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Fevereiro / 2012

Carta ao Leitor

Caro leitor,

Ilustração: Tile Amato

O

final das férias chegou e já vem o carnaval quase emendado no começo das aulas, para a alegria da nação brasileira, que vibra com um calendário recheado de feriados nacionais. E ainda nesse clima de verão, aproveitamos para dizer que nossa Très vem repleta de coisas boas. Capa do artista plástico Marcos Góes e ensaio fotográfico carnavalesco por Thiago Alvin, que mostra, nesta edição, um ensaio com uma proposta inteligente e corajosa. Grandes reportagens como o projeto de balé com deficientes visuais da paulistana Fernanda Bianchini, que esteve em dezembro emocionando o público do Sesc Thermas de Prudente; pela jornalista Eliane Gushiken, que, a partir desta edição, assume o jornalismo da Revista Très. Nossa equipe cresceu! Além de nossa jornalista Eliane, a família Très conta com a nova colunista social – Maria Luiza Chemin e a assessora de imprensa - Mayne Santos, que vem acrescentar muita experiência e competência à nossa equipe. Dica de música, filmes, livros e uma dica de viagem de tirar o fôlego. Nesta edição, introduzimos uma nova seção: “Sua história emplacou”: São nomes de pessoas que fizeram a história de Prudente e, consequentemente, tornaram-se placas de ruas e avenidas na cidade. Nosso conteúdo é variado e gostaríamos de poder comentar o resto das reportagens, entretanto, para encurtar, só nos resta desejar que aproveitem a leitura!


Colaboradores

Fevereiro / 2012

Colaboradores 1

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5 - Catarina Cunha é “très fashion”! Nossa colaboradora de moda esteve no SPFW e traz todas as dicas para o inverno 2012. 6 - Antônio Cézar Leal convida os leitores à reflexão a partir do texto: “O verão e a vida na lama. Até quando?” Vale a pena conferir! 7 - Paulo Brazyl entrevista o artista plástico prudentino Roberto Bertoncini, e acrescenta aos textos de nossa revista um pouco mais da arte local.

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1 - Mariangela é graduada em Letras e mestre em Comunicação. É nossa revisora de textos e este mês acrescenta as páginas da Très com a história de Joana D’Arc . 2 - Cid Jr. é formado em publicidade pela Facopp e cursa Jornalismo. Atualmente trabalha na Rádio Comercial AM como comentarista esportivo. 3 - O artista plástico Tile Amato dá um toque especial à nossa Carta ao Leitor com uma bela ilustração carnavalesca.

8 - Neste mês, o tema de nosso jornalista e colaborador de cinema Luiz Dalle é o Oscar 2012. Será que o seu favorito vencerá? 9 - Estudante do quinto termo de jornalismo da Unoeste, deputado estadual jovem em 2009, ex-presidente de juventude partidária. Raphael Marquezi Pereira é nosso colaborador de política. 10 - Graduada em Jornalismo pela Unoeste e mestranda em Televisão Digital: Informação e Conhecimento pela Unesp/Bauru, Eliane Gushiken enriquece nossa equipe de jornalismo. Confira o texto: “A arquitetura do balé por meio da simetria do toque”. 11 - Mayne Santos, formada em Jornalismo pela Facopp, vem somar talento na equipe com sua assessoria de imprensa.

12 - Chegando com tudo, Maria Luiza Chemin cola4 - Camila “Gourmand” Galindo deixa todos com bora este mês com as colunas sociais, e se prepara para água na boca em seu texto sobre suas deliciosas trufas! assumí-las 100% em março.

Expediente

Publicação: Grupo Très (Claudia Junqueira e Amanda Carvalho) ** Jornalista: Eliane Gushiken ** Jornalista Responsável: Claudia Junqueira ** Revisora de texto: Mariangela Fazano ** Fotografia: Amanda Carvalho ** Proj. Gráfico e Diagramação: Daniel Franco Luizari ** Assessora de Imprensa: Mayne Santos (18) 9119-9803. Entre em contato com a nossa redação. disque: (18) 8113-0736 / (18) 9737-7566 ou envie um email: contato@revistatres.com.br. / Todas as imagens utilizadas em nossas matérias são cedidas e de responsabilidade de seus autores ou representantes do conteúdo. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução parcial ou total sem autorização. Capa: Marcos Góes


Sumário

Fevereiro / 2012

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Seção nova: Sua história EMPLACOU! Cel. Marcondes

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Ensaio Fotográfico: Carnaval é para todos!

Um pouco mais A arquitetura do balé

14 por meio da simetria do toque.

20 Joana D’Arc - A heroína dos “Cem anos”

30 A Arte, por

Roberto Bertoncini

46 Educar? Tarefa de todos!

Dica de Viagem: Madagascar - A ilha mágica ao sul da África.

6 Notícias 8 Política 10 Saúde 12 Quem 13 Gastronomia 18 Moda 24 Coluna Social Bonjour 28 Artes 41 Passou por Aqui 42 Cinema 44 Dica de Livro 45 Música 52 Meio Ambiente 56 Esporte 58 Coluna Social Bonsoir 61 Crônica


Por: Eliane Gushiken Fontes: www.portalprudentino.com.br / www.folha.com

Notícias

Notícias

Locais, Nacionais e Mundiais

Locais Espaço Empresarial

No último dia 5, o Prudentão recebeu o jogo Santos x Palmeiras, válido pelo Campeonato Paulista. Mais de 25 mil torcedores viram o centésimo gol do aniversariante Presidente Prudente vai Neymar e a virada palmeirense nos minutos finais (1 x 2). receber uma unidade do O time alviverde nunca perdeu clássicos disputados na Espaço Empresarial do cidade. São oito vitórias e três empates. Governo de São Paulo. O projeto será composto por laboratórios, salas de treinamento e outros compartimentos voltados para a inovação tecnológica.

Mundiais

Nacionais Queda do sétimo ministro Mário Negroponte pediu demissão do Ministério das Cidades. Desde o ano passado foi envolvido em suspeitas de pagamentos de mesadas, fraude em projeto da Copa do Mundo e encaminhamento de emendas favoráveis a sua esposa. O deputado Aguinaldo Ribeiro (PB) substituiu o sétimo ministro a sair do governo Dilma.

A novela das sacolinhas

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Clássico

Nos próximos 60 dias, os supermercados terão que oferecer opções aos consumidores desprevenidos. O termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado pela Associação Paulista de Supermercados (Apas), o Procon de São Paulo e o Ministério Público Estadual. O objetivo é que o consumidor tenha mais tempo para se adaptar. A multa será de R$25 mil aos estabelecimentos que não cumprirem o acordo. Revista Très - Fevereiro / 2011

Jovem de 14 anos vai apresentar projeto no Campus Party

O chileno Sebastían Alegría, de apenas 14 anos vai mostrar no Campus Party um serviço de alarme que avisa de 5 a 30 segundos um tremor. Para tanto, ele comprou um detector de terremoto caseiro e integrou o equipamento no Twitter (@ AlarmaSismos), que já possui mais de 165 mil seguidores.

Realeza completa 6 decênios no poder A rainha Elizabeth 2ª, 85 anos, completa os 60 anos de seu advento ao trono, ficando atrás somente da rainha Vitória, que permaneceu 63 anos no poder. Por meio de uma carta, ressaltou “a força da família”, agradeceu o carinho dos britânicos e renovou seu compromisso com o Reino Unido. As comemorações do Jubileu de Diamante vão ocorrer em junho.


Política

A ignorância do gigante

A ignorância do gigante Texto: Raphael Marquezi Pereira Ilustração: Daniel F. Luizari / arquivo

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esde o fim de 2011 somos a sexta economia do mundo. Deixamos a Inglaterra para trás e encostamos na França. Fato que foi muito comemorado pelo governo, pela imprensa e pelo povo brasileiro, que já estava de “saco cheio” de ouvir dizer que somos “o país do futuro” ou que o Brasil é um “Gigante Adormecido”, pois todo brasileiro, de norte a sul do país, já conhecia o potencial de nossa pátria e sabia também o quanto ela já foi deixada de lado. Agora, recebendo toda a atenção do mundo, podemos dizer que o “Gigante” despertou e parece estar interessado em crescer mais, e até mesmo, se tornar o mais forte dos “gigantes”. Mas como se tornar o mais forte de todos se o nosso sistema público de educação é de baixa qualidade? E como falar em futuro se quase 20 milhões de brasileiros não sabem ler e nem escrever? Tomamos como exemplo o último ranking de avaliação de desempenho da educação, realizado pela UNESCO, que foi divulgado em Março de 2011. Segun-

Revista Très - Fevereiro / 2012

do a pesquisa que avaliou a educação pública em 127 países, o Brasil ficou em nada mais e nada menos que na 88ª colocação. Ficamos atrás de Peru, Argentina, Venezuela, Chile, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Colômbia e Equador. Ou seja, na América do Sul, estamos a frente apenas do Suriname. Um país miserável, que tem um PIB equivalente a 0,2% do nosso, algo próximo de 5 bilhões de dólares e que não tem muito o que fazer para se desenvolver. E sabe quantas posições estamos acima deles? Quatro. Eles ficaram em 92º lugar. Por que será?

Quase 20 milhões de brasileiros que não conseguem pegar um ônibus por não saberem ler e/ou que se submetem a trabalhos abusivos, até mesmo escravos, para poder sobreviver e manter a família

Outro dado, que é do censo 2010, aponta que a taxa percentual de analfabetismo no Brasil é de exatamente 9,6%. Sabe o que significa isso? Quase 20 milhões de brasileiros que não conseguem pegar um ônibus por


não saberem ler e/ou que se submetem a trabalhos abusivos, até mesmo escravos, para poder sobreviver e manter a família. E ainda há dados piores. Nos estados mais pobres é onde a o analfabetismo domina. Em Alagoas o índice é de 22,5 %, no Piauí 21,1 %, Paraíba 20,2 % e Maranhão 19,3%. O nível desses estados é semelhante ao de países subdesenvolvidos. Apesar de tudo, em dez anos, essa média caiu 4% em nível nacional. Ou seja, se continuarmos no mesmo ritmo, erradicaremos o analfabetismo, na população com mais de dez anos de idade, em praticamente 25 anos. Será que em duas décadas e meia estaremos mais ricos ou mais pobres? Pare e pense: o que nos impede de desenvolver? Temos um país cheio de

belezas naturais, rico em minérios, em fauna, flora e, principalmente, água limpa que gera energia e abastece as nossas casas. Melhor do que isso é saber que so-fremos muito pouco com desastres naturais, algo que prejudicaria demais o nosso crescimento. Poxa! Mas como o Japão consegue ser a terceira economia do mundo tendo tanta limitação em matéria-prima, território, fauna, flora e sofrendo frequentemente com terremotos,

tufões ou até tsunamis? A resposta é educação. A mesma pesquisa que colocou o Brasil em 88º lugar (citado no segundo parágrafo) definiu que o melhor desempenho da educação no mundo é do Japão. Este mesmo país começou a investir em educação quando foi devastado na 2ª Grande Guerra Mundial e percebeu que a única forma de se reconstruir era no sistema de ensino. Com isso, hoje, o Japão um índice de analfabetismo de 0 %. Melhor do que isso é ver o nosso país no mesmo patamar ou acima. Caro leitor, não estou dizendo que estamos perdidos ou que estamos vivendo um momento de pura ilusão. Na realidade vivemos uma nova fase. A fase de um Brasil novo, com menos miséria, mais força e muito mais democrático. Mas o fato é que o Brasil não pode continuar nesse ritmo. Ou será que vamos ter que passar por tudo o que Japão já passou, para poder entender que o que há de mais importante para uma nação é ter uma educação de qualidade, que seja prioridade? Como disse uma vez o grande filósofo norte-americano, John Dewey: “ A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida.”. Preciso falar algo mais?

