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NOSSO DESTINO É AZUL Entrevista exclusiva com Diogo Guerreiro

sobre o projeto Destino Azul

TAINHAS ARTE & CULTURA Conheça um pouco sobre esta festa de inverno

ELAS VOLTARAM Depois de séculos de perseguição


Ao leitor //: Ao retornar de uma volta ao mundo no Itusca, o navegador Diogo Guerreiro disse que a viagem mostrou a ele e a seu parceiro Flávio Jardim que o melhor lugar do mundo é aqui. Pode ser esse também o motivo da generosa volta da baleia franca austral à área da antiga Armação de São Joaquim da Garopaba, novamente maternidade e berçário desse gigantesco mamífero do Atlântico Sul depois de anos de matança. A grande aventura do veleiro da Mormaii, que durou dois anos e meio, é o principal assunto desta segunda edição da Vip Garopaba. A revista traz ainda como destaque a retomada pacífica e benfazeja das calmas enseadas da costa catarinense pelos nobres cetáceos que aqui acasalam e ganham seus filhotes entre junho e novembro. Sem descuidar da temporada de pesca da tainha, momento não só de ganho econômico aos pescadores artesanais, mas também de confirmação sócio-cultural. Se foi nossa intenção mostrar na primeira edição que a cidade já não é só verão, o número 2 da revista mostra objetivamente alguns dos atrativos específicos do inverno e da primavera, além de destacar quem investe para fazer a cidade girar sua economia nas quatro estações. É o caso dos empresários Daniel Jucinski, do H2O Sushi Bar, e Fred Krug, da Cia de Mousses, que oferecem opções gastronômicas à população e aos turistas durante o ano inteiro. A primeira edição – com distribuição dirigida - foi muito bem recebida pelo mercado e este sucesso nos estimula a dar continuidade ao projeto, ampliando seus horizontes para mais edições durante o ano. Afinal, este pedaço de paraíso ainda tem muito a revelar a seus moradores, a seus fiéis frequentadores e aos turistas que ainda não conhecem a cidade e seus inesgotáveis atrativos.

Boa Viagem!

Expediente //

Contato: revistavipgaropaba@terra.com.br Tiragem: 7.000 exemplares Distribuição: Sul do País Fone: 48 3254 6299 | 48 9147 7291

www.revistavipgaropaba.com.br Guto Design

André Ger. Comercial

Maíra Comercial

Ivana Werner

Ganhadora do Concurso “Como você vê Garopaba” realizado via facebook

Maiza Marketing

Sérgio Editorial

Daniela Revisão

Curta também no


S

U

M

Á

R

I

O

Foto capa e sumário: Enrique Alfredo Litman

8

Fred Krug Personalidade Garopaba

12

Elas Voltaram Depois de séculos de matança

20

Nosso Destino é Azul Diogo Guerreiro e Flávio Jardim ao redor do mundo

Foto: Maiza Foto: arquivo Destino Azul

28

Tainhas Arte & Cultura Período de festa em Garopaba

31

Culinária Sushi, o sabor milenar Saiba como preparar um saboroso “Gulasch alla tirolese”

37

Sustentabilidade

40

Viagem

42

Social

O primeiro prédio público sustentável

Zeca sugere um ótimo roteiro familiar

Confira as fotos do coquetel da primeira edição


//: Personalidade Garopaba

08

FRED KRUG No outdoor, um convite para conhecer o paraíso

Krug, criador da Cia de Mousses, empresa indicada pelas revistas Quatro Rodas e Veja, conta como a cidade conquistou-o para sempre Um outdoor na BR-101, no início dos anos 80, deu o estalo inicial para a grande virada na vida do jovem Frederico Willibaldo Krug. “Garopaba: você está a 17 km do paraíso”, dizia o grande cartaz mantido por uma pousada da região. Ele pagou para ver. Desceu da carona, em seu quinto dia de viagem,

Cia de Mousses - A grande obra de Fred

e percorreu a pé o caminho até a beira do mar. Era a chance

Krug começou poucos anos depois, na virada dos

que ele buscava em seus poucos 22 anos de vida.

anos 90, quando ele passa a produzir mousses

Início de uma das inúmeras trajetórias emblemáticas que formaram a Garopaba de hoje.

para vender na praia e nos restaurantes, assumindo ainda a gerência da pousada de Jacob Müller.

Fred fugia do estresse de uma vida já marcada por mui-

O sucesso foi tão grande que a idéia evoluiu para a

tos compromissos no trabalho como analista de riscos de uma

criação da Cia de Mousses, empreendimento que

construtora e com um casamento precoce. Para completar, ele

ganhou casa própria na virada do milênio. A mar-

sentia-se prisioneiro de uma cidade grande, a capital Porto Ale-

ca virou grife e estabeleceu-se como a primeira e

gre, quando de fato preferia cidades pequenas e estava fasci-

única especializada em mousses em todo o país

nado pelo litoral, uma novidade para o interiorano nascido em

naquele período. Atualmente, a empresa produz

Feliz, RS. Inspirado na rebeldia dos anos 70 e decidido a fazer

18 sabores da iguaria, outros tantos tipos de tor-

algo para mudar de vida, pediu férias da empresa, comprou

tas e, mais recentemente, uma linha de salgados.

mochila e barraca e começou a subir o litoral brasileiro. Fred foi

O sucesso é atestado pela segunda indicação no

arrebatado no início da aventura.

