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editorial A Revista Nacional de Reabilitação é uma publicação bimestral da C & G 12 - Comunicação e Marketing S/C Ltda. Telefone (PABX): (11) 3873-1525 Fax: (11) 3801-2195 www.revistareacao.com www.revistareabilitacao.com.br contato@cg12.com.br Diretor Responsável - Editor Rodrigo Antonio Rosso Gerente Executivo Denis Deli Reportagem: Maria Luiza de Araujo Consultores Técnicos: Romeu Kazumi Sassaki Carlos Roberto Perl Colaboradores: Suely Carvalho de Sá Yañez Hermes Oliveira Márcia Gori Alex Garcia Silvia de Castro Deborah Prates Tatiana Rolim Wiliam Machado Ricado Shimosakai Samara Del Monte Júlio Cesar Márcia Jordão Celise Melo (Celelê) Neivaldo Zovico Fabiano Puhlmann Mara Di Maio Adriano Bandini Geraldo Nogueira Sebastião Misiara Marketing: Jackeline Oliveira Depto. Comercial: Nataliane Paiva Paulo Brandão Etiane Bastos Marco Gouveia Valéria Andrade Administração: Cissa de Carvalho Circulação: Jairo Prates José Faustino Rivelino Cordeiro Assinaturas: Cissa de Carvalho - Coordenação

Fone: 0800-772-6612

Rodrigo Antonio Rosso Diretor/Editor

15 Anos bem vividos !!!

C

omo o tempo passa... Parece que foi ontem. Como foi gostoso... Como é gratificante fazer essa revista. Quanta luta, quantas vitórias, quantos amigos, conquistas... alegrias, tristezas, saudades, orgulho... quantas realizações ! A Revista Reação – Revista Nacional de Reabilitação está completando 15 anos de vida. Estamos “debutando”... Afinal, uma “menina” quando completa 15 anos de vida, comemora a sua juventude... e com nossa revista não está sendo diferente. Vejam: em 1997, depois de pouco mais de 9 meses de planejamento – a Revista nasceu. E olha que foi “um parto”... Na época, ninguém acreditava que pudesse existir no Brasil, uma publicação que falasse “exclusivamente” de assuntos e temas para pessoas com deficiências. Se hoje ainda brigamos por inclusão e acessibilidade, imaginem há 15 anos ? A Revista nasceu e foi crescendo. Ela teve uma “infância” difícil. Seus primeiros passos foram, eu diria, “cambaleantes”... por muitas vezes, quase “caiu”, confesso. Mas, com a ajuda de colaboradores e amigos dedicados, dando força, encorajando, segurando nossas mãos quando foi preciso, continuamos. Os primeiros anos de vida foram complicados. A nossa vontade era grande, a energia, como de qualquer “criança”, era muita... porém, nem sempre o mercado correspondia. As dificuldades por vezes quase conseguiram nos fazer desistir. Mas fomos perseverantes, sonhadores... E desse sonho, em 2002, por exemplo, nasceu a REATECH: fruto da Revista Reação ! E hoje, apesar de não estar mais sob nosso comando, continua sendo a 2ª maior feira do mundo para o setor. Isso nos enche de orgulho e de realização... Mas, nesse período da “infância”, algumas de nossas atitudes intempestivas, também nos custaram alguns bons “puxões de orelha”, afinal, “criança é criança”, não é mesmo ? Aí, veio a adolescência... meio rebelde, mas cheia de vida. Continuamos crescendo... e como todo adolescente de nossa geração, agora temos que nos adaptar às “coisas da Internet”, estarmos ligados nas redes sociais... e é isso que fizemos e estamos fazendo. E agora: estamos debutando... na flor da idade, jovem, apenas 15 Anos !!! Isso nos faz ter mais forças e mais vigor, pois temos uma vida toda pela frente... estamos só começando a viver... Quase chegando à idade adulta ainda, e já temos tantas realizações e conquistas. E vamos estar juntos sempre, festejando com Você a cada vitória, a cada ano de vida... Vida longa a todos nós. Parabéns a VOCÊ pelos 15 anos da Revista Reação... Obrigado por tudo !!!

Tiragem: 20 mil exemplares Redação, Comercial e Assinaturas: Caixa Postal: 60.113 CEP 05033-970 São Paulo - SP É permitida a reprodução de qualquer artigo ou matéria publicada na Revista Nacional de Reabilitação, desde que seja citada a fonte.

“Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nEle, e o mais Ele o fará”... Salmo 37 - 3,4 e 5

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Reação e Ortobras, lutando juntas por um mesmo ideal Assim como na vida, completar 15 anos representa um importante marco. É momento de transição, de projetar planos para o futuro; época de sonhos, de acreditar na esperança de um amanhã melhor. Por outro lado, chegar à maturidade dos 30 evidencia a experiência da trajetória, quando se olha para trás, resgatando o que de bom foi plantado, e se vislumbra o que virá pela frente, com aquilo que se colheu. O ano de 2012 é especial tanto para a Revista Reação quanto para a Ortobras. Parceiras de longa data, é neste ano que a Reação completa seus 15 anos e a Ortobras festeja seus 30 anos de história. A Revista Reação comemora a data com a certeza de ter realizado um excelente trabalho informativo, veiculando artigos e reportagens sobre as mais variadas deficiências ao longo de suas páginas, fazendo com que a população se conscientize sobre o assunto. Dessa forma, cumpre com a sua missão. A importância de tornar a vida mais fácil e levar a acessibilidade para níveis universais é a missão também da Ortobras. Juntas – e com o mesmo propósito na essência –, Ortobras e Reação lutam por um Brasil mais acessível, mais consciente, mais igualitário.

Parabéns, Revista Reação, por esses 15 anos!


ORTOBRAS HÁ 30 ANOS A VIDA NÃO PARA

www.ortobras.com.br


Se olharmos para 30 anos atrás, perceberemos que o mercado de acessibilidade era praticamente inexistente: a legislação ainda engatinhava no que diz respeito aos direitos dos deficientes físicos, as cadeiras de rodas eram fabricadas com tecnologias e matérias-primas já ultrapassadas e veículos e edificações adaptados para cadeirantes figuravam apenas nos sonhos.    Em setembro de 1982, com o nascimento da Ortobras, com muito orgulho podemos dizer que iniciamos uma revolução em termos de acessibilidade e mobilidade. Lançamos no Brasil o primeiro sistema para adaptação de automóveis mecânicos. Pouco tempo depois iniciamos a produção de cadeiras de rodas com alta tecnologia empregada e com o diferencial de que o produto final se enquadrasse nas medidas e nas necessidades do usuário. Anos mais tarde, passamos a investir na fabricação de elevadores para o transporte coletivo de passageiros, facilitando ainda mais a vida das pessoas com mobilidade reduzida. E, para complementar, adentramos no mercado de acessibilidade em edificações, desenvolvendo elevadores e plataformas práticas, seguras e acessíveis, assegurando a todos os deficientes físicos brasileiros e de diversas outras nacionalidades o seu direito constitucional de ir e vir.    Num mundo em constante transformação, buscamos com excelência e criatividade estar sempre à frente. Por isso, nos próximos 30 anos continuaremos investindo fortemente, de maneira responsável e sustentável, em pesquisas e novas tecnologias para desenvolver produtos inovadores, a fim de proporcionar muito mais do que facilidades e qualidade de vida. Batalharemos para proporcionar a todos os deficientes físicos mais anos de vida. Ortobras 30 anos: se revolucionamos o mercado até agora, imagina nos próximos 30!


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entrevista

Osmar Santos Nessa edição Especial de Aniversário, as tradicionais “Páginas Amarelas” da Revista Reação, que desde a edição Nº 42 - janeiro/fevereiro de 2005, trazem entrevistas com personalidades, autoridades e lideranças que têm sempre muito a dizer sobre as pessoas com deficiência e nosso setor, fazem uma exceção mais do que merecida. Não teremos o tradicional “ping-pong”, com perguntas e respostas nesta edição, como os leitores estão acostumados. Mas a ocasião e o personagem fazem por merecer essa diferenciação no estilo dessa famosa seção da revista. Estivemos visitando novamente um grande amigo, o “pai da matéria”, o “garotinho”, o ex-narrador esportivo e destaque das “Diretas Já”, Osmar Santos. Ele foi o entrevistado na edição de Aniversário do 1º ano de vida desta revista, e agora, em uma forma também de homenagear a todos aqueles que passaram por aqui nesses anos todos de publicação, novamente o trazemos de volta, agora para comemorar conosco os 15 anos de sua revista preferida, mostrando um pouco de sua vida e o seus projetos nesse momento...

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chamado “Pai da Matéria” é um dos principais locutores esportivos que o Brasil já teve. Famoso e capaz, em seu auge, de pronunciar mais de 100 palavras por minuto sem engasgar nenhuma vez. Criador de frases antológicas, como: “Parou por quê, por que parou ?”; “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha” ; “Um prá lá, dois prá cá”; “É fogo no boné do guarda”; “Sai daí que o Jacaré te abraça, garotinho”; “Vai garotinho porque o placar não é seu”; “Xiruliruli, xirulilurá”; “O garoto que não pisa no tomate nem escorrega na maionese”; dentre outras tantas, cunhou também o célebre apelido do jogador Edmundo, como o “Animal”. Além do rádio, sua casa até hoje, Osmar Santos trabalhou nas principais emissoras de TV do país, como nas redes Globo, Record e a extinta Manchete, além do grande destaque que teve nas rádios: Jovem Pan, Record e Globo. Em 1984, foi personagem importante no Movimento das Diretas Já, ao apresentar os comícios que pediam a eleição democrática para a presidência da República, e conseguiu ! Sua carreira foi interrompida, em 22 de dezembro de 1994, por um acidente de carro em uma rodovia do interior paulista. O acidente comprometeu sua parte moto-

ra e a fala. Daquela data até agora, Osmar se reinventou e, mesmo reduzindo seu vocabulário a poucas palavras, continua um comunicador nato: fala ao celular o tempo todo e com seu sorriso, alegria de viver e simpatia incomparáveis, consegue se fazer entender. O artista descobriu uma nova habilidade até então desconhecida, tomando aulas e passando a pintar e expor seus quadros. Encontrar com ele no confortável apartamento em que mora, no bairro de Higienópolis, na capital paulista, não é das tarefas mais fáceis. Sua fiel escudeira, a Toninha, que toma conta da casa há cerca de 7 anos, conta que a agenda do patrão é sempre muito cheia. Pela manhã, Osmar gosta de pintar no atelier montado em um dos quartos do apartamento, onde guarda vários livros de arte, como os dos artistas: Cícero Dias, Gustavo Rosa, Nair Kremer e Rubens Matuck, seu professor de pintura e grande amigo. No momento, por causa da falta de acessibilidade no novo espaço de Matuck, Osmar faz aulas com Sílvio Devoreque. Acabada a sessão diária de pintura, começam as atividades sociais. Ele sai todos os dias, acompanhado do motorista Francisco, com ele há 3 anos: faz fisioterapia três vezes por semana e fonoaudiologia, uma vez. Todos os dias ele ainda vai até a Rádio Globo, onde continua contratado, e que tem um estúdio com seu nome. Lá ele ainda atua na direção esportiva da


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rádio. A ligação com os esportes é de família: os irmãos mais novos Oscar Ulisses e Odnei Edson, começaram como repórteres e, posteriormente, tornaram-se também narradores, assim como o primo Ulisses Costa. O filho de Osmar, Vitor, também é jornalista. A sua outra filha com Rosa Maria, sua ex-esposa, Lívia, mora nos Estados Unidos. O único da família que não enveredou pela carreira jornalística foi o outro irmão, Osório, que é empresário. Osmar Santos é ainda, vice-presidente do Instituto Jogadas da Vida, idealizado por Julio Cesar de Souza, ex-jogador de futebol do Corinthians e da Seleção Brasileira, seu grande amigo, que ficou surdo aos 30 anos e passou a dedicar seu trabalho a educar crianças surdas através do esporte. Osmar costuma ainda ir ao escritório do irmão Ulisses, que também trata de seus negócios. Com uma vida agitada e cheia de compromissos, quase todos os dias há almoços e jantares marcados com os incontáveis amigos de tantos e tantos anos de sucesso e conquistas. Quando perguntado como ele aguenta uma vida tão intensa de compromissos diários, e ainda consegue tempo para pintar e se dedicar à fisioterapia e suas idas à Rádio Globo, Osmar responde sorridente e mostrando o polegar em sinal de positivo: “Bom... muito bom !!!”, ele diz.

Atividades intensas

Osmar adora esses encontros com amigos. A primeira coisa que falou quando chegamos ao apartamento foi: “jantar ontem”! Contando que tinha estado com um candidato a prefeito de São Paulo num jantar, mas que não tinha decidido ainda em quem votar, já que outro candidato, também era “amigo”. Toninha aproveitou para fazer “campanha” para um terceiro, de sua preferência... Osmar sorriu, mas balançou com a cabeça negativamente. Depois falou entusiasmado: “Vaca” ! Mostrando a sua nova série de figuras que está pintando, com auxílio de fotos publicadas em revistas do setor agropecuário. É isso mesmo. Osmar está pintando uma série de “vacas”. São quadros especiais, feitos para serem mostrados na 6ª Feira Internacional da Cadeia Produtiva

do Leite (FEILEITE), que acontece de 19 a 23 de novembro, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo/SP. Seus quadros também estarão expostos na Festa de Aniversário da Revista Reação, em 24 de outubro, no Memorial da América Latina, e na Estação Sé do Metrô paulistano, até 31 de outubro. Na segunda quinzena de novembro será a vez da cidade de Guarulhos/SP, ainda sem espaço definido. Ele gosta de expor e vender suas obras e aproveita todos os espaços possíveis. Entre setembro e 18 de outubro, por exemplo, esteve em Botucatu/SP, no Museu do Café da Fazenda Lajeado, juntamente com a amiga e artista plástica Wânia Rodrigues, curadora da Academia Brasileira de Arte, Cultura e História. Os dois, inclusive, doaram obras para serem leiloadas em prol da construção do Hospital do Câncer da cidade do interior paulista. “Pintura... muito bom !”, afirma Osmar. Ele não para um minuto sequer... fez questão de ligar para Wânia e colocá-la ao telefone para uma conversa conosco. Ela promoveu a primeira exposição para venda dos quadros dele e sempre o leva para várias mostras. Com a amiga Wânia Rodrigues Está captando recursos para editar um livro sobre sua obra, com a participação de outros artistas. “Suas pinturas são lúdicas, cores fortes e marcantes, isso demonstra bem sua personalidade de leonino”, brinca Wânia. O ano até agora teve a participação dele em eventos muitos variados como uma exposição no restaurante Carlinhos, no bairro do Pari, em janeiro; Entre os irmãos: Oscar Ulisses e Odnei Edson. o Carnaval, em que

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entrevista

Com os fiéis escudeiros: Toninha e Chico

desfilou em cadeira de rodas na escola de samba paulistana Dragões da Real; em março, esteve na Vila Belmiro, em Santos/SP, para trocar presentes com o jogador Neymar (entregou uma placa e ganhou uma camiseta e uma flâmula do clube); em junho foi a Sorocaba/SP para receber o título de Cidadão Sorocabano e expor alguns quadros na Câmara Municipal; em julho esteve em Marília/ SP – sua cidade de coração - para abrir a exposição na Galeria Municipal de Artes; no final de setembro, foi ao velório despedir-se da amiga Hebe Camargo. A sua festa de aniversário mais uma vez foi comemorada, como nos últimos 4 anos, no buffet 7 Mares, em São Caetano/ SP, pertencente ao amigo Simon Calcin Neto. Cerca de 500 pessoas compareceram para os cumprimentos, numa noite que terminou com fogos de artifício. Osmar Santos nasceu na cidade de Osvaldo Cruz, interior paulista, em 28 de setembro de 1949. Ele acaba de completar 63 anos... um “garotinho”. “Festa... bom”, comemora.

Paixão pelo futebol

O futebol continua sendo uma paixão. Para a Copa de 2014, amigos e admiradores fizeram uma intensa campanha para que a bola brasileira da Copa fosse batizada de

“Gorduchinha”, como ele carinhosamente a chamava durante suas narrações esportivas. No final, o nome oficial escolhido foi “Brazuca”... “Pena...”, diz Osmar. Mas descontente mesmo ele ficou com as opções para o nome do mascote da Copa 2014, o tatu-bola (Amijubi, Fuleco e Zuzeco): “Muito ruim !”, afirma ele, categórico, expressando a posição da maioria dos torcedores e dos brasileiros, que não concordam com tal expressão de mau gosto. A amiga Wânia sintetiza as opiniões de seus amigos e incontáveis fãs, que até hoje recorrem à internet para ouvir os grandes gols que ele narrou de forma inconfundível e insuperável até hoje. “O Osmar é um ser humano de luz. Com certeza, sua missão não foi interrompida com o acidente que sofreu, apenas mudou seu foco e ele continua sendo o homem da comunicação, emanando alegria onde quer que esteja”, garante a artista plástica.

Um velho amigo

Admirador da Revista Reação, Osmar Santos acompanha a trajetória dessa publicação desde que ela surgiu, em 1997. Acabou se tornando um amigo do editor Rodrigo Rosso, que desde menino, acompanhava Osmar pelo rádio, e ficava com um antigo gravador, tentando repetir o jeito único e irreverente dele narrar as jogadas transmitidas de forma mágica, ouvidas através do velho radinho de pilhas. O ídolo da infância acabou, pela deficiência decorrente do acidente, tornando-se um amigo anos mais tarde, em função desta revista, que hoje comemora 15 anos de vida, e homenageia Osmar Santos, brindando seus leitores com seu exemplo de vida, sua luz, sua energia e seu sorriso. “Bom... muito bom... muito bom !!!”, completa Osmar.


coluna especial

por Romeu Kazumi Sassaki

Intocáveis inclusivos Onde vimos ‘Intocáveis’? Em 14/9/12, a jornalista Lia Crespo e eu fomos à sala 6 do Cinemark, no luxuoso Pátio Higienópolis, em São Paulo/SP, para assistirmos ao filme Intocáveis, sobre o qual cada um de nós sabia apenas o que estava escrito em jornais e revistas. A propósito, constatamos na sala de exibição a seguinte situação: A rampa de acesso, a partir da entrada até a primeira fileira de assentos, é muito boa, com inclinação adequada, confortável para quem usa cadeira de rodas, andador, bengalas e muletas, ou não usa tais ajudas técnicas, mas tem pouca mobilidade. O problema está no fato de que a primeira fileira de assentos fica a menos de três metros da tela panorâmica, Cartaz afixado em cinemas: personagens sorrindo o que configura a famigerada “fileira do gargarejo”, totalmente desconfortável, além de não permitir que o espectador sentado nessa fileira tenha uma visão total da imagem na tela. É necessário mirar os olhos na tela por partes: esquerda, centro, direita, superior e inferior. E, devido a pouca distância entre essa fileira e a tela, é inevitável sermos literalmente bombardeados pelo alto volume das caixas de som instaladas logo atrás da tela. Conclusão: acessibilidade arquitetônica insuficiente, inaceitável. Mas, justiça seja feita, a fileira em si é boa, no sentido de que foram retirados alguns assentos para acomodar cadeiras de rodas.

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‘Intocáveis’: Motivos para ver o filme Os anúncios em jornais e revistas diziam mais ou menos o seguinte: Grande repercussão internacional vem tendo o filme Intocáveis. Elogiada por críticos de cinema e pelo público, esta produção francesa foi lançada em 2011 e chama a atenção por diversos motivos: [1] O título, que nada sugere sobre o conteúdo do filme, fez com que eu me perguntasse: ‘Quem são esses intocáveis?’, ‘Em que sentido são intocáveis?’, ‘Por que um filme com este título está fazendo tanto sucesso de bilheteria onde quer que seja exibido?’. [2] Os anúncios trazem, por exemplo, a sinopse (com grifos meus) dizendo que o filme Intocáveis, em 2011, “em menos de um mês de exibição, já havia contabilizado mais de 10 milhões de espectadores na Europa. O enredo, baseado em fatos reais, gira em torno de um tetraplégico milionário e um homem da periferia que se candidata ao


coluna especial

[4] Pelo sim ou pelo não, o filme parecia servir para um debate sobre a prática da inclusão social sob o aspecto socioeconômico e tendo por interface pessoas com deficiência e pessoas sem deficiência.

No filme de Devillers, é retratado “o improvável encontro entre o rico tetraplégico que sou eu e o jovem de origem árabe da periferia de Paris, Abdel. Contrariando todas as expectativas, esses dois homens se ajudariam mutuamente durante anos. A história despertou o interesse dos cineastas”, escreveu Philippe no seu segundo livro, referindo-se a Nakache e Toledano (BORGO, p.11). Assim, o filme de 2011 começa com a sequência do ‘improvável encontro’, em formato de entrevista de seleção, protagonizado pelos atores François Cluzet (que interpreta Philippe) e Omar Sy (no papel de Driss ou, na vida real, Abdel Yamine Sellou), além de outros atores no papel de candidatos ao cargo de atendente pessoal. “Respondendo ao anúncio passado pela agência nacional de emprego”, apresentaram-se 90 candidatos, inclusive Abdel. Este início de filme é bastante interessante, focalizando a principal pergunta feita pela entrevistadora a todos os candidatos, enquanto Philippe discretamente observa tudo de perto, sem interferir: “Qual é a sua motivação para ter este emprego?”. As motivações são as mais variadas, mas nenhuma é relevante, com exceção da apresentada por Driss. A resposta de Driss foi surpreendente. Enquanto os outros candidatos se esmeravam alegando motivos ‘humanitários’ (piedosos, piegas, paternalistas) e até experiência com pessoas idosas fragilizadas por doenças graves etc., Driss ― com sua maneira de falar despojada, autêntica, simples, mas assertiva ― tira do bolso um atestado padrão, entrega-o para a entrevistadora e diz: “Preciso deste atestado de comparecimento a entrevista, assinado, para poder renovar o meu auxílio-desemprego”. Neste momento, o espectador toma conhecimento da personalidade de Driss e estabelece com ele o rapport e a empatia. O processo seletivo foi eliminando os candidatos até restarem apenas Driss e o único candidato francês. Esta sequência, inspirada no primeiro filme (2002), foi inserida no segundo livro de Philippe (BORGO, 2012, p.103-104). O filme, então, prossegue com o roteiro cinematográfico que serviu, também, para Philippe escrever o Prefácio e o Livro II dessa mesma edição de 2012 (BORGO, p.11-14, 165-230), lançada em Paris na pré-estreia do filme Intocáveis. Não há menção ou diálogo, no filme, que esclareça o significado da palavra-título ‘intocáveis’.

‘Intocáveis’: Os filmes É necessário deixar claro que o filme Intocáveis é uma adaptação de apenas uma pequena parte do livro para o cinema. Além disso, são dois filmes e três livros. Sobre os livros, leia a próxima seção. O filme de 2011 foi dirigido pelos franceses Olivier Nakache e Éric Toledano, tendo como base outro filme, o documentário À la vie, à la mort (2002), de apenas uma hora de duração, que foi dirigido por Jean-Pierre Devillers. Tal base foi complementada com o roteiro cinematográfico elaborado em 2010/2011 por Nakache e Toledano, sob a supervisão do próprio Philippe Pozzo di Borgo, cuja história de vida é o tema do filme Intocáveis.

‘Intocáveis’: Os livros São dois os livros escritos por Philippe Pozzo di Borgo e um escrito por Abdel Sellou. No dia seguinte ao da ida ao cinema, comprei o segundo livro de Philippe e o livro de Abdel. E os devorei sem parar e usando um marcador de texto. O primeiro livro de Philippe tinha por título O segundo suspiro (Le second souffle),

cargo de enfermeiro. No filme, ele é representado pelo excelente ator negro Omar Sy o grande astro do filme. Por mais curioso que possa ser, o encontro desses dois homens marginalizados, cada um com suas dores e frustrações, serve de pretexto para uma comédia com vocação para o politicamente incorreto, mas que é conduzida num tom surpreendentemente justo” (29HORAS, p.80). A construção gramatical ‘um tetraplégico milionário’, ainda frequentemente utilizada, poderia ser substituída por ‘uma pessoa com tetraplegia, milionária,’. A expressão ‘um homem da periferia’ é um flagrante eufemismo que muitos usam para evitar, sem sucesso, o realismo do termo ‘um homem pobre’. Quando li a palavra ‘enfermeiro’, imediatamente tive a suspeita de que ela não seria o termo correto. Confrontando-a com a foto (ver abaixo) que acompanha o anúncio, logo entendi que o cargo seria o de ‘atendente pessoal’ (SNPD, 2012). A sinopse também errou ao se referir ao gênero do filme como sendo ‘comédia’; outras sinopses dizem acertadamente que é ‘drama’, tratado, sim, pelos atores e diretores com excelente habilidade nas situações tanto sérias como divertidas. [3] Dentre as fotos que acompanham os anúncios, despertando a curiosidade para assistirmos ao filme, a mais frequente é a reproduzida a seguir (29HORAS, p.80):

Pessoa em cadeira rodas e seu atendente pessoal, alegres, atravessam correndo uma ponte sobre o rio Sena.

Capa do livro de 2012: personagens passeando na neve.

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coluna especial foi publicado alguns anos atrás e hoje se encontra esgotado. Assim que ficou decidida a filmagem de Intocáveis, o diretor editorial das Éditions Bayard, Frédéric Boyer, propôs a Philippe a reedição daquele livro para ser vendido durante o lançamento do filme. Assim nasceu o segundo livro, tendo por título em francês Le second souffle suivi du diable gardien, traduzido para o português como O segundo suspiro (sem o complemento ‘suivi du diable gardien’) e publicado pela editora Intrínseca em 2012. Não há explicação do tradutor Mauro Pinheiro sobre a supressão do complemento.

