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Expediente DIRETOR DE ARTE LITHO ALVES

DIRETORA DE MODA CONVIDADA RENATA CORRÊA EDITORA DE MODA MATILDA AZEVEDO

PROJETO EDITORIAL LARA KRAWCZENKO ALESSANDRA FLORÊNCIO

DESIGNER OMAR BELTRAME NOGUEIRA COOLHUNTER DANIEL FONSECA TRAILER ONLINE CAIO KATO

ASSISTENTE DE REDAÇÃO VALÉRIA OLIVEIRA

PUBLISHERS DIETER WOLFGANG BROCKHAUSEN HUMBERTO REBONATO DIRETORA RESPONSÁVEL ALESSANDRA FLORÊNCIO DIRETORA DE REDAÇÃO DORIS BICUDO

PROJETO GRÁFICO LITHO ALVES JACQUELINE LEUTWILER PUBLICADO POR EDITORA AGADÊ PRAÇA DIRCEU DE LIMA, 656 CASA VERDE, SÃO PAULO, SP CEP 02515-050 TELEFONE 55 (11) 3966-3022 editoraagade.com.br

GERENTE DE PUBLICIDADE LUCIANE GRASCIANO

JORNALISTA CONVIDADA CHIARA GADALETA

REVISÃO BIA MENDES

COLABORADORES NESTA EDIÇÃO ANGELA KLINKE BASE LUNA BRUNA LUCENA BRUNA SAMPAIO BRUSH CAIO PORTO CRIS HERRMANN (FORD MODELS) DANIEL ARATANGY DANIEL HERNANDEZ (MLAGES) FELIPE TADEU (MANGABA PRODUÇÕES) FERNANDO VIEIRA GUILHERME ITACARAMBI GUI PAGANINI GUSTAVO IPPOLITO HELDER RODRIGUES (CAPA MGT) JULIA FUCHS (JOY MODEL MANAGEMENT) JULIA SMIDT (S.D C&P) KATIA SELINGER (JOY MODEL MANAGEMENT) LAYLA MOTTA LILIAN FRANKLIN (FORD MODELS) LINCON JUSTO LORENA MARASCHI (WAY MODEL) MARCELO ANDRADE MARIA FLAVIA (WAY MODEL) MARIA SOLE MARILIO BITARELLO JR. MAYARA MARCCHI (ROCK MGT) MICHELE PAVÃO MURILLO MENDES MÔNICA RODRIGUES FERNANDES MOZART FERNANDES NICOLE HEINIGER (S.D MGMT) ORAIDE OLIVEIRA REBECCA GOBBI (WAY MODEL) ROBERT ESTEVÃO (CAPA MGT) SILVIO GIORGIO (CAPA MGT) SONIA RACY THAINA (L’EQUIPE) THIAGO AUGE

COMERCIAL 55 (11) 3966-3022 TRATAMENTO DE IMAGEM MANÉ

PRÉ-IMPRESSÃO GRÁFICA IPSIS

IMPRESSÃO E ACABAMENTO GRÁFICA IPSIS

CAPA CRIS HERRMANN (Ford Models) STYLING RENATA CORRÊA (S.D Mgmt) FOTO NICOLE HEINIGER (S.D Mgmt) BELEZA SILVIO GIORGIO (Capa Mgt) LOOK DA CAPA Vestido, Bottega Venetta. Sapatos, Forum. Bolsa, Prada.

TRAILER BRASIL ONLINE trailerbrasil.com.br ANUNCIE comercial@trailerbrasil.com.br TRABALHE CONOSCO redação@trailerbrasil.com.br


Carta do editor 10

Chegamos ao fechamento da segunda edição da Trailer com o projeto mais amadurecido e alcançamos um resultado ainda melhor do que a edição de lançamento. Por isso, quero nesta carta contar rapidamente a que viemos e dar o drive de leitura para você aproveitar ao máximo a nossa revista. O que nos alimenta é a responsabilidade de entregar uma pesquisa já editada para lojistas de todo o país. Os principais destaques estão no Preview, que, seguramente, serão vistos nas edições seguintes das semanas de moda no Brasil e nas araras dos showrooms das marcas brasileiras. Mostramos um verdadeiro Trailer da moda nacional no Frame, com cores, shapes, estampas, acessórios e beleza. Viemos para ser a revista de referência de pesquisa de moda, e por meio dos nossos textos e imagens queremos que vocês conheçam as principais tendências e se inspirem para compor o portfólio de marcas e produtos para a sua loja, já que nossos editoriais são produzidos de forma inspiracional com um mix variado de marcas, de A a Z, do Fast Fashion ao Luxo, pelo olhar afinado da nossa diretora de moda convidada, Renata Corrêa. Nosso conteúdo vai além da moda. Parte de matérias de cenários de mercado, nesta edição com a respeitada colunista Sonia Racy, e passa por Insigths conduzidos pela jornalista Angela Klinke, em entrevista com Flávio Rocha, presidente da Riachuelo. Finalizamos com minimatérias onde mostramos referências, ideias e soluções inspiradoras para que os lojistas acompanhem o que acontece de novo no Brasil e no mundo. Neste universo de globalização, onde a velocidade da informação e a ação fazem toda a diferença, convido você a mergulhar na atmosfera da Trailer (aqui e em nosso site) e sair dela com a sensação de frescor e preparado para a Primavera / Verão 2015, que será apresentada nas semanas de moda a partir de abril.

Foto Nicole Heiniger

Alessandra Florêncio


Foto arquivo pessoal

Doris Bicudo Se tem uma coisa em que acredito é na máxima ‘para a frente é que se anda’. E, com muito orgulho, olhando a nossa revista na parede neste final de fechamento, sinto vontade de gritar um sonoro GOOOOL. Sem ufanismo, já que nem de futebol sou lá muito fã. E também, sem nenhuma modéstia, afirmo que a nossa segunda edição deu um salto. Trabalho de equipe afinada. Uma orquestra a qual tenho o maior prazer em reger. Nossa, do futebol à música clássica para falar de uma revista de moda? Somos ecléticos, mesmo. Em nossos editoriais buscamos inspirações no movimento underground dos anos 80, na Escola Bauhaus e no étnico. Sim, essas são as tendências mais fortes para o verão 2014/2015. Fique de olho. Esse mundo da moda é mesmo muito complexo. E a gente gosta disso. Imagem de moda não é coisa fácil. Tem de pesquisar um monte. Viajar no tempo – para a frente e para trás. Em nossas matérias de tecnologia, você vai fazer uma viagem ao futuro. Embora todos os achados do nosso editor Daniel Fonseca estejam acontecendo neste exato momento, em algum lugar do planeta. Já na pesquisa de moda, batemos mais uma vez com esse tal dos anos 80. E foi lá que fiz uma viagem especial. Nostálgica. Me deparei com os graffitis de Alex Vallauri e Keith Hering. O primeiro, um amigo. Foi ele que me apresentou Keith, quando o americano esteve em São Paulo. Jantamos juntos no Rodeio, me lembro como se fosse hoje. Mas, como é pra frente que se anda, o passado vira referência, um alimento da alma para a gente enxergar – de olhos bem abertos – o presente. E neste exato momento convido você a passear com a gente pelo delicioso e complexo universo da moda. Que tal?


Sumário 14 Colaboradores 16 Trailer.com 18 Making Of 20 Locação 24 Cenário 30 Insight

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Preview

O melhor das passarelas internacionais traduzido para o nosso verão 2014/15

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Bauhaus

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Beleza Cabelos enormes e make limpo. O verão também é hi-lo na beleza

Com inspiração na escola alemã, as cores primárias são um dos pontos altos do verão

58 Cores da Estação 66 Estampas 70 Acessórios 74 O Artista Fala


88 Guerreiras

122 Agenda 128 Holofote 130 Carnet 132 Nova Onda 136 Tecno 138 Vanguarda 140 In Off 142 Glossário 154 Coming Soon

Pop

Imagens fortes para mostrar a força da nova mulher

100 Get the Look

A moda vai às ruas e descobre um novo olhar para o underground

124 Get Real

Importantíssimos para atrair clientes, os manequins ganham formas quase humanas


Fotos arquivo pessoal

Colaboradores SONIA RACY

GUI PAGANINI

DANIEL ARATANGY

Uma empresária por natureza, Sonia é formada em administração de empresas e, sem deixar sua veia jornalística de lado, aliou seu conhecimento ao gosto pela notícia. Tornou-se uma das colunistas mais importantes de economia do Brasil. Antenadíssima, Sonia é responsável pela coluna “Direto da Fonte”, publicada há 15 anos no Estadão. Para ela, o ideal de um final feliz seria não ter fim...

Este top fotógrafo não brinca em serviço. Não à toa, é vencedor de prêmios e mais prêmios. Seus cliques são verdadeiras obras de arte do universo da moda – o que, aliás, nos inspirou uns bocados nesta edição. Em seus 25 anos de carreira, Paganini mantém o olhar e o espírito daquele jovem fotógrafo que começou lá atrás na revista Moda Brasil. E é com esse mesmo espírito que ele responde: “O cenário ideal para um final feliz tem que ser o mais natural possível. A natureza sempre nos surpreende!”

Com um olhar afiadíssimo, Aratangy é fotógrafo especializado em moda, retratos e celebridades. Seus trabalhos estampam revistas de peso como Vogue, Elle, Trip, Tpm e muitas outras. O paulistano (de coração, pois nasceu em Boston), já viveu na pacata Caraíva – litoral baiano – e na frenética Nova York. Ou seja, um autêntico cidadão do mundo! Para ele, o cenário ideal para um final feliz é onde “a chuva encontra o mar”.

JORNALISTA

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FOTÓGRAFO

FOT´ÓGRAFO


Fotos arquivo pessoal

MÔNICA E MOZART

ANGELA KLINKE

THIAGO AUGE

Ela, cenógrafa, fotógrafa e produtora. Ele, artista plástico e diretor de arte. Juntos, podemos dizer que Mônica e Mozart se integram como num verdadeiro quebra-cabeças. Com veias artísticas singulares, os dois tocam a Vértices Casa – Cenografia e Design, um lugar que reúne arte, criação e inspiração. Para eles, a combinação entre as linhas da cidade, a música, o caos e as pessoas inseridas nesse todo representa o cenário ideal para um autêntico final feliz.

