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Fich a t é cn ica Capa: Jade Liz França Curadoria: Jade Liz França e Natália Zuca Tradução Português - Francês: Natália Zuca Revisão Português: Fernanda Marques Revisão Francês: Guillaume Toumi Produção Gráfica: Jade Liz França


Amanda Prestes • 17 anos • Rio Grande do Sul facebook.com/amandaprestesfotografia

João Caetano • 19 anos • Distrito Federal poemsafterpeeing.tumblr.com/

Arthur Camargos • 21 anos • Minas Gerais savageapartment tumblr com

Maíra Oliveira • 21 anos • Minas Gerais

Flávio CRO • 28 anos • Minas Gerais flaviocro.blogspot.com.br

Mana Leak • 20 anos • São Paulo

Guillaume Toumi • 18 anos • Rhône Alpes

Milena Medeiros • 18 anos • Minas Gerais facebook.com/milenamedeirosc

Gustavo Gontijo • 22 anos • Minas Gerais moleskinemale.blogspot.com.br

Paulo Victor Fanaia • 23 anos • Minas Gerais

Iago Passos • 18 anos • Minas Gerais iagopasso.tumblr.com

Tavos Mata Machado • 21 anos • Minas Gerais tavosmatamachado.wordpress.com

Jade Liz França • 18 anos • Minas Gerais flickr.com/jadeliz


Colaboradores


Do caos cinzento da metrópole Das varandas enxergamos uma praça que nasceu junto a cidade. Não da cidade que sempre existiu, mas da cidade construída pra ser cité, pra ser metrópole. Quem não conhece Belo Horizonte costuma não saber o significado da Praça 7 para a cidade. Posso dizer que é um dos lugares mais democráticos de BH. Vemos nesse panorama o espaço da diversidade, do comércio, dos ambulantes, dos protestos e das festas. Não há lugar mais significativo do que o obelisco, o tal pirulito, que marca o centro da praça, que não é um espaço único, mas se divide em quatro, e é rasgada por duas grandes avenidas. O que representa a cité e a metrópole para nós, já era assim considerado pelos músicos


à harmonia colorida da cidade e poetas do século passado. Nossos avós diziam que iam “para a cidade”. Mas espera! A cidade não é aqui e ali? A cidade é o caos, os carros, o mar de gente que percorre as ruas do centro? Essa metrópole de concreto é exatamente assim, mas há vida nesse lugar. É de fato um Lugar. Onde o inesperado e imprevisível acontecem. Onde existem fortes relações sociais, nós que jamais enxergamos quando mergulhamos pelas ruas. Digo que são fronteiras e laços invisíveis que marcam o lugar da praça. Onde caos e harmonia existem juntos e andam um do lado do outro. Alguns veem o caos, mas é possível enxergar as notas harmônicas que fazem a Praça 7 ser o lugar vivo e dinâmico que é. Texto e fotografia Maíra Oliveira


Milena Medeiros


Du chaos gris de la métropole à l’harmonie colorée de la ville Des balcons on voit une place née avec la ville. Ce n’est pas de la vieille ville, mais de la ville construite pour être la cité; la métropole. Qui ne connait pas Belo Horizonte ne connait pas la signification de la Praça 7 (place) pour la ville. C’est en effet l’un des endroits les plus démocratique à B.H; on y voit dans ce panorama l’espace de diversité, de commerce et des colporteurs, des manifestation diverses et des fêtes. Il n’y a pas un endroit qui comporte plus de sens et d’histoire que l’obélisque, on l’appelle sucette, il marque le centre de la place et n’est pas un seul espace, mais divisé en quatre et se déchire en deux grandes avenues. Les musiciens et poètes ont déjà considérés au siècle dernier ce que represente la cité et la métropole pour nous. Nos grands-parents nous disait qu’ils allaient “à la ville”; mais la ville n’est-elle pas ici et lá-bas? La ville, c›est le chaos, les voitures, le raz-de-marrée de gens qui marchent marchent sur les avenues du centre? Cette métropole de béton est exactement comme ça, mais au moins on y trouve de la vie. C’est un véritable endroit. Un lieu où l’inattendu et l›imprévisible se rue. C’est là qu›existent de fortes relations sociales, nous qui ne voyons jamais cela, alors immergé dans les rues bondées. Je dis qu’il y a des frontières et des liens invisibles qui marquent le lieu de la grandplace. C’est là où le chaos et l’harmonie existent ensemble et marchent l›un à côté de l’autre. Quelques-uns y voient la décadence, mais il est possible d›y voir les notes arpégées qui font de la Praça 7 le lieu de vie et de dynamisme qu’il est. Maíra Oliveira