Guia Quatro Rodas e pela quinta vez consecutiva

Só a paisagem maravilhosa e o clima de fim de ve-

no Guia de Gastronomia da Revista Veja/SC.

rão não bastariam para fisgar o jovem definitivamente. Duas

Apesar da força da marca, escorada na

grandes figuras, marcantes na época de transição da vila de

grande qualidade dos produtos, Fred não pretende

pescadores a pólo turístico, entraram em cena. O primeiro foi

expandir o negócio para fora da cidade, seja com

o mestre Bastião, um dos pescadores mais respeitados da re-

filiais ou com franquias. Seu objetivo é ganhar o

gião, que acolheu Fred em seu rancho e depois lhe ofereceu

público da própria “Garopaba” e turistas de outras

trabalho. O outro foi um dos pousadeiros pioneiros na cidade,

épocas do ano, sempre com o diferencial: “nada

Jacob Alberto Brod Müller, proprietário da Pousada Casa Gran-

que não seja muito bom”. “Acho que já foi dada a

de & Senzala e do outdoor da BR-101 que chamou a atenção

largada. A cidade está ganhando ares mais urba-

do jovem viajante. Ambos, cada um do seu jeito, ajudaram Fred

nos, criando condições para vencer a sazonalida-

no início de sua nova jornada e foram figuras fundamentais

de, com resultados que devem aparecer melhor

para que ele permanecesse na cidade.

em no máximo dois anos”, projeta Fred.


Otimismo – O grande problema de Garopaba, para Fred,

raquinha no chamado “Morro da Fumaça”, um pouco antes da

é a sazonalidade que mantém a cidade prisioneira do verão. As

Vigia, lugar que as pessoas acampavam na época. E fiquei ali

atrações o ano inteiro não faltam. “Temos um março e um outono

uns dias, completamente apaixonado pelo lugar. Quando pe-

agradáveis e belíssimos, temos as baleias francas chegando a

guei o ritmo da coisa, especialmente da lida dos pescadores,

partir de junho, temos sítios arqueológicos riquíssimos, espaços

curti isso como uma vida diferente, suficiente para esquecer a

preciosos para caminhadas, passeios de bicicleta pelo interior,

que eu levava na cidade grande.

esportes radicais, entre outras fortes atrações para qualquer tipo de turista. A administração da cidade vem trabalhando para apri-

VIP - Mas só uma paisagem é pouco para mudar a vida de uma pessoa. Não acha?

morar e desenvolver a infraestrutura e incentivar a contínua qua-

Fred – Claro. A primeira “nortada” daquele março deu

lificação da mão-de-obra. Há boas perspectivas para as áreas

seu empurrão. O vento nordeste destruiu a barraca. Conver-

de segurança pública e saúde, condições básicas para atrair os

sei com um dos pescadores mais respeitados e acabei sendo

turistas o ano inteiro.”

hospedado em seu rancho. Era o grande mestre Bastião, não podia ser outro. Então fiquei no rancho o resto dos dias daque-

VIP - Como foi que Garopaba tomou conta de sua vida?

la parte da aventura. As férias estavam acabando, mas fui em-

Fred – Entrei, literalmente, caminhando na cidade. Tinha

bora já decidido a voltar. Cheguei na empresa somente para

22 para 23 anos quando vim a pé do trevo da BR-101 até a praia,

dizer tchau. Tentaram me convencer do contrário, mas como

atrás da promessa de um outdoor que lá estava: “Você está a 17

já estava certo de minha escolha, consegui ser liberado do

km do paraíso”. E fui arrebatado naqueles primeiros minutos na

emprego, de Porto Alegre e da ex-mulher. Em pouco mais de

praia: que lugar lindo, que maravilha, que paraíso. Era março de

30 dias já estava de volta a minha Garopaba. Trazia o dinheiro

82 e eu estava começando minha tentativa de mudar de vida. Fa-

da rescisão e algumas economias.

zia cinco dias que eu estava na estrada. Então, montei minha bar-

“ .... curti isso como uma vida diferente, suficiente para esquecer a que eu levava na cidade grande... “


Foto: Enrique Alfredo Litman


Perseguidas e mortas até o risco de extinção, as baleias francas retomaram as enseadas da antiga armação de Garopaba e região, sempre entre os meses de junho e outubro, para acasalar, ter e amamentar seus filhotes. A “Eubalaena australis” é hoje um símbolo tanto da insensatez humana na destruição das espécies quanto da possibilidade de lutar com êxito pela sua preservação. A generosa e pacata baleia franca está indissoluvelmente ligada à história de Garopaba. No passado, foi perseguida e sacrificada para a produção de óleo de iluminação na Armação de São Joaquim, segunda maior do Brasil meridional. Agora, é atração viva e protegida de um dos segmentos do ecoturismo que mais cresce no mundo, a observação de baleias. Uma nova atividade econômica melhorando as perspectivas de futuro de seus habitantes.

São poucos os locais do planeta que têm o privilégio de contar com a aproximação regular dessas ilustres visitantes. Mais raro ainda é a adulta trazer o filhote até 30 metros da praia, como ocorre na região de Garopaba, proporcionando um espetáculo único e inesquecível


Espécie retorna e atrai turismo de qualidade à região onde sofreu ação predadora para extração de óleo de iluminação Foto: Enrique Alfredo Litman

Aos poucos, a população colhe os benefícios da generosidade da baleia franca. A divulgação da presença da nobre visitante nas águas catarinenses – antes tímida e isolada - melhora a cada ano. E proliferam as iniciativas para trazer e atender bem ao tipo qualificado de turista do setor

Vôos de monitoramento, realizados desde 2003, registram um número crescente de indivíduos nas temporadas, com um pico de 194 adultos e filhotes em 2006. Em 2010, pouco mais de 100 indivíduos se concentraram principalmente entre as praias da Gamboa e Guarda do Embaú, ao norte da APA, e Itapirubá e Laguna, ao sul.

Conforto

A nova contribuição da baleia franca a seus

A região da APA conta com as condições

antigos predadores se dá no período do ano em que

mais confortáveis de clima e proximidade para a

a economia sazonal mais se ressente. Ela começa a

observação e atrai cada vez mais turistas brasileiros

chegar em junho e retorna a seu espaço de alimen-

e estrangeiros na temporada. Dados da empresa

tação, próximo às ilhas Geórgias do Sul, até novem-

“Turismo Vida Sol e Mar”, a pioneira na observação

bro. Torna-se uma atração turística de qualidade em

embarcada, mostram que o número de observado-

pleno inverno e parte da primavera, amenizando a

res quintuplicou em sete anos. Dependendo da lo-

completa dependência do turismo de sol e mar.

calização das baleias e das condições climáticas, os barcos podem partir de Garopaba, onde está o escri-

Observação

14

tório central da empresa, ou de Imbituba.

