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Mas, para além de um atributo de São Pedro, a chave também consta da representação simbólica de muitos outros santos Cristãos, como seja o caso do Rei São Fernando, São Ricardo, Santo Humberto, São Raimundo de Penhaforte, Santa Marta, ou de Santa Zita. Porém além do seu significado religioso, a chave também é um símbolo extremamente importante. Por isso, ainda hoje, numa época em que nenhuma cidade necessita de muralhas para se proteger, o símbolo mais importante que um Presidente de Câmara de uma Cidade pode oferecer a alguém, são as “Chaves da Cidade”! Indo buscar a sugestão para a sua existência, seja nas chaves de São Pedro, as que abrem as portas do paraíso, seja nas chaves das muralhas de uma qualquer cidade, a verdade é que a “Chave” ainda hoje permanece como um dos temas figurativos mais retratados no Universo dos Saca-Rolhas. São geralmente de uma qualquer liga metálica, seja ela latão, bronze, zamac ou alumínio… Todavia também existem em madeira e até mesmo em plástico! Exteriormente, a maior parte deles, em pouco ou nada se distinguem do tipo de chaves de porta, mais usuais no século XIX e início do século XX. Mas quando se puxa ou, nalguns casos, quando se desatarraxa, o punho, da parte central da mesma, destapa-se a preciosa espiral destinada a desarolhar garrafas de vinho. Alguns modelos possuem também no interior da argola do punho, saliências destinadas a abrir “caricas” (Tampa circular, metálica e sem rosca, de garrafas de cerveja ou de refrigerantes; Equivalente no português do Brasil: chapinha). Se em matéria de funcionamento, as chaves-saca-rolhas, por serem do tipo “extracção directa”, exigem uma certa força e destreza por parte de quem vai abrir a garrafa, a verdade é que em matéria de coleccionismos e de estética, são sempre peças apreciadas. Foram fabricadas nos quatro cantos do mundo, ao longo de todo o século XX, e muitas delas são ainda produzidas em pequenas oficinas ou unidades de pequena industria, frequentemente sem qualquer tipo de marca de fabrico ou de identificação; Pior ainda, no que aos coleccionadores diz respeito, é o facto de, por exemplo, um modelo inicialmente fabricado na Alemanha, ter sido copiado e fabricado também por fabriquetas na Polónia ou….quem sabe, até em Portugal ou no Brasil! Por isso são, regra geral, de difícil identificação e catalogação.

Conjunto de Saca-rolhas Chave: Nenhum deles apresenta o nome ou marca do respectivo fabricante, mas o primeiro (a contar da esquerda), tem inscrito o número 22 nas duas partes ; o segundo, de inferior qualidade, é um saca-rolhas promocional de um conhecido fabricante de Cervejas. O 3º, de maiores dimensões, para além de ter a particularidade de ter inscrito o número 8 no topo de espiral, era inicialmente cromado. E finalmente, o 3º, possivelmente fabricado em Portugal, tem a originalidade de, o corpo da chave, ser levado na boca de uma estatueta de um cão.

por Lopo de Castilho

Falando em Portugal, não poderíamos deixar de mencionar um dos principais fabricantes Lusos de saca-rolhas decorativos, que também teve chaves-saca-rolhas no seu catálogo, a BARBEITOS, de Lisboa. O tipo mais raro destes saca-rolhas, são aqueles que efectivamente desempenham duas funções, isto é, que como chave, servem efectivamente para abrir uma fechadura, e no seu interior dispõem de uma espiral que também lhes permite “abrir” o mais precioso dos recipientes: uma garrafa de vinho! É com uma chave destas, que brevemente, esperamos vir a inaugurar oficialmente o edifício do Museu do Saca-rolhas, mas esta é uma história que ficará para um próximo artigo.

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Valeu Março 2016  
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