Gustavo Gontijo Colagem

A mulher que nunca desafina GAL COSTA

GG

Gontijo


Luiz das Estrelas

GG

Gontijo


Trilogia das cores AUDREY TAUTOU

GG

Gontijo


Anyone ELVIS PRESLEY

GG

Gontijo


A beleza de Dubai e a natureza do homem Paulo Victor Fanaia

Diversas são as interpretações filosóficas do que seria “beleza” e do que se consideraria “arte”. Da Grécia antiga ao pós-modernismo, diversos pensadores esquematizaram a estética a seu modo. Algumas figuras nos dão contribuições interessantes. Tomás de Aquino via como “belo” o que contivesse em si: forma, integridade, esplendor, sobretudo adequação ao intuito. Umberto Eco reflete em “A história da beleza” que um martelo feito de cristal, apesar da beleza superficial da matéria que o compõe, seria considerado feio por Tomás de Aquino, uma vez que é inade-

quado a função que lhe atribui a forma. Para os gregos, a ordem e a harmonia em Apolo era a resposta para o caos de Dionísio. Só era belo o que fosse justo e harmonioso, dando, por isso, valor a rostos e corpos simétricos. Em Nietzsche teremos a esquematização sobre duas formas, na era moderna da filosofia: a arte Apolínea e a arte Dionisíaca. Uma, valorizando a ordem, a exatidão, a prudência, o cosmo. A outra, valorizando o caos, o sofrimento, o torpe o espalhafatoso. O homem é o microcosmo da natureza e


do universo, pensavam os gregos antigos. Por isso mesmo, a palavra “universo” está ligada, quase que por sinônimo, à palavra “cosmo”, que em grego significa “ordem”, “harmonia”. Mas, se tomarmos por verdade tal suposição, de que o homem é uma mínima parte da mesma estrutura que rege a natureza, temos na psicanálise lacaniana de Slavok Zizek a seguinte proposta: o princípio da natureza não é a ordem, e sim a catástrofe. Nessa linha, por conclusão, ele afirma: “Eu não sou um homem, sou um monstro”. Temos em Piaget o conceito de que a criança, até os 12 anos, vive sua fase de egocentrismo e onipotência: “Tudo posso se eu gritar bem alto” elaboram seguidores do estudioso sobre essa fase. “Tudo posso”; “Vontade de poder”; “Poder”, são as expressões que provavelmente mais permeiam o ego dos sheiks da rica nação muçulmana dos Emirados Árabes Unidos. Ao contrário do que creem alguns, os Emirados Árabes não tem Dubai como

capital, e sim Abu Dhabi. E se pensam que eles possuem história milenar, estão igualmente errados. Na verdade, esse país não passava de deserto até o início do século XX, quando descobriram o petróleo. Rapidamente o país foi divido entre chefes (chamados de Emir, que daí se deriva o nome Emirados), que protagonizaram o maior crescimento vertical já promovido pela humanidade em tão pouco tempo. Em pleno deserto, lagoas e prédios suntuosos brotaram da areia, do dia para a noite. Custando mais de 10 Bilhões de dólares, em 2010 foi inaugurado o Burj Khalifa, considerado o maior arranha céu do mundo, com 828 metros de altura. Frente a ele, um dos maiores shoppings do mundo, que possui dentro dele o Dubai Aquarium, um dos maiores aquários do mundo, visitado pelas pessoas mais ricas do mundo. Para eles, Bill Gates e Steve Jobs são crianças brincando com troco de picolé. A riqueza desses sheiks e emirs são quase impossíveis de serem contabilizadas. Toda uma trajetória cultural no Islã (re-


