Meu plano em relação ao Brasil é fazer um tour jornalístico pelos estados sedes dos jogos da Copa 2014. Pretendo repetir a viagem que fiz pelas províncias da África do Sul, que sediaram a Copa do Mundo 2010. Quero contar, antes do Rio 2016, essa história do que é conhecer este grande e belo país. RR - Qual sua mensagem final aos leitores brasileiros ? SR - Evitem os erros que fizemos nos EUA. Como disse Bertrand Russel: “Por que repetir velhos erros quando há tantos erros novos para cometer ?”

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Proporcionar autonomia é a principal meta Poder dirigir o próprio carro representa independência e melhora significativa na qualidade de vida da pessoa com deficiência. Proporciona seguir em frente e ter o direito de ir e vir, como qualquer um. A Autoescola Javarotti, aberta em 1992, está empenhada em ensinar como fazer isso com segurança, além de assessorar os alunos junto ao DETRAN com a documentação necessária para se conseguir a habilitação. Com o tempo firmou-se como referência na área pela sua dedicação e empenho nesse segmento, tornando-se especialista no assunto. Em enquetes realizadas durante feiras especializadas e órgãos de imprensa, sempre foi a marca mais lembrada em sua categoria, muito distante de outras similares. Cerca de 90% dos alunos possuem deficiência física, nanismo ou surdez. Os carros possuem as mais modernas adaptações, que podem ser conhecidas no site (www. autoescolajavarotti.com.br), e os instrutores são altamente treinados e capacitados, o que inclui fluência em Libras para os que trabalham com deficientes auditivos. Com a alta especialização, é comum administrarem também palestras em instituições com a AACD e outras. São 4 unidades na capital paulista, e mais: Santo André/SP, Santos/SP e Mogi das Cruzes/SP. Em bre-

ve abrirá um ponto em Guarulhos/SP, depois de ter fechado Osasco/SP, por questões internas. As escolas são totalmente adaptadas para receber os alunos, com banheiros próprios, rampas e portas mais largas, entre outras facilidades. “Nossa trajetória é o exercício diário em querer melhorar e ter respeito para com esse cidadão, entendendo sempre as suas necessidades”, conta a diretora Luciane Santana Habib. Para ela: “poder atender esse segmento, contribuir com a retomada desse público, participar dos seus choros ou sorrisos e suas conquistas é mais que um trabalho apenas, é uma realização pessoal e profissional de sua diretoria e seus colaboradores”. Luciane conta que podem sentir na pele o que é ter uma dificuldade, já que o filho de um dos diretores apresenta sequela de paralisia cerebral e outro diretor já teve um acidente vascular cerebral (AVC). A diretora garante que 2012 foi um ano de muita “correria” já que o objetivo é melhorar o atendimento cada vez mais, procurando ser um prestador de serviço com responsabilidade em um mercado que está em crescimento constante. “A todo momento aprendemos algo com nossos clientes que são mais do que especiais, aprendemos a não reclamar, aprendemos a realizar, a caminhar e a entender que não existem limites para aquele que quer viver, o privilégio é existir”, garante.


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Brasil é destaque em rede internacional

De origem alemã, a Ottobock está presente em vários países com suas próteses, órteses e cadeiras de rodas. “Somos uma empresa de 800 milhões de Euros em 2012”, comenta Wilson Zampini, presidente regional para a América Latina, região em que é a única internacional do setor com estrutura própria, atendendo toda a região com subsidiárias no México, Colômbia, Equador, Peru, Chile e Argentina, além do Brasil, que funciona como uma unidade de apoio regional. “Nosso faturamento deverá estar ao redor de 30 milhões de Euros na região”, afirma. O Brasil foi definido como um dos 8 mercados foco no mundo para os próximos 10 anos. “Essa decisão foi influenciada pela importância que estamos conquistando como país, pelo trabalho desenvolvido na operação brasileira e pelo potencial que o Brasil tem no setor de produtos e serviços para pessoas com deficiência”, explica Zampini. “Baseado nesse cenário, estamos trabalhando em diversas frentes para produzir aqui, além de estreitar colaboração para desenvolver soluções adequadas à nossa realidade e que cumpram os padrões de qualidade internacional”. Com sede em Campinas/SP, deverá inaugurar novo espaço em Indaiatuba/SP, em 2013, incluindo modernas instalações para operação comercial/logística e um novo Centro de Treinamento para oferecer apoio ao trabalho de suporte na difusão de co-

nhecimento na área de Ortopedia Técnica e Mobilidade. No próximo ano: “estão previstos muitos lançamentos de produtos na linha próteses e de cadeira de rodas, entretanto a introdução de novos produtos depende da liberação e aprovação do cadastro na ANVISA. Isso é um tema bastante sensível no segmento de saúde e reabilitação o que, em alguns momentos, é factível de atrasos no planejamento anual de nossos lançamentos”, explica Marcos Freitas, diretor geral Ottobock do Brasil. A política de novidades é um dos pontos fortes da empresa que desenvolve um projeto interno denominado Desenvolvimento Dirigido pela Demanda (DDD). O objetivo é estudar e conhecer os desejos e anseios dos consumidores brasileiros, analisando a demanda do mercado e as necessidades dos produtos. Dos primeiros resultados deste trabalho foram introduzidos, em 2012, novos produtos como o Sistema AQualine, solução protética composta por materiais especialmente desenvolvidos para permitir boa funcionalidade e utilização da prótese de membro inferior em ambientes aquáticos; Órtese CARBONIQ, nova geração de articulações para construção de órteses de membros inferiores KAFOS/AFOS, em polímero reforçado com fibra de carbono que alia leveza e alta resistência e Cadeira de Rodas Ventus, de estrutura monobloco diferenciada, desenho compacto e alto desempenho, com alto nível de conforto e fcilidade de manuseio.


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As demandas para uma cadeira de rodas são diferentes. Tão diferentes como as pessoas. Para alguns, desenho compacto e alto desempenho são importantes, para outros o conforto e a facilidade de manuseio. Mas há algo que une a todos os usuários: obter máxima mobilidade. Por isso a Ottobock criou um produto que combina tudo isto: a Ventus – a sua nova geração de cadeira de rodas monobloco. De qualidade e funcionamento excelentes, propriedades de giro extraordinárias; a união ideal de ergonomia e conforto com uma relação custo/benefício fantástica. Para pessoas exigentes, no mundo inteiro! Venha conhecer, você vai se apaixonar!


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coluna especial

por Romeu Kazumi Sassaki

Pessoa com deficiência 206 anos antes da inclusão

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Parte 01

o iniciar o curso de graduação em serviço social em 1960, comprei o livro British social work in the nineteenth century (“Serviço social britânico no século 19”, em tradução livre), publicado pela editora Routledge and Kegan Paul. Por sinal, até hoje ele não foi traduzido para o português.

incapacitados) [às pessoas com deficiência] girou em torno das necessidades dessas pessoas por educação enquanto jovens e por cuidados espirituais o tempo todo. Em consequência, “é com frequência para as escolas e missões religiosas que o trabalho for the handicapped (pelos incapacitados) [pelas pessoas com deficiência] precisa ser estudado”.

O que me trouxe de volta a esta preciosa publicação hoje — 52 anos após tê-la estudado pela primeira vez — foi o meu interesse em recordar os termos e os conceitos que os seus autores, a cientista social A. F. Young e o sociólogo E. T. Ashton, utilizaram na década de 50 do século 20 para se referirem às práticas adotadas em relação à pessoa com deficiência na Grã-Bretanha, no século 19, ou seja, 206 anos antes da era da inclusão. Quais eram as terminologias e conceituações em voga entre 1806 e 1956? E quais são os equivalentes termos e conceitos em 2012? Para tratar desta questão, traduzirei neste artigo o capítulo 10 do citado livro. E convido o leitor a me acompanhar nesta jornada, associando os termos e os conceitos da GrãBretanha com os que você souber em relação à realidade brasileira ao longo dos últimos dois séculos. Proponho adotarmos juntos, o leitor e eu, três critérios nesta tradução: /a/ Os termos técnicos utilizados no livro serão grifados. /b/ Entre parênteses, traduzirei ― com terminologia brasileira em vigor em 1956 ― os termos ingleses grifados. /c/ A equivalente terminologia atual, utilizada no Brasil, virá entre colchetes. Comecemos pelo título do capítulo 10, que é:

A cegueira, acima de todos os outros defects (defeitos) [deficiências], capturou a imaginação e a piedade do público, mas, até o século 19, the blind (os cegos) [as pessoas cegas] foram consideradas totalmente helpless (sem ação), doomed by Providence (condenados por Deus) a serem sempre dependentes de outras pessoas e absolutely unfitted (completamente impotentes) para cuidar dos próprios afazeres. Assim, embora todo mundo tivesse pena, era aceito que àquelas pessoas que não podiam ser sustentadas por seus amigos deveria ser assegurada uma pensão de qualquer fonte disponível, ou uma aposentadoria em a home (um asilo) [um lar], ou que se tornassem mendigas nas ruas. A Lei dos Pobres, de 1834, tacitamente reconheceu isto, isentando as pessoas com deficiência visual das duras normas relativas à assistência e ao exame de carência de recursos. Nos anos 30 [do século 19], um grande número de asyluns (asilos) [lares] para pessoas cegas foi construído, como, por exemplo, o Henshaw Blind Asylum (Asilo para Cegos Henshaw), em Manchester, fundado em 1839, para impotent persons (pessoas impotentes) e com idade avançada. A mendicância permaneceu como a maneira favorita de ganhar a vida e, em alguns casos, até mesmo a educação que os cegos [as pessoas cegas] haviam recebido foi usada para despertar a piedade dos transeuntes, pois com frequência the blind (os cegos) se sentavam nas esquinas de ruas lendo a Bíblia impressa com letras em relevo [ainda não era em braile]. Em 1889, a Comissão Real relatou que muitos cegos [muitas pessoas cegas] tinham pouco a fazer e se tornaram mendigos ou dependentes de instituições de caridade. Mas, uma nova atitude começou a se desenvolver e, entre as pessoas que difundiram essa atitude, estava Elizabeth Gilbert. Nascida em 1826, terceira filha de A.T. Gilbert ― diretor da Faculdade Brasenose e, mais tarde, Bispo de Chichester, Elizabeth ficou cega aos três anos de idade, após um severo ataque de escarlatina. Seus pais decidiram que ela deveria ter as mesmas oportunidades de seus irmãos e irmãs e conseguiram que ela aprendesse tanto quanto eles aprenderam. Sua mente foi desenvolvida com aprendizado e experiência, de tal forma que - embora os últimos 10 ou 15 anos antes de sua morte aos 59 anos de idade tivessem sido vividos como uma invalid with spinal trouble (inválida com

THE HANDICAPPED (Os incapacitados) [As pessoas com deficiência].

A temática da handicap (incapacidade), no aspecto visual, auditivo, mental [intelectual] ou referente à physical deformity (deformidade física) [deficiência física], despertou considerável interesse durante o século 19 e fez criar no século 20 um grande número de organizações voluntárias para assistir intermitente e seletivamente aquelas pessoas less well-equipped (menos aquinhoadas) nos mencionados aspectos em comparação a uma normal person (pessoa normal) [pessoa comum]. A Sociedade para Organização da Caridade [COS, na sigla em inglês] e outras instituições de serviço social do século 19 reconheceram que the stricken (os acometidos) [as pessoas com deficiência] eram um particularly suitable and deserving object of their care (particularmente digno e apropriado objeto de seus cuidados). Muito do interesse que levou à criação de special services (serviços especiais) for the handicapped (aos

1. (Os cegos) [As pessoas cegas]


coluna especial doença espinal) [pessoa com deficiência por lesão medular] - Elizabeth tinha muitos recursos pessoais e espirituais. Seus anos mais ativos parecem ter sido entre 1850 e 1875. Em 1851, ela escreveu para o sr. W. H. Levy, um jovem professor cego da escola St. John’s Wood, sobre um sistema de impressão que ele estava utilizando em seu trabalho, e assim começou uma parceria que iria produzir resultados de amplas consequências para os cegos [as pessoas cegas]. Levy, an intelligent man (um homem inteligente) de origem pobre, forneceu à Elizabeth informações sobre as necessidades das pessoas que fossem pobres e cegas e, juntos, montaram um esquema para prover trabalho para cegos [pessoas cegas] e vender os bens produzidos, bem como para prover assistência social e visita domiciliar esquema que se transformou em um sistema nacional.

Princípios

Elizabeth Gilbert e seus associados iniciaram com a premissa de que os cegos [as pessoas cegas] não eram doomed to be parasites on society (condenadas a ser parasitas da sociedade) [improdutivas]. Dada a necessária oportunidade, the handicap of blindness (a incapacidade da

cegueira) [a cegueira] poderia em certa medida ser superada e os cegos [as pessoas cegas] poderiam tornar-se úteis, ter respeito próprio, ser cidadãos que se sustentam sem auxílio de outrem. Para tornar isto possível, a sociedade precisa considerar os cegos [as pessoas cegas] não como doentes e impotentes, mas como potential citizens (cidadãos em potencial) e trabalhadores capazes, sob certas condições, de desempenhar funções na companhia dos que enxergam. Então, foi defendido, como primeiro princípio, que as crianças e as pessoas com cegueira recente if educable (se fossem educáveis) [se fossem consideradas capazes de aprender] deveriam receber educação escolar no uso de vários meios de leitura e escrita, e não deveriam mais do que o necessário ser segregadas das pessoas que enxergam. Em segundo lugar, Elizabeth e seus associados quiseram desenvolver cursos comerciais a fim de que os cegos [as pessoas cegas] tivessem meios de sustento. Em terceiro lugar, eles argumentavam que todos os meios de emprego deveriam ser disponíveis, seja em casa, na indústria ou em sheltered workshops (oficinas protegidas de trabalho).

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Um ano cheio de novidades “Produtos Especiais para Pessoas Especiais”: este é o slogan da Terra Eletrônica, empresa com sede em São José dos Campos/SP, que apresenta em 2012 um aumento de vendas, tanto para escolas públicas quanto diretamente às pessoas com deficiência. Os produtos mais procurados são a lupa eletrônica para deficientes visuais e o Roller Mouse, utilizado por pessoas com deficiências motoras. O engenheiro Valdemir Ribeiro Borba, idealizador da empresa, conta as novidades: “Lançamos novos modelos de lupas eletrônicas, como Mec-Lupa 4.2, que é ligada diretamente ao USB do computador e tem preço mais acessível,

podendo participar de licitação governamental. Também o Big Ball Mouse, com esfera gigante, visando substituir o modelo importado, antigo e muito caro, com várias funções novas, além da prancheta vocálica Vox Table com caneta leitora de símbolos gráficos, exclusividade e inovação da Terra”, diz o empresário. Mesmo assim, 2013 é de incertezas: “O nosso mercado comprador de tecnologia assistiva (governo) está sendo entregue aos importadores e seus assemelhados”, finaliza o engenheiro.

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coluna especial E em quarto lugar, sob o argumento de que os laços sociais são mais necessários aos cegos [às pessoas cegas] do que aos outros, eles tentaram promover a família e a visita familiar, e oferecer apoio financeiro ou outro que este princípio envolvesse. Nisto, eles foram encorajados pelo exemplo do Instituto Dresden para os Cegos, onde a experiência mostrou que é possível oferecer à pessoa com deficiência visual uma variedade adequada de treinamento, enquanto a capacita para manter contato com as dificuldades da vida diária. Dresden também desenvolveu um esquema de subvenção, particularmente em ferramentas e matériasprimas, para aqueles que recebiam alta da instituição para se estabelecerem por conta própria, e comprou matériasprimas em quantidade para serem vendidos a preço de custo para o trabalhador cego. Em troca, o trabalhador era encorajado a vender seus produtos privativamente. Se ele não obtivesse êxito, o Instituto assumia vendê-los para ele. Para apoiar o esquema, seguindo talvez o precedente do experimento Elberfeld, guardiões voluntárias que residissem perto dos cegos [das pessoas cegas] eram recrutados para orientar e ser amigos. Embora este país nunca tivesse desenvolvido tal esquema eficaz de cuidados, foi um exemplo avidamente observado e estudado aqui [na Grã-Bretanha] durante o século 19.

Métodos de reabilitação dos cegos [das pessoas cegas]

1. Educação. Como seria de se esperar, as instituições pioneiras, do século 18, estavam preocupadas com a educação das crianças. M. Hauy fundou a primeira instituição para cegos [pessoas cegas] em Paris em 1784; em Liverpool em 1791; Edinbugh começou uma em 1793; e a London School for Indigent Blind (Escola para Cegos Indigentes de Londres) surgiu em 1799. Estes esforços pioneiros foram seguidos por outros em Londres e em Province até que, por volta de 1870 e com a edição da Lei de Educação, um razoável número de escolas foi fundado pelo movimento voluntário em prol da educação e do treinamento de crianças cegas. Além disso, por uma lei de 1862, as Diretorias de Guardiões foram empowered (empoderadas) para manter, vestir e educar crianças cegas ― oriundas de famílias pobres ― em special schools (escolas especiais), sob a condição de que o seu custo total não excedesse o que uma criança teria custado na workhouse (lar correcional) [local que, nos séculos 18 e 19, abrigava pessoas muito pobres em troca de trabalhos desagradáveis e árduos]. Apesar de esta lei não ter sido usada extensamente, ela mostrou alguma preocupação pública pelas crianças. Quando as Diretorias Educacionais foram estabelecidas em 1870, era seu dever proporcionar classes ou escolas para todas as crianças, porém mesmo 19 anos depois, em 1889, a Comissão Real relatou que a maior parte da educação de crianças cegas foi delegada a instituições de caridade. A principal controvérsia se referia ao problema de saber até que ponto as crianças cegas poderiam ser ensinadas juntamente com the sifghted children (crianças sem

deficiência visual) e até que ponto elas deveriam ser segregadas em special schools (escolas especiais). Havia um grande e influente volume de opiniões, notadamente da COS em Londres, a favor do ensino destas crianças em ordinary schools (escolas comuns) juntamente com crianças sem deficiência visual, desde que houvesse special classes (classes especiais) onde o braile e outras ‘blind techniques’ (‘metodologias para cegos’) poderiam ser ensinados. Em apoio a estas opiniões, seus autores citaram a experiência escocesa na qual, como acontecia em Glasgow, as crianças cegas foram ensinadas com grande sucesso em ordinary schools [escolas comuns] por muitos anos. Apesar disto, a tendência era a de criar special schools (escolas especiais) para pessoas cegas e isto logo levantou questões como a de haver ou não haver special training (treinamento especial) de professores, a de criar ou não criar um inspetorado, e a de ser ou não ser compulsória até os 16 anos de idade a educação dos cegos [das pessoas cegas]. A COS respondeu estas questões com afirmativas enfáticas. 2. Treinamento. Relacionados intimamente com as mas não inseparáveis das escolas para crianças cegas, existiam os estabelecimentos de treinamento para pessoas jovens e idosas. A escola de Liverpool (1791), que obteve uma Lei do Parlamento em 1829, oferecia às crianças a escolarização até os 16 anos de idade e, depois disso, lhes ensinava uma profissão. Muitas escolas e instituições posteriormente adotaram um padrão semelhante. Apesar do exemplo de Dresden, havia ainda uma verdadeira dificuldade em encontrar uma variedade suficiente de profissões que satisfizessem as variadas necessidades dos cegos [das pessoas cegas]. E, embora alguns cegos [algumas pessoas cegas] fossem treinados em oficinas protegidas ‘para videntes’ [local onde trabalhavam pessoas sem deficiência visual], eles pareciam estar inadequados para tais oficinas. As pessoas surdas mostraram estar adequadas nessas oficinas. Uma profissão ou uma arte, considerada particularmente adequada para os cegos (as pessoas cegas), era a música; e a Royal Normal College, de Norwood, se preocupava exclusivamente com a educação musical daqueles alunos, em geral para que eles ganhassem a vida como professores ou músicos. Este artigo continuará na próxima edição.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

YOUNG, A.F.; ASHTON, E.T. British social work in the nineteenth century. Londres: Routledge and Kegan Paul, 1956, 264 p.

Romeu Kazumi Sassaki é consultor e autor de livros de inclusão social E-mail: romeukf@uol.com.br


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Tecnologia própria a serviço da inclusão Brasileira de Inovação é o mais importante instrumento de estímulo e reconhecimento à inovação no país. A Tecnologia Assistiva é uma categoria que entrou este ano na premiação. “Todo o esforço e trabalho que tivemos durante tantos anos, explicando para as pessoas o que é Tecnologia Assistiva e sua importância, foram A Expansão - Laboratório de Tecnologia Terapêutica - projeta, desenvolve, fabrica e comercializa produtos assistivos. Desde sua origem, em 1990, na capital paulista, atende crianças e adultos com deficiências neuromotoras graves. Ao longo de sua história, criou soluções funcionais para o dia a dia, reabilitação, educação e lazer. O diferencial é ser um centro de desenvolvimento de tecnologias terapêuticas. Boa parte dos equipamentos foram invenções – portanto tecnologias inexistentes no mundo, sendo patenteados pelo Serviço Estadual de Apoio ao Inventor (SEDAI). A qualidade dos produtos rendeu também a Certificação Europeia (CE) e o certificado alemão (TUV), permitindo a exportação para vários países. Com sua excelência, ganhou vários prêmios. O mais recente foi a vencer, pela região Sudeste, a Categoria Tecnologia Assistiva do Prêmio FINEP de Inovação 2012. Criado pela Agência

recompensados naquele momento, recebendo o troféu”, comemora Gisleine Martin Philot, terapeuta ocupacional e uma das fundadoras da empresa.


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Montadora aposta em novo modelo e atendimento

O programa “Acesso Ford”, destinado às pessoas com deficiência, tem seu campeão de vendas, o modelo EcoSport. E vem novidade por aí: a partir de janeiro, a nova EcoSport automática será liberada para o programa. “Esperamos no ano de 2013 alavancar as vendas deste modelo que é um dos mais desejados e solicitados nesse segmento”, afirma Raquel Ross Ribeiro, gerente de Vendas Diretas. Primeira indústria automobilística a se instalar no Brasil, em 1919, hoje com quatro fábricas nos estados de São Paulo e Bahia, a Ford foi também a primeira em seu ramo a ter a certificação de gestão ambiental ISO 14001. O desenvolvimento de uma relação sólida com os clientes fez com que o atendimento a pessoas com deficiência se aprimorasse cada vez mais. Essas vendas fazem parte do serviço de Venda Direta, que inclui também as modalidades de frotistas, governo e internet. A rede de distribuidores está preparada para receber o público PcD. Algumas unidades contam com vendedores exclusivos e/ou especializados nesse canal de venda. “Em 2012 observamos que existe uma forte tendência entre os distribuidores Ford de disponibilizarem vendedores exclusivos para acompanhar cada etapa do processo de compra. Ações como essa serão valorizadas pela montadora em 2013, principalmente no compartilhamento das melhores práticas realizadas”, garante a gerente. Alguns distribuidores, por exemplo, possuem parcerias com autoescolas no atendimento desse segmento. “Com a experiência de pouco mais de um ano à frente da equipe de Venda Direta, vejo

a comercialização para pessoas com deficiência como um canal cheio de possibilidades, principalmente em relação às parcerias que podemos desenvolver com empresas e associações de forte atuação nesse segmento”, comenta a gerente. “É extremamente gratificante conseguir atender esse canal através do nosso programa Acesso Ford, que foi desenvolvido com carinho e atenção para oferecer, além de produtos que se encaixam no perfil desse público, o atendimento e a atenção necessária no momento da compra”, afirma Raquel. No site da Ford (www.ford.com.br), há um espaço especial dedicado ao programa. Lá é possível conhecer a legislação referente aos direitos em relação a isenção de impostos, os modelos mais adequados, links úteis para informações complementares na compra dos veículos, como proceder para comprar, e ainda um atendimento especial, que pode ser online ou por telefone (0800 703 Ford - 3673), disponível 24 horas por dia, inclusive feriados.


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Revista Reação: Festa de 15 anos foi um Sucesso !!! Fotos: Pedro Mello

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Aniversário da publicação é marcado por uma linda festa no Memorial da América Latina, em São Paulo/SP, com a presença de mais de 650 convidados, homenageados e autoridades... Apoio:

O

s 15 anos da mais tradicional publicação brasileira e latino-americana especializada em pessoas com deficiência foram comemorados com uma linda festa, enriquecida com uma solenidade de homenagens a pessoas e personalidades do meio, reunindo convidados de todas as partes do País e do exterior, festejando o caminho e a trajetória de sucesso da Revista Reação. A noite do dia 24 de outubro de 2012 ficará marcada para sempre na memória dos mais de 650 presentes no Memorial da América Latina, em São Paulo/SP. “Foi uma noite marcante, glamorosa, gostosa... um momento de reencontros, de festa, mas principalmente, de reconhecimento, tanto da revista para aqueles e aquelas que nos ajudaram em nossa caminhada nesses 15 anos, e também a personalidades que são marcantes para o grande universo da pessoa com deficiência, mas também, para sentirmos o reconhecimento do nosso público leitor, dos nossos parceiros assinantes e anunciantes, e das autoridades e principais personalidades do nosso meio, para com o trabalho realizado pela Revista Reação ao longo desses 15 anos de vida”, comemora Rodrigo Rosso, criador da publicação e editor. Estiveram presentes na festa: colaboradores, amigos, leitores, assinantes, parceiros e anunciantes, que lembraram a trajetória da


especial publicação. Quando começou, quase ninguém acreditava que a revista pudesse ter sucesso, já que seu próprio público era também, praticamente “invisível” aos olhos da mídia e da sociedade em geral naquela época. Hoje, com quase 100 números publicados, ininterruptamente, desde seu lançamento em 1997, a revista tem tiragem de 20 mil exemplares por edição, conquistou credibilidade, é referência para o meio, é respeitada e chega às mãos de assinantes em todo Brasil e mais de 15 países. Um verdadeiro case de sucesso !!! “É muito gostoso olhar para trás e ver que todas as dificuldades e obstáculos que encontramos no caminho, foram superados. Não foi nada fácil suportar a pressão, a descrença e a desconfiança inicial do próprio mercado, que não acreditava que nosso setor pudesse ter uma publicação com o nível gráfico e editorial da Revista Reação (inicialmente chamada de Revista Nacional de Reabilitação). Mas foi graças ao apoio de várias pessoas e formadores de opinião do nosso meio e ao apoio e parceria das empresas que atuam em nosso setor, que acreditaram em nosso trabalho e publicaram, e publicam até hoje, seus anúncios e produtos conosco, que fez com que a revista ganhasse fôlego, força, volume e chegasse até aqui. Sem contar o apoio e a fidelidade de nossos leitores e assinantes... é muito gratificante sentir o amor e o respeito que todos tem pela Revista Reação. Por isso que digo e repito: cada um, cada qual com seu quinhão, faz sim parte da nossa história”, afirma Rosso.

Uma grande festa ! Num ambiente muito bonito, gostoso, harmonioso e muito bem decorado, a festa foi aberta com a execução, no palco montado no Salão Nobre do Memorial, do Hino Nacional brasileiro, tocado ao piano por Júlio César de Souza, ex-jogador de futebol – Corinthians e Seleção Brasileira - que ficou surdo e hoje é, além de um

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especial

dos mais de 30 articulistas da Revista Reação, presidente do Instituto Jogadas da Vida. Ele teve uma ajuda ao piano, tocado a quatro mãos, por nada mais, nada menos, que o ex-narrador esportivo Osmar Santos, um dos maiores comunicadores que esse País já teve, que hoje também é uma pessoa com deficiência, em virtude de um acidente automobilístico na década de 90. Ele também é vice-presidente do Instituto Jogadas da Vida e um grande amigo da Revista Reação. Logo em seguida, agradecidas as presenças de personalidades e autoridades, Rodrigo Rosso fez questão de contar aos presentes como tudo começou... a interessante história da Revista Reação. “Meu negócio e de minha editora, antes da Revista Reação, era agropecuária... As pessoas com deficiência e a revista entraram na minha vida de uma forma inusitada. Foram tomando conta, me fazendo dar outro rumo aos meus negócios e minha vida pessoal. Foi coisa de Deus ! E hoje, a Revista Reação e as pessoas com deficiência, o nosso setor, a acessibilidade e a inclusão, são para mim mais que uma atividade profissional... é uma MISSÃO de vida”, enfatiza Rodrigo Rosso. Em seguida, a cantora e compositora Celelê e suas alunas, Daniela - Síndorme de Down, e Yolanda - deficiência visual, cantaram o “hino da pessoa com deficiência”, a música “Igual a você”, de sua autoria. O editor da Revista Reação fez questão de homenagear de forma especial, com uma placa, o assinante número 01 da publicação: Klaus Baumgart. “Quando ninguém acreditava que aquela revista distribuída numa feira em 1997, que trazia nela o catálogo do evento, pudesse se transformar numa publicação periódica e que mudaria e ajudaria a vida de tanta gente, Klaus me disse num encontro no corredor, no meio da feira – REA 97 – na época, que gostaria de assinar a publicação... Nem eu acreditava na sobrevivência da revista naquela oportunidade... As palavras do amigo Klaus foram proféticas ! De lá para cá, a Revista Reação só cresceu... nunca falhou sua periodicidade em 15 anos... e ele é, até hoje, fiel, o nosso assinante número 00001”, conta o Rosso, emocionado.

Apoio:


especial

Mais de 90 homenageados ! No ponto alto da noite, uma linda homenagem a muitos que participaram da vida da Revista Reação nestes 15 anos de trajetória, autoridades e personalidades do meio, tomou conta do palco. Forma mais de 90 placas de “Honra ao Mérito”, entregues uma a uma, pessoalmente pelo editor da revista. “Juntos, estamos ajudando a mudar o Brasil e transformando uma nação. Com nosso trabalho, estamos construindo o futuro e um mundo melhor, em busca de uma sociedade plena e inclusiva”, dizia parte do texto das placas. Muitos dos agraciados com a placa se emocionaram com a lembrança. Dentre eles, articulistas e colunistas da Revista Reação ao longo desses 15 anos. Gente que ajudou no início, com seus conselhos e conhecimento que tinham deste setor, que para Rosso era novidade há mais de 15 anos, quando começou com a publicação. Muitas autoridades foram agraciadas, até mesmo personalidades artísticas e políticas, nomes de reconhecimento nacional e internacional. Quem não pôde estar presente para receber a homenagem pessoalmente, mandou um representante e teve sua imagem projetada no telão ao lado do palco. Até mesmo funcionários atuais de muitos anos de dedicação, e ex-colaboradores da revista, foram lembrados. Bem como o grupo de empresas parceiras, que apoiou na realização não só da festa, mas de toda a ação da campanha de Aniversário de 15 anos da Revista Reação, também recebeu, cada uma, através de seus representantes, uma placa de homenagem. Além dos homenageados em vida, Rodrigo Rosso fez questão de mencionar o nome e agradecer a muitos que participaram da caminhada da Revista Reação, mas que já não estão mais entre nós. Foi um momento também bastante marcante. Os foram servidos com um gostoso e sofisticado coquetel, e puderam também, ver uma exposição de quadros pintados por Osmar Santos, e de peças exclusivas e temáticas do escultor Toso, Confira a lista com os nomes dos homenageados na Festa dos 15 anos da Revista Reação !!!que as pessoas pudesse fazer suas fotos e guardar como recordação. A comemoração foi encerrada com chave de ouro, com um show do humorista cego Geraldo Magela. “A festa, reunindo tanta gente, tantos amigos queridos e parceiros desses 15 anos, traduz o

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especial

que a Revista Reação representa para o setor. Com muita honra, podemos afirmar que a publicação foi um divisor de águas no universo da pessoa com deficiência, e responsável por muito do respeito e reconhecimento conquistado por essa considerável parcela da população brasileira. A credibilidade que a publicação conquistou no decorrer dos anos é fruto do trabalho sério, ético e do amor empregado por todos nós envolvidos nela à cada edição”, finaliza agradecendo, Rodrigo Rosso. A repercussão da Festa dos 15 anos da Revista Reação ficou por quase um mês sendo comentada e tendo suas fotos “curtidas” nas redes sociais, compartilhada por milhares de pessoas no Brasil e no mundo.

