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revista

Zás! Revista Zás! ● Edição Um | Outubro 2009


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Revista Z á

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José Saramago

Pela maneira como

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é uma voz que merec

revista

Zás!

lê o mundo, autor

bro 2009 | Agosto/Setem ● Edição Zero Revista Zás!

A cultura explorada de forma simples

Especial U2

Vik Muniz

Irmãos Coen

sica e do cinema

Lançamentos da mú


Editorial

Na edição número Um da Revista Zás você encontrará mais uma vez um conteúdo plural, eclético e que agrada a todos os gostos. Na matéria de capa, acompanhamos a história de Basquiat, que desafiou o racismo e se tornou um dos artistas plásticos mais respeitados do século XX, com ele o grafite alcançou o status de arte. Depois de 13 anos da morte de Renato Russo, o Zás! fez um especial sobre uma das bandas que marcaram o cenário do rock nacional, a Legião Urbana. Você verá também uma entrevista com Tatiana Cobbett e Marcoliva, a dupla que se reuniu com seu bando na Bendita Companhia. Você pode conferir também uma série de lançamentos de discos, de Maria Gadú à Children of Bodom. Na seção de cinema, um especial dedicado à Hayao Miyazaki, considerado um dos maiores animadores vivos, que utiliza técnicas tradicionais em seus desenhos. Ainda em cinema, um perfil do ator francês em ascensão Louis Garrel, e também os filmes que estarão rolando no circuito de cinema brasileiro. Na parte de literatura, descubra o projeto de abrasileirar a língua portuguesa feito por Mário de Andrade, um dos grandes autores de nossa cultura, e como a Reforma Ortográfica anda na contramão desse ideal. No perfil de George Orwell, você conhecerá as diversas faces deste autor, que além de romancista, foi um dos grandes relatores da Guerra Civil Espanhola. Veja também alguns lançamentos de livros e quadrinhos que o Zás! separou para vocês! No especial de arte, conheça um dos grandes mestres do surrealismo, Salvador Dalí, e como sua obra dialogou com a Guerra Civil Espanhola. E mais, veja a programação de teatro e as exposições que estão rolando na cidade de São Paulo. Fique a vontade para sugerir pautas e dar palpite no que quiser, a gente quer que o Zás! fique com a sua cara. Desejamos um bom passeio pela Revista Zás!

Ilustração de capa Daniel Kano Projeto Gráfico e Diagramação Artur Guimarães Reportagem Artur Guimarães Caio Valiengo Géssica Brandino Luisa Aguiar Mariana Buendia Sersi Bardari Samira Hidalgo Contatos artur@revistazas.com.br caio@revistazas.com.br www.revistazas.com.br

OUTUBRO 2009

revista

Zás!


capa

30

Basquiat: com ele o grafite alcanรงou o status de arte


Música

Sumário

06 42

Especial Legião Urbana: Os Filhos da Revolução 06 Perfil Tatiana Cobbett e Marcoliva 12

Você no Zás! Levante 28 ODUM 29

Cinema

Zás! Ouviu Mika 16 Ana Cañas 17 Ludov 18 Maria Gadú 19 Pearl Jam 24 Arctic Monkeys 25 Children Of Bodom 26 Diego Figueiredo 27

Especial O universo fantástico de Hayao Miyazaki 42 Perfil Louis Garrel 56

literatura

Especial O português brasileiro de Mário de Andrade 75

Lançamentos 82

Zás! Viu Na Selva das Cidades 90 O Endireita 92 Improvável 93

Zás! Leu Umbigo Sem Fundo 84 7 Vidas 86 O Endireita 87 O Prédio, o Tédio e o Garoto Cego 88

88

94

exposição

Especial Salvador Dalí e a Guerra Civil Espanhola 96 Em cartaz 106

Em Cartaz 94

teatro

Perfil George Orwell 78

OUTUBRO 2009

75

Zás! Viu Bastardos Inglórios 62 Distrito 9 66 Nos Cinemas 70 Tá Chovendo Hambúrguer 72 Um Namorado Para Minha Esposa 73


especial

!

: a n a b r U o Legiãs Filhos da Revolução O

arães e Géssica

Por Artur Guim

Brandino

os discos de ir e m ri p s o anos 70 saem molecada A . a rr te la No final dos g In Unidos e na s o d ta s E s o o novo som e m o punk n c a c lu a sileira fica m ir na cidade. rg u s da capital bra a m a ç e bandas com da garagem m e a uma série de s s la e d se rde, algumas letras crítica m o Anos mais ta c ís a p o conquistar e mais tarde u (q o ic tr e começam a lé E o idas. O Abort rc to is d s a rr al Inicial) e a it p a guita C e a n a m Legião Urb . se dividiria e ais evidentes m s a e tr n e stão Plebe Rude e


reprofução

Revista Zás! | outubro 2009

7


especial

!

Brasília, começo dos anos 80, quatro amigos inspirados por The Smiths, The Cure e Joy Division se reúnem para tocar juntos. Depois de algumas mudanças na formação a banda se apresenta, em 1983, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. O show rendeu o convite da EMI para a gravação do primeiro disco. Dois anos mais tarde, com Renato Russo nos vocais, Marcelo Bonfá na bateria, Dado Villa-Lobos na guitarra e Renato Rocha no baixo, a banda grava “Legião Urbana”. Por um lado, politizado, metralhando criticas para todos os lados, como em “Geração Coca-Cola”. Por outro, canções falando de amor, com uma verdade que conquistou românticos por todos os cantos. “Será”, “Ainda é cedo” e “Por Enquanto” não demoraram para ficar na ponta da língua dessa galera. O disco “Dois” chegou em 1986, vendeu mais de 1 milhão de cópias e possui hits, como “Eduardo e Mônica”, “Índios” e “Tempo Perdido”. O terceiro disco saiu em 1987 e trazia “Que País É Esse”, que logo se tornou um hino de protesto. O álbum também impressionou com “Faroeste Caboclo”. Foi a primeira vez na história do rock que uma música tão longa alcançou tanto sucesso. São 159 versos, divididos em mais de 9 minutos, sem refrões. A música, composta em 1979, narra de forma exemplar a história de João de Santo Cristo, um bandido que sai do Nordeste, muda-se para Brasília e se apaixonada pela jovem Maria Lúcia.

O maior sucesso do grupo veio em “As Quatro Estações”, lançado em 1989, que vendeu mais de 1,7 milhões de cópias e teve quase todas as músicas tocando sem parar nas rádios. “Pais e Filhos” e “Monte Castelo” estão entre as canções mais bonitas do álbum. O disco marca também a saída do baixista Renato Rocha. Pouco depois a banda termina as gravações de “V”, o álbum, considerado a obra-prima do grupo, contêm as sensacionais “Metal Contra as Nuvens” e “Teatro dos Vampiros”. “Descobrimento do Brasil”, de 1993, não tocou muito nas rádios, mas carrega algumas das composições mais maduras da banda. A crítica ácida de “Perfeição” e a bela “Vinte e Nove” se destacaram. O último álbum do grupo veio em 1996, quase um ano depois da banda anunciar seu afastamento dos palcos. O disco foi um dos mais inexpressivos na vendagem, mas músicas como “A Via Láctea”, “1º de Julho” e “Dezesseis”, estão entre as mais bacanas da banda. No dia 22 de outubro do mesmo ano, a banda anuncia o seu fim, onze dias depois da morte do líder Renato Russo. O trovador solitário O sucesso como artista não se repetiu na vida pessoal, vida esta que terminou precocemente e colocou ponto final na

Discografia

Legião Urbana

Dois

Que País É Esse

As Quatro Estações

01. 02. 03. 04. 05. 06. 07. 08. 09. 10. 11.

01. Daniel na Cova dos Leões 02. Quase Sem Querer 03. Acrilic on Canvas 04. Eduardo e Mônica 05. Central do Brasil 06. Tempo Perdido 07. Metrópole 08. Plantas Embaixo do Aquário 09. Música Urbana 2 10. Andrea Doria 11. Fábrica 12. Índios 13. Química

01. Que País É Este 02. Conexão Amazônica 03. Tédio (com um T Bem Grande Pra Você) 04. Depois do Começo 05. Química 06. Eu Sei 07. Faroeste Caboclo 08. Angra dos Reis 09. Mais do Mesmo

01. Sunday Bloody Sunday 01. Há Tempos 02. Pais e Filhos 03. Feedback Song for a Dying Friend 04. Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto 05. Eu Era um Lobisomem Juvenil 06. 1965 (Duas Tribos) 07. Monte Castelo 08. Maurício 09. Meninos e Meninas 10. Sete Cidades 11. Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar

(1985)

Será A Dança Petróleo do Futuro Ainda É Cedo Perdidos no Espaço Geração Coca-Cola O Reggae Baader-Meinhof Blues Soldados Teorema Por Enquanto

(1986)

(1987)

(1989)


existência de uma das maiores bandas do rock brasileiro. Foi no Legião que Renato Manfredini Junior popularizou o mito Renato Russo e influenciou, ainda influencia e continuará a influenciar gerações de músicos. Nascido no Rio de Janeiro, em 27 de março de 1960, se formou em jornalismo, mas o destino parecia já estar definido quando aos quatro anos ganhou o primeiro disco dos Beatles, e teve o primeiro contato com aquela que seria sua companheira inseparável: a música. Aos 15 anos, descobriu que sofria de epifisiólise, doença que o manteve na cama por dois anos. Nesse período, escreveu vários rascunhos em inglês para planejar o futuro musical na banda de rock imaginária, a 42nd Street Band. Aos 19, já recuperado, deu os primeiros passos, como cantor e baixista do grupo punk Aborto Elétrico, adotando o nome pelo qual se tornaria famoso: Renato Russo. A banda punk de Brasília durou apenas três anos e após a separação, Renato seguiu carreira solo. Dessa época, nascem músicas com um estilo mais folk, como Faroeste Caboclo e Eduardo e Mônica. Mas a carreira solo não era o que desejava e cansado de ser o “Trovador Solitário”, convida Marcelo Bonfá para formar uma banda. A história de sucesso conhecida por todos, fãs ou não, deve muito ao seu calculismo, obstinação e talento.

V

(1991) 01. Love Song 02. Metal Contra as Nuvens 03. A Ordem dos Templários 04. A Montanha Mágica 05. O Teatro dos Vampiros 06. Sereníssima 07. Vento no Litoral 08. O Mundo Anda Tão Complicado 09. L’âge D’or” 10. “Come Share My Life”

Descobrimento do Brasil (1993)

01. Vinte e Nove 02. A Fonte 03. Do Espírito 04. Perfeição 05. O Passeio da Boa Vista 06. O Descobrimento do Brasil 07. Os Barcos 08. Vamos Fazer um Filme 09. Os Anjos 10. Um Dia Perfeito 11. Giz 12. Love in the Afternoon 13. La Nuova Gioventú 14. Só por Hoje

A Tempestade

Uma Outra Estação

01. 02. 03. 04. 05. 06. 07. 08. 09. 10. 11. 12. 13. 14. 15.

01. Riding Song 02. Uma Outra Estação 03. As Flores do Mal 04. La Maison Dieu 05. Clarisse 06. Schubert Ländler 07. A Tempestade 08. High Noon (Do Not Forsake Me) 09. Comédia Romântica 10. Dado Viciado 11. Marcianos Invadem a Terra 12. Antes das Seis 13. Mariane 14. Sagrado Coração 15. Travessia do Eixão

(1996)

Natália L’Avventura Música de Trabalho Longe do Meu Lado A Via Láctea Música Ambiente Aloha Soul Parsifal Dezesseis Mil Pedaços Leila 1º de Julho Esperando por Mim Quando Você Voltar O Livro dos Dias

(1997)


especial

!

Como compositor, a inspiração por muitas vezes vinha da própria vida. Aos 18 anos, confessou à mãe que era homossexual, opção que tornou pública em 1990 para combater o preconceito. A canção “Vento no Litoral” foi feita para o ex-namorado Robert Scott Hickmon. O relacionamento durou pouco mais de um ano, o suficiente para que Renato contraísse AIDS, doença que não revelou aos pais e nunca assumiu publicamente. A carência o levou ao álcool e às drogas, o momento de turbulência foi evidenciado no álbum “V”, o mais melancólico do grupo. Em 1993, Renato Russo se interna em uma clínica, se livra do vício das drogas e da bebida e suas músicas recuperam a alegria. Durante a pausa da banda, produziu quatro discos, entre eles “The Stonewall Celebretion Concert”, referência a um bar norte americano onde aconteceu um levante gay em 1970, e “Equilíbrio Distante”, com músicas em italiano, feito em homenagem à família. A partir de janeiro de 1996, o Legião começa as gravações do álbum “A Tempestade”. Na canção “A Via Láctea”, Renato se despede dos fãs ao dizer: obrigado por pensar em mim. Com 20 quilos abaixo do peso, falece em 11 de outubro de 1996, mas sua arte permanece viva. O retorno? Muitos boatos rolaram pela blogosfera confirmando a retorno da Legião Urbana em uma série de shows pelo país. Durante a suposta turnê, vários vocalistas se revezariam para encarar por uma noite o lugar de Renato Russo. A fofoca estava tão grande que a banda resolveu colocar uma nota no site oficial desmentindo as especulações: “Qualquer informação sobre uma possível ‘volta’ da banda Legião Urbana é falsa. Não existe possibilidade alguma de uma ‘volta’ da banda Legião Urbana. Por decorrência, não existe Legião Urbana sem Renato, Dado ou Bonfá”, disseram os ex-membros da banda. Para finalizar a nota eles falaram sobre a tal turnê: “Caso ocorra a possibilidade da mencionada turnê, todos os envolvidos deixam claro que não será uma volta da banda Legião Urbana e que não há possibilidade alguma de alguém substituir Renato Russo, único como pessoa e como artista”. Mais claro que isso, impossível.

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a r p o d a e c e s r e õ u ç e a s m o s a l e a c d d e n r n i a , v s M a c m i e d b r : b . o e t ã s n om c e s . g s e a õ z t s sta e i v g su laai@re fa

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Foto:

Milton

Carelo

perfil

!


A Zás! conversou com Tatiana Cobbett e Marcoliva que presentearam o público com disco que flerta com os principais ritmos da música brasileira

Bendita Companhia

Revista Zás!: Como e quando ocorreu essa parceria (Tatiana | Marcoliva), o nome do disco é uma homenagem a esse encontro? Marcoliva: Essa parceria é da virada do século “faz tudo de novo – o milênio já virou!” Sem dúvida é uma homenagem a esse encontro, mas não apenas este. Encontrar, conhecer, conviver, trocar, gostar... fazer música (que é o que nos dá prazer) é um exercício contínuo. Neste caso, as benditas companhias se multiplicam e a arte também. E o nome Bendita Companhia é uma homenagem a todos estes amigos, os quais amamos e admiramos de uma maneira muito franca e serena. É o fruto do compartilhar da arte... Tatiana Cobbett: A parceria já corre por nove anos. A gente se conheceu em Florianópolis e, na ocasião, eu fazia a direção de um trabalho em que Marcoliva atuava como violonista e arranjador. Nossa empatia foi instantânea. Foi o Marcoliva quem me fez acreditar que eu fazia música. Nosso primeiro CD, chamado “Parceiros”, foi uma homenagem ao nosso encontro, já o “Bendita Companhia” reflete nossas andanças e encontros que partilhamos ao longo destes anos. RZ!: Como funciona o processo de composição? É algo que surge naturalmente? M: O processo surge no cotidiano, sempre naturalmente. Não é um processo onde sentamos e combinamos algo como: - bom agora vamos fazer algo assim ou assado. É vivência pura, é paixão, alegria e prazer. T: uma boa parte acontece naturalmente, mas você precisa ouvir muito, ler e estar atento e curioso com o mundo, para que este natural esteja sempre em efervescência. No nosso caso, gostamos de pensar juntos, partilhar a concepção e buscar valorizar o outro, com liberdade, com determinação, embora sem pré-determinar nada. RZ!: Os integrantes da banda são de diversos lugares do Brasil, vocês acham que se deve a isso a rica mistura presente no novo disco?

M: Primeiramente, vamos deixar claro que não existe “a banda”, somos “um bando” (risadas), um bando de apaixonados, cúmplices de um fazer artístico muito voluntário. Para nós, o conceito de parceria é o que sempre esteve em voga e, esta parceria, ocorre com todos os que integram este projeto. Sem dúvida, a rica mistura presente no disco é fruto de nossa busca, nosso desejo de cruzar a ponte e ampliar horizontes. Aprender e sermos aprendidos. É a abertura, é o ouvir o outro que torna possível e apraz. T: Credito a mistura ao fato de sermos todos compositores e uma banda ou um bando ao mesmo tempo. Ou seja, a particularidade de cada um aparece no coletivo e muito mais intensificada. Cada artista envolvido vem somar e interferir com seus saberes. RZ!: Quais grupos ou cantores(as) da MPB vocês sugerem para o público da Zás! conhecer? M: Tem uma porção de gente boa. Vou sugerir só uns poucos para estimular a curiosidade. Entre eles estão: Anaí Rosa, Lula Ribeiro, Badi Assad, Aline Muniz, Krystal, o pessoal do FelixFônica (aí já é banda - mas é um trabalho muito interessante). Outra sugestão é conhecer o Clube Caiubi de Compositores, ali temos muitos cantores, compositores, muita gente boa mesmo! O universo de artista é muito complexo, aí vale um trabalho de pesquisa e de curiosidade, deixo estas pérolas como sugestão. T: Tem muita gente bacana fazendo música boa neste nosso Brasil. Vou citar aqui a Krystal, o grupo Rosa de Pedra e o grupo Café do Vento, todos de Natal, uma turma de muita qualidade e responsabilidade também. Em São Paulo, sugiro Aline Muniz, que está com um trabalho de muito bom gosto. No instrumental, recentemente ouvi o trabalho do Célio Balona, de Belo Horizonte, um primor. Aqui da Ilha de Santa Catarina, ou seja Florianópolis, a turma do Tijuqueira, o grupo Coringa, a FelixFônica, o Alegre Correia, o Samambaia Saund, o Luís Meira. Enfim, tem de tudo e para todos, é buscar o acesso.

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perfil

Tatiana Cobbett e Marcoliva unem trupe e se aventuram por arranjos incrĂ­veis

Abençoada Parceria

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Bendita Companhia

(Tatiana Cobbett e Marcoliva)


Por Artur Guimarães

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Só mesmo uma parceria tão afinada pode se permitir passear por tantos estilos sem escorregar. Do forró ao choro, flertando com o samba e o rock, a dupla encanta e nos leva em suas 19 faixas em uma viagem pelos variados ritmos do Brasil. A banda base é composta por Tatiana Cobbett, Marcoliva, Rafael Calegari, Caio Muniz e Mauro Borghzan, com as participações especiais de Alessandro Kramer (Rio de Janeiro), de Jobert Narciso (Minas Gerais) e Anaí Rosa e Roberta Valente (São Paulo). Talvez a rica mistura presente no disco se deva ao fato do bando ser formado por músicos de todos os cantos do país: “Credito a mistura ao fato de sermos todos compositores e uma banda ou um bando ao mesmo tempo. Ou seja, a particularidade de cada um aparece no coletivo e muito mais intensificada. Cada artista envolvido vem somar e interferir com seus saberes”, explica Tatiana Cobbett. Os arranjos são belíssimos, a afinação entre os músicos encanta, como na bela instrumental “Doce Vale”. Destaque para “Chorei e Disse”, que passeia pelo samba e o choro de maneira exemplar. “Cor Nua”, tem um pézinho na bossa nova. Confira também: “Dois em Um”, “Missa de Domingo”, “Repente Deu”, “Xote Lindo”, enfim, o disco todo, vale muito a pena. O compositor, cantor e violonista Marcoliva conta que o álbum é uma produção independente, sem gravadora e com um total de duas mil cópias, que serão comercializadas durante os shows e também pela Internet (http:// www.sonoraparceria.com.br/ benditacompanhia).

