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Dr. João Silveira

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A Associação e a Cooperativa têm o mesmo ADN.


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(...) E como é que define o perfil da Udifar? Vejo três tipologias de empresas: as que fazem, as que dizem “esta já faz” e as que dizem “nem sabia que isso era feito”. Nós estamos a tentar andar na primeira linha, nas que fazem. A nossa companhia é muito sui generis: tem um volume de faturação brutal e é praticamente desconhecida, porque não trabalha com o público de uma forma normal.

Essas lojas também não têm robôs lá atrás. Mas nem todas as farmácias têm robôs: são claramente a minoria. E para poderem ter a farmácia projetada para a frente, têm de aliviar o seu peso de back office. No fundo somos o lado silencioso das farmácias. Compreendo que, para o utente, quando não há processos comparativos, haja maior dificuldade em valorizar as coisas. Se as pessoas visitassem as farmácias espanholas chegavam à conclusão de que as nossas são melhores. As farmácias em Portugal sempre estiveram em contraciclo com o país e um passo à frente na Europa. São o ponto de venda com um dos piores rácios entre a margem que é atribuída e a performance que tem. Isto é, uma muito boa performance com margens relativamente pequenas, ao contrário do que as pessoas pensam. Às vezes não entendo o que é que as pessoas querem. Se temos PME de muito sucesso, são quase um alvo a abater. Mas se têm pouco sucesso e não dão dinheiro é porque não se sabem organizar. (...)

Pedro Pires Entrevista ao Jornal i de 7 fevereiro 2011

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Mas fazem-no de forma indireta. Trabalhamos com o público através das farmácias, que no fundo são os nossos clientes. E quanto melhor for o serviço que prestamos, melhor é o serviço que as pessoas têm no seu quotidiano. Somos o back office das farmácias onde operamos, 1300 farmácias de Coimbra para baixo. Não é estranho como é que uma farmácia presta este serviço, tem farmacêuticos ao balcão, um atende, o outro faz, temos produtos, apenas com este universo de pessoas? Uma loja de outra área não tem esta eficiência logística, capacidade de resposta, know-how…


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1ª página campanhas literatura incluída uma farmácia carrinhas grécia parlamento europeu polónia espaço www progressos na saúde news escapadela em primeira mão… atrás do balcão

ficha técnica

10 Farmácia Suissa Todos os partidos políticos têm nos seus programas a prescrição por DCI. O governo tem no seu programa a prescrição por DCI. Agora que finalmente iríamos ter uma legislação equilibrada sobre o assunto, contra todas as expectativas vem o Senhor Presidente da República impedir que se progrida, por razões meramente políticas, pois as fundamentações técnicas não fazem qualquer sentido.

24 Progressos na Saúde: previsões para 2011 Depois de em 2010 termos assistido a avanços extraordinários na medicina e ciência que conduziram, por exemplo, à cura de um homem com Sida, procurámos as previsões para 2011 em termos de progressos na área da medicina.

Editor José Luís Nunes Martins - jose.martins@udifar.pt Concepção e Paginação Barros Design Fotografia Benjamim Silva Enric Vives-Rubio Fotolia Colaboração Ema Monteiro Impressão Retaguarda Tiragem 3.500 exemplares Distribuição Gratuita para Farmácias, Instituições e Empresas do Setor Propriedade e Administração UDIFAR Av. Marechal Gomes da Costa, 19 – 1800-255 Lisboa

28 Óbidos A jóia das rainhas Com uma localização privilegiada, a “mui nobre e sempre leal” vila de Óbidos é uma jóia que brilha desde tempos imemoráveis, renascendo e reinventando-se a cada dia, mas sempre mantendo uma altivez digna de uma rainha

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www.udifar.pt


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campanhas

Resolvemos alargar as Campanhas Especiais Udifar à zona norte de Portugal. A recepção por parte dos colegas do Norte foi generosa

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e depois de ultrapassados incontornáveis procedimentos administrativos iniciais foi possível entregar as primeiras banheiras Udifar a Farmácias que nunca nos tinham feito uma encomenda. As Campanhas Especiais Udifar são um serviço diferenciado que permite uma vantagem financeira através da concentração num pedido quinzenal. Logisticamente, a Udifar entrega, de uma vez só, um volume de encomendas normalmente dispersas em diferentes dias. Esse é o principal pressuposto que garante que este alargamento em nada afeta a nossa operação com as Farmácias que já depositam em nós a sua Confiança e as suas encomendas!


Produto Nº199901

Campanhas Especiais Udifar

(débito directo)

29,35% +0,5%

TODOS os meses de 1 a 5 e de TODOS os MSRM

16 a 20


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, o m o r c o r u c r e M r o m A Meu

literatura incluĂ­da


literatura incluída Havia também, lembro-me, o Merthiolato e o Iodisis. Citá-los aqui, mesmo para plateia esclarecida de farmacêuticos, estou certo que causará o mesmo efeito que citar o «Cowboy em África», série de televisão que não perdia com a primalhada, mas de que hoje ninguém se lembra, nem mesmo a primalhada. Eu lembro: e conforta-me a ideia de que viverei o resto da vida comigo próprio, e de que poderemos sempre conversar sobre o Cowboy em África. Quando e se o Alzheimer chegar, esse chato com quem não aprendemos nada e que nos faz esquecer tudo o que de bom sabemos, espero que, mesmo que me esqueça de tudo o resto, fique memória do Mercurocromo, do Merthiolato, do Iodisis e do Cowboy em África. Hoje em dia há o Betadyne que substitui tudo isso (menos o Cowboy em África, eventualmente) com vantagem, tenho de reconhecer. Se dúvidas tinha, perdi-as quando, depois de queimar uma mão com gás natural em chamas, segundo grau, a enfermeira me limpou as mazelas com Betadyne, sem sofrimento de maior, posto que em parte embalsamado pelos dotes físicos e a voz da menina. E suspeito que um outro escriba que a estas horas está a esmurrar os joelhos falará daqui a vinte anos do Betadyne como eu falo do Mercurocromo. Eu próprio podia falar do Betadyne como falo do Mercurocromo. Mas não era, não é, a mesma coisa.

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uando eu, jovenzinho, que jovem era, esfolava os joelhos, o que acontecia, dia sim dia sim, o Mercurocromo, com letra grande, sarava-me as feridas com o mesmo carinho que a minha Mãe, mas sem me ralhar, ao contrário dela. Não fazia perguntas: nem como, nem porquê, nem com quem, nem ameaçava com punições caso arranjasse novos ferimentos no dia seguinte, que arranjava, invariavelmente, como o dia após a noite e a noite após o dia. É certo que a minha Mãe nunca cumpria as ameças, mas o Mercurocromo pura e simplesmente não as fazia. E se eu, obedecendo a um instinto prazenteiro primevo, arrancava as crostas apetitosas e altas e crocantes que se iam formando, o Mercurocromo voltava ao trabalho com a mesma paciência de sempre, sem uma recriminação, sem um queixume. O Mercurocromo, esse meu elixir da juventude, foi proscrito. Não mais Mercúrio na Terra! - prescreveu alguém. E o meu bálsamo prescreveu, abrangendo o anátema também os velhos termómetros, certamente por razões ponderosas. Mas eu sinto-me invadido de um difuso sentimento de culpa. Algures in illo tempore, deixei que o meu anjo curador fosse posto na prateleira, aliás, fosse tirado da prateleira, sem que eu nada fizesse, porque nem de nada soube tão pouco, e quando soube era tarde. Um pouco como um amigo que foi parar à prisão por causa justa, mas a quem não visitei, e por quem não disse uma palavra de abono.