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O QUE É ‘SEGUNDO SUSPIRO’ Philippe explica a que se refere o ‘segundo suspiro’ (com grifos meus): “No meio desse fiasco, ainda ouso acreditar. A distância entre o que vivo atualmente e a felicidade com a qual eu conto faz nascer em mim a esperança. A deficiência e a doença são fratura e degradação. Nesses momentos em que percebemos o termo da vida, a esperança é um sopro vital que se amplifica; inspirá-lo da maneira correta é como retomar o fôlego num segundo suspiro. Os maratonistas conhecem o segundo suspiro. É uma espécie de estado de graça. A respiração se suaviza, torna-se mais profunda, a dor desaparece. Eu estive sufocado durante 42 anos. Nós nos sufocamos ao nos precipitarmos, ao querermos ser os melhores, os primeiros. Aqueles que respiram melhor, ao cabo de vinte ou trinta quilômetros, são aqueles que visualizam a chegada. A meta é o banquete divino, o amor reencontrado. Essa visão da chegada é essencial. Nunca se corre uma maratona sozinho.” (BORGO, p.114-115) Philippe responde: “O segundo suspiro”, quando lhe perguntam qual título gostaria de dar à sua conferência, que ele ministraria para cerca de 500 pessoas dali a três meses. “Ótimo, anunciaremos o segundo suspiro de Philippe e Béatrice Pozzo di Borgo”, acrescenta a organizadora da conferência. “Não. Será o segundo suspiro de Béatrice e Philippe”, corrige Philippe. “Por que Béatrice e Philippe? Em minha extrema fraqueza, percebo o quanto a doença [câncer da medula óssea] de Béatrice permite que eu me adapte à invalidez com uma facilidade incomum. Eu me ausento, mas não desanimo. Não é nem um sentimento de culpa em relação a uma mulher que sofreu e resistiu ao longo de quinze anos, nem um sentimento de orgulho deslocado, que me obrigaria a igualar-me a ela. Não, é essa confiança que ela extrai do fundo de si mesma. Enquanto houver energia, nossa vida é uma beleza em si, e seria lamentável não a apreciar. É esse mesmo olhar que, após um mês de coma [devido ao acidente de parapente], me recebe no meu acordar. Como exprimir o segundo suspiro sem iniciar por Béatrice? Aos poucos, a vida, o sofrimento, as verdadeiras alegrias, o prazer de falar, a beleza, se infiltraram em mim. Quantas noites passadas a seu lado, a pensar no mundo, como se ela fosse minha chave de acesso!” (BORGO, p.116) Philippe ficou com tetraplegia após queda de parapente em 23 de junho de 1993. Sua esposa, Béatrice, após longos anos de luta contra o câncer, morreu em 3 de maio de 1996. (BORGO, p.17)


coluna especial POR QUE ‘INTOCÁVEIS’? Diz Philippe sobre ele e Abdel: “Somos ambos ‘intocáveis’ em diversos aspectos. Abdel, de ascendência do Norte da África, sentiu-se marginalizado na França tal como a classe dos intocáveis na Índia. Não se pode ‘tocar’ nele sem o risco de levar um soco, e ele corre tão rápido que os tiras repetindo sua palavra conseguiram pegá-lo apenas uma vez em sua longa carreira de delinquente. Quanto a mim, atrás dos altos muros que cercam minha mansão em Paris minha gaiola dourada, como diz Abdel, abrigado da necessidade graças à minha fortuna, faço parte dos ‘extraterrestres’, nada pode me atingir. Minha paralisia total e a ausência de sensibilidade me impedem de tocar o que quer que seja; as pessoas evitam até roçar a minha pele, tamanho o medo que lhes causa minha condição física, e ninguém pode me tocar o ombro sem desencadear dores lancinantes. ‘Intocáveis’, portanto.” (BORGO, p.12)

POR QUE ‘DIABO GUARDIÃO’? De acordo com Philippe, Abdel é “insuportável, vaidoso, orgulhoso, brutal, inconstante, humano. Sem ele, eu estaria morto por decomposição. Abdel cuidou de mim sem cessar, como se eu fosse um bebê de colo. Atento ao menor sinal, presente em todas as minhas ausências, ele me liberou quando fiquei preso, me protegeu quando eu estava fraco. Ele me fez rir quando eu não aguentava mais. Ele é meu diabo guardião”. (BORGO, p.108) Em outro trecho, Philippe continua: “Abdel é o diabo guardião que, depois de seus anos de transgressões, se tornou esse improvável ajudante de vida. Esse delinquente hostil a todos, rebelde a tudo, atualmente está casado e é pai de três filhos. Ele criou uma empresa que lhe oferece a deliciosa satisfação de prender em gaiolas os frangos e não ser mais aquele que corre para escapar da prisão”. (BORGO, p.168)

ABDEL, O DIABO GUARDIÃO Philippe reservou grande parte do livro para narrar diversas passagens em que Abdel atuou como seu atendente pessoal (p. 13-14, 104-108, 120-124, 131, 134-141, 156, 159, 163199, 209-221). Várias dessas passagens aparecem também no filme como, por exemplo, o episódio do carro: “Um dia, partimos para Dangu, para acompanhar a obra de parte da construção do século XVIII que estou restaurando. Abdel ‘dirige’ o canteiro. O Rolls-Royce avança a quase duzentos quilômetros por hora na autoestrada. ‘Dá para ir mais rápido. Ainda tem espaço para pisar mais no acelerador’. ‘Abdel, não fique muito próximo dos carros à sua frente e mantenha os olhos abertos, por favor!’. ‘Merda, tem uns tiras no pedágio’ observa ele. ‘Golpe da urgência médica?’ pergunta Abdel, inclinando o encosto da cadeira de rodas. O policial manda Abdel parar no acostamento. Fecho os olhos e desempenho meu papel. ‘O senhor estava a 250’. ‘É uma emergência, este senhor aqui está tendo um ataque de hipertensão’. Eu solto um gemido. Abdel ergue minha mão e a larga, assinalando a paralisia. ‘Se não desentupirem os canos em um minuto, a cabeça dele vai explodir’ acrescenta, apontando para minha credencial de deficiente no vidro do carro. Há uma hesitação e uma consulta entre os policiais. Eles aparecem com duas motocicletas e nos abrem caminho a toda velocidade até o hospital de Vernon. ‘Como a gente se diverte’ exulta Abdel. No hospital, um dos policiais alerta o funcionário da emergência. Abdel instala as almofadas antiescaras sobre a maca e me retira do carro sob os olhares atordoados dos meganhas. ‘Vocês não têm um travesseiro para segurar a cabeça dele?’ele pergunta ao maqueiro. Ao de jaleco branco, que se aproxima, diz: ‘É preciso fazer um cateter subpúbico, trata-se de um bloqueio vesical’. Ele me dá vários tapas no rosto para fazer o sangue voltar à face. Os policiais se despedem e se vão. Abdel está muito atarefado e não responde. ‘Abdel, não se aproveite’ eu murmuro e, depois, mais alto: ‘O que foi que aconteceu, Abdel? Minha cabeça está doendo?’. ‘Ah! O Sr. Pozzo está voltando a si? Não foi nada, deve ter se desbloqueado no caminho’. E, virando-se para o enfermeiro: ‘Pode me abrir a porta do carro, por favor?’. E ele me põe novamente dentro do automóvel.” (BORGO, p.173-175)

GRATIDÃO DE PHILIPPE “Eu agradeço a Abdel, que me assistiu [atendeu] desde a saída do hospital, há quase vinte anos. Muito presente no momento da morte de Béatrice, ele me acompanhou durante esses anos difíceis com meus filhos, e por várias vezes me salvou a vida, até me conduzir ao Marrocos, onde meus olhos puderam encontrar Khadija. Eu redescobri o gosto da felicidade.” (BORGO, p.168). Khadija é a segunda esposa de Philippe, que a conheceu em 2004 (BORGO, p.12). LIVRO DE ABDEL Logo após o sucesso internacional do filme Intocáveis, que foi todo baseado em material produzido por Philippe Pozzo di Borgo, constatou-se que muita gente queria saber mais sobre a vida de Abdel Yamine Sellou, porém contada do ponto de vista dele mesmo. Foi assim que, com a colaboração de Caroline Andrieu, Abdel escreveu o livro Você mudou a minha vida (Tu as changé ma vie), traduzido por Mauro Pinheiro e publicado pela editora Record, com o prefácio de Philippe di Borgo. Se o texto de Abdel Sellou fosse um alimento, eu diria que ele é saborosíssimo. De qualquer forma, é gostoso ler este livro. Recheado de histórias realmente vividas pelo autor e narradas com despojo e sinceridade, Você mudou a minha vida foi escrito depois que Abdel assistiu ao filme. Várias histórias são as mesmas que foram mostradas no filme, porém contadas agora pelo próprio Abdel. No prefácio, Philippe incluiu este parágrafo: “Abdel, você sempre me surpreenderá... Que felicidade ler Você mudou a minha vida. Reencontro aqui seu humor, seu senso de provocação, sua sede de viver, sua delicadeza Capa do livro de Abdel: Personagens conversando frente ao mar. e, agora, sua sabedoria. (...)

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coluna especial O que tenho certeza é de que ele mudou a minha vida. (...) E então, um dia, ele me levou ao Marrocos... Lá conheceu sua esposa, Amal, e eu encontrei minha atual companheira, Khadija. Desde então, nós nos vemos regularmente, acompanhados dos nossos filhos. Os ‘intocáveis’ se tornaram ‘titios’.” (SELLOU, 2012, p.11) TERMINOLOGIAS Não posso afirmar que o próprio autor usou termos incorretos ou que o tradutor substituiu os termos corretos. Portanto, vou partir da suposição de que a tradução está fiel às palavras escritas em francês. Por exemplo, Philippe se refere a Abdel como ‘meu assistente’ (p.24, 28), ‘meu diabo guardião’ (p.14, 108), ‘improvável ajudante de vida’ (p.168), ‘meu auxiliar de vida’ (p.13). Mas, nunca como ‘enfermeiro’ (29HORAS, p.80), “auxiliar de enfermagem’ (FOLHA GUIA, p.22), ou ‘cuidador’ (FOLHA DE S.PAULO, p.48). Pois Philippe contratou outros profissionais para atuarem como ‘enfermeiros’ e ‘auxiliares de enfermagem’ (BORGO: Marcelle, p.28; Emmanuela e Fabienne, p.148) ou ‘fisioterapeuta’ (BORGO: Marc, p.157). Philippe tem mais uma ‘assistente’ (BORGO: Laurence, p.172) Philippe se refere a si mesmo como ‘tetraplégico’ (p.11, 96, 150, 167, 172, 178); ‘deficiente físico’ (p.147); ‘deficiente’ (p.181); ‘inválido’ (p.117, 173, 183); e à sua deficiência como ‘invalidez’ (p.116) e ‘deficiência’ (p.114). Por duas vezes, consta a tradução ‘cadeira de rodas elétrica’ (p.149, 209), em vez do termo correto ‘cadeira de rodas motorizada’. Na página de créditos, aparece a tradução ‘Quadriplégicos’ (p.4), no lugar de ‘Tetraplégicos’. Melhor ainda seria se constasse ‘Tetraplegia’ em vez de ‘Quadriplégicos’.

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‘Intocáveis’: A inclusão social Vários críticos de cinema se manifestaram sobre este filme (por ex., CAMARGO, 2012; COUTO, 2012), mas a melhor opinião, para mim, foi a de Mariana Keller. Um trecho de sua ótima análise: “Intocáveis é daqueles filmes que fazem você se sentir leve e esperançoso. Um dos poucos filmes em que não vi uma pessoa sair do cinema sem um sorriso no rosto. Um filme que mistura drama sutil com humor inteligente e piadas certeiras, e que representa uma quebra de paradigmas para o cinema francês e, principalmente, para a conscientização das pessoas a respeito da inclusão. Porque inclusão social eficiente é enxergar o outro além da deficiência. Não há limitações para um coração cheio de sonhos.” (KELLER, 2012) Na contracapa de Você mudou a minha vida, o editor diz que o livro mostra como o carisma e a habilidade de Abdel (“alguém à margem da sociedade”) conseguiram simplificar e dar uma nova cor à difícil vida de Philippe (um riquíssimo homem com tetraplegia) e como Abdel (“um jovem problemático”) “se tornou algo que ninguém poderia imaginar: uma solução”. Mas, mesmo após ter sido tudo isso, Abdel afirma convictamente que foi a sua vida que mudou, graças a Philippe. Ou seja, é a inclusão social na prática: todos se beneficiam mutuamente numa sociedade inclusiva. Tendo assistido ao filme e lido os livros de Borgo e Sellou, fiquei convencido de que Intocáveis servirá plenamente para um debate ou treinamento sobre a prática da inclusão social sob o ponto de vista socioeconômico, considerando a interface


coluna especial “pessoas com deficiência e pessoas sem deficiência”. No filme, como nos livros, não há concessões à pieguice, à imagem do ‘deficiente coitadinho’ e à imagem do ‘ajudador bonzinho’. Por outro lado, há evidências de que, do trabalho de atendentes pessoais como Abdel e de pessoas com deficiência como Philippe, podem surgir amizades verdadeiras e duradouras. Os intocáveis podem se tornar inclusivos. OPINIÃO O filme é bem humorado e os personagens são bem construídos e interpretados. Sem apelar para sentimentalismo barato, nem imagens preconceituosas, o filme mostra a complexidade e a delicadeza do relacionamento, que existe na vida real, entre pessoas com deficiências severas e seus atendentes pessoais. O desenvolvimento da história mostra que o deficiente mantém intacto o seu empoderamento e, por isso mesmo, aceita as brincadeiras do atendente, no contexto da amizade e por senso de humor. Até porque é o comportamento isento de condescendência e piedade do atendente que o torna tão querido e especial.

Lia Crespo E-mail: lia.crespo@gmail.com Referências

BORGO, Philippe Pozzo di. O segundo suspiro (Título original: “Le second souffle suivi du diable gardien”). Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012, 230 p. CAMARGO, Lúcia Helena de. [Análise do filme “Intocáveis”]. (disponível em http://www.dcomercio.com.br/especiais/dcinema/ filmes/intocaveis/index.html). Acessado em 15/9/12. COUTO, Gigi. [Análise do filme “Intocáveis”]. (disponível em http://portal.julund.com.br/filmes/filme-intocaveis). Acessado em 15/9/12. FOLHA DE S.PAULO. São Paulo [... milionário Philippe contrata o jovem problemático Driss para ser seu cuidador...]. 16-22/9/12, p.48. FOLHA GUIA. [... um multimilionário precisa de um auxiliar de enfermagem. O contratado é Driss, um ex-presidiário.]. 14-20/9/12, p.22. KELLER, Mariana. Uma aula de inclusão social. (disponível em http://www.livrosebolinhos.com/2012/09/filme-intocaveis/). Acessado em 15/9/12. NAKACHE, Olivier; TOLEDANO, Éric. Intocáveis (Título original em francês: “Intouchables”; filme com os atores François Cluzet e Omar Sy). França, 2011. Assistido em 14/9/12. SELLOU, Abdel. Você mudou a minha vida (Título original: “Tu as changé ma vie”). Rio de Janeiro: Record, 2012, 239 p. SNPD. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Artigo 19, caput, parágrafo ‘b’. Brasília: SNPD-SDS/ PR, 4ª ed., 2012. 29HORAS. Da França para o mundo. [... que se candidata ao cargo de enfermeiro.]. 31/8/12, p.80.

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Romeu Kazumi Sassaki é consultor e autor de livros de inclusão social E-mail: romeukf@uol.com.br


por Alex Garcia

espaço aberto

Acessibilidade

C

Surdocegueira, Multideficiencia e Doença Rara

olegas da Revista Reação, ao elaborar essa reflexão, objetivo obter e transmitir brevemente a relação causal e o sentido fático, por assim dizer, entre Acessibilidade, Pessoas Surdocegas, Pessoas Multideficientes e Pessoas com Doença Rara. Desta forma, postular considerações a cerca da Acessibilidade destas Pessoas significa destacar a Acessibilidade em seus sentidos, conceitos, práticas e finalidades, de uma forma altamente específica, de caráter individual e indivisível. Acessibilidade de caráter individual e indivisível inerente às necessidades que estas pessoas apresentam. A Surdocegueira, a Multideficiência e a Doença Rara, até mesmo em suas características leves, possuem um potencial poder retaliativo da estrutura e desenvolvimento humano. Estas características podem ser em parte transformadas, à medida que a Acessibilidade, em seus diversos campos de atuação, for desenvolvida e colocada em prática. Para nós, Pessoas Surdocegas, Pessoas Multideficientes e Pessoas com Doença Rara, a Acessibilidade em um primeiro momento é a ferramenta para nossa Inclusão Social. Se destacarmos a Inclusão Social, significa dizer que almejamos a igualdade de oportunidades em todos os campos sociais. Para termos igualdade de oportunidades, a acessibilidade deve promover nosso direito à comunicabilidade ou a nos comunicar que é diferente do direito à comunicação. A acessibilidade, através de seus mecanismos de atuação e promoção, deve nos possibilitar o acesso à comunicabilidade, através de meios, respeitando e considerando nossas dificuldades e características plurais, mas ao mesmo tempo, individuais, que possuímos em nossa comunicabilidade. Emergindo do direito a comunicabilidade, a acessibilidade naturalmente estará garantindo ou tornando acessível, o direito a livre expressão, de nós, Pessoas Surdocegas, Multideficientes e Pessoas com Doença Rara. Livre expressão que constantemente nos é negada. Livre expressão negada significa considerar que nosso direito à convicção também nos será subtraída. Havendo negação de nosso direito à convicção estaremos negligenciando um preceito fundamental da humanidade para com as Pessoas Surdocegas, Multideficientes e Pessoas com Doença Rara. Em síntese, a Acessibilidade, se desenvolvida dentro de parâmetros legais, éticos e morais, relegando fundamental importância ao pleno desenvolvimento humano, poderá

em um médio prazo modificar as relações existentes atualmente, entre nós e o ambiente social circundante. Dessa forma, poderemos passar de modelos conservadores e excludentes, fundamentados no modelo médico e na cultura do corpo normalizado, a modelos Inteligentes e excludentes, fundamentados no modelo social. É neste sentido que nós, Pessoas Surdocegas, Multideficientes e Pessoas com Doença Rara consideramos a Acessibilidade. Acessibilidade; acesso; direitos; e, deveres, para que possamos crescer em nossa identidade e cidadania, embasando de forma potencial a participação e consideração social-humanitária do meio que estamos inseridos. E com satisfação, parabenizo a Revista Reação pelos 15 anos. Momento histórico trilhado com garra e entusiasmo por todos e todas, organizadores, colunistas, colaboradores e leitores, que fazem da Reação uma das mais brilhantes ferramentas de inclusão social do Brasil. Enfim, vamos bradar parabéns a Revista excelência Reação.

Alex Garcia é gaúcho e Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Especialista em Educação Especial. Autor do livro “Surdocegueira: empírica e científica”. Vencedor do II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga/RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência pela Mobility International USA/MIUSA. Membro da Federação Mundial de Surdocegos. Site: www.agapasm.com.br E-mail: contato@agapasm.com.br

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associações e entidades

ABRASO Entidade chega aos 27 anos na defesa dos ostomizados...

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aniversário da ABRASO - Associação Brasileira de Ostomizados (www.abraso.org.br/) será no próximo dia 16 de novembro, data que foi escolhida para ser comemorada como o Dia Nacional do Ostomizado, a partir da Lei nº 11.506, de 2007. Desde dezembro de 2004, pelo Decreto 5.296, a ostomia ou estomia é considerada como deficiência física - abertura cirúrgica para construir um novo caminho para o exterior, no caso da saída das fezes ou urina, faz com que a pessoa precise usar uma bolsa coletora. Quando nasceu, o objetivo principal da entidade era propor uma Política Pública de Atendimento à Pessoa Ostomizada, além de fortalecer as Associações de ostomizados nos Estados e Municípios. A partir da Portaria Nº 400 do Ministério da Saúde, assinada em 16/11/2009, a política foi definida. Hoje a ABRASO tem sede própria no centro do Rio de Janeiro e reúne associações de 16 Estados: Acre, Pará, Roraima, Piauí, Maranhão, Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina. Além dos municípios de Pouso Alegre/MG, Araçatuba, Marília, Campinas, Taubaté e São José do Rio Preto (SP), Campos, Friburgo, Mendes e Maricá (RJ). Também aceita filiação de pessoas físicas, onde não existe nenhuma associação de ostomizados. “O Decreto Nº 5.296 foi um resgate da invisibilidade dos preconceitos enfrentados pelas pessoas ostomizadas, desde bebês até idosos”, afirma Candida Carvalheira, atual presidente. A Portaria Nº 400 lançou as Diretrizes Nacio-


associações e entidades nais para orientar estados e municípios a organizar os serviços prestados a esses pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS). “Os governadores e prefeitos, muitas vezes, não cumprem a lei, deixando essa parcela da população sem assistência, necessitando do poder judiciário para mandatos de entrega de bolsas coletoras, que as Secretarias de Saúde também não respeitam”, conta a presidente. Professora aposentada, ela lembra que quando ficou ostomizada, em 1980, pouca gente sabia o que isso significava. Não havia associações, nem concessão de bolsas pelo governo e profissionais de saúde que soubessem manejar as ostomias. “Hoje temos a concessão de bolsas coletoras pelo SUS sem comprovação de renda. Existem três empresas multinacionais de fabricantes de bolsas coletoras e uma empresa nacional. Já há diversas escolas de estomaterapia pelo país, especialização da enfermagem nos cuidados e tratamentos. Somos reconhecidos como pessoa com deficiência, portanto, participamos das cotas de trabalho, passe livre no transporte e outros direitos”, conta. Uma das lutas da ABRASO é o cumprimento da Portaria 400 em todo país. As outras são pela legalização do banheiro adaptado para as pessoas ostomizadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); exigir dos planos e seguros de saúde a concessão de bolsas aos segurados e aprovação do Projeto de Lei Nº 5.384, do Símbolo da Pessoa Ostomizada, e do Projeto de Lei Nº 5409, de isenção de Imposto de Renda para as pessoas ostomizadas, devido a Retocolite Ulcerativa Inespecífica, Doença de Crohn e Polipose Multifamiliar. “Realmente conseguimos avanços nesses 27 anos, na medida que não tínhamos nada. O progresso da medicina, com ajuda da tecnologia para obter o diagnóstico e o reconhecimento dessas pessoas ativas para o seu processo de reabilitação nos espaços dos Conselhos de Direitos são fundamentais. É preciso defender o SUS para todos e exigir do poder público o respeito às entidades surgidas pelos anseios do grupo, enfrentando as dificuldades para competir com toda sociedade”, conclui a presidente da entidade.

por Tatiana Rolim

crônica

Inspiração do Autor Tecnologia para o Respeito e Inclusão

N

ão é de hoje que os autores transcrevem em palavras, as mais doces, árduas e envolventes, histórias a partir da inspiração. Escrever é estar em contato com o outro, é levar uma experiência minuciosa em detalhes que prenda o leitor e que preencha sua ânsia pela leitura. Que antecipe seu desejo e realize uma satisfação. É quase um “ato” a dois: o leitor e o escritor. É como o desejo... não tem dia, não tem hora para acontecer, nem para quantas vezes acontecer. Hoje, por exemplo, escrevi várias crônicas. Há períodos em que não escrevo, não produzo, não gozo de palavras e inspirações Comecei meus esboços literários com “batatinha quando nasce”... aquele “beabá” da literatura, já admirando Jorge amado, mas com uma memória curta de citar quem é quem nesse extenso cenário cultural e admirável dos nossos escritores. Mas nada disso interferiu no meu ritmo acelerado também de escrever.

E- S- C – R –E – V – E –R

Iniciava com folhas, papel e caneta, da forma mais primitiva, depois, repassava atentamente cada página para uma máquina de escrever, e hoje, quando me vejo pronta pra escrever, já estou diretamente conectada a um computador. Daqui há algum tempo ele simplesmente vai captar minha intenção de escrever e quando eu chegar em casa depois de uma rotina intensa de trabalho, terei no desktop uma pasta com o nome:  texto de hoje !!! E lá vou eu, assim como o  leitor, estar presa aos registros, com a sensação de um orgasmo de sempre querer mais. As palavras, nascem assim, como agora, despretensiosamente... Ao sol, me vi pronta pra escrever, d-i-g-i-t-a-r... Já que  a tecnologia ainda não capta meu pensamento. E quantas coisas ainda, teremos que esperar até que um dia efetivamente a inclusão esteja autônoma, acontecendo em todos os cantos e sem tantos esforços para que possamos ser respeitados: nas ruas, nas vagas de pessoas com deficiência reservadas em estacionamentos, em filas de comércios, em pontos de ônibus... sinalizando para o motorista parar. Em banheiros adaptados para não serem utilizados por “andantes” que rudemente afrontam pelo olhar quando você está minutos à porta esperando o cidadão sair em tempo de te acontecer um “vazamento” pelo descontrole esfincteriano, característico em alguns tipos de deficiências. Será que vamos ter esperar ate a tecnologia captar pensamentos, com a velocidade das nossas intensões, para que de fato ao parar para estacionar numa vaga reservada o outro já se antecipar de que: não pare ! Esta vaga é destinada a pessoas com deficiência e mobilizada reduzida ! Seria ótimo se isto já estivesse acontecendo, no entanto, nem Bill Gates, nem o homem do Facebook, ainda projetaram algo que nos conecte ao mundo levando respeito, cidadania e reconhecimento... pelo menos, “ainda não”... Estes princípios deveriam, de fato, vir da família, da escola. Mas de que forma, se  hoje vemos tantos fragmentos destas instituições ? De toda forma, vou mandar um email para o Bill... quem sabe antecipe-se para atender a demanda dos milhões de internautas que utilizam-se  dos seus serviços ? Imagino que o email seja: blábláblá@billgates.usa... Alguém usa ? Porque ainda é assim que tem que ser, buscarmos formas de ser ouvidos, enfrentar barreiras para levarmos mensagens de respeito de algo que era para ser normal Tatiana Rolim é psicóloga, escritora e ? Quem sabe se o Blueconsultora em inclusão social e autora dos toof do respeito existir, livros “Meu Andar Sobre Rodas” e “Maria de podemos levar informaRodas – Delícias e Desafios na Maternidade ções e atitudes de cidadania, mesmo aos que de Mulheres Cadeirantes”. não nos aceitam...

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movimento

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Foto: Arquivo Novo Ser

Foto: Arquivo Novo Ser

Comemorações marcam Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência !!!

garemos novamente uma Carta Manifesto ao governo, bem como aos Conselhos e Comissões de Defesa de Direitos, tendo como meta o cumprimento das reivindicações elencadas no documento, cobrando o direito de ir (estar) e vir de forma plena, e busca de uma sociedade mais digna e justa. Uma cidade que se intitula ‘Olímpica’ não pode permanecer com tantos descasos”, afirmou a diretora do Instituto, Nena Gonzales.

Foto: Arquivo Novo Ser

No Rio de Janeiro, no dia 23 de setembro, foi realizada a 5ª edição da Passeata do Movimento Superação, uma parceria com o Instituto Novo Ser. Cerca de 500 pessoas desfilaram pela Orla de Copacabana, entre pessoas com deficiência, familiares e simpatizantes. “Realizamos uma manifestação pacífica e entre-

Mesmo com vento frio e garoa fina, no próprio dia 21, em São Paulo houve manifestação na Praça do Patriarca, região central da capital, organizada pelo Coletivo dos Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência da CUT Brasil, da CUT/SP e de diversos sindicatos como Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Metalúrgicos do ABC e SindSaúde-SP. O objetivo foi chamar atenção para as dificuldades enfrentadas no cotidiano e apresentar as reivindicações da Central na luta pela inclusão no mercado de trabalho e por políticas públicas inclusivas de educação e saúde. Para Adriana Magalhães, secreFoto: Kika de Castro

No Rio...

Em São Paulo...

Foto: Kika de Castro

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árias cidades brasileiras celebraram a data do dia 21 de setembro – DIA NACIONAL DE LUTA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA - instituída pelo movimento social em Encontro Nacional realizado em 1982 e oficializada em 14/07/2005, pela Lei nº 11.133. A razão da escolha é pelo Dia da Árvore e entrada da Primavera, remetendo à simbologia do nascimento das reivindicações de cidadania e participação plena em igualdade de condições da pessoa com deficiência.

Exposição em São Paulo

Atriz e modelo com Nanismo Juliana Caldas


movimento

Foto: Kika de Castro

Foto: Kika de Castro

Outras cidades

tária de Imprensa e Comunicação da CUT/SP: “os movimentos sociais e a Central têm a obrigação de cobrar dos governantes que a cidade tenha acessibilidade para todas as pessoas, principalmente no transporte coletivo e nas vias públicas”. No dia 18 de setembro, o SENAC Santana – zona norte da capital - comemorou a data antecipadamente, e promoveu uma série de palestras sobre inclusão social para seus alunos e funcionários. A fotógrafa especializada em PcD, Kika de Castro, e a atriz ww, estiveram presentes falando sobre a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho da moda e publicidade, ilustrando a palestra com fotos registradas pala agência de Kika. O evento também contou com a participação de Antônia Yamashita que falou sobre sua trajetória de vida e os obstáculos enfrentados e vencidos com o filho Lucas, que tem paralisia cerebral. O Metrô também comemorou a data abrindo em 10 de setembro, na Estação Sé, a exposição “Vidas em Cena”, mais uma vez com fotos de Kika de Castro, e outros fotógrafos. De 10 a 30 de outubro, a mostra estará na Estação Vila Madalena e, de 10 a 30 de novembro, na Estação Tiradentes. No Dia Nacional de Luta, a exposição recebeu a banda “Só Resenha”, cujos integrantes participaram como modelos de uma das fotos, já que Júlio Teruyu é amputado de membro inferior. Mais informações em www.imagemeinclusao.com.br.