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Zás! Ouviu

Mika

continua com tudo em segundo disco s

Por Artur Guimarãe

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lês, ou seria o novo disco do ing Ao terminar de ouvir Much”, a Boy Who Knew Tôo libanês? Mika, “The sobras do o álbum foi feito com e qu de é ão aç ns se eguiu a on Motion”, que cons anterior “Life in Carto s em um pia có is de 6 milhões de proeza de vender ma il. d fác Isso pirataria e downloa mundo afetado pela o primeiro tica, mas não é. Pois, crí a um r ce re pa de po orre é que nsacional. O que oc disco do cantor é se o novo , o que significa que não há nada de novo espontâneas divertidas, melodias álbum possui letras odução ter lvez, reflexo de a pr Ta . te an nç da mo rit e lls. s mãos de Greg We novamente ficado na logo de cara, cantor é marcante, A personalidade do com clipe Golden”, que já está na música “We Are que fizeram bemos as fórmulas rodando por aí, perce acontece o imediato. O mesm de Mika um sucesso a “Good e Girls” e na divertid com “Blame It On Th e “Dr. John”, e também para a lev Gone Girl”. Destaqu Eyes”, ” e para bacana “Blue para a dançante “Rain nte a na sio es io caribenha. Impr com uma levada me de o on ”, or , “Pick Up Of The Flo produção das belas nç uma ca ão o seu potencial em cantor mostra todo clima de lúdica “Toy Boy” e no cheia de doçura, na que possui , y” canção “Lover Bo cabaré acentuado na apenas é een e diz que o amor alguns traços do Qu l. uma reação superficia

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uch Too M w e n K

ações com ntor rendeu compar A voz poderosa do ca também a presença de palco Freddie Mercury, su rou dois o primeiro álbum ge é incrível, tanto que o disco DVD. E se, o segund registros ao vivo em artista, um a e afirma ou afund é mesmo aquele qu mais as amente, de ser apen Mika deixa, definitiv smo pra e mostra que veio me uma promessa pop com o disco notável semelhança a m co o sm Me ar. fic sicalmente stra que evoluiu mu anterior, o cantor mo do contribuir para o fim e que tem tudo para nário musical. “apocalypso” do ce


Ana Cañas

mostra faceta rock’n’roll

foto: Daryan Dornelles

Ana Cañas

Por Artur Guimarães Em 2007, Ana Cañas se destacou entre a boa safra de novas cantoras da música brasileira com o disco de estreia “Amor e Caos”. Muitos shows e elogios depois, a cantora formada em Artes Cênicas mostra sua faceta rock’n’roll no álbum “Hein?”. Produzida pelo experiente Liminha, Ana contou com parcerias de peso em seu segundo disco. Arnaldo Antunes compôs cinco das doze faixas do álbum e Gilberto Gil tocou o violão na música “Chucky Berry Fields Forever” de sua autoria. A canção “Esconderijo”, que já virou hit da novela das oito, ganhou um videoclipe dirigido por Selton Mello. Pelo jeito, as apresentações ao lado de Sergio Dias, Nando Reis e Paralamas do Sucesso injetaram, ou acenderam, a atitude roqueira na cantora. Só mesmo uma voz tão versátil para transitar entre diversos estilos sem deslizar em nenhum deles. Em “Aquário”, “Na Multidão” e “Gira” a cantora parece ter feito curso intensivo com Rita Lee. Por outro lado, a divertida “Na Medida do Impossível”, mostra que a levada jazzística permanece na veia da cantora e, a já citada, “Esconderijo”, com a bela simplicidade que só uma boa música pode ousar ter, mostra que os discos do Bob Dylan fizeram bem a cantora. O novo disco se diferencia do primeiro principalmente por possuir uma identidade definida, ele é todo rock’n’roll, Ana Cañas se desnuda de qualquer insegurança e solta a voz em canções cheias de atitude. Agora é esperar para assistir o novo show, a cantora domina o palco como ninguém.

(Hein?)

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Foto: Sharon Eve Smith

Talvez um dos obstáculos mais difíceis para uma banda seja a dificuldade de se reinventar. Algumas se arriscam e a experiência resulta em algo desastroso. Não é o caso do Ludov, a banda que nunca se copia. No caso do grupo as surpresas são sempre agradáveis e surpreendentes. E são essas as impressões ao terminar de escutar “Caligrafia”, o terceiro álbum da banda, que encanta em suas 19 faixas (sete delas apenas em formato digital). Em algumas das canções a sensação é a de enxergar o sorriso da vocalista Vanessa Krongold, como é o caso de “Desatar os Nós”, belíssima em sua simplicidade e difícil de parar de escutar. A faixa “Reprise” talvez seja a que se aproxima mais do Ludov que estamos acostumados, com sua bateria e teclados que caracterizam o som da banda. As influências na música popular aparecem na bela “Magnética”. Destaque também para a doce melancolia de “Antiquário” e para “Luta Livre”, que narra de forma divertida com ritmo ensandecido, a batalha entre a razão e a emoção dentro de alguém apaixonado.

Ludoravfia) (Calig

A banda mostrou com competência que nem todos sofrem da síndrome do terceiro disco. O Ludov “desata os nós” e grava o disco que define a banda em toda a sua pluralidade. É claro, sempre que há mudanças, tem gente que torce o nariz, mas vale a pena conferir o novo trabalho da banda para tirar as próprias conclusões. Não deixe de ouvir as sete faixas que estão “escondidas”, apenas disponíveis na Internet. Você pode ouvir o disco, na íntegra, no site da Mondo 77.

Por Artur Guimarães

Ludov

espanta crise do 3º disco

Zás! Ouviu

!


reprodução

Maria Gadú

conquista por seu talento e simplicidade Por Artur Guimarães Com seu jeito meigo, a cantora Maria Gadú, de apenas 22 anos, lança o primeiro disco da carreira, onde compôs nove das doze faixas. E, não é a toa que ela recebeu elogios de nomes como Milton Nascimento, Gilberto Gil e Ana Carolina, a jovem fez um disco incrível, produzido pelo sensível Rodrigo Vidal. Em contato com a música desde criança, Gadú escreveu a bela canção “Shimbalaiê” com apenas 10 anos de idade, música que descreve uma paisagem com a simplicidade e beleza que só mesmo a cabeça de uma criança poderia imaginar. Esse é o espírito do disco de estreia de Gadú, onde a doçura de criança transborda com maturidade de gente grande. A cantora explica a facilidade de passear por vários estilos pelo ecletismo desde a adolescência, quando ouvia de Cartola a Backstreet Boys. Essa pluralidade se reflete no álbum, onde Gadú faz uma versão madura da canção “Ne Me Quitte Pas”, composta e cantada por Jacques Brel, ao mesmo tempo em que brinca na divertida “Baba”, da Kelly Key. O pézinho no samba aparece na incrível “Alta Particular”. A versatilidade manifesta-se em “Tudo Diferente”, uma das mais bacanas no disco.

Maria Gadú

(Maria Gadú)

Destaque para o belo solo de baixo em “Laranja”, executado de maneira sublime por Arthur Maia, músico experiente que já gravou com Marisa Monte e Gilberto Gil. Em “A História de Lilly Braun”, a jovem faz bonito ao modernizar de maneira competente a música de Chico Buarque e Edu Lobo. A verdade é que o disco é incrível. Antes de descer à Terra, Maria Gadú deve ter passado na fila do talento uma centena de vezes.

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Depois de 13 anos, os membros remanescentes do Alice in Chains lançam um novo disco. A semelhança da voz de William DuVall com a do falecido Lane Stanley impressiona. A banda voltou oficialmente em 2004, o som continua poderoso, a diferença está nas letras, cheias de esperança e muito longe do clima de pessimismo e depressão presente nas antigas composições do grupo. O disco começa nervoso com “All Secretrs Know”, e segue com “A Looking in View”, primeiro single do álbum. “Your Decision” lembra as baladas acústicas do Nirvana. Outro bom momento é na parada “When the Sun Rose Again”. Elton John é o convidado especial em “Black Gives Way to Blue”, canção que dá nome ao álbum, uma homenagem a Stanley que faleceu em 2002. Mesmo os fãs mais chatos vão se render a voz versátil de DuVall. (AG)

Mariah Carey (Memoirs Of An Imperfect Angel)

Em seu segundo disco, a beldade Scarlet Johansson mostra que não está a fim de se aventurar por música fácil e comercial. O curioso é que o álbum estava pronto antes da atriz se lançar como cantora em “Anywhere I Lay My Head”, onde regravou músicas de Tom Waits. O cantor e compositor Pete Yorn escreveu as músicas em 2006 e convidou Scarlet para participar da brincadeira. “Break Up” tem bons momentos em “Someday”, na faixa de abertura “Relator” e na bonitinha guti-guti que gracinha “I Don’t Know What To Do”. A atriz se dedica aos vocais de maneira despretensiosa, sua voz não se destaca, mas Scarlet mostra que respeita as suas limitações e parece se divertir. O disco chama atenção pela simplicidade e sinceridade da proposta, conta o fim de um relacionamento sem ser piegas, nem pedante. (AG)

Alice in Chains (Black Gives Way To Blue)

Pete Yorn & Scarlett Johansson (Break Up)

Jet (Shaka Rock)

A princípio, o novo disco do Jet parece arrasador, mas só parece. As músicas incomodam pela repetição, o disco é homogêneo demais. O álbum soa bastante comercial e está longe do som da banda australiana que a gente espera. O novo álbum carrega as mesmas falhas do segundo disco do grupo “Shine On”, lançado em 2006, o Jet de “Get Born” empolgou muito mais. Mesmo assim o terceiro disco foi só uma escorregada, os caras tem potencial pra fazer muita coisa bacana ainda. Só mesmo a canção “She’s a Genius”, que já ganhou clipe, se salva, com a pegada suja e simples e refrão que gruda na cabeça.“Times Like This” e a música “La Di Da”, influenciada no pop britânico, até que são bacanas. A mensagem direta de “Goodbye Hollywood” também tem seus momentos interessantes. (AG)

O novo álbum vazou na internet, o que fez a cantora disponibilizar aos fãs todas as músicas em seu Myspace. Com seus berros e firulas, a cantora fez um disco respeitável. De volta à velha forma, com sua voz poderosa e postura de Diva. Alguns juram que o já hit “Obsessed” faz referência ao desafeto Eminem. Algumas canções contam experiências que parecem ter sido tiradas do diário de uma adolescente “Betcha Gon Know”, “Angels Cry” e “The Impossible”. A voz da cantora continua incrível e impressiona que depois de tanto tempo ela ainda consiga cantar com sinceridade. As influências na nova R&B norte-americana estão presentes, o que mostra que Mariah não parou no tempo. Nos dias 23 e 24 de outubro, Mariah fará dois shows no Rio de Janeiro para apresentar o novo disco ao público brasileiro. (GB)


Impressionante a ousadia de Céu em “Vagarosa”, seu segundo disco. Entre a boa safra de cantoras, sem dúvida, Céu é a que se permitiu experimentar mais. Algumas das músicas parecem surgir de inspirados improvisos comandados pela voz segura da cantora. O novo trabalho flerta com diferentes ritmos com competência ímpar. O samba se mistura ao reggae em “Sobre O Amor e Seu Trabalho Silencioso (Ou Intro do Cangote)”, faixa que abre o disco. A música eletrônica aparece em “Cangote”, o reggae pinta em “Comadi”. Destaque também para “Rosa Menina Rosa”, de Jorge Ben Jor, que ganhou um arranjo original. Luiz Melodia dá as caras na deliciosa canção “Vira Lata”. Céu mais uma vez hipnotiza com sua voz marcante e músicas levadas por percussão vibrante em elaborados arranjos instrumentais. (AG)

Muse (The Resistance)

Depois de se firmar como uma das grandes vozes da MPB, Ana Carolina lança “Nove”, que apesar de não ter a energia de alguns dos trabalhos da cantora é feito com um cuidado notável. Os temas das canções, como de costume, são desencontros amorosos e corações partidos. O álbum abre com a canção “10 minutos”, uma espécie de tango moderno que funciona. “8 Estórias” fala de relacionamentos passados de forma bastante original. “Torpedo” é um samba gostoso cheio de aparatos eletrônicos composto pela cantora em parceria com Gilberto Gil e Mombaça. “Nove” termina com a música “Traição”, com uma pegada jazzista incomum no repertório da mineira. A falta de refrões pegajosos pode dificultar que as músicas virem hits, mas quando se trata de Ana Carolina, sempre vale a pena conferir. (AG)

Céu (Vagarosa)

Ana Carolina (Nove)

Creed (Full Circle)

Foto: Marcelo Gomes

E não é que o Creed está diferente! Calma, calma, o apelo com as baladas pop continua, mas as músicas não ficam na cabeça. O disco não empolga em momento nenhum, se você se enquadra entre os fãs que esperavam por algo bacana depois de seis anos sem lançar nada, não se anime. O Scott Stapp afirmou por aí que a banda nunca esteve tão unida e que o disco não é um reencontro, mas um renascimento. Preferia muito mais a banda de antes com uma pegada mais rock. O disco dá sono, parado demais, lento demais. Me recuso a destacar alguma música, escolha qualquer uma, são todas muito parecidas mesmo. O Creed, infelizmente, deixou o pedal de distorção de lado e resolveu abusar do violão. Nem a voz incrível de Scott salva o disco, deprê demais pro meu gosto. Acho que o álbum “Full Circle” não decola não. (AG)

Desde “Absolution”, lançado em 2003, a mídia especula sobre o quinto trabalho dos ingleses do Muse. Demorou, mas enfim, “The Resistance” chegou. E o trio mostra que merece o lugar de destaque que conquistou. As faixas “Resistance” e “United States of Eurasia”, onde rola até um trecho de um clássico do Beethoven, falam de teorias da conspiração. O vocalista Matt Bellamy está cada vez melhor na guitarra, como podemos ouvir na canção “Guiding Light”. Destaque para “Exogenesis”, dividida entre as três faixas que fecham o álbum, com elementos do rock progressivo e com a participação de mais de 40 músicos. A banda mostra que está cada vez mais segura na hora de compor. Quem curte o som da banda, vai achar o disco incrível. E, quem não ouviu Muse ainda, já está na hora. (AG)


Valeu a pena esperar. Depois de cinco anos na geladeira entre uma gravadora e outra, Pedro Mariano lança Incondicional, sexto disco da carreira. O intérprete contou com seus parceiros habituais na hora de escolher as músicas para o disco. Jair Oliveira cedeu “Memória Falha” e “Colorida e Bela”, canção cheia de alma, uma das melhores letras do disco; Jorge Vercilo escreveu “Quase Amor”, que ganhou a bela versão de Mariano. A novidade em Incondicional é a presença de compositores como Samuel Rosa e Chico Amaral em “Simplestmente”; do genial Paulinho Moska em “O Jardim do Silencio”; e de Lulu Santos e Marcos Valle que escreveram a canção “Próxima Atração”. Pedro Mariano faz músicas acessíveis, urbanas, pra se ouvir em qualquer ocasião, flerte maduro entre a bossa e o soul. (AG)

Regina Souza (Outonos)

Em “Brand New Eyes”, o Paramore parece ter diminuído a intensidade do pedal de distorção e apelado por um som mais limpo. O resultado agrada bastante, a produção ficou nas mãos de Rob Cavallo, conhecido pelo trabalho ao lado do Green Day. O guitarrista Taylor York acabou de integrar a banda e já colaborou com quatro composições. O álbum começa cheio de energia com “Careful” e segue com a ótima “Ignorance”, primeiro single do novo trabalho. Depois de surgir como promessa, o grupo amadurece e mostra que está com os pés no chão. A sintonia impressiona, destaque para a bela voz de Hayley Williams nas baladas “The Only Excpetion”, “Playing Gog” e “Misguided Ghosts”. Sem dúvida os fãs da banda vão pirar com o novo disco, que no geral é muito bacana. (AG)

Pedro Mariano (Incondicional)

Paramore (Brand New Eyes)

Infected Mushroom (Legend Of The Black Shawarma)

Foto: Marcelo coelho

Os DJs israelitas Erez Eisen e Amit Duvedevani lançam “Legend of the Black Shawarma”, sétimo disco do projeto “Infected Mushroom”, que virou referência do goa trance. A mistura inclui break com psy, hard rock com trance melódico e flerta com o folk em músicas que dão vontade de sair dançando adoidado. Jonathan Davis, do Korn, empresta os vocais para “Smashing the Opponent”. Outro roqueiro que deu as caras, ou melhor, a voz, foi Perry Farrel, do Jane´s Addiction, na música “Killing Time”. O álbum é psicodelia pura do início ao fim. A divertida “Poquito Mas”, cantada pelo E.T. de Varginia abre o disco, e a viagem só termina com uma versão inusitada de “Riders on the Storm”, com direito a participação, direto do além, de Jim Morrison. (AG)

A mineira Regina Souza volta em “Outonos”, segundo álbum da carreira. O disco, lançado em 2008, com produção independente, sai agora pela Biscoito Fino. Regina mostra que além de mandar bem nos vocais possui talento na hora de compor. Das 12 faixas que formam o disco, seis foram escritas pela cantora. “Eu e Você”, parceria de Regina com Flávio Henrique, é apenas o começo de uma experiência incrível. “A Estrada”, do Cidade Negra, ganha uma versão deliciosa, com toques da Bossa Nova. Em “Desde Que Te Perdi”, a mineira canta a versão de Paulinho Moska para a canção de Kevin Johansen, bonito demais. Preste atenção para uma participação mais do que especial em “Quem Sou Eu”. Do samba ao bolero, passando pelo fado e pelo xote, o disco encanta por sua qualidade. Sensacional! (AG)


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Pearl Jam com gás de

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24 Revista Zás! | outubro 2009

Por Artur Guimarães “Backspacer”, novo disco do Pearl Jam, é o primeiro álbum lançado independente, pelo selo Monkeywrench Records, criado recentemente pela banda. O nome do disco é uma homenagem a um tipo de máquina de escrever que entrou em desuso nos anos 50. O vocalista Eddie Vedder é famoso por usar máquinas de escrever para criar cartas e canções. E, é exatamente esse espírito de liberdade e saudosismo que marca o nono álbum da carreira da banda. A vontade de voltar as origens se intensificou na escolhe do produtor Brendan O’Brien, o mesmo dos discos “Vs.” (1993) e “Yield” (1998). “Gonne See My Friend”, “Supersonic” e “Supersonic” são energia pura do começo ao fim, a banda se redescobre e as canções têm uma leve pegada dos punks que dominaram os porões ingleses quando o estilo surgiu. As letras cabeça ficam registradas em “Among The Thieves” e “Just Breath”, que possui uma delicada aura country. Destaque também para o primeiro single “The Fixer”, com letra otimista e apelo mais pop. O interessante do álbum é que ele é bom e empolga mesmo sem os refrões que grudam na cuca. O Pearl Jam mostra segurança ao mesmo tempo em que parece se divertir como uma banda de adolescentes, a maioria das músicas serviria como trilha perfeita para os games da franquia Tony Hawk. Assista ao clipe de “Fixer” e tente discordar. Mesmo longe de discos geniais como “Ten” (1991), em “Backspacer” a banda, que está prestes a completar duas décadas de existência, prova que ainda tem gás e Vedder mostra que sua voz é imune à passagem do tempo. Só é uma pena o disco ser tão curto, pouco mais de meia hora.


Arctic Monkeys

Por Caio Valiengo

o som poderoso do

Em meados de 2005, os Arctic Monkeys alcançaram fama mundial com o compartilhamento de suas músicas pela Internet. Em 2006, a banda lança seu primeiro álbum, “Whatever People Say I Am, That’s What I Am Not”, mostrando um som rápido, com um rock’n’roll despojado, e letras sem pretensão. Em 2007, o segundo álbum “Favourite Worst Nightmare” seguiu a mesma linha de seu anterior, afirmando o espaço da banda no cenário musical mundial. Em agosto deste ano, os Arctic Monkeys lançam seu terceiro álbum, apontando uma outra direção na carreira da banda. “Humbug” deixa um pouco de lado o estilo indie da banda, e apresenta músicas mais trabalhadas e psicodélicas. As guitarras rápidas e com acordes simples foram trocadas por um som mais cheio, com toques de psicodelismo constantes. A bateria de Matthew Helders, que antes apenas acompanhava as músicas, agora está mais presente e dá o ritmo na maioria das canções. O fato é que o som dos caras está diferente, o que irá agradar muito alguns, e desagradar muito outros. A faixa “My Propeler” abre o álbum já nos indicando o que podemos esperar, com um refrão hipnótico e backing vocals sombrios. Destaque para as músicas “Crying Lightining e Pretty Visitors”, duas das melhores do CD. “Dangerous Animals” nos lembra mais dos sons dos álbuns “antigos”. Os caras do Arctic Monkeys amadureceram, e o mesmo aconteceu com seu som, e o resultado disso foi um disco diferente, mas que agrada muito e não enjoa.

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Zás! Ouviu

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Children Of Bodom

(Skeletons In Th e Closet)

Covers

Pesados Por Artur Guimarães Quando veio a notícia de que o Children of Bodom gravaria um disco de covers, veio logo na cabeça: Vem coisa boa por aí! E não é que veio mesmo? “Skeletons in the Closet” é o disco mais punk dos músicos da Finlândia. O som continua nervoso, mas com uma pitada de bom humor que agrada bastante. O disco começa com uma versão punk de “Lookin’ Out My Back Door”, do Creedence Clearwater Revival, com direito a solinhos country e vários “ai ai ai”. O melhor momento está em “Somebody Put Something in My Drink”, dos Ramones, onde o vocalista Alexi Laiho

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está com uma pegada que lembra o Alice Cooper. O sepultura foi lembrado em “Mass Hypnosis”, e o Slayer é homenageado com “Silent Scream”. Algumas das versões já eram conhecidas do público, como é o caso da nervosa “Aces High”, do Iron Maiden e, pasmem, da divertida “Ooops!… I Did It Again”, da Britney Spears, a mesma música esconde a faixa “Waiting”, do King Diamond, ouça até o final para conferir os falsetes de Laiho. Para quem gosta o som do Children, é uma boa oportunidade para ouvir versões bacanas das músicas que os caras curtem.


Instrumental

técnica e genialidade em disco

A primeira vez que ouvi o trabalho de Diego foi quando o guitarrista acompanhava o Belchior, fiquei impressionado com a sensibilidade ímpar do músico aliada à técnica de deixar de queixo caído. Não é a toa que com apenas 28 anos, o brasileiro já arrancou lágrimas de George Benson e elogios de feras como Roberto Menescal e Paulinho Nogueira.

