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editorial A Revista Nacional de Reabilitação é uma publicação bimestral da C & G 12 - Comunicação e Marketing S/C Ltda. Telefone (PABX): (11) 3873-1525 Fax: (11) 3801-2195

Rodrigo Antonio Rosso Diretor/Editor

Desrespeito ao direito de ir e vir

www.revistareacao.com.br contato@cg12.com.br Diretor Responsável - Editor Rodrigo Antonio Rosso Reportagem: Maria Luiza de Araujo Consultores Técnicos: Romeu Kazumi Sassaki Carlos Roberto Perl Colaboradores: Geraldo Nogueira Neivaldo Zovico Fabiano Puhlmann Márcia Gori Alex Garcia Deborah Prates Tatiana Rolim Samara Del Monte Scott Rains Marta Gil Silvana Cambiaghi Suely Carvalho de Sá Yañez Silvia de Castro Izabel Loureiro Maior Luciene Gomes Maria de Fátima e Silva Valdemir Ribeiro Borba Adriana Akemi Rastelli Ueda Luciane Molina Marcella Vidal de Freitas Vera Alice Alcântara dos Santos Amaral Marketing: Jackeline Oliveira Depto. Comercial: Nataliane Paiva Paulo Brandão Administração: Cissa de Carvalho Circulação: Jairo Prates José Faustino Assinaturas: Cissa de Carvalho - Coordenação

Fone: 0800-772-6612 Tiragem: 20 mil exemplares Redação, Comercial e Assinaturas: Caixa Postal: 60.113 CEP 05033-970 São Paulo - SP É permitida a reprodução de qualquer artigo ou matéria publicada na Revista Nacional de Reabilitação, desde que seja citada a fonte.

É

limite de valor para compra do carro 0K está defasado e estados não cumprem determinação do Confaz...

uma vergonha... O Brasil mais uma vez vem demonstrando em atos, o amadorismo democrático que vivemos. O discurso é um, mas a realidade é outra. O governante até parece que tenta, mas na hora das leis, determinações e normas serem cumpridas, as coisas parece que tomam outros rumos, e o prejudicado é sempre o “cidadão”. No ano passado, há quase um ano, o CONFAZ aprovou por unanimidade que as pessoas com deficiência NÃO CONDUTORAS teriam DIREITO – dentre outras coisas - à isenção de impostos na compra do carro 0K. Tanto de IPI como de ICMS. Foi então lançado o Convênio ICMS 038/12, de março de 2012 !!! O Convênio começou a vigorar em 01 de janeiro de 2013 em todo o Brasil... MENOS no Estado de SP e no DF. É isso mesmo ! Menos nesses 2 estados da nossa Federação. Isso vem PREJUDICANDO milhares de pessoas com deficiência em todo o Brasil !!! Porque muitas fábricas de automóveis vendidos com isenção para pessoas com deficiência ou familiares, ficam situadas em SP, por exemplo. E todos os processos desses CIDADÃOS estão parados. São centenas e milhares de pessoas com deficiência, que às vezes, com muito sacrifício, conseguem comprar seus automóveis, para fazer valer o seu DIREITO de ir e vir, pois o Estado não lhe dá condições de fazê-lo dignamente através do transporte público, e estão sem receber seus carros, em função do Estado de SP não ter colocado em PRÁTICA o Convênio 038/12. Isso é uma vergonha !!! Um ato de desrespeito... é DIREITO do cidadão. Foi aprovado no CONFAZ... Então porque São Paulo e o Distrito Federal não regulamentam o Convênio como já fizeram todos os outros estados ?!?!? Qual a justificativa pelo não cumprimento do Convênio ??? São Paulo e DF precisam cumprir a determinação do CONFAZ !!! E Você, CIDADÃO, também PRECISA cobrar isso dos seus governantes em SP e no DF... Temos que aprender a brigar pelos nossos Direitos. Todos nós temos que fazer a nossa parte !!! Outro tema polêmico e que também beira o desrespeito é o não aumento do valor teto dos atuais R$ 70 mil para compra do carro 0K com isenção de ICMS por pessoas com deficiência. Esse valor PRECISA ser corrigido ! Se o CONFAZ e os senhores Secretários de Fazenda e os técnicos do órgão não acham que as PCD tem direito a comprar “carros caros e de luxo”, como muitos gostam de definir, acredito então que eles tem que ser no mínimo JUSTOS em suas posições, e pelo menos então, CORRIGIR o valor teto pelo índice da inflação dos últimos 3 anos, período em que o valor de R$ 70 mil não sofreu nenhum reajuste. Não é verdade ? Se tudo aumenta, se o próprio carro aumenta de preço, porque o valor dos R$ 70 mil tem que ficar congelado ?!?! Vamos pleitear essa correção ! A ABRIDEF – Assoc. Brasileira das Indústrias de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência, através da Frente Parlamentar em Brasília/DF, e também através de um trabalho incansável junto aos Secretários de Fazenda de todos os Estados brasileiros e no CONFAZ, já vem fazendo um grande movimento para que os R$ 70 mil sejam aumentados ou pelo menos, CORRIGIDOS pelo índice da inflação, de 2010 até hoje. Mas a sua ajuda como CIDADÃO é muito importante nessa hora. Temos que nos mobilizar e mostrar a nossa força, fazer valer nossos direitos ! Mais uma vez insisto: NÓS NÃO SABEMOS A FORÇA QUE TEMOS !!!

“Porque Tu és a minha rocha e a minha fortaleza; assim, por amor do Teu nome, guia-me e encaminha-me...”

Salmo 31:3

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entrevista

Claudia Marques Maximino A Associação Brasileira dos Portadores da Síndrome da Talidomida (ABPST) completou 20 anos em 2012. Sua fundadora continua como presidente, depois de ininterruptas reeleições, sempre na luta que se tornou seu projeto de vida...


entrevista

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coluna especial

por Romeu Kazumi Sassaki

Pessoa com deficiência 206 anos antes da inclusão Parte 02 Nota A: Repito os três critérios adotados na Parte 1 da tradução do capítulo 10 do livro British social work in the nineteenth century (Londres, 1956): /a/ Os termos técnicos utilizados nesse livro serão grifados. /b/ Entre parênteses, traduzirei ― com terminologia brasileira em vigor em 1956 ― os termos ingleses grifados. /c/ A equivalente terminologia atual, utilizada no Brasil, virá entre colchetes. Nota B: Na Parte 1, após uma breve introdução sobre o título deste artigo, iniciei o histórico de terminologias e conceituações em voga no século 19 com referência às pessoas com deficiência visual. A respeito destas pessoas, apresentei o contexto social, os princípios e os métodos de reabilitação. Dentre estes métodos,

destaquei: 1. Educação e 2. Treinamento. continuação, focalizo na Parte 2: 3. Emprego.

Em

Nota C: As próximas partes deste artigo tratarão de: 4. Visita domiciliar (terminando o subtítulo 1: As pessoas cegas). Subtítulo 2: As pessoas surdas. Subtítulo 3: As pessoas com deficiência intelectual, com deficiência psicossocial e com epilepsia. Subtítulo 4: As pessoas com deficiência física. Métodos de reabilitação dos cegos [das pessoas cegas] 3. Emprego. Embora muitas escolas e instituições (exatamente 61, em 1889) tenham se organizado para oferecer treinamento em uma ocupação, algumas delas não se interessaram mais que isso e seus alunos tiveram de se arriscar sem ajuda no mercado industrial. Ao longo do final do século 19, podem ser encontradas constantes referências a esta lamentável situação; e foi então que [a jovem professora cega] Elizabeth Gilbert e seus amigos fizeram o que foi provavelmente a maior contribuição deles. Pois em 1854, com um capital majoritariamente investido por ela, o primeiro armazém para the blind (os cegos)[as pessoas cegas] foi inaugurado em um celeiro em Holborn, tendo o [também jovem cego] professor W. H. Levy como gerente geral. No começo, sete homens cegos foram empregados na residência de cada um, trabalhando com mercadorias fornecidas pelo armazém; mais tarde, mulheres cegas também conseguiram esse emprego. Elizabeth realmente acreditava no princípio do homework (trabalho em casa) [teletrabalho], não obstante ela o tenha, mais tarde, modificado e permitido que o próprio armazém se tornasse uma oficina [protegida] de trabalho onde the blind (os cegos) [as pessoas cegas] pudessem trabalhar. Ela acreditava que o esmero em selecionar trabalhadores era uma parte integral do esquema do emprego a fim de que ele não fosse facilmente mau usado por quem não o merecesse; e, como o esquema nunca atingiria a automanutenção, ela entendeu que o seu dever para com os investidores era o de garantir


coluna especial que o dinheiro deles fosse utilizado corretamente. Logo ela se viu diante da questão de encontrar professores para os novos trabalhadores que vinham para aprender confecção de escovas, trabalho de tricô, fabricação de cestos e outras ocupações que a oficina de trabalho oferecia. Os professores tinham de ser remunerados e foram necessários investimentos para cobrir os custos. Mas, Elizabeth sempre foi inflexível na ideia de que os professores deveriam ser cegos, pela razão de que somente eles conheciam as necessidades of the blind (dos cegos)[das pessoas cegas]. Opiniões posteriores diferiram daquela de Elizabeth e defenderam o uso de professores não cegos, de acordo com o texto “Conference on the blind in York”, publicado pela Charity Organization Society (COS) em 1883. Entretanto, o problema de encontrar emprego para the sightless (os cegos) [as pessoas cegas] era bem maior que isso e, certamente, bem maior que aquele de educar crianças cegas, pois a maioria dos adultos cegos perdeu sua visão após a infância. No final do século 19, alguns especialistas sugeriram 35 anos como a idade média na qual as pessoas ficavam cegas, de acordo com W. J. Ray em “Work among the blind”. Em 1874, Elizabeth declarou, para o Comitê Especial da COS, que of the 30,000 blind (dos 30.000 cegos) [das 30.000 pessoas cegas] no Reino Unido, nove de cada 10 tinham mais de 21 anos de idade. Nem todas elas eram capazes de manter o próprio sustento, mas dentre as que eram capazes cerca de apenas 10% foram atendidos pelas associações voluntárias. Com exceção dos funcionários executantes da Lei dos Pobres [de 1834] - que podiam prestar assistência e oferecer treinamento, caso eles os julgassem desejáveis -, as associações voluntárias eram o único meio de se obter ajuda e encontrar emprego. As oficinas [protegidas] de trabalho e os armazéns constituíam a única resposta ao problema e, embora fossem copiados em todas as partes do país, eles não esperavam que poderiam lidar com essa situação tão complexa. Mesmo a geração posterior com a sua variedade de serviços sociais e industriais para the handicapped (o incapacitado) [a pessoa com deficiência] - não obteve sucesso total nisto. No século 19, foram estabelecidos os princípios de que the blind (os cegos) [as pessoas cegas] seriam tornadas tão independent (independentes)

[autônomas] quanto possível e de que elas deveriam trabalhar com pessoas não cegas when it could be arranged (quando isto fosse possível) [preferencialmente]. Apesar de serem reconhecidas as dificuldades de obter a supervisão adequada e de comprar e vender no melhor mercado, havia a ideia de que as oficinas [protegidas] de trabalho deveriam ser administradas em bases comerciais e com [capacidade de] automanutenção. Sobre o parágrafo anterior, chamo sua atenção ao fato de que no século 19 já existia a equivocada ideia de avançar para a inclusão, mas somente quando possível - ideia que no século 20 foi inserida na legislação brasileira em relação à educação: “oferecida preferencialmente na rede regular de ensino” (CF/88, art. 208/III; Lei 9.394/96; Decreto 3.298/99); Lei 10.172/01; Lei 10.845/04). Ao mesmo tempo, atente para o fato de que, já no século 19, havia o pensamento de que o objetivo do atendimento a pessoas com deficiência era o de que elas alcançassem a sua “independência”, segundo Young & Ashton (1956). Aqui é oportuno considerar que a palavra “independência” foi utilizada naquela época com o sentido atual de “autonomia”, ou seja, a capacidade de lidar com o ambiente imediato. Desde então e até hoje, ainda se confunde a palavra “independência” com a palavra “autonomia”, utilizando-as como sinônimas. O termo “independência” tem o sentido de “tomada de decisões próprias”. Outro destaque naquele século foi a ideia de operar as oficinas [protegidas] de trabalho com objetivos comerciais voltados à automanutenção - poderosa ideia que recrudesceu no final do século 20 e começo do 21 em relação às instituições voluntárias em geral. Este artigo continuará na próxima edição. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA YOUNG, A.F.; ASHTON, E.T. British social work in the nineteenth century. Londres: Routledge and Kegan Paul, 1956, 264 p.

Romeu Kazumi Sassaki é consultor e autor de livros de inclusão social E-mail: romeukf@uol.com.br

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notas Pré Carnaval sem preconceito

O Carnaval é uma das maiores festas populares do mundo e muito inclusiva. A festa no Brasil é divulgada mundialmente pela sua animação, criatividade nas fantasias ou poucas fantasias, gingado, beleza, trios elétricos... É um evento que uni muitas “tribos” e movimenta a economia do país. Curiosamente o preconceito diminui durante o período carnavalesco. Brincadeiras saudáveis existem desde o surgimento desse evento, com os homens fantasiados de mulheres e com as marchinhas inocentes. Interessante que durante esse evento normalmente não existe o

bulling, não existe exclusão. Pensando em uma forma de unir as “tribos”, ganhar força com a moda, que vai além do vestuário, no dia 15 de janeiro, foi realizado no centro de São Paulo, um desfile das perucas Cestari. As cores levam alegria e nada melhor que usar literalmente a cabeça para levar essa mensagem. A empresária Ana Cestari, dona da marca, apostou na inclusão, levando na passarela a beleza masculina de um modelo internacional, o Rei de Bateria da escola de samba do Tatuapé, as famosas mulheres frutas, modelo Plus Size e a modelo com deficiência Priscila Menucci, que faz parte do casting da agência Kica de Castro. E é claro que não podia ficar de fora as drag queens, que teve como mestre de Cerimônia a Rainha das Festas, Tchaka, que levou a mensagem com bom humor. Inegavelmente foi um desfile que abraçou a diversidade humana. O preconceito não vai acabar de um dia para o outro, mas pode começar com o seu respeito pelo próximo. Bom carnaval !

Processos de isenção de ICMS precisam ser mais ágeis Desde o dia 1º de janeiro deste ano todas as pessoas com deficiência não-condutoras, ou seja, aquelas que não dirigem seus carros (autistas, PcD mentais, síndrome de Down, entre outros), também passaram a ter direito à isenção do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na hora de comprar um carro 0Km. A medida, que foi tomada pelo CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária) no começo do ano passado e regulamentada pelo Convênio Nº 135, de dezembro de 2012, vai beneficiar milhares de pessoas em todo o Brasil. Os chamados “não-condutores” podem adquirir os veículos através de seus tutores legais e passam pelo mesmo processo burocrático de todas as outras pessoas com deficiência na hora de solicitar a isenção de impostos que têm direito. Neste sentido, para que os trâmites legais possam ser liberados no menor prazo possível, a deputada estadual Célia Leão (PSDB/SP), que é cadeirante, enviou ofício à Secretaria Estadual da Fazenda paulista, em nome do secretário Andrea Calabi, solicitando que o órgão público tome as medidas necessárias para que todos os beneficiados obtenham de maneira mais rápida a liberação dos documentos para a compra dos carros. “Em razão do grande volume de pedidos que devem ocorrer depois da liberação do imposto pelo Confaz, são necessárias ações que permitam maior agilidade por parte da nossa Receita Estadual, e isso se faz com mais pessoal, tecnologia e atendimento prioritário para estas pessoas”, lembra a parlamentar paulista. O prazo para a liberação dos documentos gira em torno de 60 dias desde a entrada do pedido nas delegacias da Receita Estadual. Os escritórios despachantes, que fazem este trabalho, afirmam que o ideal é que este tempo seja de no máximo 30 dias.


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associações

ARIL

premiações reconhecem os 50 anos de trabalho da entidade...

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ARIL - Associação de Reabilitação Infantil Limeirense, da cidade paulista de Limeira/SP (www. aril.com.br/blog/), tem motivos de sobra para comemorar: no próximo dia 11 de março vai completar os 50 anos de fundação. O reconhecimento pelo seu trabalho pode ser medido pelos vários prêmios que recebeu ao longo de sua trajetória e pela fila de espera para usufruir seus serviços, considerados de excelência. A situação hoje é bem diferente daquela da década de 60, quando nasceu: “Embora haja ainda algum preconceito, que entendemos ser mais por desconhecimento do que por negligência e outros motivos, a sociedade está mais atenta com as questões que envolvem as pessoas com deficiência”, analisa a coordenadora de Reabilitação Jane Elisabeth Adam Lopes. “O fato das pessoas com deficiência estarem mais presentes e participantes nos vários segmentos e setores da sociedade tem possibilitado um melhor exercício de convivência e entendimento resultando, de certa forma, num melhor atendimento à pessoa com deficiência”. A ARIL começou atendendo crianças com Síndrome de Down, mas hoje trabalha com vários tipos de deficiência intelectual, sendo que alguns dos 580 adultos, jovens e crianças possuem também deficiência física associada. Os atendimentos começam com recém-nascidos e a maior idade cronológica atendida hoje é de 51 anos. Do total, 53 pessoas são recebidas em Iracemápolis/SP. Apesar do número alto de cadastros, 236 interessados ainda estão esperando para serem atendidos, o que só poderá ser feito com mais espaço e maior número de profissionais. Em Limeira/SP, além da sede no Jardim Mercedes, há ainda

unidades em outros bairros: uma marcenaria em Cidade Jardim e uma Central de Triagem de Materiais Recicláveis no Jardim Santa Bárbara, que processa mensalmente cerca de 100 toneladas de papel, papelão, vidro e plástico, entre outros itens. A ARIL atende de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, em meio período ou período integral, dependendo do caso. O primeiro setor da entidade foi o de Reabilitação, que atualmente presta atendimento nas áreas de psicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, fisioterapia, assistência social, e ainda, com médicos neurologistas e fisiatra. Depois surgiram, conforme a necessidade, o Centro de Habilitação e Treinamento Profissional (CHTP), Escola de Educação Especial, Oficina Terapêutica Ocupacional, Oficina Pedagógica e Estimulação Básica.

Premiações A ARIL obtém prêmios constantemente. Em 2012, por exemplo, seu trabalho foi destacado por duas vezes no III Prêmio Ações Inclusivas para Pessoas com Deficiência, entregue no último mês de dezembro pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência/SP: pelo Programa de Preparação e Treinamento de Pessoas com Deficiência Intelectual para Inclusão em Atividades Laborativas, Mercado Competitivo de Trabalho e Cidadania, que atende 100 aprendizes, e pelo Grupo de Apoio à Rede Escolar (GARE), que tem como objetivo orientar os profissionais que atuam em creches e escolas que possuem pessoas com deficiência física incluídas na rede municipal de ensino. Também foi premiada pela Fundação ABRINQ, com o Prêmio Criança 2012, com o projeto Programa de Apoio e Estimulação do Bebê (PAEB) para atender o mais precocemente possível a família dos bebês de risco, encaminhados por Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e comunidade. Por meio do pro-


associações jeto, a Aril criou grupos nos quais os pais recebem orientações e monitoramento de como estimular adequadamente os seus bebês. Uma equipe com sete profissionais atua semanalmente nos grupos, cada um com cerca de oito bebês e seus pais ou outros familiares. Ainda em 2012, ganhou da Câmara de Vereadores de Limeira, a Medalha “Amigo da Criança Herbert de Souza”, que tem por objetivo incentivar aqueles que se dispõe a auxiliar nas questões que afetam crianças e jovens do município. Também recebeu homenagem da Usina Iracema, unidade do Grupo São Martinho, pelo trabalho feito pelas unidades da ARIL em Limeira/SP e Iracemápolis/SP a favor da comunidade da região. De quebra, o aluno Fernando Oliveira Labaça conquistou duas medalhas de ouro no 1º Torneio Mundial de Natação voltado a pessoas com deficiência intelectual, na cidade de San Juan, em Porto Rico. A Aril já está em sua 11ª participação internacional no esporte, tendo conquistado diversos troféus e medalhas de ouro. Desde 1999,

a entidade obtém classificação e participa dos Jogos Mundiais da Special Olympics, em modalidades como: natação, tênis de mesa, futebol, basquete e handebol. “São resultados que enchem de orgulho nossa diretoria, funcionários, familiares e alunos”, comemora a coordenadora. Nos anos de 2001, 2004 e 2006 a entidade foi agraciada com o Prêmio Bem Eficiente, outorgado pela Kanitz & Associados. “Receber prêmios significa o reconhecimento de uma ideia concretizada e a satisfação proporcionada, que nos impulsiona a continuar sonhando e a conquistar novos horizontes”, afirma Jane. “Todos esses prêmios demonstram que a entidade está cumprindo com a sua missão, que é promover a qualidade de vida das pessoas com deficiência, desenvolvendo suas potencialidades, e com sua visão, que é ser considerada uma instituição de referência na região e no Estado”, diz a coordenadora que está preparando uma grande festa de aniversário, além de novos projetos para ampliar e melhorar o atendimento.

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movimento

por Izabel de Loureiro Maior

A sentença judicial que não pode nos esterilizar

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omo se não bastassem as desavisadas e lesivas opiniões de uma escritora conhecida e de uma psicóloga desconhecida a respeito do brutal acontecimento contra crianças norteamericanas, somos surpreendidos com uma sentença judicial de esterilização de uma jovem pobre com alegada deficiência intelectual. Agora pasme ! O fato é no Brasil, no interior de São Paulo e está em vias de se concretizar. A grande mídia deu espaço a duas pessoas para que expusessem sandices já rebatidas de forma brilhante por especialistas, jornalistas e familiares de pessoas com deficiência, vide em http://www.inclusive.org.br/?p=23982 . É óbvio que houve grave prejuízo para as pessoas com deficiência com a “sensibilização às avessas” da sociedade. Pensar que doença mental é o mesmo que deficiência intelectual e sendo assim a escola inclusiva não pode existir para não misturar “anjos” com “demônios” é tudo que não pode prosperar como dúvida nas cabeças brasileiras. Para deixar claro, o assassino de New Town não tinha diagnóstico médico. Ainda que fosse uma pessoa com transtorno mental (doença), ou manifestação do espectro do autismo ou deficiência intelectual, isso não faria com que ele se tornasse um autor de massacre. O que leva a esse comportamento é uma associação de fatores pouco conhecida. Dessa forma, as suposições não confirmadas, as opiniões desvinculadas do conhecimento científico e o sensacionalismo merecem e tiveram respostas à altura. No entanto, não soubemos da devida retratação das “autoras” e dos veículos de comunicação tão responsáveis quanto elas. Por outro lado, prestando serviço de interesse público, o jornal “O Estado São Paulo” publicou em 09/01/2013, matéria de William Cardoso. Ainda bem que o fato veio à tona e foi filtrado e divulgado nas redes dos ativistas do movimento das pessoas com deficiência. Citando o texto: “A Defensoria Pública tenta reverter uma decisão judicial que determinou a realização de laqueadura em uma mulher de 27 anos, sem filhos, moradora de Amparo, no interior paulista. A sentença, de 2004, da juíza Daniela Faria Romano, veio após uma ação protetiva do Ministério Público Estadual, que levou em consideração o perfil socioeconômico e o fato de a mulher sofrer retardamento mental moderado para pedir a esterilização...” Em minha longa jornada de militante, de médica fisiatra e professora de medicina e de gestora governamental, tendo ocupado o cargo de Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, não me recordo de ter tido conhecimento ou enfrentado tamanho absurdo e afronta aos direitos humanos de uma mulher com deficiência, na iminência de ser castrada em seus sonhos, seu corpo e seu futuro, por ordem da INjustiça oficial. A sentença ficou adormecida desde 2004 (se houvesse chegado a nós naquele momento a história teria tomado outro rumo). A desventura foi continuada como segue: “Diante da recusa da paciente em substituir o DIU, a juíza Fabiola Brito do Amaral, que cuida atualmente do caso, determinou em outubro que fosse cumprida a sentença de 2004. A laqueadura estava prevista para o dia 21 de dezembro (de 2012), mas a mulher não foi encontrada, porque se escondeu em outra cidade, por temer que a encontrassem e fizessem a cirurgia que a impediria de se tornar mãe. Uma nova data será marcada para o procedimento.” Tudo indica que uma juíza brasileira tomou emprestada a Lei Alemã de Esterilização,

de 14 de julho de 1933, formalmente “Lei para a prevenção da descendência de pessoas com doenças genéticas”, entre as quais foram condenadas à esterilização forçada as “debilidades mentais”, apenas seis meses após a subida de Hitler ao poder. Nefastos tempos. Mais intrigante ainda foi saber que esse ato estapafúrdio continua em vigor ameaçando a jovem de 27 anos, devido à confirmação de outra juíza, no ano passado. A “culpa” da ré é ser pessoa com deficiência que deseja ser mãe. A decisão judicial, provocada pelo Ministério Público, considerou a baixa condição econômica e a necessidade de medida protetora como razões suficientes para ferir e retirar a dignidade de uma mulher pobre com deficiência intelectual. Desde o nazismo até os nossos dias os direitos humanos ganharam força e vem sendo, cada vez mais, invocados para proteger e assegurar que as pessoas tenham liberdade e igualdade em suas vidas. Com esta finalidade foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Posteriormente ficou patente que alguns segmentos sociais necessitavam


movimento que a garantia de seus direitos viesse expressa de forma específica, devido a sua condição histórica de sofrer diversas formas de discriminação e violação de seus direitos. Nesse perfil encaixam-se as pessoas com deficiência. Desse modo, o mais recente tratado da ONU é a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, de 2006. Sua elaboração tem como pontos de partida o texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, as declarações e outros documentos internacionais voltados para as pessoas com deficiência, as conquistas do movimento político desse segmento, os avanços da ciência, a noção de que deficiência é um conceito em evolução e resulta da interação da pessoa com as barreiras da sociedade e o crescente estímulo à convivência e respeito para com a diversidade humana. A Convenção contém uma riqueza de informações e de medidas a serem colocadas em prática, assim como caracteriza como discriminação atitudes e comportamentos que possam violentar a condição de pessoa humana daqueles que apresentam alguma deficiência. Seu texto é fruto da experiência em muitas culturas e de violências vividas em cada parte do mundo. Trabalhei diretamente na elaboração da Convenção, de 2003 a 2006, interagindo com a diplomacia, as instâncias governamentais e as organizações das pessoas com deficiência. Tenho orgulho de tudo que fizemos e admiração pelo que a