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uma farmácia

Dr. João Silveira

Nós, pequenos como somos, se não estivermos juntos, aos mais diferentes níveis de intervenção, estamos perdidos.


uma farmácia

Que ideia tem do curso atualmente? A Farmácia é uma das profissões mais interessantes e relevantes do ponto de vista social, exatamente pela importância que temos junto da população, quer para o seu bem-estar quer para a sua saúde, prevenção, recuperação, etc.. Julgo que a atividade de Farmácia, pelo papel que tem na relação com a população, é riquíssima. Relativamente à preparação que o curso nos dá, e hoje mais do que nunca, nenhum curso prepara as pessoas para saberem fazer tudo na sua área de atividade; o mérito que o curso tem que ter, melhor ou pior, é o de lançar as bases que permitam abrir as mentes, dar uma formação de base científica e humana, uma base que permita fazer face aos diferentes obstáculos que há a ultrapassar. Depois, cada um tem a obrigação de se ir formando, ajustando e adaptando os seus conhecimentos às diferentes solicitações. Hoje, o balanço que faço dos meus Colegas licenciados, incluindo os mais jovens, é que vêm adquirindo uma preparação muito razoável, o que permite olhar o futuro com con-

fiança. Têm sucesso na farmácia, nos hospitais, na indústria: temos farmacêuticos em grande destaque e com responsabilidade nas várias áreas desde a direção geral de uma companhia à área técnica, registos, qualidade, ensaios clínicos, marketing, informação médica, enfim, uma panóplia de farmacêuticos muito bem preparados, naturalmente com formações complementares, que têm respondido muito bem aos desafios. Se olharmos para os últimos 20 - 30 anos, e olharmos para o país, verificamos que em Portugal,

se algo evoluiu de uma forma bastante positiva e que até pede meças a qualquer país desenvolvido, é a Farmácia e, claro, isso deve-se aos farmacêuticos. Quão importante foi a união da classe? Nós, pequenos como somos, se não estivermos juntos, aos mais diferentes níveis de intervenção, estamos perdidos. Veja-se o que acontece à nossa volta, na atividade de pequenas empresas, quer comerciais, quer industriais em que de uma

em Portugal, se algo evoluiu de uma forma bastante positiva e que até pede meças a qualquer país desenvolvido, é a Farmácia e isso deve-se aos farmacêuticos.

forma isolada e individualista, uns já acabaram e outros têm os dias contados, enquanto nós temos tido um mérito extraordinário, e aí tenho muito orgulho em ser farmacêutico, em ser membro da Associação, e também sócio da cooperativa Udifar, pois tal significa que conseguimos, pequeninos, com inteligência, com equidade, com visão, com capacidade de organização, mas unidos, conseguimos chegar onde chegámos... e ainda temos um grande caminho a percorrer. Que recorda da sua passagem pela Ordem? Talvez o orgulho e o privilégio de ter sido eleito pelos farmacêuticos para ser seu Bastonário. A Ordem tem funções muito importantes que são

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Uma pergunta simples: Como chegou a Farmácia? Foi uma opção completamente livre. Não há dúvida que, ao optar por Farmácia, tive uma influência familiar bastante positiva – o meu pai era farmacêutico, tinha Farmácia, o meu avô era farmacêutico... isso deve ter-me condicionado, ou melhor, influenciou-me para algo de que não estou nada arrependido.

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uma farmácia uma conquista política e profissional dos farmacêuticos. Pese embora hoje o poder político se esforçar por banalizar as Ordens. Antes, eram quatro e agora temos mais de dez... Para nós, como para os Advogados, para os Engenheiros, ou para os Médicos, uma Ordem representa assumir poderes delegados pelo Estado para a autodisciplina e o autocontrolo de uma profissão, ou seja, o reconhecimento social e político do mérito, não apenas científico, mas também do comportamento ético e deontológico que leva a que haja uma transferência do poder do Estado para a própria profissão, porque se lhe reconhece idoneidade, competência ética para que discipline, estabeleça regras de funcionamento e para que também assuma o controlo da profissão. A minha carteira profissional, passada pela Ordem, garante que os meus pares dão aos meus doentes a garantia que eu estou habilitado, do ponto de vista científico, profissional e ético, para responder às suas solicitações na minha área profissional. Algo que também me deu muito gosto foi, enquanto era Bastonário e assumi a presidência do Conselho das Ordens – Profissões Liberais na altura – o que me permitiu lidar de perto com os outros Bastonários. E uma coisa que claramente me distinguiu, é que eu, quando tinha que assumir determinado tipo de posições, e tinha que representar a profissão, olhava para trás e tinha lá a profissão... é claro que muitos dos outros olhavam para trás e não tinham lá ninguém. Os farmacêuticos são extraordinários também nesse aspeto.

de cima, quase como se a caça permitisse uma espécie de radiografia das pessoas. São momentos muito agradáveis, desde que saímos até voltar a casa... diria mesmo que são terapêuticos, tal a harmonia entre a natureza e o grupo. Na profissão, o troféu que procuro incessantemente quer em termos individuais da minha Farmácia, quer como responsável político e associativo, é o reforçar cada vez mais a integração da Farmácia no sistema de saúde, a fim de que os doentes e a população em geral usufruam ao máximo das nossas capacidades. É de um valor incomensurável o serviço que a Farmácia presta, a proximidade de que é capaz, a confiança e a competência, postas diariamente à prova, que permitem melhorar ainda mais a integração com os restantes níveis de prestação de cuidados de saúde. Claro que isto é algo que não se alcança de uma vez, vai-se alcançando.

Na profissão, o troféu que procuro incessantemente é o reforçar cada vez mais a integração da Farmácia no sistema de saúde. Sabemos que gosta de caça. Uma atividade que exige uma paciência enorme. Permita-nos um desafio: convidá-lo para uma caçada: O que é que gostava de caçar para a profissão neste momento? Todos somos caçadores na vida. E há diferentes tipos de caçadores. A caça tem várias componentes,

uma delas é o atirar, ser focado, atirar e fazê-lo no momento: atirar bem e certo. Na caça procuro, e tenho conseguido encontrar, momentos onde há espaço, onde há natureza, onde nos libertamos. Encontramo-nos com os amigos, formamos um grupo onde se sente uma verdadeira amizade até por que o caráter das pessoas vem ao

Mas e... “caça grossa”: DCI, Receita Electrónica, se tivesse que decidir que três ou quatro peças obter nos próximos tempos, com a sua paciência… que escolheria? A história da prescrição por DCI tem sido polémica, mas uma polémica tonta que tem a ver com a ignorância à volta da matéria. Eu, como farmacêutico, considero que a questão da DCI não é controversa, é uma questão de ciência e de rigor, toda a discussão à volta disto é aberrante. A DCI naturalmente, eu diria que


