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visite nossa loja online www.nkstore.com.br r. sarandi 34, jardins, são paulo, sp, brasil, tel. 5511 3897.2646 r. garcia d’avila 56, ipanema, rio de janeiro, rj, tel. 5521 2529.5400


Expediente

PROJETO EDITORIAL E GRÁFICO EQUIPE TRAILER

EDITORA DE MODA E PESQUISA MATILDA AZEVEDO

STYLIST RENATA CORRÊA

DESIGNERS OMAR BELTRAME

VINE ALMEIDA

COOLHUNTER DANIEL FONSECA TRAILER ONLINE CAIO KATO

PUBLISHERS DIETER WOLFGANG BROCKHAUSEN HUMBERTO REBONATO DIRETORA RESPONSÁVEL ALESSANDRA FLORÊNCIO DIRETORA DE REDAÇÃO DORIS BICUDO

PUBLICADO POR AGADÊ EDITORA PRAÇA DIRCEU DE LIMA, 656 CASA VERDE, SÃO PAULO, SP CEP 02515-050 TELEFONE +55 11 3966 3022 agadeeditora.com.br

ASSISTENTE DE REDAÇÃO VALÉRIA OLIVEIRA

EXECUTIVAS DE NEGÓCIOS CATARINA CARVALHO

LUCIANE GRASCIANO

REVISÃO PAULO VINICIO DE BRITO COLABORADORES ALEXANDRA FARAH ANA BELA (WAY MODEL) BRUNA LUCENA BRUNA SAMPAIO BRUNA TIEDT (FORD MODELS) BRUSH CAIO PORTO CARMELITA (FORD MODELS) CYNTHIA CERQUEIRA (MEGA MODEL) DANIEL HERNANDEZ (MLages) ELLEN ROSA (MEGA MODEL) GUILHERME ITACARAMBI JULIA SMIDT (S.DC & P) LANE MARINHO MARIANA VALENTE MARIANE CALAZAN (WAY MODEL) MURILLO MENDES NEUZETE ALVES NICOLE HEINIGER (S.D Mgmt) RAFAEL MUNER RICARDO CÀSTRO RODRIGO GOMES SAMIRA (FORD MODELS) THAINÁ (L’EQUIPE) THIAGO PEREIRA

COMERCIAL +55 11 3966 3022 TRATAMENTO DE IMAGEM MANÉ

PRÉ-IMPRESSÃO GRÁFICA IPSIS

IMPRESSÃO E ACABAMENTO GRÁFICA IPSIS

capa.indd 1

CAPA ELLEN ROSA (MEGA MODELS) MODA RENATA CORRÊA (S.D Mgmt) FOTO NICOLE HEINIGER (S.D Mgmt) BELEZA DANIEL HERNANDEZ (MLages) LOOK DA CAPA Top e colete, Dries Van Noten na Gilda Midani, faixa sobre colete, PatBo

5/19/14 4:45 PM

TRAILER BRASIL ONLINE trailerbrasil.com.br ANUNCIE comercial@trailerbrasil.com.br FALE CONOSCO redação@trailerbrasil.com.br


por

Shopping Cidade Jardim - 1ยบ piso - (11) 3061-2001 Morumbi Shopping - em breve


Carta do editor

Equilíbrio e sucesso! Na contramão da velocidade da informação surgem tendências de comportamento importantes. Eu diria, até, fundamentais. É nítida a busca por se desconectar, mesmo que por um instante. Por vivenciar experiências simples como pisar na grama, meditar, entender quem somos, o que precisamos e não simplesmente consumir de forma desordenada. Transpondo este tema para o cenário do varejo, constatei que o autoconhecimento é essencial. O sucesso de uma loja se deve a um conjunto de variáveis, mas tem como principal pilar saber quem é você, seu cliente e como controlar a operação. Acompanhar a compra, o que vende primeiro – ou por último –, o que liquidou, o que não vendeu e os negócios que perdeu por não ter produto. Assim como prestar atenção na concorrência. Identificar os pontos fracos – e os de seus fornecedores. Informar-se para, só assim, eleger o que vai abastecer sua loja. Planejar suas compras. Esta edição da Trailer, assim como as coleções de alto verão, está mais enxuta, porém não menos inspiradora e informativa que as anteriores. Demos a este projeto o nome de bureau; porque é isso o que somos. Um bureau de conteúdo de moda traduzido em textos e imagens importantes para atualizar empresários de multimarcas e franquias, compradores e suas equipes sobre as novas coleções que encontrarão nos showroons. A moda vai de encontro com a necessidade atual do consumidor. O resgate do natural é o que mais me agrada. Isso incluiu sermos nós mesmos. Sem medo de ser feliz.

Alessandra Florêncio

Foto Nicole Heiniger

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Tubo de ensaio Sempre fui contra manifestos, palavras de ordem, mas acompanhando as pesquisas deste alto verão faço meia volta e levanto a bandeira verde-e-amarela e saio às ruas para defender a nossa flora. De quebra, levo junto comigo nesta caminhada a força da mulher brasileira. Esta é uma edição intermediária, que batizamos de Bureau, na qual apresentamos a pesquisa do alto verão. Nos últimos dois meses a redação foi além e se transformou em um coletivo de ideias, de tendências e de busca da imagem perfeita. Alquimistas, experimentamos, testamos, caminhamos para frente, voltamos para trás e ousamos mais uma vez. Se existe alguma fórmula para que as coisas aconteçam, nossa receita é o estar junto e o compartilhar. Sempre com as janelas abertas para oxigenar o pensamento. Assim caminha a humanidade e... a moda também. O orgânico é o novo pretinho básico. As cores vêm das florestas. Nossas artesãs ditam o novo. E o Brasil está na moda. Vamos apoiar os designers daqui. E eles, em contrapartida, precisam estar atentos e, além de ditar a moda, têm a função de imprimir lifestyle. Se entregarem de corpo e alma. Sim, é isto que o novo consumidor busca, como mostramos na matéria assinada por Daniel Fonseca, com cases de sucesso mundo afora – e também por aqui. Coube à editora de moda Matilda Azevedo buscar as imagens que traçam um paralelo do que foi visto nas passarelas com o que vai para as ruas. Ponto também para o nosso designer Omar Beltrame, que as dimensionou no papel.

