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A MODA E O FUTURO E O FUTURO DA MODA

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esafiada a fazer um panorama da moda no futuro, me deparo com a realidade de “muitas modas”. Dentre a moda que fazemos, a moda que queremos e a moda que está se aproximando, penso que ela passará por muitos caminhos, dentre eles o da sustentabilidade, junto com o da inovação e novas tecnologias. Caminhando ao lado de uma cultura de compartilhamento integrada, correlacionada e interagente. A sustentabilidade passa pelo cuidado ambiental, social e econômico. Temos de aprender a cuidar, no melhor sentido dessa palavra. Buscar a revalorização das culturas locais e tradicionais. Buscar materiais alternativos, processos mais limpos de produção e inovação aberta e colaborativa, são condições para viver no planeta. Portanto, há que se ressignificar o que é valor. Foi-se o tempo no qual se julgava que somente o natural é sustentável. Pensando, criando, desenvolvendo novos materiais, novos fios e novas tecnologias, será possível ir além das soluções da produção mais limpa e do upcycling. Temos de repensar todo o processo. Da concepção, produção e consumo de vestuário, através da análise do ciclo de vida dos produtos e seus insumos. Há que se reduzir o uso dos recursos não renováveis, investir em reuso e aí sim reciclar. As mini fábricas 4.0 ou de manufatura puxada, aproximam os consumidores às marcas e fábricas, sem intermediários. É uma nova experiência de consumo. É também uma nova experiência de produção com internet das coisas, computação em nuvem, uso de sistemas ciberfísicos, big data, realidade aumentada, robôs autônomos, simulações, integração de sistemas, cibersegurança, impressão 3D: manufatura aditiva. Tais tecnologias provocam uma manufatura ágil, em tempo real, de acordo com a demanda, portanto, apta a modularização.

por

DILARA RUBIA PEREIRA*

Os wareable tecnologics já são realidade, com funcionalidades para além das áreas médicas, home care e esporte profissional. Apple, Samsung,  Microsoft e Google disputam o este mercado e não por acaso, os aparelhos voltados para negócios incluem controle dos níveis de atividades de colaboradores visando reduzir taxas de seguros, sensores químicos para ajudar em primeiros socorros e sensores de identificação de mudanças climáticas para usos militares, além de dispositivos de comunicação que podem ser acionados sem o uso das mãos (hands-free). Nessa realidade, espera-se dos agentes do design de moda, gestores de negócios da moda e outros operadores da Cadeia de Valor, Têxtil, Moda e Confecção, participação múltipla, a cocriação, a criação em domínio aberto de novos conhecimentos técnicos, comerciais e sociais e a orientação para serviços. Deve haver uma integração das competências tradicionais e digitais. A moda se torna circular. Uma nova cultura se aproxima, onde a moda é cada vez mais inclusiva, celebrando a diversidade e encontrando nichos ainda mal atendidos. No consumo, nasce uma geração de makers, com forte desejo de exclusividade. As identidades são mais livres e os gêneros fluidos. Busca-se o ser integral capaz de produzir emoções e movimento, desprezando rótulos e utilizando processos criativos que sugiram caminhos ainda não percorridos. Como alguém já disse, deve-se pensar num “design de possibilidades” e a moda como um laboratório de criação RT do novo e inusitado. O futuro é hoje!

*Dilara Rubia Pereira é Diretora de Moda da ABTT

34 I Revista Têxtil #751

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Revista Têxtil 751  

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