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EXPEDIENTE

www.revistaunit.com.br Diretores Guilherme Brum guilherme@revistaunit.com.br Tiago de Mello tiago@revistaunit.com.br Jornalista responsável Mário Sérgio Brum (DRT/SC 769)

CRÉDITO DE CAPA Modelo Joana Petry (DF Model) Foto Max Schwoelk Cabelo Jonathan Collucc (Jack Simonéia) Maquiagem Tatiane Garcia (Jack Simonéia) Produção de moda Camila Rosano Tratamento de imagem Rubens Borba Locação Residência Joinville Country Clube Look Larissa Minatto

Editora chefe Ingrid Passos ingrid@revistaunit.com.br Redação Marjorie Caturani marjorie@revistaunit.com.br Karina Draczynski karina@revistaunit.com.br Colunistas Camila Rosano camilarosano@revistaunit.com.br Gustavo Piaz gustavo@revistaunit.com.br Hudson Passos contato@hudsonpassos.com.br Bruno Vinícius bruno@revistaunit.com.br Revisão Antônio Roberto Szabunia Fotógrafo Max Schwoelk fale@maxschwoelk.com Tratamento de Imagem Rubens Borba Diretor de arte Guilherme Brum Comercial Tiago de Mello Editoração Criacom Comunicação Impressão Impressul Periodicidade Bimestral Distribuição Joinville Jaraguá do Sul Balneário Camboriú Contato Rua Max Colin, 1935 Glória - CEP 89204-635 Joinville - Santa Catarina (47) 3028 5850 contato@revistaunit.com.br

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Colaboraram nesta edição Alexandre Gayoso Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da revista, sendo de inteira responsabilidade de seus autores. As informações contidas nos anúncios e informes publicitários publicados nesta edição são de total responsabilidade dos anunciantes, que responderão pela sua veracidade. É permitida a reprodução total ou parcial de reportagens e textos, desde que expressamente citada a fonte.

A revista Unit é consciente das questões ambientais e sociais, por isso utiliza papel produzido com madeira certificada FSC (Forest Stewardship Council) na impressão deste material. A certificação FSC garante que uma matéria-prima florestal provenha de um manejo considerado social, ambiental e economicamente adequado e outras fontes controladas.


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Joinville Garten Shopping


ANO 2 - EDIÇÃO 8 - 2011 12 | COMPRAS DE FIM DE ANO Vitrine 14 | FAST FASHION Garimpo Fashion 16 | RADIO BURGER De Gustar 18 | SANDBOARD Esporte 20 | BRUNA STARLING Entrevista 26 | HOT & SOPHISTICATED Moda 36 | NAS AREIAS DO BRASIL Fashion Trends 38 | DAY PARTY Look’s This 40 | PROFISSIONAL DE MODA Centro Europeu 42 | SURFISTA CRIATIVO Ocean Side 44 | ORA, POIS, POIS In Out 46 | NOVAS REGRAS Dance Floor 48 | REVEILLON Agenda 50 | CALIFORNIA AND BRAZIL Sintonize 52 | FORTE E DINÂMICO Saúde 54 | GERAÇÃO Y Comportamento

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UNIT ON-LINE

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VÍDEO CLIPE 2010

DIRETO DO TWITTER

Saiu do forno! Você pode conferir os making offs dos editorias de moda, os eventos e momentos únicos filmados por Max Schwoelk. O vídeo foi produzido pela Maquinarium filmes. Fique ligado, mais informações na nossa página do twitter.

@naarjara Genteeeeeem, a @RevistaUnit tá P-E-R-FECT!! dá uma olhadinha... @urresta Parabéns ao pessoal da @revistaunit pelo clipe. Excelentes edição e a trilha fechou muito bem com as imagens! @Oficinapalavras @revistaunit Linda Capa e linda revista! @HudsonPassos Lindo video @RevistaUnit @MOOMartnMusic @MaxSchwoelk e demais parceiros! Emocionante! Saudades!!! @andressalarsen Gostei do vídeo da @revistaunit @thiagokulling Excelente vídeo da @maquinarium para @revistaunit @gustavoMOOM Video da @revistaunit, ficou muito bom! Parabens a todos envolvidos!

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EDITORIAL

ATÉ A PRÓXIMA Veja só, dezembro chegou! Não é simplesmente um novo mês que começa. Eu, pelo menos, não sei de outro mês que seja tão cheio de expectativas e mística. O vizinho instalando pisca-piscas, as tias combinando quem é que leva a maionese no Natal e a sensação de “tenho que emagrecer” são indícios de que o ano realmente está chegando ao fim. Nessa época sempre rola certa nostalgia: lembranças de amores passados, frustrações, conquistas e toda aquela retrospectiva dos objetivos traçados no último réveillon. Tem gente correndo para dar conta de projetos, e tem gente “largando mão” porque, afinal, “o ano já acabou, né?”. Nesse período, tem quem reclame que a semana demora a passar e também há que diga que o “ano voou”. E tem os que dizem as duas coisas. É um negócio estranho, não é não, caro leitor? Dezembro começa no dia 1º, como qualquer outro mês, mas o que importa mesmo, para a maioria (e me incluo nessa), é do dia 24 em diante. Mas aí, logo vem janeiro: o pessoal volta ao trabalho e às aulas, trazendo como troféus de um verão alucinante nariz em carne viva e costas torradas. Nossos planos são

traçados novamente, e corpo e mente estão mais dispostos a enfrentar mais um ano inteirinho – em busca do fim do ano. Nesta edição da Unit tentamos traduzir esses dois momentos, afinal também estamos inseridos nesse “ciclo sem fim” (vide música do filme Rei Leão). A diferença é que propomos a você alternativas para planejar um ano diferente. E essa é a característica de quem é da chamada Geração Y: mutabilidade. Os nascidos entre 1978 e 2000 vão se identificar com a matéria que relembra os saudosos brinquedos da infância e analisa as características desses jovens que, segundo uma pesquisa da Fundação Instituto de Administração (FIA/ USP), só se comprometem com atividades de que realmente gostam. Agora, esqueça aqueles hits do estacionamento da praia e sintonize no californiano Colby Lee Huston. Trazemos uma entrevista inédita com o cantor que pode te inspirar a grandes mudanças. E por falar em variar, que tal enxergar tudo por um novo ângulo e, quem sabe, de ponta-cabeça? É o que o método De Rose de yoga propõe em uma matéria inspirada em saúde da mente e do corpo.

EDITORA CHEFE INGRID PASSOS FOTO MAX SCHWOELK 10

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No In Out você vai conhecer uma garota que deu uma driblada no planejamento e foi parar em Portugal com um grupo de estudantes. No mesmo gancho do velho continente, o DJ Hudson Passos relata as baladas que acabam às 2h em sua experiência pela Europa. Se toda essa viagem der fome, que tal uma passadinha em uma típica lanchonete norteamericana? Pule para De Gustar e conheça o que é que o americano tem. Curta essa multiculturalidade e confira também tudo o que rola nas principais festas do litoral. Sugestões diferentes para presentes, ensaio de moda, Ocean Side, esporte e a história de Bruna Starling, a designer joinvilense que ganhou o mundo. A Unit te oferece tudo isso e muito mais, para te dar um gás nesse período! Agora me despeço com os votos sinceros de toda a equipe Unit, de que esse fim e início de ano sejam um período de renovação, e que você siga em frente, cuidando para não correr atrás do vento, como orientou o sábio Salomão, há alguns milhares de anos. E não poderíamos esquecer do clássico: paz, saúde e felicidade para você e toda a sua família! Nos vemos em 2011!


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VITRINE

Polo listras aquareladas (masc) R$ 159,00 M.Officer (47) 3903-3143

Óculos com armação e lentes em policarbonato Cheypel R$ 159,90 Loja Cheypel (47) 3047-0107

Brinco R$ 8,00 JMC Bijoux (47) 3043-9495

COMPRAS DE

FIM DE ANO A Unit preparou dicas de presentes para você. São itens que podem entrar na sua lista pessoal de desejos e vontades, que até parecem as promessas feitas no início de um novo ano.

