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editorial

a Mônica Tozetto, editor .br om e.c editora@revistatouch

Elixir da CIDADANIA Movidos por uma dose de desilusão, grande parte dos cidadãos virou as costas para política, plastificando toda complexidade desse intrincado jogo numa frase: É tudo igual. A paixão cedeu lugar ao ceticismo, o entusiasmo ao conformismo e o prazer, a obrigação burocrática do comparecimento compulsório diante das urnas. Mas que ninguém se engane - a polí-

tica precisa ser construída com bons nomes, com pessoas sérias e dignas de ocupar a posição que disputa. Muito longe de tentar envergar a opinião de qualquer um, algumas figuras políticas merecem ser vistas ou às vezes, revistas. Walmor Barbosa Martins é, sem dúvida, um desses exemplares. Político de tradição discursiva, daqueles que levantam a

plateia pelo verbo e que como imã, atraem a audiência esteja onde estiver. Sua entrevista, as véspera de mais uma eleição é acima de tudo a tentativa de um resgate. Uma boia num mar de descrença, algo para se agarrar e voltar a ter esperança na vida política, na forma como é preciso avaliar quem será eleito e acima de tudo no reencontro com o elixir da cidadania.

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Distribuição Gratuita

expediente Produção: Laser Press Comunicação Integrada www.laserpress.net – 11 4587-6499 Diretor Executivo: André Luiz de Barros Leite Editora: Mônica Tozetto

Comentários, críticas, elogios e outras sugestões são bem vindos. No site, acesse “Fale conosco” para dar sua palavra.

Textos: Mônica Tozetto (MTB 33.120) e Luciana Sanfins (MTB 57.245) Designer: Alexandra Torricelli Depto. Comercial: Carla Mulinari Tiragem: 6.000 exemplares


gente

Let me

try again Por Mônica Tozetto Como Sinatra reencontrando sua plateia em Nova York, Walmor Barbosa Martins anuncia sua volta à cena política. Ele emprestará sua voz para, como fez há mais de 40 anos, sacudir o cenário local.

Nas eleições de 1988, meu pai e meu avô defendiam ferrenhamente um dos candidatos a prefeito, Walmor Barbosa Martins. “Nele podemos confiar”, diziam. Na época, eu não entendia muito de política – e confesso que ainda não é dos meus assuntos preferidos -, mas ouvia, divertida. Me lembro também de ter sentimentos antagônicos com relação à figura de Walmor, um misto de admiração e medo pelo seu vulto imponente e voz abaritonada. Por isso, quando decidimos entrevistá-lo e eu tive que fazer o contato, tremi. Mas a voz do outro lado da linha me deixou desarmada. Encantador. Essa é a palavra. Walmor Barbosa Martins é um homem irrequiato, de alma jovem. Aos 78 anos, mantém o espírito pronto para aventuras arrojadas. Brincalhão, é dado a reminiscências. Mas sempre consegue voltar ao ponto que parou. Grande admirador das mulheres, conserva o charme de um galanteio de classe. Em quase três horas de entrevista, contou muita coisa. Infelizmente, nem todas puderam ser retratadas aqui, por falta de espaço. E prometeu: “Volto para a política. Precisamos mudar esse cenário”. É assim que ele anuncia seu retorno. No texto que segue, reflexões e histórias.

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FAMÍLIA Meus pais se conheceram em Guaxupé, onde minha mãe vivia e meu avô era proprietário de uma das maiores fazendas da região. Meu pai havia se formado na Escola de Farmácia e Odontologia de Ribeirão Preto e acabou abrindo uma farmácia perto de Guaxupé. Era época de guerra e ele fez o CPOR – Curso de Preparação de Oficiais de Reserva. Foi assim que viemos para Jundiaí. Eu tinha quatro anos. Aqui, abrimos a Farmácia Martins, que ficava na Rangel Pestana. Meu pai era um homem culto. Em casa, possuíamos uma biblioteca imensa, que era sempre renovada. Já minha mãe era mulher simpática, extrovertida, amiga de todo mundo. Era normalista, mas não lecionava. Mulher de caboclo tinha que ficar em casa, fazer pamonha, broa, leitoa assada. Meus pais foram gente com G maiúsculo. Sempre agradeço em orações a felicidade que tive. Deus, Pátria e Família. Meu pai incutiu isso em nós. Somos de família, amamos o Brasil e somos tementes a Deus. Todos em casa respeitam esse lema. Somos em quatro irmãos. Todos infelizmente já se foram. Mas sempre nos demos muito bem. Cada um tinha sua vida e ótica do mundo, mas eram divergências normais, nunca rivalidade. Fomos felizes. HELENA Não sou propriamente um cidadão econômico nas palavras, mas quando conheci a Helena Cristina foi amor à primeira vista. Naquela época, se fazia o footing em frente à Pauliceia. De repente, olhei aquelas moças – Jundiaí era uma cidade de mulheres lindas – e a menina que estava lá parecia uma fada. Eu acabara de pegar um livro de poesias de J. G. De Araújo Jorge, no Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, cujo título era “Amo”. Quando cruzei meu olhar com o dela, parecia estar vendo a capa da obra. Uma poesia mais bonita que a outra. Que toca na sensibilidade, desperta paixões latentes.

Eu era então acadêmico de Direito. Estava com a cabeça raspada. Vi a menina e falei: É essa e acabou. Imediatamente me apresentei. Ainda brinquei com ela, dizendo: Melhor não chegar perto porque deve ser sarna. A conquista foi difícil. Ela era arredia, rebelde. Fizemos até serenata. Heleninha ainda pensa como uma jovem de 20 anos, mas com experiência. Depois de 50 anos juntos, ainda andamos de mãos dadas. Claro que não é uma perfeição. Eu adoro política e ela detesta. Foi duas vezes primeira dama contra a vontade, mas fez o que devia ser feito. E ela também é uma “senhora” cozinheira. Aqui, minha filha, está um homem apaixonado. HELENA E WALMOR Tivemos três filhos: a Cristina, advogada, o Walmor Júnior e a Luciana, raspa do tacho. O dodói da família. A dona Helena deu à luz com 38 anos de idade. O médico que atendeu aconselhou cesárea. Ela quis parto normal. Ela é uma mulher bonita, que podia ser vaidosa. Mas acima disso, estava a natureza. Felizmente, foi tudo muito tranquilo. DEBUTANDO NA POLÍTICA O ano de 1955 foi terrível para o País. Tivemos três presidentes. Getúlio havia se suicidado em 1954. João Café Filho, paraibano, assumiu em seu lugar. Acabou doente e morreu. Assumiu o presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz. Vivíamos um clima de comunismo e capitalismo. Estados Unidos e Rússia, Cortina de Ferro. Nessa época, eu cursava Direito na PUC e nós participávamos de tudo isso. Passaríamos, neste ano, por eleições gerais no Brasil: presidente da república, vice, senador, deputado, prefeitos e vereadores. Apareceu um político novo, com ideias novas e muitos sonhos. Juscelino Kubitschek, governador de Minas Gerais. Um homem grande, simpático, com voz abaritonada. Ele dizia fra-

ses como: “Vou rasgar esse País”; “Deixaremos de ser uma nação litorânea”; “Farei Brasília, indústria, fábrica de automóveis”. E por aí afora. Não deu outra: ganhou a eleição para presidente. Eu e meu amigo Tarcísio Germano de Lemos éramos de uma geração que queria mudanças. Em Jundiaí, um dos candidatos a prefeito era o Vasco Venchiarutti, moço também. Saímos candidatos, eu, Tarcísio e mais alguns jovens. No meu caso, a candidatura foi quase uma imposição de meu grande amigo Nicolino de Lucca – um gênio sobre duas pernas -, médico de família. Ele ajudava todo mundo, mas gostava de política. Chegou na farmácia de meu pai e disse que eu ia ser candidato. De pronto, não quis. Mas meu pai também tinha um pendor político e achou que seria bom, já que eu era estudante de advocacia. Entrei na política, fui candidato pelo PSP. Fiz 255 votos. Entre meu grupo, fui o mais votado. Mas não liguei muito. Estava mais preocupado com a faculdade, em estudar. O VEREADOR Em 1957, Omair Zomignani era vereador e resolveu criar o confinamento do meretrício. Todo mundo ficou assustado, mas ninguém queria brigar com Omair. Ele era forte, ninguém ganhava dele. Então, certo dia, Nicolino (de Lucca) me chamou em seu consultório e anunciou que eu deveria assumir uma cadeira na Câmara de Vereadores. Já tinha até esquecido que era suplente. Fazia apenas a política acadêmica, eu e Tarcísio. Nós éramos terríveis, reconheço. Perguntei a ele o que faria na Câmara. A ordem, claro era combater o Omair, adversário do PSP. O PSP era Ademar e ele, Jânio. A política era isso. Duas correntes antagônicas. Não pode ser como hoje, todo mundo é Lula. Naquela época, ou era Jânio, ou Ademar. Eu fui. A Câmara estava lotada. Me apresentaram como o sangue da juventude. Todos

