Page 1

1º edição / Ago revistavoz.com.br


2


Edit orial

O primeiro contato com o skate é algo marcante na vida de um skatista. A primeira vez que pisamos sobre a lixa, causa medo e insegurança, juntamente com uma sensação de liberdade seguida de um inexplicável sorriso no rosto dos que se aventuram. Assim como em um primeiro contato com o skate nasce a Revista VOZ. O início de um grupo de skatistas em um universo editorial tendo a cidade de Brasília como base. E é daqui, do centro geográfico e político do país que começamos a nossa busca pelo novo, abrindo espaço aos diferentes tipos de manifestações ligadas ao skate. Sim, existe skate além das manobras e ele está aqui, cada dia mais presente na vida de skatistas de alma. Pessoas que mesmo tendo outras prioridades nunca viram as costas para o skate. É com este objetivo, dar voz não só para as manobras e sim para o skate em si, que começamos a nossa busca.

Espero que gostem (Neres)

Camilo Neres


5


Expe dien te

1º Edição Editores: Aurélio Oliveira | aurelio@revistavoz.com.br Camilo Neres | neres@revistavoz.com.br Conselho Editorial: Aurélio Oliveira Camilo Neres Gabriel Braga | gabriel@revistavoz.com.br Redação Camilo Neres Aurélio Oliveira Editor de Arte: Gabriel Braga Editor de Fotografia: Camilo Neres Projeto Gráfico & Diagramação: Grande Circular | contato@grandecircular.com Impressão: Gráfica Ellite

Contatos Site www.revistavoz.com.br Comercial e informações contato@revistavoz.com.br Anuncie anuncie@revistavoz.com.br Redes Sociais twitter.com/revistavoz

Capa Felipe Liwuan www.fotolog.com.br/liwuan 6


Colaboradores

Arnaldo “Pardal”

Felipe Liwuan

Grande Circular

Lucas Vianna

Rafael “Vato”

Rodrigo K-B-ÇA

Arnaldo Saldanha é mais conhecido pelo pessoal do centro-oeste como pardal e tem 30 anos. Meio dork, cinéfilo, curioso por música e seus estilos, entusiasta e praticante de artes marciais e skatista por amor.

Lucas ainda quando criança herdou do pai a paixão por fotos. Hoje leciona e atua em diversas áreas dentro da fotografia. Nesta edição da Voz aceitou o convite de fotografar algo novo para ele e de quebra arriscou-se com palavras, vírgulas e pontos.

Vegan straight edge! Adora sua família e seus amigos. Disciplina em primeiro lugar e acredita que o skate e a tatuagem podem salvar o mundo!

Dividido entre trabalho, familia, amigos, skates e bicicletas é inquieto e sonhador, viciado em música, especialmente o HIPHOP. “Se tu lutas tu conquistas.”

Escritório brasiliense de design gráfico formado por oito amigos que se conheceram na universidade. Dentre vários trabalhos, um deles é o projeto gráfico da revista Voz.

Rodrigo K-b-ça tem 35 anos de idade e quase 24 de skate. Escreve, fotografa e está reaprendendo a filmar. Mesmo morando na Espanha, Rodrigo continua colaborando com a evolução do skate no Brasil.

7


p.08

Sumá rio

Dupla Exposição Nesta seção a revista voz apresenta um skatista que, além de se dedicar ao skate, também se dedica à uma outra atividade. Na primeira edição fizemos uma entrevista com o skatista e tatuador Felipe Liwan.

p.16

Um Olhar de Fora

Com a intensão de mostrar a foto de skate de uma outra maneira, a Voz convidou um fotógrafo que nunca fotografou skate para a sessão. Veja o resultado.

p.24

Entrevista: Lehi Leite

A Voz entrevista um dos principais destaques do skate brasiliense. Lehi Leite fala sobre sua correria, sua evolução e o skate em Brasília.