Avell Titanium M5100B EDF 10x de R$ 239,90 s/ juros no cartão Notebook Century (47) 3801-6000

Tenis New Ballance R$ 299,00 Mandi & Co. (47) 3043-9262

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Short Ripped and Painted (fem) R$ 189,00 M.Officer (47) 3903-3143

Óculos com armação em metal e lentes degradê Cheypel R$ 159,90 Loja Cheypel (47) 3047-0107

Tenis Converse R$ 199,00 Mandi & Co. (47) 3043-9262


Blusa tranças psy colour (fem) R$ 198,00 M.Officer (47) 3903-3143

Óculos com armação em TR-90 e lentes polarizadas Cheypel R$ 159,90 Loja Cheypel (47) 3047-0107

Shorts Mandi (fem) R$ 239,00 Mandi & Co. (47) 3043-9262

Colar R$ 8,00 JMC Bijoux (47) 3043-9495

Avell FullRange U871CW FDG 1+6x de R$ 571,28 s/ juros no cartão Notebook Century (47) 3801-6000

Tênis Superga R$ 169,00 Mandi & Co. (47) 3043-9262

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GARIMPO FASHION

FAST

FASHION Eu deveria começar este texto falando sobre a coqueluche que é o fast-fashion e como esta “febre”, assim por dizer, começa a conquistar seu espaço na indústria da moda. No entanto, aproveito para despedir-me de você, caro comparsa. Depois de um ano na Unit, sigo um novo caminho, mas muito feliz pela oportunidade de ter participado da revista e, assim, abro espaço para um novo rosto mostrar seu trabalho. Não gosto de despedidas, por isso, sigo em alusão a sua velocidade, correndo para o fast-fashion... Não existe melhor palavra para definir o apelo ao termo: inevitável. Em pouco tempo nos enxergamos aficionados com os lançamentos e buscando o que apenas podemos encontrar nele, que nada mais é a do que rápida e contínua produção de peças de acordo com a tendência do momento, e o mais importante: com aquele preço camarada. POR KARINA DRACZYNSKI 14

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Em todo o mundo algumas marcas prevalecem pioneiras: Zara, H&M, Topshop e Forever 21. No Brasil, grandes magazines resolveram aderir a esta novidade e se encaixam cada vez mais no setor, fazendo também parcerias com estilistas conhecidos nacionalmente. Assim, nossas companheiras C&A, Marisa, Hering, Renner e Riachuelo estão aumentando a lista de seus compradores que consomem a “moda do momento”. Mas afinal, como podemos diferenciar o fast-fashion, do que encontramos na lojas (prêt-à-porter) hoje? No fast-fashion, o que é apresentado nas passarelas tem uma tradução instantânea para as araras, produzindo coleções compactas, com novidades semanais e retiradas das peças que não estão sendo “aceitas” pelo público. Já o funcionamento do prêt-à-porter se baseia na produção de coleções mais completas, inspiradas nas tendências da temporada, que são assinadas por estilistas renomados e se

traduzem, basicamente, em um “pronto para vestir” de qualidade. Ao longo da criação do texto, surge uma dúvida. Partindo do princípio de que não existe margem de erro para o time do fast-fashion e que seu lugar já está marcado ao lado, por exemplo, do “prêt-à-porter”, onde fica nossa ansiedade por aquele momento que antecipa a compra de um item que esperamos uma estação após ser apresentado nas semanas de moda? Depois de uma intensa reflexão, concluo que, com a constante evolução em que nos encontramos nos dias de hoje, o que fica claro é que existe espaço para todos em uma indústria que visa mudanças, novos ciclos e sempre estar à frente das tendências. A acessibilidade está em nossas mãos e, a cada temporada, inovações transformam nosso cotidiano. Com isso, devemos aproveitar as ofertas para não passar correndo pelas novidades no mundo da moda.


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DE GUSTAR

RADIO BURGER Texto Ingrid Passos Foto Divulgação Ele é um pobre coitado que carrega um estigma, tentando ser aceito pela sociedade. Esse é o hambúrguer. O simpático lanche composto basicamente por uma carne dentro de duas fatias de pão é cercado de preconceito. Há quem o considere somente adequado às redes de fast foods, e há os que o abominam por acreditar ter altos teores de gordura. A verdade é que, realmente, há hambúrgueres carregados de maldade, mas o a maioria não faz mal a ninguém (se apreciado com moderação)! O lanche preparado da forma tipicamente americana é grelhado, e não mergulhado em cestos de óleo, como fazem grandes redes de lanchonetes. E é assim que ele é preparado na hamburgueria Radio Burger. Sem conservantes, corantes e outros tipos de “antes” nocivos à saúde. De acordo com a proprietária Caroline Carstens, 24, uma das inspirações para montar a casa foi justamente tirar essa aura negativa do hambúrguer. E não somente na questão do bem-estar, mas também da qualidade de produto. Quem nunca mordeu um lanche e sentiu algo estranho, similar a cartilagem, no meio da carne? Além de ser desagradável, isso é totalmente frustrante quando você pede um hambúrguer de, por exemplo, picanha. Há dois anos Caroline estava entusiasmada por ter um negócio próprio, e a resposta do que montar veio de sua própria vivência. Ela 16

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explica a carência de um local como esse no mercado: “Às vezes a gente sai de uma festa, uma formatura, e não tem algum lugar bacana para comer um lanche”. Aberta desde julho de 2009, a proposta da casa é resgatar os elementos da cultura gastronômica americana, mesclando música, comida e decoração. Quando criança, Caroline costumava viajar todos os anos aos EUA com sua família, frequentava os diners e lá começou a admirar o clima retrô. Absolutamente tudo na Radio Burger é inspirado na década de 50 do país. Seja o piso, os bancos, as luminárias, cardápios, copos ou condimentos: cada parte da lanchonete transpira estilo e cultura. Conhecê-la é fazer uma viagem temporal e geográfica que vale muito a pena! Quem passar por lá, pode conferir as deliciosas opções de hambúrgueres variados, como de mignon, picanha, frango e vegetariano, composto por mix de cogumelos. Um lanche pode ser uma excelente pedida para apreciação e não simples “operação de reabastecimento”, como conceitua Felipe Fernádez-Armesto, historiador britânico e crítico dos fast foods, por acreditar que eles acabam com o papel comensal da alimentação. Para a nova estação, a casa está preparando uma exclusiva carta de milk shakes e novos lanches serão lançados em breve. A chapa da cozinha está realmente esquentando!

HISTÓRIA DO HAMBÚRGUER Sua história é curiosa e tira os créditos dos americanos, pois sua origem não é yankee! Foi popularizado lá, sim, mas criado não! Diz a história que, durante os séculos XII e XIII os mongóis invadiram várias regiões da Europa e, entre os grupos de invasores estavam os tártaros – tribos guerreiras que habitavam as estepes russas. Eles introduziram a técnica de picar a carne dura para que ficasse mais digerível. E a lenda diz que os cavaleiros tártaros costumavam levar a carne crua debaixo da sela enquanto galopavam. No fim da viagem, tinham uma pasta de carne. O que se sabe com certeza é que foram eles que apresentaram os bifes de carne moída para os hamburgueses (atual Alemanha). A América descobriu o hambúrguer na segunda metade do século XIX, levado pelos imigrantes alemães embarcados no porto de Hamburgo. Os americanos aperfeiçoaram a receita, acrescentando o pão. Hoje, o hambúrguer é um ícone da culinária americana.

Rádio Burger Onde fica: Rua Ministro Calógeras, 529 Centro - Joinville/SC www.radioburger.com.br


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ESPORTE

“O sandboard é minha vida. Tudo que conquistei foi por causa do esporte. O momento que estou em cima da prancha e em contato com as dunas é muito especial para mim, onde me concentro unicamente no que estou fazendo e onde recarrego as energias”.

A PROCURA DA MAIOR DUNA Texto Marjorie Caturani Foto Arquivo pessoal

Com três títulos mundiais e quatro sul-americanos, Digiácomo Dias, 29, é referência para os praticantes e iniciantes do sandboard. Em 1997, o irmão Dalton o presenteou com uma prancha. No ano seguinte, Digiácomo começou a participar de competição nas dunas da Joaquina (Florianópolis/SC) e trouxe dois troféus para casa. O bom desempenho foi fundamental para ele ter apoiadores. “Foi um incentivo para me dedicar ao sandboard”, destaca o atleta patrocinado pela Mormaii e Wolts sandboards. Neste ano, o sandboarder profissional conquistou a Copa Internacional do Atacama, realizada em Copiapó, Chile. “Dropar a maior duna do mundo foi um dos dias mais emocionantes da minha vida. Posso dizer que a sensação foi tão prazerosa como conquistar meu primeiro título mundial. Sinto-me muito honrado em ter sido o primeiro brasileiro a conhecer e descer as montanhas de areia de Cerro Blanco”, confessa. O Double front flip (dois saltos mortais para frente) foi outro dia histó-

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rico no sandboard que Digiácomo faz questão de lembrar. Ele fez essa manobra no Campeonato Catarinense de 2000, quando o principal adversário se classificou em 1º lugar e ele em segundo. Para a final, o atleta precisava fazer algo extraordinário. E ele não teve dúvida. “Nunca tinha treinado a Double front flip, mas imaginava a posição do meu corpo e a velocidade que deveria ter para completar sem correr risco”, acrescenta. E ele conseguiu. Um tempo depois, essa manobra o levou ao primeiro título mundial, realizado no Monte Kaolino, na Alemanha. Para ganhar bons resultados, Digiácomo treina de duas a quatro vezes por semana. Além do treino nas dunas, ele pratica Pilates, frequenta academia e cuida da alimentação para ter um bom preparo físico. Agora está com um projeto que consiste em descobrir, catalogar, registrar e medir as sete maiores dunas do planeta. No Chile ele encontrou a duna Medanoso, com 520 metros de altura. “A próxima viagem dessa expedição será para o Peru”, define.