Apoio:


especial Confira a lista com os nomes dos homenageados na Festa dos 15 anos da Revista Reação !!! • Abrão Dib Jr. • Abotec - Asso. Bras. de Ortopedia Técnica • Abridef - Assoc. Bras. das Indústrias e Revendedores de Prods. e Serv. PcD • Adriano Bandini • Alex Garcia • André Luiz Moura De Oliveira • Andrew Parsons – Comitê Paraolímpico Brasileiro • Antonio José Ferreira – Secret. Nac. De Promoção Dos Direitos Da Pessoa Com Deficiência • Atende – Serviço De Atendimento Especial • Carlos Aparício Clemente • Carlos Roberto Perl • Célia Buratto • Célia Leão • Cid Torquato • Cilene De Carvalho • Cláudia Maximino • Clodoaldo Lima Leite • Conade – Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência • Dadá Moreira • Daniel Cordeiro • Déborah Prates • Edison Passafaro • Fabiano Puhlmmann • Feira + Fórum Reabilitação • Fernando Macena Costa • Flávio Peralta • Geraldo Magela • Geraldo Nogueira • Gicelli Flemming • Gonçalo Borges • Hermes De Oliveira • Isabel Mcevilly • Izabel Loureiro Maior • Jairo Marques (Folha De Sp) • João Batista Cintra Ribas • Johnny Savalla • Joon Sok Seo • José Roberto Guimarães (Jornal Gente Ciente)

• José Ferreira Marculino • Julio Cesar De Souza • Kica De Castro • Klaus Baumgart • Linamara Rizzo Batistella • Luiz Antonio de Arruda Botelho • Luiz Carlos Buarque De Gusmão • Luiz Eduardo Boudakian • Luiz Eduardo Da Cruz Carvalho • Maestro João Carlos Martins • Mara Di Maio • Mara Gabrilli • Márcia Gori • Márcia Jordão • Marco Antonio Pellegrini • Marcos Gonçalves • Maria Luiza Araújo • Moisés Bauer • Nataliane Paiva Paranhos • Neivaldo Zovico • Osmar Santos • Otávio Leite • Otto Marques Da Silva • Paulo Vieira • Rafael Silva • Reatech • Renato Baccarelli • Ricardo Ferraz • Ricardo Shimosakai • Roberto Beleza • Roberto Rios • Rodolfo Ferrim • Romeu Kazumi Sassaki • Rosinha Da Adefal • Sacha Band • Samara Del Monte • Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência • Selma Gonçalves • Silvana Cambiaghi • Silvia De Castro • Steven Dubner • Suely Carvalho De Sá Yanez • Tabata Contri • Tatana Rolim • Wiliam Machado • Zan Mustachi

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homenagem

por Deborah Prates

De uma ação, nasceu a “Reação”!!!

B

em mais de 40 minutos foi o tempo que esperamos para a nossa decolagem. Engarrafamento na pista ! Seis aeronaves estavam na frente da nossa por culpa de obras de alargamento de uma das pistas do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos/SP. Imagino o que vem por aí na Copa/2014. Na verdade, ganhamos esse tempo para fazer uma retrospectiva da festa da noite anterior, de 15 anos da Revista Reação. Impecável ! Recordei com a minha melhor amiga o pensamento de Albert Einsten: “se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela”. Quantas pessoas devem ter achado, a princípio, a ideia de Rodrigo Rosso, um sincero absurdo. Uma revista que falava sobre o universo das pessoas com deficiência ?!? Loucura, sem chance... No dia 24/10/2012, tive a honra de subir ao palco do Memorial da América Latina, na querida capital paulista, para receber das mãos do genial Rodrigo Rosso uma placa, onde estão gravadas palavras mágicas, que traduzem a concretização de 15 ANOS de “loucura” dessa longa estrada percorrida pela equipe da Revista Reação. Nossa, foi o máximo para mim ter na memória o reconhecimento do meu trabalho na busca, incansável, pelas acessibilidades. Lembrava a emoção que senti ao ouvir meu nome ser anunciado para receber das mãos de Rodrigo, aquela honraria. Jimmy Prates, meu cão-guia, é óbvio, estava ao meu lado, no tempo em que minha filha eternizava a magia do momento com suas câmeras. Rodrigo Rosso mudou hábitos; viajou nas asas de sua imaginação. A essa ousadia dá-se o nome de ACESSIBILIDADE ATITUDINAL. E os maus hábitos estão, de tal forma entranhados nos cérebros engessados pela forma da indústria da moda, que os terráqueos não se dão conta dessa principal modalidade de acessibilidade ! Meu coração estava mergulhado no contexto dos beijinhos no interior do copinho que devorava com a colherinha da “Barbie”. Propositalmente custei a devorar tantos beijinhos que estalavam no céu da minha boca. Cada uma das capas da “REAÇÃO” expostas na festa tinha o sabor de um beijo !!! Tão abstrato e, paradoxalmente, tão concreto... Admirado Rodrigo Rosso, essa crônica é a minha singela

homenagem para você que acreditou no potencial da pessoa com deficiência. Incluir é processo de construção de sociedade igual. Bacana você ter tido a sensibilidade de consignar nas edições da “REAÇÃO” que as diversidades existem no dia a dia, e hão que ser aceitas pela sociedade como são, e não como gostaria que fossem. Da cabine do avião na minha volta ao Rio de Janeiro, o comandante anunciava: “tripulação, preparar para a decolagem”... Apertei a mão da minha filhota tão amada. Saímos do chão no ritmo da canção: “...foi com medo de avião, que eu segurei pela primeira vez na sua mão...” Quando estabilizamos no ar me veio à mente um pensamento de “Roosevelt”, que dedico ao ser humano maravilhoso de nome Rodrigo Rosso: “É muito melhor arriscar coisas grandiosas, a alcançar triunfos e glória, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito, nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta a que se conhece como vitória nem derrota”. E, carinhosamente, vamos somando nossas loucuras responsáveis !!!

Deborah Prates é advogada e delegada da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ). Mantém um blog em que trata de questões sobre os direitos dessas pessoas (http://deborahpratesinclui.blogspot.com/)


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associações

Entidade pioneira em autismo continua expansão

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restes a completar 30 anos em 2013, a AMA - Associação de Amigos do Autista ganhará uma nova unidade, em Vila Ré, na zona leste paulistana, em área cedida no mês de outubro pelo governo do Estado. Funcionam, atualmente, quatro casas: Lavapés, Luis Gama, Teodureto e Parelheiros (única com residência para 19 pessoas), além de uma parceria com o CAISM Philippe Pinel. Com o novo local, será possível transferir as atividades da Teodureto, único espaço alugado, permitindo, ainda, um aumento do atendimento prestado, já que lá são recebidas 20 pessoas e na nova passarão a 150 assistidos diariamente. Não há ainda previsão de quando começará a funcionar, já que ganharam a cessão do uso do terreno, mas são necessários recursos para o projeto e construção. A expansão é mais um passo na trajetória da entidade, a primeira associação do tipo no Brasil, nascida em uma época em que a síndrome era praticamente desconhecida por pais, médicos e governantes. Resultado de uma reunião de pais interessados em construir um futuro que amparasse seus filhos, a primeira atividade foi uma escola, aberta no quintal de uma Igreja Batista, cedida por um pastor que tinha um filho com Síndrome de Asperger. O atendimento é totalmente 100% gratuito e cerca de 200 pessoas se beneficiam com métodos reconhecidos, como ABA e TEACH. A principal fonte de renda são os convênios mantidos com o governo estadual. Há também um setor de cursos dirigidos a pessoas que queiram conhecer mais

sobre autismo ou queiram capacitar-se em alguma das técnicas utilizadas. No site: www.ama.org.br, podem ser encontradas muitas informações sobre o autismo, inclusive o programa de palestras “Meu filho tem autismo”, com uma explanação gratuita dedicada a pais e profissionais que, além de informar, proporciona troca de informações e experiências. A entidade recebe ainda, visitas agendadas pelo telefone (11) 3376-4400. “Estamos concluindo um livro que se chamará “Retrato do Autismo no Brasil”, em que colocamos o resultado das respostas de mais de 100 entidades a um questionário nosso, a história da AMA e um texto de uma psicóloga brasileira que trabalhou por mais de 15 anos em uma instituição de autismo nos Estados Unidos”, conta a superintendente Ana Maria Serrajordia Ros de Mello. Para ela, a maioria das associações de autismo do país ainda enfrentam seríssimas dificuldades. Em São Paulo, a ação civil pública trouxe um alívio para a entidade, mas ainda é preciso evoluir tanto técnica como politicamente. “O interessante da experiência dos EUA, e que a meu ver vale a pena ser levado em conta, é que cada pessoa com autismo deve ter um plano individualizado com a descrição de seu quadro atual e os objetivos pelos quais se vai trabalhar com ela no ano em curso e, no final, deve-se fazer uma avaliação dos resultados”, conclui a superintendente.


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Três pontos para a melhor compra Volkswagen A Amazon começou há cerca de 5 anos com as lojas da av. Anhaia Mello e Moóca, e agora, em 2012, abriu uma nova unidade no bairro do Sumaré, todas na capital paulista. As vendas para pessoas com deficiência estão concentradas na matriz da Moóca que tem rampas de acesso e banheiros adaptados. Também oferece test-drive e carros em sistema “leva e traz” para a maior comodidade dos clientes na hora da compra. Manoel Costa, do setor de Vendas Especiais, considera que ainda há morosidade por parte da Receita Federal para a liberação do IPI aos clientes PcD. Os veículos mais procurados são: Fox Imotion e Gol Imotion, existindo uma grande procura pelo Jetta, mas como é produzido fora do País,

ele não entra na isenção. “Atender esse publico é uma benção, pois sou também pessoa com deficiência e encontramos muita dificuldade quando saímos para comprar um veículo com isenção. Parei de exercer minha função de Tecnólogo Civil, entrei no ramo de vendas há cerca de 6 anos e cada dia é uma lição de vida, procuramos ao máximo deixar esses clientes à vontade na compra do veículo, ajudando-os tanto na documentação como na escolha”, conta Costa. “Realmente é um filão de ouro, pouco explorado pelas montadoras, existem mais pessoas com deficiência do que imaginamos”, garante.


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Equipamento especial para esportistas

A Jumper Equipamentos, empresa da cidade de Rio Claro/ SP, é especial para quem gosta de adrenalina. Suas atividades começaram em 2005, quando a Spine Implantes, fábrica de implantes cirúrgicos para a coluna vertebral, fundou o Instituto Spine Social, desenvolvendo esportes adaptados, principalmente o Hardcore Sitting, prática de skate usando a própria cadeira de rodas como equipamento esportivo. Com a expansão do projeto, os gastos com equipamentos de reposição se avolumaram e surgiu a ideia de produzir componentes, como: eixos, buchas, rodas, amortecedores frontais e, em seguida, as cadeiras de rodas. Nascia aí a marca voltada para um público ativo, que pratica esportes e quer uma cadeira “descolada”, com resistência e estilo. Sua linha de produtos, com fabricação própria, compreende cadeiras de rodas monobloco, garfo com amortecimento, eixos quick esportivos, rodas frontais em alumínio liga leve, garfo fixo, cubo, cubo com freio a disco, assento, encosto e protetor de roupa em fibra de carbono, freios diferenciados

e todos os estofados em neoprene. Também oferece componentes importados, como almofada antiescara e antialérgica da marca Conform, rodas traseiras em fibra de carbono Spinergy, pneu esportivo Schwalbe, encosto fibra de carbono ADI e aro de propulsão Natural Fit, entre outros. As vendas são feitas diretamente pelo site (http://www. jumperequipamentos.com.br), redes sociais, atendimento telefônico ou diretamente na sede da fábrica. Várias cidades do País já possuem revendedores. “As vendas tiveram um alto crescimento em 2012”, conta a diretora da empresa, Carolina Kobylanski. “Acreditamos que um trabalho bem feito em produtos e serviços trazem os melhores resultados para a relação empresa/cliente. Nossa atuação tem sido fortalecida pelos atletas patrocinados pela marca, que levam as cadeiras ao limite máximo de uso, os resultados são obtidos na prática, no uso do produto”, afirma. Em 2012 foi lançado novo modelo adulto, o Infinity, para quem tem uma vida ativa, com protetor em fibra de carbono de série que proporciona maior leveza e, para a criançada hiperativa de até 10 anos, a cadeira Kids, com o mesmo design reforçado das cadeiras de adulto, e componentes especiais. Também começou o Class Jumper, cartão fidelidade que garante duas manutenções preventivas sem custo, na compra de qualquer cadeira da marca. “A Jumper surgiu da necessidade do mercado em ter produtos de qualidade e bom atendimento. A filosofia é construir uma relação longa e concreta com os clientes, fornecedores e colaboradores através do excelente atendimento, produtos resistentes e agregando alta tecnologia para o bem estar”, conclui a diretora.


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Audiolivros são boas opções para baixa visão ou cegueira

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árias editoras têm se especializado na g ravação e distribuição dos audiolivros, como a Universidade Falada (www. universidadefalada.com.br), que existe há quase 6 anos. As gravações costumam ser utilizadas também por quem não tem muito tempo disponível e pode ouvir as gravações nos intervalos, aproveitando o trajeto para o trabalho, por exemplo, ou possui maior facilidade com a escuta do que com a leitura. “Muitas pessoas, inclusive algumas editoras Ricardo Pereira, ator da Globo, grava Fernando Pessoa de livros, acham que o audiolivro veio para substituir a texto impresso. O que nós achamos é que, assim como Os exemplares são comercializados, mas alguns a televisão não substituiu o cinema, nem a internet a amtítulos são gratuitos: “um dos motivos é disponibilibos, o audiolivro e o livro são duas formas diferentes de zar um material completo para que os interessados se saborear a cultura e de se ter acesso ao conhecimento, tenham a oportunidade de vencer qualquer barreira, elas não se rivalizam, se complementam”, opina o criador muitas vezes criada sem base na experiência. Assim, e coordenador da empresa, Cláudio Wulkan. eles podem ouvir e tirar suas próprias conclusões. O sonho de trabalhar com esse tipo de suporte, nasceu Alguns materiais, cujo conteúdo é excelente, mas a na juventude, quando ele ouvia muitos audiolivros em qualidade da gravação não está de acordo com o inglês, já que nos Estados Unidos e Europa a prática é padrão da Universidade Falada, como palestras gramais difundida. Hoje já são 428 títulos publicados pela vadas em auditórios ou em ambientes barulhentos, Universidade Falada, abrangendo: ficção, poesia e didáticos, também estão disponíveis porque são muito interesentre outros. Uma das metas de Wulkan é gravar as obras santes, com temas maravilhosos, então também são completas de Machado de Assis. Atualmente já foram disponibilizados”, explica o coordenador. vertidos crônicas, contos e alguns romances. Todas as obras são gravadas em estúdo próprio, Não há um critério rígido sobre qual obra gravar, alguns com locutores, atores e dubladores profissionais, a títulos surgem em parceria com editoras ou mesmo com exemplo do ator da TV Globo, Ricardo Pereira. O autores, como foi o caso de José Paulo Cavalcante e seu material é comercializado em arquivo de MP3, que livro “Fernando Pessoa, Uma Quase Autobiografia”, que pode ser baixado imediatamente após o término da procurou a editora e teve o projeto aceito. Entre os didácompra, ou por CD físico, que chega pelo correio em ticos, por exemplo, há obras de preparação para o exame cerca de cinco dias úteis. Em São Paulo e algumas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e cursos de outras cidades, há também parcerias com livrarias. inglês. Os livros indicados para quem for prestar vestibular No site da Universidade Falada há ainda obras de também estão disponíveis. outras editoras.


Foto: http://www.blogdopaulonunes.com

educação

Equipamento quer facilitar aprendizado para alunos com deficiência auditiva O projeto piloto “Uso do Sistema FM na Escolarização de Estudantes com Deficiência Auditiva” é da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), do Ministério da Educação. A experiência começou em setembro, em Brasília/DF, com um seminário de formação de professores. A avaliação dos primeiros resultados será no próximo mês de janeiro de 2013. Participam mais de 200 estudantes de 80 escolas públicas de todo o país. O objetivo foi implantar o Sistema de Frequência Modulada (FM), em ambiente escolar, como recurso de tecnologia assistiva, destinado à promoção de acessibilidade, aos estudantes usuários de aparelhos de amplificação sonora e implante coclear. O Sistema de FM consiste em um transmissor que capta a voz do interlocutor, transmitindo-a por ondas de rádio, diretamente ao receptor de rádio, também FM, que fica conectado à prótese auditiva do estudante com deficiência. As instituições de ensino foram selecionadas pelas secretarias estaduais/municipais de educação, atendendo critérios como existência de Salas de Recursos Multifuncionais, com oferta do atendimento educacional especializado e com matrículas de estudantes com deficiência auditiva nos anos iniciais do ensino fundamental (1º e 2º ano) usuários de aparelho de amplificação sonora ou com implante coclear, sendo que cada escola elegeu o professor para trabalhar com o equipamento. O projeto é desenvolvido em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade de São Paulo, Campus Bauru. A partir dos resultados, a Secadi desenvolverá ações para expandir o atendimento.

Brasil – Censo 2010: como está a nossa educação ? A educação, para qualquer indivíduo, tem um impacto bastante visível porque proporciona trabalho e renda que permitem a vida com dignidade. A Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência divulgou dados do Censo de 2010 do IBGE que mostra o quadro entre as pessoas com deficiência. As taxas de alfabetização para quem tem pelo menos uma das deficiências, com 15 ou mais anos de idade, não são uniformes. A Região Nordeste, que apresentou a maior taxa de prevalência de deficiência entre as regiões brasileiras, em torno de 26,6%, teve a menor taxa de alfabetização, 69,7%. Este valor ficou bem abaixo da média nacional (81,7%) e dos valores das regiões Sudeste e Sul, que apresentaram as maiores taxas, 88,2% e 88,1%, respectivamente. A taxa de escolarização das crianças de 6 a 14 anos de idade, no país, foi de 95,1% para crianças com pelo menos uma das deficiências e 96,9% para as crianças sem deficiência. A taxa mais baixa ocorreu na Região Norte e a mais alta, na Região Centro Oeste. Quando se comparam as taxas de escolarização entre as crianças com pelo menos uma das deficiências com aquelas sem nenhuma deficiência, pode-se notar que a menor diferença ocorre na Região Norte, sinalizando a presença de problemas que afetam a todas as crianças indiscriminadamente. A Região Sul, embora tenha apresentado uma alta taxa de escolarização, 95,3%, teve também a maior diferença entre as crianças com e sem deficiência, de 2,4 pontos percentuais. O nível de instrução mede a proporção de pessoas de 15 anos ou mais de idade que atingiram determinados anos de estudo. Em 2010 havia, ainda, um grande contingente de pessoas sem instrução e com fundamental incompleto, taxa de 61% nessa faixa. A faixa de fundamental completo e médio incompleto ficou em 14% e a do médio completo e superior incompleto chegou a 18%. As pessoas com o superior completo somaram 7%. No nível regional, a Região Nordeste teve o maior percentual de pessoas sem instrução e fundamental incompleto, com a taxa de 67,7% e a Região Sudeste apresentou a menor, com 56,2%. Com relação ao nível superior, a menor taxa foi de 4,0% na Região Nordeste.

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informe publicitário

Empresa comemora aceitação no mercado

Se no ano passado problemas externos como o tsunami no Japão afetaram a marca, agora os motivos são de comemoração: “O ano de 2012 foi muito bom para a Honda, conseguimos disponibilizar o Honda Civic para pessoas com deficiência e a resposta do mercado foi rápida. De imediato começamos a atender aos pedidos dos nossos clientes”, conta Ricardo Rodrigues da Silva, supervisor de Vendas Especiais. A participação desse segmento nas vendas é bastante significativa, fazendo com que tenha importância fundamental para a empresa. “Esse público, ao longo dos anos, passou a se conscientizar mais sobre seus direitos, não só no que tange à aquisição de veículos, mas em uma maior acessibilidade na sociedade como um todo. Nós, da Honda, sempre demos importância a esse cliente, inclusive treinando e orientando continuamente a nossa rede”, garante Silva. Desde 1997 a marca desenvolve um programa específico, o Honda Conduz, baseado em um atendimento diferenciado, que tem como finalidade auxiliar a compra dos veículos 0 Km, com isenção de impostos. As equipes de vendas são treinadas a orientar e dar informações detalhadas sobre todo o processo. Em 2008 foi criada a Certificação Honda Conduz, que reconhece as concessionárias e pontos avançados de vendas que estão de acordo com as normas de atendimento a esses clientes. “Continuaremos com foco em manter 100% da rede certificada”, explica o supervisor. A Honda é campeã no concurso promovido pela Revista Reação, do “Carro do Ano”, na preferência dos leitores. Em

14 anos, ficou com 11 primeiros lugares. “O premio é uma consequência do nosso trabalho e sempre o recebemos com orgulho e alegria, mas não focamos nossas atividades na premiação e sim em melhorar continuamente o atendimento para garantir sempre a máxima satisfação do nosso cliente”, assegura Silva. Vários lançamentos foram apresentados ao longo do ano, como o Fit e o City modelos 2013 no primeiro semestre e o Fit Twist em novembro. Além disso, foi disponibilizado, a partir de abril, o Civic com as isenções do IPI e do ICMS, nas versões LXS e LXL, sendo que o primeiro, inclusive, passou pelo teste da Revista Reação na edição 87 (julho/agosto). Todos esses fatos contribuíram para os bons resultados do ano. “Acreditamos que 2013 será um ano tão bom ou melhor que 2012 já que, a partir de janeiro, os não condutores terão o direito da Isenção do ICMS, além do prazo do ICMS equiparado ao do IPI, que será de dois anos entre uma aquisição e outra. Esse fato permitirá aos clientes que adquiriram o carro em 2011 antecipar a troca do modelo, junto com os que adquiriram em 2010”, explica o supervisor. “Agradecemos a atenção dispensada pela Revista Reação, lembrando que tanto a Honda como a revista são pioneiras nesse segmento, buscando sempre atender as necessidades dessas pessoas e contribuindo, assim, para que cada vez mais exerçam sua cidadania perante a sociedade”, conclui.


informe publicitário

A maior fabricante de cadeiras de rodas da América do Sul ! Fundada em 1947, a Jaguaribe ocupa o posto de maior fabricante de cadeiras de rodas da América do Sul. No início eram poucos modelos, mais simples, até que em 1979 a empresa iniciou a sua linha de produtos mais sofisticada. Hoje em dia, são mais de 80 modelos, com projetos totalmente desenvolvidos por sua própria engenharia, aliando conforto, segurança e praticidade, sempre enfatizando o aprimoramento tecnológico dos seus equipamentos. O trabalho é desenvolvido com a plena consciência da importância dos seus produtos na inclusão, reabilitação e reinserção dos usuários de seus produtos. O seu parque fabril tem 12 mil m² de área coberta e oferece a mais completa linha de cadeiras de rodas destinadas a todas as necessidades e recursos disponíveis, manuais ou motorizados. “A Jaguaribe atende diversos nichos de mercado, nossa produção está alinhada com as necessidades comerciais do segmento”, explica Mara Servan, diretora comercial. Em 2012, por exemplo, houve o lançamento do modelo Tiger, motorizado e de baixo custo. Outra novidade foi a cadeira Speed, de alta performance, considerada a mais completa e sofisticada no Brasil. A Jaguaribe desenvolve também projetos especiais para as maiores instituições do país e os mais renomados hospitais. “Somos procurados por esses clientes que buscam personalizar seu produto com projetos específicos, e a avaliação é feita com total integração entre as partes”, afirma a diretora. Além das cadeiras de rodas, a empresa também é fabricante

de outros produtos, como: andadores, muletas, barras de apoio e bengalas, todos em vários tipos e especificações. Suas distribuidoras encontram-se espalhadas pelo país. Encontre toda linha de produtos no site www.ortopediajaguaribe.com.br. Como fabricante, a Jaguaribe não faz venda direta ao consumidor. No site há ainda, uma seção de dicas para os usuários de cadeira de rodas. Como qualquer outro veículo, a vida útil dela depende da sua boa utilização, e do cuidado com que é manuseada. Importante é saber utilizá-la da melhor maneira possível, respeitando seus limites e fazendo uma manutenção preventiva e eficiente. Cuidados com lubrificação, revestimento e peças originais são da maior importância para um bom aproveitamento. “Esperamos um crescimento significativo para 2013”, diz a diretora. “Temos vários projetos para os próximos anos que proporcionarão um grande avanço na qualidade das cadeiras de rodas“, conclui Mara Servan.


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direito

por Geraldo Nogueira

Concursos Públicos para Cadastro de Reserva

A

“Nomeação Alternada Qualificada”

banalização dos concursos públicos para cadastro de reserva tem se tornado uma prática corriqueira aplicada pela administração pública. É através dessa prática que o edital divulga o certame sem definir o número de vagas oferecidas, estabelecendo apenas que os candidatos aprovados poderão ser nomeados durante o prazo de validade do concurso. Esse é um recurso que colide com o princípio do livre acesso aos cargos e empregos públicos, consagrado no inciso I, do art. 37, da Constituição Federal, mesmo assim tem encontrado espaço no setor público, trazendo prejuízo aos inscritos que nem mesmo sabem o número de vagas que será disputado. Essa forma de concurso pode prejudicar ainda mais a pessoa com deficiência, pois como não se sabe previamente o número de vagas por cargo, o gestor poderá agir com preconceito evitando a abertura de vaga para o cargo no qual tenha sido aprovada uma pessoa com deficiência. O concurso sem a quantificação das vagas existentes, somado aos diferentes critérios de nomeação tem ameaçado a reserva de vagas, colocando em xeque a legislação pertinente. A reserva de vagas em concurso público para candidatos com deficiência é um direito fundamental, previsto na Constituição Federal no art. 37, inciso VIII; vejamos: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão;” Recentemente, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada com força de emenda constitucional, em seu art. 27, alíneas “a”, “b” e “g”, impôs aos Estados signatários a obrigação de incluir as pessoas com deficiência no mercado de trabalho, o que abrange também o setor público. Estas determinações constitucionais estão reguladas pela Lei Federal n.º 7.853/89 e Decreto nº 3.298/99. Lei Federal n.º 7.853/89: “Art. 2º - Ao Poder Público e seus órgãos cabe assegurar às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, (...).” Decreto Federal n.º 3.298/99: “Art. 37 - Fica assegurado à pessoa portadora de deficiência o direito de se inscrever em concurso

público, em igualdade de condições com os demais candidatos, para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que é portador.” “§ 1º. O candidato portador de deficiência, em razão da necessária igualdade de condições, concorrerá a todas as vagas, sendo reservado no mínimo o percentual de cinco por cento em face da classificação obtida.” “§ 2º. Caso a aplicação do percentual de que trata o parágrafo anterior resulte em número fracionado, este deverá ser elevado até o primeiro número inteiro subseqüente.” Para manter o princípio da igualdade de oportunidade entre os demais candidatos e a pessoa com deficiência, o Decreto citado determina: “Art. 41. A pessoa portadora de deficiência, resguardadas as condições especiais previstas neste Decreto, participará de concurso em igualdade de condições com os demais candidatos no que concerne: I - ao conteúdo das provas; II - à avaliação e aos critérios de aprovação; III - ao horário e ao local de aplicação das provas; e IV - à nota mínima exigida para todos os demais candidatos.” A dificuldade enfrentada pelos candidatos com deficiência surge quando a administração pública não obedece ao critério da alternância ou da chamada nomeação alternada. Imagine um concurso público feito apenas para classificação em cadastro de reserva, ainda que assegurado o percentual legal, a administração pública proceda por último à nomeação dos candidatos com deficiência. Este fato pode tornar impossível a nomeação destes candidatos, pois o concurso poderá vencer antes mesmo que o processo de nomeação alcance as vagas reservadas. O critério da alternância surge da necessidade de manter a eficácia do direito para a reserva de vagas e, dada a inexistência de regramento especifico, sua aplicação se ampara nos princípios da isonomia material e da proporcionalidade, construindo-se a partir da publicação do


notas resultado do concurso em duas listas classificatórias (art.42, do Dec. nº 3.298/99), onde uma é geral e outra especial. Na lista geral constarão por ordem de classificação, os nomes de todos os aprovados no concurso, incluindo as pessoas com deficiência. A lista especial conterá apenas os nomes das pessoas com deficiência, também por ordem de classificação. Desta forma, a pessoa com deficiência que estiver classificada, será nomeada para posse em vaga estabelecida no percentual delimitado pelo art. 37 do Decreto n.º 3.298/99, de forma alternada. Assim, nomeia-se primeiro um candidato da lista geral e, subseqüentemente, um da lista especial até o preenchimento das vagas reservadas. Caso o candidato com deficiência esteja bem classificado na lista geral, ele deverá ser nomeado, obedecendo-se, primeiramente, a esta classificação, objetivando assim, a promoção da igualdade de condições com os demais. Entendemos que o candidato com deficiência que for nomeado dentro da classificação geral, não deva concorrer às vagas reservadas, destinando estas, tão somente aos candidatos que não alcançarem pontuação suficiente para classificação nas vagas gerais. A isso chamamos procedimento de “nomeação alternada qualificada”. Por essa razão é que o candidato com deficiência deve figurar nas duas listas, conforme inteligência do § 1º do art. 37, do Dec. nº 3.298/99. Por fim, devemos observar a inconstitucionalidade formal de lei municipal quando tratar da nomeação de candidatos com deficiência, pois conforme se depreende do art. 24, inciso XIV, da Constituição Federal, é de competência concorrente da União, dos Estados e do Distrito Federal legislar sobre normas de integração de pessoas com deficiência. Vejam que o mandamento constitucional não dá aos Municípios esta competência. Não obstante, em caráter suplementar, os Municípios podem legislar sobre essa matéria, desde que isso seja estritamente necessário ao interesse local, nos termos do inciso I, do art. 30 da CF. Como a inclusão de pessoas com deficiência, através de nomeação em concurso público não é matéria de interesse local, a lei municipal que dispuser sobre o assunto será formalmente inconstitucional, principalmente se restringir ou ampliar as determinações contidas no texto de norma de âmbito nacional ou estadual. O fato é que o preconceito e a discriminação encontram guarida na distorção das interpretações sobre o tema, de forma a burlar ou reduzir as chances de nomeação dos candidatos com deficiência, tornando muita das vezes, ineficaz a reserva legal. A nomeação alternada qualificada e o reconhecimento de que a pessoa com deficiência, que obtiver classificação suficiente para ocupar vaga não reservada, concorre estritamente a estas, reflete, no conjunto, critério que resguardará a efetividade da norma constitucional pertinente.

Geraldo Nogueira é advogado, cadeirante e Presidente Licenciado da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (OAB/RJ).

Escolha popular vai eleger melhores atletas

A votação para o 2º Prêmio Paralímpico começou em 03 de dezembro, e vai até 18 de dezembro, pela Internet. A festa de premiação será em 19 de dezembro, no Rio de Janeiro. Na categoria Melhor Atleta Masculino concorrem: Alan Fonteles (Atletismo), Daniel Dias (Natação) e Dirceu Pinto (Bocha). Entre as mulheres, estão na disputa: Lúcia Teixeira (Judô), Shirlene Coelho (Atletismo) e Terezinha Guilhermina (Atletismo). Todos foram destaque nos Jogos Paralímpicos de Londres neste ano, sendo que o Brasil conquistou o 7º lugar no quadro geral de medalhas. Os votos podem ser dados pelo site do Comitê Paralímpico Brasileiro (www.cpb.org.br), além das redes sociais Facebook (www.facebook. com/comiteparalimpico) e Twiter (www.twitter.com/cpboficial).