A volta das baleias francas à costa brasilei-

O primeiro registro de observação embarca-

ra começou a ser registrada nos primeiros anos da

da de baleias é da década de 50, no século passado,

década de 80 e atualmente surpreende pelo grande

na Califórnia. De lá para cá, este segmento do ecotu-

número, resultado da proibição da caça e da criação,

rismo é o que mais cresce em todo o planeta, segun-

no ano 2000, pela APA - Área de Proteção Ambiental

do os números do especialista Eric Hoyt. Em 2009,

da baleia franca, que vai do sul de Florianópolis até

13 milhões de pessoas participaram do turismo de

quase a divisa com o Rio Grande do Sul.

observação de baleias em 119 países.


//: Capa // Elas voltaram

O povoamento de Garopaba nasceu da instalação da Armação de São Joaquim, a partir de 1793,

três dias da temporada. Essa era a dimensão da matança promovida naquele período.

destinada a caçar e processar baleias francas para

O óleo de baleia era o único combustível

a extração de óleo de iluminação e outros subpro-

usado em iluminação pública até a descoberta do

dutos, como barbatanas para espartilhos. Chegou a

petróleo, o que destaca a importância econômica

ser, a partir de 1795, a segunda maior armação do

estratégica de sua produção nos séculos XVIII e XIX.

Brasil meridional, tendo na vizinha Imbituba uma su-

Era um importante produto de exportação do Brasil

cursal que se manteve em atividade até o século XX.

no período. A decadência da indústria baleeira co-

A antiga armação se distingue de todas as

meça em 1825, data da desativação paulatina da ar-

outras remanescentes do período áureo da caça

mação de Garopaba. Mas a matança continuou até

da baleia no Brasil, no século XVIII, por ser a única

meados do século XX, especialmente por japoneses

a conservar em pé o prédio principal da administra-

e soviéticos, em águas internacionais. A caça foi re-

ção (conhecido como casarão). O prédio é o mesmo

ativada parcialmente na região, entre 1954 e 1973,

descrito pelo naturalista francês Auguste Sant Hilai-

com uso das instalações de Imbituba para o proces-

re, que visitou Garopaba em 1820. Nas demais in-

samento do óleo. Os clientes, desta vez,

dústrias baleeiras, o que restou foram apenas ruínas

os curtumes do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Gran-

e prédios religiosos, segundo estudo divulgado pela

de do Sul. Estatísticas oficiais registram a caça de

historiadora e arqueóloga Fabiana Comerlato.

45 baleias francas neste período, mas os pescadores

eram

Pesquisas em dados da Marinha Brasileira,

falam em mais de 300. Os últimos registros de caça

segundo a historiadora, apontam que a capacidade

são de 1972, em Garopaba, e no ano seguinte, em

de armazenamento de óleo da armação garopaben-

Imbituba.

se era de 360 mil litros, o equivalente à caça de 55 baleias adultas por ano, ou de um exemplar a cada

Foto: Sérgio Saraiva

Foto: arquivo Enrique Alfredo Litman Foto: Enrique Alfredo Litman

15


Uma boa parte das baleias francas austrais que

produtivas. Algumas poucas procriam e nascem na

frequentam a costa catarinense nos últimos anos

costa uruguaia ou nas Ilhas Gough, no meio do Oce-

poderia requisitar carteira de identidade brasileira.

ano Atlântico. Mas o porquê dessa preferência? A

Isso porque algumas centenas das estimadas 8 mil

tese dos pesquisadores é de que as adultas tendem

remanescentes da caça predatória nasceram e pro-

a acasalar e parir onde nasceram.

criam nas enseadas da região. As áreas próximas

O grande espetáculo proporcionado por estes gi-

a Antártica, onde elas permanecem no verão, são

gantescos mamíferos - que atingem até 18 metros e

apenas praças de alimentação para o consumo de

60 toneladas - na costa catarinense, é o carinho que

zooplânctons, especialmente o krill.

dispensam aos seus filhotes. As baleias-mãe trazem

A carteira de identidade de outros indivíduos da es-

os baleotes - que nascem com cerca de 5 metros e 4

pécie poderia trazer o carimbo da Península Valdés,

a 5 toneladas - para amamentá-los com seu espesso

na Argentina (maior concentração), da África do Sul,

leite perto da praia nas enseadas de águas mansas.

da Austrália e da Nova Zelândia, principais áreas re-

Foto: Enrique Alfredo Litman


//: Capa // Elas voltaram

Brasileiras de carteirinha, boas mães e poliândricas Ensinam a arte de respirar e submergir, nadar cada vez maiores extensões e, finalmente, saltar e se fortalecer para a grande jornada de 3 mil quilômetros até a Antártica. A gestação é de 11 a 12 meses e o ciclo reprodutivo é de 3 em 3 anos. Acasalamento - Com o aumento no número de baleias na região a cada temporada, também o acasalamento passou a ser um espetáculo acessível à observação humana. As baleias francas são poliândricas, ou seja, a fêmea acasala com vários pretendentes. Os machos possuem os maiores testículos do mundo animal, chegando a meia tonelada, e o pênis pode chegar a 2,5 metros. O último a se acasalar, em geral o mais forte, é o que vai fertilizar a fêmea. Mesmo com a baleia franca demonstrando notável poder de recuperação populacional na medida em que a caça passou a ser proibida, biólogos e ecologistas afirmam que ela ainda está sob risco de extinção. Virar atração turística, gerando uma atividade econômica sustentável para as populações costeiras, não deixa de ser um salvo-conduto decisivo para a espécie.