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Convenção representa. Confio que ela possa proteger os meus próprios direitos de mulher com deficiência física. Graças à soma de esforços, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência no Brasil tem equivalência à emenda constitucional, de acordo com o Decreto Legislativo Nº 186/2008 e Decreto Nº 6.949/2009, do Executivo. A Convenção aplica-se integralmente a toda e qualquer pessoa, a cada ente federado e aos Poderes da República. O caso da mulher com deficiência intelectual do município de Amparo/SP, condenada à esterilização involuntária preventiva está proibido na Convenção e, portanto, é uma arbitrariedade que não pode acontecer. Nos artigos: 1- propósito, 6 – mulheres com deficiência, 12 – reconhecimento igual perante a lei, 17 – proteção da integridade da pessoa e 23 – respeito pelo lar e pela família, encontram-se as razões e proibições certas e diretas para impedir que a jovem brasileira seja vítima do Estado. Como se sabe, não é admissível que juízes e advogados desconheçam as leis e menos ainda que descumpram a Constituição e os atos com equivalência constitucional, o que é o caso da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Não se pode deixar passar que agentes do Estado atuem como se a Convenção não existisse. A redação final do artigo 23, referente ao respeito pelo lar e pela família, foi alcançada após um dos debates mais acirra-

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movimento dos entre visões de mundo diferentes onde se manifestaram o Estado do Vaticano (observador na ONU), os países muçulmanos, e muitas nações entre as quais o Brasil. Defendemos energicamente os direitos sexuais e reprodutivos das pessoas com deficiência. Para que houvesse o consenso, a redação do artigo 23 não apresenta os termos acima, o que em nada reduz a proteção que está assegurada ao segmento, como se vê: “1. Os Estados Partes tomarão medidas efetivas e apropriadas para eliminar a discriminação contra pessoas com deficiência, em todos os aspectos relativos a casamento, família, paternidade e relacionamentos, em igualdade de condições com as demais pessoas, de modo a assegurar que:

MANIFESTO DE REPÚDIO

a) Seja reconhecido o direito das pessoas com deficiência, em idade de contrair matrimônio, de casar-se e estabelecer família, com base no livre e pleno consentimento dos pretendentes; b) Sejam reconhecidos os direitos das pessoas com deficiência de decidir livre e responsavelmente sobre o número de filhos e o espaçamento entre esses filhos e de ter acesso a informações adequadas à idade e a educação em matéria de reprodução e de planejamento familiar, bem como os meios necessários para exercer esses direitos. c) As pessoas com deficiência, inclusive crianças, conservem sua fertilidade, em igualdade de condições com as demais pessoas.” A simples leitura da Convenção deixa claro que as juízas e os membros do Ministério Público Estadual de São Paulo erraram ao agir conforme consta da matéria. Decidir sobre a integridade física e a fertilidade de alguém da maneira como foi realizado nos leva a pensar que essas autoridades discriminaram a jovem de Amparo/SP por ser pobre, ser mulher e ter deficiência intelectual. E discriminar uma pessoa com deficiência no Brasil é crime ! Vamos proteger a jovem de Amparo/SP antes da nova data do procedimento de esterilização. Contamos com a Defensoria Pública, que merece nosso agradecimento e nossa força para anular a sentença absurda. Nosso papel de elaboradores da Convenção é exigir das instâncias jurídicas e administrativas a imediata suspensão e anulação do ato nazista e eugênico. Cabe ao Estado promover e oferecer os recursos para que essa jovem mulher com deficiência (e tantas outras) receba todas as informações e apoios para seguir sua vida e um dia se tornar mãe como é o seu desejo.

Izabel de Loureiro Maior é Docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ. Mestre em Medicina Física e Reabilitação pela UFRJ. Primeira Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e coordenadora geral da CORDE, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, de 2002 a 2010. Representou o Brasil na ONU na elaboração da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e liderou o processo de sua ratificação. Recebeu em 2010 o inédito prêmio da Organização dos Estados Americanos – OEA, em “Reconhecimento por seu trabalho para um Continente Inclusivo”. Como consultora, atuou na Comissão Nacional de Organização da Conferência Rio+20, 2012, primeira conferência da ONU com acessibilidade.

O Conselho Nacional dos Centros de Vida Independente, CVI-Brasil, cumprindo seu papel de monitoramento e atenção às questões públicas que envolvem as pessoas com deficiência no país, manifesta-se no sentido de repudiar a decisão judicial que determina a realização de laqueadura em uma mulher de 27 anos, residente em Amparo/SP... A sentença proferida afronta a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (especificamente nos seus artigos 17 e 23), aprovada pelo Brasil com o status de emenda constitucional (Decreto Legislativo 186/2008 e Decreto Federal 6.949/2009). Portanto, tal determinação judicial carrega em si alta dose de autoritarismo, eugenia, preconceito e discriminação com base na deficiência. A jovem em questão já declarou seu desejo de ser mãe e não pode ser impedida por determinações externas e alheias à sua vontade. O direito à maternidade é inerente a cada mulher, mesmo que haja eventuais limitações físicas, sensoriais e/ou cognitivas. Causa-nos espécie que o Ministério Público venha apoiando tal decisão, visto que sua atuação tem de ser a defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Nesse sentido, nos solidarizamos com a jovem e apoiamos a iniciativa da Defensoria Pública, na figura da coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos, Daniela Skromov, que pretende reverter a decisão judicial por ser um ato inconstitucional e de brutalidade que atinge os direitos humanos, as liberdades fundamentais e o respeito à dignidade inerente de todas as pessoas com deficiência. Manaus, 10 de Janeiro de 2013.


notas Países Ibero-americanos na luta pela inclusão no mercado de trabalho

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Cidades paulistas começarão a receber a Caravana da Inclusão 2013

Este ano de 2013 é considerado o “Ano Ibero-americano para inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho”. A decisão foi tomada em novembro passado, durante a 22ª Cúpula Ibero-Americana realizada em Cádiz, na Espanha. Estiveram reunidos chefes de Governo e de Estado da Pensínsula Ibérica e da América Latina, Brasil incluído, que reconheceram ser necessário fortalecer as políticas públicas, as iniciativas e os esforços para assegurar a inclusão trabalhista plena e efetiva dessas pessoas. Para se ter uma ideia desse contingente, o Relatório Mundial sobre a Deficiência de 2011 da Organização Mundial da Saúde estima que15% da população mundial tem algum tipo de deficiência.

A 4ª edição da Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania, percorrerá 10 cidades do interior paulista, a partir de 22 de março de 2013. A iniciativa é da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, juntamente com a União dos Vereadores do Estado de São Paulo (UVESP). A Caravana, que já vem ocorrendo com sucesso há alguns anos, promove uma série de encontros regionais, com o objetivo de conscientizar os participantes sobre os direitos das pessoas com deficiência como educação, trabalho, cidadania e reabilitação, entre outros. É um momento de diálogo, em que a comunidade também apresenta suas dúvidas e reivindicações. As reuniões são abertas ao público em geral, com inscrições gratuitas que podem ser realizadas na abertura de cada evento. O calendário do ano percorrerá as seguintes cidades do interior de São Paulo: Bebedouro - 22/03 Votuporanga - 12/04 Itú - 26/04 Lins - 17/05 Araçatuba - 21/06 Registro - 09/08 Porto Ferreira - 13/09 Lorena - 18/10 Dracena - 22/11 Campinas - 13/12

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direito

por Geraldo Nogueira

Segurança para pessoas com deficiência

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nquanto os brasileiros vivenciam os horrores dos últimos acontecimentos, após incêndio ocorrido na boate Kiss (cidade de Santa Maria/RS), que ceifou a vida de dezenas de jovens, também percebem a ausência do poder público no que diz respeito à segurança em locais de uso público. Isto lembra-nos de que toda falta de fiscalização e abstenção estatal na instituição de políticas públicas pode levar a ocorrências trágicas, como neste caso que vitimou os jovens estudantes e suas famílias. Com relação às pessoas com deficiência, a ausência de uma política global capaz de agregar e articular de forma significativa as ações seguidas pelos diferentes setores governamentais e sociais coloca o segmento em risco, podendo sujeitar aos indivíduos fragilizados a perda da própria vida. É recente a existência de documentos, como a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e programas, como o “Viver sem Limite”, que assinalam alguma mudança nas práticas do Estado a este respeito. A partir de uma análise da aplicação de políticas públicas para a área das pessoas com deficiência no Brasil, torna-se fácil perceber as características da ação estatal no setor. Em primeiro lugar, as ações tipificadas por políticas intervencionistas, ou seja, o governo age apenas se pressionado pelo segmento, atuando mais para evitar ou minimizar eventuais danos políticos à sua imagem. Exemplificando, podemos dizer que foi por pressão que surgiu a Lei Nº 7.853/89, que institui o apoio às pessoas com deficiência, sua integração social e a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos. Contudo, na maior parte dos casos, essa pressão não gera a vontade de agir por parte do Estado, e esta falta da vontade política para agir condiciona a aplicação das leis ao âmbito do Poder Judiciário. Vários exemplos comprovam que o Estado, frequentemente, legisla sem um plano prévio para implementação de seus projetos, tornando árida a legislação neste setor. Diante deste fato, podemos afirmar que o Estado não age só por pressão, mas também para evitar a contestação dos opositores políticos. Basta citarmos, a título de exemplo, as quotas de emprego no setor público (1988) e privado (1991), que ficaram por mais de 10 anos sem ser aplicadas. Sendo que ainda hoje, sua aplicação sofre perceptível estratégia de ambos os setores para evitar sua ampla efetivação. Em segundo lugar, identificamos a política da omissão, quando o Estado permanece inativo ou silente diante de acontecimentos indevidos, falta ou desrespeito aos direitos dos indivíduos com deficiência, tornando-se invisível e compelindo a sociedade civil a exercer o papel de sua obrigação, ao mesmo tempo em que bloqueia os processos sociais que podem conduzir à tomada de decisão. Exemplo disso foi a realização pela extinta CORDE, com efetiva participação da sociedade civil, de inúmeras e excelentes câmaras técnicas, que terminaram como arquivo morto perdido na burocracia governamental. Outro exemplo se faz pela excessiva dilação do tempo entre a publicação de uma norma e sua regulamentação, o que leva a inaplicabilidade da lei. Em terceiro lugar, observamos que na área das pessoas com deficiência o Estado adota outras duas formas de fazer política. Aparentemente são contraditórias entre si, mas na verdade estão interligadas. Uma das

formas é a política da infiltração-participativa, através da qual não se nega a participar ou a instituir discussões sobre determinados temas, mas sua presença nesses fóruns consegue minar os mecanismos de participação e decisão. A outra forma utilizada é a política do controle, através da qual o Estado impõe suas ideias e estratégias. Como exemplo, podemos citar a criação dos conselhos de defesa de direitos, instâncias que em geral são paritárias, burocráticas, desgastantes e ineficazes, uma vez que o Estado exerce sobre elas estas duas formas de fazer política. Com efeito, O Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), que é órgão de deliberação colegiada, criado para acompanhar e avaliar o desenvolvimento de uma política nacional para inclusão da pessoa com deficiência juntamente com a participação das associações de e para pessoas com deficiência, perdeu a sua capacidade de influenciar o governo logo após a criação da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPDP), convertendo-se num órgão mais consultivo do que deliberativo, por onde pode se observar o que pensa o segmento sobre as ações e inações do governo. Servindo ao ente estatal como termômetro para medir a temperatura que surge da pressão popular. Exemplo disso está no fato de que o Estado tem assumido a representação das pessoas com deficiência em diversas iniciativas nacionais e internacionais, anulando a possibilidade da representação institucional exercida pelas próprias pessoas com deficiência. Voltando ao assunto sobre segurança das pessoas com deficiência em locais públicos, lembro-me de que recentemente assisti a um vídeo feito em Israel sobre salvamento de pessoas em edifícios em chamas, onde criaram uma espécie de elevador que corre externamente à edificação. Mas o que chama a atenção no vídeo é o fato de que os equipamentos de socorro são acessíveis para usuários de cadeiras de rodas. Enquanto isso, aqui no Brasil, segurança é artigo de luxo para quem pode pagar para tê-la. Fica a pergunta: e a segurança das pessoas com deficiência ? Com a palavra o CONADE, ou será Governo ?

Geraldo Nogueira é advogado, cadeirante e Presidente Licenciado da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (OAB/RJ).


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trabalho

Projeto de inclusão em rede de supermercados carioca completa 10 anos !!!

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mpresa pioneira na contratação de pessoas com deficiência no Rio de Janeiro, a rede de supermercados Mundial, com 19 lojas na capital carioca e quase 70 anos de atuação, comemorou no final de 2012 os seus 10 anos do projeto “Somos Todos Iguais”, que capacita e emprega profissionais com deficiências. Mesmo antes da iniciativa da empregabilidade, a empresa já contava com PcD em seu quadro de colaboradores. Alguns, como as gêmeas Vera Lúcia Ferreira e Vilma Lúcia Ferreira, com deficiência intelectual, estão no Mundial há mais de 20 anos. Em 2002 começou uma experiência piloto para oficializar o cumprimento da Lei nº 8313/91, a conhecida Lei de Cotas, que obriga a contratação de acordo com o número de funcionários. Hoje a rede tem quase 400 trabalhadores nessas condições, muito além do exigido, sendo: 51% de pessoas com deficiência intelectual; 22% auditiva; 20% física e 7% visual e outras. “Eles são contratados para os mais diferentes cargos operacionais e administrativos da empresa”, explica Laura Negro de La Pisa, coordenadora de Projetos Sociais da rede. “Nosso médico do trabalho é uma pessoa com deficiência física; temos gerentes e auxiliares administrativos com as mais diferentes deficiências, e também na frente de loja e nos diferentes setores internos como: açougue, padaria, mercearia, laticínios, hortifruti, salgados, RH, e outros”, enumera. De acordo com a coordenadora, nunca houve exigência de qualificação e/ou grau de instrução para o candidato ser contratado. A empresa se incumbiu de qualificá-los, oferecendo curso de alfabetização, telecurso de 1º e 2º graus e treinamentos. Quando entram, são recebidos e acompanhados por padrinhos ou madrinhas que, voluntariamente, colaboram na integração dos

Laura Negro de La Pisa à direita junto om Cláudia Rangel, analista de RH

novatos. “É bastante comum a evolução e promoção dentro da empresa”, afirma. O resultado não poderia ser melhor: “As PcD, por aprenderem a lidar com as próprias limitações, sem desistirem de sua realização pessoal, carregam consigo qualidades vitais para a empresa, tornando-a mais humana, ética, lucrativa e socialmente responsável”, afirma Laura. Em recente avaliação dos gestores, o grupo PcD recebeu mais de 90% de aprovação, e muitos elogios por serem exemplo de responsabilidade, eficiência, honestidade, humildade e amor, entre outros atributos.

Histórias de sucesso Arnaldo José, que tem deficiência intelecual, tem 35 anos e está há 8 no Mundial. Hoje trabalha no setor de padaria da filial Barra da Tijuca. Entrar na empresa não teve apenas resultados profissionais (ele começou como empacotador): lá conheceu Alessandra Marques, também integrante do “Somos Todos Iguais”, em um evento de confraternização da empresa, namoraram dois anos e hoje estão casados. “Antes de entrar na empresa fazia um curso para garçom. Mas, quando soube que o Mundial estava com vagas de trabalho para pessoas com deficiência, parei o curso e fui em busca desta oportunidade”, lembra. “Tive a chance de juntar meu dinheiro e ajudar nas despesas (remédios, compras do mês, entre outras). Atualmente, estou investimento na construção da minha casa”, conta José com orgulho, ao afirmar que a rede investe e acredita no potencial dos funcionários: “As ações realizadas, como os seminários de confraternização envolvendo funcionários e familiares, a comemoração dos aniversariantes do mês, com direito a bolo, são exemplos de atitudes que me faz sentir acolhido pela empresa e colegas de trabalho. Meu objetivo é continuar aqui e crescer internamente”, garante. Maylly Pizarro, aos 31 anos, com deficiências física e intelectual, começou há 6 meses e é empacotadora na unidade do Jardim Oceânico. Ela também auxilia os clientes no trajeto do elevador. “Me sinto muito acolhida por todos os meus colegas de trabalho e, principalmente, pelos clientes. Quando fico ausente do meu posto, eles logo perguntam por mim”, conta orgulhosa. Sua vida mudou ao ter a oportunidade: “Eu me sinto privilegiada, pois aqui encontrei minha segunda família. Hoje consigo ajudar nas despesas de casa e estou montando o enxoval para meu casamento”, afirma.


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trabalho

notas Instituto oferece vagas em oficinas de arte e esportes

Lucineia Aparecida Lemes e Maylly Pizarro

Lucineia Aparecida Lemes, de 30 anos, com nanismo, está há 3 meses no Rio e apenas um mês no Jardim Oceânico, como empacotadora. Mãe de três filhos, chegou de São Paulo, onde trabalhou a vida toda na lavoura. “Já me sinto em casa, o ambiente de trabalho é maravilhoso e pretendo continuar por muito tempo. Quero crescer internamente, hoje estou em treinamento para atendente de caixa”, afirma. “No Mundial recebemos tratamento igual aos demais funcionários, não há diferenças e preconceitos. Consigo pagar as despesas que tenho em casa, principalmente com os meus filhos”, diz a funcionária. “É preciso enfatizar que o Mundial não quer empregar pessoas com deficiências porque é lei, nem fazer marketing com isso ou aumentar as vendas. Quer praticar a inclusão pelo espírito de cidadania que deve exercer. A empresa não está preocupada com um cumprimento de cota e sim com o cumprimento de sua responsabilidade social”, conclui a coordenadora.

Projeto quer flexibilizar cotas no trabalho A flexibilização poderá ocorrer com base no Projeto de Lei 4773/12, do ex-deputado Thiago Peixoto, que será apreciado na Câmara Federal. Atualmente, a Lei 8.213/91 determina que as empresas a partir de100 funcionários reservem de 2% a 5% de suas vagas para pessoas com deficiência. Pela proposta apresentada, o preenchimento dessas vagas poderá ser feito mediante a concessão de bolsas de estudo, com valor mensal igual ou superior a um salário mínimo, concedidas pela empresa a PcD. Isso poderá ocorrer desde que o número de bolsas concedidas não supere a metade das vagas de trabalho a serem preenchidas; e o bolsista seja contratado pela empresa após a conclusão do curso, por um período não inferior a um ano. As bolsas de estudo deverão ser em curso de capacitação, cujo conteúdo tenha relação com o serviço a ser exercido pelo interessado. O projeto tramita em caráter conclusivo, o que significa que será votado apenas pelas comissões designadas para apreciação, dispensando a deliberação do Plenário se a decisão não for divergente. Deverão examinar a questão as comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O Instituto Olga Kos, de São Paulo, abriu inscrições para pessoas entre 4 e 60 anos com deficiência intelectual, particularmente Síndrome de Down, que estejam interessadas em participar de oficinas de artes e esportes. São 240 vagas para artes, sendo 180 delas para pessoas com deficiência intelectual e as outras 60 para pessoas que não apresentam deficiência e estão em situação de vulnerabilidade social. No esporte, estão abertas 100 vagas também divididas entre pessoas com deficiência intelectual (80 inscrições) e em situação de vulnerabilidade social (20). As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 27 de fevereiro. Informações no site: www.institutoolgakos.org.br

Concurso escolhe documentários sobre moradia assistida O concurso “Passa Lá em Casa – A Moradia Assistida e a Autonomia Possível”, vai escolher 3 projetos de obras audiovisuais documentais de 52 minutos sobre o tema. É organizado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, em parceria com a Fundação Padre Anchieta, com apoio institucional da UNESCO. As inscrições estão abertas até o próximo dia 28 de fevereiro. O objetivo é disseminar o conceito da inclusão social das pessoas com deficiência, abordando experiências de moradia assistida no Brasil e no exterior, preferencialmente públicas, tendo como base questões como autonomia individual, inserção social, relação com a família e trabalho. As produções deverão contar com todos os recursos de acessibilidade comunicacional. Informações sobre o tema e o concurso podem ser obtidas no site: http://tvcultura.cmais.com.br/passalaemcasa. As inscrições dos projetos devem ser feitas, exclusivamente, pela página www.lumlab.com.br, na plataforma de Projetos.


empregabilidade

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O

por Maria de Fátima e Silva

Diversidade e Inclusão

processo de inclusão exige envolvimento, informação e vontade para promover a mudança cultural”. Durante uma de minhas palestras, um participante relatou seu incômodo com o fato de termos uma legislação que obrigue as empresas a contratarem pessoas com deficiência. No seu entendimento, tal ação acaba por reforçar a atitude discriminatória da sociedade, argumentando também que as empresas deveriam contratar as pessoas por ser a atitude correta a ser feita, posto que o trabalho é direito de todo cidadão. Após a colocação, perguntou qual era a minha opinião a respeito. No meu entendimento, acredito que, de fato, uma sociedade que se vê obrigada, por força de Lei, a contratar pessoas, deve se preocupar, pois algo neste processo está errado e nem mesmo o fundamental no que concerne aos direitos humanos está sendo cumprido. Se a sociedade fizesse o que é certo, não haveria necessidade de se criar uma legislação para que todos e todas tivessem direito a educação, lazer, saúde, trabalho, moradia etc. Se o correto não é feito, pura e simplesmente por sê-lo, só resta ao Estado regular as ações através da legislação. A obrigatoriedade é a resposta ao comportamento inadequado da sociedade. Pesquisas realizadas com empresas mostram o quanto o segmento é discriminador em relação aos processos de contratação e equiparação de oportunidades. O tratamento às questões de gênero, raça e etnia, credo, idade entre outras, demonstram o quanto as relações são marcadas por posturas discriminatórias. Mas, cumprir a Lei é o suficiente ? Lembro uma ocasião em que fui procurada por um profissional com deficiência, recém-contratado por uma empresa, e que disse (em lágrimas) ter ouvido do gestor que só estava ali, porque havia sido obrigado a aceitá-lo na equipe e que tinha deixado claro que a queda na produtividade da equipe não seria de sua responsabilidade. Muitas são as alegações dadas para as ações indevidas, como: pessoas com deficiência são de responsabilidade do Estado e não das empresas, sua produtividade é inferior, sua formação educacional não atende às exigências do mercado... Na verdade, contratar não significa necessariamente incluir. O processo de inclusão exige envolvimento, informação, vontade para promover a mudança cultural. Pessoas com deficiência devem ser contratadas por sua capacidade profissional e, caso for necessária alguma modificação/adequação (compra de equipamentos, modificações arquitetônicas etc) para o desempenho de sua função, esta deve ser encarada como um dos investimentos que as empresas devam promover para a melhoria dos seus processos. Maria de Fátima e Silva é consultora para programas de inclusão e diversidade com mais de 20 anos de experiência profissional, atuando em âmbito nacional no planejamento, implantação e coordenação de programas de diversidade e inclusão de profissionais com deficiência no mercado de trabalho. Consultora da UNESCO no programa de formação de multiplicadores da sociedade civil para inclusão das pessoas com deficiência no Haiti. E-mail: mfatima.silva22@gmail.com

nota Carnaval é para todos na Unidos do Jacarezinho/RJ

O Carnaval deste ano no Rio de Janeiro tem uma ala de escola de samba formada por cegos e pessoas com deficiências visuais. O Bloco Benjamim no Escuro, originado no Instituto Benjamin Constant, tem experiência em samba: já desfilou durante 3 anos seguidos na Urca. A ideia da ala surgiu devido a dificuldades para o desfile continuar na rua. Um dos idealizadores do bloco, Luís Fernando Gutman, conheceu em um programa de rádio o presidente da Jacarezinho, Zé Roberto, e a parceria foi formada, transformando a escola na primeira a criar uma ala voltada para PcD visuais. O desfile, na abertura da festa, sexta-feira, 08/02, apresenta 90 componentes, sendo 60 com deficiência visual e 30 totalmente cegos. Cerca de 10 videntes, misturados aos integrantes, ajudam na correção, direção e velocidade dos participantes. A ala é a 8ª da escola, bem perto da bateria. As fantasias representam a música “Ela disse-me assim”, de Lupicínio Rodrigues, uma das canções gravada por Jamelão, homenageado no enredo da escola. A coreógrafa Renata Mounier, que está na Unidos do Jacarezinho há 4 anos, também tem deficiência visual.


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sexualidade

por Fabiano Puhlmann

Afrodisíacos...

