Page 1

touche_JULHO_11.pmd

1

28/7/2011, 12:10


touche_JULHO_11.pmd

2

28/7/2011, 12:10


O interior mostra sua força

editorial

a Mônica Tozetto, editor .br om e.c uch ato ist editora@rev

São Paulo é como o mundo todo. Da agricultura ao litoral. Da indústria ao artesanato, tudo parece apontar para uma diversidade rica e contemporânea. Mas onde o Estado mostra mesmo sua força é no interior. Os músculos das cidades afastadas da Capital adquiriram vida própria, modos de vida próprios e, acima de tudo, uma economia independente. A visita que a equipe da revista touché! fez a Águas de Lindóia apenas reforça essa tese. Claro, já visitamos várias cidades por aqui e é justamente quando olhamos dessa perspec-

tiva que podemos ver o pulsar desses municípios. Águas de Lindóia tem muita história para contar, muita gente bacana para conhecer e muitos lugares interessantes para visitar. A cidade se orgulha, por exemplo, de uma Nota Fiscal. O documento tem valor pelo fato da empresa que solicitou alguns galões das águas radioativas da cidade ser nada menos que a NASA, a poderosa agência americana espacial. Isso, pouco dias antes da histórica viagem que levaria os três astronautas a conquistar a Lua. Não há nada que comprove que aquele suprimen-

to viajou a bordo da Apolo, mas por outro lado nada que diga o contrário... Na touché! desse mês ainda, uma entrevista com Edison Maltoni. Filho de uma das famílias mais tradicionais da cidade, Maltoni vem contribuindo com a evolução do comércio de Jundiaí e região a partir das duas entidades que preside – a Câmara de Dirigentes Lojistas e o Sindicato do Comércio Varejista. Tem ainda os artigos mais comentados da cidade assinados por nossos colunistas exclusivos e muitas outras novidades. Acompanhe!

w w w. r e v i s t a t o u c h e . c o m . b r índice

4 7

Entrevista com Edison Maltoni

Destino: Águas de Lindóia

Consultoria de vendas com André Zem

14

20

Artigo: Sobre excessos e tranquilidades

16

Artigo: Um corpo que cai

21

Artigo: Conhaque e outros Brandys

Distribuição Gratuita

expediente Produção: Laser Press Comunicação Integrada www.laserpress.net – 11 4587-6499 Diretor Executivo: André Luiz de Barros Leite Editora: Mônica Tozetto

touche_JULHO_11.pmd

3

18

Nas prateleiras

Textos: Mônica Tozetto (MTB 33.120) Capa: Vinicius Checchinato Designer: Alexandra Torricelli Depto. Comercial: João Bosco Tiragem: 6.000 exemplares

28/7/2011, 12:10


( gente )

Edison Maltoni:

Sem medo de ser feliz! Por Mônica Tozetto Nascido e criado na Ponte São João, arregaçar as mangas para ajudar o próximo sempre foi uma meta na vida de Edison Maltoni. Administrador de carteirinha, atualmente com 42 anos, é presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL). Dirige ainda sua loja de equipamentos para informática. Conheça a história de uma figura marcada por atitudes arrojadas.

4 touché! touche_JULHO_11.pmd

4

28/7/2011, 12:10


Com Abram Szajman

Da educação recebida da família, conta que o pai era bastante severo. Palavrão nem pensar. “Nunca colocou a mão na gente, mas suas palavras doíam mais que isso”. A mãe muitas vezes foi obrigada a arcar com a criação dos sete filhos sozinha, já que Jairo viajava bastante por conta da vida política. “E ela fez isso com muita competência”. Trabalho duro Em 1994, Maltoni foi convidado a fazer parte da diretoria do Instituto Luiz Braille, ao mesmo tempo que ingressava no Rotary Clube. Deste último, foi presidente por duas vezes. “Fizemos muita coisa legal nestas duas gestões. Nosso maior orgulho foi poder entregar uma casa em cada mandato, prontinha”, conta. Para conseguir a verba necessária às obras assistenciais, os participantes da instituição têm como meta usar seu trabalho, conheci-

mento e rol de influência para promover ações e dessas ações, retirar o lucro necessário. “E isso fazemos com alegria”. Para ajudar o Braille, de onde ainda faz parte, Maltoni coloca a mão na massa. Além de estar à frente nos preparos dos eventos – como cozinhar, por exemplo – em festas onde a entidade participa com barraquinhas, ele e a família – filhos inclusive – trabalham no atendimento. “Esses eventos para nós são aguardados com ansiedade. Ali colocamos todo nosso carinho”, destaca.