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Foto: arquivo Destino Azul


Uma longa viagem com direito a locais escolhidos a dedo como cenários da série de filmes “Piratas do Caribe”, a tempestades com ondas de 7 metros ou calmarias intermináveis, muito surf e mergulho, ilhas bucólicas e pouco conhecidas, pequenos pedaços de paraíso espalhados pelo planeta. Mas na chegada, em 12 de fevereiro, a primeira declaração de Diogo Guerreiro em Garopaba após dois anos e meio de viagem foi surpreendente:

“Fizemos a volta ao mundo para descobrir que o melhor lugar do mundo é aqui!”


//: Nosso Destino é Azul

22

Foto: arquivo Destino Azul

Foto: arquivo Destino Azul

A frase emocionada, dita com olhos mareja-

“De fato, Garopaba era o exemplo de lugar

dos, encontra explicação meses depois. “Fomos a

que a gente queria chegar na viagem: pequeno, com

muitos lugares que são considerados paraísos para

a natureza preservada, mas com boa infraestrutura

o surf ou para o mergulho ou pelos mais variados

e recursos, que nos permitisse surfar boas ondas

motivos. Mas o lugar paradisíaco onde crescemos,

e ter uma boa convivência com as populações cos-

onde estão nossos amigos e família, é o nosso por-

teiras e os pescadores. Em alguns lugares eles não

to. A gente gosta muito da aventura pelos mares do

aceitavam de jeito nenhum nosso dinheiro por fru-

mundo, mas gostamos mesmo é de nosso porto

tas, legumes e coisas assim. Acabava mesmo no es-

seguro”, explica Guerreiro, estudante de Arquitetura

cambo, na troca por camisetas e arroz que tínhamos

que trancou a matrícula no terceiro ano do curso

em estoque. Isso foi também uma viagem no tempo:

para correr atrás do sonho de fazer a volta ao mun-

alguns lugares pareciam a Garopaba de 100 anos

do num veleiro, junto com Flávio Jardim, parceiro de

atrás”, relata Guerreiro.

façanhas passadas e futuras no projeto Destino Azul.


“...de fato, Garopaba era o exemplo de lugar que a gente queria chegar na viagem...”

Foto: arquivo Destino Azul

Manezinho da ilha, Guerreiro morava na Praia

DUAS VIAGENS – O roteiro era claro: perse-

do Silveira, em Garopaba, sede da patrocinadora

guir locais em que houvesse boas ondas e vento,

Mormaii, quando o veleiro Itusca zarpou em 17 de

tudo isso em condições remotas. Os dois amigos

agosto de 2008. O catamarã de 45 pés (13,7 m) - pe-

passaram por mais de 40 países em uma verdadei-

sando cerca de 15 toneladas - foi escolhido a dedo

ra volta ao mundo em busca de aventura. Passaram

na África do Sul para a grande aventura pelos na-

por locais como Panamá, Galápagos, Polinésia Fran-

vegadores, com apoio direto e pessoal do fundador

cesa, Taiti, Fiji, Micronésia, Papua Nova Guiné, Indo-

da empresa, Marco Aurélio Raymundo, o Morongo.

nésia, Arquipélago de Chagos, Moçambique e África

A viagem começou a ser planejada 10 anos antes

do Sul antes de retornar ao Brasil. Pelo menos sete

por Diogo e Flávio. “Dez anos e cinco dias”, precisou

esportes praticados: surf, mergulho, kitesurf, wind-

Jardim em entrevista à TV Globo. Ambos queriam re-

surf, bungee jump, stand-up paddle e até frescobol.

alizar o sonho antes dos 30 anos de idade, e conseguiram. Guerreiro fez aniversário em 5 de maio.

Guerreiro e Jardim atribuem grande parte do sucesso ao superplanejamento das aventuras


//: Nosso Destino é Azul

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que empreenderam, descendo a detalhes inimagináveis, como extirpar os apêndices para não serem surpreendidos por apendicite em alto mar. O perfeccionismo os levou à terapia de grupo, para garantir boa convivência dentro do barco, e também a estudar francês, língua oficial de vários lugares por onde passariam, além do domínio do inglês. Mas o sentido de tudo isso atende a importantes subjetividades. Os aventureiros não queriam voltar ao Brasil cheios de fotos e vídeos em lugares bucólicos e com povos exóticos retratados. Queriam conversar com as populações no caminho. “Fizemos, de fato, duas viagens paralelas”, diz Guerreiro. “Uma delas foi interagir com os moradores, fazendo de tudo para superar barreiras e ter uma vida mais próxima a que eles vivem em seus domínios”. “A outra viagem é a do desafio pessoal,

Foto: arquivo Destino Azul

aprender a conviver consigo mesmo em situações extremas durante muito tempo”, relata Guerreiro. E uma viagem longa de barco força que um ou outro sempre esteja cuidando da navegação. “De repente,

priorizava fazer em comum. Em geral, o cardápio era

eu já estava há duas horas seguidas olhando para

peixe capturado por eles mesmos com temperos

o mar: a gente acaba sendo obrigado a se entreter

exóticos adquiridos no caminho. “Os que levamos

com os próprios pensamentos, a refletir muito sobre

do Brasil acabaram logo”.

as coisas da vida e o sentido de tudo. E isso já está

A necessidade de recorrer a um passatempo,

ficando impossível na sociedade moderna, onde so-

no entanto, é totalmente individual nas três horas de

mos sempre muito solicitados”.

descanso, quando o sono já não era necessário. Ler

BLEFE, SÓ NO PÔQUER – Guerreiro e Jardim

alguns dos “livros de aventuras, biografias, de ciên-

jogavam minutos de seus respectivos turnos de pilo-

cias, de viagens e romances”, levados a bordo, espe-

tagem no pôquer durante as travessias mais longas,

cialmente os de James A. Michener, era uma das op-

como a de 28 dias entre a África do Sul e a chegada

ções à pura e simples reflexão e observação do mar.

triunfal em Garopaba. Era uma das maneiras lúdicas

Com todo o arsenal eletrônico do mundo moderno a

de passar o tempo quando eles estavam juntos. Por-

bordo, Guerreiro gostava de editar e criar no compu-

que o normal é um dormir e outro pilotar, de três em

tador trilhas sonoras (eletrônicas) para os vídeos da

três horas.