S

ão substâncias utilizadas com o objetivo de provocar, dinamizar ou manter o interesse sexual. O afrodisíaco mais antigo que se tem conhecimento, era feito pelos Egípcios a mais de 3.000 anos antes de Cristo, consistia de uma mistura alquímica de pênis de crocodilo seco e pulverizado, com bebidas alcoolicas. Sabemos que os Esquimós da Groenlândia, fazem um preparado semelhante com o chifre e o bico de animais machos, no Sudoeste asiático e na China, a preferência recai sobre bebidas e elixires, preparados com o chifre do rinoceronte branco. Durante muito tempo acreditou-se que a mandrágora (fruta cujo pericarpo se assemelha aos órgãos sexuais masculinos e femininos) teria poderes mágicos fortemente afrodisíacos, apesar das incríveis histórias celebrizadas em muitos romances populares, as pesquisas cientificas desmentem qualquer efeito afrodisíaco desta fruta. Na sabedoria do senso comum, existe a crença de que alimentos e temperos condimentados, que provoquem a sensação de calor, também teriam o efeito de aquecer o fogo das paixões. Nas Ilhas do Caribe existe grande variedade de gengibres, que são considerados grandes estimuladores da libido. Os Romanos tinham o hábito de esfregar as plantas dos pés com pimenta e o pênis com o semêm de touros que acabar de copular. No Sul da Europa existe um tipo de inseto as cantáridas, que quando transformado em um fino pó branco, podem provocar ereções prolongadas nos homens e sensações excitantes na vulva feminina, porém sua utilização esta condenada devido à ocorrência de casos de morte após sua utilização. Nas Guianas Franceas existe uma tribo de negros Buch, que utilizam a semente amassada de muca-muca, relatando os mesmos efeitos. Nas florestas Tropicais do Brasil, existe a muriacitina, cuja raiz é conhecida como potente afrodisíaco. A iombina, derivada da casca de uma árvore das savanas Africanas, é considerada pelos nativos de Camarões, como o afrodisíaco mais definitivo, isto dentro de uma cultura altamente erótica, que apresenta uma coleção de mais de 100 tipos de plantas diferentes que teriam efeito estimulante do desejo sexual. Em Camarões e no Gabão, são realizados grandes rituais do amor repletos de alimentos e bebidas afrodisíacas, para renovar o desejo sexual dos integrantes da aldeia. O meio científico declara não existir nenhuma substância

química que comprovadamente possa ter propriedades afrodisíacas. Porém, existe um número grande de pesquisas em torno dos chamados feromônios, que seriam hormônios sexuais sintetizados em laboratório a partir dos fluidos sexuais de mamíferos que misturados a perfumes teriam efeito afrodisíaco. Até hoje não foi descoberto nenhuma substância química capaz de simular os efeitos afrodisíacos da flechada do cúpido, a revolução provocada pela paixão. Fabiano Puhlmann Di Girolamo é psicólogo formado pela Universidade São Marcos; psicoterapeuta especialista em Psicologia Hospitalar da Reabilitação pela Faculdade de Medicina da USP; especialista em Sexualidade Humana pelo Instituto H. Ellis; especialista em Integração de Pessoas com Deficiências pela Universidade Salamanca, Espanha; especialista em Reabilitação pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo; educador sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana e Faculdade de Medicina do ABC; MBA em gestão para entidades do Terceiro Setor pelo IGESC/FEA; membro do corpo docente do Curso de Pós-Graduação da SBRASH; atuação reconhecida nas áreas de Acessibilidade, Tecnologias de Apoio e inclusão.


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especial

Está chegando a hora...

Reatech 2013: “Desperte para a Inclusão” !!! A 12ª Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade acontece de 18 a 21 de abril, no Centro de Exposições Imigrantes, na capital paulista...

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onsiderada uma das mais importantes feiras de inclusão social no mundo, a cada ano a mostra apresenta um tema diferente. Este ano, o recado vai para as empresas do setor, como explica Malu Sevieri, diretora do Grupo Cipa Fiera Milano, organizador do evento: “Queríamos dar o sentido que já temos tecnologia de ponta, já temos políticas públicas, os profissionais estão no mercado, consumidores não faltam, então o que as empresas estão esperando para se dedicar a esse público consumidor ?” Ela lembra, por exemplo, que são 6 milhões de surdos no Brasil e na feira não há empresas de telefonia. “Como não ?”, pergunta. “É uma fatia enorme de mercado, de consumidores que compram alta tecnologia e usam o serviço de SMS até mais que pessoas ouvintes”, afirma. Devem participar cerca de 300 expositores, em área de 35 mil m2, o que representa estabilidade em relação a 2012. Pela primeira vez, dois grupos de expositores internacionais trarão produtos tecnológicos de Taiwan e da China. Como a planta está mais ocupada, haverá 9 auditórios, um menos que no ano anterior.


nota

especial Em termos de acessibilidade, o número de banheiros será 20% maior. “Sabemos que ainda não é a perfeição mas a demanda é muito grande”, conta Malu. Será testado ainda um novo equipamento para mostrar a planta da feira, semelhante aos totens encontrados nos shoppings centers. Terá indicação sonora e será colocado, estrategicamente, na entrada do evento. Além de conferir as novidades do setor, os 50 mil visitantes esperados terão à disposição uma série de eventos, como a Feira Internacional de Tecnologias em Fisioterapia (FISIOTEC), voltada aos estudantes de fisioterapia e fisioterapeutas e o Congresso Brasileiro de Fisioterapia do Trabalho (ABRAFIT), que será realizado pela primeira vez. “Vamos focar na relação entre emprego e doenças que podem decorrer do abuso ou falta de orientação em fiositerapia”, anuncia a diretora. Pelo segundo ano consecutivo, haverá um estande dedicado ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que na edição passada teve uma grande visitação, principalmente pelas discussões sobre esporte e presença de atletas. O seminário sobre sexualidade, um dos mais procurados, será todo no formato de mesa redonda. Até agora, eram apresentadas também palestras, mas pesquisa com os participantes indicou a preferência por um formato mais dinâmico. Nos dias 19 e 20/04, a empresa Ottobock fará um curso para profissionais que trabalham na área de prótese e órtese, bem focado na parte técnica. A grade completa de todos os eventos paralelos deve estar no site da Reatech (www.reatech. tmp.br) até o final de fevereiro, com inscrições abertas. O ano será movimentado para o Grupo Cipa Milano. Ainda em fevereiro, haverá a primeira Reatech do ano em Singapura, chamada de “Rehab Tech”, nos dias 27 e 28 e 01 de março. Terá seis salas de congressos técnicos e 80 expositores. Depois virão São Paulo, Milão (Itália) e Istambul (Turquia). Ainda no Brasil, será realizada a Reacess, no Rio de Janeiro, e há negociações para outros estados, um pedido bastante feito durante a abertura da Reatech 2012. “Estamos em negociações, acho que teremos novidades logo, mas não há nada concreto fechado ainda”, adianta Malu Sevieri. “Espero que a feira continue trazendo soluções às pessoas que estão procurando”, conclui. REATECH 2013 - 18 a 21 de abril Entrada gratuita, crachás antecipados pelo site Dias 18 e 19 - das 13h às 21h Dias 20 e 21 - das 10h às 19h Local: Centro de Exposições Imigrantes Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 - São Paulo/SP Transporte gratuito: Estação do Metrô Jabaquara - saída de Vans na Rua Nelson Fernandes, 40

Vaca ganha prótese e sobrevive Depois de uma fratura na pata, o destino de grandes animais é, quase sempre, o sacrifício. Não foi o caso de Neguinha, uma vaca que virou notícia no jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba/SP, por ter ganho uma prótese feita especialmente para ela pela Ortopedia Conforpés localizada na mesma cidade, reconhecida em todo o Brasil e no exterior, no setor de próteses e órteses, desde 1968. A pata direita traseira foi quebrada em 26 de dezembro e sua dona, a advogada Nilza Nastasi, de Araçoiaba da Serra/SP, procurou vários veterinários para solucionar o caso mas a indicação era sempre o sacrifício. Leiteira, Neguinha é o xodó de Nilza e do marido Celso, afinal, ela foi criada pelo casal desde o nascimento. Hoje, com 10 anos, já teve mais de 10 filhotes. O técnico e proprietário da Conforpés, Nelson Nolé, foi procurado pela família. Ele que já fez prótese para tartaruga, avestruz, gatos e cachorros, acredita que em vaca seja a primeira no país. Nolé explicou que precisou estudar e obter informações, porque não tinha parâmetros de como resolver o problema para um animal de 400 Kg. O veterinário Nelson Corrêa de Lara, que amputou a perna da vaca, deu todo suporte. E a prótese foi colocada, depois da cicatrização do ferimento. No futuro, a peça poderá ser trocada para que ela tenha mais mobilidade. Parabéns a todos os envolvidos na recuperação da Neguinha, e em especial, à Conforpés pelo sucesso em mais esse desafio !

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transporte

Locadora paulista é exemplo em transporte acessível

O

transporte acessível ainda tem muito espaço para crescer, mas há alguns avanços, como várias cidades que já possuem táxis e locadoras especializadas, além de serviços nos moldes do ATENDE, da prefeitura paulistana, que são copiados em várias cidades brasileiras. “Esse é um mercado relativamente novo, onde até pouco tempo as empresas pensavam que bastava colocar um adesivo de acessibilidade em seus para-brisas e os veículos já estariam aptos a realizarem esse tipo de transporte”, analisa Mauro Zillig, sócio responsável pela parte operacional da Azul Locadora, especializada no transporte de pessoas com deficiência, que fica na zona sul da capital paulista. Ele acredita que ainda são poucas as empresas que se dedicam a esse mercado, seja por falta de incentivo do governo (isenções), ou ainda por falta de visão do nicho como negócio. Com mais incentivos ou legislação específica por parte do governo, como o exemplo recente da obrigatoriedade das empresas de ônibus de fretamento possuírem equipamentos de acessibilidade e espaços para cão-guia, além de outros atendimentos a pessoas com mobilidade reduzida, o transporte acessível tende a se expandir rapidamente. Zillig lembra ainda que, nos próximos anos, o Brasil terá grandes eventos, como a Copa do Mundo, as Olimpíadas e Paralimpíadas, e esse é um mercado que precisará ser atendido, fora a própria população interna. Na capital paulista, a primeira Van adaptada para transporte escolar acessível começou a circular em 2009, na região da Capela do Socorro, na zona sul. Desde 2002 os sócios da Azul atuavam como pessoas físicas na condução de crianças, mas

foi só com a constituição da empresa que as pessoas com deficiência entraram no rol de clientes. Com o tempo, a empresa se especializou e diversificou o atendimento, passando a servir, além dos alunos com deficiência, pacientes em tratamentos, eventos, fretamento eventual e turismo adaptado. Mais de 90% do faturamento atual vem do público usuário com deficiência. Atualmente, a empresa atende, diariamente, cerca de 75 escolas e entidades, em diversas cidades de São Paulo. A frota é composta por 3 Vans adaptadas e outras 13 adaptadas exclusivamente para o transporte de alunos. “Até o final desse ano pretendemos ampliar ainda mais nossa frota, praticamente dobrando a quantidade de veículos acessíveis”, planeja Zillig. A Azul também trabalha com veículos convencionais, com capacidade entre 12 e 30 pessoas. Os veículos adaptados possuem o layout para o transporte de dois cadeirantes e mais oito não cadeirantes, todos com plataformas hidráulicas para elevação de até 350 Kg. Os demais

Fotos: Edu Santana

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transporte

clientes são eventuais, compostos geralmente por pessoas em passagem pela cidade e que precisam de um transporte com maior capacidade do que um taxi acessível e maior agilidade e conforto do que um ônibus.

Atendimento diferenciado Os profissionais, sejam motoristas ou monitores de transporte, possuem cursos de mobilidade reduzida com carga horária de 18 horas aplicada por instituições conveniadas. No caso dos motoristas, eles possuem habilitação na categoria D ou E, cursos para o transporte escolar ou o de transporte coletivo. Além disso, são oferecidos aos profissionais treinamentos in-company, de modo que os clientes tenham um transporte com qualidade, segurança e respeito. De acordo com Zillig, a maior parte dos clientes hoje tem origem em licitações e concorrências de empresas e órgãos públicos. “As empresas privadas ainda precisam despertar para a o transporte inclusivo dos seus funcionários. É bastante comum empresas buscarem profissionais com deficiência para comporem os seus quadros, mas ainda não oferecem a eles um transporte que seja adaptado para a locomoção entre as suas residências e o local de trabalho”, afirma. No fretamento eventual, a empresa atende, geralmente, pessoas que participam de reuniões, eventos e palestras. Nesse tipo de transporte é comum o veículo ficar à disposição por um período de 4 a 12 horas, oferecendo o deslocamento conforme as necessidades dos clientes. Os demais possuem destinos fixos, seja para tratamento ou o transporte entre as residências e escola ou trabalho. “Estamos também estudando o crescimento dos destinos para turismo adaptado, buscando solu-

ções para que possamos oferecer o transporte até essas cidades”, explica o responsável. “Para nós, trabalhar com pessoas com deficiência é a oportunidade de poder contribuir de forma ativa para a inclusão e a formação dos alunos que transportamos. É também a gratidão por podermos colaborar com os funcionários e pacientes que se locomovem entre suas residências e o local de seu trabalho, lazer ou de tratamento. O nosso desejo é poder oferecer o que há de mais moderno e seguro para os nossos clientes e essa energia nos abastece diariamente para pensarmos em como melhorarmos dia após dia” conta Zellig. “Esperamos que com a chegada dos grandes eventos e a exposição que nossa equipe paralímpica tem tido desde a última Paralimpíada, nosso país passe para outro nível no que se refere ao transporte adaptado, seja na adaptação de suas rodoviárias e aeroportos ou em serviços municipais, intermunicipais e interestaduais de transporte. Torcemos para que outras cidades descubram a importância do turismo adaptado e passem a oferecer mais opções aos seus visitantes. Com todos esses investimentos, enxergamos que existirão oportunidades para que novas empresas passem a trabalhar com esse mercado e, dessa forma, os usuários finais é que sairão ganhando”, conclui o sócio. A Azul, não só pela qualidade e excelência da prestação de seus serviços, mas também pelo empenho e disposição de seus proprietários e colaboradores, é exemplo no atendimento a pessoas com deficiência nesse tipo de transporte adaptado, com Vans equipadas com plataformas, e serve de exemplo de sucesso e referência para outras empresas, empreendedores e até mesmo gestores públicos. Esse tipo de transporte não só é um nicho de mercado ainda a ser explorado em todo Brasil, como também é um serviço obrigatório a ser prestado pelos municípios aos cidadãos. Fica aqui o exemplo e a dica.

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crônica

N

por Tatiana Rolim

Cenário da pessoa com deficiência

o calendário internacional, desde de 1988 pelas Nações Unidas, o dia 3 de dezembro é uma data comemorativa às Pessoas com Deficiências, cujo objetivo é promover maior compreensão dos assuntos atrelados à deficiência e assim conscientização do respeito, cidadania e direitos de igualdade. Muito anteriormente a esta data, consta um histórico pregresso de séculos passados, que não cabe aqui um repertório de extensa exploração cientiífica, e histórico cultural, mas que traduzem comportamentos de segregação, exclusão, abandono, desprezo, humilhações, entre outros “distratos” da pessoa humana com deficiência. Durante alguns séculos, este era o cenário das pessoas com deficiências, que em constante movimento em defesa dos seus direitos, foram conquistando espaços mínimos de cidadania, que ainda hoje, no Século atual, com tanta tecnologia e acesso a informações, buscam os mesmos direitos: cidadania, igualdade e respeito. Assim, dos séculos passados aos dias de hoje, muitas são as datas comemorativas e, entre elas, faz se necessário citar a data de 24 julho de 1991, a qual Nacionalmente foi aprovada no Brasil, a Lei Nº 8213/91, conhecida como Lei de Cotas, que institui a empresas a contratação de pessoas com deficiência. A Lei Nº 8213/91 de 24/07/91 - artigo 93 - cria a obrigatoriedade para as empresas de contratação de Pessoas com Deficiência e de reabilitados, obedecendo uma cota nos seguintes termos: de 100 até 200 empregados de 201 até 500 empregados de 501 até 1000 empregados mais de 1000 empregados

2% 3% 4% 5%

E quando a empresa deixa de preencher a reserva legal de vagas destinadas às pessoas reabilitadas ou portadoras de deficiências, ela viola direitos Constitucionais. E anos após as importantes conquistas históricas e burocráticas para garantir os direitos das pessoas com deficiências, ainda na primeira década do ano 2000, foi marcado pela ação célebre do nosso País ao ratificar a Convenção Internacional da ONU, dando assim caráter ímpar de que um dia tenhamos uma Emenda Constitucional reafirmando nossos direitos, na Constituição Federal (1988). A Convençao Internacional da ONU, em si, pela relevante competência traduzida em muitos países, define de forma clara e transparente o conceito da pessoa com deficiência, ultrapassando os estigmas conceituais de invalidez e improdutividade,

“reconhecendo que a deficiência é um conceito em evolução e que a deficiência resulta da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras atitudinais e ambientais que impedem sua plena e efetiva participação na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas”. Estamos iniciando o ano de 2013 e novas datas vão surgir, outros conceitos erão reformulados e novos projetos de lei serão discutidos ao longo do ano, todos eles, esperamos, a nosso favor, e não ao nosso privilégio, pois a história é longa e podemos sim dizer que já temos alguns avanços conquistados por direitos e não por privilégios, afinal de contas, ninguém quer ser privilegiado por ter algum tipo de deficiência !!! Que assim tenhamos o início de um ano de 2013 repleto oportunidades e ações inclusivas no mercado de trabalho, garantindo a cidadania, igualdade e respeito !

Tatiana Rolim é psicóloga, escritora e

consultora em inclusão social e autora dos livros “Meu Andar Sobre Rodas” e “Maria de Rodas – Delícias e Desafios na Maternidade de Mulheres Cadeirantes”.


ABRIDEF começa 2013 com força total !!!

A

gora em nova sede, no Condomínio Villa Lobos Office Park, na Av. Queiroz Filho, 1700 – Torre E – sala 909, no Alto da Lapa, zona oeste da capital paulista, a ABRIDEF poderá proporcionar aos seus associados, um espaço completo com uma infraestrutura contendo: restaurante, estacionamento, cafeteria, revistaria, salas de reunião, auditórios e centro de convenção, num espaço totalmente adaptado, onde o seu associado poderá usufruir de toda essa estrutura corporativa para a realização de eventos de sua empresa, reuniões de negócios e muito mais ! Além disso, a Associação começa suas atividades com a contratação de uma Assessoria Jurídica especializada, que respaldará todos os trabalhos e ações da Entidade, contribuindo para aumentar as parcerias já criadas, tanto na esfera política, quanto na esfera empresarial, sempre objetivando o crescimento da associação e por consequência, o de seus associados, prestando inclusive consultoria aos mesmos, dentro de suas necessidades. Com duas Feiras do setor já agendadas para este ano, REATECH – de 18 a 21 de abril e Feira e Fórum REABILITAÇÃO de 31 de julho a 02 de agosto, além da feira HOSPITALAR, a ABRIDEF pretende ampliar o quadro de associados, trazendo empresas de todos os segmentos do nosso setor, reforçando ainda mais nossos conhecimentos e atuações de nossas comissões técnicas. Além das parcerias já criadas com o Governo Federal no Plano “Viver Sem Limite” e com a Frente Parlamentar dos Direitos da Pessoa com Deficiência, bem como com o Governo Estadual (SP), com participação no “Grupo Especial de Trabalho” da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa Com Deficiência – SP, foram firmadas, novas parcerias, como por exemplo: o DESENVOLVE-SP - NOSSA CAIXA DESENVOLVIMENTO - AGÊNCIA DE FOMENTO DO ESTADO DE SÃO PAULO – com linhas de crédito especiais; com a FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas para pesquisa a nível nacional sobre o nosso setor e sua representatividade social, política e financeira; com a APEX BRASIL, promovendo e auxiliando na expansão internacional das empresas brasileiras e outras também importantes para o crescimento da Associação e para o fomento do nosso setor. Com relação ao Selo de Qualidade ABRIDEF, além do

Mara Di Maio – superintendente da ABRIDEF

apoio e incentivo do INMETRO, novas parcerias estão sendo firmadas, no sentido de garantir a qualidade, transparência e credibilidade de seus trabalhos. Os trabalhos estão seguindo a todo vapor, com o Instituto Totum (certificadora) e institutos de pesquisa e desenvolvimento, entidades de ensino (universidades) e centros de tecnologia. A “Comissão do Selo”, comandada pela diretoria de Certificação, estão trabalhando intensamente e o Selo já é uma realidade ! Conheça mais sobre os nossos trabalhos. Reserve as datas de nossas reuniões mensais e abertas para este semestre conforme o calendário abaixo, e venha participar das decisões do setor, dos nossos trabalhos e compor a nossa equipe ! Junte-se à ABRIDEF... Traga as necessidades de seu segmento para que, juntos, possamos alcançar novas conquistas para todo o setor empresarial da pessoa com deficiência. CALENDÁRIO DAS REUNIÕES MENSAIS E ABERTAS DA ABRIDEF – 1º SEMESTRE/2013. LOCAL

Horário

20/02/13

Secret. Estadual dos

das 10:00

(quarta-feira)

Direitos da Pessoa com Deficiência

às 12:30 hs

Av. Av. Auro Soares de Moura Andrade, 564 – Portão 10 - Bairro: Barra Funda – São Paulo - Estacionamento no local 20/03/13

Secret. Estadual dos

das 10:00

(quarta-feira)

Direitos da Pessoa com Deficiência

às 12:30 hs

Av. Av. Auro Soares de Moura Andrade, 564 – Portão 10 - Bairro: Barra Funda – São Paulo - Estacionamento no local 18/04/13

Reunião – dentro da REATECH

20 hs

(quarta-feira) 15/05/13

Nova Sede ABRIDEF

das 10:00

(quarta-feira)

Av. Queiroz Filho, 1700 – Torre E – Sala

às 12:30 hs

19/06/13

Assembleia Legislativa do Estado de

das 10:00

(quarta-feira)

São Paulo

às 12:30 hs

909 – Estacionamento no local

Av. Pedro Álvares Cabral, 201 – 1 andar – Plenário D.Pedro I

ABRIDEF E VOCÊ, JUNTOS FAREMOS A DIFERENÇA !!!