8


p.36 Carne Nova

Ser fotógrafo de skate é difícil, ainda mais se você não está nas cidades que são pólos editoriais. A revista Voz apresenta o trabalho de três novos fotógrafos que estão correndo a trás em Brasília.

p.44 Grande Angular

A seção de fotos da revista Voz. Trazendo as melhores manobras e as fotos mais bonitas que têm relação com o skate.

p.60 Timbre

Como o skate sempre esteve muito ligado à música, a Voz possui uma seção sonora. Nesta edição, Arnaldo “Pardal” fala um pouco sobre a trilha sonora do vídeo Radio Television, da marca americana Slave.

9


Dupla Expos ição

Texto: Camilo Neres Ilustração: Felipe Liwuan Retrato: Rafael “Vato” Foto: Camilo Neres

Trocamos uma ideia com Felipe Liwuan sobre skate, tatuagens e o cenário no centro-oeste.

Q

uase todo skatista sonha ou já sonhou com uma rotina onde a prioridade seja apenas andar de skate. Sonho que, quando levado muito a sério e não concretizado pode gerar frustrações tão grandes ao ponto de deixar a alegria de andar de skate morrer. Existem também os casos de skatistas que vão contra isto, buscando não só a evolução como skatistas, mas também como pessoas, optando por outra ocupação na vida, sem nunca se esquecer do espírito de diversão sobre o skate, conhecidos como skatistas de alma. 10

Felipe Liwuan é um destes skatistas de alma, que leva a vida trabalhando como tatuador. Liwuan dedica quase todos os seus dias aos desenhos, seja sobre a pele ou papel. A busca por evolução é interminável. Mesmo com tamanha dedicação e amor ao que faz, Felipe ainda descola um tempinho para tocar os projetos da Cripta com seus amigos, sem parar de andar de skate. Conheça mais sobre este skatista-tatuador nesta breve entrevista.


Primeiro, apresente-se. Meu nome é Felipe Liwuan Ribeiro Silva, 24 anos, ando de skate há 11 anos e sou tatuador. Estas duas coisas estão presentes no meu dia a dia de maneira muito intensa.

Como você começou a tatuar? Conheci a tatuagem quando eu era muito pequeno, por meio de um tio que sempre foi envolvido com isso. Sempre gostei de desenhar e, assim que tive oportunidade de entrar realmente neste mundo, fui de cabeça.

Já tinha alguns amigos que tatuavam e me chamaram para trabalhar como atendente e faxineiro no estúdio deles. Um desses amigos - e dono do estúdio - costuma viajar muito, e como eles não tinham ninguém com tamanha responsabilidade para trabalhar, acabaram me convidando. Em um ano eu já estava tatuando e quando “o chefe” retornou de viagem, ficou louco, mas depois foi se acostumando com a idéia e me ensinou a fazer as coisas da maneira certa. Tenho grande ajuda do Maneko não só no trabalho, mas na vida também.

“Em um ano eu já estava tatuando e quando o chefe retornou de viagem ficou louco, mas depois foi se acostumando com a idéia e me ensinou a fazer as coisas da maneira certa.” 11


12


Melon

13


“Infelizmente meu trabalho não combina muito com o que mais gosto de fazer que é andar de skate, mas como amo muito os dois, prefiro correr os riscos e continuar feliz.” E como você concilia as duas coisas já que, andando de skate, Põe em risco sua mão que é tão importante para seu trabalho? Infelizmente meu trabalho não combina muito com o que mais gosto de fazer que é andar de skate, mas como amo muito os dois, prefiro correr os riscos e continuar feliz. Tenho muita sorte de ter estas duas opções na vida. Nos últimos meses torci meus dois tornozelos andando e vou ficar um bom tempo de molho. Se não tivesse a tatuagem, estaria em depressão.

Existe uma conexão entre as duas coisas, skate e tattoo? Ao mesmo tempo que estou tatuando, estou em contato com skate, pois tenho uma família chamada Cripta. Essa família é responsável por muitas alegrias. São pessoas que amam muito o que fazem e fazem de coração, sem nada em troca. Em parceria com uma crew aqui de Brasília, os Mads, a gente faz vários picos em skateparks abandonados e estacio-

14

namentos. Os caras são skate até morrer. Acabo desenhando muito para as camisetas da Cripta e isso liga as duas coisas que faço.