viagem. Sempre ouvindo algumas das 5 mil músicas

Dentro do planejamento meticuloso, só nes-

de todos os estilos levadas em arquivo.

ta hora minutos viravam moeda e havia espaço para

A disciplina do planejamento e treinamen-

o blefe. Nestas poucas horas de convivência, que

to de Guerreiro e Jardim já ficara demonstrada em

não passavam de três ou quatro por dia, segundo

aventuras anteriores. Parte disso veio da preparação

Guerreiro, o xadrez também era uma opção, quase

para os testes de capitães amadores, que “exigiu

sempre depois das principais refeições que a dupla

muito estudo e dedicação”. Ambos aprenderam tam-


Foto: arquivo Destino Azul

bém meteorologia e navegação por instrumentos e

ram um tanto quanto fora da expectativa. Embora

algo de mecânica motonáutica. “Eu sei navegação

fossem esperadas dificuldades na travessia do Cabo

astronômica, mas nunca precisei realmente usar”,

da Boa Esperança, na África do Sul, a situação mais

reconhece Guerreiro.

difícil colheu os dois navegadores entre a Repúbli-

GRANDES MOMENTOS – A expectativa cria-

ca Dominicana e o Panamá, em pleno Caribe, com

da pelas informações que determinaram o roteiro

ondas de até 7 metros e ventos de 70 km por hora.

final da expedição já apontavam o espetáculo que

“Passamos momentos difíceis e muito desconfortá-

esperava Guerreiro e Jardim e seus eventuais convi-

veis, mas não corremos risco demasiado. O barco

dados em alguns trechos da viagem, como Morongo

é bom e conseguimos mantê-lo sob controle”, relata

e mulher, além de atletas profissionais patrocinados

Guerreiro.

pela Mormaii, como Kauli Seadi, para praticar es-

Uma situação prevista e com saídas plane-

portes do mar nos locais mais desejados do globo.

jadas foi a passagem pela costa da África nas pro-

Mesmo assim os Estados Federados da Micronésia,

ximidades da Somália, águas infestadas por piratas

no Pacífico Norte, acima de Papua Nova Guiné, foi o

que sequestram navegadores e exigem resgates

paraíso do surfe praticado na viagem. “Ondas muito

vultuosos. “A gente fez um roteiro que pensou ser o

fortes e região ainda remota, com muito pouca gente

melhor. Passamos na área recebendo direto relatos

por perto”, descreve Guerreiro. E para o mergulho,

de ataque a um outro veleiro que teria sido levado

apesar da notoriedade do Caribe, o Arquipélago de

para a Somália, onde estão pelo menos 200 seques-

Chagos, em meio ao Oceano Índico, foi o lugar per-

trados em cativeiro. O risco de ataque naquela área

feito, até por ser completamente deserto.

é muito grande. Foi, disparado, o momento mais ten-

Os momentos mais difíceis também ocorre-

so da viagem”.

Continua na próxima edição


Foto: Maiza

Foto: Maria Belén

É só o vigia sinalizar para que Garopaba

de “emalhar”. Em terra, tripulantes das canoas-de-um-pau-só

entre num frenesi que pode durar dia inteiro, noite

aguardam a oportunidade de um cerco na praia, com redes

adentro. O sinal quer dizer que foi avistada no mar

de arrasto, sempre alertas, assim como um batalhão de pes-

uma mancha roxa escura formada por uma “man-

cadores individuais com suas tarrafas.

ta” (cardume) de tainhas. E os pescadores farão de tudo para cercá-la.

A tainha é uma das maiores fontes de renda dos pescadores artesanais e um dos pescados mais apreciados na

A notícia, que já esvaziou até missa, se es-

gastronomia da costa catarinense. Mas é muito mais do que

palha e mobiliza grande parte da população atra-

isso: é uma grande festa comunitária centenária que envolve

ída para o espetáculo que é luta para pescar uma

a todos.

espécie considerada muito “esperta”, que muitas

A pesca da tainha, com todos os seus rituais, acaba se

vezes deixa os pescadores “na saudade”. A pesca

constituindo num atrativo para o turismo, que tem a chance

da tainha é uma inquietação que contagia a todos

de acompanhar e participar parte do processo de cerco ao

entre maio e julho.

peixe, evento épico do homem medindo forças com a natu-

Turismo - Vento e mar gelados, muitas horas de exposição ao sol ou chuva, qualquer

reza. Muitos visitantes ajudam a puxar a rede e aproveitam também para levar o peixe ainda fresco para casa.

sacrifício é justificado. Uma dezena de barcos vai

Tradição – A tainha é pescada em plena época de

para o mar todas as madrugadas da temporada

desova, contrariando toda e qualquer norma de preservação

na esperança de encontrar as “mantas” com rede

ambiental, graças ao lastro da tradição açoriana, centenária


//: Tainhas

na região. Em nome dessa tradição, os pescadores

das ou tropicais, existindo algumas espécies que vivem

artesanais, com suas redes de arrasto, barcos de

também em água doce. É um peixe largamente utilizado

pouco alcance e sem radares, têm sua atividade li-

na alimentação humana. A família dos Mugilidae inclui

berada e protegida.

cerca de 80 espécies divididas por 17 gêneros.