Jornalista expert em diversos assuntos, Angela já passou pelas redações mais importantes do país, até se encontrar no segmento de comportamento, onde se especializou em temas como consumo e mercado de luxo. Hoje, assina a prestigiada coluna “Eu&Consumo”, no Valor Econômico. Ao ser perguntada sobre um cenário ideal para um final feliz, a resposta não poderia ter sido mais pessoal: “Um país com justiça social e vinho decente”. Concordamos plenamente, Angela!

Um apaixonado por fotografia e motos, iniciou sua carreira como image retoucher a partir da vontade latente de se envolver na criação de belas imagens. Com olhar ávido por arte desde pequeno, buscou um caminho a trilhar dentro do universo da fotografia. Especializou-se em moda e hoje colabora frequentemente com os melhores profissionais do mercado internacional – até as Vogues China e Japão trabalharam com o moço! – Agora, em se tratando de um cenário ideal para aquele happy end perfeito, o adepto do dolce far niente italiano responde: “Um típico pôr do sol dentro do Coliseu, em Roma”.

ARTISTAS

JORNALISTA

MULTIMÍDIA


Por Caio Kato

Trailer.com.br

DAS PASSARELAS À TELONA

Yves Saint Laurent, finalmente, ganha homenagem à altura na tela grande. O filme que retrata toda a trajetória da carreira de um dos ícones da moda mundial teve estreia na França na última semana de janeiro. Dirigido por Jalil Lespert, a biografia traça a vida de YSL. Visionário, ficou mundialmente conhecido por lançar o smoking feminino – possibilitando às mulheres o uso de calças compridas no ambiente de trabalho, além de ter sido o primeiro estilista a convidar manequins negras para as passarelas. Em contagem regressiva para o lançamento por aqui.

À ITALIANA

INTERVENÇÕES DA VOVÓ DA PERFORMANCE

De 5 de abril a 27 de julho, toda a beleza que envolve a moda italiana será tema de exposição no Victoria and Albert Museum, em Londres. Com o título O Glamour da Moda Italiana de 1945 até 2014, dá pra ter uma ideia da grandiosidade da exposição. Por meio de um olhar fascinante e abrangente, a história será explorada a partir de algumas marcas-chave, como Valentino, Gucci, Missoni, Giorgio Armani, Versace, Prada e Miu Miu, entre tantas outras que contribuíram para a reputação da Itália no quesito qualidade e estilo. Um luxo só!

Depois de vir ao Brasil algumas vezes para explorar nossas riquezas naturais, a consagrada artista iugoslava Marina Abramovic confirma exposição na capital paulista. Ainda sem data certa, sua primeira intervenção em solo nacional está marcada para o próximo ano no Sesc Belenzinho e Sesc Pompéia. Além disso, Marina traz também na bagagem seu mais novo documentário, A Corrente. Ela conta suas experiências – que não foram poucas – durante as viagens que fez pelos meandros do nosso país.

LIVRO DE CABECEIRA

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!

Se você ainda não recebe a nossa revista, cadastre-se no site e receba a edição impressa gratuitamente em seu endereço. trailerbrasil.com.br A moda antes mesmo das passarelas

Fotos divulgação

Um guia para uma vida melhor, é assim que a equipe editorial da Monocle – a revista mais cool do cenário cultural e criativo europeu – categoriza seu primeiro e recente livro lançado. Preocupados com essa questão do viver bem e melhor, a revista constantemente aborda essa pauta. O livro, inspirado no projeto criado pelo consagrado diretor criativo Tyler Brûlé, possui cerca de 400 páginas e apresenta fotografia original e ilustrações impressas em uma seleção dos trabalhos da mais alta qualidade, sugerindo contribuir para um mundo um pouco mais “habitável e adorável”. Utopicamente maravilhoso... fb.com/ revistatrailerbrasil instagram.com/ revistatrailerbrasil


Making Of

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onge de qualquer discrição, invadimos nossos próprios sets de fotos para dar a vocês um aperitivo do que rolou nos ensaios. De José, o elegantérrimo whippet e fiel escudeiro do fotógrafo Gui Paganini aos “não carões” das modelos por trás das câmeras, registramos tudo e todos. Não deixe de degustar o menu completo no site da Trailer. trailerbrasil.com.br

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Fotos Lincon Justo

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1 Silvio Giorgio, Cris Herrmann e Marilio Bitarello Jr. 2 Matilda Azevedo, Helena Lima, Doris Bicudo, Guilherme Itacarambi, Renata Corrêa e Silvio Giorgio. 3 Cris Herrmann e o incrível set design por Felipe Tadeu. 4 Renata Corrêa, Gustavo Ippolito, Daniel Hernandez, Guilherme Itacarambi e Gui Paganini. 5 Lilian Franklin e Helder Rodrigues. 6 Nicole Heiniger. 7 Robert Estevão e Mayara Marcchi. 8 Oraide Oliveira e Renata Corrêa vestem Rebecca Gobbi.


Locação

STREET IS BEAUTIFUL O ano era 1977. Howard Cosell narrava uma partida tensa de beisebol durante a Yankees World Series. Foi justamente em um dos lances mais audazes do jogo que o locutor soltou a célebre frase: “The Bronx is burning”, ou: “O Bronx está em chamas”, em tradução livre. Inocente exclamação beisebolística ou não, a verdade é que a afirmação de Cosell trouxe à tona a explosão cultural – e social – que se instalava naquele bairro da periferia nova-iorquina em meio ao caos que permeava a economia da potência mundial. Berço das gangues contemporâneas e templo da marginalidade americana da época, o Bronx viu crescer também os novos expoentes artísticos de rua, a expressão das minorias e o som da batida africana num país tão cheio de preconceitos. Das paredes dos edifícios abandonados às carcaças dos metrôs do subúrbio, as marcas das gangues passaram a funcionar como alto-falantes do furor artístico latente nas veias bairristas. Aos poucos, as assinaturas foram se transformando em grafismos que, de uma forma ou de outra, co-

meçaram a revelar os nomes de seus verdadeiros artistas. É da atitude multicultural das periferias que vemos surgir a inspiração para o nosso editorial Street – Get the Look. Pensamos sobre a pichação e os grafismos de Dondi, a subversão de Keith Haring, Basquiat e Alex Vallauri, o electro-funk de Afrika Bambaataa, as mensagens feministas de Jenny Holzer, além dos registros fotográficos de Martha Cooper, para trazer um recorte iconográfico da evolução do poder das ruas sob a perspectiva marginal norte-americana. Dos ritmos que embalaram o hiphop e o funk tal como os conhecemos hoje às mesclas e sobreposições de camadas sociais que sobressaem à roupa e à atitude de quem as veste, fato é que respiramos o furor da periferia o tempo todo. Seja nas quebradas do centro de São Paulo, em East London, no Vidigal ou nos murais do desfile da Prada SS14, o zeitgeist do final dos anos 1970 ressurge com força no universo criativo da moda para mostrar que o Bronx está mais quente do que nunca. Esquenta! No sentido horário: Jean-Michel Basquiat, Jenny Holzer, Dondi, Keith Haring, Martha Cooper, Alex Vallauri

Fotos divulgação

Por Daniel Fonseca


LILLAKA.COM.BR


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Felipe Morozini


Roteiro Cenรกrio Insight


Cenário

Muito além das passarelas, a engrenagem que move o universo

da moda até o consumidor final precisa de maturidade para acompanhar as constantes transformações da concorrência, por vezes, desleal... – Por Sonia Racy

Q


Q Quando me pedem para fazer previsões sobre o cenário econômico para os próximos meses – com relação ao dólar, consumo, câmbio e inflação –, digo que é impossível. Primeiro, não tenho bola de cristal – quem me dera! Depois, o mundo econômico é tão dinâmico e depende de tantas variáveis, que não me atrevo a prever ou antever o que possa acontecer.

Explico um pouco, para mostrar o que são essas opções de negócios: lojas próprias sempre existiram. São comércios que cresceram e se transformaram em redes, mas que se mantiveram sob as asas do proprietário e sua administração. Depois VIERAM AS FRANQUIAS, NOVO MODELO DE NEGÓCIO, onde o dono da loja de sucesso vendia a receita e os produtos, centralizando a produção e a propaganda. As lojas de roupas que não tinham produção própria, compravam de várias confecções, daí apareceram as multimarcas. Por fim, COM O ADVENTO DA INTERNET, veio a venda virtual, o e-commerce e a facilidade de comprar e receber o produto sem sair de casa. Mas ainda não caiu 100% nas graças dos consumidores brasileiros. Até agora, estamos em fase de adaptação. Principalmente os consumidores que contam com as facilidades do comércio nas grandes metrópoles.

Como um grande negócio, a moda precisa ser estudada em toda sua complexidade

Lógico que muitas coisas sabemos de antemão onde vão dar, OU PORQUE já vimos antes no mercado, OU PORQUE é tão óbvio que não tem como aquele caminho não levar ao destino anunciado. Como um dos grandes negócios do mundo, A MODA PRECISA SER ESTUDADA em toda sua complexidade, e hoje a expansão e vendas das marcas é feita por multicanais: lojas próprias, franquias, multimarcas e e-commerce.

Uma tendência na indústria da moda que vem se firmando cada vez mais no Brasil é a FORMAÇÃO DOS CONGLOMERADOS, que detêm o poder financeiro de várias marcas. Um bom exemplo disso é o LVMH, maior grupo de luxo do mundo e responsável por administrar grifes como Louis Vuitton, Fendi, Givenchy e Marc Jacobs. Funciona assim: QUANDO UMA MARCA CRESCE, ELA PRECISA INVESTIR muito para atender às demandas e desenvolver um plano de crescimento. Surgem então os conglomerados que otimizam verba, apoio e outros recursos necessários para incrementar desenvolvimento, lucro e produtividade.