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momento surdo

por Neivaldo Zovico

Ex-Secretário Municipal de Educação de São Paulo reconhece Identidade Cultural e Linguística dos Surdos

A

Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos foi criada no ano de 1952, pelo pai de três alunos surdos, Capitão Francisco Teixeira Fonseca. O nome da escola era I Núcleo de Educação para Crianças Surdas, fundada no Bairro de Santana, zona norte da capital paulista. Neste ano, o Capitão Francisco lutou muito para melhorar a Educação dos seus filhos Surdos, trouxe professores especializados para a cidade de São Paulo e também melhorou o espaço para a demanda de alunos Surdos. Foi a primeira escola pública da cidade de São Paulo onde ofereciam educação para crianças Surdas com professores especializados e profissionais na área de surdez. A metodologia de ensino era o oralismo. No ano de 1960, foi construído pelo então Prefeito, Adhemar de Barros, e o Secretario de Educação Dr. Levy Sodré, um prédio maior para a Escola de Surdos da cidade de São Paulo. O nome da escola foi alterado para Instituto Municipal de Crianças Surdas com investimento de dinheiro público. O objetivo da Educação era garantir os direitos dos Surdos e dever do Estado. Passaram-se muitos anos e o nome da Escola foi alterado para Escola Municipal de Educação para Deficientes Auditivos - EMEDA “Helen Keller”, e foi aprovado pelo Ministério da Educação o ensino fundamental I e II para alunos Surdos. No ano de 1988, foram criadas mais 5 Escolas Municipais de Educação para Deficientes Auditivos, entre elas: EMEDA “Anne Sullivan”, EMEDA “Neusa Basseto”, EMEDA “Madre Lucie Bray”, EMEDA “Vera Lúcia A. Ribeiro” e EMEDA “Mário Pereira Bicudo”. Durante muitos anos, as Escolas Municipais de Surdos foram visitadas pelos Prefeitos, Secretários de Educação e outras autoridades. É costume as autoridades visitarem, mas não reconhecem que os Surdos necessitam de uma educação melhor. Às vezes eles comparecem nas Escolas de Surdos por causa da propaganda política. Os alunos, professores e familiares sempre se preocuparam com as Escolas Municipais para Surdos e ficaram frustrados, pois na época de eleição municipal, os candidatos a prefeitos e também os partidos, faziam propostas para mudar a Educação para Surdos para ganhar a eleição, mas não as implementavam. No ano de 2006, assumiu o cargo de Secretario de Educação de São Paulo, Sr. Alexandre Schneider. Ele recebeu informações sobre a importância da Educação para Surdos e junto à equipe do DOT Departamento de Orientação Técnica da Secretaria de Municipal de Educação, e autorizou a realização e continuação do II

Festival Esportivo e Cultural de Surdos na Rede Municipal de Ensino, onde se reuniram alunos surdos das escolas municipais de surdos e também escolas privadas. O objetivo deste festival é estimular e incentivar os alunos surdos a participarem de campeonatos esportivos em diversas modalidades em comemoração ao Dia do Surdo, e também promover a integração e intercambio de alunos surdos de todas as escolas, construindo sua própria Identidade Surda. Neste ano, alunos, professores e familiares ficaram preocupados com o futuro das Escolas para Surdos. O Ministério da Educação e Cultura - MEC criou uma equipe constituída por doutores e mestres para discutir sobre a Politica Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. A proposta foi apresentada e as Escolas de Surdos existentes deveriam transformar-se em Centro de Referencia e Apoio, e os Surdos deveriam ir para escolas regulares. As instituições que representam a Comunidade Surda não concordaram com as propostas do MEC e fizeram diversas reuniões e também duas passeatas em protesto na Av. Paulista em São Paulo, contra a imposição do MEC para fechar as Escolas de Surdos e inclui-los em escolas regulares. O Secretário Alexandre Schneider participou na rede social Twitter onde compartilhou ideias com professores e alunos, logo foi convidado pela Diretora da Escola de Surdos Helen Keller, Sra. Monica Amoroso, para a festa junina. Compareceu e a diretora Monica o apresentou aos professores e alunos, conheceu também os professores Surdos da escola, Palmira Barranqueira e eu, Neivaldo Zovico. Neste momento expliquei a ele a importância da escola aos Surdos, a convivência e o desenvolvimento de aprendizagem com colegas Surdos, Líderes Surdos e professores que saibam LIBRAS. Escola é um espaço onde muitos Surdos ansiosos se encontram para conversar e se divertir com ex-alunos, amigos, familiares e também paquerar.


momento surdo Os representantes da comunidade Surda lutaram por muitos anos para garantir o direito a Educação dos Surdos, fizeram muitas palestras, seminários, Conferência de Educação e até reuniões nos Ministérios Públicos Federal de Direitos Humanos da Pessoa com Deficiência em todo o Brasil. Há a alguns anos o Secretario Alexandre tem visitado as Escolas de Surdos e também participado do Festival Esportivo e Cultural no Dia do Surdo. Recebeu a proposta da Educação para Surdos e reconheceu os Direitos dos Surdos em ter a sua própria Educação por meio da Língua de Sinais como a primeira língua, reconhecendo a Cultura Surda. Durante o VI Festival Esportivo e Cultura de Alunos Surdos realizado no Teatro SESC Vila Mariana, em São Paulo, o então Prefeito Gilberto Kassab e o Secretario de Educação Alexandre Schneider assinaram o Decreto 52.785 no dia 10 de novembro de 2011. O Decreto 52.785, a partir desta data, diz que as 6 Escolas de Educação Especial para Surdos sejam transformadas em Escolas Municipais de Educação Bilíngue para Surdos na Capital de São Paulo. Pela primeira vez no Brasil, as escolas foram reconhecidas como espaços onde a primeira Língua dos Surdos é a LIBRAS, oferecendo aos alunos Surdos o acesso a todo conteúdo por meio de LIBRAS, onde poderão conviver plenamente a Cultura Surda, construindo e desenvolvendo a sua própria identidade. Garante também a formação de profissionais fluentes em LIBRAS, professores Surdos e a aquisição de materiais que favorecem visualidade. Também apoiou a criação de materiais didáticos em LIBRAS

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para os 1º aos 5º anos, com livros e DVDs, lançados pela primeira vez no Brasil. A Comunidade Surda elogiou o Ex-secretário Alexandre pelo trabalho em prol da Educação Bilíngue para Surdos e ele logo foi convidado para a formatura dos Alunos Surdos da Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos, onde foi homenageado pela Comunidade Surda do Brasil, recebendo uma placa de Honra ao Mérito. “Ele (Alexandre Schneider) deu marco para a história da Comunidade Surda Brasileira ao transformar as Escolas Municipais de Educação Especiais para Surdos a Escolas Municipais de Educação Bilíngue para Surdos na cidade mais populosa do País ! Marco ousado e histórico e merece uma honra e será sempre lembrado pela Comunidade Surda no Brasil!, diz a diretora Politica e Educacional da FENEIS, Sra. Patricia Rezende. Neivaldo Augusto Zovico é professor, Consultor de Acessibilidade para Surdos e pessoas com deficiências auditivas, Coordenador Nacional de Acessibilidade para Surdos da FENEIS, Diretor de Relações Públicas da APSSP – Associação dos Professores Surdos do Estado de São Paulo e Colaborador da equipe do site: www.portaldosurdo.com - www.acessibilidadeparasurdos.blogspot.com E- mail: neivaldo.zovico@terra.com.br

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olhar inclusivo

por Marta Gil

nota 100

2013 chegou, já trazendo desafios!

P

ois é, nem bem terminaram os fogos de artifício, brindes, oferendas encarregadas de transmitir nossos sonhos e desejos para o ano novinho em folha e já nos deparamos com desafios, todos de grande monta. Logo no dia 2, o primeiro número da Revista Veja (ed. 2302, p. 221) trouxe a crônica “O ano das criancinhas mortas”, de Lya Luft. A autora, após alertar os leitores que não se sente qualificada para falar sobre o tema que ela mesma escolheu – os terríveis assassinatos de crianças ocorridos nos Estados Unidos - de maneira sucinta construiu o raciocínio de que crimes de tal desumanidade só poderiam ser cometidos por doentes mentais. E fez uma ligação perigosa entre tais crimes e a inclusão escolar de pessoas com deficiência intelectual. Confundiu deficiência com doença. E expressou a opinião de que a inclusão, forçada, gera uma necessidade de adaptação que pode estar acima dos limites das pessoas com deficiência e que pode torná-las infelizes e perigosas... Dia 9, o jornal O Estado de São Paulo publicou notícia sobre decisão judicial que determinava a realização de laqueadura em uma mulher de 27 anos, residente em Amparo/SP, pessoa com deficiência intelectual e que anteriormente tinha expressado o desejo de ser mãe. No dia 21, lemos que o Tribunal Regional do Trabalho da 2a Região, isentou uma empresa de multa porque “não pode ser penalizada por não ter preenchido todas as vagas destinadas a deficientes físicos e reabilitados, se esta tentou preencher a cota e não conseguiu, pela precariedade e carência de profissionais reabilitados pela Previdência Social ou com deficiência”. Estes três acontecimentos podem ser considerados inconstitucionais, pois ferem, respectivamente, os artigos 24 (Educação), 23 (Respeito pelo lar e pela família) e 27 (Trabalho e Emprego) da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ratificada pelo Congresso Nacional (Decreto Legislativo Nº 186/2008), promulgada pelo Presidente da República (Decreto Nº 6.949/2009) e incorporada à Constituição Federal. A reação rápida e decisiva veio de órgãos públicos, movimentos sociais, profissionais e familiares, que uniram forças e vozes. A laqueadura não aconteceu; Lya Luft tentou responder às muitas manifestações de repúdio e indignação (“Todo colunista corre o risco de ser mal interpretado...”) e, por último, está sendo preparado recurso solicitando revisão da isenção de multa para a empresa. Pode vir, 2013 ! Estamos prontos !

Marta Gil é consultora na área da Inclusão de Pessoas

com Deficiência, socióloga, Coordenadora Executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas, Fellow da Ashoka Empreendedores Sociais e colaboradora do Planeta Educação.

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“Vidas em Cenas” na capital paulista

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Foto: Kika de Castro

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25 5 0

O Memorial da Inclusão, no bairro da Barra Funda, na capital paulista, abre espaço para exposição fotográfica “Vidas em Cenas”, que começa no dia 8 de fevereiro e vai até 31 de março. A exposição que retrata o cotidiano de pessoas com deficiência, em 12 imagens fazendo uma linha do tempo da infância a terceira idade. A exposição é itinerante e faz parte do projeto Imagem e Inclusão, que pertence a empresa Mãe Especial, com a curadoria de Antônia Yamashita com imagens de Kica de Castro e colaboração do fotógrafo Arthur Calasans. A mostra teve inicio em 21 de setembro de 2012, na estação do Metrô Sé. A data foi escolhida por ser o dia nacional da luta das pessoas com deficiência. Algumas imagens atuais são diferentes da exposição anterior. Vale a pena conferir. A mostra é totalmente adaptada para receber visitantes com deficiência. As legendas das imagens, por 100 exemplo, tem fonte aumentada – para poderem ser lidas por quem tem baixa 95 visão – transcritas em Braille e áudio descrição, o que permite que pessoas com 75 deficiência visual também participem. As imagens mostram pessoas com todos os tipos de deficiência: visual, auditiva, 25 motora e intelectual. 5 0


PRÊMIO MARCA BRASIL

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a

Edição Fotos meramente ilustrativas

Vote na sua marca preferida e concorra a: - 1 Notebook - 1 Home Theater (com aparelho de DVD) - 1 Smartphone

Chegou novamente o momento de você, do Setor de Reabilitação de Pessoas com Deficiências, votar nas suas marcas preferidas, estimular o seu setor a ser cada vez mais profissional e ainda concorrer a vários prêmios!

PARA VOTAR E CONCORRER É MUITO SIMPLES: 1- Acesse o site: www.premiomarcabrasil.com.br 2- Em seguida clique no link do cupom de votação do SETOR DE REABILITAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS e escreva no box de cada categoria o nome de uma empresa ou de uma marca de produto de sua preferência. 3- Ao enviar o seu cupom preenchido até o dia 31/05/2013, você já estará concorrendo!

O Prêmio Marca Brasil é uma das mais importantes premiações multissetoriais do país, que ao longo dos seus 14 anos de história apurou aproximadamente 442.000 votos decorrentes de 587 categorias e 26 setores econômicos, laureando cerca de 679 marcas.

Participe! O seu voto é fundamental para estimular as empresas do seu setor a serem cada vez mais profissionais.

Veja regulamento no site

Vote no site: www.premiomarcabrasil.com.br Realização

TRIO INTERNATIONAL DISTINCTION

Apoio

Mídia Participante


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política

Brasil terá Centro Paralímpico em São Paulo/SP !!! Numa iniciativa de parceria entre os governos federal e estadual, juntamente com o CPB, será construído em nosso País o 4º complexo do gênero no mundo...

A

o lado de China, Ucrânia e Coréia, o país terá um Centro Integrado de Avaliação e Laboratório da Condição Funcional do Atleta Paralímpico. O projeto foi anunciado em São Paulo, em 25 de janeiro último, pelo governador Geraldo Alckmin e pela presidenta Dilma Roussef, parceiros no investimento por meio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Ministério do Esporte, com apoio do Comitê Paralímpico Brasileiro e da prefeitura de São Paulo. O centro é parte do Plano Brasil Medalhas, do Ministério do Esporte, que vai aportar R$ 1 bilhão adicional ao orçamento do esporte brasileiro entre 2013 e 2016, com a meta de projetar o Brasil entre as principais potências esportivas do mundo a partir dos Jogos Olímpicos e dos Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. O objetivo paralímpico é que o país se classifique entre os 5 primeiros no quadro de medalhas, depois de ter conquistado o 9º lugar nos Jogos de Pequim em 2008, e o 7º em Londres 2012. “Aqui estamos comemorando e mais que homenageando, apoiando a persistência, a força de vontade e o movimento de autosuperação que um grande atleta olímpico ou paralímpico tem que ter para lutar e superar os desafios, chegando até o pódio. É para esses atletas que o Brasil implanta o Centro. Porque a palavra é dever e nós devemos esse apoio porque ele é crucial para que os atletas de alto rendimento conquistem mais vitórias e, além

disso, transformar tudo em conhecimento”, disse a presidenta. O local escolhido para receber o complexo foi o Parque Fontes do Ipiranga, na capital paulista. Na primeira fase, o governo estadual investirá R$ 329 milhões em projetos, obras e cessão de área de 140 mil m². A parte inicial do governo federal será de R$ 110 milhões. O processo de licitação da primeira etapa do projeto, que inclui terraplanagem, fundação e estrutura, deve ser aberto no próximo mês de maio. Já a licitação para a segunda etapa, relacionada à arquitetura e às instalações, está prevista para começar em novembro deste ano. As entregas ficam para 2014 e 2015. A ideia de construir um centro paraolímpico de referência internacional nasceu nas Paralimpíadas Escolares 2010, em São Paulo. O governador citou o esporte como uma das principais ferramentas para inclusão e a necessidade de atender com excelência os paratletas de todo o país. Em 2012, a Secretaria definiu a área do empreendimento e, em novembro do mesmo ano, a pasta apresentou o projeto ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo e ao governador Geraldo Alckmin. Para o governador, a iniciativa reforça a importância da atuação conjunta entre as diferentes instâncias de governo: “É um centro de civismo, de respeito, de treinamento, de avanço da ciência e tecnologia. E um exemplo de boa parceria entre os entes federados”, declarou.


nota

política Censo-Inclusão paulistano tem dados preliminares

A estrutura Com 94 mil m² de área total, o empreendimento terá capacidade de reunir mais de 200 atletas em treinamento, simultaneamente. Congregará 14 modalidades de esportes paralímpicos: atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, natação, esgrima, futebol de 5, futebol de 7, goalball, halterofilismo, judô, rúgbi, tênis, tênis de mesa e voleibol sentado. O local servirá para treinamentos, competições e intercâmbios de atletas e seleções; preparação física; cursos para técnicos, árbitros, gestores e outros profissionais; e desenvolvimento das ciências do esporte, no conceito de atuação interdisciplinar envolvendo medicina, fisioterapia, psicologia, fisiologia, biomecânica, nutrição e metodologia do treinamento, entre outras áreas. Como legado, o CT atuará na preparação de diversas gerações de atletas de esportes para pessoas com deficiências. Para Linamara Battistella, secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência de SP, haverá um grande impacto, não somente no esporte, mas também na saúde. “O projeto é inovador, reúne em um só parque condições de alojamento, laboratório avançado de avaliação da condição física, a possibilidade de treinamento simultâneo de atletas e a certeza de poder fazer pequenas competições de caráter internacional”, complementou. Dividido em 7 ambientes, o centro terá áreas interna e externa para treinamento, centro aquático com piscina olímpica e semi-olímpica, academia, condicionamento físico, fitness e pista de treinamento. Contará com área de apoio para atletas e público, com: sanitários, vestiários para atletas, árbitros e familiares, além de sala de estar e repouso para os atletas. Prevê também, centro de medicina e ciência da atividade física, com consultórios para as diversas especialidades, inclusive nutrição, com capacidade para 120 consultas por dia, além de exames de doping, pista de atletismo, paisagismo e recuperação da nascente do Riacho do Ipiranga. O alojamento contará com 85 unidades para até 284 pessoas, e haverá centro administrativo e área com lanchonetes e praças de integração dos ambientes. O estacionamento terá 300 vagas. O projeto ainda conta com o apoio institucional da prefeitura de São Paulo.

Foram divulgados no último mês de dezembro os primeiros dados do levantamento iniciado em março de 2012 pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida. O objetivo é identificar, mapear e cadastrar o perfil socioeconômico dessas pessoas, no âmbito do município de São Paulo. Os moradores responderam por meio de formulário impresso e pela internet, entre março e agosto passados, e os dados apurados servirão de base para o governo na criação e reformulação de políticas públicas. Foram levantadas questões sobre tipo de deficiência, região, faixa etária, gênero, educação, trabalho, saúde, transporte, esportes e cultura. Dos 42 mil formulários recebidos, 35.053 foram considerados válidos, já que muitos tinham respostas em branco ou ilegíveis (estão em recuperação), ou foram preenchidos por moradores de outros municípios. Sobre a natureza das deficiências, São Paulo/ SP ficou assim: 52,2% - deficiência física 23,3% - deficiência intelectual 31,10% - deficiência sensorial Também segundo os dados da prefeitura paulistana, destes: 52,6% são do sexo feminino, 46,9% masculino e 0,6% não informado. No quesito educação: frequentam escola ou faculdade - 21,01%; ensino fundamental completo - 25,5%; ensino médio completo - 33,6%; profissionalizante completo - 15,7%; superior completo - 42,8% e pós-graduação completa - 27,6%. Estão trabalhando no mercado formal e informal: 13,3% dos que responderam; inseridos no mercado de trabalho formal - 94,7%; inseridos no mercado de trabalho informal e possuem emprego sem carteira de trabalho assinada - 5,3%. Não possuem renda pessoal - 20,6%; possuem renda de até 01 salário mínimo - 31,8%; de 02 a 03 salários - 25%; de 04 a 06 - 9,5%, e acima de 06 salários - 8,1%. Utilizam o Serviço de Saúde Pública (SUS) - 63,8%. Frequentam atividades culturais - 29,6% e praticam atividades físicas/esportivas - 23,9%. Sobre transporte, o resultado é o seguinte: 54,8% utilizam metrô/ônibus/trem; 3,8% o Serviço Atende e 2,9% o táxi adaptado. Estão em situação de rua - 0,5%.

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esporte

Museu do Futebol avança em acessibilidade

I

nstalado junto ao Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido como o tradicional e querido Estádio do Pacaembu, na zona oeste da capital paulista, o Museu, desde sua inauguração em 2008, se destaca pela acessibilidade que oferece aos visitantes. Mais um passo nesse sentido foi dado no último dia 29 de janeiro, com o lançamento do seu catálogo em Braille. São 100 páginas escritas em tinta e em Braille, com imagens em relevo para os interessados em conhecer o esporte. A obra mostra às pessoas com deficiência visual, as formas e texturas de cada sala do Museu, que conta através de seu acervo, a história do futebol nacional e sua relação com o imaginário social e cultural do povo brasileiro. A iniciativa é do Governo do Estado de São Paulo e Prefeitura de São Paulo, com concepção da Fundação Roberto Marinho, realização do Instituto da Arte do Futebol Brasileiro e patrocínio do Laboratório Aché, através da Lei de Incentivo

à Cultura do Ministério da Cultura. Foram produzidos 20 mil exemplares que ficarão disponíveis no próprio Museu e também serão distribuídos gratuitamente a entidades que cuidam de pessoas com deficiência visual por todo o Brasil, museus e bibliotecas. Presente ao lançamento, a secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Battistella, afirmou: “Pessoas com e sem deficiência precisam desfrutar dos bens e serviços que o Estado oferece e este Museu é um exemplo concreto de como é possível, a partir do planejamento, disponibilizar recursos que possam significar desenvolvimento tecnológico e mais cultura”. A deputada estadual Célia Leão também compareceu à solenidade e ressaltou a importância da obra em Braille. “Promover a acessibilidade é também dar condições para que pessoas com deficiência visual possam ter acesso a livros e publicações de maneira geral. O Museu do Futebol dá um grande passo neste sentido e por isso tem todo o nosso apoio”, garantiu.

Time São Paulo Paralímpico Os 20 novos integrantes do Time São Paulo Paralímpico foram apresentados em 18 de janeiro de 2013, na sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. São atletas de elite, incentivados por meio de um convênio assinado entre o governo de São Paulo e o Comitê Paralímpico Brasileiro. A parceria visa avaliar e executar ações de suporte ao desenvolvimento esportivo, com ajuda de custo para atletas e treinadores, aquisição de materiais esportivos e gastos com viagens em competições. Além dos que já competiam pelo grupo, como Daniel Dias e Alan Fonteles, serão mais 16 atletas. Entre os novos componentes também estão quatro atletas-guia e 13 membros da equipe técnica, como psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas. O Time São Paulo Paralímpico passou a ter 36 atletas e 8 atletas-guia, nas modalidades de atletismo, bocha, judô, natação, paracanoagem, remo, vela, tênis de mesa e tênis em cadeira de rodas.


Feira Fórum

Reabilitação

11° Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, 11ª Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, Serviços e Tecnologia para Reabilitação, Prevenção e Inclusão Serviços e Tecnologia para Reabilitação, Prevenção e Inclusão

31 de julho a 2 de agosto 2013 www.reabilitacao.com

Palácio das Convenções do Anhembi São Paulo

Feira de negócios + fórum profissional para o setor de reabilitação Empresas nacionais e internacionais lançam produtos e serviços para clínicas, hospitais e espaços dedicados à reabilitação e assistência a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida

Empreendimento

Realização

Em cooperação com

Apoio

Eventos conjuntos:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MEDICINA FÍSICA E REABILITAÇÃO

XXIV Congresso Brasileiro de Medicina Física e de Reabilitação Realização: Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação 5º Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação para pessoas com deficiência Realização: Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo I Congresso ABOTEC e ISPO-Brasil de Órteses Próteses e Reabilitação Realização: ABOTEC Associação Brasileira de Ortopedia Técnica e ISPO-Brasil 1º Congresso Multidisciplinar CEFAI em Fisioterapia Realização: Centro de Estudos e Formação Avançada IBRAMED

Informações:

www.reabilitacao.com (11) 3897-6199 • comercial@hospitalar.com.br


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esporte Arena do Grêmio tem “torcida acessível”

Construção multiuso de Porto Alegre/RS, que pode ser usada para eventos culturais, sociais ou esportivos, a nova casa do Grêmio foi inaugurada, oficialmente, em dezembro de 2012, para substituir o tradicional Estádio Olímpico. O projeto levou em conta os requisitos necessários de arquitetura e sinalização para comportar, com conforto e segurança, de maneira universal, pessoas em cadeiras de rodas, com mobilidade reduzida, obesos e cegos, obedecendo à norma da ABNT NBR 9050. A Arena tem uma novidade: a Torcida Acessível da Arena do Grêmio (TAAG), cujo presidente, Osório Martins, foi uma espécie de “consultor” do projeto no quesito de acessibilidade. “O novo estádio do nosso Tricolor é o único no Brasil a ter acessibilidade plena. Depois de pesquisas realizadas, chegamos à conclusão de que não existe nada mundo afora nesse nível”, garante. Morador da cidade de Canoas/RS, usuário de cadeiras de rodas e gremista “roxo”, sócio do clube desde 2007, Martins afirma que a ideia é ser mais que uma simples torcida em dias de jogos. “Queremos fazer ações

como escalar torcedores para ajudar as pessoas com deficiência a se acomodarem na Arena”, conta. Os planos para os dias sem jogos também já foram traçados: “Pensamos em colaborar no cadastro de torcedores com deficiência; fazer ações envolvendo o Grêmio e a Arena, tais como, doação de sangue e de medula; arrecadação de brinquedos para distribuição a crianças carentes; campanha de divulgação da acessibilidade da Arena e campanha de esclarecimento sobre acessibilidade pela mídia”, planeja. A TAAG é constituída por presidente, vice-presidente, setor jurídico, de imprensa e de assistência social. O próximo passo é pedir o apoio da direção do clube à nova torcida organizada. “Como não existe nada igual no Rio Grande do Sul, a ideia é somar, divulgar a acessibilidade da Arena para que todos tenham em mente que o Grêmio se preocupou com seu torcedor”, afirma Martins. Mas nem tudo é motivo de festejo no novo estádio tricolor. No primeiro jogo oficial na Arena, em 30 de janeiro, quando o Grêmio venceu a LDU por 1 a 0, pela fase de classificação da Taça Libertadores, uma divisória da arquibancada quebrou e 10 torcedores caíram no fosso durante a comemoração do gol. Oito ficaram feridos. Martins não se deixa abater: “As áreas para pessoas com deficiência são bem seguras”, garante.

O Brasil dá adeus e chora a perda de 2 importantes paratletas... Atletismo Israel Cruz Jackson de Barros, 41 anos Ele participava em cadeira de rodas da corrida de São Silvestre em São Paulo, em 31de dezembro último, com mais sete competidores, quando perdeu o controle ao descer uma forte ladeira e se chocou contra o muro do estádio do Pacaembu. Ele chegou a ser levado para a Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu ao trauma no tórax. Morador de Ananindeua/PA, Israel teve a perna amputada após sofrer um acidente com uma bicicleta, em 1985. Tornou-se paratleta aos 22 anos, jogando basquete em cadeira de rodas e, aos 23, estreou no atletismo. A organização da prova não pretende mudar o trajeto em 2013. De acordo com declarações à imprensa do diretor Manuel Garcia Arroyo: “todos os cadeirantes andam em alta velocidade na descida, o que se pode fazer é um alerta melhor. A cidade é cheia de subidas e descidas. Não faz sentido alterar o percurso, seria como mudar uma curva de Interlagos em caso de acidente”.

Ciclismo João Alberto Schwindt Filho, 35 anos Ele morreu em um acidente de moto em 27 de dezembro, em Corumbá/MT. Nascido em Brasília/DF, João sofreu um atropelamento aos 14 anos que lesionou parte da medula espinhal e prejudicou os movimentos do seu braço direito. Em 2007 começou a competir no Ciclismo na classe C5 e conquistou diversos títulos para o País, entre eles uma medalha de ouro e uma de bronze no Parapan de Guadalajara e, por último, o 4º lugar nas Paralimpíadas de Londres. Em 19 de dezembro, no Rio de Janeiro, foi eleito o Melhor Atleta do ano na modalidade pelo Prêmio Paralímpicos, promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). “João era um atleta bastante comprometido com o esporte, esforçado e uma grande esperança de medalhas na modalidade. Estamos bastante tristes com esta fatalidade”, disse em nota oficial o diretor técnico do CPB, Edilson Alves Tubiba.

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O CARRO DO

PARA PESSOAS CO

Como já é tradição, pelo 15º ano consecutivo de pesquisa, os leitores e assinantes da REVISTA REAÇÃO, formadores de opinião e usuários de veículos – pessoas com deficiência, familiares e profissionais da área - elegem através do voto direto, pelo site e/ou cupom Carta-Resposta encartado na revista, “o melhor carro para a pessoa com deficiência” do Brasil, com referência ao ano de 2012...


O ANO´2012

OM DE FIC IÊNC IA !!!