é uma conquista que já existe por natureza. É só aplicar o conhecimento. Se não houvesse alguma hipocrisia no nosso meio isso já era uma realidade e nem discussão havia. A ciência farmacêutica, que suporta a profissão, é uma ciência concreta, exata, quando o produto tem 500mg, tem 500mg. E quando se liberta em x tempo no sangue, é x tempo. Há variações, cada indivíduo, cada entidade biológica é diferente, mas o medicamento em si é igual, e igual

Todos os partidos políticos têm nos seus programas a prescrição por DCI. O governo tem no seu programa a prescrição por DCI. Agora (…) vem o Senhor Presidente da República impedir que se progrida, por razões meramente políticas, pois as fundamentações técnicas não fazem qualquer sentido. é igual. O medicamento propriamente dito, o que chamamos hardware do medicamento mede-se, ou é ou não é. Veja agora o que aconteceu com o veto do Senhor Presidente da República à legislação aprovada pelo

Governo sobre esta matéria. Todos os partidos políticos têm nos seus programas a prescrição por DCI. O governo tem no seu programa a prescrição por DCI. Agora que finalmente iríamos ter uma legislação equilibrada sobre o

assunto, contra todas as expectativas vem o Senhor Presidente da República impedir que se progrida, por razões meramente políticas, pois as fundamentações técnicas não fazem qualquer sentido. Haverá algum argumento válido para um médico “trancar” um laboratório? Não. O médico tranca a receita por simpatia ou por uma qualquer outra razão emocional. O argumento da confiança, por vezes usado, é profundamente subjetivo.

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uma farmácia


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uma farmácia Mais alguma coisa que gostasse de caçar? Uma maior intervenção da farmácia ao nível da prevenção e articulação ágil com outros níveis de prestação de cuidados de saúde. Estamos em condições de contribuir para o diagnóstico precoce de doenças com grande peso económico e social e com grande impacto na qualidade de vida das pessoas. Quanto mais cedo se chegar ao diagnóstico, mais cedo se inicia a

sidades fundamentais da população. Outro troféu importante no ambulatório é a inovação tecnológica. A inovação no medicamento é algo importante, temos tido conquistas ao nível da esperança de vida, na prevenção de determinadas doenças, na cura de outras e na melhoria da qualidade de vida de doentes em muitas situações patológicas. Nós, Farmácias, por interesse da população, e por razões de aces-

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Cada vez que a Assembleia da República ou o Governo, este ou qualquer outro, reúnem para legislar as pessoas assustam-se. O que é que irá sair desta vez? terapêutica com clara vantagem para os doentes. Mais um “troféu” seria uma articulação eficaz com os centros de saúde, com os hospitais, etc. A farmácia é a porta de entrada e a de saída no sistema de saúde. De entrada, porque mais de um terço das pessoas, quase 50%, quando têm um problema de saúde, o primeiro sítio onde vão é à Farmácia e nós, ou resolvemos ou encaminhamos. Por outro lado, somos o último profissional de saúde, e é importante que assim continue, com que as pessoas têm contacto antes de assumirem a responsabilidade pela sua terapêutica. Somos a entrada e a saída, ora isto, se por um lado nos traz oportunidades profissionais interessantíssimas, por outro lado, responde a neces-

so a essa tecnologia em condições racionais e até económicas, temos que estar na vanguarda. Temos que inovar sobre a própria inovação. Mas qualquer aprovação de um novo medicamento com inovação terapêutica vai para a distribuição nos hospitais e não vem para as Farmácias. Será por serem normalmente produtos caros? Não. Para o hospital também são caros, não são mais baratos no hospital do que na Farmácia. Tudo depende de como é que as coisas se vão organizar mas, para a população poder aceder de uma forma mais económica, mais humanizada, numa lógica de proximidade inteligente, e com uma utilização mais adequada dos medicamentos, aceder à sua Farmácia de bairro ou junto do seu emprego, é preferível


uma farmácia

Antigamente estávamos nas mãos de meia dúzia de fornecedores privados, mas as cooperativas, que sendo das Farmácias, dos farmacêuticos, estabeleceram que o grande objetivo não era o seu interesse individual mas o dos seus sócios pessoas assustam-se. O que é que irá sair desta vez? Se apenas tivesse direito a um decreto lei, redigia-o com duas alíneas: - A primeira determinava a proibição de legislar pelo menos pelo período de um ano. - A segunda decretava a limpeza e simplificação da legislação em vigor.

Penso que esta iniciativa legislativa se aplicava como uma luva à atual legislação sobre o medicamento. Em relação à cooperativa à Udifar, que posição tem? A Ordem, a Associação e as Cooperativas emanam do mesmo ADN. As cooperativas farmacêuticas, no

Suporte e garantia... Sim, suporte e garantia. Digamos que a cooperativa farmacêutica acabou por condicionar o próprio mercado. Antigamente estávamos nas mãos de meia dúzia de fornecedores privados, mas as cooperativas, sendo das Farmácias, dos farmacêuticos, estabeleceram que o grande objetivo não era o seu interesse individual, mas o dos seus sócios. Ora, isso permitiu trazer condições muito vantajosas, o que arrastou também os outros operadores, que não cooperativas, a ter que acompanhar para sobreviver no mercado. As cooperativas foram fundamentais e determinantes no desenvolvimento profissional da farmácia e da sua situação económico-financeira. Para além disto, contribuíram também para agregar e unir os farmacêuticos. As cooperativas são agregadoras, são nossas, dos farmacêuticos, e isso é muito importante,

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nosso País e na Europa em geral, foram um dos pilares de suporte do desenvolvimento da Farmácia. Aqui em Portugal, temos uma cooperativa, que se fundiu e hoje é parte da Udifar – a União dos Farmacêuticos, com 75 anos; depois foram outras, mais recentes, como o caso da Codifar e as do norte e centro que surgiram nos anos 70, e que foram organizações que emanaram dos farmacêuticos, do tal ADN, mostraram uma capacidade de organização e iniciativa extraordinárias, o que permitiu dar um suporte económico às Farmácias que sem as cooperativas teria sido difícil de alcançar.

a ter de se deslocar ao hospital para ir buscar esse medicamento. Isso não faz sentido nenhum do ponto de vista do sistema. Ou seja, um troféu, se lhe quer chamar troféu, e que talvez seja o mais importante e está dentro daquela questão que eu designei de melhor integração da Farmácia é: em relação aos novos medicamentos, aos medicamentos biológicos, às novas terapêuticas em doenças como o cancro, a sida, nas neurodegenerativas, os doentes poderem aceder aos medicamentos através das suas Farmácias. Obviamente em articulação com o médico especialista e através de protocolos. Estamos perfeitamente em condições de o fazer, de trazer para a farmácia esses medicamentos novos que não exigem ambiente hospitalar para a sua administração. Isso será muito importante para o sistema de saúde, fundamental para os doentes, e para nós Farmácias também. E se tivesse apenas um tiro, para onde dispararia? Um decreto-lei e um só... O problema do decreto é que nós, neste País, temos muitas falsas ilusões a respeito de leis... temos uma constituição que é do terceiro mundo, centenas de artigos, leis para tudo – até para o mais simples... depois decreta-se e nada acontece porque há um sem número de outras leis que impedem o seu funcionamento. Cada vez que a Assembleia da República ou o Governo, este ou qualquer outro, reúnem para legislar as