29

Mas a indústria da pesca pressiona e consegue, anualmente, obter autorização para a pesca

Uma celebração comunitária na praia

industrial, com barcos super equipados e capacida-

“A pesca de arrasto de praia mantém um sistema

de para a pesca de até 100 toneladas. O resultado

complexo de pescaria. Não se trata somente do ato de

é o esperado: a presença da tainha ao alcance do

puxar rede, porque existem diversas pessoas envolvidas

pescador artesanal é cada vez menor. Em 2007, por

e certa divisão de funções – o vigia, os tripulantes (mes-

exemplo, foram capturadas 2,3 mil toneladas pela

tre, remeiros e chumbeiros que lançam a rede na água)

pesca artesanal; no ano passado não passou de 770

e existe a divisão da captura – o quinhão”, analisa Rodri-

toneladas.

go Pereira Medeiros, surfista, oceanógrafo com mestra-

Mas não existe nenhum estudo sobre o esto-

do em ecologia e doutorado em sociologia política.

que do peixe. É onde esbarra a ação do Ibama quan-

Em entrevista ao Waves, o pesquisador diz ainda

do tenta controlar a pesca, especialmente por bar-

que a pesca da tainha é muito mais do que um processo

cos industriais. Frente a uma eventual ação judicial

produtivo-econômico, é um momento de manifestação

da indústria, seria impossível sustentar que a quan-

do “território da pesca artesanal”. “O arrasto de praia

tidade de tainha disponível no mar está diminuindo.

também é um ritual de renovação dos laços comunitários, em que a comunidade (homens, mulheres, crianças

Peixe migra da Lagoa dos Patos

e idosos) se reúne na praia e as pessoas trocam senti-

A tainha é o quarto recurso mais importan-

mentos de respeito, pertencimento e de reciprocidade”.

te pescado em águas brasileiras, embora tenha um

Rodrigo acrescenta, no entanto, que a dimensão

peso bem maior – por seus hábitos costeiros - para

econômica da pesca da tainha não pode ser minimiza-

os pescadores artesanais. A espécie fica apenas

da: os pescadores chegam a quadruplicar a sua renda

atrás da corvina, do atum e da sardinha na pesca

nestes dois meses. “Isso tem uma importância muito

industrial.

grande, pois é o momento onde ele pode melhorar a sua

O peixe que faz a festa na costa catarinense migra de estuários como a Lagoa dos Patos, no Rio

casa, ou fazer uma reserva para os meses de pesca mais rarefeita.

Grande do Sul, logo depois dos primeiros frios do

ao norte. A temporada abre dia 15 de maio – por determinação normativa do Ibama - e se estende até o fim de julho. O nome da tainha capturada no sul do Brasil é a Mugil Brasiliensis. A designação vulgar de vários peixes da família dos mugilídeos. A maior parte das espécies pertence ao gênero Mugil, mas a designação estende-se a outros gêneros (e mesmo a algumas espécies da ordem dos Perciformes). Distribuem-se por todo o mundo, ocupando águas costeiras tempera-

Foto: Maria Belén

outono para se reproduzir em mares mais quentes


//: Culinária

31

A versão contemporânea da iguaria japonesa, internacionalmente conhecida apenas por ‘sushi’, foi desenvolvida por Hanaya Yohei (1799–1858) no final da era Edo. Essa técnica era uma forma primitiva de “fast-food”. O chamado nigiri-zushi era preparado rapidamente, e podia ser consumido em bancas armadas na rua, mercados ou em saída de teatros.

Surfe, sushi e Garopaba deram um nó que ninguém desata na vida do

Há controvérsias sobre a origem. Uma versão diz que

jovem Daniel Jucinsky. Tudo co-

peixes e outros frutos do mar passaram a ser consumidos

meçou com a paixão pela prática

crus, acompanhados de shoyu (molho de soja), wasabi (raiz

do surfe e o sonho de permanecer

forte, bactericida natural), vegetais e arroz, há cerca de 8 mil

próximo às melhores ondas do sul

anos. Os peixes eram consumidos em fatias (sashimi) ou

do Brasil. Em Garopaba, é claro.

acompanhados de arroz (nigiri-zushi).

Para sustentar seu sonho, criou o bar e restaurante H2O, ao lado

Outra teoria aponta para uma época mais recente e

da loja Sul Nativo. O que não

ao arroz avinagrado utilizado para preservar o peixe, que era

estava escrito é que ele viraria o

descartado na hora de comer. Com o tempo, alguns passa-

principal sushiman da cidade.

ram a apreciar o sabor deste arroz, o que teria dado origem

Uma história boa de ouvir tanto

ao sushi. O método de preservação deu lugar ao conceito de

quanto as deliciosas versões sobre

frescor e rapidez para servir.

o surgimento do sashimi e do sushi

Peixe fresco - Para o sushiman Daniel Jucinsky, os se-

- o primeiro fast-food da história. Iguaria essa que, na Garopaba de

gredos da iguaria japonesa começam na escolha do peixe

cultura açoriana, propõe uma ma-

e na garantia de que o alimento vá chegar fresco à mesa do

neira oriental de saborear o tão

cliente. “Por isso, dependemos da captura e da safra. Pode ser

apreciado filé de tainha.

que não tenhamos este ou aquele peixe porque só trabalha-

Natural de Novo Hamburgo (RS),

mos com peixe fresco.”

Daniel veio morar em Garopaba

O filé de atum (maguro) – capturado na costa brasi-

em 1999 para surfar, e acabou

leira - é presença garantida, ao lado do filé de salmão, uma

conhecendo a cozinha japonesa.

receitas para consumo próprio. “Estudei, fiz curso e estágio com o chef e sushiman Leco Mendes e, em meados de 2007, introduzi o sushi no H2O. Tudo muito rápido.”

Foto: arquivo H2O

cidade fora do verão, aprendeu

Foto: arquivo H2O

Como nenhum sushiman ficava na


//: Culinária

32

Fotos: arquivo H2O

preferência ocidental, especialmente nas Américas.

É o caso do Filadélfia e do Califórnia (manga,

O mesmo ocorre com os frutos do mar. Como parte

pepino e kani no Brasil), adaptações de muito suces-

da tradição, a oferta de peixes brancos é baseada

so que recorrem também ao uso de cream-cheese,

em espécies locais, criteriosamente adquiridos por

por exemplo, ou a preferência por temakis (cones

Daniel com os pescadores da cidade.

para comer com as mãos), também com cream-

Tainha - É onde entra a tradicional tainha

-cheese.