Sou aquela pessoa que dá a ideia e quando vê, já está no comando

Edison Maltoni é o caçula de uma família de sete irmãos: três homens e três mulheres. O pai, Jairo Maltoni, que foi vereador, deputado estadual por duas vezes e federal – costumava brincar: “Tive três homens, três mulheres e o Edison”. Nasceu no hospital da Ponte São João, estudou no SESI do bairro e morou durante toda infância e juventude na avenida São João, onde hoje funciona sua loja de equipamentos informáticos. Um dos fatos que mais marcaram a infância de Maltoni foi a solidariedade ao próximo. Os pais sempre fizeram questão de ajudar quem quiser que fosse. “Meu pai trabalhava durante seis meses para comprar brinquedos e distribuir à criançada, montado em seu caminhãozinho”, conta. A influência do pai era tão forte nesse sentido que o pequeno Edison saia às ruas com rifas de cartela e batia de porta em porta. O dinheiro arrecadado servia para comprar ovinhos de páscoa para um orfanato da região. “Além das rifas, vendia jornal, papel... Depois, comprava os ovinhos, colocava em saquinhos e levava para as crianças”, lembra.

Líder Na sua trajetória de vida, quando menos percebe Maltoni já está à frente de algum projeto. Foi monitor de classe na época que cursava o colegial técnico em informática, nas Escolas Padre Anchieta. Da primeira turma de Ciência da Computação das Faculdades Padre Anchieta, era presidente do Diretório Acadêmico. “Sou aquela pessoa que dá a ideia e quando vê,

já está no comando”, conta. Com o CDL e Sincomércio não foi diferente. Em 2003 foi convidado a colaborar com as entidades através de seus conhecimentos de informática. Começou como adjunto e logo já ingressou como diretor. Durante muito tempo trabalhou na área de promoções, divulgação e jantares. “Adorava organizar os jantares para os associados”, conta. Depois de alguns anos, tor nou-se vice-presidente de Valdemar Bertazzoni. Em novembro de 2010 assumiu a presidência do Sindicato e em janeiro desse ano, da CDL. Maltoni chegou colocando sangue novo, com novas propostas, imprimindo características de modernidade. “Mudamos layout, repaginamos tudo, adesivamos os carros. Estamos trabalhando forte”. O resultado não poderia ser melhor. A diretoria vem investindo no relacionamento com seus associados e na divulgação de suas promoções, além da implantação de novos serviços. O resultado não poderia ser melhor. Em pouco mais de seis meses de trabalho, mesmo com o aumento da mensalidade, houve um acréscimo de 20% no núme-

touché! 5 touche_JULHO_11.pmd

5

28/7/2011, 12:11


ro de associados. E quem quiser conferir de perto, pode encontrar o presidente na sua cadeira todos os dias, às 7 horas da manhã. “Começo meu dia na CDL/ Sincomércio, despachando com minha equipe. Depois, ainda volto lá à tarde, para conferir se o trabalho está sendo feito”, assegura. Com uma postura firme, busca bom relacionamento e resultado.

Começo meu dia na CDL/ Sincomércio, despachando com minha equipe. Depois, ainda volto lá à tarde, para conferir se o trabalho está sendo feito

O empreendedor Apesar de ter optado por cursos na área da informática, Maltoni sempre gostou mesmo foi de administrar, negociar, gerenciar. Começou a trabalhar cedo, logo depois que terminou o colegial, ajudando o pai que possuía um porto de areia. Fazia cobranças, emitia notas. Assim que concluiu o terceiro grau, montou uma granja de codorna. “Fiz

Em Brasília, com o deputado Ricardo Berzoini

tudo. As gaiolas, sistema de água. Fiquei lá uns oito meses”, conta. Vendia ovos, esterco, as aves macho. Acabou vendendo para trabalhar no mercado de ações, onde ficou por dois anos e finalmente, junto com um sócio, optou por criar uma empresa de sistemas de informática. O negócio estava indo bem mas a dupla percebia duas coisas: que quem comprava o sistema precisava de máquinas; e assim que dava um problema, nunca se sabia de quem era culpa – sistema ou máquina. Solução: decidiram vender computadores também. A decisão provou-se correta. Cresceram tanto que chegavam a montar 16 computadores por dia. Uma

grave crise financeira, porém, o pegou desprevenido. Teve que se desfazer de vários bens para recuperar seu negócio. Ainda se reerguendo do tombo, Maltoni garante que o segredo do sucesso para quem trabalha com o público é o atendimento. “Preço tem até melhor do que o meu. Atendimento e prazo é o que o cliente precisa”. A família Apesar de morarem no mesmo bairro, Edison e Cristina acabaram se conhecendo na faculdade. Ambos eram presidentes de seus diretórios acadêmicos. Ele, de Ciências da Computação e ela, de Psicologia. Casaram-se em março de 1995. A primeira filha,

6 touché! touche_JULHO_11.pmd

6

28/7/2011, 12:11

Naira, nasceu em 1997. Guto em 2004. Maltoni define a esposa como seu porto seguro. “Quando temos algum problema mais sério, eu me desespero. Ela é quem segura a barra”, diz. Como pai, costuma ser firme com relação a horários e visitas à Internet. Mas, por outro lado, não perde uma festinha da escola, adora fotografar e estuda junto com as crianças. Se culpa um pouco, porém, por acreditar que acaba abandonando a família, em vista das várias reuniões de trabalho. Nas horas vagas – que talvez não sobre muito – Maltoni gosta de pescar. Mas o hobby preferido é cozinhar. E, claro, com casa cheia.