ligião predominante no Médio Oriente), de fé no destino, do controle do ego e dos impulsos, e da submissão a Deus, quando oram a frase “Deus é maior”, se vê de frente, hoje, em Dubai, a pessoas com uma fome incontrolável de poder, status e imponência. O que se percebe pelo entretenimento televisivo dos sheiks: o programa “Surpreenda-me”, onde o apresentador busca quem é o homem que fará a maior extravagância arquitetônica em Dubai, que vão desde prédios em formato de carta de baralho a ilhas em forma de mapa mundi. Considerando que o nível de vida que levam os trabalhadores braçais de Dubai, em sua maioria formada por indianos, que dividem um minúsculo apartamento de sala e banheiro entre 7 e 10 pessoas, considerando que prédios com tantos apartamentos luxuosos, mas cuja grande maioria é desabitada e que o aeroporto reluzindo a ouro, mas que sempre aparenta estar vazio, são pura e simplesmente frutos do desejo de habitação com estética, Tomás de Aquino, dos diria então, certamente,

que Dubai é feia. Feia, pois, apesar da beleza superficial da matéria que o compõe, não cumpre sua função enquanto garantia de bem estar social para seus moradores. Seguindo pura e simplesmente pelo caminho do luxo pelo luxo e todo vazio estético e existencial que disso se depreende. Se o objetivo deles é ético, estético ou psicanalítico, não se sabe. Mas é cada vez mais visível que, das duas uma: ou os bilionários de Dubai vivem em Apolo, desejando representação estética e arquitetônica de sua estabilidade econômica ou vivem em Dionísio, abrindo mão de sua essência religiosa para lançar-se nos prazeres da satisfação do egocentrismo e da megalomania. Se a segunda for a opção, é provável que Zizek esteja certo em sua análise. Se a cidade for sua própria natureza, projeção do psicológico de quem a constrói, então essa selva de pedra no deserto chamada Dubai - é uma linda e admirável compulsão.


Gato em teto de zinco quente fotografia digital Jade Liz Franรงa


La beauté de Dubai et la nature de l’homme

Paulo Victor Fanaia

Il y a plusieurs interprétations philosophique sur ce que pourrait être «la Beauté» et ce que pourrait être «l›Art». De la Grèce antique jusqu’au postmodernisme, divers penseurs ont figuré l’esthétique à leur façon, dont quelques uns nous apportent des contributions fortes intéressantes. Thomas d’Aquin, par exemple, a considéré comme faisant parti du “Beau” l’ensemble des contenus: la forme, l’intégrité, la splendeur et surtout l’adéquation à l’intention. Umberto Eco exprime dans son “Histoire de la beauté” qu’un marteau fait de cristal serait considère comme laid par Tho-

mas d’Aquin, et ce malgré la beauté superficielle de la matière qui le compose, car il n’est pas approprié à sa fonction. Pour les grecs, l’ordre et l’harmonie sur l’esthétique d’Apollon était la réponse au chaos de Dionysos. Son physique juste et harmonieux suffit à donner la valeur et la symétrie aux visages et corps . Pour Nietzsche il y a les deux formes dans l’ère moderne de la philosophie: l’Art apollinien et l’Art dionysien. La première met en valeur l’ordre, l’exactitude, la prudence et le Cosme, et la deuxième le chaos, la souffrance et le vil.


Dans la Grèce antique, on pensait que l’homme était le microcosme de la nature et de l’univers. Il est donc compréhensible, de par ce fait, que le mot “univers” soit lié presque en tant que synonyme au mot “Cosme”, qui en grec signifie “l’ordre”, “l’harmonie”. Néanmoins, si l’on considère comme vraie la supposition que l’homme est une part minime issu de la même structure que celle qui gouverne la nature, on aura dans la psychanalyse lacanienne de Slavok Zizek la proposition suivante: le debut de la nature n’est pas l’ordre, c’est la catastrophe. En conclusion de ce ratiocine, il afirme: “Je ne suis pas un homme, je suis un monstre”. Piaget, quant à lui, élabore l›idée que les enfants, jusqu›á leur 12 ans, vivent une étape de l’égocentrisme et de l’omnipotence: «Je peux tout si je crie très fort». “Je peux tout”; “Volonté de pouvoir”;