Em Macapá/AP, mais de 5 mil alunos de aproximadamente 40 escolas estaduais percorreram as ruas do centro no dia 21, com o objetivo de chamar a atenção da população para o Dia Nacional de Luta. A iniciativa fez parte de uma série de eventos durante a semana com o tema “Inclusão: a diferença é que nos move”, promovida pela Secretaria de Estado da Educação, por meio do Núcleo de Educação Especial. A cidade de Aracaju/SE comemorou com a 6ª Semana da Acessibilidade, iniciada em 17 de setembro. No dia 21 foi plantada uma muda de Pau-Brasil na praça da Bandeira, no centro da capital sergipana, pelo Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Aracaju, com apoio da Empresa Municipal de Serviços Urbanos. O ato público em comemoração à data antecipou uma caminhada que reuniu pessoas com deficiência de várias entidades do Estado. O palco principal das atenções em Salvador/BA foi o Jardim do Palácio da Aclamação, em Campo Grande, que apresentou uma diversidade de atrações artísticas de dança, literatura de cordel, música, teatro e mostra fotográfica, dentro do Casulo de Artes Inclusivas. Na luta por conquistas, 21 instituições se uniram para celebrar a data e convocar a sociedade para apoiar suas reivindicações. A ação em Recife/PE foi no Shopping Plaza, em Casa Forte, que colocou cadeiras de rodas fixadas nas paredes, em locais estratégicos do edifício garagem para chamar a atenção dos motoristas que costumam estacionar em locais inadequados. Mensagens ressaltaram a data e mostraram que as pessoas com deficiência têm direito a uma vida de inclusão total na sociedade: “Quando falta respeito, faltam vagas”. Em Brasília/DF, na estação de Metrô 114 Sul, na Praça do Cidadão, o espaço, criado para o atendimento a idosos e pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, ofereceu outros serviços, além dos habituais em ação da Secretaria de Justiça do Distrito Federal. Estudantes de nutrição, farmácia e enfermagem foram convidados para aferir a pressão, medir a glicemia capilar e dar orientações gerais aos presentes. Ainda houve desfile de moda inclusiva com alunos do Centro de Ensino Especial 01 de Sobradinho, e uma apresentação de dança do grupo Surdo Dance. Movimentações e comemorações se seguiram por praticamente todas as capitais brasileiras, e em mais de 1.500 cidades do interior do País. Prova que o movimento vem crescendo, ganhando força e voz pelo Brasil, resultado também da recente divulgação pelo IBGE, com os resultados do último CENSO, que aponta que somos mais de 46 milhões de cidadãos com algum tipo de deficiência... Parabéns a todos que promoveram e que participaram dessas comemorações nos quatro cantos desse imenso Brasil !!!

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parakart

por Hermes Oliveira

Parabéns Revista Reação!

A

parakart não realizou nenhuma prova neste último período. Enquanto isso os Karts estão estacionados. Mas tivemos o lançamento da IGT Mini Charllenge - Adaptado Para Piloto com algum tipo de Deficiência. Três pilotos paraplégicos anunciaram, no dia 25 de agosto, a primeira equipe de pessoas com deficiência da categoria Mini Challenge, a categoria mais charmosa do automobilismo brasileiro, que faz parte do circo dos Grandes Prêmios da Stock Car. A equipe IGT Mini Challenge, deve participar de provas este ano ! E no ano que vem pretende disputar provas de igual para igual com outros pilotos sem deficiência física. Os pilotos paraplégicos: Paulo Polido, Tales Lombardi e Thiago Cenjor, foram homologados pela CBA - Confederação Brasileira de Automobilismo. Eu Hermes Oliveira, desejo boa sorte a esses guerreiros e que consigam seguir acelerando forte sempre.

15 anos de vitórias !

Há 5 anos conheci a Revista Reação, logo em seguida conheci o Rodrigo Rosso, o seu editor e criador ! E desde então, tem sido muito boa a nossa amizade e que se tornou uma parceria duradoura e agradável. Virou até patrocínio de algumas despesas que tenho como piloto de Parakart ! Primeiro convidei o Rodrigo Rosso, em 2008, para prefaciar meu livro autobiográfico: “Um motorista especial de carreta”, e em julho de 2009, logo na sequência, Rodrigo convidou-me para escrever um artigo na Revista Reação. Eu nem acreditei ! Mas escrevi falando sobre nosso primeiro Campeonato Brasileiro de Parakart, que foi disputado em Ceilândia/PR. Depois disso escrevi em todas edições até hoje, e meu irmão, Luiz Oliveira, fotografou a maioria das ilustrações dos meus textos, que sempre trouxeram uma necessidade de muito tempo do nosso mundo de pessoas com deficiências: ter um campo de trabalho aberto para poder ser motorista profissional ! E mostramos alguns exemplos: como pessoas com deficiência pilotando Kart, veículos de alta potência em autodromos, tratores, veículos de transporte de carga e de passageiros. O objetivo é vermos num futuro breve, pessoas com deficiência que são motoristas transportando para todos os lados, administrando seu empreendimento e ganhando seus próprios recursos. E é esse o desejo de muita gente e também desta Revista... Por isso, meus Parabéns a todos os envolvidos e aos 15 anos da Revista Reação, da qual, com muito orgulho, sei que faço parte da história !!!

Hermes Oliveira é Piloto de Kart adaptado patrocinado pela Revista Reação, escritor do

www.ortobras.com.br

livro “Um motorista especial de carreta” e estudante de logística.


por Geraldo Nogueira

E

direito

Marcha do Sal

ste ano a Revista Reação comemora seus 15 anos de existência como veículo informativo de referência na área social das pessoas com deficiência, procurando ainda, conscientizar a sociedade e o Estado em relação à cidadania do segmento. No entanto, não obstante ao aumento de conscientização da sociedade por todo conteúdo intensamente difundido pela Revista Reação e outras mídias, aos avanços na área legislativa e a difusão de informação por diversos canais, como novelas e outros meios, ainda falta o respeito aos direitos das pessoas com deficiência. A Sociedade tem mudado sua forma de ver e conceituar as pessoas com deficiência, migrando do preconceito da invalidez para o conceito da inclusão, mantendo-se favorável a inserção social do segmento, sem, contudo, compreender sua responsabilidade diante desse processo, que deve pautar os caminhos das ações de facilitação da inclusão, pois ainda constroem sem a devida acessibilidade, ofertam-se serviços sem acesso e evita-se empregar pessoas com deficiência, principalmente as mais severas. O Estado brasileiro, compreendido aqui nas competências federal, estaduais e municipais, trata do assunto, mas não assume um efetivo papel na instituição e execução de políticas públicas para mudar o flagrante quadro de exclusão que ainda vivem as pessoas com deficiência pelos inúmeros municípios do país. Em muitos casos, o próprio poder público inviabiliza a inclusão por falta de uma simples política de fiscalização, papel primordial do Poder Executivo, para fazer valer as políticas públicas e acelerar o processo de conscientização da população. Meramente a título de demonstrar o que foi apontado, citamos como exemplo, a falta de fiscalização por parte dos municípios do quesito acessibilidade, durante a concessão da “certidão do habite-se” para liberação de utilização de imóveis ou empreendimentos. Outro exemplo é a falta de legenda e de interprete de sinais nas transmissões televisivas das campanhas sobre epidemias ou prevenção de doenças. Observem que os exemplos citados não exigem a necessidade de investimentos relevantes. No primeiro caso, basta o treinamento dos fiscais para cumprir as exigências legais sobre acessibilidade, durante a visita de fiscalização para concessão do habite-se e, no segundo caso, bastaria que o Estado exigisse da empresa contratada para promover a campanha, o cumprimento da legislação pertinente à acessibilidade nos meios de comunicação. Lamentavelmente, não vemos essas ações ocorrerem e nem iniciativas do poder público para mudar esta triste realidade. É estranho que, independentemente de a maioria dos candidatos que concorre aos cargos públicos, tanto no legislativo, quanto no executivo, fazerem promessas de transformação social na área das pessoas com deficiência e de termos a legislação mais avançada e inclusiva das Américas, ainda termos um quadro de exclusão e preconceito, que surge, justamente, de onde deveria partir os exemplos de inclusão. Outro problema enfrentado pelas pessoas com deficiência é o engessamento dos conselhos, instâncias propositivas e de fisca-

lização, e a empresarização das ONGs, instituições de defesa de direito, além da capitação de lideranças do segmento pelos setores, público e privado, numa flagrante desertificação do genuíno ativismo social de defesa da inclusão. O resultado é que parte das pessoas com deficiência da classe média se inclui nesses espaços que tratam do tema mais por modismo do que por interesse em ver mudanças que beneficiem a todos, principalmente os mais excluídos, inseridos nas camadas pobres de nossa sociedade. E a frase “nada sobre nós sem nós” vai tomando um sentido diferente, servindo mais para avalizar esse novo modelo de militância, onde a presença de uma pessoa com deficiência, em determinado projeto, serve como uma espécie de carimbo de aprovação do “politicamente correto” que, quase sempre, terminará arquivado sem qualquer ação prática que influa positivamente no dia-a-dia das pessoas. O fato é que a estrada da inclusão social para o segmento ainda não está pavimentada e a caminhada é longa e árdua. Uma verdadeira “Marcha do Sal”, a ser empreendida para conquistar o que está sendo negado às pessoas com deficiência, que é o direito de participar da sociedade em igualdade de condições com os demais cidadãos.

A MARCHA DO SAL Em 1930, Mahatma Gandhi, pretendia acabar com a servidão da Índia à colonização britânica. Então marchou com milhares de indianos até o mar. Esta ação de resistência pacífica durou um mês e percorreu cerca de 400 Km até o mar e ficou conhecida como a Marcha do Sal.

Geraldo Nogueira é advogado, cadeirante e Presidente Licenciado da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (OAB/RJ).

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mais eficiente

por Samara Del Monte

Adoção: quando o coração vê...

S

eres tão pequenos, que nem sabem para que vieram. São muitas vezes privados do amor dos pais, mas existem pessoas que têm esse amor e querem dar esse sentimento para quem quer e precisa. Adotar é um ato de amor consigo e com o outro. Quando você quer mesmo uma criança é porque está faltando uma pitada de alegria na sua vida. E será que esse ato de amor é verdadeiramente incondicional ? E será que crianças com deficiência têm oportunidade de também serem adotadas ? Claro que sim. Já houve um caso de adoção na instituição Fraternidade Irmã Clara (FIC), que fica no bairro do Pacaembu, na capital paulista. “Através das visitas que recebemos, uma criança foi adotada e nós colocamos os serviços de reabilitação à disposição dos pais para dar continuidade no tratamento”, diz Emilia Tanaka, assistente social. Num outro abrigo, um grande amor surgiu à primeira vista. É assim que a paulista “T.”, 36 anos, mãe da pequena “R.”, 5 anos, com Síndrome de Patau, sentiu ao vê-la. “Nós íamos sempre visitá-la no abrigo e o amor foi crescendo e crescendo. Eu sonhava com ela todos os dias, mas na época sua saúde era muito debilitada, usava sonda para se alimentar por causa da fenda palatina. Depois que ela operou e foi se recuperando, o abrigo liberou para adoção. Ainda é guarda provisória, mas meu marido e eu já estamos muito felizes, pois era uma vontade que tínhamos antes mesmo de casarmos”. Outra paulista, “F.”, 40 anos, nem imaginava que viria ser mãe do “M.”, quando assistiu seu parto. Filho do sobrinho neto de seu marido, “M.” nasceu com deformidades físicas e deficiência renal. “Ele tem 5 anos e diz que não quer ter outra mãe. Meu coração é para ele”, conta “F.”. Já em Santos, com “G.”, 65 anos, e seu marido foi um pouco diferente. Eles não podiam ter filhos e resolveram adotar. Logo, ela descobriu que o “V.” tinha Paralisia Cerebral. “Tive medo de como seria a aceitação do meu marido, medo dele cair fora, porque na época ele trabalhava no Pará e eu ficava sozinha com o bebê. Quando ele voltou e eu contei, me surpreendi, pois ficou ainda mais apaixonado pelo V.”. A realidade dessas crianças mudou. Eles não sabem que foram adotados. Por isso que nessa matéria os nomes só estão com as iniciais. Sabendo ou não sabendo, não importa, o que importa mesmo é o amor que esses pais lhes dão incondicionalmente. Hoje “V.” tem 31 anos, seu pai já foi para o céu e sua mãe continua incansavelmente a lhe oferecer todas as oportunidades para que continue sendo feliz.

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Samara Andresa Del Monte é estudante de jornalismo, idealizadora da Revista Mais dEficiente, tem paralisia cerebral, é cadeirante e se comunica com os símbolos Bliss, e escreve no computador usando capacete com ponteira. E-mail: samarandresa@gmail.com


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educação

Fotos: AF Rodrigues

Creche inclusiva no Rio de Janeiro promove integração

D

uas creches nos bairros de Campo Grande, na zona Oeste, e Vila Isabel, na zona Norte do Rio de Janeiro/RJ, desenvolvem um trabalho especial com crianças de três meses a 3 anos e 11 meses, em creches que recebem alunos com e sem deficiência. Em Vila Isabel funcionava a Fundação Municipal Lar e Escola Francisco de Paula (FUNLAR), que deu origem à atual Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPD). Foi lá que a ideia começou, com o objetivo de cuidar da criança no mesmo ambiente em que é feita a estimulação. A creche foi inaugurada em 1984, quando o equipamento foi municipalizado, e busca trabalhar com a inclusão desde 1987. Já a creche de Campo Grande foi inaugurada em 1998 e também já funcionava antes da SMPD existir como secretaria. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME), as 249 creches municipais, os 87 Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs) e as 98 unidades adaptadas para atender a esta modalidade podem receber alunos com deficiência. No entanto, as creches da SMPD de Vila Isabel e Campo Grande oferecem um serviço com foco na estimulação, que começa nos primeiros

estágios da vida do bebê. No momento, não há previsão de ampliação de novas creches inclusivas desse modelo. Segundo a SME, atualmente, 275 alunos com deficiência estão matriculados nas unidades de Educação Infantil da Prefeitura do Rio. Em Vila Isabel, são 222 crianças sem deficiência, 23 com deficiência e 18 crianças com atraso no desenvolvimento global (ADG), que ainda não apresentam diagnóstico, porém necessitam de atendimento no serviço de estimulação. Funciona de segunda a sexta-feira, entre 8h e 17h. “Trabalhamos com olhar inclusivo. Sendo assim, não estabelecemos nenhum critério de absorção das crianças com deficiência”, explica a supervisora de Vila Isabel, Cláudia Lúcia Oliveira de Almeida. Todos os tipos de deficiência são aceitos. Para isso, é preciso que a família, no ato da inscrição para a creche, informe a deficiência no Núcleo Integrado de Atendimento à Família (NIAF), que é formado por uma equipe de assistente social e psicólogo. Os alunos têm acompanhamento nutricional e médico. Além disso, é realizada estimulação, feita pela equipe técnica que desenvolve o trabalho de reabilitação, e há, ainda, práticas de atividades esportivas e culturais. “O diferencial da nossa creche é que as crianças com deficiência também são assistidas por profissionais de reabilitação - neurologista, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, psicólogo, musicoterapeuta, fonoaudiólogo e psicomotricista”, explica Cláudia. “A creche se torna um espaço onde a deficiência não tem seu destaque de prioridade. As crianças com deficiência, assim como as crianças sem deficiência, são tratadas com afeto, respeito e proteção pelos educadores e pelas outras crianças”. Segundo a supervisora, os pais das crianças sem deficiência entendem a importância da socialização e os valores adquiridos com o exercício da inclusão. Já os pais das crianças com deficiência demonstram, inicialmente, certa insegurança, mas se adaptam ao espaço da creche e adquirem confiança com os educadores e as crianças, ao longo do tempo. “As vantagens referentes ao desenvolvimento global de nossas crianças são notórias. Essa relação entre as crianças, com ou sem deficiência, acontece de forma natural e produtiva, além de favorecer a convivência, o contato e a comunicação entre as diferenças. Assim, temos a certeza de que promovemos a inclusão destas crianças e de suas famílias na sociedade”, garante a supervisora.


empregabilidade

por Mara Di Maio e Adriano Bandini

Novidades na fiscalização da “Lei de Cotas” Ministério do Trabalho e Emprego publica nova Instrução Normativa da Secretaria de Inspeção do Trabalho - SIT Nº 98 DE 15.08.2012 (D.O.U. 16.08.2012)

N

ovidades na fiscalização da cota criada pela Lei 8.213/91 (Lei de Cotas) para PcD nas empresas privadas impactam e estimulam o envolvimento das PcD e entidades que atuam no segmento também na Aprendizagem Profissional. A nova normativa “Dispõe sobre procedimentos de fiscalização do cumprimento, por parte dos empregadores, das normas destinadas à inclusão no trabalho das pessoas com deficiência e beneficiários da Previdência Social reabilitados”. Vamos conhecer os principais pontos: Encontramos o objetivo da normativa no Art. 1º “Estabelecer os procedimentos da fiscalização da inclusão de pessoas com deficiência e beneficiários da Previdência Social reabilitados no mercado de trabalho, com vistas a assegurar o exercício pleno e equânime do direito ao trabalho e a promoção do respeito à dignidade da pessoa humana, conforme estabelece a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, promulgados por meio do Decreto n° 6.949, de 25 de agosto de 2009”.

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• Padronização dos critérios de fiscalizações entre os auditores fiscais do trabalho (AFT), seguindo orientações do coordenador do projeto de fiscalização estadual. Esse coordenador, por sua vez, alinha as normas de fiscalização junto aos outros coordenadores estaduais e Sistema Federal de Inspeção do Trabalho. • Fórmula de cálculo da cota da empresa, incluindo “as empresas que apresentem variações sazonais no quantitativo de empregados, a fiscalização poderá utilizar, para a composição da base de cálculo da cota a ser cumprida, a média aritmética da totalidade de empregados existentes ao final de cada um dos doze últimos meses” (Art. 5º §2º). • Fiscalização da contratação prévia de um trabalhador PcD ANTES da dispensa de reabilitados ou PcD incluso na cota da empresa, salvo se a cota se mantiver 100% preenchida. • Documentos para comprovação do enquadramento (Art. 8º e 9º); • Cadastro correto no CAGED; • Observação de aspectos que garantam a qualidade da inclusão especialmente do art. 11º em diante, onde lemos: “Art. 11. No intuito de coibir práticas discriminatórias, o Auditor Fiscal do Trabalho (AFT) deve verificar se está sendo garantido o direito ao trabalho


empregabilidade das pessoas com deficiência ou reabilitadas, em condições de igualdade de oportunidades com as demais pessoas, com respeito a todas as questões relacionadas ao emprego, observando, dentre outros aspectos”: I - garantia de acesso às etapas de recrutamento, seleção, contratação e admissão, capacitação e ascensão profissional, sem ocorrência de exclusões de pessoas com base, a priori, na deficiência ou na condição de reabilitado; II - distribuição, pela empresa, dos empregados com deficiência ou reabilitados nos diversos cargos, funções, postos de trabalho, setores e estabelecimentos, preferencialmente de forma proporcional, tendo como parâmetro as reais potencialidades individuais e as habilidades requeridas para a atividade; III - manutenção no emprego; IV - jornada de trabalho não diferenciada, salvo exceção prevista no § 2º do art. 35 do Decreto 3.298, de 1999; V - remuneração equitativa; VI - acessibilidade ampla; e VII - condições de saúde e segurança adaptadas às necessidades dos empregados. A normativa traz ainda o envolvimento da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) para acompanhar a inclusão desses trabalhadores com deficiência com acessibilidade, autonomia e segurança, além do envolvimento nos programas de saúde e segurança tais como o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO. A fiscalização poderá avaliar se houve a promoção da acessibilidade “... até adaptações específicas de mobiliários, máquinas e equipamentos, dispositivos de segurança, utilização de tecnologias assistivas, ajudas técnicas, facilitação de comunicação, apoios e capacitação específica, dentre outros, de modo a eliminar as barreiras porventura existentes” (Art. 13). Uma grande novidade apresentada na Normativa foi a formalização do incentivo à contratação de PcD no Programa de Aprendizagem como caminho para a qualificação de PcD, conforme Seção III que trata da Aprendizagem Profissional da Pessoa com Deficiência. “Art. 15. O AFT deve incentivar as empresas e outras instituições para que promovam a participação das pessoas com deficiência nos programas de aprendizagem profissional, inclusive as beneficiárias do Beneficio de Prestação Continuada - BPC da Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS, com o objetivo de sua posterior contratação por prazo indeterminado, observando que: I - as instituições públicas e privadas, que ministram educação profissional devem disponibilizar cursos profissionais de nível básico para as pessoas com deficiência, conforme prevê o §2º do art. 28 do Decreto nº. 3.298, de 1999; II - os programas de aprendizagem profissional, em suas atividades teóricas e práticas, devem promover as adaptações e as medidas de apoio individualizadas, de forma a atender às necessidades de inclusão de todos os aprendizes; III - para o aprendiz com deficiência devem ser consideradas, sobretudo, as habilidades e as competências relacionadas com a profissionalização e não a sua escolaridade; IV- não há previsão de idade máxima para contratação da pessoa com deficiência como aprendiz, apenas o limite mínimo de quatorze anos, observadas as disposições legais de proteção ao trabalho dos adolescentes; e V - as empresas poderão contratar aprendizes até o limite de quin-

ze por cento das funções que demandem formação profissional”. É importante que a empresa atente para a formalização de um termo de compromisso, (art. 17) “... no qual serão estipuladas as obrigações assumidas pelas empresas ou setores econômicos compromissados e os prazos para seu cumprimento. Nesse momento, é permitida a participação de entidades e instituições atuantes na inclusão das pessoas com deficiência, bem como entidades representativas das categorias dos segmentos econômicos e profissionais”. O termo de compromisso é mais uma opção para as entidades e militantes da Inclusão de PcD no mercado de trabalho acompanharem as ações das empresas e colaborar para o sucesso dos trabalhos. A expectativa é que a Normativa “padronize” as regras e formas de cobrança em todo o Brasil, auxiliando o planejamento estratégico da Empresa, das ONGs e do Governo para conquistar a Dignidade e Trabalho Descente também para as Pessoas com Deficiência! Sobre o Termo de Compromisso, escreveremos na próxima edição ! Mara Di Maio é formada em Letras e em Direito, Consultora e Palestrante sobre empregabilidade da pessoa com deficiência e Superintendente Executiva da ABRIDEF – Assoc. Bras. das Inds e Revends de Prods e Servs. para Pessoas com Deficiência. Adriano Bandini é Especialista em Diversidade e Inclusão da Pessoa com Deficiência.

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mundo inteiro! Venha conhecer, você vai se apaixonar!


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especial

Publicação comemora 15 anos de vida ao lado da pessoa com deficiência, consolidada como sendo a referência para todo o setor... com deficiência. “Hoje os tempos são outros... a pessoa com deficiência é reconhecida e muito mais respeitada. Os direitos e também os deveres, são de conhecimento de quase toda população. A informação chega de forma rápida, produtos e serviços se tornaram mais acessíveis, a inclusão vem sendo trabalhada dia-a-dia, seja ela física ou mesmo atitudinal... a consciência da sociedade em relação à PcD mudou e para melhor... o governo reconhece e trabalha ações para melhorar a qualidade de vida do cidadão com deficiência, seja na saúde, no esporte, na educação, na mobilidade urbana... tudo fruto da conquista do movimento das pessoas com deficiência e por conta da informação e do conhecimento, para os quais temos certeza, que com a Revista Reação, contribuímos e muito nesses 15 anos”, afirma Rodrigo Rosso, idealizador e editor da publicação.

A

grande Festa de Comemoração do Aniversário, dia 24 de outubro, no Memorial da América Latina, em São Paulo/SP, marca a trajetória de empenho desta revista na defesa dos interesses do setor, espelhando as principais lutas e conquistas de milhões de brasileiros com deficiência, seus familiares e de profissionais, das mais diversas áreas, que atuam e militam neste segmento da sociedade, que até então era praticamente invisível e deixado de lado, seja pelo preconceito, seja pelo desconhecimento e falta de informação. Para celebrar a data, o site da revista (www.revistareacao.com. br) foi totalmente reformulado e coloca à disposição as principais matérias da edição atual (a íntegra dos textos é apenas para os assinantes) e das anteriores, assim como permite o download do Caderno Técnico & Científico. Tem ainda recursos de acessibilidade. A Reação também está cada dia mais ativa no Facebook e no Twitter, atualizando em tempo real, informações sobre tudo que acontece no Brasil e no mundo no grande universo da pessoa

Apoio:

Em 15 anos... muitas mudanças...

Muita coisa mudou de 1997 até agora e, cada vez mais, as pessoas com deficiência se fazem ouvir no atendimento de suas principais reivindicações. Educação, saúde, trabalho, esporte, acessibilidade, educação... são algumas das bandeiras que a revista acompanha em sua trajetória a cada bimestre. Com tiragem de 20 mil exemplares e leitores em 15 países além de todas as regiões deste imenso Brasil, ela chega pelo correio, diretamente na casa dos assinantes e leitores, já que não tem venda em bancas, e desta forma direta e sem dispersão, tem se tornado uma referência na imprensa brasileira ao tratar especificamente de assuntos voltados às pessoas com deficiência, familiares e profissionais do setor, com suas matérias de interesse geral e de variedades, seus time de articulistas de primeiríssima linha e com o exclusivo Caderno Técnico & Científico. Desta forma, a revista atinge pessoas físicas com ou


especial

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ANO V - Nº 25 MARÇO/ABRIL 2002

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ANO V - Nº 27 JULHO/AGOSTO 2002

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ENCARTE Caderno Técnico e Científico

sem deficiências, empresas, entidades da área e profissionais. Além da distribuição via-correio, a Revista Reação também é distribuída em eventos voltados ao tema em todo território nacional, sempre que possível. Quando começou, era difícil imaginar o caminho que a então chamada Revista Nacional de Reabilitação, seguiria. Na época, em 1997, ela surgiu apenas para acompanhar um catálogo de expositores de uma feira que naquele ano, surgiria como pioneira como evento comercial voltado ao público PcD... era a feira REA’97: a primeira feira de negócios organizada no país com produtos e serviços específicos. O evento era pequeno, mas a receptividade dos visitantes e das empresas em relação a ela demonstrou que havia espaço e um nicho de mercado para ser trabalhado. Já antes do primeiro número, a C&G 12 – editora da revista, atuava na edição de publicações voltadas ao agronegócio e funcionava também como agência de propaganda. Conhecendo o mercado de PcD através dos então organizadores da REA´97, ainda antes dela acontecer, em 1996, a editora fez uma pesquisa para conhecer publicações similares em outros países. Com pouco conhecimento da área, o editor Rodrigo Rosso procurou especialistas no assunto. O consultor Romeu Kazumi Sassaki, uma referência em inclusão, foi um dos primeiros e, até hoje, continua com uma das colunas mais lidas e respeitadas da revista. Outros nomes importantes em seus segmentos dentro do setor, foram se juntando à revista, que hoje conta com um time de consultores,

colunistas e colaboradores com mais de 30 nomes referenciais. Gente que conhece o assunto, expoentes em seus temas e ramos de atuação, fazendo da Revista Reação a publicação mais completa do setor. No início, o nome da publicação era Revista Nacional de Reabilitação. Foi assim que ela nasceu e permaneceu até o décimo ano de vida. E ao completar 10 anos de vida, já passando por um processo contínuo de reformulação e modernização, o logo mudou e o nome também, adotando a fórmula mais simples de sonoridade e leitura: “REAÇÃO”... Embora continue com o nome inteiro grafado na capa: Revista Nacional de Reabilitação, a revista passou a se chamar então: REVISTA REAÇÃO. A mudança foi baseada em uma pesquisa de opinião entre anunciantes, leitores e assinantes, e constatou-se que, a maioria das pessoas, já lia o nome REAÇÃO na capa da revista e a chamava assim. Então, o novo nome e grafia definitiva foram adotados. Sempre fiel ao espírito original, a revista acrescentou ainda na capa os termos: “inclusão e acessibilidade de pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, familiares e profissionais do setor”.

Fidelidade, compromisso e respeito com o leitor !