( destino)

A aprazível

Águas de Lindóia Fotos: André Luiz de Barros Leite. Texto: Mônica Tozetto

Balneário A busca por melhores condições de saúde trouxe o médico italiano, Francisco Tozzi, a Socorro, em 1900. Logo depois, ele conhece a história de um padre da cidade de Lyndoia, vizinha a Socorro e Serra Negra, que havia sido curado de um eczema de pele utilizando as águas que jorravam a 28 graus de um morro, conhecido como Águas Quentes. Ele mandou analisar a água e confirmou seu poder curativo. Adquiriu as terras ao redor das fontes e, em 1910, iniciou a construção das Thermas de Lindoya. Como o local era muito distante para as condições de transporte da época, Dr. Tozzi precisou providenciar uma infraestrutura mínima para os operários contratados. Nasciam então as primeiras ruas, armazéns, casas, farmácia e escolas da cidade. As histórias de cura ganharam o Brasil, atraindo pessoas e propiciando o início do engarrafamento de água mineral, em 1916. Essas águas podiam ser adquiridas pelos clientes e também eram enviadas à Serra Negra em carroças por um produtor de vinho da região. De lá, seguia para outras cidades.

touché! 7 touche_JULHO_11.pmd

7

28/7/2011, 12:11


FOTO: DIVULGAÇÃO

Grande Hotel Glória Como Dr. Tozzi precisasse investir pesado no desenvolvimento da cidade, os recursos financeiros acabaram sendo prejudicados. A solução foi a construção de um hotel moderno, que atraíssem hóspedes de melhor poder aquisitivo. Em 1929 surgia o Hotel Glória, hoje Grande Hotel Glória, que mudou a rotina do lugar. Lá, aconteciam sofisticados bailes com música ao vivo, mas que terminavam precisamente às 22 horas, para preservar a saúde dos pacientes.

A rotina da saúde Permanecer em balneários era uma das poucas opções, naquela época, para alguns problemas de saúde. Em Thermas de Lyndoia os pacientes se instalavam, bebiam água, faziam uma alimentação adequada. A rotina era acompanhada por médicos. Independente disso, as famílias programavam longos períodos de férias na cidade, fazendo turismo e compras.

Curiosidades  Em 1928, Madame Curie, prêmio Nobel de Química, esteve no Brasil e visitou Thermas de Lyndoia. O assunto foi a radioatividades das águas.  O Balneário Municipal exibe uma nota fiscal emitida em 2 de abril de 1969, três meses e meio antes do homem chegar à lua. No pedido, 100 dúzias de garrafas com 500ml contendo água mineral de Águas de Lindóia, que foram embarcadas para Cabo Kennedy, a pedido da NASA.

8 touché! touche_JULHO_11.pmd

8

28/7/2011, 12:11


Sítio Monte Alegre Trilha ecológica, caminhadas, cachoeira. O sítio é um passeio perfeito para conhecer a natureza. Contato: 19 3824-7665 – www.aguasdelindoia.cc/ sitiomontealegre/home.htm

touché! 9 touche_JULHO_11.pmd

9

28/7/2011, 12:11


Praça Adhemar de Barros Projetada por Burle Marx, possui uma grande área verde, ideal para passeios a pé ou charretes. A fonte luminosa e sonora funciona todas as noites, encantando os passantes. Durante o dia, a paisagem divide espaço com patos, gansos e outras aves.

Balneário Ponto central da história da cidade, o balneário foi construído pelo médico italiano Dr. Francisco Tozzi. Contato: 19 3824-1435 – www.balnearioaguasdelindoia.com.br

Thermas Regionais de Águas de Lindóias Parque aquático com várias piscinas e toboáguas gigantes, além de outras atrações. 19 3824-1344 – www.pousadathermaspark.com.br

Circuito das montanhas Passeio pelas montanhas com percurso de 8 quilômetros, iniciando na Represa Cavalinho Branco. A caminhada pode ser feita à pé, cavalo, charrete ou automóvel. Se for à pé, escolho o raiar do dia.

Capela Nossa Senhora das Graças

Morro do Cruzeiro A dois quilômetros do centro, oferece uma visão panorâmica de toda a cidade e arredores.