(borá, em japones), cuja pesca nos meses de maio,

O extenso cardápio do H2O oferece também

junho e julho é uma festa popular nas regiões de

comidas quentes, como o furai (empanados à japo-

cultura açoriana. “Sashimi e sushi com filé de tainha

nesa, com farinha importada), yakissobas, teppan-

são deliciosos”, garante Daniel. Linguado (hirame)

-yakis (legumes com carne, frutos do mar ou peixe

e robalo (suzuki) são outras espécies preferenciais

grelhado), entre outros, além de várias entradas.

para o sushiman.

Otimismo – Otimismo não é obrigatório, mas

Trabalhar com a cozinha japonesa e seus

está no tempero do trabalho do H2O. O restaurante

rituais requer alguma aproximação cultural com a

abre todos os dias na temporada de verão e somen-

postura oriental. “Começa pelo respeito a qualquer

te de quinta a sábado, o que seria a baixa tempora-

tipo de alimento, tratar bem os ingredientes e ter

da. “Por enquanto, não dá para ser diferente, pois, da

muito cuidado na elaboração. Esse propósito e atitu-

Páscoa ao Natal, trabalhamos basicamente para o

de devem chegar ao cliente junto com o produto”, diz

público local”, avalia Daniel.

Daniel. Por isso, o H2O só trabalha com pedidos à La

Mas o surfista que virou restauranter e sushi-

carte. “Com o peixe fresco, respondo pela qualidade

man acredita que essa situação muda em breve.

do meu produto”, ressalta.

Para ele, o fim da duplicação da BR-101 deve tornar

Ocidente – A tradição só deixa espaço para

a cidade mais atraente nos fins de semana, inde-

o esmero na elaboração. Mas fazer sushi nas Améri-

pendente da estação. “Creio que em dois anos, no

cas significa fazer adaptações para agradar o gosto

máximo, vai dar para abrir o H2O todos os dias do

ocidental. E são estes, exatamente, os mais procura-

ano”, completa.

dos pelo brasileiro, segundo Daniel.


34

Foto: Rafael Zanoni

//: Culinária

por Rafael Zanoni Muito estudo, dedicação e trabalho. É assim que inicia a carreira do Chef Rafael Zanoni. Sua paixão pela gastronomia nasceu há alguns anos em Garopaba, quando realizou o curso de cozinheiro oferecido pela ACIG – Associação Comercial e Industrial de Garopaba - e ministrado pela Chef Ro dos Reis. Hoje Rafael, é também gra-

Ingredientes Gulasch: • 2 kg de carne de alcatra em cubos • Cebolas • Azeite de oliva • Páprica • Alho • Manjerona • Cominho • 200g de Bacon • Sal • 1 litro de caldo de carne

duado pelo Curso Chef de Cuisine e Restauranter

Ingredientes da Polenta:

- do renomado Centro Europeu, e atua na área de

• 1000g de farinha de fubá • 3 litros de caldo de legumes • 100g de manteiga • 300g de queijo parmesão

Personal Chef, realizando consultorias em restaurantes e chefiando eventos particulares. Seus trabalhos mais recentes foram no Villa e Sabor de Curitiba e chefiando o restaurante noturno do Café Mormaii Beach Club em Garopaba. Mas a paixão de Rafael não pára por aí, já que o Chef visa viajar para o exterior, dedicando-se a estudar e aprimorar seus conhecimentos e técnicas de gastronomia.

Preparo do Gulasch: . Dourar a cebola finamente picada no azeite, acrescentar a páprica, a carne e o sal; . Acrescentar um pouco de caldo e cozinhar até ficar macia; Adicionar caldo se precisar; . Juntar uma mistura de cominho, alho, manjerona bem picados; Acrescentar o bacon em cubos. Preparo da Polenta: . Colocar para ferver o caldo bem temperado, e adicionar a farinha mexendo sem parar ate chegar ao ponto; . Finalizar com a manteiga e o queijo parmesão.


Foto: Bolivar Fountoura

na prática! Aliar conforto, praticidade e economia, causando

da chuva, iluminação natural, telhado verde, painéis

o mínimo de impacto ao meio ambiente, foi o desafio que

solares para aquecimento da água e sistema de trata-

a arquiteta Vanda Zanella e o engenheiro Bolivar Fontou-

mento de esgoto anaeróbio.

ra encontraram ao assumir o projeto e a execução do

Recentemente a arquiteta projetou um retrofit

primeiro prédio público sustentável de Santa Catarina. A

do Quartel da Polícia Militar de Garopaba, a pedido

Base Operacional da Polícia Militar e Ambiental, localiza-

do comandante, e uma concha acústica sustentável,

da na Praia do Rosa e inaugurada em 2008.

encomendada pelo prefeito de Garopaba Luiz Nestor,

A proposta do projeto foi mostrar, através dos

ambos aplicando os conceitos da bioarquitetura.

conceitos da BIOARQUITETURA (arquitetura pensada no

“Acreditamos que os exemplos públicos, assim

clima), como é possível obter um prédio, através de um

como os privados, que utilizam uma nova maneira de

desenho arquitetônico de estratégias projetuais singula-

projetar e construir, respeitando a natureza, com o in-

res, que dispenda menor energia e seja ao mesmo tempo

tuito de diminuir o impacto ao meio ambiente, podem

agradável no seu uso diário. Os recursos utilizados foram:

servir de estímulo para a sociedade, criando em todos

ventilação natural, captação e aproveitamento de água

uma consciência ambiental” relata a arquiteta Vanda.