Como é a cena do skate em Brasília? Brasília, para mim, é a capital do skate também. A cidade é nova tem vários skatistas de nível, fora a galera que faz muito pelo skate, lutando por novas pistas ou contruindo-as com as próprias mãos. Os caras da Capital são um exemplo de pessoas que estão sempre preocupados em melhorar a cena. Não é só a cena do skate que é boa, a tatuagem também fala alto aqui no centro-oeste. A molecada se tatua muito e tem boas referências. São bem conscientes sobre o que querem e sabem o que é melhor na pele. Trabalhamos muito à vontade aqui. No estúdio de tattoo somos três: eu, o Maneko e o Neres, que entrou no lugar do Gui. Todos eles são pessoas muito respeitosas e responsáveis, já que isto é essencial para a loja funcionar bem.

Half cab flip into bank


15


16


Wallie

17


Sempre que vemos uma foto de skate em um jornal ou revista não especializada, como skatistas, torcemos o nariz na hora em que vemos um cara simplesmente voando no ar. Aí surge a pergunta: quem está errado? O fotógrafo que não anda de skate ou os skatistas que não abrem a mente para ver o skate de outra maneira? Pensando em mostrar a foto de skate de uma maneira inusitada, a Voz, buscou nesse ensaio fotográfico, ver com os olhos de um “leigo” como são as manobras, o comportamento e além de tudo, como os demais nos veem... Tudo sob o olhar e visão de um filho da fotografia... (RK)

Um olhar de fora Texto: Camilo Neres & Rodrigo K-B-ÇA Fotos: Lucas Viana Silva

18


19


E “iniciamos procurando um fotógrafo profissional que não tivesse contato com o universo fotográfico do skate.”

20

ntre os assuntos abordados nesta edição, a fotografia merece um destaque especial. Nos perguntamos sobre a melhor forma de destacar este assunto... Pensamos em rechear as nossas páginas com belas fotografias e pronto. Será que basta? Por causa desta interrogação resolvemos fazer algo diferente, que quebre a as regras da tradicional fotografia de skate, subvertendo o padrão de imagens estáticas e bem congeladas, muitas vezes retirando informações importantes em uma foto de skate, como moment e orientações básicas de onde o skatista vem e para onde ele esta indo ao executar uma manobra. Iniciamos procurando um fotógrafo profissional que não tivesse contato com o universo fotográfico do skate. Nesta busca chegamos ao nome de Lucas Viana Silva. Filho de fotógrafo, começou a fazer os seus primeiros cliques ainda

criança quando, incentivado pelo pai, fotografou os seus colegas de turma, dando início a uma longa carreira no mercado de foto infantil. Foram anos fotografando crianças até começar estudar fotografia tão a fundo que acabou tornandose professor na Escola Técnica de Fotografia de Brasília. Após conhecer a história do Lucas, Voz o convidou para fotografar livremente uma sessão de skate na pista do cruzeiro, um dos skateparks mais tradicionais do DF. A pista anda um pouco abandonada, mas vem ganhando novos obstáculos construídos pelos próprios locais. Valorizar uma fotografia feita de forma inusitada, independente de o skatista ter voltando à manobra, pode ser um tanto indigesto. Tendo isto como um dos princípios da subversão, deparamos com o erro, com o acerto e com o novo. Confira as fotos e o relato de Lucas sobre esta sessão fotográfica.