“Pouvoir”, voici les expressions qui probablement imprègne le plus l’ego des cheiks, issus de la riche nation musulmane des Émirats arabes unis. Les Émirats arabes unis, dont la capitale est Abou Dhabi (contrairement à ce que l›on croit généralement en la substituant avec Dubai) n’était qu’un désert jusqu’au début du XX siècle, lorsque fut découvert le pétrole. Rapidement le pays a été divisé entre chefs (qui s’appellait Emir, mot venant du titre “Emirados”) qui sont les protagonistes de la plus grande croissance vertical portée par notre civilisation en si peu de temps. A l’ombre du désert poussent des lacs et des bâtiments sinueux d’un jour à l’autre. Burj Khalifa est considéré le plus grande gratte-ciel du monde avec ses 828 mètres de hauteur. Il a coûté plus de 10 millards de dollars et fut inoguré en 2010. En face de lui se trouve un des plus grands centres comerciaux du monde


qui possède en son enceinte le Dubai Aquarium, un des plus grands aquariums du monde, lui même visité par les personnes les plus riches du monde. Pour eux, Bill Gates et Steve Jobs ne sont que des enfants qui se contentent de piècettes et de sucreries; la richesse de ces cheiks et emirs est presque impossible à comptabiliser. Une trajectoire culturelle des plus importante de la nation est bien entendu l’Islam (religion prédominant au Moyen-Orient) où la la foi au destin, le contrôle de l’ego et des impulsons, et la soumission à Dieu sont des règles d’or à défendre au péril de sa vie. Lorsqu’ils clament la phrase “Dieu est le plus

grand”, on voit en eux aujourd’hui des personnes avec une soif incontrôlée du pouvoir, de prestige et de grandeur.On réalise toute l’absurdité de cette grandilloquence en regardant les programmes télés servis aux cheiks. L’émission “Me surprendre”, par exemple, où le présentateur recherche l’homme qui fera la plus grande extravagance architecturale à Dubai. Il existe des bâtiments avec la forme de carte à jouer et des îles artificielles qui forment une carte du monde. En considérant le niveau de vie des travailleurs de Dubai (souvent Indiens à l›origine) qui vivent dans un appartementes minuscule à 7 ou 10


personnes, les bâtiments avec des centaines d›appartements de luxe dont la plupart ne sont pas habités, et l’aéroport qui ne brille que pour l’or, mais qui nous apparait presque toujours vide, on peut considérer les habitants (ou esclaves?) de Dubai comme simples conséquences du desir de luxe et d›esthétique de nos sociétés occidentales perverties. Thomas d’Aquin nous aurait probablement avoué que Dubai est à ses yeux résolument moche. Moche, puisque malgré sa vaine beauté superficielle et la matière qui la compose, la ville ne rempli pas son rôle et ne garantit pas le bien-être de ses habitants. Tout n›est que le luxe pour le luxe et c›est de là que vient le vide esthétique et existentiel qui en émane.

Si leur objectif est éthique, esthétique ou psychanalytique? On ne sait pas. Les milliardaire de Dubai vivent en Apollon, souhaitant représenter l›esthétique et l›architecture de leur stabilité économique ou ils vivent en Dionysos, rennoncent à l’essence religieuse pour se laisser pervertir par les plaisirs de l’auto-satisfation et de l’égocentrisme mégalo. Si la ville se fait projection inconsciente de celui qui la construit, alors cette jungle de béton éructant du désert du nom de Dubai illustre un splendide et terrible état névrotique.


Apartamento Selvagem Auto-retratos Arthur Camargos


Sobre uma Conexão em Curitiba Tavos Mata Machado

Eu desço buscando o rumor de uma infância que acabou por morrer de velhice. Qualquer familiaridade seria muito bem vinda nem que servisse apenas como um canto de sirene distante que não posso atender. O canto chega, indiscernível num vento gelado que corta minha narina, um líquido retroflexo que faz cócegas no meu ouvido, um telejornal que invoca nomes familiares mas não conhecidos. E só. No mais, estou em terra nenhuma.