9 Fevereiro / 2012 - Revista Très


Aprendizagem: uma visão psicopedagócica

Saúde

Aprendizagem: uma visão psicopedagógica

Por: Dra. Thaissa Junqueira Fotos: Amanda Carvalho / Arquivo •Pedagoga- Unesp- Presidente Prudente •Psicopedagoga Clínica- Universidade Presbiteriana Mackenzie e Instituto Sedes Sapientae- São Paulo

A

Psicopedagogia é uma especialidade das áreas de saúde e educação que tem como objeto de estudo a compreensão do processo de aprendizagem e suas intercorrências. O processo de aprendizagem ocorre pelo conjunto associado de fatores biológicos, psíquicos, sociais, que devem trabalhar em equilíbrio. Caso ocorra uma falha nesta estrutura biopsicossocial, comportamentos atípicos podem indicar distúrbios e/ou dificuldades. Distúrbio tem o significado diferente de dificuldade, quando relacionados à aprendizagem em uma abordagem psicopedagógica. Sendo assim, a Psicopedagogia os descrimina da seguinte maneira:

• Distúrbios de Aprendizagem:

•Formação em Dislexia- Associação Brasileira de Dislexia- São Paulo •Formação em PEI I( Programa de Enriquecimento Instrumental) Central

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Didática- Edith Rubeistein- São Paulo •Projetos na área de Saúde Mental

Revista Très - Fevereiro / 2012

Apresentam disfunções de ordem neurológica e genética. Estas podem afetar o funcionamento de órgãos que executam tarefas específicas relacionadas a percepção auditiva, visual, de habilidades em leitura e escrita, raciocínio matemático, atenção seletiva, entre outros.


• Exemplos :

-Dislexia: Distúrbio específico de Linguagem, no qual problemas de leitura, escrita e soletração estão frequentemente incluídos; -Discalculia: Está relacionada à Dislexia- dificuldade no aprendizado da matemática; -Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade: Desenvolvimento não adequado da Atenção Seletiva que pode influenciar na habilidade de manter a atenção em tarefas que exigem um reforço mental prolongado.

• Dificuldades de Aprendizagem: Os fatores que podem interferir nas dificuldades do aprendizado estão interligados a comprometimentos emocionais; questões sócio-econômicacultural; e falta de oportunidades educacionais adequadas. Não apresentam comprometimentos neurológicos e/ou genéticos. Podem ser vários os motivos que levam ao fracasso escolar: Questões neurológicas, psicológicas, condições pedagógicas, meio sócio-cultural. Por esta razão é importante que pais e instituições estejam atentos para que possam tomar ações preventivas e assim a avaliação e o tratamento, se necessário, iniciem precocemente. Para diagnosticar distúrbios e/ ou dificuldades de aprendizagem são realizados procedimentos avaliativos, como a Avaliação Psicopedagógica e o Diagnóstico Multidisciplinar. A Avaliação Psicopedagógica tem por finalidade identificar a modalidade de aprendizagem, ou seja, como a pessoa aprende, quais são suas habili-

dades, capacidades e dificuldades para a aquisição de uma boa aprendizagem. Quando se tem a hipótese de distúrbios no processo de aprendizagem , realiza-se o diagnóstico multidisciplinar. O Diagnóstico Multidisciplinar envolve o trabalho integrado de profissionais da medicina, fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, pedagogia, psicopedagogia, terapia ocupacional, e outros na investigação de detalhes que possam classificar um distúrbio de aprendizagem ou desconsiderá-lo. No caso do distúrbio ser diagnosticado pela equipe, cada profissional, dentro da sua área de trabalho e conhecimento e também de maneira multidisciplinar, irá traçar Intervenções na tentativa de oferecer melhores condições de qualidade de vida ao aluno e/ou paciente. Na intervenção Psicopedagógica, são elaboradas atividades para a necessidade específica da criança/adolescente/ adulto diagnosticado com distúrbios e/ou que apresentam dificuldades de aprendizagem. Estas são propostas de trabalho para otimizar as capacidades cognitivas e trabalhar com as dificuldades já existentes , como também as que surgirão ao longo do tratamento. O tratamento das dificuldades e dis-

túrbios busca caminhos para despertar o prazer pelo ato de aprender, para isto a brincadeira, o jogo, os trabalhos manuais e criativos, associados a estratégias pedagógicas procuram ser instrumentos mediadores para colaborar na aquisição de habilidades e/ou reabilitações de capacidades orgânicas, pedagógicas, psíquicas e sociais que apresentam-se deficitárias. A Psicopedagogia e seu exercício, seja em um ambiente institucional ou clínico, traz uma oportunidade de desmistificar o “não consigo aprender de forma alguma”, para um outro contexto, no qual, muitas são as maneiras de conquistar um equilíbrio nas questões de ensinoaprendizagem, e o trabalho psicopedagógico eficaz poderá ser um norteador para encontrar o caminho.

11 Fevereiro / 2012 - Revista Très


Quem

O famoso quem

O famoso Très: Quando e como se tornou engraxate? Brahminha: Faz quase vinte anos. Eu gosto de fazer esse trabalho, mas também sou formado em direito há nove anos. Très: Qual a pessoa mais famosa que já engraxou os sapatos? Brahminha: É bom não citar um só porque são muitos e não quero deixar ninguém enciumado. Tem várias almas boas que prestigiam o meu trabalho. E para todos os clientes eu mando cartão de aniversário, bilhete, assisto suas palestras. Tem um grande advogado aqui de Prudente que diz que eu sou uma pessoa diferenciada. Eu emprestei um livro do Assis Chateaubriand para ele e ele está lendo. Ele me diz: - Brahminha continue assim, do jeito que você é. Très: E Porque Brahminha? Brahminha: Ah, não tem jeito, é porque trabalhei na Brahma Foto: Amanda Carvalho

José Carlos G. Nunes “Brahminha”

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Mesmo quem passa distraído pelas ruas de Presidente Prudente, não pode deixar de notar essa simpática figura. Aqueles prudentinos que têm o costume de engraxar os sapatos já são seus velhos conhecidos. Estamos falando de José Carlos Garcia Nunes, mais conhecido como Brahminha, engraxate com orgulho e amor à profissão. Sentado em um banco no centro da cidade, Brahminha deu a Très uma entrevista que foi uma lição de humildade, simpatia e cultura. Revista Très - Fevereiro / 2012

Très: Para onde gostaria de ir, se pudesse tirar férias de um mês? Brahminha: Pode existir qualquer lugar do mundo, pode ter a Europa, mas eu prefiro o Rio de Janeiro. Eu queria ter ido ano passado que foi centenário do Noel Rosa. No Rio eu também gostaria de conhecer o Teatro Municipal. Très: Família? Brahminha: Minha mulher e minhas duas filhas. Eu dei o nome de uma delas, Karina, ao lanche que tive. Très: Uma frase. Brahminha: Quando uma pessoa recebe uma gentileza, tem que agradecer. As pessoas têm que saber respeitar os mais humildes. Para cair é fácil e a subida é difícil. Deus dá o poder e também pode tirar.


Trufas de Chocolate

Gastronomia

Por: Bien Gourmand Gastronomia E-mail: biengourmand@live.com / Foto: Amanda Carvalho

“ Trufas

de chocolate

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esta edição, vamos falar das famosas e deliciosas trufas de chocolate. Como muitos já devem saber, trata-se de um doce com sabor e textura muito agradáveis aos nossos sentidos. Feita a partir do chocolate, é levemente amaciada com creme de leite e condimentada com qualquer sabor, de escolha do chefe. Essa massa é moldada à mão em formato redondo e tradicionalmente leva cobertura de cacau em pó. Essa nossa conhecida trufa de chocolate foi assim batizada por inspiração no tubérculo encontrado na Itália e na França, apenas em determinadas épocas do ano. Essa raridade, tão complexa em seu sabor e aroma, faz com que se torne muito cara e cobiçada, sendo atualmente servida em poucos restaurantes. A interessante semelhança entre elas é sua forma irregular e sua camada externa, já que quando a trufa orgânica é colhida, sai envolta de terra. Esta imagem consagra a identidade com a trufa de chocolate, quando coberta pelo cacau em pó. Hoje, no entanto, a cobertura com o cacau em pó é pouquíssimo utilizada, pois a faz perecer rapidamente. Sua cobertura passou a ser feita com o banho em chocolate, que a protege por até 20 dias. Essa delícia pode ser servida com o cafezinho, como sobremesa, em aniversários e casamentos. Não existem restrições quanto a hora e o local de consumir uma trufa, ela é sempre bem vinda! Fevereiro / 2012 - Revista Très

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Um pouco mais

A arquitetura do balé por meio da simetria do toque

A arquitetura do balé por meio da simetria do toque Texto: Eliane Gushiken

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eche os olhos durante 15 minutos e imagine como poderia preenchê-lo. E, se esse tempo fosse prorrogado para 90 minutos? Enquanto uns aproveitariam para tirar um cochilo ou conversar, outros permitiriam que o medo surgisse aos poucos. Mas, para as meninas da “Associação de Ballet e Artes para cegos, Fernanda Bianchini”, esse período é apreciado em apresentações. A dança explanada nesse tempo médio é efeito dos ensaios ministrados pela bailarina e fisioterapeuta, Fernanda Bianchini. As atividades do balé para deficientes começaram Revista Très - Fevereiro / 2012

Fotos: Claudia Junqueira

em 1995, no Instituto dos Cegos e em 2003, após o fim dos ensaios do grupo naquele ambiente surgiu a Associação, que além do balé clássico oferece dança de salão, sapateado, expressão corporal e a partir de 2012 a estimulação precoce para bebês. A companhia é composta por 10 professores e cerca de 70 alunos de 3 anos até a terceira idade. Há também deficientes auditivos, mentais, motores e, 10% das vagas são destinadas a pessoas que não possuem deficiência. Por meio das parcerias e apresentações, a associação consegue pagar o cachê de 15 alunas do grupo principal.


Fernanda Bianchini e suas alunas em workshop e apresentação de balé ministrados no mês de dezembro no Sesc Thermas, durante

O método pioneiro de ensino aplicado é resultado da dissertação de Mestrado de Bianchini. “É através do toque que elas aprendem a dançar. A percepção corporal é importante. Eu toco o corpo da menina, ela sente o movimento e depois tenta reproduzir”, diz Nos ensaios, os comandos verbais são necessários. “Eu falo a coreografia enquanto elas dançam para que possam decorar e também dou instruções em relação ao palco, conta Bianchini. O grupo está próximo da apresentação número 2000. No currículo constam apresentações em Buenos Aires e diversas cidades do país, programas do Faustão e Criança Esperança, curso em

New York, além de já terem dividido palco com Ana Botafogo e o balé russo, entre outros. Presidente Prudente recebeu o espetáculo e workshop no final de 2011. Foi realizada uma vivência onde cada bailarina guiava uma pessoa de olhos vendados. No começo o medo predominava, mas depois iam sentindo o mundo do deficiente visual. Segundo a professora, “a maioria admite que jamais pensou ser conduzido por um deficiente. Eles passam a valorizar mais, compreendem que o deficiente pode ajudar”. Bianchini revela que o balé é movimento e terapia, pois trabalha o corpo e faz bem ao espírito. Ela vai continuar lutando pela associação. “Eu aprendi a enxergar o mundo com os olhos do coração. Quero mostrar a sociedade que tudo é possível. Essas meninas estão quebrando barreiras e realizando sonhos”. A essência da arte do balé está na sensibilidade. Essas bailarinas possuem uma identidade com a dança. Elas são especiais. Só precisam do toque, palavra e ação para aprender. Afinal, o dom de sentir de olhos fechados é o maior salto de um artista.

passagem por Presidente Prudente.

15 Fevereiro / 2012 - Revista Très


Emplacou!