Lema e missão da publicação, a fidelidade com seus propósitos, o compromisso com a causa e com o dever de levar o melhor da informação aos seus leitores, e o respeito para com os assinantes, leitores e parceiros anunciantes, fizeram com que essa publicação alcançasse o sucesso e a

credibilidade que tem no mercado desde sua fundação. “Nunca, em hipótese alguma, nos deixamos corromper ou nos deixar levar por qualquer que fosse a circunstância. Nosso compromisso é com o nosso leitor, com o público e principalmente, com a nossa consciência, com nossos princípios éticos e morais. Sabemos plenamente do papel e da influência que um meio de comunicação setorizado como o nosso, tem sobre todo um segmento de mercado, de sociedade e das pessoas que o compõe. Por isso os princípios éticos vem sempre na frente de nosso trabalho, mesmo em detrimento do fator financeiro. Sei que muitas pessoas, antes de nos conhecerem e saberem do nosso real compromisso com a causa da PcD, podem pensar que a Revista Reação visa apenas benefícios financeiros, tem muitos anunciantes, prioriza o lado comercial, enfim... mas depois que conhecem melhor nosso trabalho, nos conhecem de perto e percebem o amor e o respeito que temos pelas pessoas com deficiência, nosso compromisso com os leitores, assinantes e anunciantes, enxergam que nossos princípios e dedicação superam tudo isso, e essa impressão errada acaba morrendo e dando lugar à uma admiração e amor pela publicação. No decorrer desses 15 anos, tivemos muitos exemplos disso... vimos muito isso acontecer. Passamos por muitas provações e superamos todas, todos os dias... sempre com perseverança e persistência, pois o sorriso de uma PcD ou de um familiar, que encontram nas páginas dessa revista um alento, uma solução, uma

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especial esperança... vale para nós mais do que qualquer outra coisa. Esse é o nosso compromisso. Essa é a nossa razão e o que nos fez chegar até aqui. Quem nos conhece sabe... Não temos somente assinantes, temos amigos... não temos simplesmente anunciantes, temos sim parceiros, não temos leitores, temos gente que gosta da gente”, comenta Rodrigo Rosso. O editor faz questão de ressaltar que permanece, desde a fundação, a maneira pela qual a questão da PcD é tratada na publicação: sem paternalismo e nem sensacionalismo, mas sim, com dignidade e respeito. Essa linha editorial fez com que a revista permanecesse e crescesse até hoje. Preconceito e assistencialismo dominavam e imperavam na mídia na época do lançamento da Revista Reação há 15 anos... E se analisarmos outras publicações que acabaram surgindo – e a maioria até já não existe mais - mesmo depois dela, e principalmente a grande mídia, a tendência ao assistencialismo, ao paternalismo exagerado e ao preconceito – mesmo que subentendido – ainda existem. Nos seus 88 números editados até agora nesses 15 anos ininterCADERNO TÉCNICO ruptos de Revista Reação, ela sempre CIENTÍFICO se preocupou em marcar sua posição e seu propósito: “Tenho consciência que a revista contribuiu, e muito, para que a sociedade e o mercado começassem a ver as pessoas com deficiência como cidadãos ativos e consumidores”, afirma Rosso. parte integrante da revista nacional de reabilitação - reação - ed. nº 87

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Nº 87 JUL/AGO 2012

VOLUME

77

Surdocegueira: aprendendo pela proximidade Páginas 2 e 3

HidroTerapia para pacienTeS com paraliSia cereBral e ouTraS paTologiaS Página 4

a imporTância do SenTimenTo empáTico para com cuidadoreS e porTadoreS de doençaS raraS Página 5

malFormaçÕeS congÊniTaS e preVençÃo – TÃo SimpleS QuanTo poSSÍVel Página 6

perda audiTiVa diagnoSTicada, e agora ? Página 7

Diferenciais

Muita coisa ainda precisa ser feita em relação à pessoa com deficiência (seja ela física, intelectual, auditiva, visual ou múltipla) e sua melhor qualidade de vida, e é justamente esse caminho que a revista segue, unindo cada vez mais PcD em torno dessa causa e desse propósito, contando com a força de seus familiares e com o potencial dos profissionais do setor no debate e na busca de novas conquistas todos os dias, à cada edição. Um dos grandes diferenciais da Revista Reação, por trazer um conteúdo específico aos profissionais que atuam na inclusão, acessibilidade e reabilitação de PcD, é o encarte chamado: “Caderno Técnico & Científico”, que chega nesta edição ao seu volume 78, e que apresenta assuntos variados, sob responsabilidade de pesquisadores, técnicos, mestrados e profissionais renomados em suas especialidades clínicas ou terapêuticas. Além disso, a cada número, colaboradores fixos e eventuais assinam artigos no corpo da revista – são mais de 30 como já dissemos - trazendo uma ampla variedade de assuntos em todos os tipos de deficiência. As várias seções fixas, como: educação, trabalho, esporte, lição de vida, associações e entidades, direito, sexualidade, mulher, momento surdo, entre outras tantas... e a tradicional parte de entrevistas, que abre cada edição com as famosas “páginas amarelas”, trazem sempre as novidades e as personalidades do setor, permitindo que os leitores tenham um amplo panorama do que está acontecendo e principalmente

Apoio:

também, o que e como aconteceu, e tudo o que está para acontecer no setor. Em 2012, sempre inovando, começou a ser publicado também o “Caderno de Acessibilidade – Cidades 2014”, que mescla artigos e reportagens sobre as principais questões referentes ao tema da acessibilidade e mobilidade urbana, trazendo não só as conquistas obtidas nesse quesito como as dificuldades que ainda precisam ser enfrentadas, traçando exemplos, apresentando e sugerindo soluções para que as cidades brasileiras se transformem e cumpram seu papel de tornar-se acessíveis até o ano de 2014 ! Vale destacar também que a Reação é a única publicação que faz há 15 anos, em parceria com as montadoras de veículos, o test-drive de carros adaptados, com uma metodologia própria e exclusiva de trabalho, contando com profissionais gabaritados para isso. As montadoras apoiam a iniciativa e têm todo interesse em acompanhar os resultados, tendo neles, seus referenciais para melhorarem cada vez mais seus produtos, baseando-se nos resultados dos testes para tornar seus carros e seus modelos cada vez melhores, atendendo mais as necessidades desta parcela de consumidores, que vem se tornando cada vez mais exigente, através do conhecimento e da informação sobre os modelos, através da revista. Ainda no setor automotivo, há 14 anos a revista promove a eleição do “Carro do Ano para a Pessoa com Deficiência” !!! Através do voto direto de seus leitores e assinantes, o resultado de cada eleição vem sempre na primeira edição do ano, a tradicional edição “Especial – O carro do Ano”. Os resultados são bastante esperados, tanto para as montadoras como para quem pretende comprar ou trocar seu veículo. “Já virou tradição e isso é muito bacana... tanto indústria como os consumidores baseiam-se nos resultados desta pesquisa. E a credibilidade que ela conquistou, pelo fato de não ser uma opinião da revista ou de quem a escreve, mas sim a vontade e o voto direto dos leitores da publicação quem fazem os seus resultados, isso nos dá tranquilidade e segurança de que ela expressa a realidade e o desejo dos consumidores”, garante Rosso. Além disso, a revista sempre se engajou nas lutas do setor, e tem parcela de responsabilidade nas conquistas também no segmento de automóveis para PcD, como as lutas pela isenção de impostos na compra de veículos 0K (IPI e ICMS), e o direito ao transporte de qualidade.

Comprometimento

Não foi só no campo editorial que a revista se fez presente. Ela foi fundamental na conquista de espaços importantes e marcantes na trajetória das mudanças na vida das pessoas com deficiência e na forma de reconhecimento dos seus direitos na sociedade. Prova disso foi o surgimento da REATECH - Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, hoje reconhecida como uma das maiores mostras


especial

do mundo em sua área, a feira, como todos sabem, nasceu da Revista Reação e foi viabilizada pela parceria entre a Revista Reação e o Grupo Cipa, empresa especializada na realização de feiras de negócios. Essa parceria deu início à REATECH em 2002 e foi até 2011, quando a sociedade foi desfeita e a C&G 12, editora da revista, se retirou do evento, passando sua organização integralmente ao Grupo Cipa. A Revista Reação continua aparecendo como “promotora” do evento, mas sem mais nenhuma influência ou participação sobre ele. A Revista Reação, como dona da REATECH juntamente com o Grupo Cipa, também promoveu e organizou feiras menores, itinerantes, chamadas de Reacess, no Rio de Janeiro, Florianópolis e Goiânia, até 2011. Hoje as Reacess continuam acontecendo, mas organizadas sem a revista. O estande da Revista Reação sempre esteve também presente em outros eventos do setor, como a feira Hospitalar e, agora em 2012, na primeira edição da feira Reabilitação - Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, Serviços e Tecnologia para Reabilitação, Prevenção e Inclusão - e no Copa for All, que discutiu questões de acessibilidade e infraestrutura para a competição de 2014... A Revista Reação também conta com um evento próprio – considerado uma micro REATECH - que realiza em shopping centers, ginásios esportivos e em parceria com cidades do interior, com o apoio das entidades locais e das prefeituras, chamado de “Cidadania Inclusiva”. “Nosso objetivo com o Cidadania Inclusiva é dar continuidade ao projeto que deu início à REATECH, levando produtos, serviços, conhecimento e informação, às pessoas com deficiência do interior, de regiões onde o acesso à informação e a vinda a um grande centro como São Paulo, por exemplo, nem sempre é possível. E para isso, contamos com o apoio e o interesse das cidades, das prefeituras, das entidades locais... é uma fórmula bastante interessante que vamos retomar em 2013”, conta Rodrigo Rosso.

Reconhecimento

Ao longo do tempo, as empresas do setor se conscientizaram da importância de uma publicação voltada a um segmento que cresce cada vez mais, seja por causas congênitas, acidentes, violência urbana ou o próprio envelhecimento da população. Como a revista é mantida apenas pelas assinaturas e seus anunciantes é fundamental a participação deles, sendo através desta revista,

o caminho mais direto para levar informação sobre seus produtos e serviços para o grande público consumidor que envolve a pessoa com deficiência, representadas pelo último Censo, por 46 milhões de pessoas. E a Revista Reação é o caminho para se chegar à essa parcela de consumidores, sem dispersão. Retorno certo e garantido para as empresas que investem suas publicidades em suas páginas nestes 15 anos ! Duas associações empresariais inclusive, mantém seus espaços de informação aos seus associados e seu contato com o público consumidor, através de seções fixas nas páginas desta revista, são elas: a Associação Brasileira de Ortopedia Técnica ABOTEC, e a Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência - ABRIDEF, cujo atual presidente eleito pelos associados, é Rodrigo Rosso, editor da Revista Reação.

Comemorações

Quando a então Revista Nacional de Reabilitação iria completar 5 anos, foi lançada a REATECH, em 2002. Quando a Revista Reação completou 10 anos, foi homenageada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e lá, no mesmo dia, no Salão Nobre da Alesp, foi realizada uma grande festa em comemoração ao aniversário da publicação, logo após uma sessão solene em reconhecimento à sua contribuição para a melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência que a revista deu desde sua fundação. No dia, a festa reuniu políticos, auroridades, colaboradores, fornecedores, amigos, assinantes e anunciantes, contando com a presença de mais de 250 convidados, que renderam várias homenagens a Rosso e à revista, como a medalha “Eterno Guerreiro”, conferida pela Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência do Estado de São Paulo (APMDFESP), uma “Moção de Aplausos” da Câmara de Vereadores de Angra dos Reis/RJ e uma placa comemorativa da própria Alesp, entregue pelo deputado estadual cego Rafael Silva, entre outras. Agora, aos 15, a comemoração promete ser maior ainda e, desta vez, será a Revista Reação quem vai homenagear mais de 90 personalidades que se destacaram em suas atividades e que ajudaram a revista nessa trajetória de 15 anos de sucesso !!! “Só temos que agradecer a todos que fizeram parte de nosso caminho, de alguma forma, nesses 15 anos de vida e de aprendizado... ajudando a transformar o que era só um sonho, numa linda realidade ! Por isso, quero em meu nome e de toda a nossa equipe, parabenizar o setor e as pessoas com deficiência, pelas conquistas e vitórias que conseguimos amealhar juntos nesses anos. Sem a colaboração de todos vocês, sem a coragem, empenho e a confiança de tanta gente, das empresas e parceiros, dos nossos leitores, amigos e assinantes, não teríamos tido forças para alcançar o patamar que chegamos... E ainda temos muito, mas muito mesmo a conquistar. Não nos faltam planos e projetos para o futuro da revista, temos aspirações e voos mais altos a dar, mas para isso, dependemos do apoio incondicional de todos, que certamente teremos, pois acreditamos e trabalhamos por Brasil melhor para todos!”, finaliza o editor.

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esporte

Brasil cumpre meta em Londres e se fortalece para 2016 !!! pelo 5º lugar. Com base nos resultados de Londres, isso quer dizer, pelo menos, a conquista de 32 ouros.

Alguns destaques

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e 29 de agosto a 09 de setembro, o Brasil vivenciou sua glória no paradesporto. Os atletas paralímpicos brasileiros demonstraram garra e determinação, atingindo a 7ª colocação na disputa que aconteceu em Londres, trazendo para casa um total de 43 medalhas (21 ouros, 14 pratas e 8 bronzes). Na classificação geral, em primeiro ficou a China com 231 medalhas (sendo 95 ouros). Em segundo ficou a Rússia com 102 medalhas (36 ouros) e, em terceiro a anfitriã, Grã-Bretanha, que conquistou 120 medalhas (34 ouros). Em relação à nossa participação em Pequim, em 2008, foram 4 medalhas a menos e os brasileiros subiram ao pódio em 7 modalidades, contra 10 daquela competição passada. O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, afirmou que o aumento no número de ouros era prioritário dessa vez e que novas conquistas aconteceram, como as medalhas inéditas na Esgrima em Cadeira de Rodas (ouro) e Goalball (prata). Alguns fatores também contribuíram para a diminuição no número total, incluindo a exclusão de provas do programa da natação e lesões, como a de Johansson Nascimento nos 100m do atletismo, que tirou do Brasil um pódio praticamente certo. Em Londres foi possível observar atletas muito promissores em modalidades que não subiram ao pódio, como: remo, tênis de mesa e tênis em cadeiras de rodas. Eles são esperanças fortes para os jogos no Rio de Janeiro daqui a 4 anos. A meta anunciada em 2009 para 2016 foi brigar

A natação brasileira mostrou sua garra: terminou com 14 medalhas, em 6º lugar no ranking da modalidade. Daniel Dias conquistou o ouro nas suas 6 provas individuais (50m, 100m e 200m Livre, 50m Borboleta, 100m Peito e 50m Costas) e, de quebra, estabeleceu 4 novos recordes mundiais da classe S5 (50m Livre, 50m Borboleta, 100m Peito e 50m Costas) e um recorde paralímpico (200m Livre). Ele é o maior medalhista paralímpico brasileiro, com 15 pódios (10 ouros, 4 pratas e 1 bronze), superando os 13 de Clodoaldo Silva e Ádria Santos. O atleta foi o segundo maior campeão das Paralimpíadas de Londres, atrás apenas da nadadora australiana Jacqueline Freney, com 8 ouros. André Brasil também se destacou, subindo ao pódio em 5 de suas seis provas individuais: foi ouro nos 50m e 100m Livre e nos 100m Borboleta e prata nos 100m Costas e 200m Medley. Além disso, bateu o recorde mundial nos 50m Livre S10 e o recorde paralímpico nos 100m Borboleta S10. Phelipe Rodrigues completou o time dos medalhistas masculinos, com a prata nos 100m Livre S10. Entre as mulheres, Edênia Garcia conquistou a prata nos 50m Costas S4, repetindo o seu feito de Pequim. A estreante Joana Neves conquistou o bronze nos 50m Borboleta. Surpreendente mesmo foi o corredor brasileiro biamputado, Alan Fonteles, de 20 anos, que conseguiu uma vitória histórica nos 200m sobre o sulafricano Oscar Pistorius, conhecido como Blade Runner, nome consagrado inclusive por correr nas Olimpíadas com atletas comuns. O velocista brasileiro passou à frente de Pistorius, que liderava a prova, com uma arrancada surpreendente na reta final, conquistando o ouro olímpico com um tempo de 21s45, à frente dos 21s52 do sulafricano. Pistorius, inconformado, criticou uma suposta irregularidade das próteses usadas por Fonteles, que o deixariam mais alto, uma vantagem na corrida. No dia seguinte, pediu desculpas. O Brasil fez a sua melhor campanha na história do Atletismo paralímpico e encerrou a participação nas provas


esporte

de campo e pista com 17 medalhas: 6 de ouro, 8 de prata e 3 de bronze, superando a participação em Atenas 2004, quando foram conquistadas 16 medalhas, sendo 5 de ouro, 6 de prata e 5 de bronze. No último dia da competição, por exemplo, houve recorde mundial no Lançamento de Dardo F37/38, com Shirlene Coelho cravando 37,86m, pódio duplo nos 100m T11, com Lucas Prado (prata) e Felipe Gomes (bronze), e medalha de prata e recorde mundial F57 (45,38m) de Claudiney Batista no Lançamento de Dardo F57/58. Também no último dia saiu a 21ª medalha de ouro com a vitória de Tito Sena na Maratona T46. E ainda teve pódio triplo inédito com as corredoras cegas: Terezinha Guilhermina, Jerusa Santos e Jhulia Karol cruzaram praticamente juntas a linha de chegada nos 100m T11 feminino, com os tempos de 12s01, 12s75 e 12s76, respectivamente. Além do ouro, Terezinha conseguiu baixar o recorde

mundial, que já era dela (12s04, no Mundial de Christchurch, em 2011). Entre os homens, dobradinha no pódio com Felipe Gomes que venceu os 200m T11ao lado do guia Leonardo Lopes (22s97), seguido por Daniel Mendes e Heitor Sales (22s99). O terceiro brasileiro na disputa, Lucas Prado, guiado por Justino Santos, teve dificuldades na curva e terminou a prova em quarto lugar. A bocha conquistou 3 ouros, com Dirceu Pinto, Maciel Santos e Eliseu Santos em dupla com Dirceu. Eliseu ainda faturou um bronze. Por equipes, o Brasil conquistou de forma invicta, e sem levar gols, o tricampeonato paralímpico de Futebol de 5. A Seleção Brasileira masculina de Goalball trouxe a prata. Na esgrima, o ouro ficou com o gaúcho Jovane Guissone em sua primeira Paralimpíada.

Rumo ao Rio Na festa de encerramento, coman-

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esporte dada pela banda Coldplay, com participações de Rihanna e Jay-Z, um espetáculo de dança, luzes e cores. E o Brasil também se apresentou, convidando para a próxima edição, com um vídeo de imagens do Rio. Foi travada a carioca “batalha do passinho” e apresentados ritmos brasileiros como: funk, samba, frevo e outros. Em meio à dança com bailarinos em cadeiras de rodas, participaram o cantor e compositor Carlinhos Brown, a atriz e cantora da Orquestra Imperial, Thalma de Freitas, e Herbert Vianna em sua cadeira de rodas, comandando o Paralamas do Sucesso. Daniel Dias e Ádria Santos entraram em carro aberto... foi um espetáculo lindo e grandioso ! Na volta para casa, os atletas que recebem ajuda dos governos de São Paulo e do Rio foram homenageados. Os dois apoios foram muito importantes no treinamento. A presidenta Dilma Rousseff aproveitou a visita deles ao Palácio do Planalto e lançou o plano “Brasil Medalhas 2016”, que prevê investimentos de R$ 1 bilhão para colocar o Brasil entre os 5 primeiros nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro e nos 10 primeiros países nos Jogos Olímpicos. Estão incluídas bolsas para treinamento dos atletas, técnicos e equipe multidiscipliar, assim como compra de equipamentos. Também foi anunciada a construção do primeiro centro de treinamento Paralímpico brasileiro.

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notas Cadeiras de rodas terão novidade em 2013

Em testes há 2 anos, uma nova roda para cadeiras promete inovar o setor, minimizando as dificuldades de quem se locomove por locais pouco adaptados às necessidades dos usuários. O modelo “easyMob” foi desenvolvido com investimento 100% nacional. Tem um sistema similar a uma marcha de bicicleta: possui engrenagens de duas velocidades, que possibilitam mudança para a marcha mais baixa, reduzindo o esforço de subir e descer rampas ou rolar sobre qualquer tipo de terreno irregular como gramados, areia, carpetes ou solo. Outro ponto positivo é o sistema de segurança anti-retorno em subidas, permitindo descansar se necessário, eliminando a necessidade de assistência e evitando possíveis acidentes. “A easyMOB proporciona uma vida mais independente e os cadeirantes podem ser, de uma forma mais efetiva, incluídos no mercado de trabalho, participar da atividades de lazer, etc. Promove uma melhor qualidade de vida, uma vez que eles passam a maior parte do tempo sobrecarregando os ombros com o esforço de mover a cadeira de rodas com todo o peso corporal”, atesta Vanessa Vicentini, terapeuta ocupacional especializada em reabilitação de pessoas com deficiência física, que auxilia a equipe da easyMOB no desenvolvimento do produto. Mais de 70% dos que usam cadeira de rodas sofrem com dores nos ombros, braços e punhos e o novo modelo pode diminuir, em caráter preventivo, lesões musculares dos membros superiores, justamente porque reduz o esforço físico. “Esperamos trazer o produto ao mercado nacional com um custo muito menor do que produtos similares comercializados em outros países. No Brasil, não temos nada parecido, esse será o primeiro de patente própria do país” diz Renaud Deneubourg, diretor da easyMOB. A comercialização será feita em lojas especializadas em produtos ortopédicos e cadeiras de rodas. Mais no site: www.rodaeasymob.com.br

Salvador/BA ganha loja da Cavenaghi

A Cavenaghi chegou a Salvador/BA e inaugurou sua loja na cidade no em 29 de agosto último, para oferecer soluções inteligentes, produtos de alta qualidade e proporcionar independência e qualidade de vida às PcD da região nordeste. Em concessão exclusiva, oferece suas linhas de Direção, Transporte, Cadeiras de Rodas e Acessórios, Adequação Postural, Autonomia e Acessibilidade, que contempla o transporte adaptado, adaptação de ambientes e locação de equipamentos. O espaço de 250 m², com loja e show-room, funciona como um centro de referência em reabilitação e mobilidade em toda região Nordeste. Possui ainda área de serviços, salas de integração e acompanhamento terapêutico, além de uma oficina onde serão realizadas as adaptações veiculares, segmento em que é pioneira. A Cavenaghi Salvador conta com expertise da Holos no transporte de cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida e na adaptação de ambientes. A loja fica na avenida Presidente Castelo Branco, no Edifício Centralvalle, numa excelente localização. Vale a pena visitar e conhecer !

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trabalho

Pessoas com deficiência conseguem mais empregos

E

m 2011, um total de 325.291 pessoas com deficiência estavam empregadas no mercado de trabalho formal. O número representa alta de 6,3% em relação a 2010 (306.0134 trabalhadores). Os dados constam da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e foram divulgados em 18/09 pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O total de trabalhadores com carteira assinada chegou a cerca de 46,3 milhões. O resultado aponta uma recuperação no mercado já que no período de três anos, 2007 a 2010, houve uma queda de 12%. Entre os trabalhadores, predominam as pessoas com deficiência física (53,55%), seguida dos deficientes auditivos (22,61%), visuais (6,71%), intelectual (5,78%) e, por último as pessoas com deficiência múltipla (1,27%). Os empregados reabilitados representaram 10% do total. Quanto à escolaridade, das 325 mil pessoas com deficiência empregadas, 136.077 (41,9%) concluíram o ensino médio, enquanto em 2010 este número era de 121 mil; com ensino fundamental completo, o número para 2011 era 38.139 (11,72%) e, em 2010, 41 mil; com curso superior completo, o dado de 2011 é 39.651 (12,18%), frente aos 37 mil de 2010. Os resultados demonstram que as pessoas com deficiência estão tendo mais acesso à educação em relação a Rais 2010. Foram registrados 2.560 analfabetos. Os homens com deficiência são maioria no mercado de trabalho, com participação de 65,74% do total. Porém, a participação das mulheres aumentou em 2011, sendo a variação de 2010 para 2011 de 4,46% do gênero masculino e 5,31 do feminino. Quanto aos rendimentos, as pessoas com deficiência receberam, em média, R$ 1.891,16, superando a média dos rendimentos do total de vínculos formais, R$ 1.190,13. A diferença de rendimentos entre as pessoas com deficiência e o da média nacional pode ser creditada à média percebida pelos trabalhadores reabilitados (R$ 2.167,83), pelos trabalhadores com deficiência física (R$ 1.851,90) e os com deficiência auditiva (R$ 2.110,11) cujos rendimentos são maiores que a remuneração média desses trabalhadores. Os trabalhadores com deficiência mental têm o menor rendimento (R$ 872,42).

Lei de Cotas

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Em agosto passado o MTE atualizou norma de fiscalização sobre inclusão de pessoas com deficiência e beneficiários da Previdência Social reabilitados. A Instrução Normativa 98 (IN 98) uniformiza os procedimentos adotados. A norma anterior sobre o assunto estava em vigor desde 2001. A IN estabelece


trabalho que os auditores devem participar desde o processo de captação da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, sua contratação, adaptação no ambiente de trabalho e eventual desligamento. A nova IN também especifica como se dará a caracterização da pessoa com deficiência, regulamenta a centralização das ações nas Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego (SRTEs), prevê as formas de combate a práticas discriminatórias, descreve o procedimento especial de fiscalização e os procedimentos a serem utilizados na lavratura dos Autos de Infração.

Lançado programa para beneficiários do BPC O Benefício de Prestação Continuada (BCP), que garante a transferência mensal de um salário mínimo ao idoso, com idade de 65 anos ou mais, e à pessoa com deficiência, de qualquer idade, com impedimentos de longo prazo, tem agora uma alteração: foi lançado oficialmente, em 03/08, o BCP Trabalho, que quer atingir beneficiários com deficiência entre 16 e 45 anos. Esse grupo representa cerca de 900 mil pessoas com deficiência, de um total de 1,9 milhão que recebem o benefício. A ideia é oferecer programas de aprendizagem e qualificação profissional para que seja possível o acesso ao trabalho. Até 2014, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) pretende visitar 100 mil beneficiários para oferecer a qualificação, numa ação que integra o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite. Nas visitas domiciliares é feito um diagnóstico social sobre a família. “Nessa fase, deixamos claro que participar dos cursos e trabalhar não é uma condição, mas uma opção, e que, ao fazer os cursos, as pessoas não perdem o benefício”, explica Elyria Credidio, coordenadora-geral de Acompanhamento dos Beneficiários do Departamento de Benefícios Assistenciais. Os interessados serão encaminhados a vagas em cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). O projeto piloto do BCP trabalho foi implantado em São Paulo/ SP e Santo André/SP em 2010 e depois estendido a outras sete capitais: Belém, Fortaleza, Teresina, João Pessoa, Recife, Campo Grande e Porto Alegre. “Muitos receiam perder o benefício, mas, na verdade, ele fica apenas suspenso quando a pessoa comunica ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que está trabalhando. Se ela perder o emprego, volta a receber o BPC sem necessidade de novo registro”, garante a coordenadora.

notas Netshoes: esporte adaptado chega ao comércio virtual !

O #EsporteSemLimites, movimento pioneiro de iniciativas para incentivar o esporte adaptado no Brasil, é um lançamento da Netshoes, que reúne lojas virtuais de esporte e lazer na América Latina. A empresa de e-commerce investe em uma linha exclusiva com mais de 50 produtos para o setor, em modalidades esportivas como: bocha, basquete, futebol e rugby, desenvolvida em parceria com instituições para pessoas com deficiência e fornecedores. No dia 11 de outubro, data comemorativa da pessoa com deficiência física, a Netshoes lançou o “Dia Sem Limites”, inaugurando uma parceria com a Escola do Esporte Adaptado da Associação Desportiva para Deficientes (ADD), em que 5% da receita das vendas, exceto impostos e frete, foram destinados à compra de equipamentos esportivos para a entidade. “O apoio deverá permitir dobrar o número de modalidades atendidas pela ADD e passaremos a oferecer tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, ciclismo, tiro com arco e rugby em cadeira de rodas”, explica Eliane Miada, fundadora e diretora da ADD. Segundo Renato Mendes, gerente de assuntos corporativos da empresa, a ideia do Movimento partiu da própria Nethoes. “No começo era apenas uma ação de responsabilidade social, mas cresceu tanto que hoje é considerado um importante mercado”. Os primeiros a conhecer o projeto foram o funcionários, que participaram de um evento na sede da rempresa, em São Paulo, com palestra de Steven Dubner, fundador da ADD – Associação Desportiva para Deficientes. “Era importante fazer essa apresentação para nosso colaboradores, pois eles precisam conhecer o projeto e sentir orgulho de fazer parte desta ação”, finaliza Renato. A Revista Reação este presente, fazendo a cobertura. A empresa também preparou uma série de mini-documentários (vídeos) para retratar como 7 esportistas com deficiência desafiaram e ultrapassaram seus próprios limites. Os personagens são atletas da ADD e ACIDE, entidades apoiadas pela Netshoes. As histórias estão na fan page: www. fb.com/lojnetshoes ou no canal do Youtube: www.youtube.com/netshoes.

