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- Nunca é fácil conciliar vontades, que por vezes são até antagônicas. Tem Prefeituras que visionaram a importância do turismo para a região há muito tempo e outras que não atribuem tanta importância. Depende muito do peso que o turismo tem para cada uma e dos próprios atrativos turísticos que existem. Mas o caminho tem de seguir nesse sentido. O cicloturismo tem sido o carro chefe do turismo no Vale… - Sim, sim. Os dois produtos consolidados da região são o cicloturismo, em primeiro lugar, e os mochileiros. Embora com alguns problemas, sobretudo na parte alta do percurso, no caso do cicloturismo, esse é um produto consolidado e que funciona. Que problemas são esses? O que falta? - Muita coisa, sinalização, por exemplo. Para mudar a sinalização tem que se recorrer à Instância de Governança da região. Quem lidera a Instância é o Convention & Visitor Bureau de Blumenau. Na última reunião em que estive, senti uma certa insatisfação por parte dos municípios com essa questão de ter que passar por Blumenau. Até porque, durante anos, Blumenau não quis fazer parte do circuito de cicloturismo. Agora Blumenau está se vendo como parte do Vale Europeu. Percebeu que fica mais fortalecida assim. Estas questões geram entraves e dificuldades. O Consórcio gere o turismo do Médio Vale, mas para algumas coisas depende da Instância de Governança liderada por Blumenau, que por sua vez depende da Secretaria de Turismo do Estado. Isso complica, entendem? E Timbó? - Nós de Timbó temos de dar valor para as coisas. Porque estamos muito bem comparados aos outros municípios. Nós estamos bem preparados para o turismo, mas não valorizamos. Temos muito potencial. Timbó tem potencial para ter um roteiro, mas precisa de investimento, de uma estruturação. Temos três cervejarias artesanais, fábrica de chocolate, produtores orgânicos, artesãos, artistas, museus, entre os quais, o Museu da Música com o maior acervo de instrumentos musicais da América Latina, boa gastronomia, bons hotéis. A cidade transformou-se, está atrativa. Depois de tudo que foi feito, acho que a próxima administração tem que despertar para o turismo. Esse é o caminho. Porque a nossa cidade ainda é muito voltada para a indústria. Chega fim do ano e tudo fecha, não tem um restaurante aberto, o comércio fecha. Fica uma cidade morta. Como trabalhar o turismo sem essa estrutura? Eu vejo que falta investimento da iniciativa privada em relação a equipamentos turísticos. Faltam opções que prendam o turista na nossa cidade. Faltam roteiros dentro da cidade para entreter o turista. Não temos subsídio para isso. Mas o que seria necessário de investimento para criar esses roteiros?

Quando eu entrei na Fundação Cultural de Timbó fui para Joinville para estudar um roteiro que eles fazem com os colonos, que é bem interessante. Na época, receberam um subsídio do governo federal para conhecerem agricultores franceses que fazem parte de um roteiro criado como forma de fomentar o turismo na região. Eles te levam para tu conheceres a propriedade, os produtos que têm para oferecer. Eu voltei com uma estimativa de valor, pois formar esse roteiro envolve vários processos, cursos de capacitação, reuniões, estruturação de cada propriedade, entre outros. Era impensável. Houve algumas tentativas de organizar alguns eventos, por exemplo, o festival gastronômico e acabou por não acontecer porque os diversos empresários do setor não quiseram participar. Então, eu sinto uma falta de respaldo da iniciativa privada. Porque o turismo em Timbó não deve depender só da Prefeitura. Não sei quando surgiu este afastamento, este distanciamento, mas a verdade é que sinto muito essa falta de cooperação. Mesmo na ligação entre os diversos atores do setor. Além desse distanciamento que existe entre os empresários, outra coisa que causa um entrave para o turismo não eclodir é o medo da concorrência, que, ao invés de ser vista como incentivo para se fazer um produto de qualidade ou oferecer sempre o melhor serviço, é vista com maus olhos, como um inimigo. - O próprio comércio não se envolve. Na Festa do imigrante nós tentamos incentivar as lojas a fazerem a decoração. O próprio pessoal daqui se veste a caráter para ir na Oktober, mas não se veste assim para ir na festa da cidade. Essa falta de união do setor privado é mesmo um entrave, ao contrário do que acontece em Pomerode, onde os empresários do turismo se uniram para promover a cidade e hoje são o motor turístico da cidade, organizando os maiores eventos e com um sucesso enorme. Todos ganham. Se bem que é bom lembrar que lá teve um deputado por trás, mandando dinheiro e tem também uma secretaria de turismo. A propósito dessa desunião, há uma história interessante que o Wolfgand Rudolph nos contou a propósito do projeto que iniciou em frente à sua empresa de criar uma área para ciclistas, ajardinada e que ele pretendia que fosse o início de corredor verde que ligaria Timbó a Rodeio. Ainda tentou convencer os proprietários dos terrenos vizinhos, mas sem sucesso. É um bom exemplo dessa dificuldade de união, de entendimento. - É isso mesmo. E que legal esse espaço que eles têm. Eu não conhecia a área externa da Rudolph e há dias fui lá e fiquei encantada, merecia estar aberta ao público para visitação. Eu, inclusivamente estou tentando junto com o Murilo, responsável dos jardins, que isso venha a acontecer.

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Valeu Março 2016