falaram. Defenderam as mulheres. Na minha vez, comecei na Bíblia, Maria Madalena. Depois, falei das cortesãs. Finalmente, mostrei o Código Penal, artigos 228 e 229, do favorecimento à prostituição. Estava lá. É crime. Letra morta, mas crime. Fui contra. Defendi as mulheres alertando sobre o problema social, que não é trabalho do vereador. É um problema da polícia. O projeto foi rejeitado. No dia seguinte, o Jornal de Jundiaí publicava: “Nasce um líder”. E não saí mais de lá. Apresentei projetos, participei ativamente. Trabalhava, atingia o povo, brigava. Se o prefeito mandasse algum projeto de cunho demagógico, por mim não passava. Em 1959 fui o candidato a vereador mais votado de Jundiaí, ultrapassando a barreira dos mil votos. Novamente, em 1963, recebi o maior número de votos.

E fomos eleitos no dia 15 de novembro de 1968. No dia 13 de dezembro, baixaram o Ato Institucional número 13. Apesar disso, nunca tive problemas com os militares. Nunca me pediram nada nem interferiram na minha administração

PREFEITO EM 1968 1968 foi o ano da rebeldia. Sentíamos o vendo da mudança. Eu era candidato a prefeito, tendo como vice meu amigo Tarcísio Germano de Lemos. Entre nossos adversários, Omair Zomignani, que tinha sido prefeito e deputado. Forte. O outro era Virgílio Torricelli. Eram pessoas de prestígio, muito queridos e economicamente em melhor situação que nós. Nossa campanha - sem desmerecer as outras - foi a mais bonita. Linda de morrer. Ganhamos a eleição por dois motivos: plano de governo estruturado e gogó. O que

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nós fizemos de discurso você não imagina. Subíamos em caixa de cebola. Nossa campanha representava a juventude, o sonho, o ideal, a vontade de sacudir. Dizíamos: Vamos rasgar a cidade. Apresentamos dez pontos de governo, a exmplo de Juscelino Kubitschek, que tinha ganhou com um plano de metas. Jundiaí já se ressentia com falta de água. Um candidato disse que ia comprar dez caminhões de água. Nós respondemos: Wamor irá buscar água na fonte. Fazia mais de dez anos que não se via uma empresa em Jundiaí. Prometemos: criaremos o Distrito Industrial. E fomos eleitos no dia 15 de novembro de 1968. No dia 13 de dezembro, baixaram o Ato Institucional número 13. Apesar disso, nunca tive problemas com os militares. Nunca me pediram nada nem interferiram na minha administração. Cumprimos tudo. Criamos o São Vicente (1969). Em quatro anos, fizemos 27 escolas, o prédio da Câmara, quartel do bombeiro. Começamos a Avenida dos Imigrantes. Não conseguimos terminar por impedimentos jurídicos. Íbis (Cruz) concluiu. Ele, inclusive, foi até elegante. Sabia que a obra era minha e me chamou para inaugurar. Começamos a 9 de julho, a Samuel Martins, ligamos o Caxambu com a Antônio Borin. Mexemos em Jundiaí. Só não conseguimos rasgar a Avenida dos Ferroviários, projeto que concluí no segundo mandato. O SEGUNDO MANDATO Na segunda campanha ainda éramos moços, cheios de energia, mas com experiência. Conhecíamos o que realmente eram os políticos brasileiros, principalmente os paroquiais. Na máquina da Prefeitura tinha um animal político, meu desafeto, professor Oswaldo José Fernandes. Fizeram um grande negócio com a Caixa Econômica, a força da administração. Eu levei comigo meu mestre e professor, Pedro Fávaro. Não dava

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para ganhar dessa dupla. Walmor e Pedro Fávaro: experiência em dobro. Esse era nosso slogan. Falavam que eu era louco e o Pedro atrapalhado. Disseram tudo, menos três coisas: que fôssemos vagabundos, burros e saqueadores do erário público. Não tínhamos nódoa ou qualquer tipo de maracutaia. Erramos como prefeito e vereador, porque errar é humano. Mas nos doamos ao município. Entramos e saímos com o que tínhamos. Apesar de mais experientes, o segundo mandato foi uma loucura. O Sarney nos largou com uma inflação de 84%. Depois, entrou o Collor, cuja primeira ação foi confiscar a poupança. Aí, vieram os vários planos: Collor, Bresser, Verão. Quando tudo parecia que não poderia ser pior, veio o Impeachment. Aonde tudo isso pegou? Na arrecadação do Estado. Os municípios viviam com 80% da arrecadação do ICM. Quando eu saí, fazia cinco ou seis meses que a Prefeitura não tinha dinheiro. A Guarda Municipal andava à pé porque não tinha dinheiro para pagar a gasolina nos carros. Depois, Fleury depositou e eu deixei para o Benassi o equivalente a R$ 30 milhões. Porque ninguém mora na Federação nem no Estado. Todos moramos no município e é daqui que tem que sair tudo. E o prefeito tem que se virar. Mesmo com tudo isso, fizemos muita coisa. Nossa primeira ação foi reabrir a Faculdade de Medicina. Depois, abrimos a Avenida dos Ferroviários, que não havia conseguido concluir no primeiro mandato. Compramos e pagamos a Argos e fizemos a maior creche de Jundiaí. Fizemos onze postos da Guarda Municipal, criamos guarda feminina e florestal. Asfaltamos uma infinidade de ruas, trocamos redes de esgoto. Atingimos 96% da cidade centro, zona periférica e rural com o serviço de água tratada. Na Rio 92, fomos citados como exemplo de água tratada. São obras que não aparecem. Na área de Esportes, fizemos o

Sororoca, Ginásio Romão de Souza entre outros. A IMPORTÂNCIA DAS INDÚSTRIAS Jundiaí sempre foi uma cidade versátil industrialmente falando. Tudo é questão de ir atrás. E eu ia. No meu primeiro mandato, num domingo, eu estava lendo o “Estadão” e me deparei com a notícia de que a Petri queria sair de São Bernardo. Às 10 horas eu estava na empresa. Consegui o nome do engenheiro responsável e fui falar com ele. Quando ele me questionou o motivo da escolha de Jundiaí, soltei o verbo: maior entroncamento rodoferroviário do Brasil; ligação com o maior porto exportador e importador; duas escolas SENAI; facilidade de acesso e etc. Ele veio para cá e fomos almoçar nas Carpas. Me perguntou: “O que a Prefeitura dá?” Respondi: “A cidade. E não vamos ter nem comissão nas vendas. Fale direto com o proprietário”. E deu no que deu.

Perdemos as indústrias que mais faturavam em Jundiaí. Isso a partir de 1993, depois que eu saí. A Vulcabrás, que foi para o Ceará. A Filobel, a Fleischmann entre outras. Perdemos no governo do PSDB, não foi no meu. Não vou entrar no mérito de porque mudaram. O fato é que a cidade perdeu.