Sua história emplacou! - Cel. Marcondes

Coronel José Soares Marcondes Uma parte da história de Prudente contada pelo seu neto, Sr. Lauro Marcondes Texto: Claudia Junqueira / Fotos: Amanda Carvalho / Cedidas

Com pouco mais de 200 mil habitantes e 94 anos, Presidente Prudente tem muita história para contar. Pensando no legado para as futuras gerações prudentinas, a Très teve a ideia de introduzir esta sessão que resgata um pouco da colonização da cidade. São histórias de pessoas que ajudaram a construir, desbravar e consequentemente, ganharam nomes de rua, avenidas e praças de Prudente. Começaremos com uma das principais avenidas da cidade: A Avenida Cel. Marcondes.

Na foto, o Coronel José Soares Marcondes e sua esposa Dona Emília Mori Marcondes. Sr. Lauro Marcondes, neto do Cel. José Soares Marcondes, durante entrevista para a Revista Très.

16 Revista Très - Fevereiro / 2012

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o alto de seus 82 anos e de uma simpatia e lucidez impressionante, eis que recebo em minha residência um prudentino ilustre para uma agradável e interessante entrevista: Sr. Lauro Marcondes, neto de um dos fundadores de nossa querida Presidente Prudente. Sr. Lauro que já foi presidente do Museu Municipal, membro da Secretaria da Administração, ITESP, presidente da Fundação Mirim, presidente do Conselho Municipal da Criança, entre outros, já fez muito pela cidade. Acompanhado de dois de seus seis netos, a Maria Amália e o Augusto, Sr. Lauro relembra com nostalgia de seu avô, o coronel José Soares Marcondes, natural de Barra Mansa, foi casado com a dona Emília Mori Marcondes , teve sete filhos e chegou a nossa cidade no ano de 1917.


Foto da Praça 9 de Julho de arquivo pessoal.

Em momento de discontração, Sr. Lauro Marcondes

Coronel José Soares Marcondes educou seus sete filhos com fartura, sempre priorizando a educação, enfatiza Sr. Lauro. Seus filhos eram todos poliglotas, tocavam música, cantavam, declamavam entre outras atividades artísticas. Segundo Sr. Lauro, seu avô fazia questão que tantos seus filhos quanto seus netos fossem criados e educados com riqueza cultural. Sr. Lauro conta que seu avô chegou a Prudente antes do coronel Manoel Goulart e também da ferrovia. Com mais de mil alqueires de terra em Prudente, companhias colonizadoras na capital e mais um milhão de alqueires no norte do Paraná, coronel José Soares Marcondes começou sua colonização em Prudente. Trouxe muitos operários de Franca e Ribeirão Preto para a lavoura do café – forte e única cultura que gerava a riqueza da região na época. Quando em meados de 1929, 1930 a cultura do café

Sr. Lauro conta que seu avô chegou a Prudente antes do coronel Manoel Goulart e também da ferrovia.

teve seu declínio, coronel Marcondes teve que mudar seu projeto para uma multicultura, onde plantava algodão, amendoim, milho, etc. Prudente foi crescendo paralela a essas culturas, que geravam riqueza e traziam benfeitorias e população para a cidade. A colonização de Prudente deu-se assim, resumidamente: as terras de Goulart margeavam à esquerda da Sorocabana, e as de Marcondes à direita. Dentre as benfeitorias de cel. Marcondes, está uma usina hidrelétrica, a Caiuá, o Matarazzo, a igreja Nossa Senhora da Aparecida, além de estimular Felício Tarabai a fazer a Telefônica, na Rui Barbosa.

com os netos Maria Amália e Augusto.

Segundo Sr. Lauro, seu avô provocou o crescimento das colônias estrangeiras em Prudente, trazendo famílias de italianos, alemães e portugueses. Com grande influência política por representar o governo em São Paulo, coronel Marcondes tinha muito prestígio e conseguiu com facilidade desbravar e trazer muitas benfeitorias para a cidade, além de também colonizar grande parte do norte do Paraná. Em aproximadamente 20 anos de história em Prudente – já que faleceu cedo, aos 40 e poucos anos, o coronel José Soares Marcondes desbravou esta cidade e deixou de herança grandes benfeitorias para as futuras gerações prudentinas. Conversar com Sr. Lauro Marcondes foi mais do que uma simples entrevista, foi uma lição de vida e cidadania.

17 Fevereiro / 2012 - Revista Très


Moda

SPFW - Tendências do inverno 2012

SPFW

Acompanhe as novas tendências do inverno 2012!

Enquanto aproveitamos a estação mais quente do ano, as passarelas da moda apresentam os desfiles com as coleções do inverno 2012. Em janeiro aconteceu a última edição de um dos eventos de moda mais badalados do país, a SPFW. Grandes marcas mostraram suas criações nos desfiles que aconteceram na bienal em São Paulo. A Très esteve presente e resumiu nessa edição as principais tendências para a próxima estação. Quer saber quais são elas? Então dá uma olhada: Texto: Catarina Cunha / Fotos: Arquivo / Blog: www.catarinacunha.com

Tons da natureza:

Camelo, Verde, Vinho, Marinho, Mostarda e Terracota. Essas são as principais cores que prometem dominar o inverno 2012. Cada uma remete a um elemento da natureza como terra, água, fogo e ar.

Veludo molhado: O veludo ficou algumas temporadas sem mostrar a cara. Esse ano o tecido volta e de forma bem marcante. Aposte no material que além de ser requintado, é também sinônimo de elegância.

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Conjuntinhos:

A tendência “à la Lagerfeld” vem com tudo! Combinar a parte superior com a inferior é uma forte aposta. Tanto em tecidos lisos (monocromia) ou em estampados (padronagem), invista nessa ideia! Revista Très - Fevereiro / 2012


Couro:

O material é um clássico característico da estação. Nesse inverno mais do que nunca ele vem com tudo! Peças com cortes e detalhes mais elaborados são as melhores apostas.

Monocromia:

Depois de um bombardeio de looks “color blocking” agora é a vez dos looks monocromáticos. O inverno pede uma conotação mais discreta do que o verão e essa tendência é ideal, onde todas as peças do look são de uma só cor.

Metalizados:

Eles já mostraram a cara no verão e agora vem com força total! As peças metalizadas nos tons de dourado, cobre ou prata serão itens indispensáveis nos clostes das antenadas!

Étnico:

Uma das propostas mais ousadas da estação. A tendência é focada na a miscigenação de culturas e povos. O ponto mais marcante das coleções que investiram nela, foi a estamparia.

19 Fevereiro / 2012 - Revista Très


Um pouco mais

Joana D’Arc - A heroína dos “Cem anos”

Joana D’Arc

A heroína dos

“Cem anos” Texto: Mariangela Fazano / Fotos: Arquivo

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Acima, estátua de Joana d’Arc na Catedral de NotreDame-Paris. À direita, o quadro: A Prisão de Joana D’Arc, de

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Adolphe Alexandre Dillens.

Revista Très - Fevereiro / 2012

emblemática história da mártir francesa Joana D’Arc (em francês Jeanne d’Arc) , é recheada de controvérsias. Segundo a escritora Irène Kuhn, Joana d’Arc foi esquecida pela história até o século XIX, conhecido como o século do nacionalismo. Irène Kuhn escreveu: “Foi apenas no século XIX que a França redescobriu esta personagem trágica.” Por vezes chamada de “donzela de Orléans”, Joana era filha de Jacques d’Arc e Isabelle Romée e é a santa padroeira da França. Foi uma heroína da Guerra dos Cem Anos, durante a qual tomou partido pelos Armagnacs, na longa luta contra os borguinhões e seus aliados ingleses. Foi por isto canonizada quase cinco séculos depois de ter sido queimada viva. Joana nasceu em numa cidade chamada Domrémy, localizada na região de Lorena (Lorraine) na França, em 24 de fevereiro de 1412, de acordo com seu interrogatório. Posteriormente, a mesma cidade foi renomeada como Domrémy-la-Pucelle, em sua homenagem (pucelle significa donzela). Uma das controvérsias de sua história é a real data de seu nascimento, pois quando interrogada sobre sua idade, em meados de sua execução, respondia

sempre “tenho 19 anos, mais ou menos.” Na verdade esta imprecisão, se dá pelo fato de na época não haver uma preocupação com a data exata dos nascimentos, por isso o termo “mais ou menos” era muito recorrente. Tinha quatro irmãos: Jacques, Catherine, Jean e Pierre, sendo ela a mais nova deles. Seu pai era camponês, de uma descendência humilde e analfabeta, sua mãe lhe ensinou o legado dos afazeres de uma menina da época, como fiar e cos-

Tinha quatro irmãos: Jacques, Catherine, Jean e Pierre, sendo ela a mais nova deles.

turar. Joana também era muito religiosa ia muito à igreja e frequentemente fugia para ir orar na igreja de sua cidade.


Em seu julgamento, outra controvérsia de sua história, Joana afirmou que desde os treze anos ouvia vozes divinas. Segundo ela, a primeira vez que escutou a voz, ela vinha da direção da igreja juntamente com uma claridade e uma sensação de medo. Dizia que às vezes não a entendia muito bem e que as ouvia duas ou três vezes por semana. Entre as mensagens, estavam conselhos para frequentar a igreja e que deveria ir a Paris para levantar o domínio que havia na cidade de Orléans. Posteriormente ela identificaria as vozes como

Segundo ela, a primeira vez que escutou a voz, ela vinha da direção da igreja juntamente com uma claridade e uma sensação de medo.

sendo do arcanjo São Miguel, de Santa Catarina de Alexandria e de Santa Margarida. Na verdade estas vozes pediam para ela salvar a França das mãos dos ingleses. Durante alguns anos, ela mantém essas mensagens em segredo. Aos 16 anos, Joana foi a Vaucouleurs, cidade vizinha a Domrèmy. Onde recorreu a Robert de Baudricourt, que era capitão da guarnição em Armagnac estabelecida em Vaucouleurs, para lhe ceder uma escolta até Chinon, onde estava o rei, já que teria que atravessar todo o território hostil defendido pelos aliados ingleses e borguinhões. Quase um ano depois, Baudricourt aceitou enviá-la escoltada até o delfim. A escolta iniciouse aproximadamente em 13 de fevereiro de 1429. Entre os seis homens que a acompanharam estavam Poulengy e Jean Nouillompont (conhecido como Jean de Metz). Jean esteve presente em todas as batalhas posteriores de Joana d’Arc.

Então em 1429, deixa sua casa na região de Lorraine e viaja para a Corte do Rei francês Carlos VII. Consegue então convencê-lo a colocar as tropas sob seu comando e parte para libertar a cidade de Orléans, sitiada pelos ingleses há oito meses. À frente de um pequeno exército, derrota os invasores em oito dias, em maio de 1429. Um mês depois, conduz Carlos VII à cidade de Reims, onde ele é coroado no dia 17 de julho. A vitória em Orléans e a sagração do rei, reascendem a esperança dos franceses de libertar o país. Munida de uma bandeira branca, chega a Orléans em 29 de abril de 1429. Comandando um exército de quatro mil homens, ela consegue a vitória sobre os invasores no dia 9 de maio de 1429. O episódio é conhecido como a Libertação de Orléans (e na França como a Siège d’Orléans). Os franceses já haviam tentado defender Orléans, mas não obtiveram sucesso. Se atermo-nos a detalhes de sua história, de certo precisaríamos de um fôlego quase romanesco, pois tudo instiga na trajetória desta enigmática personalidade feminina. Existem histórias paralelas a esta que informam que a figura de Joana era diferente. Ela teria chegado para a batalha em um cavalo branco, vestida com uma armadura de aço, e segurando um estandarte com a cruz de Cristo, circunscrita com o nome de Jesus e Maria. Segundo esta versão, Joana teria sido apenas arrastada pelo fascínio sobrenatural de seus sonhos e proposta de missão a cumprir segundo a vontade divina e sem saber nada sobre arte de guerra, comandou os soldados rudes, com ar angelical, e em sua presença ninguém se atrevia a dizer ou praticar inconveniências. Relatos indicam que ela era extre-

De cima para baixo, pintura de Paul Delaroche- 1824, “Joana d’Arc é interrogado pelo cardeal de Winchester em sua prisão”. Abaixo, uma pintura de Jules-Eugène Lenepveu que retrata ela sendo queimada viva. Por último, uma pintura datada entre 1450 e1500, que pode ser encontrada hoje no Centro Histórico de Arquivos Nacionais, Paris.