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pesquisa

C

omo em todos os anos, já há 15 anos, a pesquisa é referência e serve de base para o mercado automobilístico e as montadoras medirem os resultados de suas ações e traçar os novos caminhos e os próximos passos para suas atuações nesse nicho importante e representativo de mercado. A participação do leitor da Revista Reação respondendo à pesquisa e participando com seu voto, mais uma vez, foi maciça. O público leitor e os internautas indicaram seus modelos preferidos, como sempre, numa votação direta e democrática, com total credibilidade e transparência. Há anos que, através do voto na pesquisa da Revista Reação, o mercado consumidor de automóveis – usuários ou não - expressam suas preferências, sejam eles condutores ou não condutores, PcD ou não, familiares ou profissionais da área de inclusão, reabilitação e acessibilidade. Não importa, o voto é livre. Todo o setor participa ! Democrática como qualquer votação direta, a Pesquisa do CARRO DO ANO PARA PcD já conquistou os leitores e as montadoras de veículos, e vem há 15 anos norteando as ações do mercado automobilístico nacional, neste segmento de mais de 45 milhões de potenciais consumidores de automóveis, adaptados ou simplesmente automáticos.. adquiridos através do benefício das isenções de impostos, ou não. Existe mercado consumidor para toda e qualquer tipo de deficiência, e todo e qualquer tipo e modelo de automóvel, qualquer categoria e todos os níveis de preço. E isso se expressa ano a ano através do voto nesta pesquisa.

A pesquisa ! Sempre realizada pela Revista Reação, também tradicionalmente conhecida por ser a única no mundo que realiza testes com carros adaptados e publica matérias especiais a respeito dos modelos testados por sua exclusiva equipe especializada e as próprias PcD, a PESQUISA tem refletido seus resultados ao longo desses anos, também nas ações das montadoras e das concessionárias das marcas, em suas ações de marketing, promoções e às vezes até, em mudanças físicas em seus modelos ou em suas instalações, para adequar detalhes que tornem as lojas e até mesmo os automóveis, mais atraentes à essa fatia de consumidores. A votação é sempre expressiva. Nesta edição da PESQUISA, foram registrados mais de 1.780 votos, número menor que na edição anterior, mas bastante representativo e substancial para se apurar resultados numa pesquisa de mercado com esse objetivo e dentro de um setor segmentado como o nosso. A significativa participação dos leitores e assinantes, expressando sua opinião através do voto, mostra o grau de importância dos carros no dia-a-dia da pessoa com deficiência e de suas famílias, sendo peça fundamental em suas vidas.

Como é realizada a votação ? O que o leitor avalia e leva em conta na hora do voto ? Todos os anos, nesses 15 anos de pesquisa, ela sempre acontece no final do ano de referência dela, ou seja, para se eleger o melhor de 2012, a pesquisa começou a ser

realizada na edição setembro/outubro de 2012, onde foram iniciadas as votações pelo sistema “Carta-Resposta” – cupom encartado nos 20 mil exemplares da revista e enviadas aos assinantes e leitores, que assinalaram com um “x” o carro de sua preferência, devolvendo o cupom de votação para a editora via-correio, gratuitamente. A operação se repetiu na edição novembro/dezembro de 2012 – Especial Anuário 2012/2013 – e foram computados e considerados válidos os cupons que retornaram preenchidos com seus votos, chegando em nossa caixa-postal até o dia 10 de janeiro de 2013. O mesmo aconteceu com os votos via Internet, pelo nosso site. A votação na Internet começou em setembro do ano passado, e também se encerrou em 10 de janeiro deste ano. A cada ano a parcela de votos que chega por Internet vem crescendo, superando e muito os votos que nos chegam via Carta-Resposta. Neste ano, a proporção foi de 85% pela Internet e apenas 15 % através dos cupons. “Os votos via cupons Carta-Resposta não acabarão, afinal a pesquisa tem que ser democrática e nem todo mundo tem acesso ainda a Internet em nosso País. Temos que dar chance de expressão também para os leitores que ainda estão distantes da rede, mas é nítida a migração para os votos dos internautas, que vem crescendo e ainda crescerá cada vez mais”, comenta Rodrigo Rosso, editor da Revista Reação, idealizador e responsável pela pesquisa. A função da pesquisa, nestes 15 anos de realização, é aferir a vontade do público consumidor, com e sem deficiência, seus familiares e profissionais da área, apontando com seus resultados, não o carro mais vendido no segmento, ou o mais bonito, mas sim, o carro e a marca preferida das pessoas com deficiência. Para isso, alguns itens são levados em conta por quem vota e elege os melhores. São avaliados não só os modelos dos veículos, mas todo um conjunto de atributos, inclusive o atendimento da rede. Os votantes levam em conta na escolha do modelo, itens como:


pesquisa Beleza; Acessibilidade aos comandos de painel; Espaço interno e de porta-malas; Design e estilo; Acessibilidade e transferência; Funcionalidade e visibilidade; Tecnologia e acessórios; Motor, câmbio e suspensão; Conforto, desempenho e dirigibilidade; Preço e condições de compra; Atendimento da rede de concessionárias. Lembramos que aqui não estamos levando em conta nenhum tipo de adaptação. A pesquisa só elege os “modelos” dos carros mais queridos e desejados pelas pessoas com deficiência, familiares e profissionais do setor. Não os tipos e formas de adaptação que eles podem receber de acordo com a necessidade de cada um. A eleição reflete normalmente, de forma clara e simples, o resultado das ações empreendidas pelas montadoras e suas respectivas redes de revendedores durante o seu ano de vigência. É praticamente sempre assim. Fica muito fácil de notar que, conforme as ações das montadoras e concessionárias das marcas, quanto mais agressivas elas são em sua comunicação com este público, seja através de promoções, atendimento personalizado, participação em eventos ou em publicações do setor, mais votos a marca e os modelos conquistam na pesquisa. É a lei de mercado, da expectativa, da demanda e da eficiência das ações de marketing. Como se diz: as urnas refletem o que as pessoas vivenciam no dia-a-dia. O voto democrático é a vontade soberana do povo !

Particularidades desta edição da pesquisa Algumas mudanças significativas marcaram a eleição desse ano em relação ao ano passado. O que não mudou nestes 15 anos de pesquisa foi a supremacia da Honda, quase sempre nas primeiras colocações, seja com um modelo ou com outro, mas liderando em praticamente todas as edições. Das 15 edições da pesquisa (1998 a 2012), a Honda levou 13 primeiros lugares, com 11 vitórias absolutas e 2 empates. O modelo Civic apareceu em primeiro lugar 9 vezes. O Fit uma vez e o City em 3 anos como primeiro lugar. Os empates em primeiro lugar foram entre o Civic em 1999 e o Corsa Sedan (GM), e entre o Civic e o Corolla (Toyota) em 2008. A Toyota, com o Corolla, conquistou o primeiro lugar em 3 oportunidades nestes 15 anos de pesquisa. Duas vezes consecutivas, em 2003 e 2004, e o empate com o Civic (Honda) em 2008. E nesta edição de 2012, não foi diferente. A Honda levou o primeiro lugar com o Civic mais uma vez. O que chamou a atenção é que o mesmo Civic, na pesquisa anterior, no ano de 2011, estava empatado com o Fluence (Renault) na 5ª colocação. O que prova que a mudança no visual no modelo da Honda no início do ano de 2012 e a intensa campanha na mídia valeram a pena !

O público PcD gosta mesmo é de novidade ! Normalmente, as pesquisas mostram que os modelos lançados ou que sofrem mudanças, principalmente no seu visual, às vésperas do início das votações, acabam tendo a preferência do público. O mesmo acontece com os modelos que são testados durante o ano pela Revista Reação nas matérias especiais de test-drive. Normalmente eles alcançam uma votação também bastante expressiva na pesquisa. Outro ponto que vem se mostrando a cada edição mais evidente, e agora mais do que nunca com a liberação de isenção de impostos para compra pelas PcD não condutoras, é o crescimento da preferência por modelos que permitem a instalação de plataformas para que pessoas com cadeiras de rodas possam ser transportadas, como a Doblo da Fiat, por exemplo, que vem crescendo ano a ano na pesquisa, e em 2012 ficou na 2ª colocação. No caso das montadoras, a japonesa Nissan também vem apresentando crescimento ano a ano desde que iniciou um trabalho de base em vendas especiais, não só na fábrica, mas também junto à sua rede concessionária, e isso vem se refletindo em votos nas últimas edições da pesquisa. Prova disso, é que nessa última pesquisa o Livina (Nissan) já aparece em 2º lugar, empatado com o Doblo (Fiat), que juntos, cresceram uma posição em relação ao ano passado. O mesmo vem acontecendo com a Renault, que há poucos anos vem também intensificando suas ações em Vendas Especiais, estruturou-se internamente, está incentivando a rede concessionária e possui um mix de modelos com boa relação custo X benefício, apresentando-se com vários de seus modelos em boas colocações na pesquisa. Os números não mentem e acabam, de uma forma ou de outra, sendo o reflexo dos trabalhos das marcas no segmento. Vejam no quadro, o resultado da votação e as escolhas dos leitores e assinantes, elegendo o “Carro do Ano para Pessoas com Deficiência´2012”.

CIVIC (HONDA): Repaginado, o bom e velho preferido do público PcD, volta a reinar... O que falar do Civic (Honda) ??? Ele dispensa apresentações, comentários, elogios ou críticas. O modelo não precisa mais provar nada a ninguém. Desde 1997 o Civic já era capa de edições da Revista Reação, seja por um motivo ou por outro, mas principalmente, levando a melhor nos resultados das pesquisas “Carro do Ano para PcD” desde 1998, quando ela começou a ser realizada pela publicação. Nesta edição da pesquisa, 23 % dos votos apurados foram para o Civic. Uma diferença de 6 pontos percentuais acima dos segundos colocados. Isso em uma pesquisa de opinião é extremamente considerável. É uma vantagem muito grande para quem, no ano passado, amargava a quinta colocação na pesquisa, depois de anos e anos entre os 3 primeiros. O que provou para a Honda

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pesquisa RESULTADO DA PESQUISA - 2012 1º LUGAR – CIVIC (HONDA)

23 %

2º LUGAR –

DOBLÒ (FIAT) / LIVINA (NISSAN)

17 %

3º LUGAR –

COROLLA (TOYOTA)

15 %

4º LUGAR –

FIT (HONDA) / CRUZE (GM)

13 %

5º LUGAR – ECOSPORT (FORD) / DUSTER (RENAULT)

9%

6º LUGAR – SPIN (GM)/GRAN LIVINA (NISSAN)/ SANDERO (RENAULT)

7,5 %

7º LUGAR – FLUENCE (RENAULT) / CITY (HONDA)

5,5 %

8º LUGAR – PALIO WEEKEND (FIAT) / SW 4 (TOYOTA) 4,5 % 9º LUGAR – CORSA CLASSIC (GM) / FOX (VW) / FOCUS (FORD) 3,5 % NOVO UNO (FIAT) / AIR CROSS (CITROEN) 10º LUGAR – OUTROS

2%

que o velho e tradicional modelo, precisava de uma repaginada no seu visual. E foi o que aconteceu. No início de 2012, uma maciça campanha na mídia chamou a atenção para um novo Civic, não só repaginado por fora, mas com uma série de itens de tecnologia embarcada que fizeram dele um campeão de vendas em 2012 em todos os segmentos, voltando a figurar na preferência também do consumidor PcD.

O segundo lugar: uma casadinha de Fiat e Nissan Na edição 2011 dessa pesquisa, os modelos Doblo (Fiat) e Livina (Nissan) apareceram juntos na terceira colocação com 15% dos votos do público. A Doblo já havia ficado em terceiro lugar também em 2010, e o Livina em quinto naquele ano. E em 2011, apareceram empatados. Já em 2012, os dois subiram juntos e alcançaram o 2º lugar na preferência do público leitor da Revista Reação, agora com 17% da preferência. Uma tendência “família” expressada em votos... principalmente, levando-se em conta a nova fase que vive o mercado brasileiro, primeiro com uma mudança de conceito, onde as famílias estão buscando soluções para transportar seus entes queridos com alguma dificuldade de locomoção com mais qualidade e conforto – e em muitos casos buscam veículos que permitam a instalação de plataformas/elevadores para transporte da pessoa em sua própria cadeira de rodas, por exemplo, como é o caso da Doblo – e com espaço interno. E segundo, porque cada vez mais as famílias e os tutores de PcD vem conquistando direito às isenções de impostos na compra do carro 0K. E agora, conseguiram isso em sua totalidade. Nada mais justo !

Corolla (Toyota): terceiro lugar com muito respeito...

Em 2012 o Corolla (Toyota), que sempre figurou disputando cabeça com cabeça a primeira colocação com a Honda, caiu para o terceiro lugar na pesquisa. Seria um demérito para o modelo ou para a marca ? Claro que não ! O Corolla também é um modelo, que assim como o Civic – que como lembramos, em 2011 ficou em 5º lugar – que não precisa mostrar e muito menos provar alguma coisa para o mercado e para os consumidores. Todos sabem de suas qualidades e de quanto as PcD e o consumidor em geral, admiram e respeitam o Corolla. Prova disso são os números, as vendas. O modelo em números absolutos de vendas, nunca baixou sua faixa de colocação. É um dos mais vendidos no Brasil e no mundo. Aliás, foi eleito o modelo mais vendido do mundo por várias oportunidades.

Quarto e quinto lugares: Honda, GM, Ford e Renault na disputa Na quarta posição, também empatados, ficaram o velho conhecido Fit (Honda) e uma novidade: Cruze (GM). Categorias diferentes, porém, preferências parecidas com 13% dos votos. O Fit é um tradicional conhecido das pesquisas e ocupa um lugar especial no coração e na preferência das PcD por


pesquisa sua versatilidade, figurando sempre também nas primeiras colocações dessa pesquisa, desde o seu lançamento. A novidade fica mesmo para o Cruze, que veio para dar um novo gás à Chevrolet (GM), que com o passar do tempo, havia perdido um pouco sua participação nesta fatia importante de mercado, que é a pessoa com deficiência. O Cruze, assim como os vários lançamentos que a GM fez em 2012, deram nova vida para a marca, que foi a pioneira em vendas especiais no Brasil, onde figurou absoluta por muitos e muitos anos, até o final da década de 90, com a chegada para valer das japonesas neste segmento. Já na 5ª posição, com 9% dos votos, dois modelos bem parecidos. Ficaram, também empatados, o novo Ecosport (Ford) e a novidade do mercado em 2012, o Duster (Renault). Os dois modelos tem muito a conquistar ainda neste segmento. Eles preenchem uma lacuna deste mercado de PcD com robustez, altura, esportividade despojada e uma pitada de aventura. A proposta tanto do Ecosport quanto do Duster, agrada em cheio uma boa parcela de consumidores e a prova disso são os números de vendas. O Duster arrasou em 2012, superando as expectativas de vendas da marca. O Eco, com novo modelo e uma proposta mundial, também vendeu muito e agora, em 2013, promete uma ação mais agressiva visando o público com deficiência, segmento onde vem crescendo em vendas desde o final do ano passado. Afinal, o Ecosport mudou totalmente. Radicalizou, modernizou suas linhas e não perde em nada em design, para modelos importados do mesmo estilo. O Duster por sua vez, também agradou a todos, PcD ou não. Basta prestarmos atenção nas ruas e observarmos o número de Dusters que circulam pelas cidades. Essa foi, sem dúvida, a grande sacada da Renault nos últimos tempos.

Sexto lugar: 3 modelos, 3 grandes marcas... GM (Chevrolet), Nissan e Renault empataram na 6ª colocação da pesquisa. São 3 grandes marcas marcando 9% dos votos na pesquisa 2012. A Spin (GM), lançamento que

veio dentre os tantos que a marca fez no ano passado, para marcar esse novo momento da Chevrolet, ao que parece, chegou mesmo para ocupar também um espaço entre os consumidores PcD, com foco na família, para quem precisa de espaço interno. Vai ainda dar o que falar neste segmento. O mesmo acontece com o Grand Livina (Nissan), também na linha dos que procuram espaço, carro para a família, o modelo já vem figurando na pesquisa desde o seu lançamento e tem público certo. O diferente entre os 3 modelos é o Sandero (Renault), que não está na mesma categoria dos outros dois – no quesito família e espaço interno – mas que veio para preencher uma lacuna de mercado interessante: os pequenos com câmbio automático ! Esta é, sem dúvida, uma categoria que vai e precisa crescer. E com isso, certamente o Sandero ainda vai crescer muito entre as PcD, ainda mais com o trabalho profissional e eficiente que a Renault vem fazendo no setor.

Sétima posição para dois fortes candidatos ? Essa colocação para o Fluence (Renault) e para o City (Honda) foi, sem dúvida nenhuma, a grande surpresa do resultado da pesquisa de 2012... Surpresa sim, pois tanto um como o outro modelo, mereciam aparecer em posições melhores, afinal, por tudo que representam no segmento, mereciam mais do que os 5,5% dos votos que tiveram. Pelo menos era o que todos nós esperávamos, principalmente as montadoras Renault e Honda em relação aos seus modelos. O Fluence é o modelo mais vendido da Renault para o público com deficiência. A marca realiza um trabalho forte de marketing com o Fluence desde o seu lançamento, tanto é que em números absolutos de vendas, ele é um concorrente forte dos tradicionais Civic e Corolla, por exemplo. E vende muito para PcD ! No caso do City então, a surpresa foi ainda maior. O modelo saiu de campeão em 2011, do primeiro lugar na pesquisa, caindo para a 7ª posição... Isso nunca aconteceu nestes 15 anos de pesquisa

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pesquisa com nenhum outro modelo. E também, no caso do City, no que diz respeito às vendas, esse resultado não condiz com a realidade vivida pelo modelo. Isso prova que a pesquisa da Revista Reação é um medidor de “preferência” e não um medidor de “vendas”... é bom que isso fique sempre bem claro. O que importa é que tanto o City quanto o Fluence, com certeza merecem e terão nos próximos anos, uma colocação melhor. É só continuar trabalhando o segmento !

Os modelos da oitava, nona e décima colocação...

São 7 modelos figurando entre a 8ª e 9ª colocação, alcançando na oitava colocação 4,5% dos votos e na nona, 3,5%. A velha conhecida e tradicional Palio Weekend (Fiat), dividiu com a SW4 (Toyota) a oitava posição. As duas oferecem muito espaço. Porém, com uma diferença enorme de preço e categoria entre uma e outra.

Já na nona posição, 5 modelos de diferentes categorias, dividiram a colocação. Foram eles: Classic (GM) – um dos modelos mais conhecidos e tradicionais. Chegou a ficar em primeiro lugar empatado com o Civic na pesquisa de 1999; Fox (VW) – apesar de ser um modelo também já conhecido e tradicional, sempre figurou na pesquisa mas nunca acima da quinta colocação. Com porta-malas pequeno, conta com câmbio automatizado

Setor comemora alta média de 25% nas vendas de automóveis para PcD !!! As montadoras e suas redes concessionárias não tem do que reclamar do ano de 2012 quando o assunto é a venda de automóveis para pessoas com deficiência... O setor emplacou um aumento de cerca de 25 % nas vendas em relação ao ano anterior, e 2012 fechou com um número recorde, de mais de 40 mil veículos 0K vendidos para pessoas com deficiência e/ ou seus familiares, com ou sem isenção de impostos. É uma marca histórica, porém, que deve ser batida em 2013 com certa facilidade. Algumas conquistas, todas elas com participação efetiva de trabalhos realizados nos bastidores políticos com a ajuda da Revista Reação, foram, em parte, também responsáveis pelo crescimento e aquecimento das vendas. A primeira delas foi a prorrogação da isenção do ICMS para dezembro de 2012. Antes, a Revista Reação já tinha ajudado a ampliar o limite para R$ 70 mil, depois, trabalhou para que ele fosse prorrogado até 2012. E agora, outro trabalho, também levado adiante pela Revista Reação, junto com outras lideranças do setor, como a ABRIDEF, por exemplo, que encabeça essas conquistas, foi aprovado. Que é a isenção de ICMS para a pessoa com deficiência NÃO CONDUTORA, e a automática prorrogação do ICMS para os R$ 70 mil até final de 2013. Isso certamente vai alavancar e muito as vendas neste ano, pois amplia o direito à isenção para todas as deficiências e seus familiares, condutores ou não ! Mas a briga para manutenção das isenções e a atualização de seus valores não para por aí. Esse ano, mais uma vez numa iniciativa encabeçada pela ABRIDEF, a Revista Reação entra em cena para agora tentar elevar o teto dos R$ 70 mil para pelo menos R$ 90 mil. Numa estratégia para que o CONFAZ, pelo menos, atualize os atuais R$ 70 mil, usando os índices de inflação dos últimos 3 anos onde o valor vem sendo mantido sem correção. Se isso acontecer, e a esperança é que seja em breve, certamente dará ainda mais ânimo à essa fatia expressiva de mercado. As montadoras, concessionárias e principalmente, as pessoas com deficiência, consumidores e usuários dos carros, agradecem... Vamos torcer, aguardar e comemorar !!!


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pesquisa e bom espaço interno; Focus (Ford) – modelo também tradicional, sedan, na linha dos preferidos. Com a mudança no seu visual, certamente estará mais bem colocado em 2013; Novo Uno (Fiat) – apesar de levar o nome do modelo mais vendido da marca no Brasil e um dos mais antigos, este novo “queridinho” do público não tem nada a ver com o seu antecessor. Diferente, despojado, com linhas modernas e ao mesmo tempo conservadoras, o modelo

caiu nas graças do consumidor brasileiro que procura um carro pequeno e mais em conta. Certamente só não tem melhores colocações na pesquisa, pelo fato de não possuir opção automática e o porta-malas ser muito pequeno; e o Air Cross (Citroen) – este é um dos modelos mais vendidos da marca para PcD, que juntamente com o C3 e o Picasso, alcançam bons números de vendas reais, porém na pesquisa, não apareceu em boa colocação.

Setor de adaptação de automóveis tem crescimento de 20% em 2012 ! Como era previsto, o setor automobilístico cresceu e muito no ano de 2012. E esse crescimento em vendas e volume, automaticamente se estende também para as empresas que realizam as adaptações necessárias nos veículos para que as pessoas com deficiência possam dirigi-los, ou simplesmente serem transportadas neles. Segundo balanço realizado entre as principais empresas prestadoras deste tipo de serviço e fabricantes de adaptações, o segmento cresceu cerca de 20% no ano passado. Mesmo com a mudança no mercado, onde a maioria dos automóveis hoje já vem de fábrica com câmbios automáticos, o que fez com que caísse e muito as vendas das chamadas “embreagens eletrônicas”, o setor vem respondendo bem, oferecendo outros tipos de adaptações, suprindo o faturamento dessa fatia que perdeu. “Com a crescente disponibilidade de carros automáticos no mercado, houve uma diminuição de 60% nos pedidos de automatização da embreagem”, comenta Raul Rodrigues de Oliveira Neto, gerente comercial/indústria da Cavenaghi, empresa líder no setor no Brasil. O campeão de vendas e equipamento que atende a mais de 80% das deficiências para as pessoas com deficiência que pretendem dirigir os próprios carros – os chamados condutores – ainda são as alavancas de freio e acelerador manual (push and pull). Seguido da inversão de pedais (passando o acelerador do carro para o lado esquerdo). “Os produtos mais vendidos hoje pelas adaptadoras são: acelerador e freio

manual, inversão de pedal (acelerador a esquerda), pomo giratório, duplo comando (para auto escola), kit nanismo e projetos especiais”, diz Geraldo Cardoso, Diretor Geral da Hand Drive, adaptadora das mais antigas do meio. Com a facilidade da compra de carros automáticos e a maior oferta no mercado pelas montadoras deste tipo de transmissão, popularizando e barateando os modelos deste tipo, permitindo que eles ficassem dentro do limite de valor possível de compra com isenção de impostos por PcD, fez com que boa parte das empresas de adaptação se aprimorassem, e partissem para novos tipos de negócios, como a transformação de carros e instalação de plataformas veiculares e/ou rebaixamento de piso, em vans e mini-vans, atendendo não só a particulares, mas também empresas de taxi e locadoras. Com o advento da Copa do Mundo e das Olimpíadas e Paralimpíadas acontecendo no Brasil, o número de vans, ônibus e mini-vans adaptadas e acessíveis deve crescer consideravelmente nos próximos meses. O brasileiro deixa sempre tudo para a última hora, mas o tempo está passando e o gargalo apertando. Com isso, as empresas de adaptação tem muito a crescer e a faturar em 2013 ! “Estamos com uma expectativa muito boa para este ano de 2013, que já começou bem aquecido... esperamos aumentar pelo menos mais 15% o nosso volume de vendas”, afirma Leonardo Moura, diretor da Helio adaptações, distribuidora da italiana Guidosimplex no Brasil.


novidade

No mundo dos quadrinhos

O

s “Super Normais” são os personagens de novas tiras nascidas no ano passado em Curitiba/PR. Seus próprios criadores possuem deficiências e a ideia inicial era fazer caricaturas que tratassem de posturas bem comuns da sociedade em relação ao tema: a tendência de valorizar demasiadamente as conquistas ou a visão de que são pessoas dignas de pena. Eles queriam apenas uma ilustração que os mostrasse como super-heróis e outra que falasse dessa ideia de serem tratados como “coitadinhos”. O objetivo do material era o uso em uma oficina sobre inclusão. Manoel Negraes é cientista social e possui baixa visão; Mirella Prosdócimo, consultora para inclusão, é tetraplégica; Rafael Bonfim, jornalista, nasceu prematuro e não anda. Eles se conheceram por meio de amigos em comum e também por participarem de eventos e debates sobre inclusão social na cidade. Cada um desenvolve trabalhos na área individualmente. Quando pensaram nos desenhos, foram em busca de um cartunista e conheceram Rafael Camargo, que não possui deficiência. A proposta inicial evoluiu e Camargo acabou “batizando” os personagens. “Percebemos juntos que poderíamos com os Super Normais, transmitir ideias que acreditamos, usando a linguagem dos quadrinhos, e o Camargo achou que poderia usar o seu talento criativo em um projeto com potencial para transformar culturas”, explica Mirella. “A arte e o humor gráfico, em especial, têm a propriedade de tocar de forma leve e ao mesmo tempo, instigante o universo da inclusão. A linguagem sequencial dos desenhos permite debatermos as interpretações subjetivas de cada tira em quadrinhos. Funciono como um sintetizador gráfico dos temas discutidos pelo grupo e o formato serve de registro para questões futuras em discussões relacionadas aos direitos humanos” afirma Camargo. Mirella, Manoel e Rafael são os personagens principais das tiras, mas algumas trazem outros anônimos, genéricos, que representam as pessoas com deficiência de forma geral. O objetivo é tratar os temas do cotidiano, desde acessibilidade até o preconceito e questões atitudinais. No fundo, levantam questões e conflitos que fazem parte da vida de todos. “Com os Super Normais temos a oportunidade de tocar em assuntos polêmicos de maneira bem humorada, trazendo uma leveza para a discussão de um tema muitas vezes cercado de preconceitos”,

diz Mirella. A abordagem tem um foco especial no questionamento de mitos, na reflexão sobre a condição humana e na transformação cultural. Isso tudo tendo como base o paradigma da inclusão social e o modelo social da deficiência, que são conceitos e práticas que todos do grupo se identificam. “Além de colaborar para a transformação social por meio da arte, os Super Normais é um projeto alinhado á Convenção da ONU, já que promove o protagonismo, a autodefensoria – Nada Sobre Nós, Sem Nós – o acesso à informação e a valorização da diversidade humana. Enfim, insere a deficiência, de forma artística, no debate acerca dos direitos humanos”, afirma Negraes. O que é diferente no trabalho é a abordagem dada à inclusão. A temática foi levada para uma plataforma não muito usual (os quadrinhos) e roteiros e ilustrações que encaram o tema são criados de uma maneira diferente do que já foi feito. Para Bomfim: “os Super Normais trazem uma abordagem nova para o debate sobre inclusão da pessoa com deficiência. São histórias criadas e pensadas por quem tem a limitação. Além disso, os personagens podem saltar dos quadrinhos e conversar com o público. É mais do que ficção. É real”, garante.