Quando quis trazer a Cocacola para a cidade, tomei meu primeiro processo. Depois de velho, experimentado, um advogado com 40 anos de profissão que sabia manejar a lei. Me acusavam de querer secar a água da Serra do Japi. A fábrica da Coca que vinha era a mais moderna das Américas. Estávamos falando em mil e duzentos em-

pregos diretos, além dos indiretos. Meus adversários queriam morder o cotovelo, porque a indústria tinha o maior mercado cativo da América do Sul. Eles queriam 55 litros de água por segundo. A Prefeitura tinha o DAE, que por sinal foi eu quem criei em 1969 para trazer água do Rio Atibaia. Já naquela época eu sabia que água seria moeda de troca do século XXI. Aquilo é uma autarquia da Prefeitura. Água é do povo. Se resolveram privatizar, foi depois que eu saí. Deixamos correr o processo. Os vendedores de fumaçavam fazendo grande oposição. Na negociação, a empresa construíram a segunda adutora do Rio Atibaia. Essa é a verdade. A Coca Cola está aí. Perdemos as indústrias que mais faturavam em Jundiaí. Isso a partir de 1993, depois que eu saí. A Vulcabrás, que foi para o Ceará. A Filobel, a Fleischmann entre outras. Perdemos no governo do PSDB, não foi no meu. Não vou entrar no mérito de porque mudaram. O fato é que a cidade perdeu. A MULHER Sou um grande admirador das mulheres, sob todos os ângulos. Acho que das coisas boas que Deus colocou no mundo – e Ele colocou muita coisa boa – a melhor delas foram as mulheres. O mundo mudou, as pessoas mudaram. Os conceitos também mudaram. Hoje o homem tem coragem de dizer o que seria sem a mulher. Não seria nada. A sociedade de antigamente era formada por hipócritas. Se você fizesse algo que não estivesse no “script”, ou era louco ou viado. Não escapava disso. Quando um casal está junto, enquanto a mulher é viva, ela mantém a família unida. Pode não ter uma explicação lógica, mas é verdade. É ela quem cria os filhos, os encaminha. Vê cada um seguir seu rumo. Aonde é o pouso do homem? Onde ele encontra a pessoa amada, a outra metade. Você pode estar na Ilha de Bali. Quando lembra da pessoa amada, bate


uma saudade que não há paisagem que supere. VIDA A vida tem coisas ruins, terríveis, abomináveis. Mas também tem tanta coisa boa! O dom que Deus deu nos deu deve ser bem aproveitado. Sou uma pessoa com mais sonhos que recordações. Não abomino o passado, mas penso num tempo melhor. Um tempo de bonança, de salto de qualidade no País. O ADVOGADO Sou um legalista. Lei é lei. Muitas vezes dói, mas é o velho preceito jurídico que deve prevalecer: Dura Lex Sede Lex. Se a lei não restringisse alguma coisa, não normatizasse os nossos atos, o que seria do mundo? Com tanta lei já é difícil. As barbaridades que a gente vê por aí! PÁTRIA O que falta no Brasil é patriotismo. Quando o brasileiro usa a bandeira? Usa no jogo de futebol. Aí você vê a bandeirinha no carro, os jogadores se abraçando com a bandeira. O que falta no brasil é brasilidade.

Já li de tudo. Gosto de ler. Do muito que leio, pouco aprendo. Reconheço isso. Meu lema é Deus, Pátria e Família. Aprendi com meu pai.

Um amigo senador me deu o Dicionário Tupi Guarani, uma edição do Congresso Nacional. Fiquei cinco anos lendo. Li inteiro. Isso me fez abrir os olhos para o significado que ninguém sabe. Já li de tudo. Gosto de ler. Do muito que leio, pouco aprendo. Reconheço isso. Meu lema é Deus, Pátria e Família. Aprendi com meu pai. ADMIRAÇÃO Desde que entrei na política, Jundiaí teve diversos prefeitos. Cada um fez o que devia fazer. Uns mais assodadamente, outros com menor ênfase. Todos, porém, deixaram sua marca. Os que fizeram olhando para o fu-

turo, mexeram nas estruturas da cidade, foram Vasco Venchiarutti e Pedro Fávaro. Os dois entraram e saíram com o que tinham. Nunca soube que estivessem envolvidos em qualquer tipo de negociata, falcatrua ou desonestidade. Tanto na vida pessoal como na pública. Isso é importante. É a vergonha na cara que acompanha o homem desde que ele nasce. Não eram inrustidos, dissimulados, nada disso. Eram políticos com P maiúsculo. A VOLTA Antigamente, o sujeito chamava o prefeito e dizia: “Olha, “bota” um bico de luz na minha rua. Minha filha sai da escola às 10 horas da noite e eu tenho medo.” O prefeito ia lá, via e fazia. Porque político, na essência, é o que se preocupa com o bem estar daquele que mora lá no fim. Que às vezes quer uma pinguela para ter condições de se locomover. Hoje, a política virou um negócio diferente. Estão usando os cofres públicos para tirar vantagem de ordem econô-

mica. E isso no Brasil inteiro. O ideal morreu. São empresários exercendo cargo público. Os militares, usando a violência, ficaram no poder por 21 anos. O grupo que governa Jundiaí está há 24. Não usam a violência nem a truculência. Mas praticam uma espécie de ditadura econômica. Ninguém fica sabendo quais os problemas de Jundiaí. Estão todos engajados: Câmara, Imprensa etc. Por isso, acho que está na hora de dar uma mexida na cidade. Estou fechando meu escritório de advocacia e ano que vem volto para a política. No fundo, o ser humano é um animal político por natureza. Vamos fazer mudanças, sim. Apoiarei um grupo mais jovem e vou sair às ruas. Conheço um pouco da cidade. Sem ser exagerado ou vaidoso, vou tentar, dentro do que aprendi e convivi, mostrar ao povo o que é a política. Mostrar que a democracia tem uma característica universal, um conteúdo essencial básico: a alternância de poder.

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Animais domésticos são desafios para o poder público A busca por melhores condições sociais é um trabalho com começo, mas seguramente sem fim. Conseguir vencer as distâncias sociais num País como o Brasil é um trabalho incessante e os desafios se renovam diariamente. Essa preocupação, porém, embora prioridade, não pode ser vista como limitadora ou mesmo paralisante diante de outros desafios que encontramos na vida moderna. A queda acentuada na taxa de natalidade, que se alia a um crescente aumento na expectativa de vida, produz alguns fenômenos sociais que merecem a nossa atenção. Dessa forma, o aumento do mercado pet (notadamente cães e gatos) se acentua a ponto de produzir novas demandas também para o poder público. Claro que a situação dos animais com procedência, pedegree e origem é bastante diferente daqueles que vivem em situação de abandono ou em companhia de moradores de rua. Muitas desses acontecimentos acabam se aprofundando e não raro, tornam-se questão de saúde pública com a intervenção do Departamento de Zoonoses. Na opinião da veterinária Carmen Sílvia Pierobon, uma das mais atuantes e respeitadas de Jundiaí, é preciso leis mais claras e rígidas para reger a relação da sociedade civil com os animais. “Volta e meia me deparo com animais abandonados no portão da minha clínica. A ausência de leis que estabeleçam punições severas para maus tratos ou abandono têm o efeito perverso de estimular essa prática”, acredita. Segundo ela, a castração em massa de animais em situação de abandono ou mesmo aqueles sob a guarda de moradores de rua deveria ser um procedimento padrão. “Não se trata nesse caso de uma escolha individual, mas uma opção coletiva”, diz. Para ela, ao criar um ato compulsório como esse da castração, também é necessário que o poder público ofereça o serviço de forma eficiente e gratuita para os casos indicados. Ela vai mais além e defende que esse procedimento seja estendido de maneira indiscriminada para toda a sociedade.

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UIPA: amparo a cães abandonados

Carmen Pierobon - é preciso leis mais claras e rígidas para reger a relação da sociedade civil com os animais

Ex-presidente da DAE e atualmente candidato a deputado federal, Eduardo Palhares tem buscado, dentro do Partido Verde pelo qual milita, defender uma atuação mais acentuada dos parlamentares que trabalham para a melhoria dessa relação. “Acredito que já está na hora de o poder público enfrentar de maneira plena todos os fatos que envolvem os animais domésticos e aprimorar a legislação para não só defendê-los, como também buscar o interesse da comunidade”, diz. Eduardo Palhares lembra que em Jundiaí, a UIPA desempenha um papel vital como destino de centenas de animais em situação de abandono. “No período em que estive à frente do DAE, pude conhecer de perto a atuação dessa ONG e ver a forma séria como eles conduzem o trabalho. Por isso mesmo acabamos contribuindo na solução do destino do esgoto que ficava no terreno da entidade”, lembra. O local enfrentava problemas devido aos dejetos de animais atendidos pela entidade e também por cau-

sa do esgoto que era jogado no córrego pelas residências presentes no local. Esse era uma reivindicação antiga, que acabou solucionada após a intervenção dos técnicos do DAE.?As obras, iniciadas no primeiro trimestre de 2007, somaram no total 2.000 metros de extensão de rede de esgoto beneficiando, além da UIPA, mais de 600 pessoas residentes na região. “A importância não foi somente a facilidade que trouxe para a população local, mas toda cidade ganhou. Com a coleta da rede de esgoto os dejetos deixaram de ser jogados no córrego, diminuindo a poluição da bacia”, lembrou Eduardo Palhares. O candidato lembra também que alguns vereadores do Partido Verde, como Leandro Palmarini, de Jundiaí e Feliciano Filho, de Campinas possuem uma atuação exemplar nessa área. “Está no DNA do Partido Verde a busca por práticas que melhorem nossa vivência e a própria relação com o ambiente de uma maneira plena”, concluiu Eduardo Palhares.