O sucesso de uma loja virtual para Pessoa com Deficiência

João Pacheco, ao sentir dificuldade para comprar os produtos fundamentais para o seu dia a dia, e isso em São Paulo, imaginou que deveria ser muito mais complicado o acesso a esses produtos em regiões menos favorecidas do Brasil. Daí veio a ideia de criar a COMO IR!, uma loja virtual de produtos para pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida. E em meados de 2008, juntamente com o também tetraplégico Renato Laurenti, colocou essa idéia na web. Na concepção dos sócios, a loja virtual não conhece fronteiras, atendendo assim todo o território nacional e não apenas uma cidade ou um bairro. Os clientes recebem os produtos em casa, não precisando percorrer, muitas vezes centenas ou até milhares de Km, afinal, boa parte das pessoas com deficiência física possui acesso à web e esses números crescem muito rapidamente (45,3% das pessoas com deficiência têm acesso a computador). Por isso, utilizando bons recursos de compra, venda e entrega, a loja pode atender a um grande número de pessoas em todo o Brasil. “O correio brasileiro funciona muito bem, com entrega rápida e precisa. A redução do custo operacional resulta num preço mais baixo dos produtos para o consumidor final”, afirma Renato Laurent, sócio da empresa. Hoje a COMO IR! está voltada principalmente para a deficiência física ou mobilidade reduzida e possui clientes em todo o território nacional, fornecendo material para o controle da incontinência urinária, cadeiras de rodas (inclusive peças de reposição e acessórios), ajudas técnicas (talheres com cabo adaptado, transferidores etc), roupas e acessórios (camiseta, capa de chuva, bolsa etc).

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informe publicitário

Líder de vendas aposta “em fazer a diferença”

O ano termina com nova conquista para a Rio Tokio, concessionária Honda: em abril, mais uma unidade foi inaugurada no bairro de Botafogo, somando-se à outra loja no mesmo bairro e a uma terceira no Recreio dos Bandeirantes, todas no Rio de Janeiro/RJ. O Grupo Kobe é líder de vendas da marca no Rio, desde 1997, e uma das maiores concessionárias Honda no país. Seu lema é: “A mais Honda do Rio!”. As lojas são acessíveis, com disposição de rampa, banheiros adaptados e estacionamentos demarcados. Na unidade da rua Real Grandeza, em Botafogo, inclusive, há também elevador, que proporciona mais comodidade às pessoas com deficiência, já que o prédio possui cinco pavimentos, em área de 16 mil m². O atendimento é um dos pontos fortes, com vendedores específicos e treinados para o contato com o público PcD. Afinal, também seguem o Programa Honda Conduz, criado especialmente para esse relacionamento, em 1997, que tem, entre as finalidades, auxiliar os clientes na aquisição de veículos 0Km com isenção de impostos, prestando todas as informações necessárias para a melhor compra. “Acreditamos que a gentileza, cordialidade no atendimento e a habilidade de es-

cutar e compreender as necessidades do público PcD fazem a diferença no momento da escolha da marca e concessionária”, conta o gerente de Vendas Especiais, Washington Guedes Dias. O setor abriga também vendas para frotistas, taxistas e para órgãos diplomáticos. O contato é facilitado para agendamentos, dúvidas e sugestões também por telefone, com o 0800 282 5000, que atende de segunda a sexta-feira, de 8h às 15h. Há, ainda, a possiblidade de atendimento online, no site: www.riotokio.com.br Toda a estrutura montada se reflete nos resultados obtidos: “Podemos afirmar que as vendas de 2012 foram positivas, em torno de 10% das vendas totais”, afirma Dias. Os modelos preferidos pelos clientes são o Fit e o City. Nos últimos meses, de acordo com o gerente, em função da redução do IPI, houve uma procura importante para o modelo Civic. Para o próximo ano, as expectativas são as melhores possíveis: “A ideia é de melhorar o fluxo da documentação com o objetivo de agilizar a entrega das unidades. A perspectiva de venda é positiva e vai melhorar com a isenção do ICM para o não condutor aprovada para 2013”, completa o gerente.


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empregabilidade

por Mara Di Maio

Entre o mito e a realidade

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tuo na área da empregabilidade da pessoa com deficiência já há alguns anos. Visitei mais de 300 empresas, pesquisando a cultura de cada uma, conhecendo como trabalham com a contratação da pessoa com deficiência e tive a oportunidade de conhecer a nossa realidade. Hoje em dia, existem muitas pessoas interessadas no assunto, o que é bom porque um tema que era completamente esquecido até um tempo atrás, hoje está escancarado para quem quiser conhecer. Porém, devemos fazer uma análise muito realista do que se objetiva, quando se fala em empregabilidade da PcD. Se é o governo que vai palestrar a respeito, os resultados são sempre muito positivos, apresentam números exorbitantes de contratação de PcD. Se é um militante do setor, esses resultados deixam sempre a desejar, mostrando que quase nada foi feito. Enfim, é uma luta contínua para separar o mito da realidade. Por isso, prefiro a análise realista. Ou seja, se considerarmos que até um tempo atrás nem se falava em pessoa com deficiência no mercado de trabalho, não podemos negar que muitas conquistas foram alcançadas. Porém, muito há que se realizar, ainda. E vivo repetindo que, se o governo não pensar na acessibilidade como um todo, não proporcionar transporte público, mais especificamente ônibus adaptados em quantidade suficiente, e não fizer calçadas descentes para que a PcD consiga chegar ao trabalho, todo o empenho das empresas em tentar incluir esse profissional, cai por terra. Mas a fiscalização e a multa estão aí para serem aplicadas !!! Devemos ter um olhar bastante crítico, mas nos dois sentidos. Claro que a empresa não pode se acomodar porque o governo não faz a sua parte como realmente deveria, porque se assim for, não teremos o empenho do empresário. Mas também não devemos deixar de

cobrar nossos governantes para fazerem, de maneira mais eficiente, a parte que lhes cabe. Todos sabemos que, por ser uma questão cultural, essa transformação será lenta, como todas que acontecem no mundo inteiro. Mas, é importante, sempre, fazermos a nossa parte para podermos cobrar a do outro. Espero mesmo que em 2013 os olhos da sociedade brasileira estejam bem atentos a todos os problemas en-

frentados pelas pessoas com deficiência e não apenas porque está chegando a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas porque são pessoas que tem o mesmo direito, e deveres, que qualquer outra e que, com o interesse e participação de todos, podemos acelerar as mudanças. Deixo nesta edição o meu carinho muito especial a todos os leitores desta revista, desejando um Natal com muita harmonia e que 2013 nos traga muitas conquistas !!! Forte abraço !

Mara Di Maio é formada em Letras e em Direito, Consultora e Palestrante sobre empregabilidade da pessoa com deficiência e Superintendente Executiva da ABRIDEF – Assoc. Bras. das Inds e Revends de Prods e Servs. para Pessoas com Deficiência.

CONCURSO CULTURAL DA REVISTA REAÇÃO... PARTICIPE!!!!

O CONCURSO CULTURAL elegerá a MELHOR FRASE sobre os “15 ANOS DA REVISTA REAÇÃO E SUA CONTRIBUIÇÃO NO DIA A DIA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO BRASIL”. O autor da MELHOR FRASE será agraciado com 01 TABLET (Ipad Aplle) personalizado da REVISTA REAÇÃO. Mande sua frase e seus dados para contato@revistareacao.com.br O resultado do CONCURSO sairá publicado e com foto do ganhador com seu prêmio, na Edição JAN/FEV 2013 da REVISTA REAÇÃO.

mais informações: www.revistareacao.com.br


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crônica

por Tatiana Rolin

Confrontando mitos da Inclusão em Ambiente Industrial

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omo psicóloga e consultora de inclusão social para pessoas com deficiências no mercado de trabalho, tive uma oportunidade inédita de prestar serviço numa empresa de grande renome na área Industrial. A proposta veio de um parceiro o qual tenho estabelecido alguns vínculos profissionais para a minha consultoria - TRINCLUSÃO.com.br - a princípio era algo incompatível com minha atuação atual, assim, como consultora, eu prestaria um serviço como Auxiliar Técnica pela Empresa All Serv Manutenção de Máquinas, dentro do campo Industrial, ou seja, no campo de uma obra. Uma obra ?!? Foi também a minha surpresa e dias seguidos até executar o trabalho me antecipava em pensamentos ao imaginar qual seria a conduta da empresa ao me receber por lá, uma área Industrial, onde há tantas justificativas para a não empregabilidade de pessoas com deficiências. Ouço isto claramente em discussões intermináveis com gestores na minha função como consultora. Do convite, parti do princípio de que não tinha que avisar antecipadamente que eu chegaria lá e que sou cadeirante, para prestar serviço, uma vez que eu estava sendo contratada pela All Serv, e não pela conceituada empresa Alcoa Alumínios S/A, onde eu iria atuar na tal obra. Logo, assim como faço ao ir num supermercado, simplesmente me organizo e saio de casa para realizar a tarefa. Pensei que deveria seguir o mesmo princípio, afinal, igualdade, dignidade e respeito, devem fazer parte da nossa cidadania. Exceto acessibilidade, para algumas pessoas. Assim, com as malas prontas, segui viagem e chegamos a Recife/PE. Ao desembarcar no aeroporto senti o calor da cidade que imediatamente me aqueceu. Da janela do taxi, recebi um vento que me fez piscar os olhos, e ao abrir, pude contemplar a beleza das praias. Tão brevemente já estávamos na portaria da empresa: o nome famoso, a área verde, um campo a ser desmistificado. Burocracias, identificação, caracterização com uniforme, vestimenta adequada, camisa com faixas luminosas, botas com bico de aço e metatarso, e um sonhado capacete azul concretizando minha presença, além dos documentos. A constatação da presença física - sinalizava a notícia: A prestadora de serviço é uma cadeirante !!! Imediatamente a informação se propagou, todos os departamentos tomaram conhecimento e quase que prontamente, cada a um à sua necessidade, tentavam minimizar o impacto que uma cadeirante poderia causar num ambiente industrial.

Em visita às dependências da Indústria ALCOA Alumínios S/A Recife/PE e Tubarão/SC – em novembro de 2012

Mas, eu estava lá, uniformizada e equipada com todos os EPI´s (equipamento de proteção individual) e pronta para trabalhar, registrar as informações, fotografar o maquinário de inspeção a ser realizado e acompanhar a manutenção prediditiva e preventiva realizada pela minha contratante (AllServ Manutenção de Máquinas). O meu papel era única e exclusivamente para as funções acima, o meu conhecimento como consultora de inclusão era algo paralelo, não estava ali para avaliar nenhuma estrutura empresarial. Até o momento final de ser convocada pelo departamento médico para liberação da minha ocupação. Antecipadamente, como medida defensiva, eu já tinha meu discurso pronto, caso me restringissem de acessar os espaços para trabalhar com a justificativa contundente por ser cadeirante. Houve um desconforto inicial, mas o profissionalismo imperou. Os exames médicos solicitados anteriormente, incluindo ASO e Audiometria, específicos para a área industrial, já tinham sido entregues, assim, nada poderia restringir meu acesso. E assim foi, nada nem ninguém na ALCOA restringiu meu acesso.


crônica De pronto, vi que na empresa a cultura inclusiva reina. Existiam pessoas com deficiências trabalhando em diversos setores dos quais passei, inclusive no RH, e especialmente na Segurança do Trabalho, onde tive o prazer de conhecer o Luis, que tem nanismo (anão) e se mostrou o MAIOR gigante por garantir meu direito de ir e vir e prestar meu serviço de forma segura, atendendo normas da empresa, mas acima de tudo, respeitando os princípios de igualdade na inclusão. Foram 3 dias de trabalho dentro de um ambiente do qual qualquer um que está distante do mundo da inclusão pode imaginar como um ambiente inacessível, se assim posso dizer, mas com todas as palavras, posso garantir que frequentei os postos de trabalhos mais acessíveis que já vi nos últimos tempos, naturalmente, na função de auxiliar técnica, que não me exigia manobras radicais com a cadeira entre um espaço e outro, apenas a postura sentada na minha cadeira me garantindo uma ergonomia, me favorecendo a execução da minha função. Discretamente, enquanto eu me atentava aos detalhes dos quais tinha que anotar na prancha apoiada sob minhas pernas, sentada na minha cadeira de rodas, percebia olhares dos colaboradores ao me ver transitando entre tantas máquinas, empilhadeiras, tarugos, prensas, mas certamente, eram olhares não de espanto, mas de respeito e admiração, pois antecipadamente à minha presença naquele local, a empresa

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ALCOA já desenvolve um programa de inclusão que resulta numa aceitação e convivência favorável com a diversidade. Imagine se há 20 anos, considerando os ganhos da Revolução Industrial, quantas pessoas poderiam ter sido empregadas naquele momento nestes ambientes onde há um mito de que não há acessibilidade no ambiente Industrial ? Pois bem, posso garantir: o espaço é acessível ! Além de muito quente pelos maquinários disponíveis. Fica a provocação de que as Grandes Indústrias possam receber visitas como estas, clarificando de que a inclusão no campo Industrial é também possível, afinal perfil de vaga e candidatos não podem estar restritos somente ao ambiente administrativo, não é ? E quanto a acessibilidade no campo industrial, fica a mensagem: onde passa uma empilhadeira, passa uma cadeira de rodas. Então a inclusão é possível no campo Industrial, SIM !

Tatiana Rolim é psicóloga, escritora e

consultora em inclusão social e autora dos livros “Meu Andar Sobre Rodas” e “Maria de Rodas – Delícias e Desafios na Maternidade de Mulheres Cadeirantes”.

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Empresa reafirma seu comprometimento com o público

Um dos bons exemplos da proximidade com o segmento das pessoas com deficiência é o fato da Nissan do Brasil ter sido a primeira empresa a patrocinar os Jogos Paralímpicos Rio 2016 e o Comitê Paralímpico Brasileiro, na categoria Automóveis. A parceria contempla o fornecimento de mais 2 mil veículos da marca. Desses, 270 modelos estarão adaptados para transportar cadeirantes e outros, sendo 150 unidades preparadas para transportar uma cadeira e 120 para transportar duas. Os modelos ainda não estão definidos, mas haverá sedans, SUVs, pick-ups, vans e minivans. No setor de comercialização, o atendimento ao público PcD representa 10% do total das vendas diretas e há muito espaço para crescer. A Nissan tem seu “Programa Direção Especial” em toda a rede, o que incluiu novo treinamento para os revendedores neste ano. De acordo com Carlos Venceslau Araújo, gerente nacional de vendas diretas, 87% da rede tem vendedores especializados: “A meta é chegar a 100% até o final de 2013 e todas as nossas concessionárias são adaptadas”, afirma. Carlos Araújo conta que as ações de mídia foram reforçadas: “Tivemos uma excelente participação no Salão do Automóvel, onde uma Grand Livina adaptada estava exposta. As modelos também eram cadeirantes e explicavam como funcionavam as alterações no veículo. Foi um sucesso”. Além do mais, a marca foi divulgada em programa especializado na TV e em mídas específicas.

O grande sucesso da marca com esse público é a família Livina: X-Gear, para os com espírito esportivo urbano, Grand Livina, para as grandes famílias, já que conta com sete lugares, e Livina, para aqueles que necessitam de um carro espaçoso a um preço acessível. O Nissan Livina X-Gear alia características da família Livina, como espaço, conforto e custo-benefício, a um visual esportivo. O modelo oferece 449 litros no compartimento de carga, um dos maiores da categoria - a mesma capacidade do Livina. O câmbio é automático de quatro velocidades. De série vem com ar-condicionado digital e direção elétrica, entre outros itens. O Grand Livina e o Livina receberam grade dianteira redesenhada na linha 2013, que ficou lisa e deixou o visual mais limpo e elegante. Todas as versões dos dois modelos ganharam quadro de instrumentos com fundo branco e outras novidades. “A Nissan está comprometida com o público de pessoas com deficiência. Somos uma empresa que prima pela qualidade de seus produtos e pela qualidade de vida de todas as pessoas”, garante o gerente.


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sexualidade

por Fabiano Puhlmann

Chegou a hora de ganhar autonomia

S

e você teve de voltar para a casa de seus pais, se eles, com seu amor, cobrem-no de atenções, se você não tem mais que ir a bancos, mercado, ao sapateiro, se você não faz mais sua comida, não precisa lavar sua própria roupa nem contratou alguém para fazer estes serviços. Se você não sai mais sozinho... Se desde o acidente você passou a sempre avisar aonde vai, com quem e quando volta... Se você se tornou fanaticamente religioso, se vai toda semana à igreja, ao centro ou à congregação, e sempre junto com sua família... Se todos realizam suas menores vontades, se você sempre é poupado das preocupações e problemas da família... Se depois do acidente você passou a considerar sua casa o único refúgio... Se fica horas ao telefone, na Internet, escrevendo ou lendo, e se evita festas, encontros com os amigos, retomar os estudos ou voltar a trabalhar, se sua única diversão é ouvir músicas e assistir à televisão... Se somente pensa em fisioterapia, se jornais e revistas que você lê só trazem matérias sobre saúde ou curas científicas ou milagrosas... E se você pensa que todos os seus problemas têm como causa sua deficiência... Se você ainda acredita que sua família é perfeita... Se você vive sonhando com o príncipe encantado... Lamento informar que você está completamente alienado da vida, você perdeu o avião, ficou no porto seguro e não está fazendo a grande viagem ! Chegou a hora de ganhar autonomia, e só existe uma saída, somente uma forma de romper com a prisão: buscar o maior nível de independência. O único pensamento possível é o revolucionário !!! A cultura o joga de lado e a família o protege e o prende, com carinho, na segurança de sua casa... Após a deficiência, nada é mais importante do que retomar a própria vida e acreditar ser possível reconstruir tudo. Se não der mais para trabalhar como antes, procure formas alternativas, mude de área, faça adaptações, mas garanta seu sustento e seja produtivo. Se possível, tenha um quarto, um apartamento, ou um lugar somente seu. Coloque tudo de maneira que dependa o mínimo de terceiros, aumente o batente das portas, coloque rampas e corrimãos onde existam degraus, adapte seu banheiro às suas necessidades, tenha poucos móveis para facilitar sua circulação, evite tapetes, capachos e vasos no meio da passagem. Reorganize sua cozinha e área de serviço para que tudo fique mais ao seu alcance. Se puder dirigir, compre um carro com isenções. Tenha equipamentos ortopédicos leves. Lembre-se: quem o ajuda deve ser preservado. Procure resolver seus problemas de higiene sozinho e, quando for impossível, contrate alguém.

Evite mães, irmãos e parentes para estas atividades; os familiares são nossos anjos guardiões, mas não devem se tornar nossas babás. Volte a estudar, mas nada de cursos virtuais. Vá ao ginásio, ao colégio, à universidade, às escolas de línguas. Brigue, no bom sentido, pelas adaptações necessárias à sua locomoção nestes edifícios públicos. Uma pessoa inteira, independente, realizada, estará pronta para o amor, jamais ficará sozinha. Internalizar o conceito de que deficiência não é doença nem incapacidade, gera uma série de atitudes novas, vinculadas à conquista de autonomia, prazer e qualidade de vida. Neste contexto, a pessoa com deficiência busca ativamente expressar suas necessidades, assim como seus desejos e vinculá-los à sua nova realidade, adaptando e criando com versatilidade e plasticidade o que for preciso para gerar e suprir sua satisfação pessoal. Par ilustrar esse posicionamento proativo, seguem abaixo algumas sugestões: Expresse sempre sua opinião e procure participar das tomadas de decisão sobre sua própria vida. Esteja bem informado sobre seu real estado e a par das possibilidades que podem ser desenvolvidas em seu programa Reabilitação. Conheça, informe-se e pesquise sobre os tratamentos médicos que estão sendo oferecidos. Esteja ciente de cada passo e cada etapa de seu tratamento, assim como das tecnologias de apoio necessárias para sua acessibilidade e equiparação de oportunidades. Evite acreditar em prognósticos conclusivos e principalmente opiniões pessoais rígidas, que não favoreçam sua capacidade de superação. Personalize todo contato. Exija que falem com você, quando falarem sobre você. Favoreça sua individualidade, frisando sempre suas opiniões e necessidades particulares. Não aceite ser tratado de forma genérica ou excessivamente padronizada; cada caso é um caso. Guarde sua identidade: seu nome, sua profissão, seu


sexualidade sexo, sua idade, suas preferências sexuais, enfim, tudo que constitui sua subjetividade. Preserve ao máximo sua intimidade, solicitando que batam em seu quarto antes de entrar, que respeitem seus momentos de higiene e de privacidade. Aceite e receba bem seus amigos e sua família. Não faça um papel feio de pessoa arredia e revoltada, pois esta rede de relações lhe será bastante importante. Evite o uso de medicações excessivas e sedativos. Eles podem gerar uma dependência ou um hábito desnecessário. Procure descobrir os novos limiares de sua tolerância à dor, e como conviver com os desconfortos. Novas posições e movimentação física (fisioterapia, piscina, massagens, esporte) podem melhorar muito sua disposição corporal e também seu humor. Somente tome antidepressivos se for indicado por uma psicoterapia. Evite se tornar alheio dos problemas que acontecem ao seu redor, centralizando-se só em si mesmo. É importante você ter consciência de tudo e procurar participar das questões familiares e sociais, dos grupos a que pertence. Esteja sempre no comando de tudo o que diz respeito à sua vida. Encare os problemas de frente, sem rodeios. Não adie as soluções que você deve tomar, enfrente. Não deixe suas dúvidas ficarem em silêncio, procure respostas. Obtenha informações sobre funções vitais e perspectivas de sua vida futura. As questões relacionadas à sexualidade são de suma importância para a constituição da autoestima. Saiba que há medicações e tratamentos para problemas sexuais. Encare sua vida afetivo-sexual, ela continuará existindo. Se necessário, busque orientação profissional para o casal, informe-se sobre gravidez, sobre DSTs etc. Preocupe-se sempre com sua melhora constante da qualidade de vida. Vá descobrindo e encontrando o que lhe falta para viver melhor. Após a fase hospitalar, lembre-se que a Reabilitação é fundamental, pois evita doenças secundárias e garante progressos importantes. A Reabilitação não visa estabelecer limites, mas insistir com foco na recuperação, exercícios físicos, vida social inclusiva, retomada de trabalho e estudo. A preocupação deverá ser mais realista sobre suas necessidades presentes e futuras. Não espere a cura mágica. Priorize focar todas as forças para superar suas dificuldades. Somente com o tempo e a experiência você próprio enxergará seus horizontes de forma realista. Se surgirem conflitos emocionais intensos e muita angústia, considere a idéia de fazer uma Psicoterapia. A ajuda emocional pode ser de grande valia para sua reconstrução de identidade, para descobrir e criar novos caminhos, novas abordagens para seus problemas. Uma atitude emocional psicologicamente saudável vai diminuindo a rigidez e aumentando sua flexibilidade para se adaptar às mudanças sem abrir mão de seus sonhos e objetivos de vida. Procure manter-se espontâneo, criativo e questionador

e não aceitar cegamente as orientações dos outros. Seu guia deve basear-se muito em sua experiência corporal. O poder decisório deve ser sempre seu. Comunique suas ideias sobre a melhor forma de fazer seus exercícios, cuidar da higiene e mesmo a forma e quantidade de sua medicação. Evite a rigidez do modelo idealizado de acessibilidade, deve-se levar em conta os dados de realidade. O importante é trabalhar dentro dos limites reais de seu ambiente e colocar o foco na inclusão atitudinal. Conheça e participe de Associações de pessoas com deficiência, entidades de luta ou Centros de Vida Independente (CVIs), pois podem servir de ponte para facilitar sua inclusão social. Resgate seu sentimento de utilidade pessoal e profissional. Tente voltar ao trabalho, desenvolver novas habilidades e ter alguma atividade produtiva. Evite a aposentadoria sem a real necessidade, pois sua inclusão produtiva na sociedade é importante. Não desenvolva sentimentos de culpa relacionados aos seus limites físicos. Para isto, vale reconhecer tanto sua própria evolução constante, como a da medicina e das tecnologias de apoio. O autoconhecimento favorecerá sempre a construção de sua autoimagem adequada, reconhecendo em si tanto os limites quanto às potencialidades. Você pode falar e perguntar sobre sexo, participar de grupos que trabalhem com apoio à afetividade e sexualidade, praticar esportes para manter a boa forma, terapias não-convencionais como a Equoterapia, a Hidroterapia ou a Dança e expressão corporal em cadeira de rodas. Mostre a vida que há em você. E participe da Vida! Deficiência não é doença. Imobilidade, sedentarismo e stress são males piores do que doenças do corpo, pois são enfermidades de uma alma que vive uma vida em pouca sintonia com o corpo. O remédio definitivo para as pessoas com deficiência é o movimento interno e externo da alma e do corpo rumo à inclusão. Fabiano Puhlmann Di Girolamo é psicólogo formado pela Universidade São Marcos; psicoterapeuta especialista em Psicologia Hospitalar da Reabilitação pela Faculdade de Medicina da USP; especialista em Sexualidade Humana pelo Instituto H. Ellis; especialista em Integração de Pessoas com Deficiências pela Universidade Salamanca, Espanha; especialista em Reabilitação pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo; educador sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana e Faculdade de Medicina do ABC; MBA em gestão para entidades do Terceiro Setor pelo IGESC/FEA; membro do corpo docente do Curso de Pós-Graduação da SBRASH; atuação reconhecida nas áreas de Acessibilidade, Tecnologias de Apoio e inclusão.

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música e arte

por Celise Melo (Celelê)

A boa influência da Música e do Teatro

O

lá, queridos leitores! Como sabem, em 1986 iniciei meu trabalho com pessoas com “necessidades especiais” e, em todos esses anos, participei de momentos importantes de famílias que tinham poucas informações sobre as doenças. Apresentei médicos e terapeutas especialistas para ajudarem no desenvolvimento dos pacientes. Minha contribuição com a introdução da arte foi fundamental para essas pessoas, pois até hoje tenho respostas positivas com a musicoterapia. Um dos casos que vou citar é o de Yolanda Cattony, de 15 anos, que tem deficiência visual. Trabalho a música e o teatro com ela há 10 anos. Estuda em colégio normal, faz aulas de violão, arte dramática e se apresentou comigo cantando, tocando e interpretando em palcos de teatros em São Paulo, na Feira REATECH, na festa da Revista Reação no Memorial da América Latina, na Virada Inclusiva etc. Apesar da dificuldade visual e de todas as intervenções cirúrgicas que fez, desde os 5 anos de idade, assiste às apresentações do meu espetáculo infantil “Celelê e Amigos” e até decorou facilmente textos difíceis e canções. Em 2010, gravou vocais de uma das minhas músicas do CD “Cante o Ano Todo”, em estúdio profissional. Yolanda tem a parte intelectual preservada e está na difícil fase da adolescência, portanto acaba se tornando muito ansiosa. Como já expliquei na edição anterior da Revista Reação, os sons atingem a região do nosso cérebro responsável pelos sentimentos, pela motivação e afetividade. Assim, o resultado é que a Música e o Teatro a fazem relaxar, dando-lhe maior concentração e oportunidades de ter um bom desempenho em todos os setores em que atua. Ela escreve muito bem e já começou a rascunhar um livro. Também é evidente o reforço positivíssimo na sua autoestima e na alegria em estar no palco. Tecnicamente, tem boa afinação vocal, ótima dicção, bom senso rítmico, desinibição e excelente memorização. Estou satisfeita com esse trabalho e aberta para novos projetos de inclusão. Um forte abraço para todos !!!

Celise Melo (Celelê) é cantora, compositora, atriz, autora, educadora , musicoterapeuta e é sucesso de público e crítica. Site: www.celeleeamigos.com.br E-mail: celelerecords@celeleeamigos.com.br

nota Pacientes com ELA entregam reivindicações

Os meses de outubro e novembro foram de intensa movimentação entre as pessoas com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurológica de evolução rápida que causa atrofia muscular progressiva. Vários encontros realizados em diferentes instâncias apresentaram as principais reivindicações. O “Manifesto pela Vida dos Pacientes de ELA”, que reivindica mais pesquisas com células-tronco adultas também no Brasil, foi entregue durante o VII Congresso Brasileiro de Células-Tronco e Terapia Celular, realizado em outubro na capital paulista. Segundo o texto, resultados promissores já foram registrados em testes clínicos realizados em outros países. Pede ainda uma maior flexibilização das regras relativas à participação em testes clínicos de novas terapias e ao uso compassivo de drogas experimentais, a exemplo de discussões que já são travadas em outros países. Os representantes do Movimento em Defesa dos Direitos da Pessoa com ELA (MOVELA) receberam a promessa de Rosália Mendez Otero, professora do Instituto de Biofísica da UFRJ e presidente da Associação Brasileira de Terapia Celular, de que anexará o documento ao estudo que está sendo preparado pela entidade para apresentação à ANVISA, apresentando propostas de mudanças para a liberação de tratamentos experimentais com células-tronco. “Saímos dali com a certeza de que demos mais um importante passo em direção ao objetivo que buscamos, que é o acesso a novos tratamentos e novas terapias para o tratamento da ELA no Brasil”, afirmou Antonio Jorge de Melo, representante do MOVELA. Já em 07 de novembro, o destino foi Brasília/DF para três importantes encontros: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Conselho Nacional de Pesquisa (CONEP) e Ministério da Saúde. Também houve reunião com a Frente Parlamentar de Combate às Doenças Raras, formada em abril, e que tem como objetivo a formulação de leis que possibilitem o desenvolvimento de novos projetos e programas que beneficiem essas pessoas. “Estamos felizes e orgulhosos por termos protagonizado esse momento que considero histórico e único na vida dos pacientes de ELA e seus familiares/cuidadores”, concluiu Melo.

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por Hermes Oliveira

A

parakart

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Parakart 2012

inda não saíram informações oficiais do final da Parakart este ano. Pelo menos não até o fechamento desta edição. E nós pilotos fizemos nosso trabalho durante os 5 anos que corremos juntos e que está registrado e publicado em vário veículos de comunicação, e em especial, aqui na Revista Reação, que sempre esteve dando apoio à nossa categoria, com espaços cedidos, e até apoio financeiro, patrocinando o piloto Hermes Oliveira, no caso, eu mesmo ! Isso que aconteceu, um grupo de pilotos correr por 5 anos consecutivos numa categoria, é algo inédito no mundo e orgulho para todas as pessoas com deficiências e para o Brasil, e nunca pode ser esquecido. Parabéns a todos os pilotos e a todos que apoiaram verdadeiramente por todo este tempo !!!

Nova Etapa ! Este ano recomecei meus estudos, agora na Faculdade Uninove. Estou cursando Administração, e gostando muito de enfrentar esse novo desafio. No trabalho de empreendedorismo: “Pequenas Atitudes, Grandes Resultados”, indiquei a Revista Reação para meu grupo pesquisar e todos aprovaram e assim o fizemos com o tema. “Para respeitar as pessoas com deficiências, é necessário que se passe da conscientização para a ação, com o propósito de se concluir com êxodo, uma sociedade para todos”. Desejo um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, cheio de muita paz e alegria a todos !!!

Homenagem ! Fiquei muito feliz por ter sido homenageado pela Revista Reação no dia 24 de outubro, em sua festa de comemoração de 15 anos, no Memorial da América Latina em São Paulo/ SP... É muito bom ganhar placa de Honra ao Mérito ! Aliás, é isso que me incentiva a continuar na luta fazendo algo que melhore o nosso universo.

Hermes Oliveira é Piloto de Kart adaptado patrocinado pela Revista Reação, escritor do livro “Um motorista especial de carreta” e estudante de logística.