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foto: Jo

Diego Figuei

ão Henriqu

e Steffe

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Em “Vivência”, seu oitavo disco, Diego Figueiredo mostra que continua afinado. São 12 composições autorais executadas ao lado de Eduardo Machado (baixo) e Fernando Rast (bateria). Cada nota está em seu devido lugar, as várias horas com a guitarra no colo renderam ao músico uma técnica impressionante. Destaque para a canção “Vivência”, que abre e empresta o nome ao disco. Em “Bola Sete”, com uma pegada deliciosa de samba, o guitarrista mostra que o ritmo tem tudo a ver com o jazz. “Picote”, deve deixar Pat Metheny com uma dorzinha no cotovelo. “Paschoa” é a mais acelerada do disco, e Diego esbanja toda sua genialidade. Diego passa a integrar, definitivamente, sua posição entre os guitarristas brasileiros, como Toninho Horta e Nelson Faria, que conquistaram o mundo por sua forma impressionante de conduzir o instrumento. Palmas para a Biscoito Fino, que mantêm uma qualidade invejável em seus lançamentos.


vc no Zás!

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divulgação

Levante

Por Artur Guimarães

Hardcore com fundamentos do Hare Krishna “Bondade, Paixão e Ignorância”, o primeiro EP lançado pela banda Levante, detona em suas letras toda a revolta pela desigualdade e caos vividos pelo homem contemporâneo, com puro hardcore de contestação. O EP tem quatro faixas e possui uma edição deluxe que traz o livro “Valores da Liberdade”, com conceitos e fundamentos Hare Krishna, uma das grandes influências da banda que pode ser encaixada nas prateleiras de Krishnacore junto com o Shelter, Cro-Mags, Veil, 108, entre outros. Recentemente, a banda lançou a promo “War On Illusion”, com duas versões da música, uma em inglês e outra em português. Segundo o baixista Misael, o nome da banda é uma convocação para que as pessoas acomodadas levantem-se e lutem por algo melhor em todos os sentidos. A história da banda Levante se relaciona

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bastante à do Cro-Mags, banda Krishna que nasceu em uma das regiões mais violentas de Nova York nos anos 80. Isso porque o Levante foi criado no extremo da Zona Sul de São Paulo, local considerado extremamente violento e com altos índices de criminalidade. Com um som bastante particular, hardcore oldschool aliado a guitarras melódicas, o Levante, banda formada por Nono (bateria), Testa (guitarra), Bhakta Hugo (vocal), Bhakta Jéferson (guitarra) e Bhakta Misael (baixo), está em estúdio, ensaiando para a gravação do primeiro disco full-lenght, que deve sair ainda no segundo semestre de 2009. Você pode ouvir o som da banda ou obter mais informações no MySpace (http://www.myspace.com/ levantehardcore), ou ver mais imagens no fotolog (http:// www.fotolog.com/levante_hardcore) do grupo.


Foto: Liezel Rubin

ODUM

Por Artur Guimarães

Uma porrada brasileira em Los Angeles

Em 2005, a banda ODUM é formada pelos amigos Rob ‘Z’ Zeinum (vocal | guitarras) e Gus Conde (bateria), brasileiros da cidade de Santos. Para completar a formação 3 músicos dos Estados Unidos, onde figuram a maior parte dos fãs da banda. Com sonoridade marcante, misturando a arte da música pesada com elementos naturais das mais variadas influências, a banda lançou no mesmo ano o EP “Forever”, com produção de Steve Tushar que já trabalhou com bandas como Korn e Megadeth. O grupo se dividiu em 2006, quando o guitarrista Diego Verduzco foi convidado para ingressar a banda Ill Nino. No início de 2008, Rob e Gus, únicos remanescentes da formação original se reuniram para compor e,

sozinhos, gravaram três músicas (“InnerSense”, “MySkin” e “Forever”), produzidas pelo músico alemão Ralf Krashkarma. O segundo EP foi lançado em março 2009 e recebeu o nome da banda. No início do mês a banda anunciou oficialmente, a mais nova integrante. Liz B. é a baixista escolhida durante audições realizadas nos últimos meses no estúdio do grupo, radicado em Los Angeles, Califórnia. Atualmente, a banda está em estúdio finalizando novos sons enquanto promove, dessa vez, testes com guitarristas visando o início da próxima turnê norteamericana, que marcará a volta oficial da banda aos palcos. O som do ODUM pode ser conferido no MySpace (http://www.myspace.com/odummusic) e as novidades pelo Twitter da banda (www.twitter.com/odummusic).

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Por Sersi Bard

t a i u q s Ba e t r a e d s u t a t s ou o ç n a c l a e t i f a r g o

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O grafite está em alta. De arte de rua, saltou para as galerias e, destas, chegou aos museus. Considerada por alguns como vanguardista, essa forma de manifestação é tão antiga quanto a idade da pedra. As pinturas rupestres feitas nas cavernas pelos homens primitivos nada mais são do que exemplos de grafites, que simbolizam o modo de vida da época. Por utilizar o espaço urbano como suporte, o grafite é muitas vezes confundido com pichação, embora seja bem diferente desta. A pichação tem como base a escrita, dá destaque à letra, à palavra. Já o grafite busca referências nas artes plásticas. Trabalha com a forma, o volume, a perspectiva, a cor, entre outros recursos. A prática de grafitar muros e paredes com inscrições de teor poético ou político ganhou impulso em maio de 1968, na cidade de Paris, a partir de onde explodiram no Ocidente os movimentos de contracultura. Inconformados com os rumos do capitalismo, jovens de vários cantos do planeta, munidos de tinta spray, foram às ruas expressar sua insatisfação.

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De lá para cá, grafites de vários tipos e estilos eclodiram nas vias públicas como voz eloquente contra os privilégios das minorias elitistas, dominantes nos mais diversos setores da sociedade. Associados a diferentes movimentos e tribos urbanas, como o hip-hop, o grafite por muito tempo foi interpretado como transgressão, até se transformar em fenômeno compreendido e incorporado pelo mainstream. Assim também ocorreu por aqui. Tanto é que, nas principais cidades brasileiras, o grafite faz parte da paisagem e já foi exposto em muitos museus. Nos grandes centros urbanos do país, convive-se com pinturas de artistas de renome internacional. OsGemeos, Nunca, Nina, Finok e Zefix são alguns dos mais famosos, com trabalhos em vários lugares do mundo. Mas se o grafite despontou em meio à cultura marginalizada e atingiu o status de


Um dos pioneiros da chamada street art e, certamente, o mais célebre grafiteiro de todos os tempos, Basquiat tornou-se lenda ao passar feito meteoro pelo cenário artístico de Nova York e revolucionar o modo de ver a pintura nos Estados Unidos da América. Apadrinhado por Andy Warhol, pai da pop art, com quem compartilhou amizade e até mesmo a produção de vários trabalhos, Basquiat começou a pintar telas, e, de mero pichador, passou a ser considerado representante privilegiado de uma escola chamada neoexpressionista. A partir de então, os trabalhos do artista receberam, por parte da crítica especializada, o rótulo de “primitivismo intelectualizado” e, em apenas três anos, de 1982 a 1985, conquistaram marchands, compradores e ganharam espaço em importantes galerias e museus dos Estados Unidos, Canadá, Holanda, Alemanha e Japão.

Por que grafite?

arte, deve isso em grande parte à figura de JeanMichel Basquiat.

A palavra grafi te ou grafito vem do termo italiano graffit i, plural de graff ito, utilizada desd eo Império Roma no para designar inscri ções, verbais ou não-verbais, realizadas em suporte previa mente não destinado para essa finalidad e.

Tragédia, rebeldia e genialidade Tanto a vida quanto a obra de Jean-Michel

s a n a b r u s Tribo

tilizada Expressão u ferência para fazer re pessoas, a grupos de jovens, geralmente , com hábitos urais, valores cult por preferência ais e/ou estilos music olíticas ideologias p s. semelhante os Algumas trib -se à contrapõem l vigente, ordem socia utras enquanto o zam se caracteri gidas por serem re apenas por omuns. interesses c

Basquiat foram marcadas por polêmicas, tragédias, atos de rebeldia e de genialidade. Ainda na infância, desenhava caricaturas e reproduzia desenhos animados dos programas de televisão. O passatempo favorito desse afro-descendente crescido no Brooklyn era freqüentar o MOMA – Museu de Arte Moderna, em Manhattan. De origem caribenha, Jean-Michel nasceu em família de classe média alta. Era o mais velho dos três filhos de Gerard Jean-Baptiste Basquiat, ex-ministro do interior do Haiti que emigrou para os Estados Unidos, onde se tornou proprietário de grande escritório de contabilidade. A mãe, Mathilde Andrada, tinha origem portorriquenha. Aos sete anos de idade, Basquiat sofreu um acidente que, por obra do acaso, o aproximou ainda mais da arte. Foi atropelado e submetido a uma operação no baço. Para distraí-lo durante o

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Mainstream

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A tradução literal para o português do termo inglês mainstream é corrente principal. De uso frequente no Brasil, a palavra é empregada para fazer menção ao pensamento e gosto comuns da maioria da população, especialmente no que se refere a produtos e serviços colocados no mercado pela chamada indústria cultural.

tempo em que ficou hospitalizado, a mãe deu a ele o clássico livro de anatomia Gray´s Anatomy. A obra não só o influenciou nas futuras pinturas que faria de corpos humanos, como na escolha do nome da banda que criaria em 1979: Gray´s, cujo repertório era baseado nos ritmos latinos de Porto Rico e do Caribe. Apesar de ter nascido e crescido em Nova York, a cultura latina estava muito presente na formação de Basquiat, especialmente por ter vivido em Porto Rico entre os 15 e 17 anos de idade, após o divórcio dos pais. Em 1976, de volta à cidade natal, tentou, mas não conseguiu se adaptar aos estudos formais. Abandonou a escola, saiu de casa para morar com amigos, e passou a pintar camisetas, que vendia nas ruas. Foi nessa época que, junto com o artista gráfico Al Diaz, começou a espalhar grafites nas paredes,


Embora não dominasse técnicas do desenho clássico, o grafiteiro criou um estilo figurativo próprio. Suas pinturas, presentes em lugares inusitados, logo causaram forte impacto, especialmente pela rudeza e nervosismo dos gestos. O efeito de estranhamento, vigoroso e ao mesmo tempo intrigante, que emerge dos traços do artista logo chamou a atenção da imprensa. Sua carreira estava começando. Basquiat passou a aparecer em um programa de TV a cabo e foi convidado a participar do filme Downtown 81, que relata o modo como ele buscava a sobrevivência, inserido em um contexto cultural que misturava hiphop, new wave e o próprio grafite.

Pop art

artístico Movimento os surgido n 960, na anos de 1 , cujos Inglaterra s expoente principais a recusavam arte/ separação cterística vida, cara da da chama rna. arte mode ais Os princip críticos artistas e s da pop entusiasta diam arte defen o de a utilizaçã s da elemento cultural indústria ra de e da cultu mo fonte massa co ç ã o, de inspira e/ou motivação a rima para matéria p o de obra construçã de arte.

Hip-hop

portas, nos muros e metrôs da cidade, todos assinados com a marca SAMO, abreviatura de “same old shit” (mesma velha merda). A essas alturas, Basquiat já havia assumido sua condição de excluído, em uma sociedade até então extremamente racista, e passado a viver nas ruas.

Movimento cu ltural iniciado nos ba irros pobres de Nova York como decorrên cia da introdução do RAP nos Estad os Unidos. O RAP, forma abreviad a da expressão rhyt hm and poetry (rit mo e poesia), surg iu na Jamaica na década de 196 0e foi levado para os EUA no começo dos anos 1970. De lá, espalhou-se p elo mundo. Quatro elementos faze m parte da cultura hip-hop. São e les: os DJs, ligados diretamente ao rap; os MCs, q ue mandam mensa gens pelo microfone ; os B.Boys, que da nçam no compasso d o rap, e os graffers, q ue escrevem e pin tam em muros e pa redes das vias públic as.

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Andy Warhol

Artista plástico norteamericano, nascido na cidade de Pittsburgh, Pensilvânia, tornou-se famoso a partir dos anos 1960, ao utilizar motivos e conceitos da publicidade na produção de suas obras. As serigrafias de Warhol ficaram conhecidas por apresentar reproduções em série de latas das sopas Campbell, de garrafas de Coca-Cola e de rosto de pessoas conhecidas como Marilyn Monroe, Elvis Presley, Elizabeth Taylor, Che Guevara, entre outros ícones.

A fama trouxe dinheiro, convívio com pessoas famosas e o namoro com uma até então desconhecida cantora de nome Madonna. Foi quando conheceu Andy Warhol, que ofereceu a ele espaço e material de trabalho, além de ajudálo a divulgar sua arte. Com isso, a vida de artista marginal estava definitivamente encerrada. Nas últimas intervenções nas paredes da cidade, Basquiat decretou: “SAMO is dead” (Samo morreu). O ex-grafiteiro tinha virado celebridade. Sentimento de exclusão Segundo Miguel Westerberg, artista plástico português radicado em São Paulo, Jean-Michel Basquiat “foi o último dos grandes artistas plástico da América do norte”. Junto com Warhol, ele deu “ forma a uma nova linha de pensamento dentro da arte, quebrando de uma vez por todas com todos os tabus impostos até então pelos júris de salão”.

o para Termo usad ma descrever u edade de grande vari entos desenvolvim ais musicais, m comumente o associado a da movimento ular dos música pop Unido, EUA, Reino ustrália Canadá e A anos no final dos dos 1970 e início que anos 1980, ma se iniciou co ock de cena Punk R estilo New York. O com é misturado ros, outros gêne thpop s e n d o o Sy n cípais, um dos prin tar com além de con Rock, o Po p , P u n k Music, Funk, Disco e, Ska e Mod, Regga Glam Rock.

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A arte de Basquiat, feita de rabiscos, escritas enigmáticas, pinceladas rápidas e nervosas, retrata personagens esqueléticos, rostos apavorados ou mascarados, prédios, carros, cenas da vida urbana, ícones negros do boxe e da música, sempre em telas grandes e cores muito fortes. O homem negro, em meio a composições caóticas, é uma constante em seus trabalhos, talvez como forma de expressar o sentimento de exclusão, que, ao que tudo indica, carregava na alma. Mesmo no auge da fama, Basquiat apresentava comportamento excêntrico e praticava excessos de vários tipos, em resposta ao que entendia como racismo exacerbado da sociedade norteamericana. A partir da morte do amigo e protetor Andy Warhol, em 1987, tornou-se depressivo, fato que se refletiu em suas pinturas. A crítica especializada deixou de ser unanime com relação à qualidade da obra do artista. Solitário e melancólico, Basquiat começou a abusar do consumo de drogas. Em agosto de 1988, morreu por overdose de heroína, antes de completar 28 anos de idade. A partir de então, obras do acervo do artista estiveram presentes nas mais importantes mostras de arte do mundo. No Brasil, Basquiat foi homenageado com uma sala especial na 23ª Bienal de São Paulo, em 1996, e com uma retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 1998. Para quem quiser conhecer mais sobre a vida do artista, encontra-se disponível em locadora e lojas especializadas o filme Basquiat, dirigido por Julian Schnabel, com Jeffrey Wright, como Basquiat, e David Bowie, como Andy Warhol.

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, meço do século XX co e X XI e lo cu sé o final do artista faz da marcou época entre subjetiva que cada o çã Escola de arte que ta re rp te in na não idealiza principal reside rentemente desse, fe di cuja característica , as m o, m is al 1980, em elhanças como o Re sujeito. Nos anos de do a st vi realidade. Tem sem de o nt po e movimento, daí o apreende a partir do ss a de as ra m itu e, le ad re id a al m re a ticas expressa nimo. undo, as artes plás m nome neoexpressio do s rte pa s ria vá

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Obra de Basquiat no Brasil: um caso para a Interpol e o FBI

Hannibal, uma das telas mais importantes de Jean-Michel Basquiat, esteve envolvida no processo de denúncia oferecida em 2005 pelo Ministério Público Federal contra o excontrolador do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira, por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e gestão fraudulenta. A denúncia foi aceita pelo juiz Fausto de Sanctis da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo (o mesmo que decretou as prisões dos envolvidos na operação Satiagraha). Com a decisão do juiz, o banco teve falência decretada e os bens do banqueiro foram apreendidos e ficaram à disposição da Justiça, como garantia para o acerto de contas. Conhecido como grande colecionador de arte, Edemar Cid Ferreira era presidente da Fundação Bienal de São Paulo em 1996, ano da 23ª mostra do evento, que homenageou Basquiat com a exposição de parte do acervo do artista em uma sala especial. Pouco tempo depois, o exbanqueiro fundou a Brasil Connects, entidade organizadora de megaexposições, como “Os Guerreiros de Xi´an” (2003), retrospectiva de “Picasso” (2004) e “Fashion Passion” (2004), todas na Oca, no Parque do Ibirapuera. O acervo de arte de Cid Ferreira confiscado pela Justiça foi avaliado em R$ 200 milhões. Mas, segundo o jornalista Walter Nunes, da revista Época (28/02/2009), a coleção era muito mais rica. O ex-banqueiro é suspeito de ter driblado o bloqueio de seus bens e de ter vendido a colecionadores cerca de 30 de suas obras mais caras, entre as quais estava Hannibal, de JeanMichel Basquiat. Segundo informações de Denise Ballou, assessora do FBI (Federal Bureau of Investigation) a tela, avaliada em U$ 8 milhões, teria sido apreendida junto com outras obras de arte por fiscais federais americanos na cidade de Waterbury, Estado de Connecticut. A informação de que a tela fazia parte dos bens do ex-banqueiro incluídos no “alerta vermelho” da Interpol foi transmitida em dezembro de 2007 pelo diretor da Polícia Federal, Luis Fernando Corrêa. À época, por meio de assessoria de imprensa, Cid Ferreira alegou nunca ter sido proprietário da valiosa obra.


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© Toho Company, Nippon Television Network Corporation, Studio Ghibli, Walt Disney Company, The, DENTSU Music And Entertainment, Hakuhodo DY Media Partners, Mitsubishi, Asahi Soft Drinks Company, Lawson, Yomiuri Shimbun, The

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especial

divulgação

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Nascido em 5 de janeiro de 1941, em Tóquio, Miyazaki cresceu em uma sociedade japonesa conturbada pelos efeitos da II Guerra Mundial. Sua família possuía uma fábrica de lemes de aviões, a Miyazaki Planes, onde trabalhava seu pai. Sua mãe era uma mulher muito reservada, e passou quase dez anos de sua vida de cama por conta de uma doença, tuberculose espinhal. Devido à guerra, Miyazaki mudava constantemente de escolas, tendo uma infância difícil. Mais velho, mesmo com seu grande interesse em animação, Miyazaki ingressa na faculdade de Economia, e se forma em Ciências Políticas e Economia em 1962, mesmo ano em que consegue um emprego no estúdio de animação Toei Animation. A experiência de vida de Miyazaki influenciou grandemente em seus trabalhos, desde sua paixão por aeronaves e a capacidade de voar, até os momentos difíceis trazidos pela doença da mãe. Sua primeira função na Toei Animation é de intervalador, ou seja, ele animava as guias enviadas pelos animadoreschefes. Sua carreira foi subindo conforme os anos passaram, e de intervalador Miyazaki se tornou animador-chefe, e participou da criação de diversos longas-metragens e animações para a televisão. Depois de sua saída da Toei Animation, Miyazaki ainda passou por outro estúdio de animação, o A-Pro. Foi somente em 1982 que, enquanto trabalhava em seus filmes, Miyazaki escreveu e desenhou seu mangá Nausicaä of the Valley of the Wind. O sucesso do mangá foi tão grande que Miyazaki decidiu fazer sua versão animada. Em 1984, Miyazaki lança seu primeiro filme como diretor, e Nausicaä of the Valley of the Wind se torna um enorme sucesso no Japão. Impulsionado pelos resultados obtidos pelo filme, Miyazaki decide abrir seu próprio estúdio de animação, o hoje tão conhecido Estúdios Ghibli. Desde sua criação, o Estúdios Ghibli já lançou dezenas de filmes de animações, sendo nove delas dirigidas por Miyazaki. Em 1996, o Estúdios Ghibli fechou um acordo com a Disney, que hoje é a responsável pela distribuição em vídeo e nos cinemas dos trabalhos de Miyazaki. Técnica impecável O mundo da animação sofreu uma reviravolta em 1995 com o lançamento de Toy Story, que a partir do uso de técnicas de computação gráfica revolucionou o jeito de se fazer animação. Desde então, principalmente para as gerações mais novas, animação é sinônimo de filmes em 3D. Contrariando


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esta tendência, Hayo Miyazaki é um adepto de técnicas mais tradicionais de animação, e seus trabalhos são feitos a partir de desenhos à mão. Consciente da transformação do mundo através da tecnologia, Miyazaki admite ser um dos últimos a utilizar este tipo de técnica, e não se preocupa com o caminho que as coisas seguem, pois de acordo com o diretor, as técnicas evoluem, e algumas são deixadas para trás, e questiona: “Onde estão os pintores de afrescos hoje?”. Miyazaki passou a usar técnicas digitais de pintura e de animação somente a partir de “Princesa Mononoke”, mas somente para cumprir prazos de entrega dos filmes. O segredo, diz o diretor, é manter o equilíbrio, prevalecendo sempre o desenho à mão. Seu último filme, “Ponyo À Beira Mar”, foi feito utilizando somente desenhos à mão, já que o prazo do diretor era mais tranqüilo.