“A missão de fotografar em uma vertente até então nunca explorada por mim, na fotografia foi de tirar o sono. Para fazer jus a um convite inusitado, a busca de por onde começar o trabalho foi o grande problema. Por envolver uma seção voltada ao esporte e cultura urbana, pensei nas linhas da fotografia, todas que a compõe de forma tensa para envolver em toda a imagem a sensação de movimento, de frente a uma linha documental, que propõe registrar manobras com um “Q” de realidade. A proposta se configurou no contraponto da fotografia documental. A linha pictórica que não se importa em deturpar a realidade, mas sempre oferecendo uma sensação que leve a fotografia para longe do real e mais perto das artes plásticas, isso, em determinada época onde se acreditava que a fotografia não era arte, pois o processo era mecânico. Chegaram a acreditar no poder de auto-representação da natureza, já que ao homem cabia apenas apertar um botão, e ainda se agravava o discurso por conta de sua reprodutibilidade, o que a pintura não possui, apenas um é de fato original e valioso. Seguindo esse tema como norte deste “trampo”, se deu a intervenção intensa na imagem e no aparelho, chegando a desconstrução e ao campo da imaginação. Tentando oferecer ao leitor a possibilidade de sentir o movimento alimentado pelo esporte e o sentimento, a vontade de fazer. Durante a seção todas as informações foram importantes. Desde a pista ser reconstruída por moradores próximos a ela, pelo prazer de praticar o esporte. A gurizada toda curtindo o skate, talvez como eu curti a fotografia. E o melhor, ver a “molecada” andando com grandes skatistas do DF. A foto da criança sentada sem largar o skate e curtindo as manobras na pista, foi muito significativa para entender onde eu estava. Agradeço a revista Voz por essa oportunidade, de falar, de dar voz a fotografia no mundo da Cultura Urbana, ou melhor, do SKATE.”

“A missão de fotografar em uma vertente até então nunca explorada por mim na fotografia foi de tirar o sono.”

21


22


23


24


Lucas Vianna por ele mesmo

F

otógrafo profissional desde 2004, meu inicio na fotografia se deu bem mais cedo. Meu pai, Júlio Ramos, se tornou fotógrafo em meados de 1986, ano em que nasci. Sempre tive muita admiração por ele. Conheci o portfólio do meu velho do tempo em que atuava no jornal Congresso Nacional em Brasília quando era muito novo. Lembro dele com uma câmera na mão durante minha infância. Não é de se surpreender o interesse pela fotografia. Toda a admiração que tenho pelo meu pai se tornou também a admiração pela fotografia. Ainda estava na antiga 8ª série do ensino fundamental quando fiz meu primeiro curso em Vitória no Espírito Santo. No ensino médio pude fazer meu primeiro trabalho fotográfico, uma fotonovela para uma aula de literatura, tudo em negativo ainda. A paixão pela mesa de luz e a escolha das chapas corretas; as que ficaram boas, seriam reveladas, despertou um amor pelo “fazer” fotográfico. Ora, quantas vezes já não tinha visto meu pai fazendo aquilo. Em 2004 voltamos para Brasília, não tendo os estudos formais como forte, fui trabalhar na empresa de fotografia infantil. Nessa época, meu velho já tinha deixado o jornal para trabalhar fazendo fotos de crianças em escolas. Desde então, fui assistente e manipulador de imagem, iniciando o meu ofício. Foi complicado entender que para fazer algo bom tinha que ter muita dedicação e paixão pela arte de retratar pessoas (crianças). Um amigo mais próximo me apresentou o teatro, onde tive o primeiro contato com palhaços. Nunca fui um bom palhaço, mas como um, pude interagir com as pessoas de uma forma nova. Uma experiência fora dos parâmetros. Essa interação quando levada a uma escola para a realização de ses-