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Ano fecha com motivos de sobras para comemorar

A Renault do Brasil lembrará de 2012 como um ano histórico em relação às pessoas com deficiência. “Fecharemos 2012 com um volume de aproximadamente 3.700 vendas, representando um crescimento de 340% versus 2011, o que significa que já ultrapassamos nossa previsão estabelecida, no final de 2011, em mais de 900 unidades”, comemora Alexandre Oliveira, diretor de Vendas a Empresas, que inclui também a comercialização para o segmento. Esse montante representa cerca de 5% de todas as vendas desse setor. Muito dessa performance, ele credita ao trabalho conjunto com a rede de concessionários, em que os profissionais de vendas se aperfeiçoam constantemente no atendimento. Das 217 concessionarias, 157 são adaptadas. A empresa também estabeleceu uma marca/programa - Renault Acesso, cujo adesivo, especialmente desenvolvido, pode ser visualizado na maioria das lojas em todo o Brasil. O programa opera através de uma consultoria de vendas específica para a pessoa com deficiência, incluindo profissionais qualificados e aptos a dar informações sobre isenções, despachantes, autoescolas, clínicas especializadas e transformadores, além de orientar o cliente sobre a melhor opção de veículo para sua

necessidade. “Cada vez que uma pessoa com deficiência adquire um veículo para seu uso ou de familiares, significa que a Renault, de certa forma, contribuiu para inclusão desta pessoa dentro do meio social. O veículo na sociedade representa não apenas mobilidade geográfica e a liberdade de ir e vir. Quando uma pessoa com deficiência adquire seu carro, isso remete a um aumento na confiança e autoestima, de fazer por si só, e de depender menos de outras pessoas”, considera Oliveira. A Renault consolidou sua presença junto a esse público com o lançamento da gama de veículos automáticos, a partir de setembro de 2011, como: Sandero, Logan, Stepway e Duster. A marca já contava com o Fluence, que é referência no segmento de sedans médios no Brasil e com as versões “Acesso” do Furgão Máster. “Vale ressaltar que um produto que fez bastante sucesso junto a esse público foi a série especial Duster TechRoad devido, principalmente, ao sistema Media Nav, que conta com Navegador GPS, ligações de telefone e viva-voz via celular bluetooth e sistema com tela de touchscreen, além de um visual bem moderno e que chama a atenção por onde passa”, conta o diretor. “É sempre bom frisar que nossa aceitação nesse segmento é reconhecida por termos um produto realmente automático e não automatizado”, explica. Para 2013, o objetivo é continuar o crescimento com o aumento da participação nesse segmento, além de consolidar o Programa Renault Acesso. “Por fim, estabelecer a imagem de uma empresa automobilística que tem esforços voltados para pessoas com deficiência é algo bastante desejável”, comemora Oliveira.


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moda e estilo

por Silvia de Castro

A Moda Universal Fotos: Thais Jatene

C

omo estamos aqui para falar de moda e estilo, então nada melhor do que antecipar as tendências de estilo de vida, pois quando se desenvolve uma coleção de roupas, acessórios e sapatos, é preciso primeiramente conhecer o consumidor final. Quem é o cliente ? Qual o seu perfil ? Qual seu estilo ? Então vamos falar de tendências mundiais, pois todos estão percebendo um mundo que busca cada vez mais uma consciência sustentável, ecológica e coletiva. E se pensarmos em consciência coletiva no mundo da moda, então é preciso estudar a diversidade dos corpos, raciocinando questões específicas, criando pequenos detalhes e transformando-os em uso universal. O universo da moda ainda não enxerga as inúmeras possibilidades que existem para serem trabalhadas. É preciso repensar o vestuário, mudando certos conceitos e preconceitos. Seja experimentando a verdadeira criatividade através de roupas universais, criando e adequando os modelos, utilizando moldes tridimensionais, tecidos com toque macio e muita elasticidade, tipos de costuras e diferentes aviamentos, e assim obter um resultado que atenda a um maior número de pessoas e suas diversas formas de corpos. Pensar também que as pessoas que utilizam órteses, próteses, muletas e cadeiras de rodas, passam a ter nesses acessórios uma extensão de seus corpos. Pensar ainda, que o mundo tem um número cada vez maior de pessoas idosas, as quais também necessitam muitas vezes de cuidadores e que também têm alguma dificuldade de movimentos, portanto a moda muito pode facilitar e melhorar em vários sentidos a vida de todas estas pessoas. Por isso, é preciso ressaltar que o futuro é múltiplo e coletivo. Em tempo, recomendo que assistam ao filme: “E se vivêssemos todos juntos ?”, do diretor e roteirista Stéphane Robelin (França/Alemanha, 2011), pois entre reflexões e comoções, pode-se entender melhor este universo dos idosos, cada vez mais presente em diversas partes do mundo.

Sempre ressalto também, neste tema da Moda Inclusiva, as palavras: praticidade, funcionalidade, conforto, estética... acrescentando ainda, a sensualidade. Sabe-se que o vestir facilitado traz independência e autonomia, mas também traz o resgate das atividades sociais, melhorando a autoestima, permitindo um mundo com maiores possibilidades. Isto sim é incluir. É importante lembrar que, no dia 13 de novembro último, aconteceu o 1º Fórum Internacional de Moda Inclusiva e Sustentabilidade e o 4º. Concurso de Moda Inclusiva, no MUBE, em São Paulo, realizados pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Neste fórum, vários palestrantes ressaltaram diferentes ações em relação à inclusão na moda e a importância do Brasil para o futuro, devido à sua natureza e alegria. Foi um encontro extremamente interessante e que pode contribuir muito para o mundo da moda, pois amadurecendo estes novos conceitos, este mercado carente poderá atrair investidores, tanto na industrialização, como na comercialização destes produtos com este novo conceito. Daí sim, quando a moda puder realmente atender o maior número de pessoas, seja com ou sem deficiência, com suas variações de formas de corpos, poderemos falar da real inclusão na moda. Até a próxima edição, onde falaremos mais sobre este tema fascinante. Abraços a todos !!!

Silvia de Castro é consultora e estilista de moda, especializada em moda e estilo para pessoas com deficiência. Email: scestiloterapia@gmail.com Blog: www.estiloterapia.com.br


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Empresa gaúcha atinge maioridade do amadurecimento da sociedade com a inserção das pessoas com deficiência no mercado produtivo, bem como com ações do governo federal de fomento para o segmento”, analisa Gino Muenzer Salvador, criador da empresa. “A Freedom chega ao final deste ano com ótimos resultados, resultantes de uma fórmula infalível: dedicação, respeito, responsabilidade, parceria e Especializada nas áreas de logística e saúde, que inclui cadeiras de rodas manuais, motorizadas, guinchos e triciclos elétricos, a Freedom comemora, em 2012, 21 anos da atuação no mercado. Seu complexo industrial, na cidade de Pelotas/RS, tem 5.700 m², com três unidades vizinhas e independentes, onde desenvolve tecnologia própria, o que diferencia o perfil de seus produtos tanto na personalização como no pós-venda e na competitividade. O ano também marcou o lançamento da tecnologia “Freedom Connect”, que passou a integrar os novos produtos da linha “Freedom Carbon”, agregando um novo conceito em cadeiras de rodas motorizadas. O usuário, com seu PC ou notebook, pode programar o comando da cadeira ao seu momento e gosto, possibilitando regulagens mecânicas de centro de gravidade, tilt e kaster, que permitem uma perfeita adequação postural, recursos esses que só eram possíveis nas cadeiras de rodas manuais de alto desempenho. “O mercado brasileiro do setor de Tecnologia Assistiva teve crescimento em 2012, contrariando o PIB nacional, em função

transparência”, afirma. O projeto de expansão comercial para o próximo ano contempla o aumento de mais de 50% no número de revendas com foco no sistema de vendas “Freedom Fácil” e novo conceito de suporte e assistência técnica com especialistas treinados na fábrica, aptos ao suporte “Freedom Connect”. O lançamento da linha 2013 prevê perfil inovador para as cadeiras de rodas manuais de alta e média mobilidade, com design e adequação diferenciadas, bem como novos produtos no segmento de home care. “Para 2013, a Freedom tem consciência de sua responsabilidade no setor de Tecnologia Assistiva, pois passaremos a vivenciar um momento ímpar em nossa sociedade, com maior aproximação entre fabricantes, revendas, universidades, entidades, profissionais e governo, todos atores deste grande setor que tem sob sua tutela mais de 45 milhões de brasileiros possuidores de alguma deficiência”, explica Salvador. “Temos a responsabilidade de fomentar política séria, desenvolvimento inovador, competitividade nacional e acesso para esta grande fatia da sociedade, sedimentando o plano do governo federal Viver sem Limite”, completa.


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Marca comemora crescimento significativo nas vendas !

Marcos Antonio Saraiva, gerente regional de Vendas Diretas da Chevrolet/General Motors do Brasil, tem motivos de sobra para comemorar os resultados do ano: as vendas para pessoas com deficiência ficaram pelo menos 200% maiores em relação a 2011. “Em números absolutos, o volume ainda é modesto, comparado ao total da GMB, mas as vendas cresceram muito no segmento”, afirma. O gerente atribui o bom desempenho aos recentes lançamentos de produtos com transmissão automática (Cruze, Cobalt, Spin e Agile). A linha terá novidades em 2013, como o recém lançado Ônix, e ele acredita que haverá uma abertura natural do mercado a partir de janeiro, com a isenção do ICMS também para não condutores.”Sem sombra de dúvida, o campeão de vendas da Chevrolet no segmento foi o Cruze Sport 6, que é sucesso absoluto da marca também nas vendas de varejo”, conta Saraiva. Em seguida, destacam-se o Cruze Sedan, o Chevrolet Spin de 5 e 7 lugares e o Cobalt 1.8, todos com a mesma transmissão automática de 6 marchas, com possibilidade de uso no modo manual com trocas de marchas sequencial. A cada lançamento, o modelo é disponibilizado para test-drive

nas concessionárias e para a Revista Reação. A apresentação de novos produtos, como o Cobalt 1.8 automático e o Cruze Sport 6, foi antecipada na Reatech 2012. Nas concessionárias, por meio do Departamento de Vendas Diretas, trabalham consultores treinados para bem receber esse público. “Através desse canal, a Chevrolet centraliza todos os pedidos abertos no sistema de Vendas Diretas e dá prioridade total de atendimento”, afirma o gerente. A rede tem 600 pontos de vendas e serviços de assistência técnica por todo o país e a grande maioria das lojas respeita a legislação de acessibilidade. A cada reforma ou inauguração de novas instalações, o item é observado mais atentamente pela fábrica e empresários responsáveis pelo estabelecimento. Outro diferencial de muitas concessionárias é trabalhar com atendimento personalizado, com retirada e entrega de documentos no domicílio do cliente, pelo próprio consultor de vendas, inclusive com parceria junto a despachantes especializados. “O segmento, como qualquer outro, é uma importante oportunidade de negócios no mercado automobilístico brasileiro, que está cada vez mais competitivo, mas representa também a contribuição da Chevrolet na política de inclusão social dessas pessoas”. O gerente finaliza: “gostaria de convidar todos os leitores, com deficiência ou não, para visitarem as concessionárias e participarem de um test-drive com um de nossos veículos automáticos. Temos certeza que vão se surpreender com o conforto e a relação custo/ benefício”, afirma Saraiva.


cultura

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História de Marcelo Yuka está nos cinemas

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banda “O Rappa” vivia o auge de sua trajetória no cenário pop rock brasileiro nos anos 90. Um acontecimento inesperado mudou tudo: o baterista e líder do grupo, Marcelo Yuka, levou nove tiros em um assalto, no Rio de Janeiro. Desde 2000 ele usa cadeira de rodas e reinventou a própria vida. Essa é a história de “Marcelo Yuka no Caminho das Setas”, da diretora paulistana Daniela Broitman, que entrou no circuito comercial em 30/11, depois de fazer carreira em diversos festivais nacionais e internacionais, ganhando o prêmio de Melhor Montagem no Festival do Rio 2011 e de melhor documentário da Première Brasil, escolhido pelos leitores do jornal O Globo. Venceu também o Festival In-Edit Brasil – Sessão Mobz. Marcelo tinha 34 anos quando foi alvejado e ficou paraplégico. Daniela o acompanhou de 2004 até setembro passado,

quando o músico participou do Rock In Rio. Com várias imagens de arquivo, o documentário começa alguns meses antes do assalto e retrata o processo de mudança pelo qual o músico passou, inclusive a saída do Rappa. “Enquanto luta por sua saúde física e espiritual, ele se arrisca em novas sonoridades e segue as setas numa incessante busca por justiça social e paz”, diz o texto de apresentação da obra. A diretora explica o resultado: “não me curvei ao sensacionalismo que poderia render ao filme boas lágrimas e bons cifrões nas bilheterias. Nunca quis explorar a imagem do Yuka, muito menos mostrá-lo como vítima ou exaltá-lo como herói. Acho que o retratei como ele merecia e como faz em seu trabalho, com dignidade, ética e amor”.

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movimento

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Fotos:Márcio Hernandes de Souza

Virada Inclusiva agita São Paulo !!!

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comemoração do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, em 03 de dezembro, começou no final de semana com a Virada Inclusiva, coordenada pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência em mais de 80 cidades, com cerca de 800 atividades de cultura e lazer espalhadas por ruas, praças, parques, museus e teatros. A abertura, na manhã do dia 01, sábado, movimentou a Praça Oswaldo Cruz, na capital paulista. A secretária Linamara Rizzo Battistella anunciou que em 2013 o evento será latino-americano: “vamos fazer da Virada Inclusiva um evento internacional, agregando Chile, Argentina e México nesse grande movimento, que significa direitos para todos os seres humanos, construindo uma sociedade a partir da diversidade, a partir do respeito às particularidades, mas sabendo que a força da modernidade, a força da inovação, reside no respeito à diversidade humana”, explicou. De lá saiu a já tradicional passeata do Movimento SuperAção, que existe há 9 anos e que nos últimos se incorporou à Virada. A avenida Paulista viu passar os manifestantes que levaram carros de som, apresentações musicais e improvisações de Rap. Ainda na mesma avenida, no Conjunto Nacional, houve abertura da exposição em homenagem à artista plástica mexicana Frida Kahlo, que teve poliomielite e se tornou um dos ícones de seu tempo. Outro ponto importante da Virada foi na Marquise do Parque Ibirapuera, onde ocorreu o evento de Arte Inclusiva, com espetáculos de música, dança e artes plásticas, além de jogos de xadrez para cegos e apresentação de artes marciais. Um dos artistas presentes foi o vocalista Dudé e sua banda Rockdelia: “consideramos que foi um dos nossos melhores shows esse ano. Conseguimos atingir nossos objetivos, deixamos claro que a grande barreira das diferenças pode ser colocada abaixo através da convivência e da informação”, afirmou Dudé, que tem má formação congênita múltipla. Ainda no sábado, também aconteceu um encontro mui-

to gostoso, no Parque da Água Branca, região oeste da cidade, onde muitas mães e crianças com deficiência participaram de um dia muito agradável, com atividades e lanche, num movimento pelo retorno da equoterapia na Água Branca, tradicional por muitos anos no local, a atividade parou de ser realizada há algum tempo, e agora, com o Parque sob nova administração, e com o apoio do INIS e do grupo “Mães da Guarapiranga”, há uma manifestação bastante grande para o seu retorno. No dia, alguns cavalos e profissionais atenderam às crianças na pista central de exposições do Parque Fernando Costa. Na Biblioteca São Paulo, a contação de histórias com interpretação de Libras foi feita por Ana Luisa Lacombe, que apresentou a Coleção Adélia (Adelia Cozinheira, Adelia Esquecida e Adelia Sonhadora), livros acessíveis a todas as crianças, já que possuem impressão em braile e texturas. Teatro e cortejo de bonecos da APAE também estiveram presentes na sede da Secretaria e na rua até a estação Barra Funda do Metrô. A festa só acabou mesmo na segunda-feira, no auditório Simon Bolivar, no Memorial da América Latina, na Barra Funda, em São Paulo/SP, com apresentação da Cia. de Ballet de Cegos Fernanda Bianchini e atrações gastronômicas, com a participação dos chefs Deepali Bavaskar, da Samosa & Company Indian Food; Flavia Spielkamp, da Aya Cuisine; e Hugo Delgado, do Obá , que serviram seus quitutes ao público. A cada ano a festa da Virada Inclusiva cresce e surpreende, e a Revista Reação está sempre presente, apoiando o evento, divulgando e incentivando. Vamos aguardar a grande Virada Inclusiva de 2013 !!!


movimento “O renascer da Fênix” Um dos destaques dessa III Virada Inclusiva no Estado de São Paulo, foi o evento que ocorreu nos verdes bosques do Parque da Água Branca, no bairro das Perdizes, zona oeste da capital paulista. A população da região e as pessoas com deficiência, puderam acompanhar num sábado ensorlarado, o renascer da Fênix da Equoterapia, que por muito tempo, foi realizada no parque e que foi suspensa a tempos atrás. Representando a Fênix, cavalos caracterizados fizeram a alegria da criançada no evento da Virada Inclusiva. Conduzido por uma fada de vestimentas cor de rosa, o cavalo caracterizado foi o destaque da festa. Tudo graças ao Secretário de Estado da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo, Bruno Covas, que com sua atitude e comprometimento com o seguimento das pessoas com deficiência, tomou a iniciativa de resgatar a equoterapia no local e ouvindo o pedido do movimento das pessoas com deficiência, devolve a atividade a este parque urbano, de onde aliás, ela nunca deveria ter saído. O Secretário do Meio Ambiente, em parceria com o INIS/Projeto Mães Guarapiranga e Instituto Anjos de Deus - Equoterapia, abraçaram a causa. O INIS e seus parceiros: Operação Conta Gotas, GEDR, JA Representações, Revista Reação, Grupo Cipa - Milano/Reatech, Arco Sinalizações, realizou um evento pontuado de alegria, descontração e lazer. Além da Equoterapia, houve um piquenique comunitário e palestras utilizando a tecnologia assistiva do “Dynamic Sound Field”, que possibilita áudio descrição, transmite sinal de FM diretamente para o implante coclear e usuários de aparelhos auditivos, além de utilizar ondas cilíndricas para as pessoas ouvintes.

EXPO CRISTÃ 2012

Mais de 168 mil pessoas compareceram ao Pavilhão no Anhembi (SP) entre os dias 25 a 30 de setembro para a 11ª edição da ExpoCristã. A Feira promoveu o intercâmbio entre a indústria e o canal de distribuição de produtos e serviços cristãos, com a presença de lojistas, livreiros, g ravadoras e distribuidores do segmento. Contou com a presença do governador e prefeito de SP, da mídia e apresentadores da televisão brasileira e um público diversificado de vários estados e exterior. A presença de estandes como biancatoledo.com. br , cianissi.com , que são de histórias de Superação marcaram a presença, juntamente com estandes de literaturas educacionais, comportamentais, formação familiar, profissional, shows interativos, dentre outros. Mesmo com a multidão que circulava nos corredores da feira, foi possível o acesso aos estandes por pessoas com deficiência, com as rampas e atendimentos direcionados. A Revista Reação esteve presente, conferindo. Parabéns à Expocristã e que nas próximas edições o aprimoramento da acessibilidade e inclusão sejam mais um marco na sua história !

XI Semana de Estudos de Terapia Ocupacional

notas

Palestras, workshops, oficinas, atividades culturais, exposições, mesas redondas e debates com profissionais renomados marcaram a XI Semana de Estudos de Terapia Ocupacional do curso de Terapia Ocupacional do Centro Universitário São Camilo, de 6 a 8 de novembro de 2012. Com conteúdos importantes e aprofundados sobre a área de Terapia Ocupacional, toda a equipe organizadora e coordenadora, foram impecáveis durante todo o Evento, com a participação de cerca de 200 estudantes. A Revista Reação mais uma vez apoiou e parabeniza esta iniciativa que tanto contribui para a nossa sociedade !!!

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momento surdo

por Neivaldo Zovico

Fila dos caixas sem acessibilidade para Surdos

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conteceu no dia que um Surdo foi fazer compras no Magazine e foi pegar a fila para pagar as suas despesas no caixa. Ele entrou numa fila enorme, ficou esperando até chegar sua vez, o primeiro a ser chamado, quando a moça do caixa gritou: “PRÓXIMO”... e ninguém apareceu, falou novamente: “PRÓXIMO”. O Surdo não ouviu o chamado, pois no Magazine tinha vários caixas em espera e nem percebeu. As pessoas da fila ficaram irritadas, porque o Surdo não foi para o caixa livre, reclamaram muito e ele continuou sem perceber. A pessoa logo atrás do Surdo, falou perto da orelha: “O caixa está aberto para você” - mas ele não escutou. De repente, virou-se e se assustou porque a pessoa estava muito próxima da sua cabeça. O Surdo não entendeu a mensagem falada e em Língua de Sinais sinalizou “SURDO”. A pessoa também não entendeu, ele repetiu o sinal, só daí ela entendeu e pediu desculpa. O Surdo dirigiu-se ao caixa, a moça estava com cara feia e frustrada, pois chamou seguidas vezes e não percebeu que ele era Surdo. Então ela perguntou: “Precisa de nota paulista?”- o Surdo sinalizou: “SURDO”... e fez um movimento de cabeça, de um lado para outro, que significava: “não entendi”. Infelizmente, a moça do caixa não conhecia a cultura e a língua de sinais usados na comunicação dos Surdos, ficou desesperada, pois não sabia atender os clientes Surdos. Noutro dia, o Surdo foi novamente num outro Magazine fazer compras e tinha um painel eletrônico que indicava o número do caixa livre para atender o cliente. O Surdo entrou na fila e ficou esperando para ser atendido pelo caixa. De repente, chegou uma mensagem tipo SMS que vibra, o Surdo foi ler a mensagem e ao mesmo tempo o painel indicou o número do caixa e fez o som, mas o Surdo não olhou o painel e nem escutou o som. Em outro lugar, o painel eletrônico estava com problema. A moça chamava, mas o Surdo não sabia se o painel funcio-

nava ou não, a falta de informação prejudicou a percepção do Surdo. Às vezes, quando o painel eletrônico está em funcionamento, o Surdo precisa ficar atento ao painel, sem olhar para os lados, para ver qual o número da caixa que irá atender, pois não escuta o som eletrônico. Por norma, os Surdos são utilizadores de uma comunicação espaço-visual, como meio de comunicação em substituição à audição e a fala, que podem ter ainda uma cultura característica. Os Surdos são diferentes dos ouvintes, não é apenas porque não ouve, mas na verdade desenvolvem potencialidades psicoculturais próprias. Principalmente em função das dificuldades de integração que os Surdos sofrem devido à falta de comunicação em situações de diversos lugares, impossibilitando-os assim de participar ativamente de várias instâncias sociais que qualificam o sujeito. Pesquisas do cotidiano indicam que os Surdos sofrem mais que os ouvintes, se preocupam com o atendimento de caixas em diversos lugares, pois estes não oferecem acessibilidade em Língua de Sinais. O ideal é que o painel eletrônico tenha um dispositivo do tipo sinaleiro ou flash de máquina fotográfica para atender clientes Surdos, facilmente visualizados, além dos funcionários dos caixas aprenderem a LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais, para o atendimento de clientes Surdos. Esperamos que as empresas façam mudanças e passem a respeitar a forma de comunicação dos Surdos, também com a Libras - Língua Brasileira de Sinais, garantindo seu direito de acessibilidade conforme a Constituição Federal, artigo 5º, que diz: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, ...” Neivaldo Augusto Zovico é professor, Consultor de Acessibilidade para Surdos e pessoas com deficiências auditivas, Coordenador Nacional de Acessibilidade para Surdos da FENEIS, Diretor de Relações Públicas da APSSP – Associação dos Professores Surdos do Estado de São Paulo e Colaborador da equipe do site: www.portaldosurdo.com www.acessibilidadeparasurdos.blogspot.com E-mail : neivaldo.zovico@terra.com.br


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Toyota presente na Zona Norte do Rio

A Kaizen, concessionária Toyota instalada no bairro de Pilares, começou suas atividades em julho de 2010 e quer se tornar referência em atendimento a pessoas com deficiência no Rio de Janeiro/RJ. Para isso, investiu em instalações e na equipe, buscando a máxima satisfação dos clientes, se estruturando para receber uma crescente demanda no segmento. O piso da área a ser visitada é praticamente uniforme, facilitando o deslocamento, e as plantas dos banheiros foram desenhadas de forma a permitir total acessibilidade. As vagas no estacionamento são cobertas e demarcadas. Também está disponível serviço de “leva e traz” e test-drive.

O atendimento é especializado, com três vendedores e uma secretária, todos devidamente capacitados. Despachantes credenciados cuidam da documentação, gratuitamente. Toda essa preparação se reflete no aumento das vendas que representaram, em 2012, 8% da comercialização total da concessionária. Os modelos preferidos são o Corolla GLI AT, principalmente no período de redução de IPI que permitiu a comercialização com isenção de IPI e ICMS. A SW4 também tem ótima procura e goza de uma forte redução de preço perante a tabela. A grande novidade é a chegada do novo Toyota Etios, com atributos e preços que proporcionarão aos interessados que têm direito a isenção de IPI e ICMS, uma ótima opção.


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artigo

por Wiliam Machado

Viver Sem Limite

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A (re)edição do modelo assistencialista nas residências inclusivas para pessoas com deficiência

stamos prestes a assistir apenas mais uma simples mudança na denominação do que se compreende por abrigos para pessoas com deficiência. Mais um lapso de natureza política para efetivamente mascarar a histórica exclusão dessas pessoas, agora, pela (re)criação de modelo assistencialista que já se mostrou ineficaz anos a fio, por falta planejamento consistente e escassez de recursos para manutenção dos serviços básicos que demandam usuários de unidades dessa categoria. Como executivos do alto escalão do governo federal ousam afirmar que as residências inclusivas oferecerão atendimento integral a jovens e adultos com deficiência, em situação de dependência, se o cofinanciamento federal previsto é de apenas R$ 10 mil mensais para cada residência inclusiva ? Nem mesmo contando com hipotético cofinanciamento dos governos estaduais, com repasse equivalente a pelo menos 50% do valor transferido pelo governo federal, o montante R$ 15.000 seria suficiente para pagamento de pessoal, materiais e equipamentos, imprescindíveis ao pleno e integral funcionamento das supostas unidades. É importante enfatizar que atendimento integral a pessoas com deficiência, em situação de dependência, requer, em primeira instância, prever e admitir que podem variar de média a alta complexidade. E a depender do nível de complexidade e características dos usuários dos serviços, como tipo de deficiência, dependência funcional ou intelectual, a demanda por materiais, equipamentos e profissionais especializados, pode surpreender e frustrar expectativas de natureza meramente política. Muito mais que despesas com alimentação, higiene pessoal, transporte adaptado, atividades lúdicas, esportivas e culturais, pessoas com deficiência, em situação de dependência, também não sobrevivem com estáveis níveis homeostáticos sem atendimentos e cuidados diários com profissionais de saúde que deverão atuar nas residências inclusivas. São pessoas que necessitam de avaliação e atendimentos médicos, fonoaudiológicos, odontológicos, de enfermagem, nutrição, fisioterapia, terapia ocupacional, instrutores de braile, intérpretes de libras etc... Além de outros profissionais para desenvolver programas de educação e reinserção no mercado de trabalho. O Governo Federal, ao lançar o Plano Nacional dos Direitos da

Pessoa com Deficiência – Viver Sem Limite, definiu que suas ações envolveriam iniciativas nas áreas de educação, saúde, cidadania e acessibilidade. No caso das residências inclusivas, todas essas áreas são essenciais para seu profícuo funcionamento, uma vez pautados na perspectiva do atendimento integral de seus usuários, Até porque essas ações, segundo fontes oficiais, serão executadas, em conjunto, por 15 órgãos do governo federal, sob a coordenação da Secretaria de Direitos Humanos, com metas que devem ser atingidas até o ano de 2014. Ademais, como previsto pelo Viver Sem Limite, tais iniciativas carecem de apreciação do Comitê Nacional de Assessoramento e Apoio às Ações de Saúde do Plano Nacional para Pessoas com Deficiência, fórum específico e norteador das ações vinculadas ao Sistema Único de Saúde – SUS. Com a estruturação da Rede de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência - SUS, que será um conjunto de serviços, ações e estratégias de saúde com o objetivo de garantir a assistência integral a toda população que necessita deste tipo de atendimento, mais pertinente seria optar pela implantação dos também previstos “Centros-Dia”, por disporem de mais recursos e equipes multiprofissionais, e se adequarem melhor ao modelo de atendimento integral de pessoas com deficiência, em situação de dependência. Ao que nos sugere, mais uma vez, repete-se a gafe de não serem consultados especialistas na área de conhecimento e sujeitos sociais que vivenciam cotidianos de pessoas com deficiência, em


artigo

REFERÊNCIAS

1 - Sem limites para aprender a conviver. Bengala Legal (SP): [citado 14 oct 2012] Disponível em: http://saci.org.br/index.php?modulo=ak emi&parametro=27135 2 – Presidência da República (BR). Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto nº 7.612, de 17 de dezembro de 2011. Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite. Brasília (DF): 2011. 3 – Ministério da Saúde (BR): Portaria nº 2.672, de 16 de novembro de 2011. Institui o Comitê Nacional de Assessoramento e Apoio ás Ações de Saúde do Plano Nacional de para Pessoas com Deficiência. Brasília (DF): 2011.

Wiliam Machado é professor, doutor e

pesquisador da Saúde e Qualidade de Vida de Idosos e PcD. E-mail: wilmachado@uol.com.br

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Futebol em Cadeira de Rodas tem seu primeiro campeonato Foto: Ana Souza Usina da Comunicação

situação de dependência, para se traçarem elementos norteadores essenciais a constituição das residências inclusivas. A participação de especialistas em planejamento e execução de cuidados diários e de longo prazo, como enfermeiros reabilitadores, é determinante para que a iniciativa seja bem sucedida. Igualmente essencial convocar cuidadores domiciliares de pessoas com deficiência, em situação de dependência, para contribuir com suas experiências e subsidiar a sustentabilidade e sucesso das residências inclusivas. É inegável o mérito da iniciativa do MDS, porém, reitera-se a já conhecida máxima: “Nada de nós, sem nós”. Acrescenta-se que a implantação dos Centros-Dia, para atendimento e convivência de pessoas com deficiência, maiores de 18 anos, em estado de vulnerabilidade social, de acordo com o previsto no Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver Sem Limite restringe-se a 27 unidades a serem instaladas, preferencialmente, nas capitais dos estados brasileiros e no Distrito Federal. Com capacidade de atender 30 pessoas por turno, para cada Centro, o Governo Federal repassará uma parcela de R$ 20 mil para montagem e parcelas mensais de R$ 40 mil para despesas com equipe técnica, materiais e manutenção. Por que não reavaliar a proposta e ampliar a implantação de Centros-Dia, em substituição às residências inclusivas, unidades fadadas ao fracasso, já no nascedouro ? Uma conjunção de esforços e vontade política interministerial seria mais coerente, em particular, se implantados Centros-Dia para atendimento integral de crianças, adolescentes e adultos com paralisia cerebral, poupando suas mães e demais cuidadores domiciliares do desgaste advindo da sobrecarga do cuidado diário, investindo na promoção da sua saúde física, mental e emocional, além do substantivo aumento da expectativa de vida de milhares de cidadãos e cidadãs brasileiras. Mais ainda, reduzindo sobremaneira a incidência de órfãos com deficiência e a consequente exposição da fragilidade do sistema público, em suas três esferas de governo.

notas

Ainda só existem dois times oficiais na modalidade no Brasil, mas isso não impediu a realização de uma disputa animada no 1º Campeonato Brasileiro de Futebol em Cadeira de Rodas – Power Soccer. O evento foi realizado em 18/11, organizado pela Associação Brasileira de Futebol em Cadeira de Rodas (ABFC), no ginásio da Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB), no Rio de Janeiro/RJ. Cerca de 100 pessoas prestigiaram o evento, entre as quais os ex-jogadores Zico, Tulio Maravilha e Gonzçalves, o surfista Ricco de Souza, o presidente do Ibope Carlos Augusto Montenegro e os atores Thierry Figueira e Danielle Winits, além do jogador Amaury Nunes. Com o placar de 3 x 0, o Clube Novo Ser, do Instituto Novo Ser, ONG patrocinada pela Radiz, foi o grande campeão sobre o time de Curitiba/PR, o Quatro por Quatro. Para Ricardo Gonzalez, presidente da ABFC, o evento serviu para estimular novos atletas e times. Gonzalez também espera que a modalidade de Power Soccer faça parte das competições Paralímpicas até 2020.