Cenário

O Os conglomerados dão certo porque têm um centro compartilhado, que faz as compras e a distribuição. Não só por isso, pois esse tipo de coisa otimiza a operação e promove corte de custos. Os conglomerados também têm maior capacidade para investir em marketing. Essa estratégia está cada vez mais forte no Brasil e já é possível ver alguns modelos por aqui:

O mundo hoje está mais difícil para a moda brasileira. O CUSTO BRASIL, somado à competição externa, atrapalha a eficiência do setor. Somente os grandes conglomerados têm condições para praticar preços palatáveis e enfrentar a concorrência externa. Além disso e para colocar mais umas nuvenzinhas cinza nesse cenário, existe uma COMPETIÇÃO DESLEAL com a economia mundial, que permite que as empresas estrangeiras consigam reduzir os custos e atacar o comércio nacional. O Brasil não protege corretamente sua indústria da moda contra o dumping

O mundo hoje está mais difícil para a moda brasileira

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• AREZZO&CO, que  reúne as marcas de sapatos Arezzo, Schutz, Alexandre Birman e Anacapri e que atualmente vende cerca de 7 milhões de calçados e 700 mil bolsas e acessórios em todo o Brasil. • INBRANDS, que alia Ellus, Ellus Second Floor, Richards, Selaria, VR, VRK, Salinas, Alexandre Herchcovitch, Mandi e Bobstore, com faturamento que aumentou 35% em relação ao ano passado. • AMC TÊXTIL, com Colcci, Tufi Duek, Triton, Forum, Coca-Cola Clothing, Sommer e Carmelitas, que a cada ano produz 2,8 milhões de peças. No ano passado inaugurou 60 novas lojas. • RESTOQUE SA, que une Le Lis Blanc, Bo.Bô, John John e Noir, Le Lis, que possui um público fiel, mas no entanto sofreu um prejuízo de 12 milhões no primeiro trimestre de 2013, devido às despesas de abertura de novas lojas.

promovido principalmente pela CHINA E SEUS PRODUTOS, que chegam subfaturados e, portanto, pagam pouco imposto. Essa prática vem se dando há mais de quinze anos, e o governo brasileiro não consegue reagir à altura. Tanto assim que muitas empresas do setor têxtil no Brasil acabaram fechando suas portas. Vale lembrar que a conta pelos benefícios concedidos como incentivo à entrada dos produtos estrangeiros – como luvas e bônus – será paga por todos. A INDÚSTRIA BRASILEIRA TEM PERDIDO COMPETITIVIDADE em relação aos produtos chineses também devido à carga tributária. Enquanto lá os empresários pagam baixos salários e têm uma TAXA DE IMPOSTO de apenas 10%, aqui trabalhamos com 75%. A aposta para enfrentar os chineses tem sido na qualidade dos produtos brasileiros, com investimentos em tecnologia e design.


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A

Ainda assim, 10% das grandes empresas brasileiras já produzem com fábrica própria na China, como resposta à concorrência com companhias chinesas pelo mercado brasileiro e dos outros países. Uma das estratégias, nestes últimos anos, foi CRESCER POR MEIO DA ABERTURA DE FRANQUIAS. Mas a grande maioria das confecções de vestuário vive da venda realizada nas lojas multimarcas, principal canal de distribuição do produto no país. Dá para notar que elas cresceram muito, principalmente as empresas que têm uma GESTÃO PROFISSIONAL. As muito amadoras não aguentam a concorrência. Hoje a moda brasileira não tem mais espaço para quem não é profissional. Como prática para alavancar as vendas e conquistar mais clientes, o lojista conta com o trabalho dos ESCRITÓRIOS DE REPRESENTAÇÃO, presentes em todas as capitais. Mas, para que esse trabalho tenha sucesso, as marcas precisam investir em treinamento para as equipes e realizar visitas periódicas aos lojistas. Com esse cuidado, identificam as NECESSIDADES DE CADA REGIÃO e, a partir daí, investem em atendimento e no pós-venda, além de avaliar a distribuição e, quando necessário, o reposicionamento da marca. A mudança de datas das principais semanas de moda do país é mais uma iniciativa para nos alinhar com as ESTRATÉGIAS INTERNACIONAIS e otimizar os resultados, em todas as etapas de lançamento, trazendo a possibilidade de um melhor planejamento do desenvolvimento e da produção das coleções, até uma gestão comercial mais efetiva.

Outra grande vantagem é que o intervalo entre o LANÇAMENTO DAS COLEÇÕES NA PASSARELA DAS SEMANAS DE MODA E A CHEGADA DAS PEÇAS NAS LOJAS – que antes era de apenas três meses –, agora é maior, com pelo menos seis meses. Isso dá mais tempo para o cuidado com a CONFECÇÃO DAS PEÇAS, aquecendo a indústria nacional e minimizando a quebra da entrega das vendas realizadas. A BOA NOTÍCIA é que o mercado tem se tornado mais profissional e competitivo. E que 2014, por ser um ano de campanha eleitoral, deve ser bom para a economia. Mas, se também me pedem para dar uma boa dica de gestão para os lojistas, eu declino! Principalmente porque não sou gestora, nem lojista. SE TIVESSE RECEITA, NINGUÉM ERRAVA. E é por isso que as teorias nunca conseguem ter sucesso total na realidade.

Hoje a moda brasileira não tem espaço para quem não é profissional


Insight

Com um modelo

de negócio integrado que vai do fio à última parcela

do financiamento,

Flávio Rocha

quer transformar a Riachuelo na

“Apple da cadeia têxtil” – Por Angela Klinke Fotos Daniel Aratangy


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É uma inconveniência o traje executivo no verão brutal. O empresário Flávio Rocha, presidente das Lojas Riachuelo e herdeiro do grupo Guararapes, chega para a entrevista de camisa. Aí lembra que terá de enfrentar uma sessão de fotos e pega um blazer emprestado. O ar-condicionado está a toda na sede administrativa no bairro da Casa Verde, em São Paulo. Mas não o suficiente. Para quem adota um figurino “básico”, como ele define, o ponto de atração do look é o cinto Hermès. Como o propósito de sua empresa é democratizar a moda, ele integra naquele momento a cota dos praticantes do hi-lo. Em 2013, foram abertas 43 lojas Riachuelo, totalizando 212 pontos de venda. A abertura mais badalada foi a unidade na Rua Oscar Freire, num dos pontos mais sofisticados de São Paulo. Rocha destaca, contudo, que com quatro dias de diferença abriu uma unidade na Rua Nova, em Recife, num dos endereços mais populares do país. E que as duas vendem os mesmos produtos. “A visão de castas e a política de segmentação são obsoletas”, diz ele. “O consumidor de Mossoró quer uma peça assinada por Cris Barros tanto quanto um de São Paulo.” Ao adotar o sistema fast fashion na sua rede varejista, Rocha acredita ter alcançado um modelo imbatível. Para a base da pirâmide – que agora na verdade virou “a cintura de um losango” – ele pode oferecer moda a preço acessível. Para o topo e os consumidores mais exigentes, ele tem como atributo a disponibilidade diária dos produtos mais desejados. Por isso, ele pretende ser a “Apple do varejo têxtil”. A fórmula tem dado resultados reluzentes. Só o braço varejista teve faturamento estimado em R$ 4,5 bilhões em 2013. “O Brasil é um mercado de 10 bilhões de peças de roupa por ano, e nós produzimos no ano passado 150 milhões de peças, ou seja, alcançamos 1,5% de market share. Temos muito espaço para crescer.” Para este ano, está prevista a abertura de mais 40 lojas, um total de 85 mil metros quadrados de área de venda, e a estreia no e-commerce.

Angela Klinke – Qual sua expectativa para o varejo de têxteis?

AK – A chegada das redes internacionais já impacta o setor?

Flávio Rocha – É ainda mais positiva do que o varejo como todo, que tem crescido até três vezes mais que o PIB. Moda era um privilégio de poucos. A maioria dos consumidores só comprava roupa. Só quem tinha renda e informação no topo da pirâmide tinha acesso, e os demais consumiam vestuário mais para evitar a nudez (risos). Nossa empresa, por exemplo, era focada em preço, mas há 20 anos apostamos no nicho de quem estava disposto a pagar para ter informação de moda e que, por sinal, cresceu explosivamente. Se estamos assistindo à democratização da renda, a democratização da informação nos últimos 25 anos foi fundamental para despertar o desejo de moda, para que roupa mudasse de sentido. Hoje, somos a maior empresa de moda do país em todos os sentidos, em número de funcionários (40 mil), faturamento, de lojas.

FR – É tudo o que a gente rezou a vida toda para que acontecesse, um ambiente mais profissional e formal. O Brasil é um mercado muito desejável para ser ignorado pelos grandes players. Mas eles tomam sustos quando enfrentam o labirinto jurídico e tributário, um excesso normativo que beira as raias do absurdo, que só tem um desaguadouro: preço. Isso faz com que empresas competitivas que atendem grandes contingentes lá fora aqui se tornem empresas de luxo. Mas como sou um otimista acho que está se formando um consenso contra o custo Brasil. Uma parcela significativa da opinião pública identificou esse inimigo porque é necessário cobrar a competitividade perdida do país. Vivemos uma década de estímulo da demanda e a queda da competitividade. É como uma


F fazenda onde só se colhe, sem plantar. Hoje, a pirâmide virou losango e a classe média faz conta de custo/ benefício. Graças ao varejo, ela quer reciprocidade, está pagando e quer contrapartida. Isso vai ter um impacto brutal nas eleições. O consumidor olha para o Estado como um prestador de serviço como qualquer outro e exige eficiência, seriedade, transparência e qualidade. AK – Como a Riachuelo está lidando com esse público mais exigente?

FR – O que há 20 anos era um pequeno nicho que nos garantiu a sobrevivência, hoje se alarga de A a Z. A gente observa a obsolescência desse sistema de castas. A segmentação é um modelo ultrapassado. Hoje, a aspiração é instantânea. O que Kate Middleton e a Michele Obama usam varre toda a pirâmide social. Por isso, nosso espaço de atuação e a responsabilidade só aumentam. Nosso propósito como empresa é fazer da moda um fator de inclusão e não de exclusão e elitista como sempre foi. A gente usa a expressão poética das “40 milhões de gatas borralheiras se transformando em princesas”.

AK – Como lidar com a democratização do acesso e a velocidade cada vez maior da informação?