Eduardo com Campari – “A luta por uma sociedade mais justa é prioridade. Mas não pode paralisar a busca por leis que rejam outras esferas da sociedade”

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saúde

TABAGISMO O homem é um ser que está constantemente em contato com os fenômenos cósmicos. A sua presença na Terra é submetida a influências do alto ( equilíbrio do universo), o baixo (a Terra com todos os componentes – ar, solo, clima, radiações, etc...) e o médio (as coisas próprias do ser humano). Na medicina chinesa algumas referências bibliográficas remontam séculos antes de Cristo e um dos autores, Khi Pa, no livro So Ouenn descreve imagens que reproduzimos. “Entre o Céu e a Terra existem seres entre os quais o homem é o mais nobre e precioso. Graças à energia do Céu e da Terra e também aos alimentos e líquidos, vive seguindo a regra das quatro estações – nascimento, crescimento, conservação e declínio – para desenvolver, crescer e morrer”. Assim a influência do mundo natural sobre a existência do homem é primordial no estudo da medicina que considera a vida o resultado da interação física, mental,

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emocional e espiritual. Um órgão do nosso corpo é o Pulmão e dentre as várias funções que apresenta a primeira é nos colocar em contato com o meio ambiente – “inspirar o ar e dele se livrar”. Inspirar o ar e expirar ou também podemos falar – chegar e deixar o mundo físico o que representa a primeira inspiração ao nascermos e a última expiração ao nos despedirmos da vida. Mas, durante uma vida, este órgão é sobrecarregado pela influência do clima, com todas as consequências da poluição crescente e, pela prática terrível, que chamamos de tabagismo. O tabagismo consiste no processo de tragar a fumaça da queima do tabaco e centenas de substâncias tóxicas que invadem os alvéolos pulmonares destruindo-os. Tragar essa fumaça da queima do fumo leva o corpo humano a ser invadido por substâncias que o induzem ao aparecimento de complicações circulatórias e finalmente ao Câncer de pulmão ou de outra estrutura do corpo.

E, ao sairmos do olhar carinhoso do homem da antiguidade para o meio ambiente, retornamos aos números estatísticos do século XXI que ilustram muito bem o que acontece no presente. O tabagismo é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que 1/ 3 da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas ( entre os quais 200 milhões de mulheres), sejam fumantes. O total de mortes devido ao tabaco atingiu a cifra de 4,9 milhões de mortes anuais, o que corresponde a mais de 10 mil mortes dia. No Brasil estima-se que cerca de 200 000 mortes/ano são decorrentes do tabagismo (OPAS, 2002). O tabagismo gera uma perda mundial de 200 bilhões de dólares por ano, sendo que a metade ocorre em países em desenvolvimento. E o tabagismo passivo é a

terceira maior causa de morte evitável no mundo, subsequente ao tabagismo ativo e ao consumo excessivo de álcool. Todos esses números são para meditarmos sobre a nossa parcela de responsabilidade com o planeta Terra. Nesses dias em que enfrentamos a extrema secura e poluição do ar que respiramos podemos projetar o que acontecerá num futuro próximo – “respirar o ar e não conseguir respirar”.

Jaime Carlos Orsi Savazoni, Clínico Geral especializado em medicina chinesa e homeopatia


LABORATÓRIO PEDIÁTRICO

Anchieta

Com a intenção de oferecer um atendimento diferenciado a crianças e portadores de necessidades especiais, o Laboratório Anchieta inaugura em setembro o seu Laboratório Pediátrico. O local com 180 m², fica na Rua Bom Jesus de Pirapora, região considerada como o novo pólo de saúde na cidade. De acordo com o supervisor técnico do laboratório, Luis Roberto Del Porto, a ideia de criar esse ambiente diferenciado surgiu devido a necessidades dos pacientes. Atualmente, cerca de 20% das pessoas atendidas são crianças, mas esse público requer cuidados especais. “As crianças têm uma peculiaridade que é o medo e, isso precisa ser trabalhado de uma maneira diferente”, comenta Del Porto. “Pensamos em

um espaço onde elas pudessem brincar antes da coleta e, também, em profissionais especializados no atendimento”, explica. A questão da acessibilidade também foi contemplada no projeto. “O prédio foi planejado atendendo a todos os quesitos para a acessibilidade”, destaca. Del Porto afirma que o novo laboratório, assim como as demais unidades, busca a excelência no atendimento. O Laboratório Anchieta, do grupo Unilab, possui unidades instaladas em Jundiaí, Campo Limpo Paulista, Itupeva e Várzea Paulista. Acesse www.labanchieta.com.br e conheça os endereços e telefones de todas s unidades. O site ainda permite que o paciente acesse os resultados de exames virtualmente.

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Homens: Sem pelos e mais jovens Para bater recordes, os nadadores de elite decidiram se livrar dos pelos. O atrito com a água os fazia perder tempos. Essa eliminação acabou sendo seguida por outros desportistas. E, finalmente, por homens comuns. Sim, cada vez mais eles querem ter menos pelos. Chegam ao cúmulo de eliminar toda a barba. Se preocupam também em abolir sinais da idade, porém, sem perder a personalidade. Quanto aos cabelos, a meta é: conservar e recuperar. A dermatologista Valéria Campos, especializada em laser pela Harvard University, faz uma análise da evolução masculina no quesito beleza. Há cerca de 20 anos, os homens só procuravam um dermatologista para sanar problemas de pele. E mesmo assim, quando o assunto era sério. Hoje, de acordo com a médica Valéria Campos, esse comportamento mudou bastante. Claro que ainda não se compara com a busca feminina pelas questões estéticas. “Atualmente, tenho na minha clínica um movimento de 30% do público masculino”, diz ela. Quando chegam ao consultório, pedem eliminação de pelos, retorno dos cabelos e reju-

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venescimento controlado. Os homens dificilmente vão a um consultório dermatológico por conta própria. Geralmente chegam através de indicações – e solicitações – de esposas, amigas, namoradas ou irmãos. E, salvo raras exceções, jamais recomendam seu dermatologista para um colega. “Procuram falar o mínimo sobre o assunto. Muitos, quando me encontram fora daqui, evitam até cumprimentar”, diz Valéria. Pensando nisso, em sua nova clínica – em fase de construção – ela planejou um espaço separado para os meninos. “Eles não gostam de exposição, principalmente se estiverem avermelhados por conta de um procedimento”, conta ela. Assim, a equipe é orientada para que sejam rapidamente encaminhados a salas mais discretas. O perfil do público da dermatologista são homens ocupados, que procuram uma resposta rápida. Na sua maioria, profissionais liberais na faixa dos 40 anos para rejuvenescimento, manchas e remoção superficial de pelos. Os mais jovens – menor quantidade – são aqueles que querem eliminar grandes áreas de pelo. E, entre os mais velhos, aque-


les que querem prevenir-se do câncer de pele. A médica realiza um tratamento para o problema – fotodinamicoterapia - voltado àqueles que tomaram muito sol. Pelos Quando o assunto é remoção de pelos, a maior procura é por aqueles da orelha e final da barba, no contorno da gravata. Sobrancelhas que se emendam também. A geração mais nova tem chegado para eliminar a barba inteira. Há quem decida deixar peitos e costas lisos. A técnica usada pela profissional para a eliminação dos pelos é o laser, um procedimento definitivo. Por isso, quando chegam decididos a extinguir, por exemplo, a barba toda, ela desaconselha. “É pior que uma tatuagem. Não se pode voltar atrás”, explica. Entre as justificativas, os rapazes alegam que “odeiam” se barbear. Perdem muito tempo, o pelo encrava. Peles mais lisas são solicitadas principalmente pelas namoradas. Por causa do aumento da procura de remoção de pelos, a médica investiu numa máquina nova, que