E-book fala sobre diversidade e direito à inclusão

O site Planeta Eduação, portal educacional da empresa Vitae Futurekids, colocou à disposição para download o livro “Celebrando a Diversidade - Pessoas com Deficiência e Direito à Inclusão”. Os autores dos 26 textos são especialistas em várias áreas do conhecimento, alguns com deficiência ou com familiares nessa situação, reconhecidos nacional e internacionalmente, unidos na luta por um mundo mais justo e solidário. Entre eles estão Ethel Rosenfeld, Isabel Loureiro Maior e Silvana Serafino Cambiaghi. A arquiteta Flavia Boni Licht, uma das organizadoras da obra, juntamente com a jornalista Nubia Silveira, afirma que “a construção de uma sociedade efetivamente democrática e solidária não exclui ninguém por suas deficiências Ao contrário, “inclui a todos e a cada um por suas capacidades”. Celebrando a Diversidade está dividido em 11 capítulos, abordando temas como cidadania, educação, informação e trabalho, entre outros. Para ter acesso, é só acessar o link: www.planetaeducacao.com.br/ portal/Celebrando-Diversidade.pdf


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Concessionária Honda comemora aumento de vendas A Honda Forte, empresa localizada na capital paulista desde 2005 e totalmente adaptada, possui a Certificação Honda Conduz, que indica as concessionárias capacitadas para o melhor atendimento às pessoas com deficiência. Há motivos de sobra para comemorar este ano: a montadora terá um aumento de 46% nas vendas, comparadas a 2011, e a concessionária um crescimento de 30% no geral e 45% em vendas especiais. “O cliente com deficiência é muito importante pois tem um grande potencial de compra, é formador de opinião e fiel à marca”, analisa o gerente geral Wilson Cavenaghi. Ficaram para trás os problemas do ano passado, como o tsunami, que afetou as marcas de origem japonesa. Cavenaghi conta que a Honda teve uma queda de 26% com relação a 2010, por isso alcançou o ótimo desempenho de 2012 (46%). “Fazendo um comparativo com o ano de 2010, tivemos um crescimento de 7% no total (2010 x 2012) e isso deve-se também ao plano de incentivo do governo, reduzindo o IPI”, explica. A concessionária tem um departamento voltado especificamente ao atendimento de pessoas com deficiência desde 2011, com excelentes resultados, na visão do gerente geral. “Nossos vendedores são altamente preparados e munidos de informações sobre o veículo e o processo para solicitar as isenções de IPI, ICMS, IPVA e rodízio”, afirma. O gerente destaca também a aposta nas redes sociais para o contato com o público. “Estamos caminhando bem,

não focamos somente em produto, serviços e ofertas, mas muito mais em entrar na vida dos internautas com dicas, notícias, curiosidades, tudo que tenha a ver com o estilo de vida deles. Apostamos em vídeo reportagens, em novas redes, como o pinterest, e 2013 promete muito mais”, comemora. Os clientes também podem ser atendidos pelo site via chat, diariamente. O Fit foi o carro mais vendido com isenção, já que desfruta de confiança no mercado em itens como manutenção, seguro, reposição de peças, espaço interno e facilidade de direção. “É muito importante e gratificante poder atuar nesse segmento, fazemos questão de qualificar nosso atendimento, sempre buscando informações corretas e atualizadas”, diz Cavenaghi, confiante em 2013: “Estamos otimistas com a possibilidade no próximo ano da pessoa que não consegue ou não pode dirigir (não condutor) obter realmente descontos significativos na compra de veículos, hoje sendo isenta somente do IPI, e passando a ter também a isenção do ICMS. Já estamos preparados para atender esse público”, garante.


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lição de vida

Naldo Barros: em busca da realização de um sonho...

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este espaço da Revista Reação, procuramos sempre mostrar a trajetória de pessoas que conseguiram alcançar seus objetivos, apesar das dificuldades. Desta vez, vamos falar de um jovem que ainda tenta realizar seu grande sonho: ser locutor esportivo em uma emissora de rádio. Aguinaldo da Silva Barros tem 26 anos, é casado e mora em Belém/PA. Licenciado em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa, pela Universidade Federal do Pará, tem cegueira congênita. Aprovado em concurso da Secretaria Municipal de Educação de Belém para trabalhar como professor, deve tomar posse no próximo mês de janeiro. “Minha trajetória acadêmica foi difícil, como a de qualquer pessoa cega. Com o apoio de minha família consegui galgar os degraus e as barreiras que a mim foram impostas. Escolhi o curso de Letras por estar mais próximo do Jornalismo, meu grande sonho. Enfrentei bastante dificuldade, sobretudo na confecção dos materiais didáticos e no acompanhamento em tempo real do conteúdo programático das disciplinas”, conta. Ainda assim, ele elogia a Biblioteca Central da Universidade, com espaço voltado para o Braille. O grande sonho de Agnaldo, desde a infância, é a parte esportiva, em rádio. “Já estive por 7 anos em uma

rádio comunitária, chamada Cidadania FM. Lá o trabalho era voltado para os movimentos sociais. A rádio, na época, não era legalizada e, por isso, era chamada de pirata pelo poder público. O auge dessa experiência foi quando ocupamos a ANATEL, exigindo nosso direito de expressão livre e popular. Enfrentamos a polícia federal, com o apoio da população do bairro. Não nos calamos e continuamos a exercer a profissão”, lembra. Hoje a rádio não existe mais. “Em 2009, depois de uma enorme ousadia, fui trabalhar na minha primeira rádio comercial, a Rádio Clube do Pará, quarta emissora mais antiga do Brasil. Iniciei fazendo cobertura esportiva da Taça São Paulo, no interior paulista”, diz Agnaldo, cuja voz costuma ser muito elogiada, fazendo com que seja requisitado para gravação de comerciais e vinhetas. Nessa época ficou conhecido como Naldo Barros, “a visão cega do futebol”. “A maior dificuldade enfrentada é a aceitação. Se busco a locução em rádio, é porque confio no meu talento e capacidade para fazê-la”, afirma. “O segredo principal é estar antenado com a notícia. Quem enxerga baseia seus comentários e notícias na imagem. Uma pessoa cega deve estar atenta ao que é falado pelo narrador, executando assim o seu comentário. Nas reportagens, necessita ter amplo domínio em informática e no Sistema Braille, para fazer anotações e ler com agilidade. Quem vê utiliza o mecanismo comum de leitura. Quem não enxerga utiliza-se do tato. Essa é a única diferença”, garante Naldo. Outra área que gostaria de atuar é como locutor musical. Já procurou emprego em várias rádios, mas o máximo que oferecem é “um telefone para atender”: “Isso eu não quero!”, garante, dizendo-se disposto até a mudar de cidade para conseguir trabalhar na área. Naldo é um exemplo de determinação e por isso, deixamos aqui o seu contato, caso haja interesse por parte de alguma emissora de rádio em dar a devida e merecida oportunidade a esse profissional: naldoesportebraille@gmail.com


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Líder em Vendas para PcD na Rede Chevrolet

O Grupo Nova, que desde 1993 representa a marca Chevrolet, conta com 14 unidades, sendo que 8 são pontos de vendas de veículos 0 Km para o cliente PcD. Com instalações modernas e completas em São Paulo/SP e Ribeirão Preto/SP, e mais de 1.000 colaboradores à disposição dos clientes para atendê-los com qualidade sempre que precisarem de Veículos, Serviços e Peças Chevrolet. A Nova Chevrolet possui consultores especializados para vendas ao Cliente PcD, com atendimento com hora marcada, para demonstração do veículo que melhor atende as suas necessidades, bem como orientação para retirada de isenções, laudos, carteira de habilitação especial e, quando necessário, adaptações no veículo. Este atendimento visa promover a mobilidade de condutores e

não condutores, além de parcerias com autoescolas, despachante especializado e clínicas conveniadas ao Detran. A linha Chevrolet oferece veículos com várias opções de motorização, porta-malas, câmbio automático ou mecânico. Os recentes lançamentos: Cruze Sedã, Cruze Sport6, Spin e Cobalt 1.8 automático são ótimas opções aos clientes com deficiência, mobilidade reduzida e idosos. O reconhecimento da qualidade na prestação de serviços da Nova Chevrolet foi atestada pela General Motors como “Concessionária Nível A”, além de prêmio da Revista Carro e Motorpress Editora, como “a melhor concessionária Chevrolet da cidade de São Paulo” (Unidade João Dias). Mais informações: São Paulo (11) 5646-2000 e Ribeirão Preto e Região: (16) 3968-6060.


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teste drive

Agile LTZ: câmbio automatizado!!!

Chevrolet acaba de lançar a versão do modelo com sistema Easytronic...

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ais uma vez, dando sequência à série de testes com os novos modelos lançados este ano pela montadora, em parceria com a fábrica da GM/Chevrolet, a REVISTA REAÇÃO realiza, em primeira mão, uma série de testes voltados ao uso do carro por pessoas com deficiência, agora com o Agile LTZ com câmbio automatizado. O Agile já é um velho conhecido do público consumidor, porém, com essa versão de câmbio é novidade. Acaba de ser lançado no final do ano e é recém chegado à rede de concessionárias da marca. O compacto hatch foi enviado à nossa redação para que nossa equipe especializada pudesse testá-lo em situações de uso diário por PcD, e passasse aos leitores as características do Agile LTZ e seu novo câmbio.

Acessibilidade e transferência A abertura das portas dianteiras do Agile não é das melhores. Tanto o ângulo de abertura quanto a “boca” da porta do motorista, acabam deixando a transferência meio incômoda e apertada. A coluna do carro fica sempre para frente do encosto do banco do motorista. E quanto maior for a pessoa, mais será difícil sua entrada no carro. Por outro lado, a altura do assento do banco é boa e a postura ao dirigir também. Outra dica que fica para a montadora, é uma alça interna sobre a porta do motorista (assim como tem na porta do passageiro), para facilitar o apoio para passar da cadeira de rodas para o carro. Os comandos de painel e controles são próximos e bastante ao alcance do vo-


teste drive

lante, bem perto das mãos do motorista. O que facilita na condução do carro. Assim como os comandos de luzes e do limpador do para-brisas. Os botões do painel de instrumentos também tem fácil acesso, inclusive o rádio e ar-condicionado. O modelo possui piloto automático, que também é um facilitador na vida da pessoa com deficiência, e faróis com acendimento automático.

Dirigibilidade, visibilidade, conforto e desempenho Os bancos dianteiros possuem regulagens que permitem o conforto para qualquer tipo e peso do motorista. O descanso de braço da porta permite o uso da alavanca de freio e acelerador (adaptação) numa posição de maior conforto para o condutor, com firmeza e segurança. Bastante confortável, o Agile possui uma alavanca de câmbio (automatizado de última geração) muito bem localizada e de fácil manejo e acionamento. As trocas de marcha não são tão suaves, podem ser facilmente sentidas pelo motorista, principalmente quando o motor passa a ser mais exigido, com em subidas mais acentuadas. Mas a resposta do motor e do próprio câmbio são muito boas quando exigidos pelo motorista, tanto na cidade, como na estrada, principalmente em ultrapassagens, por exemplo. Mesmo sendo um carro compacto, o espaço interno para os ocupantes do banco traseiro até que é bom. Apertado,

mas razoavelmente confortável. O motor Flex 1.4 é bom, forte e não decepciona, mesmo com o carro cheio, permitindo inclusive uma condução suave e agradável. O Agile se comporta muito bem, porém, tem no consumo de combustível, um ponto negativo, principalmente no Etanol, se torna um pouco gastão. Mas isso passa até desapercebido pelo bom desempenho do carro, que tem também como destaque, o seu design e as novas cores que a GM vem trazendo nessa nova “safra” de modelos lançados em 2012.

Porta-malas Como estamos falando de um modelo compacto, o porta-malas não tem como escapar de ser pequeno para transportar a cadeira de rodas. Porém, se ela for do tipo desmontável, como é a grande maioria das cadeiras em uso hoje em dia, dá para tirar as rodas e encaixar com “jeitinho” - rodas e corpo da cadeira – se ela for dobrável em “x” - no espaço do porta-malas. Cabe bem e ainda sobra até um espacinho para compras, por exemplo. Já uma cadeira mono-bloco, parte dela certamente terá que ir acomodada no banco de trás. Mas nada que não dê para se adaptar. É sempre bom lembrar, que tanto monobloco como uma cadeira dobrável, de qualquer maneira, para acondiciona-las no porta-malas do Agile, o tampão traseiro interno tem que ser retirado.

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Concessionária GM investe em atendimento diferenciado

O grupo Carrera tem 15 anos de atividades e 10 trabalhando com a bandeira GM. Duas de suas 7 lojas na Grande São Paulo, Villa Lobos e Alphaville, concentram as vendas para pessoas com deficiência devido ao maior número de clientes interessados, que podem contar também com uma equipe especializada em seguros, além de despachante próprio. Os dois pontos oferecem boa acessibilidade, com espaços planos e rampas para facilitar a locomoção, além de possuírem banheiros adaptados. Os principais veículos, como: Cobalt, Cruze Sedan e Spin, estão disponíveis para test-drive. Depois de feito o pedido do veículo, está disponível o atendimento residencial para finalização e retiradas da documentação. Em cada loja há uma pessoa especializada no atendimento de clientes PcD: a consultora de Vendas Especiais Taís Cesarino responde pela principal (Villa Lobos - Ceasa) e o consultor Maximiliano Rodriguez faz o atendimento em Alphaville. “O treinamento é fornecido pela própria GM e, a cada seis meses, é realizada uma reciclagem para atualização dos novos produtos e também para informações sobre os processos de isenção”, explica o coordenador de Frota, Carlos Alberto Pécora.

“Nossas características primordiais são o bom atendimento e o comprometimento em fornecer todas as informações corretas e seguras para que o cliente sinta confiança no nosso trabalho e seja fidelizado”, completa. Outro diferencial que o grupo oferece aos clientes é um folow-up semanal, por meio do qual eles são atualizados semanalmente com informações de produção e entrega do veículo, após o envio do pedido de compra. O ano começou somente com o Cruze Sedan, mas no decorrer de 2012, com os novos lançamentos da GM, foi possível contar com o Cobalt Sedan 1.8 e o Cruze Hatch, além do sucesso de vendas Spin, com cinco e sete lugares. Há agora também o Agile Eeasytronic. “Com todos esses modelos, podemos apresentar aos clientes especiais um portfólio completo, com veículos em todas as faixas de preço e modelos variados, atendendo a todos que têm o sonho da compra de um carro 0Km, com a isenção disponível”, comemora o coordenador. Para 2013, as perspectivas são as melhores, com o grupo prometendo muita dedicação e prevendo mais lançamentos da GM para o segmento. Para a Carrera, todo essa empenho faz com que a concessionária tenha um atendimento diferenciado: “O foco principal do grupo é sempre se preocupar com todo o processo de compra, entusiasmar e encantar nossos clientes, trabalhar em equipe e inovar sempre”, garante Pécora.


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Preocupação é estar mais próximo do cliente

A Cavenaghi é referência no mercado quando se fala em adaptações veiculares, estabelecendo parcerias com as principais montadoras. Também atua nas linhas de cadeiras de rodas e acessórios, transporte, adequação postural e autonomia. Com o slogan: “Sempre tem uma Cavenaghi perto de você”, a empresa inaugurou, no último mês de agosto, uma loja em Salvador/BA, região com o maior número de pessoas com deficiência, de acordo com o IBGE. “Assim conseguimos estar, efetivamente, mais próximos dos nossos clientes, além das lojas São Paulo/SP e São Carlos/SP”, afirma a diretora Mônica Cavenaghi. No primeiro trimestre de 2013, um novo ponto deverá ser inaugurada no Rio de Janeiro/RJ, mas além das lojas físicas, os clientes podem contar com o conforto e a comodidade de encontrar uma grande variedade de produtos na loja virtual da empresa (www.cavenaghi.com.br). Os clientes ainda podem ter o auxilio de um consultor Cavenaghi para tirar todas as dúvidas remotamente, uma grande comodidade para quem tem dificuldade em se deslocar. Os concessionários Cavenaghi são centros automotivos que atuam na adaptação e manutenção de veículos em que a pessoa com deficiência é a condutora, e também dão assistência técnica nas outras linhas de produtos veiculares. Já as lojas Cavenaghi operam com o portfólio completo das cinco linhas de produtos. “Para as linhas Transporte, Direção e Adequação Postural somos fabricantes da solução. Já nas

linhas Autonomia, Cadeira de Rodas e Acessórios, nós revendemos as melhores marcas nacionais e importadas”, garante a diretora. Para ela, as pessoas com deficiência formam um contingente enorme no país. E é um público que, com sua inclusão crescente à sociedade, tem se tornado mais ativo e exigente a cada dia, gerando poder de consumo e uma crescente demanda por produtos e serviços. “A Cavenaghi, antenada com os movimentos desse mercado, com espaço enorme para crescer, tem buscado constantemente soluções diferenciadas, porém ainda encontramos muitos gargalos como os impostos incidentes sobre as matérias-primas utilizadas na fabricação das adaptações veiculares, onerando o custo final para o consumidor, além de outro ponto bastante relevante, que é a necessidade de certificação dos produtos pela ANVISA, fator que atrasa muito a introdução de novos itens devido à morosidade do órgão”, afirma Mônica. “Para 2013 apresentaremos uma nova solução na linha transporte e, considerando a carência de alguns produtos no mercado nacional, nossa área de desenvolvimento de produtos atua constantemente na busca de novidades tecnológicas fora do país”, finaliza Mônica.

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A casa do Chevrolet em São Paulo/SP

A Disbrasa/Starvesa é um nome dos mais tradicionais em revendas da marca na capital paulista. Afinal, são 45 anos no mercado. Com lojas nos bairros do Cambuci e da Saúde, a empresa teve um ano bastante voltado ao segmento de pessoas com deficiência: “Começamos a investir forte em mídia, divulgação e vendedores em 2012 a pedido da fábrica, que também está retomando fortemente para atuar nesse mercado específico”, conta Roberto Fernandes de Oliveira Filho, gerente de Vendas Diretas, a quem o atendimento é vinculado. A unidade da Saúde é acessível a pessoas com cadeiras de rodas, tem vagas de estacionamento demarcadas e banheiro adaptado. No Cambuci, ainda não há banheiro próprio. O Departamento de Vendas Diretas está encarregado de prestar todo o atendimento necessário a esses clientes específicos. São cinco vendedores no total, dois na Saúde e três no Cambuci. Eles foram treinados especialmente para bem receber esse público, com orientações sobre recepção, atenção, cuidados que devem ter, postura de atendimento e profissional, preparação técnica e comercial, além de prestar todas as informações necessárias para uma venda segura e satisfatória. “Possuímos também suporte de atendimento tercerizado e de renome no mercado, dando todas as condições e facilidades para retiradas das cartas de isenções nos órgãos estaduais e federais, isenção de

IPVA e rodízio”, explica o gerente. A GM chegou em 2012 com novos veículos no mercado, como a Spin e o Cobalt 1.8 automatico: “Evidentemente, a Spin automática está na frente da procura e o Cobalt automático, crescendo. Acreditamos que com a chegada do novo Agile automatizado, com preço e tecnologia muito competitivos, haverá uma grande procura”, afirma Oliveira. A Disbrasa oferece test-drive para o modelo Spin e está aguardando a chegada do Cobalt automático e também a nova versão do Agile automatizado para que também possam ser disponibilizados para experimentação. As expectativas para o próximo ano, de acordo com o gerente, são excelentes com as novidades lançadas, que atingem diretamente o mercado para pessoas com deficiência. Para ele, o atendimento a esse público na Disbrasa representa um trabalho sério, cada vez mais competitivo, em um setor que está em grande crescimento. “A GM está disponibilizando para a rede Chevrolet cada vez mais novos produtos com os olhos nesse segmento de mercado para atender melhor e dentro de uma série de necessidades que se faz presente”, conclui o gerente, otimista em relação ao futuro.


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acontecendo

Paralimpíadas escolares reúnem mais de mil participantes !

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isputa realizada na capital paulista, entre 16 e 19 de outubro último, é considerada o maior evento esportivo mundial nesse segmento. Neste ano, contou com 1.201 competidores de 24 estados e do Distrito Federal, disputando 10 modalidades: Atletismo, Bocha, Judô, Tênis de Mesa, Vôlei Sentado, Futebol de 5 (para cegos), Futebol de 7 (para paralisados cerebrais), Goalball, Natação e Tênis em Cadeira de Rodas. Realizada desde 2006, reúne estudantes matriculados em escolas do ensino fundamental e médio, que apresentem algum tipo de deficiência e tenham de 12 a 19 anos de idade. A promoção é do CPB - Comitê Paralímpico Brasileiro, com parceira do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e a Prefeitura de São Paulo. O número deste ano superou o recorde de 958 participantes de 2011. A maior delegação, de São Paulo, veio com 135 atletas, e a menor, do Mato Grosso, com dois. Apenas Roraima e Tocantins não enviaram representantes. A delegação campeã foi a do Rio de Janeiro, que conquistou 80 pontos na competição. São Paulo ficou em 2º lugar com 69 pontos e Santa Catarina, com 35 pontos, foi a 3ª colocada. As Paralimpíadas Escolares buscam revelar novos valores e possíveis atletas para representar o Brasil nas Paralimpíadas de 2016. Para a secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Linamara Rizzo Battistella: “as Paralimpíadas

Escolares, em São Paulo, vão deixar um legado importante e difundir o conhecimento necessário para a prática paradesportiva no ambiente escolar”. Participaram da abertura vários atletas consagrados que começaram nesses jogos, como o medalhista de ouro nos 200m rasos nos Jogos Paralímpicos de Londres, Alan Fonteles: “comecei minha carreira esportiva nas Paralimpíadas Escolares, em 2007. Lá viram meu potencial e em 2008 fui convocado para o Mundial Juvenil e para as Paralimpíadas de Pequim. É uma felicidade imensa voltar e poder agora ser exemplo para os novos atletas”, afirmou. A exemplo de Fonteles, a tenista Bruna Alexandre; Thierb Siqueira, também do atletismo; e o nadador Ítalo Pereira participaram das Paralimpíadas de Londres, em agosto deste ano, e iniciaram suas vocações nas Paralimpíadas Escolares. E durante a abertura das Paralimpíadas Escolares, foi anunciado que será em São Paulo/SP o Centro de Treinamento Paralímpico, o primeiro no Brasil e na América do Sul, numa parceria entre o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o Governo Federal e o Estado de São Paulo. Sua criação é um compromisso assumido pelo Brasil na candidatura para a realização dos Jogos Rio 2106. As obras estão previstas para começarem no primeiro semestre de 2013, com conclusão no fim de 2015. O complexo de excelência em treinamento atenderá a mais de 14 modalidades paralímpicas e contará também com alojamento e refeitório.


esporte

Congressos anunciam projeto de pesquisa no Paradesporto

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té março de 2013, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançará edital para projetos voltados ao Paradesporto. O repasse chegará a R$ 300 mil. O anúncio foi feito durante o III Congresso Paralímpico Brasileiro e o II Congresso Paradesportivo Internacional, realizados de 05 a 10/11, em Natal/RN, reunindo cerca de 800 participantes. A iniciativa foi do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), por meio da Academia Paralímpica Brasileira (APC), e contou com o apoio do Ministério do Esporte e parceria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). “Após conquistarmos o 7º lugar no quadro geral de medalhas nas Paralimpíadas de Londres 2012, não podemos recuar. Temos que andar para frente. O Congresso Paralímpico é a oportunidade de pensarmos diferente, de tentar fazermos coisas que nunca fizemos. Temos agora um novo parceiro, o CNPq, que nos permitirá fomentar financeiramente a pesquisa no esporte paralímpico. O apoio financeiro permitirá a inovação”, afirmou o presidente do CPB, Andrew Parsons. Durante o evento foram realizados três cursos de formação, um curso de redação de artigos científicos, 18 minicursos, quatro conferências e seis mesas redondas sobre os mais diversos temas. Com a proximidade da realização dos Jogos Rio 2016, parte das discussões foram voltadas para a preparação e a importância da inovação para que o Brasil alcance a meta de ficar em quinto lugar no quadro geral de medalhas. “Nossa meta é bastante ousada. O resultado que conquistamos em Londres nos exige uma evolução ainda maior para chegarmos onde queremos. Precisaremos de inovação e essa é a palavra chave desse Congresso. É importante a discussão de novas tecnologias, métodos, para traçarmos juntos um caminho que nos auxilie rumo a 2016”, afirmou Parsons. Com o objetivo de tornar o Congresso um dos maiores eventos de debate científico no Movimento Paralímpico no mundo, ele passará a ser bianual, em anos intercalados com a Conferência VISTA, promovida pelo Comitê Paralímpico Internacional.

As disputas continuam Os paraatletas brasileiros continuam em intenso treinamento e a participação em competições é muito importante para melhorar marcas e desenvolver técnicas. Na esgrima, por exemplo, entre 02 e 04/11, foi realizado o Campeonato de Esgrima em Cadeira de Rodas, em Porto Alegre/RS. Participaram mais de 30 atletas do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Minas Gerais e, nos dois dias de combates individuais, todos os Estados participantes estiveram no pódio. Com vitória de 45 x 39, os gaúchos venceram os paranaenses na disputa por equipe Espada Masculina, pela primeira vez no programa de provas da competição. O bronze ficou para São Paulo, que venceu Minas Gerais por 45 x 23. Já na natação, esporte em que o Brasil se destaca na conquista de medalhas, entre 15 e 17/11 ocorreu, em São Paulo (SP), o Open Internacional Loterias Caixa de Natação, que reuniu mais de 100 participantes do Brasil, Canadá e Colômbia, com premiação que ultrapassou os 20 mil euros, na capital paulista.Foram 250 medalhas distribuídas em 86 pódios e, neste ano, atletas jovens tiveram premiação à parte. Uma das provas mais esperadas foi a dos 100m livre S10, que reuniu os dois melhores atletas do mundo: André Brasil e Phelipe Rodrigues, que confirmaram o favoritismo e repetiram a dobradinha de Londres no pódio. Dona do bronze nos Jogos de Londres 2012, Joana Neves foi ouro nos 100m Livre S5. Na copa Brasil de Futebol de 5 Série A, disputado também em São Paulo, de 20 a 25/11, por 12 equipes, o Instituto de Cegos da Bahia (ICB) venceu pela quarta vez consecutiva. O Troféu Revelação 2012 foi para o baiano Tiago Santos do ICB/BA; o de melhor Goleiro ficou para Toni, do CEIBC/RJ e o destaque da Copa Brasil 2012 para Ricardo Alves, o Ricardinho, da AGAFUC/RS, que voltou para casa com o bronze e dois troféus: o de Artilheiro (com 11 gols) e Melhor Jogador.

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Pioneira da Honda é destaque em vendas Instalada em Porto Alegre/RS desde outubro de 1997, a Kaizen RS foi a primeira concessionária Honda que chegou ao Rio Grande do Sul. Para os japoneses, “kaizen” significa melhoria continua. Para a concessionária gaúcha, isso reafirma o compromisso de trabalhar cada vez melhor para os clientes, valorizando a qualidade e modernidade em tudo o que oferece. “A Kaizen RS orgulha-se de representar a marca Honda, oferecendo carros com alta performance, alta tecnologia, segurança e conforto por um valor justo. E deseja conquistar consumidores cada vez mais exigentes”, diz o site da empresa. Além do pioneirismo em solo gaúcho, a Kaizen também se destaca em vendas para pessoas com deficiência. A concessionária é certificada pela Honda, dentro do Programa Honda Conduz, criado especialmente para o segmento. Isso quer dizer que as insta-

lações possuem rampas, banheiros acessíveis e vagas demarcadas. Todos os vendedores podem atender, mas há um profissional especialmente habilitado, treinado pela própria Honda. A Kaizen RS tem recebido anualmente a certificação. De acordo com Romeu Edgar Schneider, sócio diretor geral, a loja tem todos os modelos da linha para test drive e os campeões na preferência desse público são o Civic, o Fit e o City, com transmissão mecânica e modelos automáticos. Schneider comemora os resultados do ano: “A Honda foi a marca que mais cresceu em 2012, comparativamente a 2011. A Kaizen RS teve crescimento ainda acima dos níveis de crescimento da Honda e também foi a concessionária Honda do Rio Grande do Sul que mais cresceu no ano”, diz o diretor. Romeu Edgar Schneider considera que é um público especial, com quem a fidelidade está sendo construída ao longo de 15 anos. “Objetivando a comunicação com este público, buscamos identificar canais e veículos próprios, o que nos motivou investir com espaços na Revista Reação”, explica.


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tecnologia

Área acadêmica avança em pesquisas para desenvolvimento tecnológico

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Tecnologia Assistiva tem progredido para oferecer mais qualidade de vida a pessoas com deficiência. Exemplo disso são os vários Centros de Tecnologia criados recentemente com apoio do governo federal. A área acadêmica merece destaque especial: muitos alunos e seus professores, em todos os níveis da carreira, trabalham no desenvolvimento de projetos que poderão ser colocados no mercado em benefício desse segmento. A Revista Reação selecionou 3 deles, de diferentes instituições, e espera que consigam em breve ultrapassar os muros das escolas e passem a fazer parte do dia-a-dia das pessoas com deficiência:

Elevador Ortostático Dinâmico

O campus do Instituto Nacional de Telefomunicações (INATEL), em Santa Rita do Sapucaí/MG, abriga o Centro de Desenvolvimento e Transferência de Tecnologia Assistiva (CDTTA), fruto de uma parceria entre o próprio INATEL e o governo de Minas Gerais. Inaugurado em agosto passado, o Centro tem como objetivo reunir, em um mesmo ambiente, estudantes dos cursos de Engenharia e de Tecnologia, engenheiros, profissionais da área de Saúde e pessoas com deficiência para a criação de inovações. De acordo com o professor Fabiano Valias de Carvalho, coordenador do CDTTA e do curso de graduação em Engenharia Biomédica do INATEL: “o envolvimento dos estudantes com as tecnologias assistivas é muito importante, principalmente em uma instituição que tem um curso de graduação em Engenharia Biomédica. Desta forma, os alunos do curso podem, desde cedo, aplicar os conhecimentos adquiridos em teoria na prática e o conhecimento da realidade das pessoas com deficiência fortalece sua formação”, garante. Segundo ele, isso não acontece só com os alunos de Engenharia Biomédica, já que o desenvolvimento das tecnologias assistivas exige uma grande interação de profissionais de diversas áreas. Alunos de Engenharia de Telecomunicações, Computação, Controle e Automação e os estudantes dos cursos de Tecnologia em Redes de Computadores, Automação e Controle e Gestão de Telecomunicações da instituição também podem aplicar seus conhecimentos específicos em benefício desses indivíduos. “O desenvolvimento das tecnologias assistivas no meio acadêmico amplia o acesso das pessoas com deficiência à soluções que

podem melhorar, em muito, sua qualidade de vida”, garante. Os principais projetos desenvolvidos são o Elevador Ortostático Dinâmico, que propõe um novo tratamento para pessoas com lesão medular por meio da reeducação da marcha, e o Andador Microcontrolado, que permite ao usuário controlar o movimento para frente e para trás, acionando um simples botão. Esses dois projetos já possuem protótipo e a tecnologia está disponível para empresas que queiram comercializá-los. O Centro também possui outros projetos em andamento destinados a pessoas com deficiência visual ou auditiva. O Elevador é o único equipamento, até agora, cujas pesquisas já envolvem pacientes com sequelas de paraplegia e tetraplegia. Eles realizam o treinamento locomotor sem a utilização de recursos como esteira ergométrica ou órteses nos membros inferiores. Suspensas pelo Elevador, são desafiados a caminhar de forma autônoma, por uma extensão de quatro metros. Para que isso ocorra, foi desenvolvida uma técnica especial de fisioterapia aliada à musculação dos membros inferiores e superiores. “Cada pesquisa tem a duração de seis meses. Nesse período, trabalhamos com os pacientes na posição em pé (ortostática), em sessões de 30 minutos, duas vezes por semana. O Elevador tem proporcionado o aumento da força muscular, maior independência funcional e diminuição da espasticidade (rigidez muscular). O Elevador é um protótipo e está apto para ser licenciado ou transferido para a indústria nacional”, garante Claudia Garcez, fisioterapeuta e pesquisadora do CDTTA.