Por isso é natural sentir certo tipo de ansiedade ao assistir os filmes do diretor, como se estivéssemos presenciando um tipo de arte que corre o risco de se extinguir em alguns anos. Torcemos para que isso não seja verdade, porque a experiência visual e sonora que temos quando assistimos os filmes de Miyazaki são únicas: os personagens construídos com sensibilidade, a multiplicidade de cores escolhidas com cuidado, e paisagens estonteantes que são por si só obras de arte, cheias de detalhes, tudo feito de forma artesanal e sublime. Temas recorrentes Miyazaki é um homem consciente do tempo em que vive, e isto é refletido em seus personagens. Longe da costumeira lógica de “Bem x Mal”, os personagens do diretor são construídos de forma

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muito mais complexa: o herói da história possui seus defeitos, e o que seria visto como vilão, sempre tem seu lado humano, que o redimi de seus atos. Miyazaki afirma que o maniqueísmo de heróis e vilões não se aplica ao homem moderno, e observamos isso em seus personagens de forma clara: a mesma bruxa que transforma a jovem Sophie em uma velha em “O Castelo Animado” se torna depois uma dócil velhinha, que vem a ser membro da família. A bruxa que transforma os pais de Chihiro em porcos em “A Viagem de Chihiro” se mostra uma mãe preocupada com o bem-estar de seu bebê. E essa é uma marca presente em todos os filmes do diretor, que sem vilões, consegue nos mostrar um lado belo e ao mesmo tempo destrutivo da nossa realidade. Miyazaki também é conhecido como um feminista, uma vez que a maioria de suas personagens são mulheres independentes e autônomas, que traçam seu próprio destino. Outro tema presente em seus desenhos é o fascínio que o diretor tem por aeronaves e a possibilidade de voar, paixão que surgiu desde pequeno na fábrica de sua família. O horror à guerra é visto principalmente em “O Castelo Animado”, mas observamos diversas mensagens pacifistas em outros filmes do diretor. Um tema que é tratado com freqüência é o contado do homem com a Natureza, e sua relação de dominação e destruição. Em entrevistas, Miyazaki se mostra pessimista em relação ao futuro de nosso planeta, e dos seres humanos. Mas ao assistirmos seus filmes, o sentimento que temos no final é sempre o de esperança. A melhor maneira de entender Miyazaki é assistindo a seus filmes, seja somente pela sua beleza estética, ou pelas mensagens trazidas por suas personagens, sempre bem humoradas e engraçadas.


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Assim que chegam à vila, Satsuke e Mei começam a desbravar seu novo lar, um casarão antigo, e descobrem que pequenos espíritos da poeira vivem na casa. Uma anciã da vila chega para ajudar com a mudança e limpeza da casa, e explica para as crianças que os espíritos da poeira mudam de casa assim que novos habitantes chegam. Acompanhamos então o grupo de minúsculos espíritos voando para fora da casa, indo em direção às belas paisagens do desenho, e logo de cara entramos em contato com o mundo mágico de Miyazaki, inspirado nas tradições japonesas. Instalados na casa, Mei, a irmã mais nova, se diverte no quintal da casa quando avista pequenos seres parecidos com coelhos, e os segue floresta adentro. Mei então encontra o lar do gigante monstro Totoro, o espírito guardião da floresta que cerca a vila. Meu Vizinho Totoro mostra a relação das crianças com a Natureza, sendo que somente elas são puras o suficiente para enxergar Totoro. O filme segue mostrando divertidas cenas das meninas com Totoro; momentos dramáticos da vida familiar com a mãe hospitalizada, e nos ensina da melhor maneira o respeito que se deve à natureza.

Meu Vizinho Totoro (1988)

A história conta a mudança da família Kusakabe para uma casa localizada na zona rural do Japão. Um pai e suas duas filhas, Satsuki e Mei, mudam de casa para poderem ficar mais próximos do hospital onde a mãe está internada. Muitos consideram “Meu Vizinho Totoro” um dos filmes mais autobiográficos de Miyazaki, que assim como as garotas, viu sua mãe durante muitos anos hospitalizada devido a uma grave doença.

O filme foi lançado nos cinemas japoneses junto com a animação” Grave of The Fireflies”, do diretor Isao Takahata. Revista Zás! | outubro 2009

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Serviço de Entregas

(1989)

da Kiki

O filme conta a história da jovem Kiki, uma pequena aprendiz de bruxa. De acordo com a tradição, toda bruxa deve sair de casa aos 13 anos para iniciar seu treinamento, escolhendo uma cidade onde irá exercer algum tipo de ofício, de acordo com suas habilidades. Assistimos então Kiki deixando sua cidade e sua família, partindo para uma viagem que a tornará independente, levando consigo apenas seu gato preto falante Jiji, e um radinho a pilhas de seu pai. Kiki chega finalmente a uma grande cidade litorânea, e a escolhe como sua nova casa. Sem saber ao certo qual é sua especialidade, a bruxinha se perde nas ruas da cidade grande, onde a população local já perdeu o costume de ver bruxas. É na padaria de Osono (uma mulher grávida muito divertida)

que Kiki encontra seu novo lar e sua vocação, um serviço de entregas, onde ela leva as mercadorias para as pessoas em sua vassoura voadora.

A paixão de Miyazaki pela capacidade de voar é visível em “Serviços de Entregas da Kiki”: a bruxinha voando em sua vassoura, o pequeno Kopori, amigo de Kiki, voando em uma mistura de bicicleta com aeronave, e no enorme dirigível que passa pela cidade. O filme foi baseado no livro homônimo de Eiko Kadono, e retrata apenas uma parte da história. “Serviço de Entregas da Kiki” mostra o processo de crescimento e amadurecimento da menina, que passa por momentos difíceis para alcançar sua independência.

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Anime

para os japoneses, anime é qualquer desenho animado, seja ele japonês ou estrangeiro. Já para o mundo ocidental no geral, anime se refere aos desenhos animados e animações produzidas no Japão

Porco Rosso (1995) “Porco Rosso” é um dos únicos filmes de Miyazaki onde podemos definir claramente o período e o local onde ele se passa. O personagem principal, cujo nome verdadeiro é Marco Pagot, é um piloto de avião italiano que depois de uma maldição nunca explicada, teve sua face transformada em um rosto com aparência de porco, daí a razão do nome Porco Rosso (porco vermelho em italiano). Porco Rosso lutou na Primeira Guerra Mundial, e depois de abandonar a Força Aérea Italiana por se decepcionar com os rumos que o país estava tomando, vive como caçador de piratas aéreos. A história se passa no entre-guerras, e Porco Rosso é um antifascista declarado. A causa da maldição que o

transforma em porco nunca é explicada no filme, mas pode-se pensar em algo relacionado ao fato de Porco Rosso ter deixado seu país por motivos políticos. A animação conta a história da paixão de Porco Rosso por Gina, uma mulher que é dona de um clube e hotel de pilotos de avião. Assistimos também a engraçada amizade de Porco Rosso com Fio, uma engenheira de aviões, e o duelo com seu grande rival, o também piloto norteamericano Curtis. O filme retrata mais uma vez a paixão de Miyazaki por aeronaves, e conta a história de um amor que vai além da aparência física.

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Princesa

(1997)

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Mononoke

“Princesa Mononoke” foi o filme que colocou Miyazaki definitivamente como um dos maiores animadores do Japão. O desenho foi um enorme sucesso no país, sendo o filme com a maior bilheteria no Japão, posto perdido com o lançamento de “Titanic” alguns meses depois. O filme conta a história de Ashitaka, um príncipe que ao tentar proteger seu vilarejo de um enorme javali amaldiçoado, acaba se ferindo na batalha. A anciã do vilarejo avisa Ashitaka de que a maldição do javali foi passada para ele no momento em que ele se feriu, e o jovem príncipe abandona sua vila com seu alce Yakul rumo às terras do oeste para procurar uma cura.

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Mangá

nome designado às histórias em quadrinho japonesas, porém não é visto como um produto direcionado exclusivamente para o público infanto-juvenil, e sim, para todas as idades.

Em seu caminho, Ashitaka passa por uma vila que está sendo atacada por samurais, e descobre que a maldição lhe conferiu poderes sobrenaturais, e suas flechas decepam os braços e as cabeças dos guerreiros. Um monge então diz para Ashitaka que ele pode encontrar sua cura com o deus das florestas do oeste. O herói descobre que a cidade mais próxima da floresta é a Cidade do Ferro, uma cidade entrando na era Moderna, explorando e destruindo a natureza que a cerca, queimando carvão e derrubando florestas. O conflito é visível: de um lado a líder da cidade, Lady Eboshi, representando a busca pelo progresso em detrimento do meio ambiente, e do outro, os animais da floresta liderados pelo deus-lobo Moro, e uma garota chamada San, conhecida pelos habitantes da cidade como a menina-lobo. Os soldados de Eboshi pretendem arrancar o Espírito da Floresta, que assume uma forma de cervo, e uma vez morto, representa o fim da floresta como um todo. Apesar do conflito, os personagens de Miyazaki não se resumem a heróis e vilões, de modo que Ashitaka é o herói acometido por uma maldição, e Lady Eboshi, apesar de seus desejos destruidores, é uma pessoa benevolente com seus trabalhadores e com os homens leprososos que a rodeiam. “Princesa Mononoke” é sem dúvida um dos melhores filmes de Miyazaki, merece ser visto, pela fantasia, por sua beleza, e por sua mensagem.


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A Viagem de Chihiro (2001) Este provavelmente é o filme mais conhecido do diretor. “A Viagem de Chihiro” alcançou sucesso internacional, recebeu diversos prêmios, inclusive o Oscar de Melhor Longa-Metragem Animado em 2003. E não é por menos, pois este também é um dos mais belos trabalhos do diretor. Em “A Viagem de Chihiro”, nós acompanhamos a viagem de uma jovem, que se perde em uma estrada com seus pais. A famíla acaba entrando em uma cidade abandonada que possui um aspecto sobrenatural. Seus pais então são transformados em porcos depois de comerem a comida em uma das barracas da cidade. Chihiro corre pela cidade em busca de ajuda, e conforme vai anoitecendo, seres estranhos começam a aparecer e povoar a cidade. Ela encontra então Haku, um rapaz que a ajuda a fugir deste mundo bizarro que começa a surgir em sua frente. Chihiro descobre que está em uma casa de banho para espíritos, e a única forma que tem de ajudar

seus pais é se submetendo às ordens de Yubaba, a bruxa que governa o local. Ela passa a se chamar Sem, e começa a trabalhar, ajudando nos banhos dos espíritos. Encontramos todos os elementos dos filmes de Miyazaki em “A Viagem de Chihiro”: a complexidade dos personagens, como no menino-dragão Haku, que apesar de ser bondoso, se submete às ordens de Yubaba para aprender magia; e a própria Yubaba, que apesar de ser uma malvada bruxa, nutre um amor verdadeiro pelo seu gigante bebê. Miyazaki deixa diversas marcas no filme, mostrando que a ganância é destruidora, assim como o descaso com o meio ambiente. Chihiro é uma menina independente e autônoma, que só consegue salvar Haku com o poder de seu amor. Seres bizarros, cores vibrantes, cenários detalhados, e uma tocante história fazem de “A Viagem de Chihiro” uma experiência única.

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O Castelo Animado (2004)

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Baseado no livro homônimo da britânica Diana Wynne Jones, “O Castelo Animado” conta a história de Sophie, uma garota de 18 anos que trabalha em uma loja de chapéus. Durante um de seus passeios pela cidade em que vive, Sophie acaba cruzando com Howl, um misterioso mago que se interessa por ela. Sem saber, chama a atenção da Bruxa do Nada, que está tentando capturar o coração de Howl faz anos. A bruxa então enfeitiça a jovem Sophie, transformando-a em uma velha, que não pode contar a ninguém o motivo de sua transformação. Sophie decide fugir e procurar o mago que conheceu no mesmo dia. No caminho para o castelo de Howl, que na verdade é uma gigante casa andante, cheia de cômodos estranhos, Sophie conhece um espantalho que passa a seguí-la por todo lado. Finalmente, dentro do castelo, Sophie conhece o espírito do fogo chamado Calcifer, que é o responsável pelos movimentos do castelo andante. A história se desenrola e Sophie passa a trabalhar para Howl em seu castelo, vivendo junto com Calcifer e o aprendiz de mago Markl. Miyazaki faz diversas referencias em relação a seu horror a guerra, uma vez que a história toda se passa durante um grande confronto, e Howl se recusa a servir o exército de magos de seu país. Ao contrário, ele se transforma em um gigante monstro parecido com um pássaro, e sabota aeronaves de ambos os lados, impendido que elas tragam mais destruição. “O Castelo Animado” encanta com seus personagens divertidos, no desenvolvimento da amizade e do amor de Sophie por Howl, e como sempre, do belo desenho que é costumeiro dos trabalhos de Miyazaki.


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Ponyo: à Beira-Mar O último filme de Miyazaki estreou no Japão em julho de 2008, e chegou somente em agosto nos EUA. “Ponyo À Beira-Mar”, que ainda não tem data de estreia definida aqui no Brasil, conta a história da pequena Ponyo, um pequeno peixe-dourado que após conhecer o garoto de 5 anos Sosuke, decide se transformar em um ser humano. Ponyo é um dos filmes de Miyazaki que fala mais diretamente de questões ambientais, e, é na figura de Fujimoto, o pai de Ponyo, que a crítica é feita. Fujimoto é um ser humano que sente nojo de sua espécie, então desiste da vida na terra e passa a viver no fundo mar. Ele pretende trazer o planeta inteiro de volta para

(2008)

uma era aquática, onde as criaturas poderiam viver longe das imundices dos seres humanos. O filme trata também de questões familiares, pois Sasuke vive somente com sua mãe, uma vez que seu pai trabalha em um navio, e é ausente na maioria do tempo. Dessa vez, Miyazaki troca o céu pelo oceano, e ao assistirmos o filme, mergulhamos em um mundo de incríveis animais marinhos, tudo com muitos detalhes, como é típico dos filmes do diretor. Mais uma vez, Miyazaki surpreende aos fãs da animação, e nos presenteia com mais uma de suas obras de arte. Esperemos somente que o filme não demore muito para chegar aqui!

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Mais

Grave of the Fireflies (1988)

s e m l i F

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O filme produzido pelos Estúdios Ghibli e dirigido por Isao Takahata, conta a história de dois irmãos que tentam sobreviver sozinhos durante a II Guerra Mundial no Japão. O filme foi exibido nos cinemas japoneses em dueto com “Meu Vizinho Totoro”, porém, trata da guerra de forma muito mais dramática e realista que qualquer outro filme de Miyazaki. Os dois irmãos, Seita e Setsuko, perdem a mãe em um dos constantes bombardeios que ocorriam na época, e passam a viver sozinhos, roubando comida para sobreviver, até seu fim trágico. Filme triste, porém muito bonito.


(2003)

TokyoGodfather’s

yo toshi Kon, “Tok Dirigido por Sa inspirado por um Godfathers” foi 1948 ma western de clássico do cine me O Godfathers. fil de John Ford, 3 ci he do do Japão descon mostra um lado aa miséria. Ele cont por muitos, o da a: Gin, oradores de ru história de 3 m avesti tr atra; Hana, um um velho alcoól i, uma do filme; e Miyuk que é a estrela u de casa. garota que fugi

m un s al , os tr ês in co N a no ite de N at be bê en co nt ra m um pr ot ag on is ta s ol a a ór ia se de se nr na ru a, e a hi st áf ic a nt o. A be le za gr pa rt ir de st e po da de ci à pa is ag en s fié is do fil m e, co m ór ia st ad os à be la hi de Tó qu io , so m a qu e um a ex pe ri ên ci fa ze m do fil m e r vi st a. va le a pe na se

Paprika traz um futu ro onde uma nova técnica de psicotera pia é criada, a terapia dos sonhos . Basicamente, por meio de uma má quina, as psicoterapeutas en tram nos sonhos de seus pacientes para descobrirem seus maiores medo s e carências. Tudo vai bem até o momento em que um possível terroris ta rouba uma das máquinas, e passa a invadir a mente das pessoas, mistu rando sonho com realidade. Assista “P aprika”, mas esteja preparado para um a viagem.

Paprika (2006)

Também dirigido po r Satoshi Kon, “Paprika” é um filme que valeria a pena ser visto somente pe la viagem visual que ele nos propor ciona. Porém, além das cenas surreais , o filme possui um a história bastante int eressante, mesmo sendo um pouco co nfusa.


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Š Rectangle Productions, StudioUrania


A imagem do novo homem

Por Sersi Bardari

No Ano da França no Brasil, vale falar daquele que é o mais badalado ator do cinema francês na atualidade. Louis Garrel, pelo típico físico, pelas personagens que interpreta e pelas declarações que faz, incorpora em si a imagem e o estilo do homem contemporâneo


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Ele é o bonito com algo de feio. O masculino com um quê de feminino. O educado e gentil, mas distante e enigmático. O elegante e refinado que ostenta traços de desleixo e desalinho. Foi com esse jogo de ambiguidades que Louis Garrel, de apenas 25 anos, conquistou cinéfilos de vários cantos do mundo e tornou-se o ator do momento em seu país. Filho do cineasta Philippe Garrel, Louis estreou nas telas ainda criança, em 1989, no filme Les Baisers de Secours, dirigido pelo pai. Não parou mais. Em 2003, recebeu elogios da crítica e do público pela atuação em Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci, no qual interpretava um jovem incestuoso que, juntamente com a irmã, instiga e desafia a sexualidade de um hóspede americano, em pleno Maio de 68 em Paris. Cenas de nudez e sexo chamaram atenção da mídia. A seguir, em 2004, veio Minha Mãe, de Christophe Honoré, em que Garrel aparece na pele do

adolescente Pierre, atraído pela própria mãe. O enredo desconcertante oferecia o pretexto exato para que o corpo do ator fosse explorado, em tomadas de forte apelo erótico. Não faltava nada para a imprensa fazer de Louis símbolo sexual. A partir de então, quase sempre dirigido pelo próprio pai ou por Honoré, Garrel passa a interpretar tipos sedutores, mas que também se deixam seduzir. Foi assim em Amantes Constantes (2005), no qual Louis vive François, jovem envolvido em intensa paixão, novamente vivenciada a partir dos movimentos de Maio de 68. Foi assim no filme Em Paris (2006), em que encarna o aparentemente descompromissado Jonathan. Já em Canções de Amor (2007), A Fronteira da Alvorada e A Bela Junie (ambos de 2008), é o amor que se vinga e prega peças surpreendentes na personagem.

Fimografia Louis Garrel

Os Sonhadores (2002)

Foi o filme de Bernardo Bertolucci que revelou Louis Garrel. Em uma Paris que em 1968 vive a efervescência da revolução estudantil, Matthew (Michael Pitt) passa a conviver com os gêmeos Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel) e divide com eles suas experiências. Os jovens passam a viver uma relação intensa e nada comum. Um filme ardente e sensual.

Minha Mãe (2004)

Depois da morte do pai, o jovem Pierre (Louis Garrel) é apresentado à sua mãe. O rapaz vive um amor incontrolável pela mulher, que se mostra incapaz de assumir o sentimento que o filho projeta nela. A mãe Hélène (Isabelle Huppert) leva uma vida sem escrúpulos, imoral e repleta de excessos. Mais um filme perturbador de Christophe Honoré.

Amantes Constantes (2005)

O filme é ambientado depois da revolução estudantil de maio de 1968, e mostra as implicações desse evento na vida de um grupo de jovens parisienses. Acompanhamos então o romance intenso entre François e Lilie em um clima que mistura a excitação e o cansaço. Mais uma parceria afinada entre Louis Garrel e seu pai, o famoso cineasta Philippe Garrel.

Em Paris (2006)

Um rompimento pode ser desastroso na vida de uma pessoa romântica. O filme de Christophe Honoré explora o sofrimento de uma desilusão amorosa, afinal, o que fazer quando o amor acaba? Acompanhamos a histórias de dois irmãos, enquanto um sofre com o fim de um relacionamento, o mais jovem (Louis Garrel) sai pelas ruas de Paris para seduzir qualquer rabo de saia que apareça.


© Rectangle Productions, StudioUrania

As características das tramas renderam, nos círculos especializados, comparações dos papéis interpretados por Louis Garrel com Antoine Doinel, personagem criado por François Truffaut que, depois da estreia ainda criança, torna-se adulto na sequência de longas do diretor. Sempre interpretado por JeanPierre Léaud, Doinel cresce em constante busca de novas paixões. A comparação com a já legendária criatura não incomoda Garrel. Ao contrário. “Se puder dar às pessoas a gana de viver a vida como uma aventura que Doinel me deu, ficarei feliz”, diz ele em entrevista à Folha de S. Paulo (5/12/08). O ator também não se importa com o modo sensual como vem sendo exposto nos filmes em que atua. Na mesma entrevista à Folha, declara: “Tenho uma relação particular com o cinema: gosto de ser erotizado por um filme. Não tenho amarras artísticas. Fico feliz em vir participar dessa erotização.

Cançoes de Amor (2007)

A morte, o amor e a homossexualidade são tratados com delicadeza e poesia no musical Canções de Amor, do diretor Christophe Honoré, um dos principais nomes do novo cinema francês. No filme, o casal liberal Ismaël (Louis Garrel) e Julie (Ludivine Sagnier) formam um triângulo amoroso, que se transforma em compromisso, com a bela Alice (Clotilde Hesme).

Actrices (2007)

No segundo filme de Valeria Tedeschi, acompanhamos a história de uma atriz de teatro, prestes a completar quarenta anos, que vive um desencontro pessoal em uma vida sem perspectivas. Com fortes momentos de apelo emocional, o longa conta com as atuações de Mathieu Amalric (do espetacular “O Escafandro e a Borboleta”) e Louis Garrel.

A Fronteira da Alvorada (2007)

Louis mais uma vez é dirigido pelo pai em um drama que mostra as conseqüências trágicas de um amor intenso, sufocado pela insegurança e sofrimento que assola a vida da atriz Carole (Laura Smet). Garrel vive um fotógrafo que se vê dividido entre uma paixão segura e um amor incontrolável e doentio.