tem uma ponteira 20 vezes maior que a anterior e causa menos dor. “Antes, uma costa demorava até seis horas para ficar pronta. Agora, são 20 minutos”, fala. Para ficarem livres para sempre dos pelos indesejados, são necessárias cinco sessões. Isso também depende um pouco das opções do rapaz. Se for um procedimento mais agressivo, é mais rápido. Valéria faz um alerta sobre a necessidade de se checar a qualidade do profissional. Um trabalho mal feito pode afinar o pelo, mas não remover. “O ideal é que a depilação à laser seja feita por um dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia”, enfatiza. Alguns cuidados são necessários, como o uso dos óculos de proteção e algumas normas da Vigilância Sanitária. “Desconfie dos valores extremamente baixos. Paga-se menos, mas o número de sessões é maior, o que acaba saindo mais caro”, fala. Rejuvenescimento Objetividade é a característica dos homens que querem parecer

mais jovens. Chegam sabendo o que quer melhorar, faz o procedimento e vai embora. “Ao contrário das mulheres, que estão sempre buscando novidades para parar o tempo”, explica Valéria. Para a médica, os homens envelhecem de uma maneira mais tranquila. Quando o assunto são cremes, preferem um produto para a noite – sempre com toque seco, sem óleo ou cheiro. Para o dia, filtro solar que suma do rosto. Não gostam da sensação umectante. “Os produtos devem ser diferentes para o público masculino. O mercado já acordou pra isso”, diz a médica. A dermatologista destaca também que os homens são mais exigentes. Não toleram atrasos e gostam de saber detalhadamente o quanto vão melhorar. Quanto aos procedimentos de rejuvenescimento, gostam da toxina botulínica, mas apenas para minimizar rugas ou expressões fechadas. Querem se livrar de manchas, vasos e pigmentos através do uso do laser. Não fazem preenchimento e a maioria é contra cirurgias plásticas.

Dois aparelhos que têm sido escolhidos por esse público é a LIP – Luz Intensa Pulsada, que remove as manchas, vasos e pigmentos e o Fitness da Pele. Essa última tendência cuida da flacidez. “Como se fosse uma musculação”, compara ela. Quanto a fama de que homem tolera menos dor que a mulher, a médica afirma ser verdadeira. “Mas quando estão motivados, aceitam o procedimento numa boa. Reclamam, mas toleram”, diz. Mais cabelo Uma queixa comum quando os homens procuram um dermatologista é a queda de cabelos. Valéria avisa que a melhor opção é o tratamento em casa. “Podemos até optar pelo laser, mas nesse caso não é definitivo”, explica. Quem tem tendências à calvície, já pode contar, ainda apenas no mercado externo – com a escova à laser. Aliado a ela, o medicamento oral continua sendo o mais indicado. “É o que mais funciona, principalmente se o problema ainda tiver no início”, diz.

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turismo

Os sabores de FOTOS: BRUNA DE BARROS LEITE

Ski Montain Park

Alcachofras Bonsucesso

Por Luciana Sanfins

SÃO ROQUE

Brasital Cantina Tia Lina

Vinícola Góes

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O céu azul nos deixou ainda mais animados para a viagem a São Roque, localizada a cerca de 90 km de Jundiaí e considerada a cidade da alcachofra e do vinho. As estradas tranquilas contribuíram para um passeio ainda mais gostoso. É fácil chegar: saindo de Jundiaí rumo a Rodovia dos Bandeirantes, Rodoanel Mário Covas, Rodovia Castelo Branco, São Roque. Placas indicativas por toda a cidade orientam muito bem os turistas de primeira viagem, como nós. Fica difícil se perder, mas se isso acontecer, os moradores estão sempre prontos a ajudar. O ponto de partida foi o Posto de Informações Turísticas (PIT) no Centro de São Roque, que funciona diariamente, das 9h30 ás 16h30, atendendo a todos os turistas que passam pela cidade.


Brasital

O roteiro começou com uma passagem rápida pelo Centro Educacional e Cultural Brasital, uma antiga fábrica têxtil de 1890, com 10 mil metros quadrados de área construída, rodeada por 10 alqueires de verde. A arquitetura de seus prédios foi cuidadosamente preservada. Árvores altas e caminhos rodeados por jardins são um convite a relaxar. Logo na entrada, um senhor fazia movimentos tranquilos de Tai Chi Chuan. O local mantém desde o início do ano uma loja de artesanato permanente, organizada pela Associação dos Artesões, que oferece

aulas e oficinas de trabalhos manuais. Hospeda também atividades artísticas, esportivas e serviços para a população. Lá também acontecem eventos como a encenação do Alto de Páscoa, o encontro de Carros Antigos e o Festival das Orquídeas. Tudo a preços acessíveis ou até mesmo com entrada franca. Deixamos o Brasital e seguimos para o Ski Montain Park. No trajeto, percorremos algumas ruas do Centro. Estreitas, mas com muitas lojas e restaurantes. A Igreja de São Benedito e a Igreja da Matriz estão localizadas nas redondezas.

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Esqui sem neve, mas com muita adrenalina

Para os mais corajosos: 400 metros de descida e muitas curvas

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Ambiente acolhedor

O instrutor Miguel se prepara para a descida

Para chegar ao Ski Montain Park subimos pelas curvas sinuosas da Estrada da Serrinha. E subimos muito, pois parque fica a mil metros de altitude, encravado em uma montanha. O local atrai famílias e jovens em busca de tranquilidade e também aventura. O boneco de neve gigante é uma de suas marcas registradas. As opções de passeios são muitas: bicicross, pista de motocross (apenas para profissionais), passeio a cavalo, trilha, arco e flecha, paint ball, playground, arvorismo, tirolesa, tobogã e mais. A grande atração é a pista de esqui e snowboard. A menor tem 100 metros de extensão; a maior, para os experientes e mais corajosos, 400 metros, curvas e uma velocidade média de 80 km/h. Para criar um ambiente ainda mais “escorregadio”, jatos de água e sabão são borrifados frequentemente nas placas que formam a pista. O instrutor Miguel Jaqueta explica que isso deixa o percurso ainda mais deslizante. Os equipamentos utilizados no Ski Montain Park são os mesmos das estações de esqui na neve. Os movimentos tam-

bém são idênticos. Enquanto observávamos alguns aventureiros, Jaqueta nos contou um pouco da sua experiência. Ele está no parque desde a sua inauguração e aprendeu a esquiar por lá mesmo. Anos depois, foi para a Argentina e deu aulas em estações de esqui com neve de verdade. “Coloca mais um pouco de sabão aqui”, pede o instrutor antes de descer a pista mais veloz do parque. O bate-papo convenceu a nossa fotógrafa Bruna a descer a montanha de neve artificial. Os instrutores lhe entregaram um par de botas cor de rosa e luvas. Jaqueta instrui a iniciante sobre a postura correta na descida. A sensação é de um frio na barriga, mas ela desce. Chega lá embaixo sem levar um tombo. Boa aluna! Para chegarmos até a saída do parque a alternativa mais rápida foi o teleférico. A vista panorâmica da cidade é belíssima. Para quem ficou com vontade de experimentar, a melhor opção é passar o dia inteiro no parque. Saiba mais sobre o Ski Montain Park no site da Revista Touché! www.revistatouche.com.br.

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Alcachofra é o destaque no cardápio Percorremos a Estrada do Vinho, repleta de sítios, adegas e restaurantes para chegar ao próximo destino: a Cantina Tia Lina, comandada há 10 anos pela família Goes. Na cozinha, Tia Lina e Carolina, uma de suas filhas. No salão, Mauro, o pai, e Maurinho recepcionam e atendem os clientes. No cardápio, massas, carnes e pratos com alcachofra, uma flor de origem italiana. O prato mais famoso é o rondelli quatro queijos servido no molho de tomate, coberto com molho branco e fundo de alcachofras. Esse também

foi o nosso pedido. Para acompanhar, uma generosa jarra de suco de uva. Delicioso. Nesta minha primeira experiência com a flor, optei pela alcachofra ao alho e óleo. Come-se com as mãos mesmo, tirando suas pétalas. Aprovado. Depois, foi a vez do rondelli quatro queijos com alcachofras. Massa leve, molho de tomate especial. E ainda provamos o nhoque ao sugo. Tudo natural e preparado na cantina. Saborosos. A coluna O Chef Ensina, traz receitas deliciosas preparadas com alcachofras. Na página 20.