Triciclo elétrico

Júlio Oliveira é formado em Engenharia Mecatrônica, pela Universidade Paulista (UNIP), em São José dos Campos/SP e mestre em Engenharia Mecânica pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Guaratinguetá/SP. O interesse pelo desenvolvimento de equipamentos assistivos surgiu no último período do curso de graduação (2007/2008). Juntamente com alguns colegas, desenvolveu um projeto com grande contribuição social: uma cadeira de rodas automatizada com controle automático de nível do assento e superação de escadas. Esse projeto foi apresentado como trabalho de graduação e apresentado no final do curso para obtenção do título. A partir desse primeiro projeto de tecnologia assistiva, Oliveira buscou dar continuidade às pesquisas na área. Encontrou uma nova oportunidade de desenvolver um modelo de tração elétrica para cadeira de rodas com o auxílio do professor orientador Victor Orlando Gamarra Rosado, durante o curso de Mestrado na Faculdade


tecnologia

Lucia e Stefan na PoliUSP de Engenharia de Guaratinguetá. O novo projeto desenvolveu um equipamento de baixo custo que proporciona liberdade e autonomia a usuários de cadeira de rodas. O resultado é uma espécie de triciclo chamado “Radical”: trata-se de um sistema de tração elétrica para cadeira de rodas convencionais, disponibilizado em forma de acessório a ser adicionado à um modelo qualquer de cadeira de rodas convencional. O “Radical” é composto por um suporte universal (instalado abaixo do assento da cadeira de rodas), uma roda motorizada (acoplamento/ desacoplamento rápido sobre o suporte) e kit de baterias, que possuem autonomia de três a quatro horas de utilização ou 25 Km contínuos. Atinge velocidade máxima de 30 Km/h e tem capacidade para usuários de 90 Kg. “A ideia deste equipamento é proporcionar multi funcionalidade em cadeiras de rodas convencionais, de forma a permitir que o usuário escolha a melhor maneira de utilizá-la: convencional e modo motorizado. Uma vez desacoplado, a cadeira de rodas mantém sua funcionalidade e características mecânicas, não apresenta alterações estruturais. Por sua vez, o equipamento acoplado na cadeira de rodas o transforma em um triciclo elétrico para utilização em ambientes externos, tais como, praças, parques, vias públicas, entre outras”, explica o engenheiro. O Radical está em fase de ajustes e redefinição de alguns elementos mecânicos. Até o presente momento não existem empresas parceiras para o desenvolvimento do produto, mas Oliveira busca continuar sua implementação. Serão construídas mais algumas unidades para testes no primeiro semestre de 2013 a fim de garantir alto nível de segurança e confiabilidade. O processo de patente está em andamento, aguardando a efetivação, mas o projeto está protegido. “Trabalhar em pesquisas de tecnologia assistiva é algo muito motivador por se tratar de projetos direcionados a necessidades reais da sociedade. Cada vez mais, a importância deles se fará presente para a melhor interatividade de todas as pessoas num meio comum. Incluir pessoas com algum tipo de deficiência em atividades cotidianas traz benefícios significativos para a sociedade”, garante Oliveira.

Ferramenta para surdos na internet

Stefan Martins fez mestrado em Engenharia Elétrica na área de Interação Humano/ Computador, orientado pela professora Lucia Vilela Leite Filgueiras, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). “O motivo que me levou a trabalhar nesse tema foi uma

pesquisa anterior na área de governo eletrônico com uma população digitalmente excluída de cegos, surdos, idosos, analfabetos. Dentro desse conjunto de pessoas percebi que os surdos eram os que tinham o menor número de tecnologias disponíveis”, conta Martins. O mestrado foi defendido em março/2012 com o nome de CLAWS, que significa “garra” em inglês, por agarrar a informação, e é uma sigla que significa ferramenta “Colaborativa de Leitura e Ajuda a Web para Surdos”. Foi desenvolvido um protótipo de alta fidelidade que está sendo aperfeiçoado e ainda não há previsão de quando estará disponível no mercado. Para ser colocado em prática, está sendo inscrito em editais de pesquisa, mas há interesse em parceiros privados também. O projeto ficou em 3º lugar no prêmio Todos@Web - Prêmio Nacional de Acessibilidade Web/2012, na categoria Tecnologias Assistivas/Aplicativos, único trabalho desenvolvido para surdos. Com artigos acadêmicos o autor ganhou o 2º lugar na Latin American Conference on Human Computer Interaction - CLIHC/2009 no México e o 1º lugar no Interaction South America/2009, em São Paulo. Fazem parte do CLAWS, um avatar em 3D (lembram do filme de James Cameron, de 2009?), imagens, vídeos, legendas, dicionário e outros itens. “Todos esses recursos já existem e o que fiz foi agrupá-los em uma única ferramenta, como um canivete suíço. Ela funciona junto com o navegador, no formato de um plug-in e enquanto o surdo navega na internet ele pode utilizar para auxiliá-lo conforme sua necessidade”, explica Martins. Dessa forma, os sites não precisam prover conteúdo acessível para surdos, pois é muito caro desenvolver vídeos de alta qualidade, por exemplo. É uma ferramenta abrangente, pois contempla vários perfis diferentes de surdos, desde aqueles que já leem um pouco de português ou os que apenas se comunicam em Libras. “Outro potencial é que a ferramenta é colaborativa, ou seja, os surdos e intérpretes construirão os vídeos com a interpretação, explicando o conteúdo de uma página na internet, e depois colocarão na ferramenta” comenta o engenheiro. “As pessoas acham que resolver o problema da interação dos surdos é trivial, mas poucos sabem da cultura surda, que é diversificada, possui o uso de uma linguagem de sinais - a Libras e têm uma grande capacidade colaborativa, pois vivem em/na comunidade surda e apresentam baixo domínio do português escrito”, justifica. Por isso esse trabalho é tão importante, pois levará conhecimento e autonomia aos surdos no mundo digital”, conclui Martins.

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mulher

por Márcia Gori

Mil perdões por ser eu mesma...

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oje ouvindo a música de Chico Buarque – Mil perdões - fiquei refletindo em como somos possessivos quando o assunto são os relacionamentos, e de repente isso acaba afugentando as pessoas atualmente de envolvimentos mais sérios, pois uma coisa temos que convir, ninguém gosta de ser monitorado como se estivesse fazendo algo errado ou ter a sensação que não somos confiáveis. A vida em cativeiro não é boa para ninguém, ainda mais para o ser humano que ainda tem o sangue nômade e resquícios de poligamia em suas relações, embora atualmente percebamos comportamentos de monogamia e desejo de ser monogâmicos, haja vista que se torna um tanto complicado diante de tanta oferta no mercado e o desejo da liberdade fica mais evidente. Passamos a vida nos defendendo dos ataques em nossa liberdade de ser e de expressão, no momento que iniciamos um namoro já começa o tormento, mesmo porque tem a paixão nos movendo a nos tornar um GPS ambulante, olhamos toda rede social, celular da pessoa amada, falta só colocar cerca nos olhos do objeto de desejo... (risos). Isto porque não sabemos ser desprendidos e enfiar na cabeça que ninguém é de ninguém, absolutamente é impossível. Qual a causa da dificuldade do desapego ? Será que prender resolve ? Ou estimula ousar para provar para si mesmo que somos livres ? Rever conceitos... Não é fácil deixar livre o que desejamos ter como propriedade, em contrapartida, também vai à direção contrária qualquer situação que nos deixe a vontade em sermos liberais, pois a sociedade tolhe toda manifestação de quebra de regras que promova pensamentos mais profundos, como também as transformações sociais. Mulheres, vamos pensar juntas: se prendemos as pessoas ao nosso lado, abrimos o espaço também de sermos acorrentadas em nossos tornozelos, colocar a mordaça na boca e o tapa olho para cegarmos diante da vida real, isto está certo ? Será que isto traz felicidade para os dois ? Não digo isso somente em relações de namoro, a reflexão é pra todos os tipos de relações, nas amizades é mais cruel, porque existe a confiança, a cumplicidade e os segredos, passando despercebida a prisão, o isolamento, levando em consideração que na maioria das vezes há o consentimento para essa condição e no primeiro sinal de cansaço e desgaste de alguma das partes já é o suficiente para começar o caos, a tortura, o sofrimento, as lamentações. Uma pessoa muito querida há algum tempo vem comentando o desgaste do seu casamento de 8 anos, na condição de refém que se deixou envolver, talvez por comodismo, por piedade da outra em que mantem esta relação e o quanto isto vem lhe fazendo mal, gerando desestímulos em seu trabalho e vida pessoal, e observando melhor não é ruim para um só. É pesado para toda família, porque causa brigas, transtornos, depressões, angústias... e se tem filhos fica muito pior, chegando a ser maluco o efeito social que causa na comunidade mais

próxima da área de convivência. Parece exagero, mas não é, todavia toda forma de repressão e tolhimento em sua personalidade e seu jeito de ver o mundo é ruim, gera tristeza, doenças, depressões, stress, dor de cabeça, então porque ser tão egoísta e querer isso para si e para a pessoa que supostamente “amamos” ? Digo supostamente, por ter certeza que não é amor é maldição isso (risos)... Lembram-se dos pôneis malditos, que tanto rodou na internet ? Não chegava a ser lavagem cerebral ? Pois é, vamos limpar nossas mentes destes velhos conceitos de que pra sermos felizes há necessidade de mutilar o outro em seu bem maior, a vida e o gosto por ser livre. Se encontrar alguém em seu caminho que gosta de ser totalmente livre e não cabe em seus princípios, deixe ir, entretanto não queira colocar em uma gaiola e achar isso normal, porque não é, embora fomos criados para crer que é o correto, que toda relação custa muito caro nossa liberdade, ainda assim não é o mais saudável e o melhor para essa afinidade que está se construindo, será uma situação frágil que a qualquer momento implodira e salve-se quem puder, vai sobrar para todos que estiverem do lado. Os semelhantes se atraem, mesmo que você em algum momento pense diferente, a reflexão será obrigatória e o crescimento virá com muita força, percebendo-se no quanto que esta lei de atração não erra, só há convivência profunda com nossos similares, com pessoas que trazem os mesmos ideais, se escapar desta regra não sobrevive muito tempo, naufraga antes de sair do porto e tomara que não haja dores e sofrimentos... relações humanas, o quanto que é difícil, angustiante, intrigante e espumante. Quanto mais preso, mais desejo de escapar, de sair e de voar, e como diz a letra da música de Chico Buarque: “Te perdôo por contares minhas horas, nas minhas demoras por aí, te perdôo, te perdôo porque choras, quando eu choro de rir, te perdôo por te trair...” Fica a dica que quanto mais preso, mais se trai em todas as condições e relações, enquanto isso: mil perdões por ser eu mesma, em ser livre à minha maneira, sem remorsos das dores alheias, porque a partir de agora vou pensar mais em mim... Até nosso próximo encontro !!! Márcia Gori

é bacharel em Direito-UNORP, Idealizadora da Assessoria de Direitos Humanos - ADH Orientação e Capacitação LTDA, Ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência - CEAPcD/SP 2007/2009, ex - apresentadora do Programa Diversidade Atual no canal 30 -RPTV, ex-Conselheira Estadual do CEAPcD/SP 2009/2011, Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/SP, membro do CAD - Clube Amigos dos Deficientes de São José do Rio Preto/SP. Idealizadora do I Simpósio sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência do NIS – Núcleo de Inclusão Social da UNORP, Seminário sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência na REATECH 2010/2011/2012, I Encontro Nacional de Políticas Públicas para Mulheres com Deficiência, capacitadora e palestrante sobre Sexualidade, Deficiência e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência, modelo fotográfico da Agência Kica de Castro Fotografias. E-mail: marcia_gori@yahoo.com.br


por Suely Carvalho de Sá Yanez

ponto de vista

NATAL...NATAL... Uma proposta de Saúde e Reabilitação !!!

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im de Ano... Muitas pessoas aceleradas, desgastadas, estressadas, marcadas por experiências positivas e também negativas. Muitos querem mudanças de vida e já prometem começar diferente no próximo ano... Como em tantos outros finais de ano...(risos) Algumas reflexões foram elaboradas como resultado de muitas experiências e compilações vividas durante anos na direção de atendimentos em Terapia Ocupacional, Grupos de Reabilitação, Reuniões de relacionamentos interpessoais, Grupos de restauração de identidades e outros. Reflexões para aqueles que, apesar de obstáculos e limitações, são determinados e seguem adiante a despeito de situações... para aqueles que encaram cada tropeço como um apoio para um novo passo...e querem atingir uma alta performance em suas vidas... Fazer o que é preciso de maneira adequada, no momento certo, em equilíbrio físico e emocional. Podemos começar dando uma pontuação de 0 a 10 para cada saúde que temos. Saúde Física, Saúde Emocional, Saúde Familiar e Social, Saúde Econômica-Financeira e Saúde Espiritual (saúdes já citadas em edições anteriores nessa coluna). Se essas 5 saúdes estiverem em equilíbrio, a pontuação será a mesma, ou aproximada. Caso a pontuação esteja bem diversificada, saberemos em que ponto devemos nos empenhar com mais esforço. Com tudo isso, nesse período de fim de ano, como estão as nossas “saúdes”? No que podemos pensar ? Qual o assunto do momento ? Diante de tantos assuntos e vertentes em destaque, peço licença para destacar o Natal. Natal ??? Sim, o Natal ! Nesta época, mesmo com as máscaras do comércio, dos presentes, é a data que simboliza o nascimento de Jesus... não é ? Verificando a História, constatamos que o objetivo de Jesus foi mostrar que veio justamente para restaurar as “saúdes” e as deficiências do ser humano, tanto física, emocional, como espiritual... mostrar que todos temos alguma deficiência... algumas visíveis no físico, outras no sentimento, nos comportamentos... propondo não apenas uma restauração do corpo, mas levar pessoas a enxergarem de maneira diferente as situações, propondo a restauração de casamentos, relacionamentos entre pais e filhos, entre funcionários e chefes, enfim, a restauração da maior das deficiências que é a “deficiência do relacionamento humano”. Esta é uma grave doença que afeta nossas “saúdes”, pois é o que gera o atrito, gera a infelicidade, a baixa autoestima e promove o aparecimento de enfermidades pelo caminho da somatização. E notamos que, justamente, o propósito de Jesus, longe de qualquer filosofia ou religião, é nos igualar, apesar das nossas diferenças, fazendo com que possamos entender e, por meio de Princípios e

dos ensinamentos, alcançarmos a plenitude como seres humanos. Sem dúvidas Jesus foi o maior agente de inclusão... valorizando os talentos, as mulheres, os menos afortunados, os menos favorecidos, os que apresentavam dificuldades... e facilidades também. Inclusão interior e exterior. Por isso... que possamos entender o Natal como uma proposta diária, não simplesmente a DATA do Natal, mas o SENTIDO do Natal. Natal como uma “proposta diária de transformação” das nossas vidas, entendendo a proposta de restauração das nossas “saúdes”, de “enxergar” diferente, com uma nova visão da vida. Talvez possamos não enxergar com os olhos naturais, mas possamos enxergar com a força da determinação e compreendermos a possibilidade de conquistas e realizações... Talvez possamos não andar com as pernas naturais, mas possamos caminhar diferente e livremente rumo à plenitude de vida... Natal é uma proposta de um estilo de vida, o estilo de vida de Jesus. Um caráter a ser conquistado diariamente e que nos estimula a uma maneira de pensar diferente, de enxergar, de ver, de se relacionar, caminhar, de ouvir as pessoas... um novo entendimento, onde pessoas são incluídas verdadeiramente... Então... desejo a todos um FELIZ NATAL TODOS OS DIAS !

Suely Carvalho de Sá Yañez é Terapeuta Ocupacional especializada em Orientação e Mobilidade para pessoas com deficiência visuaL e atua na área de reabilitação e Consultoria.

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política

Saldo positivo !!! Marcos Belizário, secretário da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da cidade de São Paulo deixa o mandato com administração modelo em acessibilidade e inclusão na gestão pública...

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Secretário Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marcos Belizário, avalia que a cidade de São Paulo, por meio das ações, programas e projetos criados e desenvolvidos pela sua Secretaria – a primeira do gênero criada no país – à qual esteve à frente nos últimos anos, é hoje uma referência nacional em termos de atenção às pessoas com deficiência. “É verdade que ainda há muito a se fazer para proporcionar a plena acessibilidade e inclusão social das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida na cidade, mas também é verdade que, nos últimos anos, importantes avanços ocorreram para tornar São Paulo um símbolo no que se refere a políticas públicas voltadas a essa população. A existência da Secretaria foi um grande passo para fazer com que tanto a administração pública, quanto a sociedade passassem a se aproximar da realidade das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida e, a partir daí, pudéssemos estruturar um processo contínuo de mudanças, no qual vão sendo derrubadas barreiras arquitetônicas e de comunicação, introduzidos novos conceitos, rompidos preconceitos e estimuladas novas atitudes”, afirma Belizário. O balanço da Secretaria na gestão de Belizário é bastante positivo. Entre as ações, projetos e programas de maior destaque implementados em pouco mais de 3 anos, alguns merecem destaque: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) - Contratação de 154 pessoas com deficiência para trabalhar como atendentes da nova Central de Atendimento. Ação realizada em parceria com a Associação para Valorização de

Pessoas com Deficiência (AVAPE). Trabalho que mereceu o Prêmio Internacional de Qualidade e Eficiência. AACD – Doação de terrenos para a criação e construção de duas novas unidades de reabilitação da Associação de Assistência a Criança com Deficiência (AACD), na Zona Norte e na Zona Sul, como parte de um convênio que incluiu ainda o atendimento a novos pacientes e a manutenção operacional e administrativa, e a ampliação da Unidade Mooca. Central de Libras (CELIG) – terminais de computador, inicialmente em 57 pontos da cidade, para que cidadãos Surdos tenham acesso aos serviços públicos por meio de atendimento em Língua Brasileira de Sinais, com a tradução simultânea feita por profissionais especializados. Legislação em Braille – Impressão em Braille da Legislação Municipal e Federal, para compor os acervos das bibliotecas públicas, assim como das bibliotecas dos Tribunais de Justiça de São Paulo, salas de advogados da Ordem dos Advogados – Seção São Paulo (OAB-SP), Tribunais de Contas, Câmara Municipal e Assembleia Legislativa, disponibilizados para todas as pessoas com deficiência visual.


política

Dicionário Trilíngue – Distribuição do Novo Dicionário Enciclopédico Trilíngue – Libras (Língua Brasileira de Sinais), Português e Inglês – para todos os 1.500 alunos surdos da rede pública de ensino. Censo-Inclusão – Primeiro Censo-Inclusão da história do município de São Paulo, buscando identificar o perfil socioeconômico das pessoas com deficiência e mobilidade reduzida residentes na cidade, para melhor direcionar e potencializar o atendimento do poder público. Sem Barreiras no Trabalho – Capacitar profissionais de Recursos Humanos e Gestores de empresas, instruindo-os a implantar um Programa de Inclusão Profissional de Pessoas com Deficiência. Sem Barreiras no Atendimento – Curso oferece formação aos agentes e gestores de atendimento dos equipamentos públicos municipais elementos para a elaboração de programas e práticas que sustentem a qualidade no atendimento às pessoas com deficiência. Saúde – Criação da Rede de atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência, proporcionando equipamentos e serviços de

saúde para assistência integral das pessoas com deficiência, conforme o Decreto Lei n°. 53.045/12. Equoterapia – Atendimento gratuito, por meio de convênio com instituições que adotam esse método terapêutico, que utiliza o movimento do cavalo na reabilitação de pacientes comprometidos fisicamente, psíquico e intelectual. Guia de Encaminhamentos - Reúne informações sobre todos os serviços e atendimentos oferecidos pela Prefeitura de São Paulo para as pessoas com deficiência. Serve como fonte de consulta e referência para os servidores municipais que atuam no atendimento ao público em qualquer unidade das secretarias do governo municipal. No Guia, estão as unidades por tipo de serviço, a descrição do serviço prestado e os correspondentes endereços, meios de contato e horários de atendimento nas áreas de assistência social, cultura, educação, transporte, esporte e lazer, saúde e trabalho, entre outras. Vagas Estacionamento – Fiscalização rigorosa sobre o uso das vagas de estacionamento reservadas a idosos e pessoas com deficiência em espaços públicos e privados. Periodicamente são feitas campanhas de conscientização e orientação em Shoppings Centers e estabelecimentos comerciais para o cumprimento da lei.

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política

notas 4º Concurso de Moda Inclusiva

Prêmio de Responsabilidade Social

Calçadas e Rotas Acessíveis – Acessibilidade das calçadas, interligando hospitais, escolas e comércio ao embarque e desembarque do transporte público, especialmente na periferia. Ônibus Acessíveis – Hoje são mais de 8.500 ônibus acessíveis circulando na cidade de São Paulo. Além disso, o próprio Secretário Marcos Belizário foi o idealizador de dois Projetos de Lei encaminhados à Câmara dos Deputados: um pela manutenção do BPC (Benefício de Prestação Continuada) para as pessoas com deficiência e idosos de baixa renda mesmo após a sua inclusão no mercado de trabalho; e outro pela ampliação da atuação dos órgãos de trânsito competentes na fiscalização e autuação de motoristas que utilizarem indevidamente as vagas de estacionamento reservadas às pessoas com deficiência e idosos em espaços públicos e privados. “Com tudo isso, encerro meu mandato em 2013, entregando a Secretaria à nova gestão, com a certeza do dever cumprido e com muito orgulho, não só do trabalho por mim realizado, mas também parabenizando toda a equipe que atuou comigo nesta Secretaria no período em que estivemos à frente da pasta, prestando esse serviço não só à Prefeitura da cidade de São Paulo, mas principalmente e prioritariamente, à sociedade e aos cidadãos com e sem deficiência, numa administração inclusiva e focada”, finaliza Marcos Belizário.

O Instituto Pró-Cidadania, há 23 anos trabalha pela inclusão da pessoa com deficiência na sociedade. Sem fins lucrativos e financiamento do Estado, já incluiu no mercado de trabalho mais de 25 mil pessoas, qualificou 23 mil e cerca de 190 mil profissionais participaram de palestras e workshops sobre o tema. Seu prêmio, instituído em 2010, reconhece projetos empresariais que se destacam na inclusão. Já foram premiadas 30 empresas e uma ONG reconhecida pela primeira vez, sendo 102 projetos participantes. Na cerimônia deste ano, em 24 de outubro, Açucena Calixto Bonanato, presidente do IPC e idealizadora da iniciativa, reforçou a importância da premiação: “este foi um ano excepcional para o IPC, pois recrutamos 3.149 profissionais com deficiência para vagas com carteira assinada”. afirmou. “Nosso intuito é promover a empregabilidade e multiplicar as oportunidades de inclusão”. Os vencedores foram: Microlins Educação & Profissão; Skanska Brasil; Camargo Corrêa; Fertilizantes Heringer; Hospital Sírio-Libanês; Bradesco Seguros; Itaú Unibanco e a ONG Instituto de Oportunidade Social (IOS). Na festa de premiação, receberam homenagens os esportistas: Clodoaldo Silva, Jovane Guissone, Odair Ferreira dos Santos e Soelito Gohr, medalhistas das Paralimpíadas de Londres 2012, que compartilharam suas histórias com vibração e orgulho.

Foto: Marcelo Rissato

No dia 13 de novembro, no MUBE - Museu Brasileiro de Escultura, em São Paulo, aconteceu o quarto desfile de moda inclusiva, com 14 looks apresentados pelas atrizes globais Gabriela Duarte e Ana Lúcia Torre. A finalidade do concurso é promover importante debate sobre moda diferenciada e acessível, além de incentivar o surgimento de novas soluções e propostas em relação ao vestuário para as pessoas com deficiência. A estilista Candida Cirino, teve 2 looks selecionados para esse evento, sendo um para mulheres com deficiência visual e o segundo para meninos que usam cadeira de roda como locomoção. Candida, além de pensar em moda, pensa na valorização do profissional das passarelas: “Acredito no trabalho desenvolvido pela agencia Kica de Castro e o meu modelo infantil foi contratado para esse evento”. O modelo infantil, que desfilou para estilista Candida, foi Lucas Yamashita. Lucas faz parte do casting da agência, juntamente com o projeto Imagem e Inclusão, parceria entre Mãe Especial e Kica de Castro.


por Carlos Perl

conferência

III Conferência Nacional Dos Direitos Das Pessoas Com Deficiência... Eu estava lá !!!

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III Conferência Nacional foi realizada em Brasília/DF nos dias 03 a 06 de dezembro de 2012, com o tema: “Um olhar através da Convenção Sobre os Direitos as Pessoas com Deficiência da ONU: Novas Perspectivas e Desafios”. O evento reuniu mais de 2 mil pessoas, dos 27 Estados da Federação e do Distrito Federal. O evento foi realizado no “Centro de Eventos e Convenções Brasil 21”. Antecederam a III Conferência Nacional, as Conferências Municipais, Distritais e Estaduais, que ocorreram ao longo deste ano de 2012. Durante a Conferência Nacional, também foram realizadas as eleições para o CONADE, para as vagas dos conselhos municipais e estaduais. A eleição do representante dos conselhos municipais ocorreu no dia 04 de dezembro de 2012, sendo eleito como titular o conselho do município de Santos/SP e como suplente, o município de Carazinho/ RS. A eleição para a vaga dos conselhos estaduais, ocorreu no dia 05 de dezembro de 2012, sendo eleito como titular o conselho estadual do Maranhão e como suplente o conselho estadual de São Paulo. A organização da III Conferência Nacional foi quase perfeita, praticamente impecável. As delegações foram recepcionadas logo no desembarque do Aeroporto pela eficiente e gentil equipe de apoio, que imediatamente nos encaminharam aos ônibus totalmente adaptados (20 novos veículos), que nos levaram para os locais da hospedagem previamente designados. E foi onde, na minha opinião, que ocorreu uma grande falha. Os

hotéis de Brasília/DF não estão respeitando a Norma da ABNT 9050, o Decreto Federal 5.296 e a Emenda Constitucional, que é a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU. Inúmeros delegados, usuários de cadeiras de rodas, foram humilhados e sofreram um desgaste sem tamanho ! Alguns ficaram mais de 14 horas sem conseguir uma acomodação acessível. Alguns passaram pelo constrangimento de ficar 48 horas sem poder tomar se quer um banho, ou de fazer sua higiene pessoal. Foi um desastre, uma humilhação... A rede hoteleira brasileira está totalmente despreparada !!! A ministra Maria do Rosário ficou sabendo do caso, e prometeu tomar providências. A presidenta da República Dilma Rousseff também disse em seu discurso, que iria tomar providências. O Brasil será sede de 3 grandes eventos: a Copa do Mundo de Futebol, as Olimpíadas e as Paralimpíadas. Se nossa rede hoteleira não tomar jeito, será um completo CAOS !!! As equipes de apoio que ficaram nos hotéis e no local do evento, eram numerosas e extremamente eficientes, estavam em todos os locais, seja nas recepções dos hotéis, em todos os locais do evento, no restaurante, enfim, foram perfeitos. O material fornecido aos delegados foi de primeiríssima qualidade: bolsa, canetas, pen drives, bloco de anotações e diversas publicações como: “Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”; “Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência/Versão comentada”; “Acessibilidade: Legislação Federal”; “Pessoa com Deficiência e o Direito ao Concurso Público”; “Tecnologia Assistida”; “Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência/em literatura de cordel”. Foram fornecidos também, o manual do participante

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conferência e o caderno de propostas. Muito bom ! A abertura oficial do evento, ocorreu às 17h do dia 03 de dezembro de 2012, com a presença de 3 Ministros de Estado, a Ministra da Casa Civil, a Ministra Chefe da Secretaria dos Direitos Humanos Maria do Rosário e a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Tereza Campello. Também estiveram presentes o Secretario Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antonio Jose Ferreira, o Presidente do CONADE, Moises Bauer, a Presidente da Comissão em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e Deputada Federal Rosinha da Adefal, o Deputado Federal e Membro da Comissão em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Otávio Leite. Além do Secretário Adjunto da Secretaria Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência de São Paulo, Marco Pellegrini, e o Observador Internacional das Nações Unidas (ONU) Luiz Fernando Astorga - Jornalista e Diretor Executivo do Instituto Interamericano de Direitos Humanos – nascido em Porto Rico. E ainda os representantes dos Ministérios da Saúde, da Educação, das Políticas da Mulher, da Integração, Ciência, Tecnologia e Inovações, das Relações Exteriores e do Trabalho. Nesta abertura dos trabalhos da III Conferência, os Ministérios assinaram a Portaria Interministerial que institui o Protocolo de Desastres Para Atenção à Criança, Idoso e Pessoa com Deficiência. No segundo dia de III Conferência, fomos brindados com a presença da Presidenta da República Dilma Rousseff, que proferiu um brilhante discurso, várias vezes interrompido por aplausos. A presidenta cometeu em seu discurso um pequeno deslize, ao empregar o termo: “portador de deficiência”. Neste momento houve uma reação de desagrado da platéia. Dilma prontamente se corrigiu, dizendo: “Desculpa, pessoa com deficiência. Entendo vocês, porque portador não é muito humano, não é ? Pessoa é” ! Novamente foi aplaudida com entusiasmo ! No dia seguinte, alguns jornais e sites de notícias, e emissoras de rádio e TV noticiaram que a presidenta foi vaiada: eu estava lá. É MENTIRA !!! E essa mentira que foi noticiada casou indignação de todos os participantes da III Conferência. Quem estava lá viu e ouviu. Não foi como se noticiou... e ela se corrigiu imediatamente. Não estou aqui para defender ninguém, seja quem for, mas o que é justo é justo. A agenda cultural do evento também foi ótima !!! Contando com apresentação dos shows de Paralamas do Sucesso e Tribo de Jah; e do filme “Colegas”. Os trabalhos foram divididos em 4 eixos temáticos. - Eixo 1: educação, esporte, trabalho e reabilitação profissional. - Eixo 2: acessibilidade, comunicação, transporte e moradia. - Eixo 3: saúde, prevenção, reabilitação, órtese e próteses.

- Eixo 4: segurança, acesso a justiça, padrão de vida e proteção social adequados. Os grupos de trabalhos foram divididos em 9 subgrupos. Com um total de 564 propostas. Os trabalhos em alguns grupos se estenderam até mais de 22h, com muitas discussões, contribuições e correções. Passando pela aprovação ou suprimidas, através dos votos dos delegados, para a plenária final. Na plenária final, as propostas de todos os eixos temáticos e grupos de trabalhos, foram analisadas e votadas pelos delegados por meio de voto eletrônico. Também foram apresentadas 35 monções, que foram aprovadas também em plenária. A maioria das delegações estavam sempre agrupadas e trabalhando em conjunto. A III Conferencia Nacional também foi uma excelente oportunidade onde as delegações puderam trocar experiências, informações e confraternizar. Durante o evento, a Revista Reação a quem tive o privilégio de representar, homenageou o Secretário Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Antonio José Ferreira, e também o Presidente do CONADE, Moises Bauer, com uma placa de Honra ao Mérito, pelos serviços prestados pelos dois e sua dedicação às pessoas com deficiência. As placas fazem parte da comemoração dos 15 Anos da Revista Reação. Quem também foi homenageado pela Revista Reação no evento, foi o Observador Internacional das Nações Unidas (ONU) – Luis Fernando Astorga, que recebeu uma medalha da Revista Reação. Fica aqui, nossos sinceros Parabéns à organização da III Conferencia Nacional e a todas as delegações dos Estados participantes neste evento maravilhoso !!! Carlos Perl é Presidente do INIS – Instituto

Nacional de Inclusão Social da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, é Conselheiro Estadual do CEAPcD/SP, membro do Grupo de Trabalho da ABNT, Delegado da III Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência por SP e Consultor Técnico da Revista Reação.


l a i c e Esp


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por Ricardo Shimosakai

Eventos e Cerimoniais Acessíveis Soluções Arquitetônicas, Técnicas e Operacionais.