Foto arquivo pessoal

Inspire-se e se abra também para o novo. Afinal, somos ou não uma turma?

Doris Bicudo


she didn’t mind that her beau got all the attention apresentando THE 2 PARK AVENUE BEAU BAG OUTONO 2014


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Roteiro Insight Pesquisa


Insight

O industrial e o artesanal se cruzam no novo modelo de negócios de Amir Slama. O fundador da Rosa Chá assina para um gigante da fast fashion italiana, ao mesmo tempo que faz biquínis sob medida – Por Alexandra Farah Fotos Guilherme Licurgo


Insight

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Há 21 anos um ex-barman e então recém-graduado professor de história queria constituir família. Para aumentar a renda e sustentar a casa decidiu seguir a profissão dos pais, donos de confecção, e abandonar a sala de aula. Ganhou de presente alguns retalhos, máquinas de costura e alugou um sobrado no bairro Bom Retiro, em São Paulo. Enquanto ele trabalhava na produção, Riva, a jovem esposa, vendia as peças de malha em academias de ginástica de São Paulo. Aos poucos, eles perceberam a preferência das clientes pela moda praia – segmento carente fora do Rio de Janeiro. A pequena confecção se especializou e ganhou o poético nome de Rosa Chá. “É uma flor que tem em Minas Gerais e eu achei bonito. Como na época meu nome não dizia nada a ninguém, não havia razão para eu chamá-la de Amir Slama.” Não demorou muito para que Amir Slama passasse a dizer tudo e valer muito. Com agilidade nos negócios e modelagens inovadoras, transformou-se no rei da moda praia, estando à frente de todas as reviravoltas do mercado. Abriu monomarca de biquíni na Oscar Freire, foi pioneiro nos desfiles do segmento em São Paulo, se apresentou fora do Brasil e vendeu a marca para um grande grupo. Não satisfeito com o resultado da fusão, decidiu sair do mercado. Já havia feito sua parte, seu nome estaria para sempre – e com destaque – na história da moda nacional. Mas o desejo de se comunicar com o mundo por meio das roupas falou mais alto e, há três anos, ele criou um novo business. A Amir Slama deixou de lado o volume para mais uma vez fazer a diferença. “O mercado sempre muda, mas nos últimos seis anos a revolução foi total,” diz Slama, que nos recebeu na sala privê de sua loja, na Oscar Freire, onde faz biquínis sob medida para clientes de fino trato. Aos 47 anos, como constatamos nesta entrevista, ele continua a construir a história, o presente e o futuro da moda.

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C Alexandra Farah – Como era o mercado de moda praia quando você começou?

Amir Slama – Naquela época, nos anos 1990, a moda praia era só um complemento e encarada como um acessório pelas lojas, assim como um cinto ou um chaveiro. Não tinha monomarcas como tem hoje, não existia uma proposta de moda verão para você ir e vir da praia e da piscina. Eu pensava: Com um litoral tão grande, com esta mistura racial, o gingado da mulher brasileira... A gente precisa de algo só nosso. Foi aí que comecei a batalhar o conceito de um verão fashion. Tudo vinha do Rio de Janeiro. É compreensível que o lifestyle nasça lá, é a praia dentro da grande cidade. Mas, naquele tempo era sacrilégio uma tendência praia vinda de São Paulo. Tive que ir quebrando tabus. Hoje tem moda praia no Brasil inteiro. É um mercado muito pulverizado. AF – Quando abriu a primeira loja, na Oscar Freire (onde hoje é a Amir Slama), o sucesso foi muito rápido. As multimarcas ajudaram a fazer o nome da Rosa Chá? 

AS – Claro que sim! Mas rapidamente comecei a me sentir incomodado porque as multimarcas não inovavam – elas só compravam o que tinha ido bem na estação passada. Se era azul que tinha vendido, elas só queriam azul. Hoje entendo. Elas precisam ter um giro muito rápido, precisam pagar as contas e não podem arriscar muito. Mas isto acabou me instigando a ter uma loja própria, onde o consumidor final pudesse decidir o que ele achava bacana. O sucesso foi rápido mesmo e eu credito isto ao fato de que na época nenhuma marca de praia tinha roupas, além dos biquínis, para acompanhar a mulher. A gente tinha. Sempre dei um tratamento de roupa à moda praia. Por exemplo, pendurava tudo em cabides, nunca naqueles corpinhos de manequins. A nossa maior inovação foi elevar a praia ao quesito moda.  AF – Quando você decidiu desfilar? AS – Foi uma dificuldade porque eu queria apresentar um desfile e os integrantes do grupinho do Morumbi Fashion não aceitavam. “Imagina, moda praia é mulher pelada,” diziam. Uma marca de moda praia ia chamar mais a atenção, então eles não queriam que a Rosa Chá entrasse. Apresentava o projeto para Paulo Borges e nada. Aí, por ironia do destino, fui convidado para fazer o Barra Fashion. Na época, a semana de moda do Rio. Os organizadores viram meu trabalho em editoriais de revista e me chamaram. Desfilei no Jockey do Rio e foi impressionante. Na sequência, Paulo me convidou. A gente cresceu muito. Chegamos a atender 550 multimarcas, 38 lojas no Brasil e três no exterior.


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Insight


F AF – Foi quando decidiu se juntar ao Grupo Marisol...

