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FEIRA DE FORMANDOS E UNIVERSITÁRIOS 2010 CARREIRA, FORMAÇÃO E FORMATURA

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Distribuição Distribuição Distribuição Gratuita Gratuita Gratuita

PROMOÇÃO

QUIZ FFU 2010

PRÉ-SAL O ouro negro, verde e amarelo FORMATURA Mercado em expansão na Bahia VITRINE DE CARREIRAS Gastronomia

ENTREVISTA

Dra. Maria Luisa Soliani Primeira mulher a dirigir a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública

E MUITO MAIS: 40 ANOS DE INTERNET, SUA FESTA, CONTE SUA HISTÓRIA E SAIBA MAIS!

MARÇO DE 2010 - Nº 3

CONCORRA A 01 NOTEBOOK!


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Vençam os obstáculos! Fátima Reis Presidente

REVISTA DO

CARTA AO LEITOR

Diretora Geral Fátima Reis Diretor de redação Paulo Assunção Diagramação e arte Ricardo Modesto Jornalista Yula Verde

Que bom estarmos juntos mais uma vez, reafirmando o nosso compromisso de trazer, para você, informações sobre CARREIRA, FORMAÇÃO E FORMATURA. Uma boa FORMAÇÃO é fundamental para uma CARREIRA de sucesso. Ao longo de seus estudos, o universitário busca agregar valor ao seu currículo e, naturalmente, aumentar os seus conhecimentos. Associado a isso, bate no peito uma ansiedade à medida que o curso avança e se aproxima do final. No último semestre, domina a euforia de comemorar a tão sonhada FORMATURA. É um momento muito importante por que coroa, muitas vezes, os sacrifícios de toda uma vida. Nesse momento, me refiro aos pais. Heróis de carne e osso, eles nos protegeram, se sacrificaram e nos propiciaram as condições de saborear essa vitória. Certa ocasião, o grande orador e filósofo romano Cícero disse: “Nenhum dever é mais importante do que a gratidão”. Concordo com ele. Sejam gratos! Agradeçam pela vida, pelas oportunidades. Busquem sempre fazer o bem. Sejam sonhadores e executores de seus sonhos! Tudo que hoje existe, um dia foi apenas o sonho de alguém. Saibam que o mundo é dos sonhadores! Saibam que sempre existirão obstáculos em suas vidas, mas acreditem em vocês mesmos, vençam os obstáculos e verão o quanto vale a pena sonhar. Como dizia uma professora minha: “O rio desliza em busca de seu objetivo: o mar. Indiferente aos obstáculos, ele segue em frente, ele vence, ele chega lá”. Desejolhes uma vida de vitórias. Sejam vencedores! Que o amor de Deus inunde os vossos corações! Forte abraço, leitor@revistadouniversitario.com

Web design Lucas Vilas Boas Fotografia Fábio Menezes Stúdio Samuel Cerqueira Produtor de vídeo Leo Braga Cabelo e Maquiagem Ruth e Milson Espaço Beleza Capa Dra Maria Luisa Soliani Diretora da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública Impressão Tiposet Tiragem 10.000 exemplares Publicação Trimestral Colaboradores Italo Caput, Vanessa Veloso, Saiure Reis, Cida dos Anjos, André Reis e Gil Carvalho. Distribuição Gratuita nas Universidades, Faculdades, Centros Universitários e EAD de Salvador, Lauro de Freitas, Feira de Santana e Itabuna. Agradecimentos Carlos Pinheiro, Edmilson Rios, Victor Dias, Priscyla Caldas, José Linhares, Elisângela, Consuelo, Ruth, Milson, Soledade, Roberta, Cristiane Arcuri, Sandra Reis, Joe Franklin, Patrícia Rebouças, Ana Portuguesa, Dra Maria Luisa Soliani, Luiza Kruschewsky Ribeiro, Regina Carvalho, Juliana Maia, Helaine Shindler, Sheila Ribeiro, Maria Rita, Lucas Vilas Boas, Samuel Cerqueira, Leonor Cerqueira, Robson Santos, Fábio Meneses, Italo Caput, Vanessa Veloso, Saiure Reis, Cida dos Anjos, André Reis, Flávia Calheira, Ana Bandarra, Odimyr Bandarra, Bárbara Cavalcante, Sandra Magalhães, Monique Abdon, Antônio, Serge, Márcio, Alex, Luciano, Otávio Santana, Caio Marques, Cristiano Furtado, a toda equipe Ekaaty Linux, Nívia Visco, Victor Carvalho, Denis Gama, Iuri Veríssimo e todos as pessoas que acreditam nesse projeto.

Todos os direitos desta revista são reservados a Shamah Grupo Reis Ltda. CNPJ: 09.129.730/0001-61 Esta publicação não se responsabiliza por conceitos ou opiniões emitidas em artigos assinados. www.revistadouniversitario.com contato@revistadouniversitario.com 71 3495-4815 / 9618-6499 / 9127-9704


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Sumário 14

NA ÁREA 8 - Engenharia da Computação COMUNIDADES 10 - LinguÁgil: Misturando Linguagens e Agilidade ESPECIAL 12 - Internet: 40 anos ENTREVISTA 14 - Dra. Maria Luisa Carvalho Soliani

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VITRINE DE CARREIRAS 18 - Gastronomia FEIRA DE FORMANDOS 2009 21 - Feira de Formandos e Universitários

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FORMATURA 26 - Mercado em expansão na Bahia SUA FESTA 30 - Formatura de Medicina – UESC 2009 ACONTECE 32 - Pré-sal: O ouro negro, verde e amarelo SAIBA MAIS! 38 - ENEM CONTE SUA HISTÓRIA 40 - Flavia Calheira


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NA ÁREA

Engenharia da Computação

Ekaaty Linux lança quarta versão: Yanomami Hoje em dia todos conhecem o Linux. O sistema operacional cujo kernel foi desenvolvido pelo finlandês Linus Torvalds se consagrou pela sua estabilidade, gratuidade e por ter ousado desafiar a poderosa Microsoft. O que talvez nem todos saibam é que existe uma distribuição Linux brasileira chamada Ekaaty Linux. O nome Ekaaty vem da junção de duas palavras tupis, Eka, que significa Busca e ATY, que significa união. O que, provavelmente, menos pessoas ainda têm conhecimento é que esse projeto, criado em janeiro de 2006 por um grupo de ex-administradores da Comunidade Fedora Brasil, possui um núcleo de desenvolvimento na Faculdade Área 1. Liderados pelo estudante de Engenharia da Computação e pioneiro do projeto, Cristiano Furtado, a equipe do Ekaaty Linux Desktop tem o prazer de anunciar a quarta versão da distribuição. Como todas as anteriores, essa nova versão homenageia uma tribo indígena brasileira – desta vez, a Yanomami. Para chegar ao Ekaaty Linux Yanomami, foram necessários oito meses de pesquisas, migrações e correções para se obter a atual estabilidade e eficiência. Segundo Caio Marques, estudante de Engenharia da Computação da Faculdade Área 1, grandes melhorias foram realizadas em relação à versão anterior. “O objetivo principal dessa versão foi prover um sistema enxuto, com baixo consumo de recursos”, completa Caio. Outro ponto que a equipe do Ekaaty Linux tem orgulho em destacar é a velocidade do seu suporte. “Nunca precisamos de mais de 48 horas para responder ou ajudar um usuário com problemas”, informa Cristiano. Como o próprio Ekaaty, o suporte a usuário é inteiramente gratuito. À exemplo de outras distribuições Linux, o Ekaaty Linux é um sistema desktop completo. Repleto de 8

aplicações para o uso diário, seja ele pessoal ou profissional, o usuário do Ekaaty Linux possui a sua disposição editores de textos, planilhas, navegador Web, editor de imagem, mensageiro eletrônico e muito mais. “Tudo isso em um ambiente de trabalho bonito e fácil de usar”, destaca Otávio Santana, outro integrante da equipe Ekaaty/Área 1. Oferecido em 2 versões (Desktop e Educacional), o Ekaaty Linux tem conquistado a confiança de muitos usuários que apreciam sua versatilidade e suporte personalizado e possibilitado que a equipe de alunos da Faculdade Área 1 abrilhantem sua experiência acadêmica ao trabalhar com algumas das mais modernas tecnologias da atualidade na área de Sistemas Operacionais.

Yanomami Yanomami é uma das tribos indígenas mais primitivas da América do Sul, e que teve pouco contato com o homem branco no Brasil. Até hoje eles mantêm vivos os seus costumes, língua e tradições, e vivem como uma grande família, sob um mesmo teto, formando uma união para o bem comum. “Esse é o espírito que direciona o trabalho da equipe do Ekaaty Linux. Uma distribuição feita por brasileiros para brasileiros”, afirma Cristiano Furtado. “Nossa motivação é trabalhar em prol dos usuários do Ekaaty, formando assim uma grande comunidade que se apóia mutuamente. Por isso, convidamos todos, para que, junto conosco, participem do desenvolvimento e suporte das próximas versões e fortaleçam a ideologia inicial do projeto: a ‘Busca por União’ (Ekaaty)”, finaliza Cristiano.