FR – Somos os únicos representantes brasileiros do fast fashion. Temos a sinergia de uma gestão integrada da longa e conflituosa cadeia têxtil, fibra, fio, tecelagem, acabamento, tinturaria, estamparia, confecção, logística, varejo. O resultado é visível na expansão da empresa e no crescimento expressivo da margem de lucro. Lá fora o grupo dos varejistas tradicionais está em franca decadência, fechando lojas. E o grupo que está bombando é formado pela Zara, Top Shop, Forever 21, Uniqlo. Na Riachuelo, temos ainda mais vantagens porque estamos um passo atrás (tecelagem) e um além (financeiro). Nossa sinergia começa no fio e termina na última parcela do financiamento. AK – Qual é a sua avaliação do ecommerce?

FR – Está no nosso calendário para este ano. Temos uma presença muito importante nas mídias sociais, com 4 milhões de seguidores no Facebook. Sabemos que é preciso trabalhar vários canais. Vamos ter nossa presença, mas com baixas expectativas com relação à representatividade. Há ainda muitas coisas a serem resolvidas nessa área no país, como a questão tributária e a Lei da Hora Certa.


O AK – O senhor considera adotar novas tecnologias, como os provadores inteligentes?

FR – Há um certo deslumbramento com gadgets. A grande revolução não está no tamanho da tela de cristal líquido do ponto de venda, nem no body scanner. O futuro está no varejo cada vez mais assumindo a coordenação da cadeia de suprimentos, principalmente no Brasil, onde esse processo está atrasado. Veja a Apple, por exemplo, que é um varejo integrado num setor diferente do nosso. Sem querer ser pretensioso, a Riachuelo quer ser a Apple da cadeia têxtil.

marcava. O varejo tem a função de ser uma antena das aspirações, é uma usina de produção de inovação. Essa mudança começou com uma inovação tecnológica à qual ninguém dá valor que é o leitor de código de barras. Ele está para a economia assim como a urna para a democracia. Ele capta o interesse do consumidor e irriga a cadeia toda. O leitor de código de barra passou a organizar uma massa de informações preciosíssimas que era dispersa, passou a tabular a vontade do consumidor. E, como informação é poder, o poder foi migrando para o varejo. AK – Qual é o tamanho de sua equipe de estilistas?

FR – Temos 80 profissionais na área de desenvolvimento de produtos para criação de 35 mil itens por ano, contra 20 mil da Zara, por exemplo. Temos 17 marcas próprias. Uma das

O varejo tem a função de ser uma antena de aspirações, é uma usina de inovação AK – O fast fashion vai se fortalecer como um lançador de moda? FR – O desenvolvimento dos produtos está mudando. Essa é a diferença de uma cadeia empurrada para uma cadeia puxada. Antigamente o criador se isolava e desenhava da cabeça dele e empurrava para fiação, para a tecelagem. Aí o que não vendesse de-

nossas marcas de citação espontânea é a Pool, que tem campanhas específicas. Quando fazemos coleções assinadas nos perguntam se copiamos a H&M. Eu digo que eles copiaram a gente, porque nossa primeira foi em 1980, com o Ney Galvão, e a deles em 2000, com Karl Lagerfeld. AK – Parte da produção é feita fora do Brasil?


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FR – Em torno de 30% de nossas peças vêm da China. Eles têm uma competitividade imbatível, mas não conseguem dar velocidade porque as encomendas precisam de até oito meses de antecedência. Temos um escritório em Xangai e trazemos os itens menos sensíveis ao tempo, como camisetas polos. No modelo de varejo tradicional, o fechamento da programação com os fornecedores é feito 60 a 90 dias antes. Aí com duas semanas do início da estação os itens campeões já venderam. Ao final da temporada, 20% dos itens mais lentos precisam ser demarcados violentamente. Na Riachuelo nossa capacidade de integração para lead time é de dez dias. Iniciamos a estação tendo comprometido só 15% das encomendas para a parte industrial. 85% das decisões são tomadas dentro da própria estação. Nos primeiros dias, como a integração com a fábrica é total, já direcionamos a produção para o que está

AK – Qual é o tempo de reposição das peças? FR – Fazemos a reposição diária por SKUs (artigos distintos). Não entupimos a loja com itens que só vão ser vendidos no fim da estação. Diminuímos a profundidade do estoque e aumentamos a superfície. O que interessa ao cliente é variedade. Além disso, outro diferencial do nosso modelo que funciona muito bem é a coordenação. A H&M é como um supermercado vendedor de ingredientes, com um mar de jeans, de saias e etc. Na Zara e na Riachuelo você tem a solução coordenada, como num restaurante. Nessa composição, um item da China que você comprou oito meses antes faz par com uma peça que veio de Fortaleza há dez dias. Isso torna a operação mais complexa, mas é uma prestação de serviço muito mais completa e didática para o cliente.

Nosso propósito como empresa é fazer da moda um fator de inclusão e não elitista como sempre foi funcionando. A maior parte dos itens convergem para as matérias-primas básicas, que podem ser tingidas ou estampadas em função da demanda. Numa loja tradicional, à medida que a estação avança você vai degradando a condição do estoque. Numa fast fashion acontece o contrário. À medida que a estação vai avançando você vai aumentando a proporção dos itens campeões na loja.

AK – No segmento de luxo, as vendas de acessórios crescem enquanto o vestuário perde espaço para o fast fashion. Acessórios têm sido significativos para a Riachuelo? FR – Cada vez mais. Mas na loja da Rua Oscar Freire medimos essa inversão. O feminino foi o recordista de venda, com destaque para as peças de vestuário. Aí a mulher coloca uma bolsa croco de grife e integra o fenômeno hi-lo.


A

AK – As compras dos brasileiros no exterior afetam a Riachuelo tanto quanto as empresas de luxo?

FR – O “efeito Infraero” impacta mais no segmento de luxo, mas também está nos atingindo. O brasileiro compra lá fora peças de vestuário em valor equivalente aos faturamentos da Riachuelo, Renner, C&A, Hering, Marisa e Pernambucanas. Antes isso acontecia só na classe A, agora se disseminou. AK – Por que a Riachuelo quis ir para a Oscar Freire?

FR – A ideia era uma ação de imagem. Tínhamos uma expectativa de venda tão baixa que até reservamos uma verba de marketing complementar para compensar as perdas. Mas no primeiro mês a loja já se tornou lucrativa. Teve dias que vendemos um terço do estoque. Temos apelo para o público da região. A logística no setor de luxo é precaríssima. Minha mulher nunca encontra o que quer quando entra nas lojas de grife na Europa, por exemplo. Mas as fast fashions de lá ofertam as mesmas tendências nas cores e tamanhos que ela precisa. Fast fashion não oferece exclusividade, mas sim a disponibilidade dos itens que os clientes mais querem. AK – Uma multimarca não teria vantagem sobre as monomarcas por saber exatamente o que cada cliente sua quer? FR – Sim, esse é um ponto. Mas mesmo a multimarca tem um ritmo de pulsação que é sazonal, por estação. Ela faz um pedido, e o que sobrou li-

quida no fim da temporada. Numa fast fashion o ritmo é diário. Você abre as portas de manhã com todas as peças que têm real chance de venda naquele dia. Um item de performance médio na nossa loja vende um SKU a cada 30 dias. No modelo empurrado, se você coloca cinco SKUs de cada um para enfrentar toda a estação acaba por ocupar o grande gargalo do varejo de moda, que é o centímetro de arara. A chance de vender a primeira SKU no primeiro dia é de 3%. E a de duas SKUs do mesmo produto no mesmo dia é 3% de 3%. AK – E como vocês organizam esse processo? FR – Fizemos uma alfaiataria de sistemas e nossa base hoje é um software israelense usado em livrarias. O software identifica o que está vendendo mais rápido e o que está vendendo de forma mais lenta. Ou seja, pinça o que funciona entre os exemplares escondidos na prateleira. Aí é trocar um pelo outro e otimizar o espaço de exposição.

A fast fashion não oferece exclusividade, mas sim a disponibilidade dos itens que os clientes mais querem


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Nossa pesquisa das principais semanas internacionais de moda

POR MATILDA AZEVEDO


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Pop!

Um encontro com a arte. No inesquecível desfile da Prada, rostos gigantes com referências no muralismo mexicano estamparam a cenografia, os vestidos e os casacos. Miuccia quer inspirar as mulheres a lutar. E essa tendência é, sem dúvida, para pessoas fortes, sem medo de ousar. Cores vibrantes e estampas que lembram a Pop Art são os pontos fortes. O elemento street/esporte surge na hora de fazer sobreposições e escolher os acessórios. Aqui vale tudo: Raf Simons misturou florais com slogans, Karl Lagerfeld desenvolveu uma estampa de pinceladas multicoloridas. Jil Sander, que não poderia ficar de fora, criou peças com splashes de tinta, inspiradas na Arte Povera italiana. Moda com muito conteúdo. Repare que as estampas miúdas foram aplicadas em tecidos leves, e as gráficas, nos mais pesados.

Marni

Christian Dior

Prabal Gurung

Prada

44


Chanel

Fotos AgĂŞncia Fotosite

Prada

ndi

.Rimo

ano Aquil

Jil Sander


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Total White

O minimalismo dos anos 1990 está de volta. Mais chique do que naquela época, é apresentado de forma pura e leve, com alguns volumes e alfaiataria impecável. A paleta se restringe aos superneutros, principalmente o branco, acessível e versátil, porém de forma muito refinada com linhas retas e fortes. As produções monocromáticas podem ser quebradas com acessórios em outros tons, como uma tela branca que permite tudo. Aqui no Brasil essa tendência talvez seja um pouco diferente, já que o corpo das brasileiras tem mais curvas e o branco em um look total engorda. Misturar com outras cores básicas como o preto resolve esse problema. O bom da simplicidade é isso, sensação de não se esforçar muito para se vestir bem.