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ENTREVISTA

Ela encontrou a realização profissional fazendo o que mais gosta: criar. Seja nas bolsas, carteiras, micro-bags, chaveiros, porta-níqueis ou portacelular, Bruna Starling esbanja talento e aplica em suas peças delicadeza e um estilo admirável.

Texto Marjorie Caturani Foto Max Schwoelk Cabelo Jonathan Collucc (Jack Simonéia) Maquiagem Tatiane Garcia (Jack Simonéia) Tratamento de imagem Rubens Borba 20

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Motivação é a palavra que define a estilista joinvilense Bruna Starling, 25. A perda da mãe logo no início da apresentação da marca, serviu como impulso para seguir em frente com o empreendimento. “Poucas coisas não têm solução. Os limites somos nós que colocamos”, declara. A marca completa quatro anos de existência neste mês. Passou rápido, e segundo a proprietária, tudo aconteceu naturalmente. Quando percebeu, já tinha feito o lançamento, distribuído bolsas e acessórios para lojas, participado de feiras em São Paulo e criado um site de vendas online. Bua, como é conhecida em casa, começou a criar as peças por causa do trabalho de conclusão de curso (TCC) de Design de Moda. Na época, ela nem imaginava que o seu TCC poderia se tornar um negócio próprio. “Produzir bolsas foi um desafio. Não tinha experiência alguma”, recorda. Para dar andamento e mostrar ao público a primeira

coleção, lançada em março de 2007, a estilista confeccionou 18 bolsas. “Comecei com alguns materiais alternativos, não utilizava couro ainda”. Ela lembra do início: “Minha primeira costureira foi a Lucila. Estava no prazo final para desenvolver as amostras para entregar a monografia e não havia feito nada, e ela me disse: “Nunca trabalhei com isso, mas a gente pode tentar”. E foi assim. Bruna fazia a modelagem e talhava, e a união dos lados era feita pela costureira. Nesta entrevista, a mulher com cara de menina conta como entrou no mercado de bolsas, o que pensa sobre a moda, o que a inspira e muito mais.

QUAL FOI O PASSO MAIS IMPORTANTE NESSES QUATRO ANOS? Foi organizar o comercial da marca, que não estava 100%. Como participo de feiras em São Paulo, consegui ter um ótimo número de clientes. Agora será possível abranger e dar atenção aos lojistas e clientes. Este ano também foquei no meu site, onde as internautas podem comprar. Essa jogada foi ótima para vender para outras cidades.

PARA VOCÊ, SÃO PAULO É O LUGAR ONDE A IMAGINAÇÃO SE TORNA REALIDADE E SANTA CATARINA O DOS EMPRESÁRIOS, OS INVESTIDORES. QUAIS OUTRAS DIFERENÇAS DESSES DOIS ESTADOS? São Paulo se comporta diferente de Santa Catarina, que se direciona para o mercado têxtil. As marcas que investem em criatividade se dão bem. Em Santa Catarina grandes estilistas souberam sacar isso. São Paulo tem essa habilidade para os negócios e na ampliação de marcas. Lá é perfeito para expor. Por isso resolvi participar de feiras.

AS PRIMEIRAS BOLSAS QUEM COMPRAVA? AS AMIGAS? Não. (risos) Logo após apresentar a minha monografia, em dezembro de 2006, houve interesse de algumas pessoas presentes no dia da minha banca e me perguntaram se eu iria comercializar. Quando vi, as portas foram se abrindo. Aqui em Joinville, a primeira parceria foi com a Andrelise (proprietária da Lalu). Mostrei os modelos para ela e propus a gente realizar um lançamento. E NA CONFECÇÃO, ATÉ ENTÃO, SÓ ESTAVAM VOCÊ E A LUCILA. Sim, só nós. QUANTAS BOLSAS VOCÊS CONFECCIONARAM PARA A NOITE DA ESTREIA? Foram dezoito para esse momento. Era um teste para ver como seria a aceitação. Com o tempo fui evoluindo na questão do material, técnica e acabamento. E NO INÍCIO QUAL ERA O SEU FOCO? Era e é a utilização do trabalho manual para diferenciar o meu produto. E para produzir há quatro pessoas. É o tipo de criação que necessita de poucos envolvidos. É uma dedicação bem especial em cima de cada bolsa. VOCÊ SE SENTE REALIZADA? Ah, eu sinto! É legal ver o que está acontecendo. Às vezes, têm os altos e baixos. Quando se está à frente de um negócio é preciso transmitir o espírito de positividade para quem está ao redor. É tão bom ser reconhecido e ver gente usando e elogiando os utensílios.

INSPIRAÇÕES. O universo das artes me serve como referência. Tento ser bombardeada por informações para poder filtrar o mais bacana e o que se encaixa nas peças. Crio algo que não seja apenas uma peça da estação, e sim um produto que marque determinada coleção. QUEM É A BRUNA? Ah, pergunta para outra pessoa (risos). A Bruna procura equilibrar o profissional com a vida pessoal para chegar num desenvolvimento completo. Busco ter um bom vínculo com quem trabalha comigo, são meus amigos. VOCÊ SEMPRE FOI TÍMIDA? Eu? Sim! Hoje sou tranquila. A marca me trouxe desafios, como dar palestras para falar sobre o que faço. Como é um assunto que faz parte do meu cotidiano, consegui me expressar, e a timidez foi ficando de lado. Mas o plateia assusta um pouco (risos). MODA. Meu segmento é a moda, mas não acredito nela. A proposta do mundo fashion é ser passageira, só que almejo um mercado menos descartável. É preciso repensar e ter o consumo consciente. Precisamos parar e refletir em questões ambientais e com isso comprar o suficiente. A moda me enjoa, às vezes. É melhor fabricar um produto que tenha durabilidade. E é o certo. NÃO GOSTA. Dos falsos valores. Um dia na vida vamos parar e pensar no que realmente importa, que são as pessoas. Nada adianta chegar onde quero sem ter elas por perto. Quero que cresçam comigo.

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1 - Lançamento da primeira coleção em 2007; 2 - Bruna aos 6 anos, com o irmão Felipe; 3 - Bruna aos 3 anos, em casa; 4 - Djalma (pai) e Bruna, aos 16 anos; 5 - Bruna no colo da mãe (Sônia); 6 - Felipe, Bruna aos 12 anos, Sônia grávida de Alex (irmão) e Lara (irmã).

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PARA TODOS OS GOSTOS A estilista gosta de fechar parcerias. Duas delas, uma com a estilista Fernanda Yamamoto e outra com a Pet Finess, empresa que traz sofisticação nos produtos para animais de estimação, aguçaram a criatividade dela para a produção de outros objetos. As coleiras, desenvolvidas por Bruna, foram mostradas no Pet Fashion Week de São Paulo. Esse evento passa por Tóquio e Nova Iorque, também. Para Bruna, ter parcerias é uma forma de se realizar. “Não me limito a produzir somente bolsas. Busco desafios”, conclui.

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HOT & SOPHISTICATED DO BEACHWEAR CHIQUE À BEIRA DA PISCINA, OS LOOKS SUPERSOFISTICADOS GANHAM DESTAQUE NOS DIAS E NOITES MAIS QUENTES. ESQUEÇA AS PEÇAS BÁSICAS! ESSE É O LEMA DA ESTAÇÃO DAS ESTILISTAS JOINVILENSES CAROLINA ZATTAR, LARISSA MINATTO E BRUNA STARLING.