Quadrinhos à disposição Os quatro amigos se encontram para criar as tiras no New York Café, em Curitiba/PR, um local com que se identificaram por ser totalmente acessível. As camisetas e canecas do grupo estão à venda por lá. As histórias podem ser lidas, atualmente, na página do Facebook (www.supernormais.com.br) e a audiodescrição das tirinhas estão no Youtube, para promover a acessibilidade e democratizar a informação e a arte, numa parceria com a especialista Lívia Motta. Os planos incluem uma versão impressa do trabalho. O ano de 2013 será de profissionalização, com a criação de uma empresa e um site próprio, além da continuidade do face. “Percebemos que, se nenhum de nós tivéssemos as nossas limitações, os Super Normais não teriam sido criados, então acreditamos que estamos usando nosso contexto como um diferencial e vamos continuar a avançar nesse sentido”, afirma Mirella. Ao lado dos quadrinhos, a luta pela inclusão prossegue, como a campanha “Esta vaga não é sua nem por um minuto” (veja na Revista Reação – ed. Nº 80), que Mirella foi uma das idealizadoras. O vídeo da campanha já foi assistido mais de 4 milhões de vezes e continua presente em matérias na mídia e com apoiadores que replicam o material em todo o Brasil (http://estavaganaoesua. wordpress.com/). No fechamento desta edição, chegou uma notícia sobre Mirella: em 31 de janeiro, ela foi escolhida como a nova secretária da Pessoa com Deficiência da Prefeitura de Curitiba/PR. Parabéns e boa sorte em mais esse desafio !!!

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literatura

Fadas, surdocegueira e tetraplegia em novos livros !

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rês lançamentos literários abordam temas diferentes, mas cada um à sua maneira, discutem questões que estão presentes na vida das pessoas com e também sem deficiência, além de seus familiares. A coleção “Era uma fez um Conto de Fadas Inclusivo”, traz 11 livros infantis dedicados ao tema, como Chapeuzinho da Cadeirinha de Rodas Vermelha, Alice no País da Inclusão, Aladown e a Lâmpada Maravilhosa, ou Branca Cega de Neve. Lançada em Porto Alegre/ RS pelo fisioterapeuta Cristiano Refosco,

que também fez as ilustrações, tem como principal objetivo aproximar as crianças do universo das deficiências e contribuir para a desconstrução dos preconceitos em relação às diferenças. “A receptividade tem sido muito boa”, conta Refosco. “As crianças com deficiência gostam das histórias porque se identificam com os personagens, enquanto que as sem deficiência demonstram curiosidade pelos temas. Uma menina sem deficiência que estava no lançamento da coleção observou: ‘que bom que agora os castelos já possuem rampas para as princesas cadeirantes’... A menina chegou a esta conclusão após ler A Bela Amolecida”, conta o autor. Os livros foram lançados no final do ano letivo passado, portanto o trabalho nas escolas que adquiriram a coleção, começará a partir de março. Ele já está preparando uma nova remessa para 2014 com questões diferentes da primeira fase, quando abordou

temas como paralisia cerebral, malformações congênitas, doença neuromuscular, cegueira, surdez, autismo e Síndrome de Down. O projeto foi aprovado junto à Lei de Incentivo à Cultura e o patrocínio captado permitiu o lançamento também de um CD, com a audiodescrição das histórias. Os livros estão à venda nas livrarias que solicitaram a coleção, na livraria Cultura e no site: www.tomoeditorial.com.br.

“Heldy meu nome” Ana Maria de Barros Silva é graduada em pedagogia, especialista na educação de surdos e na educação de surdocegos. Foi uma das fundadoras do atual Centro de Recursos em Deficiência Múltipla, Surdocegueira e Deficiência Visual (ADEFAV) e Associação Brasileira de Surdocegos (ABRASC). O livro dela surgiu da necessidade de se discutir a surdocegueira, para chamar a atenção sobre essa questão grave e pouco conhecida. Para ela, que há 36 anos se dedica ao tema, nada melhor para atender esse objetivo que contar uma história real, inédita e de superação de uma surdocega brasileira. O livro começou a ser gestado em 1994, quando ela conheceu uma professora em Fortaleza/CE, no primeiro congresso sobre surdocegueira realizado por seu grupo de trabalho, que falou sobre uma aluna que atendia num instituto de cegos. Ela reuniu todos os relatórios de atendimento, vídeos e fotos de Heldy até os 15 anos e pediu a Ana Maria que escrevesse um livro, pois acreditava que seria de grande utilidade para a área da deficiência em geral e, principalmente, para a área da surdocegueira. Em 2008 ela passou a dedicar-se à obra, contando não só a história da menina, mas também suas próprias


literatura experiências na área. Ana Maria convidou ainda especialistas para a segunda parte, que escreveram ensaios sobre cada etapa do processo na história de qualquer PcD, desde o período inicial, quando surge a necessidade de um “diagnóstico diferencial” até a um possível “encaminhamento para a vida adulta”. “Apesar da abordagem do livro ser educacional, acredito que será útil para todos interessados em histórias de superação”, diz. A obra pode ser adquirida pelo site da Editora Hagnos (www. hagnos.com.br/) ou nas Livrarias Saraiva e Cortez.

“Renascendo de um mergulho”

Messias Fernandes conta sua trajetória desde o acidente, aos 14 anos, em que, após bater a cabeça no fundo de um rio, perdeu o movimento dos braços e das pernas, até a sua formatura, quando tornou-se psicólogo e passou a atender pessoas com problemas parecidos com os dele. “O acidente significou uma transformação profunda, muito marcante, muito sofrida. Porém, tive uma oportunidade de construir e reconstruir muitos sonhos. E é muito bom chegar hoje em dia e perceber que valeu muito a pena ter lutado e que valeu a pena não ter desistido”, afirma Fernandes. “O que eu quero transmitir é que, independentemente do que acontece na vida, quando a gente tem fé, quando a gente conta com o apoio da família, quando fazemos uma parceria com médicos, terapeutas e com os amigos, percebemos que é possível transformar algo que parecia totalmente ruim em algo que é perfeitamente suportável”, explica. O livro pode ser adquirido no site da editora Livros Ilimitados (www. livrosilimitados.com.br).

cinema

As Sessões como perder a virgindade dependendo de um pulmão de aço...

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ste é, a grosso modo, o resumo da história do filme “As Sessões”, com estreia marcada para 15 de fevereiro. O que faz dele uma obra especial é saber que foi baseado numa história verídica, do poeta e jornalista norte-americano Mark O’Brien. Ele contraiu poliomielite aos 6 anos e, a partir daí, passou a viver em um pulmão de aço para conseguir respirar, podendo ficar fora dele, com um respirador portátil, apenas poucas horas por dia. Formado em Letras na Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde ia com uma maca motorizada, abandonada depois em virtude dos acidentes que causava, Mark resolve, na década de 80, aos 38 anos, perder a virgindade, o que significava poder estabelecer um vínculo profundo de amor, coisa que até então tinha sido impossível por sua condição. É essa experiência, publicada por ele em 1990, em um artigo da revista literária do jornal “The Sun” (“Se Consultando com uma Substituta Sexual”), que serviu de base ao diretor Ben Lewin para fazer o roteiro. O texto quebrou o tabu de falar publicamente sobre sexo e deficiências de uma forma sincera e afetuosa. O próprio Lewin também teve pólio na infância e ficou por 7 anos em um pulmão de aço. A trajetória de Mark remete a uma figura chave: a terapeuta sexual Cheryl T. Cohen Greene que trabalha na área desde 1973 e continua na ativa. Acaba de sair aqui no Brasil um livro da editora BestSeller sobre a vida pessoal e a trajetória profisisonal dela, também com o nome “As Sessões”, acrescido de “Minha Vida como Terapeuta do Sexo”. Nele, ela explica as fundamentais diferenças entre uma terapeuta e uma prostituta. Lewin teve a oportunidade de conversar com ela para fazer o roteiro e, também com Susan Fernbach, a mulher que mudou a vida de Mark, sendo sua amante, companheira e colaboradora literária. Mark é interpretado pelo ator John Hawkes e Cheryl por Helen Hunt em duas composições impecáveis. Entre outros personagens, há ainda o padre Brendan, vivido por William H. Macy, que sintetiza vários padres que passaram pela vida dele, já que era extremamente católico. Não é à toa, portanto, o pensamento de Mark colocado no filme: “Eu estava nu, ela estava nua, e tudo parecia normal. Surpreendente ! Eu quase esperava que Deus – ou meus pais – viessem impedir este momento”. O resultado é uma obra com humor que mostra o modo pelo qual um homem chega à aceitação do próprio corpo, da sua masculinidade, e da noção de o que faz a vida valer a pena. Nesse sentido, é indicado para qualquer pessoa. “O filme pode ser visto de vários ângulos: como a história do cara que quer perder a virgindade, como uma história que mostra o quanto as pessoas são capazes de suportar, e como uma história sobre como é ter aquela primeira experiência sexual, não importa quem você seja. Eu diria que é por isso que o público que viu até agora, reagiu tão carinhosamente”, declarou a produtora Judi Levine, mulher de Lewin. Não é por acaso que o filme participou das seleções oficiais dos festivais de San Sebastian e Londres, teve duas indicações ao Globo de Ouro como melhor ator de drama e melhor atriz coadjuvante e, na estreia, no Sundance Film Festival, levou para casa o cobiçado Prêmio do Público e ainda o prêmio pelo conjunto do elenco dos jurados.

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mulher

por Márcia Gori

A escuridão nossa de cada dia...

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sses dias, passeando pelas redes sociais, me deparei com uma frase que no primeiro momento achei-a interessante, entretanto no decorrer do tempo foi tomando conta dos meus pensamentos e do meu ser, trazendo-me profundas reflexões sobre eu mesma, acarretando uma busca constante, uma grande inquietude interior. Pensamos que somos superiores a tantas pessoas, situações, condições, porém não temos a mínima idéia do que realmente somos ou representamos nesta vida e na sociedade, sempre dizemos que somos uma partícula, um átomo no universo, mas nos comportamos como o próprio Deus em julgar, analisar, refletir sobre a vida e sobre os outros, esquecendo em várias ocasiões que cometemos os mesmos erros ou talvez praticando piores do que quem está sendo “julgado” pela nossa ótica. A frase ? Qual a frase: ...“Conhecer sua própria escuridão é o melhor método para lidar com a escuridão os outros”, Carl Jung. Forte não é ? Você em algum momento já refletiu sobre a sua “escuridão” ? O que ela representa em sua vida ? Até que ponto ela se faz presente em sua vida ? Você realmente se conhece ? Em vários momentos em nossas relações interpessoais delimitamos regras para um bom funcionamento, para não sofrermos tantas dores e desilusões e esses mecanismos acabam ficando pesados para nós mesmo carregarmos, cumprirmos nossa parte do acordo, não levando em consideração que somos seres mutáveis, capazes de interagir, de se adaptar a qualquer situação que nos for imposta. Vamos pensar da seguinte forma, existe um casal que se relacionam bem e estão tranquilos em querer estar junto, porém existem alguns segredos que não são compartilhados, a escuridão de cada um, até aonde vai o individual e o coletivo desta relação ? Qual o direito de cada um conservar a sua escuridão ? Enquanto não trazer prejuízos para ambos ? Ou esta escuridão é um problema somente de uma das partes e o outro deve lembrar-se que também tem as suas ? Relacionamentos... Ah! Deveriam ser práticos, simples como uma equação matemática, contudo não é mesmo, pois entra todo um histórico intrauterino, familiar, individual e social, fica mais fácil julgar, extirpar, mesmo que no fundo o nosso coração venha nos dizer que estamos sendo radicais demais, que precisamos conviver com a pessoa que nos trouxe esta desilusão

temporária, o orgulho ferido, o ego fala muito alto, ou seja, grita tão alto que ficamos apavorados que todos a nossa volta ouça e sejamos ridicularizados pela decisão fora do que o social queira. Em primeiro plano temos que ter a consciência que é muito difícil fazermos algo dentro do que aquilo que realmente acreditamos e queremos, ainda não temos esta determinação, este objetivo como meta fundamental, somos reflexo do que a nossa família espera como correto, a sociedade e amigos, visto que nosso conhecimento interior é muito frágil, se quebra à toa, porque fomos educados em não pensar em nós em primeiro plano, pois transmite a idéia que somos egocêntricos. E se nossa escuridão for algo que nos estabiliza para essas relações interpessoais ? Até aonde somos ruins em permanecer com ela, sendo que para poder estar bem com alguém eu necessito estar bem comigo mesmo em primeiro lugar ? Vão dizer assim, se sua escuridão trouxer prejuízos para o outro, ai já não será mais um jogo de ganha-ganha, mas sim um jogo de ganha-perde. Ok ! Concordo até certo ponto, será um jogo de ganha-perde se a pessoa que está do outro lado tiver consciência que se o relacionamento lhe traz beneficio, que é bom estar junto, e que essa “escuridão” do companheiro é particular e individual, desde que não invada seus princípios, qual o grau de dificuldade em perdoar e lidar com essa situação ? O orgulho e o medo do que os outros vão pensar devem ser maiores do que meus sentimentos pela pessoa ? Ou devemos pensar friamente que primeiro se eu for feliz com esta pessoa, senão me incomodar essa escuridão devo enfrentar meus fantasmas e continuar em frente ? Como irei enfrentar o pensamento do coletivo ? Tenho estrutura para tudo isso ? Terei condições de sair inteiro e de cabeça erguida ? E o que fazer com as observações dos meus “amigos” e “familiares” ? Porque sempre tenho que ouvir os outros e calar-me ? Será que não sou bom conselheiro para minha vida, sendo que convivo comigo mesmo 24 horas por dia ? Será que me conheço e o amor que tenho por mim mesmo é tão pouco que teria coragem de fazer-me sofrer e achar normal ? Como fica o medo do meu mergulho dentro da minha escuridão ? Minha avó sempre dizia que o inferno é aqui e os demônios são nós mesmos e os outros, e sabe de uma coisa ? Estou acreditando nisso mesmo, a certeza desta observação vem pela vivência que tenho tido, devido à intensidade que sofremos e deixamos acontecer da invasão das pessoas em nosso modo de viver, em


por Alex Garcia

muitas ocasiões nos traz sofrimento que não precisamos e muitas vezes, são impostas uma carga a mais em nossa trajetória que não nos permite ser leves, pensar e viver no amor fraternal que tanto buscamos. O que é a paz que tanto buscamos e desejamos ? Qual é o ponto de partida para iniciarmos tal busca ? E qual o ponto de chegada ? Esta paz tem forma, é uma pessoa, um objeto ou somos nós mesmos ? Porque o medo de nossa escuridão ? Qual o mistério que nos impede de ir de fato tão profundamente dentro do nosso “EU” ? Até onde a educação de sermos “bonzinhos” nos impede de liberarmos o que há dentro de nosso intimo ? Fico com a música do nosso poeta e cantor Chico Buarque: “Apesar de você” (nossa outra vez a música dele), para algumas reflexões e buscas interiores: “... Inventou de inventar toda a escuridão. Você que inventou o pecado, esqueceu de inventar o perdão. Apesar de você (Coro), amanhã há de ser outro dia. Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia ? Como vai proibir quando o galo insistir em cantar ? Água nova brotando e a gente se amando sem parar...”.... Grande Chico, este entende da vida e de pessoas... Até nosso próximo encontro!!! Márcia Gori

é bacharel em Direito-UNORP, Idealizadora da Assessoria de Direitos Humanos - ADH Orientação e Capacitação LTDA, Ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência CEAPcD/SP 2007/2009, ex - apresentadora do Programa Diversidade Atual no canal 30 -RPTV, ex-Conselheira Estadual do CEAPcD/SP 2009/2011, Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/ SP, membro do CAD - Clube Amigos dos Deficientes de São José do Rio Preto/SP. Idealizadora do I Simpósio sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência do NIS – Núcleo de Inclusão Social da UNORP, Seminário sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência na REATECH 2010/2011/2012, I Encontro Nacional de Políticas Públicas para Mulheres com Deficiência, capacitadora e palestrante sobre Sexualidade, Deficiência e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência, modelo fotográfico da Agência Kica de Castro Fotografias. E-mail: marcia_gori@yahoo.com.br

espaço aberto

Permitam-me Chorar !

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olegas da Revista Reação... Estou contente de estar e começar com vocês mais um ano. Espero que possamos manter a vibração e a coluna “Espaço Aberto”, reflexiva. Vamos começar 2013 com um fato que deixou a mim e a muitas pessoas no mundo estarrecidas. Aconteceu na Bélgica: “gêmeos surdos e quase cegos submetidos à eutanásia”. Os dois irmãos gêmeos belgas surdos, que estavam praticamente cegos, recorreram à lei da eutanásia para morrer. Viveram no mesmo quarto a vida inteira e recorreram aos médicos, que os ajudaram a morrer. Os gêmeos não sofriam de nenhuma doença terminal, nem de dor física, mas os médicos, mesmo assim, responderam positivamente ao seu desejo. Com 45 anos, os gêmeos nasceram surdos e nos últimos anos começaram a perder a visão, tendo feito um pacto para morrer, o que aconteceu a 14 de dezembro de 2012. Com essa notícia, permitam-me chorar. Ora, os gêmeos eram pessoas surdocegas. O meio não colaborou com eles e todos sabem como o meio é terrível. O meio cercou e eles não suportaram. Sendo surdos e ao começarem a ficar cegos pensaram de forma lógica: “se sofremos assim, vamos sofrer bem mais assim”. Minha tese do meio se confirma, pois aceitaram praticar a eutanásia. A pessoa quer, mas a prática passa por avaliação. O estado falhou durante a história e agora, “sem saída”, acata a “vontade” deles. Encontrei num site inglês a citação: “But their dwindling eyesight meant that within a few years they would lose their only means of communication”, que em tradução livre quer dizer: “mas a sua visão diminuir significava que dentro de alguns anos eles perderiam seu único meio de comunicação”. Como ?!? Perderiam seu único meio de comunicação ?!? E o estado não orientou para desenvolverem outro meio ? Nós,

pessoas surdocegas, possuímos sim vários meios para nos comunicar. Há 15 anos estou alertando, junto a outros ativistas, alertando o Estado do Rio Grande do Sul (onde nasci e vivo), o Brasil e o Mundo, para o destrutivo poder que carrega a Surdocegueira para um Ser Humano. Poucos compreendem. Poucos dão atenção. Mas repito: a Surdocegueira é devastadora !!! A Pessoa Surdocega, se não receber atenção adequada, “morre em vida”. Milhares de Surdocegos já se suicidaram no mundo, mas a mídia não noticiou. Outros partiram de causas naturais, para não dizer, de “solidão”. No Brasil a Surdocegueira já está aí sendo estudada e reconhecida a 50 anos, e o que observamos ? Uma invisibilidade quase que absoluta. Pessoas surdocegas pós-simbólicas, extremamente subalternas e vulneráveis. Pessoas surdocegas pré-simbólicas, com pouca ou quase nada de estimulação, e que hoje, sobrevivem, muitos em estado primitivo de desenvolvimento. Observamos famílias sobreviverem “dando o sangue” por seus filhos, que as autoridades e o poder público “esqueceram”. Em 50 anos, observamos Pessoas Não Surdocegas crescerem e se promoverem. Os gêmeos eram Belgas, mas a realidade não está tão distante assim como vocês imaginam. Deste lado do atlântico, a eutanásia é “mascarada”. Obrigado e até a próxima !

Alex Garcia é gaúcho e Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Especialista em Educação Especial. Autor do livro “Surdocegueira: empírica e científica”. Vencedor do II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga/RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência pela Mobility International USA/MIUSA. Membro da Federação Mundial de Surdocegos. Site: www.agapasm.com.br E-mail: contato@agapasm.com.br

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lição de vida

Correndo para uma vida melhor

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esta edição vamos fazer um pouco diferente... não vamos tratar apenas de uma pessoa com deficiência e sua história, mas sim, falar de uma mãe que luta por seu filho. Karolina Cordeiro Alvarenga é geógrafa e tem 3 filhos: Ana Júlia de 8 anos, Pedro de 6 e Giovana de 3 anos. O filho do meio, Pedro, possui uma síndrome rara chamada “Aicardi-Goutieres”. Aliás, raríssima, são pouco mais de 80 casos no mundo, nas contas dela. Ele nasceu bem, aparentemente normal, desenvolvendo-se sem problemas até os 8 meses. Foi quando começou a dormir muito, teve períodos febris sem motivo aparente, ficava irritado e com prisão de ventre. Foi uma peregrinação por várias cidades para descobrir o que acontecia, com a realização de incontáveis exames, até que uma neurologista de Uberlândia/MG, recém-chegada do Canadá, pegou o caso para estudar. A conclusão foi de que Pedro tinha 99% de chance de ter esta síndrome em que a criança nasce normal, mas ao longo do tempo, vai perdendo funções que já havia adquirido. A “Aicardi-Goutieres” é uma encefalopatia não progressiva, genética, herdada como um traço autossômico recessivo. É associada com calcificações nos gânglios da base, anomalias da mielina, linfocitose e elevação do interferão-alfa no líquido cefalorraquidiano. Os sintomas podem apresentar variabilidade intrafamiliar em termos de gravidade. “A médica me disse que a média de vida era mais ou menos 2 anos. E meu Pedro tinha um ano e seis meses ! Fiquei apavorada, desesperada, havia pouca bibliografia sobre esta doença grave e devastadora”, conta Karolina. E então, ela foi à luta: durante as madrugadas, ficava na internet pesquisando para ter alguma pista sobre a patologia, uma luz que ajudasse na compreensão e tratamento. Descobriu um geneticista que estudava a síndrome na Inglaterra, Dr. Yanick Crow. Mesmo péssima em inglês, enviou um e-mail que foi respondido com a informação de que haveria uma conferência sobre o assunto nos Estados Unidos, em Washington,

e que seria muito interessante se fossem colhidas amostras de sangue para que Pedro fosse inserido nas pesquisas. “Fomos com muita fé e coragem, pois não falava nenhuma palavra em inglês... Fizemos os exames, vimos que ele é do tipo dois (apresentou os primeiros sintomas mais tardiamente), e que ele não iria morrer, mas aos dois anos, a tendência era a síndrome estabilizar”, recorda a mãe. “Voltei ao Brasil e, olhando em seus olhos, tivemos uma conversa bem séria: ele tinha apenas dois anos, mas fizemos um trato. Ele iria querer viver bem, acordar sorrindo e dormir sorrindo e iria ter uma vida normal. Choramos e dormimos abraçados”, conta a mãe. Karolina continua estudando muito para estar por dentro de tudo que possa melhorar a vida dele. Quando ninguém dava nada por Pedro, ela o mostrava no espelho e dizia: “olha lá, está vendo aquele cara no espelho ? É inteligente, é valente, é vencedor”, recorda. O menino realiza fisioterapia duas vezes por semana, equoterapia, hidroterapia e fonoterapia. Com 3 anos foi para escola e enfrentou grandes desafios. Como é tetraplégico, utiliza o eViacan, uma tecnologia que permite a utilização do mouse com


lição de vida

os olhos, possibilitando sua alfabetização e quantificação do conhecimento adquirido. É gratuito, basta baixar no Google. “Um marco de muita emoção foi o Pedro ser o primeiro com uma deficiência grave a frequentar uma escola regular, onde foi o primeiro da história da escola pública daqui da minha cidade”, relembra Karolina. A inclusão foi de forma gradual: todos aprendem, crescem juntos, professor, aluno e colegas. Ela ainda desafiou a genética para engravidar de Giovana, que nasceu bem e não tem problemas. Em maio de 2012, próximo ao dia das mães, Karolina resolveu comemorar seu dia, celebrando a vida do filho: afinal ele era forte, saudável mas, principalmente, vivo. Pediu autorização para a organização das Corridas da Caixa Econômica Federal e foi com ele para a pista. “Foi como um parto. Corri 5 Km e cada minuto dos 34

que fiz para completar a prova, a vida do meu grande/pequeno príncipe passava na minha frente, corria, sorria e chorava”, lembra. “A medalha estava esperando por ele, que decidiu viver, que é um campeão !” Ela ganhou um livro, “Devoção”, de Dick Hoyt, que participa de triátlon e maratonas correndo com o filho tetraplégico, nos EUA. Hoje, fazer uma prova dessas é o grande sonho. Nos Estados Unidos, por causa dos cachinhos louros do Pedro, os médicos o apelidaram de “Angel Hair”. “Pronto o nome da equipe estava decidido: equipe cabelo de anjo ou Angel Hair Team” (www.facebook.com/pages/ Angel-HAIR-Team). Ainda não há patrocínio, mas muita vontade de competir. “A cada corrida, lágrimas e sorrisos se misturam. A inclusão social através do esporte se deu naturalmente e temos comovido bastante as pessoas. Nossa mensagem é: busque o que te faça sorrir. Não precisa, falar, escutar, ver para ser feliz, mas basta estar vivo”, garante Karolina, que começou a treinar com o campeão mundial de triátlon Rafael Farnezi. Em 2013 eles pretendem correr as provas do circuito Caixa, as de Uberlândia/MG e todas que forem convidados.