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Joana D’Arc - A heroína dos “Cem anos”

Quadro de Pedro Américo. “Joana D’Arc ouve pela primeira vez a voz que lhe prediz seu importante destino”.

mamente disciplinada e tinha o hábito de usar roupas masculinas. Este hábito a levou definitivamente para morte também, pois motivou debates teológicos a respeito de uma lei sobre roupas bíblicas. Na verdade em se tratando de doutrina, Joana D’Arc era prudente ao se disfarçar como um escudeiro em território inimigo, o que dissuadiu possíveis abusos sexuais.

Joana foi interrogada pelo Duque de Borgonha, Felipe, o Belo, mas sendo propriedade do duque de Luxemburgo.

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Depois de algumas outras batalhas, na primavera de 1430, Joana D’Arc passa a tentar libertar a cidade de Compiègne, onde acaba sendo dominada e capturada por aliados ingleses, os borguinhões. É presa em 23 de maio do mesmo ano e conduzida à Beaulieu-lès-Fontaines. Joana foi interrogada pelo Duque de Borgonha, Felipe, o Belo, mas sendo propriedade do duque de Luxemburgo. Luxemburgo então negocia sua venda aos ingleses, que a transfere para Rouen. Em Rouen inicia seu martírio, pois é presa em uma cela escura e recebe vigília de cinco homens. Seu processo teve início em 9 de janeiro de 1431, chefiado pelo Bispo de Beauvais, Pierre Cauchon. Este processo Revista Très - Fevereiro / 2012

a converteu em heroína nacional, pelo modo que se desenvolveu, findando em sua brutal morte. Durante seu julgamento, foram feitas dez sessões sem a presença da acusada, onde apenas provas foram apresentadas, provas estas que resultaram na acusação de heresia e assassinato. Somente em 21 de fevereiro de 1431, Joana D’Arc foi ouvida pela primeira vez. A princípio ela negase a fazer juramento da verdade, mas logo cede. A indagaram sobre as vozes que ouvia, sobre a igreja militante, sobre o porquê se vestia como homem. Em 27 de março Thomas de Courcelles fez uma leitura dos 70 artigos que a acusavam, que depois foram resumidos a 12. No dia 29 de maio, em meio a conturbações políticas, foi condenada por heresia. No dia 30 de maio de 1431, com apenas 19 anos de idade, trajada com uma túnica branca, é queimada viva em praça pública, na Praça do Velho Mercado (Place Du Vieux Marché), às 9 horas da manhã, na cidade de Rouen. Antes de ser executada ela se confessou com Jean Totmouille e Martin Ladveu, que lhe ofereceram o sacramento da comunhão.

Suas cinzas foram jogadas no rio Sena, para não se tornarem objeto de veneração pública. Dá-se assim, o desenlace trágico desta personalidade feminina, que na atualidade é grande exemplo de força e determinação.

Sua história em filmes: • L a M erveilleuse V ie de J eanne d ’A rc . França/ Alemanha, 1929. Direção: Marco de Gastyne. Elenco: Simone Genevois, Fernand Mailly. 125 min. • La Passion de Jeanne d’Arc (br: O Martírio de Joana d’Arc; pt: A Paixão de Joana d’Arc). França, 1928. Direção: Carl Theodor Dreyer. Elenco: Maria Falconetti, Eugene Silvain. 110 min. • Joan of Arc (Joana d’Arc). EUA, 1948. D ireção : V ictor F leming . E lenco : I ngrid B ergman , F rancis L. S ullivan , J. C arrol Naish. 145 min. • Giovanna d’Arco al rogo. Itália/ França, 1954. Direção: Roberto Rossellini. Elenco: Ingrid Bergman, Tulio Carminati. 80 min. • Saint Joan (br: Santa Joana, Joana d’Arc; pt: Santa Joana). EUA/ Reino Unido, 1957. Direção: Otto Preminger. Elenco: Jean Seberg, Richard Widmark, John Gielgud. 110 min. • Procès de Jeanne d’Arc (br: O Processo de Joana d’Arc). França, 1962. Direção: Robert Bresson. Elenco: Florence Delay, JeanClaude Fourneau. 65 min. • The Messenger: The Story of Joan of Arc ou Jeanne d’Arc (br: Joana d’Arc de Luc Besson). França, 1999. Direção: Luc Besson. Elenco: Milla Jovovich, John Malkovich,Faye Dunaway, Dustin Hoffman. 124 min.


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Coluna Social

Coluna Bonjour

Bonjour

Fevereiro é invariavelmente o mês de volta às aulas e o mês do carnaval. A cidade volta ao ritmo normal. Cidade cheia, bares, restaurantes e boates idem. Eventos não faltaram para quem gosta de um bom agito. Por: Maria Luiza Chemin Fotos: Maria Luiza Chemin / Claudia Junqueira

Laura Buchler e Gustavo Carrara em viagem a África do Sul.

Os proprietários da loja A&M Anne e Marcos Siqueira em agradável café da manhã que reuniu clientes e amigos.

Milena e Pedro Marcarini também foram curtir um sambahouse no Bar da Estação.

Dia 13 de janeiro o Sesc Thermas inaugura a exposição “Pira! Bola da vez na África, do fotógrafo Caio Vilela. Na foto, Vitalino e Neile Crellis.

O músico Joey Mattos pronto para sacudir os clientes do Bar da Estação em tarde de domingo.

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Carolina Miranda, Igor Miranda, Amanda Miranda e Bruno Paiva no Sambahouse do Bar da Estação no dia 15 de janeiro.

Marcos Antônio Passos e João Roberto Vicentino na exposição do Sesc Thermas.


João, Guilherme e Sílvio Camarini. Avô, neto e filho - três gerações comemoram o aniversário de Sr. João Camarini em fim de tarde agradável.

Passageiras da CI - Intercâmbio e Viagens, Vivian Ferro e Jéssica Zago estudam em Londres, durante as férias no Brasil.

Cid Junior da Rádio Comercial 1440 AM e Ronaldo Nascimento da Rádio Globo na vitória do São Paulo em cima do Oeste no Prudentão por 3 a 2.

A professora Joice Xavier Cano Souza e o músico Sérgio Alan de Souza comemoraram no dia 14 de janeiro seu primeiro aniversário de casamento.

O casal Daniel F. Luizari e Mayne Santos curtindo a tarde na Praia de Itaipú de Fora, durante viagem à Bahia.

Bia Arruda na festa de aniversário de Maria Luisa Ferrari de Medeiros.

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Bonjour Maria Tereza Ferrari de Medeiros Rodrigues, que estuda Medicina na Unoeste, na noite de aniversário da mãe, Maria Luisa Ferrari de Medeiros. Cristina Medeiros e Maria Elvira Ferrari de Medeiros em noite de festa.

Terezinha e Flávia Medeiros Penacchin, mãe e filha na noite de aniversário de Maria Luisa Ferrari. Carlos Castilho ao lado da foto feita por ele e escolhida para compor a exposição da Cutura Inglesa sobre esportes. Roberto Mancuzo e a filha na vernissagem da Cultura Inglesa.

O jornalista Adriano Kirihara também contribuiu com bela imagem para a exposição da Cultura Inglesa.

Os proprietários da escola de inglês, Cultura Inglesa, Ricardo e Tatiana Sanvezzo.

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André Luís Felício e uma de suas imagens selecionadas para a exposição sobre esportes da Cultura Inglesa. Revista Très - Fevereiro / 2012


Bia Arruda

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Artes

Artes

Local, Nacional e Mundial

Local • Dia 16 deste mês tem o “Projeto Cine Pop” às 20h na Praça da Juventude e Longevidade da Cohab. Atividade gratuita. No dia 15, às 20h no Teatro Municipal, tem Concerto de Aniversário da Escola Municipal de Artes Prof. Jupyra Cunha Marcondes. • No Teatro Paulo Roberto Lisboa, dia 18 deste mês às 19h30, tem Sarau Solidário: Carnaval do Modernismo (90 anos da Semana de Arte Moderna). Dia 28 às 19h30 na sala de cinema Condessa Filomena Matarazzo, tem o filme “Distrito 9”. • Do dia 22 ao dia 26 sempre às 19h30 haverá Mostra Especial de Documentários: II Guerra Mundial; Dia 22: Hitler ataca no leste; 23: A guerra no norte da África; 24: Os lobos do mar; 25: A Alemanha retrocede; 26: Massacres. • O Sesc Thermas está com uma programação super especial de carnaval este mês. Não perca! Dia 18 às 16h tem muito samba com o grupo “Samba da laje” de São Paulo. No dia 19 às 15h tem espetáculo teatral “Ô abre alas”. • Ainda no Sesc Thermas, dia 20 tem contação de histórias com “Mateus e Passista: Histórias do Brasil”, às 11h. Também no dia 20, segunda às 15h tem aula de dança com show de frevo e dia 21 mais samba com Germano Mathias às 16h. • Do dia 28/02 ao dia 02/03, a Biblioteca Móvel da Secrataria da Cultura disponibilizará empréstimos de livros. Também haverá leituras e contações de histórias de terça a sexta, das 9h às 16h no bairro Ana Jacinta. • Do dia 01 ao dia 29 deste mês, de segunda à sexta, das 8h30 às 12h e das 13h às 17h na Biblioteca Municipal, haverá atividades gratuitas que envolvem a literatura.

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Nacional •

Quem estiver por Curitiba, não dá para perder a exposição “Os Caprichos de Goya”, no Museu Oscar Niemeyer, de 26 de janeiro a 24 de maio, na Galeria Niemeyer. E vai até o dia 20 de maio no Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999) a exposição “Antanas Sutkus - um olhar livre”, considerado como um dos maiores fotógrafos da antiga União Soviética.

• Em Brasília, do dia 3 ao dia 26 deste mês, ocorre a peça

“Sobre Trutas, Cibalenas e Olhares”. O conto de Rubem Fonseca retrata a vida de um escritor em estado contemplativo que, em um surto de inanição, concebe um poema visceral e escatológico. Será na Escola Teatral ConfinsArtísticos, sextas e sábados às 21h e domingos às 20h.

• O designer gráfico israelense Oded Ezer brinca com • NICHO DE OFERENDAS é o nome da exposição com as formas tipográficas em mais de 50 obras que estarão na exposição Tipocriaturas até o dia 26 deste mês, na Caixa Cultura em São Paulo. Você pode visitar de terçafeira a domingo, das 9h às 21h e o melhor, é gratuito.

obras do artista Bill Soares que utiliza objetos encontrados nos lixos e caçambas da Vila Madalena para suas composições artísticas. São 21 obras, 12 delas inéditas, expostas no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo, até o dia 20 deste mês, das 10h às 23h. A entrada é franca.