AS – Chegou um momento que precisava de alguém para fazer frente aos meus pontos fracos, que eram distribuição e logística. Era isto ou diminuir de tamanho. Surgiu o convite da Marisol de fazer uma junção que enxerguei como uma coisa moderna. Tudo o que tinha feito até então era muito inovador, a maneira como a minha confecção funcionava era muito nova. Por exemplo: eu tinha uma relação com o sindicato das costureiras que todo o mundo que vinha de fora para conhecer o trabalho delas, escolhia a Rosa Chá para visitar. Criei a participação nos resultados antes de a lei existir. Tudo era super bem integrado. Fiquei um ano estudando o convite da Marisol. Fechamos, mas, no decorrer do processo, a direção da empresa mudou. Fiz negócio com pai e o filho assumiu. Era para ser de um jeito, e virou de outro. Percebi que não tinha feito uma fusão, e sim vendido a marca. Acabei me desfazendo dos 30% que ainda estavam comigo e fiquei tranquilo. Não queria mais trabalhar com moda. Fui sócio de Rico Mansur no restaurante 3/4 e também da boate Mokai, onde cuidava da roupa e do som. Foi uma terapia para mim. AF – Antes de continuarmos a falar da Amir Slama e de como você trabalha hoje, gostaria de saber como o desfile ajudou a crescer.

AS – Há 10 anos, desfile tinha uma função muito importante. Era a única forma de comunicar nosso trabalho. Não tinha internet forte, Instragram, Facebook, blogueiras... Era outro

momento. Tinha muito varejista presente. Hoje esvaziou. Comprador não está preocupado com desfile. E o mais importante: as pessoas querem uma coisa imediata. Ninguém quer ver uma roupa agora e esperar quatro meses para conseguir comprá-la. Recentemente, fiz um desfile no Fashion In, com as roupas que já estavam na loja. Deu super certo. Eu gosto de desfile. É uma maneira de mostrar a atitude, o cabelo, o andar da mulher. Mas tem que ser nesse novo formato, ou seja, com o produto já na loja, para saciar o desejo instantâneo. Isto para o meu produto em especial. Há casos e casos.

AF – Você acredita que o Brasil deveria ter apenas um grande evento de moda, que unisse a feira com os desfiles?

AS – Uma grande feira só é monótono. Circular também é legal. O comprador quer respirar, não quer ter a sensação de que está no shopping center. Mas acredito em vendas cooperadas. Em feiras bem formatadas. AF – Quantas coleções você fazia na época da Rosa Chá e quantas você faz hoje?

“Sempre com um olhar direcionado para o trabalho coletivo, criei a participação nos resultados com a minha equipe, antes mesmo de a lei existir”


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AS – Eram três coleções: inverno, verão e alto verão. Hoje, são duas coleções maiores e entrego produtos semanalmente nas lojas. O mais importante também é que não faço promoção na Amir Slama.  Não dá para viver de promoção, virou uma loucura. As pessoas esperam para comprar na liquidação. Claro, elas pensam: “Como um produto custa R$100 hoje e daqui dois meses vai custar R$20?” Elas se sentem roubadas.  AF – A Amir Slama não liquida?  AS – Montei a Amir Slama faz três anos e nos primeiros seis meses o consumidor estranhou, mas hoje ama. Ele volta meses depois e  vê que um pedacinho do que ele comprou ainda existe. Ele fica muito contente que o produto manteve o valor. AF – Como é sua estrutura hoje?  AS – É pequena. São 35 pessoas no atelier e 15 nas duas lojas – uma em São Paulo e outra no Rio. No atelier,  desenvolvo os protótipos e as coleções para a Amir Slama e também as que eu assino para outras marcas, como para a italiana Yamamay, que tem 600 lojas – é uma fast fashion de lingerire e praia. Para eles, desenvolvo os pilotos aqui, faço as provas de roupa na Itália e produzimos na China. Tudo bem globalizado, como pode perceber. Recebo as peças e fico chocado porque às vezes vêm mais bem costuradas que os meus protótipos, que já são de alta qualidade. A Yamamay queria produzir no Brasil, mas a China tem preço e qualidade imbatíveis.  Para a Amir Slama, de-

senvolvo no atelier e terceirizo toda a produção, aqui no Brasil mesmo. AF – Podemos dizer que a Yamamay faz um produto mais popular que a Amir Slama? AS – Um biquíni Y by Amir Slama sai por 30 euros e a produção é de 15 mil peças para cada modelo. A Amir Slama é bem mais exclusiva. No máximo, 200 por modelo, e o valor varia entre 200 e 600 reais. Mas a palavra popular perdeu um pouco o sentido porque, hoje, se um produto é caro ou barato a qualidade não é mais o diferencial – é imperativo. O novo consumidor sabe tudo, conhece tudo. Ele pode comprar algo mais barato, que não vá durar tanto, mas a peça tem que ser bem acabada, sempre. No passado, a gente podia vender um produto mais caro porque ele era bem feito. Hoje, você vai em qualquer rede de fast fashion e a qualidade está lá.  AF – Hoje, como é seu trabalho com multimarcas?  AS – Estou começando a atendê-las. Forneço para uma loja em Manaus e outra em Campinas. Trabalho a minha marca da mesma forma que algumas multimarcas, com um contato maior com o consumidor final. Quero sentir o que ele quer, o que mudou em seus hábitos. Como a Rosa Chá cresceu muito, acabei perdendo o contato, me distanciei. Então, com a Amir Slama, quis retomar.  AF – E o que mudou na consumidora? AS – Mudou tudo. Hoje, a consumi-