Modelo Foto Cabelo Maquiagem Produção de moda Tratamento de imagem Locação Onde encontar

Joana Petry (DF Model) Max Schwoelk Jonathan Collucc (Jack Simonéia) Tatiane Garcia (Jack Simonéia) Camila Rosano Rubens Borba Residência Joinville Country Clube Lalu (Larissa Minatto e Bruna Starling) - (47) 3028-6981 Princesa (Carolina Zattar) - (47) 3422-5527 Danni (Calçados) - falecom@lojadanni.com.br


Biqu铆ni Larissa Minatto R$ 191,70 Rasteirinha Idarr么 R$ 185,00

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Mai么 Larissa Minatto R$ 218,70 Sapato Miezko R$ 299,90

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Vestido Carolina Zattar R$ 389,00 Sapato Luiza Barcelos R$ 319,90

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Kaft達 Carnaby Larissa Minatto R$ 260,70 Bolsa Bruna Starling R$ 659,90 Sapato Miezko R$ 319,90

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Macac達o Carolina Zattar R$ 470,00 Sapato Luiza Barcelos R$ 259,90

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Macac達o Carolina Zattar R$ 700,00 32

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BiquĂ­ni Larissa Minatto R$ 209,70 Sapato Miezko R$ 299,90

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Vestido Carolina Zattar R$ 492,00 Bolsa Bruna Starling R$ 659,50 Sapato Cecconello R$ 219,90

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Vestido Carolina Zattar R$ 389,00


FASHION TRENDS

NAS AREIAS

DO BRASIL

Os mil e um mercados da moda oferecem hoje, aos consumidores, os mais diferenciados e atrativos produtos em diversos segmentos. Os básicos masculino e feminino sempre estarão presentes, mas com o surgimento de novas oportunidades, segmentos até então nunca vistos ou explorados estão sendo gerados. Para esta edição escolhi falar sobre uma especialidade nossa, em que nós, brasileiros, somos conhecidos e prestigiados internacionalmente. A moda praia, mais conhecida como beachwear, deixou de ser simplesmente utilitária para os dias de verão. Tornou-se um grande negócio onde empresas do setor estão investindo em coleções inovadoras com matérias-primas arrojadas, maquinaria e mão de obra especializada. O Brasil hoje é lançador e ditador de tendências em biquínis e saídas de praia. O mercado externo vem buscar em nossas areias as novidades em design, estamparia, modelagem e, principalmente, em tecnologias que

possibilitam o estudo e o desenvolvimento de tecidos mais resistentes ao banho de mar e piscina, e mais apropriados aos dias quentes com ações antifungicidas, antibactericidas, com proteção solar e conforto térmico. Maria Odete Penteado, estilista e proprietária da Priori, marca joinvillense de beachwear, afirma: “O Brasil nos oferece 7.408 km de litoral, sendo que a maior parte tem calor o ano inteiro. Nada mais inspirador para inventar e reinventar a moda das “roupinhas” que nos acompanham ao mar. Sempre abundante em inovações de modelagem e matériaprima, este é um produto considerado indispensável na cesta básica dos brasileiros.” O biquíni não foi inventado por um brasileiro, e sim, por Louis Réard, estilista francês no ano de 1946, mas o aperfeiçoamento desta invenção é mérito nosso. Foi na década de 60, nas praias cariocas, que o biquíni entrou para a história, com a aparição de novos modelos – até um pouco escandalosos paraa época. Nas décadas seguintes, as opções

POR CAMILA ROSANO FOTO COLEÇÃO VERÃO 2011 PRIORI 36

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eram diversas e mais ousadas. Vimos surgir o famoso asa-delta, a calcinha fio-dental e o sutiã cortininha, o que agradou todos os tipos de mulheres. Após uma série de transformações (que andaram juntas com a moda e com o comportamento da sociedade), hoje, o beachwear brasileiro está presente em editoriais para revistas americanas e europeias, possui grifes que desfilam para as semanas de moda mais importantes do calendário, e é vitrine de uma moda tropical, que, de brinde, também divulga as nossas mais belas praias. Para este verão aposte na silhueta feminina bem delineada. Os recortes, as fendas, a cintura alta, os sutiãs e os maiôs de um ombro só terão espaço. As estampas e texturas de leopardo, crocodilo e phyton serão o carro chefe. O importante é escolher o modelo mais adequado ao seu biotipo, ele deve lhe deixar confortável e esteticamente bonita. E nunca esqueça, o sol brilha para todas!


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LOOK’S THIS

DAY PARTY

Vestido Oh, boy! R$ 248,00 Cinto R$ 44,00

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Blusa Vicio R$ 62,00 Shorts Vicio R$ 149,00

Blusa More by Trimix R$ 119,90 Saia Florida Kwi R$ 139,90


As Day Parties ganharam espaço na programação dos adoradores da música eletrônica, do sol e da curtição. Elas são a sensação do momento e acontecem durante o dia e ao ar livre: união perfeita para as melhores e inesquecíveis tardes. Seja em hotéis, baladas ou clubs, as Day parties já conquistaram os corações dos baladeiros. E para arrasar nessas festas selecionamos seis looks para você celebrar em grande estilo. ONDE ENCONTRAR AS PEÇAS: POÁ MULTIMARCAS SHOPPING CIDADE DAS FLORES, SALA 105 - TEL. (47) 3028-7089

Body Vicio R$ 73,00 Saia Oh, boy! R$ 188,00

T-shirt Oh, boy! R$ 98,00 Saia Paet Oh, boy! R$ 218,00

Modelo Gabriela Klappoth (DF Model) Foto Max Schwoelk Cabelo Ana Della Benetta (Jack Simonéia) Maquiagem Taynara Tonioti (Jack Simonéia) Produção de moda Camila Rosano Tratamento de imagem Rubens Borba Locação Residência Joinville Country Clube

Regata Oh, boy! R$ 39,90 Camisão Talita Kume R$ 179,90 Short Jeans Oh, boy! R$ 198,00

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CENTRO EUROPEU

O PERFIL DO NOVO PROFISSIONAL DE MODA, DOS NOVOS DESIGNERS Dinâmico e cada vez mais competitivo, movido por mudanças cíclicas e influenciado por tendências externas e internas - este é o mercado de moda no Brasil.

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Existe uma grande lacuna entre o conceito de moda apresentado pela mídia - revistas, desfiles, televisão - e o verdadeiro processo produtivo de moda, onde tudo começa, e onde estão concentrados inúmeros profissionais. Os bastidores tão pouco revelados acabam gerando certa ilusão de que este mundo é movido apenas por luxo e glamour. Quem atua neste outro lado sabe o quão complexo é fazer parte desta cadeia e, assim como todo segmento, necessita de conhecimento específico, atualizações constantes e preparo para lidar com o desconhecido. Até algum tempo atrás só ouvíamos falar em estilistas, costureiras e modelistas. Hoje existe um leque enorme de funções que, mesmo com papéis muito bem definidos, acabam complementando uns aos outros. Qualquer pessoa que atue nesta área deve ser capaz de identificar tendências, transformá-las em oportunidades e conseguir se diferenciar com produtos que sejam desejados pelas pessoas, principalmente pelas mulheres. Os produtos de moda atuam no topo da pirâmide de necessidades, ou seja, eles atuam diretamente no emocional das pessoas, na sensação de bem-estar, poder e status. Por isso, trabalhar com produtos de moda demanda um estudo profundo de comportamento, de análise de estilo de vida e, principalmente, um trabalho intenso em identificar

necessidades e desejos dos consumidores. Não basta apenas criar. O profissional de moda deve estar atento a tudo que acontece: são questões ecológicas, climáticas, tecnológicas e principalmente econômicas que interferem diretamente neste meio. Além disso, ele deve ser capaz de enxergar o processo produtivo como um todo, até o final da cadeia, quando seu produto chega ao mercado. Para isso deve conhecer as especificidades de cada etapa. E temos ainda o processo de gestão que permeia qualquer negócio. O controle financeiro, compras, planejamento de vendas, enfim, o controle amplo e sistemático que deve existir nas empresas. O profissional de moda não é obrigado a atuar na gestão da empresa, mas precisa conhecer os gargalos e saber analisar os custos, para que consiga lançar, por exemplo, uma coleção economicamente viável. Um designer de moda deve ser capaz de planejar sua coleção ou supervisionar um planejamento com base em um diagnóstico prévio de mercado, e possuir estratégias pré-estabelecidas para o seu lançamento, para que a sua marca se estabeleça neste mercado tão efêmero. É um processo que exige uma visão holística, dinamismo e muita determinação. Para tal, é fundamental que o profissional busque instituições com ensino de qualidade tanto para sua formação quanto para atualizações.