A Bela Junie (2008)

Depois da morte de sua mãe, Junie passa a viver com os tios. A beleza da garota logo chama a atenção de todos no novo colégio. O jovem Otto luta para conquistar o coração da garota que se apaixona pelo professor de italiano (Louis Garrel). Tensão e ciúmes levam o filme a um final trágico. Inspirado em “La Princesse de Clèves”, livro escrito por Madame de La Fayette.


perfil

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É estimulante ser excitado por um filme, pelos objetos de desejo de atrizes e atores”. Nouvelle vague revisitada Mas não está apenas na sensualidade a causa do sucesso de Louis Garrel. Ao trabalhar na maior parte das vezes com Philippe Garrel e Christophe Honoré, o jovem ator teve a oportunidade de participar de filmes que agradam parcela significativa de público por fazerem referências a obras de cineastas da nouvelle vague (nova onda) francesa, tais como Jean-Luc Godard, Jean Renoir, Eric Rohmer, o já citado François Truffaut, entre outros. © ARTE France, Scarlett Production

A nouvelle vague foi um movimento de jovens diretores que se rebelaram contra as regras do cinema comercial. Entre as principais características dessa nova forma de filmar estavam o amoralismo, presente especialmente nos diálogos, e a montagem narrativa, que foge da linearidade. Os princípios do grupo ficaram conhecidos pelos textos escritos pelos próprios realizadores e publicados na revista Cahiers du Cinéma. A retomada da linguagem cinematográfica dos anos 1960 encontrou em Louis Garrel o interprete ideal. O ator, por sua vez, soube incorporar em si a imagem do novo homem que surge neste terceiro milênio, para o qual os antigos preceitos machistas estão definitivamente soterrados. Não é à-toa que seu estilo de vestir vem inspirando estilistas de vários países, inclusive do Brasil.

Certinho desalinhado Com o seu estilo despojado, mas com toques refinados, o ator tem inspirado o guarda-roupa de jovens europeus 60 Revista Zás! | outubro 2009

Antenado, culto e talentoso, Garrel canta, mantém uma companhia de teatro, a D´ores e Déjà, e estreou na direção de curtas-metragens com o filme Mes Copains (Meus Companheiros). Na vida pessoal, também não se pode dizer que Louis tenha tido menos sucesso. Namora Valeria Bruni Tedeschi, a charmosa atriz, roteirista e diretora do filme Atrizes (2007), do qual ele participa. Apenas por curiosidade, vale lembrar que Valeria é irmã de Carla Bruni, atual primeira dama da França.


s n o B s o e m m a g i S

Weinstein Company, The, Neunte Babelsberg Film

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Zรกs! Viu

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64 Revista Zรกs! | outubro 2009


A atriz alemã Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger) une-se ao grupo de Reine em missão para derrubar membros do Terceiro Reich. O que eles nem imaginam é que o destino uniria “Os Bastardos” à jovem Shosanna, que receberá os nazistas em seu cinema na exibição de um filme de Joseph Goebbels, que narra a história de Fredrick Zoller, alemão que lutou sozinho contra 300 soldados para proteger uma cidade. O cinema de Shosanna é escolhido para a exibição porque Fredrick em pessoa havia se encontrado com a moça e se apaixonado. A sessão reuniria alguns dos membros mais importantes do exército nazista, inclusive o líder Adolf Hitler, momento perfeito para que todos executem a insaciável vingança. Multinacionalidade Tarantino consegue aliar com maestria personagens reais e momentos históricos à pura fantasia, em ousada versão alternativa dos fatos oficiais. A língua materna de cada personagem é respeitada, de modo a eliminar a sensação falsa de que todo o planeta tem o inglês como idioma oficial. Para cada papel foi selecionado um ator do mesmo país de origem da personagem. Diane Kruger considera a multinacionalidade do elenco um ponto importante do filme. “Acho ótimo que Quentin tenha a coragem de fazer isso, pois acrescenta autenticidade. Idiomas diferentes têm melodias diferentes e é engraçado ouvir, e ver as pessoas não entendendo umas às outras”, declarou durante coletiva à imprensa. Brad Pitt encarna o personagem mais bizarro de sua carreira. Com sotaque carregado, o tenente Reine comanda um grupo de soldados em episódios violentos, característica marcante nos filmes de Tarantino, carregados de humor negro. Diálogos sublimes, construídos a partir de metáforas inteligentes, e enquadramentos dinâmicos e multiangulares combinam-se para prender a atenção do espectador. Algumas cenas impressionam pela tensão. Impossível ser indiferente aos dilemas e obstáculos enfrentados pelas personagens. É de se mexer na cadeira toda vez que o coronel Hans Landa interroga alguém. O mesmo acontece por causa do clima nervoso que paira na taberna, onde “Os Bastardos” se reúnem para acertar detalhes da operação que para aniquilar os lideres nazistas. Tarantino esbanja talento mais uma vez e sem dúvida vai agradar aos fãs com o novo filme. Todos os elementos (sarcasmo, diálogos fortes, trilha sonora de impacto) que fizeram dele o diretor de sucesso que é, estão presente em “Bastardos Inglórios”. Como é de costume na obra do diretor, reviravoltas conduzem o enredo a um final surpreendente. Imperdível!

© Universal Pictures, Lawrence Bender Productions, Weinstein Company, The, Neunte Babelsberg Film


Zรกs! Viu

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Zás! Viu

© WingNut Films, QED International, Key Creatives

Intolerância Mesmo depois de sofrer transformações, o ódio parece permanecer intacto dentro do burocrata Wikus Van De Merwe 68 Revista Zás! | outubro 2009


A maioria de nós está acostumada a certo tipo de filme de ficção científica. Normalmente, ele se passa em uma sociedade avançada, distante de nossa realidade. Se o tema principal for extraterrestres, então já imaginamos uma invasão com planos de conquista, e as cidades invadidas provavelmente serão Nova Iorque, Washington, ou qualquer outra cidade dos EUA. Pensando assim, podemos dizer que “Distrito 9” é um filme de ficção científica incomum. Adotando um estilo que se alterna entre um falso documentário, e um filme convencional, “Distrito 9” se passa em uma época não tão diferente da nossa, quando uma gigantesca nave alienígena quebra sobre a cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul. Os humanos esperam pelo pior, porém, a nave não se move, e não apresenta nenhum sinal de vida dos extraterrestres. Após 3 meses de espera, os seres humanos decidem invadir a nave, e ao fazê-lo, se deparam com milhões de aliens doentes e subnutridos. Os seres humanos se vêem em um dilema: o que fazer com os extraterrestres? A solução encontrada é integrá-los a sociedade humano, o que não ocorre de forma simples. Os aliens, chamados pejorativamente pelos humanos de “camarões”, passam a viver segregados em guetos e favelas. A escolha da cidade de Joanesburgo como palco para a trama não é por acaso: os negros sul-africanos passaram pelo mesmo tipo de discriminação por mais de 40 anos durante o regime do apartetheid. Quando vemos no filme placas escritas “Somente Humanos”, poderíamos ler o “Somente Brancos” que atormentou o país por décadas. Na verdade, a discriminação social e a segregação baseada na diferença tão explícita no filme podem ser aplicadas não somente a historia da África do Sul, mas em diferentes

contextos que vivemos ainda hoje, com os povos deslocados de seus países, refugiados de guerra, ou mesmo aqueles que sofrem com a desigualdade social. O filme mostra então a tentativa da MNU (Multi-National United, uma espécie de ONU) em deslocar a população alien para um campo de refugiados, para melhorar a segurança dos seres humanos que vivem na cidade, e nas proximidades dos guetos. É designado para esta tarefa Wikus Van De Merwe, que cuidará da logística da transferência dos “camarões” para as áreas designadas. O filme relata a incursão das tropas e dos funcionários da MNU nas favelas, mostrando como os aliens se adaptaram à realidade dos seres humanos, se envolvendo na rede de tráfico de armas, prostituição, e nas trocas econômicas desiguais. Wikus também tem a missão de encontrar o maior número de armas possível, que na verdade é o grande desejo da MNU, uma vez que as armas possuem uma tecnologia muito mais avançada que a nossa, porém, só podem ser usadas através dos genes dos aliens. Tudo corre bem até o momento em que Wikus é contaminado com um estranho spray. A partir daí, observamos algumas formas já utilizadas em diversos filmes, como a do anti-herói que se redime após sentir na pele o sofrimento daqueles que ele mesmo julgava. Os efeitos especiais são muito bons, mostrando que mesmo não adotando formas de ficção cientifica mais comuns, o filme não deixa nada a desejar no quesito visual. Com uma premissa original, e com uma mensagem que mostra que o preconceito dos seres humanos faz com que possamos vir a cometer os mesmos erros do passado, “Distrito 9” é um filme que merece nossa atenção.


A sequência da franquia “Premonição”, que chamou a atenção dos fãs de terror em 2000, segue com a mesma premissa, um jovem tem uma visão e um grupo de adolescentes escapa da morte em um acidente durante uma corrida da Nascar. Ao longo do filme, a Morte volta para reivindicar a vida de cada um deles. Os jovens tentam quebrar a corrente de fatalidades para sobreviver. O grande barato do filme são as formas bizarras como as mortes acontecem, com efeitos que superam, e muito, os anteriores. De acidentes com guinchos à escadas rolantes quebradas, de atropelamentos à pedras e rodas traiçoeiras, os jovens vão dizendo adeus ao mundo dos vivos. O filme não é recomendado para quem tem estômago fraco e nem para quem gosta de enredos mirabolantes, ‘Premonição 4” é o clássico terror adolescente, previsível, com alguns momentos de angustia, desta vez, somados a competentes efeitos especiais. (AG)

Vigaristas (The Brothers Bloom)

Em “Substitutos”, a adaptação para os cinemas da HQ The Surrogates, de Robert Venditti e Brett Weldele, Bruce Willis interpreta um policial FBI que tenta impedir que um terrorista sabote os andróides produzidos pela empresa Virtual Self. Na história ambientada em 2054, quase toda a população possui andróides que os substituem no diaa-dia, enquanto as pessoas reais podem desfrutar de conforto e segurança dentro de casa. O agente Greer encontra pistas que o levam a uma comunidade onde seres humanos optam por viver de forma natural, sem o auxílio dos andróides. A seita comandada pelo Profeta, interpretado por Ving Rhames, luta para restabelecer a antiga condição humana, longe da falsa perfeição imposta pela tecnologia. A direção é de Jonathan Mostow (Exterminador do Futuro 3) e o roteiro ficou nas mãos da dupla Michael Ferris e John Brancanato. O filme, que já estreou nos Estados Unidos, tem estreia marcada para o dia 29 de outubro, no Brasil. (AG)

Premonição 4 (The Final Destination)

Gerard Butler, o novo candidato ao cargo de herói de filmes de ação, dá as caras em “Gamer”. O ator vive Kable, um condenado que busca a liberdade ao participar do game Slayers assistido semanalmente por milhões de pessoas. Criado pelo empresário Ken Kastle, que desenvolveu uma nova tecnologia que permite que as células do cérebro sejam modificadas para permitir que um jogador controle os movimentos dos prisioneiros durante a batalha. Para vencer, o competidor tem que sair com vida de 30 rodadas, que evocam os clássicos games de tiro em primeira pessoa. Kable, controlado pelo jovem Simon, é o único competidor com chances reais de vencer e receber o tão sonhado prêmio da liberdade. O filme possui a marca da dupla Brian Taylor e Mark Neveldine, roteiristas e diretores de Adrenalina. Um longa-metragem de ação ligeiro, que funciona, apesar de sua cafonice. (AG)

Substitutos (Surrogates)

Gamer (Gamer)

Nos Cinemas

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“Vigaristas” conta a história dos irmãos Stephen e Bloom, que quando crianças, descobrem sua vocação: aplicar golpes e se aproveitar dos outros. Para Stephen, não se trata apenas de dar golpes, mas de elaborar tramas, criar personagens complexos, e terminar tudo com finais dramáticos, tudo minimamente planejado. Já para Bloom, sua vida não é nada além de uma grande história forjada pelo seu irmão, e sem identidade própria, ele não passa de mais uma personagem criado pelo irmão. Stephen convence Bloom a aplicar um último grande golpe: roubar a excêntrica milionária Penélope. A trama se desenvolve com momentos cômicos e dramáticos, cheios de reviravoltas, com sacadas inteligentes, ou simplesmente bobas. A trilha sonora do filme é muito boa, e o roteiro flui de forma muito divertida. “Vigaristas” reúne artistas de peso como Mark Ruffalo, Adrien Brody e Rachel Wisz, e é uma dramédia que vale a pena ser assistida. (CV)


Em um mundo pósapocalíptico, bonecos de estopa criados por um cientista lutam para sobreviver do ataque incessante das máquinas. Acompanhamos a história de 9, que ganha a vida e descobre um grupo de seres iguais a ele. O boneco instiga os companheiros a lutar contra as máquinas. A animação dirigida por Shane Acker impressiona pelo cuidado com os detalhes. As texturas dos bonecos e dos ambientes são incríveis e algumas cenas de ação nos fazem mexer na cadeira. A fé e a coragem se aliam na luta pela sobrevivência. “9 – A Salvação” é para quem gosta de ficção científica aliada a boas doses de misticismo e nos faz questionar o fascínio do homem pelas máquinas, afinal, quem controla quem? O filme é produzido por Tim Burton, que revolucionou o mundo da animação ao produzir obras com temática sombria, longe do colorido característico das animações até então. Na versão original, as vozes ficaram por conta dos atores Elijah Wood, John C. Reilly, Martin Landau, Jennifer Connelly e Crispin Glover. (AG)

Salve Geral!

Eric Bana e Rachel McAdams protagonizam o romance de ficção científica “Te Amarei Para Sempre”, inspirado no livro “The Time Traveler’s Wife”, de Audrey Niffenegger, publicado em 2003 e que já vendeu mais de 2,5 milhões de cópias pelo mundo. Eric Bana interpreta o bibliotecário Henry DeTamble que viaja no tempo devido a um distúrbio genético. Bacana né? Nem tanto. Em uma de suas viagens, ele conhece a pequena Clare, que se apaixona por ele imediatamente. Ano após ano, ela espera no mesmo lugar com esperanças de que o viajante retorne. Quando os dois finalmente se reencontram a paixão começa. Porém, quando Clare menos espera seu grande amor desaparece, sem data para retornar. Será que o casal é capaz de suportar tantas idas e vindas? O romance com doses de ficção científica, dirigido por Robert Schwentke (Plano de Vôo), chega aos cinemas brasileiros no dia 16 de outubro. (AG)

9 - A Salvação (Nine)

Te Amarei Para Sempre (The Time Traveler’s Wife)

Pequenos Invasores (Aliens in the Attic)

Jovens se unem para salvar o planeta de uma invasão alienígena no filme dirigido por John Schultz. A família Pearson se reúne na casa do lago para comemorar o feriado de 4 de julho. O que ninguém esperava era que criaturas vindas do espaço para dominar a Terra apareceriam para participar da festa. O filme tinha tudo para ser sem graça, mas diverte as crianças sem se esquecer dos adultos. Algumas piadas só funcionam com o público mais velho, enquanto as citações aos videogames roubam risadas dos mais novos. Os efeitos especiais são tão bacanas que as vezes a gente se envolve tanto que esquece que o filme se trata de fantasia. Nada de inovador, mas tudo feito com qualidade impressionante. O quarteto alienígena composto pelo comandante Skip, pelos soldados Tazer e Razor, e pelo simpático engenheiro Sparks, garantem boas risadas nas cenas em que controlam a vovó e o cunhado da família em uma batalha que faz referência aos golpes de Street Fighter. (AG)

O filme brasileiro selecionado para tentar concorrer ao Oscar é ambientado em maio de 2006, quando São Paulo se viu refém dos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital). A transferência de lideranças do grupo organizado para cadeias de segurança máxima gerou a revolta da facção que instalou o caos na cidade. No filme dirigido por Sérgio Rezende, a atriz Andréa Beltrão interpreta Lucia, uma professora de piano, de classe média, que passa por dificuldades financeiras. Seu filho Rafael, de 18 anos, se envolve em um acidente de moto que culmina na morte de uma garota. O jovem é pego em flagrante e acaba preso. Na cadeia, ele se envolve com o grupo de presidiários responsáveis pelos ataques orquestrados pelo PCC. Lucia passa então a travar uma verdadeira batalha para tirar o filho de trás das grades. Em suas visitas, Lucia conhece Ruiva, advogada do líder do Comando. Por precisar de dinheiro, a professora aceita fazer alguns trabalhos para a organização, no limite entre a legalidade e o crime. (AG)


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Zás! Viu

© Sony Pictures Animation

(Cloudy With a Chance of Meatballs)

Tá Chovendo

Hamburguér

Por Caio Valiengo A divertida animação “Tá Chovendo Hambúrguer” conta a história do desastrado inventor nerd Flint Lockwood, que desde criança tem o sonho de ser um dos grandes inventores da História. Clint vive em uma pequena ilha movida pela pesca e venda de sardinha, porém, depois que o mundo descobre que “sardinha é nojenta”, a cidade é esquecida. Disposto a colocar a cidade de volta no mapa, Clint inventa uma máquina que transforma água em qualquer tipo de comida, ao simples comando de seu computador. Sem querer, Clint lança sua máquina aos céus, o que faz com que ocorra uma grande chuva de hambúrgueres. Atendendo aos desejos do prefeito, que pretende transformar a cidade em ponto turístico, e à população em geral, Clint começa a fazer chover todo tipo de comida: cafés da manhã completos, sorvete, e gelatinas gigantes. Porém, conforme a ganância das pessoas vai aumentando, o tamanho e a estranheza das comidas também, até um desfecho devastador! “Tá Chovendo Hambúrguer” aposta em personagens simples, porém muito divertidos, como o macaco falante Steve, o pai de Flint, e os estranhos ratospássaros. Filme de estréia de Phil Lord e Chris Miller, “Ta Chovendo Hambúrguer” é uma explosão de alimentos na tela, com excelentes seqüências e sacadas muito divertidas. Se possível, assista a versão do filme em 3D, que é uma experiência completamente diferente. Tente sair do cinema sem vontade de comer!


© Patagonik Film Grou

Minha Esposa Um Namorado Para

(Un Novio Para Mi Mujer)

Por Caio Valiengo A comédia romântica argentina “Um Namorado Para Minha Esposa” foge do que estamos acostumados a ver nos filmes hollywoodianos do gênero. Um tanto mais melancólico, conhecemos a história de Tenso e Tana, que estão casados há alguns anos, e passam por problemas. Tana não trabalha, fica em casa o dia todo, é mau-humorada, e reclama de tudo e de todos. Se ela tivesse algum projeto de vida quando mais jovem, este provavelmente foi abandonado. Já Tenso trabalha em uma loja de elétricos, e divide suas angústias com seus colegas de futebol. Longe de ser um homem modelo, Tenso é um homem apático, sem iniciativa, com medo da vida, e de sua mulher. Ele chega ao cúmulo de não ser nem capaz de pedir o divórcio a mulher, então procura os serviços de um profissional do amor, o lendário Cuervo Flores, que tem a missão de seduzir mulheres casadas. Para aceitar a proposta de Tenso, Cuervo Flores tem somente uma condição: que Tana saia de casa para que ele possa fazer seu trabalho.

Seguindo as instruções de Cuervo Flores, Tenso encontra um trabalho para a mulher, onde ela consegue descarregar todo seu mau-humor e visão pessimista da vida. A seguir, assistimos as clássicas reviravoltas de filmes do gênero, mas com uma diferença crucial: não são feitas promessas nem gestos impossíveis, pedidos de casamento em estádios cheios, ou tarefas humanamente impossíveis de se realizar para provar o amor verdadeiro. Muito pelo contrário, em “Um Namorado Para Minha Esposa”, tudo é mais realista (e melancólico), as provas de amor são vistas nos gestos simples, e os problemas do casal são reais e tangíveis. A história se passa em dois espaços de tempo: o presente é mostrado com o casal olhando para a câmera, numa sessão de terapia, já o grosso da história se passa no passado. Sucesso de bilheterias na Argentina, “Um Namorado Para Minha Esposa” prova que nem toda comédia romântica precisa cair em exageros para parecer real.