//: Dicas de Inverno

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Professor Gustavo Misurelli - Formado em Educação Física pela Universidade Tuiuti do Paraná, com aprofundamento em Treinamento Desportivo; professor de musculação e corrida da Academia da Praia em Garopaba; professor do NASF - Núcleo de Apoio à Saúde da Família – de Garopaba, pela Secretaria Municipal de Saúde; e árbitro de Surf Internacional. CREF 12390-G/SC 048 9106-7806 escoladesurfsup@hotmail.com No Brasil, na maioria das vezes, o frio não

• Use roupas que irão mantê-lo aquecido,

impede a prática de exercícios físicos ao ar livre.

mas que sejam leves e confortáveis para garantir a

Entretanto, dependendo da época do ano, região,

liberdade de movimento. Lembre-se que o exercício

altitude, situação atmosférica e horário, o frio pode

físico por si só irá aumentar a sua temperatura cor-

causar muitos prejuízos à saúde. A região de Garo-

poral;

paba apresenta um inverno bem definido, mas suas

• Para os esportes aquáticos, procure equi-

belezas naturais convidam e estimulam as ativida-

pamentos específicos para sua modalidade. Uma

des OUTDOOR.

boa roupa de borracha é fundamental.

Praticar exercício físico três a quatro vezes

Praticar exercícios físicos exige uma disposi-

por semana é essencial para se viver mais e melhor.

ção considerável para muita gente. Ainda mais com

As atividades indicadas no inverno são as mesmas

o frio. É preciso muita força de vontade. Se esse é o

das outras estações, exercícios aeróbicos como: ca-

seu caso, aí vão algumas dicas para enganar a pre-

minhada, corrida e bicicleta. Mas se você quer se

guiça:

aventurar em modalidades menos tradicionais e por

• Se você sente muito frio, procure uma

muitas vezes mais “atraentes” como surf, canoagem,

academia. Lá não venta, não chove e tem chuveiro

standup, treking e outras, não tenha medo do frio,

quente;

pois não há nada que um bom equipamento não

• Crie o hábito de praticar exercícios com um

resolva. Além disso, as atividades físicas são ótimas

amigo ou um grupo. Quando outras pessoas estão

para evitar o ganho de peso comum durante o in-

envolvidas, o estímulo para comparecer é maior;

verno e amenizar os efeitos das calorias ingeridas a mais nos alimentos característicos da estação. A prática de exercícios físicos durante as baixas temperaturas da estação exige maiores cuidados. O tempo frio aumenta o risco de lesões e por isso é necessário seguir algumas recomendações: • Para que o corpo atinja a temperatura ideal, aqueça no mínimo vinte minutos; • Concentre a atenção aos membros mais exigidos durante o exercício; • Hidrate o corpo. Apesar de a transpiração ser menor em dias frios, perde-se muito líquido. Beba água antes, durante e após os exercícios realizados;

• Procure lembrar-se da sensação provocada após o exercício, o bem estar que ele proporciona, o relaxamento e a satisfação por ter cumprido suas metas; • Quem se exercita cedo, pode trocar o horário da atividade temporariamente. Avalie a possibilidade de ir após o trabalho. Prepare-se e continue seus treinos. Não deixe que o frio atrapalhe seus objetivos. E o mais importante, procure sempre a orientação de um profissional de educação física. A boa orientação faz a diferença! Divirta-se!


O gerente comercial no ramo de surfwear Zeca D’Alessio viaja a trabalho pelo mundo inteiro. Conhece Ásia, Europa e Américas. Mas nesta viagem especial, realizada em janeiro, queria levar o filho Daniel e a mulher Janine para uma trip inesquecível. Apesar de ser considerado um dos jovens “Einsteins” catarinenses pelo grande desempenho em Física, Daniel (17 anos) pratica tudo que tem direito em esportes na Garopaba: skate, sandboard e, é claro, muito surfe. O roteiro elaborado por Zeca levou isso em conta, privilegiando a passagem pelas melhores pistas de skate da Califórnia, entre Los Angeles e San Diego, passando pelo snowboard na Big Bear Mountain, para depois seguir para ilha de Oahu, no Hawaii. “Fiz um roteiro que costumo indicar para amigos”, relata Zeca. São quatro vôos: São Paulo-Los Angeles, Los Angeles-Honolulu, ida e volta. Ele aconselha o aluguel de um carro para rodar na Califórnia, ir a San Diego e depois subir a Big Bear Mountain para esquiar. “É interessante alugar um chalé e ficar lá pelo menos 3 dias.” “No Hawaii, ficamos hospedados na casa de uma prima da Janine que nos emprestou o carro. Senão seria indispensável alugar um para rodar toda Oahu com total autonomia, condição essencial para quem quer aproveitar as melhores ondas de cada dia.” “Fazer o roteiro por conta própria garantiu tarifas mais em conta, especialmente neste caso em que éramos três, uma viagem familiar”, avalia Zeca. Com isso, os 21 dias da viagem, acabaram custando cerca de R$ 20 mil ao executivo. O paulista Zeca D’Aléssio, 48 anos, trabalha com surfwear há 30 anos. Veio morar há 7 anos em Garopaba. “Estimulado principalmente por João das Tintas, e com apoio total de Eduardo Nedeff, pude mostrar meu trabalho em uma empresa licenciada da Mormaii”, lembra. Nestes 30 anos de trabalho no ramo, Zeca foi pelo menos 12 vezes à Califórnia, viajou e ainda viaja por toda a América do Sul, Hawaii, Singapura, Coréia, China e Indonésia. O sucesso da viagem planejada por Zeca foi tão grande, que ele ganhou um problema e tanto: “Daniel e Janine querem repetir a dose todos os anos daqui para a frente”.

Fotos: arquivo pessoal Zeca


//: Social

Apoio:

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COQUETEL DE LANÇAMENTO VERÃO 2010

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1. André Santi e Guto 2. André e Maiza 3. André Santi, André Giesta, Lilico e Marcelo Zanoni 4. Guto, Fred e esposa, e André Santi 5. André Santi, Michele, Saulo, e Guto 6. Guto, André Santi, Nicole e equipe Essência da Saúde 7. João e André Santi 8. André Santi, Vera, Guto e Roberto 9. André Santi, Rodrigo Rabello, João e Guto

Anderson Spaniol


Até a próxima estação... Bolivar Fontoura Personalidade Garopaba //:

Nosso Destino é Azul Parte 2 //:

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Foto: Michele Cruz



Revista Vip Garopaba #2