Mundial • Acontece em Londres do dia 10 de fevereiro ao dia 17 • Uma bela exposição que começou agora em janeiro e de março, o “Lynda Benglis at Thomas Dane Gallery”, é uma mostra solo da artista plástica “Cult” americana Lynda Benglis (1941), que perpassa o Expressionismo, a Pop Art e o minimalismo, já foi exposta em quase toda a Europa. O site é o http://www.thomasdane.com/

vai até janeiro de 2013 é a “D’après Giorgio” que são vários artistas italianos de várias gerações, convidados para diálogos com a arte e objetos de arquitetura da Casa-museu de Giorgio de Chirico. O site é http://www.fondazionedechirico.org/en/

• Do dia 4 deste mês, ao dia 14 de abril em Kentucky, • Começou no dia 18 de janeiro e vai até o dia 8 de março Estados Unidos, acontece o “Into the Mix at The Kentucky Museum of Art and Craft” no Museu de arte da cidade. A mostra abre de segunda a sexta das 10h às 17h e sábado das 11h às 17h, fechando aos domingos. O site oficial é o http://www.kentuckyarts.org/

em Dubai, o “Ala Ebtekar at The Third Line”, uma mostra contemporânea de artistas do Oriente Médio, que já passou por todo os Estados Unidos. O site oficial é o http:// www.thethirdline.com/

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Um pouco mais

A “arte”(livre?) por: Roberto Bertoncini Tempo - mercadoria fora de circulação

A arte,

por Roberto Bertoncini

Texto: Paulo Brazyl / Fotos: Paulo Brazyl / Cedidas

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Très: O artista é alguém que pensa a humanidade o tempo todo? Bertô: Pensar a humanidade o tempo todo deveria ser a premissa de todos nós que somos parte dela. O artista apenas seria a antena e o filtro deste turbilhão. Porém, o não pensar é algo contra o qual deveremos estar atentos o tempo todo. Vou citar um texto do Calvino – do livro “Cidades Invisíveis - que eu adoro e que discute brilhantemente isto: “O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço”. Esta atenção e aprendizado contínuo é ao mesmo tempo o que dá o necessário tesão e não te deixa embolorar. Très: Um ideal do artista é sobreviver da sua própria arte; comente. Bertô: O ideal é que a própria arte sobreviva, apesar e além de tudo, inclusive do artista. Très: Reconhecimento só se conquista com disciplina e aprimoramento técnico? Bertô: Até pode ser. Se eu soubesse a receita estava bilionário. Só que eu penso que, às vezes, a dis-


ciplina e o aprimoramento técnico, necessários para o reconhecimento, podem não estar presentes na platéia ou na crítica e o artista tê-los de sobra. Très: A arte da maneira como está sendo apresentada não tem mais a mesma relevância, não provoca mais estranhamento? Bertô: Em uma frase: “boa parte está domesticada”. Só que sempre alguém está na espreita para dar um bote no coro dos contentes. Aí temos a arte. Acredito mesmo nisso. Très: É preciso “criar” público? Bertô: Não tenho esta pretensão. Só quero um tempo pra bater um dedinho de prosa, espaços abertos e confortáveis para as mostras e que elas aconteçam de várias maneiras. Curadorias respeitosas e cuidadosas, iluminação decente, ou seja, o público é aquele que fará da própria sociedade uma obra de arte, e para isto acontecer, é imprescindível aqueles conceitos de autonomia e conscientização. Trés: Só o tempo é capaz de fazer a faxina necessária nas galerias? Bertô: o tempo não para, e a obra matérica que parou de servir de antena, vira pano manchado, entulho no quintal, foto amarelada, perde a sua razão de existir, e não está mais acompanhada de críticas dulcificadas e plateia cordata, do vínculo com quem a fez e, sozinha, sem o aparato dos amigos e de seu tempo com suas razões. E ela, e só ela poderá justificar sua existência... Aí, quem vai querer? Très: É preciso alertar para a arte além da moldura? Bertô: Para coisa funcionar mesmo, é contraproducente alertar. O negócio é fazer e pegar a clientela no necessário espanto. Roberto Bertoncini é filho de Botucatu e dos anos 1950. Cresceu em Presidente Prudente, onde na adolescência teve aulas com a Madre Gudula Weber OSB, que lhe transmitiu o necessário rigor. Em São Paulo, estudou na Faculdade de Belas Artes e retornando a Presidente Prudente, atuou como arte- educador, professor de artes, produtor cultural e em muitas outras frentes. Formou-se em Pedagogia pela UNESP e recebeu o título de “Dottore” junto à Universidade de Pisa – Itália – com uma tese intitulada “A ambilavência das imagens

no confronto entre culturas” com orientação do Dott. Gionanni Paoletti e relatoria do Dott. Alfonso Iacono. Sua produção ganha força a partir da década de 1970, quando o próprio artista estava na busca de uma linguagem pessoal. Na década seguinte, destaca-se a produção das “poesias visuais”, ganhando destaque a instalação “O Brasil vale uma conquista”, assim como a exposição “Vote Roberto Bertoncini, Grandes Promessas” realizada no Centro Cultural São Paulo. A década de 1990 é marcada pela utilização de diversos suportes para a produção também orientada por diversas técnicas. Participa do Salão de Arte Contemporânea de Valinhos com a instalação “Eta Mundão Prozac”, realiza a exposição “Lugares Comuns” na cidade de Londrina e fecha a década com a exposição “Janelas” utilizando recursos gráficos dos primeiros softwares disponibilizados ainda no início da era digital. No início do novo século, percebe-se o artista em momento intenso de novas experimentações sensíveis nas exposições: “Permanências” que “faz brotar sentidos e direções” a partir do conjunto de trabalhos produzidos com fragmentos de coisas guardadas durante a vida do artista; e “Achados e Perdidos”, onde a pergunta aparece sempre como uma referência: o que se perde? O que se ganha? No momento, o artista trabalha em seu projeto “Compartilhar”, prêmio do Projeto Girarte 2012 da Secretaria Municipal de Cultura de Presidente Prudente, com exposição programada para o Centro Cultural Matarazzo. Fevereiro / 2012 - Revista Très

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Ensaio Fotográfico

Ensaio Fotográfico - Carnaval é para todos!

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Carnaval é para todos! Como te quero e admiro Máscara de Carnaval … Máscara querida, Porque não és fingida … Tu não mentes, Dizes o que sentes, És o que és … Fica conosco O ano inteiro; Ensina o homem A ser verdadeiro; Tapa-lhe a cara De máscara disfarçada, Que faz do mundo atual, Um terrível E constante Carnaval. por Maria Alice Fonseca

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Ensaio Fotográfico - Carnaval é para todos!

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Ensaio Fotográfico - Carnaval é para todos!

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Ensaio Fotográfico - Carnaval é para todos!

Making Of Thiago Alvim Fotos: Thiago Alvin Produção: Revista Très Modelos: Carlos Castelano, Anna Eliasson, Guilherme Yamashita, Rafaela Ferreira Martins, Sr. Antônio Gonçalves Martinez, Sra. Doracy Ribeiro de Rezende, Roberta Silva. Making of: Claudia Junqueira Make-Up: Moana Cestari

Thiago Alvim começou a fotografar aos 16 anos. Tomou gosto pela fotografia após trabalhar com o fotógrafo Carlos Braga, que segundo Thiago, sempre será sua referência como fotógrafo. A fotografia, para o jovem fotógrafo, hoje com 20 anos, proporciona sentidos únicos. Em 2011, Thiago lançou o projeto “faces”, onde seu foco principal são rostos de pessoas, motivo da valorização de sua arte e do reconhecimento. Thiago atualmente cursa o 4º termo de Comunicação Social na Unoeste. O fotógrafo pretende seguir a carreira de jornalista esportivo.

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“Passou por Aqui”

Passou por Aqui

Texto/ Fotos: Claudia Junqueira

Christian Wedekind

>D-nox

Completando 20 anos de carreira e há aproximadamente 10 anos tocando no Brasil, o DJ e produtor alemão Christian Wedekind – D-nox, teve a honra de prestigiar os amantes da boa música eletrônica de Prudente com deliciosas 5 ininterruptas horas de música, na noite do dia 20 de janeiro no Pub Music’n Bar. Em agradável entrevista no aeroporto da cidade, enquanto esperava seu voo de volta para a capital paulista – de onde partiria para outra gig em Maresias, Christian conta surpreso que quebrou seu recorde no Brasil. Nunca em terras canarinhas tocou por tanto tempo seguido. Pela segunda vez na cidade, diz estar feliz em voltar e agradece o carinho dos prudentinos e a amizade do DJ Digo Cavalcante, que o trouxe para tocar. Sobre seu último álbum: D-nox & Beckers – Distance, Chris afirma ser mais “sério”, com uma pegada mais Techno e com menos hits como os que costumava produzir. Também vem produzindo menos, pois suas prioridades tem sido outras. Chris teve a Salma, uma linda bebê de 1 ano e 2 meses, fruto da união com a argentina Cecilia Barreras. O casal vive entre Buenos Aires, Berlim e férias em Trancoso, na Bahia, onde o alemão adquiriu há alguns anos uma casa de veraneio com pomar e horta, onde diz ser seu refúgio. A primeira música do cd, “Sunner”, conta com trechos de piano que seu parceiro Beckers “um gênio da música” como o próprio Christian o descreve, que é de tirar o fôlego. “Jacaranda”, que é um techhouse com uma melodia e vocal suaves e saxofone delicioso. “Little”, que é um progressive house, é contagiante e te transporta para um estado de transe mental alucinante. Enfim, o álbum todo é delicioso! Na noite de 20 de janeiro, em que o D-nox veio ao Pub, a magia ficou no ar. Foram horas de muita música eletrônica, hits que todos adoram, sorrisos, gritos, assobios e muita alegria, contagiando o público até às 8 horas de sábado, quebrando também o recorde da casa. Foi uma noite de recordes! Fevereiro / 2012 - Revista Très

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Cinema

Dicas de filmes

Dicas de Filmes Textos: Luiz Dalle / Fotos: Arquivo

Oscar 2012 Dia 26 de fevereiro será realizada a maior festa do cinema. Decidida a ser uma premiação justa e sem muitas surpresas nas indicações, a 84º edição do Oscar mostrou ser uma das mais disputadas dos últimos anos. As impressões finais somente após a entrega dos prêmios, foi inesquecível. Conheça os indicados e suas chances a categoria mais concorrida da noite.

Os Descendentes > 5 indicações Drama familiar comandado por Alexander Payne é considerado o melhor trabalho do diretor de Sideways – Entre Umas e Outras (2004). Além de vencer várias premiações anteriores ao Oscar, o longa possui o carisma de George Clooney como protagonista, personalidade muito querida pela Academia.

Cavalo de Guerra > 6 indicações Novo filme de Spielberg é feito sob medida para emocionar e agradou tanto os votantes quanto o público. Com profundas intenções de tornar-se um clássico nos próximos anos, é um filme para ser visto e não premiado.

A Árvore da Vida > 3 indicações

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Até final do primeiro semestre de 2011, novo filme de Terrence Malick era o vencedor natural desta edição do Oscar. Com o esmero e paixão comumente utilizados em sua filmografia, perguntas existenciais a que pretende o filme deixaram a crítica entusiasmada. Perdeu força, porém, o único com grandes chances de tomar a estatueta de Hugo e O Artista.


O Homem que Mudou o Jogo > 6 indicações Filmes com a temática da superação esportiva, quando bem conduzidos, sempre são lembrados pela Academia. Correto e muito bem roteirizado, o filme conta com a interpretação impecável de Brad Pitt e Jonah Hill.

Meia-Noite em Paris > 4 indicações

Diretor aclamado, Woody Allen está sempre acima de suas obras, o que nem sempre é positivo. Sua personalidade não possui o interesse do que, por exemplo, os seus filmes têm a nos dizer. Ícone do cinema, sua presença deixará a cerimônia com ares de irreverência, apenas.

Histórias Cruzadas > 4 indicações Excelente drama sobre o preconceito racial no Mississipi na década de 1960. Embora repleto de boas intenções, seu maior triunfo está no excelente elenco sempre pronto a nos emocionar. Concorre por fora.

Tão Forte e Tão Perto > 2 indicações Filme protagonizado por Sandra Bullock e Tom Hanks é a grande surpresa desta edição do Oscar. Os atentados de 11 de setembro sob a perspectiva de um garoto que busca desvendar o mistério de uma chave encontrada dentro de um vaso que pertencia ao seu pai, morto na queda das Torres Gêmeas, é o estopim para a choradeira. Sem grandes chances.