Christophe Lemaire

J.W. Anderson

Duckie Brown

46


Yang Li

Tod’s

Fotos Agência Fotosite

Organic by John Patrick

Helmut Lang


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Metalizados

Disco fever? Os metalizados chegaram repaginados e ganharam força, conquistando novos ares além das festas. Com opções que podem ser usadas de dia, como o vestido fosco com textura de cobra de Stella McCartney, e até a saia prateada da Altuzarra, se combinada de forma certa. Texturas? Sim, várias. Pregas ganharam ar de alta-costura com as faixas extrafinas aplicadas no vestido da Proenza Schouler, que, se olhado rapidamente, lembra um lurex. Lamé, muito lamé! “Liberdade é luxo”, diz Alber Elbaz, da Lanvin, o desfile mais metalizado das semanas de moda internacionais. Essa tendência traz a ousadia de sonhar e fantasiar. Misture com tops de algodão ou aposte em uma peça única e inusitada, como o macacão. Caminho que deve ser bem traduzido ao seu cliente.

Lanvin

Stella McCartney

Altuzarra

Proenza Schouler

48


3.1 Phillip Lim

Lanvin

Haider Ackermann

Fotos AgĂŞncia Fotosite


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Esporte Luxo

Muitas marcas hi-end resolveram fazer uma conexão com o street e o esporte. Algumas produções têm um perfume colegial, outras são um pouco mais sérias e elegantes. Metalizados e acetinados, com uma pitada oitentinha, quebram o gelo. As jaquetas bomber e as golas de malha aparecem por toda parte, assim como as bermudas, must-have da estação. As inspirações passaram pelo tênis no chemise da Lacoste, pelo boxe nas bermudas com cós largo de Alexander Wang, e ainda pegaram uma onda no surf vitoriano de Marc Jacobs. Tecidos nobres, papetes ou plataformas bem retas e bordados riquíssimos completam o pacote, com muita classe. A cara da mulher brasileira.

3.1 Phillip Lim

Alexander Wang

50

Marc By Marc Jacobs


Marc Jacobs

Fotos AgĂŞncia Fotosite

Prabal Gurung

Lacoste

Marni


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Étnico

As passarelas foram tomadas por uma vibração multiétnica, uma mistura riquíssima de lugares, cores, estampas e artistas. Pinceladas inspiradas nos grafites fotografados por Brassaï nos anos 1930 estamparam as peças da Céline, que também nos levou ao movimento Bauhaus com suas cores primárias. A Ópera fashion desfilada por Valentino tinha ligação com Maria Callas e deusas mitológicas. Até as florestas e cores exuberantes de Henri Rousseau serviram de palco para as mulheres aventureiras da Hermès. Muitas saias abaixo do joelho e proporções inesperadas nos tops. Na hora de abastecer seu estoque opte por dar uma brasilidade na escolha.

Hermès

Céline

Givenchy

Aquilano.Rimondi

52


Valentino

Dries van Noten

Dries van Noten

Fotos AgĂŞncia Fotosite

Emilio Pucci


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Cáquis

Valentino

Hermès

54

Christophe Lemaire

A palavra cáqui deriva do persa khak, que significa pó, ou khaki, empoeirado, tons de areia, que nós traduzimos como elegância. Essa cor será muito forte no verão, tão forte que foi desfilada do superclaro ao quase marrom em looks monocromáticos de todos os estilos e em produções com leves variações, como o look da Hermès, combinado com branco. Os cáquis também serviram de fundo para grande parte das estampas étnicas, provando ser neutro, chique e fácil de usar. A cor que antes era instantaneamente ligada ao militarismo, agora cria asas e voa por conta própria. Particularmente, uma das nossas tendências preferidas por apresentar um quê de minimalismo.


Givenchy

rgiela

ChloĂŠ

Lanvin

Maison Martin Ma

Fotos AgĂŞncia Fotosite


Frame

Cores da Estação Beleza Estampas Acessórios


Cores da Estação


Por Mira Haar Foto Murillo Mendes Nem só dos brancos, cáquis e metalizados é feito o Verão 2015. Por meio de flores de papel, a artista multimídia Mira Haar apresenta outra cartela de cores-chaves. Com pesquisa entregue pela WGSN


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Beleza


Livre para escolher, das

tranças aos coques, passando

pelos nada simples cabelos ao vento, a beleza do verão

tem personalidade

própria. Como

contraponto, o

make é leve. Inspire-se! Por Robert Estevão (CAPA Mgt) com

produtos L’Oréal Professionel e M.A.C Cosmetics Fotos Nicole Heiniger (S.D Mgmt)


Modelo: Mayara Marcchi (Rock Mgt) Produção executiva: Julia Smidt (S.DC&P) Assistentes de foto: Caio Porto, Bruna Lucena e Gabriel Bertoncel Assistente de beleza: Michele Pavão Tratamento de imagem: Brush


Por Matilda Azevedo

Moda e arte sempre andaram juntas, mas algumas marcas nos desfiles internacionais de Verão14 elevaram a intensidade desse affair. De rostos enormes, passando por pinceladas largas, até splashes de tinta à la Pollock, as estampas artsy trazem, além de muitas cores vibrantes, a deliciosa sensação de vestir uma obra de arte contemporânea. Os acessórios também ganham essa cara e enlouquecem a todos. Do leigo ao colecionador! Chanel

Prada

Fotos Agência Fotosite

Céline

Felipe Oliveira Baptista

Estampas Jil Sander

Artsy


Floral Tropical

Os florais continuam fortes no verão, mas com uma pequena diferença. Desta vez ganham uma cara mais tropical, passando do clássico hibisco a diversos tipos de flores e folhagens. Com cores fortes, as estampas ganham destaque em tecidos nobres. O elegante vira sinônimo de inusitado. A dica aqui é não ter medo de ousar e combinar duas estampas que tenham tons parecidos. Ao gosto do freguês, também vale a mistura do mesmo desenho em peças com cores diferentes. Dries van Noten

Aquilano.Rimondi

Marc Jacobs

3.1 Phillip Lim

Stella McCartney

Fotos Agência Fotosite

Prada


Estampas

Marmorizados

O marmorizado que vimos nas roupas e acessórios dos desfiles internacionais de Verão14 não pode passar despercebido. Extremamente chique, não se limita apenas à moda: o próprio mármore volta a ganhar espaço nobre nos acabamentos das lojas. No embalo, resgatam o tie-dye e dão a ele tons neutros e craquelados. A textura de gesso é supercool e moderna. Como vocês podem conferir na seção O Artista Fala. 3.1 Phillip Lim

Jil Sander

68

3.1 Phillip Lim

Christopher Raeburn

Fotos Agência Fotosite

Louis Vuitton


Gráficos

As listras continuam firmes e fortes. E a gente não tem nada contra. Mas neste verão dividem as atenções com todos os efeitos gráficos possíveis. Os tons variam também, vão do P&B e ton-sur-ton até blocos de variadas cores. Dê preferência aos tons neutros misturados com rosa-claro, combinação infalível. Camadas geométricas também podem dar essa sensação gráfica, como vimos nos vestidos de organza cortados a laser no desfile da Fendi. Walter Van Beirendonck

Odeh

3.1 Phillip Lim

3.1 Phillip Lim

Altuzarra

Fotos Agência Fotosite

Fendi


Acessรณrios

Fotos Murillo Mendes

ACID Plataformas baixas nas papetes com desenho grรกfico. Bรกsico e necessรกrio no verรฃo 2014/15


ICED As clutches continuam em alta, mas em nova versĂŁo. Formas menos rĂ­gidas e em tamanhos GG


76

Felipe Morozini


Ensaio

O Artista Fala Bauhaus Guerreiras Pop Get the Look


“A MODA VESTE OS GÊNEROS. MASCULINO, FEMININO, X, Y, Z, L, G, B, T. TODOS ESTÃO VESTIDOS.”


Figurino por Raquel Davidovich. Ator Base Luna

Por Mônica Rodrigues Fernandes e Mozart Fernandes

A dupla de artistas interpreta as texturas de gesso e marmorizadas do verão de maneira pura. Com a verdade quase cruel e o impacto que só a arte contemporânea é capaz de causar


BAUHAUS

As cores primárias, assim como as formas puras, são o ponto de apoio para o Verão 2014/15. A atitude da nova mulher é forte: ela pode, mais do que nunca, sair das passarelas direto para a vida real

Fotos Nicole Heiniger (S.D Mgmt) Moda Renata Corrêa (S.D Mgmt) Beleza Silvio Giorgio (Capa Mgt) Set Design Felipe Tadeu (Mangaba Produções)


Vestido, Bottega Veneta. Sapatos, Forum. Bolsa, Prada


Casaco, Ellus. Calรงa, Zara. Tecido vermelho, acervo da stylist. Sapatos, Forum


Vestido, Reinaldo Lourenรงo. Tecido amarelo, acervo da stylist. Sapatos, Dior


Body, Adriana Degreas. Casaco, Fendi. Basque, Reinaldo Lourenรงo. Sapatos, Dior


Vestido, I贸dice. Cal莽a, MaxMara. Casaco e sapatos, Forum


Top, MaxMara. Bermuda, Oh, Boy!. Tecido azul, acervo da stylist. Sapatos, Forum


Camiseta, Fendi. Saia, Cris Barros. Bolsa, Coach. Sapatos, Forum


Vestido, Gloria Coelho. Calรงa, Alphorria. Casaco, Reinaldo Lourenรงo. Sapatos, Forum


Vestido, Andrea Marques. Sapatos, Forum


Silvio Giorgio usou produtos Nars e L’Oréal Professionnel. Modelo: Cris Herrmann (Ford Models). Assistente de styling: Guilherme Itacarambi. Produção de moda: Bruna Sampaio. Assistente de beleza: Marilio Bitarello Jr. Produção executiva: Julia Smidt (S.D C&P). Set Design: Felipe Tadeu (Mangaba Produções). Assistentes de foto: Caio Porto, Bruna Lucena e Layla Motta. Tratamento de imagem: Brush. Estudio: Burti HD.