Não mais em algum lugar do que em lugar algum. As vitrines não me dão um mapa, nem um acalento. O cheiro do pão de queijo me diz, no máximo, que não estou em Minas. Mas o carpete, os avisos sonoros, as tabelas de horário, a livraria vermelha, o nome inconfidente, o ar condicionado, os preços abusivos, o café espresso, o desfile de ternos, a rede sem fio, a espera interminável, o anúncio em inglês, a joalheria, não me dizem mais sobre mim do que um balcão de Heathrow ou de Guarulhos. Em terra ou ar eu não tenho lar. A rima, como todo o resto, é inadequada.


À propos d’une Connexion à Curitiba Tavos Mata Machado

Je descends chercher la rumeur d’une enfance qui a fini par mourir de vieillesse. Une mélodie familière serait volontiers la bienvenue; tout m’irait même

Pas plus d’un lieu que d’un autre. Les vitrines ne m’offrent pas un repère, pas une tendresse.Seule l’odeur du pão de queijo* m’indique au mieux que je ne suis pas à Minas gerais. Mais le sol,

un lointain chant de sirène auquel je ne peux répondre. La chanson se glisse, indicible

le brouhaha, les cadres horaires, la librairie rouge, le nom déloyal, la climatisation, les prix exorbitants

au vent glacial qui saigne mes pauvres narines; un liquide gluant me chatouille

le café expresso, le défilé de costumes, le wi-fi, l’interminable attente, la bijouterie et la publicité anglaise

dans l’oreille, un journal télé qui évoque des noms de famille que je ne connais pas. Je suis seul.

ne m’apprennent pas davantage sur moi qu’un balcon d’Heathrow ou de Guarulhos.

Je ne suis plus d’aucune terre.

Sur terre ou aux cieux je n’ai pas de chez moi. Le rythme, comme le reste, n’a pas sa place ici. * Pão de queijo: pain typique de la region de Minas Gerais au Brésil


Milena Medeiros


sinfonia pra fechar o dia symphonie pour clore le jour

a musica polirrítmica que a cidade toca noturna a agonia das engrenagens do ônibus o descompassado ritmo dos meus passos a melodia do vento sussurrando noturno contrariando a cidade que tem sono o barulho das chaves alguns tiros lá fora e eu caio morto na cama

la coeur à plusieurs voix que chante la ville la nuit durant l’agonie mécanique de l’autobus le disgracieux rythme de mes pas la mélodie du vent la sussure nocturne envers et contre la ville somnolante le tintement des clés quelques coups de feu à l’extérieur je tombe mort dans le lit

Iago Passos


Flรกvio CRO


Carca莽a Fotografia anal贸gica Amanda Prestes


“Le monde ne s’épelle pas” (extrait) “O mundo não escrito” (extrato) Guillaume Toumi

Ne fuyez pas la peur de vivre dans l’irrationnelle; on ne vainc sa folie qu’en s’y lovant tête baissée. Peignez des nuits mortes sur des débris d’étoile. Affublez-vous d›un masque de cafard et rampez jusqu’au soleil. Dansez à la beauté de la lune sur une plage de sang menstruel, asphyxiez-vous de poésie et de luciole, crevez les deux poches d’iris qui vous dévisage dans le miroir et dites-lui de vous regarder enfin. Nous sommes des brulés qui apprennent à manier leurs f lammes, n›ayons pas la lâcheté de ne pas devenir des brulots contre le monde. Ne soyez pas un songe qui se condamne à vivre dans le monde réel.

Não fuja do medo de viver no irracional; a gente não derrotou a loucura que está entrelaçando a cabeça para baixo. Pinte noites mortas sob os destroços da estrela. Vista-se com uma máscara de barata e rasteje até o sol. Dance na beleza da lua em uma praia de sangue menstrual, seja asfixiado de poesia e de vagalumes, estoure os dois bolsos de iris que você olha no espelho e diga a eles para enfim te ver. Nós somos os queimados que aprenderam a manusear suas chamas, não seremos covardes para não nos tornar destruidores do mundo. Não seja um macaco que se condena a viver no mundo real.


Mana Leak


Segura os braços que eu seguro as pernas Gardes

les

bras(rme)

que

je lui tienne les jambes

Depois a gente volta pra pegar a cabeça e o tronco Ensuite

on

retourne

choper le crâne et le coeur


Brincando de jogar na água Double

jeu

à

l’eau

João Caetano



Twent #6