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uma farmácia porque nos permite força e diálogos em várias frentes com a indústria, com a Banca e com outros parceiros. É um ativo com capacidade e know-how, uma qualidade de serviço instalada, de suporte à Farmácia que está lá e que é nosso. Por outro lado, é um ativo importante mesmo do ponto de vista económico: têm mercado, têm uma marca e essa marca é farmacêutica. E ainda têm uma componente estratégica importante. É nossa obrigação preservar e desenvolver este ativo, criar formas para que a sua gestão seja mais ágil e efetiva, temos que modernizar e racionalizar, atuar de forma bem mais profissional e competente do que até agora, pois, apesar de tudo, apesar de todo este espírito, o mundo não está fácil e cada tostão vale um tostão. Nós, nas cooperativas, temos que ter eficiência máxima. Agora há um aspeto que tem a ver com a dimensão, e para o País que temos e porque sempre fui militante do entendimento entre cooperativas, não sei até onde é que pode ir esse entendimento, se pode ir até fusões, agora se calhar não faz sentido termos... Repare, a Udifar é o bom exemplo de se ter conseguido que duas cooperativas que se guerrearam durante décadas se juntassem num projeto comum único; no centro também se fez a mesma coisa com a Plural, também se conseguiu, e esse é outro exemplo. Mantemos duas cooperativas no norte que têm vindo a desenvolver a sua atividade e penso que estarão bem... Agora, quatro cooperativas para

com maior entusiasmo e mais determinação. Por outro lado trazem competência – é um grupo que tem visão, já discuti com eles, já os ouvi a falar sobre as perspectivas de desenvolvimento da cooperativa e penso que todas as determinantes necessárias estão lá. Há que executá-las. Mas como esta juventude tem capacidade de execução, tenho toda a expectativa que vão conseguir cumpri-las. Porque, vamos cá ver, voltando à Ordem, à Associação e às Cooperativas, a Ordem é uma instituição eminentemente profissional, a Associação tem uma componente profissional e empresarial como suporte, mas ainda funciona e vive num ambiente associativo, tradicional, com o que de tradicional tem de melhor. Nas Cooperativas já não é assim, apesar de terem origem no movimento associativo tradicional, não será através dele que vão vingar no futuro. Têm que o ter em atenção, mas têm que olhar para si mesmo como empresas, e nós sócios também.

As cooperativas são agregadoras, são nossas, dos farmacêuticos, e isso é muito importante. Porque nos permite força e diálogos em várias frentes com a indústria, com a Banca e com outros parceiros. a dimensão do nosso mercado é muito e temos que olhar muito bem para as possibilidades de entendimento, numa perspetiva e modelos que se poderão e deverão estudar… mas cada vez mais empresariais, do meu ponto de vista.

Tem alguma ideia sobre a nova Direção da Udifar? A nova Direção da Udifar, penso, pelo que conheço e pelo que tenho visto que têm feito, veio trazer sangue novo. Mais dinâmica, trazem mais energia para agarrar as coisas

Que apostem fundamentalmente em? Bom serviço logístico, boas condições, eficiência... estamos num mercado cada vez mais concorrencial e difícil. As atuais condições na saúde, a necessidade da contenção dos gastos, em particular nos medicamentos, leva a que a Distribuição, que está entre a Indústria e as Farmácias, viva um maior aperto a montante e a jusante, é aquela que está ali na linha do equilíbrio, ou desequilíbrio, e tem que ser gerida com muita atenção, com muita inteligência, com muito trabalho...


Da nova decoração das carrinhas, qual a frase que mais gosta? Se quer que lhe diga, e do que tenho visto, gosto da mudança. A Udifar tinha ali um atleta, o que para o público em geral não dizia rigorosamente nada… Agora, se a Udifar existe para servir as Farmácias e para nos dar suporte, e para ajudar as Farmácias a desenvolverem a sua atividade e negócio, as carrinhas ao circularem pelo País e

…se a Udifar existe para servir as Farmácias e para nos dar suporte, as carrinhas ao circularem pelo País e por tudo o que é rua, devem promover a Farmácia. por tudo o que é rua, devem promover a Farmácia, porque aí estarão a promover o seu cliente, sócio e detentor, e é uma forma inteligente da Udifar se promover junto da Farmácia. Eu penso que esta viragem do ponto de vista da política

de comunicação é bem mais adequada e consequente. Das frases, simpatizo com a “Saúde ao virar da Esquina” e a “Ninguém o trata melhor”, por que são mais imediatas e julgo que dizem mais às pessoas sobre o que são as Farmácias.

Alguma mensagem que queira deixar aos colegas? O paradigma da saúde está a mudar. O contexto não é fácil, obviamente que existem ameaças, mas com estas surgem sempre oportunidades e, tenho para mim com grande convicção, que nós estamos num posicionamento excecional para as aproveitar, pelo tudo o que já conseguimos e pela credibilidade que temos junto da população. Q

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Grécia revê medidas sobre preços de medicamentos e privilegia genéricos

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Governo grego divulgou no passado mês de dezembro um documento em que manifesta a redução do preço máximo dos medicamentos genéricos para 60% do preço da versão de marca. Este documento é parte integrante de um plano de poupança no setor do medicamento, acordado com a União Europeia, com o Fundo Monetário Internacional e com o Banco Central Europeu, cujo objetivo final é uma poupança na ordem dos 900 milhões de euros por ano. Desenhado para promover o consumo de medicamentos genéricos, este projeto e mais concretamente o documento agora divulgado, é claro na intenção do Governo grego em reduzir a margem de lucro das Farmácias na ordem dos 15% a 20%. A partir de 2012 o lucro das Farmácias nos preços a retalho deverá ser uma taxa fixa ou uma taxa fixa combinada com uma pequena margem de lucro e estas, para as empresas de distribuição grossista de produtos farmacêuticos serão cortadas para “pelo menos um terço”, já a partir de janeiro de 2011..

Liberalização do Setor Farmacêutico na Grécia para breve? O ministro da saúde grego, Andreas Loverdos, reuniu com representantes do setor Farmacêutico na Grécia procurando consenso que conduza à liberalização do setor, ao que os Farmacêuticos se opõem. O Governo grego está a colocar especial ênfase neste projeto dada a pressão exercida pela União Europeia, pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central Europeu, sendo uma das questões fulcrais a propriedade da licença da Farmácia que comummente é passada de pais para filhos, se estes se qualificam como Farmacêuticos, e que o Governo entende ser propriedade do Estado, entendendo que a mesma deve ser atribuída ao Farmacêutico desempregado que se encontre em primeiro lugar na lista de espera. Apesar das divergências, o que é certo é que o ministro da saúde grego terá de ter algum cuidado redobrado na implementação destas medidas, se tivermos em consideração as dívidas do Estado grego às Farmácias. Q


parlamento europeu

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Parlamento Europeu

aprova medidas de combate à contrafação de medicamento

O

documento agora concluído é em muito semelhante à proposta feita pela Comissão Europeia, há dois anos atrás, que pretendia não só prevenir a entrada de medicamentos contrafeitos na cadeia legal de fornecimento de medicamentos, como também a proteção dos fármacos, havendo propostas como a obrigatoriedade na utilização de meios de proteção e inviolabilidade do fármaco, a introdução de números de série ou a selagem da embalagem. Estas imposições objetivas e claramente definidas regulariam as importações de substâncias ativas de um espaço exterior para a União Europeia e fariam com que as importações cessassem caso não se cumprissem níveis suficientes de proteção. Contributo do Parlamento A venda de medicamentos na Internet constitui atualmente uma das maiores preocupações no que