Patrimônio histórico da cidade. Próxima ao balneário, foi construída à partir de 1918. 19 3824-6699.

Agência IOB – Jundiaí Tel.: (11) 2449.2338

10 touché! touche_JULHO_11.pmd

10

28/7/2011, 12:12


Engenho do Barreiro Local de visitação que remonta há mais de 100 anos. A história do lugar é contada através do Sr. Ditinho, um senhor simpático que distribui disposição. 19 3824-3137

touché! 11 touche_JULHO_11.pmd

11

28/7/2011, 12:12


Boa Opção para comprar malhas

Bosque Municipal Zequinha de Abreu Localizado na Praça Dr. Francisco Tozzi, em frente ao Balneário, é uma alameda arborizada, com um riacho em toda sua extensão.

12 touché! touche_JULHO_11.pmd

12

28/7/2011, 12:12


touche_JULHO_11.pmd

13

28/7/2011, 12:13


Atendimento é tudo em vendas, diz consultor Sua palestra é para lá de dinâmica. Uma união de conhecimento, referências e vídeos que deixa a plateia eletrizada. Mas a vida nem sempre foi assim um mar de rosas para André Zem, consultor de vendas e gerente de uma grande loja de móveis destinados ao público AB da região.

Quando pequeno, Zem morava num bairro de alta classe,

Articulado e bem humorado, 31 anos, acredita ter trilhado um caminho raro de se encontrar, em vista do lugar de onde saiu. “Minha mãe cortava cana e meu pai tinha problemas com a bebida, o que acabou fazendo com que perdêssemos muita coisa”, conta ele.

la. Meus pais jamais olharam meus

de calçados, onde exercia a fun-

rezava agradecido pela oportu-

cadernos”, lembra.

ção de estoquista. Não demorou

nidade”.

numa casa herdada do avô. Nes-

Quando Zem estava com 12

muito para ser contrato por uma

Certo dia, vendeu um calça-

sa época, a mãe chegou a passar

anos, mudaram de bairro. O ga-

rede, também na linha de sapa-

do para o proprietário de uma

roupas dos moradores da redon-

roto decidiu que era hora de co-

tos. O primeiro cargo foi vende-

rede de lojas de móveis popula-

deza. “Minha infância foi triste. Eu

meçar ganhar a vida. Foi traba-

dor, passando a chefe de esto-

res. Muito provavelmente encan-

tinha todas as vontades de criança,

lhar num varejão, descascando

ques, vitrines e gerência. “Ado-

tado com a atuação de Zem, ele

mas muitas vezes vivíamos de fa-

cebolas. “Nas minhas palestras,

rava meu emprego, não tinha

não demorou muito para procu-

vores. Fui um aluno regular, ape-

digo que já comecei chorando”,

vontade de ir embora. Quando a

rar o consultor e o convidar para

sar de não gostar muito de ir à esco-

brinca. De lá, foi para uma loja

loja fechava, eu me ajoelhava e

assumir a gerência de seu negó-

14 touché! touche_JULHO_11.pmd

14

28/7/2011, 12:13


cio. “Nunca tinha pensado em trabalhar lá. Era preciso pegar

A CONSULTORIA

o microfone, chamar as pessoas. Mas o salário era irrecusável e fui”, recorda. A experiência recompensou. Frequentava programas de rádio, convidando as pessoas a trocarem seus móveis. A loja que gerenciava tinha palhaço e algodão doce na frente. “Vendia mais do que as outras lojas da rede e era muito elogiado”, diz. O resultado foi a conquista da supervisão, aos 19 anos. “Inaugurei 23 lojas, treinava os vendedores. Cuidava de 700 funcionários. Tinha que ter resultado”, lembra. Ele conta que, até hoje, só pegou uma semana de férias na semana do seu casamento. Não gosta? Gosta sim, mas acredita que, para crescer, precisava trabalhar incansavelmente. E era o que fazia.

Foi como supervisor que André descobriu o gosto pelo treinamento e consultoria. “Fiquei quieto mas passei a acalentar esse sonho, captar material”. Enquanto esse tempo não chegava, ele voltou a estudar. Fez Marketing e atualmente está concluindo a pósgraduação. Em 2000, porém, o dono da rede onde André era supervisor decidiu trocar o perfil de seu público. Vendeu as lojas e abriu duas para cli-

entes das classes AB. André foi administrando as lojas, fazendo com que crescessem. Mas nunca, nem por um minuto esqueceu o sonho da consultoria. Em 2007 começou um trabalho junto a algumas lojas de Piracicaba. Atualmente, divide seu tempo entre as lojas que administra – hoje são quatro -, palestras e consultorias. Para ele, o mais importante no sucesso da venda é o atendimento excelente. “É preciso ter atitude de campeão. Ser dedicado, estudar, atender com o coração. Não

se pode ser vendedor do cliente. Tem que ser gerente, monitorar a satisfação. O cliente tem que sair feliz por inteiro”, ensina. Quando uma pessoa decide entrar numa loja para adquirir um produto, tem muita expectativa, mas só se abre quando passa a confiar em quem está vendendo. “E, finalmente, é preciso conhecer sua concorrência. Vendedor mal informado não vende bem”, completa.