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Por Luisa Aguiar

Ele jรก dizia...

especial

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Os modernistas se colocaram diante do desafio de “abrasileirar o Brasil”. Mário de Andrade, um dos principais expoentes do movimento, foi mais além e percebeu que, para isso, era preciso também “abrasileirar” o português. Para quê escrever “abóbora” se os brasileiros falavam “abobra”? Oito décadas depois, o acordo ortográfico que uniformiza a língua portuguesa nos países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) é ratificado no Brasil. Ele já dizia... mas parece que ninguém ouviu Em tempos de discussões intensas sobre o projeto de acordo ortográfico da Língua Portuguesa – acordo que busca unificar as diferentes formas do português, idioma oficial de oito países, falado por uma população estimada em mais de 230 milhões de pessoas no mundo – vale revisitar a obra de uma figura que, no início do século passado já abordava o assunto, embora o fizesse sob uma perspectiva bastante peculiar: o paulista Mário de Andrade. Mário foi um dos mais importantes membros do Modernismo no Brasil, um movimento artístico e cultural de vanguarda que teve início a partir da Semana de Arte Moderna, em 1922 e que representou um dos momentos de maior efervescência intelectual que o país já presenciou. Além de poeta e romancista, Mário foi também crítico de arte, musicólogo, folclorista... A extensa e multifacetada produção do autor, que nasceu em 1893, fez com que ele fosse apontado pela crítica como um dos mais importantes intelectuais brasileiros do século XX. Mário era um nacionalista, um patriota e não via com bons olhos a pesada influência cultural que os europeus – e Portugal, em especial – exerciam sobre o Brasil. O autor entendia que o nosso país, que naquele momento buscava emancipar-se de vínculos políticos que ainda existissem com Portugal, precisava buscar autonomia também em termos culturais e, por esse motivo, ele propôs a si mesmo – e a seus contemporâneos – o desafio de “abrasileirar” o Brasil, valorizando nossa

cultura, nossa identidade, nossa língua e fazendo surgir no imaginário coletivo os primeiros embriões da consciência nacional. “abrasileirar” o português ? O romance mais conhecido de Mário, Macunaíma, é reconhecidamente uma das obras mais características e emblemáticas do Movimento Modernista. Para a composição deste livro o autor refletiu sobre muitos aspectos da cultura brasileira como os mitos e lendas, o folclore, a música, a língua... Mário sabia que, para “abrasileirar” o Brasil, era preciso “abrasileirar” também a Língua Portuguesa e por tal motivo procurava escrever na “língua brasileira”, que seria o resultado da reunião de inúmeras expressões dialetais do país e regionalismos, além de expressões indígenas e de origem africana. O que muita gente não sabe é que, além de fazer uso dessa “língua brasileira” em seus romances, poemas e ensaios, Mário de Andrade levou adiante por algum tempo um projeto ainda mais complexo: o de escrever uma gramática através da qual pudesse reinventar a língua literária usada no país: a Gramatiquinha da fala brasileira. A obra não chegou a ser publicada e nem finalizada, no entanto, os seus escritos apontam tendências e deixam um rastro significativo do pensamento desse autor, tanto em relação ao estudo da

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especial

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língua propriamente dita, quanto ao debate da questão da consciência nacional e a importância da reunião das características consideradas tipicamente brasileiras. Sua motivação principal era modificar a língua literária: ela precisava refletir o verdadeiro jeito brasileiro de se expressar para que fosse mais representativa e menos artificial. Só essas formas orais “brasileiras” explicavam as sensibilidades e o cotidiano caracteristicamente nacionais. A grande crítica de Mário era que o idioma oficial do Brasil era uma língua feita pelos legisladores portugueses e que cotidianamente não era usada pelos brasileiros. Portanto, não faria sentido manter essa língua portuguesa petrificada como oficial aqui, ela precisaria integrar as pequenas nuances da nossa linguagem oral, a que os brasileiros utilizavam de fato no dia-a-dia. Os esforços de Mário de Andrade não 76 Revista Zás! | outubro 2009

tiveram um impacto imediato, mas o fato é que a língua portuguesa no Brasil foi se transformando ao longo do tempo e acabou absorvendo as mudanças orientadas pela linguagem oral e adquirindo contornos mais nacionais. Finalmente conquistamos aquela autonomia lingüística e cultural da qual o modernista tanto falava. Algumas décadas depois, voltamos à mesma discussão, e deixamos de lado parte das conquistas pelas quais aqueles intelectuais brasileiros tanto lutaram. O acordo ortográfico não é uma ideia nova. Desde o final da década de 80 já se falava a respeito (a primeira iniciativa foi liderada pelo governo brasileiro em 1986), e o acordo supostamente entraria em vigor 1994. Entretanto, alguns países enfrentaram problemas internos e esse projeto foi adiado. No ano passado o assunto voltou à tona e o acordo ortográfico entrou em vigor no Brasil no início de 2009.


reprodução

modernismo Ao lado de Mário de Andrade, Tarsila do Amaral foi uma das artistas que participou da Semana de Arte Moderna de 22

Já são cinco os membros da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) que ratificaram o acordo: Portugal, Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Aqui, as adaptações deverão ocorrer até janeiro de 2013, quando todos os livros didáticos nacionais têm de estar de acordo com as novas regras. As mudanças devem atingir cerca de 2% do nosso vocabulário. Alguns exemplos da nova grafia são a abolição do trema (¨), a inclusão de três novas letras no alfabeto (“k”, “w”, “y”) e o hífen, que tem novas condições de uso. O argumento do MEC (Ministério da Educação e Cultura) é que tal reforma facilitaria o intercâmbio cultural e científico entre esses países, além de uma divulgação mais ampla do idioma, embora alguns críticos ainda hoje afirmem categoricamente que essa uniformização não é positiva, já que a língua é dinâmica e está ligada às tradições culturais de cada povo: homogeneizá-la é impedir

que essas tradições se expressem no idioma. E Mário de Andrade, no início do século passado, já enxergava isso. Gramatiquinhas e Macunaímas O projeto de Mário de Andrade não foi adiante, mas as anotações que ele fez para este trabalho foram compiladas por estudiosos do autor décadas depois. A Gramatiquinha é um texto bastante técnico que aborda temas como fonética, estilística, sintaxe... Mas para quem quer conhecer um pouco mais da obra do autor, vale buscar (além dos romances e poemas clássicos) os ensaios de Mário sobre música brasileira, artes plásticas... (Aspectos das artes plásticas no Brasil, Ensaios sobre a música brasileira, Pequena história da música brasileira...). Alguns desses textos deixam de lado aquele olhar tipicamente sério e sisudo do crítico de arte para dar lugar a uma perspectiva mais leve, irônica, que numa página ou outra certamente arrancará uma risada do leitor. Revista Zás! | outubro 2009

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perfil

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as vรกrias

George

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Orwell Por Caio Valiengo

Conhecido por seus romances que se tornam cada vez mais atuais, George Orwell também foi um grande ensaísta social, e relatou a Guerra Civil Espanhola como poucos o fizeram Na época de colégio, tive um professor de História que nos dizia sempre: “Vocês não podem se formar sem ter lido A Revolução dos Bichos!”. Seguindo seu conselho, fui procurar o livro, e confesso que me perguntei o que aquele pequeno livro, com pouco mais de 100 páginas e figuras de animais na capa, poderia ser tão essencial? Foi assim que conheci um dos grandes nomes da literatura mundial dos últimos tempos, George Orwell. Eric Arthur Blair nasceu em 1903 em Motihari, na Índia. Filho de um funcionário do império britânico e de uma professora, Eric voltou ainda criança para a Inglaterra para receber uma educação que condizia com sua classe social. Eric estudou somente em escolas e colégios da elite britânica, e tinha tudo que era necessário para ingressar em universidades de grande

Lutando na Espanha

faces de

A edição brasileira reuniu em um livro diversos escritos de George Orwell que narram sua experiência na Guerra Civil Espanhola. No livro se encontram os textos “Homenagem à Catalunha”, “Recordando a Guerra Civil Espanhol”, mais uma porção de artigos e correspondências do autor referente ao tema. Orwell nunca mais parou de estudar o tema, se envolvendo em diversos debates em relação à história da Guerra Civil, e da Espanha como um todo. No livro, Orwell relata sua experiência pessoal na Guerra, e nos mostra sua flexibilidade como autor: analista político e social, ele fala de seu deslumbramento inicial pela situação política que a Espanha vivia, o jogo de poderes pelo qual o país passava, e ao longo dos textos, vamos percebendo um amadurecimento em seus pontos de vista; relator de guerra, ele nos conta suas experiências no front, a falta de preparo das tropas, as difíceis condições enfrentadas no inverno; e homem de visão, ele já percebe alguns sinais do fascismo se estabelecendo cada vez mais no país. Um ponto levantado por Orwell em diversas ocasiões era de como a imprensa mundial, tanto a de esquerda como a de direita, relatava erroneamente os fatos ocorridos durante a guerra. Em correspondência com um amigo seu, ele diz que os ingleses não faziam idéia do que se passava na Espanha. Orwell passou então a participar de debates públicos por meio de artigos e cartas enviados a jornais ingleses, questionando o modo como se fazia História na época, discussão existente até os dias de hoje. “Lutando na Espanha” é um livro essencial para aqueles que querem conhecer mais a vida do autor, e entender como suas experiências pessoais influenciaram de forma determinante em suas obras, sejam elas ficcionais ou não. O livro conta também com um prefácio de Ronald Polito, que ilumina o caminho de nossa leitura de forma muito objetiva, dando sentido a organização do livro como um todo.


renome e prestígio como Cambridge ou Oxford. Porém, contrário às expectativas, Eric se alistou na polícia imperial com 19 anos, e partiu para a Birmânia (ou Myanmar), onde pode ver de perto e entender o projeto imperialista inglês por cinco anos. De volta à Europa, Eric decide seguir a carreira de escritor, e para conciliá-la com seus compromissos políticos de luta contra qualquer tipo de desigualdade, ele se interessa por reportagens sociais. Eric adota o pseudônimo George Orwell, e seu primeiro trabalho (Na Penúria em Paris e Londres, de 1933) foi resultado de uma experiência em que Orwell se passou por mendigo em Londres, dependendo de casas de caridade para sobreviver, e lavador de pratos nos bairros latinos de Paris. No mesmo estilo de crítica social, Orwell escreveu A Caminho de Wigan Píer, relatando as condições miseráveis em que viviam os mineiros ao norte da Inglaterra. Foi então que em 1933, que George Orwell foi para Barcelona, lutando ao lado do partido revolucionário POUM (Partido Operário de Unificação Marxista) na Guerra Civil Espanhola. Orwell relata suas experiências pessoais e suas análises da conjuntura política do país em diversos escritos, sendo alguns dos mais importantes o “Homenagem à Catalunha” e o “Recordando a Guerra Civil Espanhola”, condensados na edição brasileira Lutando na Espanha. Durante a guerra, Orwell amadurece suas idéias e seus pontos de vista políticos e ideológicos, se tornando um crítico radical a toda forma totalitária de poder, seja ela de direita ou de esquerda. Reflexo desta postura são seus dois romances mundialmente famosos: “A Revolução dos Bichos”, de 1945, e “1984”, uma das obras de ficção do autor considerada por muitos como visionária, lançada em 1949. George Orwell morreu em janeiro de 1950, e foi um homem à frente de seu tempo. Crítico de toda forma de opressão e do controle e da manipulação da “Verdade” pela grande Mídia, Orwell lutou contra as desigualdades sociais que marcaram seu tempo, e perduram no nosso.

Revolução dos Bichos

perfil

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George Orwell foi capaz de imprimir em uma fábula diversos de seus pontos de vista, que refletiam a realidade política mundial. A Segunda Guerra Mundial estava chegando ao fim, porém, as formas autoritárias de poder permaneciam vivas na Europa, principalmente na figura do stalinismo soviético. O sonho utópico comunista de se criar uma sociedade mais justa se desfazia conforme as relações de poder eram apenas reformuladas na URSS. Orwell conta a história de uma fazenda onde os animais se revoltam contra o comando dos seres humanos. Major, um velho porco, conta em seus últimos dias de vida que sempre teve o sonho de um dia viver em um mundo onde homens e animais fossem tratados de forma igualitária, sem serem explorados e submetidos a uma relação de poder desigual. Instigados pelo sonho de Major, os jovens porcos Bola de Neve e Napoleão lideram então a revolução dos bichos da fazenda, e passam a planejar uma sociedade utópica entre eles. Uma vez donos de seu destino, os porcos, que eram os mais inteligentes e letrados, escrevem os 7 Mandamentos na parede do estábulo, e os ensinam a todos os animais. A idéia básica era a de que “quatro pernas bom, duas pernas ruim”. Bola de Neve se esforça para tornar a sociedade dos animais mais justa, porem, durante um ataque dos seres humanos, ele luta bravamente e desaparece. Atraído pelo poder, Napoleão passa a dar as ordens na fazenda, e cria um mito na imagem de Bola de Neve, chamando-o de traidor. Aos poucos os 7 Mandamentos vão sendo flexibilizados, dando mais privilégios aos porcos. Quando contestado pelo restante dos animais sobre as mudanças, os porcos afirmam que tais regras jamais existiram, e que o tudo aquilo era invenção de Bola de Neve. Assim a história segue, e os porcos conseguem subverter o sonho de uma sociedade justa em sociedade com piores condições do que a anterior, quando os humanos eram senhores dos animais. Diversas críticas e reflexões podem ser tiradas de “A Revolução dos Bichos”: o poder corrompe; a História não é algo tão imutável, sendo construída e reconstruída diariamente; e claro, às críticas à forma de governo adotado pela União Soviética. Reiterando o que meu professor uma vez me disse: você não pode deixar de ler “A Revolução dos Bichos”.


© Virgin, Umbrella-Rosenblum Films Production

The BIG BROTHER IS WATCHING YOU Não confundir com o Boninho ou Pedro Bial, o verdadeiro Grande Irmão é uma das personagens mais intrigantes de George Orwell; Cuidado! Ele está de olho em você

1984 “1984” é sem dúvida o livro mais conhecido de George Orwell. Publicado em 1949, as críticas e as reflexões que o livro proporciona são válidas até os dias de hoje. Orwell descreveu com primazia uma das maiores distopias da literatura atual. A história se passa em um mundo onde três grandes impérios que vivem em constante guerra: a Oceania, a Lestásia e a Eurásia. Orwell descreve uma sociedade que vive sob o jugo de um Estado totalitário, que controla a vida de seus cidadãos em todos os sentidos. A História é reescrita diariamente pelo irônico Ministério da Verdade, dependendo dos interesses dos líderes políticos. A população alienada venera a imagem de um líder que já não é visto há anos, o mistificado Grande Irmão. As pessoas são vigiadas constantemente, inclusive dentro de suas casas, graças a uma máquina chamada Teletela. É nesse mundo caótico que acompanhamos a vida de Winston Smith, um homem que passa a olhar com certa estranheza a realidade em sua volta. Ele então passa a perceber que nem todos

seguem realmente às regras estabelecidas pelo Estado, e percebe movimentações de uma possível resistência política. Winston também tem um caso de amor secreto com Júlia, uma militante do Partido Controlador, mas que vive constantes contradições internas em relação ao que prega. “1984” tem todos os elementos para a construção de uma história de ficção científica, e por certo momento, até temos a impressão de estarmos lendo uma. Porém, a cada momento, Orwell nos faz refletir como aquela sociedade controlada pelo Estado totalitário do Grande Irmão se assemelha em diversos pontos com a nossa. Assim como em “Revolução dos Bichos”, “1984” nos inquieta de diversas formas, e nos dá base para pensarmos e discutirmos assuntos tão atuais, como o imenso poder da grande Mídia como formadora de opinião, e construtora de “passados”; a constante vigilância pela qual somos submetidos diariamente em nosso cotidiano; ou como o Estado pode suprimir até as liberdades mais básicas de um cidadão. De fato, ler “1984” é ler nossa própria sociedade, descrita por um homem há 61 anos atrás.

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• Editora: Rocco • Número de páginas: 464

• Editora: Rocco • Tradução: Maria Parula • Número de páginas: 240

O escritor Bernard Cornwell acabada de ter mais um livro lançado pela editora Record. “Azincourt” narra a grandiosa batalha que ocorreu em 1415, no dia de São Crispim. O evento foi tão importante que acabou por ser retratado na peça Henrique V. de Skakespeare. Cornwell que sempre surpreende com os detalhes ao narrar os confrontos épicos é considerado um dos escritores britânicos mais importantes da atualidade. Sinopse: O arqueiro inglês Nicholas Hook tem uma aptidão sem igual para se meter em problemas. Quando seu senhor o envia a Londres em uma força especial designada para conter uma possível insurreição dos lolardos, Nick se descontrola durante uma briga e é declarado fora-da-lei. Refugiando-se do outro lado do Canal, Nick se junta a uma força mercenária da Inglaterra que protege a torre de Soissons contra ataques franceses. Lá, ele presencia as atrocidades que chocaram a Europa e o conduziram de volta para a Inglaterra. • Editora: Record • Número de páginas: 448

A Rainha do Castelo de Ar (Stieg Larsson)

O escritor norte-americano, ex-editor da revista Elle, Eli Gottlieb, lança seu novo livro no Brasil. “O Homem Que Você Vai Ver”é o segundo romance do autor, que já havia lançado The Boy Who Went Away, vencedor de vários prêmios e considerado um livro notável pelo jornal The New York Times. O livro parte de um crime passional para contar a história de Rob Castor, autor que se tornou uma celebridade após o sucesso de seu primeiro livro, e de Nicholas Framingham, amigo de infância do escritor. Rob assassina a namora e depois comete suicídio, com isso a mídia volta à atenção para o seu passado com o intuito de entender o crime. Para isso, contam com a ajuda de Nicholas, que vive uma vida pacata e entediante com a esposa e dois filhos. Ao reconstituir o passado do amigo, Nicholas passa a rever a sua própria história. Dois destinos aparentemente opostos, mas que se mostram mais encadeados do que se imaginava.

Bernard Cornwell (Azincourt)

O cineasta mexicano Guillermo Del Toro (Hellboy e Labirinto do Fauno) estreia na literatura com o livro “Noturno”, primeiro volume da Trilogia da Escuridão, escrita em parceria com Chuck Hogan, conhecido por suas obras repletas de mistério e suspense. Del Toro - que agora se prepara para a adaptação de O Hobbit, romance que precedeu O Senhor dos Anéis, de Tolkien - é considerado um mestre do terror contemporâneo. Suas obras, cheias de horror e fantasia, parecem inspiradas em um pesadelo, com criaturas mitológicas em ambientes surreais. O livro “Noturno” é ambientado em Nova York, onde um vírus causa um surto de vampirismo. No centro da história, o epidemiologista Ephraim Good-weather, que assiste a destruição da cidade e o clima de terror e paranóia entre os que sobrevivem à doença.

O Homem Que Você Vai Ver (Eli Gottlieb)

Noturno (Guillermo Del Toro e Chuck Hogan)

lançamentos

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Chega ao Brasil o terceiro volume da série policial Millennium que vendeu mais de 15 milhões de exemplares no mundo todo. Escrita por Stieg Larsson, respeitado ativista político da Suécia que faleceu em 2004, a obra cult se transformou em um verdadeiro fenômeno por tratar de temas atuais como a corrupção no mercado financeiro e a violência contra a mulher. A adaptação para o cinema de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, primeiro livro da série, deve estrear no Brasil em 2009. Sinopse: Lisbeth Salander agora conta com excelentes aliados. O principal é Mikael Blomkvist, jornalista investigativo que já solucionou crimes escabrosos. No mesmo ‘front’, estão ainda Annika Giannini, irmã de Mikael, advogada especializada em defender mulheres vítimas de violência, e o inspetor Jan Bublanski, que segue sua própria linha investigativa, na contramão da promotoria. “A Rainha do Castelo de Ar” enfoca as mazelas da sociedade - da ciranda financeira ao tráfico de mulheres. • Editora: Companhia das Letras • Número de páginas: 688


• Editora: Companhia das Letras • Número de páginas: 704

• Tradução: Alves Calado • Editora: Best Bolso • Número de páginas: 574

Um dos mais bonitos livros sobre a filosofia Samurai ganhou nova edição pela Conrad. “Hagakure: O Livro do Samurai” divide-se em 11 capítulos onde são explorados alguns dos fundamentos e mistérios que envolvem a vida de um guerreiro. O livro demorou sete anos para ser escrito e narra as conversas entre Yamamoto Tsunetomo e seu aprendiz Tashiro Tsuramoto. Entre os temas explorados na obra estão a importância de se manter integro e a busca pelo equilibro com os elementos que formam o mundo a nossa volta. Mais do que um livro sobre a cultura japonesa, Hagakure acende a busca pela disciplina e autoconhecimento. Uma instigante visão do mundo a partir dos olhos de um guerreiro Samurai. • Editora: Conrad • Número de páginas: 237

Luiz A. Moniz Bandeira (Yamamoto Tsunetomo)

Um dos clássicos da literatura inglesa ganha edição de bolso com tradução na nova ortografia. Escrita pelo norte-americano Henry James, o livro narra de forma ácida os costumes de membros da classe alta britânica na virada do século XX. James possui uma vasta produção, com mais de 20 romances e centenas de contos. Apaixonado pelo modo de vida britânico, o escritor se naturalizou inglês em 1915, um ano antes de sua morte. Sinopse: Maggie, filha de Adam Verver, um milionário americano que coleciona obras de arte, casa-se com Amerigo, um príncipe de família nobre, porém empobrecida. Uma evidente troca de dinheiro por posição social. Adam Verver casa-se com Charlotte, sem saber que ela e Amerigo foram amantes.

Hagakure: O Livro do Samurai (Yamamoto Tsunetomo)

A Taça de Ouro (Henry James)

As Aventuras de Augie March (Saul Bellow)

Saul Bellow é um dos ícones da literatura norteamericana contemporânea. Vencedor do Prêmio Nobel, o autor escreveu sua grande obra “As Aventuras de Augie March” em 1953, que agora ganhou sua primeira tradução para o português. A história se passa nos bairros ao sul de Chicago empobrecidos pela Crise de 29, e retrata a vida de seu anti-herói Augie March, que para superar as dificuldades financeiras, trabalha desde corretor de imóveis à ladrão de livros. Na obra, é possivel ver o otimismo romantico da juventude da época, em contraste do cinismo pessimista dos mais velho. Saul Bellow morreu em 2005, e deixou um grande legado para a literatura norte-americana.