concerne à proteção dos doentes. O Parlamento Europeu quis agora dar o alerta introduzindo o tema no atual documento, já que o grande objetivo da diretiva é proteger os doentes individuais e a saúde pública. A Eurodeputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, foi das vozes que mais se destacou, liderando a discussão no Parlamento, ao referir que este é um passo importante para a proteção dos doentes, uma vez que a Internet é a grande porta de entrada de medicamentos falsos na Europa. Outra novidade introduzida diz respeito ao controlo dos medicamentos, pretendendo-se que este controlo seja feito não apenas quando entram, mas também quando os medicamentos saem da União Europeia, combatendo-se, assim, a exportação de medicamentos contrafeitos para países mais pobres. O documento prevê sanções para quem não cumprir com as regras estabelecidas, sendo obrigatória a

criação de um sistema de controlo que operará desde o fabricante até ao paciente. Do mesmo modo, um sistema de alertas deverá ser criado de forma a poder avisar um doente assim que se confirme a entrada de falsos medicamentos em qualquer um dos pontos da cadeia de fornecimento. Implementação urgente Depois de um longo caminho percorrido para se chegar a este documento, requer-se agora a sua urgente implementação, frisou a eurodeputada, pois a ausência de enquadramento legal promove não só a contrafação, mas também os contrafatores que estão organizados em redes altamente rentáveis. Agora que se alcançou o entendimento global dentro do Parlamento e dos governos dos estados membros quanto às medidas a adotar há que as pôr em prática o quanto antes, sob pena de se prolongar a ameaça à saúde pública. Q

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Depois de várias discussões ao longo dos últimos anos, 27 estados membros da União Europeia chegaram a um documento final que contém as várias medidas de proteção e combate à contrafação de medicamentos. Este documento será levado a votação e será certamente aprovado em sessão de plenário do Parlamento Europeu, já neste mês de fevereiro.


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polónia

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Farmácias formam cadeias para se manterem ativas D

e acordo com o IMS Health estamos a assistir na Polónia a uma forma inovadora (pelo menos neste setor) de manter o negócio – as Farmácias estão a formar cadeias. Isto significa melhores preços, descontos, ofertas promocionais e apoio na comercialização. De ano para ano, o número de Farmácias a ligar-se a outras tem aumentado consideravelmente na Polónia, tendo passado de 9% em 2005 para 21% no terceiro trimestre de 2010. Fazem parte de grandes cadeias (mais de 20 Farmácias) cerca de 1600 Farmácias e 1300 pertencem a pequenas-médias cadeias (5 a 20 Farmácias). No terceiro trimestre de 2010 a Polónia registava a existência de cerca de 190 cadeias de Farmácias. Polónia implementa reformas no setor do medicamento À semelhança de outros países da União Europeia, também a Polónia se viu obrigada a implementar medidas na área da Saúde, nomeadamente no que diz respeito ao setor do medicamento.

O maior impacto verificou-se ao nível dos preços dos medicamentos, tendo o governo polaco fixado os preços máximos a praticar. Apesar das reduzidas margens de lucro dos fornecedores e Farmacêuticos, a implementação desta medida terá um impacto positivo nas Indústrias Farmacêuticas a operar naquele país. Mas não é só, a nova legislação vem fixar também o valor máximo de 5% de reembolso, contra os atuais 8,91%, uma redução muito acentuada. Está ainda prevista a aplicação de um valor fixo de reembolso de acordo com o grupo terapêutico a que pertence um determinado fármaco, para além de ir ser alterado o método que estabelece quais os medicamentos alvo de reembolso. Tendo sido o único país da União Europeia a evitar a recessão em 2009, crescendo inclusivamente 1,7%, a BMI espera que o mercado Farmacêutico polaco continue a crescer, apesar da nova legislação, prevendo um crescimento económico até aos 3,9% em 2011, tendo presente a consolidação e o crescimento económico verificado nos últimos anos. Q


Lessequat veliquam espaçosequat www

Movieclips - http://movieclips.com/ Precisa de encontrar uma cena de um qualquer filme? Movieclips é o site certo. Com mais de 12 mil cenas de filme, trata-se de uma das coleções das mais completas disponíveis na internet. Pode pesquisar-se por título do filme, nome do personagem, o ator ou palavra-chave. Procurando, por exemplo, por “fight”, aparece-nos uma interessante biblioteca de momentos Rocky, duelos de espada e até uma batalha de almofadas, enquanto “first kiss” traz todos os famosos beijos do grande ecrán desde os de Romeu e Julietas, Scarlett O’Hara, Grease, etc. Mas Movieclips é mais que um simples directório de cinema, pois possibilita algo fantástico. Com uma ferramenta de edição, os utilizadores podem criar as suas próprias sequências de vídeo com relativa facilidade.

Kongregate - www.kongregate.com Nós não recomendamos visitas ao Kongregate em horário laboral. Trata-se de uma enorme coleção de jogos online que pode muito bem ser a ruína de um qualquer dia de trabalho. A credibilidade já atingiu um tal ponto em que já são os produtores de jogos a fazerem pressão para que o Kongregate não os esqueça! Até por que há prémios monetários para os melhores jogos.

Wordle - www.wordle.net Wordle é um “brinquedo” para gerar nuvens de palavras do texto que o utilizador fornecer. As nuvens dão mais destaque às palavras que aparecem com maior frequência no texto-fonte. Podem ajustar-se as nuvens com diferentes fontes, layouts, e esquemas de cores. As imagens que criamos com o Wordle podem ser guardadas, impressas ou partilhadas com os nossos amigos. Faça uma experiência: pegue num texto que tenha escrito, ou um de que goste, submeta-o ao Wordle e vai conseguir vê-lo/analisá-lo de forma completamente nova e surpreendente.

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DesignMom - www.designmom.com A designer de interiores Gabrielle Blair tem uma vida agitada. Com seis filhos - sim, seis – qualquer pessoa poderá achar que o seu estilo de design não se estenderia muito para além de… fraldas. Em vez disso, os artigos de Blair no seu site, Design Mom, onde o design se encontra com a maternidade, revelam que, de alguma forma, se pode ter tudo: uma família grande, um olhar atento e um talento criativo! Depois de conhecer as suas obras... resta-nos apenas tentar não lhe invejar o talento!

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Nós preferimos os Puzzle... Perfect Balance, Civiballs, Red Remover, etc.


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progressos na saúde

Progressos na Saúde: previsões para 2011 Depois de em 2010 termos assistido a avanços extraordinários na medicina e ciência que conduziram, por exemplo, à cura de um homem com Sida, procurámos as previsões para 2011 em termos de progressos na área da medicina, tendo encontrado o site hypescience.com. que contabiliza sete ideias com desenvolvimento previsto ao longo deste ano.


progressos na saúde dará possibilidades a mais pessoas de receber

sibilitada a pessoas com IMC (Índice Massa

a terapia.

Corporal) de 35 ou superior e já não apenas a partir dos 40.