dora determina. Ela quer um tomara que caia com bojo, não quer sem bojo. Ela sabe o que quer. O segredo é inovar ouvindo seu consumidor. É muito desafiador e, ao mesmo tempo, muito agradável sentir que está aprendendo. Quando comecei, a modelagem dos biquínis era muito pequena.  Quem tinha busto queria amassar.  A calcinha tinha que mostrar o bumbum.  Aos poucos a mulher foi se liberando, foi mostrando que tinha cabelo, peito, e não apenas bunda. Hoje,  a peça veste a mulher.  Estamos vivendo a era do conforto e da beleza. O biquíni modelo cortininha ainda domina. Na Amir Slama equivale a 30% do negócio. Ele é o arroz com feijão, o biquíni de tomar sol. Mas as possibilidades cresceram muito. Faço dezenas de modelos. E o tomara que caia com calcinha reta realmente alonga a mulher brasileira. Ele vem crescendo na preferência. O maiô sempre teve uma venda menor. De cada dez peças, apenas duas são maiôs. Mesmo quem está fora de forma, não tem vergonha de se revelar na praia. No Brasil, sol é vitamina. O que vem crescendo são os maiôs bodies, que saem da praia e vêm para as ruas. Os bodies estão com tudo. Os de manga comprida, principalmente. E tem também muita mulher usando sutiã de biquíni como top por baixo de regata. AF – Além dos altos impostos, qual o maior problema da moda nacional?  AS – Diminuição da mão de obra especializada. Por exemplo, das costureiras. Não valorizamos a questão salarial e hoje o número de pessoas

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interessadas em se especializar vem diminuindo. E a inovação tecnológica limita a competição com as marcas internacionais.  AF – Qual foi o momento mais positivo da história da moda nacional?

AS – A década de 1980 foi a mais importante para o Brasil. E isso é um tanto contraditório porque a economia era fechada. Mas, por outro lado, o mercado estava em expansão e em formação. Só que, na sequência, a indústria perdeu o time, principalmente a têxtil que, não conseguiu se renovar. AF – A Amir Slama trabalha no azul? AS – Se é rentável? É claro que sim! Consigo isto mantendo o tamanho enxuto e a expansão controlada e gradual.  AF – Como você vai crescer?

AS – Nosso objetivo é ter essas duas lojas no Brasil e duas no exterior, uma na Europa e outra nos Estados Unidos. Mas disto quem está cuidando são os distribuidores.

“Trabalho a minha marca com um contato maior com o consumidor final. Quero sentir o que ele quer, o que mudou em seus hábitos”


Pesquisa

Colaborar, olhar o próximo, o uso consciente, criar novos formatos e, algumas vezes, improvisar. O mundo mudou. A moda acompanha esta evolução.

Consumir menos

não necessariamente vai afetar seus negócios, mas sim atrair esse 20

novo consumidor

– Texto e pesquisa de VM por Daniel Fonseca Pesquisa de moda e imagens por Matilda Azevedo


Queremos desconstruir as coisas. Torná-los mais acessíveis, conhecer seus processos, como foram construídos. Esmiuçá-los

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omo bem colocou Darwin, há dois séculos, na história da humanidade – e dos animais –, aqueles que aprenderam a colaborar e improvisar foram os que prevaleceram. E mais: não são as espécies mais fortes as que sobrevivem nem as mais inteligentes, e sim as mais suscetíveis a mudanças. É com esse pensamento que abrimos nossa terceira edição da Trailer Bureau. Reduzir, unir, modificar, transformar. Como numa cadeia evolutiva darwinista, os rumos do comportamento humano moderno indicam uma forte convergência ao retorno às origens, ao movimento de engatar marcha a ré nos impulsos consumistas, ao orgânico sem pretensões e à vida em comunidade desprendida do peso de ser hiponga. Em meio a tantas facilidades, possibilidades, e à beira de um ataque de nervos, nossos navegantes começam a perceber que é tempo de aproveitar as pequenas coisas, de redescobrir valores, de caminhar pelas ruas, de reexperimentar sensações e, por que não, de se reinventar. Não estamos aqui indo contra as revoluções tecnológicas do nosso tempo, que ora mobilizam o encontro, ora afastam a atenção a um mundo ilusório. Estamos, na verdade, transpondo os limites entre o artifício e a natureza, ao passo que questionamos a racionalidade científica e nos tornamos mais espiritualizados, ou, ao menos, mais espirituosos. Queremos desconstruir as coisas. Torná-las mais acessíveis, conhecer seus processos, esmiuçá-las e, quem sabe, poder criar novos formatos a partir de vários. Estamos

falando do novo cooperativismo, da humanização das relações. Isso vem refletir não só na maneira como o novo – ou renovado – ser humano reage às interações entre si e com o mundo, mas também na forma como os produtos que consome são criados, suas texturas, estampas, cores, formas, significados. Tudo parece tender à agitação orgânica da natureza e suas intempéries. Queremos transpor a realidade e atingir o nível dos sonhos. Buscamos jogar com a interdependência da contemporaneidade e a coexistência em sociedade. A inspiração vem de lugares imaginados, como o restaurante La Jardin, em Santiago do Chile, nos jogos futuristas dos móveis de Jo Nagasaka, na suavidade das plantas amazônicas de Margareth Mee, no processo colaborativo que salta aos olhos no People’s Supermarket de Londres, nas evidências dos padrões da continuidade da vida – foco do processo, quase mutualista do artista brasileiro, Rodrigo Bueno –, na loucura geniosa de Arthur Bispo do Rosário, na dualidade natural de Alberto Baraya. É do novo que o consumidor quer se alimentar. É dessa simbiose entre o retorno às origens e os progressos tecnológicos que queremos falar. De seu uso consciente, do consumir menos e melhor, do aproveitar a pracinha ao lado de casa, de buscar mais informações do que recebê-las. Procuramos transpor as barreiras do WhatsApp ou do Facebook sem que eles deixem de fazer parte de nossas vidas. Queremos abrir as portas das nossas casas para entrar um novo ar. É tempo de encarar o diferente. É tempo de mudar.