O Artista > 10 indicações Vencedor de quase todos os prêmios que concorreu até o anúncio dos indicados ao prêmio mais cobiçado, O Artista possui como único negativo o fato de ser uma produção francesa. A Academia tende a premiar as produções americanas em quase todas as edições. O país que deu origem ao cinema, inclusive, está muito bem homenageado no filme com o maior número de indicações: Hugo. Ao lado de O Tigre e o Dragão, O Artista é o filme estrangeiro com o maior número de indicações na história da premiação.

Hugo > 11 indicações Um dos filmes mais aguardados do ano passado, o memorável filme com o maior número de indicações da noite não possui o prêmio como certo. Principal estrela da noite, Hugo é uma homenagem soberba ao grande gênio dos primórdios do cinema, o francês Georges Méliès. Sincero e realizado com precisão cirúrgica em todas as esferas que compreende a feitura de uma obra cinematográfica, o filme é uma verdadeira gentileza de Martin Scorsese, o mais importante diretor do cinema contemporâneo. Fevereiro / 2012 - Revista Très

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Dicas de Leitura

Dicas de Leitura

sugestão de Livro Textos: Claudinei Jr. / Foto: Arquivo

Os homens que não amavam as mulheres É o primeiro livro da trilogia Millenium, escrita pelo sueco Stieg Larsson. Considerado um dos melhores romances policiais já lançados e vencedor do Prêmio Chave de Vidro (Academia sueca de Ficção Criminal), a história instiga o leitor do começo ao fim por meio de tramas bem amarradas, personagens desafiadores e uma história de desaparecimento que dura 40 anos e parece não ter solução. O protagonista, Mikael Blomkvist, é jornalista engendrado em matérias investigativas no setor econômico, e foi o escolhido para resolver o caso. É um momento turbulento da vida de Blomkvist, mas não é nada se comparado ao que ele passará durante as investigações. Por mais que tudo pareça desconexo no começo, as peças vão se encaixando e algumas respostas surgindo. Mas como todo bom início de trilogia, as respostas nem sempre revelam a verdade.

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* Os homens que não amavam as mulheres virou filme em 2007 na Suécia e Hollywood adaptou a versão original em 2009. O filme sueco é melhor, mas é sempre uma versão reduzida do livro. Vale a pena ler primeiro! * Os outros dois livros da trilogia são: A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar. Revista Très - Fevereiro / 2012


Música

Dica de Música

banda:

tecnorutz Texto: Claudia Junqueira / Fotos: Sr. Kitaro / Eduardo Menin

C

om mais de 2.200 músicas produzidas, essa banda “meio prudentina, meio paulistana”, é pano pra manga para a Très. Formada no ano 2000 pelos músicos prudentinos Eduardo Menin (guitarra-gaita) e Fábio de Fiori (vocal-guitarra-bateria) e os paulistanos Sr. Kitaro (teclados), Cristiano Winter (baixo), Paulo Abel (guitarra-vocal) e Eugênio Sigaud (bateria). Raramente repetem uma música em seus shows. A banda surgiu no trânsito de São Paulo, em um carro sem som. O vocalista e guitarrista Paulo Abel, o tecladista Sr. Kitaro e o prudentino e guitarrista Dudu Menin começaram a fazer o próprio som com a boca, batucando no carro, assobiando. O importante era fazer som! As músicas ficavam tão boas que logo sentiram necessidade de gravá-las. E assim é a banda tecnorutz. Um ritual sonoro inédito e que de alguma forma tem que ser gravado, juntando sons variados e inusitados. Puro improviso! O que mais gostam de tocar é rock’n’roll. Já tocaram em alguns lugarem na capital paulista como CCSP, Voodoostock e Colonia, mas nunca em Prudente, a não ser nos tradicionais churrascos para amigos, onde a música vai até o sol raiar.

Com 92 álbuns produzidos, suas músicas são sempre criativas e divertidas. Todos seus álbuns são lançados na internet para quem quiser baixar. Atualmente no myspace, a banda tem 75 álbuns disponíveis, um em cada perfil do Tecnorutz. A variedade de sons e ritmos faz dessa mistura musical uma experiência alucinante. Eis algumas de minhas prediletas: “ Baiana in Bombain”, “Ciranda”, “Bye bye fiu fiu”, Playlist Tecnorutz • O Som Melodioso do Choque Elétrico – O Som Melodioso do Choque Elétrico(fevereiro-2011) • Fogos de Arte e Ofício – Guspuim Gospel (setembro-2009) • Ani Killer – Ração Humana (Junho-2010) • Zoom Bizarro – Zoom Bizarro (Janeiro-2012) • Máscara de Olho – Astronautalopitecus (Fevereiro-2010) • Monstro do Lago Ness – Patriota Surreaund (Outubro-2009) • Choro do Cristão – Coquis Star (Agosto-2009) • Baiana in Bombaim – Valvulado nas Índias (Janeiro-2002) • Parada Obrigatória Morro Acima – Cerveja, Família e Papai Noel (julho-2007) • Somos Capazes Comemos Capim – Hitchcock Hit’s Rock (Novembro-2008)

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Um pouco mais

Educar?

EDUCAR? Tarefa de todos!

Texto: Marília Libório* Fotos: Arquivo * Socióloga – Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo – USP; Especialista em Metodologia do Ensino Superior pela Unesp – Campus de Pres. Prudente; Mestre em Sociologia pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo; Doutora em Geografia pela Unesp – Campus de Rio Claro; Advogada pela Universidade São Francisco.

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ual é a fórmula que os pedagogos oferecem, na atualidade, para preparar crianças, jovens e até adultos para reivindicarem seus direitos, assumirem suas responsabilidades e viverem suas respectivas vidas com dignidade? Falo em pedagogos porque são eles os profissionais que ensinam como educar, a partir de sua formação profissional, que contempla conteúdos consagrados e que se baseia, paralelamente, em pesquisas, acadêmicas ou não, que deveriam ser consistentes, atualizadas e compatíveis com a realidade sócio-econômica e cultural dos alunos que frequentam os bancos escolares em todos os seus níveis. No entanto, é bom lembrar que o processo de educar não se exaure na escola. Por ser um processo de socialização, isto é, de preparação do indivíduo para se realizar como pessoa, a escola ao lado da família deve ser a mola mestra que o impulsiona para a construção de seu futuro.

Revista Très - Fevereiro / 2012

Realidade Atual: Mas não é isso que estamos vivenciando. Em sua grande maioria, as escolas tanto públicas quanto privadas estão longe de dignificar a relação entre aquele que deveria ensinar e aquele que deveria aprender. Razões não faltam para justificar as distorções observadas – baixos salários, falta plano de carreira para docentes de todos os níveis, faltam recursos financeiros para aquisição de livros e jornais que propiciem condições para melhor preparo de aulas, existência de ambientes degradados física e moralmente, crianças pobres, maltratadas. E, por outro lado, observamos milhares de alunos motivados basicamente pelo universo eletrônico, com seus games, suas redes sociais e seus velozes brinquedinhos atraentes, disputados ansiosamente como se fossem ícones de


felicidade. Como se tudo isso não bastasse, os pais querem delegar à escola o papel que, por excelência, lhes pertence: transmissão de princípios e valores morais para a edificação de uma sociedade mais justa e decente. Para estes pais, basta mandar seus filhos para a escola que tudo se resolve. Enfim, é todo um contexto de alienação e de contrastes. Congressos são realizados, pesquisas são concluídas, redentoras promessas políticas estão presentes nas campanhas eleitorais, órgãos de fomento cobram relatórios, em um sem fim de exemplos, apenas para cumprir ditames burocráticos. Ou seja, todos executam tarefas para não serem excluídos de um sistema que, por si só, é excludente e pouco alvissareiro.

Perspectivas de mudança: Por “sorte” ou por amadurecimento, experiências positivas tem sido realizadas e cresce o envolvimento de boa parcela de pais e professores que já tem consciência do grande problema que é a concretização do processo educacional adequado à realidade. Ao que tudo indica, estes agentes estão inspirados no respeito às diferenças pessoais (incluindo econômicas e culturais), assumem a pluralidade como uma oportunidade para ampliar sua visão sobre o futuro e aceitam sua responsabilidade de colaborar com a superação dos obstáculos que se apresentam na área educacional. Afinal, que respostas podemos oferecer para questões como: que ser humano queremos formar? para que mundo? com quais valores e propósitos? quem educa e quem deseduca?

Por onde começar? Não prestigiar discussões pouco produtivas, não dar espaço para a precariedade da vontade política que impede a cidadania plena, estar comprometido como pai/mãe ao lado de professores esclarecidos e cientes de seu compromisso com o alunado, cobrar resultados das promessas feitas pelas diversas instancias do poder envolvidas com a educação. Se quisermos um futuro melhor para todos, é melhor participar, escolher bem nossos representantes, não se omitir, acompanhar e procurar saber, de fato, o que está acontecendo à sua volta.

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Dica de Viagem

Madagascar

Madagascar A ilha

mágica

ao sul da África

Texto / Fotos: Raul Frare

Informações Gerais:

Vistos:

Obrigatório para todos os visitantes. Os vistos são válidos por até três Nome: República de Madagascar meses da data de entrada e podem ser comprados no aeroporto de (Repoblikan Madagasiraka) Antananarivo após o desembarque mediante pagamento de taxa + foto 3x4. É necessário também Certificado Internacional de Vacina contra Febre Amarela para brasileiros. População: 17 milhões

Quando ir:

Área: 587.041 Km² Capital: Antananarivo (Tana) Idiomas oficiais: Malgaxe e Francês Religiões: Cristianismo e Islamismo

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Moeda: Franco Malgaxe Revista Très - Fevereiro / 2012

A melhor época para conhecer o país é de Abril a Outubro (inverno do hemisfério sul). Na baixa estação, verão do hemisfério sul (novembro a março), o clima é muito quente e úmido, conhecido também como a estação do furacão e das chuvas.

Dicas:

Euros e dólares americanos são aceitos em praticamente todos os lugares e cartões de crédito em alguns estabelecimentos. A ilha é praticamente segura com algumas exceções em Antananarivo, capital do país, onde se deve ter cautela ao caminhar à noite pelas ruas.


M

Da esquerda para a direita, na primeira foto: ilha de Nosy Iranja na costa de Nosy Be. Menino brincando com sua jangada. Ao lado, coqueiros e jangadas de pescadores em Andilana. E abaixo, o curioso Lemur no parque de Montagne d’Ambre ao norte do pais.

adagascar é um nome que sugere exotismo. Lá parecemos estar parados no tempo com uma sensação de imobilismo e tranquilidade. Por ser tão pouco explorada, é um lugar apaixonante e sinônimo de charme e originalidade. Madagascar é uma ilha de contrastes com lugares mágicos e misteriosos, onde redescobrimos as sensações de espaço e liberdade. Dos seus desertos ao sul, às suas montanhas, das florestas tropicais, às praias paradisíacas com atmosfera cinematográfica. Cortada fora do continente africano há milhões de anos e geograficamente isolada, Madagascar possui um ecossistema único e frágil. É um importante repositório de biodiversidade com suas árvores gigantes, os famosos baobás, e seus simpáticos lêmures, animais ancestrais aos macacos. A cultura malgaxe é como sua natureza: rica, vibrante e variada. O país foi colonizado durante anos pelos franceses porém, conseguiu preservar sua cultura quase que intacta. Seu povo é também muito simpático e amigável. Aterrissei em Tana, abreviação de Antananarivo, capital e porta de entrada do país. É uma cidade situada no meio das montanhas no coração da ilha. Construída em meio a um vale com ruelas de pedra possui um trânsito caótico infestado de Renault 4, o carrinho simpático que é a paixão nacional. Todos ali falam o malgaxe e o francês, então a comunicação não fica muito difícil. Os mercados de rua estão por todos os lados e os perfumes das especiarias, principalmente a baunilha, deixam a cidade com um aroma muito especial. As estradas do país são deterioradas pelas chuvas por isso a melhor maneira

de se locomover entre longas distâncias, é de avião. As opções de hospedagem são das mais variadas e vão do rústico ao sofisticado. Para aqueles que buscam conforto, Madagascar oferece alguns finos resorts e pequenos hotéis de charme. Voei até Nosy Be, uma ilha paradisíaca ao noroeste do país, envolta por uma barreira de corais com lindas praias e florestas. Que lugar incrível! Hospedei-me em Ambatoloaka, uma vila de pescadores com uma praia de águas azul turquesa de tirar o fôlego. O hotel Gérard & Francine (www.gerard-et-francine.com) é sem dúvida a melhor opção: um antigo casarão creolo-francês com uma imensa varanda e jardim privativo. Todas as nove suítes são de frente para a praia e o serviço impecável: café da manhã na sacada do quarto, massagens na praia e demais mordomias. Na hora do almoço pode-se ainda escolher as lagostas e peixes frescos recém pescados diretamente dos barcos de pescadores, que serão preparados pelo chef do hotel. As opções de diversão são as mais variadas. De mergulhos submarinos