POR PRISCILA DAMIANI* FOTO ARQUIVO PESSOAL

*Coordenadora dos cursos de Design de Moda e de Gestão do Varejo de Moda do Centro Europeu. Professora de Marketing de Moda e Vitrinismo.

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OCEAN SIDE

SUR FISTA CRIA TIVO Petterson Thomaz é um atleta que transformou seu esporte favorito em trabalho e achou outra maneira de divulgar suas manobras além do campeonato: um blog!

PERFIL Nome: Petterson Pereira Thomaz Idade: 21 anos Patrocínios: Oceano, CT, Terral Surf Shop e Mckee Surfboards Prancha preferida: 5’4 Mckee Pico: Prainha, São Chico Viagem: México Campeonato: Pro Junior Europeu 2009 em Portugal Blog: www.handbaggage-blog.com

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1 - Dunas no norte do Peru; 2 - Rasgada em Lobitos, última viagem que fez; 3 - Rabetada no norte do Peru; 4 - Praça em Lisboa, Portugal.

Com o surf presente na família e a paixão pelo mar desde pequeno, era inevitável que Petterson se tornasse surfista. Tudo começou aos 6 anos de idade em Barra do Sul, onde foi adquirindo experiência até completar 12 anos, quando começou a disputar suas primeiras competições. Logo em seu ano de estreia, foi vice-campeão catarinense amador na categoria infantil. Com quase 14 anos, Petterson disputou o circuito brasileiro amador, sendo vice-campeão numa das etapas disputadas. Logo, o atleta se dedicou totalmente aos campeonatos. Dali em diante, foram títulos acumulados nas categorias Mirim e Junior no circuito Catarinense amador, e com sua excelente colocação no circuito Brasileiro amador, conseguiu uma das vagas brasileiras para disputar o Mundial Pro Junior em Portugal, ficando em 19º lugar. Mas foram em viagens com amigos para o Peru, Chile e México que Petterson passou a enxergar o surf com uma visão além das competições. O surfista percebeu que momentos de diversão e lazer poderiam fazer parte do seu trabalho. Em 2009 ele embarcou para Portugal (já atleta profissional de surf ) sem saber quanto tempo exatamente iria ficar no continente europeu. Acabaram sendo seis meses, nos quais o surfista trabalhou em pizzaria, foi sushiman, deu aulas de surf e até carregou galinhas em fazendas. Tudo para sustentar sua vontade de surfar. Quando chegou na Europa, conheceu José, distribuidor de pranchas por lá. Ele ajudou os garotos em suas primeiras semanas: “Se não fosse o Zé, nós não teríamos achado a ‘Máquina’”, Petterson conta. A “Máquina” era um veículo Nissan Micra, apelidado carinhosamente pelos atletas, que viajaram com ele por Portugal, Espanha e França. Ainda na Europa, o atleta decidiu correr a segunda etapa do Pro Junior Europeu, em Portugal, no qual sagrou-se campeão. Com a pre-

miação, ele e seu amigo Felipe terminaram de pagar o que deviam pela ‘Máquina’ e investiram na próxima etapa do Pro Junior, que seria na Espanha, onde Petterson também levantou o caneco de campeão. Durante a viagem pela Europa, surgiu a ideia de montar um blog. Então entre um intervalo de surf e outro, eles atualizavam o blog com vídeos, textos e fotos das sessões. A partir desta ideia Petterson começou a desenvolver mais o seu lado freesurf. Segundo atleta, tiveram sorte de não passar nenhum grande perrengue e conhecerem muitas pessoas legais. De volta ao Brasil, o surfista pensou em deixar as competições um pouco de lado: “Eu percebi que o blog era uma maneira de fazer meu marketing pessoal, pois divulgava meu trabalho e o que eu achava interessante do mundo do Surf”, conta o atleta que faz a própria edição do seu trabalho. Suas fotos e vídeos alucinantes fazem grande sucesso na web e renderam ao atleta o apoio da Oceano. Com isso, divulga seu trabalho em seu blog pessoal e no da própria marca. “Ter o surf como trabalho e poder divulgar para o público é sem dúvida o que mais gosto de fazer”, conta o atleta. O planejamento para o ano de 2011 está forte! Logo no começo do ano pretende voltar ao Chile com amigos para aperfeiçoar seu surf, curtir um visual diferente e dar muitas risadas. Além disso, deseja voltar a competir profissionalmente algumas etapas dos campeonatos e os famosos “air shows”. Tudo isso você poderá acompanhar diretamente via internet.

POR GUSTAVO PIAZ FOTO ARQUIVO PESSOAL revistaunit.com.br

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IN OUT

ORA, POIS, POIS

Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil em 1500. Agora é a vez da acadêmica de engenharia civil Camila Pelisser Nicolao, 21, explorar Portugal. Texto Marjorie Caturani Foto Arquivo pessoal

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CUSTOS Até fevereiro a estudante pretende gastar R$ 10.000,00, incluindo o valor das passagens de ida e volta (R$ 2300), € 600 mensalmente com moradia, alimentação, viagens e lazer em geral, correspondente a cerca de R$ 1400. O metrô de Portugal (pronunciado métro), segundo a estudante, é seguro, rápido, barato, não é lotado e passa a cada 2 minutos. O mesmo passe que ela pode utilizar para pegar ônibus (auto-carros), podemos usar para o metrô. “O ônibus é pontual e tem ar-condicionado. E o incrível é que o trânsito é tranquilo demais”, conta.

Ela chegou ao país em setembro deste ano, e retorna em fevereiro de 2011. Para não se esquecer de nenhum detalhe, ela criou o blog “Estudando em Portugal”, onde narra o seu dia a dia, as aulas e aventuras. No primeiro post, publicado em 29 de julho, a internauta já falava da espera pela data da viagem. “Sou ansiosa e por isso escrevo tudo lá. Vai ficar pra sempre guardado”, comenta. O país foi escolhido porque, desde que entrou na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), ela pesquisava a possibilidade de fazer intercâmbio na Europa. “A Universidade do Porto (UP) em Portugal me chamou atenção por ser a melhor do país e por ter o mesmo idioma do Brasil”, revela. A questão de gastos em relação os de outros países também foi decisiva. Camila aproveitou que restava apenas um semestre para concluir o curso superior em Joinville (SC) e foi para Portugal. “As disciplinas que faço aqui são do campo de Hidráulica, que pretendo seguir profissionalmente. Pude optar por minha área e cursar matérias

específicas, que não existem na Udesc”, frisa. Os estudos são gratuitos. A UP tem convênio com a Udesc, e oferece vagas para os alunos fazerem intercâmbio entre ambas. Os acadêmicos da UP têm a oportunidade de ir para a Udesc, se desejarem. “Sei que eles pagam algo relativo a 900 euros por ano. Chamam de pagamento de propina, porém é considerada uma universidade pública ainda”, explica. Nos finais de semana, Camila conhece os países vizinhos. Num deles, foi para Paris com um grupo de amigos e encontraram um rosto familiar. Estavam andando na rua quando um deles disse que achava que era o Seu Jorge sentado em um bar. “Passamos olhando e paramos uns 20 metros na frente. Nisso, o cantor levanta e vem em nossa direção e diz: “BRASILEIROS! O que tão fazendo aqui?” Ele ficou conversando com a gente e falou que ia fazer um show naquela noite. Disse que éramos de classe média alta! E nós rimos e falamos que éramos estudantes”, recorda.