sões fotográficas teve um resultado surpreendente. O trabalho virou brincadeira de criança. A resposta das crianças era um retorno e tanto. Fiquei feliz por contribuir de forma inusitada. Mudamos a linha da empresa e, com o tempo, este trabalho se tornou um pouco industrializado, normal para uma empresa. Mesmo acreditando muito no que estava fazendo, a figura do palhaço me parecia um tanto desgastada e acabei perdendo o tato e a vontade de prosseguir com o trabalho. Já não sabia mais para onde ir, estava cansado do que estava fazendo, então o estudo se torna algo ainda mais necessário dentro de uma rotina, estudar fotografia para valer. Até quando a coisa ficou séria e tive de procurar ajuda, fui parar na Escola Técnica de Fotografia de Brasília. Lá me aprofundei de verdade na profissão, até entender que a estética que me acompanhava vinha de um lugar muito próximo, mais antigo que qualquer livro da estante. Lá atrás, onde nasci, ou melhor, de onde nasci. Com um senso estético natural, baseado mais em instinto e sensibilidade, passei a vida convivendo com uma mulher que modificava as coisas sempre em busca de harmonia, mesmo com pouco estudo na área, além de trabalhos com pintura em óleo, pastel seco, jardim de inverno e paisagismo, ainda arrumava tempo para fazer desenhos para os trabalhos da escola, meus e da minha irmã. Minha mãe, Valéria Viana, acredito ter sido a chave para o envolvimento com a harmonia. Hoje, falo de fotografia na mesma escola que me ajudou a direcionar meus estudos. Falo com aspirantes a fotografia o tempo todo. Talvez não exista nada melhor do que falar das coisas que amamos. E a fotografia é isso, para quem esta no inicio, o conselho é cuidado. Você também será pego por ela. Ela pode te dar VOZ. 25


Entre vista

Texto: Aurélio Oliveira Foto: Rafael “Vato”

entrevistamos lehi leite, um dos principais destaques do skate no planalto central.

Noseblunt

26


27


Fazer uma escolha consiste num processo de julgamento das alternativas levando em consideração vários fatores e sentimentos, de acordo com o propósito que se pretende alcançar. Diariamente somos submetidos a várias escolhas, algumas simples como que roupa vestir, outras mais complexas e cheias de variantes que podem até definir o destino de uma pessoa. Ao ter a possibilidade de escolher quem entrevistar para a primeira edição da revista Voz, me chamou muito a atenção não só a alternativa totalmente incomum escolhida por Lehi Leite, mas também a qualidade e a fluidez de seu skate. Depois de conseguir alcançar o profissionalismo em um esporte que é considerado paixão nacional e sem dúvida, sonho de milhões de crianças, Lehi optou pelo skate. “Me sentia mais feliz quando estava andando de skate! Via no futebol uma oportunidade de me sustentar e ajudar minha família. Só que ficou difícil conciliar” Depois de 12 anos a partir do primeiro contato com o skate influenciado pelo seu irmão Spencer , fica evidenciado que a melhor escolha nem sempre é a que tende a nos possibilitar mais retorno financeiro e sim, a que nos traz paz e felicidade. Como iniciou essa história? Desde pequeno fui levado e incentivado no esporte, fui para uma escolinha de futebol mas depois que pisei no skate nunca mais quis parar. Consegui chegar onde queria no futebol e tive oportunidade de me dar bem. Hoje acredito que escolhi o skate por que nasci para o skate e a partir do momento que resolvi me dedicar totalmente, tudo foi acontecendo naturalmente. Posso dizer que estou no melhor momento da minha vida. “Estou vivendo o melhor momento da minha vida. Estou vivendo o skate!”

Vivendo o skate? Explique melhor. Me envolvo praticamente 24 horas com o skate, acordo e já penso pra onde ir, o que fazer, filmar, fotografar, tentar uma manobra nova ou simplistemente colar em um pico pra encontrar os amigos sem falar das viagens que tem sido meu foco. Acho que isso é viver o skate.

O que você faz quando não está andando de skate? Procuro estar sempre me dedicando em casa, cuidando da família, da saúde, gosto de estar em con-

tato com a natureza, relaxando sempre lendo algo relacionado ao skate, e na internet, é lógico. Ano passado trabalhei como instrutor em um projeto do Ministério dos Esportes (Projeto Esporte Lazer da Cidade). Poder passar um pouco da minha experiência como skatista, para crianças carentes foi uma das melhores coisas que me aconteceu, participar deste projeto social me possibilitou aprender muito. Estou na expectativa desse projeto voltar a acontecer agora em 2011. Não tinha noção das dificuldades que iria enfrentar, mas queria participar e incentivar o skate na minha cidade, fazer os alunos entenderem que além de dar equilíbrio para o corpo e para mente o skate tem uma história, e que podemos fazer parte dela.