Atletas da ADD também estiveram presentes no evento

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lição de vida

“Colegas”

Filme traz atores com Síndrome de Down e fatura principais prêmios do Festival de Gramado 2012

E

streia nacionalmente, em 9 de novembro próximo, o filme “Colegas”, que foi a grande atração do 40º Festival de Cinema de Gramado/RS, realizado no último mês de agosto. Além de arrematar o Kikito (troféu para o 1º lugar) na categoria Melhor Longa-Metragem Nacional, levou para casa os prêmios de direção de arte e especial do júri para os atores Ariel Goldenberg, Rita Pokk e Breno Viola. Além deles, outras 60 pessoas com Síndrome de Down também participam, ao lado de atores como: Lima Duarte, Leonardo Miggiorin, Deto Montenegro e Juliana Didone, entre outros. A produção é de Marçal Souza, que tem deficiência visual, e o roteiro do diretor Marcelo Galvão, também produtor e montador. Afinal, Galvão tinha motivos de sobra para se empenhar no projeto, que durou por volta de 7 anos - o filme foi uma homenagem ao tio dele, Márcio, que também tinha Down e faleceu com mais de 50 anos, em 2011: “Lembro com alegria quando ele passava as férias com a gente. Era sempre muito divertido e alto astral quando chegava. Por isso, decidi escrever um roteiro que mostrasse a beleza e o brilho da alma dessas pessoas”, conta o diretor. A história é um “road movie” sobre três colegas apaixonados por cinema, que trabalham na videoteca do instituto onde vivem. Eles roubam um carro e vão em busca de seus sonhos: Stallone (Ariel) quer ver o mar, Aninha (Rita) casar e Márcio (Breno) voar. O caminho até a premiação não foi fácil. Conseguir financiamento para o projeto, por exemplo, mostrou a existência de muitos preconceitos. Galvão conta que várias empresas alegaram não ter interesse em associar a marca a um projeto com pessoas com Síndrome de Down. “Não percebiam que o filme é muito maior do que isso, é sobre sonhos, coragem, superação, amizade, amor, temas que são universais e atemporais”, explica.


lição de vida “Felizmente, conseguimos captar patrocínio junto aos que viram o filme como um incrível projeto de inclusão social e valorização da diversidade através do cinema e fizeram nosso sonho se tornar realidade”. O filme foi orçado em R$ 6 milhões e conseguiu apoio da SABESP, Prefeitura de Paulínia/SP, Petrobras, Neoenergia, AkzoNobel, KSB, Libbs, NET, Locaweb, CVC, Docal e SENAC. A distribuição será da Europa Filmes, em 150 salas pelo Brasil. Para o lançamento estão captando recursos via crownfunding (financiamento coletivo), com o objetivo de expandir o número de cinemas. Para participar, basta entrar em www.catarse.me/ colegas e escolher o valor da doação que começa a partir de R$ 20. “Há várias recompensas interessantes para quem contribuir”, garante o diretor. Galvão lembra que quando conheceu Ariel e Rita, eles ligavam todos os dias para saber se já havia patrocínio. Os ensaios semanais começaram em junho de 2008, não tanto porque eles precisavam de preparo, mas sim para que o sonho não acabasse. “Toda quinta-feira à noite, a gente se reunia na produtora para fazer laboratório e esse foi um processo maravilhoso e muito lúdico, que repetimos durante dois anos. O Breno se uniu ao grupo mais próximo do início das filmagens, então, nessa época, estudávamos muito o roteiro e interpretação. Em junho de 2010, iniciamos as tomadas de cena e eles foram muito profissionais, disciplinados e dedicados ao longo de todo o processo”, conta. Os bastidores dos ensaios e filmagens podem ser conferidos no blog http://blogcolegasofilme.com e, futuramente, será lançado o documentário “Três Vidas e um Sonho”, que vai mostrar a trajetória de cada um deles: antes, durante e após a filmagem de “Colegas”.

Histórias de vida Na vida real, Airel tem 31 anos e Rita 32, são casados e levam uma vida comum em São Paulo/SP. Ele, trabalhando em uma empresa de tintas. E ela, numa rede de farmácias. A paixão por atuar não vem de agora para Ariel: ele já apareceu em uma novela no SBT, na série Carga Pesada da Rede Globo, no curta-metragem “Oija” e no documentário “Do Luto à Luta”, de Evaldo Mocarzel. Galvão os conheceu por causa de uma entrevista no programa de Marília Gabriela. Agora depois do filme, ele tem vontade de fazer novela. “Queria que o filme entrasse na história do cinema porque discute inclusão e preconceito, temas muito pesados que o filme aborda de maneira leve”, afirma Ariel. “É o melhor espetáculo que o mundo já viu, o filme mais polêmico do Brasil”, garante. Ele, que pensa em fazer uma campanha chamada “Combatendo o Preconceito”, considera que, depois de verem o filme, as pessoas vão entender melhor a questão da pessoa com deficiência.

Rita, igualmente, quer prosseguir na carreira mas, por enquanto, só no cinema. Ela também participou do documentário de Mocarzel: “Amo o cinema, é o que quero, é o meu sonho”, afirma. Breno tem 31 anos e mora no Rio de Janeiro/RJ. É judoca faixa-preta e já fez teatro infantil e musical com o diretor Deto Montenegro, além de dar depoimento na novela “Páginas da Vida”, na Rede Globo e participar de um comercial. Coordenador de Conteúdo Acessível do Movimento Down, discursou em agosto, no 11º Congresso Mundial sobre Síndrome de Down, realizado na África do Sul, sendo o único representante com Down da América Latina. “O filme vai mostrar que a gente não é coitadinho, vai mostrar outro olhar e será importante para diminuir o preconceito. Temos capacidade de fazer tudo, igual a todo mundo”, ele fala, sonhando também em continuar a carreira de ator.

Uma história que daria um outro filme... A história da mãe de Rita, Muriel Elisa Távora Niess Pokk, bem que poderia render um filme também. Separada do marido quando a menina tinha só 3 anos e o filho mais velho 5, lutou sozinha para vencer os preconceitos. Entre suas várias batalhas, tentou por três anos junto a provedores da internet para que fosse criada uma sala de bate-papo especial para pessoas com deficiência, depois de ver as muitas tentativas frustradas da filha em se relacionar usando salas normais. Ela conseguiu primeiro com o StarMidia, que não existe mais, e com o UOL e, de quebra, com a ajuda do filho, criou no ano 2000 o site de relacionamentos “Grandes Encontros” (www.grandesencontros.com. br), que ela considera o primeiro no mundo a promover encontros entre pessoas com deficiência física, sensorial e intelectual. Foi justamente no site que Ariel conheceu Rita. Depois de quatro anos de namoro, eles se casaram. As principais dificuldades e conquistas de Muriel também podem ser lidas no site.

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opinião

por Sebastião Misiara

Faça justiça com as próprias mãos: VOTE !

O

amigo leitor é o caminho mais próximo para que a sociedade veja acontecer as mudanças que espera nas Câmaras Municipais. O eleitor projeta o vereador do futuro no seu voto e na sua militância cidadã. O eleitor faz a seleção dos candidatos. O eleitor é a alma da política de uma cidade. Sobre ele recaem, todas as responsabilidades sobre seu próprio destino. Konrad Adenauer - Chanceler Alemão - disse que “a melhor maneira de ensinar a Democracia é nos municípios. É neles que o trabalho prático e o resultado de uma eleição têm a melhor visibilidade”. Os seguidores de sua visão política, inspirada na Doutrina Social da Igreja, têm a íntima convicção de que o regime democrático assegura a igualdade de oportunidades, a justiça, a liberdade e o vigor dos direitos fundamentais. Por outro lado, devemos considerar, também, como apontava Burguess, que o governo do povo e pelo povo, deve ser realizado pelos melhores do povo. A grande missão dos partidos políticos é a de concorrer para que a democracia se realize pela seleção moral e intelectual dos seus

candidatos. Agora, a escolha recai sobre o eleitor. Para o filósofo Francis Wolff, o desinteresse dos cidadãos pela política é uma ameaça à democracia. O apolitismo, afirma ele, abre caminho para que “políticos profissionais” cheguem ao poder e, sem sofrer cobranças, trabalham por medidas descoladas das necessidades e dos desejos dos cidadãos. É ele quem sentencia que o distanciamento entre governantes e governados é a negação da democracia, aquela lembrada por Adenauer. Todos os municípios do país têm uma câmara municipal, mas não são todos que possuem um Poder Legislativo. É preciso lembrar que o Poder Legislativo ativo, independente, constituído por pessoas dispostas a servir à comunidade, é o mais importante deles, graças à Constituição Cidadã, que lhe confere os direitos para tanto. Aí reside o maior desafio do eleitor. Levar para esse Poder pessoas capazes de dignificá-lo, honrá-lo e respeitá-lo. Essas, eleitas, transformarão a câmara em poder legislativo, reduto da confiança do povo. Não há problema do município que não seja problema do Poder Legislativo. Não há problema do cidadão que não seja problema dos legisladores. A construção do Poder Legislativo Municipal passa pela constante necessidade de a câmara municipal justificar-se junto à sociedade. A Câmara Municipal só pode tirar acima de si o que lhe esconde se os eleitores compreenderem a importância desse poder e escolher os melhores do povo para assumi-lo. Geraldo Alckmin, governador do Estado de SP, antes vereador, hoje governador, por sua trajetória, sabedor dos anseios do povo, criou projetos de importância fundamental e que precisam dos municípios. São Paulo, “Estado Amigo do Idoso” oferece condições para que os municípios pensem nesse segmento como o maior nos próximos anos, portanto, necessitado de políticas públicas. Municípios de Interesse Turístico, por onde, através do incremento do turismo, alcançar-se-á o sonhado desenvolvimento sustentado. Finalmente, a preocupação com a população de 46 milhões (maior do que a Argentina) de pessoas com deficiência, cujas políticas públicas ainda estão longe do desejado. Para o eleitor cabe perguntar, quantos líderes municipais estão preocupados com esse farto material de igualdade social ? É por aí que se cria o futuro que se almeja.

Sebastião Misiara é presidente da União dos Vereadores do Estado de São Paulo.


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artigo

por Wiliam Machado

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2012 Flagrantes da (IN)ACESSIBILIDADE para candidatos e eleitores com deficiência...

É

fato que as últimas eleições municipais, como a que acaba de acontecer, ficaram marcadas pela falta de acessibilidade estampada nas mais diversas formas de barreiras para que pessoas com deficiência participassem em igualdade de condições com as demais pessoas, tanto para candidatos quanto para milhões de eleitores. Candidatos com deficiência tiveram de enfrentar e superar barreiras de toda ordem para se equiparar aos demais que disputaram vaga eletiva no pleito eleitoral de 2012. Da mesma forma, eleitores com deficiência, a exemplo do que ocorre com surdos, foram descaradamente discriminados e excluídos do processo, por não haver intérprete da Língua de Sinais Brasileira (LIBRAS) para lhes assegurar compreensão daquilo que estava sendo apresentado pelos candidatos em suas propostas políticas, como se não se tratassem de temas seminais em suas vidas. Eleitores ou candidatos com deficiência física e usuários de cadeiras de rodas, amargaram experiências de transitar com ajuda de terceiros em calçadas com péssimo estado de conservação, até alcançar o local do evento. O que desmotivou eleitores com esse perfil a correr risco de quedas que pudessem comprometer o físico-funcional já reabilitado, expondo-lhes a novos transtornos com transporte, avaliação diagnóstica e agendamento em programas de reabilitação para tratamentos de longo prazo. Razões suficientes para que não se envolvessem com eventos do processo eleitoral, haja vista a inacessibilidade, que imperou nos mesmos. Maiores e mais aguçadas se tornaram as razões que levam candidatos com deficiência, a defender direitos fundamentais de seus pares, tão violados e subjugados ao longo da nossa história. Assim, candidatos com deficiência não tiveram outra opção, senão enfrentar as adversidades decorrentes do descumprimento da legislação vigente para participar dos comícios e demais atos públicos da agenda eleitoral, por maior que se constituissem barreiras arquitetônicas, comunicacionais, entre outras. A inexistência de piso tátil no entorno ou mesmo no local dos eventos para orientação geográfica dos cegos, assim como

ausência de placas sinalizadoras com legendas em braile, infringiram direito à liberdade dessas pessoas quanto ao ir e vir, além de haver lhes cercear direitos à dignidade humana com acesso à informação e comunicação, direitos fundamentais da pessoa com deficiência. Tudo isso contrariando preceitos elencados na Convenção das Nações Unidas sobre Direitos da Pessoa com Deficiência. Barreiras de toda natureza que encaramos na vida cotidiana por falta de opção, parte do habitual desafio de sobreviver na adversidade e se apresentar combatente na incansável batalha pelos direitos que a Carta Magna do Brasil nos confere. Se tomarmos como elemento norteador das nossas reivindicações o delimitado pela Convenção das Nações Unidas sobre Direitos da Pessoa com Deficiência, hoje, equivalentes à emenda constitucional, não haverá norma infraconvencional (lei ordinária municipal, por exemplo) ou qualquer outra regra proferida pelos Poderes Legislativos federais, estaduais, distritais e municipais que a sobreponha. O cumprimento dos artigos da Convenção está diretamente relacionado a nossa capacidade de mobilização, organização e defesa de seus conteúdos, como se fossemos seus fiéis defensores e guardiões. Nada nos chegará pronto, em qualquer recorte temporal que analisemos, sem que tenhamos empenhado esforços para alcançá-lo, e os candidatos com deficiência estiveram a nossa disposição para interceder nas esferas políticas como nossos legítimos representantes nesse cerimonial cívico. Predominou mais uma vez a absoluta falta de noção dos candidatos sem deficiência, em particular, pelos freqüentes convites aos colegas usuários de cadeiras de rodas, convocando-os para caminhadas nas áreas de grande concentração de estabelecimentos do setor comercial, bancário, etc., desconsiderando a falta de acessibilidade nas calçadas, presença de degraus na porta de entrada das lojas, além da impossibilidade de o cadeirante acompanhar o frenético ritmo dos andantes.


artigo Não seria mais adequado e oportuno aos candidatos andantes participar de grandes “cadeiratas” ? Só assim vivenciariam as dificuldades enfrentadas pelos cadeirantes para se locomover nas nossas cidades. A disposição de se lançar candidato em quaisquer pleitos eleitorais exige da pessoa com deficiência gasto de energia hercúlea, preparo e afinação com o discurso contemporâneo das grandes questões sócio-políticas do Brasil. Conhecimento e domínio das nuances contidas nas entrelinhas das políticas públicas voltadas para esse segmento social, devidamente articuladas com o geral, universal, contextual, fundamentos deveras essenciais na construção e composição das idéias que o candidato se serve para respaldar seus argumentos escritos e/ou proferidos oralmente. Tudo cuidado é pouco quando se trata de coerência entre a retórica e prática, até porque somos responsáveis pelo que pensamos, falamos e a maneira como agimos, em particular, com nossos semelhantes, sejam eles nossos pares ou não. Quem por nossos atos adversos seja prejudicado, a qualquer hora pode se apresentar para acertos, ocasiões em que podemos ser flagrados por fatais contradições. Conduta correta, ética, fraterna e humanitária é fundamental aos que se pretendem respeitáveis personalidades políticas. Nesse aspecto, recomenda-se que o eleitor com deficiência exerça sempre a consciência cidadã, votando e elegendo candidatos comprometidos com a militância desse segmento social organizado, pessoas com histórico de luta em prol da inclusão e cidadania de seus pares. Que tragam seus familiares e também busquem se informar e atualizar quanto aos instrumentos legais que lhes estejam à disposição, tanto no concernente aos seus direitos quanto deveres. Não devemos perder de foco que nossos direitos terminam no exato ponto em que começam os das outras pessoas, com ou sem deficiência, inclusive, em determinadas situações podem se cruzar, ocasiões em que necessário se faz recorrer ao bom senso, sensibilidade e reciprocidade. Se tivermos como meta a construção de uma sociedade igualitária, não obstante as diferenças individuais que nos caracterizam humanos e singulares haveremos de nos comportar dando exemplos. Muitos outros pleitos eleitorais virão. Que façamos deles oportunidades e momentos decisivos para a transformação do status quo. O que não pudemos transformar agora, que não percamos oportunidade de em maior escala fazê-lo nas eleições de 2014

Wiliam Machado éProfessor Doutor na

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO/RJ. E-mail: wilmachado@uol.com.br

notas Toyota inaugura sua nova fábrica em Sorocaba/SP e apresenta o novo Etios

A Toyota realizou, no começo de agosto em Sorocaba/SP, a cerimônia de inauguração de sua nova fábrica. Esta é terceira planta da montadora no Brasil, que recebeu um investimento de U$ 600 milhões e será responsável por fabricar o novo Etios, nas versões hatchback e sedã. A unidade terá capacidade de produção inicial de 70 mil veículos por ano e vai gerar 1.500 empregos diretos. Desenvolvido para o mercado brasileiro, o novo Toyota Etios marca a entrada da Toyota no segmento de carros compactos. Apesar de questionável no quesito “beleza”, o novo Etios tem a seu favor um grande trunfo: a qualidade Toyota em mecânica e tecnologia, o que já cria uma expectativa de baixa custo de manutenção e grande durabilidade do veículo. O Etios terá dois tipos de motorização. A versão hatchback será equipada com propulsores de 1.3L e 1.5L flex, ambos 16 válvulas. Já o sedã virá com o motor 1.5L. Ambos os motores possuem arquitetura leve e compacta, fazendo com que o interior do veículo seja um dos mais silenciosos deste segmento. O modelo será ofertado aos consumidores com transmissão manual de 5 velocidades e um dos melhores índices de consumo de combustível da categoria. A segurança é outro ponto forte do Etios que também sairá de fábrica já equipado com freios ABS e airbag de série. O grande ponto negativo está por conta da falta de modelos com câmbio automático, contrariando uma tendência do mercado brasileiro. Isso sem dúvida, deve limitar a venda do Etios para o mercado PcD.

São Paulo tem novos táxis acessíveis

A capital paulista tem, desde o final do mês de setembro, mais 15 táxis adaptados. Os alvarás foram entregues pela Prefeitura dentro do plano de 290 novos alvarás para taxistas que serão fornecidos por determinação da Portaria 113/12, que prevê 58 novos táxis acessíveis. No total, a cidade passará a ter 93 veículos adequados. O serviço começou em 2009, com 35 veículos, destinados ao atendimento de pessoas com deficiência física. Posteriormente, esses táxis passaram a atender pessoas com mobilidade reduzida, permanente ou temporária, com deficiências visuais e auditivas, além de idosos, gestantes, lactantes e pessoas com crianças de colo. O táxi acessível permite ao passageiro cadeirante fazer a viagem sozinho ou acompanhado por até duas pessoas. Outro benefício é que ele não precisa ser retirado da cadeira de rodas para entrar ou sair do carro, já que os veículos possuem uma plataforma elétrico-hidráulica acionada por controle remoto, com sustentação de até 250 Kg. Eles estão em conformidade com as normas técnicas estabelecidas pelo CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito), e também por portarias editadas pela Secretaria Municipal de Transportes (SMT). Os táxis adaptados contam com pontos livres em locais que apresentam maior procura pelo serviço, como o Aeroporto de Congonhas, Terminal Rodoviário do Tietê, Hospital das Clínicas e Hospital Albert Einstein. Da mesma forma como os táxis comuns, as corridas são tarifadas com bandeirada inicial de R$ 4,10 + R$ 2,50 por Km rodado. Além dos pontos livres, todos os veículos estão vinculados às cooperativas ou empresas de rádio-táxi. A listagem com os telefones pode ser consultada pelo Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC), ou pela internet no site da Secretaria Municipal de Transportes.

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política

Novas determinações beneficiam pessoas com deficiência

P

rograma de Combate ao Preconceito contra Pessoa com Deficiência nas escolas da rede pública e privada do estado do Rio de Janeiro foi publicado no Diário Oficial do Executivo, em 20 de setembro. A lei 6.324/12 tem como objetivo “ensinar, sensibilizar, conscientizar, capacitar e informar educadores, alunos, e demais profissionais no combate ao preconceito”. A nova lei foi sancionada com um veto parcial, que deve retornar para apreciação em plenário. “Estes jovens podem não saber dimensionar essas agressões. Ao chamarmos a atenção para elas, aumentamos as chances de denúncias, além de inibir a prática ainda comum”, argumenta o presidente da Comissão de Defesa da Pessoas Portadoras de Deficiência da Assembleia Legislativa, deputado Márcio Pacheco (PSC). Ele relatou que, recentemente, a comissão recebeu denúncia de agressão física e sexual a estudante com deficiência mental em uma escola em Nova Iguaçu/RJ, na Baixada Fluminense. “Precisamos de programas assim para que casos como este não se repitam”, justifica.

Brasília/DF

Em vigor desde a última semana de agosto, lei permite a entrada de idosos, gestantes, pessoas com deficiência, ou com crianças de colo e as que sofrem de obesidade grave em eventos promovidos no DF, com o mínimo de 30 minutos de antecedência do restante do público. A lei estabelece ainda que quem não seguir a norma receberá advertência, multa de R$ 1 mil até R$ 10 mil, suspensão temporária das atividades e até revogação do alvará de funcionamento. De acordo com o subsecretario de Defesa das Pessoas com Deficiência, César Pessoa, a população do DF é a principal colaboradora na hora de fiscalizar. “Brasília está na vanguarda mais uma vez” diz. Outra lei sancionada recentemente pelo governador Agnelo Queiroz (PT) garante acesso e acomodação a acompanhantes de pessoas com deficiência em teatros, cinemas e espaços culturais. A proposta entra em vigor em breve e garante ainda que, havendo preço promocional de entrada para a pessoa com deficiência, o benefício também deverá ser estendido ao acompanhante. O local que descumprir a lei será notificado, multado em até R$ 3 mil e interditado. As denúncias podem ser feitas no PROCON, no Ministério Público, no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e na Agência de Fiscalização.

Maranhão

www.casaortopedica.com.br

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) aprovou a utilização do sistema de cotas para pessoas com deficiência nos cursos de graduação. O sistema começará a ser implantado gradualmente a partir de 2013. Inicialmente, apenas os cursos de Administração Bacharelado, Ciências Sociais e Direito, todos em São Luís, terão vagas 5% das vagas reservadas. Os demais cursos ingressarão no sistema nos próximos anos, após a adaptação da estrutura arquitetônica e dos equipamentos nas salas de aula. Uma primeira inspeção já foi realizada pelo Ministério Público para verificar o grau de acessibilidade no campus Paulo VI. Com base no relatório da Coordenação de Obras, Engenharia e Arquitetura do MPMA, serão propostas medidas para assegurar a acessibilidade aos alunos cotistas. Todos os equipamentos e recursos pedagógicos também devem ser adaptados.


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sexualidade

por Fabiano Puhlmann

Separações Necessárias

T

erminar um relacionamento, porque não queremos mais nos relacionar com determinada pessoa, é sempre uma tarefa de difícil execução. Para crescer, sempre precisamos encarar a verdade, não aquela utópica busca de perfeição, mas sim a coerência entre aquilo que sentimos e aquilo que pensamos, levar a serio nossos desejos, medos e sonhos, encarar com coragem o fim e o começo das histórias de amor. Porque todos tem direito a liberdade, ninguém é de ninguém, escolhemos estar com alguém por inúmeras afinidades e renúncia, tolerância à frustração de nossas expectativas em nome de uma aposta de amor, mas quando a magoa, o descontentamento invade o dia a dia, a alma sente-se tolhida e o relacionamento do casal vira um tormento. Quando continuamente você acha que o desejo do outro é sempre te irritar, te contrariar, te desprezar, e você no fundo sente um tédio enorme, um monumental desejo de desaparecer ou fazer o outro sumir. Mas como ter certeza que acabou, que não tem volta, que não adianta conversar, perdoar, não adianta rezar, nem fazer terapia de casal ou individual ? Como ter certeza que o problema não somos nós, com nossas exigências, cobranças e neuroses. Como lidar com o fim ? O limite final de um relacionamento ? Você tem que responder a certas perguntas inconvenientes, algumas relacionadas a você e outras à sua família e a sociedade. Você é uma pessoa autônoma ? Você é realizado ? Você depende de que ? Quem é você ? O que você quer para o resto de sua vida ? Você se responsabiliza por suas escolhas ? Você é capaz de perdoar ? Tem coragem para enfrentar seus medos ? Separamos aquilo que estava unido. A separação fácil somente acontece em casais desunidos, o hábito, a acomodação, a conveniência e as desculpas são os ingredientes da prisão emocional. A cela que criamos para aprisionar nossa alma. As famílias tem grande dificuldade em lidar com separações, resistem a qualquer mudança em nome da estabilidade e perenidade da instituição social, cobram comportamentos rígidos de seus membros, todos seguem um regimento interno não verbal, filhos dependentes e frágeis, pais fortes e maduros. E ninguém pode tentar novos caminhos para além da família. A separação é uma decisão solitária que deve ser comunicada a todos os envolvidos, um rompimento de contrato com consequências emocionais e legais de grande repercussão, acontece depois que desistimos do outro. Quando existe um triangulo estabelecido, um casal, onde um dos elementos tem um amante, a situação da separação ganha contornos complexos, o amante sem querer pode desempenhar uma dupla função, por um lado, dá razões ao rompimento, e por outro, fortalece os vínculos do casal.

O amante, ao ser revelado, recebe a projeção negativa da família nuclear. É o elemento catalizador da traição do vínculo. O amante encoberto torna irracional o rompimento, a comunicação entre o casal fica pautada pelo estranhamento, a dúvida, a rejeição e a culpa, situação insustentável ao longo do tempo. Não nos separamos porque estamos apaixonados por outras pessoas, nos apaixonamos por outras pessoas quando estamos separados emocionalmente de nossos parceiros. Separar é parar o fluxo de energia, de sonho de ligação com alguém. Às vezes, nos separamos por muito gostar, para não machucar, para evitar o sofrimento, ou por medo. Ou por pura renúncia. Neste caso, a separação é o ultimo recurso, o tempo necessário para recuperarmos o controle de nossas vidas. As pessoas com deficiência também podem se separar, ninguém deve se manter em relacionamentos insatisfatórios, não podemos viver frustrados para não magoar parceiros, nem culpados por não amar como antes. A vida vem em ondas como o mar, todos podem aprender a viver de modo diferente, com relacionamentos novos, retomando sonhos e aceitando novos desafios. Quando não dá mais para continuar um relacionamento é melhor seguir em frente sem olhar para trás.

Fabiano Puhlmann Di Girolamo é psicólogo formado pela universidade São Marcos; psicoterapeuta especialista em psicologia hospitalar da reabilitação pela Faculdade de Medicina da USP; especialista em Sexualidade Humana pelo Instituto H. Ellis; especialista em integração de pessoas com deficiências pela Universidade Salamanca/Espanha; especialista de São Paulo; educador sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana e Faculdade de Medicina do ABC; atuação reconhecida nas áreas de acessibilidade e tecnologias de apoio para o ambiente educacional e corporativo, e consultor do Instituto Paradigma.