touché! 15 touche_JULHO_11.pmd

15

28/7/2011, 12:13


tecnologia

Um corpo que cai Na era pré-digital, as memórias daqueles que partiam dessa para uma melhor, eram objetos sagrados. Pensamentos presos a diários, fotos amareladas, roupas, móveis, enfim objetos palpáveis, táteis configurados pela solidez do átomo reforçavam as lembranças e faziam parte do rito da passagem. Mais do que isso, vez por outra as editoras lançam livros totalmente baseados em cartas. Missivas entre líderes sempre dão grandes histórias e aumentam a compreensão de fatos marcantes. Tenho tentado imaginar o que será daqui para frente. Quem irá se preocupar em apagar os vestígios digitais daqueles que já não estão mais entre nós? Quem irá lembrar de guardar sei lá, emails históricos? Postagens que mudaram o curso dos acontecimentos? SMS que evitaram guerras? Tudo isso será possível ? Deve gerar um evidente incômodo emails que continuam chegando, SMS não solicitados que apitam no celular já sem

dono, amizades digitais de pessoas que talvez nem se conhecem muito bem mas insistem em enviar convites pelas mídias sociais. Além de perfis que atualmente espalhamos pelo universo digital, duram uma eternidade e que muitas vezes esbarramos com eles, numa busca feita naquela madrugada insone e fria. Mas há outras implicações com a gestão da vida digital depois de uma morte. Hoje somos assoberbados por uma avalanche de senhas, logins e

passwords. Da simples entrada num PC até a marcação das contas bancárias, nossa vida se tornou um repositório de números, nomes e datas difíceis de administrar. Tente perder uma senha importante para ver o trabalho que dá para recuperá-la. É preciso, antes de tudo, provar que você é você mesmo. Além do impacto emocional, cresce o valor de inúmeros ativos da nossa vida digital. Um domínio de internet aqui, um endereço de email ali e tudo vai

16 touché! touche_JULHO_11.pmd

16

28/7/2011, 12:13

se complicando. E isso pode ficar ainda pior. A computação em nuvem, hardwares (computadores, celulares e até mesmo trancas de automóveis ou casas) devem apostar em reconhecimento da íris ou nas digitais. A simples presença de senhas numéricas não serão mais suficientes. Nessa nova era digital será necessário o corpo. Mas, e se o corpo não estiver mais entre nós?

André Barros, tem sofrido de insônia ao pensar nas questões acima. tecnologia@revistatouche.com.br


Roda da fortuna Reajustes salgados nos pedágios, quebra de promessa eleitoral e instalação de novas praças elevam significativamente o faturamento das concessionárias de pedágio por Gerson Sartori Há inúmeros negócios rentáveis por aí. Bancos, supermercados, grifes famosas. Mas nenhum se compara aos pedágios. O ritmo alucinante das cabines lembra muito os caça-níqueis de Las Vegas vistos nos filmes. Podemos até imaginar as cancelas como alavancas que inundam as concessionárias de dinheiro cada vez que um veículo avança. O que era, entretanto, ruim vai ficar pior. No dia 27 de junho, o gover no tucano de Geraldo Alckmin, contrariando promessa de campanha, anunciou novo reajuste nos pedágios de São Paulo. O valor cobrado nas 12 concessões mais antigas, da década de 1990, foi reajustado novamente com base no Índice Geral de Preços (IGP-M), que é o mais alto dos critérios que poderiam ser adotados. No período base para cálculo (entre junho de 2010 e maio de 2011), o acumulado foi de 9,77%. Foram vitimados motoristas que trafegam pela Bandeirantes, Castelo Branco,