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Madagascar

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a passeios pelas praias e ilhas da região como Nosy Tanikely, Nosy Iranja e Nosy Komba. Todos os domingos na praia de Andilana, a mais bonita e remota da ilha, os visitantes juntam-se na barraca do Chez Lou Lou, um vietnamita radicado na ilha, para comer o famoso brunch de frutos do mar. Sem dúvida um programa imperdível. Perto de Nosy Be estão as ilhas paradisíacas de Nosy Iranja. As duas pequeninas ilhas privadas praticamente desertas são conectadas por um banco de areia branca visível durante a baixa de maré. Ali está situado um dos hotéis mais exclusivos da África, o Iranja Lodge (www.legacyhotels.co.za) que oferece luxo e privacidade. O hotel é construído em madeira e materiais naturais em total harmonia com a natureza. Os dez bangalôs estão dispostos em frente ao mar e oferecem todo o conforto e demais mordomias.

Rumo ao extremo norte de Madagascar cheguei em Diego Suarez (Antsiranana), cidade fundada por um antigo navegador português na rota para a Índia. Dizem os locais que a baía de Diego Suarez era refúgio de piratas e que alguns deles chegaram a esconder seus tesouros na região. Pode se encontrar ali algumas espécies raras de baobás, a árvore gigante símbolo do país. O parque nacional de Montagne d´Ambre na mesma região, abriga as mais variadas espécies de lêmures e camaleões e vale também uma visita. Madagascar é um destino fora da rota turística convencional. É também um dos países mais pobres do mundo. O turismo apesar de ainda pouco explorado, vem aos poucos crescendo a cada dia e com isso a esperança do povo malgaxe que depende enormemente das divisas deixadas pelos visitantes.

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Foto de um lindo e dócil camaleão no parque de Nosy Komba. Abaixo dele, Lemures também moradores do parque. A linda praia retratada acima está localizada na ilha de Nosy Be. As meninas com pinturas faciais, são locais, vendedoras de Vanilla (baunilha).


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Meio Ambiente

O Verão e a vida na lama. Até quando?

O Verão e a vida nalama

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uando chega o verão, para muitas pessoas começa a estação das luzes, do colorido, das férias, do descanso e da recuperação das energias para viverem o ano novo que se inicia. O Sol, quando astro da estação, ilumina os dias mais longos e aquece as águas, convidando para seu convívio. Piscinas, praias, rios e lagos ficam repletos de banhistas que querem aproveitar o calor tropical. Para estes, as chuvas são bem-vindas como um momento de amenizar as temperaturas e reabastecer os corpos hídricos. Com os cuidados que o momento exige, seja para se evitar exposição excessiva ao sol, cuidando-se da pele, seja para não se aprofundar demasiado nas águas, expondo-se aos riscos de afogamento, a maioria da população espera esse tempo e “curte” o verão, embalada em festas, especialmente da natividade e do carnaval. Revista Très - Fevereiro / 2012

Até

quando? Texto: Antônio Cezar Leal Fotos: Marcel Sachetti

O verão, porém, para uma parcela da população brasileira é a estação do ano das noites insones, do trabalhar intranquilo, de olhar as nuvens com o coração apreensivo, pois as chuvas podem lhes trazer mais do que água. São os brasileiros que moram ou trabalham em áreas de risco de inundação e ou de escorregamento de encostas. Para eles, o verão é a época do desassossego, dos riscos de perderem seus sonhos e terem suas vidas e a de seus entes queridos interrompidas. É um momento de sofrimento!


Em “Águas de Março”, Tom Jobim expressou essa realidade de forma especial: “É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É um caco de vidro, é a vida, é o sol É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol (...) É madeira de vento, tombo da ribanceira (...) É o vento ventando, é o fim da ladeira (...) É a chuva chovendo, é conversa ribeira (...) É o fundo do poço, é o fim do caminho No rosto o desgosto, é um pouco sozinho (...) É o projeto da casa, é o corpo na cama É o carro enguiçado, é a lama, é a lama (...) Da esquerda para a direita, a chuva sob visão da Rodovia Raposo Tavares (SP 270), foto tirada da ponte da AABB. Na segunda foto, visão de uma

identificar áreas de riscos em todo o país, especialmente nas cidades, estradas e serras. Relatos de moradores antigos foram colhidos nesses estudos, superando a carência de registros e de monitoramento desses processos naturais. O conhecimento produzido, reunido e publicado permite, portanto, identificar muitas áreas que estão suscetíveis aos eventos que podem se transformar em tragédias. Mesmo assim, nos verões brasileiros, os fenômenos naturais continuam a causar grandes danos sociais, dor e comoção no país. Não se trata de falta de conhecimento, mas de falhas ou ausência de planejamento e de ações efetivas do poder público e da população, potencializados pela concentração de riquezas e das terras em poucas mãos. Para resolver os problemas, entre os muitos instrumentos existentes, os gestores públicos podem lançar mão da Constituição Federal, nossa Lei maior, e de inúmeras leis que disciplinam o uso e ocupação das terras, a proteção das águas, dos solos, das matas, a garan-

Na história do Brasil, desde os tempos de colônia, há muitos relatos de chuvas fortes que provocaram catástrofes, com perdas materiais e de vidas humanas.

tia do direito à vida e ao meio ambiente sadio e equilibrado a todos. Portanto, aplicar as leis no planejamento das cidades, dos municípios, dos estados e de todo o Budisk - SP país, possibilitará alterar a situação atual. 501, tembém Essa possibilidade progressivamente vem se implanem dia tando com a realização de planos governamentais, seja chuvoso. pela emergência das crises, seja para a obtenção de A intensidade da interpretação de Elis Regina agrega financiamento público, a exemplo dos planos de masignificado ainda mais profundo à letra e à música, crodrenagem urbana, para identificar obras a serem podendo-se sentir o drama das chuvas para os que estão construídas e áreas a proteger, visando controlar as vivendo e morrendo na lama - homens, mulheres, jovens, águas pluviais nas cidades, evitando e minimizando os riscos das inundações para a população e reduzindo idosos e crianças. Uma vergonhosa tragédia nacional. Na história do Brasil, desde os tempos de colônia, as perdas materiais, econômicas e humanas. Assim, o há muitos relatos de chuvas fortes que provocaram planejamento urbano poderá contribuir para a conscatástrofes, com perdas materiais e de vidas humanas. trução de cidades mais seguras para a população. A Desde então, muitos estudos técnicos e científicos reforma urbana, com equidade social no acesso a lotes foram realizados para se conhecer a dinâmica natural e e moradias em locais apropriados, meios de transporte das pontes

da Rod. Julio

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O Verão e a vida na lama. Até quando?

eficientes, equipamentos de consumo coletivo acessíveis, são caminhos para uma nova realidade, com qualidade de vida, segurança e sustentabilidade ambiental. Colocar os planos em prática, contudo, constitui um grande desafio, uma vez que é preciso retirar a população das áreas de riscos, transferindo-a para locais seguros. Essa tarefa é não é nada fácil, pois, geralmente, há resistência de moradores em deixar seu lugar, onde

Foto de um raio que antecede forte chuva. Tirada nas mediações do Pq. do Povo, na rua José Afonso.

“A chuva se aproximando” sob vista do residencial São Sebastião, próximo ao Estádio Prudentão.

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vivem, interagem com os demais moradores e tem suas histórias e sentimentos acumulados, para irem viver em outros locais, que podem ser distantes e sem a mesma infraestrutura. Além disso, é preciso que o poder público desaproprie, quando não as tiver disponível, áreas para a construção das novas moradias e bairros, mesmo desagradando aos proprietários, impactando no orçamento e, em decorrência, no atendimento de outras demandas sociais. Assim, há uma forte decisão política a ser tomada, que exigirá coragem e determinação dos gestores públicos. O aumento da fiscalização é outra ação fundamental. A certeza de impunidade tem sido o motivador da atuação inescrupulosa de seres das sombras, que parcelam áreas de riscos e/ou constroem habitações frágeis e as vendem, a preços aviltantes, para pessoas que tem o sonho da casa própria, que se transformará em pesadelo nas chuvas de verão. A esse comportamento antiético, soma-se a inacreditável corrupção e Revista Très - Fevereiro / 2012

roubo das verbas públicas e de doações da população para as pessoas atingidas pelas catástrofes. Para estes seres, o verão é a época dos negócios escusos e de se aproveitar ainda mais do sofrimento alheio. Seu julgamento e condenação deveriam ser realmente duros, com longos anos de reclusão. A população diretamente atingida pelos fenômenos naturais, espera a solidariedade dos demais moradores e a atuação firme do poder público para que as “águas de março fechando o verão” sejam a “promessa de vida no seu coração”. Manter e ampliar sua luta pelo direito de viver dignamente, de criar seus filhos e sonhar com o presente e futuro melhores devem ser a energia para seguirem adiante e um dia também curtirem o verão tropical.


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Esporte

“Celeiro de atletas”

“Celeiro

de

atletas”

Texto: Cid Jr. / Fotos: Amanda Carvalho

Bruno G. Spinelli, nova promessa no atletismo prudentino.

A

cidade de Presidente Prudente sempre foi um celeiro de atletas. No atletismo não é diferente, por aqui se destacaram nomes como Claudinei Quirino, Vicente Lenilson, André Domingos entre outros. Mais uma vez isso pode acontecer. Desta vez o nome é Bruno Germano Spinelli, garoto de 14 anos nascido em Presidente Prudente que cultiva seus sonhos. O interesse surgiu aos 11 anos através do pai, que há mais de 20 anos treina na pista UNESP. De tanto acompanha-lo pegou gosto pelo esporte e logo no primeiro treino sentiu prazer em praticar atletismo. Com dedicação e muitos treinos o garoto começou a destacar-se em

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Em 2009, foi primeiro colocado na categoria até 14 anos em salto em distancia...