Vinhos e mais vinhos Próximo a Cantina Tia Lina, ainda na Estrada do Vinho, está a Vinícola Góes, uma das maiores adegas da cidade e em funcionamento desde 1963. O lugar é exuberante. As milhares de garrafas expostas enchem os olhos de qualquer um. Os vinhos de mesa são engarrafados em São Roque, já os mais finos, chegam do Sul do país. O chope de vinho é uma das opções que podem ser degustadas. Em janeiro os visitantes podem participar da vindima. Passeiam pelo parreiral, colhem as uvas, participam da pisa e, após um ano, podem voltar a São Roque para provar o vinho originado deste processo. O lugar ainda oferece restaurante, cafeteria, loja de souvenirs e muito mais: gramados e um grande lago com carpas. Ambiente agradável e convidativo para um gostoso descanso após o almoço.

No site

w w w. r e v i s t a t o u c h e . c o m . b r Confira dicas de como preparar a alcachofra no site da Revista Touché!

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Primavera é tempo de alcachofra

É impossível estar em São Roque e não visitar uma plantação de alcachofra. Ao percorrer a Estrada do Vinho várias delas podem ser vistas. A região se destaca como o maior produtor do Brasil. Fomos até o Sítio Cacique para conhecer a Alcachofras Bonsucesso. Ao descer do carro nos deparamos com uma grande horta com folhagens verdes e algumas flores arroxeadas. São elas, as alcachofras. Quem nos recepcionou foi Ana Lídia Camargo Ortmann, que há 15 anos trabalha com o cultivo da flor. São três mil pés de alcachofras, que na Primavera dão cerca de oito flores cada uma. Ela explica que a região de São Roque é apropriada para o cultivo, pois é alta, fria e possui bom solo. Além das alcachofras in natura, o sítio também produz conservas, patês e tortas com a iguaria. Durante a safra são produzidas 300 unidades de alcachofras em conserva por dia. Tudo cuidadosamente preparado, embalado e arrumado na loja do sítio. Doces e compotas também tomam conta das prateleiras, todos elaborados com até 40% menos açúcar.

Sabores da cidade atrai visitantes Alcachofras e vinhos são os principais sabores da 18ª Expo São Roque, que acontece nos finais de semana e feriado de 8 de outubro a 2 de novembro, no Recanto da Cascata. O evento faz parte do calendário oficial da cidade e recebe milhares de visitantes anualmente.

Recanto da Cascata

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o chef ensina

Receitas com a flor Nesta edição visitamos a cidade de São Roque, no interior de São Paulo e trouxemos de lá duas receitas com alcachofras, uma flor de origem italiana que conquistou o paladar dos brasileiros. Carolina Goes, formada em Gastronomia e uma das

Alcachofras ao alho e óleo

chefes de cozinha da Cantina Tia Lina, nos ensinou a preparar dois deliciosos pratos. Acompanhe.

INGREDIENTES: 9 4 alcachofras 9 1 dente de alho 9 2 dentes de alho à dorê 9 1 caldo de galinha 9 Azeite 9 Água 9 Sal a gosto

PREPARO: Corte os talos das alcachofras e aproveite apenas as flores. Aqueça o azeite, refogue o alho, acrescente as alcachofras e dê uma leve refogada. Dissolva o caldo de galinha em água quente e coloque aos poucos sobre as alcachofras. Acrescente sal aos poucos. Mantenha a panela tampada por cerca de 40 minutos. Jogue o alho à dorê em cima das alcachofras. Importante: a água precisa estar sempre quente, caso contrário, as alcachofras podem ficar endurecidas.

Rondelli quatro queijos com alcachofras INGREDIENTES: 9 6 rondellis recheados com quatro queijos (mussarela, provolone, parmesão e requeijão) 9 6 corações de alcachofras 9 500 ml de molho branco 9 Molho de tomate, de preferência caseiro 9 Alho, cebola e salsinha a gosto

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PREPARO: A sugestão de preparo para o molho branco é tradicional, com leite, manteiga, farinha de trigo, sal e condimentos. Reserve. Os corações das alcachofras devem ser fervidos e cortados em cubinhos. Em seguida, acrescente a cebola, o alho, a salsinha e demais condimentos a gosto. Em uma forma, despeje o molho de tomate, acomode os rondellis. Despeje o molho branco, as alcachofras. Salpique com mussarela e leve ao forno para gratinar por cerca de 50 minutos.


saúde

Cuide bem do seu sorriso Prevenir é mesmo melhor do que remediar. E também mais barato. Os cuidados com os dentes devem começar ainda na gestação, pois uma boa alimentação neste período contribui para uma formação adequada da primeira dentição do bebê. Mas hábitos alimentares saudáveis e visitas regulares ao dentista devem permanecer durante toda a infância, adolescência e vida adulta. Pensando nisso, a Uniodonto há 22 anos colabora para manter saudáveis os sorrisos de 25 mil usuários em Jundiaí e região. Planos com valores acessí-

veis permitem que qualquer pessoa ou empresa usufrua dos serviços oferecidos pela cooperativa, que conta com uma ampla cobertura. Seu corpo clínico, formado por profissionais especializados e experientes, atende pacientes que necessitam de tratamento preventivo, dentística, periodontia, cirurgia, endodontia, próteses, emergências e outros procedimentos. Os usuários dos planos odontológicos da Uniodonto têm a disposição 120 dentistas, nas mais variadas especialidades, além de clínicas radiológicas. O usuário pode escolher em qual

consultório deseja ser atendido, podendo assim, optar pelo profissional cooperado e local de sua preferência. Ações sociais são frequentemente realizadas, em conjunto com empresas parceiras, e levam à população orientações sobre escovação, prevenção de doenças bucais e saúde. Recentemente a Uniodonto de Jundiaí recebeu uma das melhores notas do Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS), entre as 350 operadoras do setor no Brasil. Tal fato comprova a boa administração e o excelente atendimento aos usuários.

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serviço

Uniodonto Planos Odontológicos Telefones: 11 4521-1415 11 4805-9999 Rua Petronilha Antunes, 211, Centro - Jundiaí www.uniodontojundiai.com.br

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O PRECONCEITO contra os brancos O frio já vai dando adeus. É a primavera que se aproxima. Chega o fim do ano, verão, sol e calor intensos. E, para muitos apreciadores de vinho, nem o calor de nosso País tropical abençoado por Deus e bonito por natureza é motivo para experimentar um bom vinho branco. Puro preconceito. Logo que o Brasil abriu seu mercado externo para os produtos importados, no início dos anos 90, prateleiras de vinhos foram inundadas com vinhos brancos docinhos de baixíssima qualidade. Era o famoso vinho branco “da garrafa azul”, uma espécie de suco de uva com álcool e muito açúcar e que, se por um lado era fácil de agradar paladares ainda pouco habituados a vinhos de qualidade, por outro fazia mais mal do que bem à saúde. Felizmente desapareceram. Apesar da péssima qualidade, estes vinhos em muitos casos tiveram o mérito de trazer muitas pessoas para o mundo do vinho. Pessoas que tiveram a curiosidade de seguir experimentando vinhos de diferentes uvas e países, Argentina e Chile sobretudo, e que hoje já abandonaram vinhos de baixa qualidade e bebem bons vinhos. Veja: não disse vinhos caros, e sim bons vinhos. Lembre-se: há, sim, bons vinhos em todas as faixas de preço. Voltando ao preconceito que existe em relação aos vinhos brancos, muitas pessoas, alguns até bons bebedores de vinhos, consideram o vinho branco um vinho ‘menor’, menos rico, complexo e muito menos prazeroso que um vinho tinto. Evidente que gosto não se discute, mas a