Como fica a relação com sua família? Eles te apóiam? Gosto muito de estar com minha família, eles são minha fortaleza. Me dedico em casa para depois me dedicar ao skate. Minha vida e meus objetivos são sempre pensando em ajudar minha família! Eles apóiam , e muito, acreditam em mim e no meu sonho, sabem que estou correndo atrás do meu futuro.

“Estou vivendo o melhor momento da minha vida. Estou vivendo o skate!” 28


Ss fs heelflip

29


30


Crooked

31


32


noseblunt nollie flip

33


Pelo que sei, não tem um patrocínio. como manter uma regularidade de viagens? Isso é bem complicado. Preciso ter muita fé e determinação , me programar com antecedência. Tenho alguns apoios que dão uma força, mas ainda é muito difícil, preciso sempre me dar bem em campeonatos pra poder levantar uma grana pra continuar viajando. graças a Deus tenho sido iluminado, com muita perseverança vou alcançar meus objetivos.

Já que participa de muitos campeonatos, se eu te falasse agora: quando quiser, 1 minuto, valendo... o que me diria? Skate, em um minuto, que nada! Sem pressão, sem tempo mano, skate é infinito, não tem essa de rolê em um minuto. O que vale mais é a sessão com a galera. Uma volta, um campeonato é muita pressão, competição, quero fugir disso, vivi muito tempo buscando campeonato, tenho um compromisso de 24 horas com skate, seja em uma demo, fazendo uma foto, seja onde for. Mudei mesmo, vou pra campeonatos pra reencontrar a galera, fazer novas amizades, se vier resultado, bom, se não vier, já nem me encano mais.

Sei que não gosta de falar sobre estilo, mas se tivesse que definir agora, qual seria o seu? Admiro todos os estilos e as pessoas que estão no corre do skate, mas procuro ter meu próprio estilo, sempre simples e humilde , sem copiar ninguém, gosto de andar à vontade. 34

a pergunta “onde você gostaria de andar de skate” é repetitiva, e na maioria das vezes a resposta é barcelona. e se barcelona não existisse, onde gostaria de ir? Não tenho um lugar certo, quero ir onde a galera já andou, onde estão andando e onde ninguém nunca andou. Se tiver como andar de skate, é lá que quero estar, sem refresco.

O que acha de Brasília? Muito style! Depende muito da galera local, mesmo assim, tem crescido muito. Temos lojas, marcas, mídias locais, pistas, associações , e isso tudo está dando um crescimento ao skate de Brasília. Vários pais levando seus filhos para skate park, incentivando a prática do skate. Mas acredito que poderia estar melhor, se houvesse mais interesse das grandes marcas.

Para finalizar, deixa uma ideia, uma mensagem para os leitores. Queria muito agradecer a Deus, minha família e a todos que tiveram participação direta ou indiretamente no meu skate, não tem como citar, são muitos apoios e isso me deixa muito feliz. A verdade seja dita, Brasília, nos traços de Oscar Niemeyer, é muito mais que política, é mística, é o bicho! Céu azul, sonhos e trabalho rapaz! Trabalho, trabalhos de milhares, que moram no afastar, nos lares das cidades satélites, quebradas, becos, vielas, norte sul. Skate Forever...


Smith to fakie

35


Half cab noseslide nollie heelflip Camilo Neres

36


37


Texto: Camilo Neres & Rodrigo K-B-ÇA Ilustração: Grande Circular Retratos: Camilo Neres Autoretrato: Rafael “Vato”

38


Dizem que para ser bem sucedido no trabalho, basta gostar do que se faz. Existe muita verdade nisso, porém nem sempre o caminho é fácil. Quem escolhe fotografar skate, tem que saber que antes das fotos começarem a sair em sites, blogs e nas revistas existe todo um processo de aprendizagem e investimento em equipamentos que, de verdade, não é para qualquer um. Mesmo com um caminho tão difícil para quem está iniciando, existem skatistas que querem mais que só acertarem manobras, também querem aprender a eternizar momentos... (RK)