as olimpíadas escolares em João Pessoa na prova do hexatlo. Nas olimpíadas escolares foi segundo colocado no hexatlo e clas-

sétima posição na ultima prova. Com um futuro brilhante pela frente, Bruno ainda aprende várias provas, como por exemplo salto em altura, distancia, barreira, dardo, arremesso de peso, 75m rasos, 800m e 100 m com barreira. Mais confessa que sua preferência é salto com vara, onde está mais encaminhado. Ainda em formação o atleta se espelha No estadual Caixa de Mirins no treinador Dino de Aguiar Cintra Filho foi quarto colocado no salto no pai Spinelli e no recordista mundial em distancia e primeiro no Serguei Nazarovitch Bubka ex-atleta ucrasalto com vara quebrando niano especializado em salto com vara, considerado por muitos o maior saltador record paulista da prova. de todos os tempos, cujos destaques na xatlo mas a má colocação tem justificativa, carreira são as seis vitórias consecutivas quando estava a duas provas do fim e na no Campeonato Mundial de Atletismo, a primeira colocação lesionou o braço no medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de lançamento de dardo caindo para sétimo, 1988 e a quebra de 35 recordes mundiais mais mesmo lesionado se manteve na de salto com vara (17 ao ar livre e 18 em recintos fechados). O garoto já rodou o Brasil competindo, passou por Praia Grande, João Pessoa na PARAÍBA, Maringá-PR, Ibirapuera em São Paulo e chegou a competir até fora do país em Bogotá na Colômbia. Por ser um atleta de destaque no atletismo, Bruno vê na escola o carinho de amigos que se interessam pelos resultados e dão total apoio ao saltador. Antes de finalizar a matéria, o garoto que ainda tem o mundo pela frente diz que até hoje o que mais marcou em sua carreira foi quando bateu o record brasileiro de salto com vara e frisa que o maior sonho é chegar a uma olimpíada, conquistar medalhas e bater recordes mundial. sificou-se para o sul-americano escolar, No estadual Caixa de Mirins foi quarto colocado no salto em distancia e primeiro no salto com vara quebrando record paulista da prova. Na fase final Rumo a 2016 foi primeiro colocado em salto em distancia e hexatlo no Ibirapuera, já no Sul americano escolar foi sétimo colocado no he-

----------------Interaja comigo

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meio a tantos que por lá passam. Em pouco tempo já estava competindo. Hoje aos 14 anos a jovem promessa prudentina já disputou Estadual, Brasileiro, Sul-Americano, Regional entre outras competições de destaque da categoria que compete. As conquistas já mostram que o Brasil em um futuro próximo estará bem servido mais uma vez no atletismo, Bruno venceu o estadual e ainda bateu o record brasileiro em salto com vara sendo assim o primeiro do ranking por categoria. Em 2009, foi primeiro colocado na categoria até 14 anos em salto em distancia, em 2010 no Estadual Caixa de Mirins nono colocado até 15 anos na prova de pentatlo, em 2011 seletiva das olimpíadas escolares foi o primeiro no hexatlo e terceiro no 80m com barreiras, no Ibirapuera conseguiu vaga para

através do twitter: @aparecidocruzjr ou no Facebook: Aparecido Junior.

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Coluna Social

Bonsoir

Coluna Bonsoir

O casal Juliana Goulart e Jair Braghin também foram brindar ao sucesso da amiga Luciana Nagle.

Com a volta às aulas e em ritmo de carnaval, festas em repúblicas, bares cheios, pré-carnavais não faltaram para esquentar o carnaval de quem não viajou e resolveu curtir o carnaval na cidade cujos termômetros registraram os 40 graus. Por: Maria Luiza Chemin Fotos: Maria Luiza Chemin / Claudia Junqueira

Luciana e Tatiana Nagle, juntamente com o pai Eduardo e o irmão Dudu abriram no dia 13 de janeiro, a esfiharia Alabab, no parque do povo.

A banda Matheuzinho e os Umbigaê tocaram no dia 15 de janeiro na Espetaria em mais uma edição do “Domingaz”, que encheu o espaço de gente bonita.

Ana Elise Pasquini, Tatiana Nagle, Cristina Junqueira e Janaina Barão fazem um brinde.

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Rafael Zorzetta e Amanda Hassan em noite agradável na Espetaria ao som de Matheuzinho e os Umbigaê.

Marcelo Khapz e Rafaela Cacciatore em noite de HipHop no Deck bar.

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Um dos sócios do Trip Bar Thiago Benvenuto e sua namorada Dani Mazzaro se divertem enquanto trabalham no Trip.


O alemão Christian Wedekind - D-nox, brincou e tirou onda com o público que foi ao delírio na noite do dia 20 de janeiro.

Patrícia Costa e seu charme na noite que bombou com D-nox nas pistas. A assessora de imprensa do Pub Ana Priscila Affonso no backstage do D-nox.

Maria Mederios Pellegrini comemorou seu aniversário no ultimo dia 27 de janeiro com festa animada para família e amigas no Jardim Morumbí.

Isabella Carvalho e o namorado Lucas Hashioka em viagem a Nova York.

Denise Pellegrini na festa de Maria Medeiros Pellegrini.

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Minica Ferreira e Sandra Nogueira na festa de Maria Medeiros. Candú Pellegrini Pinto e Desirré Filizzola na noite de festa de Maria Medeiros. Thiana Medeiros e Elisangela Whebi.

Vilma Migliari, a mãe e a irmã, na festa de Maria Medeiros.

Elza Rodrigues e Bia Lourenço na festa de aniversário de Rogério Amaral.

Simome Marques , Marcela Pellegrini e Rodrigo Marcondes na festa de Maria Medeiros. Tile Amato e Nina Almodovar.

Manoela Torelli e duas de suas clientes na tarde de chá da Murakami.

Cliente Murakami Joias lendo a revista Très.

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Cristina Kalil e Miriam Ribeiro.


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Por que sete?

Crônica

costuma trazer sorte e, segundo os astrólogos, é um ótimo número, pois a casa sete representa os bons relacionamentos no mapa astral - corrijam-me, se estiver errada. Agora, pergunto, por que tantos ”setes” na nossa vida? Se fosse um número maléfico, não daria tanto ibobe. Por que “Branca de Neve e os Sete Anões”? Por que as pessoas guardam segredos “a sete chaves”? Por que “sete pecados capitais?” Por que “sete principais chakras no nosso corpo, segundo a medicina oriental”?” Por que Matisse, em 1947, pintou a tela “Interior vermelho, natureza morta sobre mesa azul” e deixou justas e irritantes sete maçãs sobre a tal mesa azul? A grande maioria das peças de ShakeTexto: Claudia Junqueira speare, só foram publicadas sete anos Ilustração: Arquivo após a sua morte, em uma coleção chamscrevi uma crônica com esse mesmo título ada “O Primeiro Fólio”. Por que as “sete maravilhas do mundo em meados de 2004, quando há pouco havia regressado de minha experiência estudantil antigo” e não oito ou dez? E as sete maravilhas na capital. Falava do “pavoroso branco”, que modernas, entre elas o nosso Cristo Redentor dava as vezes nos escritores e citei que uma vez Mário que, no dia 7 de julho de 2007, em Lisboa, no Prata escreveu sobre o nada. Aliviei-me por dois sim- Estádio da Luz, assim foi eleito. Por que o gato tem exatas “sete vidas” e não ples motivos: na época, era uma iniciante e não tinha a pressão, como o famoso escritor e dramaturgo, de assi- dezesseis? Por que Letícia Wierzchowski, escritora gaúnar uma coluna no jornal O Estado de S. Paulo. Hoje, sete anos depois, fazendo um “backup” em cha, escreveu “A Casa das Sete Mulheres”, minhas crônicas antigas para encontrar alguma que romance adaptado pela Globo? Por que não “A pudesse publicar novamente, decidi reescrever uma Casa das Cinco Mulheres? Por que “SPA Sete Voltas” e não dez voltas, que falava de uma curiosidade que me assaltava e até hoje perdura: as misteriosas ligações que o número que certamente emagrece mais que sete? Por que D. Pedro resolveu proclamar a indeSETE tem com o mundo. Lendas, mitos, confabulações, pendência do Brasil logo nesse dia tão xarope, ditos populares, coincidências. Por mais que se busquem argumentos científicos, 7 de Setembro? Por que Laís Bodanzky resolveu dirigir um religiosos, psicológicos, metafísicos, artísticos, insisto na pergunta: por que tantos segredos e mistérios em filme chamado “Bicho de Sete Cabeças”? E por que Deus criou o mundo em sete dias? torno de um simples símbolo numérico? Por que “sete arcanjos”? “sete cores do Engraçado é que para muitas pessoas esse número

Por que sete?

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Por que sete?

arco-íris”? “sete dias da semana”? “sete leis espirituais do sucesso”, segundo Deepak Chopra? Por que “pintando o sete”, “Sete Léguas”? Por que desbravar “os sete mares”? O jogo dos “sete erros”? Por que “sete mandamentos da Umbanda?” A dança dos “sete véus”, “sete maiores picos do Brasil”?, “As sete terras de Deus”, segundo o Apocalipse? Por que “sete notas musicais?” Por que “sete raios cósmicos”? Por que “sete pragas”?

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Sabiam que Einstein aos sete anos demonstrou o teorema de Pitágoras, para surpresa do seu tio Jakob, que poucos dias antes lhe ensinara os fundamentos da geometria? Tchaikovsky nasceu no dia sete de maio e Joana D’arc, nascida no dia seis de janeiro, talvez tivesse escapado por um dia de não ter sido queimada por heresia. Sabiam disso? Michelangelo ficou sete anos de costas num estrado para pintar o teto da Capela Sistina. A maior soberana que o Egito já teve foi a faustuosa “Cleópatra Sétima”. Pergunto: por que justo na sétima dinastia de “Cleópatras” foi surgir tal celebridade? Por que o mês do meu nascimento, setembro (“septembre” pelo latim) começa com sete, é o nono mês do ano, segundo o calendário gregoriano? E setentrional, então? Significa o norte, polo norte, ou regiões do céu situadas perto da constelação da Ursa Menor, que, adivinha só, é formada por sete estrelas. Coincidências ou pura perseguição contra mim, eu que “aguentei” cursar três anos de administração e sempre “sonegava” o número sete de meus balanços patrimoniais e que, nem a pau, batiam com o do resto da sala. Por que nunca analisaram essa questão seríssima do número sete? Afinal, o que há por trás e além das análises semióticas e semânticas, míticas, religiosas, desse signo tão intrigante? Alexandre Cumino, em um dos seus livros, “Deus, Revista Très - Fevereiro / 2012

Deuses, Divindades e Anjos”, cita nas páginas 190 e 191, o seguinte: “De acordo com Johhn Heydon, o sete é um dos números mais prósperos e também tem sido definido como o todo ou o inteiro da coisa à qual é aplicado; contudo, Pitágoras referia que o sete era o número sagrado e perfeito entre todos os números, e Filolau (século V a.C.) dizia que o sete representava a mente. Macróbio (século V d.C.) considerava o sete como o nó, o elo das coisas. O sete é um número primo e também é o único de 1 a 10 que não é múltiplo nem divisor de qualquer número de 1 a 10. Segundo a ciência, que não mente jamais, a total renovação celular do corpo humano acontece de 7 em 7 anos. Deus ordenou ao homem trabalhar seis dias e descansar no sétimo (sábado). O homem, porém, está descansando no primeiro dia (domingo), antes de trabalhar os seis. Tudo trocado. É justo isso? Será que Deus se conformará com tal atitude? O maravilhoso Criador completou em seis dias a sua obra e descansou no sétimo dia. No sétimo dia! Dizem que sete é conta de mentiroso. Mas, a Bíblia contradiz frontalmente esse conceito. O sete é predominante nela. No Novo Testamento, por exemplo, há estas referências: “Jesus disse que, quando Satanás sai do coração do homem e os frutos do Espírito não o povoa, ele volta e traz sete espíritos piores (Mat. 12:45). Sete foram os pãezinhos que Jesus multiplicou para dar comida a uma multidão e ainda sobraram sete cestos cheios (Mat. 15:34-37). Pedro desejava saber o limite do perdão. Sete vezes? perguntou a Jesus! Não sete, mas até setenta vezes sete, respondeu o filho de Deus (Mat. 18:21 e 22). Quando Jesus ressuscitou, a primeira pessoa a vê-Lo foi Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios (Mar. 16:9). Sete anos também foram os dias de felicidade que tivera ao lado de seu esposo, a profetisa Ana (Luc. 2:36). Jesus ensinou que se o nosso irmão pecar contra nós sete vezes em um dia, sete vezes devemos perdoá-lo (Luc. 17). Bem, antes que vocês me mandem “caçar” o que fazer ou “catar sete coquinhos”, por exemplo, finalizo com a pergunta da minha tese de doutorado da vida. Por que sete? Eis aqui a sétima edição da Très.


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Revista Très Fevereiro/12 - #7