Ekaaty Educacional Desde sua concepção, o Ekaaty Linux estabeleceu como prioridade atingir o público das escolas, faculdades e telecentros. A própria Área 1 utiliza o Ekaaty em quase todas as suas máquinas. O Ekaaty Educacional, um subprojeto específico voltado para ambientes educacionais tem o intuito de divulgar o software livre e a sua aplicação no âmbito acadêmico, possibilitando aos usuá-


ENGENHARIA DA COMPUTAÇÃO rios - neste caso professores e alunos - melhorias e inovações nas metodologias utilizadas no dia-a-dia da sala de aula. A versão disponível para esta finalidade, Ekaaty Acadêmico, é voltada a alunos de 5ª a 8ª série e jovens que estejam cursando faculdades ou cursos técnicos, capacitando-os a conhecer e a tra-

balhar com ferramentas livres, além de preparar esses estudantes para o mercado de trabalho. A equipe do Ekaaty informa que em breve será lançada uma versão Infantil dirigida para crianças de 3 a 13 anos, com acompanhamento pedagógico. A idéia dessa versão é melhorar o aprendizado das crianças a partir da utilização de softwares livres.

O que há de novo? ● O agente de configuração pós-instalação do Ekaaty foi melhorado. Agora o Firstboot permite, além da costumeira configuração das contas de usuários do sistema, a possibilidade de configuração de autenticação de rede via Samba, Kerberos, LDAP e outros. Também é possível agora configurar os repositórios de softwares de acordo com suas necessidades já na primeira inicialização. ● A inicialização do sistema nunca esteve tão rápida. Em pouco mais de 20 segundos é possível ter o ambiente de trabalho carregado e totalmente funcional. ● A distribuição adota nesta versão, em definitivo, o KDE 4 como ambiente gráfico principal. O tema padrão do Ekaaty, baseado no engine QT/GTK QtCurve, está mais polido e permite uma excelente integração dos aplicativos com o ambiente de trabalho, fornecendo uma aparência uniforme aos widgets de diferentes toolkits. ● Os modems 3G mais comuns agora são suportados e, automaticamente, reconhecidos ao serem conectados. Além disso, é possível fazer o controle dos gastos com a conexão através do KPPP. ● Também foi aprimorada a camada de compatibilidade com os repositórios do Fedora e RPMFusion, provendo melhor controle sobre as atualizações e segurança ao sistema. Veja a relação completa de novidades em: Saiba mais: http://www.ekaaty.org/v4/index.php/recursos/ekaaty-desktop/notas-da-versao http://www.ekaaty.org/v4/

• Equipe Ekaty Linux marcando presença na Feira de Formandos 2009. 9


COMUNIDADES

LinguÁgil Misturando Linguagens e Agilidade No mundo do desenvolvimento de software, as linguagens de programação (LP) são às vezes tratadas como religião ou futebol. Ou seja, discutir sobre elas pode causar brigas! Os “JAVAnezes” sentemse superiores aos “PHPistas”, são menosprezados pelos “RUBYstas” e se unem com todos os outros contra os “.NETianos”, vistos por eles como representantes do “lado negro da força”. Os tradicionais “COBOLeiros”, “FORTRANianos” e “NATURAListas” defendem a robustez e estabilidade dos seus Mainframes, ao passo que os “VBeiros” e DELPHYanos são rápidos em construir programas “for Windows” com suas interfaces gráficas cheias de firulas e “muito melhores” do que essa “tela preta e verde” dos computadores de grande porte. Por sua vez, os defensores do C/C++ é que são os caras, pois nelas foram criadas todas as demais linguagens de programação, além do kernel do LINUX. Os grupos de usuários (comunidades virtuais de adeptos de uma determinada tecnologia) repetem esse comportamento e, como resultado, vivem a fazer propaganda do quanto a sua linguagem é melhor do que a do outro. É Java x PHP x Ruby x .NET x COBOL x FORTRAN x NATURAL x VB x Delphi x C/C++ x “A próxima linguagem do momento”. Resumindo, é todo mundo contra todo mundo. O fato é que existem, e a cada dia surgem novas, centenas de linguagens de programação para todos os gostos e necessidades. Diferentes propósitos, paradigmas, sintaxes e ferramentas. A verdade é que há espaço para todas elas. Na vida de um desenvolvedor de software, queira ele ou não, o mesmo vai se deparar com várias linguagens de programação. Escalabilidade, desempenho, portabilidade, facilidade de escrita, flexibilidade, robustez, disponibilidade e qualidade de documentação. São muitas as variáveis a serem analisadas antes de se escolher a melhor linguagem para atender as necessidades de um cliente. 10

Em nossa opinião, ao invés de perder tempo discutindo qual linguagem é a melhor, o que se deve buscar é fortalecer a lógica de programação e conhecer, mesmo que superficialmente, quais os problemas cada linguagem busca melhor resolver para, então, poder escolher a linguagem mais adequada a um determinado problema real. Se você só conhece, e pretende continuar assim, uma única linguagem, vai tentar utilizá-la, a qualquer custo, em todas as situações, muitas vezes dando voltas e voltas para chegar a um resultado satisfatório. Vale o ditado: para quem só conhece martelo, tudo parecer ser um prego.

O LinguÁgil O LinguÁgil é um evento criado pensando em modificar este cenário. Lideres de quatro das principais comunidades de tecnologia da Bahia se uniram em torno desse projeto cujo objetivo é discutir abertamente as vantagens e desvantagens de cada linguagem. Tudo num esquema sadio de “Coopetição”. Por enquanto, apóiam esse projeto os grupos de usuários JavaBahia, PHPBahia e RailsBahia, representantes das respectivas linguagens, e o AgileBahia, que busca discutir as melhores formas de desenvolver software com base nas chamadas Metodologias Ágeis, um movimento mundial criado a partir do Manifesto Ágil. Está aí a razão do nome: LinguÁgil - Misturando Linguagens e Agilidade. A edição 2009 contou com participação de sete palestrantes de renome nacional além de representantes locais. Em nosso site (www.linguagil. com.br), é possível ter acesso gratuito a todas as informações sobre o evento, ver e baixar os slides e vídeos das palestras apresentadas. Em nova iniciativa para promover o evento e sua proposta, começamos o movimento LinguÁgil nas Universidades. Esse movimento busca discutir o tema e divulgar o projeto “in loco” com os professores e os alunos de cada instituição, apresentar os grupos de usuários e, quem sabe, agregar novos colaboradores. Aliás, foi num desses encontros que conhecemos o pessoal da


INTERNET: 40 ANOS Revista do Universitário, aos quais sinceramente agradecemos o espaço. O perfil do profissional de informática está mudando. As empresas necessitam cada vez menos de “especialistas” e mais de “especialistas generalistas”, pois a dinâmica do mundo atual nos obriga a responder rapidamente a mudanças. Para aqueles que são da área ou se interessam pelo tema, recomendamos fortemente assistir ao vídeo Manifesto 2.0 em nosso site (link Vídeos). Manter-se atualizado é um desafio constante em nossa área. Participar de grupos de usuários e eventos direcionados é uma excelente forma de ampliar conhecimentos, trocar experiências e fortalecer nossa rede de relacionamentos. Já estamos trabalhando no LinguÁgil 2010, previsto para o segundo semestre deste ano. Estamos discutindo duração, formato, grade de palestras, nome dos palestrantes e pensando em algumas novidades bem interessantes. Gostaríamos muito de agre-

Alex Duarte

Luciano Borges

gar novas LP e comunidades de Software Livre. Se você faz parte de algum grupo e tem interesse em se juntar ao projeto, será muito bem vindo! Bons códigos!