P

ara ser um bom fotógrafo não é necessário ter a melhor câmera. Basta ter certa sensibilidade no olhar. É comum ouvirmos “experts” em fotografia falar isto aos iniciantes. E é a mais pura verdade, mas nem sempre válida para quem quer produzir boas fotos de skate. Mesmo com a evolução, a fotografia de skate ainda é pouco valorizada no Brasil e exige do fotógrafo um mix de referências, bons contatos, infra-estrutura, dedicação, paciência e disposição. O fotógrafo de skate faz tudo sozinho e costuma passar a maior parte do seu tempo na rua. Escolhemos este ambiente como locação para as fotos por ser totalmente seguro, pois podemos expor todo o nosso equipamento na rua sem risco algum. Nosso corpo de deus grego nos permite carregar quilos e quilos de parafernálias fotográficas na mochila, afinal, carregar um estúdio nas costas é mole! Outro aspecto interessante é a falta de apego aos bens materiais e amor ao próprio corpo. Por isso, es-

tamos sempre com a “cara” no asfalto, deitado em lugares que até cachorros de rua evitam cheirar e nas posições mais confortáveis, que qualquer praticante de yoga se sente cômodo, em busca dos melhores ângulos. O risco de levar uma “skatada” na testa, na câmera ou nos flashes é detalhe, pois além de ter plano de saúde, o equipamento fotográfico é algo que além de barato, é fácil de encontrar em qualquer canto e, claro, todos temos seguro! Brincadeiras a parte e, com respeito aos nossos amigos que se arriscam em diferentes manobras, fotografar skate pode exigir mais do que se pensa. O fundamental para tudo dar certo, é gostar muito do que está fazendo. Selecionamos três jovens fotógrafos que passam por estas dificuldades satirizadas anteriormente, e por uma ainda maior, que é estar em Brasília fora do eixo editorial. Independente disto, eles fazem questão de registrar todas as sessões de skate que podem estar presentes. 39


A

intenção de Paulo Tavares ao comprar uma câmera, era filmar seus amigos nas sessões de skate. Só que além de filmar, a câmera do Paulo permite que ele também faça os seus registros em fotos, recurso que vem sendo utilizado constantemente por ele. A fotografia falou mais alto e o jovem fotógrafo vem desenvolvendo suas técnicas há cerca de sete meses. Como skatista, Tavares costuma consumir vídeos e revista de skate, hábito que serve como busca por referências nas quais ele cita os fotógrafos: Atiba Jefferson, Camilo Neres, Otávio Neto, Pablo Vaz, Renato Custódio, René Jr, Fabiano Lokinho e Leo Barreto. www.flickr.com/photos/paulotavares

40


Pedro Dezzen Nollie hard heelflip

41


www.flickr.com/photos/dedonogatilho

P

ouco mais de um ano e meio se passou desde que o turismólogo Rafael Santos, conhecido como “Vato”, começou a dar os seus primeiros passos no mundo da fotografia. Amante da cultura latina tendo Estevan Oriol, El Volo e o seu amigo Filip “Snowflake” como referências. Foi entre lowriders e belas latinas que Rafael fez os seus primeiros clicks. A forte ligação com o universo latino nunca afastou o fotógrafo do skate, sempre que tem um tempo livre, ele aproveita para manter as suas manobras em dia. É nestes momentos que “Vato” aproveita para fotografar o “rolê” de skate entre amigos e evoluir naturalmente.

Anderson “Intruso” Mayday


43


Samuel Jimmy Ollie no gap


www.flickr.com/photos/agamenonn

C

onciliar fotografia e skate não é tarefa fácil na vida de Renan Santos “Agá”. Além de fotografar, Renan é um skatista criativo, que apresenta grande intimidade com os picos de rua, principalmente nos “manuals”. Ao demonstrar um interesse pela fotografia “Agá” foi intimado por seus amigos a registrar as sessões. Mesmo com a terrível dúvida entre frames e manobras, dois anos se passaram e Renan segue firme na busca pela evolução em ambas “matérias”. Durante um bom período de tempo Renan foi responsável por mostrar boa parte da cena do skate de Brasília. Através de suas lentes foram registradas manobras de diversos skatistas locais que tiveram suas fotos publicadas na UM2 Skatemag, revista virtual do centro-oeste na qual ele colabora.