Assim, segundo o site, podemos esperar conhecer os resultados de uma vacina que combaterá a Sida: estudos levados a cabo por cientistas tailandeses ao longo de 2009 revelaram uma vacina que pode reduzir o risco de contrair VIH em cerca de 30%. É certo que em 2010 uma equipa de médicos alemães anunciou a cura de um homem com o vírus da Sida através de um transplante de medula óssea que visava a cura de leucemia mieloide, contudo esta forma de ação não seria tão viável, pela dificuldade em encontrar dador compatível e pelo risco associado a uma intervenção deste género, pelo que a vacina se revela promissora.

2. Dispositivo que congela o coração Segundo o mesmo site, o tratamento de doenças cardíacas será efetuado através do

3. Genética ajuda à escolha de medicamentos O terceiro lugar foi reservado para avanços na genética para a escolha dos medicamentos

Os EUA têm uma nova legislação que aumen-

mais apropriados para cada doente: estudos

tou a taxa de reembolso federal para a meren-

já divulgados permitem concluir que a análi-

da escolar e 6 cêntimos de dólar por refeição,

se dos genes de cada doente permite saber

tendo o Departamento de Agricultura dos

qual será a sua reação a determinados me-

EUA que criar padrões de nutrição dos alimen-

dicamentos e terapias, pelo que uma análise

tos vendidos através de máquinas automáti-

genética permitirá orientar cada doente para

cas nas escolas. O ojectivo é que a próxima

o medicamento mais adequado.

geração tenha uma alimentação mais saudável, ensinando as crianças com 5 e 6 anos que

4. Investigação do cancro com auxílio da Genética

os alimentos saudáveis são saborosos.

Os últimos avanços tecnológicos e o desen-

7. Menus de restaurantes com indicação de calorias

volvimento da genética favorecerão o estudo comparativo entre pessoas saudáveis e doentes com cancro, permitindo, dessa forma, co-

Dos EUA surge mais uma medida de comba-

nhecer os genes que tornam as células can-

te à obesidade, onde já é considerada uma

cerosas ou agir como cancerosas.

epidemia: uma lei exige que os restaurantes

congelamento do coração: foi aprovado re-

indiquem nos menus as calorias contidas nos

centemente um dispositivo de sistema cateter que congela secções do tecido do coração, podendo ser utilizado para bloquear os sinais

seus pratos. E o mesmo se aplica a máquinas

5. Alteração de critérios para cirurgia laparoscópica

irregulares que criam a fibrilação atrial, o que cura a doença em 70% dos doentes.

6. Medidas de combate à obesidade nos EUA

de venda automáticas. Ainda que o benefício desta lei seja indeterminado, não há nada a perder.

O hypescience prevê que a alteração de critérios para cirurgia laparscópica vai permitir

Muito embora a taxa de sucesso seja seme-

o recurso a esta intervenção por milhões de

São estas as previsões do site hyperscien-

lhante à técnica antiga que queimava o tecido

pessoas nos EUA que pretendem perder peso:

ce para progressos na saúde em 2011.

do coração com a energia de radiofrequência,

o FDA (entidade que regula o medicamento

Resta-nos aguardar a confirmação ao longo

a verdade é que a nova técnica é mais fácil e

nos EUA) aprovou que a cirurgia fosse pos-

deste ano.

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1. Vacina contra a Sida

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#08 dezembro 10

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news

Farmacêuticos são os melhores na promoção da adesão à medicação


news

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U

m estudo recente levado a cabo nos EUA veio revelar que os Farmacêuticos são os que exercem maior influência junto dos doentes na promoção da adesão à medicação. O trabalho, baseado na análise de artigos médicos realizados ao longo de mais de 40 anos de estudos, mostra que os enfermeiros ocupam o segundo lugar ao exercer esta influência quando aconselham os pacientes a continuarem a sua medicação no momento da alta hospitalar. Os canais de comunicação não-pessoais, como o telefone, o e-mail, o fax demonstraram ter um impacto relativamente baixo na promoção da adesão ao tratamento. Já o uso de comunicação eletrónica como os vídeos e tecnologia interativa revelam alguns resultados promissores. No entanto, aquele que revelou ter o maior impacto foi, sem dúvida, o contacto interpessoal direto, numa Farmácia, entre Farmacêuticos e doentes, logo seguidos pelos enfermeiros no momento da alta hospitalar. Garantir que os doentes mantêm a sua medicação e a utilizam conforme a prescrição médica é muito importante, já que permite poupar milhões de euros ao evitar milhares de consultas e internamentos. Q


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escapadela

Óbidos

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A jóia das rainhas Estendendo-se sobre um outeiro adjacente à lagoa que adotou o mesmo nome, a “mui nobre e sempre leal” vila de Óbidos é uma jóia que brilha desde a noite dos tempos. Diz-se que o mar já esteve a seus pés e que foram os Celtas que a formaram. Os Romanos deram-lhe o nome de Eburobrittium, tendo servido também de morada aos visigodos e aos mouros devido à sua localização privilegiada. D. Afonso Henriques conquista-a a custo em 1148, mas será seu filho, D. Sancho I a dar-lhe o primeiro foral em 1195. Doada em 1210 por D. Afonso II à sua esposa D. Urraca, ficará a partir de então conhecida por “Casa das Rainhas”, fazendo continuadamente parte do dote de várias rainhas até 1834. A Rainha D. Leonor, esposa de D João II, recolheu-se aqui em 1491 para chorar a morte do herdeiro ao trono, o Infante D. Afonso, São tantas as histórias para contar como os recantos a descobrir nesta autêntica jóia milenar.


escapadela que conta com as melhores defesas para a população e assim será durante quase os 300 anos de ocupação visigótica. Com as invasões mouriscas a vila é tomada no século VIII, atribuindo-se a este período o início da fortificação da povoação, como se constata pela observação de determinados trechos da muralha. Na demanda da Reconquista cristã da península, as forças de D. Afonso Henriques, após as conquistas de Santarém e de Lisboa em 1147, encontram resistência ao conquistar a povoação e seu castelo, o que finalmente veio a acontecer em 1148. Segundo a tradição terá sido Gonçalo Mendes da Maia “O Lidador” quem terá quebrado a resistência

muçulmana. A operação desenvolveu-se em dois focos simultâneos, primeiro com manobras de diversão por parte de D. Afonso Henriques e outro na Porta da Traição, por onde terá entrado Gonçalo Mendes da Maia. Mas Óbidos só será conquistada definitivamente em 1195 por D. Sancho I, que lhe promove obras no castelo (conforme inscrição epigráfica na Torre do Facho) e lhe dá a primeira Carta de Foral. Pertencendo à coroa, D. Afonso II irá doá-la à sua esposa D. Urraca, passando, a partir daí, a pertencer à Casa das Rainhas até à sua extinção em 1834. Mas se alguém marcou a história de Óbidos foi provavelmente a rainha D. Leonor, casada com D. João II,

ao recolher-se na vila para pesar o luto da morte do seu único filho e pretendente ao trono D. Afonso. É a esta senhora que se deve o considerável enriquecimento do património artístico, principalmente com a campanha de obras na igreja de Santa Maria, a fundação da Misericórdia de Óbidos ou a construção do Hospital Termal nas Caldas da Rainha que distava uma légua da Vila. A vila irá manter-se viva até ao século XVIII, altura em que a vizinha população das Caldas da Rainha começa a ganhar fama com as visitas e estadias de D. João V, que ali se deslocava para tratamentos com as milagrosas águas. Óbidos começa a perder a sua população em prol da nova urbe emergente.

