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artigo

A revolução das

marcas

Gustavo Moura

N

atal iminente, shopping formigando. Compras, compras, compras. É assim desde que a Revolução Industrial introduziu a fabricação em série e a Coca-Cola deu luz ao bom velhinho. Vivemos na era em que o acesso a produtos e serviços se torna cada vez mais possível a todos os níveis da pirâmide social. São milhares de opções, com marcas chancelando os produtos e produtos chancelando marcas. Mas, afinal, o que é marca? Marca é sentimento, é algo primitivo, que vem de dentro. Assim como em um relacionamento, temos uma ótica particular e íntima de uma marca. O jeito de falar, de se vestir, de se expressar, suas verdades e seus defeitos montam, em nossa mente e coração, um arquétipo único, bom ou ruim. Vivemos de relacionamentos. Qual marca você ama? Qual marca o inspira? Qual o segredo da Louis Vuitton? Como a Apple, além dos seus gadgets, construiu uma fábrica de sonhos? Analisando friamente, são apenas produtos industrializados em série. Contudo, por meio das experiências, surge o sentimento. Como em um relacionamento, podemos nos questionar sobre a verdade por trás do que compramos. Por meio de um clique, é possível descobrir que a verdade das marcas já não é mais aquela dos tempos de Marlboro, em que a promessa de uma vida jovial e aventureira seria realizada na tragada de um cigarro. A velha fórmula de publicidade morreu. Vender um mundo e entregar fundos já é

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atitude questionada pelo consumidor. Começamos a ver a realidade atrás das marcas e a nos indagar sobre a relevância entre o que elas falam e entregam. Mas a maturidade das marcas está apenas engatinhando. Nas prateleiras de opções, qual a sua marca preferida? Qual serviço você recomenda para o seu melhor amigo? Qual o nível de relevância daquele comercial da TV? Em um tempo em que verbalizamos nossos sentimentos, amores e amarguras a toque de dedo, as marcas perderam seu papel de inatingíveis. Ora, quem não odeia perder seu tempo, cada vez mais caro e precioso, ligando no call center? O resultado disso é que, cada vez mais, as empresas têm procurado, na sua essência verdadeira, influenciar consumidores com identidades inspiradoras e enxergá-los como seres humanos – e não mais como dados em uma tabela de Excel. Marcas fortes constroem relacionamento, admiração. Marcas fracas sucumbem às migalhas da precificação. E é nosso papel questionar, reclamar e cobrar. Diferente dos relacionamentos, estamos pagando por isso.

Gustavo Moura estudou Visuelle Kommunikation na Zuercher Hochschule der Kuenste (Suíça), tem especialização em Identidade Corporativa e em Inovação e Design Thinking pela ESPM (SP))

Zelo 22  

Vigésima segunda edição da Revista Zelo

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