Vestido bicolor e calรงa, Cris Barros. Sapatos, Dior. Bolsa, Prada


GUERREIRAS

POP

Cores, formas e texturas caminham juntas, no mesmo compasso. Se o branco é o novo preto, este, por sua vez, continua reinando na moda. Principalmente naquela que foge das regras estabelecidas. Já no imaginário, quanto mais colorido melhor Fotos Gui Paganini Moda Renata Corrêa (S.D Mgmt) Beleza Daniel Hernandez (MLages)


Lidia veste: Casaco, Chanel


Lidia veste: Vestido, Rober Dognani


Thaina veste: Top, E-Store. Camisa, Vitorino Campos. Saias, Trendt. Sapato, Miezko para Vitorino Campos


Katia veste: Top usado de trรกs para a frente, Osklen. Blazer, Trendt. Saia, Dior. Sapato, Colcci


Thaina veste: Vestido usado de trรกs para a frente, Osklen. Saia, Giuliana Romanno. Top usado como saia, Fernada Yamamoto. Sapato, Miezko para Vitorino Campos


Lidia veste: Casaco, Ellus


Katia veste: Top, Mares. Bermuda, Ellus. Casaco, Trendt. Sapatos, Miezko para Vitorino Campos


Katia veste: Top, Osklen. Cardig達, Juliana Jabour. Saia estampada, Fernanda Yamamoto. Saia de Vinil, Topshop. Sapatos, Colcci


Lidia veste: Colete, Herchcovitch; Alexandre


Thaina veste: Top, S. Label. Maiô, Lenny Niemeyer. Casaco, MaxMara. Calça, Vitorino Campos

Daniel Hernandez usou produtos L’Oréal Produção executiva: Julia Smidt (S.DC&P) Produção de moda: Bruna Sampaio Assistentes de foto: Gustavo Ippolito e Marcelo Andrade Assistente de styling: Guilherme Itacarambi Assistentes de beleza: Fernando Vieira, Paulo Campos e Neuzete Alves Tratamento de imagem: Thiago Auge Modelos: Katia Selinger (Joy Model Management), Thaina (L���Equipe), Lidia Elsembach (L’Equipe)


Vem do street umas das principais tendências. Com um mix entre menina rebelde e mulher-desejo, o importante são as misturas. Solte suas garras que os bichos estão soltos!

Fotos Nicole Heiniger (S.D Mgmt) Moda Renata Corrêa (S.D Mgmt) Beleza Helder Rodrigues (Capa Mgt)


Maria Flavia veste: Camiseta, Storvo. Colete, Espaço Fashion. Calça, À La Garçonne. Hot pants, Clube Bossa. Cinto, Corello. Botas, Espaço Fashion. Bolsa, Roxy. Boné pendurado na bolsa, Adidas. Bandana amarrada no braço, À La Garçonne


Maria Flavia veste: Moletom, The North Face. Saia, Reinaldo Lourenรงo. Meias, American Apparel. Botas, Ellus


Julia veste: Blusa, Fendi. Calça, Nuage. Casaqueto e bolsa, Animale. Meias, TopShop. Sandálias, Têca/Helô Rocha. Óculos, Ótica Ventura


Rebeca veste: Camiseta, Adidas. Saia, Osklen. Jaqueta, Printing. TĂŞnis, Adidas. Bolsa, Christian Louboutin. Skate, Roxy


Maria Flavia veste: Camiseta, Storvo. Hot pants, Fit. Jaqueta, Adidas. Meia calรงa, Trifil. Botas, Espaรงo Fashion. Bolsa, Fred Perry


Maria Flavia veste: Mai么, Asics. Palet贸, Cholet. Bermuda, Adidas. Botas, Espa莽o Fashion. Bolsa, Kate Spade.


Lilian veste: Macacão, Oh, Boy! Colete, Damyller Sobretudo, Forum. Óculos, Ótica Ventura


Julia veste: Top, Lanรงa Perfume. Bermuda, Dzarm. Colete, Espaรงo Fashion. Meias, TopShop. Ankle boots, Santa Lolla


Maria Flavia: Top, Coca Cola Jeans. Calça, Cavalera. Lenço na cintura, Cavalera. Tênis pendurados no ombro, Asics. Botas, Ellus. Boné por baixo, Cavalera. Boné por cima, Adidas


Maria Flavia: Body, Triton. Top usado de trรกs para a frente, Colcci. Saia, Cholet. Parka, Lacoste. Meias, American Apparel. Botas, Ellus. Mochila, Kipling


Julia veste: Maiô, Jo de Mer na SUB. Top, Dta. Calça, Two Denim. Casaco, Lança Perfume. Cinto, Tng. Bolsa, Bottega Veneta


Rebeca veste: Top, calça e casaco, Colcci. Top branco, Isabella Giobbi. Body, Neon. Tênis, Lily’s Closet.


Maria Flavia veste: Camiseta, Skazi. Colete, Tufi Duek. Calça, Cavalera. Gorro, TopMan. Óculos, Mykita para Farfetch. Botas, Espaço Fashion. Casaco na mão, Tufi Duek. Cantil, À La Garçonne Produção executiva: Julia Smidt (S.DC&P). Assistentes de foto: Bruna Lucena, Caio Porto e Marcelo Andrade. Produção de moda: Bruna Sampaio, Guilherme Itacarambi e Oraide Oliveira. Assistente de beleza: Michele Pavão. Tratamento de imagem: Thiago Auge Modelos: Maria Flavia (Way Model), Lorena Maraschi (Way Model), Rebecca Gobbi (Way Model), Julia Fuchs (Joy Model Management), Lilian Franklin (Ford Models)


AGRADECIMENTOS ESPECIAIS Bruna Sampaio Chiara Rodello e equipe Felipe Tadeu (Mangaba Produções) Guilherme Itacarambi Isa Coffers Leticia Veloso Melissa Mira Haar Murillo Mendes Nathalie Rumpf Oraide Oliveira Priscila Monteiro Raquel Davidovich Roque Castro Sonny Domingos Taciana Veloso


Shopping Iguatemi 3ยบPiso Showroom T: 11 3895-6228

www.larouge-belle.com.br


Storyboard Agenda Set Design Holofote Carnet Nova Onda Tecno Vanguarda In Off Glossรกrio Coming Soon


Agenda

20 e 21FEV 28FEV a 03MAR

Première Classe – Paris. Uma das mais direcionadas do mundo, a feira é um must see para os que estão envolvidos no mundo dos calçados e acessórios. Montada no charmoso Jardin des Tuileries. premiere-classe-tuileries.com

05 a 09MAR

Hong Kong Jewellry Fair – Hong Kong. Evento anual e de grande importância para o setor de bijuterias e joias, a feira reúne fornecedores de todo o mundo, além de uma seleção dos melhores provedores locais. hktdc.com

18 a 20MAR

Global Shop – Las Vegas. Principal evento de visual merchandising do mundo, a feira antecipa tudo o que há de mais novo no que diz respeito a produtos de VM, inspirações e inovações. globalshop.org

31MAR a 04ABR

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Workshop Novos Consumidores – São Paulo. Ministrado pela coolhunter Sabina Deweik na Escola São Paulo, o minicurso tem o objetivo de apresentar um perfil dos consumidores globais. escolasaopaulo.org

SPFW – São Paulo. Com line-up refrescado, a versão verão 2015 contará com a presença de novas marcas. Dentre os selecionados, Cris Barros e Isolda são os mais aguardados. ffw.com.br/spfw

07 a 10ABR

Minas Trend. Segunda parada. A moda festa, mais uma vez, vem com força total. Além dos desfiles, a tradicional feira de negócios promete agitar os lojistas. minastrendpreview.com

08 a 12ABR

Fashion Rio e Salão Bossa Nova. Encerrando o fashion road, acontece na capital carioca e, como não poderia deixar de ser, o casual e o beach wear vão fazer os termômetros subir. ffw.com.br/fashionrio

27 a 29MAI

Salão +B – São Paulo. Iniciativa da ABEST para promover a moda autoral e start-ups criativas, o salão reúne compradores nacionais e internacionais para potencializar a geração de negócios. salaomaisb.com.br

14 a 16JUN

Salão Moda Brasil – São Paulo. Com o foco em moda íntima, o salão reúne os maiores produtores do setor, com uma seleção de marcas e fornecedores de grande porte em um evento único no país. salaomodabrasil.com.br

Oscar Freire 9


977 - Garcia D’avila 134


Por Daniel Fonseca

Set Design

1

Get real 124

Cada vez mais reais, os manequins sĂŁo elementos importantĂ­ssimos na hora de a marca se comunicar com o consumidor

2 3

4


5 Chanel 6 Dior 7 Bershka 8 Harrods 9 Chanel 10 Zara

1 Manequim de Adel Rootstein. 2 Cena do filme Dreams that money can buy, de Hans Richter. 3 Manequins de Adel Rootstein. 4 Salvador Dalí

5

6

7

8

9

10

Fotos Getty Images e divulgação

E

loquentes intérpretes ou simplesmente cabides de roupas? Os manequins, com suas feições e trejeitos quase humanos, transcendem universos, recriam sensações e jogam com as emoções de seus interlocutores. O surrealismo foi o start de uma nova estética, com destaque para Dalí e suas brincadeiras alucinatórias, e Dreams that Money Can Buy, de Hans Richter, passando pela cenografia absurda dos anos áureos do Kraftwerk e os manequins hiper-realistas de Adel Rootstein, os bonecos transitam entre a arte e mercado para atingir mundos imaginados. Durante os últimos dez anos, o que mais vimos nas vitrines foram manequins que extrapolavam a realidade, de uma forma ou de outra, contribuíam para agregar um tom lúdico – até mesmo inusitado – às montagens. Porém, de uns tempos para cá, notamos que algumas marcas têm apostado em bonecos menos caricatos para cativar os que passam em frente às suas vitrines, adicionando elementos como perucas e maquiagens elaboradas para inserir o produto em um contexto divertido.

De Londres a Bogotá, passando por Paris, Barcelona, Berlim e São Paulo, é possível notar a presença marcante dos olhares e corpos perfeitamente desenhados que de longe mais parecem réplicas perfeitas de top models em uma passarela. No Brasil, empresas visionárias como a Expor Manequins já oferecem serviços especializados que incluem produção de bonecos criados a partir de modelos reais, tudo para garantir a perfeita tradução das ideias vindas das equipes de criação das marcas de moda. O processo, que eles chamam de E-Models, utiliza imagens manipuladas através de um escultor digital para elaborar os moldes. O resultado é tão satisfatório que já foi usado pela C&A para distribuir réplicas fiéis de Isabelli Fontana por suas lojas em uma de suas ações. E a novidade não se nota apenas em grandes redes com orçamentos milionários. Não! A onda é humanizar os bonecos. Vale tudo: unhas e cílios postiços, maquiagem exuberante, cabelão com laquê e penteados à la Tony & Guy. O que importa é abusar da criatividade e transformar as criaturas em realidade!


