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Adônis de Deus

O reflexo do mundo pelos olhos de Deus Talvez poucos saibam que Adônis de Deus, que durante alguns anos revelou as fotografias de muitos timboenses, se transformou em um dos colaboradores mais interessantes da célebre revista Vogue e com alguns dos seus trabalhos selecionados pela revista Photo France, ícone mundial da fotografia. O jovem colaborador da Photo Hobby partiu para Floripa e daí para Itália, onde vive com a família há 14 anos, captando em imagens um pouco do mundo que tem viajado. No final do ano passado esteve em Timbó e, em uma parceria da San Pellegrino com a Vogue, expôs uma pequena mostra do seu trabalho para a conceituada revista internacional de moda no Bistrô Magnani, na sequência da qual, aceitou o convite da Revista Valeu para conversar sobre o seu trajeto. Revista Valeu (RV) - Como começou esta paixão pela fotografia? Adônis de Deus (AD) - Começou há muitos anos na Photo Hobby. A minha irmã trabalhava lá, no laboratório e eu na época fazia o curso de desenho técnico mecânico. Um dia ela me disse para eu passar pela loja e falar com o Nilton, o proprietário, porque estavam querendo contratar alguém. Aí fui lá, conversei e comecei a trabalhar. Interrompi o curso que estava fazendo para iniciar no laboratório como auxiliar. Só depois de um ano de estar ali é que se iniciou a minha aventura com a fotografia. Tudo começou quando me convidaram para participar no Concurso Fotográfico de Timbó para o calendário da cidade e, se bem me lembro, tirei o segundo lugar. Peguei uma máquina emprestada da vitrine do Nilton para participar e fui na Thapyoka, onde ainda tinha a casa antiga e tudo mato em volta e desci, fiz doze cliques e um deles foi selecionado. RV - Você se lembra exatamente qual foi a foto?

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AD- Lembro, lembro. – Adônis de Deus, com o olhar perdido no horizonte, como que recuando no tempo, até o momento mágico em que tudo começou. – Aí iniciou tudo. Fiquei ainda alguns anos na Foto Hobby, depois me transferi para Florianópolis, onde fui trabalhar noutro laboratório, com a coincidência curiosa do proprietário ser amigo do Nilton. Foi engraçado porque ele estava na dúvida de pegar a loja com estúdio fotográfico em cima, ou apenas a loja. Aí eu disse: pega o estúdio que vamos fazer andar. Eu não tinha nenhuma experiência com estúdio fotográfico. – Risos.

RV - Deixa esclarecer uma dúvida. Nessa época já existia foto digital? AD - Era o início, mas eu trabalhava com analógico. Em Florianópolis, eu comecei a trabalhar com foto de moda, com uma clínica odontológica que tinha como modelo uma Miss Brasil de Balneário e fui trabalhando. Aí, chegou um momento em que um amigo meu, que trabalhava na Itália, me desafiou para ir trabalhar com ele, porque tinha surgido uma oportunidade. Nessa época eu estava bem, mas sempre gostei de viajar e decidi ir, por três meses. Acabou dando certo. Comecei a trabalhar numa empresa de importação no setor de acessórios de moda. RV - Nada a ver com a fotografia. AD - Não. Sempre fotografando, mas o trabalho não tinha nada a ver. Tinha de começar por algum lado, não é? – Um leve sorriso no rosto, como que antecipando o sucesso que viria a obter. - Os trabalhos que ia fazendo, levava num laboratório onde os fotógrafos mais conhecidos revelavam as suas fotos, aí um dia, o cara do laboratório me perguntou: Pode conversar? Eu disse que sim e começamos a falar sobre as minhas fotografias. O editorial que tu faz é assim mesmo ou é montagem? – Perguntou. – Eu expliquei o meu método de trabalho, conversamos e ele me convidou para fazer um trabalho com ele, como assistente. Me lembro até hoje, eu tava com a bolsa a tiracolo com a máquina fotográfica e eu fiz umas fotos também. Da segunda vez, ele me falou assim: tu não vai vir como assistente para carregar a bolsa, tu vai fotografar também, porque o teu trabalho vende. Ele tinha agregado algumas fotos minhas da primeira sessão e tinham sido bem aceites no mercado. Até hoje eu faço trabalho de freelancer para ele. RV - E abandonou a empresa de acessórios de moda? AD - Não. Continuo trabalhando com comércio exterior nessa área, mas onde vou, levo sempre a máquina atrás e estou sempre fotografando. RV - Olhando para o teu portfólio, encontramos fotos de moda, numa onda bem Vogue, Photo, mas também imagens muito Cartier-Bresson, Robert Capa, retratando momentos do dia-a-dia das pessoas, das cidades, e até retratando sentimentos. Essa dualidade tem a ver com a inspiração ou com as propostas de trabalho?

Valeu Março 2016  
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