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mulher

T

por Márcia Gori

Os disfarces sociais... É tudo uma farsa...

enho visto toda a movimentação em nosso meio social, como as pessoas agem, pensam, encaram a vida e os seus problemas e percebo que todos, sem exceção, têm os seus disfarces para transitarem sossegados sem serem questionados pela sociedade, fantasiando uma realidade que muitas vezes é inexistente, isso tudo por questão de ego. E o que mais me deixa intrigada é que uma mentira repetida várias vezes vira uma verdade, e no quanto as pessoas vivem atormentadas por usarem tanto esses disfarces, e o quanto estão ficando pesados com toda essa roupagem, essa situação tão “verdadeira”. Será que não seria melhor estar “nu” ? Esses dias vieram me questionar de algo que nem estava sabendo do que se tratava, mesmo porque tenho me ausentado de muitas discussões e no decorrer dos dias descobri que uma pessoa que confiava tanto era a que mais inventava situações em meu nome (isso admitido por ela mesma para mim), por inveja, desconforto diante de minha pessoa, das amizades que tínhamos em comum... Isso me colocou a refletir no quanto somos frágeis e superficiais em nossas relações humanas. Por que será ? Precisamos e necessitamos estar o tempo todo em evidência, o nosso nome na boca do povo, nem que isso nos custe um tempo em fofocas, maldades para com os outros, o que importa é o “EU”, se estamos bem e realizados dentro daquilo que propomos que seja o nosso certo... Egoísmo ou preservação da espécie ? Nas redes sociais lemos tantas coisas em como ser nós mesmos, no que diz respeito em sermos verdadeiros e ter posicionamento perante a vida e situações, entretanto, o que vivenciamos é algo fantasioso, uma realidade que nem nós mesmos sabemos onde começa o real e a fantasia. Em contrapartida esse mesmo social massacra aquele que diz a verdade e se mostra com muita personalidade, afinal ninguém gosta de ouvir verdades, aquela historinha que dizem por ai que preferem a dura verdade do que a doce mentira é tudo balela, imploramos para ouvir a mentira, porque não sabemos lidar com o real, com o verdadeiro, pois não somos educados pra sermos sinceros cem por cento. Afinal o que é real de verdade ? Tenho feito essa pergunta a todo instante em minha vida, eu sinceramente já estou cansada dos meus disfarces, contudo a sociedade está preparada para conviver com minha “nudez” ? E eu já estou preparada também para me “despir” dessas roupagens ? Ainda mais no meio em que vivo, trabalho e faço política ? Vocês sabem que dependendo do seu ambiente de trabalho o disfarce é fundamental para sua sobrevivência, essa camuflagem é necessária, porém podemos aliviar um pouco, ser mais ponde-

rados e não nos violentar para não perder nossa personalidade, o nosso jeito de ser, visto que o disfarce não pode ultrapassar o nosso verdadeiro “eu”, tem que existir um parâmetro do que realmente queremos, para não nos perdemos dentro dessa realidade social que tanto nos exige e obriga a ser algo que não queremos para ser amados e bem quistos. Por outro lado, porque essa angustia em ser amados e aceitos por todos, que nos sobrecarrega, nos incumbe a viver uma vida que na maioria das vezes não queremos, não combina com nosso jeito real de ser e até muitas vezes vivemos com quem não queremos tão próximos. Será que a conveniência social é maior do que nós mesmos ? Será que somos tão despreparados em nos aceitar e é melhor viver um faz de conta ? A primeira pessoa que encontramos todas as manhãs somos nós mesmos, querendo ou não, somos nós que vamos nos conectar logo que abrimos os olhos, e ai ? Temos alguns segundos para sermos nós mesmos até alguém nos dizer bom dia. Já pensou com quem você quer de verdade seguir em frente até no final do dia ? Tenho ficado muito incomodada comigo mesmo e esta história que ocorreu comigo me deixou ainda mais inflamada socialmente, venho pensando, analisando friamente sobre o que quero de verdade, conviver comigo “nua” ou conviver “vestida” ? Na votação está ganhando a “nudez”, porque sempre digo que estou numa fase de minha vida que prefiro viver como quero e ser livre em minhas falas e pensamentos, enfim, 49 anos bem vividos não é pra qualquer um e mais vale a pena ser eu mesma do que os que outros querem que eu seja. Então cansei dos meus disfarces, vou fazer um strip tease da minha alma e ver no que vai dar... Até nosso próximo encontro!!! Márcia Gori é bacharel em Direito-UNORP, Idealizadora da

Assessoria de Direitos Humanos - ADH Orientação e Capacitação LTDA, Ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência - CEAPcD/SP 2007/2009, ex - apresentadora do Programa Diversidade Atual no canal 30 -RPTV, ex-Conselheira Estadual do CEAPcD/SP 2009/2011, Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/ SP, membro do CAD - Clube Amigos dos Deficientes de São José do Rio Preto/SP. Idealizadora do I Simpósio sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência do NIS – Núcleo de Inclusão Social da UNORP, Seminário sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência na REATECH 2010/2011/2012, I Encontro Nacional de Políticas Públicas para Mulheres com Deficiência, capacitadora e palestrante sobre Sexualidade, Deficiência e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência, modelo fotográfico da Agência Kica de Castro Fotografias. E-mail: marcia_gori@yahoo.com.br


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moda e estilo

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por Silvia de Castro

Moda Inclusiva versus Mercado

amos falar neste artigo de um resultado relativamente positivo em relação à moda, pois ainda que a maioria das lojas apresentem em suas vitrines, manequins nos tamanhos entre 38 e 44, podemos perceber que a indústria da moda tem investido um pouco mais de atenção na linha de produção para os tamanhos maiores, conhecida no mundo da moda como “plus size”, representado neste artigo pela modelo fotográfico Joziane Cristina de Oliveira. Dependendo do ângulo que analisarmos, podemos ver os dois lados, positivo e negativo. Positivamente, podemos dizer que é possível encontrar lojas que ofereçam roupas até o tamanho 60, mesmo que ainda em pequena quantidade, porém algumas vezes, os tamanhos indicados não vestem uma pessoa com a numeração correspondente, pois a modelagem se apresenta pequena, resultando em um grande desapontamento para a consumidora. Também podemos ressaltar que faltam ainda opções de roupas com estilo jovial e sensual nesta linha. Como sempre falamos da inclusão na moda, é preciso ressaltar que incluir é

quando a indústria realmente busca, desenvolve e apresenta produtos que inclua a todos. É claro que o mundo capitalista tem o foco voltado na produção e mercado, porém o que falta, é um real interesse em desenvolver produtos que possam atender a diversidade dos corpos das pessoas, ou seja, mesmo que existam diferentes e diversos nichos de mercado, acredito que seja sim, possível, desenvolver produtos fabricados em esquema produtivo e comercial. O que falta então ? Interesse. Pois, assim como tenho evidenciado que pequenos detalhes, seja em termos de tecidos, aviamentos ou modelos, podem fazer toda a diferença na inclusão, um investimento em termos de desenvolvimento de modelos que possam atender mercados ainda carentes, podem sim trazer excelentes resultados para os investidores, além do benefício imenso da inclusão. Gosto sempre de ressaltar temas positivos, para que a leitura se torne mais prazerosa, mas infelizmente temos que lembrar o lado capitalista da sociedade, na qual muitas vezes os interesses individuais superam os coletivos, retardando a efetiva existência da REAL MODA INCLUSIVA.

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moda e estilo 2˚ look . Vestido longo em malha, modelo tomara que caia . Tecido: Malha . Composição do Tecido: 96% viscose 04% elastano . As fendas também estarão presentes no Verão 2013.

3˚ look . Vestido caftã ou caftan ou kafta, que é uma túnica longa com mangas amplas, original do Oriente. . Tecido : Malha . Composição do Tecido: 96% viscose 04% elastano

Da esquerda para a direita: A estilista de moda Silvia de Castro, a modelo fotográfica Joziane Cristina de Oliveira, a make Vivian Genari (mais abaixo) e a fotógrafa Kica de Castro (mais acima).

Silvia de Castro é consultora e estilista de moda, especializada em moda e estilo para pessoas com deficiência.

www.freedom.com.br

Email: scestiloterapia@gmail.com Blog: www.estiloterapia.com.br


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teste drive

SPIN

Uma das apostas da nova fase da Chevrolet, o modelo chegou e agradou em cheio os consumidores com deficiência e suas famílias...

R

ecém lançada pela General Motors/Chevrolet, a minivan veio para ocupar o lugar da Meriva e da Zafira, oferecendo opções inclusive, com 7 lugares, porém, com uma ótima relação custo x benefício. É no pacote de itens e nos preços acessíveis em todas as suas versões, que a fábrica aposta para o sucesso da Spin. Para que as pessoas com deficiência, curiosas em saber mais sobre o carro, mais uma vez em parceria com a fábrica (GM), a Revista Reação realizou uma bateria de testes, ficando com uma Spin LTZ –1.8 – automática – versão completa com 7 lugares, por mais de 30 dias. O carro foi adaptado com uma alavanca de freio e acelerador, e um pomo giratório no volante, instalados pela Cavenaghi (empresa líder

em adaptação de veículos, localizada na zona oeste da capital paulista), também em parceria com a publicação, para a plena realização dos testes por pessoas com deficiência e nossa equipe exclusiva de consultores especializados. Típico carro para toda a família, a Spin, além de ter ótimo espaço interno, ainda tem a opção de 7 lugares, mantendo mesmo assim, um porta-malas capaz de carregar a cadeira de rodas. Com o banco duplo traseira rebatido, o porta-malas fica livre, e é aí então que o modelo se torna ainda mais interessante para o consumidor com deficiência e sua família. A Revista Reação vem testando vários modelos da Chevrolet, que lançou vários diferentes de uma só vez, e ainda promete novidades. Aos poucos, vamos apresentando aos leitores uma a um. A marca sempre foi conhecida por ter um dos maiores mix de modelos que atendem às necessidades das pessoas com deficiência, porém, ficou alguns anos sem grandes novidades, praticamente estagnada, o que refletiu sensivelmente na quedas das vendas para o segmento PcD, perdendo espaço para outras marcas. É sempre bom lembrar que a GM foi uma das marcas pioneiras no trabalho junto ao público com deficiência e chegou a liderar o ranking de vendas para o segmento num passado até nem


teste drive muito distante assim. Ao que parece, a marca promete voltar com tudo e investir novamente nessa fatia considerável de mercado, trabalhando o consumidor com deficiência de forma mais enfática, acionando e incentivando sua rede de concessionárias espalhadas por todo o Brasil. A Spin LTZ foi exposta à uma bateria de testes e todos que testaram o carro ficaram impressionados positivamente, e em todos os itens, como: conforto, acessibilidade, dirigibilidade, transferência da cadeira de rodas para o carro e vice-versa, espaço interno e de porta-malas.

Design, conforto, dirigibilidade, visibilidade, desempenho e espaço interno

O desempenho da Spin é bom. Nada de excepcional, mas responde bem aos comandos. A aceleração é perfeita. Meio pesada na arrancada, mas boa nas retomadas. A performance do câmbio automático de 6 marchas é boa, extremamente confortável. O carro não é dos mais silenciosos, normal para uma minivan. Mas chama a atenção a batida seca da suspensão traseira. O modelo, como é praxe da General Motors, é bastante confortável. A Spin é grande por fora e por dentro, o que deixa o motorista com deficiência com um bom espaço para sua acomodação. O mesmo já não ocorre com os passageiros do banco de trás, em função do espaço que o carro precisa deixar para a fileira escamoteável do banco de 2 lugares que se abre no porta-malas quando utilizados os 7 lugares. Os bancos traseiros são bipartidos, o que aumenta ainda

mais as possibilidades de configuração interna, um dos pontos altos do carro. O seu acabamento, pelo preço, também surpreende. É muito bom e vem ainda com rádio/CD/MP3 com entradas auxiliares e sensores de estacionamento. O banco do motorista, com regulagem de altura e sua anatomia, deixam o motorista com deficiência muito bem acomodado, dando a ele conforto e segurança ao dirigir. A posição de dirigir é boa e a visibilidade é ótima, proporcionada pela ampla área envidraçada do modelo e a altura que o motorista fica no carro. O motor 1.8 Flex cumpre bem o seu papel. Tem bom torque e as marchas são bem escalonadas, com boas retomadas e com boas respostas, sem trancos nas passagens de marcha. A direção é gostosa, fácil de manobrar e segura na cidade e na estrada. O carro é estável nas curvas. Em termos de economia, quando se usa o etanol (álcool) como combustível, se sente mais consumo no ponteiro, porém, para o tamanho do carro e tudo o que ele oferece, não é nada de absurdo. Apesar de não ser um modelo dos mais “fotogênicos”, o design fica marcado pela nova característica da Chevrolet, onde todos os seus novos modelos vem mais ou menos com a “mesma cara”, explorando a tradição da marca com destaque: a gravatinha dourada na grade dianteira.

Acessibilidade e transferência O fato da Spin ser uma minivan, mesmo que compacta de certa forma, facilita a entrada e a saída do carro para pessoas com deficiência ou até mesmo idosos. Para quem usa cadeira de rodas – tanto passageiros como motorista – e que fazem a transferência da cadeira para o carro e do carro para a cadeira, o modelo é muito bom. Para quem usa muletas, ou tem alguma dificuldade de locomoção, amputados etc... é super fácil o acesso ao interior do veículo e bem tranquilo. O ângulo de abertura de portas também é bastante razoável, facilitando para quem usa cadeira de rodas. Outro ponto que facilita a transferência, mas que neste carro só existe no lado da porta do passageiro, é a famosa alça de apoio interna no teto. Se esta peça pudes-

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Patrícia adora viajar de carro no fim de semana.

João consegue chegar mais rápido na faculdade.

Lucia leva os filhos todos os dias na escola e na natação.

Paulo visita os clientes e fecha mais negócios.

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teste drive

se ser também instalada pela fábrica no alto da porta do motorista – internamente - seria excelente e extremamente útil. Fica aqui a dica para a GM ! Os comandos de painel do carro, assim como os comandos que ficam na porta do motorista são bem fáceis de manusear. O ar-condicionado e outros botões do painel também são bem fáceis de manusear e acessíveis, inclusive as alavancas de seta, acendimento da lanterna e dos faróis e limpadores de párabrisa. Já o porta-luvas não fica numa posição das melhores. Porém, tanto o motorista ou usuário com deficiência, como sua família, tem no Spin um grande aliado. No geral, não há do que reclamar.

para acomodar melhor, o Spin leva, além da cadeira de rodas, também uma cadeira de banho. Perfeito para quem precisa viajar, pois ainda sobra um “espacinho para a bagagem”. Além disso, o modelo ainda oferece uma grande gama de possibilidades com o rebatimento dos bancos, oferecendo várias configurações internas de espaço. Excelente para quem precisa de espaço e de conforto ao mesmo tempo. Só quando a 3ª fileira de bancos está montada é que o porta-malas perde demais e fica pequeno, mas mesmo assim, ainda dá para levar a cadeira, do contrário, é enorme.

Quem testou, aprovou !!!

O porta-malas dá um show !!!

O “ponto alto”... “sem comentários”... “espetacular”... “maravilhoso” “fantástico”... “não dá para descrever”... Esses foram alguns dos comentários feitos sobre o porta-malas do Spin, pelas pessoas que testaram o carro e seus familiares. Com o banco escamoteado o porta-malas do Spin é capaz de levar a cadeira de rodas sem desmontar. Tanto a monobloco como a dobrável. No caso da dobrável, tirando as rodas

Luciano dos Santos, solteiro, 28 anos, paraplégico cadeirante há 7 anos em decorrência de um acidente de moto, é designer gráfico e morador de São Miguel Paulista, zona leste da capital. Ele testou, aprovou e ficou encantado com o carro. “Dou nota máxima para o Spin”, comentou Luciano. “Confortável, seguro... ótima posição para dirigir, o volante é curto e anatômico, o motor é bom de retomada, a frenagem é segura e passa segurança mesmo... a estabilidade é muito boa também”, diz Santos. Ele fez questão de elogiar a posição de dirigir. “Para quem tem lesão na coluna, o banco dá uma ótima posição, gostei muito”, afirma. Mas foi o porta-malas que também chamou a atenção de Luciano. “O porta-malas é a matriz do carro. Para o cadeirante é a grande chamada, o grande atrativo desse modelo. É um carro para toda a família... conforto garantido para todo mundo”, completa.


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novidade

Transporte aéreo de pessoas com deficiência pode mudar

A

ideia é da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) com a proposta de revisar a Resolução Nº 09/2007, que dispõe sobre o acesso ao transporte aéreo de passageiros com necessidade de assistência especial, o que inclui também pessoas com mobilidade reduzida, idosos, mães com crianças de colo, lactantes e menores desacompanhados. Estão sendo realizadas audiências públicas para discutir o assunto, além de uma consulta pela internet, marcada para ser encerrada em 2 de outubro. Uma das alterações propostas é que o operador aeroportuário seja responsável pelo fornecimento de equipamentos adequados para o embarque ou desembarque, o que pode ser feito com equipamento de ascenso ou descenso (ponte, cadeira específica ou ambulifit) ou por rampa, nos casos que se fizerem necessários, como é o caso dos passageiros em macas ou cadeiras de rodas. Entre as mudanças está a ampliação da rede de ambulifts. Agora só existem em Guarulhos, Congonhas, Brasília e Galeão. O operador poderá celebrar contratos, acordos ou outros instrumentos jurídicos com operadores aéreos ou empresas de serviços auxiliares ao transporte aéreo. Atualmente, a obrigação de fornecer os equipamentos é das companhias aéreas. Uma proposta que está provocando polêmica é acabar com a reserva das três primeiras fileiras dos aviões para esses passageiros. Eles poderiam ser acomodados em qualquer área, desde que em assentos no corredor e com braços móveis ou removíveis. O escritor Marcelo Rubens Paiva, que usa cadeira de rodas, escreveu no Portal Estadão que discorda da ideia:

“Numa emergência, na pressa, a tripulação saberá onde estão aqueles que precisam de auxílio ? Concentrar na frente não é uma forma de identificá-los e ajudá-los ?” A ANAC incluiu na proposta outros benefícios além dos existentes. Um deles é o desconto mínimo de 80% para os assentos ocupados para colocar equipamentos médicos necessários. Além disso, prevê desconto mínimo de 80% no valor cobrado pelo excesso de bagagem relativo a equipamentos médicos também essenciais a esses passageiros. Manteve, ainda, o desconto de 80% no valor da passagem do acompanhante quando preciso, entre outras medidas. A norma também ficará mais rígida quanto à recusa de embarque, que deverá ser devidamente justificada. A proposta da ANAC adapta a tabela de infrações à nova norma. As multas propostas variam entre R$ 10 mil, R$ 17,5 mil ou R$ 25 mil por infração.


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momento surdo

por Neivaldo Zovico

Rodovia sem acessibilidade para Surdos !

U

m casal de Surdos viaja na rodovia durante a madrugada voltando do Encontro de Surdos na Associação de Surdos, e indo para casa. Dirigiram muitas horas na rodovia mais bonita do Brasil, com faixas de sinalização, placas luminosas que são refletidas pelos faróis dos carros e pavimento novo. Durante a viagem, o casal viu uma placa informando: telefone para Surdos na próxima praça do pedágio. De repente o carro deu problema e precisaram parar no acostamento da rodovia para verificar o que estava acontecendo. Pararam e perceberam que a água do radiador estava saindo, pois a mangueira estava furada. Procuraram o telefone de emergência, mas sendo Surdo, não conseguiu se comunicar com a central que só recebia as informações através da fala. Desistiu e foi até o carro onde a esposa também Surda, o esperava. Era madrugada, a pouca iluminação da rodovia e a pouca movimentação de carros dificultaram ainda mais o pedido de socorro. Foi quando um carro se aproximou. O Surdo sinalizava ao motorista pedindo que parasse, mas este, com medo de ser um assalto, não parou. Mais tarde, um caminhão guincho do serviço de emergência da estrada passou do outro lado e não viu o carro do casal de Surdos parado no acostamento. Eles gritaram muito, mas não adiantou. Algumas horas a mais se passaram e outro caminhão passou. Os Surdos sinalizaram novamente com os braços, o guincheiro viu e parou. O Surdo correu, atravessou a rodovia e quando se aproximou do caminhão do SOS, o funcionário pediu que ficasse longe, o Surdo se assustou, com uma lanterna iluminou o rosto do Surdo que sinalizou: “SURDO - MEU CARRO QUEBRADO”. O funcionário do guincho não entendeu e o surdo repetiu. Então, dirigiram-se até o carro e ainda com medo, o funcionário pediu que o Surdo mantivesse distância dele. O funcionário da SOS viu o carro, constatou o problema e falou ao casal de Surdos que levaria o carro a uma oficina mecânica. O casal ficou aliviado, mas também desanimados, pois esperaram muitas horas pelo socorro e porque ainda hoje não existe nas estradas uma tecnologia de comunicação para atender os motoristas Surdos em caso de emergência. Não adianta instalar o Telefone para Surdos nas rodovias para

caso de emergência, porque ninguém usa, e alguns não estão funcionando por causa do vandalismo. Deveriam implantar sim, uma Central de Atendimento de Emergência, onde receberiam mensagens SMS dos celulares ou smartphones, pois a pesquisa revelou que a maioria dos Surdos se comunicam por SMS, porque é mais prático e acessível a todos. Lembrando que a Lei de SAC N° 6.523/2008, diz sobre a obrigatoriedade do telefone para o atendimento aos Surdos em diversos lugares, mas dificilmente os Surdos se comunicam dessa forma, pois consideram essa tecnologia ultrapassada. Conforme o IBGE, no Brasil existem 5,7 milhões de Surdos sofrendo nas rodovias brasileiras, por causa da falta de comunicação em caso de emergência. A Constituição Federal diz, em seu artigo 5º: “todos somos iguais perante a Lei”. E todos devem ser tratados com igualdade, mas na verdade os Surdos são isolados. Espero que as Concessionárias de Rodovias e os SAC – Serviço de Atendimento ao Consumidor das Rodovias de todo o Brasil, reconheçam os Direitos dos Surdos e suas dificuldades de comunicação, e implantem uma Central de atendimento via mensagens SMS, conforme mostrou a pesquisa: 90% dos Surdos utilizam SMS. Neivaldo Augusto Zovico é professor, Consultor de Acessibilidade para Surdos e pessoas com deficiências auditivas, Coordenador Nacional de Acessibilidade para Surdos da FENEIS, Diretor de Relações Públicas da APSSP – Associação dos Professores Surdos do Estado de São Paulo e Colaborador da equipe do site: www.portaldosurdo.com www.acessibilidadeparasurdos.blogspot.com E-mail : neivaldo.zovico@terra.com.br


96

ABRIDEF assina convênio para crédito, recebe convidados e promove reuniões com representantes de governo Borger e Márcia Ito, ambos da IBM Brasil, que propuseram aos filiados da ABRIDEF que participem do I Colóquio Científico e Tecnológico da IBM no Brasil, que ocorrerá na sede da IBM em São Paulo/SP, no dia 6 de novembro próximo, que discutirá tecnologia para acessibilidade.

Participação na Reabilitação Feira + Fórum

A

ABRIDEF – Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência, assinou importante convênio com a “Desenvolve SP - Agência de Desenvolvimento Paulista”, instituição financeira do governo do Estado que, desde 2009, disponibiliza financiamento e investimentos com juros reduzidos e de longo prazo para as pequenas e médias empresas paulistas. O gerente da Agência, Rodolfo Assunção, participou da reunião aberta da entidade em 12 de setembro último, na Assembleia Legislativa de São Paulo, para apresentar a proposta e firmar a assinatura do documento. Destinada a pequenas e médias empresas com faturamento anual de R$ 360 mil até R$ 300 milhões, a Agência tem disponível linhas para investimento, compra de máquinas e equipamentos, capital de giro e franquias. Para investimento, por exemplo, a taxa de juros é de 0,57% ao mês + correção pelo IPC-FIPE, com prazo de até 120 meses, incluindo a carência de até 24 meses. A “Desenvolve SP” opera também com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Como não possui agências bancárias, para conceder os financiamentos a Agência fecha acordos com entidades como: FIESP, CIESP e ABINNE, entre várias outras. A partir da assinatura do convênio, os associados da ABRIDEF também podem pleitear as diversas linhas de financiamento e crédito. Mais informações no site: www.desenvolvesp.com.br. A reunião também teve a participação de Helio Zilberstein, professor e pesquisador da Faculdade de Economia e Administração da USP. Ele fez um convite às empresas filiadas à ABRIDEF para que conheçam e cadastrem seus produtos, gratuitamente, no “Observatório de Reabilitação e Tecnologia Assistiva”, uma parceria da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). O objetivo é facilitar o acesso do público às informações sobre produtos existentes no mercado. Para mais informações: http://projeto.fipe.org.br/obtec/ Ou ainda: www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br Zilberstein também levantou a possibilidade de organizar uma pesquisa para conhecer o setor, já que até agora só existem estudos pontuais a respeito, como o da ABOTEC que atualiza no momento o número de empresas voltadas a próteses e órteses (na edição passada foram listadas 7.500 empresas). O financiamento, inclusive, poderia ser da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O assunto está sendo estudado entre a FIPE e a ABRIDEF. Ainda participaram da reunião aberta de setembro, Sérgio

A ABRIDEF montou um estande na feira realizada no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, de 15 a 17 de agosto, que recebeu a visita de representantes de várias empresas interessadas em conhecer o trabalho da associação e associar-se à ABRIDEF. O presidente Rodrigo Rosso fez duas apresentações durante o evento. A primeira, no dia 15, juntamente com Fernando Lopes, do Instituto Totum, sobre o Selo de Qualidade da entidade, lançado em abril durante a REATECH e também reapresentado em maio, na feira HOSPITALAR, que tem como objetivo certificar produtos e serviços do setor. A palestra teve a presença de Fernando Antonio Medeiros de Campos Ribeiro, assessor da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, representando o secretário Antonio José. Um dos objetivos do convite a Ribeiro foi apresentar a proposta pessoalmente (ele já tinha recebido impressa), como forma de sensibilizar o governo federal, por meio do Plano Viver Sem Limite, a firmar uma parceria em termos de recursos para a primeira fase de implantação do Selo, ajudando a entidade a buscar recursos do governo para tornar viável o Selo de Qualidade e a certificação dos produtos e serviços do setor. O assessor afirmou que o governo está aberto a analisar o assunto, mas não quis se comprometer com prazos e definições imediatas. Ele também fez algumas considerações em relação ao texto e se comprometeu a ajudar a formatar melhor o projeto na linguagem mais aos termos do Plano Viver sem Limite. “O tempo do Governo é sempre diferente do nosso, precisamos ter paciência, mas o Selo de Qualidade é um caminho sem volta e já é uma realidade”, afirmou Rodrigo Rosso. “Como entidade, vamos continuar cobrando o governo sempre, e buscando nele os recursos necessários para a implantação do Selo o quanto antes, afinal, o maior beneficiado com o Selo será o próprio governo, que com ele, terá base e respaldo para compra de produtos e serviços se desperdício de recursos públicos, com segurança e credibilidade”, concluiu o presidente. Ao final da apresentação, Valério Câmara, diretor geral da Seat Mobile do Brasil, assumiu como novo diretor técnico da ABRIDEF. No dia 17 de agosto, o presidente da entidade participou também do painel: “O Desenvolvimento do Mercado de Tecnologia Assistiva no Brasil”, dentro do 4° Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação, ao lado dos presidentes da ABOTEC e da ABTECA. O presidente da ABRIDEF afirmou que, nos últimos 5 anos, esse mercado vem crescendo em torno de 10 a 15% ao ano, e que inclusive tem despertado o interesse de empresas de fora do país. Citou como exemplo de desempenho, a indústria automobilística, que vendeu 32 mil carros em 2011 e, para 2012,


97 deseja vender de 35 a 40 mil veículos com isenção de impostos para pessoas com deficiência. Sem contar os carros vendidos acima do limite estabelecido para as isenções e que não entram nessa estatística. Rosso também destacou que, gradualmente, os consumidores estão mais conscientes e exigentes. “De 10 anos para cá, o consumidor com deficiência já não é mais tão desinformado, ele tem acesso à informação, já não aceita qualquer produto que o mercado ofereça”, frisou, lembrando a importância do estabelecimento do Selo de Qualidade, que cada dia mais se faz necessário. Entre os participantes do painel esteve também, Eduardo Jorge, coordenador do Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Ele se mostrou bastante interessado pelos pleitos apresentados pela ABRIDEF, ABOTEC e ABTECA, e se comprometeu a agendar reuniões, em Brasília/ DF, para discutir as questões juntamente com outras instâncias governamentais, como Ministério da Saúde, INSS e ANVISA.