Camila encontrou com Seu Jorge em outubro, em Paris

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DANCE FLOOR

NOVAS REGRAS Olá amigos leitores. Nesses dois meses de residência no velho mundo vivi algumas mudanças no quesito “balada”. Após anos acostumado com as belas noitadas no amado Brasil, para o lado de cá há muitas regras novas para eu me adaptar. No país em que moro atualmente Irlanda, fala-se muito em crise. Essa crise existe, mas não está muito visível na noite. Os pubs estão sempre cheios, e esse “sempre”, significa de segunda a segunda. Já os clubs começam a promover festas a partir de terça, e vão até domingo. A badalação por aqui é um costume que se inicia cedo: são normais as famosas festas “teenager” durante as tardes de final de semana. Dificilmente paga-se entrada de terça a quinta-feira as sextas e sábados são mais concorridos e, geralmente, têm grandes artistas da Europa e América do Norte. Em termos de atrações, toda semana tem um nome interessante da música eletrônica. Com a proximidade e o baixo custo de voos (programados) para cidades como Londres, Amsterdam, Paris, Madrid, Barcelona e todas demais badaladas cidades da Europa, tornam-se fáceis os acessos às melhores festas do mundo. O fato mais estranho daqui é o fim de noite, que acontece às 2h30. POR HUDSON PASSOS www.hudsonpassos.com.br 46

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Isso mesmo: duas e meia da manhã a luz acende e todo mundo vai embora, é lei nacional. Bons tempos em que nesse horário eu geralmente entregava a pista para o DJ convidado! A balada acaba cedo e começa o mundo dos “afters”, que acontecem após as 2h30 em mansões e hotéis de luxo, casas abandonadas e estações de trem e metrô. Sobre as tecnologias existentes para discotecagem, não existe nada de tão novo que não encontremos no Brasil. O que muda são os valores, resumindo: se no Brasil você gasta x para montar um estúdio, aqui você monta o mesmo com menos da metade. Isso explica um pouco por que é tão raro ver produtores brasileiros nas listas de tops mundiais. A arte da produção musical dentro do Brasil torna-se muitas vezes inviável pelo alto custo de bons equipamentos, deixando verdadeiros gênios da MEB (Música eletrônica brasileira) no anonimato. Nessa edição fico por aqui, na próxima relatarei um pouco mais das baladas tocadas e das experiências nas noites em Paris e Londres, e por onde mais conseguir girar. Abraços a todos.


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AGENDA

ESCOLHA O SEU REVEILLON

GREEN VALLEY

BOUTIQUE

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Reveillon Green Valley - Praia do Estaleiro - Guest House Reveillon com Pista de Frente para o mar, tenda Green Valley, backstage, piscina, duas pistas, show pirotécnico e muito mais.

Reveillon Boutique - Hotel Boutique Villas Del Sol Mar - Florianópolis. Os melhores nomes da música eletrônica nacional e mundial estarão no Boutique. A festa fica de frente para o mar, com acesso exclusivo à praia.

Reveillon Parador 12 - Jurerê Internacional - Florianópolis Junte a elegância da praia de Jurerê Internacional com um lugar despojado, atual e sofisticado. O espaço segue a linha dos maiores day clubs mundiais.

Atrações: Norman Doray Vácuo Life Rodrigo Vieira Ferris Hand’s UP Mashup Ik Garcia Rodrigo Kost Fabricio e Marcel Ragnar

Atrações: Roger Sanchez Shawnee Taylor Richard Grey Daniel Kuhnen Paulinho Boghosian The Beckers Tatiana Fontes Brych & Brandz

Atrações: Grant Nelson Phonique David Dann Gui Boratto China Renee Mussi Ale Reis Ely Yabu

PACHA FLORIPA

KIWI

TAIKÔ

Reveillon Pacha - Jurerê Internacional - Florianópolis Com mais de 40 anos de história e clubs nas principais cidades do mundo como Ibiza, Marrakesh, Londres, Nova York, Buenos Aires e Madri, a Pacha Floripa não se firmou apenas como um lugar para ir e sim uma maneira de se divertir, um lugar onde a música é o veículo de liberdade e desejos, ou seja, um estilo de vida.

Reveillon Kiwi Bar - Praia Brava - Itajaí Em um lugar paradisíaco sonhos acontecem

Reveillon Taikô - Florianópolis A tradicional festa da virada no luxuoso balneário de Jurerê Internacional promete a melhor edição de todos os tempos!

Atração: Life is a Loop 48

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Atrações: Morets Guided By Fun Lisa Kensington Giuliano Ben

Atrações: Sharam Edgard Fontes


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SINTONIZE

CALIFORNIA AND BRAZIL Ele gostaria de ter nascido há cem anos. “Seria mais simples. Sou uma alma antiga perdida no corre-corre atual. Nosso mundo exige bastante de nós”, analisa. Colby Lee é músico e apaixonado pela profissão. Há dez anos ele saiu da Califórnia (EUA) para viver no Brasil. A adaptação com a língua portuguesa foi tranquila. Texto Marjorie Caturani Foto Arquivo pessoal

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Seis meses conversando com brasileiros, o californiano já entendia o sentido das frases e se comunicava bem. “Fazia questão de compreender o conteúdo das conversas e prestava atenção na linguagem corporal”, lembra. A música está no sangue de Colby. O pai, irmãos e tias são envolvidos com as notas musicais. Desde cedo, o músico convivia ao redor de instrumentos, como viola, piano, banjo, mandolina. “Nunca fui forçado a tocar. Peguei o jeito lendo, tocando e escrevendo músicas”, revela. Hoje, aos 30, Colby se define como uma pessoa simples, que curte a natureza e a vida. “Me sinto como tivesse metade disso, sou menino por dentro”, brinca. Ele encontrou em Balneário Camboriú um pouco da Califórnia. “Os dois lugares têm muito em comum. A vibe do litoral, do surf, de música. Califórnia é mais hippie e em Santa Catarina tem aquele feeling das horas que parecem passar devagar”, afirma. Antes de morar em Balneário Camboriú, o músico trabalhava em

uma estação de esqui na Califórnia, onde viveu três anos nas montanhas fazendo snowboard com brasileiros, peruanos e chilenos. Colby fez amizade com um florianopolitano que contava como era no Brasil, falava das praias e do calor. “Depois de três anos escutando sobre aqui, lá na neve, fui obrigado a conhecer esse país, que me levou a um casamento, uma filha, e uma carreira na música. Eu não consigo me imaginar longe desse país querido”, conta o cantor, que só volta à terra natal para visitar a família. “Eu amo o Brasil”, declara-se. Há pouco tempo, Colby realizou o sonho de ter seu primeiro CD, gravado na Califórnia: “Ainda moleque, queria ter a minha banda e minhas músicas”. O lançamento do The Sun King, da Colby Huston Band é para este mês. A maioria das letras fala do rei do sol, a rainha da lua, as crianças das estrelas. “É uma pira minha usar os planetas, as mudanças entre dia e noite, as variações astrológicas. A vida é um grande ciclo, e o sol, para mim, é o símbolo perfeito”. No show, a banda toca músicas próprias e alguns covers.

Tá afim de conhecer o som de Colby? Acesse: http://palcomp3.com/colbyleehuston revistaunit.com.br

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SAÚDE

FORTE E DINÂMICO Já imaginou aliviar o stress, reeducar a respiração e ganhar flexibilidade? O Método De Rose é a atividade que tem como objetivo proporcionar uma melhor qualidade de vida aos seus praticantes. Quem se exercita sabe como as aulas, aliadas ao convívio em grupo, ajudam na procura do que cada um tem de expectativas pessoais. O proprietário e instrutor da Uni-Yoga, Gustavo Marson, diz que a aula prática foca concentração e a parte física. “O De Rose é forte, dinâmico e para mentes jovens”, completa. Mas o método vai além das aulas práticas. Estão inclusos nessa vivência cursos, workshop, festas, jantares e viagens responsáveis por direcionar o comportamento dos indivíduos.

Os iniciantes têm aulas específicas, onde aprendem as técnicas de respiração e as primeiras posições corporais. A capacidade de realizar todos os exercícios depende do aluno e pode levar de seis meses a um ano. E o aperfeiçoamento da técnica acontece quando se mantém o treino por muito tempo. As aulas práticas têm duração de 55 minutos e podem ser feitas de uma a cinco vezes por semana. A outra parte da aula são as atividades que visam aumentar a integração entre os praticantes, como passeios e jantares. Geralmente acontecem nos finais de semana. Uma vez por mês o instrutor e um aluno, por exemplo, preparam um prato bonito, saboroso e saudável. “Esse é um

momento de aprimorar mais a alimentação e a convivência do grupo. Assim, cria-se um círculo de amizade”, explica. O Método De Rose só é bem aplicado quando se segue os conceitos e as técnicas. “Nessas atividades é possível rever os conteúdos desse conjunto, como boas maneiras, boas relações humanas, boa cultura, boa alimentação, civilidade e ética”, completa. Já na técnica, é desenvolvida a consciência corporal, boa forma, tônus muscular, flexibilidade, administração do stress, respiração, concentração e meditação. O principal objetivo é ter uma vida descomplicada e fazer o que dá prazer, com alegria, saúde e bem-estar.