45


grande angu lar

Phellipe Guilherme Rock to fakie Diogo Groselha


Jean Duarte Mayday Rodrigo K-b-รงa

47


48


Jean Duarte Hardflip Rodrigo K-b-รงa


Kevin B7 Fs melon Rodrigo K-b-รงa


Felipe Buchecha Ss bs flip Camilo Neres

51


Adonis Santiago Ss fs heelflip 360 Rodrigo K-b-รงa


53


Thiago Pingo Fs heelflip Camilo Neres

Guilherme Varela Hardflip to fakie Rodrigo K-b-รงa


LP Aladin 55 Hurricane to fakie Rodrigo K-b-รงa


56


Carlos Ribeiro Fs nosegrind reverse Camilo Neres

57


58Jhony Melhado Fs shovit bs nosegrind nollieflip Camilo Neres


59


60


Igor Calixto Fs noseslide Camilo Neres

61


62

Stanley Inรกcio Bs flip Rodrigo KBร‡A


63


tim bre

Texto: Arnaldo Saldanha

64

N

essa edição apresentamos a trilha sonora de um vídeo nada comercial, porém parte de uma das atuais e mais bem sucedidas empresas no cenário do skate mundial. O vídeo é o Radio-Television da marca Slave. Intervenções de arte, imagens de guerra, armas, animais selvagens e, principalmente, muito skate com uma trilha sonora carregada de psicodelia, rock n’ roll e melodias fortes. A trilha viaja dos anos 60 até os dias de hoje, mostrando algo sobre a identidade de cada skatista, diversificando entre rock n’ roll clássico como por exemplo Rolling Stones em sua fase inicial, hip hop 90’s, e até mesmo um What a Wonderful World, do Cantor e Trompetista Louis Armstrong. A Slave é uma das marcas do grupo BlackBox, comandado por Jamie Thomas, skatista que dispensa apresentações. Junto com ela estão a Zero, Mistery e a mais recente Threat, todas com uma forte identidade, que ao meu ver sempre incentivaram o produto feito de “skatista para skatista”. O que se difere é que a Slave tem um lado mais agressivo, subversivo e também essencial. Radio Television é o video que apresentou a marca, e quem não viu e nem ouviu, sem dúvida, deve conferir.


Introdução

amon düül ii – Jailhouse Frog Wolf City (1973)

Anthony Schultz

iron claw – Pavement Artist Dismorphophobia (1971)

Pat Burke

brotha lynch hung – Rest in Piss Season of da Siccness (1995)

Frecks

icecross - Jesus Freaks Icecross (1973)

Conhuir Lynn e amigos witch - Changing Witch (2006)

Danny Dicola

mc5 - Over and Over High Time (1971)

Matt Mumford god - My Pal My Pal (1987)

“Intervenções de arte, imagens de guerra, armas, animais selvagens e, principalmente, muito skate com uma trilha sonora carregada de psicodelia, rock ‘n roll e melodias fortes.” Jon Allie

dark - Zero Time

Round The Edges (1972)

Jon Goemann

the rolling stones - 2000 Lightyears From Home Their Satanic Majesties Request (1967)

Créditos

louis armstrong - What a Wonderful World Single (1968)

Trailer

devo - S.I.B. (Swelling Itching Brain) Duty Now for the Future(1979)

65


Design & Ilustração contato@grandecircular.com +55 61 32029717

66


67


Felipe “Bilau” Pedro “Caldas”

P

Mario “Chá” Ulysses “Lissin”

68 facebook.com/criptaskateboards | twitter.com/criptaskates

Foto: Camilo Neres

R

Revista Voz  

1ª Edição / Agosto 2011

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you