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Censo do IBGE realizado em 2010, revelou aproximadamente 45 milhões de pessoas no Brasil com algum tipo de deficiência, enquanto que pesquisa semelhante de abrangência mundial, mostra esse número chegando à casa de 1 bilhão de pessoas. A pesquisa também mostra que o Brasil possui 18 milhões de pessoas acima dos 60 anos de idade, outro segmento que também necessita de acessibilidade. A estimativa é que dentro de 10 anos, a população com mais de 60 anos (mobilidade reduzida) atinja 30 milhões de pessoas. A maneira mais eficaz de garantir o acesso para todos é a de considerar o acesso nas fases iniciais de planejamento de seu evento. Desenvolver um plano de acesso pode ajudar você a identificar as características que podem tornar difícil para as pessoas com deficiência para acessar o seu evento e garantir que o seu evento seja acessível ao maior número possível de pessoas. As considerações-chave de um plano de acesso para o seu evento são a escolha do local, comunicação e formação de pessoal. Também é bom identificar bons parceiros e fornecedores, pois a não ser que a empresa organizadora esteja muito bem preparada, pois em diversos casos será preciso alugar cadeira de rodas para disponibilizar aos visitantes, banheiros químicos acessíveis, solicitar serviços de intérpretes de língua de sinais, gráficas para material em braile, estenotipistas, audiodescritores entre outros produtos e serviços. Conseguindo compreender as necessidades existentes, além das preferências e prioridades eleitas pelas pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, será muito mais fácil organizar eventos para esse tipo de público, além das pessoas que eventualmente estejam participando como coadjuvantes, tais como palestrantes, expositores, autoridades entre outros. Além disso, uma tendência dos organizadores contratarem pessoas com deficiência para trabalharem na organização, fazendo parte do staff. Eventos internacionais que já aconteceram, como a Rio+20 (2012), e outros que irão acontecer, como a Copa FIFA de Futebol (2014) e as Olimpíadas e Paraolimpíadas (2016) demandarão, por critérios rígidos de seus organizadores, itens de acessibilidade para todas as pessoas. Esse tipo de exigência, também já está sendo praticada em eventos nacionais, pelo amadurecimento da sociedade, além do aumento da participação da pessoa com deficiência nas diversas atividades sociais. Também deve ser considerados eventos de menor porte, como casamentos, reuniões, jantares, visitas, entrevistas onde a acessibilidade também deve ser considerada. Dependendo do tipo de evento, alguns itens indiretos também podem exigir recursos de acessibilidade. Para o atendimento e acomodação adequada de um palestrante com deficiência física, pode ser necessário

um hotel com um quarto acessível, além de um transporte em carros adaptados. Saber lidar com essas diversas questões será um grande facilitador para organizar um show dos Paralamas do Sucesso, onde Herbert Vianna é um cadeirante, ou então para cegos, como Andrea Bocelli ou Stevie Wonder. Palestrantes e intelectuais como Stephen Hawking que possui uma deficiência severa, ou personagens importantes como Frank Williams, proprietário de uma das mais importantes escuderias da fórmula 1. Eventos como a Reatech, umas das maiores feiras de produtos de reabilitação do mundo, acontece anualmente em São Paulo, e reúne um número expressivo de pessoas com diferentes tipos de deficiência, vindas de diferentes locais do Brasil e exterior. Eventos paradesportivos também costumam reunir um grande número de pessoas com deficiência. As Paralimpíadas de Londres tiveram 4.200 atletas envolvidos e 166 países representados em 20 esportes, além dos 2,5 milhões de entradas vendidas aos visitantes. Então é preciso saber proporcionar qualidade na acessibilidade, mas também saber lidar com a quantidade, sem que o primeiro item não seja prejudicado. Não existe uma legislação ou normatização específica para acessibilidade em eventos e cerimoniais, mas há toda uma série de leis, decretos e normas, além de tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil faz parte, e que fazem exigências às questões de acessibilidade e inclusão de uma forma mais ampla. Costuma-se dizer, que somente quem vivencia as necessidades, consegue realmente compreender melhor sua importância, e propor melhores soluções. Então experimente participar de um evento, utilizando uma cadeira de rodas, sair à procura de um banheiro acessível e tentar localizar os poucos acessos que permitem sua locomoção, ou até mesmo se ver impedido de seguir em frente porque simplesmente o acesso não existe. Feche os olhos por algumas horas e tente realizar suas atividades do cotidiano para ter a percepção das dificuldades de uma pessoa com deficiência visual, e perceber o quanto relacionamos a maioria das coisas que fazemos à visão, e quando ela passa a não existir, ficamos totalmente desorientados.

Ricardo Shimosakai é cadeirante e diretor da Turismo Adaptado. www.turismoadaptado.wordpress.com


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Acessibilidade melhora com semáforos sonoros Os planos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da cidade de Santos/SP, no litoral paulista, são de instalação de 30 novos semáforos sonoros, o que vai facilitar a travessia de pessoas com deficiência visual. As botoeiras podem ser utilizadas por qualquer pedestre de forma geral, a exemplo do que já acontece em pontos onde existem os dispositivos. Nos locais, placas identificam o uso da botoeira por essas pessoas e houve orientação sobre como proceder. Na primeira etapa do projeto, no início de outubro, os equipamentos foram colocados na orla, na divisa das cidades de Santos/São Vicente; na av. Cláudio Luiz da Costa, em frente à Santa Casa, e na praça Mauá. Até o final de 2013, outras vias serão contempladas: Praça da Independência, avenidas da praia, Bernardino de Campos, Nossa Senhora de Fátima, Ana Costa, Senador Feijó, Conselheiro Nébias, Afonso Pena, Siqueira Campos, além das ruas João Pessoa, Visconde do Embaré, Alexandre Martins e Vergueiro Steidel. Na cidade, três pontos já contavam com este tipo de sinalização: avenida Ana Costa com rua Carvalho de Mendonça (em frente ao Lar das Moças Cegas), avenida Conselheiro Nébias com rua Júlio de Mesquita (em frente a Casa da Visão) e em frente ao Ginásio do Rebouças, no bairro Ponta da Praia. A Prefeitura desenvolve alguns projetos para melhorar as condições de conforto e mobilidade. Os ônibus da frota municipal possuem sistemas de acessibilidade em toda a sua frota. Além disso, há 201 vagas exclusivas na cidade para o estacionamento de veículos e os bondes turísticos possuem adaptações em seu reboque para receber pessoas com mobilidade reduzida.

Igreja católica faz plano de acessibilidade

O Projeto Igreja Acessível (PIA) anunciou um plano de trabalho que será levado às paróquias. Debatido durante o 6º Encontro Fraternidade e Pessoas com Deficiência (ENCONFRATER), promovido

pela Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo, em setembro último, prevê uma série de itens para criar uma cultura de inclusão e acolhimento para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida nas igrejas e em outros espaços físicos e de comunicação da Arquidiocese. “Nossa meta é, no prazo de 5 anos, ter um número significativo de igrejas acessíveis e inclusivas para pessoas com diferentes deficiências, sejam as físicas, auditivas, visuais e intelectuais”, garante Antonio Carlos “Tuca” Munhoz, coordenador da Pastoral. O plano prevê ações nas áreas de comunicação, para permitir o acesso aos sites e publicações da igreja e o acompanhamento das celebrações eucarísticas através de versões em braile, audiodescrição, libras e atenção especial à pessoa com deficiência intelectual; catequese inclusiva e emprego apoiado, com a implantação de núcleos para auxiliar a inclusão das pessoas com dificuldades mais significativas no mercado de trabalho. Em termos de acessibilidade física, respeitando as condições e necessidades de cada núcleo, o Plano pretende criar condições para possibilitar a total circulação pelo templo e pela paróquia, especialmente às instalações sanitárias.


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“Especialista em projetos de acessibilidade” A Andaluz iniciou suas atividades em 2004, com a revenda de placas de sinalização em acrílico, PVC e alumínio e fabricação de placas em Braille. Hoje, a Andaluz atende a mais de 1.000 clientes em todo o Brasil e fatura mais de R$ 3 milhões por ano, tendo em sua principal atividade de negócios, o mercado de produtos e serviços em acessibilidade, com a produção e confecção de sinalização podotátil, podendo ser em placas ou elementos soltos para orientação e direcionamento de pessoas com deficiências visual. “A sinalização podotátil é uma necessidade para atender à uma população com deficiência visual cada vez maior. Nossa empresa vem atendendo ao setor com produtos de qualidade, visando sempre ações que favoreçam programas de acessibilidade e inclusão social, com inovação e um mix de produtos apto a atender a crescente demanda do setor. Resultado disso, é que a Andaluz obteve um crescimento na ordem de 40% em suas vendas em 2012 comparado ao ano anterior. afirma e comemora Jair Rais, proprietário da empresa. Por todos os cantos do País podem ser notados os produtos e serviços da Andaluz. A presença da empresa em eventos de vários setores, também já vem sendo notada, numa ação institucional e de marketing bastante ativa. Um exemplo disso foi a participação da empresa na Expo Estádios 2012, visando atender os projetos dos estádios para a Copa do Mundo 2014 no tocante à acessibilidade. Até agora, foram aprovadas obras de acessibilidade em 8 das 12 cidades que receberão os jogos da Copa: Curitiba/PR, Cuiabá/MT, Brasília/DF, Fortaleza/CE, Natal/RN, Recife/PE, Rio de Janeiro/RJ e Salvador/BA. Quase todas estão previstas para começar no ano que vem. Outro ponto importante para Andaluz é a reforma de calçadas e instalação de produtos

de sinalização e comunicação para pessoas com deficiências visuais. “Para os estádios que vão ser usados na Copa, será preciso a adequação de seus projetos à Lei Geral da Copa, que determina que ao menos 1% dos lugares seja destinado a pessoas com deficiência. Além dos lugares, as arenas devem ter elevadores com botões em Braille e avisos sonoros, e suas instalações internas devem ser dimensionadas para cadeirantes”, comenta Jair. Os estádios: Castelão (Fortaleza/CE), Fonte Nova (Salvador/BA) e Arena Pernambuco, já estão sendo atendidos pela Andaluz. Mas não são só os estádios que tem que estar preparados para os grandes eventos que o Brasil irá receber daqui para frente. A rede hoteleira também, visando a eliminação de barreiras arquitetônicas e de comunicação nas edificações, incluindo orientações técnicas para projetos e adequações das edificações baseado nas normas referenciadas pela legislação e com propostas de soluções que atendam os conceitos internacionais do Desenho Universal. A Andaluz possui produtos para atender a essas necessidades, como já vem fazendo nas redes Holiday In (Anhembi, em São Paulo/SP) e na Rede Pestana (Salvador/BA), por exemplo. . O mesmo vem acontecendo com escolas e universidades, onde a demanda por sinalização para atender aos alunos e professores com deficiências é cada vez maior, inclusive em escolas municipais, como: Colégio Bandeirantes (São Paulo/SP), Colégio Ulisses Guimarães (Santana de Parnaíba/SP); Faculdade Mosteiro de São Bento (São Paulo/SP) e o tradicional Colégio Dante Aliguieri (São Paulo/SP). A Andaluz conta com uma equipe de arquitetos especializados em acessibilidade para realizar projetos públicos ou privados, visando atender as normas técnicas com conforto, segurança e design moderno.


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por Nélida Barbeito

Barcelona Uma viagem singular…

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iajar pode se tornar uma paixão, e isso aconteceu na mina vida. Ter uma deficiência física pode ser, para muitos, uma desculpa perfeita para NÃO sair e viajar, mas quando há paixão não há causa e nem razão para desistir ! Caminho com bengala, mas minha autonomia de caminhada é curta: 300 ou até 500 metros. Mas na Europa, por exemplo, há muito para andar. Este artigo é dedicado para aqueles de quem quase nunca falamos: os caminhadores lentos, como dizem nos Estados Unidos. Ou os caminhadores de curto alcance, como eu costumo dizer. Temos que ver o que persiste mais… se só a vontade de viajar, ou se também a de disfrutar de tudo, sem pensar no esforço excesivo do corpo, que pode levar não só à dor, mas também a se lastimar, o que pode resultar numa viagem com alguns percalços e até mesmo, na interrupção do passeio. A solução que achei foi me valer de uma ajuda técnica, uma cadeira de rodas. E o leitor pode se perguntar: uma cadeira ? Mas se você pode andar ? Sim, posso… mas quantos metros ou por quanto tempo ? A resposta é bem fácil: se você não tem para invertir duas vezes a quantidade de tempo para descansar entre um passeio e outro, ou não pode voltar e começar tudo de novo, ou se está viajando com um acompanhante e não quer atrapalhá-lo, o melhor é uma cadeira de rodas. É o ideal ! Temos que ficar atentos, pois comprar uma cadeira de rodas ou alugar uma, não implica necesariamente em saber utilizá-la. Falo por experiência própria. Quase atropelei uma pessoa andando em Barcelona (Espanha), e logo minhas férias quase acabam no fundo do Gran Canal em Venezia. Nesta viagem, fui com uma cadeira de rodas emprestada, e tive varios destinos: Barcelona (Espanha), Veneza (Itália) e um cruzeiro até a Turquia. Vou tentar transmitir a minha experiência para quem ainda sente medo de se sentar numa cadeira de rodas, sem a necesidade de usá-la o tempo todo. Para aqueles que ainda nao me conhecem, além de ser licenciada em Turismo e fazer planes de viagens acessíveis para pessoas com deficiência, sou a criadora do primeiro hotel totalmente accessível da Argentina, e amo viajar e conhecer muitos lugares nas minhas viagens. Barcelona era um sonho, porque alí moram alguns de meus mes-

O arquiteto Enrique Rovira Beleta. tres em Acessibilidade, como por exemplo, o arquiteto Enrique Rovira Beleta, que foi o encarregado dos Jogos Olímpicos, assim como da Vila Olímpica de Barcelona, e também do Fórum de Barcelona, e é também um dos criadores de uma mudança na história dos mobiliários públicos das cidades, uma verdadeira marca: Marca Barcelona. Mesmo para quem não tem a sorte que eu tive, de percorrer Barcelona com o arquiteto Beleta, posso dizer que Barcelona é simplesmente linda, accessível e fácil de conhecer. Todas as ruas tem rampas e é posivel transitar por elas sem ajuda de ninguém, pois as rampas são rampas de verdade, e nao trampolins. Os meios de trasporte, como ônibus, trem e até os taxis, são acessíveis. Algumas partes da cidade são mais planas e outras mais onduladas. A maioria dos atrativos turísticos ficam em lugares planos. Há tambem muita vida diurna e noturna nos bares, e felizmente, existem muitos banheiros acessíveis ! Fazia muito tempo que não encontrava tanta gente em cadeiras de rodas circulando pelas ruas… gente andando com bengala, e com todo tipo de ajuda técnica para que se pode imaginar para se movimentar. As ruas são largas, sempre há rampas para atravesar as ruas, uma lata de lixo em algum ponto, e tudo bem sinalizado e pintado no chão. A cidade também tem detalhes de design, como por exemplo, todo o trajetp percorrido pelo trem na cidade, tem grama, o que o faz


103 com que ele seja uma linha verde que atravessa a cidade. Há muitas motos, carros e bicicletas… e todos tem o seu lugar nas ruas ou nas estradas. A sensação é de completa ordem e organização, até para uma pessoa em cadeira de rodas. Como não estive tanto tempo assim na cidade, percorri Barcelona também com o ônibus turístico. Existem dois… um é o oficial de Barcelona, e o outro, é aquele de marca dos Estados Unidos. Eu peguei o segundo, porque o oficial estava em greve no segundo dia do meu passeio. Todos os ônibus são acessíveis, tem rampa e vaga para cadeirante, mas… como sempre há um “mas” na vida… você vai poder ver na foto, que a visão não é das melhores na vaga do cadeirante. Tem uma coluna bem no meio, e também a vaga fica embaixo do ar-condicionado, portanto, leve uma casaco ! Como posso andar e subir escadas, pude também experimentar a visão desde o primeiro andar, e naturalmente, não tem nada a ver coma visão que se tem da vaga para cadeirantes... Fiz a mesma rota, uma vez embaixo, na vaga do cadeirante, e outra vez no primeiro andar, e a visão foi 100% diferente. Se este serviço tivesse elevador, levando o cadeirante para o primeiro adar do ônibus, seria espetacular !

Uma coisa que achei muito difícil, foi encontrar boas fotos de Barcelona mostrando a acessibilidade da cidade. Isso tem uma razão, é que a cidade é acessível e parece que sempre foi assim, é ampla, ordenada, e as pessoas respeitosas… é normal, por isso não tem fotos. As melhores fotos que tenho são as que estão nesta matéria. Mas isso serviu para eu achar duas coisas: a primeira é que não as fotos não são as melhores, e a segunda é que eu como boa escritora, preciso ter melhores fotos para meus leitores… Então, Barcelona ficou para tras… quieta e bonita. Já estou de volta à Argentina… Até a próxima !!! Nélida Barbeito nasceu em Buenos Aires (Argentina), é formada em turismo pela Universidad del Salvador e realizou estudos de graduação em Calgary, en Alberta, Canadá. Tem uma deficiência motora, usa muletas e caminha com cadeira de rodas e usa scooter para grandes distâncias, como aeroportos ou férias. É membro da Latitud Sur de onde assessora empresas, hotéis e negócios em soluções de acessibilidade e capacitação de recursos humanos. Na TTS Viajes, no departamento de Turismo de Vida Independiente, arma planos de viagens na medida para pessoas com qualquer tipo de deficiência. É membro voluntário da Rede de Turismo Inclusivo, que faz parte do IIDDI - Instituto Interamericano sobre Discapacidad y Desarrollo Incl Email: nelidabarbeito@ciudad.com.ar

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Eficiência no trabalho pela inclusão social Desde 1997, instalada no bairro do Ipiranga, na capital paulista, a Basic trabalha com elevadores e plataformas para acessibilidade, elevadores residenciais e monta cargas. “Desde nossa fundação nos preocupamos em desenvolver equipamentos voltados para inclusão social”, conta o diretor de Operações, Leandro Pereira. Ele considera que a preocupação com acessibilidade, com o tempo, passou a ser cada vez maior na sociedade. Por causa disso, as vendas estão aquecidadas e as perspectivas para 2013 são muito boas, até pelas obras previstas para a Copa do Mundo e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

Preocupada com a inclusão social, a Basic tem parcerias com instituições como a AACD, para quem faz manutenção preventiva mensal, sem custo para a entidade, e APAE, que recebeu a doação de uma plataforma.


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por Luciene Gomes

Mapas táteis são boas opções para acessibilidade

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uando precisamos de alguma indicação referente à localização, podemos pedir informações a respeito do local ou utilizar um mapa ou o GPS de forma a encontrá-lo. Mas para alguém cego ou com deficiência visual, essa tarefa pode ser um pouco mais difícil. Mesmo que esta pessoa tenha sido treinada e utilize recursos como uma bengala ou um cão guia para auxiliá-lo na locomoção, em algum momento ela poderá precisar de uma orientação um pouco mais específica, como os mapas táteis, que podem ser instrumentos capazes de auxiliar na percepção da distância ou indicar o caminho de um local. Eles podem ser utilizados em edifícios públicos ou de uso coletivo, como um banco ou um shopping, por exemplo, indicando o caminho a ser percorrido para chegar ao destino desejado. Os mapas também podem apontar espaços amplos como as quadras próximas a um edifício. Para isso é necessário usar uma escala adequada tornando possível mostrar o espaço urbano indicado. Os mapas são representações gráficas com textura, braile, alto relevo, palavras escritas com uma fonte ampliada de fácil entendimento e cores contrastantes, para facilitar o entendimento de pessoas com baixa visão. Também pode conter símbolos que represente um objeto, como por exemplo, o desenho gráfico de uma escada ou uma rampa. Segundo a NBR9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o mapa tátil deve ser instalado em um mobiliário com superfície horizontal ou inclinado (até 15% em relação ao piso) a uma altura que fica entre 0,90 m e 1,10 m. Ele deve possuir uma reentrância na sua parte inferior com no mínimo 0,30 m de altura e 0,30 m de profundidade, para permitir a aproximação frontal de uma pessoa em cadeira de rodas. Os mapas também podem auxiliar no aprendizado de pessoas cegas ou com baixa

visão, em escolas, atendendo a diferentes disciplinas. É importante enfatizar: para que o mapa cumpra sua função, o usuário deve entender símbolos gráficos, braile ou conseguir fazer a associação da informação disponível. Quando não for possível, o mapa tátil sonoro pode ser utilizado já que, nesse caso, o percurso é descrito através do áudio, permitindo que pessoas que não conseguem fazer a leitura possam ouvir as informações e entendê-las. Como os mapas devem considerar na sua concepção os conceitos do Desenho Universal e incorporar as orientações de acessibilidade contidas na Norma NBR9050/2004, ele pode ser um instrumento para auxiliar na mobilidade de pessoas com ou sem deficiência, como os idosos. Luciene Gomes é Arquiteta e Urbanista, Mestranda do Programa de Pós-Graduação na área de Acessibilidade e Desenho Universal da UFSCar. Docente no SENAC na área de Acessibilidade, Desenho Universal e Ergonomia.


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Playground adaptado faz a festa da criançada Crianças que usam cadeiras de roda também precisam brincar. Foi pensando nisso que a Vanzetti, com sede em Araras/SP e show-room na capital paulista, desenvolveu e patenteou seu “playground adaptado”. “A aceitação tem sido boa, apesar de toda compra ser feita por órgãos públicos, o que torna o processo lento e burocrático. A iniciativa privada ainda não tem dado muita importância à inclusão”, acredita o diretor Luiz Fernando Vansetti. “Juntar a ajuda ao próximo, auxiliá-lo na sua vida diária, na sua diversão, e ainda ter um retorno financeiro é gratificante, pois estamos cientes que estamos fazendo nossa parte”, garante Luis Fernando. A empresa nasceu em 1997, lá mesmo em Araras/SP. A família tem até hoje uma indústria no ramo metalúrgico e como a cidade possui dois centros de reabilitação para pessoas com deficiência, nasceu a parceria com os clientes da região para a produção de cadeiras de rodas e andadores posturais. A linha cresceu e hoje oferece outros itens. Na loja paulistana são comercializados também produtos de outras empresas. São

600 m² de área, totalmente adaptados, oferecendo produtos para deficiências físicas, visual, auditiva ou intelectual. Produtos pedagógicos e de tecnologia assistiva também estão presentes. A loja conta com fisioterapeuta para avaliação e indicação do melhor equipamento para o cliente. Também faz produtos individualizados como a digitalização de assento e encosto para uso em cadeira de rodas, voltados a pacientes com maior comprometimento. Ainda oferece itens para a promoção de acessibilidade imobiliária e uma arquiteta terceirizada dá consultoria em projetos.


ABRIDEF cresce e inicia 2013 em nova sede !!!

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ano finaliza com saldo extremamente positivo para a entidade, afinal, 2012 termina e marca a consolidação da ABRIDEF, ao firmar sua posição como legítima representante das empresas de tecnologia assistiva, fabricantes e revendedores de produtos e serviços ligados às pessoas com deficiência. O aumento significativo no número de associados comprova isso. “Tivemos um crescimento substancial no número de associados. Hoje passamos de 50 empresas associadas – diretamente – fora os associados indiretos. Se levarmos em conta que há pouco mais de 2 anos, quando foi fundada, a entidade contava com apenas 8 associados, e ao final de 2011 tínhamos cerca de metade dos associados que temos neste final de 2012, podemos afirmar que o crescimento foi muito significativo”, afirma Mara Di Maio, superintendente executiva da entidade. Ela conta ainda, que a ABRIDEF firmou várias parcerias importantes, tanto com o governo estadual (SP), como com o governo federal, juntamente com as entidades parceiras: Associação Brasileira de Ortopedia Técnica (ABOTEC) e Associação Brasileira de Tecnologia Assistiva (ABTECA), sendo responsável pelo fornecimento de informações do setor aos governos e ao mercado. Vale destacar também a aproximação com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) na questão da proposta sobre o “Selo de Qualidade” – que o órgão fez questão de ressaltar seu apoio e parceria. Outro importante acordo assinado pela ABRIDEF, foi o convênio com a agência de desenvolvimento paulista, o “Desenvolve SP”, uma agência de fomento para financiamento às empresas. Também ficam registrados os apoios e parcerias com o Grupo Hospitalar e dirigentes

da feira Reatech para participação nos grandes eventos de interesse do setor, entre outros acordos bastante relevantes e participações marcantes em eventos, congressos, seminários, encontros relativos ao tema da pessoa com deficiência, e apresentações sobre o “Selo de Qualidade” em diversos deles. “Somente com parcerias sérias e comprometidas, uma entidade com objetivos claros e transparentes, como é o caso da ABRIDEF, pode alcançar o sucesso”, afirma a superintendente Mara Di Maio. Como exemplo dessas aproximações, a entidade foi convidada pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo para compor um “grupo Especial de Trabalho”, juntamente com a ABOTEC, ABTECA e empresários para tratar de assuntos de interesse. Já foram realizados vários encontros, sempre com o objetivo de proporcionar mais qualidade de vida para as pessoas com deficiência. Desses encontros, saíram ofícios e convocações, destinadas a vários órgãos em nome da entidade, como ANVISA, governo federal, ministérios, SUS, INSS etc... sempre com tópicos de interesse para melhorar o nosso setor. Um exemplo disso, é que foi enviada uma carta conjunta das três entidades ao Ministério da Saúde/ ANVISA, com o objetivo de apresentar as associações e colocá-las à disposição para tratativas de questões de interesse. Essa carta foi protocolada pelo secretário adjunto da Secretaria de SP, Marco Antonio Pellegrini, no dia 30/10/2012. E as entidades agora aguardam ansiosas esse importante encontro. Também estão sendo firmadas parcerias com universidades em todo território nacional para embasar, ainda mais, o “Selo de Qualidade da ABRIDEF” no tocante à pesquisa das normas e procedimentos para a certificação dos produtos. O objetivo é envolver não apenas os governos, mas toda a sociedade nesse processo reforçando, ainda mais, sua credibilidade junto ao setor e, em especial, ao consumidor final. Também estarão sendo envolvidos os CTIs federais nesse processo de certificação. “O Selo de Qualidade e a certificação dos produtos e serviços para o nosso setor é um caminho sem volta. A flecha foi lançada, o tiro já foi dado, os trabalhos já iniciaram, independentemente do envolvimento e da verba que buscamos junto ao governo federal para realização dessa certificação. O


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mercado precisa de um direcionamento, de um código de ética e de conduta, de produtos certificados e normatizados. E o consumidor final e o governo, precisam das indústrias, de uma garantia de qualidade e comprometimento na fabricação dos produtos para pessoas com deficiência. Afinal, estamos falando de produtos e serviços que tem influência direta na vida de seres humanos, e isso tem que ser levado a sério”, afirma Rodrigo Rosso, presidente da ABRIDEF. A entidade tem como praxe a transparência em suas ações. Todas as atividades são de conhecimento geral, portando as reuniões abertas mensais funcionam não só para os associados, como também às empresas e parceiros que desejam conhecer as propostas ou debater algum assunto específico voltado ao nosso meio. Os encontros acontecem normalmente em dois endereços: na Assembleia Legislativa do Estado de SP (Ibirapuera, zona sul da capital), ou na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de SP (Barra Funda, zona oeste), sempre com prévio aviso e comunicação. Todos são bem-vindos !

ABRIDEF de casa nova !!! Em razão justamente desse crescimento e da multiplicação de ativida-

des da entidade, em janeiro de 2013 a ABRIDEF mudará para uma nova sede, ainda na zona oeste da capital paulista, no Condomínio V I L L A LO B O S OF F ICE PAR K, que fica na avenida Queiroz Filho, 1700 – Alto Mário Michelon Júnior, Vice Presidente recebendo homenagem da Revista da Lapa, região Reação, em nome da Abridef nobre de São Paulo/SP. O Condomínio dará a oportunidade à entidade, de oferecer uma série de benefícios aos associados, com uma infraestrutura de primeiríssimo mundo, num complexo empresarial moderMara Di Maio, Colunista da Revista Reação e Superintendente da Abridef no, com Centro também é homenageada por Rodrigo Rosso. de Convenções, auditórios, restaurante, café, salas de o usuário dos produtos fabricados reunião, estacionamento com mano- e vendidos, e também dos serviços brista e numa localização estratégica prestados pelos associados, ou seja, e privilegiada, ao lado das marginais a pessoa com deficiência ! “Nosso objetivo para 2013, além e das principais rodovias, com transporte público de fácil acesso, próxi- da nova sede em janeiro e da retomamo a Hotel e ao principal heliporto da das atividades e reinvindicações de São Paulo/SP. A atuação intensa do setor junto ao governo, e de dar incentivou a diretoria e associados a andamento às importantes parcerias procurar a independência da entida- e aos trabalhos do Selo de Qualidade, de, que desde sua fundação, ocupava é ainda buscar ampliar nosso quadro uma sala cedida na sede da editora associativo, trazendo mais empresas da Revista Reação, também na capital para junto de nós e de nossos trabalhos. Nossa meta é fecharmos 2013 paulista. No ano que vem, novas perspecti- com um crescimento na ordem de vas se abrem e a entidade continuará 30 a 40 % no número de associados, firme em seu trabalho em defesa e dando ainda mais peso, corpo e força fomento do setor, com o objetivo à entidade, além de estreitar a cada de atender, cada vez melhor, a in- dia, os laços com as outras duas endústria e os prestadores de serviço, tidades parceiras do nosso segmento, sempre com o objetivo maior, que é a ABOTEC e ABTECA”, finaliza o presivisar o benefício do consumidor final, dente Rodrigo Rosso.

www.abridef.org.br


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por Isabel Mcevelly

O Brasil na visão de quem hoje está de fora...