Se você tem interesse em patrocinar, apoiar ou colaborar de alguma forma, nosso e-mail de contato é linguagil.bahia@gmail.com. Saiba mais em: http://www.linguagil.com.br/ http://javabahia.blogspot.com/ http://br.groups.yahoo.com/group/agile-bahia/ http://agilemanifesto.org/ http://www.phpba.com.br/ http://bahiaonrails.blogspot.com/

Serge Rehem

Márcio Albuquerque 11


ESPECIAL

Internet: 40 anos Nós a utilizamos diariamente. Seja para bater papo, consultar o horário do cinema ou pagar as contas, ela está sempre facilitando as coisas e ampliando os nossos horizontes. É claro que estamos falando da Internet. Essa jovem senhora completou 40 anos em 2009 e, provavelmente, você não mandou nem um cartão virtual parabenizando... ;-) As origens da Internet remontam à década de 60. Sua criação foi uma resposta a uma necessidade militar: desenvolver uma rede capaz de assegurar a comunicação entre os membros do governo americano, mesmo em situações de grave abalo à infra-estrutura de telecomunicações do país. Não podemos esquecer que era época da Guerra Fria e os americanos temiam um ataque nuclear soviético. Através da então chamada ARPA (Advanced Research Project Agency), o governo financiou o trabalho de uma série de pesquisadores em universidades americanas com vistas a construir essa rede. A tecnologia que orientou os esforços dos pesquisadores que desenvolveram a Internet nasceu na mente de um homem chamado Leonard Kleinrock. Em 1961, quando era um doutorando de Engenharia Elétrica e Ciências da Computação do MIT, ele propôs uma nova abordagem para a transmissão de informações digitais, a comutação por pacotes. Com essa tecnologia, a mensagem que se deseja transmitir é quebrada em uma série de pedaços menores (chamados de pacotes), transmitidas pela rede para um destinatário e remontadas no destino final. A grande sacada dessa tecnologia é permitir que cada pacote chegue ao destino através de um caminho próprio, independente dos demais.

Kleinrock com vistas a atingir o objetivo proposto pela ARPA. Seu nome é Paul Baran e o seu trabalho foi publicado em uma série de artigos na publicação “On Distributed Communications” do RAND Institute. Nestes artigos está o framework conceitual da Internet. Nesse momento, os princípios já eram bem sólidos, mas era necessário testar os conceitos em um protótipo real. Coube a Kleinrock liderar um time de pesquisadores da UCLA (University of California at Los Angeles) na construção dos primeiros equipamentos da Internet. Os precursores dos modernos roteadores eram, então, chamados de Processadores de Mensagens de Interface (IMP). Em 29 de outubro de 1969, os dois primeiros nós da ARPAnet, nome pela qual era conhecida a precursora da Internet, trocaram seus primeiros pacotes. No laboratório da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas da UCLA e na sede da SRI International, um centro de pesquisa ligado à universidade de Stanford, também na Califórnia, os cientistas vibraram com o feito. Em 1972, a ARPAnet era uma rede fechada formada por somente 15 nós. Nos meados da década de 70, novas redes de comutação por pacotes começaram a surgir, especialmente dentro de universidades e centros de pesquisa. Nesse momento, a ARPA, agora renomeada como DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency), começa a patrocinar estudos para interconectar redes. Surge o conceito de Internet ou, em tradução livre, uma rede de redes. Esses estudos levaram ao desenvolvimento dos três principais protocolos da Internet: o TCP, UDP e o IP. No Brasil, a Internet desembarca em 1988 interligando um conjunto de universidades do Brasil e dos Estados Unidos. A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) é criada em 1989 com o objetivo de interligar as universidades públicas brasileiras. Em 2000, a RNP evolui para interligar mais de 300 universidades e institutos de pesquisa no Brasil.

Internet Comercial Em 1964, um cientista da RAND (um think tank privado que foi criado para desenvolver pesquisas e análises para as forças armadas americanas) começou a trabalhar com as idéias de 12

Antes restrita ao mundo acadêmico, em 1988, a Internet começa a se abrir para o interesse comercial. O primeiro serviço oferecido com base


INTERNET: 40 ANOS na Internet foi um serviço de e-mail operado por uma antiga empresa de telecomunicações chamada MCI Communications. Era o ano de 1989. Na década de 90, a ARPAnet chega ao fim e surge a grande aplicação da Internet: a World Wide Web, ou simplesmente Web. Criada pelo cientista inglês Tim Berners-Lee entre 1989 e 1991, a Web foi fundamental na popularização da Internet. Justamente quando os primeiros provedores de acesso começaram a oferecer seus serviços, a facilidade de uso das aplicações web atrai o usuário comum para a rede. Atualmente, a web funciona como uma plataforma sobre a qual está sendo construída toda uma infra-estrutura de serviços on line.

Enquanto isso, no Brasil, em 1995, o governo brasileiro permite que provedores comerciais interliguem-se ao backbone da RNP e passem a oferecer serviços para o público em geral. O restante da história, muito provavelmente é conhecido. Nos anos 2000, todos nós assistimos o crescimento explosivo da Internet e vimos o caráter multimídia que ela ganhou. Atualmente, a Internet é acessada por mais 1,7 bilhão de pessoas, 171 países estão a ela conectados e o Brasil é o 5º maior país em número de usuários.

O futuro Redes sociais, mundos virtuais, convergência de mídias. A Internet segue evoluindo em ritmo alucinante. Novos protocolos e tecnologias de desenvolvimento têm possibilitado a criação de aplicações cada vez mais surpreendentes (quem não se maravilha com o Google Maps, por exemplo?). Empresas como o Google investem na visão de trazer para a nuvem, como se diz atualmente, todos os dados e aplicações antes armazenados e manipulados no computador pessoal. Com a adoção da versão 6 do protocolo IP, será possível ter um endereço único para cada objeto físico do planeta. Parece loucura, mas a Internet de objetos tem sido experimentada em laboratórios e permitirá que os mais loucos devaneios da ficção científica se tornem realidade. Enfim, cada vez mais a atividade econômica e a interação social serão influenciadas e amplificadas pela Internet. Saber utilizá-la para manter-se atualizado e superar obstáculos profissionais é um diferencial no mundo atual. Se cuide, pois essa jovem senhora está cheia de gás e acompanhá-la vai exigir um preparo constante. Do contrário, certamente ela te deixará para trás.

Para saber mais: http://www.rnp.br/ http://www.rand.org/pubs/research_memoranda/RM3767/ http://www.cs.ucla.edu/~lk/internet_history.html http://www.isoc.org/internet/history/brief.shtml

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ENTREVISTA

Dra. Maria Luisa Carvalho Soliani Ela é natural de São Paulo e em 1978 ingressou como professora de Psiquiatria e Psicologia Médica da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Médica formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), com residência na Universidade de São Paulo (USP), em Psiquiatria, a Dra. Maria Luisa Soliani tem ainda formação em Psicodrama e mestrado em Teoria Psicanalítica, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Já em seu 3º mandato, foi a primeira mulher a dirigir a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, além de ser Coodenadora Geral da Fundação Bahiana para Desenvolvimento das Ciências, mantenedora da Escola. RU: Como a Sra. avalia a formação dos profissionais de saúde da Bahia quando comparada com lugares mais desenvolvidos, como Rio de Janeiro e São Paulo? Em que podemos melhorar? ML: A formação de profissionais de saúde na Bahia pode ser comparada, em termos de qualidade, com a que ocorre em outros grandes centros do país. Como em qualquer lugar, você encontrará algumas pouquíssimas instituições de excelência, oferecendo um ensino de alta qualidade, formando profissionais que se equiparam, em termos de conhecimento, habilidades e competências, com os melhores do Brasil. Por outro lado, a grande maioria dos cursos é de qualidade mediana e até mesmo de baixa qualidade. De qualquer maneira, em todo o Brasil, como aqui na Bahia, há maior oferta de vagas na área de saúde do que necessidade de profissionais para atender à população Em vez de aumentar o número de cursos, precisamos qualificar melhor os professores, não só exigindo que possuam mestrado e doutorado, mas fazendo com que as instituições de ensino ofereçam uma formação e um acompanhamento didático-pedagógico permanente ao seu corpo docente. 14


DRA. MARIA LUISA CARVALHO SOLIANI RU: Para combater a proliferação irresponsável de cursos superiores de Medicina foi sugerida a criação de um exame nacional para que os médicos possam exercer sua profissão, semelhante àquele ao qual os advogados precisam se submeter. O que acha da idéia? ML: Acho uma péssima idéia e compartilho essa posição com a Associação Brasileira de Educação Médica, as associações médicas e os conselhos regionais de medicina, com exceção do de São Paulo. O que devemos fazer é não permitir a abertura de nenhuma nova escola de Medicina no país, por melhor que seja seu projeto político-pedagógico. Nós temos mais escolas de medicina do que os Estados Unidos, com 126 escolas para mais de 300 milhões de habitantes, e que a China, com 150 escolas para mais de 1,3 bilhão de habitantes. Nós já temos 176, para 190 milhões de habitantes. O MEC (Ministério da Educação) tem instrumentos de avaliação que permitem um acompanhamento da qualidade das escolas. O problema do Brasil não é o número de médicos, porque temos muito mais do que o recomendado pela Organização Mundial, de um médico para cada 1000 habitantes. Nosso problema é que esses médicos não estão nas áreas mais pobres e mais distantes por falta de uma política de carreira pública para médicos, como existe, por exemplo, para juízes e promotores. Fazer um exame só ao final, depois que um aluno e sua família investiram dinheiro e tempo - 6 anos no mínimo para se formar - e não poder clinicar, jogará essas pessoas, já adultas, de forma irresponsável, a meu ver, no mundo do trabalho, sem que eles tenham qualificação para qualquer outra coisa. É muito melhor avaliar os futuros médicos durante todo o processo de formação e também avaliar suas escolas. RU: Salvador é reconhecida como uma cidade carente de bons serviços médicos para a população mais pobre. A Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública possui alguma iniciativa social voltada para esse público? ML: É importante falar um pouco sobre o Sistema Único de Saúde – o famoso SUS. Estamos acostumados a criticá-lo por conta das inúmeras deficiências ainda existentes. É verdade que precisamos melhorar muito, mas o SUS é um