Anchieta e Imigrantes. O pedágio de Caieiras da Bandeirantes, no caminho para São Paulo, vai passar dos já salgados R$ 6,35 para R$ 7,00. Foi e voltou, 14 pilas a menos no bolso. Na Imigrantes, separe uma nota de R$ 20,00 e uma moeda de R$ 0,10 – e entregue para a mocinha R$ 20,10. Nas seis outras rodovias, entregues para a iniciativa privada em 2000, o índice adotado foi o IPCA, que fechou em 6,55%. Estão nessa triste rota motoristas da Ayrton Senna e o Trecho Oeste do Rodonel, entre outras. Mais decepcionante que não cumprir o compromisso de revisar os contratos no primeiro ano de seu mandato, Alckmin, ao atender as multimilionárias concessionárias detentoras do pedágio, dá sua nefasta contribuição para que parte dos salários dos trabalhadores, rendimentos das empresas ou o minguado dinheiro dos aposentados se consuma nessa roda da fortuna. Obviamente o impacto do reajuste não se dá apenas sobre

quem trafega nessas praças, mas influencia toda cadeia produtiva, uma vez que o custo do transporte está diretamente ligado a composição de preços. Em outras palavras, mesmo quem nunca pisou numa das estradas vai pagar pela fúria arrecadadora das concessionárias, sob as bênçãos do governo de São Paulo. O projeto em curso de Alckmin, como sabemos, é muito mais aterrador, e prevê uma verdadeira epidemia de pedágios espalhados por trechos tão curtos como aquele que liga Jundiaí a Itatiba. As reações contrárias a esse verdadeira ataque ao bolso do contribuinte já começam a pipocar aqui e ali. Quem sabe, a exemplo da Primavera Árabe, quando a população, mobilizada pelas redes sociais, se revoltou contra seus ditadores, a gente não consegue realizar a nossa Primavera das Estradas, onde também iremos buscar a libertação dos grilhões das concessionárias. Claro, de forma muito pacífica e usando a melhor arma que temos a disposição – o voto!

Gerson Sartori foi candidato a Prefeito em Jundiaí nas eleições de 2008 pelo Partido dos Trabalhadores, presidiu a Comissão Municipal de Emprego e mantém um atuante trabalho no segmento de mobilidade urbana, discutindo além do pedágio, a implantação do bilhete único.

touché! 17 touche_JULHO_11.pmd

17

28/7/2011, 12:13


Nas prateleiras

Frescor de coco e uva A Natura coloca mais três produtos em sua coleção para deixar sua rotina ainda mais gostosa: hidratante de banho com enxágue, creme esfoliante e hidradante refrescante para os pés. Bom para comprar quando o verão chegar. Procure sua consultora ou: 0800-115566. Email: snac@natura.net. Site: www.natura.net.

Milk shake Uma embalagem em formato de coqueteleira guarda a novidade da Avon Naturals: Milk shake hidratante para o corpo. A textura lembra a famosa bebida: Leve e cremosa, enriquecida com proteínas do leite. Extratos de romã e manga ou baunilha e leite. Preço sugerido: R$ 14,00. Compre através de sua revendedora ou: 0800-708-2866. Site: Avon.com.br. Folheto virtual: www.folhetoavon.com.br

Vinho para os pais Duo Malbec Nebbiolo é a sugestão do Boticário para o Dia dos Pais. A rede oferece estojos com acessórios exclusivos para agradar todos os tipos de homens. A novidade tem como base o álcool vínico macerado em barris de carvalho, unindo as uvas Malbec e Nebbiolo. Edição limitada. Procure um Boticário mais perto de você.

18 touché! touche_JULHO_11.pmd

18

28/7/2011, 12:13

Carros Uma fragrância que combina folhas verdes, madeiras e musk, a Colônia “Sinto cheiro de diversão”, que celebra o lançamento de Carros 2, foi desenvolvida para meninos com idade entre 8 e 12 anos. A embalagem é outro diferencial. Preço sugerido: R$ 25,00. Compre através de sua revendedora ou: 0800708-2866. Site: Avon.com.br. Folheto virtual: www.folhetoavon.com.br


touche_JULHO_11.pmd

19

28/7/2011, 12:13


viver bem

Sobre excessos e tranquilidades Carregamos na dose das tarefas, da comida, do falar e consumir. Somos resultado daquilo que está sendo chamado “a era dos extremos e da ansiedade”. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) 20% dos moradores das grandes cidades sofrem consequências deste transtorno que afeta qualidade de vida e saúde. Penso que estamos quase todos nesta. Estamos “agitados”. A vida na cidade sobrecarrega o sistema nervoso central com informações. Na luta para “venderem tantos sonhos” comunicam aquilo que não interessa. Empurram toneladas de “necessidades” goela abaixo. Há muita poluição visual e auditiva. Faces do estilo de vida moderno em que manuais empresariais garantem sucesso através da tal ampliação do network, da competitividade e de ser super eficiente. A mensagem ensinada nos bancos universitários é correr atrás, produzir, se destacar, ser o melhor, ser imprescindível e preparado para o mercado. Pouco valor se tem atribuído ao ser equilibrado, culto e ponderado. Valores fora de moda. Velocidade é tudo. Ser esperto. Não seja bobo. Oportunidades. Precisamos estar “conectados” com tudo e todos. A vida das grandes metrópoles parece ensinar que esta é a lei ou regra a ser seguida. Aceleramos para fazer ainda mais atividades. Isto fica em nossa pele como tatuagem. Precisamos de tudo em demasia, do contrário não estamos satisfeitos. Nossos sentidos estão se acostumando com esta inundação de sensações. E as crianças também sofrem com isto. Estresse e ansiedade surgem em decorrência de excessos e pouco tempo para coisas simples. Estamos sempre em estado de alerta e não apaziguamos nossos sistemas perceptivos. Outro dia, fui surpreendido