Pensando nos outros: vagas de estacionamento... Karolina considera que, apesar do progresso em relação às pessoas com deficiência no Brasil, ainda há muito por ser feito. Observando a falta de respeito em relação às vagas demarcadas de estacionamento, resolveu criar o “Movimento: Eu Respeito às Vagas e Você ?” O objetivo é chamar atenção para o descaso, falta de respeito explícita, da ocupação irregular desses espaços, incluindo também os idosos. A primeira caminhada foi em agosto de 2012, no Parque do Sabiá, em Uber-

lândia/MG e contou com cerca de 400 pessoas. Foram confeccionados adesivos educativos com as frases: “Eu respeito as vagas”, e outro: “Eu não respeito a vaga do cadeirante”, para ser entregue ao motorista infrator como medida conscientizadora. No dia da Luta da Pessoa com Deficiência, houve um “apitaço” na Praça Tubal Vilela, também em Uberlândia/MG, com a palavra de ordem: “respeito!”. Para ela, o motorista tem que conscientizar que quando ele estaciona nas vagas reservadas, ele não está somente infringindo uma lei, mas está coibindo o direito de ir e vir. “Lutamos para que as leis sejam revistas e se tornem mais rigorosas”, explica Karolina, que arremata: “Agradeço sempre ao Pedro por estar aqui e prometi a ele que todos os seus dias valeriam a pena. Com muito amor e muita luta. Ser especial é ser feliz!”

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moda e estilo

por Silvia de Castro

As confecções brasileiras pedem inclusão

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palavra moda também traz à mente a ideia de algo atraente, porém, nos últimos anos, esta área, especialmente para os que fabricam roupas no Brasil, não têm sido assim tão atraente. O grande “vilão” deste cenário tão triste está nas importações de roupas dos países asiáticos, em especial da China, que nos últimos 10 anos cresceram 27%, devido ao baixo custo da produção. A ABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, entrou com um pedido para o governo de salvaguarda para o setor da confecção no Brasil, neste caso, proteção contra a importação de 60 (sessenta) produtos do setor, que segundo a entidade, representa 82% das importações vindas da China. E ainda neste semestre, a entidade também apresentará ao governo a proposta RTCC - Regime Tributário Competitivo para Confecção, cujo conceito é a desoneração, simplificação e desburocratização que incide sobre as confecções. Para que as confecções brasileiras continuem existindo, é preciso uma ação urgente do governo, pois a maioria dos varejistas importa diretamente ou através do MERCOSUL, pois esta também é uma porta de entrada desses produtos. Mesmo que a mão de obra das confecções migre para o setor varejista, este não conseguirá absorver a todos, portanto o consequente desemprego gerado pelas confecções, também é um fator relevante a ser considerado. As confecções brasileiras pedem inclusão, no sentido de poderem concorrer igualmente no mercado, antes que seja tarde demais. Falar de inclusão na moda é também abranger os fabricantes, que hoje não se sentem incluídos como concorrentes neste mercado brasileiro, que está extremamente desigual. E a Moda Inclusiva também pode ser uma alternativa para

o setor, por ser um nicho de mercado praticamente inexplorado. Esta “porta” já está aberta, pois entre os dias 13 e 16 de janeiro último aconteceu na Expo Center Norte/SP, a São Paulo Prêt-À-Porter - Feira Internacional de Negócios para Indústria de Moda, Confecções e Acessórios, em sua 3ª edição, que recebeu o Projeto Moda Inclusiva, iniciativa da Secretaria do Estado de São Paulo da Pessoa com Deficiência, que apresentou em seu espaço 20 looks. Importações fazem parte do mercado, porém é preciso que as confecções possam concorrer em condições de igualdade, e para isso, é necessário que as cargas tributárias sejam reduzidas urgentemente, pois se nada for feito, o cenário da moda poderá ficar como as imagens deste artigo.

Silvia de Castro é consultora e estilista de moda, especializada em moda e estilo para pessoas com deficiência. Email: scestiloterapia@gmail.com Blog: www.estiloterapia.com.br


por Samara Del Monte

mais eficiente

Chegou mais uma edição da Revista “MAIS dEFICIENTE” !!! A 11ª edição está imperdível e o lançamento foi um sucesso...

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emorou, mas chegou ! A 11ª edição da revista “Mais dEficiente”, que eu faço todo ano, acaba de ser lançada no final do ano passado. Ela traz artigos sobre a vida de uma pessoa com AVC, a importância da Pet Terapia, projetos importantes como o Unicirco e o Praia Acessível, lindas modelos com deficiência, acessibilidade nos edifícios, adaptações que precisamos fazer no dia a dia... e não poderia deixar de falar dos campeões brasileiros da Paralimpíada de Londres. O artigo sobre o Camiro (fusão dos nomes Caio e Samara) apresenta uma nova forma de comunicação, que é fazer as letras com a cabeça. Agora pessoas que não oralizam podem falar entre si com facilidade. Na seção de entrevista há a história de dois irmãos com Síndrome de Corno Medular, que vem conseguindo superar os obstáculos e são atletas de bocha adaptada. O lançamento foi tumultuado, em cima da hora, pois não sabia se ia fazer, porque demorei para fechar a edição por causa do meu TCC - Trabalho de Conclusão de Curso. Quando a diagramação da revista ficou pronta, a minha irmã estava já com viagem marcada. Foi difícil conciliar as datas. Conversamos e, mesmo sendo sua presença fundamental, decidimos fazer

ainda em 2012, e ela esteve, em pensamento ! Sempre penso em uma música, vídeo, homenagem etc, para marcar mais uma edição da “Mais dEficiente”, porém gastei todas as minhas ideias com o TCC. Mas meu namorado, Caio, não deixou passar em branco: dedicou-me a música “Esse Cara Sou Eu” (Roberto Carlos). Os homens levaram bronca de suas mulheres, elas ficaram com dor de cotovelo e todos nós choramos de emoção !

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mais eficiente Dores não impedem de ser feliz...

Doença, deficiência, incômodo, todo mundo pode ter, mas cabe a cada um achar o seu jeito de lidar com tudo isso. Peggy Gottlieb nos conta o que faz para lidar com as suas dores constantes. Ela tem uma deficiência chamada vasculite sistêmica e polineuropatia múltipla, uma doença que se tem só uma vez na vida e pode ou não deixar sequelas. Quando bebê, ela entrava em coma de 15 em 15 dias, mais ou menos. Foi tratada com remédio, mas naquela época, 56 anos atrás, ninguém sabia o que era. Foi crescendo, sempre se sentindo muito fragilizada e tímida. “Após um tempo comecei a manifestar outros sintomas como paralisia nas mãos e nos pés, hemorragias e tive até uma infecção generalizada de vários órgãos”, conta Peggy. Para aliviar a dor e não atrofiar mais as mãos, surgiu a ideia de fazer cerâmica, pois seria também um exercício. Deu tão certo que se tornou professora, dando aula para pessoas com deficiências intelectuais. “Sempre tive muita facilidade em me comunicar com elas, quando menina eu tinha uma amiga que tinha um irmão com paralisia cerebral muito grave, ficava só deitado e gritando muito, eu estava sempre na casa deles e ajudava a cuidar. Fui criada sem qualquer preconceito e acho que isso me levou e ajudou a seguir na área”, comenta. Faltava a realização de ser mãe. Não sabia as consequências que a gravidez iria trazer, mesmo assim tentou 3 vezes. Teve um aborto e em seguida duas filhas saudáveis. Medicações ? Muitas ! Dores ? Todos os dias ! Porém nada que a impeça de ser feliz !

Elevadores são para todos... Segundo a Lei, é vedada qualquer forma de discriminação em virtude de raça, sexo, cor, origem, condição social, idade, porte ou presença de deficiência e doença não contagiosa por contato social no acesso aos elevadores de todos os edifícios públicos municipais ou particulares, comerciais, industriais e residenciais multifamiliares. Um dia, uma mãe e o seu filho cadeirante foram visitar um parente que mora em um prédio. Como no edifício não tinha rampa, o porteiro abriu a garagem, eles ficaram muito felizes, porém ao entrarem no elevador social, ouviram uma voz pelo alto falante dizendo que não podiam usar aquele elevador, só o de serviço, alegando que um cadeirante não poderia usar o elevador social. Você pode achar um absurdo, mas esta é uma história verídica que aconteceu com a Gil Machado e seu filho Ric, de 4 anos, em São Paulo/SP. “Nossa ! Ali eu já estava em estado de fúria, perguntei que regras eram aquelas. Ele é o meu filho e não vamos fazer nenhum serviço e não estamos transportando nada. Como ele percebeu que eu já estava muito brava, ele (provavelmente a voz no auto-falante do elevador era do porteiro do prédio) disse: “tudo bem, já que a senhora está no elevador, ok”. O que mais doeu foi o olhar do Ric indignado, e eu queria apenas chorar... chorar... e chorar”, contou a mãe. Até quando teremos elevadores que separam as pessoas ? Espero que esse Ano Novo, que 2013, traga também mais conscientização de que somos todos iguais.

Samara Andresa Del Monte é estudante de jornalismo, idealizadora da Revista Mais dEficiente, tem paralisia cerebral, é cadeirante e se comunica com os símbolos Bliss, e escreve no computador usando capacete com ponteira. E-mail: samarandresa@gmail.com


ABOTEC e Centro Paula Souza fecham parceria para Curso Técnico de Órteses e Próteses Ortopédicas !!! Me Iniciativa pode ajudar o Brasil a diminuir o déficit de mão de obra qualificada no setor...

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partir do início de fevereiro, a ABOTEC - Associação Brasileira de Ortopedia Técnica e o Centro Profissional Paula Souza - Escola Técnica Estadual Carlos de Campos, iniciam a parceria que formará 24 alunos no curso Técnico de Órteses e Próteses Ortopédicas, que é reconhecido pelo MEC - Ministério da Educação. A associação será responsável por toda a parte prática, que vai desde a estrutura física na Oficina Escola da entidade para a realização das aulas até a cessão de alguns dos professores. O órgão público fica responsável pelo conteúdo teórico e organização do curso. Com cerca de apenas mil profissionais atuando no setor de órteses e próteses para um universo de 25 milhões de pacientes no Brasil. A ABOTEC acredita que o curso pode ser um começo importante para o crescimento e qualificação da área. “É um sonho antigo da associação que se concretizará agora. Esses alunos terão a oportunidade de juntar as partes teóricas e práticas de duas instituições respeitadas, o que dará um grande nível de qualificação para eles”, analisa o presidente da ABOTEC, Joaquim Cunha. Quem endossa a análise da ABOTEC é a coordenadora do curso do Centro


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Membros da Diretoria da Escola Técnica Estadual Carlos de Campos/Membros da Diretoria da ABOTEC e Alunos do Curso

Presidente da ABOTEC, Joaquim Cunha: um começo importante para o crescimento e qualificação da área

de Órteses e Próteses Ortopédicas

Paula Souza, Tatiana Garcia. “Para nós é extremamente importante contar com a colaboração e o know-how da ABOTEC nesse curso. Batalhamos muito para conseguir vencer mais essa etapa e poder dar um ensino de excelência aos nossos alunos”, completa. Inicialmente, a parceria entre ABOTEC e Centro Paula Souza está prevista até o fim do primeiro semestre de 2013, com possibilidade de renovação. Para essa turma, apenas os alunos já matriculados nas aulas teóricas, que começaram no primeiro semestre de 2013, vão participar.


promoção

Revista Reação entrega prêmios aos leitores !!!

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o começo do mês de janeiro, a Revista Reação formalizou a entrega dos prêmios de 2 promoções realizadas no final de 2012. Uma delas foi a campanha criada em função do “Aniversário de 15 Anos da Revista Reação”, ação grandiosa promovida pela publicação, que culminou na entrega de 01 Tablet (Ipad - Aplle) – personalizado com o logo da Revista Reação e das empresas parceiras na ação dos 15 Anos, para o vencedor de um concurso cultural que ficou no ar de setembro a dezembro de 2012, onde o autor da melhor frase que sintetizasse os “15 anos da Revista Reação e sua contribuição no dia-a-dia das pessoas com deficiência no Brasil”, ganharia o prêmio. A frase escolhida foi a de Érica Jobstraibizer, 23 anos, auxiliar administrativa, moradora na capital paulista, no bairro da Luz. Ela faz faculdade de administração de empresas e é leitora da revista, que conheceu no Facebook, através de um amigo com deficiência visual que compartilhou a Revista Reação em sua rede. A campanha recebeu mais de 450 frases, e a de Érica foi a vencedora. A frase escolhida e ganhadora do Ipad, foi: “Durante 15 anos quebrando paradigmas, minimizando as limitações e abrindo novas possibilidades para as pessoas com deficiência no Brasil”. Parabéns à Érica e a todos os que enviaram suas frases... todas foram sensacionais e expressam os objetivos e as conquistas da Revista Reação nesses 15 anos de trajetória !

Érica, a autora da melhor frase da Campanha dos 15 Anos, recebendo o Ipad das mãos de Rodrigo Rosso, diretor/editor da Revista Reação.

Eleição do Carro do Ano para PcD também premia leitor Outra campanha que faz sucesso já há 15 anos, é a eleição do “Carro do Ano para pessoas com deficiência”, onde os leitores e assinantes da Revista Reação elegem pelo voto direto, qual o melhor modelo em suas opiniões. Todos os anos a revista sorteia entre aqueles que enviaram seus votos, uma pessoa para ser agraciada com um brinde oferecido pela publicação, e em 2012 não foi diferente. Desta vez, o prêmio foi um Notebook ! O grande sortudo de 2012 foi o assinante da Revista Reação, Anísio Antunes Ferreira, vendedor, 52 anos, morador da cidade de Barueri/SP. Ele é pai de Douglas Martins Ferreira, de 21 anos, que tem baixa visão e deficiência intelectual leve. Douglas, que acaba de ser contratado por uma empresa de sua cidade como auxiliar administrativo, através da “lei de cotas”, ficou muito feliz pelo pai, que foi sorteado e levou para casa o Notebook. Quem ganhou o Notebook foi o pai, mas pelo jeito, quem vai usar o prêmio vai ser mesmo o filhão que adorou o “brinquedo novo”... Parabéns ao Anízio que votou no Corolla (Toyota), e ao filho Douglas... e boa sorte aos dois, e que o Notebook seja bastante útil no dia-a-dia deles e de toda a família !!!

Rodrigo Rosso entrega o Notebook ao jovem Douglas e seu pai Anízio, na sede da Revista Reação, em São Paulo/SP.

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ponto de vista

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por Suely Carvalho de Sá Yanez

Reabilitação... Novo Dia... Novo Tempo...

m quase 25 anos de profissão, acompanho casos em que a maioria das pessoas procura atendimentos na área de Reabilitação geralmente após um período de 1 ano e meio a 2 anos, após o acontecimento de uma situação adversa. Muitos relatam que vivenciaram um período de buscas, com tentativas médicas, métodos alternativos, negação da condição de vida, isolamento, outros, até chegarem a um serviço de Reabilitação. Sabemos da importância de um acolhimento cuidadoso para cada pessoa que chega nos determinados serviços, ouvir as histórias e também o silêncio de cada uma delas. É primordial o estabelecimento de papéis a serem exercidos entre os profissionais, familiares/responsáveis e a própria pessoa a ser atendida. Papéis, ou seja, funções para que todos possam contribuir para o melhor desenvolvimento da Reabilitação. O ponto de equilíbrio para que cada caso na reabilitação seja bem sucedido não vem como um livro de receitas... O ponto de equilíbrio de cada caso requer uma minuciosa observação das experiências vividas de cada atendimento, o que gera uma avaliação mais precisa, baseada em situações, relatos e práticas nos atendimentos. Em cada atividade desenvolvida na Terapia Ocupacional, temos a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento de uma estrutura emocional equilibrada, pois, sem ela, a reabilitação fica comprometida. Durante as atividades (analisadas, selecionadas, direcionadas, terapêuticas), muitos comportamentos vêm à tona e algumas intervenções são sugeridas, como: Não exagerar nos cuidados: os cuidados com as pessoas atendidas devem existir, mas não ao ponto de impedir o crescimento/desenvolvimento da independência de cada uma (com ou sem adaptações físicas). Não exagerar nas cobranças das atividades: se a pessoa com alguma deficiência visual (ou outras) não estiver devidamente pronta para a realização de alguma atividade, podemos “assassinar” duas das principais aliadas da reabilitação: motivação e fé. O equilíbrio do(s) profissional(is), familiares/cuidadores é fundamental para que se possa discernir onde e como interferir, promovendo a conquista de cada passo da reabilitação. Não, não é tão simples assim, pois em cada caso, em cada pessoa atendida, há uma história de vida com características pessoais, particularidades que refletem nas reações frente às dificuldades durante as atividades desenvolvidas. Em todo o processo de reabilitação existem desafios a serem

vencidos. Em cada atividade para a estimulação do tato, coordenação motora, desenvolvimento de habilidades e adaptações para outras, nas atividades grupais, familiares, recreativas, culturais, nas atividades de vida diária, como cuidados pessoais e outras, existem passos importantes: ensinar (estimular, motivar, estruturar, promover condições e adaptações), acompanhar (fazer junto, orientar), delegar (com ajuda parcial e verbal, se necessário) e cobrar (deixar realizar uma tarefa sem auxílio, independentemente). As marcas de uma situação adversa que resultaram na procura de um serviço de Reabilitação poderão sempre existir. Porém, temos que estar prontos, abertos e sem resistências para um novo desafio. Os desafios são constantes. É quando investimos, acreditamos, rompemos limites... e assim acontecem os resultados. “Novo dia, novo tempo, a fé faz aparecer... o impossível, o inatingível, de repente vai acontecer!” (RP17)

Suely Carvalho de Sá Yañez é Terapeuta Ocupacional especializada em Orientação e Mobilidade para pessoas com deficiência visuaL e atua na área de reabilitação e Consultoria.


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por Scott Rains

O Brasil se prepara para ser o palco do mundo !!!

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ocê deixaria qualquer pessoa na rua escolher sua roupa, seu carro ou seu namorado(a) ? No mínimo pensaria duas vezes antes de permitir isso, certo ? Tudo porque essas escolhas são pessoais e contribuem para definir sua imagem e sua identidade pública. Vivemos um momento importante no Brasil, com os preparativos para os Jogos Paralímpicos que serão realizados no Rio de Janeiro, em 2016. Por isso, vale lembrar que durante os preparativos, estarão se falando sobre as pessoas com deficiência com uma força e intensidade, e interesse, nunca visto neste país. Como equilibrar o lema: “Nada sobre nós, sem nós”, com isso ? Os preparativos para os Jogos Paralímpicos Rio 2016 vão mudar sua imagem e identidade como brasileiro(a) com deficiência. Essa será uma época única, com tantas possibilidades e sonhos reunidos, que podem ser realizados no campo da deficiência. Será utopia depois dos jogos ? Não ! Mas vai ser um tempo de grande propaganda sobre o que é ser uma pessoa com deficiência. Todo o mundo espera uma voz forte que represente o Brasil nesse diálogo. Sediar os Jogos Paralímpicos Rio 2016 é um convite para todos as pessoas com deficiências brasileiras, sejam atletas ou espectadores. O mundo quer saber como o Brasil, o país do samba e do futebol, e os brasileiros como indivíduos, vão contribuir com o desenvolvimento cultural em relação à inclusão. Você vai se sentir vencedor na medida em que resolver gerenciar as mudanças até o Rio 2016. E por onde começar ? Comece com as pessoas. Continue até a politica.

Recusar o preconceito e o estereótipo O preconceito desmonta sua imagem e o estereótipo é um roubo da sua identidade. Aceitar isso, seja em público ou na sua vida particular, é permitir que roubem a sua capacidade de viver com independência. Experimentar com independência durante esta época única, quando a sociedade brasileira estará disposta a aprender sobre quem é a pessoa com deficiência, e essa pessoa é você. Viver como se seu futuro fosse inevitável, começar a recuperar o controle sobre sua imagem e identidade. É o princípio da sua voz que será único !

Substituir uma identidade alternativa Substituir uma identidade alternativa que se manifesta como lado positivo da deficiência e respeita quem você é como individuo... Alguns afirmam que nossa perspectiva da periferia da sociedade, agora antes de se conquistar a inclusão, fertiliza a nossa criatividade. Viver sua vida, será como dar aulas de como é ser um brasileiro(a) com deficiência hoje em dia. Adote modas, equipamentos e redes sociais que aumentam seu orgulho em ser quem é, e ser parte da comunidade de pessoas com deficiências. É o principio de uma imagem própria, norteada de escolhas próprias.

Reforçar atitude com competência A atitude é o que motiva e inspira você e as outras pessoas, enquanto te alimenta. Abrir espaço para você agir de forma independente e com dignidade, desencoraja atitudes de “bullying”. Pois atitude sem competência não disfarça a ignorância. Dá fraqueza ao nosso movimento pela justiça. A sua educação é essencial e não apenas para si mesmo. Desenvolver a consciência de que você tem pontos fortes naturais, mas aprimora ainda mais acentuadamente para beneficiar outras pessoas com deficiência. É o princípio de ganhar o respeito dos outros que se dedicaram a se tornar competentes e estender esse respeito para a nossa comunidade através de seu exemplo.

Aprender ler o mundo e seus antecedentes O objetivo da inclusão social é a eficiência. Progresso para a inclusão exige uma consciência flexível pessoal e um conhe-


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cimento de como a nossa comunidade tem sido moldada por forças que nunca eram permitidas controlar. Assim, lendo o mundo, chegamos a escrever um narrativo novo, feito da nossa experiência escondida na periferia. “O ato de ler e escrever deve começar a partir da compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo, coisas que os seres humanos fazem antes de ler a palavra. Até mesmo historicamente, os seres humanos primeiro mudaram o mundo, depois revelaram o mundo e a seguir escreveram as palavras...” Paulo Freire. Aprenda a ler onde fica o poder sobre a sua vida. É o princípio de controlar e mudar isso, seja por si só ou em conjunto com toda a comunidade de pessoas com deficiência.

Traçar estratégias para definir o ano de 2016 e o legado que ele deixará Depois de saber quem você é, de aceitar que ser diferente é normal e valorizável, depois de localizar o poder que afeta a sua vida, vem a hora de agir. A estratégia eficiente da inclusão social segue um processo transparente e inclusivo. Ele foi codificada como a diretriz de desenho universal que se empenha para incluir o maior número de pessoas sob a mais ampla gama de condições para criar uma solução em benefício de todos - e não apenas das pessoas com deficiências. É o princípio de uma politica sustentável, onde nós nos beneficiamos juntos.