sistema admirado no mundo todo. Todos os brasileiros têm direito a ele, ao contrário do sistema americano que deixa de fora quase 50 milhões de pessoas, que não têm direito a nada. Mesmo quem tem plano de saúde se beneficia do SUS. A Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública é conveniada com o SUS e oferece assistência à comunidade nas áreas de Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Odontologia, Psicologia, Terapia Ocupacional, Bioimagem e Laboratório de Patologia Clínica, nas Unidades de Brotas, do Cabula-Beiru e de Pau da Lima, realizando, em 2009, 156.571 consultas e procedimentos e 377.293 exames complementares. São serviços de qualidade, com infra-estrutura e equipamentos adequados, tendo como característica principal serem docenteassistenciais, isto é, realizados por professores e alunos, portanto, são atendimentos muito bem feitos para que os alunos possam aprender com eles a forma correta de pensar e agir. Além disso, fazemos atendimentos totalmente gratuitos, cerca de 28.032, só no ano de 2009. RU: Muitos pacientes reclamam que, com o avanço das técnicas para identificar o diagnóstico, o médico tem se tornado mais distante e menos acessível. O avanço acelerado da tecnologia, na medicina, tem modificado a relação médico-paciente? ML: Este fenômeno acabou despertando na formação médica o objetivo de repensar os currículos das escolas de medicina, dando mais ênfase à relação médico-paciente. Saber ouvir com atenção e delicadeza, interessar-se pelos medos, frustrações e fragilidades da pessoa que procura ajuda, saber tocar o paciente nos momentos em que este necessita de apoio, saber esclarecer de forma compreensível, e não com termos difíceis e técnicos, os possíveis diagnósticos e possibilidades de tratamento, levando em consideração o que o paciente pensa a respeito e fazendo com ele uma aliança em busca da melhor solução que, às vezes, pode ser simplesmente uma palavra de conforto e de compreensão. Na década de 50, um médico inglês, chamado Ballint, dizia que a droga mais potente utilizada num tratamento é o próprio médico e que pouco se conhece sobre ela, como se conhece sobre outras drogas ou procedimentos. Portanto, quanto mais o médico se conhece, quanto melhor se relaciona com seu paciente, quanto mais o ouve, 15


ENTREVISTA conhece sua história e faz um bom exame clínico, menos precisa de exames que dependem de alta tecnologia, só pedindo os necessários para confirmar o diagnóstico. É claro que os grandes avanços tecnológicos da medicina são importantíssimos, mas a tecnologia sozinha nunca poderá substituir os efeitos benéficos da relação que se estabelece entre o médico e seu paciente. RU: Com o advento da Internet, o paciente passou a se informar com mais facilidade sobre suas doenças e o tratamento receitado pelos médicos. Em sua opinião, quais os prós e os contras desse fenômeno? ML: A possibilidade de pesquisar sobre as doenças deu elementos ao paciente para poder perguntar e discutir com seu médico sobre seus sintomas, suas preocupações, as conseqüências de um determinado diagnóstico e mesmo as alternativas de tratamento. Isso é muito bom, pois leva a um diálogo que pode ser esclarecedor e melhorar a relação médicopaciente. Por outro lado, pode despertar fantasias no paciente em relação ao que está sentindo e, dependendo do seu perfil, levá-lo a acreditar que está com uma determinada doença que, em absoluto, não corresponde à realidade. Em outros casos, pode fazer com que o paciente entre numa disputa com o médico, testando seus conhecimentos, impedindo que se desenvolva uma relação de confiança. Além disso, nem sempre as informações acessadas pelo paciente são confiáveis, sendo imprescindível conversar com o médico a respeito, para separar o que é cientificamente comprovado e tem relevância, daquilo que não tem valor científico. RU: Com o avanço da Engenharia Genética, os pesquisadores têm se defrontado com novas e importantes questões éticas. Como esses temas são tratados na Bahiana? Existe um esforço especial na abordagem da Bioética? ML: Hoje temos que enfrentar questões que há 10 anos nem sequer existiam. Todos os cursos da Bahiana têm em seu currículo disciplinas específicas voltadas para a Ética e a Bioética, mas o tema é também tratado de forma transversal, interdisciplinar, isto é, a discussão se dá em todo currículo, nas mais diversas disciplinas, de forma integrada. 16

RU: Quais as principais qualidades que um profissional de saúde deve desenvolver para cumprir bem o seu papel e se destacar na sua área? ML: O profissional de saúde deve desenvolver a capacidade de escutar, entender e confortar o seu paciente. É preciso, também, ser curioso e se preocupar com sua educação continuada, pois ele não poderá nunca mais parar de estudar. O conhecimento técnico-científico, na área da saúde, multiplica-se com rapidez extraordinária. Por isso, um profissional precisa ter disposição não só para fazer uma pós-graduação, como também para atualizar-se permanentemente. O profissional precisa saber onde e como procurar este conhecimento, ter acesso às últimas pesquisas e lê-las com espírito crítico, separando, dentro de uma massa imensa de artigos, o que é realmente relevante. Mas eu acredito que o que fará a grande diferença entre dois profissionais igualmente capacitados, nos aspectos técnico e científico, será a qualidade da relação que estabelecerá com seu paciente. É ela, sem dúvida, que o fará destacar-se na sua área. RU: Quais os principais desafios do profissional de saúde nos dias atuais? ML: Conseguir atualizar-se de forma contínua, enfrentando as dificuldades do mercado de trabalho, a necessidade de múltiplos empregos para obter uma renda suficiente, sem deixar se contaminar pelas condições adversas, não abrindo mão jamais do seu sonho (que o levou a buscar uma formação na área da saúde) de cuidar das pessoas para diminuir o sofrimento delas. RU: Fale um pouco sobre os programas de pós-graduação oferecidos pela Bahiana. Em quais linhas de pesquisa a instituição se destaca no cenário estadual e nacional? ML: A Escola oferece vários cursos de especialização e dois programas de mestrado e doutorado: o Mestrado e o Doutorado em Medicina e Saúde Humana, com áreas de concentração em Clínica Médica, Virologia Humana e Neurociências, aberto para profissionais de todas as áreas da saúde e o Mestrado Profissionalizante em Odontologia. Também incluídas no programa de pós-graduação, encontramos as especializações que visam treinamento em


DRA. MARIA LUISA CARVALHO SOLIANI serviço sob a forma de residência. Entre as linhas de pesquisa de maior destaque, tanto nacional como internacional, estão as da área de concentração em virologia humana, que tratam do vírus da AIDS (HIV) e do HTLV, um parente do HIV, ainda pouco conhecido e relegado pelas políticas públicas. A Escola possui, inclusive, um Centro Integrativo e Multidisciplinar de Atendimento ao Portador de HTLV e Hepatites Virais, que é referência no estado da Bahia e no Brasil. A Escola Bahiana, apesar de não ser uma universidade e, portanto, não ter obrigatoriedade de realizar pesquisas, destaca-se, no cenário nacional, entre as poucas instituições que fazem pesquisa e têm programas de mestrado e doutorado na área da Saúde. No Nordeste temos somente 11 instituições oferecendo esse tipo de programa, sendo a Bahiana a única instituição privada. Em Odontologia existem 09 instituições, sendo somente duas privadas, a nossa Escola e uma universidade. RU: Para finalizar, por que ser aluno da Bahiana? ML: Porque a Bahiana é uma escola ao mesmo tempo tradicional e em constante processo de transformação, buscando inovar na forma de ver e exercitar o processo de ensino-aprendizagem. As mudanças nos projetos político-pedagógicos e nas metodologias de ensino, que se tornaram ativas,

tirando o aluno da posição de um mero observador numa sala de aula, com dezenas de alunos, para um trabalho em pequenos grupos, tornaram o dia a dia da escola mais criativo e o aprendizado mais prazeroso e produtivo. Além disso, o Núcleo de Atenção Psicopedagógico que atende também aos alunos e professores, dando acompanhamento pedagógico e psicológico, é hoje uma referência nacional nesse tipo de trabalho. Na Bahiana cada estudante é tratado de forma individualizada e nunca é deixado sozinho, sendo sempre acompanhado e apoiado durante seu processo de formação, não só pelos seus professores e coordenadores, como também pelos pedagogos e psicopedagogos. Por ser uma instituição vocacionada para a saúde e reconhecida nacional e internacionalmente pela qualidade do seu ensino, os alunos e egressos têm maior facilidade em fazer intercâmbios no Brasil e no exterior, sendo muito bem posicionados nos mais variados e concorridos concursos, como, por exemplo, os exames para residências, para mestrados e doutorados, para bolsas de iniciação científica e, também em concursos para vagas profissionais. Para quem tem interesse por pesquisa, a Bahiana oferece, anualmente, em torno de 40 bolsas próprias para iniciação científica, além de possuir uma cota de 55 bolsas em convênio com a FAPESB, devido à alta qualidade dos seus pesquisadores e dos projetos apresentados.