FINEP

O Diretor Técnico da ABRIDEF, Valério Câmara, representou a entidade no lançamento da uma linha de crédito de R$ 90 milhões para projetos de inovação em Tecnologia Assistiva desenvolvidos por empresas pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), no Rio de Janeiro, em 27 de agosto. O crédito disponível (financiamento reembolsável) será concedido para projetos com valor de R$ 1 milhão a R$ 20 milhões e a participação da FINEP será de até 90% das despesas da empresa. A taxa fixa de juros variará de 4% ao ano + TJLP. O programa é parte do Plano Viver sem Limite.

Comissão Especial de Certificação

Após a reunião mensal da ABRIDEF que ocorreu no dia 4 de outubro, nas dependências da Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência, no bairro da Barra Funda, na capital paulista, houve durante toda a tarde, coordenada e liderada pelo Diretor de Certificação da entidade, Gino Salvador, diretor da Freedom, pelo presidente Rodrigo Rosso e assessorada pela superintendente da entidade Mara Di Maio, a primeira reunião da Comissão Especial de Certificação, ou Comissão do Selo, como é também chamada. Os trabalhos se deram das 14 às 17:30h. E os temas iniciais avançaram com a presença de mais de 10 associados participantes da comissão e contaram também com a presença da representante do Instituto Totum, certificador e administrador do Selo da ABRIDEF.

ABRIDEF E VOCÊ, JUNTOS FAREMOS A DIFERENÇA !!! contato@abridef.org.br

CANAL DO BEM - CONFORPÉS

A Ortopedia Conforpés, com sede na cidade de Sorocaba/SP, que tem 43 anos de experiência e tradição em próteses ortopédicas, é a mais recente empresa associada à ABRIDEF que fez uma doação de 3 cadeiras de rodas dentro do programa “Canal do Bem”, mantido no site da entidade. Quem não tem recursos e precisa de um produto ou serviço para sua autonomia faz uma solicitação através do canal no site da ABRIDEF. A associação então, após análise de cada caso, encaminha a solicitação aos seus parceiros associados, que procuram atender sempre que possível. Os beneficiados desta vez são os irmãos: Nelson Nolé ao lado do filho Anderson Rodrigo de 19 anos, Rafael de 16, e Douglas de 14 anos. Todos com paralisia cerebral, moradores de Araçoiaba da Serra/SP. “É uma atitude muito nobre da ABRIDEF, que sempre ajuda muitas pessoas”, afirma Nelson Nolé, fundador da Conforpés, que já costumeiramente faz doações do tipo, inclusive em vários programas de TV, e que, no momento, está ajustando as cadeiras para se adequarem ao tipo de deficiência de cada jovem. Obrigado Conforpés por atender prontamente o Canal do Bem e por ajudar a esses 3 garotos mudarem suas vidas, proporcionando-lhes uma melhor qualidade de vida e reabilitação !!!

CANAL DO BEM – SEAT MOBILE

Atendendo a mais uma solicitação do Canal do Bem, a ABRIDEF buscou e encontrou na empresa associada SEATE MOBILE a solução para uma solicitação recebida, em busca de uma cadeira de rodas motorizada. E no último dia 20 de setembro, a cadeira foi entregue, doada pela SEAT MOBILE, a um senhor de 63 anos, chamado Antonio Alberto Morelli, o “Tinoco” como é bastante conhecido no bairro onde mora, a Vila Invernada, na zona leste da capital paulista. Mesmo com uma deficiência severa – tetraplegia - Tinoco realiza um trabalho social intenso na região, se locomovendo com sua cadeira vários km todos os dias. A cadeira doada pela SEAT MOBILE foi entregue na casa do Tinoco pelo gerente da empresa, Ricardo Zuim. “Demos a ele uma cadeira motorizada Modelo SM1, de fabricação própria, novinha em folha, com certificado de garantia e assistência técnica”, comenta Zuim, que também tem irmãos com deficiência e é sensível a luta diária de pessoas como o Tinoco. Tinoco não se cabe em felicidade e já está circulando por todo lado, orgulhoso com sua cadeira nova. Ele recebeu o “bem” e com ele, poderá continuar fazendo o “bem” para tantas outras pessoas. Parabéns à SEATE MOBILE e ao Tinoco, que a partir de agora, constroem também, uma bela relação de amizade !

Tinoco já na cadeira nova, com sua mãe Dona Josefina, sua irmã e fiel escudeira Elisabeti, e seu cunhado Jessé, juntamente com Ricardo Zuim (à esquerda), da Seat Mobile.

www.abridef.org.br


por Joaquim Cunha

Rumo a mais um ano de conquistas !

A

edição 2012 da Feira Reabilitação, organizada pela HOSPITALAR, rendeu bons frutos para setor e os mais de 25 milhões de pacientes que utilizam órteses e próteses ortopédicas. Após um período de negociação com o Governo Federal, a proposta da ABOTEC - Associação Brasileira Ortopedia Técnica, para ampliação da lista de produtos de tecnologia assistiva, dentro do Plano Viver Sem Limites, foi aceita pela Secretaria da Pessoa com Deficiência e já está valendo a partir do mês de setembro. Com a alteração, o número de equipamentos com taxas especiais subsidiadas pelo Banco do Brasil passa de 30 para mais de 2 mil itens. Mas as novidades para o setor não param por aí. Durante a feira também foi oficializado a realização do I Congresso ABOTEC – ISPO-Brasil de Órteses, Próteses e Reabilitação, que acontecerá em 2013 junto com a Feira Reabilitação, em São Paulo/SP. O evento vai atrair especialistas do mundo inteiro e debater as tendências do setor. Mas com tantas novidades, é melhor irmos por partes. Vamos começar pela nova lista de produtos de tecnologia assistiva inclusas no Viver Sem Limites. Desde o mês de setembro, órteses e próteses ortopédicas passam a fazer parte das taxas de juros de juros subsidiadas pelo programa, que são de 0,44% ao mês para produtos até R$ 5 mil, e 0,64% para aqueles acima desse montante. O entendimento do Governo Federal às sugestões da ABOTEC é uma grande vitória para os milhões de pacientes que utilizam órteses e próteses ortopédicas, afinal, cria maiores condições financeiras para que muitos adquiram equipamentos de qualidade e que, ao mesmo tempo, tem um custo elevado para a renda média brasileira. Sem dúvidas, o Viver Sem Limites ainda possui alguns ajustes a serem feitos, mas a inclusão de órteses e próteses na lista de produtos subsidiados pelo programa é uma prova do quanto o Governo está empenhado em atender e dar condições às pessoas com deficiência. E acredito que associações com a ABOTEC, ABTECA (Associação Brasileira de Tecnologia Assistiva) e a ABRIDEF (Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência), as maiores entidades do setor no país, são fundamentais. Elas, cada uma na sua especialidade, têm o papel de ajudar o Governo a tornar o Brasil um país mais inclusivo. Outra boa notícia é que além da lista que inclui órteses e próteses no programa do Governo Federal, a ABOTEC e ISPO-Brasil, em parceria com a Hospitalar, farão um gigantesco evento em 2013. As entidades oficializaram o I Congresso ABOTEC ISPO-Brasil de Órteses, Próteses e

Reabilitação, evento que contará com a presença de especialistas internacionais e será realizado juntamente com a Reabilitação, no Parque do Anhembi, entre os dias 30 de julho e 1º de agosto. Essa feira será um intercâmbio importante para empresas, associações, entidades médicas e, principalmente, pacientes, pois diversos especialistas e fabricantes poderão compartilhar suas experiências com público brasileiro. Para encerrar as novidades positivas, durante o painel de Observatório de Tecnologia Assistiva, realizada na Feira Reabilitação, a ABOTEC foi convidada juntamente com a ABTECA e ABRIDEF, para auxiliarem o Ministério da Saúde no programa de capacitação e implementação de Centros de Referência, que deve implantar em todo o país 60 oficinas ortopédicas e formar cerca de 660 profissionais da área. O convite foi feito por meio do diretor do Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge. No entanto, apesar dessa evolução que tivemos em nosso setor, alguns pontos ainda não evoluíram como gostaríamos. Por mais que os pacientes tenham melhores condições de consumo, que as empresas tecnologias e serviços melhores e Governo continue oferecendo condições para que esses dois fatores continuem em ascensão, nada disso será possível sem profissionais qualificados. Ortesista e protesista ortopédicos são consideradas uma das profissões mais antigas do Brasil, que possui mais de 100 anos de história e desempenho fundamental na ajuda e recuperação não só física, mas psicológica também. Além disso, num universo de 25 milhões de pessoas que necessitam de órteses ou próteses ortopédica, ter apenas mil profissionais capacitados e um total de cerca de 300 empresas e instituições habilitadas representa uma grande lacuna entre a mão de obra qualificada. A partir desse dado começa o problema, porque é praticamente impossível convencer alguém a aceitar ser profissional em uma determinada área, se nem ao menos a sua profissão é regulamentada. Desde 2005, tramita no Congresso Nacional, um Projeto de Lei feito pela ABOTEC em parceria com o deputado Onix Lorenzoni, que busca justamente regulamentar a profissão de ortesista e protesista ortopédico no Brasil. Os benefícios diretos aos pacientes seriam visíveis na qualidade dos serviços prestados, sem contar na motivação para que novos profissionais qualificados ingressem num mercado de tanta importância na recuperação física e de alto estima dessas pessoas. Por outro lado, sem a regulamentação, a fiscalização dos serviços e da atuação ética e profissional de quem produz e presta manutenção para esses equipamentos de tecnologia assistiva se transforma em um processo ineficaz e de difícil controle, o que resulta em diversos casos de deficiência que se agravam com o passar dos anos por causa de serviços mal executados. Sem dúvidas, o ano de 2013 mostra um horizonte ainda mais promissor e de vitórias, não só para os profissionais e pacientes de órteses e próteses ortopédicas, como também para todo o setor de pessoas com deficiência no Brasil. Já demos um grande passo com as conquistas no Plano Viver Sem Limites, no entanto, ainda temos algumas lutas, como a regulamentação da profissão de ortesista e protesistas ortopédicos, e vamos seguir em frente sempre buscando


conquistas a capacitação de profissionais e a qualidade de vida dos pacientes que utilizam tecnologia assistiva.

Joaquim Cunha é presidente da ABOTEC (Associação Brasileira de Ortopedia Técnica) e da ISPO Brasil.

Divulgado balanço do “Viver sem Limite”

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ançado em novembro de 2011, o plano do Governo Federal para as pessoas com deficiência teve seu primeiro balanço oficial divulgado em agosto pela ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Em educação, serão 20 mil vagas disponíveis em 2012, em cursos de formação inicial e continuada da Bolsa-Formação Trabalhador, parte do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), do Ministério da Educação. Até 2014, a meta do Ministério é oferecer 150 mil vagas a esse público. Ainda nessa área, de acordo com a ministra, o plano superou a meta para o transporte escolar acessível. Foram investidos R$ 89,5 milhões para compra de 678 ônibus acessíveis, que serão entregues a 519 municípios, entre o próximo mês de novembro e março de 2013. A meta para este ano era adquirir 609 veículos. Outro programa que também superou a meta foi o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) na Escola, que já formalizou a adesão de 2023 municípios, quando a meta eram 2 mil. O plano licitou 13.500 novas salas de recursos multifuncionais, e ainda vai adquirir 15 mil conjuntos de atualização para as salas já existentes. Para permitir a adaptação das escolas, o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) – Escola Acessível selecionou 2.866 municípios que receberão um total de R$ 100 milhões, que beneficiarão 10 mil escolas. Na educação superior, o programa Incluir destinou R$ 3 milhões para 55 universidades federais se adaptarem para receber estudantes com deficiência. Além disso, foram acertados 27 novos cursos de letras – libras, um por unidade da federação, e 12 cursos de pedagogia bilíngue português-libras. Para os novos cursos, serão criadas 600 vagas para professores e 690 vagas para tradutores e intérpretes. Por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida, o Viver sem Limites contratou 99.185 moradias adaptáveis para pessoas com deficiência no primeiro semestre de 2012. A meta, até 2014, é construir 1,2 milhão de casas adaptadas. São contempladas famílias que possuem renda familiar mensal de até R$ 1.600 indicadas e selecionadas pelo município, governo do estado ou do Distrito Federal ou entidades privadas sem fins lucrativos, habilitadas pelo Ministério das Cidades, em zonas urbanas e rurais. O plano prevê também a entrega de kits de adaptação em pelo menos 3% das casas, conforme o tipo de deficiência. No primeiro semestre, houve a entrega de 9 mil kits. Foram aprovadas 32 propostas de Centro de Referência em Reabilitação (CER), cujo objetivo é ampliar o acesso e a qualidade dos serviços de saúde prestados às pessoas com deficiência. Do total assinado, 20 centros serão criados do zero, e outros 12, qualificados. Para a criação de Centros-Dia de Referência, casas de apoio à pessoa com deficiência, já houve repasse de recursos do governo federal para quatro municípios: Curitiba/PR, Campo Grande/MS, Belo Horizonte/ MG e João Pessoa/PB. Em novembro será ofertada expansão de financiamento para mais 23 centros-dia em cada estado e no DF.


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evento

Feira + Fórum Reabilitação Evento reuniu, com sucesso, negócios e discussões em torno do mercado num mesmo espaço...

(FIESP), destacou a dificuldade de se lançar uma feira em um setor que ainda está em amadurecimento. “Esse evento vai criar um ciclo de investimento, visibilidade e transformação das políticas”, disse. “Reforço o pedido para que o governo desonere as empresas da saúde, pois a indústria vai responder com investimento, novos produtos e emprego”, completou.

Encontros e discussões

R

ealizada pela primeira vez fora do ambiente da feira Hospitalar, a Reabilitação - Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, Serviços e Tecnologia para Reabilitação, Prevenção e Inclusão – foi realizada entre 15 e 17 de agosto, no Anhembi, na capital paulista, e mostrou que pode se consolidar como um dos principais espaços para o debate de questões técnicas, políticas e sociais relacionadas às pessoas com deficiência. Na área dos estandes, cerca de 100 empresas nacionais e internacionais mostraram seus produtos e serviços a profissionais do setor, já que o evento é fechado ao público em geral. De acordo com os organizadores, mais de 5 mil visitantes passaram pelo Palácio das Convenções do Anhembi durante a mostra. Na abertura do encontro, a fundadora e presidente da feira, Waleska Santos, afirmou: “É com ânimo ainda maior que emancipamos o setor de reabilitação de dentro da Hospitalar, para lançá-lo como um evento solo, com toda a visibilidade que lhe é devida”, disse. Ela ressaltou também que a missão desse trabalho é incentivar a indústria a investir em pesquisa e desenvolvimento e repercutir de forma mais intensa a importância e a necessidade de rever, inclusive, políticas públicas e privadas que impactam este setor. Já a presidente de honra, Linamara Rizzo Battistella, secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, lembrou a luta de tantos anos pela causa das pessoas com deficiência e disse que esse é o momento de somar esforços para melhores serviços de saúde e uma indústria mais forte. “Vemos nesse auditório, o tripé para o crescimento e desenvolvimento sustentável de uma nação: o setor público, a indústria e o terceiro setor, ou seja, políticas, financiamento e ações”, destacou. Ruy Baumer, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

Especialistas do Brasil e do exterior se distribuíram em dois congressos de medicina física e reabilitação profissional, um seminário internacional sobre tecnologia em órteses e próteses e um encontro internacional de tecnologia e inovação para pessoas com deficiência. Durante o II Seminário Internacional ABOTEC e ISPO-Brasil de Tecnologia em Órteses/Próteses Ortopédicas e Reabilitação foi lançado o I Congresso das associações que será realizado durante a Reabilitação de 2013. Também foi dada a notícia de que foi ampliada a lista de produtos de tecnologia assistiva, dentro do Plano Viver Sem Limites do governo federal. Com a alteração, o número de equipamentos com taxas especiais subsidiadas pelo Banco do Brasil passará de 30 para mais de 2 mil itens, incluindo órteses e próteses ortopédicas. O 4º Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação apresentou palestras que abordaram, entre outros temas, as novidades em tecnologia assistiva e a importância e formas de acesso a essas novas ajudas técnicas. Os presidentes das três entidades representativas: Associação Brasileira de Ortopedia Técnica (ABOTEC), Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência (ABRIDEF) e Associação Brasileira de Tecnologia Assistiva (ABTECA), apresentaram um panorama do setor. O Coordenador de Relações Institucionais da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Cid Torquato, justificou o tema do evento “Deficiência e Desenvolvimento Sustentável”, como fundamental. “Não dá para discutir desenvolvimento sustentável, sem pensar na deficiência. A tecnologia é fundamental para a inclusão”, enfatiza. Entre os palestrantes do XXIII Congresso Brasileiro de Medicina Física e Reabilitação, esteve o pesquisador Felipe Fregni, professor na Faculdade de Medicina de Harvard, que falou sobre Estimulação Magnética Transcraneana (TMS) na reabilitação neurológica, abordando vantagens e avanços em pesquisas científicas na área, além de destacar pontos positivos da técnica, como controle da intensidade e frequência, desenvolvimento


evento

de marcadores e o menor custo em comparação com opões farmacológicas. Já o 6° Congresso de Reabilitação Profissional debateu questões trabalhistas e contou com a participação do presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Mauro Luciano Hauschild. Workshop específico neste encontro apresentou o CUELA, equipamento alemão que quantifica os riscos ergonômicos de qualquer trabalhador em sua atividade cotidiana, uma novidade tecnológica que será introduzida no mercado brasileiro a partir de 2013. “Esse evento foi uma grande oportunidade de aproximação e discussões importantes entre as entidades que representam o setor produtivo da tecnologia assistiva – ABRIDEF, ABOTEC e ABTECA – e os governos, estadual (SP) e federal, e seus representantes. Tivemos oportunidade de nos reunirmos, apresentarmos o Selo de Qualidade para os produtos do setor e ainda trocarmos ideias e expor as necessidades das empresas para uma maior evolução tecnológica dos produtos e serviços voltados para a população de mais de 46 milhões de pessoas com deficiência brasileiras”, afirma Rodrigo Rosso, presidente da ABRIDEF.

Produtos, eventos e show marcaram a Feira + Fórum Entre os produtos apresentados, destacaram-se os criados por pesquisas dentro de Universidades, muitos dos quais ainda em fase de patente. No mercado, várias opções como a impressora jato de tinta que imprime braile; o “Portáctil” para leitura braile em tablet; a mão biônica com motores independentes (polegar que pode ser ajustado em várias posições); In Motion Robô - sistema de reabilitação robótico interativo, cujos sensores identificam a intensidade de força que o paciente faz para realizar determinados exercícios; e o WheelMate, aplicativo gratuito para smartphone, para localização de banheiros acessíveis, entre muitos outros.

Vários eventos paralelos ocorreram na Reabilitação como os lançamentos do Portal Conexão Eficiente, parceria entre a AACD e a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Observatório de Reabilitação e Tecnologia Assistiva, uma iniciativa também da Secretaria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE); assinatura do protocolo de intenções do projeto piloto “Sebrae Mais Acessível” que prevê ações de inclusão de pessoas com deficiência nos postos de trabalhos gerados por pequenas empresas, além de orientações empresariais para abrir ou melhorar negócios já existentes, e até doações de cães guia pelo Instituto Iris. Destaque também para o show do segundo dia do evento, com os Paralamas do Sucesso: “Sinto-me honrado em estar em um evento como este, que conecta todas as partes envolvidas dando visibilidade a uma discussão tão importante como a reabilitação. A partir do momento que comecei a ver o mundo num degrau mais baixo, pude perceber o quanto estamos vulneráveis a perder o foco da vida”, disse o músico Herbert Viana, que ficou paraplégico em um acidente aéreo, ao conversar com Waleska Santos.

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música e arte

notas

por Celise Melo (Celelê)

A importância da música

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aros leitores, é com muita alegria que inicio a coluna “Música e Arte” e agradeço a Rodrigo Rosso pelo convite. Desde 1986, trabalho em São Paulo com pessoas com deficiência. Como musicoterapeuta, já vi milagres acontecerem e garanto que a música, aliada a várias formas de arte, contribui muito para o equilíbrio mental, físico e emocional, também ajuda na reabilitação e no relaxamento. Está comprovado cientificamente que os sons atingem o sistema límbico, região do cérebro responsável pelos sentimentos, pela motivação e afetividade. Os sons estão em tudo, na natureza, nos animais e até em nós humanos podemos sentir e ouvir a respiração, os batimentos cardíacos etc. Para estimular a sensibilidade e o senso rítmico, durante a terapia utilizamos a voz, ruídos e diferentes instrumentos musicais, como violão, teclado, pandeiro, flauta, atabaque etc. Desde 1990, sou terapeuta de Daniella Lamim, portadora da síndrome de Down e, com o auxílio da música, trabalhei expressão corporal, coordenação motora, ritmo, teatro, desenho, pintura, noções de informática e muitas outras atividades. E os resultados foram positivos. Hoje ela tem excelente dicção, canta, lê, escreve, dança, toca violão, trabalha e tem ótimo convívio social.

Nas apresentações ao vivo com alunos-pacientes, utilizamos instrumentos musicais de sucata feitos por eles, e a autoestima, a alegria, o senso rítmico, a percepção auditiva, e a concentração, foram reforçadas. Para muitos, abriram grandes oportunidades profissionais, como por exemplo, para Daniella que com seu lado artístico mais aprimorado, começou a dar entrevistas para revistas e jornais famosos, e é sempre convidada a participar de algum programa de TV, mostrando como se desenvolveu bem com a ajuda da música e da arte. Também hoje ela é um exemplo de evolução, pois faz as propagandas impressas de algumas empresas sobre a inclusão social no emprego. Estamos juntos nessa luta ! Um abraço e muita energia positiva para todos vocês !!! Celise Melo (Celelê) é cantora, compositora, atriz, autora, educadora e musicoterapeuta. É sucesso de público e crítica e suas canções estão no CD “Cante o Ano Todo”, histórias e vídeos no DVD+Livro: “Está na Hora de Uma História Eu Escutar”. Site: www.celeleeamigos.com.br (musicoterapia, imprensa, músicas, fotos etc) E-mail: celelerecords@celeleeamigos.com.br

Apresenta ‘‘ Igual a Você’’ com Celise Melo (Celelê) e convidados  Shows  CDs  Apostilas  Cursos  DVDs rosa,  Palestras  Livros arte milag ar.» uma orm sica é az de transf Melo ú m «A cap Celise - Textos sobre a inclusão - Músicas educativas ao vivo - Personagens teatrais F. (11) 3898-2007 / 99962-2380 espetaculo@celeleeamigos.com.br

www.celeleeamigos.com.br

Javaroti Osasco agora é Auto Escola DF

A ex-diretora do Grupo Auto Escola Javaroti, Daniele Almeida, assumiu a Unidade Osasco, que passa a atender como Auto Escola DF. Daniela está se desligando do Grupo Javaroti após 14 anos. “Estou saindo por motivos pessoais, mas continuarei trabalhando no setor, agora à frente da Auto Escola DF. É uma nova etapa da minha vida, mas carrego comigo toda experiência e conhecimento de todos esses anos de trabalho”, explica. A empresária garante que manterá o padrão de qualidade no atendimento e na prestação de serviço. “Continuarei trabalhando com um grupo de colaboradores eficientes e capacitados, que já faziam parte da nossa equipe: Fábio, Daniela, Pedro e Shirley. Nossosv clientes podem ter a certeza que todas as mudanças serão para melhorar”. A proprietária da autoescola também fez questão de agradecer aos parceiros, amigos e clientes que fizeram parte de sua trajetória de sucesso. A Autoescola DF fica na avenida Padre Vicente Melilo, 1620, no Jardim Oriental, em Osasco/SP. Informações pelo email: daniele.balmeida@hotmail.com

Academia paulistana desenvolve programa “Sáude Especial”

A HD Sport, uma academia localizada na zona sul de São Paulo/SP, oferece atendimento gratuito para pessoas com deficiência, desde 2007. Priorizando as que precisam praticar atividade física por recomendação médica, não está conseguindo atender à demanda de público. Para bancar os alunos que necessitam das aulas mas não podem pagar, foi lançada uma campanha de apadrinhamento para manter o programa. De acordo com o professor Paulo Lima, não há contribuição mínima. Os interessados podem dar qualquer valor por meio de um boleto com pagamento preferencial entre os dias 01 e 15 de cada mês. Cada aluno tem um custo de atendimento mensal no valor de R$ 100. Dessa forma é possível que um aluno tenha, por exemplo, quatro padrinhos, cada um contribuindo com R$ 25. Ao final de cada mês é enviado um relatório do afilhado, para que o padrinho saiba como está seu desenvolvimento no esporte. Mais informações sobre a academia estão no site www.hpsportacademia.com.br.


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ponto de vista

por Suely Carvalho de Sá Yanez

E quando a “Morte pede Carona”...

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ítulo forte, não ?.. Mas, calma... Quando ocorre, por fatores diversos, uma situação que resulta em alguma limitação, seja ela visual, física, ou outras, percebemos que esta limitação que promove mudanças, muitas vezes, vem acompanhada de uma “morte” ou várias “mortes”. Morte de sonhos, de projetos, de ânimo, de relacionamentos, de estilo de vida, de vida, de fé... Por isso, na experiência de 24 anos no atendimento a pessoas com deficiência visual, constatamos que alguns fatores devem ser observados com cuidado devido a essa “carona” devastadora. No trabalho em equipe, com cada profissional na sua especificidade e objetivos, mesmo em atividades similares, é fundamental o trabalho no aspecto de “ressurreição”. “Ressurreição” de valores, de objetivos, da vida...

Cuidar das raízes... Cuidar das raízes na reabilitação não é uma tarefa simples. É um desafio, uma “arte” em que nem toda atividade faz com que a “árvore” que nos propomos cuidar dê frutos.

Explicando... Cada pessoa que atendemos é como uma árvore. Supõe-se que esteja plantada em um terreno e possui raízes. Na adversidade, as raízes podem estar machucadas ou arrancadas. Por isso, com essa comparação, quase como uma “parábola”, é necessário preparar o terreno (solo), adubá-lo, tratar da raiz para que absorva todo o adubo, para, assim, a “árvore” possa crescer e dar frutos. Quantos “terrenos” não foram preparados adequadamente, quantas raízes não tratadas... e, por isso, quantas “árvores” que até dão alguns frutos, mas depois secam... Quantos atendimentos realizamos, apenas com as técnicas de reabilitação (que são muito importantes sim), mas isso não basta em pessoas sem estruturas emocionais firmes para absorverem toda a técnica. Aprendem, mas não apreendem. Ao terminarem os atendimentos, com toda a técnica, adaptações e orientações para as atividades de vida diária (e outras), na primeira dificuldade (da série de muitas), voltam ao estado inicial, sem ânimo, novamente incrédulas, estagnadas, infelizes. Outras, pelo contrário, são trabalhadas e, mesmo sem conseguirem algum retorno que esperam, não se acomodam. Podem estar em um “terreno” árido temporariamente, mas prosseguem, porque estão fortes em suas raízes... Isso não é nenhuma questão filosófica, mas real. Quantos, na Terapia Ocupacional, por meio de atividades desenvolvidas (e também com uma equipe coesa), foram reabilitados de forma plena, satisfatória, e hoje estão ativos. Cabe ressaltar que o termo “ativo” não necessariamente significa

aqui estar em um trabalho remunerado, mas sim, realizando. Permito-me citar um caso, dentre muitos, em que uma moça com deficiência visual adquirida, após ser trabalhada, orientada e exercitar sua “crença” na sua capacidade e potencial e reconhecer que poderia superar e transpor limites, decidiu estar Uma das atividades na Terapia Ocupacional em atividade, viver em um processo de reabilitação. e sonhar, cuidando de seus dois filhos e maridos (todos enxergam), trabalhando profissionalmente e realizando com independência as atividades domésticas. O trabalho de fortalecimento das raízes da sua autoestima desencadeou a determinação de conquistar seus sonhos. Como resultado do seu amadurecimento, optou como direito de escolha, não terminar o ensino fundamental (estudos) no momento, para acompanhar de perto o crescimento e desfrutar do desenvolvimento dos filhos pequenos (aplausos). Como profissionais, cuidadores ou empregadores, podemos escolher investir na reabilitação das raízes... para obtenção de frutos fortes e saudáveis. Vale a pena !