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epois de ler o documento da apresentação do Scott Rains, fiquei com esperanças de que realmente as coisas possam melhorar no Brasil. Mas, na minha opinião as leis devem ser mudadas e respeitadas, antes mesmo de se começar a construir, ou reconstruir, acessos para pessoas com deficiências. Leis que antes de serem aprovadas ao léu, deveriam ser melhores examinadas. Se você não leu o que o Scott Rains disse na reunião do Comitê Brasileiro dos Direitos das Pessoas com Deficiência 2012, você deveria ler. Bom, a pedido do editor desta Revista que completa 15 anos de vida, e amigo Rodrigo Rosso, vou falar um pouco da minha história, para que vocês entendam a que me refiro. Comecei a desenvolver minha deficiência quando tinha apenas 4 anos. Tenho 3 diferentes diagnósticos: Poliomelite, Charcot Marie Tooth, e um terceiro que já nem me lembro mais o nome. Mas a maior parte de minha vida, ouvi dizer que havia tido Pólio e fiquei com algumas de suas sequêlas. Eu morava em São Paulo/SP. Aos 13 anos minha mãe faleceu, decorrência de um câncer de mama. Meu pai, hoje também já falecido, tinha mais preocupação com as bebidas e as mulheres do que com as 2 filhas que ele tinha. Acredito que somente quem tem um pai alcoólatra, sabe o quanto e

difícil. Mas não quero me aprofundar nesta parte. Meu pai não acreditava muito em escola. Para ele, mulher deveria saber cuidar da casa. Ajudar sua família, e os homens trabalhar. Eu e minha irmã sempre fomos muito amigas, e isso era uma coisa que minha mãe estava sempre nos falando: que éramos mais do que melhores amigas, éramos verdadeiramente irmãs ! Quando minha mãe faleceu, minha irmã e eu nos tornamos ainda mais unidas. Minha avó materna tentou nos trazer então, na época, para os Estados Unidos, mas ela acabou morrendo dois anos depois da morte de minha mãe. Infelizmente, um motorista bêbado causou o acidente que tirou a vida de minha avó, e também de uma de minhas tias. Quando eu tinha 16 pra 17 anos, uma tia foi ao Brasil e tentou nos trazer de novo para os EUA. Mas o Consulado negou a saída das duas do Brasil. Somente uma de nós poderia vir. Como eu estava em tratamento na ocasião para tentar uma cirurgia, fiquei no Brasil. Experimentei novamente a dor da perda, pois já não teria mais a minha irmã e amiga perto de mim. Não era fácil ouvir as pessoas dizerem que eu era diferente... Eu adorava dançar e não via minha deficiência, mas depois de tanto apontarem a minha deficiência, como algo que eu deveria ter vergonha, parei de dançar. Por mudar de uma casa pra outra, minha irmã e eu já havíamos perdido alguns anos de escola. E com os acontecimentos, e minha rebeldia juvenil, para chamar a atenção das pessoas, eu parei de estudar. E fiz isso por muitos anos... Então, trabalhava com meu pai, no bar que ele e minha mãe haviam conseguido com muito esforço. Com o passar dos anos, eu queria voltar pra escola, mas tinha vergonha, pois estava “velha” para isso. Meu pai acabou vendendo o bar, e quando foi fazer uma nova compra, ele levou um golpe. Perdeu todo o dinheiro que tínhamos. Eu então, precisava agora arrumar um emprego. Mas, por mais que tentasse, não conseguia, pois não tinha experiência ou mesmo estudos para conseguir alguma colocação. Coloquei então minha vergonha de lado e fui fazer o supletivo. Mas não era fácil, principalmente por que a escola tinha escadas e não havia sequer um corrimão. Fui pedir para a diretora instalar um, e o que ouvi foi que a escola não tinha verba e que eu poderia usar a “escada do meio”, que era apenas para os professores. Nessa época, eu pagava ônibus, e dava meu lugar para idosos e gestantes, ficava em filas, não usava nenhum dos meus direitos como PcD. Foi quando um grupo de estudantes da USP começou a ir


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na escola que eu estudava. Não me lembro o que levou eles até lá, mas lembro que estava conversando com um dos rapazes do grupo, e ele me disse que admirava todas as pessoas que voltavam a estudar, cada um tinha um motivo diferente para ter abandonado, mas retornar era sinônimo de coragem. E que no meu caso, ele estava realmente admirado, por causa da minha deficiência. Nesse mesmo momento um dos meus professores me disse que um dos professores me admirava muito pelo mesmo motivo. Voltar a estudar depois de anos exigia coragem, mas ter ainda que passar pelos obstáculos da deficiência... para eles, eu era realmente um exemplo. Ainda mais naquela época, onde nem se ouvia falar em inclusão, acessibilidade, mobilidade urbana... não se tinha nada disso. Depois de ouvir minha vida inteira que eu não seria capaz... de que eu não conseguiria, que não era perfeita, que eu era bonita, mas o problema era “só os meus pés”… Enfim, aquelas palavras me deram uma força que eu mesmo havia esquecido possuia. Uma coragem que me levou ir de classe em classe e pedir para os alunos assinassem o meu abaixo-assinado, requerendo corrimãos para as duas escadas laterais, para o meu benefício sim, mas de todos os outros alunos com deficiência, ou para aqueles que estivessem com o pé quebrado, os obesos, os mais velhos, as grávidas, enfim... quem quer que seja, que estivesse ali para estudar. Não foi nem preciso mandar o abaixo-assinado para a Secretaria da Educação. A escola instalou os corrimãos. Terminei então o colegial, mas ninguém me dava um emprego – naquele tempo também não existia a “Lei de Cotas” no Brasil – e eu, não tinha experiência. Fui então para a Secretaria do Trabalho e Emprego. Lá, fui encaminhada para o departamento responsável para pessoas com deficiência. Conheci a Thais, que é fonoaudióloga, e me explicou mais sobre os direitos das pessoas deficiência, e que não deveria me sentir mau por usá-los. Fui ao banco com uma de minhas priminhas, e resolvi seguir o conselho da Thais. Estava eu na fila, quando escutei um homem gritar que as pessoas não tem vergonha na cara, gente nova com saúde e tal... Vem a gerente do banco e pergunta para a senhora que estava na minha frente, quantos anos ela tem. A pobre mulher mostra o RG, diz que está com 3 meses de gestação. A gerente se vira para mim e pergunta por que estava naquela fila, e eu lhe disse. Chegou a minha vez de ir ao caixa. A moça não olhou para mim, se virou e disse ao seu colega do lado: - Olha que falta de vergonha !

Cheguei ao caixa e ela me disse: - Você sabe que esta fila é para idosos e gestantes ? E eu perguntei à ela se não era também para pessoas com deficiência ? E ela, sem graça, disse que e sim. Então, perdi minha paciência, alterei minha voz e disse: - Se você tivesse olhado para mim, teria visto que ando diferente de você ! Mas com certeza se eu fosse tentar namorar alguém da sua família, você teria visto a minha deficiência antes mesmo de me ver. Uma outra vez, num ônibus, teve um motorista que ficou esperando eu descer do coletivo e começar a caminhar para parar de me olhar com ar de suspeita. Teve um, que assim que viu que eu ia entrar pela porta de frente, começou a andar com o ônibus... foi o cobrador quem gritou: - Pare o ônibus, a moça é “aleijada” ! Enfim... Mas aí veio a Lei de Cotas. Certo número de empregados na empresa, um percentual tem que ser destinado a PcD... Meio maluco isso, mas vamos lá tirar proveito então. “Mas você precisa de alguma adaptação ? Sabe o que é, a vaga foi preenchida esta manhã”... Ouvi muito isso no Brasil. Bom, aí vem mais uma vez Deus me dizer que sou forte e sou capaz. Tivemos uma reunião: a Thais, a diretora, outros PcD que também estavam procurando emprego (uns com diplomas de faculdade e experiência), e eu, é claro. No dia seguinte, a Thais me pede para ir até lá. Começamos a conversar e ela me disse que havia uma vaga de recepcionista, não pagavam muito, mas seria um começo e que eu me daria bem lá, pois teria contato com crianças (que eu amo). Seria apenas para começar. Então ela me disse que não sabia o que aconteceu, mas a diretora que estava na reunião com a gente, lhe disse que eu não falava muito com a minha boca, mas os meus olhos sim, esses falavam e muito. Mas o que mais havia impressionado ela foi que apesar de não falar muito, quando abri a minha boca, falei de forma correta. O que os outros que estavam ali, com diploma nas mãos até, não o fizeram. Saí de lá e fui para a minha entrevista, claro que consegui o emprego. Alguém tinha acabado de me dizer que eu era boa, pelo menos no meu português. Nesse emprego, era a recepcionista, a amiga e a conselheira de todos. Bom, muitos de vocês conhecem esse lugar, a empresa que eu trabalhei, o nome dela é Expansão. Lá conheci algumas pessoas do nosso meio, com deficiência também, que me indicaram outras pessoas, outros lugares, e quando fui ver estava envolvida com muita coisa bacana: Magic Hands, CMPD, o pessoal da Saga Natação… Tenho muitas histórias boas da época da Expansão, mais uma vou contar agora: Certa vez, uma mãe veio me contar que estava triste, pois a AACD havia dito que o filho dela não poderia mais ir para a escola, afinal, ele não tinha capacidade de aprendizado. A mãe deu ao filho a notícia e o pobre menino ficou super

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internacional triste. Afinal, ele queria ir para a escola como o seu irmão fazia. Entrei em contato com alguns dos meus novos amigos e me disseram para falar para aquela mãe, que ela deveria ligar para a associação e dizer que se eles não aceitassem o menino, ela ira com o advogado até o tribunal de justiça e abrir uma ação contra eles. A mãe me ligou depois de alguns dias para dizer que eles ligaram para ela, e disseram então, que tudo tinha sido apenas um mal entendido, e que o menino poderia sim frequentar a escola. Agora já nas reuniões do CMPD, tenho 3 passagens que gostaria de contar também... Essas ficaram marcadas em minha memória. Não me lembro mais o nome das pessoas, mas me lembro dos incidentes. A primeira foi um rapaz com deficiência que estava precisando de ajuda para descer as escadas do Metrô e pediu ajuda aos funcionários. Quando esses chegam perto do cadeirante, um dos funcionários disse: - Por que você não se jogou ? Era menos trabalho para nós... Já a segunda também envolve o pessoal do Metrô: uma moça com deficiência visual, estava com um rapaz que a conduzia e que disse à ela: - Você deveria ficar era em casa. O terceiro caso foi uma pessoa que, tendo também uma deficiência visual, não percebeu que a rampa já havia terminado, e foi puxada por uma pessoa antes que o carro a atropelasse. Onde eu quero chegar com minhas histórias ? Quero tentar ajudar a conscientizar as pessoas no Brasil, que não é apenas construindo ou reconstruindo estádios de futebol, hotéis, cinemas e teatros que se dá mobilidade e acessibilidade às pessoas com deficiência... É preciso ter conhecimento do que e como estão sendo feitas essas obras. Arquitetos, engenheiros e mesmo os pedreiros, antes de começarem qualquer coisa devem ouvir as PcD visuais, auditivas... ouvir os amputados, cadeirantes, pessoas que usam muletas, órteses, próteses... as que tem artrites. Enfim, todas as pessoas que tem algum tipo de dificuldade motora e de locomoção. Todos devem ser ouvidos e também os idosos. Uma das coisas mais estúpidas que eu achava quando morava no Brasil, era a luz de estacionamento para avisar que os carros estão saindo das garagens. Me digam como uma pessoa com deficiência visual percebe isso ? O Brasil precisa sim de reformas arquitetônicas urgentes ! Mas precisa também de educação, e não estou me referindo apenas a educação que se aprende na escola. Estou falando do respeito. De saber aceitar as diferenças ! É preciso começar JÁ ! Começar a educar os funcionários públicos. A termos ônibus adaptados de verdade, mas com motoristas também “adaptados” à nossa realidade, “adaptados” para serem gentis, educados e prestativos. O governo com a Lei de Cotas, dá vagas de empregos: ótimo ! Mas as escolas não estão adaptadas para que as

crianças PcD frequentem as mesmas... e os professores ? Estão aptos ? A vaga de emprego está aberta, agora o governo também está dando bolsas de estudo... Mas a PcD vai para a faculdade como ? Se não tem ônibus adaptado suficiente para atender a demanda ? Enquanto ainda morava no Brasil, eu cheguei a prestar para faculdades. Na USP a minha pontuação foi melhor do que de uns primos meus mais novos e que haviam estudados em melhores escolas, mas nenhum de nós conseguiu entrar. Depois, consegui passar numa faculdade que oferecia o curso de filosofia gratuito, já que o de matemática – que eu queria - eu não podia pagar. Mas não era o que eu queria. Na época, estavam oferecendo inscrições gratuitas na UNIP e minha colega de trabalho não queria ir, então pedi para ela e fui. Me chega em casa depois a carta da faculdade dizendo que eu havia passado. Chorei muito de alegria, pois havia passado para o curso de direito, sem a “bolsa”, mas chorei ainda mais, pois não ganhava o suficiente para pagar as mensalidades. Já havia passado o prazo de inscrição, quando comentei o acontecido com o amigo Rui Bianchi – que já nos deixou... que saudade - ele me disse que se eu tivesse lhe dito a tempo, ele teria me ajudado com as mensalidades, e que nós, pessoas com deficiência, precisamos de pessoas como eu... Rui era um ser humano especial. Iluminado... Ele realmente estava disposto a me ajudar, mas eu não poderia aceitar. O que infelizmente descobri é que, entre nós mesmos, pessoas com deficiência, somos muito poucos os que realmente nos importamos com os problemas das outras pessoas. Conheci muitas PcD ricos ou com algum poder, mas que jamais fizeram algo em prol do próximo, e sim tudo o que fizeram era para benefício próprio. Por que estou escrevendo isso ? Por que não adianta dizer que tem uma pessoa com deficiência à frente das questões, se essa pessoa não for uma íntegra e honesta, de nada adianta. Ou seja, PcD e as pessoas “ditas normais” devem, juntas mudar o Brasil, para que possamos fazer bonito na Copa e nas Olimpíadas sim... Mas precisamos fazer bonito, principalmente, e no dia-a-dia.


internacional Visitando a Abilities Expo 2012 !!!

Em Novembro fui até San José, na California, e depois de dirigir por mais de 7 horas, cheguei a Abilities Expo 2012 uma feira voltada para Pessoas com Deficiência. A feira existe desde de 1979, mas em 2008 foi comprada pelos empresários Lew Shomer e David Korse. Quem organiza a Expo é a 5NET4 Produçõs, junto com os sócios proprietários. Lewis Shomer é também o Diretor Executivo da SISO - The Society of Independent Show Organizers. A Abilities Expo ocorre todos os anos, normalmente às sextas-feiras e sábados, das 11 as 17 hs, e no domingo das 11 as 16 hs. Dando assim, oportunidade para que todos possam visitar. Em Nova Iorque e Los Angeles são 250 expositores. Já nos outros estados, eles contam entre 150 e 175 expositores. A mostra acontece de forma itinerante, dando assim, chance para visitantes de várias partes dos EUA poderem ter acesso aos produtos e equipamentos expostos. As duas maiores são também as que recebem o maior nímero de visitantes, em torno de 5.500 adultos e 1.500 crianças. Já nos outros locais, a média de público é de 3.000 adultos e 750 crianças. Na feira pude ver as novidades, empresas que já conhecemos no Brasil, e algumas que ainda não atuam no mercado brasileiro, mas estão sim vendo o Brasil como uma excelente alternativa e um mercado potencial. Também pude notar muita informação e orientação das associações e fundações presentes na mostra, o que ajuda muito na vida das PcD. O evento conta ainda, com ótimas palestras, assim como acontece nas nossas feiras no Brasil. A Abilities Expo oferece também lazer e entretenimento, uma das minhas apresentações favoritas foi a das meninas do

Hotweelz. São na maioria meninas que encontram na dança um novo sentindo na vida. Conheci muita gente importante e pessoas sensacionais, como o doutor Scott Rains, que já é muito conhecido pelo seu trabalho e amor ao Brasil. Também conheci a Denise DeShetler, uma massagista, que sonha com a oportunidade de ir ao Brasil. Uma de suas especialidades é massagem em pessoas com deficiência. É que muitas vezes, dependendo da deficiência, a massagem pode causar ainda mais dores. E Eliza Riley, uma das embaixadoras da Abilites Expo, que agora é também uma de minhas amigas. Também fiz amizade com uma portuguesa que tem um trabalho muito bonito, a Joana Cardoso, da Effortless City. Fui muito bem recebida por todos, me senti como se estive em nosso país, todos muitos atenciosos e dispostos a ajudar os outros. Agora, espero que com a Copa, as Olimpíadas, e o mais importante, com o crescimento econômico, as exposições como estas sejam levadas também ao Brasil. O povo brasileiro merece !!!

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informe publicitário

Referência em reabilitação atendendo pacientes de vários países

A Ortopedia Conforpés tem motivos para comemorar. Com matriz na cidade de Sorocaba/SP, viu em 2012 a expansão dos negócios, novas parcerias e fornecedores. “A Conforpés está sempre antenada em todos os lançamentos mundiais, levando os diretores a diversos países. Neste ano trouxemos um sistema novo de silicone liner, do mesmo material utilizado na reabilitação de um golfinho que havia perdido parte da cauda, tema inclusive de filme, além do primeiro dedo mecânico funcional do mundo, novo sistema lançado há dois meses”, comemora o diretor administrativo Nelson Tuzino Nolé. As lojas estão em plena expansão e a empresa costuma atender pacientes de outros países, como: Angola, Canadá, Estados Unidos, Suriname, Paraguai, Uruguai, Argentina e Portugal, entre outros. “A

relação comercial com os diversos parceiros internacionais vai muito bem e com algumas novidades para 2013, tanto nas parcerias como nos lançamentos de nossos produtos”, garante o diretor. Como a maioria dos pacientes encontra-se em outros estados ou países, há toda uma estrutura para maior conforto, com translado e hotéis incluídos na reabilitação, além da logística necessária para o bem estar dos interessados. Atualmente a empresa conta com 43 colaboradores, distribuídos em equipes setorizadas. “Somos privilegiados, pois possuímos as ferramentas e tecnologia para proporcionar aos pacientes, uma vida com as mínimas limitações, daí a importância da atualização, tecnologia nos produtos e equipe técnica”, afirma o diretor.


Vitórias e projetos O ano de 2012 foi de muito trabalho e de muitas conquistas para a ABOTEC - Associação Brasileira de Ortoperdia Técnica. Além de lutar pela inclusão de órteses e próteses ortopédicas na lista de produtos passíveis de financiamento do Plano Viver Sem Limites, a associação realizou seminários, marcou presença em grandes eventos que debatem a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência e firmou uma parceria importantíssima com o INSS para oferecer capacitação de peritos técnicos. Sempre pensando na qualidade de vida de mais de 25 milhões de brasileiros que utilizam órteses e próteses ortopédicas, a ABOTEC esteve em importantes eventos do setor como a REATECH, Feira Hospitalar e Reabilitação. Eventos como esse são extremamente importantes, pois além de mostrar o que há de novo no segmento, abrem espaço para discussões que impactam a vida de milhões, reúnem autoridades e instituições e possibilitam ainda o estreitamento do diálogo entre instituições e Governo. Por exemplo, na Reabilitação, realizada em agosto deste ano, a ABOTEC deu um passo importante para uma das nossas grandes vitórias de 2012: incluir órteses e próteses ortopédicas na tabela de financiamento do Plano Viver Sem Limite. Depois de encontros e pedidos ao Governo Federal, nossa proposta foi aceita pela Secretaria da Pessoa com Deficiência e foi publicada em novembro. Com isso, mais de 80 itens de tecnologia assistiva passam a fazer parte da lista de produtos passiveis de financiamento no valor de até R$ 5 mil, com taxas de juros de 0,44% ao mês e 0,64% para equipamentos acima desse montante. Ainda na Reabilitação, foi realizado um seminário que ofereceu aos profissionais a oportunidade de debater e saber mais sobre temas como a alta tecnologia em próteses e órteses de última geração, o panorama das órteses e próteses ortopédicas no Brasil, por meio de Órgão Públicos e Privados e a formação e capacitação em órteses e próteses ortopédicas. Além disso, foi oficializada a realização do I Congresso ABOTEC – ISPO-Brasil de Órteses, Próteses e Reabilitação, que acontecerá entre

julho e agosto em 2013 junto com a Reabilitação, em São Paulo. Além de estar presente em grandes eventos nacionais, a associação levou uma delegação de 20 profissionais de um dos maiores eventos para produtos de ortopedia técnica do mundo, o Congresso e Feira Mundial de Ortopedia Técnica 2012, realizado em Leipzig, na Alemanha. Foi uma excelente oportunidade para fazer um intercâmbio de tecnologia com profissionais do mundo inteiro, principalmente porque nos preocupamos com o desenvolvimento técnico-científico da Ortopedia Técnica do Brasil. A ABOTEC firmou uma parceria com o INSS - Instituto Nacional do Seguro Social e durante o mês de outubro promoveu reuniões técnicas de serviço sobre prescrição de órteses e próteses ortopédicas em Recife, Belo Horizonte, São Paulo, Florianópolis e Brasília. Os encontros tiveram como objetivo a troca de informações entre as entidades buscando o maior conhecimento e aprimoramento em termos de prescrições para os pacientes e os trabalhadores que utilizem esses equipamentos e estão nos programas de reabilitação profissional do órgão público. Ao final da série de encontro, mais de 100 profissionais haviam participado.

Desafios de 2013 Este ano foi de muito empenho e dedicação e, por isso, colhemos bons frutos. Mas ABOTEC ainda tem muito trabalho pela frente. Vamos retomar a luta pela regulamentação da profissão de ortesista e protesista ortopédico, que em 2013 completará 100 anos de Brasil. Desde 2005, a associação tem trabalhado firmemente neste tema. O projeto de lei No 5.635-A, elaborado com a colaboração do deputado Onix Lorenzoni, foi aprovado na Comissão Parlamentar de Seguridade Social e Família, em 2009, e na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, em 2011, com o apoio da deputada Flávia Morais. Agora, o projeto tramita Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara e depois segue para apresentação no plenário da Câmara e a aprovação pelo Senado Federal. Além de validar e reconhecer que o trabalho exercido pela categoria é tão importante quanto o de


115 cirurgiões, regularizar as atividades de ortesistas e protesistas pode beneficiar diretamente os usuários, trazendo mais qualidade para o atendimento de pessoas em reabilitação e para produção e manutenção de produtos de tecnologia assistiva. Outro impacto positivo é a melhoria na fiscalização, que atualmente é realizada pela ANVISA e a Vigilâncias Sanitárias regionais. Embora esses órgãos se esforcem, o trabalho ainda é insuficiente e não há especialização necessária. Com a regulamentação da profissão, será possível ser um Conselho de Classe que poderá atuar firmemente nesta questão. Outro tema importante que será foco da ABOTEC em 2013 é a proposta de um novo modelo para concessão de órteses e próteses ortopédicas, realizada por cadastros no SUS (Sistema Único de Saúde), INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Forças Armadas e outras entidades federais. Na gestão atual, os pacientes, muitas vezes, tenham de esperar meses até que seja montado o processo licitatório e o equipamento esteja em seu destino. A Associação apresentou a proposta de novo modelo durante a REATECH e teve um parecer muito positivo tanto do Governo, representado pela Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, quanto de profissionais do setor.

INSS e ABOTEC firmam parceria para reabilitação profissional O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Associação Brasileira de Ortopedia Técnica (ABOTEC) realizaram várias reuniões de serviço sobre prescrição de órteses e próteses ortopédicas. Os encontros já foram realizados em Recife (PE), Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC) e São Paulo, reunindo médicos, peritos e especialistas das duas entidades, com o objetivo de criar um modelo padronizado de prescrições para os pacientes e os trabalhadores que utilizem esses equipamentos e estão nos programas de reabilitação profissional do órgão público. Esse modelo atenderá todo o Brasil e deverá trazer ganhos de qualidade aos serviços prestados, tanto nos diagnósticos, como no tratamento daqueles que são atendidos por meio do sistema de reabilitação profissional. Para o presidente da ABOTEC e ISPO Brasil, Joaquim Cunha, a expectativa com os resultados da parceria é a melhor possível: “A partir dessa iniciativa entre as duas entidades poderemos ter uma maior eficácia na prescrição de órtese e prótese ortopédica. Dessa forma, tanto o INSS como as empresas do setor poderão realizar um tratamento diferenciado e aprimorado para cumprirmos o nosso papel principal que é o de reabilitar esses pacientes e garantir-lhes seu retorno ao trabalho”, afirma.

informe publicitário

Excelência em órteses e próteses Fundada em 2005, em Valinhos/SP, a Prokinetics representa marcas internacionais como Wagner (Alemanha) e Silipos (EUA), fabricantes de componentes para próteses, assim como a Becker Orthopedic (EUA), uma das principais empresas de componentes para órteses do mundo. “A Prokinetics não desenvolve uma linha própria, mas continua empenhada em trazer outras marcas importantes do setor para o nosso país”, explica Ulrich Boer, sócio-diretor. Com clientes em todo país e até exportando, também vende os materiais necessários para a confecção de aparelhos. Comercializa seus produtos para casas ortopédicas e centros de reabilitação especializados, mas não atende o usuário final, já que se tratam de componentes ortopédicos e matérias-primas, e não produtos acabados. A excelência no atendimento, que inclui um departamento técnico

responsável por todas as atividades pré e pós-venda, com manutenção e reparação, se reflete no crescimento de vendas, que já levou à construção de uma sede própria e contratação de novos colaboradores. “As expectativas para 2013 e para os próximos anos são extremamente positivas”, afirma o diretor.


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espaço aberto

por Alex Garcia

Distância e impaciência... Bombástico !!!

L

eitores da Reação: mais um ano se finda e aqui estamos. Ano mágico, que marcou os 15 anos da Revista Reação na belíssima cerimônia no Memorial da América Latina em São Paulo/SP. Neste ano “cavalguei” por várias terras neste Brasil. Conheci realidades de pessoas com deficiência. Mas acima de tudo, sustentei ainda mais convicções de que, nós pessoas surdocegas, enfrentamos duas gigantescas barreiras que entravam ou desaceleram o desenvolvimento de muitos. Estou falando da distância e da impaciência. Vejamos, nós pessoa surdocegas, temos meios e formas para nos comunicar, recordando sempre que a comunicação é de fato imprescindível, mas todas as formas apenas podem ser desenvolvidas no contato, na proximidade. E está bastante claro a todos que a sociedade, as pessoas, estão a cada dia mais distantes umas das outras. As pessoas não se aproximam, as pessoas se afastam. A distância é uma barreira terrível para uma pessoa surdocega. A distância por certo tem efeitos negativos a qualquer pessoa com deficiência, mas para a pessoa surdocega, a distância é bombástica ! Pois esta não possui, parcialmente ou totalmente os sentidos de distância, visão e/ou audição. Convido você que está lendo neste momento... Vamos fazer uma profunda reflexão sobre minha tese ? “O desenvolvimento humano acontece na relação entre proximidade e distância”. Convido a observar “você no mundo e o mundo em você”. Tenho certeza que chegarás à conclusão que a “distância” é talvez a maior barreira para a melhor qualidade de vida. A minha, de pessoa surdocega, e pessoa com doença rara que sou, e a sua também. E a impaciência ? Bem, aqui temos outro fator que verdadeiramente atormenta, não apenas a mim, mas a todas as pessoas surdocegas. Todos os meios de comunicação usados por pessoas surdocegas possuem uma característica particular, além do contato-proximidade, ou seja, a lentidão. Obviamente cada meio é um meio, e cada surdocego é um surdocego e assim, modelos se diferem no quesito lentidão-rapidez, mas nenhum alcança a rapidez da fala, por exemplo. Desta forma a impaciência do ser humano surge avassaladora, e consequentemente, “não se aproximar” ou “se afastar rapidamente” é a tônica deste processo. Este ano, sinceramente, fiquei atordoado. E não é qualquer situação que me deixa assim, de observar a impaciência do meio. Pode parecer impressão minha, mas a cada dia que passa as pessoas estão mais impacientes. E isso é um “tsunami” para uma pessoa surdocega. Distância e impaciência são as causas básicas da solidão de uma pessoa surdocega. Nesta relação estamos bas-

tante fragilizados e vulneráveis. Desta forma, com minha fé inabalável que todos conhecem, sugiro que todos nós tomemos a decisão de nos aproximar mais e de termos mais paciência, como disse Carlos Castaneda: “Decidir não significa escolher um momento arbitrário. Decidir significa que a posto teu espírito em ordem impecável, e que fez todo o possível para ser digno do conhecimento e do poder”. Acreditem, a proximidade e a paciência são fortes parceiras para o bem estar !

Alex Garcia é gaúcho e Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Especialista em Educação Especial. Autor do livro “Surdocegueira: empírica e científica”. Vencedor do II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga/RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência pela Mobility International USA/MIUSA. Membro da Federação Mundial de Surdocegos. Site: www.agapasm.com.br E-mail: contato@agapasm.com.br


notas OTTOBOCK: “Paixão pelas Paralimpíadas”

Nissan investe em atletas olímpicos e paraolímpicos !

Uma mostra realizada durante os Jogos Paralímpicos de Londres, em agosto/setembro, esteve no Rio de Janeiro, nos dias 13 e 14 de novembro, montada pela Ottobock, considerada líder mundial no fornecimento de soluções para restauração da mobilidade humana. A empresa foi a fornecedora oficial de serviços técnicos de reparo para próteses, órteses e cadeiras de rodas durante a disputa. O evento serviu para celebrar a parceria entre a Ottobock e os Jogos, existente desde 1988 e ressaltar os valores paralímpicos de coragem, determinação, inspiração e igualdade. Teve também como objetivo oferecer mais conhecimento sobre a competição, os atletas, equipamentos, a ciência e a tecnologia envolvidas e explicar como podem ser aproveitadas no dia a dia. Vista por cerca de 40 mil pessoas em Londres, a exposição apostou na interatividade, que permitiu ao público experimentar uma bicicleta guiada manualmente e medir a força usada por um atleta paralímpico com suas próteses de corridas, feitas com fibra de carbono. Mostrou ainda a história desses jogos, além de equipamentos de uso cotidiano para pessoas com deficiência física, como o joelho Genium e a mão Michelangelo, ambos com alta tecnologia agregada. Na abertura, foi anunciada a parceria com o nadador Daniel Dias, que trouxe seis medalhas de ouro da competição, como embaixador da Ottobock para os Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Estiveram presentes o CEO mundial da empresa, Hans George Nader, proprietário da companhia e neto do fundador, e Wilson Zampini, diretor para a América Latina.

IBM Research Colloquium

O evento realizado dia 27 de novembro de 2012, acontece uma vez por ano e é organizado pela IBM Research – Brazil, no qual renomados especialistas, nacionais e internacionais, apresentam o estado da arte e os futuros desafios proporcionados por tópicos de ciência e tecnologia de grande relevância econômica, social e científica. Este ano foi dado ênfase a assuntos relacionados a Desafios de Acessibilidade para a Pessoa com Deficiência na Sociedade e no Mercado de Trabalho. Na abertura, uma homenagem foi feita para agência Kica de Castro, pelo desenvolvimento econômico realizado com modelos profissionais em passarelas e editorias de moda.  Apresentação do trabalho foi feita com a exposição das fotos dos trabalhos realizados pelo casting da fotógrafa, como exemplo editoriais de moda para estilista Candida Cirino, Campanha Mês Rosa - prevenção de cancêr de mama, as fotos publicadas na coluna Sensualidade da Revista Reação, entre outras. Também foram apresentados alguns projetos desenvolvidos pela IBM, que podem proporcionar melhor qualidade de vida as pessoas com deficiência e toda a população.

Os 25 atletas dos 30 que integrarão o Time Nissan foram apresentados à imprensa no Rio de Janeiro, em 27 de novembro. Eles foram selecionados entre 300 inscritos por uma comissão de alto nível, que incluiu membros do Comitê Olímpico, Paralímpico, Ministério dos Esportes, direção da empresa e os mentores Hortência Marcari e Clodoaldo Silva. São 12 homens e 13 mulheres que competem em 12 modalidades olímpicas e 5 paralímpicas, nascidos em 11 estados brasileiros. Os cinco restantes serão anunciados somente após as assinaturas dos contratos, que não ocorreu ainda devido a viagens e competições. O grupo receberá apoio dos mentores e ajuda multidisciplinar, envolvendo áreas como media training, gestão de carreira e psicologia, além de incentivos, como um Nissan 0 Km, para se prepararem para as competições em 2016. “O Time Nissan dará apoio na formações de promissores atletas de diversas regiões rumo aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos”, afirmou o CEO da empresa, Carlos Ghosn, que apresentou o grupo. “Com esse projeto, a Nissan pretende contribuir com o desenvolvimento do esporte e deixar um legado para os atletas brasileiros”, garantiu. “Temos uma responsabilidade muito grande como mentores do Time Nissan, sendo referência para esses jovens atletas. Desde pequeno, o esporte me ajudou a desenvolver, entre outras habilidades, a responsabilidade, que fico muito feliz em poder dividir com todos os participantes do Time Nissan”, afirmou o nadador paralímpico Clodoaldo Silva. Os atletas paralímpicos que receberão apoio são: Cláudia Cícero dos Santos (remo); Dirceu Pinto (bocha); Edência Garcia (natação); Jovane Guissone (esgrima); Michele Ferreira (judô) e Susana Scharnardof (natação).

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Revista Reação  

Revista Reação edição 89 Anuário Novembro/Dezembro

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