Monumento do Profº Humberto de Castro Lima (1924-2008) – Foi Diretor-executivo do IBOPC e Coordenador Geral da Fundação Bahiana para Desenvolvimento das Ciências,mantenedora da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

www.bahiana.edu.br

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VITRINE DE CARREIRAS

Gastronomia Curso de Gastronomia da Estácio FIB é o primeiro da Bahia De acordo com dados do novo levantamento estatístico do Ministério da Educação, dos 423 cursos universitários hoje disponíveis no mercado, a Gastronomia está entre os dez primeiros em que a procura mais cresceu nos últimos cinco anos. Ainda segundo a pesquisa, 98% dos alunos que se formam têm emprego garantido. Por isso, o Curso Superior de Tecnologia em Gastronomia, oferecido pela Estácio/FIB, tanto abrange disciplinas de gestão, como os fundamentos básicos das cozinhas internacional clássica, contemporânea e regional.

A Estácio/FIB é a primeira faculdade de gastronomia oferecida ao público da Bahia. O curso, que começou em 2008, é constituído de cinco semestres, totalizando 2 mil horas. O Centro Gastronômico é constituído de um laboratório, com bancadas para grupos de cinco alunos, duas cozinhas industriais, um laboratório de análise sensorial (em grupo ou em boxes individuais) e um espaço de restaurante para eventos. O curso superior de Tecnologia em Gastronomia oferece formação para os que pretendem exercer cargos de Gestores na área, numa abordagem geral dos estudos históricos e sociais ligados a alimentos e bebidas; dos fundamentos sobre o planejamento de empreendimentos relacionados à área de bares e restaurantes; do dimensionamento de estruturas físicas compatíveis, equipamentos e utensílios específicos; da gestão de pessoas e dos negócios; de inovações tecnológicas do setor e do conhecimento e controle de riscos biológicos, físicos e químicos, inerentes à produção de alimentos. Todo esse conhecimento irá proporcionar a qualificação necessária para atuação nos diversos equipamentos de alimentação.


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VITRINE DE CARREIRAS

GASTRONOMIA

Restaurante não é só gastronomia, mas sim um complexo de serviços para atrair e atender o cliente com excelência. O Chef é, sem dúvida, muito importante e pode ser As bases teóricas, em qualquer ramo do saber, sustentam cientificamente as experiências empíricas. Isso vale, especialmente, no mundo da culinária. Depois da descoberta do “como fazer o fogo”, a alimentação do homem evoluiu até que a ciência pudesse explicar e reproduzir reações repetidas sem mais entendimentos. As práticas, através de aulas laboratoriais, visitas técnicas e outras, ratificam e comprovam os ensinamentos teóricos e proporcionam o desenvolvimento de habilidades necessárias às competências exigidas na profissão. Pela natureza da atividade gastronômica, “o fazer” é vivenciado exaustivamente no curso. No 2º semestre de 2009, por exemplo, os alunos do 3º semestre matutino, organizaram o 1º Estácio Gourmet. Convidaram o Chef Internacional Rafael Barros, patissier que veio à Salvador ministrar um curso de 30 horas a palestrar sobre Confeitaria Internacional, além de ensinar uma receita especial de macarons para uma platéia de cerca de 100 pessoas.

Para saber mais: http://www.fib.br/

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o maior atrativo. No entanto, se não houver controle e comando, a própria sobrevivência da empresa poderá ficar comprometida.


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FEIRA DE FORMANDOS 2009

Feira de Formandos e Universitários Formatura, festa, formação e carreira. Um ciclo natural na vida dos estudantes, mas que requer cuidado e planejamento, para fazer as melhores escolhas. Pensando nesse conjunto de fatores é que a Reis Produções criou, em 2008, a Feira de Formandos. Um evento inovador, que reúne tudo que um universitário precisa para celebrar sua formatura, para crescer profissionalmente e para começar com o pé direito sua carreira. Para isso, além dos expositores, os três dias da Feira são movimentados por muitas palestras e oficinas. A Feira de Formandos e Universitários inova mais uma vez na edição de 2010. Além de manter a proposta de reunir, em um único evento, atrativos para estudantes de diversos perfis, o público também vai desfrutar de um espaço mais agradável e dinâmico. Os visitantes poderão passear, no mesmo andar, por uma ala voltada apenas para os expositores de Formação e Carreira, e,

Os organizadores Fátima Reis e Paulo com Dr. Saul Quadros Presidente da OAB/BA 22

por outro espaço, onde ficarão concentradas as exposições de Formatura e Festa. Nesta terceira edição o tema será “Brasil, o país que queremos”, por isso não faltarão ações de conscientização por um mundo melhor, que vão desde ações sociais, com a arrecadação de alimentos nas palestras e oficinas, até ações ambientais, com a distribuição de sementes de Pau Brasil e instruções sobre reciclagem. E como toda conquista tem que ser comemorada com festa, a Feira também vai reunir atrativos culturais, com apresentações de teatro, bandas, dança, cinema e artes plásticas. Com tanta variedade você não pode ficar de fora. A Feira de Formandos e Universitários acontecerá de 16 a 18 de julho, no Centro de Convenções das 14h às 20h. Mais informações: www.feiradeformandos.com.br.


Feira de Formandos e Universitários 2010. Não deixe de ir!

Homenageado e palestrante: Prof. Jorge Portugal

Painel: Ética na Profissão (Yula Verde, Dr. Alexandre Medeiros, Antônio Medeiros e Álvaro Nonato) Expositores

Banda Trama 3

Homenageado: Vice-Prefeito de Salvador Dr. Edvaldo Brito

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FEIRA DE FORMANDOS 2009

Homenageado: Prof. Hélio Rocha

Expositores

Homenageado: José Linhares

Palestrante: Prof. Maria Ângela

Troupe Dance

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Homenageado 2009: Dr. Luis Henrique Dias Tavares

Ricardo Chaves


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FORMATURA

Mercado em expansão na Bahia O mercado de Formaturas em nossa cidade cresceu demais nos últimos 15 anos. Acompanhando a estabilidade econômica e a popularização do ensino superior, o número de empresas atuando no setor se multiplicou de forma significativa durante esse período. Ao mesmo tempo em que o aumento da concorrência beneficia os estudantes, é preciso ter muito cuidado na hora de escolher os fornecedores que realizarão o sonho da sua formatura. O valor investido numa formatura é considerável. Com aluguel do espaço, assessoria, foto e filmagem, decoração e uma série de outros serviços necessários, muitos milhares de reais serão gastos. À parte o valor financeiro envolvido, toda a expectativa criada pelos amigos e familiares exige que alguns critérios sejam observados antes de assinar os contratos. Caso contrário, um momento que deveria ser inesquecível pode se tornar algo que nunca gostaríamos de lembrar.

Tudo começa com a escolha da comissão de formatura. Devem ser escolhidos, de forma democrática, aqueles estudantes que possuem senso de organização, liderança e responsabilidade. Outro ponto que vale ser destacado: os membros da comissão devem se comprometer a serem pacientes e estarem disponíveis para a turma. Pessoas extremamente ocupadas, que dividem seu tempo entre mil compromissos não tem condições de estar à frente de uma empreitada desgastante como a organização de uma formatura. 26

Grau 10 Formaturas

Organizando uma formatura

Escolhida a comissão, o próximo passo é escolher muito bem a empresa organizadora da formatura. Podemos considerar esse o fornecedor mais importante de todos, pois ele será um intermediário para todos os demais. Antes da explosão do ensino superior particular, não haviam tantas opções de fornecedores para esse tipo de serviço. O mercado naquela época era dominado por, praticamente, duas empresas. Hoje existe um número muito maior de empresas oferecendo esse serviço, portanto escolher se tornou bem mais difícil. Fundamental antes de assinar o contrato com a empresa organizadora é levantar o máximo de informações sobre ela. Algumas dicas são: ● Conversar com amigos em busca de saber se a empresa em questão já organizou uma formatura de algum conhecido; ● Verificar a situação da empresa nos órgãos de defesa do consumidor; ● Ir a alguma formatura organizada pela empresa, de maneira a ter um conhecimento prático do seu trabalho. Muita atenção com empresas que cobram muito barato! Essa pode ser uma tática para “fisgar” a turma. Depois de assinado o contrato, algumas empresas usam da prática de aumentar as mensalidades alegando que os custos sofreram reajustes. De fato os custos podem subir, mas é importante ter em mente que vivemos em um país cuja inflação está sob controle. Aumentos exagerados somente são justificados no caso de redução do tamanho da turma que participará dos eventos de formatura. Qualidade tem custo, portanto desconfiem das pechinchas.