Set Design

De olhos bem abertos

É impossível dizer se o motivo foi mesmo o crescimento de impulso em tempos de crise! Fato é que o mercado de óculos vem sendo apontado como categoria em expansão. Só no Brasil o setor cresceu aproximadamente 25% nos últimos dois anos, o que prova o esforço das marcas em focar na experiência e recriar o modo de consumir moderno. A alemã Mykita, por exemplo, cria um ar espacial dentro de suas lojas. Já a americana Warby Parker preferiu reforçar suas estratégias offline. Aqui na terrinha, impossível não citar o case da Chilli Beans, que impressionou no ano passado com a sua concept store multissensorial localizada na Rua Oscar Freire, em São Paulo. Com arquitetura futurista ou pequenas ações que tocam o sentimento das pessoas, a verdade é que esse mercado se reinventa para se adaptar à revolução dos sentidos que é o varejo atual, trazendo frescor a um setor que esteve em silêncio durante anos. Mykita: Rosa-Luxemburg

St. 6, Berlin. Warby Parker: Greene St. 121, SoHo – NY. Chilli Beans: Rua Oscar Freire, 1072, SP

Com fachada imponente, a CB invade o mercado de luxo.

Preto e dourado ressaltam o requinte do lugar.

Menu de aromas

126

Pensando em um conceito diferente das clássicas perfumarias parisienses, o duo formado por Philippe di Méo e David Frossard abriu em meados do ano passado a Liquides, uma espécie de bar de perfumes, como eles mesmos definem. A partir de um balcão instalado em uma construção do século XVII no coração de Paris, os clientes podem se servir dos melhores perfumes independentes da atualidade. Amantes de bares sofisticados, os criadores não hesitaram em trazer o conceito para o ponto de venda da marca. Uma vez dentro, nada mais reluz senão os diferentes frascos espalhados pelas prateleiras. A ideia, de acordo com os criadores, é não utilizar campanhas de marketing nem publicidade. O foco é apresentação e atenção ao cliente. Conservador, porém renovado. Liquides, 9 Rue de Normandie, 75003 Paris


Três é demais!

O Dover Street Market acaba de abrir mais uma filial. Nos mesmos moldes da matriz inglesa, o projeto idealizado por Rei Kawakubo, mente criativa por trás da Comme des Garçons, agrega um misto de loja, museu e parque de diversão. Situado em um longínquo edifício do inicio do século passado onde durante anos funcionou uma escola de design para mulheres, o espaço conta com 2 mil metros quadrados distribuídos em sete andares. Como num cabinet de curiosités, marcas sólidas do mercado internacional se mesclam a novos talentos da moda e do design para levar os visitantes a um novo patamar de experiência de compra. Na tentativa de proporcionar a mesma atmosfera das lojas de Londres e Tóquio, o lugar respira o extravagante minimalismo – se é que isso existe! – de Kawakubo para transcender os parâmetros do varejo tradicional e ressaltar o elemento curadoria como forma de criar lojas mutantes. E mais: mutáveis.

1 2

160 Lexington Ave, New York, NY 10016

Fotos divulgação

5

4 No sentido horário: 1 Daniela Gregis. 2 Visvim. 3 Prada. 4 Sacai. 5 Simone Rocha

3


Holofote

Diane von Furstenberg

FAZ FESTA EM LA

Coco Rocha

Allisson

Diane von Furstenberg

Robin Wright e

Williams

Dylan Penn

128

André Leon Talley

Os vestidos-envelope n

Erin Wasso

Fotos divulgação

O icônico wrap dress criado pela designer comemorou 40 anos da forma mais que merecida: com uma retrospectiva de seus melhores momentos. Journey of a Dress foi montada em uma casa antiga de Los Angeles. Na festa de abertura, a anfitriã reproduziu a fachada luminosa do Studio 54. A cara dela!


EM CLIMA ÉTNICO LANÇA NOVA COLEÇÃO Cuzco foi a inspiração da marca para criar seu inverno. O lançamento aconteceu na loja da Vila Nova Conceição, em São Paulo, com um coquetel lotado de clientes. Embora os termômetros estivessem nas alturas, ninguém resistiu às peças expostas nas araras. Um sucesso! 

Mixed Riccy Souza Aranha

etto Adriana Om n e Ciccy Halper

Lara Gerin

Fotos divulgação

Gisela Rudge

Maria

a di Pace Souza Aranh

Maria Piva de Albuque rque e Luiza Ort iz


Carnet

M

aria Sole já nasceu com os pés na estrada. A designer italiana, dona da Les Petits Jouers, que escolheu o Brasil para produzir as suas bolsas lúdicas, com aplicações de Lego, conta aqui a experiência inspiradora da viagem que fez a Marrakesh

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com a beleza dos produtos feitos à mão. Comprei várias coisas, como botas de couro com bordados aplicados, braceletes de prata, perfumes criados de flor de laranjeira, pashminas. Uma boa dica de compra são os óleos de argan, que eles utilizam para vários fins: do terapêutico ao tratamento de cabelo. Bem diferente da realidade dos souks é a atmosfera do Jardin Majorelle, um jardim botânico criado pelo artista francês Jacques Majorelle, comprado por Yves Saint Laurent, que montou ali seu atelier. Com certeza, o lugar mais característico de lá. Ah sim, sobre o casamento que me levou a Marrakesh. Aconteceu no deserto, cheguei de camelo e o banquete foi servido sobre um tapete persa.

TOP 5 ••••• ••••• SOUKS

Labirintos de comércio onde é possível achar de tudo o que tem de mais incrível na cidade. Destaque para os tapetes, sapatos, lenços, joias e produtos de beleza. ••••• PRAÇA JEMAA EL-FNAA

A praça mais louca do mundo. De ficar maravilhado com o movimento dos acrobatas, cobras dançando ao ritmo de músicas típicas, vendedores ambulantes, macacos que interagem com a gente, mulheres que fazem pintura com hena. ••••• HENNA CAFÉ

Lugar que reúne artistas. Ponto ideal para fazer um pit stop e degustar um chá marroquino, com toda a tranquilidade. ••••• CHEZ KOUNOUZ

A loja que fica na rua Laksour Tarik Sidi El Yamani é onde se encontram as joias mais incríveis de Marrakesh. ••••• MEDERSA BEN YOUSSEF

No centro da Medina, essa antiga escola corânica – construída em 1565 – tem uma decoração que representa maravilhosamente a arte marroquina e deixa a gente sem palavras.

Fotos arquivo pessoal e divulgação

A viagem foi programada por conta do casamento de um casal de amigos do Dimitri (Mussard), meu namorado. Claro que esperava uma cultura diferente, mas o impacto foi arrebatador. A cidade é um festival para os sentidos, com cores e texturas maravilhosas, aromas inebriantes. Ficamos hospedados em um riad na parte antiga. Quando deixamos o carro, começamos a caminhar pela medina em direção à nossa acomodação. Uma música altíssima embalava as pessoas que cozinhavam na rua e vendedores ambulantes. Nos dias seguintes começamos a explorar a cidade, mas foi nos souks – verdadeiras cidades dentro da cidade –, onde passei a maior parte do tempo. Fiquei impressionada


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CHIARA

Tecnologia de

GADALETA Puket

Nova Onda

N

a terceira edição do SP.ECOERA marcas de grande porte como Malwee, Puket e as internacionais Puma e Pandora mostraram que a sustentabilidade não está apenas no processo produtivo, ou seja, no consumo de energia, água e materiais alternativos, mas também no design das peças e no conceito de pós-consumo. Essa equação moda, consumo e sustentabilidade ainda precisa de uma fórmula, mas o que já se sabe é que elementos como planejamento, design de ponta, ética e inovação são fundamentais. Como o querido consultor criativo Jackson Araujo me disse recentemente: “Um novo capítulo está sendo escrito na moda nacional, no qual, a criatividade conta muito”.

ponta

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Fotos Agência Fotosite e arquivo pessoal

N

ão é novidade que, cada vez mais, marcas e estilistas procuram um contato maior com as questões que dizem respeito à preservação do meio ambiente ao criarem suas coleções. Nessa nova onda e/ou nova era, são utilizadas técnicas como reciclagem, reaproveitamento, customização dentre outras. Nada mais coerente tendo em vista que a moda é de fato um retrato de uma época e pede mais consciência, como todos nós já sabemos de cor e salteado. Alguns sinais: Nas passarelas da moda nacional, Alexandre Herchcovitch apresentou na SPFW Inverno 2014 peças confeccionadas em parceria com a especialista em rendas Martha Medeiros, que mantém um projeto com as rendeiras ribeirinhas de Alagoas. O resultado, impecável, é uma ode aos trabalhos manuais brasileiros da forma mais produtiva: a beleza.


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Nova Onda

Guardiões do

planeta

A

gente já sabe que no mundo ideal todo o lixo produzido no planeta deveria ser reutilizado. Ora pela reciclagem, ora pelo reaproveitamento. Outras opções são o downcycling, termo pouco usado para a técnica de reciclagem cujo resultado não alcança a qualidade de sua peça original, e o upcycling, uma maneira de transformar o lixo disponível. Exemplo perfeito é a coleção desenhada em 2004 pelo inglês Christopher Raeburn utilizando paraquedas, jaquetas e vestidos. No mundo real ainda existem muitos aterros lotados de lixo e muito descarte. A boa notícia é o surgimento de uma nova forma de engajamento com o lixo: o “artivismo”, a luta da arte pelo meio ambiente. No Brasil, o Projeto Maré, dirigido por Agatha Faria e Olivia Yassudo, do Coletivo Amor de Madre, promete agitar as águas da Baía de Guanabara até a Copa do Mundo, com a missão de criar peças com o lixo retirado dos nossos oceanos.