Relato pessoal Em 1975, apenas 3 anos depois de me tornar um cadeirante, estive no Brasil como estudante, na cidade histórica de Ouro Preto/MG. Sim, aquela cidade barroca, construída em cima de morros vestidos de pedraria portuguesa – desafio arquitetônico na obra do mestre Alejadinho. Um belo dia, um amigo que morava na cidade me disse: “Não vire a cabeça, não olhe agora, porque por detrás dessa janela que estamos passando agora, mora um jovem cadeirante. A família nunca leva ele para fora da casa... Seguimos mais umas casas adiante e ele disse: “E no segundo andar daquela casa ali, também mora uma mulher com deficiência. E ela tem vergonha de sair”... Então, ele me olhou e disse: “Você passando desse jeito pelas ruas, como se fosse normal, está criando uma nova lenda aqui na cidade”... Lembrei deste momento quando escrevi estas palavras para

a Revista New Mobility, assim que voltei para os EUA. Quando viajamos, por exemplo, representamos mais que nós mesmos, porque somos parte de uma comunidade. Ser uma pessoa com deficiência que viaja, quer dizer que carregamos duas coisas de valor, especialmente juntas. Ambas tendem a surpreender aqueles que se encontram viajando. São o dinheiro e o orgulho. No caso do orgulho, me refiro à auto-determinação de saber e criar quem você é, além de medidas econômicas de valor. O próprio fato de você viajar sugere algo sobre você. Ele indica que você tem crédito, poupança, educação, talvez uma profissão que exige viagens. O mais importante é que diz que você tem a capacidade de tomar decisões sobre o rumo da sua vida para si mesmo. Essa combinação de meios e dignidade é um catalisador poderoso para a transformação social. Viver no Brasil durante os próximos anos, com a chegada da Copa 2014 e do Rio 2016, vai fazer você se sentir como um anfitrião, e ao mesmo tempo, como hóspede, turista... e depois da festa, como alguém que dormiu e acordou numa terra desconhecida. Essa troca pode, como disse o especialista em turismo inclusivo no Brasil, Ricardo Shimosakai: “Trazer muitas ideias para serem aplicadas em nosso país, adaptando para as ofertas turísticas que possuímos. Seria algo como pegar um instrumento musical importado de alta qualidade para tocar lindas músicas brasileiras.” Enfim, a questão é o que vai ser deixado por esses grandes eventos, o legado para nós, como comunidade de pessoas com deficiências ? Nos próximos artigos, nas próximas edições da Revista Reação, vamos explorar os assuntos abordados acima, porém de forma que nos aproximemos dos próximos anos, com conscientização de seu potencial. Serão discussões sobre arquitetura e acessibilidade ou de filmes, e de inclusão no seu contexto... será sempre essa transição histórica única. Vamos perguntar: “Como aproveitaremos esse momento, enquanto o Brasil muda e deixa de ser somente o nosso próprio país e passa a ser o palco principal do mundo para a evolução da inclusão de pessoas com deficiência ?”. Até a próxima edição... Bye !

Scott Rains é cadeirante,

americano, escritor e palestrante, mora na Califórnia, e é um dos maiores consultores mundiais sobre acessibilidade, uma verdadeira referência. Foi o fundador do Fórum Global em Turismo Acessível e escreve artigos para várias publicações em diversos países falando sobre o tema da pessoa com deficiência. E a partir de agora, passa a colaborar com a Revista Reação. E-mail: srains@oco.net


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por Luciene Gomes

Banheiros públicos acessíveis: um direito !

S

endo uma pessoa com deficiência, me deparo constantemente com locais sem nenhum tipo de acessibilidade ou muito mal adaptados. Como arquiteta que trabalha na área de acessibilidade e desenho universal, não entendo como alguns profissionais da área de arquitetura e engenharia ainda desenvolvem e executam projetos de forma tão equivocada quando se trata do assunto, e isso fica ainda mais evidente cada vez que tenho que analisar ou fazer alguma vistoria em algum espaço. Para este artigo, por exemplo, visitei alguns prédios públicos na cidade de São Carlos/SP, para verificar se os sanitários atendem a norma de acessibilidade (NBR 9050) e encontrei alguns problemas. Os mais comuns são relacionados ao mau dimensionamento do espaço, portas estreitas e sem sinalização, peças e metais sanitários dispostos de forma incorreta como lixeiras acionadas com os pés, locais que servem como depósito para qualquer coisa, entre outros. Um bom projeto baseado na NBR 9050 e no Desenho Universal, considera as habilidades e as dificuldades para a utilização do lugar ao longo de toda a vida de qualquer pessoa e, para isso, os profissionais devem estar atentos ao desenho e sua execução a fim de que o local não seja um empecilho ao seu uso. Questões importantes devem ser consideradas como, por exemplo, uma área de transferência próxima ao vaso sanitário, área de giro para uma pessoa em cadeira de rodas com 1,50m de diâmetro livre de obstáculos, instalação de barras próximas ao vaso, mictório, lavatório, box e porta, reforço em paredes de gesso acartonado, para fixação de barras de apoio que devem suportar o peso do usuário. Quanto ao vaso sanitário, mictório e acessórios, devem ser instalados com altura correta e escolhidos de acordo com as recomendações técnicas, sendo que vasos com abertura frontal e com caixa acoplada não são recomendados, pois podem dificultar a transferência da pessoa com deficiência. Portas com abertura para fora ou portas de correr, facilitam o uso dos usuários, pois permitem um melhor espaço para circulação. Elas devem estar sinalizada corretamente, com maçanetas do tipo alavanca e vão livre de pelo menos 0,80cm. Quanto aos lavatórios,

é recomendado que sejam instalados dentro do banheiro, próximo ao vaso, permitindo a aproximação frontal de uma cadeira de rodas, por isso é importante considerar a altura adequada, deixando a parte inferior livre, com sifão flexível. A torneira deve ser acionada com facilidade, os modelos com monocomando ou com sensores são as mais indicadas. O mobiliário deve ter cantos arredondados, o piso ser antiderrapante e sem desníveis, tornando o ambiente ainda mais seguro. É importante também considerar no projeto a construção de sanitários acessíveis que atendam a outros pavimentos quando não forem edificações térreas. Seguindo as informações de forma correta qualquer pessoa é capaz de acessar o sanitário de forma eficaz.

Luciene Gomes é Urbanista,

Mestranda do Programa de PósGraduação na área de Acessibilidade e Desenho Universal da UFSCar. Docente no SENAC na área de Acessibilidade, Desenho Universal e Ergonomia.


por Deborah Prates

E

Corrimão é enfeite ?

les seriam aquelas peças que ficam ao longo e ao lado de uma escada ou rampa, apoiada ou não em balaústres, e que servem de resguardo ou apoio para a mão de quem sobe ou desce... seriam meros ENFEITES ? Talvez uma composição do ambiente ? Pressupõe-se que as equipes de trabalho sejam supervisionadas por engenheiros e arquitetos por ocasião da instalação de um corrimão, razão porque é extraordinária a situação aqui apresentada. Ainda quando enxergava – há mais ou menos 6 anos - constatei que na Estação do Largo do Machado - Metrô/ RJ - pessoas sentiam dificuldade ao transitar pelas escadas de acesso às plataformas, por culpa dos corrimãos começarem lá pelo terceiro degrau. Testemunhei algumas reclamações com os metroviários que, por seu turno, limitavam-se a ouvir e informar, que estariam encaminhando a queixa a quem de direito. Pois é, fiquei cega, e os mesmos corrimãos lá estão... soberanos, enraizados, altivos, arrogantes, poderosos, provocando sustos em toda a gente. A minha sorte é ter Jimmy Prates, com sua habitual responsabilidade, a me avisar que o primeiro degrau está bem à minha frente. Daí é que corro a mão pela parede para encontrar o grande vilão dessa história, quem seja: o corrimão ! Desço três degraus para achá-lo ! Nossa, que felicidade ao segurá-lo ! Como as autoridades podem dar de ombros à essa desumana situação ? Temos ou não que lembrar a Humanidade que deriva do HUMANO ? Eis uma generosa prova para reafirmar que a principal das acessibilidades é a ATITUDINAL. É necessário mudarmos nossos maus hábitos. Urge desvincular o verbete acessibilidade das Pessoas com

No centro da foto está Deborah Prates, cabelos cor de mel, óculos escuros, blusa laranja de meia manga e bermuda jeans um pouco abaixo do joelho. Está segurando a correia de Jimmy Prates (seu cão-guia), que a olha. Ambos se encontram no topo da escadaria do Metrô do Largo do Machado, onde o corrimão da mesma encontra-se irregular. Deborah aponta com a mão para o corrimão.

Deficiência. Cidade Acessível é para todos mesmo ! Por ilustração, destaco um humano com sua perna engessada tendo que ser “mico de circo” para alcançar o equilíbrio até o mal fadado corrimão. E o que dizer dos que se encontram em crise de labirintite, por exemplo ? E as grávidas em final de gestação, com os pés inchados e a barriga gigantesca, tendo que “pisar em ovos” até o alcance do apoio do tal corrimão ? E os idosos ? Já com suas pernas enfraquecidas sem qualquer apoio ? Um pulo no abismo ! Sim ! Uma fábrica de deficiências ? Abreviação da vida ? Plataforma para a morte ? Por que será que no Brasil as leis não pegam ? Vale, para chacoalhar os neurô-

nios que se encontram nos estertores da morte, lembrar da Lei Nº 10.098/2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade, e da ABNT NBR 9050/2004, em seu item 6.7.1.4, valendo a sua transcrição: “Os corrimãos laterais devem prolongar-se pelo menos 30 cm antes do início e após o término da rampa ou escada,...” Onde está o Sr. Gestor ? E os Senhores Vereadores da cidade, que não supervisionam e nem sequer fiscalizam o tal do Sr. Gestor ? Amigos, seus óculos encontram-se sem as lentes ? CUIDADO ! É ARMAÇÃO ! Sem dúvida o pior cego é o que não quer ver ! Quando despertaremos ? Desde o surgimento do capitalismo, há 200 anos, tudo que importa no mundo dos negócios é o lucro imediato. Com esse espírito, nasceu a CULTURA DA SUPERFICIALIDADE... Nós apenas queremos mais dinheiro. Mas para quê ? Para quem ? Trabalhamos para consumir. É uma vida sem sentido. Perdemos a noção de ética. Carecemos trazer ao mundo dos negócios a preocupação mais ampla com o meio ambiente, com a comunidade, com o Planeta e a sustentabilidade. Nesse momento de crise ESPIRITUAL, faltam aos HUMANOS uma estrutura mais ampla de significado, valores e propósitos fundamentais. Termino essa crônica com um raciocínio de Albert Einsten: “Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade”... Deborah Prates é advogada e delegada da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/ RJ). Mantém um blog em que trata de questões sobre os direitos dessas pessoas (http://deborahpratesinclui. blogspot.com/)

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Fotos: Silvana Cambiaghi e Oswaldo Rafael Fantini

por Silvana Cambiaghi

Desenho Universal no patrimônio cultural tombado

Acessibilidade na Arena de Verona construída no Século I

O

Brasil passa por em um momento extremamente importante para a validação dos Direitos Humanos, possuindo uma ampla legislação sobre o assunto, porém na prática ainda os profissionais questionam constantemente: devemos ou não cumprir as Leis ? A Lei Federal sobrepõe a Municipal ? O que acontece com quem não cumpre ? Precisamos adotar um espírito mais prático, no sentido de implementar a legislação vigente, vejamos um pouco sobre o que versa sobre um assunto tão polêmico: a preservação dos bens culturais, seu acesso e utilização por pessoas com deficiência. Ainda nos dias de hoje, para adequar uma edificação de valor cultural e artístico ao acesso e utilização por pessoas com deficiência, temos que vencer a primeira barreira: o próprio profissional de arquitetura e engenharia. Alguns destes profissionais respondem prontamente a está questão, dizendo que o local é tombado, e não pode ser adequado, sem sequer propor projetos aos órgãos de preservação, porém é um entendimento equivocado do que já temos garantido pela legislação. A Declaração Universal dos Direitos Humanos já estabelece no seu art. 27 que: “toda pessoa tem direito a tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, a gozar das artes e a participar do progresso científico e dos benefícios que dele resultem”. Portanto, como todo e qualquer ser humano, a pessoa com deficiência também tem direito à Cultura e a fruição do Patrimônio Cultural. O Decreto Nº 5.296/2004, que regulamenta a Lei Nº 10.098/2000, dispõe em seu art. 30, que: “As soluções

destinadas à eliminação, redução ou superação de barreiras na promoção da acessibilidade a todos aos bens culturais imóveis devem estar de acordo com o que estabelece a Instrução Normativa Nº 1 do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, de 25 de novembro de 2003”. Esta Instrução Normativa, que por força do contido na Lei 10.098/2000, estabelece diretrizes, critérios e recomendações para a promoção das devidas condições de acessibilidade aos bens culturais imóveis, a fim de equiparar as oportunidades de fruição destes bens pelo conjunto da sociedade, em especial pelas pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. São diretrizes de intervenção estabelecidas pela Instrução Normativa: “As soluções adotadas para a eliminação, redução ou superação de barreiras na promoção da acessibilidade aos bens culturais imóveis devem compatibilizar-se com a sua preservação e, em cada caso específico, assegurar condições de acesso, de trânsito, de orientação e de comunicação, facilitando a utilização desses bens e a compreensão de seus acervos para todo o público” (Item 1.1 da Instrução Normativa n.º 1/2003). Os projetos para adaptação de edificações e conjuntos urbanos tombados devem atender a legislação específica referente à acessibilidade, bem como aos preceitos do Desenho Universal. Os acessos, espaços de circulação, serviços e equipamentos acessíveis em imóveis tombados devem estar de acordo com os parâmetros estabelecidos pela norma técnica: “Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos” (NBR 9050/2004), da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), de forma a garantir segurança e autonomia às pessoas com deficiência. Os projetos de acessibilidade em bens culturais imóveis devem resultar de uma abordagem global do mesmo, prevendo intervenções que garantam às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, a possibilidade de acesso ao interior do imóvel, sempre que possível e preferencialmente pela entrada principal, ou uma outra integrada à primeira; pelo menos uma rota acessível interligando todos os espaços e atividades abertos ao público; além de serviços e equipamentos como sanitários, telefones públicos e bebedouros acessíveis, vagas de estacionamento reservadas e lugares específicos em auditórios para pessoas com deficiência; tudo isso devidamente sinalizado com o Símbolo Internacional de Acesso, sinalização tátil e sonora. De acordo com o item 3.7 da Instrução Normativa


79 Nº 1/2003: “a intervenção arquitetônica ou urbanística contará com o registro e a indicação da época de implantação, o tipo de tecnologia e de material utilizados, a fim de possibilitar a sua identificação, privilegiando-se os recursos passíveis de reversibilidade, de modo a permitir a inclusão de novos métodos, tecnologias ou acréscimos”. Conforme determina o item 1.4 da Instrução Normativa Nº 1/2003, os projetos que visarem promover acessibilidade nos bens culturais imóveis devem ser submetidos à aprovação pelo órgão do patrimônio histórico e cultural responsável pelo tombamento, a fim de garantir a preservação dos elementos de maior importância histórica. Na prática, o que se vê em adequações em países como Itália, Espanha, entre outros, é que, quando não for possível adequar o meio físico para garantir o direito à acessibilidade como parte do processo, é porque o local é de características arqueológicas e não é utilizável por “todos”, apenas contemplado, ou por características topográficas ou técnico construtivas. A exemplo, temos a cúpula da Basílica di Santa Maria del Fiore, o “Duomo” de Florença - Itália, neste caso, deverão ser adotadas medidas de acesso à informação e compreensão a respeito do bem cultural. Exemplos de implementação de acessibilidade em sítios históricos de cidades europeias não nos faltam, temos ações integradas que garantem o acesso e utilização de espaços mundialmente conhecidos como Patrimônio Histórico, como o Coliseu ou a Arena de Verona, também na Itália, que estão adequados para “todos os visitantes”, inclusive com banheiros adaptados, acesso a plateia, palco, enfim, é possível visitar e usufruir dos espaços. A preservação de edifícios históricos é essencial para a compreensão do patrimônio da nossa nação, além disso, é uma prática ambientalmente responsável. Edifícios ou meio urbano se tornam eficientes e tem sido atualizado nas seguintes características que não eram

Basílica di Santa Maria del Fiore

Acessibilidade do interior da Arena de Verona

previstas quando da construção do mesmo, tais como: energia elétrica; instalação de ar condicionado; maior número de sanitários; rede lógica; controle de segurança e relações espaciais, entre outros itens, portanto não há razão que sejam negadas atualizações com o intuito adequá-los às necessidades de uma população diversa em suas dimensões, força, peso, modo de circulação, visão, audição, idade, enfim... à diversidade de pessoas com ou sem algum tipo de deficiência. Silvana Cambiaghi é arquiteta, usuária de cadeira de rodas, mestre em Desenho Universal pela FAU-USP, arquiteta da Secretaria da Pessoa com Deficiência da Cidade de São Paulo, Membro Fundador da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA - SP) e sua atual secretária executiva. Membro da revisão da NBR9050 da ABNT sobre Acessibilidade. Docente dos cursos de Acessibilidade no SENAC, Fupam - FAUUSP , Câmara de Arquitetos e FGVOnline, ABRAFAC, IABSP. Autora do Livro “Desenho Universal: “Métodos e Técnicas para Arquitetos e Urbanistas”, entre outras atividades


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mercado

por Valdemir Ribeiro Borba

Os entraves do mercado de Tecnologia Assistiva

O

ano de 2013 começa com muita incerteza já que o nosso MAIOR mercado comprador de Tecnologia Assistiva (governo), está sendo entregue aos importadores e seus assemelhados. A expectativa de que o governo federal apoiasse as iniciativas da indústria nacional, a partir do lançamento do “Plano Viver Sem Limite” em 2011, não se concretizou em 2012. Com o lançamento do plano, havia uma esperança para as empresas de desenvolvimento e que realmente atuam no setor. Hoje, infelizmente não vejo mais essa esperança para as empresas, mas só para grandes importadores de generalidades, experts que são em subtrair enormes quantias do governo, sem se importarem com o desenvolvimento interno do país. Da parte de minha empresa, e minha, como cidadão, digo que o plano “Viver sem Limite”, pela amostra do primeiro ano, parece mais um daqueles planos fadados a distribuir dinheiro público para um monte de pessoas e empresas (do tipo: “quero minha parte nesse enorme bolo que os escoteiros bem intencionados fizeram”), sem o devido critério, ou sem a visão sensata e abrangente da política a ser implantada para o setor. Para exemplificar o que estamos falando, houve no início do ano de 2012 uma chamada da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), às empresas do setor para financiamento de novos projetos, visando fomentar a inovação tecnológica do segmento. Muito bem... Já no edital ficava claro que a verba de maneira nenhuma seria aplicada na empresa proponente, mas sim no CTI, que deveria ser indicado pela empresa como gestora do projeto, e a empresa proponente deveria entrar como co-financiadora, arcando com parte dos custos previstos. No meu caso, minha empresa já tinha os projetos desenvolvidos e praticamente prontos e entrou como proponente. Indicou um Centro de Tecnologia da Informação (CTI), sendo classificada na primeira fase e desclassificada em segunda fase, com a alegação de que o CTI possuía capacitação técnica para desenvolver, mas a empresa proponente (a minha) não, entre outros absurdos contestáveis. Ora, sem nenhuma falsa modéstia, esse avaliador desconhece quem fez e ainda faz Tecnologia Assistiva no Brasil. Desenvolvemos (minha empresa) produtos para Tecnologia Assistiva desde 1993, com absoluto sucesso de aceitação pelos usuários e profissionais. Em outras palavras, desconhece absolutamente o setor e seus representantes inovadores. Isso é desestimulante ! Nessa chamada do FINEP, houve 2.130 propostas iniciais, das quais, apenas 8 foram aprovadas, e de um total de R$ 30 milhões divulgados como disponíveis, apenas R$ 11 milhões foram efe-

tivamente empregados. Pergunta-se: será que os projetos eram tão ruins que sobraram verbas ? Elas foram reapliacadas onde ? Analisando o caso da FINEP, principalmente o Edital de chamada, entendi que o governo considera que a empresa “NÃO” tem capacidade técnica e, por isso, precisa do CTI. Que “NÃO” tem recursos próprios para desenvolver e por isso precisa do dinheiro do governo (dinheiro que, na verdade, fica no CTI), mas que, ao final de tudo, o governo, que é o grande comprador, irá comprar o mesmo produto desenvolvido (ou similar) de importadores que não entraram e nem entram nessas benesses menores do governo, qual seja, participar de inovações tecnológicas que não dão retorno financeiro imediato. Dessa forma, nunca atingiremos efetivamente o mercado comprador (governo) que será sempre atingido pelos experts no assunto. O mais importante não seria financiamento, mas sim, o “mercado”. Para exemplificar, pensemos no seguinte caso ocorrido: houve um lançamento de um outro plano de financiamento da FINEP (no Rio de Janeiro) para as empresas do setor, a juros baixos, com carência de “X” anos etc... etc.... Não participei por já estar descrente. Um amigo do setor que participou voltou animado, pois está precisando de verba para continuar inovando (trabalhando muito, mas não vendendo...), e disse que talvez obtivesse R$ 1 milhão para começar a pagar daqui a 4 anos. Fui curto e grosso com esse amigo: “e como você vai pagar daqui a 4 anos se o governo não compra o que você produziu aqui internamente ? Você estará em pior condição do que hoje, pois estará devendo ao governo R$ 1 milhão (que usou para o desenvolvimento) + aquele “jurinho baixinho”, pois ele não fechou a outra ponta contigo que seria a compra do produto que você desenvolverá com o recurso passado por ele próprio... ele irá comprar do importador que lhe ofereceu centavos mais barato”. Obs: o mercado interno da pessoa física com deficiência (setor privado), não irá lhe comprar R$ 1 milhão em produtos ! Esse processo “torto e irracional”, é similar a gastar muito fomentando, por exemplo, a irrigação no Nordeste e depois comprar o arroz, trigo ou milho, da Argentina (ou sei lá de onde), por ser centavos mais barato (quando não por outros quesitos ainda mais obscuros), e deixar o produtor nordestino com sua produção encalhada, e quebrado financeiramente. Isso só serve para o marketing político do governo e para os importadores, mas não serve para o produtor nacional. Ou o governo pensa bem e “OUVE” a nós, que estamos em todos os eventos e todas as feiras “desenvolvendo” o setor, ou será apenas mais um derramamento de verbas que irão parar


autismo nas mãos somente dos que não produzem nada aqui, e que nem participam ativamente do setor produtivo e de desenvolvimento, mas participam e muito ativamente, do setor financeiro. A propósito desse assunto, temos em 4 de fevereiro um enorme pregão para aquisição de equipamentos de TA por parte do governo, o pregão 58/2012 do MEC, cuja disputa verificou-se em dezembro de 2012, e agora já está em fase de fechamento, onde me parece estar ocorrendo exatamente esse processo, descrito acima. Gostaríamos de ter mais espaço, para discorrer e mostrar dados e fatos ocorridos nesse pregão, nos itens que disputamos como produtor e fornecedor nacional (mormente o grupo 5 e ítem 30), mas a todos que se interessarem, acessem o site do comprasnet: https://www.comprasnet.gov.br/, e acompanhem o referido pregão e, se possível, após analisarem desde a primeira versão do edital (até o parecer técnico das análises das amostras enviadas pelo vencedor, recursos e contra recursos etc), vencedor esse que, não por acaso, é o mesmo grupo empresarial que foi agraciado com a maior verba no Edital FINEP anterior. Tirem suas conclusões. Esse mesmo grupo está no momento como vencedor em mais de 70% dos valores desse pregão, e “Eu não sabia de nada”!!!

Os meios se tornaram os fins: “O fim” deveria ser a aquisição de equipamentos de TA, para uso das pessoas com deficiência do país, e também o fomento da indústria nacional para o setor. “Os meios” deveriam ser a intervenção política, jurídica, administrativa e financeira por parte do governo para tal fim. O que vemos é a transação financeira e o ganho político como fins prioritários. “O bolo, ou a meta, dos escoteiros bem intencionados, sendo usado e comido”, como único fim maior do processo.

Concluindo: No setor de equipamentos de TA, o plano “Viver sem limite” corre o sério risco de se tornar mais um plano de só: “Ganhar Sem Limites”, sem se importar com quem paga a conta, o que se compra, ou com quem e se vai utilizar essa compra.

Valdemir Ribeiro Borba é engenheiro eletrônico, com 45 anos de experiência no setor, fundador da empresa Terra Eletrônica, de São José dos Campos/SP, trabalha no segmento de TA, desde 1993, criador de muitas soluções em Tecnologia Assistiva para pessoas com deficiência (ex: a prancheta vocálica VOX_TABLE, a caneta leitora de símbolos gráficos, Lupas Eletrônicas, mouses especiais etc). Possui vários pedidos de patentes junto ao INPI.

“Lei Berenice Piana”

A

Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista já está em vigor, após publicação no Diário Oficial de 28/12/2012. A Lei Nº 12.764 ficou conhecida como “Lei Berenice Piana”, em alusão a uma mãe que lutou e articulou por essa legislação, e prevê a participação da comunidade na formulação das políticas públicas voltadas para os autistas, além de sua implantação, acompanhamento e avaliação. Apesar de não serem números oficiais, as estimativas chegam a 2 milhões de brasileiros, uma população calculada como três vezes superior à portadora de síndrome de Down. O termo “espectro autista” reflete a dificuldade em se compreender e reconhecer o problema, sendo portanto um “guarda-chuva” que abriga os diversos graus de severidade do distúrbio. Com a Lei, fica assegurado o acesso a ações e serviços de saúde, incluindo: diagnóstico precoce, atendimento multiprofissional, nutrição adequada e terapia nutricional, medicamentos e informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento, assim como o acesso à educação e ao ensino profissionalizante, à moradia, ao mercado de trabalho e à previdência e assistência social. Em casos de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular terá direito a acompanhante especializado durante as atividades realizadas no ambiente escolar. Para Ana Maria Serrajordia Ros de Mello, superintendente da Associação de Amigos do Autista (AMA), a situação mais grave é a das pessoas com autismo e dificuldades no autocontrole e, por isso, algumas vezes, com comportamento violento por serem ignoradas, apresentando riscos para os outros e para si mesmas. Para Alexandre Mapurunga, presidente da Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas com Autismo (ABRAÇA), ainda restou a questão se o Caput do Art. 7º, que não foi vetado, pode reduzir a pena para quem discriminar pessoas com autismo e outras deficiências no acesso à escola regular. “Vamos consultar os juristas para obter um parecer e ver qual o melhor encaminhamento com intuito de que os autistas e outras pessoas com deficiência tenham a proteção estabelecida na Lei 7853/89”, explica. “

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sensualidade

Modelo: Juliana Caldas DeficiĂŞncia: Nanismo Look: Candida Cirino Foto: Kica de Castro


Revista Reação - Edição 90  

Janeiro/Fevereiro

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