MERCADO EM EXPANSÃO NA BAHIA Se possível, a comissão deve discutir com a empresa o formato do evento e juntos elaborarem uma lista de itens a serem orçados. Com essa lista em mãos será mais fácil comparar os orçamentos das diferentes empresas que concorrem pela organização da formatura. Exija o nome dos fornecedores e levante informações no mercado sobre eles. É natural que alguns itens de custo apresentem uma diferença nos valores. Exemplo: existem fotógrafos para todo tipo de bolso e gosto.

● Ir a solenidades e festas promovidas pelas empresas que tiveram mais interesse

Com os orçamentos em mãos, a comissão deve discutir com a turma qual a melhor opção. Escolhida a empresa organizadora, elabora-se o contrato e, mais uma vez, discute-se com a o restante da turma a aprovação das cláusulas do mesmo. É preciso paciência, mas somente assim não haverá alegações e desentendimentos mais adiante.

● Pesquise locais para viagem de formatura (cruzeiros, hotéis-fazenda, litorais, dentre outros)

● Pesquisar bandas e DJs 2 anos antes ● Definir em conjunto a empresa organizadora ● Assinar o contrato de prestação de serviço 1 ano e meio antes

1 ano antes ● Agendar locais e horários de locação dos espaços e casas de eventos ● Fechar o pacote de viagens, buffet, foto, vídeo e banda

Assinado o contrato, a comissão deve exigir da empresa organizadora um plano de trabalho resumido do que ela pretende fazer. Esse roteiro deve especificar as atividades, datas e prazos. A comissão deve participar, sempre que necessário, dessas atividades. Algumas formaturas começam a serem organizadas com muita antecedência. É importante que a comissão fique atenta à evolução do mercado durante esse longo período. Novidades podem surgir, fornecedores podem sair do mercado e adaptações serão necessárias quando situações assim acontecerem.

● Começar a organizar a lista com nomes dos colegas formandos para envio para a criação do convite ● Organizar os textos que serão ditos para Deus, Pais, Mestres e Sempre presentes ● Definir o tamanho e as cores do convite ● Definir a cor dos trajes das damas e cavalheiros

Como financiar a festança? Fora o dinheiro que, certamente, será desembolsado pelos estudantes, existem algumas opções que podem diminuir as despesas. Rifas, doações de patrono e paraninfo e homenageados podem ajudar bastante.

6 meses antes ● Tirar foto da turma e individual para convite, ● Decidir o modelo do convite,

Convite Estação Design

● Convidar o Patrono/Patronesse e Paraninfo/ Paraninfa

Segue abaixo um exemplo de roteiro de organização de formatura:

● Definir a cor da decoração. 2 anos e meio antes ● Formar a comissão de formatura ● Elaborar o estatuto e a ATA da turma

● Analisar empresas organizadoras de eventos no mercado

Cerimonial Ana Bandarra

● Verificar quantas pessoas terão interesse em participar da formatura

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MERCADO EM EXPANSÃO NA BAHIA

FORMATURA 5 meses antes

3 meses antes

● Escolher o traje e selecionar as fotos que serão usadas para Slide Show, e organização da confraternização para gravação do clipe que será exibido após a entrada dos formandos

● Gravar as placas dos homenageados ● Escolher as músicas que farão parte da solenidade ● Definir os efeitos especiais ● Comprar o kit boate (perucas, colares, neon, dentre outros) e lembranças 2 meses antes ● Fechar o número total de formandos que realmente irão participar da solenidade e Baile 45 dias antes ● Distribuir os convites ● Elaborar o mapa das mesas (para as formaturas com baile) ● Definir os últimos detalhes da decoração ● Realizar os reajustes finais dos trajes

Vestidos - Cheville

● Agendar o dia da Formanda ou Formando em um salão de beleza ● Ensaio geral

● Finalizar o convite com o designer da empresa responsável pelos convites

● Ajustar ar becas ● Verificar o clipe de exibição para solenidade ● Ajustes finais no texto dos oradores

Algumas empresas de formatura: ● Caco de Telha Formaturas ● Cadu Formaturas ● Grau 10 Formaturas ● Gradus Formaturas ● Orttis Formaturas ● Prisma Formaturas ● Terceiro Grau ● Terceira Via ● Vitrine Algumas empresas de convite: ● Bossa i Nova ● Estação Design ● Perfil 3 Design ● NUD ● Via 3

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Organização - Grau 10 Formaturas


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SUA FESTA Formatura de Medicina 2009 da Universidade Estadual de Santa Cruz - Ilhéus Organizada e fotografada pela Terceira Via Formaturas Convite Via3 Buffet Marlene Marinho Solenidade no 15/02/2010 no auditória da UESC Baile 16/02/2010 no Espaço de Eventos Boca du Mar

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FORMATURA DE MEDICINA – UESC 2009

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ACONTECE

Pré-sal: O ouro negro, verde e amarelo

confirmadas, e existem boas chances de que isso ocorra, as reservas petrolíferas do Brasil podem alcançar 100 bilhões de barris. Para se ter uma idéia do que isso representa, o Brasil passaria a ser dono da 5ª maior reserva petrolífera do mundo (atualmente ocupa a 12ª posição no ranking das maiores reservas).

O desafio País do futebol. Do carnaval. Da Amazônia, do Pantanal. País do futuro. Todos esses epítetos são atribuídos ao Brasil e são bastante familiares aos brasileiros. Agora, o que você acha de gigante latino da OPEP? Estranho? Saiba que com a descoberta das mega reservas da camada pré-sal, o Brasil pode vir a se tornar um grande exportador de Petróleo e, naturalmente, pleitear uma posição na famosa Organização dos Países Exportadores de Petróleo, mais famoso e poderoso cartel do mundo, responsável por definir a política petrolífera global. Mas, antes de falar de futuro, façamos uma pequena pausa para falar da história do Pré-Sal. Há 200 milhões de anos, durante a era Mesozóica, o planeta Terra não era dividido nos continentes que conhecemos hoje. Havia uma única porção de terra, chamada Pangéia, cercada por um único oceano, Pantalassa. Foram as correntes de convecção do manto terrestre as responsáveis pelo processo de divisão dessa grande massa de terra. Durante o longo período que foi necessário para se formar o Oceano Atlântico, um conjunto de camadas geológicas foi formado. A camada pré-sal é uma dessas camadas e possui esse nome por estar recoberta por uma camada salina formada durante uma fase do processo de divisão de Gondwana (a parte de Pangéia constituída pelas atuais América do Sul e África) onde o mar era raso e o clima árido. Os campos petrolíferos do pré-sal brasileiro se situam numa faixa do litoral que se estende do Espírito Santo até Santa Catarina. Somente o petróleo confirmado em 3 poços nessa região catapultaram as reservas comprovadas brasileiras de 14 para 33 bilhões de barris de petróleo. Se as melhores estimativas da Petrobrás forem 32

Os prognósticos são empolgantes, mas os obstáculos são colossais. A extração do petróleo da camada Pré-Sal exigirá aperfeiçoamento da tecnologia atualmente existente para operações em águas ultraprofundas (existem reservas situadas a até 8000 m de profundidade, contando lâmina d’água e camada rochosa). A Petrobrás, através do seu centro de pesquisa e desenvolvimento – CENPES, está desenvolvendo uma série de novas tecnologias que visam superar essas dificuldades. Graças a essas iniciativas, em 2007, foram perfurados poços a 7000 m de profundidade na região de Tupi (superando com folga o recorde anterior de 4.343 m em Roncador). Em setembro de 2008, no campo de Jubarte, localizado na Bacia de Campos, a Petrobrás iniciou a extração de petróleo do Pré-sal. Extrair petróleo de profundidades abismais não é apenas um desafio técnico, mas envolve uma cuidadosa análise de viabilidade e engenharia financeira. Com as dificuldades, vêm custos maiores. Ao contrário de países que possuem reservas localizadas em terra, os países, como o Brasil, que prospectam óleo em alto mar necessitam de maiores investimentos para explorar suas reservas. Com a tecnologia atual, a Petrobrás afirma que, com o barril a um mínimo de US$ 35,00, é compensador explorar o Pré-sal. Ou seja, tão importante quanto os avanços da engenharia, se tornam essenciais as discussões sobre as fontes dos recursos financeiros que tornarão a gigantesca empreitada possível. É nesse cenário que se insere a questão do marco regulatório.

