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Comprei, o rótulo era bonito Não é de hoje que eu e você já fizemos isso alguma vez na vida. É muito comum, mas não correto, escolhermos comida, livros, roupas, carros e por ai vai pelo o que aparenta ser. Vinhos e bebidas em geral não ficam fora dessa lista. Muitas são as pessoas que compram vinho pelo rótulo e o formato da garrafa, sem sequer pensar se ele lhe agradará. Muitas vezes, pode até dar certo esse tipo de escolha, mas garanto a você que não é a forma mais segura de comprar alguma coisa, em especial, vinhos. Não é de agora que rótulos são manipulados com selos e medalhas de premiações que tão pouco importa para dizer se o vinho é bom ou merecedor de tal colocação. É normal que cada país crie uma forma de deixar sua produção “verdadeiramente” original, para poder se destacar e criar certa confiabilidade no seu produto e seus produtores. Grande é a quantidade de pessoas que já sabem e se decepcionaram com a entrada da China na Europa, comprando vinhedos e “château” na França, por exemplo. Não se preocupando em manter suas qualidades, mas sim, aumentar sua produção e lucratividade em cima de séculos de trabalho duro. “Isso não é uma critica é uma pena”. A cada dia que passa, percebo mais e mais vinhos “simples” com seus rótulos cheios de medalhas e prêmios que comparados a grandes vinhos com seus rótulos cada vez mais “clean” os deixam com um ar de forçado. É de nosso interesse saber o que levar para nossa adega ou degustar no dia-a-dia sem ser lesado pela falta de profissionalismo de certos produtores e importadoras. Devemos buscar por produtos e produtores que confiamos. Quando vamos abrir nosso paladar a novos sabores, devemos buscar informações dos mesmos para ter uma idéia se aquele produto corresponde a normas previstas em lei de cada país e, o mais importante, ao nosso paladar. Os vinhos aqui do Brasil têm tido um grande destaque em sua produção e sabores. Temos avançado muito em nossa busca por vinhos cada vez mais redondos. Claro que temos ainda um longo caminho pela frente, mas a tecnologia tem estado ao nosso lado para cada dia criarmos micro climas mais favoráveis a produções mais valorizadas para degustadores de diversos conhecimentos e anseios. Ainda assim, temos vários preconceitos pela frente para superarmos. Fico triste quando vejo clientes que preferem comprar vinhos importados, pois dizem que nossos vinhos não são dignos. Verdade seja dita que muito temos avançado e somos muito reconhecidos lá fora, sendo que aqui muitos produtores são desmerecidos pelo preconceito e falta de conhecimento de quem compra. Levando

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“degusta dores” a serem iludidos por rótulos desconhecidos e pagarem três ou quatro X mais por vinhos que têm a mesma propriedade organoléptica dos vinhos nacionais. Já presenciei vários casos de pessoas que compraram caixas de lebres e tomaram gato. Como em todos os ramos de produtos, o mundo do vinho não fica fora de decepções pela embalagem. E pra complicar mais ainda, temos os rótulos falsificados de várias bebidas. Revendedores de má fé que iludem seus clientes com produtos falsos como seu caráter. São várias as casas especializadas em bebidas que, para burlar o imposto cobrado, acabam caindo na tentação de revender produtos de baixa qualidade com rostinho de beldades para conseguir preço e rotatividade. Desconfie de um lugar quando a cotação de preço for muito abaixo dos outros lugares pesquisados. Quando sua embalagem estiver violada e faltando o selo que é obrigatório. Busque por produtos de origem confiável e de importadoras, lojas, adegas que você conheça. Olhe sempre selos numerados e registrados pelo órgão regulador do país. Isso ajuda em diversos aspectos as pessoas que trabalham para fazer chegar até você o produto que fabricaram com muito trabalho e suor. E deixe de ser bobo e ficar apenas olhando o “desenho” do rótulo e busque conhecer mais, pois quanto mais você souber, menos enganado por aparências e vendedores você será. A dificuldade de conseguir encontrar vinhos mais acessíveis devido à grande carga de impostos que estamos enfrentando, torna a busca um pouco mais difícil, mas nunca menos prazerosa. Abraço. por Tiago Minusculi

Valeu Março 2016  
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