Com foco no handmade a criadora israelense Moriel Dezaldeti usa o tear para criar suas estampas-texturas

Ecológico e politicamente correto, o trabalho de Gilda Midani é a expressão do que a moda pede neste momento

Obra da série Mobília Tomada, do brasileiro Rodrigo Bueno

Obra orgânica do coletivo italiano Nucleo. A grama nasce por cima de bancos de papelão

A sofisticação do design agregada ao orgânico é a base do Iceland Whale Bone Project. O grupo suíço coleta ossos de baleias na Islândia e transforma em arte

A brasilidade do trabalho de Henrique Oliveira é visceral. Vale uma visita à instalação que montou no MAC de SP. Até 30 de novembro


O olhar lúdico da francesa Aurore Janon é uma inspiração até para a estamparia

Flores de plástico questionam os valores da sociedade contemporânea na arte do colombiano Alberto Baraya

O valor das joias criadas pela norueguesa Liv Blavarp está na madeira e no tingimento natural As cores de nossa terra. Com ufanismo

Efeito contemporâneo da pintura do japonês Jo Nagasaka é dado pelo mix de pátina com resinas coloridas

Ilustrações botânicas de Margaret Mee são fontes de inspiração para o alto verão. Atemporais desde os anos 1950

A maravilha da arte de Arthur Bispo do Rosário é a mais completa tradução de que o Brasil sempre soube criar a sua wearable art


Pesquisa

A VEZ DA EXPERIÊNCIA. OU O AQUI E AGORA O bom resultado das vendas ganha novos caminhos. E cabe ao varejo identificar quais são eles. O consumidor está em busca de um lifestyle e não mais de uma peça ou outra. Veja e Inspire-se nesses cases de sucesso e experimente. Esta é a nova ordem

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e restaurantes a hotéis, passando por supermercados e lojas multimarcas, o mote principal do varejo atual é proporcionar alternativas interativas em forma de experiências memoráveis dentro do ponto de venda de maneira a fazer com que as pessoas passem cada vez mais tempo no interior desses espaços. Remando contra uma corrente criada pelas grandes cadeias sustentadas pelo processo fast, alguns empreendimentos começam a rever o modo como encaram o consumo para trazer serviços diferenciados a um público cada vez mais exigente, ávido por consumir novidade. Vemos nascer no emaranhado do varejo lojas de roupa que se convertem em galerias de arte, cafés que passam a vender móveis ou shoppings que se desmontam para reabrir em um lugar completamente diferente. Estamos vivendo a era dos espaços comerciais multifacetados, que podem ser facilmente (re)adaptados para receber distintos eventos que envolvem a vida de seus consumidores nos mais diversos patamares. Foi-se o tempo em que uma loja podia se dar ao luxo de não passar por reformas e manter o mesmo formato por longos períodos. O novo consumidor é mutante. E ele exige mudança incessantemente. É por este motivo que os varejistas atuais devem

buscar não só rever o modo como criam seus espaços de venda, mas também reavaliar o modo como interagem com este novo player. Pode parecer recente, mas esse movimento tem suas origens já na década de 1990, quando multimarcas, como a 10 Corso Como de Milão e a Colette de Paris, começaram a perceber na curadoria de um jeito de reinventar o modo de apresentar labels e diferentes produtos, em um único espaço, de forma despretensiosa e divertida. Em 2003, por exemplo, a loja italiana resolveu ampliar sua experiência de marca criando o 3 Rooms. Localizado no pátio da flagship de Milão, o pequeno hotel tem três andares com exatamente três quartos disponíveis, cada um decorado de maneira distinta, com uma seleção de objetos de decoração desenvolvidos por artistas e designers contemporâneos. Tudo isso para provocar novas sensações em quem passa por lá. Musa inspiradora das lojas de departamentos, a londrina Selfridges já conhece a mutação não é de hoje. Seu fundador, o visionário Gordon Selfridges, ainda em 1909 (ano de inauguração da loja), reservou um espaço no piso de vendas para criar o Silence Room, um pequeno quarto silencioso, onde o visitante era convidado a respirar e passar um tempo com calma, antes de realizar suas compras.


O neon da inglesa Bianca Hall está para a arte contemporânea assim como o minimalismo está para a moda

Três momentos da 10 Corso Como, uma das mais importantes multimarcas do mundo: a loja, o hotel de apenas três apartamentos e o jardim interno

O bom gosto do acolhedor vazio do Silence Room da Selfridges em Londres


Pesquisa

Complexidade do conceito da Bikini Berlin vai de shopping modular, passando por espaços de cinema, coolhunting e termina em hotel “dupla face”. De um lado, super high-tech e, de outro, totalmente orgânico

A camisa branca, peça-chave da sueca Cos ganha forma de arte na parceria com o estúdio japonês de arquitetura Nendo

O conceito de moda como lifestyle muito bem traduzido pela multimarcas alemã Voo Berlim. Por lá tudo é rotativo, até as marcas

Do minimalismo, no sentido mais cru do termo, ao luxo extremo. Onde? No premiado restaurante dinamarquês Noma Arquitetura purista e multifuncional do atelier-loja Not Wonder, no Japão


Não importa o espaço ou o tipo de negócio. A verdade é que o consumidor moderno exige mudanças. E quer ser surpreendido. Sempre!