por uma conversa entre minhas filhas. Falavam sobre uma festa de aniversário. Foram convidadas para um momento mais íntimo, desfrutado na presença de tios e avós, além de outras crianças. A família se reuniu em imenso salão que restava abaixo da casa. Relataram que no início todos ficaram sentados conversando com os mais velhos que perguntavam coisas e riam de situações passadas em família. Que grande oportunidade de convivência com os quatro avôs. Ganhos da ampliação da expectativa de vida. Estavam integrados aos menores. Contavam piadas. Logo a festa foi alimentada por salgados e lanches colocados sobre a mesa. Posteriormente um adulto foi destacado para brincar com a galera. Surgiram bambolês, dominós e até uma amarelinha foi improvisada sobre o piso! Adultos participaram do jogo Imagem e Ação. Tudo me pareceu maravilhoso. Uma deliciosa e simples festa de aniversário em família. Mas eu não estava totalmente certo quanto as minhas impressões. Ao menos na visão das minhas filhas e das regras destes tempos modernos. Para elas a festa foi “um pouco parada”. Não entendi e questionei o que esperavam encontrar numa comemoração de aniversário. Para as pequenas a falha estava na ausência de carrinhos eletrônicos, inúmeros videogames e até discoteca. Em alguns buffets chegaram a andar em monoci-

clos automatizados, conduzidos por monitores. São tempos em que um simples aniversário de criança se torna um grande acontecimento. Jogos de pegador, pular corda, amarelinha e quebra-cabeça parecem não surtir o mesmo efeito nas gerações passadas. Não fazem frente e não concorrem com o que está por aí. Falei do meu tempo de criança quando todos os aniversários eram festejados em casa, na presença de avós e familiares. Tentei explicar sobre os sentimentos e prazeres de se estar junto e que conversar é aprender um pouco sobre como o outro entende o mundo. Eram outros tempos e não dá para transmitir a incrível sensação de alegria de se estar junto a um bando de outras crianças quando nunca se sabia as incríveis brincadeiras que podiam surgir. O imprevisível e o imaginário nos tomavam. Brincávamos por conta, sem precisar esperar que o monitor nos orientasse ou enfiasse em algum carrinho de sobe e desce. Mas isto não pode ser transmitido, tem de ser vivido... Sei que não atingi meus objetivos plenamente, por mais que tenha argumentado. Para uma criança o apelo das parafernálias eletrônicas fala mais alto. Entendo o efeito das luzes e do som para nossos cérebros ávidos. Mas espero que outros aniversários verdadeiramente em família deixem suas marcas em minhas filhas e que estas con-

20 touché! touche_JULHO_11.pmd

20

28/7/2011, 12:13

sigam aprender sobre estes sabores. Precisamos cultivar a intenção de acalmar, aquietar e contemplar. Devemos cuidar para não cometer tantos excessos ou viver como se o mundo fosse acabar amanhã. Saber momentos de falar e calar. Aprender a ouvir. Parece que estamos todos falando ao mesmo tempo, sem nenhum espectador. Vivemos o superlativo. Casamentos são festas dignas de reis e rainhas. O problema não é curtir uma grande festa, mas não saber valorizar momentos intimistas em que se têm outros valores. Estamos nos distanciando da simplicidade e esquecendo que muitas vezes o menos vale mais. Talvez acelerar demais em alguns momentos nos leve a derrapar na curva, nos custe saúde, relacionamento amoroso, família, amizades, respeito e outras conquistas importantes. Querer tudo e com data para ontem nem sempre dá bons resultados. É tanta atividade que aumenta o uso de medicamentos para manter concentração e calma. Dos caminhos que a luta pela sobrevivência impõe, deveríamos estabelecer momentos para acalmar. E como parte das escolhas, o simples também deve ser contemplado. Pense nisto e batalhe pela sua qualidade de vida! E muito sucesso!