Concessão VS Partilha Embora seja uma empresa extremamente rentável e com uma impressionante capacidade de geração de caixa, a Petrobrás não conseguirá, sozi-


PRÉ-SAL: O OURO NEGRO, VERDE E AMARELO nha, fazer frente à necessidade de investimentos demandada pelo Pré-Sal. Tanto que, atualmente, a Petrobrás solicita ao Congresso Nacional uma autorização para levantar cerca de US$ 50 bi junto a banco de investimentos nacionais e estrangeiros. O governo entrará com mais US$ 25 bi.

Extrair petróleo de profundidades abismais não é apenas um desafio técnico, mas envolve uma cuidadosa análise de viabilidade e engenharia financeira. Desde 1997, a prospecção de petróleo no Brasil é regulada pela Lei do Petróleo. Essa lei pôs fim ao monopólio estatal do petróleo nas atividades de exploração, produção, refino e transporte do petróleo brasileiro. Para isso, o atual marco re-

gulatório institui o modelo de Concessão, onde o Estado concede o direito de exploração de uma determinada riqueza natural a um ente privado, desde que este obedeça às condições impostas na legislação e, naturalmente, recolha os impostos e taxas devidas. Para se tornar um concessionário, o empresário normalmente adquire o seu direito em um leilão. Apesar de sempre ter angariado críticas, especialmente dos políticos de partidos de esquerda e nacionalistas, esse modelo tem servido aos interesses do Brasil desde a sua instituição e, certamente, contribuiu com o aumento da produção de óleo no país. Porém, com a descoberta do Pré-sal surgiram dúvidas a respeito de sua adequação à nova realidade. Sindicatos, movimentos sociais e o atual governo argumentam que conceder a exploração das mega reservas do Pré-sal à iniciativa privada não atendem aos interesses estratégicos do Brasil, pois privatizariam grande parte da riqueza gerada com a exploração dessas reservas. No embalo desse novo movimento “O Petróleo é nosso”, o governo brasileiro propôs a alteração do marco regulatório. No novo marco, o modelo deixaria de ser Concessão e passaria

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ACONTECE a ser o de Partilha. Nesse regime, estabelecese uma espécie de sociedade entre a União e um empresário. Nessa sociedade, a União entra com os blocos de exploração (regiões onde existe indicativo de existência de petróleo) e o empresário assume todos os riscos da exploração, (arcando com todos os custos associados, somente sendo reembolsado caso a exploração seja comercialmente possível) em troca de um percentual do lucro decorrente da operação. Ganha o direito de se associar à União o ente privado que lhe oferecer o maior percentual de lucro. Caso não tenha êxito na operação, a União fica isenta de qualquer prejuízo. Além disso, na proposta apresentada ao Congresso Nacional, a Petrobrás gozaria de privilégios na cessão dos blocos bem como possuirá uma cota mínima de 30% em cada iniciativa de exploração. Não é de admirar que o setor privado não goste nem um pouco dessa nova proposta. Embora alguns radicais defendam até a reestatização da Petrobrás (atualmente ela é uma empresa de capital misto) e a volta da antiga Lei do Petróleo de 1953, o governo sabe que precisa atrair o capital privado se deseja imprimir um ritmo adequado de exploração e diluir os riscos associados.

Petrosal Entre os projetos relacionados ao novo marco regulatório proposto pelo governo Lula está a criação de uma nova estatal para gerenciar os projetos de exploração do Pré-sal segundo as regras do modelo de partilha. O nome dessa estatal será Petrosal. Um das suas principais missões é, atuando dentro do consórcio de exploração, controlar os custos operacionais de maneira a maximizar o retorno da União. Os partidos de oposição questionam a necessidade de uma nova empresa estatal. O governo contra argumenta que, como ela não terá função operacional na exploração das reservas, ela terá uma estrutura enxuta. Por sua vez, os empresários temem que ela possua poderes exagerados na formação dos consórcios. A discussão é boa e, embora a criação da Petrosal já tenha sido aprovada na Câmara dos Deputados, é no Senado que o governo espera encontrar as maio34

res resistências, pois nessa Casa a maioria do governo é frágil (vide fim da CPMF). E a Agência Nacional do Petróleo? Criada para regular a operação das empresas segundo a Lei do Petróleo de 1997, seu papel com a possível criação da Petrosal tem sido objeto de dúvidas.

O mundo possui alguns exemplos em que a riqueza gerada com a exploração do petróleo foi um indutor para o desenvolvimento das nações que o possuem. O governo garante que ela seguirá existindo, inclusive com novas atribuições. Fato é que as antigas reservas brasileiras seguirão sendo exploradas segundo o regime de concessão.

Esperanças, fundo soberano e experiências bem sucedidas Nem bem o petróleo do Pré-sal começou a jorrar, uma onda de euforia e ufanismo inundou o inconsciente nacional. Como é normal acontecer nessas situações, os políticos foram os primeiros a capitalizar sobre a alvissareira novidade. O presidente Lula, tal qual um novo Getúlio Vargas, lidera o cordão do “Brasil Grande”. A ministra Dilma Rousseff chegou a chorar ao dizer que “o Pré-sal abrirá as portas da felicidade material e espiritual para os brasileiros”. Discursos a parte, o caminho é longo, mas o otimismo é justificado. O mundo possui alguns exemplos em que a riqueza gerada com a explo-


PRÉ-SAL: O OURO NEGRO, VERDE E AMARELO ração do petróleo foi um indutor para o desenvolvimento das nações que o possuem. Na década de 70, a Noruega descobriu as maiores jazidas per capita de petróleo do mundo. O petróleo extraído do Mar do Norte e do Mar da Noruega torna a Noruega o sétimo maior exportador do mundo e representa 25% da PIB do país.

a Noruega chegou a afirmar que, através do investimento do dinheiro do seu Fundo Soberano, possui 1% do capital de todas as empresas, negociadas em bolsa, do mundo. Estima-se que o valor de mercado do fundo norueguês é de incríveis US$ 400 bi.

Maldição do Petróleo A Noruega é o país de melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo. Ou seja, segundo a ONU, qualidade de vida como a da Noruega não existe. O Brasil tem se espelhado na Noruega quando pensa na utilização dos recursos do Pré-sal para melhorar a vida de seu povo. Fala-se muito em empregar o dinheiro do Pré-sal na melhoria da educação brasileira. É sem dúvida uma boa estratégia. Sabe-se que uma boa educação tem sido o principal ativo de nações infinitamente mais pobres em recursos naturais que o Brasil, mas que tem apresentado desempenho econômico impressionante. Os maiores exemplos são os Tigres Asiáticos. Para financiar essa revolução educacional, o Brasil deseja criar, a exemplo da Noruega, um Fundo Soberano. Uma espécie de poupança, um Fundo Soberano visa preservar as riquezas de um país para as próximas gerações. O raciocínio é simples: parte das riquezas arrecadadas pelo governo é destinada ao fundo, tal qual uma poupança. Dessa forma, acabando-se o petróleo, existe uma grande reserva financeira capaz de realizar novos investimentos para o bem comum do país que o possui. Na Noruega, somente os rendimentos dos investimentos do capital do Fundo são utilizados pelo governo. O principal permanece intacto. Em agosto de 2009,

Infelizmente, a história da Noruega não é a regra. A grande maioria dos países exportadores de petróleo possui uma população pobre, uma brutal desigualdade social, governos corruptos e totalitários e vivem as voltas com guerras e convulsões sociais. O volume de riqueza gerado pelo petróleo, quando mal gerida, tem sido causa de muito sofrimento. Países como Angola e Nigéria são grandes exportadores de petróleo, porém estão entre os mais pobres do mundo. A pobreza, naturalmente, não decorre do petróleo, mas da usurpação dos seus benefícios por parte de uma elite que ocupa todos os espaços e oportunidades dentro da atividade econômica desses países. Os países que sustentam sua economia quase inteiramente sobre a indústria petrolífera, criam uma dependência que pode criar graves problemas econômicos quando o valor do barril do petróleo cai drasticamente. Por sua vez, problemas econômicos, invariavelmente, são seguidos de problemas políticos e sociais. Segundo o presidente Lula, a maldição do petróleo não acometerá o Brasil que seguirá investindo em seu programa de energias limpas e renová-

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ACONTECE

PRÉ-SAL: O OURO NEGRO, VERDE E AMARELO

veis, evitando assim que sua matriz energética se torne dependente do petróleo. Isso seria um grande retrocesso para o Brasil, dono de uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta.

res e operários especializados. Enfim, é correto afirmar que mesmo antes do petróleo do Pré-sal vir à superfície, o aumento da atividade econômica já reflete o seu potencial.

De fato, o Pré-sal encontra um Brasil industrializado, com forte vocação agrícola e um desenvolvido setor de serviços. No plano político, a democracia é percebida pelos brasileiros como uma conquista de valor inestimável e o país conta com uma imprensa livre e vigilante. Resta-nos manter o firme propósito de fiscalizar os agentes públicos e exigir, cada vez mais, o fortalecimento das instituições e o combate à corrupção. Fazendo isso, certamente, o Pré-sal trará muitas alegrias ao povo brasileiro.