Texto Marjorie Caturani Foto Rubens Borba/Max Schwoelk

A analista de sistemas Maria Carolina Köpp, 23, pratica De Rose desde maio de 2009. Ela começou a fazer as aulas, porque procurava o aprimoramento pessoal. E foi no método que ela encontrou uma proposta de qualidade de vida diferente de qualquer outra que já havia experimentado. “Sem estereótipos, sem imposições, são apresentadas lições e técnicas que, de acordo com o que o praticante se identifica e resolve adotar, fazem com que se trabalhe aspectos físicos e comportamentais”, ressalta. Além de dar a ela uma evolução contínua e progressiva, a aluna convive com pessoas que buscam o mesmo objetivo: uma filosofia de vida saudável.

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MÉTODO DE ROSE Em Joinville há dez anos, a Uni-Yoga disponibiliza o Método De Rose para pessoas que querem aprimorar as condições de vida. O proprietário e instrutor Gustavo morava em São Bernardo do Campo (SP) e decidiu expandir o ensinamento para cá. “Escolhi Joinville porque é uma cidade que já oferece uma qualidade de vida, diferente de outras”, conta. Hoje, 170 alunos estão matriculados na escola. As aulas também são dadas nas grandes academias, condomínios e empresas da cidade, com o trabalho terceirizado da equipe.

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COMPORTAMENTO

ELES TÊM A TECNOLOGIA NA VEIA, SÃO ALEGRES, DESAFIADORES, IMPACIENTES, CRÍTICOS, DISPERSOS. SÃO DE UMA GERAÇÃO COM A AUTOESTIMA ELEVADA, SÃO MAIS RECEPTIVOS ÀS MUDANÇAS, LUTAM POR SALÁRIOS ALTOS DESDE CEDO, SÃO DISPOSTOS, REALIZAM MÚLTIPLAS TAREFAS, ALTERAM OS HORÁRIOS DE COMPROMISSO COM FACILIDADE. ELES SÃO A CHAMADA GERAÇÃO Y, GERAÇÃO GAME-OVER OU GERAÇÃO MIMADA, E CORRESPONDEM A 30% DA POPULAÇÃO BRASILEIRA. ESSES JOVENS FORAM CONCEBIDOS NA ERA DIGITAL, ENTRE 1978 E 2000.

Texto Marjorie Caturani Foto Max Schwoelk Tratamento de imagem Rubens Borba 54

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Paola Mandelli (esquerda) e Amanda Mosimann (direita) com os brinquedos que marcaram suas infâncias.

GERAÇÃO Y revistaunit.com.br

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E esse grupo foi influenciado por lan house, Power Rangers, baladas, acontecimentos históricos como o 11 de setembro e o tsunami, MSN, shopping, redes sociais, Big Brother Brasil, meio ambiente, causa social, academias de ginástica, noites mal dormidas, influência da mídia. Só para contextualizar: a Geração Y é o assunto do momento. Os jovens que pertencem a esse grupo têm preocupado 64% dos empresários brasileiros. Segundo o consultor organizacional e presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) de Joinville Pedro Luiz Pereira está cada vez mais difícil ter profissionais qualificados e permanentes. O pessoal da Geração Y é mais exigente que os das outras gerações. “Eles trocam de emprego, trabalham para viver, almejam a satisfação pessoal, qualidade de vida e querem ser felizes. Se eles não estiverem contentes no ambiente de trabalho, procuram outro”, completa. Pereira ressalta que é possível liderar essa

TRADICIONAIS (até 1945): É a geração que enfrentou uma grande guerra e passou pela Grande Depressão. Com os países arrasados, precisaram reconstruir o mundo e sobreviver. São práticos, dedicados, gostam de hierarquias rígidas, ficam bastante tempo na mesma empresa e sacrificam-se para alcançar seus objetivos. BABY-BOOMERS (1946 a 1964): São os filhos do pós-guerra, que romperam padrões e lutaram pela paz. Já não conheceram o mundo destruído e, mais otimistas, puderam pensar em valores pessoais e na boa educação dos filhos. Têm relações de amor e ódio com os superiores, são focados e preferem agir em consenso com os outros. GERAÇÃO X (1965 a 1977): Nesse período, as condições materiais do planeta permitem pensar em qualidade de vida, liberdade no

Na edição número 4 da Unit, perguntamos aos leitores na coluna “Fala aí”: O que havia em sua infância que falta para as crianças de hoje? Agora, a questão foi respondida pela psicóloga Patrícia Volpato. Para ela, o fato da maioria dos pais trabalharem o dia todo, os filhos acabam ficando aos cuidados de outras pessoas. E é aí que a TV, o computador e o videogame ganham espaço no cotidiano das crianças. “Devido a esse tempo escasso, os responsáveis não estimulam as brincadeiras ao ar livre. A tecnologia e informações sempre vão existir, porém quem vai dosar isso é família”, completa. Para que a criança alcance a fase adulta com um bom desenvolvimento, precisa ter desde o início um meio estimulador, seja com videogames, subir em árvore, pular, correr, que ative áreas cerebrais para o processo da leitura e da escrita, por exemplo. A psicóloga destaca a super proteção como principal problema na educação. Já nos primeiros meses até os dois anos, toda criança tem um desempenho neurológico significativo que vai determinar muitas

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turma, basta deixá-los participar de reuniões e discutir ideias. “Eles precisam entender o porquê de atender bem o cliente”, exemplifica. Outro problema é o método de ensino para essa geração. De acordo com a Unesco, os índices de repetência e abandono da escola no Brasil estão entre os maiores da América Latina. No país, 13% largam os estudos no 1º ano de ensino básico. O curto período de concentração (sete minutos) dos estudantes explica o porquê. Para manter a atenção em uma aula ou reunião, os nascidos nessa época têm que interagir e se sentir parte das decisões. “Se não mudar a maneira da aprendizagem, será complicado para a Geração Z”, prevê.

trabalho e nas relações. Com o desenvolvimento das tecnologias de comunicação já podem tentar equilibrar vida pessoal e trabalho. Mas, como enfrentaram crises violentas, como a do desemprego na década de 80, também se tornaram céticos e superprotetores. GERAÇÃO Y (a partir de 1978): Com o mundo relativamente estável, eles cresceram em uma década de valorização intensa da infância, com internet, computador e educação mais sofisticada que as gerações anteriores. Ganharam autoestima e não se sujeitam a atividades que não fazem sentido em longo prazo. Sabem trabalhar em rede e lidam com autoridades como se fossem colegas de turma. Fonte: Revista Galileu

habilidades para o seu futuro: “Quanto mais exercitado for, mais redes de neurônios serão criadas e mais esse cérebro estará preparado para ensinamentos futuros.” E é por isso que a Geração Y é conhecida por uma geração de jovens mimados. Filhos que foram protegidos quando pequenos, sem vivências e experiências. Até a adolescência, o cérebro também está em formação. Por isso que todos os estímulos que forem dados formarão conexões, que dizem que o cérebro está mais veloz. Mas Patrícia aponta pontos positivos do contato com a tecnologia. “O videogame, computador e TV ajudam as crianças a terem noção de estratégia, de cálculos aritméticos, interpretação, raciocínio rápido e a solucionarem problemas. Só que isso tem que contrabalancear com outras atividades, como jogar bola, montar quebra cabeça, jogos de tabuleiro. É preciso dosar. É extremamente importante a estimulação variada. A mãe o pai podem escolher o que desejam para o seu filho”, finaliza.