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A

sua origem é de difícil datação sendo certamente muito antiga, já que foram encontrados na zona registos de ocupação pré-histórica. Dá-se como certo que foram os Celtas que por volta do ano 300 AC fundaram a primeira povoação castreja. No século I os Romanos tomam Óbidos, batizando-a de Eburobrittium transformando-a rapidamente numa importante civitas de cariz aberto e que fazia a ligação entre Olisipo (Lisboa) e Collipo (Leiria), sobrevivendo sem grandes sobressaltos até à segunda metade do século V. Com os conturbados tempos do declínio do Império Romano, a povoação concentra-se mais na parte alta

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escapadela A letargia apodera-se então do velho burgo amuralhado durante várias décadas, até que, no início dos anos 30 do século XX, o Secretariado Nacional da Propaganda de António Ferro a “descobre” quase intacta transformando-a numa bandeira turística do nacionalismo português. Esta dinâmica criada com o turismo veio dar um novo brilho a esta jóia cheia de histórias. Com uma localização privilegiada, Óbidos pertence ao distrito de Leiria e faz parte da Região de Turismo do Oeste, distando cerca de 90 Km de Lisboa e 240 Km do Porto, contando com excelentes acessos rodoviários, nomeadamente a A8, com saída direta para vila. Ao chegarmos temos vários parques de estacionamente fora do perímetro amuralhado, já que o trânsito automóvel é condicionado no casco histórico. Entrando pela Porta da Vila, que se apresenta como o principal acesso ao burgo, deparamo-nos com um oratório com cenas bíblicas revestido a azulejos do século XVIII, sendo dedicado à padroeira de Óbidos, Nossa Senhora da Piedade. Seguindo pela Rua Direita vamos encontrando cantos e recantos, lojas e varandas, onde cada traço antigo nos encanta e comove. Passamos por portas que nos convidam a entrar e provar um copinho de chocolate cheio de ginja, o ex-libris desta bela povoação. Depois de passar pela galeria de arte contemporânea Nova Ogiva chegamos à Praça de Santa Maria, a sala de visitas da vila. Aqui vale

a pena visitar o Museu Municipal situado num esplêndido Solar; o Pelourinho, erigido em 1513 e que ostenta as armas de D. Manuel I

sendo alimentado pelo aqueduto; o Telheiro, edifício medieval reconstruido no século XVI que serviu de mercado, local de contratação

e da rainha D. Leonor (o camaroeiro é em memória do seu filho D. Afonso); o Chafariz da Praça que era o mais importante do burgo,

de trabalhadores e de balcão de honra às cerimónias ocorridas na Praça; por fim e sendo o elemento mais importante da praça, a Igreja

de Santa Maria que é igualmente a matriz de Óbidos, formada por três naves onde ainda se vislumbram elementos visigóticos. Foi mesquita durante a ocupação mourisca, mas após a reconquista de D. Afonso Henriques retoma o seu cariz cristão. Com a rainha D. Leonor ganhou a traça atual, contando no seu interior com pinturas de Josefa d’Óbidos, o túmulo renascentista de D. João de Noronha e decoração de azulejos do século XVII. Mais à frente já se vislumbra a brancura da Igreja de Santiago que actualmente serve de auditório municipal e é ladeada por duas imponentes torres: a Albarrã, mandada construír por D. Sancho I, tendo servido de Paços do Concelho, prisão e para guardar o tesouro e arquivo municipal; a outra, conhecida por Porta do Vale ou da Nossa Senhora da Graça, foi mandada edificar em memória de uma donzela que morreu por amor, por o pai a impedir de casar com um obidense de casta inferior. Conta com um Oratório setecentista com altar em pedra lavrada. Chegámos ao Castelo. Ao entrar na Cerca do Castelo deparamo-nos com várias edificações construidas recentemente com traça medieval e que servem de apoio a várias actividades turisticas que fazem de Óbidos uma vila viva durante todo o ano. O Castelo com a sua carateristica traça de torreões semi-circulares intervalados com torreões quadrangulares é o resultado de séculos de ampliações e restaurações sobre a base de origem romana. Em 1950 foi adaptado na primeira pousada histórica.


mas edificado anteriormente para comemorar a vitória de D. Afonso Henriques sobre os mouros. No lado oposto temos todo o vale da lagoa de Óbidos. Junto ao sopé do monte que alberga a Vila, encontra-se o Santuário do Senhor da Pedra, igreja barroca sagrada em 1747 e mandada construir por D. João V. O seu altar-mor conserva uma venerada cruz paleo-cristã.

Para além dos muros

Continuando à descoberta, toma mos um novo rumo para obter um outro ponto de vista sobre a Vila. Assim, ao caminharmos pelo velho caminho de ronda das muralhas, iremos percorrer os 1500 metros de perímetro que compõem a Cerca da Vila. Aqui podemos apreciar a melancolia ritmada dos velhos

telhados da urbe, entrecortada pelos espaços dos pequenos largos e ruelas. Para fora, a vista capta as ruínas do velho aqueduto de 3 km de extensão mandado construir por D. Catarina de Áustria no século XVI. Um pouco mais à frente temos o Cruzeiro da Memória, restaurado no século XVI

São muitas as actividades que Óbidos oferece durante todo o ano, mas algumas já ganharam fama e importância turistica como são o caso do Festival Internacional de Chocolate (na segunda quinzena de março), o Mercado Medieval em julho ou Óbidos Vila Natal em dezembro. Além das festas temáticas, Óbidos oferece um contato direto e previlegiado com a natureza. As praias com extensos areais; a lagoa com várias

actividades lúdicas e desportivas; os passeios pedestres como o dos Patos Reais (junto à lagoa) ou do Ninho da Cegonha (que estabelece a ligação pedonal entre a Vila de Óbidos e a cidade romana de Eburobrittium, ou os campos de Golfe nos vários Resorts turisticos das redondezas. Não é barato pernoitar numa das várias unidades hoteleiras, por isso é difícil escolher. Mais fácil é escolher gastronomicamente. Por se encontrar junto ao mar e à lagoa, alguns dos pratos típicos são baseados em peixe ou mariscos como por exemplo a caldeirada de peixe da Lagoa de Óbidos, enguias fritas ou de ensopado. A doçaria deixa igualmente a sua marca gastronómica como são o caso de trouxas de ovos e lampreias das Gaeiras, alcaides, pegadas e pasteis de Moura. Por mera curiosidade histórica, cultural ou turística vale sempre visitar a milenar Óbidos. Q