A ideia genial foi reprogramada em 2012 para fazer frente ao furor e à velocidade com que as coisas vêm acontecendo. Lá os visitantes eram obrigados a tirar seus sapatos, e nenhum celular, notebook ou qualquer outro aplicativo móvel não era permitido. O mote era se desligar do mundo. De acordo com os criativos do Alex Cochrane Architects (responsáveis pela adaptação do projeto), a coisa funcionou tão bem que foi possível ver pessoas dormindo, meditando e até rezando ali. Com vistas no mercado da experiência, restaurantes, como o dinamarquês Noma e o colombiano Andrés Carne de Res, se baseiam em um conceito curioso para oferecer momentos sensoriais aos seus visitantes. O primeiro, por exemplo, ganhador de vários prêmios internacionais, incluindo o de melhor restaurante do mundo, oferece interpretações de pratos autenticamente nórdicos em um ambiente pra lá de emocionante. Já o segundo se fia na brincadeira com os pecados da carne para distribuir seus sedentos clientes em quatro andares ambientados conforme manda o figurino católico: inferno, terra, purgatório e céu. Cada um decorado da maneira como são – ou deveriam ser – esses espaços. Com um conceito não menos curioso, o restaurante russo LavkaLa-

vka tenta humanizar a relação entre a matéria-prima e o produto final e, claro, recriar a forma de aproveitar cada prato por parte de seus compradores. Lá, tudo é preparado com tranquilidade e nada pode ser apreciado sem antes conhecer os processos e os ingredientes que são utilizados na preparação. Além disso, são oferecidos conferências e palestras sobre o modo de produção dos ingredientes, eventos para crianças, e também visitas às fazendas de seus fornecedores, para os interessados. Por aqui, não poderíamos deixar de citar a paulistana Cartel 011, em São Paulo, que começou como um pequeno espaço na Rua Artur de Azevedo e foi ampliando o galpão para abrigar, além de uma loja, um restaurante, uma galeria de arte, um salão de beleza, um espaço para coworking e ainda um hub de ideias. Aos poucos, o lugar foi acumulando tantas funções que teria se tornado autossuficiente não fosse a sua necessidade de movimento o tempo todo. Não importa o espaço ou o tipo de negócio. A verdade é que o consumidor moderno exige essa metamorfose ambulante de seus provedores. Queremos ser surpreendidos, seja visualmente, seja pelo paladar ou qualquer outro sentido – ou todos ao mesmo tempo. Há que se instigar. E mais: manter acesa a chama da mudança.


Vanguarda

Com açúcar, com afeto

Longe de ter uma fábrica convencional de sapatos, Lane Marinho mergulha na diversidade botânica para criar peças que inspiram – e expiram

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mental. Admiradora de Burle Marx, ela se sente inspirada pelos jardins e por sua beleza muda, sua elegância sem esforços. “Gosto de todos os jardins. Exóticos ou não, simples ou rebuscados.” E isso se percebe no modo como esmiúça a forma do pé de quem veste suas criações. Na maneira como vai montando os ingredientes para compor peças que, por fim, acabam levando as impressões de quem as compra. Desenvolvendo uma metodologia quase mutualista de trabalho, nossa personagem exala a paixão pelo que faz de maneira tão natural que poderia ser comparada ao perfume suave de uma gérbera ou ao crescer imperceptível de uma folha de comigo-ninguém-pode, para apresentar uma coleção de pequenos e singelos pedaços de natureza para calçar. Welcome to the jungle!

Foto Guilherme Nabhal

B

aiana radicada em São Paulo, Lane cresceu rodeada do som silencioso do mar, da silhueta irregular das palmeiras, da beleza indiscreta das conchas e do conforto disforme das areias. Como ela mesma definiu, de “pequenos defeitos encantadores”, cuja beleza só elementos naturais podem proporcionar. Presenças constantes em seu trabalho, folhas, folhagens, flores e frutos, dividem espaço com conchas, corais e pequenas gemas naturais – preciosas ou não – para dar forma a sandálias únicas feitas à mão com a maior calma e simplicidade do mundo. Cansada da indústria e do seu processo exaustivo, a multiartista decidiu mudar tudo e passar a conceber o produto, do desenho à venda. “Eu queria poder fazer. E assumir todo o processo era uma forma de arriscar sem criar grandes expectativas. E o principal: experimentar”, conta Lane, que há mais de dez anos, trabalhando no desenho de calçados, resolveu apostar em uma coleção cem por cento autoral. De todos os modos, o talento dela não fica só por aí. Apaixonada pelas artes plásticas e pela fotografia, Lane sempre admirou a possibilidade de “ser várias”. E por este motivo mantém diversos modos de expressão. Tanto nos quadros que pinta quanto nas fotografias que faz, o minucioso trabalho de composição parece ser uma constante e se revela a olhos nus em tudo o que ela faz. Extremamente exigente, tem um processo de criação que é experi-


Fotos Lincoln Marinho

Interpondo objetos e elementos naturais, Lane comp천e imagens que impressionam, inspiram e exaltam as cores e a tropicalidade de nosso Brasil.


Pesquisa por Matilda Azevedo Foto dos abres especiais: Nicole Heiniger (S.D Mgmt) Moda: Renata Corrêa (S.D Mgmt) Beleza: Daniel Hernandez (MLages), com produtos L’Oreal Produção Executiva: Julia Smidt (S.DC&P), Tratamento de Imagens: Brush, Produção de Moda: Bruna Sampaio e Guilherme Itacarambi, Assistentes de Foto: Bruna Lucena, Caio Porto e Rafael Muner, Assistentes de Beleza: Thiago Pereira, Rodrigo Gomes e Neuzete Alves


Preview Passarelas


Foto Getty Images


Bruna Tiedt (Ford Models) veste: Mai么, Lenny


Preview

Jardim botânico A natureza toma conta das passarelas e deve garantir bons frutos na hora de rechear as prateleiras. Inspirações naturais trazem uma cartela suave de cores botânicas, que vai dos verdes aos marrons, passando por beges, rosées e marfins. As peças ganham status de obras arquitetônicas, sem perder a leveza das pétalas de flores ou das grandes e fluidas folhagens em suas construções. A moda praia atinge um novo patamar de luxo, com tecidos encorpados e estampas de tirar o fôlego, como as da Lenny. Made in Brazil na melhor essência.

Acabamento natural é tendência forte. E a beleza é nude

Stella McCartney

Chloè

Lenny

Lenny

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Bottega Veneta Chloè

Givenchy

Fotos Agência Fotosite

Repare que os os tecidos tecnológxticur as reproduzem as teza da nature


Foto Getty Images


Bruna veste: Vestido, Forum


Preview

Brasilidade já!

