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Design dá ao mundo algo que ele não sabia que sentia falta Paola Antonelli

Então meu tio foi reformar a casa dele que é enorme. Ele perguntou se eu queria cortar a madeira pra fazer lenha. Eu disse que me encarnava, mas só se eu pudesse pegar o quanto eu quisesse. Deixei tudo cortado e a Fê passou com a Saveiro, que foi socada pra casa. Guria, eu gastei dois sacos de prego, um saco de cimento e uma mangueira de luz. Demorei duas semanas. E fiz um deck lá em casa. Fê: “E fez um deckzasso!” Então, surgiu a Garimpo Hippe. Revista Valeu: Por que esse nome?

Foi numa tarde de sexta-feira quente de verão que o Manny chegou com a Fê (Fernanda Oliveira) na Rua Recife 143, sede da Valeu. E também com umas garrafas de Heineken (o calor era mesmo insuportável!). Conheci o Manny no ônibus, na época, eu ia pra Faculdade e ele pro Colégio. Figuraça. Sempre chamou a atenção. Acho que por ser uma dessas exceções que nascem e vivem em cidades pequenas, mas com uma alma que pertence ao mundo. Nascido no dia 23 de outubro de 1990, foi criado pela mãe e talvez por essa convivência exclusiva com a figura materna, cedo se sentiu atraído pela decoração de espaços a que gostava de dar novas roupagens. Revista Valeu: Como começou essa história com a decoração? Manny: Ai, guria... deixa eu pensar... Eu tava há dois anos parado, sem estudar e um ano sem trabalhar. Eu digo que tem a mão de Deus em algumas coisas, guria. Minha mãe foi na Igreja e levou uma carta da diocese de Blumenau pra casa. Ela tem costume de colocar esses folhetos no meio do jornal. Um dia eu tava folheando e tal... não sei o quê, e essa carta tava em umas paradas do SENAI de cursos e bolsas, e o único que me chamou a atenção foi o de desenhista arquitetônico. Eu trabalhei na Colcci em Blumenau, durante quatro meses. Na verdade, eu comecei a trabalhar lá porque fui fazer o curso do SENAI, que eu reprovei por falta! (risos) Meu Deus, guria, eu me matava! Aquele CEUTI era um saco! Aí eu voltei pra casa, pra Timbó, e comecei a fazer umas paradas pra me ocupar, umas pulseiras e outras coisas. Primeiro fazia pra mim e depois comecei a fazer para alguns amigos. Desde pequeno curti fazer cabanas e essas coisas assim. Então, eu montei um espaçozinho lá em casa no quintal. Meus amigos que me visitavam de vez em quando me traziam coisas: móveis, coisas de decoração, cadeira que a galera jogava fora. Tinha acontecido uma enchente nessa época e muita gente jogou muitos móveis fora.

Manny: O nome foi porque, desde o início, nunca tive grana pra “investir”, e a única opção que eu vi foi “garimpar” Foi dai que surgiu o Garimpo! E o “hippie” foi consequência de ver a vida de uma forma mais leve, mais humana e simples! Daí, como pra mim tudo tem que ter um “toque diferente”, ficou Hippe! Garimpo Hippe. Do quintal de casa para o centro da cidade Manny: Eu sempre brinco, comecei no meu quarto, do meu quarto fui pra minha casa, aí passei pro meu quintal, depois pra Oliver e aí só cresceu. Fê: Surgiu essa sala no centro de Timbó e minha irmã queria abrir uma loja de roupa. Eu disse que sabia quem poderia decorar. Falei pro Manny e perguntei se ele topava montar a loja. Ele disse logo: Meu, fechou!! Manny: A decoração da Oliver eu fiz em dois meses e meio, porque eu nunca tinha feito nada. Era diferente, eu tinha o compromisso, não era minha casa que eu podia errar e fazer de novo. Também não conhecia nada, nem sabia onde conseguir uma mão de obra qualificada. Manny: Eu vi pela decoração da Oliver, que muita gente curtiu. Não ficou muito rústico, nem super moderno. Agrada a pessoa mais velha, que se identifica com os móveis mais antigos e também os jovens que acham cool, que acham massa... Em seguida, me contrataram pra fazer a reforma de um sex shop. Era praticamente uma farmácia e virou um sex shop de verdade, com um teto de bordel e uma iluminação bem bacana. Depois veio a oportunidade de fazer o 572 Cocktail Bar. Dei sorte de conhecer a Ornella no Sarau Mortadela no ano passado. Aí tive a ideia de usar as obras dela pra fazer as mesas do bar. Como descreveu perfeitamente o meu amigo João Moreira, na matéria que fez sobre o bar na quinta edição da Valeu: “para isso contribuiu muito a mescla decorativa desenvolvida por Manny Gonçalves Pellin, a alma da Garimpo Hippe, responsável pela decoração, apostada num retro cosmopolita, que resume de forma extraordinária o espírito do bar.” E é isso, a decoração do bar mais badalado da cidade é um dos seus atrativos principais.

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Valeu Março 2016  
Valeu Março 2016  
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