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escapadela


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em primeira mão

A transmissão de informação ao Utente/Doente

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H

oje a farmácia constitui, indubitavelmente, uma das principais portas de entrada do cidadão no sistema de saúde Português. Várias são as vicissitudes de que carece o sistema, pois que, desde logo, a assimetria de informação entre prestadores e utentes permite gerar um fenómeno que em economia se denomina a procura induzida pela oferta, ou seja grande parte do consumo efetuado é induzido pelo simples facto de existirem prestadores que precisam de oferecer cuidados para gerarem a sua prosperidade. Por esta razão é fácil percecionar que um dos aspetos que habitualmente se reconhece como insuficiente, na visita dos doentes à farmácia, é a ausência de informação acerca da enfermidade de que padece. Aliás, várias pesquisas feitas nos últimos anos apontam para uma substancial proporção de doentes que se consideram mal informados quando saem de uma consulta médica, ou mesmo quando têm alta hospitalar. Esta tendência, de não manter o doente ao corrente do seu próprio estado de saúde e de encobrir mesmo a verdade com o argumento

de que a comunicação de notícias ameaçadoras provocaria angústia nos doentes, ao invés de lhes manter a esperança, resistiu estoicamente até à primeira metade do século XX, por altura da Declaração Universal dos Direitos do Homem, em 1948. Também, posteriormente, com a Convenção Europeia para a salvaguarda dos direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, embora não se tratasse especificamente o tema, foi criado um primeiro repto ao nível dos direitos dos doentes. Mais tarde. com a génese e desenvolvimento de movimentos para a defesa dos consumidores, configura-se internacionalmente o direito à qualidade da assistência, acesso à informação e prestação humanizada de cuidados de saúde, sendo o documento denominado “Patient Bill of Rights”, publicado pela Associação Americana dos Hospitais, o primeiro documento que menciona o reconhecimento ao consentimento informado na prática médica, através do qual o clínico se vê obrigado a incorporar o doente no processo de tomada de decisão e a reconhecer a sua vontade na decisão que venha a ser implementada para o tratar. Em Portugal, a Lei de Bases da Saúde, que está


em primeira mão

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em primeira mão… em consonância com as diretivas comunitárias, prevê inclusive que “Os utentes têm direito a ... ser informados sobre a sua situação, as alternativas possíveis de tratamento e a evolução provável do seu estado”. Também em 1996, aquando da publicação, pelo Ministério da Saúde da carta dos Direitos e Deveres dos Doentes, se faz menção a estes aspectos, nomeadamente no artigo 1º, que refere: 1) O doente tem direito a ser tratado no respeito pela dignidade humana. (É um direito humano fundamental, que adquire particular importância em situação de doença. Deve ser respeitado por todos os profissionais de saúde envolvidos no processo de prestação de cuidados, no que se refere aos aspectos técnicos, quer aos actos de acolhimento, orientação e encaminhamento dos doentes.) Um fator a considerar na partilha de informação é o de que os doentes e profissionais de saúde têm perceções diferentes sobre a informação, que resultam da diferença de significados que ambos lhes atribuem.Enquanto os profissionais de saúde definem a informação em termos da

própria doença, os seus estadios, e escolhas, pressupostamente racionais e cientificamente evidenciadas, de tratamentos, os doentes atribuem à informação atitudes mais empíricas e imediatistas relativos à sua possibilidade de sobrevivência, capacidade de sofrimento e de recuperação. Não nos esqueçamos que a informação, por definição, reduz a incerteza e a ignorância, as quais causam, inversamente ansiedade e insegurança. Esta é a razão pela qual os doentes recorrem frequentemente a outras fontes de informação, entre os quais se incluem além de outros, médicos, que não o que a acompanha/ou, enfermeiros e também farmacêuticos, aquando da sua visita à farmácia.Gerir esta situação não é por vezes simples uma vez que o farmacêutico não pode, nem deve, substituir-se ao médico no sentido de prestar informação de caráter clínico mas é muitas vezes solicitado para opinar sobre uma determinada “maleita” apresentada pelo utente. Nestas circunstâncias, e pese embora o farmacêutico não possa deixar de se envolver na perceção de sinais e sintomas que possam ajudar a descortinar com maior eficácia de

que sofre o enfermo, para que o possa transmitir ao médico, deve agir com precaução na informação que fornece ao doente de maneira a que nunca se comprometa a relação de confiança deste com o seu clínico.A avaliação de parâmetros de meios complementares de diagnóstico, as vulgares análises para os quais tantas vezes o farmacêutico e seus colaboradores são solicitados, a leitura “in situ” da glicémia, colesterol e triglicéridos ou de um teste de gravidez, não devem constituir pretexto para extrair conclusões sobre o estado de saúde do utente, ou a declaração de um estado patológico que não é do conhecimento do mesmo. Caberá sim ao farmacêutico, uma vez detetados parâmetros de evidente anormalidade, dar a conhecer ao médico a situação, recomendando igualmente ao doente, independentemente de conseguir falar na ocasião com o clínico, uma consulta médica. Saibamos contribuir para a melhoria da informação em saúde, respeitando simultaneamente o circuito de informação que está estabelecido entre os vários parceiros do setor da saúde em geral, e do medicamento em particular. Q

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por A. Hipólito de Aguiar - Farmacêutico; Docente Universitário


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atrás do balcão

Dra Inocêncio

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Se a Justiça tarda, então falha.

D

iz o ditado que não falha. Mas que, até no ditado, tarda... O problema, segundo parece, está em que uma justiça que não seja célere não é, por isso mesmo, justa, ou seja: falha. Pouco me importa se é por causa do Direito processual ou se dos recursos que se interpõem às sempre-semi-sentenças... Enfim, é tempo demais. A sensação que paira no ar deste nosso país é de que não somos capazes de executar um dos pilares onde assenta a nossa dignidade. Não haverá uma espécie de FMI da Justiça? Talvez o adágio popular se refira à Justiça divina... Mas aí o tempo é relativizado face à eternidade, sendo que o desconcertante não se minimiza facilmente enquanto vamos vivendo e convivendo nesta sala de espera do além com tanto atraso. Se atrasa, a Justiça, faz pouco do inocente, se há culpado e a Justiça não (se) despacha, condena a sociedade a uma espera que, por desesperante, devia ser exclusiva ao castigo aplicado ao prevaricador... Atrás do balcão lidamos com o atraso como indício de uma de duas possibilidades, ou a jovem está em estado de ansiedade ou então há gravidez... o que na maior parte dos casos não é grave, até por que a sentença “só” virá à luz mais de meio ano depois... Curiosamente, nunca tarda mais de um ano! Claro que a nossa sociedade já encontrou uma forma de compensar este desequilíbrio: o país, por via dos meios de comunicação social, faz um julgamento sumário e definitivo sobre qualquer matéria assim que os factos (ou o que é apresentado como tal) surge. Este julgamento é de uma rapidez absolutamente desconcertante e só muito raramente se abre a recursos ou sequer a novos dados. É, seguramente, ainda mais injusto que o processo que segue a sua via pelas instituições judiciais... Mas afinal, porque a massa é forte, quando não é possível fazer-se com que aquilo que é justo seja forte, faz-se com que o que é forte seja justo. A justiça não deve permanecer sentada diante da sua balança a ver os pratos oscilar… Q


udifarito

vai passar a estar presente nas nossas comunicações diárias distribuídas em conjunto com o jornal i e com o Expresso.

O propósito é criar uma espécie de Pensamento do dia com que possamos distribuir um pouco de inspiração por todas as Farmácias!

Um sorriso é meio carinho andado.

#09 fevereiro 2011

Herdeiro do Codifarito,

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Revista 09  

Revista 09

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