Alguns profissionais terão maior facilidade de se posicionar nesse mercado, como é o caso das categorias citadas acima, porém a demanda será praticamente universal. Serão necessários biólogos para estudos de impacto ambiental e iniciativas de preservação compensatória. Analistas de sistemas, sem dúvida, serão demandados para cuidar da enorme massa de dados e informações que serão gerados e trocados entre todos os membros dessa constelação de empresas. E nem falamos em geólogos, geofísicos e outras profissões tradicionalmente ligadas à atividade petrolífera. Segundo o planejamento estratégico da Petrobrás, 207.000 novas vagas serão abertas até 2013. No setor inteiro, fala-se em quase 700.000 empregos.

Oportunidades Em 1997, a atividade petrolífera representava menos de 3% do PIB brasileiro. Com o fim do monopólio do petróleo, os investimentos se multiplicaram graças ao capital privado. Atualmente o setor corresponde a 10% da economia brasileira e até 2020, com a exploração do Pré-sal, a expectativa é que esse percentual dobrará. A cadeia produtiva do petróleo é uma das mais complexas. Para retirar o óleo das rochas do Présal praticamente tudo é necessário. De uniformes para os operários até gigantescas plataformas petrolíferas, passando por serviços e profissionais especializados, a odisséia de explorar as águas ultraprofundas gerará uma demanda sem paralelo na história da economia brasileira. Alguém terá de suprir essas demandas e as empresas já começaram a realizar seus investimentos. Com os investimentos virão as oportunidades de empregos e negócios. Seja diretamente na Petrobrás ou em empresas fornecedoras de produtos e serviços, o Pré-sal movimentará a economia como um todo. A decisão política de incentivar a indústria nacional já produz resultados animadores em setores econômicos outrora estagnados, como é o caso da indústria naval. Enormes plataformas estão sendo construídas no país gerando milhares de empregos para engenheiros, administrado-

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Para facilitar o encontro da sua vaga nesse mercado é natural que você, estudante universitário, busque alinhar a sua especialização com as necessidades desse setor. Uma pós-graduação em áreas que sejam do interesse das empresas que operam nesse mercado facilita muito as coisas. Iniciativas como o Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural) promovem cursos específicos para o setor. Seu Programa Nacional de Qualificação Profissional articula os esforços de 80 instituições de ensino em 17 estados do Brasil na formação de profissionais. Nesses cursos, são preparados profissionais para mais de 175 categorias demandadas pelo setor de Petróleo e Gás. Sem dúvida é uma ótima porta de entrada para esse mercado. Naturalmente que a qualificação não garantirá o emprego tão desejado. Conhecer a cadeia produtiva e as empresas que a compõe é fundamental para você saiba para onde enviar o seu currículo.

Para saber mais: http://www2.petrobras.com.br/presal/perguntas-respostas/ http://www.prominp.com.br/


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SAIBA MAIS!

ENEM Por Denis de Carvalho Silva Gama, professor de Sociologia e Presidente da ONG Pierre Bourdieu Antes de discorrer sobre o tema é fundamental entender um pouco a sua história. O ENEM - Exame Nacional de Ensino Médio surge em 1998 com a proposta de avaliar a qualidade do ensino médio no Brasil, bem como o próprio aluno, através da aplicação de uma prova anual padronizada, ou seja, uma prova nacional. Muito diferente da maioria dos vestibulares, em que cada disciplina tem seu próprio caderno, no caso da prova do Enem não há essa diferenciação. Mesmo porque a idéia é priorizar a interdisciplinaridade, a avaliação de competências, não apenas de conteúdo. A proposta na sua concepção tinha, também, o propósito de fazer uma radiografia generalizada da formação dos estudantes do ensino médio no Brasil. É bem verdade que no inicio o exame aparece, somente, como auto-avaliação ou um grande “simulado”, já que a obrigatoriedade é desconsiderada pelo Governo (inclusive o novo ENEM) e pelas principais universidades brasileiras que não adotavam o ENEM como mecanismo de acesso. Fato este que não atraiu, na época, a atenção dos estudantes. Para se ter uma idéia, em 2004, quando foi criado o PROUNI, a procura pelo exame passou de 100.000 pessoas (em 1998) para mais de três milhões de inscritos, o que representou um aumento considerável. Outro fato relevante a destacar é que o ENEM nasce sob o signo da desconfiança, seja por grande parte da comunidade acadêmica, seja por alguns movimentos sociais, a exemplo do movimento estudantil. Por compreenderem que este tipo de avaliação não seria capaz de acarretar modificações estruturais nas escolas brasileiras, sobretudo nas redes oficiais de ensino, o exame era entendido como um jogo de cena por parte do Governo para mascarar a triste realidade da educação pública no Brasil. É certo que a conquista deste novo modelo de avaliação como elemento determinante para o ingresso dos estudantes nas universidades (públicas e particulares), constitui uma inovação necessária e es38

perada por muitos educadores e, de certa maneira, pela sociedade, visto que há uma tentativa, no novo modelo, de democratizar as oportunidades de acesso às vagas públicas federais, até por que se trata de uma prova nacional e o estudante tem o direito de escolher qual universidade cursar no território nacional. O PROUNI também contribuiu muito na procura pelo Exame, servindo, inclusive, como força auxiliar, pois, concede bolsa integral para aqueles que estudaram nas escolas públicas e se encontram em situação de adversidade econômica. É visível que a importância do ENEM cresceu, significativamente, nesses últimos 11 anos. Há um esforço do Governo atual em fortalecer o projeto tornando-o um sistema completo de avaliação para, quem sabe, no futuro, superar a cultura estabelecida nas redes, de base tradicionalista. O próprio vestibular é um método atrasado de avaliar o estudante brasileiro. Inclusive, a última proposta do Ministro da Educação, Fernando Haddad, foi transformar o ENEM num substituto para o vestibular, uniformizando o currículo do Ensino Médio pelo país através da utilização dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais). Muitas universidades públicas aderiram ao Exame para o vestibular de 2010. Aqui na Bahia, por exemplo, todas aderiram, inclusive, o IFBA (ExCEFET) destinando 50% de suas vagas para aqueles que fizeram o ENEM. Recentemente o Reitor da UFBA, Naomar Almeida, assinou um convênio com a Universidade de Coimbra onde os alunos que conseguirem entrar na Instituição pelo Exame Nacional do Ensino Médio poderão fazer intercâmbio nesta universidade. O aumento qualitativo e quantitativo do ENEM não significa, porém, que o ensino público no Brasil é de excelência. Não resta dúvida que melhorou um pouco, no entanto, ainda falta muita coisa. É de suma importância priorizar as estruturas escolares, melhorar os salários dos profissionais da educação e dar mais condições para que o aluno carente possa permanecer estudando. Pensar o ensino fundamental não como um projeto de faz-de-conta, mas como um instrumento de consolidação do saber. E as universidades como centros de produção e reprodução desses saberes a serviço da sociedade brasileira. Ainda precisamos muito repensar o ensino e a escola brasileira. Só assim estaremos dando passos mais consistentes para o futuro. Apesar de tudo, se me perguntarem sobre o ENEM, eu diria: façam o ENEM.


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CONTE SUA HISTÓRIA Sou Flavia Calheira, tenho 22 anos e acabo de concluir o curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda da Unifacs. Sempre quis fazer comunicação e, apesar de existirem cursos dessa área em Feira de Santana (minha cidade natal), optei por estudar em Salvador, pois o mercado desse segmento é maior na capital. Um dos problemas da mudança de cidade é que no novo ambiente você não conhece muitas pessoas. Na publicidade, conhecer pessoas e ter indicações é fundamental. Então, para driblar esse problema, foi preciso buscar oportunidades. A faculdade me proporcionou uma boa base teórica, mas teoria não basta. Para entrar no mercado de trabalho, ter experiência (mesmo que mínima) é essencial. Minha prática também começou na Unifacs: estagiei voluntariamente na Versa – Agência Experimental do curso de Publicidade e Propaganda, que permite a resolução de casos reais, sob a orientação de um professor. A Versa abriu as portas do mercado de trabalho para mim; a indicação de uma das professoras coordenadoras me levou à Mezo, agência de marketing onde trabalho até hoje, como redatora publicitária. Uma dica para quem ainda está estudando: aproveitem todos os recursos que a faculdade oferece. E outra: não pensem apenas na remuneração de um estágio, mas também – e principalmente - nas experiências que ele proporcionará.

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“A faculdade me proporcionou uma boa base teórica, mas teoria não basta. Para entrar no mercado de trabalho, ter experiência é essencial.” Por Flávia Calheira


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