Os braceletes são os acessórios da vez

Com um quê de ufanismo, a mulher brasileira deve mergulhar em nossa cultura, resgatar as maravilhas dos trabalhos de nossos artesãos em suas escolhas fashion. O novo conceito é o slow, que pode ser traduzido como curtir o momento. O laranja é uma cor ensolarada, que vai pintar esse caminho como nenhuma outra. Estampas de folhagens, pinceladas e florais se misturam com texturas étnicas de ráfia e tricôs leves. Os tecidos fluidos e as modelagens amplas devem ser valorizados, assim como os biquínis com hot pants. Seria este o Brasil tipo exportação?

Hermès

Dior

Céline

38


Cantão Paula Raia Osklen

Fotos Agência Fotosite

Givenchy

O artesanal e o manufaturado ganham força e são sinônimos de luxo


Foto Getty Images


Bruna veste: Vestido, Forum


Preview

Alquimia fashion Não importa se o estilo é minimalista, esportivo ou ladylike. Mais tropical, impossível, o alto verão é intenso e também multifuncional. Um completo arco-íris se acende e permite produções monocromáticas ou com misturas inusitadas e, ao mesmo tempo, harmoniosas. Peças com cores fortes transitam do dia para a noite sem o menor pudor. O maiô é muito importante e, junto com os biquínis, resgata modelagem vintage, com a delícia de ser mais confortável, mas sem perder a elegância. Ousadia é a palavra de ordem.

Aquilano Rimondi

Marni

Chanel

Papetes nos pés e cores nas unhas

42


Fotos AgĂŞncia Fotosite

Prada

Alexandre Herchcovitch

Fendi

Alexandre Herchcovitch

Os rapazes tambĂŠm vestem saia e abusam das cores


Foto Getty Images


Bruna veste: Body, Paula Raia


Preview

Quanto mais natureba melhor.. Inclusive nos acessórios

Triton

Maria Filó

Dries Van Noten

Não basta ser elegante e estar na moda. A nova consumidora vai além e deseja não apenas ter uma linda peça em seu guarda-roupa, mas também saber de onde vem e quem a fez. Sua origem. A modelagem é simples e o toque sofisticado vem dos tecidos naturais. As estrelas? O algodão, o linho e as rendas. As cores são neutras e os tons de bege têm lugar de destaque. O contraponto vem nos acessórios fortes, ora de fibras trançadas, ora de couro. Acabamento perfeito para calças cropped e chemises.

Paula Raia

46

Minimal engajado


Organic

Rodebjer

CantĂŁo

Fotos AgĂŞncia Fotosite

Volumes no corpo e chapinha no cabelo


INVERNO’14 bobstore.com.br | @bobstore


Frame

Cores da estação Acessórios Estampas


Cores da estação


Por RICARDO CÀSTRO Foto Murillo Mendes As cores do alto verão podem ser definidas como híbridas. Dos naturais, rosées e cáquis até os tons vibrantes. A liberdade da nova gama foi traduzida na obra de Ricardo Càstro, da série Chromo Sapiens, criada especialmente para a Trailer. Olhar livre para uma pesquisa minuciosa. Esta é a intenção. Missão cumprida.


Acessórios

COLAGENS, POR MARIANA VALENTE

1 2

REINALDO LOURENÇO PAUL SMITH


FOTOS AGÊNCIA FOTOSITE

3 4

MARNI PHILLIP LIM

5 6

PROENZA SCHOULER GLORIA COELHO


7 8

CÉLINE BOTTEGA VENETA

9

DIOR


FOTOS AGÊNCIA FOTOSITE

10 11

CHANEL DRIES VAN NOTEN

12 13

ZERO + MARIA CORNEJO BOTTEGA VENETA


Texturas

Botânicos

Adriana Degreas

Triya

Christopher Kane

Lenny

Christopher Kane

Sem a menor pretensão de parecermos imparciais, elegemos as estampas botânicas como as nossas favoritas para os dias quentes do nosso verão. Mais reais e poéticas do que as florais, permitem uma fantasia tanto para o criador quanto para o consumidor final. Inspiradíssima, Lenny decidiu pintá-las com a leveza das aquarelas e também fazer aplicações em tecidos ultraleves, como se fossem as pétalas. Já no Hemisfério Norte Christopher Kane criou uma estampa pop dos desenhos tradicionais botânicos, com setas e nomes de cada parte da flor. Entre um ou outro, ficamos com os dois.

Fotos Agência Fotosite

Lenny

58


Naturais

Allude

Fotos Agência Fotosite

Paula Raia

Akris

J. W. Anderson

Ann Demeulemeester

Paula Raia

Ecologicamente corretas, as tramas naturais ganham destaque no alto verão. Algodões puros, linhos, tresse de palha, tricôs leves. Os tons são neutros, ficam entre os rosés e os beges. O hand made volta com força, desta vez sem nostalgia hippie, trazendo o que há de mais belo e sofisticado de nossa cultura. A modelagem é de alta-costura. As misturas são bem-vindas, assim como as camadas. Paula Raia interpretou a tendência com maestria. O Brasil não só está na moda como é capaz de exportar sua essência. Nossos artesãos ganham o merecido status de designers. Palmas para eles. Chique mesmo é ser natural.


Texturas

Destroyed

Céline

60

Fotos Agência Fotosite

Junya Watanabe

Ashish

Barbara Bui

Marni

Chanel

Use e abuse. O jargão é levado às últimas consequências nesta forte tendência para o alto verão. A ideia, mesmo tinindo de nova, é que a roupa remeta a uma aparência desgastada, com o aspecto de muito uso. Como? Por meio das texturas. Os jeans, como sempre, ganham várias versões. A mais interessante foi apresentada no desfile de Barbara Bui. As roupas com ar de usadas pareciam um bordado. As marcas luxuosas aderiram também, como Chanel, Marni e Céline, que desenvolveu peças com bordados abstratos desfiados. Aqui a questão gira em torno dos acabamentos inacabados. No melhor estilo literal do hi-lo.