Fernando Balbino Graduado em Educação Física pela UNESP de Rio Claro, mestre em Filosofia da Educação pela UNIMEP, doutor em Ciências Sociais pela PUC de São Paulo. viverbem@revistatouche.com.br


taste

Conhaque e outros Brandys Por muito tempo o conhaque foi considerado um destilado para ser degustado exclusivamente no frio. Porém, a utilização na culinária e em diversos drinks, tornouo indispensável no arsenal de diversos gourmets. Como em muitas outras histórias, a bebida se originou de um acidente. Consta que no século XII, alguns vinicultores da região de Charente, França, decidiram fazer uma segunda destilação de uma parte da produção de vinho com o objetivo de produzir uma bebida com alta concentração alcoólica, para que o próprio consumidor acrescentasse água e obtivesse um novo vinho. Deixaram envelhecer em tonéis de carvalho, e com o passar do tempo, a bebida adquiriu uma cor caramelo, perdeu seu odor, tornou-se forte, porém, bastante agradável. O conhaque é o produto decorrente da destilação de vinho, que apresenta uma graduação alcoólica entre 40 e 60% por volume. No século XIV adquiriu grande popularidade, sendo produzido em diversos outros locais, e foi denominado genericamente de brandy ou brande, enquanto que a designação de Cognac permaneceu sendo utilizada apenas para a bebida produzida exclusivamente na região homônima da França. Cognac é, portanto, uma indicação de procedência, da mesma forma que o Champagne. Um brandy pode ser produzido a partir de diversas frutas, entretanto, o Cognac é apenas de uvas viníferas brancas. Dependendo do tipo de fruta e da região produtora, um brandy apresenta denominações das mais variadas. As mais comuns são: Armagnac (armanhaque), feito de suco de uvas e vinhos de qualidade inferior, possui qualidades semelhantes ao Cognac; Calvados, originários da região da Baixa

Normandia, França, e são preparados a base de maçã (é uma bebida D.O.C. - origem controlada); Jerez ou Xerez, é produzido na região da Andaluzia, Espanha, onde são envelhecidos em barris de cobre. Países como África do Sul, Itália, Alemanha, Armênia e México também produzem brandys de boa qualidade. Nos EUA a bebida é feita quase que exclusivamente na Califórnia. As frutas mais utilizadas são: maçãs, ameixas, pêssego, cereja, amora e damasco. O processo de envelhecimento mais utilizado é o solera, que consiste numa mistura do produto acabado com idades variadas. Os brandys de tonalidades claras geralmente não são envelhecidos por longo tempo, enquanto que os de entretons dourados-caramelados são normalmente envelhecidos em barris de carvalho. Quanto ao tempo de envelhecimento, os brandys são assim classificados: V.S. ou três estrelas, até 5

anos de envelhecimento; V.O. (very old), entre 5 e 15 anos; V.S.O. (very special old) de 15 a 20 anos; V.S.O.P. (very special old pale), entre 20 e 25 anos; V.V.S.O.P. (very very special old pale), de 25 a 30 anos; X.O. (extra old), mais de 30 anos. O fato da grande maioria dos brandys serem envelhecidos pelo método solera, torna essa classificação discutível, uma vez que esse processo corresponde a uma mistura de bebidas de várias idades. Entre as diversas maneiras de utilizar um brandy na culinária, desde o popular strogonoff a pratos sofisticados, uma receita simples e econômica que gosto muito e tenho repetido nos últimos tempos é o Dèglacer de Filé Mignon no Conhaque (medalhões de filé ao sal e pimenta, com mostarda Dijon, creme de leite e dèglacer no conhaque). Quando pensamos em drinks, os brandys são utilizados de diversas formas, mas, o mais simples e famoso é o Alexander (creme de leite

e cacau, que pra mim necessita de um toque de canela). Até o século XVII, o conhaque era tomado antes das refeições, exatamente como o uísque. Com o encarecimento dos melhores produtos, passou a ser consumido como um digestivo, ao final das refeições. Numa temperatura em torno de 16ºC, o brandy apresenta sabores mais agradáveis, o que determinou o hábito de aquecer a bebida com a palma das mãos, quando das temperaturas baixas européias. Por esse motivo, são servidos em cálices bojudos que facilitam o contato com as mãos. É um erro fazer esse ritual quando de temperaturas maiores que 16ºC, como ocorre na maioria do ano nos trópicos. Os brandys são as bebidas mais apreciadas para degustação com charutos. Então, como sugestão para aproveitar os últimos dias de frio aqui no hemisfério sul, aproveite um jantar com carnes bem condimentadas, acenda um charuto cubano, que são apropriados nessa harmonização, e deguste um brandy de qualidade. Os Deuses da mesa agradecerão.

Godofrêdo Sampaio Médico, escritor e aficionado por vinhos, charutos e boa mesa. Membro e ex-presidente da Academia Jundiaiense de Letras.

bonvivant@revistatouche.com.br

touché! 21 touche_JULHO_11.pmd

21

28/7/2011, 12:14


touche_JULHO_11.pmd

22

28/7/2011, 12:14


touche_JULHO_11.pmd

23

28/7/2011, 12:14


touche_JULHO_11.pmd

24

28/7/2011, 12:14

touche jul11  

Revista touché! de julho de 2011