As principais poesias de Luiz Alberto Moniz Bandeira foram reunidas no livro Poética, publicado pela editora Record. O lusobrasileiro, que atualmente mora na Alemanha, é um importante historiador e cientista político que em sua obra já publicou ensaios e livros sobre Jânio Quadros e João Goulart. Moniz já trabalhou com Leonel Brizola e lecionou em diversas Universidades ao redor do mundo. Presença dos Estados Unidos no Brasil: Dois séculos de História, um dos livros mais importantes de sua carreira, é bastante utilizado nos cursos de relações internacionais e chegou a ser traduzido para o russo. Poética é uma bela oportunidade para quem não conhece a obra do autor se familiarizar com os versos inspirados e maduros do historiador. • Editora: Record • Número de páginas: 144


Zรกs! Leu

Dash Shaw (Quadrinhos da Cia)

Umbigo Sem Fundo

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Por Caio Valiengo Dash Shaw é um quadrinista de 26 anos, considerado por muitos um dos grandes nomes da nova geração de graphic novels underground. Seu livro recentemente lançado, “Umbigo Sem Fundo”, mostra que o jovem artista faz por merecer tantas críticas positivas. Desenhado entre 2005 e 2007, Umbigo Sem Fundo conta o drama pelo qual a Família Loony está passando: Maggie e David Loony, depois de 40 anos de casado, decidem se separar, dizendo que não se amam mais. Os três filhos então vão para a casa de praia do casal para tentar entender o motivo da separação. Dennis, o filho mais velho do casal, vai com sua mulher e bebê, e não consegue entender como duas pessoas deixam de se amar, de uma hora para outra, depois de tanto tempo juntos. Ele encara a situação toda como um grande caso de mistério, e revira a casa toda, percorrendo seus labirintos internos atrás de cartas codificadas e provas que mostrem o que de fato se passou. Claire, a filha do meio, vai para a casa de praia com sua filha que está entrando na adolescência, Jill. Ela, que já passou por um divórcio, entende com mais clareza os motivos do pai, mas apresenta uma série de dificuldade para se comunicar com sua filha. Peter, o filho mais novo, se enxerga como o filho caçula deslocado do ambiente familiar, como se todos olhassem para ele, e enxergassem apenas um estranho sapo. E é assim que ele é representado por Shaw na história, como um grande sapo, que trabalha como crítico de cinema, e não consegue superar seus problemas de intimidade, seja com sua família, ou com as mulheres no geral. Dash Shaw já anuncia na primeira página que está é uma história em quadrinhos proibida para crianças. O drama familiar é retratado com muita profundidade, e o livro como um todo é uma experiência gráfica incrível. Sem cores, os traços dos quadrinhos são num tom marrom, e Shaw modifica constantemente o

tamanho dos quadros, trabalha com cenas paralelas, utiliza espaços em branco com perspicácia, e transforma simples movimentos em seqüências quase que cinematográficas. O uso constante de referencias nas imagens, como uma seta indicando de que cor seria uma parede, ou em que direção que o vento sopra, dá a impressão de estarmos lendo um storyboard, o que não é nada incômodo, na verdade, torna a obra como um todo mais charmosa. O livro é dividido em três partes, e o autor dá a dica: faça uma pausa entre cada uma. O que na verdade é uma regra muito difícil de ser obedecida, e as mais de 700 páginas do livro voam num instante, nos proporcionando uma leitura dinâmica, fluida, mas com um conteúdo muito sóbrio e profundo, com pitadas precisas de humor e sarcasmo. Além de “Umbigo Sem Fundo”, Dash Shaw possui uma série de outras histórias em seu site oficial. O autor planeja transformar em livro sua série “Bodyworld”, que pode ser vista em inglês em seu site. Dessa vez, Shaw diz que irá usar cores, e o formato do livro será na vertical, tal qual uma página de Internet. Para os fãs de histórias em quadrinhos mais alternativas, esse é um nome que você deverá passar a dar mais atenção futuramente. Confira o trabalho de Dash Shaw em seu oficial em http://www.dashshaw.com/

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André Diniz e Antonio Eder (Conrad)

Por Artur Guimarães O roteirista André Diniz recorre a lembranças de infância e das jornadas por vidas passadas para escrever “7 Vidas”. O livro viaja por diferentes épocas e lugares do mundo. Os desenhos ficaram por conta de Antonio Éden, que já havia trabalhado com Diniz em “Chalaça – O amigo do Imperador”. Na história, o personagem baseado no próprio André Diniz, resolve fazer sessões de regressão. Todo o processo é contado com uma riqueza incrível de detalhes, os desenhos nos transmitem para o mundo criado pelo autor durante a experiência. No começo ele viaja por momentos de sua infância e adolescência, um exercício que permite à memória resgatar acontecimentos adormecidos em sua lembrança. Desde a recordação de brinquedos, e momentos divertidos na sala de aula e com os amigos, até as de uma sala de hospital onde o pai de André esperava para morrer, as cenas vão se mostrando ao personagem e voltam a ganhar relevância em sua vida.

7 Vidas

Zás! Leu

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Nos próximos encontros com a analista, André volta às vidas passadas em uma jornada rumo ao autoconhecimento, onde surgem as respostas para problemas que o escritor carrega em sua vida atual. As dores terríveis na perna, por exemplo, são carma de acontecimentos em uma vida há séculos atrás. De empresário gaúcho a um religioso italiano na Idade Média, André percebe que os eventos de uma vida acabam por encontrar desfecho e justificativa em outra existência, com contextos e épocas diferentes. As ilustrações em preto e branco são impecáveis e o ritmo da narrativa é tão bacana que é praticamente impossível largar o livro antes de terminar de ler. Mais do que lembranças nostálgicas de mundos que a principio parecem indiferentes ao leitor, o livro nos leva em uma aventura tocante de um homem em busca de respostas nas vidas passadas.

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Edson Athayde é um publicitário brasileiro que vive em Portugal, e é conhecido e reconhecido como o Guru em sua área. Como escritor, lançou seu sétimo livro nesse ano, “O Endireita”. Na publicidade, Edson Athayde é considerado um inovador, e o mesmo pode ser dito na literatura, não em relação a seu estilo, ou os temas que aborda, mas pela forma em que apresentou seu último livro: “O Endireita” não possui versão impressa, ele foi feito exclusivamente para a internet. De acordo com o autor, em entrevista, a tecnologia permite superar uma série de problemas relacionados à distribuição e venda de um livro, então por que não usá-la? Então basta um clique, e o livro está disponível na íntegra em sua tela, seja na versão em Flash, ou em PDF, livre para a impressão para aqueles que não conseguem superar o fetiche do livro impresso. E a inovação não para por aí: “O Endireita” também foi o primeiro livro a ser lançado seguindo as novas normas do Acordo Ortográfico, seja esta inovação para o bem ou para o mal. Independente disso, “O Endireita” é um livro muito gostoso de ler. Divido em 13 pequenos contos, Edson Athayde brinca com as palavras, fazendo ocasionalmente o uso de rimas, de modo que o texto flui muito bem. Transitando entre a forma de escrever do português brasileiro e o português de Portugal, nos deparamos às vezes com palavras desconhecidas, mas que fazem todo sentido quando ali colocadas.

Não espere um final feliz, nem uma moral de história ao fim de cada conto. O que vale é se deixar levar pelas palavras informais, pelas histórias e personagens estranhos, cujas conquistas são efêmeras, cujos amores são inalcançáveis, e cujos destinos são inevitáveis. Para ler O Endireita, acesse: http://www.oendireita.com/

O Endireita foi adaptado para o teatro pelo diretor Zé Henrique de Paula. É claro que o Zás! foi conferir, veja a matéria na página 72

Em cada conto, viajamos por uma história diferente: o homem que mentia toda vez que lhe perguntavam “E quem você pensa que é?”, e vivia da mentira até ouvir a maldita pergunta novamente. O garoto feio e sem graça que se apaixona pela mais bela garota numa tarde no circo, a salva das garras de um leão, e depois nunca mais a vê de novo. Ela segue sua vida, se casa, mas nunca mais amou ninguém como ele. O rapaz sem braços nem pernas cujo maior sonho era atravessar a nado o Canal de Mancha. E o próprio endireita, aquele que conserta as costas dos outros, que numa missão especial, endireitou as costas do Presidente no mundo, dando novas esperanças para toda gente, não fosse o Presidente se afogar mais tarde em seus próprios excrementos.

Leia

O Endireita

Edson Athayde (Independente)

ilustração: David Rafachinho

Por Caio Valiengo


Zás! Leu

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O Prédio , o Tédio e o Meni no Cego Santia

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Por Artur Guimarães Não é a toa que Santiago Nazarian foi eleito em 2007 um dos autores jovens mais importantes da América Latina. “O Prédio, o Tédio e o Menino Cego”, seu quinto romance, trata de maneira impecável de temas recorrentes na obra do autor (diversidade de tribos, descoberta sexual, etc.). Sete meninos enfrentam a passagem para a adolescência em um prédio inclinado que fica de frente para o mar. O abandono dos pais e o fato de a escola permanecer em greve permanente fazem com que os meninos passem a se educar por si mesmos. O tédio e o ócio passam a fazer parte do cotidiano dos garotos em um livro sobre descoberta e transformação.

Foto:

Motta Fabio

Com humor corrosivo e lirismo de deixar qualquer escritor de queixo caído, Santiago ilustra o dia-a-dia de Andrógino, Narciso, Mestiço, Atleta, Negro, Junkie e Gordo. Os clichês adolescentes são explorados de forma criativa com um sadismo desconcertante. Os perfis diferentes do grupo se completam em um mundo onde os adultos são corruptos e egoístas. O clima tedioso da vida dos pré-adolescentes só é quebrado quando a professora Regina se muda para o prédio. Ela rapidamente conquista os rapazes e faz jogos psicológicos para brincar com o ego de cada um deles, deixando todos em suas mãos. Coisas estranhas passam a acontecer, como assassinatos e o aparecimento de zumbis. Com personagens ricos e um ritmo delicioso, o autor explora as angustias e incertezas do jovem do mundo moderno. Para quem ainda não leu nenhum texto do autor, vale a pena acessar o blog: www.santiagonazarian.blogspot.com

Revista Zás! | outubro 2009

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Foto:

Pya Li ma

Zรกs! Viu

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A relação do homem com o dinheiro é tema de adaptação de clássico do alemão Berthold Brecht

Na Selva das Cidades

Por Artur Guimarães Na Selva das Cidades, do poeta e dramaturgo alemão Berthold Brecht volta a ficar em cartaz em São Paulo. A peça que completa 40 anos da primeira encenação e cumpriu temporada popular com casas lotadas de 11 de setembro a 11 de outubro na Funarte, segue em cartaz no teatro Aliança Francesa a partir do dia 17 de outubro às 21h00 horas, com ingressos a R$ 20,00. A montagem do Cia Teatro Incêndio, dirigida por Marcelo Marcus Fonseca, fala sobre a relação do homem com o dinheiro. O grupo faz uma releitura que adapta o texto a realidade do país. O dinheiro é o grande protagonista da história, é praticamente impossível sair do espetáculo sem uma série de minhocas na cabeça, um verdadeiro tapa na cara do homem moderno: “Queremos que as pessoas saiam do teatro e façam uma reflexão sobre o que acabaram de ver. Estamos convidando as pessoas a pensarem”, comenta Marcelo Marcus Fonseca. Na peça, dois homens se digladiam na disputa pelo poder. Somos apresentados a uma sociedade agressiva e egoísta, em que o homem destrói o seu semelhante sem saber verdadeiramente o motivo. 14 atores, com interpretações impecáveis, nos apresentam um espetáculo onde cinismo, música e poesia se unem para contar a história do homem moderno. O prazer da luta pelo capital é apenas uma deformação da vontade insaciável do homem pela competição. Uma família de pessoas simples parte para cidade grande em busca de uma vida melhor e acaba sendo destruída pela ganância e por esse desejo irreprimível pelo poder.


Zás! Viu

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Por Caio Valiengo Adaptação do livro homônimo do publicitário Edson Athayde pelo prestigiado diretor de teatro Zé Henrique de Paula, O Endireita é uma peça intrigante, desconcertante, e ao mesmo tempo, encantadora. A experiência já começa no próprio teatro, o Teatro do Centro da Terra, onde temos que descer inúmeros lances de escada para chegar ao palco, tudo no melhor clima de uma escavação. Uma vez sentados no teatro, temos a sensação de voltarmos no tempo quando escutamos à uma velha campainha, anunciando que as cortinas de veludo vermelhas logo se abrirão.

O Endireita

Iniciada a peça, o primeiro suspense: três homens e uma mulher se encontram no palco, com trajes exagerados, e maquiagens de um palhaço triste. Dois deles sentados de frente para duas penteadeiras localizadas em lados opostos do palco, a mulher sentada, e o último homem ao fundo. Enquanto um se olha no espelho, o outro fuma, e prendemos a respiração para apreender cada detalhe da cena que se parece mais com uma fotografia. A tensão só é quebrada quando os quatro personagens se movem em direção à platéia, e os diálogos se iniciam, se sobrepondo, de forma quase que musical. É difícil dizer sobre o que se trata a história da peça O Endireita, uma vez que o livro é um mosaico composto por diferentes contos, e personagens bizarros. Mesmo assim, a peça nos traz com perfeição o espírito do livro, e consegue costurar as diferentes personagens e situações descritas na obra. Mesmo sem muitos objetos cênicos, conseguimos enxergar com clareza os diferentes personagens, o endireita, o presidente do mundo, o rapaz sem braços nem pernas que quer atravessar o canal da Mancha, e a bela mulher chamada Maria Rita (ou Rita Maria), que nunca recusou amor a ninguém, somente ao homem que não tinha coração.

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Foto: Lenise Pinh

Se você leu o livro de Edson Athayde, então não deve perder a peça. E se você viu a peça, então não deve deixar de ler o livro.


Por Artur Guimarães A “Cia. Barbixas de Humor” apresenta o espetáculo “Improvável”, não confundir com “Os Improváveis”, ou “O Improvável”, pelo menos é o que pedem os atores Daniel, Anderson e Elidio, antes do espetáculo. Parece que tem gente imitando os caras por aí. Vamos ao que interessa, “Improvável” é um projeto de humor baseado em improvisação, a plateia sugere temas e os “jogadores” tem de se virar para cumprir com os desafios.

um espetáculo provavelmente bom É, isso depende da inspiração dos caras, mesmo assim, boas risadas estão garantidas

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Com traços do espetáculo “Whose Line Is It Anyway”, que ganhou uma série de televisão apresentada por Drew Carey, os três atores recebem sempre um convidado especial para participar da brincadeira. Já passaram por lá nomes como Oscar Filho, Marcela Leal, Marco Luque, Marcelo Tas e Márcio Ballas. Inicialmente, Rafinha Bastos era o apresentador oficial (agora ocorre um revezamento), os vídeos foram parar no You Tube e atingiram a incrível marca de 4 milhões de acessos por mês. Quadros como “Troca”, “Imitações Improváveis” e “Tradução Simultânea” conquistaram internautas e hoje o grupo se apresenta uma vez por semana no Tuca, sempre às quintas-feiras, com lotação máxima. O espetáculo garante boas risadas, principalmente quando as piadas não funcionam. A plateia interage do início ao fim e, as vezes, alguns engraçadinhos tentam chamar mais atenção do que os atores. Se você ainda não conhece o trabalho dos caras, eles participam do programa “Quinta Categoria” da MTV ao lado de Mionzinho e Marcos Mion. O You Tube está aí também. Vale a pena.

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Marco Luque volta a São Paulo para mais uma temporada do seu espetáculo “Tamo Junto!” Sozinho em cena, o ator relembra histórias pessoais e revela ao público, que se torna cúmplice durante todo o espetáculo, suas reflexões sobre assuntos do cotidiano. Há 10 anos, o ator humorista pendurou as chuteiras de jogador de futebol, para tornar-se ator. Conquistou o público com seus personagens hilários, como o taxista “Silas Simplesmente”, a empregada “Mary Help”, o carioca “Pepê” entre outros. Atualmente apresenta o programa CQC, na Tv Bandeirantes, e mantém um quadro na rádio Mix com o motoboy “JacksonFive”, um de seus personagens de maior sucesso. Até o dia 25 de novembro, no Tuca.

A Comédia dos Erros

A comédia “Risoterapia”, com texto de Nilton Rodrigues, está em cartaz noTeatro Cosipa Cultura, quarta, às 21 horas, para temporada às quartas e quintas até o dia 28 de outubro. Com direção de Creusa Borges a peça tem, além do autor, a participação de Everton Santos e de Rosi Campos (em vídeo). A temporada segue até 28 de outubro. Dividida em quadros a peça apresenta, em cinco esquetes, diversos personagens com diferentes origens, manias, pontos de vista e personalidades. Eles fazem tratamento com o mesmo psicoterapeuta e são convidados por ele a participar de um simpósio, para demonstrar que o método da Risoterapia, a cura pelo riso, realmente funciona. Os pacientes fazem uma viagem pelo inconsciente e narram suas experiências como se estivessem se confidenciando ao terapeuta. A atriz Rosí Campos faz uma participação em vídeo, dando vida à Dra. Naubat Beem da Cachola, especialista em Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Tamo Junto!

A atriz Esther Góes está de volta com o monólogo “Determinadas Pessoas Weigel”, na Sala B do Teatro Alfa, em São Paulo, aos sábados (21h) e domingos (20h), até 29 de novembro. Escrita pela própria Esther e por Ariel Borghi, também diretor da montagem, a peça trata da vida e obra de Heléne Weigel - atriz, militante política na Alemanha dos anos 20 do século passado, mulher do dramaturgo Bertold Brecht e uma das fundadoras do Berliner Ensemble. O espetáculo conta com participação especial em vídeo dos atores Renato Borghi e Henrique Schafer (ambos como Bertold Brecht) e Eucir de Souza (como Emigrado), além do próprio diretor Ariel Borghi, este ao vivo. Esta é a primeira vez que Ariel a mãe Ether atuam juntos. Ambos concordam em dizer que é muito bom trabalharem em parceria, pois pensam a arte da mesma forma.

Risoterapia

Determinadas Pessoas - Weigel

Em Cartaz

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Reconhecida como a primeira peça do mestre, foi escrita por volta de 1594, conta com a tradução e adaptação de Marcos Daud e direção de Carlo Milani, além de elenco de grande prestígio no teatro e televisão, são eles: Bruno Garcia; Marcelo Laham; Monique Alfradique; Erika Altimeyer; Salete Fracarolli; Ravel cabral Jorge; Marcello Boffa; Roberta Alonso; Pablo Sgarbi; Eduardo Muniz e participação especial de Isaac Bardavid. A história tem início quando um casal é atingido por um naufrágio e se separa. Egeon, o pai, escapa com um de seus filhos gêmeos, Antífolo, e um de seus criados, também gêmeo, Drômio. Emília, a esposa, foge com o outro Antífolo e o outro Drômio - os dois irmãos e os dois criados possuem o mesmo nome. Com o passar dos anos, Egeon se estabelece na cidade de Siracusa, enquanto Emília vai para a cidade de Éfeso. Quando Antífolo de Siracusa resolve procurar seu irmão, as confusões têm início. Em cartaz no Teatro Anhembi Morumbi até o dia 15 de novembro.


Até o dia 25 de outubro, a Companhia do Feijão estará em cartaz em São Paulo com o espetáculo “Veleidades Tropicaes”. As apresentações acontecem na sede da companhia, sempre de sexta a domingo. Veleidades tropicaes, o nono espetáculo da companhia, é o primeiro resultante de uma ampla pesquisa sobre a Utopia, iniciada em fins de 2007. Nesta obra estão alguns dos resultados obtidos através da investigação sobre a identidade (ou as identidades) da política e dos políticos nacionais, supostamente uma classe que deveria estar na vanguarda pela luta por reais melhorias na vida do cidadão comum. O espetáculo apresenta-se como uma colagem satírica, alegórica, de episódios relacionados à natureza, à formação e ao comportamento eternamente ambíguo dos nossos representantes políticos, a partir de suas relações de base com o poder e da degradação da figura e preceitos republicanos. Como pano de fundo, uma progressiva constatação do despropósito de qualquer discurso construtivo.

Liz

Já como parte da pesquisa - subvencionada pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo (em sua 15a Edição) -, a ser realizada em 2010 pela Cia da Revista, volta em cartaz em temporada popular no Minitetaro dia 17 de outubro, sábado, às 21 horas, a peça “Bem Aventurados os Anjos que Dormem” (de Marilia Toledo) com ingressos único a R$ 5,00. As sessões acontecem aos sábado às 21 horas e domingos às 20 horas, até 29 de novembro. De acordo com Kleber Montanheiro, diretor do espetáculo, a pesquisa de linguagem que resultará em nova peça no ano que vem será iniciada com a reestreia de Bem Aventurados os Anjos que Dormem. “Pensei em mexer nos próprios espetáculos da companhia. Vamos mudar a encenação, que agora sai do palco giratório e vai para outro ambiente”.

Veleidades Tropicaes

Bem Aventurados os Anjos que Dormem

Stranger – Estranho?

Os 20 anos da Cia. de Teatro Os Satyros apresentam Stranger – Estranho?, espetáculo musical com a atriz transexual cubana Phedra D. Córdoba. O show e fica em cartaz todas as segundas-feiras, 21h, no Espaço dos Satyros UM. O repertório varia entre releituras de clássicos latinos, como Mercedes Sosa e La Lupe, até versões de “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas, e “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, de U2. A idéia do espetáculo musical começou na viagem dos Satyros para Cuba, no ano passado, para apresentar a peça LIZ. Depois de sair de Cuba, foi a primeira vez que Phedra retorna ao seu país de origem. No momento, Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, fundadores da Cia. de Teatro Os Satyros, convidam a atriz para celebrar os 20 anos da Cia. A partir daí, Phedra começa a escolher o repertório, dando prioridade à música cubana. “Rodolfo já conhece meu lado atriz, agora vai conhecer meu lado vedete”, revela Phedra D. Córdoba, com seu sotaque típico.