PARABÉNS !!! Parabenizo a Revista Nacional de Reabilitação – REVISTA REAÇÃO, pelos 15 anos de existência ! Acompanho de perto há anos o exemplo de trabalho sério, íntegro, que acredita no valor de cada ser humano, semeando sempre para que todos tenham oportunidades e uma vida digna, para que sejam iguais, mesmo nas diferenças ! À Revista Reação... todo o meu respeito, admiração, dedicação e aplausos !

Suely Carvalho de Sá Yañez é Terapeuta Ocupacional especializada em Orientação e Mobilidade para pessoas com deficiência visuaL e atua na área de reabilitação.


EMPHASIS

Av. Francisco Matarazzo, 1055 Tel.: (11) 2147.3300 www.thyssenkruppelevadores.com.br


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turismo

por Ricardo Shimosakai

O poder de escolha da pessoa com deficiência em relação à acessibilidade

A

falta de acessibilidade acaba causando inúmeras restrições às pessoas com deficiência, em diversas situações, e no lazer e turismo infelizmente isso não é diferente. É fácil perceber que a acessibilidade não está presente em tudo. O número de hotéis, restaurantes, transportes, atrativos turísticos, entre outros itens que compõem o turismo, e que possuam acessibilidade, ainda é minoria. Somente com essa observação, já podemos restringir drasticamente os locais em que pessoas com deficiência tenham condições de frequentar. Poucos podem ser considerados estabelecimentos ou serviços com acessibilidade universal, que atendam a diferentes tipos de pessoas com deficiência. Então o nível de acessibilidade, varia de acordo com o tipo de deficiência. E mesmo aqueles que possuem iniciativas para receber uma pessoa com deficiência, na maioria das vezes tem uma acessibilidade falha ou incompleta. Porém, esta questão é mais profunda. Para exemplificar, vamos pegar o segmento de hotéis. Em muitos hotéis, existem quartos com diferentes tipos de classificação, que variam de acordo com seu tamanho e conforto. Standard, Luxo e Presidencial, são alguns dos nomes utilizados para diferenciá-los. Geralmente, todos os quartos acessíveis de um hotel são idênticos, e de acordo com as características de tamanho e conforto, são identificados em uma classe, para se ter uma referência de suas características e também para determinar seu preço. Mas como foi citado anteriormente, todos os quartos acessíveis são idênticos, então, não existe uma possibilidade de escolha. Pessoas com deficiência são obrigadas a se hospedar no quarto disponível, sem a possibilidade de pagar uma tarifa menor em um quarto de categoria inferior, ou de optar por um melhor conforto em um quarto de categoria superior, pois só existe um tipo de classificação para o quarto acessível. Esse tipo de situação, também pode ser encontrada em lo-

cais como: teatros, casas de show, estádios e outros locais que apresentam diferentes tipos de assentos. Estes locais geralmente oferecem uma área mais popular, outra com melhor localização e visibilidade, e camarotes com maior conforto e privacidade. Mas da mesma forma que os hotéis, na maioria das vezes, os locais para pessoas com deficiência são poucos e sem oportunidade de escolha. Trazendo o foco para as pessoas com deficiência visual, há casos específicos, onde a escolha é dificultada por alguns fatores. Um restaurante possui uma grande variedade de alimentos e bebidas para escolha, que são oferecidas através de um cardápio. Caso não haja um cardápio em Braille, um cego fica condicionado à uma pessoa que possa ler o cardápio, ou optar pelas sugestões do garçom. Mas isso acaba limitando o cliente cego, pois dificilmente alguém consegue ditar todas as opções existentes, além de demandar mais tempo, o que é ruim para o cliente e também para o estabelecimento. Em algumas situações, a oferta da acessibilidade já está se tornando insuficiente, devido ao aumento da demanda de usuário. Hotéis possuem um número pequeno de quartos, geralmente abaixo dos 5% do total de quartos exigidos. Transportes como ônibus urbanos, geralmente oferecem somente 1 espaço para cadeira de rodas, além da proibição no ingresso ao veículo caso este espaço já esteja sendo ocupado. Faltam equipamentos em aeroportos como ambulifts (carros-elevadores), gerando filas de espera para sua utilização de até mais de uma hora. A acessibilidade está muito em evidência, e muitas iniciativas estão sendo realizadas, e verbas governamentais também estão sendo liberadas. Porém, sem um planejamento adequado para orientar esse avanço, problemas como o citado nesta matéria inevitavelmente irão aparecer.

Ricardo Shimosakai é Diretor da Turismo Adaptado e Técnico da Secretaria de Acessibilidade e Inclusão da Prefeitura de São Paulo. Bacharel em Turismo pela Universidade Anhembi Morumbi/Laureate International Universities. Membro da SATH e ENAT, associações internacionais de turismo acessível. E-mail: ricardo@turismoadaptado.com.br


l a i c e Esp


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por Márcia Jordão

15 anos de Reação !

Quais mudanças conquistamos e quais ainda queremos ?

A

real implantação da Lei de Cotas (Lei Federal nº 8.213/91, art. 93, regulamentada pelo Decreto n° 3.298/99), que só foi possível após as primeiras notificações em 2001, garantiu maior poder aquisitivo às pessoas com deficiência (PcDs) e melhor qualidade de vida. O Programa Viver sem Limites (www.brasil.gov.br/viversemlimite), lançado em novembro de 201, segundo o portal Brasil, tem o balanço do primeiro semestre de 2012 que mostra alguns resultados, como 20 mil vagas de educação profissional e de tecnologia para PcD no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). A meta é oferecer 150 mil vagas de cursos de qualificação até 2014. Através do “Minha Casa, Minha Vida”, o programa contratou 99.185 moradias adaptáveis para PcD. A meta é 1,2 milhões de casas até 2014. Tecnologia assistiva: em julho/2012 foi inaugurado em Campinas/SP, nas instalações do Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, o Centro Nacional de Referência em Tecnologia Assistiva (CNRTA), sendo que 29 núcleos interdisciplinares de inovação em tecnologia já foram habilitados pelo CNRTA. Recursos de acessibilidade na programação dos serviços de radiodifusão de sons e imagens e de retransmissão de TV, com implantação de janela com interpretação de Libras e audiodescrição na programação, de 2 a 20 horas semanais. É pouco ainda, mas é um começo. Sites estão usando as diretrizes do W3C, que deixam os sites acessíveis para pessoas com deficiências visuais e com dificuldade motora, que navegam somente pelo teclado. Ainda é difícil encontrar profissionais que entende bem destas diretrizes, o que representa uma ótima oportunidade de trabalho para o pessoal de TI e webdesigner ! Diversos softwares como leitores de tela, de ampliação, de reconhecimento pelos olhos etc. Além de alguns eletrônicos já serem lançados com leitor, como os aparelhos iphoe e iPad, da Apple. Inovações tecnologias, como o Vocalizer, um aparelho que identifica cores, células de dinheiro, lê textos impressos, fotos etc. Mudanças atitudinais: campanha “esta vaga não é sua nem por 1 minuto”, “Movimento Superação”, “Praia Acessível” e similares, entre outros.

O que queremos ainda ? Queremos ainda mais acessibilidade ! Os últimos dados divulgados pelo IBGE do Censo realizado em 2010 constatou que apenas 4,7% dos domicílios urbanos possuíam rampas para cadeirantes no seu entorno. Fora o péssimo estado das calçadas. O que queremos são banheiros públicos adaptados, piso tátil nas calçadas, aviso sonoro nos semáforos, ônibus adaptados “com pessoal treinado e consciente de seu dever de parar o ônibus nos pontos quando houver uma PcD e ajudá-la a embarcar e desembarcar”; elevadores em todas as estações e que funcionem; mais vagas reservadas e mais fiscalização; tradutores de Libras, mais praias acessíveis com acesso ao mar e banheiro acessível próximo e uma infinidade de coisas.

Será que o Brasil ainda não acordou para o fato de que 24% da população brasileira possui algum tipo de deficiência (46 milhões de pessoas) ? E que estes números crescem a cada dia ? O índice brasileiro é 9% maior que o mundial, de 15%. Será que não percebeu que este público movimentou em 2011, R$ 3,5 bilhões somente em produtos e serviços específicos, como cadeiras de rodas, carros zero com isenção, adaptações veiculares, softwares, muletas, lupas, órteses, próteses entre outros. A Copa 2014 e o Rio 2016 estão próximos, o Brasil já está em posição de liderança econômica e cultural e, o que está fazendo em relação à infraestrutura baseada nas Normas de Acessibilidade (Desenho Universal), que garanta a “todas as pessoas” (e não somente PcD) o pleno direito de ir e vir, ao laser, ao transporte, ao turismo, a tudo ? De nada adianta gastar recursos financeiros em acessibilidade feita de qualquer jeito; tem que ser bem feita para durar por muito tempo. Para que isto ocorra é necessário que os órgãos públicos, iniciativa privada e Ongs trabalhem juntos. As PcDs são as melhores pessoas para mostrar como se deve fazer e validar um projeto de acessibilidade. É necessário seguir as Normas da ABNT, principalmente a n° 9050. Além disto e do que foi falado, é necessário implantar próximo aos pontos turísticos banheiros adaptados e limpos; exigir dos restaurantes e bares que tenham mesas acessíveis (que caiba uma cadeira de rodas), cadeiras para obesos e, dos estabelecimentos acima de “X” m², a implantação de banheiro acessível/adaptado. Hotéis, que façam as adaptações de acordo com a ABNT. Todo o setor turístico deve estar engajado nisto e promover treinamento de como receber as PcD e Mobilidade reduzida. Será que o Brasil já parou para pensar como vai receber todas as PcD para os jogos Paralímpicos ? Pois não serão apenas os atletas, serão espectadores com suas famílias e amigos, o que representa um faturamento bem alto. Quantos quartos acessíveis possui um hotel ? Quantas mesas, banheiros, rampas, balcões com rebaixo, intérprete de Libras, piso tátil, sinalização em Braile, aviso sonoros em elevadores, cardápios em Braile entre outros possui os hotéis e restaurantes ? Quantos mapas em auto-relevo, carros com adaptação universal para locação, taxi com porta malas grande, semáforos com aviso sonoro, profissionais em audiodescrição e Libras para atender todos estes turistas ? O Brasil está preparado ? O que está realizando ? Quais são os projetos em andamento ? O que já foi implantado e quais as metas ? Estou muito contente que o Brasil está mudando para melhor, só espero que ACESSIBILIDADE faça parte destas mudanças, para ser tornar um exemplo de país inclusivo ! Márcia Regina Jordão Bueno é Graduada pela Universidade São Judas Tadeu e pós-graduanda em Adm. Financeira pelo Centro Universitário Sant’Anna. Membra pesquisadora do grupo Transmídia – Inovadores ESPM. Pesquisadora em acessibilidade no turismo. Estudante de artes cênicas na Oficina dos Menestréis. E-mail: marciajordao2005@hotmail.com Blog: www.viajandosobrerodas.com.br


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por Deborah Prates

Crianças com deficiência também precisam brincar!

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som era confuso. Um murmurinho danado de crianças numa das esquinas da Praia do Flamengo, Rio de Janeiro/ RJ. Em sua cadeira de rodas, Pedro, quase agarrado nas grades verdes do Palácio do Catete, cobiçava aquele balanço que ia e vinha cada vez mais ganhando altura. Os cabelos da menina embaralhavam seu rosto de forma engraçada. O menino sorria tristemente sonhando com a experiência de também estar naquele balanço. No interior do parquinho, Soninha acompanhava a gritaria atentamente tentando chegar, com sua pequena bengala, no escorrega para também dar o seu gritinho de satisfação no deslize do brinquedo. Noutro lado do lago estava um grupo de crianças surdas conversando em LIBRAS com outros coleguinhas que se encontravam em frente dando pipocas aos patos. Mães tentavam desviar seus filhos dos perigos oferecidos pelos brinquedos em movimento. Nada de nada de acessibilidade ! Nem mesmo marcações alertando distâncias - para proteção - a serem obedecidas pelos responsáveis e crianças existia ! Falo de providências de custo baixíssimo ! Inacreditável constatar que até as crianças com deficiência permanecem INVISÍVEIS aos olhos da sociedade. O Sr. Gestor está indiferente à dor, às alegrias ou aos desgostos dos “pequenos”. Certo é que rodei com Jimmy Prates - meu pessocão (cão-guia) - inúmeros parques e praças públicas em busca de acessibilidade nos brinquedos sem encontrar algum na grande Rio de Janeiro. No Aterro do Flamengo, por ilustração, achei, em boa quantidade, brinquedos com fezes dentro ou ao redor, dando conta da total apatia dos Srs. Administradores com a enorme área de lazer. A saúde e a segurança das crianças não são negociáveis ! Ouvindo o noticiário televisual, não tão distante, estava a nossa presidente afirmando que as nossas crianças são o futuro do Brasil. Parece óbvio, né ? Pois é, mas a realidade dá conta de que as crianças COM deficiência na RJ estão fora dessa contemplação. Então é que vale repetir que INCLUIR É PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE SOCIEDADE IGUAL PARA TODOS. O que notamos é que algumas crianças, para o gestor e coletividade, são

mais iguais que outras ! Sabido que através da brincadeira, a integração, a participação e a socialização das crianças acontece, de forma a transformá-las em adultos sãos. Parabenizo a cidade de Cubatão/SP, que está muito à frente de nós. Lá existe um playground adaptado, doado por empresários que amam os seus semelhantes, composto por um carrossel e dois balanços frontais adaptados para cadeiras de rodas e uma casa do Tarzan, com cadeiras especiais para crianças com dificuldades de locomoção. O playground tem ainda uma casa de bonecas e outros dois balanços adaptados que já haviam sido adquiridos pela Prefeitura. No entretanto, no PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE, que é o Rio de Janeiro, não há HUMANIZAÇÃO por parte da administração e empresários. Sempre prudente repetir que os cariocas não vivem nos cartões postais que a prefeitura exibe para o Planeta ! Não. O nosso dia a dia é bastante cruel e sacrificado. Afora a parte turística, a INACESSIBILIDADE é o retrato da RJ por todo canto. Precisamos ou não implementar a ACESSIBILIDADE ATITUDINAL JÁ ? Temos que focar a FAMÍLIA, a fim de que passemos a ter PERSONALIDADES ÉTICAS. Escrevendo essa crônica, veio-me a mente um pensamento de Platão que, guardando-se as devidas proporções, ilustra legal a espiritualidade da RJ: “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz”. Quando despertaremos ? Somos os culpados por tudo de mal - culturalmente falando - que nos acontece.

Deborah Prates é advogada e delegada da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ). Mantém um blog em que trata de questões sobre os direitos dessas pessoas (http://deborahpratesinclui.blogspot.com/)


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Cubatão quer colocar brinquedos acessíveis nos parques

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parque infantil adaptado a que se refere Deborah Prates em seu artigo publicado neste Caderno Especial, fica na Unidade Municipal de Ensino (UME) Princesa Isabel, no bairro de Vila Couto, em Cubatão/SP. É uma unidade especializada no atendimento de alunos com deficiência e, no momento, cerca de 70 deles estudam no local. Desde 13/09/2010 a UME conta com brinquedos adaptados, doados por uma empresa da cidade, a Viação São Bento. A ideia é ampliar a utilização dos brinquedos acessíveis, já que os da escola são exclusivos para uso dos alunos. Cubatão aderiu ao programa federal “Cidade Acessível”, criando a “Cubatão Acessível” para garantir acessibilidade nos estabelecimentos municipais, escolas, vias públicas, praças, transporte público e escolar. O projeto também incentiva comerciantes e empresários a tornarem seus negócios acessíveis, livres de barreiras arquitetônicas, atitudinais, de comunicação e informação. O primeiro parque público que deverá receber brinquedos acessíveis é o Novo Parque Anilinas, no centro, que foi totalmente reformado. Como também serão doados pela iniciativa privada, ainda não há uma data definida para a inauguração. Cubatão foi uma das cidades brasileiras mais famosas por seus altos índices de poluição, pelo seu grande parque industrial, quando foi em 1980 considerada pela ONU a cidade mais poluída do mundo. Contudo, com a união de indústrias, comunidade e governo, a cidade conseguiu controlar 98% do nível de poluentes no ar. Na década de 90, recebeu o título de “Cidade-símbolo da Recuperação Ambiental”. A cidade fica entre a região do Grande ABC e a baixada santista. E ainda devido ao passado contaminado, parte de sua população ainda sofre com algumas sequelas. A cidade vem se reestruturando há cerca de 20 anos, passando por uma transformação social e ambiental, uma conscientização política e administrativa, que já vem apresentando frutos positivos para a cidade e para a sociedade.


notas

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Ônibus interestaduais e internacionais devem ser adaptados

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Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) editou em agosto a Resolução Nº 3.871/2012, definindo os procedimentos para assegurar condições de acessibilidade às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida que utilizam o transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros. Esses usuários têm direito a receber tratamento prioritário e diferenciado nos ônibus com segurança e autonomia, total ou assistida, sem pagar tarifas ou acréscimo de valores no preço das passagens. As empresas de ônibus tiveram 30 dias de prazo após a publicação da resolução para adotar as providências necessárias e assegurar as instalações e serviços acessíveis observando o Decreto nº 5.296/2004, as normas técnicas de acessibilidade da ABNT e os programas de avaliação de conformidade desenvolvidos e implementados pelo INMETRO. Entre as exigências, as transportadoras deverão também avisar, com dispositivo sonoro, visual ou tátil, os pontos de parada entre a origem e destino das viagens de forma a garantir as condições de acessibilidade. No embarque ou desembarque precisam apresentar passagem em nível da plataforma de embarque e desembarque do terminal (ou ponto de parada) para o salão de passageiros; dispositivo de acesso instalado na plataforma de embarque, interligando-a ao veículo;

rampa móvel colocada entre o veículo e a plataforma; plataforma elevatória ou cadeira de transbordo. Os passageiros poderão transportar, gratuitamente, os equipamentos que utilizam para sua locomoção, mesmo que extrapolem as dimensões e excedam os limites máximos de peso. Nesse caso, deverão informar à transportadora com antecedência mínima de 24 horas do horário de partida do ponto inicial. No caso de locomoção com cão-guia, o animal será transportado gratuitamente, no piso do veículo, próximo ao seu usuário. De acordo com a resolução da ANTT, os ônibus interestaduais, com características urbanas, deverão ter 10% dos assentos disponíveis para o uso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, garantindo o mínimo de dois assentos, preferencialmente localizados próximos à porta de acesso. Para assegurar as condições de acessibilidade, a frota total de veículos das transportadoras deverá ser fabricada ou adaptada. Até 2 de dezembro de 2014, as condições de acessibilidade para os veículos utilizados exclusivamente para o serviço de fretamento serão exigidos somente daqueles fabricados a partir de 2008. Após essa data, as condições de acessibilidade serão exigidas da totalidade da frota. As empresas que descumprirem a resolução da ANTT estarão sujeitas à multa e, no caso de serviço fretado, poderão ser descadastradas do Sistema Informatizado da agência.

Distrito Federal publica lei de acessibilidade

A partir de dezembro, espaços culturais como cinemas e teatros do Distrito Federal, terão que assegurar acesso e acomodação de acompanhantes de pessoas com deficiência. A lei foi publicada no Diário Oficial em 23 de agosto último e garante também que, havendo preço promocional de entrada para pessoa com deficiência, o acompanhante pode usar esse benefício. Os lugares reservados devem garantir uma boa visão. Os estabelecimentos que não cumprirem a norma estarão sujeitos a notificação, em primeira autuação, multa de R$ 3 mil caso a irregularidade não seja resolvida em até 15 dias, e interdição do local depois de 30 dias. As denúncias podem ser feitas junto aos órgãos de fiscalização, como PROCON, Ministério Público, Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Agência de Fiscalização (AGEFIS). Ainda em Brasília/DF, a secretaria de Justiça planeja construir um espaço cultural completamente acessível.

“Patinho Feio” acessível para crianças com deficiência visual

O livro infantil de Hans Christian Andersen, um dos clássicos da literatura infantil universal, publicado em 1843, teve lançamento em setembro último pela Fundação Dorina Nowill para Cegos. A proposta é uma viagem ao mundo dos sentidos para crianças com e sem deficiência visual. A edição, totalmente acessível também às crianças cegas e com baixa visão, tem impressão em braile, com fonte ampliada, ilustrações coloridas, texturas e verniz, além de versão em áudio com audiodescrição de todas as imagens e efeitos sonoros lúdicos. As crianças podem descobrir através dos dedos um mundo de contornos, figuras e situações novas. A história fala sobre pobreza, solidão, feiura (Andersen se achava feio e se sentia rejeitado) e o desejo de se integrar à sociedade, de encontrar protetores e ter seu lugar, graças à coragem e ao trabalho. Os livros serão distribuídos para 1.000 bibliotecas e escolas públicas no Brasil. A publicação conta com o patrocínio da empresa Dinamarquesa de cuidados com a saúde Novo Nordisk. A princesa Mary Elizabeth, esposa do Príncipe Herdeiro da Dinamarca, visitou a Fundação no dia do lançamento e entregou exemplares da obra para crianças com deficiência visual.


por Júlio Cesar

C

bate bola

Homens de verdade: na vida e no futebol !!!

aro amigo leitor, este é um momento iluminado para todo nosso setor, principalmente no que se refere ao Paradeporto, uma das maiores formas de inclusão e desenvolvimento humano. Pudemos perceber nas Paraolimpíadas de Londres, uma enorme preocupação nos setores de turismo, hotelaria, gastronomia, enfim, um país todo preparado adequadamente para bem receber a PCD. No Brasil não tem sido diferente, pois hoje temos realizado em nosso país, vários congressos e fóruns exatamente para a sensibilização e capacitação dos setores de turismo, esporte e lazer, e tudo que envolve a estrutura para a próxima Paraolimpíada que será no Brasil. Também pude no entanto, observar na época da última Olimpíada e Paraolimpíada de Londres, que a as propagandas de TV e internet estavam todas direcionadas ligando o nome das empresas e seus produtos ao esporte, e neste momento, onde o foco mundial é o esporte, aparecem milhares de empresas se intitulando como os “Patrocinadores Oficiais” dos atletas em destaque. Todos querendo pegar uma carona na “Calda do Cometa”. O empresariado necessita patrocinar “de fato” o esporte nacional com projetos de médio e longo prazo, para promover oportunidades a todos e desenvolver mais atletas que representem o Brasil, principalmente na questão da Paraolimpíada. Somente assim poderemos ver nossos Paratletas brilharem no cenário mundial. O mais importante de tudo isso é o legado que fica dos jogos, onde o próprio povo agrega uma cultura mais inclusiva, além da estrutura física que será realizada em vários setores. Particularmente fico muito feliz, pois após ficar surdo, idealizei o “Instituto Jogadas da Vida”, uma ONG sem fins lucrativos que tem como principal finalidade, desenvolver o Paradeporto no Brasil, e para isso, contamos com o patrocínio de empresas interessadas em apoiar ações, em gerar oportunidades de participação e revelação de novos atletas. O Instituto foi criado junto com amigos famosos do esporte, como: Osmar Santos, Zé Maria ex-Corinthians, Leivinha ex-Palmeiras, Clodoaldo Silva (2 medalhas de ouro e 1 de prata nas Paraolimpíadas de Londres), Amauri do Vôlei e o saudoso Félix, goleiro Tricampeão em 70, que infelizmente faleceu no último dia 25 de agosto. Como todos sabem, fui Bicampeão Paulista em 1982/1983 pelo Timão, e pensando em envolver meu ex-clube para divulgar nossa causa, fui até o Parque São Jorge e tive a alegria de ver, desde o então presidente Andrés Sanchez, como pessoal de Marketing e do Esporte Terrestre, e também o pessoal da minha época, como o Administrador do CT, o amigo Saulo, se desdobrarem para nos apoiar. Para quem não sabe, o Corinthians é o único clube de São Paulo a participar da campanha do CONADE (Conselho Nacional da PcD), apoio este realizado há 3 anos após um pedido meu e de meu amigo Rodrigo Rosso da Revista Reação, ao então presidente Andrés Sanchez. Após adesão do Corinthians à nossa causa, fato que ocorreu com uma grande festividade no salão nobre do clube, onde fiz o lançamento de meu livro - JOGADAS DA VIDA. Aproveitei então o momento favorável e fui até o CT do clube visitar meu amigo de anos - o Saulo: administrador do futebol profissional - e tive a oportunidade de conhecer o goleiro Julio Cesar e o técnico Tite. Contando

a eles o propósito da minha presença no CT, e a causa que agora eu defendia. Para minha surpresa, eles se prontificaram a participar do Instituto e colaborar em tudo que pudessem. Como ex-jogador, sempre tive a noção da enorme diferença que uma pessoa famosa pode fazer na vida de milhões de pessoas, principalmente com sua imagem de ídolo, pois aos 6 anos de idade vi o Félix (goleiro) se tornar tricampeão mundial com aquele time maravilhoso da Copa de 70, e me decidi ali, a ser jogador de futebol. Fato curioso foi que, encerrei minha carreira jogando pela seleção brasileira de Másters, e quis o destino, que fosse justamente ao lado do mesmo Félix, que nesta época já era meu grande amigo e mestre. Isso que nos mostra a grandeza de espírito de uma pessoa, pois, em um mundo que impera o individualismo e o egoísmo, é raro a gente ver “famosos” como: Félix, Julio Cesar e Tite, dedicarem um pouco do seu tempo doando sua imagem espalhando seu exemplo e esperança, principalmente em nosso segmento, onde a PcD sempre foi excluída e marginalizada, e tanto precisa de ídolos e oportunidades. Nessa ocasião da minha visita ao CT do Corinthians, o clube tinha acabado de perder a final do Campeonato Paulista para o Santos, e em um país onde o segundo lugar nada significa, achei natural que não tivesse nenhum repórter presente. Percebi que Tite estava triste e disse a ele que se orgulhasse do seu trabalho no clube, pois ele conseguiu dar ao time uma estrutura dentro de campo, e em breve ele colheria os frutos com muitos títulos. Palavras proféticas as minhas ! Pois é... Há pouco tempo voltei ao CT - logo após a conquista da Taça Libertadores da América pelo meu Corinthians - e ao ver-me, Tite abriu um largo sorriso e veio ao meu encontro. Nesta ocasião ele já tinha ganhado vários títulos como eu previ, e agora seu sorriso era de Campeão Paulista, Campeão Brasileiro, Campeão da Libertadores da América... e em dezembro próximo, se Deus quiser, será um sorriso de Campeão do Mundo ! Digo ainda ao leitor que não me surpreenderia se Tite assumisse o cargo de técnico da seleção brasileira em breve, e em 2014 fosse o campeão da Copa do Mundo no Brasil ! Esse cara merece !!! Isso me fez pensar em como pessoas como Tite e Julio Cesar, e Félix, escolhem ser iluminadas e generosas, quando dão títulos e alegria para milhões de pessoas – Corintianos ou não - quando espalham amor, carinho e principalmente seu exemplo de caráter, dando rumo a milhares de pessoas com deficiência ou não ! Durante minha vida, convivi com muita gente famosa... grandes astros... grandes jogadores.... mas não tive a oportunidade de conhecer grandes Homens. Esses, foram poucos... E Tite e Julio Cesar, e o saudoso Félix, por exemplo, foram alguns deles. Julio Cesar de Souza é ex-jogador do Corinthians, surdo aos 30 anos, desenvolveu o projeto “Educação do Surdo pelo Esporte”. É autor do livro “Jogadas da Vida”. Fundador do Instituto Jogadas da Vida, ele ainda apresenta palestras motivacionais para empresas e é uma das pessoas surdas mais ativas no movimento para promoção e a inclusão de PPDs.

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sensualidade

Gostaram da minha luva? A sensualidade é só um detalhe...

Modelo:Tatiana Rolim paraplegia Foto: Kica de Castro Luvas: criação da estilista Candida Cirino



Revista Reação 88