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turismo em timbó

é agora ou nunca! entrevista com a Diretora de Turismo de Timbó - Flavia Cipriani O Vale Europeu está na moda. Foi preciso a onipresente Globo dedicar o primeiro Globo Repórter desse ano à região, para que os agentes de turismo despertassem da letargia em que têm vivido nas últimas décadas e descobrissem no turismo a trilha perfeita para o crescimento econômico dos próximos anos. De fato, desde que o programa foi para o ar que não se fala de outra coisa. As ligações caem em catadupa nos telefones de hotéis, agências de receptivo e organismos públicos responsáveis pelo setor. Chegam questionamentos de todo o Brasil sobre como chegar, o que visitar, qual a melhor época do ano para vir. Só para se ter uma ideia da dimensão desta procura, o site do Circuito do Vale Europeu de Cicloturismo, que habitualmente tem uma média de 500 visitantes, atingiu um pico de 25 000 visualizações. Ninguém estava preparado para esta repercussão e é interessante perceber o porquê. Afinal, o Vale Europeu tem todas as condições para ser uma das regiões mais dinâmicas do país em termos turísticos. Foi abençoado por uma natureza exuberante, com paisagens de cortar a respiração; tem uma arquitetura única em todo o Brasil; uma gastronomia rica e variada; uma cultura muito própria e atrativa; um calendário de eventos de raiz etnográfica diversificadíssimo; um caminho para mochileiros com 221 quilômetros e o primeiro circuito de cicloturismo do Brasil. Isto para não falar nas inúmeras cachoeiras, na maior tirolesa das américas, nas dezenas de cervejarias artesanais, no variado e rico artesanato ou nos pequenos sítios, onde ainda se produzem verduras e frutas sem veneno e com o gosto de antigamente. Então, o que levou a que, salvo honrosas e dedicadas exceções, só agora se olhe para o potencial turístico da região como fator de desenvolvimento? Por que durante anos mochileiros e cicloturistas foram olhados de soslaio e considerados turistas de segunda? De que forma se organizam entidades públicas e privadas para promover e dinamizar o turismo da região?

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Sendo Timbó a porta de entrada do circuito de cicloturismo que está na mira de todos os brasileiros, convidamos Flávia Cipriani, que assumiu recentemente o fardo de agitar as águas do turismo em Timbó por nomeação do atual governo municipal, para responder a estas e outras questões e, sobretudo, para conversar sobre o setor, que todos as organizações econômicas internacionais definem como a indústria do século XXI. - A gente chegou no ápice de promoção do Vale Europeu. – Atira Flávia ainda mal acabada de chegar à sede da Valeu. O sorriso no rosto não disfarça o contentamento com a promoção gratuita da região conseguida com a reportagem televisiva. Por trás de um ar descontraído e jovial e de uma afabilidade contagiante, Flávia esconde, ou talvez não, uma timidez que a leva a fugir dos holofotes e a se focar no muito trabalho que ainda existe para fazer. Tem sido assim desde que aceitou o convite para assumir o cargo de responsável do turismo da cidade, na dependência direta de Jorge Ferreira, Presidente da Fundação Cultural de Timbó. - A gente trabalha de uma forma regionalizada. O turista vem pra conhecer o Vale Europeu. Quer comer comida alemã, comer cuca, beber cerveja, conhecer o artesanato, as belezas naturais da região. Não vem só para conhecer Timbó ou Pomerode. É muito importante ter essa consciência. A região só se afirma como um todo. Por isso se criou o Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí, que congrega 9 municípios com duas áreas de atuação: a gestão dos resíduos e do turismo e que tem coordenado, em conjunto com os empresários do setor, as ações turísticas que são levadas a cabo: roteiros, eventos, circuitos… As prefeituras da região têm que trabalhar no sentido de dar o suporte ao Consórcio, de agregar juntamente com o Consórcio, com esses roteiros, de ver o que falta, e fazer esse trabalho de unificação. Sentes que essa unificação existe ou é difícil conciliar os anseios de nove municípios?

Valeu Março 2016  
Valeu Março 2016  
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