Está em cartaz até o dia 19 de dezembro, no Espaço dos Satyros UM, o espetáculo “Liz”, que mistura história, lenda e realidade. Narra o momento em que a Rainha Elizabeth I é informada sobre as idéias heréticas que se debatem no círculo da Escola da Noite. A peça representa um painel caótico de um tempo de grandes tensões, emoções e descobertas. O poder e a grandeza de Elizabeth I são postos em destaque, assim como sua solidão e fragilidade. “Liz” é o primeiro texto cubano montado pelo Satyros. O elenco é composto por Cléo De Páris, Ivam Cabral, Fábio Penna, Germano Pereira, Brígida Menegatti, Alberto Guzik, Silvanah Santos, Phedra D. Córdoba, Tiago Leal, Julia Bobrow e Chico Ribas. O texto é de Reinaldo Montero e a direção de Rodolfo Garcia Vázquez. O cenário foi criado por Marcelo Maffei; a trilha sonora é de Ivam Cabral; e o desenho de luz é de Rodolfo García Vázquez.


especial

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Salvador DalĂ­

Um dos maiores nomes do movimento surrealista e a Guerra Civil Espanhola

Por Mariana Buendia


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Salvador Felipe Jacinto Dalí i Domènech nasceu no dia 11 de maio de 1904, na cidade catalã de Figueras, na Espanha. Começou a pintar aos seis anos, e aos nove entrou para a Escola Municipal de Desenho. Em 1922, começou seus estudos de pintura na Escola de Belas Artes de San Fernando, em Madri, fazendo parte da chamada “geração de 27”, juntamente com o cineasta Luís Buñuel e o poeta Federico García Lorca. Sentindo-se insatisfeito com o ensino da Academia, acabou sendo expulso da Escola de Belas-Artes em 1926 por insubordinação. Nesse primeiro momento, as obras de Dalí podem ser consideradas impressionistas, mas aos poucos passam a apresentar clara influência do cubismo. O círculo social de Dalí contava com alguns dos mais célebres artistas da época, como Pablo Picasso e Joan Miró. Este o introduziu ao grupo dos surrealistas e ao seu fundador, André Breton, o que determinou uma nova fase em sua carreira artística, a do Surrealismo. Nesse período Dalí também conheceu Galina Ivánavna Diákanava, apelidada de Gala, sua primeira e única mulher, que passou a ser sua musa inspiradora e companheira. O posicionamento político de Dalí, que demonstrava uma certa preferência à monarquia católica e, portanto, aos nacionalistas, criou discordâncias em relação aos surrealistas, defensores das teorias marxistas e dos republicanos espanhóis. Além disso, as obsessões particulares e as extravagâncias de Dalí passaram a incomodar os surrealistas, que mais tarde acabaram rompendo com ele, acusando-o de ser um elemento fascista. Em outubro de 1934, com a proclamação da autonomia do Estado Catalão em relação à República Federal Espanhola, Salvador Dalí e Gala fugiram da Catalunha, e em novembro foram para Nova Iorque. Durante a Guerra Civil Espanhola, estiveram em Paris, Roma e Florença. Na Itália, Dalí passou a influenciar-se pela tradição clássica, e suas obras passaram a refletir um caráter mais consciente. No período posterior, suas composições revelam uma mistura de arte-pop, expressionismo abstrato e ciência. Salvador Dalí faleceu no dia 23 de janeiro de 1989, em Figueras, sete anos após a morte de Gala. As obras de Dalí passaram por diversas fases em diferentes momentos de sua vida, mas são aquelas

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produzidas entre 1929 e 1939 que estão entre as mais importantes composições do artista. Esse período caracterizou-se mais pelas influências do Surrealismo. Os primeiros fundamentos teóricos do Surrealismo foram desenvolvidos por André Breton no Primeiro Manifesto Surrealista, lançado em 1924. Nesse manifesto, o Surrealismo foi definido como “puro automatismo físico, que expressa verbalmente, por escrito ou por outras vias, o verdadeiro processo do pensamento, sem o controle exercido pela razão e longe de qualquer preocupação estética e moral.” Breton propunha a harmonização entre sonho e realidade, sendo o sonho uma forma de conexão entre o consciente e o inconsciente. No princípio, o movimento foi basicamente voltado para as expressões artísticas literárias. Entretanto, seu interesse em fixar as imagens dos sonhos fez com que sua representação visual se tornasse necessária. Logo depois, Breton publicou um artigo que mais tarde seria incorporado ao livro O Surrealismo e a Pintura, estabelecendo os princípios da pintura surrealista. A grande contribuição de Dalí para o Surrealismo foi o desenvolvimento do método paranóico-crítico. Esse método teve grande influência da psicanálise de Sigmund Freud, que evidenciou a importância da memória e das experiências esquecidas no inconsciente e o papel dos sonhos e da livre associação de idéias como meio de atingi-las. Dalí propunha a formalização, de maneira concreta, dos fenômenos delirantes e das livres associações de idéias até conseguir chegar à idéia obsessiva, buscando o rompimento com o mundo dos objetos sensíveis. O método paranóico-crítico firmou-se como um processo espontâneo de conhecimento irracional que permitia articular o racional e o irracional, o consciente e o inconsciente, o simbólico e o arquétipo. A partir de uma só visão, seria possível criar imagens simultâneas, liberando os objetos de seus significados convencionais. Esse procedimento também teve grande influência da chamada teoria psicológica de Gestalt da relação figura-fundo: as imagens podem funcionar como figura ou como fundo, dependendo unicamente dos olhos do espectador.

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Bibliografia

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Coleção Gênios da Arte: Dalí (Tradução Mathias de Abreu Lima Filho). Barueri, SP: Girassol; Madri: Susaeta Ediciones, 2007. DESCHARNES, Robert; NÉRET, Gilles. Dalí: la obra pictórica. Köln: Taschen, 2005. NÉRET, Gilles. Salvador Dalí. Köln: Taschen, 2004. Os grandes artistas modernos: Dalí, Chagall, Redon. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1991.


A partir desse método, Dalí desenvolveu algumas de suas composições da Guerra Civil Espanhola. A guerra desestrutura e distorce a realidade, impossibilitando assim sua apreensão através da racionalidade. O sofrimento, a dor e agonia causados pela guerra devem, portanto, ser captados pelo inconsciente. Dessa forma, ao propor a representação da guerra através da irracionalidade do método paranóico-crítico, Dalí opunha-se à racionalidade que levava à guerra. Nas palavras do próprio artista, “à medida que os acontecimentos avançavam, sentia-me mais apolítico e mais inimigo da história”. A barbárie da Guerra Civil Espanhola foi para Dalí o fracasso de todas as ideologias, não se tratando mais de estar ao lado dos nacionalistas ou dos republicanos, dos fascistas ou dos comunistas, mas sim de defender a sua própria ideologia, e ser cada vez mais “daliniano”. Adiante serão analisadas duas dessas representações “dalinianas” da Guerra Civil Espanhola (veja nas próximas páginas). Segundo o artista, “a Espanha em chamas ilustrou este drama do renascimento de uma estética. Ela serviria de holocausto a esta Europa de pós-guerra atormentada por dramas ideológicos, inquietudes morais e estéticas.” Na obra Construção Mole com Feijões Fervidos: Premonição da Guerra Civil Espanhola podemos ver um monstruoso corpo humano contorcendo-se e estrangulando-se com grande força. Esse corpo está deformado, podendo ser distinguidas apenas algumas partes dele: o rosto, um peito, os pés, as

mãos e um braço. A força com que o corpo estrangula-se é percebida pela contração dos músculos e das veias do braço, que pressiona o peito desse monstruoso corpo humano. A dor e o sofrimento dessa contorção estão refletidas na expressão do rosto. No chão, há um móvel com gavetas, que podem estar abertas ou não, mas devido à sombra refletida não é possível identificar. Além deste móvel, há um homem, muito menor em relação ao mostruoso corpo, provavelmente olhando para a mão dessa figura humana, que está no caída. Há também feijões, únicos restos de comida visíveis, espalhados pelo chão. Essas imagens são retratadas com cores pesadas, em tons de bege e marrom, enquanto o céu é retratado tanto com cores vivas quanto com cores sombrias. Na parte superior, destacam-se os tons de azul, os quais, à medida que chegam à parte inferior, misturam-se com as nuvens, que anunciavam a tormenta que assolava o país, adquirindo uma tonalidade esverdedada. Essa obra, inicialmente denominada apenas Construção Mole com Feijões Fervidos, teve o seu subtítulo adicionado com a eclosão da Guerra Civil Espanhola. Apesar de ter sido feita seis meses antes da guerra, reflete o caos e o horror dos momentos anteriores à ela. Trata-se de uma das referências mais agressivas e impactantes da Guerra Civil da Espanha. A guerra é representada como um canibalismo destrutivo: o monstruoso homem que se autoestrangula representa a Espanha, que se auto-destrói.


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O terrível rosto retratado tem uma clara relação com o rosto de Saturno de Goya. Saturno era o deus romano do tempo e da agricultura, mas para os gregos era Cronos, pai de Zeus. Temeroso de ser destronado pelos próprios filhos, Cronos devorou todos eles, mas sua irmã e esposa Rea conseguiu salvar seu último filho, Zeus. A imagem de Saturno é relacionada com a morte e com a melancolia.

Acredita-se que o homem no canto esquerdo da imagem, olhando para a mão do montruoso corpo, seja uma referência a dois amigos de infância de Dalí, representando uma espécie de saudade e nostalgia pela Espanha de sua infância.

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Salvador Dalí, Construção Mole com Feijões Fervidos: Premonição da Guerra Civil Espanhola, 1936. Óleo sobre tela, 100X99 cm. Museu de Arte, Filadélfia.

Durante a Antiguidade, o feijão possuía um duplo significado simbólico associado à vida e à morte, pois de um lado relacionava-se com a alma dos mortos e, de outro, com o embrião humano. Era utilizado como oferenda para celebrar o plantio e a colheita, além de casamentos e enterros, buscando-se agradar os deuses e afastar os maus espíritos. Simbolizava também a guerra e a fome. Os feijões espalhados pelo chão nessa imagem fazem referência a esse significado simbólico que vem desde a Antiguidade, representando a fome devido à ausência de alimento durante a guerra.


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A gaveta aberta, da qual saem vísceras humanas e sangue, deixa escapar a morbidez e o maucheiro da guerra. Nas palavras do próprio artista: “De toda a Espanha martirizada subia um odor de incenso, de carne de sacerdote queimada, de carne espiritual esquartejada, misturada com o odor penetrante do suor das massas fornicando entre elas e com a morte.”

Salvador Dalí, Espanha, 1938. Óleo sobre tela, 91.8X60.2 cm. Museu Boymans-Van Beuningen, Roterdã.


A representação dos homens combatendo é uma referência aos desenhos de Leonardo da Vinci sobre a Batalha de Anghiari. Em 1503, os líderes da Florença encarregaram da Vinci de retratar as vitórias florentinas, que foram representadas inicialmente em esboços. Os guerreiros de da Vinci foram retratados de formas contorcidas e as figuras foram sobrepostas para o planeamento da composição.

Peter Paul Rubens, cópia da Cópia da Batalha de Anghiari de Leonardo da Vinci.

Na obra Espanha, há, em um primeiro plano, um móvel retangular de grande comprimento vertical, no qual há uma gaveta aberta. De dentro dessa gaveta, escorre um material vermelho cuja consistência nos remete às viceras humanas. Apoiada nesse móvel há uma figura feminina cujo corpo, exceto os pés e um dos braços, é formado através de uma junção das imagens que estão em um segundo plano. Nesse segundo plano, as imagens são menores em relação às do primeiro plano. Nele, aparecem homens com escudos e espadas, montados em cavalos, guerreando entre sí. A disposição desses homens lutando dá forma à mulher do primeiro plano: o seu rosto é formado por um grupo de homens em combate; seu peito é formado por dois homens montados em cavalos, em que um está na iminência de derrubar o outro do cavalo com uma grande espada; seu corpo é formado por traços que podem representar o vento ou a própria terra. Ao fundo, podemos ver alguns morros e

construções, como se estivessemos vendo, de fora, e de longe, a entrada de uma cidade. São utilizadas cores pesadas e sombrias para representar o céu, a terra, os homens, a mulher e o móvel. Dalí dá preferência ao bege, ao ocre e ao marrom. Destaca-se apenas o vermelho das vísceras que saem da gaveta. Podemos ver nesse quadro um exemplo da aplicação do método paranóico-crítico de Dalí. Há uma combinação entre figura e fundo, em um jogo de imagens no qual pode se ver a figura – a mulher – ou o fundo – os homens combatendo – dependendo apenas dos olhos do observador. As imagens são múltiplas e simultâneas. A figura feminina é, na verdade, uma alegoria da Espanha, e os homens lutando ao fundo representam os nacionalistas e os republicanos durante a Guerra Civil Espanhola. Dalí nos leva a entender que, naquele momento, o que constituía a Espanha era a guerra.

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Um dos primeiros artistas chineses a conquistar o Ocidente, Yang Shaobin traz ao Brasil exposição concebida especialmente para o MASP, com 50 obras produzidas de 96 até os dias de hoje, algumas delas nunca exibidas. Destaque em 99 na Bienal de Veneza, artista mostra sua percepção sobre a violência política e social em telas como as dedicadas a Fidel Castro, Saddam Hussein e a vítimas da intolerância. A mensagem direta e inquieta do chinês Yang Shaobin, que causou polêmica e excitação na última década na Europa e América do Norte, chega em agosto ao Brasil. Especialmente concebida pelo artista, pela curadora Tereza de Arruda e por seu galerista Alexander Ochs para o MASP, “Primeiros Passos, Últimas Palavras” marca a estreia de Shaobin na América Latina e traz 50 pinturas sobre tela e desenhos sobre papel produzidos entre 1996 e 2009, algumas delas inéditas. A mostra fica em cartaz de 13 de agosto a 18 de outubro, no 1º andar do museu. Até o dia 18 de outubro.

Paraísos Possíveis

Esta exposição no Instituto Tomie Ohtake reúne 72 cartazes de designers gráficos, a maioria franceses, provenientes da Maison du livre et de l’affiche, de Chaumont, cidade que se tornou um dos lugares internacionalmente reconhecido na área do grafismo contemporâneo. Essa vocação se originou quando, em 1905, o botânico e colecionador Gustave Dutailly doou sua coleção de cartazes à Prefeitura de Chaumont, lançando, já naquela época, as bases de uma política cultural municipal dedicada às artes gráficas. Hoje a Maison du livre et de l’affiche abriga uma coleção com 32.000 cartazes que representam as diversas correntes e a criação gráfica contemporânea internacional, além das 5.000 obras antigas do colecionador francês. A exposição, com curadoria de Christelle Kirchstetter, e o designer gráfico brasileiro Rico Lins, de um lado concentra 24 peças históricas, selecionadas da Coleção Dutailly. Até o dia 22 de outubro.

Primeiros Passos, Últimas Palavras

Com cerca de 70 obras, a Estação Pinacoteca exibe exposição com as obras de “Fayga Ostrower”, adquiridas pelo museu em 2009, e outras que foram doadas pelos filhos de Fayga, Noni Ostrower e Carl Robert Ostrower, em 2005. A curadoria é de Carlos Martins, pesquisador da Pinacoteca do Estado de São Paulo. A exposição está dividida em três módulos: o percurso inicial exibe as primeiras obras realizadas nos anos 1940 e princípios dos anos 50, que corresponde ao período de aprendizado da artista, quando produziu obras com forte temática social e influência expressionista. O módulo seguinte apresenta o pioneirismo da artista para a abstração no Brasil. Em 1954 ela foi uma das primeiras artistas a se interessar por questões formais, deixando de lado a figuração. O último segmento mostra a produção de 1970 até 2001. Os trabalhos ganham nova dimensão e a cor passa a ser o assunto predominante na imagem a ser gravada. Até o dia 25 de outubro.

Chaumont

Fayga Ostrower

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“Paraísos Possíveis” de Dias & Riedweg no Instituto Tomie Ohtake, com curadoria de Agnaldo Farias, é a primeira grande mostra do duo de artistas na cidade de São Paulo. A exposição apresenta um conjunto de dez obras realizadas entre 2006 e 2009, sete inéditas no Brasil. São videoinstalações e fotografias em torno do conceito de paraíso – paraísos da história, paraísos do futuro, paraísos da percepção, paraísos em trânsito, paraísos-fuga, paraísos-gueto, paraísos possíveis. Seguindo o tema recorrente de sua obra, a alteridade, Dias & Riedweg apresentam nesta exposição diferentes possibilidades de entendimento e novas indagações sobre as relações humanas em seus territórios, suas relações com seus habitats e contextos, não somente no aspecto sociopolítico, mas, sobretudo, no aspecto subjetivo. Até o dia 25 de outubro.


Dudi Maia Rosa, artista que fez parte do elenco fundador da Millan, retorna à galeria com a exposição Plásticos, composta por sete pinturas feitas em 2009. Utilizando um material comumente mais associado à indústria do que às artes, o “fiberglass”, desde o início da década de 80, Maia Rosa tem como característica principal de sua poética levar o espectador a um ponto de não reconhecimento imediato da prática pictórica, ao abordar as relações entre matéria, superfície e suporte. As obras reunidas nesta exposição, feitas todas com resina poliéster e fibra de vidro, são quadradas, com estruturas regulares e vazias, em dimensões de 170 x 170 cm e 130 x 130. Sua particularidade em relação a trabalhos anteriores de Maia Rosa está na lisura de suas superfícies. Moldadas contra o vidro, as obras parecem, pela precisão de seu acabamento, ligadas ao universo dos readymades. São, na verdade, peças únicas feitas de modo quase que completamente artesanal. Até o dia 11 de novembro, na Galeria Millan.

Uma Aventura Moderna – Coleção de Arte Renault

Aberta à visitação de 21 de outubro a 08 de novembro, “idealword.org” contempla uma seleção de quatro obras do artista espanhol Enrique Radigales produzidas nesta última década. Os trabalhos apresentam propostas estéticas para o desenho e a pintura digital baseadas em pesquisas pictóricas que utilizam programação em html. A web art que dá nome à exposição – idealword.org (2003-2009) –, composta por desenhos digitais originariamente publicados na internet em 2003, levanta questões no campo da estética digital dentro da internet. Esta obra deu origem à animação Propost (2003), que apresenta esses desenhos digitais dispostos de forma aleatória. Em Digital Diogenes (2009), trabalho que mistura colagem e impressão digital, é abordado o tema da acumulação de arquivos digitais e sua potencialidade de tornarem-se obsoletos. O público poderá ver também um dos primeiros experimentos digitais feito pelo artista, 72shit (2000), que traz três animações sobre o movimento do vento.

Dudi Maia Rosa

Idealword.org

Pipilotti Rist

O Paço das Artes e o Museu da Imagem e do Som (MIS) inauguram dia 05 de outubro, segundafeira, às 20 horas, no Paço das Artes, mostra da suíça “Pipilotti Rist”, uma das principais representantes da videoarte mundial. Com curadoria de Daniela Bousso, Diretora Executiva do MIS e do Paço das Artes, a exposição “Pipilotti Rist”, uma retrospectiva do trabalho da artista, explora temas que permeiam sua produção, como fantasia, sonho, prazer e erotismo. Organizada em dois núcleos, um no Paço das Artes e outro no MIS, a mostra traz a São Paulo os trabalhos mais representativos da artista, obras com elementos alentadores em contraposição ao duro e melancólico cotidiano, em ensaios marcados por humor, ironia e, muitas vezes, anarquia. Enquanto a videoinstalação A Liberty Statue for Löndön (2005) foi especialmente adaptada para o Espaço Redondo do MIS, o Paço das Artes abrigará 10 peças de diferentes períodos

De 11 de setembro a 15 de dezembro, o MAC USP Ibirapuera recebe a exposição “Uma Aventura Moderna – Coleção de Arte Renault”, um recorte composto por 96 obras – pinturas, desenhos, esculturas e recortes – produzidas e adquiridas entre 1967 e 1985 por meio de um sistema pioneiro de mecenato criado à época pela empresa. A mostra integra o calendário oficial do Ano da França no Brasil, uma iniciativa conjunta dos governos francês e brasileiro para promover o intercâmbio cultural entre os dois países. A curadoria é da historiadora Ann Hindry, à frente do acervo Renault desde 1996. Artistas que marcaram a trajetória da arte no período, como Jean Dubuffet, Arman, Jean Tinguely, e Erró, entre outros, utilizaram o parque fabril da Renault como um grande laboratório/ateliê, onde puderam explorar novos materiais e utilizar a linha de montagem como fonte de inspiração e de colaboração, fazendo assim surgir novas formas de expressão.


Obs.: não leve este texto tão a sério.

Clint Eastwood é do signo de Gêmeos, gosta de passear no parque e de ouvir música New Age. Atualmente vive em Kansas City, onde se dedica ao seu jardim e a seu peixinho Plati. “Meu Primeiro Amor” não sai do seu DVD, sua frase preferida é: “Are You Feeling Lucky Punk?”.


Revista Zás! Edição #01 (Outubro 2009)