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O QUE TINHA NA INFÂNCIA DE VOCÊS E QUE FALTA PARA AS CRIANÇAS? AMANDA: Inocência e humildade. Essa liberdade sem medida da internet tem uma função fundamental na precocidade dessas crianças, nas pessoas que elas serão. Me lembro das tardes que com 8 anos de idade fazia jarras de suco de limão e ia vender na frente de casa com as minhas amigas. PAOLA: Limites. É comum ver crianças mandando, a falta de respeito rolando solta, a falta de voz dos pais. Na minha época só a expressão da minha mãe já dizia tudo, aquele olhar de lado que eu já murchava e pensava “pronto, vou levar uma surra”. DO QUE VOCÊ MAIS SE LEMBRA? AMANDA: As melhores lembranças da minha vida foram com os meus avós. O bolo de laranja do seu Darcy, dos nossos passeios aos sábados em que eu ganhava um papel de carta pra minha coleção. Saudades da dona Marta que fazia casacos de lã pra mim, daqueles bem coloridos que não combinavam com nada, mas que eram lindos. Ela me paparicava com sonhos recheados de goiabada, regados a muito Toddynho. As noites de inverno em que eu dormia com ela debaixo daquelas cobertas pesadas, que não se encontram mais. Saudade da casa na árvore que meu avô Ayrton me deu, do cheiro dos quadros da galeria de arte da avó Marina... PAOLA: Lembro das brincadeiras em grupo, da turminha. De descer para o playground do condomínio e passar o dia brincando, ir na piscina, tocar a campainha dos outros e fugir (e das broncas do porteiro), de precisar pedir para ir brincar ou sair do condomínio. De pegar lençol e grampo de roupa para montar cabaninha no quarto. De “descer porrada” no meu irmão mais velho e me trancar no banheiro pra não apanhar. QUAIS ERAM AS ATIVIDADES OU BRINQUEDOS PREFERIDOS? AMANDA: Como toda boa criança, eu gostava de brincar com os brinquedos dos amigos Como eu sempre quis uma casinha de boneca e nunca tive, brincava com a da minha vizinha, que tinha um fogãozinho elétrico. Passávamos as tardes fazendo bolinhos de barro e servindo “café” para as bonecas. Adorava pular elástico no intervalo do colégio e sequestrar joaninhas no meu apontador de lápis. Dos meus brinquedos, os que eu mais amava eram minhas bonecas, Pogobol, Roller, o Super 58

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Nintendo do meu irmão e o meu Primeiro Gradiente que não consegui guardar. Depois de anos encontrei em um sebo e, como nostálgica que sou, comprei e guardo com carinho como se fosse o meu de anos atrás. PAOLA: Brincar de polícia e ladrão, Barbie, jogar Banco Imobiliário, Imagem e Ação, Jogo da Vida, vídeo game Super Mario e Street Fighter. VOCÊS ACHAM QUE TIVERAM UMA INFÂNCIA SAUDÁVEL? PAOLA: Certeza. Corria, nadava, sempre estava em movimento. Comi muita porcaria, mas me mexia tanto que era uma seca magrela. AMANDA: Sim, tive uma infância saudável. Me divertia e convivia com muitas outras crianças. Não me recordo de nenhuma vez em que os meus pais tenham me dito que eu não poderia fazer alguma coisa. Eles apenas me alertavam para as consequências. VOCÊS SE RECORDAM DE UMA HISTÓRIA QUE AS MARCARAM? AMANDA: Quando eu estava com 10 anos conheci uma garota que tinha 22 anos. Ela me contou que era punk e tentou me explicar do que se tratava o movimento e como eles se vestiam. Moral da história: desço a escada da minha casa com uma camiseta toda rasgada e escrita PUNK de canetinha colorida, uma meia fina enrolada no pescoço, e pasme, com pregos de aço que peguei da caixa de ferramentas do meu pai, enfiados na meia. Meus pais choravam de tanto rir e eu, claro, fiquei magoada (risos). Coisas da “pré-aborrescência”. PAOLA: No meu aniversário de 11 anos minha mãe me arrumou inteirinha, fez escova no meu cabelo, comprou meu primeiro salto alto (2 centímetros) para na metade da festa, antes do parabéns, eu estar imunda, descabelada, descalça e ainda ter feito cada pé do sapatinho novo de trave do gol. Minha mãe não sabia se ficava decepcionada ou se parava de rir. QUANDO FOI O PRIMEIRO CONTATO QUE VOCÊS TIVERAM COM UM COMPUTADOR? PAOLA: Eu tinha 7 ou 8 anos, e meu pai comprou um IBM, Windows 96, daqueles que a CPU era colocada na horizontal embaixo do monitor. Minha mãe contratou um professor que dava aulas para mim e meu irmão. O computador ficava no quarto dela e não podia vasculhar a todo instante.

Como lá em casa sempre teve regras, a gente chegava da escola, almoçava e estudava até as 15h. Havia um joguinho, que veio junto com o computador, de fazer cartinhas, jornalzinho e pintar. Só com 12 anos é que fui me interessar por jogos de computador como The Sims e aprender a usar o ICQ. AMANDA: Acho que foi aos 13 anos. Eu era nova e aquilo tudo era difícil, mas interessante. Adorava o MIRC. Como banda larga era para poucos naquela época, eu esperava dar meia-noite pra conectar. Ao mesmo tempo em que fiz muitos amigos que convivem comigo até hoje, acho que eu não tinha idade suficiente para tudo aquilo. Não permitiria um filho meu com toda aquela liberdade. A GERAÇÃO Y CRESCEU EM UMA DÉCADA DE VALORIZAÇÃO DA INFÂNCIA, COM INTERNET, COMPUTADOR E EDUCAÇÃO MAIS SOFISTICADA QUE AS GERAÇÕES ANTERIORES. GANHARAM AUTO-ESTIMA E NÃO SE SUJEITAM A ATIVIDADES QUE NÃO FAZEM SENTIDO EM LONGO PRAZO. SABEM TRABALHAR EM REDE E LIDAM COM AUTORIDADES COMO SE ELES FOSSEM UM COLEGA DE TURMA. PARA VOCÊS, ESSA DEFINIÇÃO É CORRETA ? PAOLA: Esta é uma geração que cresceu sim com a internet, com a tecnologia e com individualismo. A autoestima e as formas de lidar com autoridades mudam de acordo com a educação recebida. Alguns pais seguiram a linha de seus antecedentes: rígidos, autoritários e sem diálogo. O que deixou a criança fechada, introvertida e insegura. Outros acreditaram no inverso: para compensar, deram aos seus filhos, da geração Y tudo que não tiveram: presentes, atenção e muitas atividades extracurriculares, o que tornou seus filhos confiantes e com uma autoestima forte. AMANDA: Não acho que essa definição me descreva. Não sou o tipo de pessoa que passou a vida inteira sendo mimada e não sabe respeitar as outros. Num dia desses, estava assistindo a um concurso de beleza de meninas de 8 anos e, ao perguntar sobre o que elas queriam ser quando crescer, as bonequinhas de maquiagem e cabelo alisado responderam: ‘Médica, porque eu quero ter bastante dinheiro’, ‘Modelo, pra ganhar dinheiro’. Dessas tantas ambiciosas precoces, uma falou: “Manicure, porque eu gosto de pintar a unha da minha mãe”. Talvez seja isso que falta nessas crianças: infância.


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CLICK UNIT

DAVID GUETTA 06 de Novembro - Green Valley - Balneário Camboriú/SC

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MIMS 20 de Novembro - Moom Art’n Music - Joinville/SC

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BLÁ BLÁ BLÁ

Ta sentindo? Aquela sensação boa de dever comprido. Ao mesmo tempo em que alguns fogos de artifício adiantados fazem você lembrar - ou esquecer - que a festa vem chegando ao fim. Acabou! As aulas da faculdade, os compromissos inadiáveis, as estreias complexas, os desafios diários, o trânsito maluco, os cachorros latindo - agora eles dormem. Ufa, passou, você venceu! Consegue perceber o quanto é bom estar aqui, nessa data? Quantos ficaram pelo caminho? Foram fazer o seu moowalk em outro lugar, partiram pro outro lado da vida, mas você prevaleceu, por divina comédia ou puro capricho! Faça a sua aposta, pois você ainda está no páreo! E tem quantas apostas você quiser fazer em você mesmo! Eu faço todas e muito mais! Sem medo de promessa não paga. Se ano que vem não der, pendura! Mas vai dar, certeza! Fé. Consegue ver? Se preciso, abra janelas duas ou três - quantas forem preciso, ele está na porta: 2011 já chegou! POR BRUNO VINÍCIUS 62

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Que venha cheio de crises, problemas e aquecimentos. Medo de viver não é com a gente. Ano ruim aqui não existe. Se o mundo acabar a gente reinventa! Abra os braços! É isso mesmo, você merece, a vida pede um abraço e o momento pede bis! Será que você entende realmente o que significa um ano novo? Meu amigo, significa que você foi mais uma vez escalado no time da vida. Não é otimismo demais. Sem essa de positividade. Energia, vibração! Chuta, mas não é macumba! É a vida em 365 chances de recomeço ou continuação. Ah, Deus gosta mesmo de você, não é uma questão de morte aos desgraçados, mas vida aos agraciados! Se ligou no amor? Já chegou aí, percebeu? 2011 na sua melhor performance! Deus em alta resolução e você no melhor momento da sua vida! Feliz ano novo. É o seu momento, você pediu bis, e não é que Deus ouviu?! Aproveite sem moderação - porque pra quem sabe viver, a vida não tem censura! Grande abraço!


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