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má reputação dos brancos ainda se deve muito aos ‘garrafas azuis’ dos anos 90. Deixe o preconceito de lado. Aproveite os dias mais quentes para experimentar vinhos brancos. Tenho certeza que você ficará encantado pela deliciosa acidez, que refresca a boca e pede o próximo gole. Preste atenção como são vinhos vivos, alegres, cheios de aromas de frutas que nos são tão familiares, como maracujá, abacaxi, pêssego e limão, por exemplo. Veja como alguns lembram flores, como rosas, ou então ervas, como sálvia e alecrim. Dê uma chance para os vinhos brancos. Tenho certeza que será diversão garantida para os dias – e noites – quentes que já

„ Onde encontrar ROSSO BIANCO

chegaram. Ainda mais se forem acompanhados de peixes, crustáceos e frutos do mar. Veja alguns exemplos de bons vinhos brancos de diferentes preços, uvas e países: 9 Cruz Alta Sauvignon Blanc/Semillón – branco argentino muito refrescante, com uvas originárias da região de Bordeaux. Aromas de frutas, como abacaxi, ervas e ótima acidez. Custa cerca de R$ 20; 9 Salton Volpi Chardonnay – ótimo vinho brasileiro, feito com a ‘rainha’ das uvas brancas, que tem origem na Borgonha. Pequena parte do vinho passa por madeira. Repare que além da fruta ele tem notas deliciosas de manteiga e nozes. Custa cerca de R$ 30; 9 Alta Vista Premium

Torrontes – outro branco argentino muito fresco, sem passagem em madeira, que traz também os aromas mais doces e florais da uva Torrontes. Uma ótima compra. Cerca de R$ 40; 9 La Segreta Bianco – delicioso branco italiano feito na Sicília, sem madeira, com as uvas Grecanico, Chardonnay, Viognier e Fiano. Vinho rico, de boa complexidade, cheio e marcante. Uma ótima experiência! Cerca de R$ 50. Tiago Ribeiro cursou Jornalismo na PUC-SP, é sommelier formado pela FISAR (Federação Italiana) e atualmente conclui o curso de Sommelier Profissional da ABS (Associação Brasileira de Sommeliers). É proprietário da adega Rosso Bianco (www.rossobianco.com.br) e apaixonado por comer e beber bem.

Rua Conrado Offa, 535 - Chácara Urbana - Jundiaí - SP Telefone: 11 4497-1680 - www.rossobianco.com.br


educação

MATERNA DAY: lar doce lar Paredes coloridas, brinquedos por todos os lados, risadas divertidas e dezenas de crianças entretidas com atividades lúdicas e pedagógicas. A escola Materna Day foi idealizada para ser uma continuação da casa de cada criança, com estrutura especialmente planejada, equipe qualificada, total segurança e, claro, muito carinho e atenção. Com apenas dois anos de funcionamento, se destaca pela qualidade no atendimento e monitoramento eletrônico. A Materna Day nasceu do sonho da pedagoga e administradora Josane do Prado Piccolo. Ela pensava em criar uma escola especializada no atendimento da primeira infância, com grupos reduzidos, monitoramento e todos os cuidados que uma criança precisa ter. Durante a sua carreira como professora, conheceu de perto o cenário dos colégios infantis e berçários de Jundiaí e região. A partir dis-

so, foi possível absorver os pontos positivos, as experiências que deram certo e aplicar na Materna Day. “Criei um espaço que é a continuação de casa, quase uma casinha de bonecas”, comenta Josane. A equipe da escola inclui berçaristas, auxiliares de classe e professoras em tempo integral. A capacidade de atendimento é de 40 vagas, de três meses a três anos de idade, divididas em turmas de no máximo 10 crianças. Todas as profissionais recebem treinamentos periódicos, além de curso de Primeiros Socorros e outras atividades relacionadas ao bem-estar e saúde dos pequenos. Mães podem dar uma “espiadinha” Um dos diferenciais da Materna Day é o monitoramento eletrônico ao vivo feito por 16 câmeras, instaladas em todos os ambientes. Pioneira na cidade a utilizar esse tipo de mecanismo, a

atitude revela a transparência no atendimento às crianças e transmite segurança aos pais. De acordo com Josane, a maioria das mães fica insegura quando deixa seus filhos pequenos em escolas com grande número de alunos. “Em qualquer horário do dia, em casa ou no trabalho, os pais podem acessar o site da escola e, através do seu login, ‘espiar’ como está o seu filho”, explica. “É também uma maneira de matar a saudade, principalmente dos bebês”, aponta a diretora. A diretora diz que com o passar dos meses, os pais acessam as câmeras menos vezes, pois adquirem confiança nos profissionais e na escola. “Na Materna Day somos uma família. Juntos, criamos vínculos de carinho devido a convivência”, acrescenta. Estrutura A estrutura inclui Berçário planejado para receber bebês de três

Escola Materna Day

meses a um ano; Mini-grupos formados por alunos de um a dois anos, que são mais independentes e precisam ser estimulados; Maternal para atender crianças de três anos, com iniciação a língua inglesa e foco no desenvolvimento lúdico. “Essa divisão é necessária, pois as atitudes das crianças são diferentes”, comenta. “O nosso objetivo com os grupos reduzidos é realmente oferecer maior atenção e qualidade no atendimento aos alunos. As crianças precisam de cuidados especiais. Em turmas grandes isso fica quase impossível”, afirma a diretora.

www.maternaday.com.br

Rua João de Camargo Pupo, 55, Anhangabaú, Jundiaí (travessa da Av. Nove de Julho) - Telefone: 11 4523-0127 Horário de funcionamento: das 7 às 19 horas, de segunda a sexta-feira

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tecnologia

Em setembro, morreu a Web A Wired, revista americana comandada por Chris Anderson, autor de livros como a Cauda Longa e Free, decretou na edição de agosto o fim da Web. 20 anos após seu nascimento, a Word Wide Web enfrenta, segundo o autor, um declínio característicos do mundo capitalista. Para Anderson, é um caminho inevitável, e está no centro das revoluções industriais. O roteiro é simples. A tecnologia é inventada, distribuída e então aparece uma maneira de fazer a mesma coisa de outra forma. E a roda gira novamente. Foi assim com as ferrovias, com os telefones e até mesmo a própria distribui-

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ção dos canais de teve. Agora chegou a vez da Web. Segundo a Wired, apesar de crescer o número de pessoas navegando na rede, cada vez mais o uso de aplicativos aumenta diante da visita aos sites. Em outras palavras, as pessoas não estão querendo encontrar as informações. São as informações que devem buscar as pessoas. E aí vem a ideia do Twitter, Facebook e mais recentemente dos jornais que são automaticamente desacarregados em aparelhos como Ipad ou Kindle. Nem tudo está, porém, perdido no mundo da Web. O título do artigo já dá um sinal do que está se passando - The Web is dead. Long

live the internet. Nas mesmas páginas outro jornalista, Michel Wolff, constrói um outro texto onde defende que na verdade o que está ocorrendo é apenas um ajuste, uma maturação do modelo. Acredito que os sites das empresas devem ainda sobreviver por muito tempo no ambiente da internet, aprimorando o relacionamento com os internautas, fazendo uso das ferramentas sociais e construindo um modelo hibrido, onde tanto aqueles que buscam como os que recebem informações devam ser contemplados. A revolução digital prossegue, como permanece em andamento um modelo lucrativo de negócio para os sites, que

já mostram o esgotamento de soluções como os banner que insistem em piscar na nossa frente. A Web morreu. Viva a web!

André Barros, acredita que a internet não é o auge da revolução digital assim como o homem não é o ponto máximo da evolução das espécies. Será? tecnologia@revistatouche.com.br


O Jogo da Vida A vida é um grande desafio tal a necessidade de adaptação. Alguns a confrontam com um grande jogo, uma arte, sendo devida a comparação: tanto para viver como jogar, cada um tem suas estratégias para encarar acontecimentos. Considerados balizadores da humanidade, prazer, imprevisibilidade, papéis, simbologia, ritualísticas e regras fazem parte tanto da vida como do jogo. São pilares. Disto resulta a célebre frase “a vida imita a arte ou a arte imita a vida?”. Quando um adulto não preza os pilares do importante jogo da vida, não conhece as regras do jogo, o resultado poderá ser desfavorável. Para se ter ideia da abrangência do assunto, estudiosos como Jean Chateau defendem que trabalho, ciência, arte e religião podem ser considerados jogos sérios. Para os mais desavisados o tema talvez pareça uma simples brincadeira. Pois nada suscitou tantas pesquisas no campo da psicopedagogia nas últimas décadas. Pois é necessário aprender a jogar. Ocupar os espaços do campo escolhido. Cada projeto na vida requer a maestria de um enxadrista. Quer seja um novo trabalho ou um relacionamento afetivo, por mais experiência que se tenha, aquele momento se torna único. E desta forma também no jogo a maior atratividade é a imprevisibilidade. Se soubéssemos as enrascadas em que estávamos nos enfiando ao fazer determinadas escolhas, com certeza não tomaríamos algumas atitudes. Resultado, não seríamos nós mesmos. A previsibilidade mataria a riqueza de nossa história, apesar das adversidades e arrependimentos.