Atualmente o Maré está em fase de capacitação de pescadores e catadores de lixo da Baía de Guanabara. Eles aprendem a manipular os resíduos e recebem informações sobre a preservação. A etapa final e apresentação oficial das criações será realizada durante as Olimpíadas de 2016 em uma construção flutuante. Vai contar com a presença de designers brasileiros dedicados a projetos sustentáveis, engenheiros ambientais e biólogos do mundo todo. Esses dias li o seguinte letreiro na porta de uma galeria, “If nothing else, believe in art”. Faz todo o sentido.

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studioswine.com/sea-chair-open-source

Fotos divulgação

Toda a criação do projeto teve inspiração no banco Sea Chair, concebido pela dupla inglesa Alexandre Groves e Azura Murakami, do Studio Swine. Os designers pesquisaram durante dois anos o potencial do uso de plásticos retirados do mar. O Sea Chair, como mostra a foto ao lado, já nasceu: “open source”, com todos os estudos direcionados para a sua criação liberados para domínio público. Graças à velocidade da internet, o projeto já teve adesão de um grupo peruano que irá replicar o Maré na costa do Pacífico.


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Por Daniel Fonseca

Tecno

PROJETE-SE

Faz algum tempo que as marcas vêm apostando em projeções e no uso das imagens em movimento para ganhar o olhar de seus consumidores. Efeito disso é o surgimento de empresas especializadas nesses serviços. Uma delas é a brasileira Visual Farm, que desde 2003 oferece serviços que envolvem a cenografia projetiva e novos modos de interação. Fundada por Alexis Anastasiou, primeiro VJ nacional, o serviço é capaz de transformar paredes em universos imaginários. Um contato interativo entre marca, consumidor e arte. visualfarm.com.br

CABIDE SENSORIAL

Para provocar maior interatividade quando um cliente se atreve a mover o cabide da arara, o grupo japonês Team Lab criou um mecanismo curioso: o TeamLabHanger. Ao tirar o produto do lugar, uma interface aciona um software que se comunica com uma tela instalada justamente acima do equipamento onde imagens ilustrativas, vídeos e sons trazem ao consumidor uma experiência interativa. Ainda em fase de aprovação de patente, o produto já pode ser encontrado em algumas lojas no Japão, mas ainda não tem data prevista de lançamento por aqui. Para conhecer mais acesse: team-lab.net

NO TOM CERTO...

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Fotos divulgação

...e no embalo

Para quem não tem talento pra ser DJ, o brasileiro Gustavo Goldschmidt, ao lado de seus dois irmãos, oferece a solução: o Superplayer. O aplicativo – que ainda funciona apenas para computadores – está longe de desenvolver um logotipo auditivo, mas é capaz de criar inúmeras trilhas. Com listas temáticas e gêneros musicais bem irreverentes, o Superplayer tem como mote principal a praticidade. Não é preciso fazer login nem ter uma conta na Apple Store, mas com certeza o negócio fica melhor quando você contribui com uma mensalidade (que nao ultrapassa R$ 6). O resto é bem simples: é só escolher um mood e deixar a música e a criatividade rolarem soltas. superplayer.fm

Ferramenta potente dentro de um ambiente de compra, a música é capaz de aguçar o sentido do consumidor. O estúdio francês Sixième Son, por exemplo, reúne especialistas de diversas áreas para criarem territórios musicais que envolvem o cliente no universo das marcas. Aqui no Brasil, a pioneira no assunto é a Zana Sound. Já ligados ao movimento mundial, oferece serviços que vão desde a criação de trilha para desfiles até produtos mais específicos, como o logotipo auditivo. zanna.net sixiemeson.com


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Serrano cria DNA próprio para sua moda Por Helena Tarozzo Lima

O

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destino do jovem designer já estava escrito muito antes de ele se dar conta. Em meio às máquinas e cheiro de tinta, o moço cresceu dentro de uma estamparia, onde aprendeu tudo sobre moda. E é lá que funciona seu laboratório. Aos 25 anos, dirige a empresa criada por seu pai, que faleceu no início do ano passado. Depois de acumular muita bagagem, alçou voo solo. Hoje, é um dos principais expoentes da moda paulistana. Com sua Trendt, criada em 2011, leva a criação brasileira para além-mares. O sucesso já bate ponto em Paris, Londres, Tóquio e Xangai – só para começar a brincadeira. Em São Paulo, está à venda nas multimarcas Cartel 011 e Choix, ambas conhecidas pela seleção criteriosa de peças de vanguarda. “Não acho que a Trendt já tenha um DNA, ela ainda é muito nova”,

confessa Renan. “O diferencial é vestir todas as pessoas. A gente não tem um público-alvo específico. A ideia é prezar a simplicidade e a versatilidade do produto.” E, se não tem DNA pronto ainda, identidade tem de sobra. Após pesquisa incessante sobre tendência, Renan busca criar aquilo que ainda não foi feito. Único. Sem logomarca para identificar. A ideia é que a peça fale por si, que tenha a cara do mundo. As T-shirts são as peças-chave, feitas em moulage com desenhos gráficos em devoré e estampas feitas à mão. Uma verdadeira altacostura. Com muita técnica e trabalho minucioso, a Trendt cumpre sua promessa e faz uma roupa que cai bem em todos os biótipos. Inclusive em seu pequeno Bernardo, de 2 anos, que já adora usar as roupas criadas pelo pai.

Fotos Adriano Damas • Styling Renata Corrêa • Beleza Helder Rodrigues • Direção Thiago Batista • Modelo Carol Melchior • Assistente Bruna Sampaio

Vanguarda

T-shirt ou alta-costura? Multifacetado, Renan


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In Off

Juliana Santos,

sócia da Dona Santa, de Recife, conta como se prepara para expandir seus negócios

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No meu closet os destaques são Givenchy, Lanvin, Reinaldo Lourenço e Pedro Lourenço. O e-commerce representa 2% das nossas vendas. Hoje operamos pela Farfetch. Também estamos trabalhando para ter um próprio, mas ainda não temos data para o lançamento.

O Brasil é feito de uma grande diversidade de mulheres, e o grande desafio, hoje, é acertar na temperatura do mercado em relação à quantidade do estoque, Sim, os shorts começam a mudar de muito mais do que definir marcas. cara no próximo verão. E acredito, sim, que a bermuda vem com tudo e Viajo muito, mas entre o jet lag ou o jet tem muito a ver com o nosso clima. Já ski, fico com o jet ski, para curar o jet lag... houve outras tendências mais incomuns que pegaram, como as saias mullet... No futuro, desenvolveremos marca Uma curadoria só é bem-feita por própria para ser comercializada em meio de pesquisa e estudos minuciosos. outros pontos do país. Mas loja física mesmo, por enquanto, só em Recife. A Dona Santa vende para o Nordeste inteiro. A pernambucana, Tenho dois carros-chefe nas especificamente, tem um estilo bem vendas da Dona Santa. No iminteressante, por se assemelhar mais portado, Diane von Furstenberg. com o jeito de se vestir contemporâneo Já a Talie NK é a campeã de da paulistana, ainda que viva em vendas entre as grifes nacionais. uma região litorânea. A moda está cada vez mais globalizada.

Nossa ideia é levar ao consumidor marcas exclusivas, de não fácil acesso. Labels que se destacam por qualidade, originalidade e identidade. Não estamos presos a um só produto, preço e quantidades de compras. O grande desafio para superar os períodos mais magros é exatamente o estudo e feeling apurado de mercado. Por ser uma loja multimarcas, consigo adaptar minha seleção de brands de acordo com o que o mercado pede no momento. Dentro disso, a Dona Santa preza por qualidade, mesmo nas peças fast fashion. E exclusividade nos produtos de luxo. Não é simples administrar o crescimento. Estamos fazendo tudo calculado para as necessidades do mercado local, crescimento do Nordeste e evolução da Dona Santa neste novo projeto de 3.500 metros.

Foto arquivo pessoal

O espaço abrigará não só a Dona Santa e Santo Homem, como também vários shop-in-shop, como joalheria, loja de decoração, restaurante, salão de beleza. E como multimarcas podemos sempre adaptar o mix da loja.


APRECIE COM MODERAÇÃO


Glossário

OS FASHIONISTAS FALAM E A GENTE DECIFRA

Zeitgeist pág. 20

Market share pág. 32

Gadgets pág. 35

Hi-end pág. 50

Ton-sur-ton pág. 69

Riad pág. 130

Devoré pág. 138

Moulage pág. 138

Nome complicado, de pronúncia quase impossível, para falar uma coisa bastante simples: o que está rolando aqui e agora. Sem falsa modéstia, nós aqui da Trailer estamos inseridos no contexto. E você? Embora pareça um coletivo, coisa de condomínio fechado em que um vizinho faz a compra para o outro, o termo inglês muito usado entre os grandes executivos significa a participação de mercado de uma empresa. Facilitadores da vida moderna, como os celulares, desktop e afins. Dentro deles, você encontra os aplicativos que são uma verdadeira rasteira teen. Todos criados pelos que têm menos de 30. Nada de final feliz, não que sejamos contra o tema. Nas conversas mais elevadas que envolvem os fashionistas, o termo é superusado. Em tradução livre, algo como baratinho mas muito chique. Calma, ninguém está surtando por aqui. O termo francês não poderia vir de outro lugar senão da capital da moda e quer dizer duas ou mais cores da mesma família com ligeira diferença de... tom. Pra lá de Marrakesh, ou melhor, na maior cidade do Marrocos. Os riads são os palacetes construídos dentro das medinas. Yves Saint Laurent teve o seu e Jean Paul Gaultier está sempre no dele. Nada a ver com a sensação que temos ao nos deparar com uma irresistível torta de morango. É uma técnica utilizada para tratar as fibras do tecido. A aplicação mais conhecida é no veludo. Ao contrário do Photoshop, a modelagem é feita manualmente no manequim. Madame Vionnet usou a técnica como poucos. A alta-costura não existiria sem, mas o prêt-à-porter, às vezes, também flerta com o tema.

Fotos divulgação

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Riad

Devoré

Moulage


VI TO R I N O CA MP O S . CO M


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Fotos Agência Fotosite e divulgação

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Revista Trailer #2