Étnico

Lolitta

Fotos Agência Fotosite

Dries Van Noten

Valentino

Dries Van Noten

Givenchy

Junya Watanabe

Mais uma vez as texturas étnicas aparecem nas coleções. E com uma força incrível. O conteúdo pode parecer o mesmo, mas, na forma, as roupas ganham modelagens mais contemporâneas. É a tradição fazendo seu contraponto com a modernidade. O artesanal é reproduzido pela tecnologia de ponta. Trabalhos de tricôs, bordados e couros trazem história para as peças. O manufaturado alcança o digital, criando, assim, uma linguagem universal. Poderosos, os acessórios têm, muitas vezes, a missão de construir o look e não apenas dar o arremate a ele. Moderno é resgatar sua tribo e apresentá-la para o mundo.


Texturas

Bordados /Aplicações

Dries Van Noten

Prada

62

Fotos Agência Fotosite

Alberta Ferretti

Prabal Gurung

Marni

Lolitta

Em uma estação repleta de texturas alinhadas à tecnologia de ponta, podemos afirmar que essas ricas peças – que dão vontade de tocar – são os must have. A variedade dos materiais utilizados passa essa sensação. Miuccia escolheu os cristais coloridos para sua Prada, Dries Van Noten, os búzios. Mais um ponto para a vibração natural que paira sobre nós. Mas as campeãs são as flores, bordadas ou aplicadas, como no desfile da Lolitta. O mix de ideia dá liberdade para o criador transitar pelas tendências da estação. É o que a gente espera da moda.


Florais

Forum

Dries Van Noten

Fotos Agência Fotosite

Vivienne Westwood

Marni

Vivienne Westwood

Reinaldo Lourenço

Verão sem estampa de flores é como praia sem sol. Alguém duvida? Para alegria de todos, o floral ganha várias versões. O elo são os tons vibrantes. Abstratos ou não, trazem consigo cores fortes em looks totais. O mais interessante são as técnicas, que fazem a clássica estampa se reinventar. Tecidos viram grandes telas no desfile de Vivienne Westwood. O grande expert deste tema, Dries Van Noten, foi além e desenvolveu uma espécie de carimbo para estampar suas peças. E Consuelo Castiglioni levou para a passarela da Marni um lindo floral que lembra uma serigrafia. Mais uma vez a arte transita pela moda.


Ensaio

A pele que habito


A habito pele que

E tudo são flores num alto verão em que a mulher quer – e precisa – estar vestida. Em um mundo globalizado, cada um explora seu estilo. A brasilidade vem da ginga e de nosso savoir faire. O Brasil não só está na moda como também a dita

Fotos Nicole Heiniger (S.D Mgmt) Moda Renata Corrêa (S.D Mgmt) Beleza Daniel Hernandez (MLages)


Mariane Calazan (Way Model) veste: Top, Filhas de Gaia. Vestido, usado como saia, 2nd Floor. Sapatos, Dior


Ellen Rosa (Mega Model) veste: Regata e colete, Dries Van Noten, na Gilda Midani. Saia, calรงa e faixa sobre colete, PatBo. Sapatos, Dior


Mariane veste: Mai么 estampado, Clube Bossa. Mai么 preto, Estratosfera


Carmelita (Ford Models) veste: Mai么, Amap么. Bolsa, Prada. Sand谩lias, Colcci


Ana Bela (Way Model) veste: Top, Tufi Duek. Sobressaia, Dior. Saia, Faven


Mariane veste: Suti達, pelerine e saia, Herchcovitch;Alexandre


Thainá (L’Equipe) veste: Macacão, Filhas de Gaia. Casaqueto estampado, Strass Fashion


Cynthia Cerqueira (Mega Model) veste: Mai么 branco de gola alta, e mai么 preto, Estratosfera. Trench coat, Reinaldo Louren莽o. Bolsa, Kate Spade. Sapatos, Corello para Reinaldo Louren莽o


Carmelita veste: Body, Filhas de Gaia. Casaqueto, Topshop. Saia, Gucci, na Trash Chic


Ana Bela veste: Mai么 e saia estampados, Osklen Praia. Short preto, Amap么


Samira (Ford Models) veste: Casaqueto, Printing. Vestido, Strass Fashion. Bolsa, Victor Hugo. Clog, Triton

Daniel Hernandez usou produtos L’Oréal Produção Executiva: Julia Smidt (S.DC&P) Tratamento de Imagens: Brush Produção de Moda: Bruna Sampaio e Guilherme Itacarambi Assistentes de Foto: Bruna Lucena, Caio Porto e Rafael Muner Assistentes de Beleza: Thiago Pereira, Rodrigo Gomes e Neuzete Alves


Fotos Agência Fotosite e divulgação

Coming soon 82

O inverno 2015 vem em mão dupla. E os caminhos são paralelos. Um, mais seguro, no qual nos deparamos com o minimalismo gráfico e seus tons neutros. O outro, mais ousado, esbarra nos excessos. Uma vestimenta sem barreiras e constrangimentos. Libertadora. E, mais uma vez, a moda flerta com a arte, assim como a ciência com o artesanato. O masculino é quase feminino. E a recíproca é verdadeira.


Carmen Steffens

ALTO INVERNO

CALÇADOS, ROUPAS E ACESSÓRIOS BUENOS AIRES

CANNES

HOLLYWOOD

JOHANNESBURGO

MADRID

ORLANDO

300 LOJAS - 18 PAÍSES

PUNTA DEL ESTE

RIO DE JANEIRO

SÃO PAULO


CORI.COM.BR

SHOWROOM 11 3044.2862


Revista Trailer Brasil #3  

Terceira edição da revista Trailer Brasil - Alto Verão

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