E são muitos os diferentes papéis assumidos no tempo regulamentar que nos é dado. Na intimidade dos pensamentos, sabemos as inúmeras situações a que fomos expostos, dos riscos quando ora protagonistas ou ora coadjuvantes. Mas o que seria da vida, ou do jogo, sem os riscos? E quem não gostaria de controlar o destino, assumir os detalhes do enredo escolhido? Como num jogo, estar na posição de reserva é quase como ser mais um espectador no show da vida. É preciso avaliar as oportunidades. Se a ousadia de uma jogada define a vitória, falta de atenção entrega o rei. Da possível associação entre a vida e o jogo, há quem acredite que a jogada perfeita é ficar na defesa. Se a retranca às vezes pode ser uma boa estratégia, tal opção contém suas armadilhas e pode nos levar a ficar em Xequemate. É bom refletir: algumas pessoas se enganam ao buscar a felicidade no isolamento, ao se distanciarem de tudo e de todos. Para evitar aborrecimentos, cortam relacionamentos, deixam de fazer coisas importantes. Esquecem que o grande valor do jogo é a participação. Ao se levantar barrica-

das para proteger o rei, cuidado para não exagerar, atenção aos sentimentos negligenciados e oportunidades perdidas. Um grande engano se dá, ao não se perceber que o cérebro precisa ser inchado de sensações geradas pelas interferências externas. Isto é esta vivo. É diferente não entrar no jogo do outro do simplesmente não entrar em campo ou não jogar. Afinal, jogar pode ser um bom remédio, uma espécie de catarse! Não tire o time de campo antes da hora ou do jogo acabar. Quem joga aprende a lidar com o outro, com os reveses de não controlar todas as situações ou de não se ter o domínio de tudo. Para Platão o diálogo era um jogo. Do jogo se tira a lição de que precisamos do outro, que jogamos contra mas ao mesmo tempo com o outro. Se aniquilarmos o adversário a partida finda. E desta feita, deixando de jogar e até de existir. Vivemos e jogamos a partir do outro. Se a vida não é um rascunho, as competências para o trabalho, estudo, relacionamentos entre outros são desenvolvidas conforme necessidades e enfrentamentos submetidos. É na luta do dia a dia, perden-

viver bem do ou ganhando. Evidente que todos queremos a vitória e o prazer. Mas para se chegar lá é preciso jogar. E então perder faz parte. E que coisa mais chata seria ganhar sempre. A partir de Bertolt Brecht podemos fazer valorosa reflexão: “Há homens que lutam um dia, e são bons. Há outros que lutam um ano, e são melhores. Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons. Porém há os que lutam toda a vida e estes são os imprescindíveis”. Pois o que vale é a boa batalha e não somente o resultado. Por isto tudo, acredite em você. Se mantenha atento e em forma. Use seus sentimentos e táticas. Assuma que o grande valor é participar. Nisto reside a sua qualidade de vida. Afinal, o grande jogo se dá dentro da gente.Nunca desista de jogar e sonhar!

Fernando Balbino Graduado em Educação Física pela UNESP de Rio Claro, mestre em Filosofia da Educação pela UNIMEP, doutor em Ciências Sociais pela PUC de São Paulo. viverbem@revistatouche.com.br

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taste

Bons Empórios no Mercadão Municipal de São Paulo Atualmente a palavra empório tem sido empregada em diversas atividades distintas como locais para grandes festas, casas de shows, principalmente country, lojas de roupas multimarcas, restaurantes regionais, etc. Não é raro encontrarmos os termos: empório da moda, empório do vinho, empório do queijo, empório cultural, entre outros. Em sua origem, a palavra significa um estabelecimento destinado à venda de viveres como secos e molhados, e outros itens necessários para a rotina de uma casa. Há alguns sinônimos que também definem a atividade, como: mercado, armazém, mercearia e bodega. É representante de uma das formas mais antigas da economia, o comércio, que em seus primórdios era quase que exclusivamente de mercadorias. No Mercadão de São Paulo encontramos diversos empórios com características distintas, que apresentam serviços diferenciados. São casas tradicionais que atravessam o tempo nas mãos de famílias, e passam por atualizações à medida que novas gerações assumem os negócios. A casa Irmãos Borges é um desses exemplos. Fundada em 1951, é sinônimo de variedade e qualidade, com destaque para alguns produtos originais como os chocolates La Bordini. É especializada em cachaças artesanais, oferecendo inúmeras marcas, com preços variados. Um dos produtos de destaque é o chocolate com pimenta, que faz sucesso por seu aspecto inusitado. Atende encomendas de todo o Brasil e possui entre sua clientela os principais hotéis e restaurantes do país. A Banca do Ramon tem mais de quatro mil itens das mais variadas procedências. A casa possui quatro endereços no Mercadão e um no bairro do Tatuapé. São ofertados

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produtos de qualidade como massas, laticínios, embutidos, cereais, condimentos e conservas alimentícias, porém o destaque são as azeitonas de tamanhos e cores variadas, o bacalhau, e os azeites, principalmente os de origem mediterrânea. É uma das mais antigas, aberta no mesmo ano da inauguração do Mercadão. A banca disponibiliza periodicamente uma lista de ofertas com excelentes produtos, incluindo azeites, bacalhau, vinhos, laticínios, queijos, etc. O Empório do Tio Ali é especializado em iguarias da culinária árabe, oferecendo uma gama de produtos típicos do Oriente Médio, com qualidade e bons preços. Os destaques ficam por conta do taratoor (molho de gergelim, alho e limão), e a variedade de tabaco especial para narguilé. O empório mantem um sistema de orientação para bares, lanchonetes e restaurantes interessados em ampliar seus negócios. Se você não tem intimidade

com a culinária árabe, mas pretende enriquecer os sabores de sua mesa com essa milenar e inigualável gastronomia, esse é o local ideal pra começar. Lá encontrará orientação sobre hommus, baba ghanouj, kibe cru, charuto de folha de uva, mjadra, etc. O Empório Chiapetta tem mais de 100 anos e encontra-se instalado no Mercadão desde 1933. Oferece uma grande variedade de receitas originais com destaque para aperitivos (destaque para a crocciata de muzzarela de búfala novella), dezenas de receitas de bacalhau (com evidência para as receitas: andaluz, à moda do Trento, Mantegato, à Conselheiro, à moda de Fiomefredo, à moda de Belmonte, com nozes, Dona Nena, à Carioca, entre muitos outros) e doces variados (zabaione, tiramusu, creme de mamão com mascarpone, panforte de Siena, etc.). Desde sua inauguração, a casa passou por três gerações da família Chiapetta, porém manteve a tradição no atendimento e na oferta

de produtos de qualidade. O Mercadão de São Paulo foi construído entre 1928 e 1933 para ser o maior entreposto de mercadorias da cidade, que na época tinha cerca de um milhão de habitantes. O projeto do renomado arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo ganhou destaque com os desenhos da facha feitos por Felisberto Ranzini. Os magníficos vitrais de Conrado Sorgenicht Filho descrevem as diversas etapas da produção de alimentos. O entreposto foi totalmente reformado na administração de Marta Suplicy em 2004, oportunidade que foi construído o mezanino que abriga diversas lanchonetes e restaurantes. De sua vocação original para o comercio de frutas, verduras, cereais, carnes, temperos, iguarias, bebidas, e outros produtos, após a reforma, surgiu um público voltado para a diversão e o turismo, sendo um excelente local para passear com familiares e amigos, e, logicamente, “fazer umas comprinhas básicas”.

Godofrêdo Sampaio Médico, escritor e aficionado por vinhos, charutos e boa mesa. Membro e ex-presidente da Academia Jundiaiense de Letras.

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